Chronicles of the Ghostly Tribe (Jiu ceng yao ta) Chuan Lu (2015) China


Se há uma coisa que me irrita por demais no actual cinema blockbuster, seja de aventuras, ficção-científica ou super-herois, é esta nova moda de que um filme fica sempre em continuação. Parece que hoje em dia já ninguém filma aventuras fechadas, são sempre tudo trilogias, séries, episódios e fimes que acabam em cliffhangers que só se resolverão com sorte 1 ano depois se a primeira parte do filme tiver sido um sucesso.
[“Chronicles of the Ghostly Tribe”] sofre do mesmo mal…

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Pensava que isto seria um mal americano, mas agora também parece estar a alastrar ao cinema oriental, muito em particular ao cinema chinês.
Posto isto…agora que já reclamei…
[“Chronicles of the Ghostly Tribe”] é o filme de aventuras que “Indiana Jones & The Crystal Skulls” tinha a obrigação de ter sido.
Não está particularmente bem cotado no Imdb, mas isso já começa a ser tradição naqueles filmes que tentam ser algo mais do que apenas cumprir a norma.

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[“Chronicles of the Ghostly Tribe”] é baseado num romance de ficção-científica/aventura chinês de sucesso e nota-se. Tem aquela coisa especial de uma aventura que se sente não ter sido inventada ou escrita apenas para cinema mas que teve tempo para ser bem pensada, imaginada e estruturada, daquela forma que só os bons livros conseguem fazer. Como adaptação não faço ideia se estará correcta ou não, mas se isto é um exemplo do tipo de literatura escapista de aventura que se escreve actualmente pela china eu bem que gostaria agora de aprender a ler chinês pois os livros são exclusivos daquele país até ao momento.

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Não é a coisa mais original do mundo, vai buscar muitas influências e arquétipos do género a várias fontes (que não é o mesmo que imitar o que quer que seja), mas o seu ponto forte está na forma como mistura todos esses elementos e atira cá para fora um daqueles blockbusters de aventura com um sabor clássico, que Hollywood tinha o dever de voltar a lançar mas parece ser incapaz de o fazer há vários anos.

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[“Chronicles of the Ghostly Tribe”] está tão cheio de pormenores, sequências variadas de aventura e estilos de cinema, que na américa poderia perfeitamente ter sido retalhado em quatro ou cinco sub-plots e depois dariam certamente origem a um bom número de sub-blockbusters de médio orçamento produzidos a metro, sem alma, apenas baseados nos efeitos especiais e pouco mais; ou pior ainda, num estilo comics.
Algo que na minha opinião, esta aventura chinesa, apesar de toda a parafernália tecnológica que a envolve soube no entanto evitar muito bem. Embora se calhar não pareça.

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Apesar de ser uma amálgama quase non-stop de sequências de acção, cliffhangers tradicionais e mistérios sci-fi quanto baste nunca perde a noção de cinema espectáculo no melhor dos sentidos; daquele cinema cheio de efeitos especiais, mas que nunca esquece que os efeitos e as cenas de porrada não podem deixar de ter personagens e uma boa história  por detrás. Neste caso, se calhar mais elaborada do que propriamente original ou imaginativa no sentido mais tradicional mas nem por isso menos divertida.

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Este foi um daqueles que que me divertiu do principio ao fim pelo seu espírito de série-b mas criado com muitos meios e por nunca se levar a sério. É uma aventura clássica e pronto. Quem gosta de BD clássica nos moldes de um Blake & Mortimer a atmosfera visual disto por vezes faz lembrar bocadinhos dos albuns de banda desenhada, “O Enigma da Atlântida” ou “O Segredo do Espadão”, salvo as devidas diferenças entre o estilo moderno e o antigo de se narrar uma história.
Em alguns momentos tem um sabor a Indiana Jones da trilogia original, embora com estética moderna a piscar o olho ao Tomb Raider no bom sentido; pois [“Chronicles of the Ghostly Tribe”] é tudo o que aquele vazio baseado num dos meus jogos favoritos de todos os tempos alguma vez conseguiu ser.

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Quem gosta de cinema de aventuras clássico, com mundos perdidos, arqueologia proíbida e alguns monstros quanto baste tem em [“Chronicles of the Ghostly Tribe”] um dos melhores títulos do género que sairam em muito tempo.
Costumo queixar-me bastante que o cinema oriental produz excelentes histórias imaginativas em animação , mas depois quando entra pela live-action mostra-se totalmente incapaz de reproduzir a mesma magia. Não desta vez.
Isso acontece em particular no cinema japonês e se calhar este filme agora conseguiu evitar essa sina, porque estamos na presença de uma produção chinesa.

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Parece que o know-how acumulado por décadas a produzir épicos históricos de larga escala começa também a dar frutos noutro tipo de cinema “mais simples” saído da china e [“Chronicles of the Ghostly Tribe”] é o perfeito exemplo de uma mega-produção oriental que não fica a dever absolutamente nada ao melhor do que se faz técnicamente nos estados unidos actualmente.
Boa animação digital em muitas sequências e excelentes matte paintings compõem a escala épica desta aventura que vale a pena seguir só pela viagem que proporciona.

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No que toca a efeitos especiais está realmente muito bem servida, pois conta com algumas sequências absolutamente fantásticas em termos de acção mas também anima um par de monstros muito divertidos e impressionantes.
Óbviamente que nem tudo resulta e há alguns efeitos digitais melhores que outros, mas isso também acontece no cinema de Hollywood e ninguém parece queixar-se.
Neste caso embora tenha um par de sequências medianas, o resto da fasquia no que toca a efeitos é bastante elevada e se vocês gostam de cinema espectáculo apenas para verem efeitos especiais, vão ter muito com que se entreter aqui também.

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Curiosamente, não é um filme sobre Dragões embora possa parecer no poster, nem é uma espécie de Godzilla. Na verdade a história disto surpreendeu-me.
É passado na China entre 1978 e 1985, começa com uma sequência absolutamente fantástica de aventura arqueológica e exploração, transforma-se num filme de monstros, passa para algo que lembra os X-Files em estilo retro, entra pelo filme de viagem, transforma-se em filme de super-herois e acaba em cinema de acção e porrada com muitos efeitos especiais; não sem esquecer a inevitável história de amor oriental e algum humor muito bem colocado.

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Em termos de cenários é fabuloso. Aliás, não só contém paisagens fantásticas, como a variedade de localizações parece um nunca mais acabar de coisas a explorar o que num filme deste género só fica bem, pois enquanto espectadores nunca sabemos ver o que a história nos vai mostrar a seguir e isso é perfeito para criar aquele ambiente de aventura que nos faz sentir exploradores juntamente com os herois do filme.

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O design de produção é excelente, contém inumeros ambientes cheios de imaginação que demonstram que o concept design disto deve ter sido fascinante de se seguir.
Falha num cenário ou dois, daqueles mais digitais mas não é de todo grave pois a diferença não é suficiente para estragar a imersão do espectador na história. De resto nota alta para tudo o que envolve a parte técnica no que toca à criação de ambientes, design, guarda-roupa, atenção aos detalhes e pormenores incríveis por todo o lado na cenografia.
Aliás um dos pontos altos deste filme é precisamente estar cheio daqueles pormenores visuais que 99% daquele pessoal que emite opiniões sobre cinema no imdb nem repara.

