The Green Slime (The Green Slime) Kinji Fukasaku (1968) Japão


Se costumam visitar o meu outro blog “Universos Esquecidos” que por força da falta de tempo também tem andado um bocado esquecido já devem ter lido esta review, mas para toda a gente que ainda não reparou no filme fica aqui este re-post agora no Cinema ao Sol Nascente por muito estranho que isto lhes possa parecer.
Eu sei que pelas imagens do filme não se nota, mas a verdade é que [“The Green Slime“] é uma produção Japonesa do final dos anos 60, apesar de não irem encontrar um único japonês no ecrã. Na verdade estão todos dentro dos fatos de borracha que simulam as criaturas invasoras.

Este é não só um daqueles filmes do piorio, como também um verdadeiro antepassado de “Aliens” e “Armageddon“. Começa quando uma equipa de astronautas é enviada para destruir um asteroide em rota de colisão e acaba em cenas de porrada genialmente rídiculas em que uma estação espacial é invadida por uma quantidade enorme de alienígenas que se reproduzem de cada vez que são atingidos.
Os monstros são na realidade uma forma de vida indígena do asteroide destruído e entraram na estação porque um dos astronautas encontrou uma espécie de baba verde nojenta na superficie do rochedo e a trouxe para bordo quando regressaram da missão.
Naturalmente aquele green slime como seria de esperar, evolui até se transformar numas criaturas ameaçadoras que são uma espécie de polvo com muito olhos e não ficariam nada deslocadas num episódio do “Espaço 1999“.

Na verdade, pensando bem [“The Green Slime“], parece uma espécie de Espaço 1999 cheio de porrada mas em estilo Austin Powers e é talvez isso que hoje em dia ainda lhe dá mais encanto. E não falta sequer uma personagem semelhante á Dra Helena Russel mas em versão Bond-Girl.
É muito dificil descrever este filme a quem nunca o viu, pois [“The Green Slime“] é um daqueles produtos que se nota á distância que foi feito no final dos anos 60 devido ao seu estilo completamente psicadélico e muito groovy baby.  Garanto-vos no entanto que é muito divertido.

Estéticamente parece um episódio de Thunderbirds mas com actores de carne e osso em vez de marionetes com fios.
Embora na verdade não se note grande diferença.
É que os actores deste filme são verdadeiramente canastrões. E quando não são eles os canastros os figurantes tratam de os substituir ao andarem á deriva pelos cenários sem saber bem o que estão ali a fazer durante as cenas de acção. O que cria situações paralelas muito engraçadas, pois se repararem bem em alguns momentos de tensão, os personagens principais estão a dar tudo para parecer estar realmente em perigo, mas depois olhamos para os figurantes e nota-se perfeitamente o contraste pois a metade deles deve estar mais a pensar o que raio estão ali a fazer com aqueles capacetes de zundap na cabeça em vez de estar no quartel militar onde os foram buscar para brincar aos soldados espaciais.

Mas a coisa mais assustadora e realmente incrível deste [“The Green Slime“] nem sequer são os temíveis invasores alienígenas ou as estonteantes cenas de acção.
A coisa que mete mais medo, é o cabelo do heroi !
É que meus amigos, nem uma marionete dos Thunderbirds consegue ter um cabelo tão bem penteado durante o tempo todo.

E por falar em heroi, acho que nunca vi um gajo tão detestável e estúpido num filme espacial. Além de ser um autêntico porco chauvinista (mas elas gostam), é um verdadeiro fascista arrogante que toma as decisões mais hilariantes e contraditórias ao longo de toda a história sem se preocupar com o que acontece aos seus homens desde que o seu cabelo não perca o efeito de laca constante.
O tipo parece-se ligeiramente com uma mistura entre Charlton HestonRonald Reagan o que de certa forma até tem a ver com a personalidade do personagem.
Embora o gajo seja verdadeiramente detestável, não deixa de ser engraçado ver que nos anos 60 aquela composição de personagem seria o equivalente ao heroi do filme. E não é que o gajo se safa no fim e fica com a miuda ?

