Baahubali: The Beginning (Baahubali: The Beginning) S.S. Rajamouli (2015) India


Ahhh, “Baahubali – O Começo”; por onde começar…
Há cinema bom e há cinema mau. Há ainda aquele cinema que de ser tão mau se torna automaticamente bom. Depois há o cinema Indiano…

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E como muita gente sabe Bollywood é um caso à parte.
Se a física quântica procura a prova da existência de universos paralelos, não procurem mais, vejam uns filmes de Bollywood porque está lá tudo.
Ainda hoje me pergunto, o que raio é o cinema Indiano e porque razão produções  como este [“Baahubali – The Beginning”] parecem insistir em continuar a contribuir para a minha confusão. Mais espantoso ainda é os filmes de Bollywood serem actualmente o cinema mais rentável do mundo. Para quem pensa que é o cinema americano, recomendo que leiam uns artigos sobre o assunto e irão surpreender-se com o dinheiro que o cinema Indiano faz pois nem irão acreditar. Avatar é para amadores em termos de fazer guito à parva no box-office.

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Como devem ter notado este irá ser o primeiro filme Indiano a figurar neste blog. Na verdade não deixa de ser cinema asiático também, mas é o primeiro que comento porque pura e simplesmente desta vez não consigo deixar de fazê-lo.
[“Baahubali – The Beginning”] não é o primeiro filme Indiano que vi tentando encontrar algo que valesse a pena divulgar aqui, mas é definitivamente o primeiro que na minha opinião vale a pena recomendar.
Mas não se entusiasmem. Eu disse, recomendar.
Não disse para irem vê-lo.
Recomendo que façam qualquer coisa com ele, recomendem-no a amigos que gostem MESMO de cinema Bollywood, podem sacá-lo, gravá-lo e até vê-lo mas estarão por vossa conta e não me responsabilizo pelos danos cerebrais nos leitores que não estão habituados ao estilo Indiano de fazer cinema.

Por outro lado depois de verem este trailer, vocês não vão conseguir escapar por isso nem tentem resistir.

Então ? Dá vontade de ver ou não dá ?
Parece ser um filme de fantasia altamente não é ? Ah pois é.
Este trailer está realmente um espectáculo mas cuidado, toda a adrenalina entusiasmante que aparece nesta montagem promocional está particularmente ausente do filme. O tom do filme não é de todo o tom magnifico que encontram na sua apresentação.
Então isto afinal é o quê ?
Bem, [“Baahubali – The Beginning”], é um filme de fantasia Indiano. Consta que é a produção mais cara de sempre em Bollywood e nota-se.
Se o quiserem classificar será assim o –Lord of the Rings- indiano tendo por base todo o imaginário fabuloso daquele país e nesse aspecto faz um trabalho magnifico ao passar para o grande écran todo aquele sentido épico que sempre imaginamos nas sagas relativas aos textos do Mahabharata e restantes narrativas Vedicas da India.

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Se gostam mesmo muito de filmes Indianos provavelmente nunca viram algo assim no género , podem parar de ler este texto e irem ver isto porque irão adorar.
Para quem não conhece (ou não suporta) cinema Indiano, ainda há muito para dizer. Portanto, vamos começar pelo que este filme tem de bom.
[“Baahubali – The Beginning”] visualmente é tudo o que podem ver no trailer e mais ainda.
Esta história de fantasia tem definitivamente um dos melhores designs de produção dos últimos anos e ainda parece melhor por tudo se passar num universo tão particularmente Indiano e culturalmente muito enraizado nas suas narrativas épicas.
Embora seja um filme incrivelmente colorido, depois de nos acostumarmos ao estilo visual berrante que pode desorientar-nos no inicio, podem ter a certeza que visualmente[“Baahubali – The Beginning”] é um espectáculo e só por isso é de visão obrigatória para quem se interessa não só por fantasia como principalmente para toda a gente que gosta de concept design ou ilustração.

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As paisagens são fabulosas e mesmo apesar de muita coisa tresandar obviamente a photoshop, na sua maioria é trabalho de photoshop do bom. Os matte paintings são lindíssimos em muito dos momentos estendendo paisagens naturais até um nível de fantasia fabuloso que não fica nada a dever ao melhor que se pode ver numa produção americana.
O tom de  [“Baahubali – The Beginning”] é claramente o de um livro ilustrado, uma espécie de iluminura de um veda transposto para o grande écran e nesse aspecto o CGI está particularmente bem usado em quase todo o filme embora não escape também a muitos momentos algo fraquinhos; mas isso acontece igualmente em muito cinema americano e ninguém se queixa, por isso deixem-se de tretas e apreciem o esforço que foi colocado para produzir este universo pois este mundo de fantasia indiano é fascinante e muito real.

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Em termos de design, fica aqui também o meu destaque para uma das melhores cidades de fantasia que apareceram no cinema do género desde Minas Tirith nos filmes de Peter Jackson. Temos aqui um caso em que uma complexa maqueta CGI foi criada para o cenário deste filme e parece ter sido explorada até ao último pixel. Quero com isto dizer que  [“Baahubali – The Beginning”] parece a todo o momento querer mostrar que o dinheiro que gastaram está todo no écran e nota-se. A maqueta da cidade parece que foi filmada de todos os ângulos e todo o filme está cheio de pequenos segmentos introdutórios de cenas que se iniciam cheios de ambiente porque começam sempre com uma visualização de um qualquer pormenor do cenário que termina onde começa a acção.
A arquitectura e a as cores em particular são fabulosas.

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O mesmo vale para o guarda roupa que como seria impensável num filme indiano não podia ser outra coisa senão espectacularmente colorido e imaginativo.
Como bom épico de fantasia que se preze também  [“Baahubali – The Beginning”] tinha que ter uma batalha com milhares de guerreiros à espadeirada no final e neste aspecto, embora não resulte particularmente bem em termos de adrenalina por razões que explicarei mais adiante, a verdade é que em termos de design, uso de cgi e ambiente geral o conflito final também é um dos pontos altos do filme, pois tecnicamente também não fica atrás do que se faz actualmente no cinema épico fora da India.

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E perguntam vocês…mas então  [“Baahubali – The Beginning”] é bom ?
Sim ou não ?
Bem… “nim”…

O cinema indiano é realmente algo à parte. Ou temos estômago para tanto estilo kitsh em modo “azeiteiro” e entranhamos tudo aquilo como uma experiência cultural e seguimos em frente ou então está tudo perdido e a coisa torna-se verdadeiramente secante , especialmente quando a coisa dura duas horas e meia que mais parecem quatro.
No que me toca, estou a meio termo. Normalmente tento entrar em “modo indiano” mas a verdade é que depois lá pelos 50 minutos de filme já começo a pensar que se calhar não me apetece ver aquilo tudo. Aconteceu mais uma vez neste filme também e estava com muita esperança que desta vez fosse diferente por causa de ter gostado tanto do trailer.
Mas mais uma vez também  [“Baahubali – The Beginning”] conta com certos pormenores que me irritam por demais no cinema Indiano e que sinceramente custo muito a ultrapassar.
E não, não estou a falar das cantilenas pindéricas azeiteiras dos moçoilos de bigode e das raparigas roliças que cantam e dançam por tudo e por nada nos filmes indianos.

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Isto porque surpreendentemente, desta vez  [“Baahubali – The Beginning”] é um filme indiano atípico. Talvez porque os produtores querem mesmo tentar projectar esta aventura no circuito de distribuição ocidental, as cantigas para o ar foram reduzidas apenas a dois momentos musicais ao longo do filme inteiro, o que não deixa de ser inesperado. Eu estava à espera de encontrar pelo menos umas 15 canções com dança ao longo do filme e isso não acontece de todo. A música está presente, mas está mais a servir de banda sonora nalguma montagem que faz avançar a narrativa do que propriamente encalha a história parando tudo para que os actores cantem e dancem como de costume. Desta vez a coisa é diferente para melhor.