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No que toca a localizações reais, quando o filme entra pela parte de viagem, as paisagens naturais são incrivelmente bem captadas pela magnifica fotografia que também está presente neste [“Chronicles of the Ghostly Tribe”]. Quem gosta de paisagens com desertos vai adorar. Aliás grande destaque mesmo para o detalhe que encontramos também nos cenários reais. Não só nos desertos como nas cidades (em ruínas ou não), este é um daqueles filmes que pede uma segunda visão só para admirar-mos a atenção dada ao detalhe em cada enquadramento.

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Hão de notar que apesar de tudo isto não lhe vou atribuir classificação máxima por uma simples razão.
Ou melhor, duas.
Como já disse, irrita-me isto ser outro daqueles filmes que nos deixa pendurados à espera da sequela, por outro lado se calhar o livro disto é enorme e portanto tinha mesmo que ser assim, mas no entanto como espectador não gosto nada desta moda das continuações.
A segunda razão tem a ver com aquilo que para mim é o ponto fraco do filme. Não que seja trágico ou muito mau, mas quando comparado com o resto devia ter estado à mesma altura, tendo em conta que isto supostamente será mesmo a adaptação de um livro.

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Os personagens não são muito interessantes.
E pelo facto dos personagens não criarem grande ligação com o espectador, isso faz até com que o filme pareça ter uma história mais banal do que na realidade até não tem.
[“Chronicles of the Ghostly Tribe”] pode parecer cinema mais plástico e formulático do que merecia parecer precisamente porque os personagens não resultam muito bem e pouco nos importamos com eles. Se calhar o mais carismático ainda é o comic-relief na pessoa do amigo do heroi quando o coração do filme deveria estar na relação dos protagonistas e nunca se sente isso.

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Os personagens, são muito variados, percorrem todos os clichés do género, heroi, miuda, cientista excentrico, amigo do heroi, agente dos serviços secretos, etc; mas nenhum deles cria grande empatia connosco enquanto espectadores. Por causa disto, a inevitável história de amor não tem propriamente grande tensão dramática e tinha o dever de ter tido, afinal estamos a falar de cinema oriental.
Muitos dos personagens parece estarem ali ou para serem carne para canhão, ou para servirem de comédia mas no conjunto geral uma aventura como esta pedia um grupo de herois carismáticos que não tem de todo.

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Talvez na segunda parte [“Chronicles of the Ghostly Tribe”] emende esta “falha”, pois afinal ainda vamos a meio da história e portanto é esperar para ver.
Por agora é apreciar o que o filme tem de bom enquanto cinema espectaculo em estilo pipoca comercial mas não menos divertida.
É um excelente filme de aventuras live-action a fazer lembrar um bocado os melhores romances de aventuras de Clive Cussler para quem sabe do que estou a falar. É assim uma espécie de romance que Cussler nunca escreveu nos moldes do seu livro de aventuras “Inca Gold” mas poderia ter muito bem escrito.

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CLASSIFICAÇÃO:

Como habitualmente nem vou contar nada da história pois podem ter uma ideia desta no trailer e eu defendo que um filme deve sempre ser visto sem sabermos absolutamente nada sobre ele. Se gostam de cinema de aventuras vejam [“Chronicles of the Ghostly Tribe”].
Eu diverti-me à brava. Só senti falta de uma ligação emocional aos personagens e isso retira-lhe logo bastantes pontos à classificação que deveria ter tido.

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Quatro tigelas e meia de noodles, pois é um óptimo filme de aventuras com reinos perdidos, arqueologia e monstros feios quanto baste nos moldes de Hollywood mas com identidade oriental própria quanto baste.

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A favor: a estética do filme em termos de uso da cor, bom sentido de aventura, história criativa, uma pitada de ficção cientifica curiosa, nunca sabemos ver o que nos irá mostrar a seguir, bons efeitos especiais no geral, excelente cinematografia e cenários fantásticos, muito divertido do início ao fim.
Contra: os personagens não são tão cativantes como tinham a obrigação de ter sido, alguns cenários digitais são apenas medianos. O filme fica em continuação.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt4819498

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

capinha_the-good-the-bad-the-ugly  The Myth

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The Sorcerer and the White Snake (The Sorcerer and the White Snake) Siu-Tung Ching (2011) China


Se julgam o cinema de fantasia pela qualidade dos efeitos especiais então fujam !
[“The Sorcerer and the White Snake“] tem efeitos digitais tão maus que fazem as sequências de “Blood – The Last Vampire” parecerem cenas do Avatar em comparação.
Por isso se um mau filme na vossa opinião se define pelo lado técnico dos efeitos é melhor esquecerem este desde já pois não vão gostar de todo.

Se no entanto, conseguirem abstrair-se das piores criações em CGI dos últimos anos, entrarem na onda visual do filme e não se importarem com “renders” que mais parecem saídos de uma introdução de um velho jogo para a PS-ONE do que material produzido para cinema feito em 2011, então bem-vindos a [“The Sorcerer and the White Snake“].
Especialmente se gostam de filmes de fantasia.

Esta produção pode ter defeitos que nunca mais acabam a nível técnico, mas tem imenso charme e acima de tudo tem uma coisa que para mim dá logo imenso valor a um projecto; está sempre a surpreender no que toca a imaginação e parece continuamente apostado em atirar á cara do espectador momentos inesperados especialmente quando pensamos que já vimos tudo e nada nos pode apanhar de surpresa. E isto no sentido positivo e no negativo. O que de de certa forma serve como ponto de reviravolta na nossa opinião sobre o que aparece no ecran.

Perdi a conta dos momentos em que só pensava que tudo era tão mau, tão mal feito , tão piroso e tão foleiro que só poderia ser totalmente viciante, naquele sentido do é tão mau que só pode ser de propósito e portanto se torna automáticamente genial.
Por outro lado também perdi a conta dos momentos realmente bons deste filme.
Não o são, própriamente pela história ou carísma dos personagens porque na verdade não têm nada de especial ou sequer muito cativante, mas pelo resultado global desta produção que tanto pode ser genialmente má como extraordináriamente boa ás vezes com uma diferença de segundos entre cenas.

Isto porque como já disse [“The Sorcerer and the White Snake“] é um filme cheio de imaginação. Daqueles que sabem usar as suas limitações técnicas para muitas das vezes criar cenas memoráveis. Já vi este título há um par de semanas e continua a não sair-me da cabeça, nomeadamente por causa de muitas das suas imagens cheias de ambiente, paisagens fabulosas e muita criatividade no design visual.

[“The Sorcerer and the White Snake“] está cheio de geografias fantásticas, criaturas fofinhas e carismáticas (que deveriam ter tido mais tempo de antena), ao mesmo tempo que contém algumas cenas de acção bem divertidas e que culminam num final absolutamente épico.
Tão épico que se nota perfeitamente que os criadores deste projecto não tinham orçamento nem para metade do que quiseram mostrar mas mostraram na mesma, numa onda total de : “que se lixe !”
Por isso nota alta para tanta ambição e pela total falta de receio em alienar logo metade do público com tanto mau CGI.