Tudo o que é mau em [“The Green Slime“] é aquilo que o torna num clássico absoluto e num verdadeiro representante daquilo que normalmente associamos aos clichés dos filmes de ficção científica clássica, monstros de borracha e miudas a gritarem.
E curiosamente mais uma vez, tudo aquilo que associamos a clichés do género acaba por estar, não num filme americano mas outra vez numa produção de fora dos Estados Unidos, tal como já tinha acontecido em “Planeta Bur“.
No entanto, isto é um filme absolutamente imperdível, pois momentos geniais não faltam e é um daqueles que merecem verdadeiramente o titulo de grande clássico do lixo. Ainda por cima é lixo bem produzido.

Os cenários são muito diversificados e óbviamente cheiram a cartão pintado por todo o lado, os efeitos especiais têm fios quanto baste e os monstros de borracha não poderiam estar melhor.
Agora, alguém me explica porque razão é que os soldados precisam de andar de carrinho de golfe nos corredores da estação espacial quando as distâncias são incrivelmente curtas e toda a gente passa por eles muito mais rápido seguindo a pé ? E porque é que os carrinhos de golfe têm um tubo de escape ?
Já lhes disse que o cabelo do heroi nunca se move ?

Ah e não percam também as cenas em que os herois com fatos espaciais atendem o telefone e comunicam encostando o auscultador ao capacete. Este futuro é só técnologia.
[“The Green Slime“] foi uma produção que saiu no mesmo ano que “2001 Odisseia no Espaço” e é absolutamente notável constatarmos as diferenças estéticas entre ambos.

No meio de tudo isto não conseguimos deixar de nos espantar como o conceito de “Aliens” já estava presente neste [“The Green Slime“], pois todas as cenas de porrada nos corredores da estação remetem imediatamente para o filme de James Cameron o que dão actualmente uma nova vida a esta aventura espacial com espírito de Austin Powers.
E claro, as cenas no asteroide parecem uma versão antiga do filme “Armageddon” o que misturadas com o estilo “Aliens” dá origem a um produto muito engraçado.

No entanto nem tudo é bom porque é mau.
Há partes más que são realmente más e como tal contribuem para que [“The Green Slime“], não seja tão bom quanto deveria ser, sendo mau.
Faz sentido ?
O filme nem tem 90 minutos mas mesmo com tanta porrada ás vezes parece bem mais longo, talvez por esta não ter qualquer suspanse devido á sua ingenuídade e isso tornar redundantes algumas cenas que se calhar antigamente funcionavam, mas actualmente já estão extremamente datadas até mesmo para o espectador que como eu gosta deste tipo de filmes e normalmente se diverte com eles.

O facto de ser um filme japonês também lhe dá uma identidade um pouco indefinida, pois segue toda aquela estética de Godzilla mas tem um ritmo narrativo algo errático o que torna o facto dos actores serem todos estrangeiros, nomeadamente americanos, franceses e italianos num pormenor ainda mais curioso pois muitos parecem um bocado á deriva em todo o argumento e nenhum é usado plenamente, chegando alguns a ter menos tempo de ecran do que o próprio cabelo do heroi facho-chauvinísta.

Mas não deixem que isto os impeça de espreitar este [“The Green Slime“], pois é um verdadeiro filme de culto com quase tudo no lugar e onde nem faltam as estações espaciais penduradas por fios, as cenas de tiroteio no espaço ou os incendios no vácuo com as chamas a deslocarem-se para cima.
E claro, os diálogos atrozes e situações completamente ilógicas, que quase que tornam imprevisível aquilo que já se espera que vamos ver.

Uma nota curiosa também para o facto de já nesta altura terem arriscado um bocadinho de gore, com algumas cenas óbviamente contidas, mas que não deixam de criar um ambiente ainda mais campy que só fica bem a um filme que mete monstros horríveis a matarem pessoas em grandes quantidades.

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CLASSIFICAÇÃO:
Um verdadeiro filme de culto dentro da ficção científica clássica e tão ridiculo que se torna hipnótico.
Uma nota especial para a banda sonora verdadeiramente Austin Powers que lhes vai ficar na cabeça para sempre de tão má que é.
Apesar de muitas fragilidades merece quatro tigelas de noodles, pois é realmente uma peça única dentro deste género de cinema. Ainda por cima é outro produto oriental completamente desmiolado e só isso vale uma tigela adicional, portanto leva quatro e não trés.

