Still the water (Futatsume no mado) Naomi Kawase (2014) Japão/França


Imaginem… … … que… … … … … eu … … … escrevia… … … … … cada … … … … … uma das minhas… … … … … … … … sugestões … … … … … … de … … … … … … … … … … … … cinema … … … … … … … oriental… … … … … … deste … … … blog … assim … … … … desta … … … … … forma … … … … … … onde … … … … … … pau … sa … da … men … t … e… … … … … … descrevia … a … … … … minha … … opini … ão … … … … sobre … … … … os … … filmes … que … … … aqui … apresento… muito… … … … devagarinho…

Pois…

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Não se deixem enganar pela beleza do poster. Isto pode parecer imediatamente apelativo especialmente para quem adora filmes como The Big Blue mas as aparências iludem.
Para começar ainda bem que me apareceu [“Still the Water”] na frente precisamente  a  seguir a eu lhes ter recomendado o excelente “Bread of Happiness“.
Dois filmes japoneses, dois filmes dentro do chamado cinema de autor, dois filmes bem calmos e sem pressa de ir qualquer lado.
Um é bonito, cheio de poesia e deixa-nos a pensar no final. Outro é chato como o raio e pretencioso a um nível que já há muito tempo não encontrava.
Adivinhem qual.

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[“Still the Water”] além de ter um dos trailers mais enganadores dos últimos tempos, teve o condão de me conseguir irritar profundamente e há muito que um filme não me provocava tamanha reacção a um ponto de decidir esperar um dia para descomprimir depois de ter visto tamanha –obra prima– antes de vir aqui falar sobre ela.
Dentro do cinema oriental, a última “obra de génio” que me tinha aparecido pela frente antes tinha sido o inenarrável “Visage“; curiosamente outra co-produção com o ministério da Cultura de França, portanto há por aqui um padrão que se começa a adivinhar no que toca a cinema com pretenções a –instalação artística– inteligente. Nota mental: começar a evitar cinema oriental produzido com dinheiro “cultural” francês…porque provavelmente são os únicos a patrocinar estas … obras …

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O que se pode dizer de uma –obra- que abre com um grande plano de vários minutos em câmera fixa em que se vê um senhor a cortar a garganta a uma cabra com uma navalha de fazer a barba ? E não, não é um efeito especial.
Depois ainda temos o prazer de assistir ao sangramento do bicho para um balde durante um bom bocado, até que depois a “história” avança… para a … história … própriamente … dita.
E querem saber o mais cómico ? [“Still the Water”] Está censurado !!
Deixam-nos assistir por duas vezes à degolação de um animal e ao seu sangramento; (sim aparece novamente a meio … “da história” … porque sim); em grande plano, mas depois [“Still the Water”] censura a sequência final onde os protagonistas nadam nús no oceano , colocando estratégicamente “zonas de névoa” no corpo dos actores para disfarçar as zonas genitais !!

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O que retira logo por completo qualquer suposta atmosfera da sequência, pois é tão evidente aquela censura gráfica que como espectadores nem conseguimos prestar atenção a mais nada.
Portanto, para [“Still the Water”], – degolar cabras com navalhas de barbear – (para efeitos “artísticos” (vou fazer de ti uma estrela, cabra); tudo bem ! Adolescentes a nadarem sem roupa debaixo de água é melhor censurar pois não queremos cá chocar a sensibilidade das audiências.
Ehm ?!!

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E não meus amigos, contrariamente a algumas opiniões extasiadas que poderão encontrar no imdb sobre esta obra que atacam quem detestou o filme, desta vez não se trata aqui da eterna guerra entre o estilo comercial de Hollywood em modo socos e pontapés nas trombas a cem explosões por segundo versus a realização de cinema com qualidade.

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O facto deste [“Still the Water”] estar a ser apontado como uma seca absoluta no que toca à escolha do estilo narrativo, (vão por mim), não tem nada a ver com isso, porque acima de tudo o que irrita não é o ritmo ultra pausado dos diálogos no filme por si só, mas principalmente a extensão dos takes onde se filmam cenas absolutamente vazias; pior ainda, sem qualquer importância para a história principal em sequências de nada absoluto onde parece que alguém se esqueceu de dizer, corta !
E olhem que um dos meus filmes favoritos de todos os tempos é o clássico soviético “Solaris” de Tarkosvky (um dos meus filmes favoritos de ficção-científica); portanto quem sabe do que estou a falar, já perceberam que não ia ser um filme -parado- como agora este vazio absoluto japonês avec dinheiro francês que me iria intimidar.