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A primeira cantoria irritante (com uma canção pimba do mais kitsh e foleiro que possam imaginar), só aparece aos 50 minutos de filme e mesmo essa cena está bastante bem contextualizada dentro de um sonho do herói, o que na verdade alarga o tempo do filme mas não interfere na narrativa principal. Agora meus amigos, preparem o cérebro e o saco de vómito para o “videoclip” em estilo Jardim do Éden que lhes irá aparecer pela frente. Não digam que não avisei. Só as roupinhas do heroi valem o clip.

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A segunda cantoria com dança, acontece quase uma hora depois da primeira e tem lugar numa cena que mostram as bailarinas do palácio do vilão do filme. É uma breve cena musical que na verdade parece maior do que é porque é uma seca para quem como eu não suporta estas coisas no cinema Indiano, pois esta é longa demais e encalha a narrativa sem necessidade nenhuma.
E pronto em cantorias ficamos por aqui.

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Para minha surpresa neste filme, o problema desta vez não está em conseguirmos suportar os intermináveis números musicais. O problema agora tem mais a ver com a história e com os personagens.
Ou melhor, mais uma vez um filme como  [“Baahubali – The Beginning”] falha nas suas pretensões de se ocidentalizar porque não consegue fugir do estilo (pseudo) “dramático” em permanente estado de “overacting” em modo trágico dos actores/personagens.
Ou seja, o problema em  [“Baahubali – The Beginning”] é que os personagens não têm qualquer interesse porque não existe qualquer suspense e muito menos tensão dramática nesta aventura.
Os actores bem se esforçam, permanentemente aos berros, a chorar baba e ranho, a sofrerem imenso ao melhor estilo “Floribela”, ou então no registo oposto; em total modo de “comédia” azeiteira com gags de humor forçado onde inclusivamente os personagens parecem estar a dizer para o espectador … agora é para rir. Ou pior … a ser charmosos para o ecran !! Tipo, sou podre de bom !

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Não resulta. Mais uma vez o tradicional tom Indiano de caracterizar personagens e situações em modo ultra-melodramatico, versão esteroide não resulta fora da India.
Aquilo que para o público indiano será drama intenso, para um ocidental é uma verdadeira anedota.
Não tenho duvidas nenhumas que é esse tom que o público na India procura encontrar nos seus “dramas”, mas aos olhos do publico ocidental toda a carga dramática que deveria criar interesse na história pura e simplesmente desaparece para quem não tiver qualquer ligação com a cultura Indiana, porque o suposto dramatismo é tão extremo e ridiculo que anula por completo qualquer personagem ou situação que deveria ser de tensão.
Por exemplo, imagino o publico indiano a vibrar de ódio e suspense para com o vilão e a bater palmas com o herói , mas acreditem-me, para o público ocidental aquilo será humor involuntário do mais pindérico.

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O problema de  [“Baahubali – The Beginning”] está nos personagens. Simplesmente não resultam dramaticamente, são de uma piroseira total em termos cómicos e depois as suas histórias pessoais no decurso da própria narrativa principal são completamente sem nexo. Mais uma vez, tenho a certeza que isto resultará plenamente na India, mas por cá, meus amigos , certas cenas chegam a atingir momentos insuportáveis em que só apetece ligar para o argumentista e perguntar qual era a ideia. E eu nem costumo ser muito picuínhas com estas coisas. Acontece que em  [“Baahubali – The Beginning”] tudo parece desconexo, ilógico ou simplesmente piroso, o que destrói por completo qualquer carga dramática que a história pedia para ser minimamente interessante de seguir.
Não é. Esta história não tem qualquer interesse porque o tom de piroseira constante anula qualquer empatia com um publico que não tenha afinidades com a cultura indiana.

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[“Baahubali – The Beginning”] não cria qualquer empatia com o espectador em termos de personagens e até naquilo que costuma ser o forte no cinema oriental (pelas bandas do Japão ou da Coreia do Sul), as suas boas histórias de amor muito humanizadas e cheias de carísma, no caso deste filme Indiano, esqueçam. É pior que todos os filmes do Twilight juntos. Eles amam-se porque são muito giros e gostam um do outro e tá feito.
Não é este o caminho para a ocidentalização do cinema Indiano.
O excelente design e bons efeitos digitais não servem de nada se depois não conseguem sair do estereotipo Indiano na forma como desenham personagens de cartão em qualquer interesse pois nunca sentimos que aquelas pessoas estão em perigo, ou a viver um drama real.

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Temos o herói que em estilo moisés foi salvo de morrer afogado num rio e criado por camponeses até que se torna um bigode com pernas muito óleoso em termos de carisma azeiteiro com tiques de mandar olhares charmosos para a camera, temos o vilão que é mau porque sim e que usurpou o trono do monarca bom, temos a ex-raínha que vive prisioneira na praça da cidade acorrentada há mais de 25 anos à espera do filho que perdeu um dia, temos o escravo que por motivos de honra contribui mais para a desgraça de toda agente quando podia ter resolvido a situação e ter escapado há muito tempo, temos personagens árabes que não servem para nada (pelo menos para já), temos grupos de rebeldes que podiam estar num filme dos Monty Python e temos a Keira Knightley… ooops, perdão, a pirata das caraíbas… quer dizer a –princesa guerreira– que é uma psicopata do caraças e não tem problemas em decapitar soldados que se renderam ao melhor estilo radical islâmico (mas é boa moça).

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E por falar em decapitar, sangue visceras e tudo o que gostariamos de ver numa batalha.

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[“Baahubali – The Beginning”] tem montes de sangue, gargantas cortadas, decapitações e coisas assim ao longo de todo o filme. Isto até chegar à batalha final.
Depois estranhamente no conflito entre os dois exércitos… há lâminas por todo o lado mas nem uma gota de sangue. Os soldados levam espadeiradas e apenas saltam no ar em estilo banda desenhada do Asterix ou total modo cartoon da Warner Bros.
Em vez do filme continuar com gore sangrento como seria de esperar, isso não acontece de todo e de repente a batalha do final, que já tinha pouco suspense, fica ainda menos interessante pois o filme resolve entrar em auto-censura (?) precisamente nesse momento no que respeita a gente cortada aos bocados e ao sangue que (não) mostra.

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E já lhes falei do – “CGI” ?…
Não ?
Bem me parecia.
Mas não vão acreditar nesta.

Em  [“Baahubali – The Beginning”] sempre que aparece uma cena com animais (estes são todos criados em animação digital renderizada).
Até aqui tudo bem, certo ?
Errado.
Em  [“Baahubali – The Beginning”] sempre que aparece uma cena com animais, de repente surge no canto inferior esquerdo um pequeno logotipo a dizer precisamente “CGI” !!!!
Juro !!!

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Acontece primeiro numa cena em que o vilão mata um touro numa arena em estilo tourada Indiana e depois volta a acontecer precisamente no meio das cenas de batalha no final do filme !! Ora se estas já não têm qualquer adrenalina por tudo se parecer tão politicamente correcto e “infantil”, (além dos personagens sem interesse), imaginem agora que de cada vez que a camera muda de ângulo, se o breve take mostrar um cavalo, um touro, ou outro bicho qualquer no meio da batalha de repente lá está ao canto do écran “CGI” !!!
Parece anedota !!!

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Ah, depois o filme acaba a meio.
Ok, está bem, chama-se  [“Baahubali – The Beginning”], mas não pensei que fosse literalmente o inicio e nos deixasse pendurados.
A segunda parte sai ainda este ano.

Ah, mas acaba com um bom twist.
Eu fiquei com vontade de ver o resto e ainda não sei bem porquê. Muito provavelmente porque preciso recuperar do choque pindérico que esta produção provoca.
Sendo assim, vamos a conclusões.