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A favor: tudo é absolutamente mau e como tal tudo é bom, os cenários de cartão, os polvos de borracha, o conceito do green slime enquanto cena nojenta, as cenas de tiroteio no espaço com muitos fios e astronautas, as cenas ao estilo “Armageddon” na superficie do asteroide, é um antepassado do “Aliens” e nota-se, a música é do piorio, parece um episódio do “Espaço 1999” mas com porrada a duzentos á hora, os efeitos especiais são absolutamente maus e portanto isso é muito bom pois este filme não resultaria com efeitos a sério.
Contra: os actores são uns canastrões, o heroi é um machista facho da pior espécie e sem um pingo de empatia com o espectador, o ritmo narrativo do filme nem sempre resulta plenamente e muitas das vezes o filme arrasta-se um pouco até nas cenas de acção, a mistura entre o estilo japonês de fazer cinema e a tentativa de criar algo ao género de Hollywood não resulta plenamente.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=g79_ljVC5Wk

Videoclip
http://www.youtube.com/watch?v=vKESo2ofEcw

Actualmente este é um daqueles filmes muito dificeis de encontrar em dvd e até mesmo em torrents só se arranja a versão ripada do canal Turner Classic Movies num formato pan&scan.
Por isso boa sorte e se conseguirem encontrar uma edição em dvd á venda digam qualquer coisa.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0064393/

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Sayônara, Jûpetâ (Bye bye Júpiter) Koji Hashimoto (1984) Japão


Nos últimos dois dias, a informação do meu back-office tem-me indicado que muita gente chega a este blog procurando por -“filmes de ficção científica japoneses”. O que é curioso, pois não se conhecem propriamente bons exemplos do género dentro da cinematografia daquele país mais virado para dezenas de Godzillas e variações de Power Rangers.
Tirando algumas excepções como por exemplo o muito bom “Virus” e os excelentes “Natural City“, “2009 – Lost Memories” ou “Returner“, raramente se encontram produções asiáticas de ficção científica que tratem os ambientes e os temas da mesma forma séria que o cinema ocidental até costuma abordar bem.

No entanto na época em que surgiram os primeiros Star Wars no final dos anos 70, inicios de 80, parece que os Japoneses tentaram produzir alguns titulos que inclusivamente tiveram sucesso internacional suficiente para chegarem até a ser exibidos no cinema em Portugal, como por exemplo “Message from Space” ou o esquecido “War in Space” intitulado em Portugal – “Guerra no Espaço”.
O filme de que vos vou falar a seguir é precisamente dos mesmos produtores do segundo título e tem o estranho titulo de [“Sayonara Júpiter“], conhecido em inglés como “Bye Bye Júpiter“.
O que diga-se de passagem não será propriamente um título muito entusiasmante e como tal deve ter sido responsável por este filme não ser propriamente um dos exemplos mais populares no género.
Embora merecesse, pois é realmente um filme com características muito especiais.

Este deve ser um dos mais estranhos e originais filmes de ficção científica que me passaram pelas mãos nos últimos anos. E dos mais divertidos filmes orientais também.
É surpreendente a mistura entre coisas absolutamente extraordinárias com outras completamente inacreditáveis de tão más que são. Não há meio termo neste filme.
Ou nos maravilhamos com o que vemos no ecrã ou apetece-nos partir a cara a quem fez este incrível filme.
Como tal, [“Sayonara Júpiter“] é um daqueles filmes asiáticos que não conseguimos deixar de odiar e adorar ao mesmo tempo. Não pode haver dois campos opostos, pois os seus aspectos positivos são tão fascinantes quanto detestável é o que tem de negativo e por isso estaria a mentir se disesse aqui que adorei ou detestei este filme, pois realmente neste caso, aconteceu-me sentir as duas coisas ao mesmo tempo. Só vocês vendo mesmo.
E vale a pena ser visto.