Nota-se que houve aqui uma escolha óbvia; ou faziam um final pequenino sem grande chama e dentro do dinheiro que haveria para produzir uns efeitos mais aceitáveis…ou… entravam á maluca por um final para lá de épico sem terem meios para o realizar técnicamente como deveria ter sido filmado. Por mim, ainda bem que escolheram o total avacalhamento visual , pois [“The Sorcerer and the White Snake“] tem no seu final alguns dos melhores momentos de sempre dentro daquele género de cinema-tão-mau-que-só-pode-ser-bom !

Portanto se gostam de cinema de fantasia eu recomendo vivamente este filminho. Agora têm de gostar de Fantasia dentro do género conto-popular-chinês, em puro modo de conto-de-fadas com um bocadinho de porrada e artes marciais. Se procuram algo no estilo ocidental em jeito de Lord of the Rings, esqueçam, [“The Sorcerer and the White Snake“] é puro cinema de fantasia ao melhor estilo “The Promise” mas produzido sem o mesmo orçamento.

Quando isto começou, a primeira sensação que tive foi a de que estava a ver uma espécie de sequela não declarada de “The Forbidden Kingdom” mas sem o Jackie Chan ou o puto americano que não servia para nada.
Parecia que alguém na China esteve a ver esse filme, percebeu o que estaria a mais nele e resolveu criar a sua própria versão integralmente chinesa (visto Forbidden Kingdom ter sido uma co-produção China/América).
Isto porque inclusivamente o personagem de Jet Li até parece o mesmo e tudo, só que desta vez bem melhor usado dentro do contexto geral da história.

[“The Sorcerer and the White Snake“] é no entanto um filme bem mais infantil que “The Forbidden Kindom” (se é que tal é possível), isto porque em muitos momentos até parece uma produção da Disney ou da Dreamworks, devido ás sequências com criaturas fofinhas e animais inteligentes a piscar o olho ao estilo Shrek até).
Mas ainda bem que elas estão na história, pois são um dos seus pontos fortes. Quebram a monotonia da óbvia, clássica e algo aborrecida história de amor central e equilibram muito bem alguns dos momentos de acção mais fracos até.
Da minha parte só tenho pena que o filme não tenha tido mais criaturas como estas ao longo da história. Mas como está, está bem e curiosamente os efeitos digitais nesses momentos nem são nada maus não senhor.

Essencialmente [“The Sorcerer and the White Snake“] é um conto de fadas chinês. Conta a história de uma espécie de serpente milenar que se apaixona por um humano e se transforma em mulher para poder viver com ele. Claro que o pobre coitado nem suspeita do verdadeiro aspecto da senhora e muito menos imagina que existe uma ordem de monges que ao melhor estilo Terminator em versão Shaolin percorrem o mundo eliminando todo o tipo de criaturas que não forem humanas porque as consideram demoníacas , só porque sim; o que acaba por se revelar um dos pontos interessantes na moral da história também e provavelmente será a tónica do conto original que não parece esquecida no desenlace final desta aventura. Nota positiva também para isto.

Basicamente estamos na presença de um filme de aventuras divertido, passado numa China de Fantasia ao melhor estilo conto de fadas clássico oriental. Não se chateiem muito com o visual dos maus efeitos especiais e deixem-se levar pelo universo da história pois [“The Sorcerer and the White Snake“]  é um pequeno grande “mau” filme simplesmente perfeito para quem procura um titulo divertido e ligeiro. Nota-se que houve um constante esforço para apresentarem um produto criativo mesmo apesar das limitações técnicas e nem sempre encontramos algo assim que sabe tirar uma nota tão positiva daquilo que á partida poderia ter sido a morte do filme.

O seu único problema é que a história nem é particularmente divertida e o facto de se basear essencialmente numa espécie de comédia de costumes envolvendo uma história de amor também não ajuda a dar-lhe grande carísma no aspecto humano. Isto porque os personagens são todos muito superficiais e portanto não esperem encontrar aquela intensidade romântica de um “An Empressa and the Warriors” por exemplo e essa é uma das grandes falhas do filme, pois supostamente o amor seria o motor de todas as situações da história mas os personagens nunca nos cativam da forma que é habitual encontrarmos no cinema romântico oriental.
Como resultado disso, a parte dramática deveria criar uma grande empatia com o espectador para ajudar a terminar em beleza o segmento final da história, mas não funciona muito bem em termos emocionais pois tudo nos parece artificial demais ao contrário do que costuma ser costume em produções românticas orientais.

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CLASSIFICAÇÃO:

É um filme carregado de pequenos pormenores que lhe dão imensa vida. Tudo o que não envolve a história de amor central, dá imensa energia ao filme; o que no fundo é uma mais valia pois este enquanto fantasia romântica simplesmente nunca funcionaria muito bem por causa da superficialidade de toda a trama de amor.
Boas cenas e acção, monstros divertidos, criaturas fofinhas quanto baste, alguma comédia bem conseguida, quilos de maus efeitos especiais que não deixam de ter imensa personalidade mesmo assim e um final tão épico que nem cabe no orçamento do filme.
Como filme de fantasia totalmente no estilo conto-de-fadas-chinês, não será melhor que “The Promise” ou mesmo que “An Empress and the Warriors“, mas mesmo apesar dos maus efeitos especiais penso que é mais cativante do que “The Restless” e mais criativo que “The Forbidden Kingdom” também.
Por isso e porque o raio do filme não me sai da cabeça mesmo depois destas semanas todas, quatro tigelas e meio de noodles porque sendo mau demais é realmente muito bom mesmo ! E já que estamos no Natal é uma óptima escolha para espreitarem enquanto esperam pelo dia de abrir as prendas também.

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A favor: soube tirar partido da sua muita imaginação mesmo apesar dos péssimos efeitos CGI, está carregado de pequenos pormenores criativos a todos os níveis, algumas paisagens são fabulosas, tem um final tão épico que quase não cabe no orçamento do filme o que o torna ainda mais divertido, esforça-se a todo o instante por ultrapassar as suas limitações técnicas tentando surpreender o espectador com coisas novas e pequenas reviravoltas, tem um par de monstros bem creepy e divertidos, alguns efeitos digitais até nem são maus de todo não senhor, tem um par de criaturas fofinhas bem conseguidas, grande parte do design é excelente com destaque para o visual das duas serpentes irmãs em estilo sereia flutuante, boas e variadas cenas de acção eficazes quanto baste, alguns momentos de comédia divertidos.
Contra: quem odeia o estilo cinema-photoshop presente em “The Promise” vai abominar este filme totalmente,  a história de amor deveria ser o coração da história mas perde-se algures entre o drama que nunca poderia ser e a comédia que não sabe se quer ser, os personagens não têm grande profundidade e por isso a parte humana da história fica um bocadinho áquem do que é costume em produções românticas orientais, em 2011 é um filme com efeitos digitais do meio dos anos 90 no mínimo…mas por outro lado, who cares !