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CLASSIFICAÇÃO para quem gosta de cinema Indiano:

Se gostam de cinema Indiano mesmo a sério e conseguem suportar todos aquele clichés tradicionais, acho que vão adorar [“Baahubali – The Beginning”] pois contém todas as formulas de Bollywood mas com menos canções desta vez.
De qualquer forma se gostam de cinema daquela parte do mundo, acho que nunca viram nada nesta escala e irão gostar pois é capaz de ser realmente a maior produção de sempre em Bollywood e nota-se bem a todo o instante no ecran.
Se aguentam a piroseira oleosa reinante, esta produção valerá mesmo a classificação de excelente.

Cinco tigelas de noodles.
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Para os outros… 😉

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CLASSIFICAÇÃO para quem não gosta ou não conhece cinema Indiano

Se não têm paciência para cinema Indiano…  [“Baahubali – The Beginning”] é apenas uma boa tentativa Indiana de criar um espectáculo de fantasia que só falha porque ter bom design e bons efeitos especiais não chega quando o estilo dramático continua a ser culturalmente restrito ao que o público indiano considera desenvolvimento de personagens. Com muita pena minha leva apenas três tigelas de noodles, porque é (subjectivamente) bom e vale a pena tentarem vê-lo pelo menos uma vez se gostam de cinema de fantasia; mas só é “bom” porque nota-se no écran o esforço da produção para criar um bom espectáculo de aventura a nível visual.
Infelizmente depois falha por completo a nível dramático.

Tres tigelas de noodles.
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Avancem com cuidado. [“Baahubali – The Beginning”] se calhar nem sequer merecerá três tigelas de noodles, mas por agora fica assim e vamos ver o que acontece na segunda parte um dia destes. Não será um filme que irei rever tão cedo, provavelmente nunca.

A favor: O ambiente visual do filme, o design da cidade de fantasia e as paisagens matte painting em geral. Não tem momentos musicais aos montes ao contrário do que costuma acontecer nos filmes indianos onde cantam e dançam por tudo e por nada. Algumas cenas de acção são divertidas. Se gostam de cinema kitsh vão adorar.

Contra: A carga dramática não existe (no “melhor” estilo exagerado do cinema indiano), os personagens são na sua maioria um vazio absoluto ilógicos e sem qualquer carisma, sem personagens a história cai por terra e perde o interesse porque toda a gente que aparece no écran está em permanente modo de –overacting– ao pior estilo cinema indiano numa historia onde os maus são muito maus e os bons são muito bons. Por causa disto, a batalha final não tem qualquer impacto ao contrário do que aparenta no trailer. Anda muita gente à porrada de um lado para o outro mas falta adrenalina às sequências pois é tudo muito anónimo em termos de acção (os vilões não nos interessam porque não os conhecemos o suficiente; os herois são um vazio absoluto). O desiquilibrio entre as varias cenas gore ao longo do filme; muito sangue inesperado na primeira metade do filme mas depois na guerra do final não há sangue em lado nenhum e tudo parece um cartoon sem chama. Mete “orcs” indianos… Sempre que aparecem animais no filme aparece também um logotipo ao canto do écran a dizer “CGI” o que se torna não só ridículo mas distrai a atenção de tudo o resto nesse momento. Sem tem uma banda sonora orquestral, nem me lembro. Os (poucos) momentos musicais são uma piroseira ao pior estilo Bollywood. A história de amor que supostamente seria um dos pontos centrais da narrativa não tem qualquer emotividade, carisma ou interesse. Parece um filme ainda maior do que já é. O trailer é melhor que o filme pois tem a adrenalina e o ambiente de aventura entusiasmante que depois não existe em [“Baahubali – The Beginning”].

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer

Trailer da segunda parte:

Comprar Blu-ray
http://www.amazon.co.uk/Bahubali-Hindi-English-Subtitles-Regions/dp/B0156J9O8I/ref=sr_1_2?s=dvd&ie=UTF8&qid=1456006658&sr=1-2&keywords=bahubali

Comprar Dvd
http://www.amazon.co.uk/Bahubali-Hindi-English-subtitles-Blockbuster/dp/B015TUBDME/ref=sr_1_1?s=dvd&ie=UTF8&qid=1456006658&sr=1-1&keywords=bahubali
IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2631186/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Promise The Myth Shinobi

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Gamgi (Flu) Sung-su Kim (2013) Coreia do Sul


O meu ano de 2014 não podia ter começado melhor em termos de cinema do que com esta injeção de adrenalina proporcionada por [“The Flu”].
Há muito tempo que não encontrava pela frente um filme catástrofe daqueles que nos deixam literalmente “on the edge of our seats” e este foi absolutamente eficaz nesse sentido pois é daqueles que nos faz querer roer as almofadas até quase ao minuto final. Especialmente quando ainda nem sequer tinha visto o trailer ou sabia qualquer coisa sobre ele.

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O que não deixa de ser surpreendente pois na verdade em termos de argumento não tem nada que vocês não tenham já visto mil vezes dentro deste género de filmes, o que para mim só lhe dá ainda mais valor, pois conseguir manter um nível de suspanse como este filme mantém nos seus 40 minutos finais com uma história que á partida não surpreende pela sua originalidade é obra !!
Se também foram daqueles que acharam o Hollywoodesco “World War Z” uma desilusão, então têm aqui o antídoto perfeito na sua vertente oriental.
Não que [“The Flu”] seja propriamente um filme de zombies mas de certa forma na sua estrutura é tudo aquilo que “World War Z” não foi em termos de adrenalina e é o exemplo perfeito de que não é o facto de um argumento estar cheio de lugares comuns e clichés que estraga um filme mas sim a forma como se trabalha esse material e neste caso não poderia estar melhor na minha opinião.

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Em termos de cinema espectáculo têm aqui também um excelente exemplo para mostrarem aquele vosso amigo que ainda pensa que só na américa se faz bom cinema comercial, isto porque visualmente [“The Flu”] conta com momentos assombrosos que não destoariam de um filme de Rolland Emerich ao melhor estilo pastilha elástica “2012”, só que aqui também temos personagens com que realmente nos importamos e não estão apenas na história para servirem de body-count e ilustrarem cenas de efeitos especiais.

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Aliás, a razão porque [“The Flu”] resulta tão bem, especialmente nos últimos 40 minutos finais, é porque por essa altura já estamos plenamente cativados pelas pessoas que vemos no ecran e não apenas pelos heróis; isto porque ao contrário do que costuma acontecer neste género de cinema, o filme não tem pressa de nos mostrar as coisas rápidas demais e aproveita o seu tempo não só para se ir tornando cada vez mais épico sem o espectador dar por isso como principalmente constrói personagens á melhor maneira sul coreana para um resultado final totalmente eficaz no que toca a criar empatia com o espectador. Em [“The Flu”] até o personagem mais secundário tem o seu momento e nada é deixado ao acaso para humanizar as pessoas que nós vemos na história, sejam elas “heróis” ou “vilões” também aqui um conceito que não se pode aplicar naquele sentido em que estamos habituados a encontrar.

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Alguma reviews ocidentais dão uma nota mediana ao filme porque dizem que os personagens choram demais e tudo é por demais melodramático. Acontece que esse melodrama é a principal característica do cinema Sul Coreano e portanto convém que o espectador entre no espírito da coisa, até porque a forma emotiva como os temas são tratados no cinema daquelas partes do mundo reflete muito a cultura desses povos. Por isso na minha opinião penalizar um filme como este apenas porque alguém acha que as pessoas choram demais para mim não faz qualquer sentido. Muito menos dentro do contexto da própria história, pois [“The Flu”] trata essencialmente de um potencial fim do mundo com tudo o que isso implica na vida das pessoas.