Para começar os efeitos especiais são mágnificos, especialmente tendo em conta que o filme foi produzido em 1983 e ainda não havia cá CGIs.
Para todos aqueles que ainda preferem uma boa maqueta bem filmada a uma nave animada em computador, vão encontrar em [“Sayonara Júpiter“] um verdadeiro tesouro perdido.
As cenas espaciais são absolutamente extraordinárias com uma atmosfera verdadeiramente espacial como não encontrava há muito muito tempo num filme. É dificil de explicar isto, mas sente-se não só a existência de uma técnologia como principalmente a vastidão do espaço ganha um contorno quase romântico na forma como é constantemente filmada.
Tal como em “2001 Odisseia no Espaço“, [“Sayonara Júpiter“] conta com dezenas de sequências que são verdadeiros bailados espaciais com naves deslizando em gravidade zero e onde quase por vezes parece que vão roçar o plágio estético do filme de Kubrick mas no entanto conseguem não só ter uma identidade muito própria como ainda por cima técnicamente em efeitos visuais este é um daqueles grandes filmes que não envergonha ninguém, muito pelo contrário.

Nota-se claramente que tanto estéticamente no design das naves como em termos de realização das cenas do espaço tudo foi muito inspirado em “2001 Odisseia no Espaço” mas ainda bem que o foi, pois tudo funciona tão bem que assistir a este filme nessas sequências é um verdadeiro prazer para quem como eu,  já há muito procurava um filme que respirasse de uma realistica atmosfera astronautica depois de ver tanto gráfico feito em computador nos ultimos quinze anos.
A primeira cena de acostagem na estação espacial é simplesmente perfeita e para isso contribui também muito uma banda sonora que não poderia ter sido melhor, pois com o seu ambiente quase náutico é uma das coisas que mais contribui para neste filme se sinta verdadeiramente que o universo é não só muito vasto, como também pode ser misterioso e romântico.
No entanto, tal como o próprio filme, a banda sonora apesar de mágnifica nas cenas espaciais de repente espalha-se ao comprido noutras partes de que já falarei mais adiante e que que quase arruinam tudo o que é muito bom em [“Sayonara Júpiter“].

Portanto, resumindo esta parte; técnicamente o filme não poderia ter sido melhor e na minha opinião, em efeitos especiais é um dos melhores trabalhos que vi num produto do início dos anos 80. Tudo muito bem feito e atmosférico, onde além das naves também podemos contemplar algumas mas mais inspiradas paisagens espaciais do nosso sistema solar que me lembro de ter encontrado criadas através de efeitos tradicionais e onde podemos até fazer uma imaginativa viagem ao interior das núvens do planeta Júpiter.

Também uma nota extremamente positiva para os efeitos de gravidade zero com personagens humanos. Ainda muita gente que discute o filme na net, está a tentar perceber como conseguiram os autores de [“Sayonara Júpiter“] criar um par de breves sequências flutuantes muito bem sucedidas numa altura em que ainda não existiam computadores para removerem digitalmente os cabos que seguravam adereços e actores mas a verdade é que chegam realmente a impressionar pela sua naturalidade.

Mas como nem tudo é positivo e já que falamos de actores…
Mais uma vez estamos perante uma estranha mega produção japonesa cheia de actores internacionais.
E cada um pior que o outro.
Os americanos então é de um gajo ficar parvo a olhar para o ecran de cada vez que abrem a boca.
E os restantes também não vão muito longe, excepto, os japoneses que soam naturalmente (acho eu) e salvam a situação.
Em [“Sayonara Júpiter“], durante este filme fala-se não só japonês, como inglés, francês, alemão e mais qualquer outra coisa que agora nem me recordo, talvez espanhol … ou se calhar seria português. E depois há cenas em que os diálogos são em linguas diferentes. Eu explico…
Temos sequências em que um personagem está a falar com outro em japonês, só que o segundo depois responde-lhe em Alemão e subitamente entra mais um na conversa a falar em Francês e assim por diante, o que cria um tipo de filme que não estamos propriamente habituados a ver. Isto para não dizer também que os americanos depois também falam japonês e os japoneses falam inglés, etc, etc, etc.
E não são dobragens, pois são actores que realmente viviam e trabalhavam no Japão da altura e portanto conheciam a lingua do país.
Não que isto resulte mal, mas é muito estranho.
Ainda mais estranho que as camisas do heroi.