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=YOXg1SL60nk

Comprar
http://www.yesasia.com/us/the-sorcerer-and-the-white-snake-dvd-china-version/1025644242-0-0-0-en/info.html

Download aqui com legendas me PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0865556/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Promise

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The Forbidden Kingdom (The Forbidden Kingdom) Rob Minkoff (2008) EUA/Italia/China


Quando eu me preparava para cascar forte e feio  neste título eis que sou obrigado a engolir as minhas ideias pré-concebidas pois não contava nada com isto.
Depois do deboche que foi o post anterior, falemos então de [“The Forbidden Kingdom“], um filminho de artes marciais americano para toda a família…produzido por uma italiana (Rafaela De Laurentis) e rodado com uma equipa internacional cheia de chineses. Na china.

Quando vi pela primeira vez o trailer disto, na altura em que o filme saiu, fiquei plenamente convencido de que iria ser um filme de que nunca iria falar aqui no blog. Primeiro porque era um produto directamente ligado a Hollywood, depois o heroi era o típico puto americano e portanto não me parecia um bom candidato para ser comentado num blog como este.

Além disso o trailer parecia-me um vazio e nem o facto desta história contar com Jet Li contracenando com Jackie Chan me deu grande motivo para espreitar aquilo que essencialmente mais me parecia um hibrido falhado entre o melhor do cinema oriental e aquilo que os americanos achariam que o cinema oriental supostamente deveria ser.
Ou seja, porrada de karaté com gajos de olhos em bico e um heroi americano para salvar a China.

Ao longo do tempo, comecei a notar que muitos blogs e sites sobre cinema oriental acabavam sempre por falar deste filme mas para dizer a verdade acho que nunca li uma review sequer e como tal continuei a ignorar [“The Forbidden Kingdom“] até há dois dias atrás.
Descobri este dvd em promoção no Hipermercado Jumbo aqui em Portugal apenas a 1.99€ a edição de 2 discos e não resisti. Era agora ou nunca.
Como tinha comprado o dvd, lá tinha então que ver o filme, mas parti para ele plenamente convencido de que iria ver um pedaço de plástico do piorio.
Enganei-me.

Quer dizer, mais ou menos.
É um pedaço de plástico mas … não é que o raio do filme é surpreendentemente uma pequena grande aventura de fantasia muito divertida ?!! Desta não estava á espera.
Para começar não estava á espera que tivesse um ambiente visual tão fantástico e detalhado.
No que toca ao aproveitamento de paisagens naturais [“The Forbidden Kingdom“] está de parabéns. Esta aventura soube mesmo criar uma atmosfera de mundo de fantasia muito para além daquilo com que eu estava a contar.
Ou seja, mesmo quando as paisagens são aumentadas por CGIs, tudo tem um visual fascinante, muito imaginativo e cheio de ambiente, o que começou logo por ser um ponto extremamente positivo num filme que não pedia mais do que ser uma colecção de cenas de porrada chinesa filmada por um americano.

A verdade é que [“The Forbidden Kingdom“] conta com um universo realmente muito bem concebido que nos faz mergulhar numa china antiga de fantasia quase como se fosse uma espécie de Terra Média oriental (inclusivamente a expressão é usada no filme para descrever a geografia desse mundo).

Adorei e fiquei logo plenamente cativado por todo o visual daquele universo imaginário. Este filme contém algumas das melhores e bonitas paisagens criadas para um mundo de fantasia cinematográfico que alguma vez vi num produto americano e nota-se que houve mesmo muito cuidado na criação de toda a geografia imaginária de modo a dar ao espectador um bom palco para todas as cenas de kung-fu. Gostei.
[“The Forbidden Kingdom“] visualmente é uma espécie de cruzamento entre “The Promise” e “The Restless” com um certo sabor a “The Neverending Story” oriental, embora sem qualquer criatura fofinha pelo meio.

Como eu não esperava um titulo violento ou minimamente realístico a nível de cenas de guerra e batalhas, o facto do filme ser totalmente limpinho no que toca a cenas de sangue e tripas pelos ares comuns nos épicos medievais orientais, também não me chateou muit0 que [“The Forbidden Kingdom“] fosse essencialmente uma aventura para toda a família no mais básico estilo americano.
Isto porque o filme pode ser um título quase para crianças, mas tem o mérito de não alienar o público adulto que goste do género de fantasia e aprecie particularmente filmes orientais com muito kung-fu á mistura.

[“The Forbidden Kingdom“] tem tudo para agradar ao público mais jovem, mas por outro lado está carregado de referências visuais para fazer com que o pessoal que já conhece bem outros titulos do género oriental possa olhar para esta aventura americana como uma espécie de caça ao tesouro.
Nota-se que quem criou este produto hibrido entre várias culturas e estilos de cinema conhece bem o que foi produzido no cinema clássico oriental do género no passado e resolveu polvilhar todo o argumento por demais simples a uma primeira vista com dezenas de pequenos pormenores que homenageiam tudo desde á série “Monkey”, aos filmes com o “Drunken Master” e até ao próprio cinema de Tsuy Hark.

Portanto, se vocês gostarem muito de filmes de kung-fu e conhecerem bem os titulos clássicos vão conseguir curtir muito mais [“The Forbidden Kingdom“] do que qualquer outra pessoa que não consome cinema do oriente, pois este filme está cheio de sequências que não são mais do que homenagens aos produtos originais. E resulta.
Por isso nota positiva também para o facto do argumento parecer muito básico, mas na verdade conter mais substância do que aparenta.

Ok, tem um heroi adolescente americano que não serve para nada.
Podia ter-se feito este filme sem recorrer a qualquer referência americana que este resultaria na mesma, mas afinal há que vender isto ao público ocidental e claro que não bastaria contar com Jet Li e Jackie Chan para fazer o filme render nas bilheteiras americanizadas do mundo inteiro. Tinha que haver um heroi americano teenager.

Surpreendentemente, apesar do personagem ser perfeitamente dispensável nisto tudo, a verdade é que temos em [“The Forbidden Kingdom“] um bom personagem adolescente que contrariamente ao que eu esperaria não é de todo um daqueles adolescentes saídos de uma boys-band para vender posters ás meninas que costumam polvilhar este tipo de filmes mais infantís.

Na verdade o heroi teen deste filme até é um tipo simpático e que podia ser perfeitamente uma pessoa comum. Até aqui nota-se um cuidado da produção para criar um personagem central que se integrasse na narrativa e não recorreram apenas a uma estrela com carinha laroca para fazer suspirar o público teenager. Obviamente que é um bocado estéreotipado, mas está definido dentro das próprias regras deste tipo de história e consegue realmente o feito de ser um adolescente num filme americano que não dá cabo dos nervos ás audiências adultas que já não podem mais com High School Musicals.

De resto não há muito mais para dizer, além de que muita gente parece ter ficado algo decepcionada porque o primeiro encontro cinematográfico de duas lendas como Jet Li e Jackie Chan tenha ocorrido num filme tão pouco violento e tão ligeiro, mas a mim não me chateou minimamente. Embora verdade seja dita me pareça (até pelo making of) que ambos entraram nisto mais pelo cheque do que por qualquer outra razão.