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[“The Flu”] centra-se essencialmente na quarentena de uma cidade na Coreia do Sul, mas tem um ambiente bem mais de ameaça global do que mais uma vez “World War Z” conseguiu ter mesmo adaptando um romance que tinha tudo para ser tão bom quanto [“The Flu”] agora conseguiu ser a partir de um argumento “original”.
Bom, mas isto é sobre o quê ? Essencialmente é a típica história sobre epidemias. Gripe das aves em versão extrema pois “flu” significa isso mesmo; -gripe- em inglés.
Se gostam de filmes em que morrem pessoas em quantidades apocalípticas estão no sitio certo. Muita gente a vomitar sangue, cadáveres ás pilhas, criancinhas mortas, pessoas espezinhadas, caos urbano e extermínio em massa. Tudo para divertir o espectador.
E resulta fantasticamente bem.

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Aquilo que na primeira parte do filme parece ser interessante mas não particularmente emocionante depressa se torna no segmento final numa jornada de adrenalina para o espectador daquelas que não nos deixa respirar quase até ao final. Pelo meio ainda temos direito a alguns momentos de humor á boa maneira sul-coreana e claro a uma proto-história de amor que não precisa de ser desenvolvida para ser eficaz.

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[“The Flu”] conta com excelentes interpretações do elenco sul-coreano com grande destaque para o trio de protagonistas onde sobressai a pequena actriz que no segundo acto da história acaba por ser o coração do filme e que dá um show de emotividade no desenrolar da verdadeira montanha russa de acontecimentos que ocorre nos segmentos finais de um filme catástrofe que equilibra muito bem o terror, a aventura, o suspanse, alguma comédia e o cinema de acção e efeitos especiais a um nível tão bom quanto qualquer coisa que vocês tenham visto saída de Hollywood nos últimos anos. Com a vantagem de que aqui temos personagens e não apenas bonecos de cartão.

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Um grande destaque também para aquilo que raramente se fala nestes filmes. As multidões de extras/figurantes que inundam esta produção e têm um papel fundamental em todo o ambiente e cenário apocalíptico de caos e confusão. O espectador nem nota, mas o trabalho de toda esta gente é fantástico neste filme e quem coordenou tudo isto está de parabéns pois as cenas de pânico em [“The Flu”] são do melhor que há e contribuem totalmente para a descarga de adrenalina que os acontecimentos do fim proporcionam no espectador desprevenido.

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Então e coisas más, tem ?
Bem, tem…
Vocês nem queiram saber os canastrões que arranjaram para fazer o papel de americanos(?) que essencialmente são “os vilões” deste filme. Onde raio foram buscar aqueles “actores(?)” ?!!
Quase que arruinam totalmente todo o esforço do realizador para tornar real todo o ambiente e não se entende de todo.
Por outro lado não deixa de ser hilariante, pois o cinema oriental já tem uma longa tradição em colocar os piores actores ocidentais do mundo em papeis secundários. Não acreditam ? Vejam, “Bye Bye Jupiter” pois é talvez o único titulo que consegue ter piores actores ocidentais que [“The Flu”].
Felizmente que o suspanse final da história está tão bem orquestrado que nem com estas interpretações desastrosas pelo meio a adrenalina se perde, mas mesmo assim os “americanos” neste filme são de ver para crer.

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De resto, o filme é um espectáculo. Se tiverem em casa um projector e poderem ver isto num écran pelo menos com uns três metros de largura vão se passar ! Embora também funcione bem numa tv normal, a escala épica do filme é perfeita para vocês exibirem o vosso projector aos amigos e ai de quem tiver coragem de tossir durante [“The Flu”].

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CLASSIFICAÇÃO

Pensei se haveria de dar a classificação máxima a [“The Flu”] ou se “apenas” lhe daria cinco tigelas de noodles, isto porque a força deste filme está no suspanse final e esse só se vive uma vez.
Lembrem-se que nunca temos bem a certeza se isto vai dar um final feliz ou não. No cinema oriental os heróis não têm obrigatoriamente que acabar bem e esse factor também aqui é determinante para criar incerteza e para aumentar ainda mais a tensão no espectador, o que contribui totalmente para o nosso divertimento.
Portanto [“Flu”] enquanto filme vive essencialmente de uma primeira visão. E nesse aspecto não podia ser melhor.

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Quando já o vimos uma vez, claro que tudo aquilo que é espectacular no final perde logo metade do impacto, mas nem por isso posso deixar de dar a classificação máxima a isto.
Já vi o filme duas vezes e aquilo que a uma primeira visão é pura adrenalina, a uma segunda visão torna-se essencialmente na apreciação do excelente trabalho de toda a gente que esteve envolvida nesta produção e para mim é mesmo um dos melhores filmes catástrofe dos últimos tempos. Dentro do cinema oriental é mesmo do melhor que vi no género até hoje. Um blockbuster com alma.

Cinco tigelas de noodles e um Gold Award também. O ano começa bem em termos de cinema oriental para mim.

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A favor: leva o seu tempo a desenvolver personagens, cria suspanse aos poucos sem notarmos o esforço para nos impressionar, todos os personagens são excelentes (até mesmo os americanos se tornam divertidos), a primeira parte do filme consegue manipular bem as reviravoltas do argumento, a segunda metade do filme abre-se para aquela escala épica que esperamos que aconteça, excelentes cenas de pânico, não foge dos momentos gore e mostra sangue sem problemas, consegue um equilíbrio perfeito entre vários géneros, óptimas cenas de acção que embora curtas são sempre colocadas no momento certo, adrenalina pura nos 40 minutos finais.

Contra: Algum paleio “politico” repetitivo a mais pelo meio, tem actores ocidentais do piorio que destoam totalmente de tudo o resto e quase arruinam a tensão final, alguns momentos em CGI não são muito bem conseguidos (mas quase nem se nota). Se calhar poderia ter sido bem mais repulsivo e repugnante do que é pois nota-se que essencialmente isto é para ser um filme para o grande publico e portanto contém alguma contenção de modo a não tornar isto muito insuportável para aquelas pessoas que se assustam facilmente.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=1BvKZMg2LjU

Director´s trailer
http://www.youtube.com/watch?v=3vsm83GA7s4

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Comprar
Neste momento ainda não é fácil. Nem na Play Asia ainda existe.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2351310

Não vou colocar nenhum link para download pois estes nunca tardam em desaparecer e não pretendo deixar que o blog se inunde de broken links como já tenho muitos por aqui. De qualquer forma é só procurarem o filme em Torrents que o encontram facilmente. 😉

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Ji jie hao (Assembly) Xiaogang Feng (2007) China


O chamado Filme de Guerra não será propriamente o meu género favorito. Mas de vez em quando aparece-me pela frente uma daquelas obras que por momentos me fazem realmente duvidar se gostarei tão pouco assim de filmes de guerra ou não.
[“Assembly“] é um desses filmes.

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É um daqueles que está na minha lista de coisas que nunca me apetece muito rever, mas se o coloco no dvd já não consigo parar de olhar para ele até surgirem os créditos finais, por isso se calhar até devo gostar mais de filmes de guerra do que penso.

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Acho que ainda estou traumatizado com a decepção que apanhei no – Saving Private Ryan – que deve ser possivelmente um dos filmes que mais me aborreceram no cinema em muitos anos.
Na altura apesar de ter ficado impressionado com a sua violenta e entusiasmante abertura, detestei em absoluto todo o tom patriótico americano com a sua estrutura absolutamente previsível que acompanhava o resto do filme de Spielberg. Sendo assim mantive-me afastado de cinema do género durante anos e só regressei a ele há muito pouco tempo.

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Um dia apeteceu-me comprar a série – Band of Brothers – e para grande surpresa minha fiquei tão impressionado com aquilo que dei por mim procurando por coisas semelhantes que pudessem entusiasmar-me tanto aquela série televisiva o fez.
Não fazia ideia nenhuma que existia uma produção de guerra made-in-china como esta.
Já tinha visto e adorado – The Warlords – e por causa de ter ficado tão bem impressionado com o filme decidi espreitar se os chineses teriam filmado algo mais contemporaneo que eu desconhecesse.