Agora, mau, mas mesmo mau…
Mesmo, mesmo, mesmo muito mau…são as cenas com os Hippies internacionais.
Confusos ? You will be, you will be…
Se calhar é melhor contar um pouco da história disto.
Em [“Sayonara Júpiter“], entre uma outra quantidade enorme de histórias paralelas com sub-plots e sub-sub-plots, conta-se também a história de um grupo de cientístas que basicamente querem explodir com o planeta Júpiter de modo a criar um segundo sol no sistema solar para servir as luas interiores que entretanto foram colonizadas pela humanidade e precisam da luz e calor que não podem obter naturalmente pela distância a que estão do centro do sistema solar.
Ora isto não agrada nada a uma seita religiosa chamada “Church of Júpiter” que basicamente é composta por uma cambada de Hippies do mundo inteiro (que aparentemente vivem todos no mesmo lugar no Japão) mas não fazem mais nada na vida a não ser passar o dia na praia num ambiente estilo Baywatch enquanto idolatram um gajo que é uma mistura entre Jesus Cristo, Elvis Presley (na sua fase Havaiana), John Lennon e Bin Ladden.
A sério !
De ver para crer.

Ora mesmo parecendo que estes gajos não fazem mais nada a não ser ouvir o seu messias a cantar as mais atrozes canções hippies que vocês possam imaginar, têm no entanto dinheiro para pagar uma viagem até Júpiter e protestar contrar a destruição do planeta colocando bombas e sabotando toda a experiência sempre que podem.
Não perguntem que eu também não sei responder… deixem-se levar pela história, pois garanto-vos que a coisa tem toda a lógica dentro do conceito do filme.
Bom, no entanto são precisamente estas partes com os hippies que quase (quase?), arruinam [“Sayonara Júpiter“], pois vocês nem fazem ideia de como este sub-plot é mau.
Não só é mau e ridículo como perfeitamente desnecessário pois o filme já tem histórias de outro estilo por todo o lado e não precisava disto para o tornar ainda mais desconjuntado.

Na verdade, se isto quase que torna [“Sayonara Júpiter“], intragável por momentos, por outro lado este filme oriental não seria o mesmo sem estas cenas.
O que torna esta produção em algo único, pois é uma verdadeira mistura entre a excelência técnica de “2001 Odisseia no Espaço“,  o divertimento campy de “Star Wars” e o puro lixo de um “Plan 9 from Outer Space” se este no entanto tivesse sido um filme musical com banda sonora de Joan Baez na sua fase flower power contestatária.
E como se ainda não bastasse, a narrativa interessante do filme, é interrompida pelo menos durante quatro vezes para levarmos com um videoclip de peace & love que fará vomitar até o maior fã de “Woodstock“. Sim, porque o chefe do bando de Hippies terroristas, espalha a sua palavra a cantar.
Mal !
E como uma desgraça nunca vem só, o tipo ainda consegue tocar guitarra sem fazer qualquer acorde.
Tudo isto seria muito divertido se não fossemos obrigados a assistir a vários teledíscos do mais piroso que interrompem algumas das partes mais interessantes do filme para levarmos com o Bin Laden entoando canções do peace ao pior estilo – salvem as baleias, a natureza e matem os infieis.
Ainda tenho que confirmar se estas músicas atrozes, foram compostas pela mesma pessoa que criou a excelente e ambiental banda sonora deste filme, pois recuso-me a acreditar que tenha sido capaz do melhor e do pior.
É nesta altura que irão poder ver uma das cenas mais gamadas de sempre ao filme do “Tubarão”.
Nem digo mais para que vocês vejam a sequência, pois é genial na forma como até vai roubar os enquadramentos de Spielberg.
O que me leva a outra coisa curiosa neste filme asiático.