Penso que tanto Jet Li, como Jackie Chan cumprem perfeitamente, as suas sequências de luta são muito criativas visualmente, divertidissimas de acompanhar e ambos os personagens têm carísma suficiente para conseguirem uma boa química no ecran quando ambos estão presentes e acho que ambos equilibram muito bem o filme ao redor do personagem teen principal.
Ah, e a miúda é fofinha quanto baste também.

Uma nota positiva para o realizador. Sinceramente não estava nada á espera que um filme americano conseguisse captar aquela magia de um produto oriental no que toca a este género de cinema de kung-fu mas penso que o realizador está de parabéns.
Além de dotar [“The Forbidden Kingdom“] de uma identidade própria, conseguiu equilibrar muito bem aquilo que os americanos supostamente devem achar que deverá ser um filme de kung-fu com o melhor daquilo que realmente é um bom filme de kung-fu. Mesmo kung-fu para crianças.

Os personagens nunca andam perdidos, o filme tem um ritmo excelente e montes de atmosfera e  nem o facto dos vilões serem totalmente de cartão impede que o produto final seja uma aventura de fantasia muito divertida que consegue demonstrar o que pode haver de melhor no cinema pipoca americano e oriental sem ter que sacrificar nenhuma das suas características.
[“The Forbidden Kingdom“] é assim uma espécie de aventura totalmente série-B, mas filmada com muito dinheiro.

O facto de tudo ter sido filmado na China, também ajudou imenso e já agora recomendo vivamente que espreitem os pequenos documentários de making of se comprarem a edição de dois discos que eu tenho. O segundo disco com extras não tem mais de meia hora , mas contém um par de pormenores de bastidores que vão gostar de conhecer, dos quais destaco a fantástica cidade cenário que existe na china e que os vai deixar fascinados.

A propósito, se tiverem uma sensação de dejá-vu ao verem [“The Forbidden Kingdom“] no que toca a cenários…é porque  já viram muitos deles em filmes como “Curse of the Golden Flower” por exemplo. Apenas agora neste filme estão decorados de forma ligeiramente diferente o que permitiu á produção fazer com que esta aventura de fantasia pareça ter custado mais a produzir do que na realidade custou em orçamento. Muitas das coisas já existiam construidas na china para outros filmes e por isso também vão curtir prestar atenção aos cenários e tentar lembrarem-se onde é que já os viram antes.

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CLASSIFICAÇÃO:

É um filme básico, é pipoca total, não tem nada que os impressione na história e o suspanse dramático é totalmente inexistente, mas lá que é uma pequena grande aventura de fantasia isso é. Acima de tudo é um filme simpático e muito divertido para quem decidir entrar no espírito da coisa. Bem melhor do que aparentava ser no trailer e totalmente recomendável a quem procura um bom filme de familia dentro do género de fantasia passado num mundo imaginário visualmente fantástico e cheio de identidade.
Ainda pensei dar-lhe apenas trés tigelas de noodles, mas a verdade é que estaria a ser injusto se não lhe atribuisse mais uma e portanto fica com quatro. É um filme simples mas como cinema puramente pipoca é muito bom mesmo.
Não peçam muito dele e vão gostar. Especialmente se comprarem o dvd edição dupla a 1.99€ como eu comprei nos Hipermercados Jumbo em promoção especial.

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A favor: cenários e ambientes de fantasia muito atmosféricos e visualmente criativos, personagens simpáticos e com carísma no ecran, espectaculares coreografias de acção criativas quanto baste, é uma aventura de fantasia muito divertida embora banal, está carregado de referências a filmes clássicos orientais, é um bom filme pipoca “oriental” surpreendentemente bem realizado por um americano.
Contra: não tem qualquer suspanse seja a que nível for, não tem um pingo de originalidade, os vilões são totalmente de cartão.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=e66Og0lOCcE

Comprar
DVD – http://www.amazon.co.uk/Forbidden-Kingdom-DVD-Jackie-Chan/dp/B001EY5VJQ/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1314827804&sr=8-1
BluRay – http://www.amazon.co.uk/The-Forbidden-Kingdom-Blu-ray/dp/B001D07Q2Q/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1314827804&sr=8-2
Se estiverem em Portugal devem encontrar o dvd duplo á venda nos Hipermercados Jumbo por 1.99€ (neste mês de Agosto de 2011).

Download aqui com legendas me PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0865556/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Myth The Promise

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20-seiki shônen: Honkaku kagaku bôken eiga (20th Century Boys) Yukihiko Tsutsumi (2008) Japão


O ano de 2010 começa bem para mim no que toca a boas compras de cinema oriental.

Este é um filme sobre o qual me é muito dificil falar pois é um daqueles produtos de cinema asiático muito dificeis de classificar.
A minha primeira reacção foi a de atribuir-lhe a classificação máxima pois [“20th Century Boys“] é não só muito bom como tem uma coisa que lhe dá logo muitos pontos, é completamente original. Mesmo não parecendo.

Na verdade não me lembro de ter visto nada  assim antes e surpreendeu-me que o filme tivesse uma estrutura inesperada.
Curiosamente o único motivo porque vi o filme foi porque o comprei.
E a única razão porque o comprei foi porque a edição que estava á venda na Amazon Uk (e ainda está) tinha uma relação preço-qualidade que me pareceu muito boa, pois os dois discos vinham dentro de um livro hardcover com 26 páginas a cores e eu não resisto a estas coisas especialmente quando estão á venda por menos de 10€. Comprei o filme a 4 libras um par de semanas atrás.

Tinha visto o trailer há meses e já o podia ter sacado da net há muito tempo para espreitar, mas nem me dei ao trabalho porque [“20th Century Boys“] parecia-me ser precisamente aquele tipo de filme que me aborrece de morte, ou seja algo num estilo super-herois que geralmente não me diz nada e como tal as apresentações nunca me convenceram ao ponto de sequer me fazer ter vontade de ver o filme á borla.
No entanto algo me dizia que [“20th Century Boys“] não seria tão banal quanto me parecia no trailer e devido á sua excelente e barata edição não resisti a comprá-lo.
E ainda bem que o fiz.
Se calhar não se nota pela “suave” classificação que lhe atribuí mais abaixo, mas este filme quanto a mim é absolutamente fantástico e a única razão porque não lhe dou uma nota melhor é porque este é um daqueles produtos que são absolutamente contagiantes quando o vemos pela primeira vez, mas pessoalmente não fiquei com vontade nenhuma de o rever tão cedo.

Não porque [“20th Century Boys“] seja um mau filme, aborrecido ou tenha algum problema grave, mas porque é um daqueles que depende mesmo muito do fascínio que o mistério da história cria no espectador e como tal quando a coisa chega a uma conclusão, mesmo apesar de ser um filme oriental cheio de qualidades há muito pouco que faça o espectador querer voltar a ele muito próximamente.
Pelo menos até ver como a história termina…

[“20th Century Boys“] tem o grave problema de ser uma primeira parte de uma história em trés capitulos. Ou melhor em trés filmes. Além disso a sua originalidade acaba por ser a sua maior virtude e a sua maior fraqueza.
A sua originalidade não está propriamente no estilo, ou até na história, até porque se vocês conhecem obras como Watchmen (tanto o livro como o filme), não vão encontrar algo muito diferente em [“20th Century Boys“], que, quanto a mim é quase uma versão alternativa da Bd de Alan Moore transposta para uma identidade oriental puramente japonesa. Não que seja um plágio, mas o tom da história e até a sua própria estrutura é semelhante.