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Encontrei então este [“Assembly“] num torrent e saquei-o só para espreitar, pois apesar de ter ficado impressionado com o trailer o estigma do Soldado Ryan estava ainda na minha mente e não me apetecia comprar outra coisa semelhante.
No entanto, depois de ver os primeiros vinte minutos da cópia sacada parei o filme e fui comprar o dvd na amazon Uk pois inclusivamente na altura estava a uns meros 3€ já com portes numa daquelas promoções especiais de Natal.

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[“Assembly“] na minha opinião limpa o chão com a sequência inicial do filme de Spielberg e consegue incluir um segmento dramático a condizer na sua metade final sem precisar de recorrer a esvoaçares de bandeira e a sentimentos de soap-opera pré-fabricados e formuláticos para americano bater continência.
No entanto, [“Assembly“] não deixa de ser um filme patriótico. Aliás, nota-se claramente que é um produto que tenta passar uma imagem humanizada do exército comunista chinês e certamente terá tido o apoio do partido na sua produção.
Acontece que consegue realmente passar uma imagem humanizada do soldado comum.
Um dos grandes trunfos deste filme é que consegue contornar o facto de eventualmente poder ter sido um filme de propaganda mas nunca nos atira isso á cara quando nos apresenta os personagens.

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Os soldados de [“Assembly“] apenas por acaso pertencem ao exército vermelho, pois poderiam pertencer a um exército de qualquer país. Toda a sua caracterização assenta sempre nas pessoas que vivem uma guerra e não na política que a envolve ou sequer na pose de herois orgulhosos de servirem a pátria ou qualquer bandeira esvoaçante num estrelado céu azul. A honra militar está sempre presente mas nunca nos é atirada á cara em linhas de diálogo ou sequer importa para a caracterização humanizada dos personagens.

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O último lugar em que o soldado comum de [“Assembly“] quer estar é na guerra em que se vê envolvido, está-se borrifando para a política que serve e apenas gostava de estar longe dali.
Toda a base do drama está na importância das pessoas e não na importância patriótica de uma missão ou sequer de uma ideologia ou maneira de se achar posicionado no mundo.
Os personagens não se acham salvadores de nada, não estão interessados em serem herois e apenas gostariam de sobreviver.

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Essencialmente este filme oriental dá-nos provavelmente uma das imagens mais reais do que será estar no meio de um campo de batalha e por esse prisma consegue efectivamente passar uma boa imagem do que será pertencer ao exército chinês sem precisar de o anunciar como um panfleto patriótico ao estilo do que é costume no cinema americano, o que não deixa de ser estranho pois realmente a parte final deste filme poderia ter descambado numa total apologia óbvia do regime chinês e de como tudo é bom no seu exército.
Portanto, ponto positivo, a maneira como contorna o mais que pode, a evidente “influência” do regime político a que este filme pertence e nos apresenta um filme sobre pessoas.

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[“Assembly“] pode ser um filme sobre pessoas, mas também é um filme sobre muitos bocadinhos de pessoas, pois o que não falta nisto são pessoas aos bocados. Há para todos os gostos, pessoas estripadas, pessoas a arder, pessoas decepadas, pessoas que explodem e cabeças que voam. Tudo isto regado a baldes de sangue e tripas com o aspecto mais real que alguma vez vi num filme sobre guerra.

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Se gostaram dos primeiros vinte minutos do Soldado Ryan pela sua crueza e violência preparem-se para levar com o mesmo elevado ao cubo mas agora durante mais de 70 minutos quase seguidos (com as devidas pausas dramáticas para descansar o espectador claro está).
[“Assembly“] impressiona.
Quem pensa que já viu tudo no que toca a sequências de batalha pode preparar-se para ficar impressionado. Este é um daqueles filmes que é de ver para crer e ainda não sei se os chineses não terão morto metade do elenco para filmar as cenas de guerra que esta obra contém.
Este é mais outros daqueles filmes perfeitos para vocês mostrarem áquele vosso amigo que ainda pensa que só se fazem cenas de acção e efeitos especiais a sério em Hollywood.

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Básicamente conta a história de um único soldado que sobreviveu a uma grande batalha e passou os seguintes anos da sua vida a tentar provar que todos os seus homens foram esquecidos pelo regime chinês. A batalha foi tão violenta que se perderam todas as provas de que um batalhão de homens alguma vez terá participado nela e como tal tudo gira á volta do que se passou para que depois um único homem tenha conseguido contra tudo e contra todos sózinho elevar todos os seus soldados perdidos á categoria de herois nacionais.

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Quem já pensa que revelei demais, se calhar é melhor ver então o filme, pois estranhamente este é mais um daqueles em que o espectador nunca tem bem a certeza de quem vai morrer e muito menos de quem serão “os herois”, porque essencialmente [“Assembly“] apesar de ter características de blockbuster felizmente não tem de forma nenhuma a estrutura que costumamos encontrar no cinema americano do género.

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Por causa disso pode provocar até alguma estranheza no espectador, porque depois de duas primeiras partes absolutamente espectaculares em termos de sequências de batalha, baldes de sangue e efeitos especiais, subitamente o filme entra por uma última parte bastante calma, intimísta e até algo poética.
Sendo assim aproveitem bem os primeiros 80 minutos de porrada absolutamente hipnótica e espectacular, mas preparem-se para uns últimos 40 ou cinquenta de cenas bem mais calmas e essencialmente dramáticas que concluem toda a demanda de um só homem para resgatar a reputação de dezenas de soldados perdidos.

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Já agora, nota alta para os actores e em especial para o protagonísta da história que tem um daqueles desempenhos que ficam na memória até muito mais do que os próprios efeitos especiais absolutamente impressionantes deste filme e portanto até aqui [“Assembly“] consegue muito bem equilibrar a pirotécnia com o humanismo em que assenta uma história que pode até exaltar os valores humanistas de pessoas que nasceram debaixo de um regime comunista mas que numa última análise conta a história de todos os soldados do mundo.

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CLASSIFICAÇÃO:

Possivelmente o filme de guerra com as cenas de batalha mais espectaculares que poderão ver na vossa vida até este momento. Quem acha que o – Saving Private Ryan – teve uns 20 minutos iniciais impressionantes, esperem só até verem os 70 “minutos iniciais” de [“Assembly“].
Nota alta para o som do dvd que quase nos faz baixar a cabeça e desviar-nos das balas a todo o instante.
Um filme visualmente muito complexo em termos técnicos mas que nunca esquece o humanismo dos personagens e consegue manobrar habilmente por entre ideologias políticas apresentando-nos um filme sobre o soldado universal e os efeitos da guerra sem nos atirar directamente com um filme-panfleto a exaltar virtudes do exército chinês. Não deixa de ser um inevitávelmente um filme panfletário que tenta humanizar o exército vermelho mas nunca nos tenta impingir nada e consegue ter um tom universal.
Recomendo completamente.
E se gostarem mesmo de filmes de guerra então podem acrescentar mais meia tigela de noodles á minha classificação e até um Golden Award pois [“Assembly“] é um dos melhores filmes de guerra do mercado, ponto final.
Se estão a pensar comprar um projector, este é um daqueles filmes que justifica tal compra e será o dvd perfeito para o estrearem, pois isto no meu ecranzinho de mais de trés metros é absolutamente brutal (com surround a condizer) !
A minha classificação é mais dirigida a todos aqueles que como eu se calhar ainda pensam que nem gostam muito de filmes de guerra…sendo assim, quatro tigelas e meia de noodles, talvez até algo injustamente.