Mesmo sendo uma obra extremamente levezinha e divertida, de vez em quando entra por momentos gore totalmente inesperados. Não será propriamente um filme com baldes de sangue, nem com cenas nojentas, mas ainda contém alguns bocados de corpos ocasionais que parecem deslocados do tom geral do filme. O que lhe dá ainda uma identidade ainda mais estranha mas apelativa, pois nunca sabemos bem o que poderá acontecer a seguir na história ou que caminho o argumento irá seguir pois a partir de certa altura tudo é possível.
E já lhes falei nas gajas nuas ?
Pois, bem me parecia.
Este filme também mete miudas sem roupa o que ainda é mais estranho, pois na realidade não tem motivo algum para incluir as cenas de nú que inclui. Não que me esteja a queixar, até porque são supreendentemente reveladoras e até funcionam bem dentro da sequência de efeitos especiais que ilustram.

Na verdade [“Sayonara Júpiter“], merece ser visto nem que seja uma vez.
Se conseguirem não vomitar durante as partes hippies completamente imbecis e gostarem de boas cenas espaciais vão gostar certamente do filme apesar das suas inúmeras falhas.
Afinal este não só é um grande filme em termos técnicos, como acima de tudo é um filme grande, pois tem 140 minutos onde irão encontrar certamente muita coisa para apreciar. Por mim tirava-se a meia hora com o freaks cantantes e o filme ficaria bem mais afinado, mas não se pode ter tudo.
Mas se gostam de filmes espaciais pouco conhecidos, têm aqui uma boa opção que merece ser descoberta. Afinal no meio de tudo ainda têm as partes de pura space-opera ao melhor estilo “Star Wars” com batalhas laser em corredores de estações espaciais e embora aqui não entrem R2-D2 ou Chewbaccas as cenas de acção deste estílo são sempre divertidas. E neste caso algo inesperadas, pois faz com que [“Sayonara Júpiter“], de repente pareça uma espécie de “2001 Odisseia no Espaço“,  se este tivesse sido um filme de porrada. Embora também não tenha muita e se calhar devia ter pois esforça-se demasiado para tentar ser ficção-científica séria quando todo esse esforço acaba deitado por terra mal o Bin Ladden dos Hippies saca da guitarra e começa a cantar o amor pelo seu golfinho favorito chamado precisamente, Júpiter.

Outra coisa muito negativa em [“Sayonara Júpiter“], é o facto de por momentos parecer que vamos ter uma história cheia de mistério envolvendo uma enigmática raça extra terrestre que deixou artefactos em Marte e foi responsável também pelas linhas de Nazca na Terra mas depois todo esse angulo nem sequer é explorado ao longo do filme. Parece que tal descoberta causou menos impacto na humanidade do que o impacto nos neurónios do espectador de cada vez que temos que ver outro teledísco hippie por razão absolutamente nenhuma a meio do filme.
Este angulo extra-terrestre tinha tudo para ser um dos pontos fortes do filme, e a criatura/nave-espacial que habita a alta atmosfera de Júpiter é uma criação perfeita tanto em conceito como no que toca a efeitos especiais. E no entanto, os produtores do filme parece que não se importaram e deitaram por terra todas as mágnifcas possibilidades que este caminho da história poderia ter seguido e nunca segue sabe-se lá porquê.
A temática só volta a entrar em cena, nas sequências finais quando estão a tentar explodir Júpiter e mesmo assim nem se percebe bem para quê ou o que a ideia com o contacto extra-terrestre está a fazer neste filme pois não serve absolutamente para nada nem tem qualquer interferência na história central á volta das sabotagens dos Hippies espaciais.

Tivessem esquecido os Hippies do espaço e desenvolvido o fantástico conceito da ligação Terra-Júpiter-Marte e a sua relação com a critatura que habita nas núvens jupiterianas e [“Sayonara Júpiter“], teria sido um filme de ficção científica fantástico, pois técnicamente tinha tudo para ser um marco dentro do cinema de aventuras espacias com uma base muito ao estilo do filme de Kubrick e uma pitada de leveza ao estilo “2010” de Peter Hyams com o qual este filme tem inúmeras semelhanças (apesar de ter sido produzido ao mesmo tempo no outro lado do mundo).