Segundo consta, esta trilogia de filmes, adapta o Manga mais vendido de sempre no Japão. Algo que me é totalmente alheio pois até agora nunca tinha ouvido falar de tal coisa e como tal parti para este filme como eu gosto. Completamente ás escuras.
O facto de  [“20th Century Boys“] ser a primeira parte da história (em filme) podia até nem ser um problema, pois por exemplo  a primeira parte do Senhor dos Aneis resulta plenamente enquanto filme isolado até ao seu final.
No entanto [“20th Century Boys“] “falha” nesse aspecto porque como alguém já referiu numa outra review na net, parece que os criadores deste projecto se esqueceram que este produto acima de tudo era suposto ser um filme e se calhar não deveria ter seguido tão á risca uma estrutura de banda-desenhada no que toca á sua narrativa.

Por outro lado, esta visão pode ser apenas fruto do nosso olhar ocidental mais habituado ao tipo de estrutura que vemos nos filmes americanos e sendo assim é inevitável que olhemos para [“20th Century Boys“] como um filme algo estranho e inesperado.
Lá ver se consigo explicar isto melhor…olhem que é difícil…
[“20th Century Boys“] é apresentado como um verdadeiro blockbuster “de super-herois” ao estilo japonês. No entanto não se passa nada neste filme asiático ao longo de quase trés horas !!!

Não se passa nada daquilo que vocês pensam que se vai passar se virem os trailers.
As apresentações dão a ideia que o espectador vai ver um blockbuster cheio de acção e cenas de destruição ao melhor estilo de cinema catástrofe e no entanto nada disso acontece  em [“20th Century Boys“].
As poucas cenas de acção e destruição que vocês vão encontrar nesta história são os breves segundos de explosão no aeroporto e no parlamento e isso aparece tudo no trailer sem haver mais nada para mostrar.
As partes de aventura com o robot gigante são practicamente nulas e mais parecem pertencer aos cinco minutos finais de um qualquer episódio de uma série televisiva do que a uma mega-produção que [“20th Century Boys“] apregoa ser em todo o seu marketing.

Ou seja, se esperam um filme de super-herois, ou com uma estrutura (ou espectacularidade) semelhantes ao que estão habituados a ver, esqueçam.
Que achou que Watchmen foi uma seca porque aquilo era muito paleio e pouca acção, então é melhor nem se aproximar de [“20th Century Boys“], pois é trés vezes “mais lento”. O aviso está feito, isto não é o blockbuster que aparenta ser na publicidade (o que muito me agradou).
Ainda por cima quando o filme está precisamente no seu momento mais empolgante ao fim de quase 150 minutos…a imagem pára e aparecem no ecran as palavras “To be continued…” !!!

Curiosamente é um filme oriental bem mais intimista do que eu próprio esperava ter visto.
Practicamente as primeiras duas horas são passadas em desenvolvimento de personagens. Não que isto seja o ponto fraco do filme, mas deixo já o aviso que é muito importante vocês estarem atentos aos nomes dos personagens porque senão vão dar em doidos.
Consta que todos os trés filmes contêm ao todo mais de 300 personagens diferentes e acredito plenamente nisso pois só nesta primeira parte devem passar dos 50. Ainda por cima isto é um filme oriental e como tal…esqueçam o conceito de “heroi” ou personagem principal, pois aqui até o personagem mais secundário é importante para a história e tem o seu momento de ecran específico o que complica bastante a vida ao espectador mais desatento.

Para piorar as coisas, o filme ainda é passado em trés décadas diferentes e como tal apanhamos com os personagens quando crianças em 1970, acompanhamos os mesmos nos anos 90 e ainda os vislumbramos por volta de 2015. O que quer dizer que cada personagem é interpretado por um par de actores diferentes consoante a época em que a história decorre. E muitos deles têm alcunhas em criança e nomes diferentes em adultos…
Resumindo, este filme só pode ter sido um sucesso enorme no japão mesmo.
Metessem isto num cinema americano (ou americanizado) do ocidente e isto seria um fracasso absoluto pois metade das pessoas perder-se-ia por completo no emaranhado da história e personagens infinitamente variados, com a agravante do filme não ter cenas de aventura ou acção intercaladas ao estilo dos argumentos americanos para deixar o cérebro descomprimir.

É que essencialmente [“20th Century Boys“] é um filme oriental de mistério.
E um dos mais intrigantes e completamente hipnóticos que me lembro de ter visto em muito tempo.
Se vocês ficarem intrigados pela história, o seu desenvolvimento não vos vai deixar tirar os olhos do ecran até ao seu final. Final esse que é considerado por muita gente como uma das maiores desilusões do cinema recente.
Isto porque na verdade não corresponde minimamente á ideia de blockbuster com que o filme é vendida no ocidente e como tal era inevitável que muita gente visse as suas expectativas completamente frustradas.

Pessoalmente eu nem queria acreditar no que estava a ver quando o filme parou mesmo no melhor e a expressão “continua” apareceu na imagem.
Nunca tinha visto um filme acabar assim. A sensação com que se fica é que [“20th Century Boys“] acaba ali como podia ter acabado noutro sítio qualquer e isso é um sentimento algo estranho quando como espectadores investimos todo o nosso interesse na história e pelo menos esperávamos que nesta primeira parte algo nos recompensasse os primeiros 150 minutos do nosso entusiasmo.

No entanto…
Superem este pormenor e vão descobrir uma história fascinante suportada por um elenco enorme e cheio de carísma.
O filme practicamente não tem acção (não se deixem enganar pelos trailers), mas nem por isso deixa de ser divertido ou cativante.
Nota alta para o trabalho do realizador que conseguiu manter coeso todo o emaranhado do argumento sem nunca perder o fio á meada e criar um filme divertido e cheio de personalidade. Mesmo sem recorrer a cenas de porrada á americana ou a efeitos especiais ao longo de practicamente todo o filme, [“20th Century Boys“] mantém-nos colados á sua história e interessados no seu desenlace.
Só é pena ainda termos de esperar até ao lançamento do terceiro capitulo para ficar a saber como tudo termina. Isto claro se nunca leram o Manga, cujo o próprio autor é agora o argumentista do filme e talvez seja por isso que esta grande produção pareça ser mais uma banda-desenhada com imagens “reais” em movimento do que propriamente um filme.

Nota alta para o elenco infantil que tem um desempenho absolutamente hipnotizante. Alías, toda a parte passada na infância dos herois é um dos pontos altos do filme a fazer lembrar aquele estilo de história juvenis nostálgicas que normalmente Stephen King costuma contar.
Enquanto espectador não pude deixar de pensar que havia algo de Stand By Me nesta história e isso agradou-me mesmo muito e tenho a certeza irá agradar bastante a todos aqueles que foram crianças nos anos 70 bem antes de existirem computadores, telemóveis, videogames e internet e onde todos nós tinhamos de inventar os nossos próprios mundos de imaginação pois não havia nada do género pré-fabricado. O filme (e a história) capta muito bem o espírito de infância desses anos e sendo assim é mais um dos seus pontos altos.