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A favor: o humanismo dos personagens suplanta sempre o eventual tom panfletário de apoio ao regime chinês, a realização é absolutamente incrivel nas cenas de acção e perfeitamente contida no segmento final mais intimista e dramático, as cenas de batalhas são absolutamente reais e até vão ter que limpar as cinzas de cima de vocês, os personagens e a incerteza sobre o seu destino, casting e interpretações , banda sonora, cenografia a condizer com uma fotografia perfeita, a montagem nas cenas de guerra é perfeita, o sentido de espectáculo que nunca se perde, os fabulosos efeitos especiais, nunca perde a carga dramática e o seu final intimista embora algo desconcertante depois de vermos quase hora e meia de bombas e tiros é no entanto muito bom.
Contra: quem espera um filme de aventuras não o irá encontrar aqui, algumas pessoas poderão achar a parte final algo lenta e deslocada especialmente depois de verem tanto tiro o bombas e socos nas trombas durante mais de 70% do filme, o inevitável estilo panfletário está presente embora plenamente contido.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=8KJKgAefkwA

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COMPRAR
Esta excelente edição Inglesa ainda continua a um preço fantástico na Amazon Uk. Comprem o DVD.

Se preferirem o Blu-Ray…está a um óptimo preço também e quanto a mim é de aproveitar.

E para quem quiser espreitar o filme antes, encontra-o no blog do Asian Space se clicar aqui mas não esperem levar aquele impacto que levariam se vissem isto com um som como deve de ser em dvd ou blu-ray…

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0881200/

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Tau ming chong (The Warlords) Peter Chan . Way Man Yip (2007) China


Estou de regresso embora ainda não a cem por cento. Devido á avaria do meu computador deixei muito trabalho de design para trás e tenho que o terminar antes de me voltar a dedicar sériamente a isto dos blogs.
Mas…
Como comprei umas novidades, não podia deixar desde já de recomendar o filme seguinte.

Na minha opinião este filme contém á partida duas coisas que o tornam imeditamente numa obra a espreitar por quem gosta de grandes épicos de guerra com sabor oriental.
Primeiro, apesar de [“The Warlords“] se situar históricamente mesmo já no final do século XIX, o espectador esquece-se por completo desse facto pois é impressionante como toda a atmosfera nos transporta para um ambiente medieval. O que não deixa de ser estranho pois é bem curioso pensarmos que na mesma altura em que toda esta história se passa na China, já o ocidente estaria a entrar em tudo aquilo que tomamos por referência relativamente ao que conhecemos do mundo moderno.
Encontrarmos então um filme situado a poucos anos do século XX e onde os seus protagonistas passam o tempo todo a lutar em sangrentas batalhas usando lanças e espadas medievais é algo particularmente interessante se pararmos para pensar no assunto, o que ainda torna o filme ainda mais cativante.

A segunda coisa pelo qual recomendo vivamente [“The Warlords“] é precisamente pelas batalhas.
Se tal como eu, vocês já estão fartos de ver guerras animadas em CGIs made-in-hollywood, irão encontrar neste filme chinês o antídoto perfeito, pois tudo aqui está feito á moda antiga e o resultado é uma das mais realísticas e sangrentas batalhas que possam imaginar. Violenta, politicamente incorrecta e completamente crua e espectacular com baldes de sangue quanto baste e um par de decapitações á mistura para animar as coisas.

Ao contrário do que acontece nos blockbusters americanos, desta vez a grande batalha do filme ocorre practicamente logo no início da história mas garanto-vos que não é por isso que irão entusiasmar-se menos com ela.
É que ainda por cima todos os soldados que poderão encontrar na imagem não são bonequinhos feitos em computador mas sim 5000 gajos de verdade, pois se há uma coisa de que a china pelo visto não tem falta é de figurantes para filmes de guerra e a julgar pelo que se pode ver neste [“The Warlords“] cada vez encena melhor grandes batalhas com milhares de pessoas reais para divertimento de todos nós que já estamos fartos de tanto plástico americano.

Mas nem só de grandiosas cenas de batalha vive [“The Warlords“].
Todas essas sequências são memoráveis e do melhor que poderão encontrar actualmente no grande ecran, mas na verdade não seriam nada se os personagens fossem um vazio e felizmente isso não acontece de todo.
Quem procurar apenas um filme de porrada é melhor não esperar muito mais além das primeiras batalhas pois a partir desse momento a história deixa de se centrar na espectacularidade das cenas de guerra e passa a ser acima de tudo sobre os efeitos da mesma nas pessoas que a vivem ao longo de anos a fio.
Na verdade um dos grandes trunfos de [“The Warlords“] é que consegue equilibrar muito bem a espectacularidade de um blockbuster de guerra com o intimismo de um drama pessoal e para isso conta com um argumento que não esquece os personagens mesmo quando se calhar o filme até nem pedia mais do que um par de boas cenas de guerra.

Como habitualmente não revelarei grande coisa da história, mas [“The Warlords“] é essencialmente uma história de amizade entre trés homens que sempre viveram pela violência e sobre as consequências dessa mesma violência nas suas vidas e na história da própria China.
Um dos grandes trunfos desta obra está precisamente na forma como explora a personalidade de cada um dos personagens e com isso nos dá trés perspectivas sobre uma guerra (que poderia ser qualquer uma) e que no fim nos deixa a pensar mais do que esperariamos, pois mais uma vez o oriente conseguiu produzir um filme sem maus nem bons e que acaba por ser sempre muito mais do que apenas um espectacular filme de guerra.
Não há herois neste [“The Warlords“] e quando muito se tiver vilões estes serão representados pelos fabulosos (e simples) personagens dos trés velhos políticos que na realidade se formos a pensar bem, são os verdadeiros “senhores da guerra” que dá titulo ao filme.

E como não podia deixar de ser (afinal isto é um filme oriental) ainda temos direito a uma simples mas boa história de amor que serve de contraponto aos trés personagens masculinos e consegue inserir um ambiente ainda mais humano, pois é um segmento dramático que não se perde porque acima de tudo acaba também por ser utilizado para dar a perspectiva feminina sobre a guerra de uma forma subtil que contribui perfeitamente para o equilibrio do resto do filme. Se calhar até seria desnecessária, mas não é algo metido a martelo e muito menos segue os habituais clichés de triangulo amoroso que encontrariamos de certeza se isto fosse um filme made-in-hollywood.
Mais uma vez, os orientais conseguem criar uma história de amor sem nunca entrarem pelos habituais diálogos estilo telenovela. Aliás, não há qualquer diálogo estilo “i love you” durante as cenas mais emocionais e nem precisa pois está tudo nas imagens e na maneira como o realizador filma essencialmente as emoções. Não será própriamente uma história de amor inesquecível mas enquadra-se perfeitamente dentro do filme e permite a Jet Li um registo dramático a que não estamos muito habituados a vê-lo interpretar.

Ao ver [“The Warlords“] fiquei com a certeza de que existem dois Jet Li. Aquele que estamos habituados a ver fazer papeis de cartão nos filmes americanos e o Jet Li actor que é capaz de apenas com a sua presença encher o ecran e fazer-nos mergulhar num personagem esquecendo por completo o seu intérprete como acontece neste filme.
Aliás, além das mágnificas cenas de guerra, este filme vale essencialmente pelos actores pois até o mais secundário tem o seu momento de destaque e contribui para que o argumento resulte tão bem.
Até mesmo eu, que não sou própriamente um grande interessado em filmes sobre intriga política de bastidores não pude deixar de gostar muito desta história pois acho que na verdade [“The Warlords“] não deve ter um único personagem que não nos agarre e nos faça importar com ele a partir do momento em que entra em cena.
Acima de tudo o filme conta uma boa história e merece ser visto e revisto por muito boas e variadas razões sendo um daqueles filmes que de certeza irá agradar a muita gente apesar da sua violência gráfica e psicológica até.
Já o vi duas vezes e aconteceu-me gostar ainda mais dele ao segundo visionamento, porque se calhar da primeira vez que o vi não estaria á espera da estrutura do filme ser como é e da segunda vez já me consegui abstraír totalmente e simplesmente apreciar o filme pelo que ele realmente é.