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CLASSIFICAÇÃO:

Um excelente filme oriental espacial que resulta num cruzamento estranho entre  “Starwars” e “2001 Odisseia no Espaço“. Mas tudo o que tem de muito bom, é quase destruído por um par de cenas absolutamente ridiculas envolvendo Hippies espaciais que não contribuiem em absoluto para o filme e impede-o de ser a verdadeira obra prima do cinema asiático que merecia ter sido.
No entanto, é mesmo muito divertido e as cenas espaciais são absolutamente fantásticas.
Quatro tigelas de noodles e embora se calhar até mereça mais, aqueles hippies do espaço são verdadeiramente enervantes por isso…

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A favor: é um excelente clone original do estilo “Starwars” com um estilo visual fabuloso retirado directamente do melhor de “2001 Odisseia no Espaço“, os efeitos especiais são incriveis com cenas espaciais muito atmosféricas e excelentes sequências em gravidade zero, o design de produção é mesmo muito bom e tem grande imaginação no conceito das naves e cenários de mundos do sistema solar, usa muito bem os cenários naturais e consegue integra-los bastante bem dentro do estilo gráfico do próprio filme, as maquetas das naves são fascinantes, os actores americanos são do piorio o que dá uma aura kitsh muito divertida á obra, tem uma identidade completamente japonesa, as cenas de porrada espacial em corredores são divertidas, tenta ser ficção científica séria em alguns momentos e quase que o consegue, a banda sonora ambiental para as cenas do espaço é absolutamente perfeita.

Contra: tem pelo menos meia hora de sequências inacreditávelmente más e absolutamente ridiculas envolvendo hippies espaciais, o chefe dos Hippies que é uma espécie de Bin Ladden saído do Woodstock canta algumas das mais atrozes canções ao estilo flower power que jamais ouviram num filme de ficção científica e só comparáveis á horrorosa e deslocada musica de Joan Baez no clássico americano Silent Running“, tem um puto génio que é a cara do Harry Potter e que nos dá cabo dos nervos de tão mau actor que é, e já agora vocês nunca viram uma colecção tão grande de maus actores reunidos num só filme espacial, como resultado os personagens não têm um pingo de interesse pois os que não são ridículos também nem têm muito tempo de vida no ecran.
E se pensam que os actores originais são absolutamente maus, vocês não podem perder também a versão semi-dobrada que vem incluida no dvd e do qual fica aqui um extracto de segundos (o actor japonês está dobrado, o outro não).

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=9WVJb349t3g



Comprar
Esta edição R1 é excelente e é definitivamente o DVD que vocês querem ter. Comprem aqui.
E não estou apenas a falar da qualidade geral do som e imagem, mas sim porque além de uma boa transcrição do filme, contém óptimos extras embora curtos.

Essencialmente tem um pequeno documentário de menos de meia hora sobre o making of que é absolutamente indispensável para quem quer ver como se faziam os efeitos especiais antes de existirem animações de CGI.
Além desse excelente documentário sobre as filmagens, tem uma secção de texto que é uma verdadeira enciclopédia sobre a produção do filme. Contém artigos, biografias e páginas e páginas de informação sempre muito interessantes sobre o processo de criação desta obra. Inclusive na parte final ainda tem uma espécie de catálogo de designs de naves espaciais. E isto para não falar das habituais galerias de fotos e design de produção que aqui também estão bem representadas.
O único senão desta area de texto é a péssima navegação para o utilizador, pois se nos enganmos no botão por exemplo na página 30, voltamos ao inicio e temos de voltar a “desfolhar” tudo outra vez para chegarmos onde estavamos antes. Mas, se tiverem cuidado, vale a pena ler todos os textos depois de verem o filme pois são realmente muito informativos e pelo menos uma vez na vida vale a pena ler uma area de texto contida nos extras de um filme ! Perfeito, teria sido se em vez disto, tivessem editado um pequeno livro para vir com o dvd, mas não se pode ter tudo.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0086247/
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*Não tenho ainda nenhum filme semelhante que possa recomendar*

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