Como este texto já vai longo e não quero revelar muito sobre o filme vou terminar apenas dando-lhes uma ideia da história.
Essencialmente [“20th Century Boys“] é sobre um misterioso culto religioso centrado num enigmático logotipo e numa figura conhecida apenas como “Friend” e sobre a maneira como esta personagem consegue dominar (e destruir?)  o mundo.
No inicio dos anos 70 um grupo de crianças imaginou uma história de ficção-científica precisamente contendo todos os detalhes que depois se vieram a tornar reais e como tal todo o mistério gira á volta da possibilidae de “Friend” ser na realidade ser uma das crianças do grupo original que de alguma forma conseguiu tornar realidade algo surgido num jogo infantil muitos anos atrás.
Fico-me por aqui pois há muito para descobrirem se virem [“20th Century Boys“].

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CLASSIFICAÇÃO:

Sinto que quando conseguir ver os trés filmes de uma só vez e puder unificar toda a história, hei de voltar a esta review e adicionar mais uns pontos á sua classificação.
Isto porque [“20th Century Boys“] é um filme diferente dos outros porque tem uma estrutura inesperada e como tal devido a isso é quase injusto estar a classificar isoladamente esta primeira parte pois ao contrário de filmes como o primeiro Lord of The Rings, esta não resulta enquanto filme e sente-se mesmo a falta da continuação para podermos ser realmente justos sobre o que dizer sobre o produto final.
No entanto não deixem de ver [“20th Century Boys“] pois é algo absolutamente único e recomenda-se vivamente.
Quatro tigelas de noodles…por agora…

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A favor: também neste filme o argumento labirintico e a forma como cruza os diversos caminhos do destino dos protagonistas, as sequências nostálgicas da infância dos personagens, o elenco e a quantidade enorme de personagens (secundários(?)), apesar da complexidade da história o trabalho do realizador é notável a gerir tudo aquilo, em 150 minutos de filme mesmo sem practicamente acção nenhuma o suspanse mantém-se apenas pela força da história e carísma dos personagens, o estilo de realização tem variações impecáveis que nunca deixam o filme perder o interesse e quase que assistimos a um estilo de filmagem diferente para cada personagem, a fotografia destaca-se especialmente nas sequências dos anos 70, quem gostou de Watchmen irá gostar de [“20th Century Boys“].
Contra: quem espera um blockbuster cheio de acção e estilo cinema catástrofe cheio de efeitos especiais vai ficar muito decepcionado, este primeiro filme não está estruturado enquanto primeiro capitulo com um principio meio e fim e acaba de forma completamente inesperada e sem resolver absolutamente nada do que desenvolve ao longo de quase trés horas, não sentimos que estamos a ver o primeiro filme de uma trilogia mas apenas um bocado do inicio de um qualquer filme de oito horas que subitamente nem sequer fica a meio mas acaba no inicio quando tudo parece ir começar a sério, as cenas de acção que supostamente seriam o climax desta primeira parte são absolutamente desinteressantes e banais mais parecendo a parte final de um qualquer episódio televisivo de uma série desinteressante qualquer com robots gigantes.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=OCFOM5mZx28&feature=related

COMPRAR
A foto acima pertence á edição que eu comprei na Amazon Uk e que recomendo. Os dvds vêm dentro de um bonito livro numa edição hardcover com 24 páginas a cores detalhando muita coisa sobre o universo do filme (cuidado com os spoilers). Tudo com o excelente preço a condizer.
20th Century Boys (2 Discs & 24 Page Book) [2008] [DVD]

Está também já disponível o segundo capitulo numa edição em tudo semelhante á do primeiro caso queiram continuar a colecionar isto em dvds separados.
20th Century Boys Chapter 2 (2Disc & 24 Page Book) [DVD] [2009]

E finalmente o terceiro.
20th Century Boys 3: Redemption (Ws Sub Ac3 Dol) [DVD] [Region 1] [US Import] [NTSC]

Em alternativa, se quiserem já adquirir os 3 filmes de uma só vez também já o podem fazer numa única e muito interessante edição.
20th Century Boys Trilogy – The Complete Saga [DVD] [2010]

Recomendo vivamente a compra das edições dvd acima, mas se quiserem espreitar o filme primeiro podem ir buscá-lo aqui com legendas em Pt(Brasil)

IMDB
http://www.imdb.pt/title/tt1155705/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

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Casshern (Casshern) Kazuaki Kiriya (2004) Japão


Este filme é um espectáculo…visual.

Pode resumir-se apenas numa palavra; espalhafatoso e desconjuntado.
Eu sei que foram duas palavras, mas da mesma forma que vocês notaram isso e a minha frase perdeu um bocado a sua lógica, assim é [“Casshern“] enquanto filme.
Está lá tudo, mas há qualquer coisa na sua construção que quase o afunda numa sucessão de sequências abstractas e desconjuntadas, quando a história que tenta (?) contar pedia uma narrativa mais coerente.

Visualmente o filme é absolutamente notável, embora também o seja de uma forma estranha, pois a sua estética é construída muito á base de um estilo visual que se poderia denominar Photoshop, pois todas as imagens apesar de impressionantes, são no entanto extremamente artificiais e digitalmente plásticas o que cria uma atmosfera única mas também aumenta a distância entre o espectador e a obra em questão, quando deveria ter acontecido precisamente o oposto.

Ao contrário do que se vê em obras como o “The Promise”, onde o estilo Photoshop suporta de verdade o filme, aqui temos apenas bonitas imagens mas nada que as acompanhe a nível humano para criar uma empatia com o espectador. Quem realizou [“Casshern“], parece estar mais interessado em exibir a sua espectacular estética digital do que propriamente em contar uma história e por isso por muito bonito que seja visualmente, falha em absoluto pois parece que os personagens só lá estão para que os designers tenham uns bonecos nas imagens porque lá tinha que ser e pouco mais.

Basicamente  [“Casshern“], passa-se num futuro em que a humanidade foi quase toda destruida por uma guerra que durou décadas e reduziu o mundo a duas facções.
Apesar da metade oriental ter ganho a guerra, o planeta Terra está quase todo reduzido a escombros pela má utilização de armas químicas, destruição da natureza, mutações genéticas e uma completa super-industrialização do globo onde coorporações fascistas formam o sistema de governo que domina tudo e todos.

Um cientista afirma ter encontrado uma forma de salvar o que resta da humanidade através de resultados que obteve nas suas pesquìsas de regeneração do corpo humano através de algo chamado neo-cells.
No entanto sem o apoio do governo, vê-se obrigado a aceitar o patrocínio de uma misteriosa facção militar para poder prosseguir o seu projecto pois acima de tudo, o cientista procura descobrir a cura para a doença da sua mulher, porque é a única pessoa que lhe resta na vida após ter também perdido o filho na guerra.
Só que um grave acidente tem lugar no laboratório e como resultado, centenas de corpos armazenados no seu interior voltam á vida, auto-proclamando-se neo-sapiens e unem-se para acabarem de vez com os seres humanos que culpam pelo estado em que deixaram o planeta.