Nota positiva também para a banda sonora que é simplesmente mágnifica apesar de conter um momento particularmente curioso pois a determinada altura numa cena de guerra, macacos me mordam se aquilo não é a música do “Piratas das Caraíbas” tocada ligeiramente num compasso ao lado…
Os efeitos especiais são do melhor que poderão encontrar e tão bons que vocês nem se vão lembrar que existem efeitos especiais neste filme, pois tudo tem uma atmosfera clássica fantástica até mesmo na forma como os meios técnicos foram usados para criar as cenas mais espectaculares.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos melhores filmes de guerra que poderão encontrar no mercado actualmente.
No entanto, apesar das espectaculares cenas de batalha,  [“The Warlords“] não é um filme de acção ou aventura por isso que estiver á espera de algo do género poderá não lhe dar o devido valor.
É um filme mais sobre a guerra, do que própriamente -de guerra- e portanto muito assente na relação entre os personagens e não própriamente numa estrutura de filme de porrada ou aventura. Essencialmente se alguma vez houve um “Braverheart” oriental digno desse título  [“The Warlords“]  é esse filme e portanto se gostaram da obra de Mel Gibson não se podem enganar com este filme oriental pois o espírito é essencialmente o mesmo. Mas este tem mais sangue no ecran.
Este é o típico filme que nós vemos e pensamos porque raio é que em vez de se encherem salas de cinema de centro comercial com -“Múmias 3”- não se lança um filme destes por cá, pois podem ter a certeza que isto bem publicitado iria ter tanto sucesso quanto o “Braveheart” teve.
Já agora outra nota importante, apesar do ambiente “medieval”  [“The Warlords“] não é um filme no estilo -Wuxia- ou seja, não é um daqueles filmes de fantasia orientais com combates aereos ou muito baseados em acrobacias com fios.  [“The Warlords“] é um filme de guerra com espadas, membros decepados e muitos baldes de sangue com os pés bem assentes na terra. Em todos os sentidos.
O filme perfeito para convencer aqueles que ainda pensam que filmes visualmente espectaculares só podem vir da América e um daqueles com que os chineses podem chegar junto de Hollywood e dizer : -“vêem, é assim que se faz.” pois [“The Warlords“] é a prova que um filme cheio de acção, violência e efeitos também pode ter alma e não precisa ser um pedaço de plástico só porque é um filme comercial.
Não tem o visual sumptuoso de um “Curse of the Golden Flower” mas também não precisa.
Cinco tijelas de noodles e um Golden Award porque este é um daqueles obrigatórios em qualquer dvdteca, especialmente se gostarem de épicos históricos e se interessarem por histórias de guerra bem contadas.

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A favor: a inteligência do argumento, a realização, as cenas de batalhas absolutamente reais, os personagens, casting e interpretações , banda sonora, cenografia a condizer com uma fotografia perfeita, a complexidade da narrativa, a história de amor, o sentido de espectáculo que nunca se perde e os fabulosos efeitos especiais “invisíveis”.
Contra: quem espera um filme de aventuras não o irá encontrar aqui, mas isto nem sequer é própriamente algo negativo. De resto não me lembro de nada a apontar que seja algo realmente mau neste filme…talvez não tenha uma história particularmente original mas também nem precisava de a ter para ser o excelente filme que é.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=ok_5CKAOch8
http://www.youtube.com/watch?v=wK_iBqODSkw&feature=related

Comprar
A que eu tenho é esta Ediçao de 3 discos onde o filme está estranhamente dividido em dois apesar de ter apenas pouco mais de duas horas.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-6x-77-2-49-en-15-the+warlords-70-2vy1.html
No entanto a qualidade de imagem é fantástica e o som absolutamente mágnifico até mesmo na pista de 5.1 normal embora contenha também uma faixa DTS.
O terceiro disco contém excelentes documentários de making-of que vale a pena ver e esta edição vem ainda com um bom comentário audio para o filme.
Todos os discos estão legendados em inglés tanto no filme como em todos os extras por isso se gostam de filmes deste género têm aqui uma edição daquelas que vale mesmo a pena comprar. ´
É barata e vem numa caixa fantástica com personalidade apesar do estilo digipak que pode desagradar a alguns. Contém também um livro em papel fotográfico com dezenas de fotos que é desnecessário mas  por outro lado é sempre um brindezinho interessante para compor esta edição já de si excelente e muito recomendável.

Em alternativa encontram já na AMAZON.UK excelentes edições deste filme com tudo e mais alguma coisa também no que toca a extras. Tendo em conta o preço recomendo que escolham qualquer uma destas edições.

The Warlords – Edição DVD de 1 disco.

The Warlords – Edição DVD de 2 discos.

The Warlords – Blu-Ray

PS: Se encontrarem a edição Portuguesa á venda num supermercado fujam !
A edição Pt é mais uma daquelas onde falta uma boa parte da imagem dos lados, por isso meus amigos…comprem na Amazon Uk…

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0913968/

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The Myth The Promise

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Man cheng jin dai huang jin jia (Curse of the Golden Flower/A Maldição da Flor Dourada) Yimou Zhang (2006) China


O facto deste filme oriental ser uma milésima variação da peça Otelo de Shakespeare pode á primeira vista parecer um bocado surpreendente para quem esperava algo mais parecido com um filme de acção no estilo “House of the Flying Daggers“.
No entanto, apesar de [“Curse of the Golden Flower“] conter algumas das melhores sequências de acção que vi no género Wuxia, este é essencialmente um drama político.
O que confesso me aborreceu um bocado, pois se existem histórias para o qual não tenho pachorra absolutamente nenhuma são os dramas de intriga palaciana embrulhada em capa de épico histórico.

Não que estivesse á espera de apenas mais um filme asiatico de acção, mas a verdade é que não esperava algo tão intensamente palaciano e tão shakespeareano.
Até porque [“Curse of the Golden Flower“] ao ser uma espécie de Otelo em versão chinesa perde um pouco da sua frescura no que toca a desenvolvimento do argumento pois por mais que nos fascine com as suas imagens nunca nos prende propriamente á história pois esta é por demais previsível ao longo de toda a narrativa.
De cada vez que alguém novo entra em cena, passados minutos percebemos imediatamente qual irá ser o seu destino e qual a sua relação com cada um dos mistérios referidos no argumento. Ora isto, coloca o espectador sempre muito á frente dos personagens e isso na minha opinião faz com que nunca entremos verdadeiramente dentro do filme e tenhamos sempre alguma distância em relação ao que se passa no ecran.

Agora que já falei do único aspecto “negativo” de [“Curse of the Golden Flower“], não me lembro de mais nada que possa impedir-vos de gostarem mesmo muito deste filme.
Como tal, até digo-vos já a minha classificação em adiantado. [“Curse of the Golden Flower“] leva absolutamente cinco tigelas de noodles sem qualquer dúvida. E embora eu não lhe atribua um Golden Award se vocês gostarem mesmo de histórias de intriga política palaciana, considerem-no atribuído pois vão adorar o filme.

Até tenho receio de continuar esta review, porque realmente não há palavras que eu consiga colocar aqui nem fotografias que possam acompanhar esta review que transmitam o incrível visual deste filme. Possivelmente será o Wuxia mais espectacular que vi até hoje no que toca a cenografia e ao tratamento tanto dos enquadramentos como também principalmente na cor.
Enquanto “Hero” do mesmo realizador, estava dividido em vários segmentos cada um com uma tonalidade dominante, desta vez em [“Curse of the Golden Flower“], parece que todas as cores do espectro visível ao olho humano foram colocadas no ecran em cada frame deste filme.´

E o que poderia ter resultado em algo desastroso para os sentidos, ou até mesmo ter tornado o filme num produto algo kitsh a verdade é que não poderia ter funcionado melhor. Cada frame deste filme está tão bem pensado a nível de cor e tratamento fotográfico que temos que o ver pelo menos uma meia dúzia de vezes para conseguirmos reparar em todos os incríveis detalhes que compoem esta extraordinária tapeçaria visual que vos irá deixar absolutamente deslumbrados. Especialmente se tiverem a sorte de poder ver [“Curse of the Golden Flower“] num projector com um ecran de tamanho considerável como eu posso fazer.

Mas não só da cor vive este filme asiático, pois além da fotografia absolutamente perfeita, a quantidade alucinante dos próprios detalhes que estão presentes em cada imagem é de uma pessoa ficar a pensar como raio é que alguém se deu a tanto trabalho apenas por causa de um filme.
Desde ao incrível guarda-roupa absolutamente impressionante na sua combinação de texturas até ao detalhe esculpido em cada adereço este é um daqueles filmes que só podia ter vindo mesmo da china, pois sinceramente é preciso mesmo uma literal paciência de chinês para se conseguir produzir aquilo que poderão ver no ecran se comprarem este filme.
E segundo parece, tirando um par de anacronísmos em alguns detalhes das roupas, consta que no que toca a uma reprodução fiel de ambiente [“Curse of the Golden Flower“] levou uma excelente nota da parte dos historiadores. Até aquilo que nos parece um exesso de cor, supostamente será algo decalcado do que seria a realidade daquela época no que toca á atmosfera que o filme tentou reproduzir.

É que não pensem que estes chineses não tendo exactamente um local adequado para filmar isto se deram apenas ao trabalho de construir um par de cenários. Não meus amigos, já que tinham tanta gente para trabalhar, eles decidiram construír um palácio medieval verdadeiro para que o público pudesse sentir ainda melhor o espírito históricamente fiel da obra.
Tudo o que poderão ver no ecran, não se tratam apenas de cenários pintados, mas sim de locais verdadeiros que foram construídos de propósito para este filme com um nível de realidade tal que o palácio ficou pronto para ser habitado e actualmente parece que foi inclusivamente transformado numa nova atracção turística porque a coisa é tão impressionante que é mesmo de ver para crer.
Podem ter a certeza que isso transparece muito bem pelas imagens quando virem o filme.

Já agora, recomendo que o comprem mesmo, pois este é um daqueles que precisa de uma boa cópia para poder ser devidamente apreciado e duvido que uma cópia sacada de qualquer torrent consiga realmente transmitir com qualidade tudo o que merece ser visto neste filme.
Até porque se a edição portuguesa tiver o mesmo documentário de Making of que eu tenho na edição chinesa esse é um complemento que não devem perder para terem uma ideia do trabalho que [“Curse of the Golden Flower“] deu a produzir. Não só contém as habituais entrevistas aos actores, como mostra a construção de todo o complexo “cenográfico” e ainda nos dá um vislumbre das filmagens das impressionantes sequências de acção presentes no filme.

Embora [“Curse of the Golden Flower“] seja essencialmente um drama de intriga palaciana, pontualmente transforma-se súbitamente num dos filmes de acção mais impressionantes que poderão encontrar pela frente actualmente.
Poderão nem se lembrar da história ou sequer se importarem muito com ela, mas podem ter a certeza que não vão esquecer tão cedo a originalidade das cenas de acção deste filme que nos mostra coisas de um angulo que ainda não tinha aparecido no ecran desta maneira no que toca á encenação de cenas deste estilo.

Eu que já nem podia ouvir a palavra “Ninja“, (por causa daqueles abjectos filmes de porrada americanos dos anos 80), fiquei absolutamente impressionado com a fabulosa e original sequência de acção com os Ninjas neste filme. Nunca tinha visto nada assim e muito menos filmado desta maneira. Só é pena a cena até nem durar muito tempo, mas enquanto dura torna-se inesquecível, pois tudo desde ás coreografias em fios, á fotografia e á própria montagem é simplesmente perfeito. Vai fazer com que vocês fiquem com vontade de irem buscar um facalhão á cozinha e depois de se enrolarem num lençol preto ainda saltem pela janela do apartamento com umas quantas piruetas silenciosas.

Como se esta cena não tivesse sido já visualmente muito original, o final do filme ainda conta com uma outra daquelas batalhas épicas como nunca tinha visto. Pensava eu que nisto de batalhas entre exércitos já estava tudo mostrado quando [“Curse of the Golden Flower“] nos apresenta algo verdadeiramente único.
Além da própria batalha ter em estilo e uma estratégia peculiar composta á base de defesa de gigantescos escudos de metal que servem de barricadas entre dois exércitos, os produtores deste filme ainda acharam que seria giro fazer tudo não soldadinhos de CGI mas sim com gajos mesmo a sério que por acaso até foram buscar ao verdadeiro exército chinês actual só para nos impressionar certamente.
Quando virem aquela gente toda á porrada na batalha não se esqueçam de os contar a todos, pois foram mesmo muitos os chineses que tiveram de vestir armaduras. Já agora, também consta que as armaduras não eram cá de plástico pois foram construídas a sério para dar mais realísmo á coisa. Portanto cada actor e figurante andou a passear por esta cidade cenográfica real com uns bons quilos de metal ás costas só porque sim.

Isto para não falar das actrizes que passaram um mau bocado com os espartilhos dos fatos de época que no entanto resultaram em decotes tão hipnóticos que o próprio Chow Yun Fat não se conseguia concentrar nos olhos da excelente Gong Li que faz de sua mulher no filme e que tem portanto inúmeros diálogos com ele ao longo da história. Actor sofre.

Agora, mais uma vez chamo a atenção para o facto de que [“Curse of the Golden Flower“] não é um Wuxia de acção, mas sim um drama completamente shakespeareano passado nas cortes palacianas chinesas da idade média e pontualmente polvilhado por breves cenas de acção que vos vão deixar absolutamente maravilhados se gostam de bons filmes Wuxia mais tradicionais.

Posto isto passemos ao que interessa e portanto, resumindo:

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CLASSIFICAÇÃO:

Por tudo e mais alguma coisa, cinco tigelas de noodles á vontade.
Visualmente é definitivamente uma obra prima em todos os sentidos, tem uma fotografia absolutamente incrível e o detalhe de cada imagem vai fazer com que a uma segunda visão estejam sempre a fazer pausa e zoom para poder espreitar cada pormenor ao longo das quase duas horas de filme.
Só não lhe atribuo um Golden Award porque a parte de intriga palaciana aborreceu-me imenso, não por ser uma história do estilo mas porque está tão colocada ás obras de Shakespeare que se torna absolutamente previsível e com isso arruina parte do encanto que tanto se esforçaram por obter visualmente.
Mas tirando isso é um filme extraordinário e uma compra obrigatória para quem gosta do estilo e totalmente indispensável para todos os admiradores deste realizador que antes já tinha feito também os fabulosos, “Hero” e “House of the Flying Daggers“.
[“Curse of the Golden Flower“] , é um bom exemplo de um filme que sendo no fundo uma obra de cinema de autor não deixa de ser menos comercial por causa disso, pois tem o equilíbrio perfeito entre os dois géneros.

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A favor: visualmente é uma obra prima como há muito não se via, a fotografia é mágnifica, os cenários verdadeiros são impressionantes, as cenas de acção são inesquecíveis e até as mais tradicionais contêm coreografias excelentes, a batalha final, os personagens apesar de totalmente Shakespeareanos têm uma identidade não apenas teatral.
Contra: as intrigas palacianas aborrecem-me de morte e pior ainda quando são tão previsíveis como as que constam no argumento deste filme, as cenas de acção ás vezes parece que não seriam própriamente necessárias e apenas estão lá para que o espectador não adormeça com a previsibilidade do argumento.

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=tyVv8qSTLRQ

Website Oficial
http://www.sonyclassics.com/curseofthegoldenflower/

COMPRAR
Excelentes e baratinhas edições na Amazon Uk:

Curse of the Golden Flower – DVD

Curse of the Golden Flower + Crouching Tiger Hidden Dragon – DVD

Ou então…

Dvd Edição Chinesa
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7k-77-1-49-en-15-curse+of+the+golden+flower-70-1up9.html
Dvd Edição Portuguesa
http://www.worten.pt/ProductDetail.aspx?pid=03873734

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0473444/

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The Promise

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