Tentando reparar o seu erro, o cientista, faz com que também o seu filho morto na guerra volte á vida. Este ajudado por uma armadura técnológicamente avançada torna-se na única coisa entre os neo-sapiens e a destruição final da humanidade.
E tudo isto passa-se mais ou menos nos primeiros 25 minutos de um filme que conta com mais de duas horas e meia, por isso já estão a ver porque desta vez até contei mais da história do que costumo fazer.

É que na verdade, a primeira vez que vi  [“Casshern“], já estava completamente baralhado ao fim de hora e meia de filme e isto não me costuma acontecer. Não que a história seja particularmente complexa quando depois se pensa nela, mas numa primeira visão, este filme pode ser uma experiência ao mesmo tempo entusiasmante e extremamente confusa.
Isto porque o realizador no meio de toda a pirótecnia, parece que se esqueceu que  [“Casshern“], era suposto ser um filme e não uma sucessão de trailers de videogames para a Playstation.

É que a realização deste filme é tão caótica e desconjuntada que se assemelha mais a uma colagem de varios trailers para jogos de estilos completamente diferentes do que outra coisa qualquer.
Tenta-se contar uma história com peças que pura e simplesmente não encaixam porque parecem todas pertencer a projectos completamente distintos uns dos outros e por isso nem os extraordinários visuais deste filme o conseguem salvar de ser uma das experiências mais aborrecidas que me lembro de ter tido a ver um filme nos últimos anos.
Ganha definitivamente o prémio da pior montagem que me lembro de ver em muito tempo. Curiosamente a montagem também é da autoria do realizador, o que tem a sua lógica pois duvido que outra pessoa tivesse conseguido montar este filme com tanta peça solta.
Tendo em conta esse facto, se calhar o resultado final até é um milagre.

Se calhar como consequência disso, o trailer também dá uma ideia completamente errada do filme. Pela apresentação parece que  [“Casshern“], é um filme de aventuras cheio de sequências de acção mas na verdade em quase trés horas de duração não deve totalizar uns 15 minutos de cenas do género e é mais um (mau) drama high-tech sem alma do que própriamente aquilo que parece ser no trailer.
Não que o filme não contenha alguns momentos espectaculares, mas a ligação do espectador com os personagens por essa altura já é tão fraca que pouco importa o que apareça no ecran.
[“Casshern“], está cheio de cenas ambientais (com visuais absolutamente fantásticos) , que supostamente contam a parte humana da história, mas tudo isto acaba por se perder na confusão de estilos visuais que deixam o filme á deriva entre telediscos estilo Matrix mal editados e cenas intimistas de duração tão longa quanto o mais pretencioso cinema de autor possa exibir, o que dá ao filme dezenas de quebras de ritmo narrativo completamente desnecessárias nas alturas mais inesperadas.
Resumindo, não se deixem convencer pelo aspecto do trailer, pois  [“Casshern“], não é de forma alguma o filme que vocês podem pensar que é.

Posto isto, afinal  [“Casshern“],  é tão mau assim ?
Pois…não. Talvez.
Embora quando o vemos da primeira vez, possamos apanhar uma seca monumental até mesmo durante as sequências de acção. O realizador esforça-se tanto por meter estilo no filme a todo o momento que se esquece de que para isso ser realmente importante na história, precisaria de ter tido uma base coerente primeiro que definisse o tipo de filme que esta obra seria.
O filme não é chato porque tem falta de cenas de acção, porque elas têm uma estranha curta duração, ou porque não é um filme do género, mas sim porque tem uma narrativa tão desconjuntada que a partir de certa altura a história perde-se por entre tanto estilo e os personagens deixam de ter qualquer interesse para o espectador.
Por outro lado, tem os seus momentos interessantes pois não há que negar que visualmente é realmente uma obra fabulosa.
Ver este filme é como olhar durante mais de duas horas para quadros animados pintados em Photoshop e por muito mau que isto seja, a verdade é que não conseguimos tirar os olhos do ecran mesmo quando já nem nos importamos com nada do que lá se passa, pois o que queremos é ver que imagem bonita aparece a seguir.

Mas por causa disto, os personagens perdem-se por completo. A love-story não tem interesse, os vilões são mais ridículos do que ameaçadores pois são super-vilões num filme que não é de super-herois e as partes a piscar o olho ao estilo de filme Art-House são simplesmente metidas a martelo criando uma aura pretenciosa no filme que ainda lhe dá menos identidade e credibilidade do que já tem.
O que é pena, pois o filme é na sua essência uma verdadeira obra-prima completamente falhada e onde nem a extrema beleza (e algum romantismo) das imagens consegue salvar  [“Casshern“] de ficar muito aquém daquilo que merecia e deveria ter sido.

O filme supostamente é uma adaptação de um Anime clássico http://www.youtube.com/watch?v=bINVhDM3RpI mas tirando uma breve imagem do capacete original do heroi que aparece como cameo no filme, muito pouco resta da animação original.
Sendo assim, é bastante difícil de ser classificado, pois como filme practicamente não existe, mas por outro lado tem um certo fascínio.
Considerem-no uma espécie de filme do Ed Wood, se este tivesse meios digitais ao seu dispor.
É que [“Casshern“] poderá ser muito bem o “Plan Nine from Outer Space” do cinema digital contemporaneo. O que de certa forma justifica plenamente a aura de culto que tem á sua volta embora como filme não a mereça de modo nenhum.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se estiverem interessados em ilustração de FC, têm aqui um objecto de estudo incontornável dentro do cinema moderno do género e portanto  [“Casshern“] será de compra obrigatória.
Para o resto do público, estão por vossa conta. Arrisquem, pois pode ser que gostem mais dele do que eu gostei. E eu adoro ficção-cientifica.
Mas a verdade é que já tentei revê-lo várias vezes, mas nunca consigo passar da primeira metade pois mesmo com todo o seu visual este filme continua a aborrecer-me de morte.
Duas tigelas e meia porque nem sei bem o que dar. É que se calhar merece muito menos.

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A favor: o visual absolutamente criativo dentro de um estilo steampunk realmente original, algumas sequências de acção são espectaculares.
Contra: realização atroz, péssimo ritmo narrativo, filme estéril e sem alma, o estilo sobrepõe-se á história, as sequências de acção são minúsculas e com uma montagem anárquica, o estilo video-clip MTV de muitas partes do filme, fica a meio caminho entre o cinema-de-autor e o filme comercial de super-herois e falha em ambos os estilos, os personagens não agarram o espectador, quase trés horas é demais.

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NOTAS ADICIONAIS

Podem ver aqui o trailer, mas não acreditem muito no que vêem, pois o filme é muito diferente e não é de forma nenhuma o filme de aventura/acção que parece.
http://www.youtube.com/watch?v=JpUWsMzwpAA

Comprar
A edição que eu tenho tem uma caixa excelente de trés discos, que só encontram á venda aqui. Não tem legendas nos extras.
Mas se quiserem comprar o filme, podem escolher comprar a edição de dois discos ou a de um disco á venda na Amazon Uk a um preço excelente.

Opiniões adicionais:
http://sealedcurse.net/lithium/casshern/

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0405821/
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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Promise

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