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[“Still the Water”] tem duas horas mas poderia perfeitamente funcionar como curta metragem. Se isto tivesse menos uma hora muito provavelmente seria um bom titulo.
Na verdade sente-se que há por aqui um bom filme a querer reaparecer à superfície mas as pretenções a “auteur” da realizadora parecem insistir em fazer com que esta história seja forçada a ser obrigatoriamente a instalação artística que não precisava de ter sido de todo.
Há aqui alguns pontos bons. Os actores parecem excelentes, a história poderia ter sido muito bem usada para fazer aquela ligação com a espiritualidade do oceano e a cinematografia é excelente , contando o filme até com algumas imagens particularmente inspiradas. Mas tudo vai literalmente … por agua abaixo.

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E não é pelo ritmo calmo da história ou por ser algo dentro do cinema de autor. Meus amigos, o facto de ser classificado pela crítica inteligente como –cinema de autor– não significa que seja garantia de qualidade, como este título bem prova. Isto é tão mau quando o mais desinspirado filme de porrada do Michael Bay. Se o blockbuster hollywoodesco sem cérebro abusa da velocidade e do vazio absoluto a todos os níveis, uma obra com pretenções a cinema de autor ao nível de [“Still the Water”] tem precisamente o mesmo efeito; apenas em vez de pipocas tem pretenções a obra muito profunda quando é simplesmente um vazio narrativo.

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O filme “Bread of happiness” também tem um ritmo narrativo semelhante, também é uma reflexão profunda sobre a vida, a morte e o sentido de tudo o que nos rodeia, mas nem por um instante atira qualquer coisa à cara do espectador. E também é um filme bem calminho, por isso não me venham dizer que [“Still the Water”] tem sido apontado por ser tão irritante apenas porque as pessoas que o viram apenas queriam ver um filme pipoca nos moldes blockbuster de Hollywood. Desta vez não têm razão.

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O facto de se armar em cinema-de-autor em jeito de contrariar o pior de Hollywood não significa que tenha resultado; [“Still the Water”] é simplesmente mau e acima de tudo torna-se insuportável a límites que testam verdadeiramente a nossa paciência, o que como nem podia deixar de ser culmina num final que se alonga também por demais e totalmente inconsequente para a história que supostamente acabou de ser contada.

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O filme é pretencioso como tudo, está cheio de takes extendidos de conteúdo totalmente irrelevante e como resultado não cria qualquer empatia com o espectador.
Pelo menos, pessoalmente custa-me bastante sentir qualquer emoção pelo que quer que seja quando de vez em quando alguém se lembra de abrir a goela a um bicho em grande plano só porque sim e durante o resto do tempo os … personagens … falam … muito … pausadamente … em … longos … takes … completamente … irrelevantes… numa … história … que … poderia …. ter … resultado … não … fosse … esse … pequeno … detalhe.
E a censura é mesmo irritante. Até a cena romântica de sexo parece decalcada do velho “A Lagoa Azul” na forma como os personagens são enquadrados.

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Ao ver o trailer de [“Still the Water”] fiquei plenamente convencido que isto ia ser o meu tipo de filme. Um dos filmes da minha vida, é o “The Big Blue / Le Grande Bleu” de Luc Besson com Jean Marc Barr e Jean Reno e pelo trailer de [“Still the Water”] parecia que iamos estar na presença de algo semelhante.
Um filme espiritual, sobre a própria vida e morte tendo por base o misticismo do próprio oceano com uma história simples mas de personagens humanos complexos com uma atmosfera muito própria.
Com um trailer assim (e tanta aclamação europeia em Cannes) o que poderia falhar ?
Bem … … …



TUDO !

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos filmes mais irritantes que alguma vez vi dentro do cinema oriental (e não só); ao pior nível de “Visage” ou tão inconsequente quanto “Himalaya: Where the wind dwells“.
Tão pretenciosamente mau, que podia ser na boa Cinema Português.

Não leva zero só porque as cinematografia das cenas debaixo de água é absolutamente fantástica.
Meia tigela de noodles.

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A favor: excelente cinematografia, algumas imagens muito atmosféricas ao longo de todo o filme, bom par protagonista.
Contra: o trailer engana por completo (o trailer tem o ambiente e o ritmo narrativo que o filme deveria ter tido mas não tem; não se deixem eganar), a história dramática perde-se pelo meio de tanta pausa narrativa no ritmo dos diálogos, torna-se um filme insuportávelmente irritante e só apetece enfiar um estalo nos personagens a ver se acordam, a violência gráfica com degolações de animais em grande plano é absolutamente inaceitável porque não serve em absoluto para a história e se a ideia era servir de metáfora sobre a inevitabilidade da morte e coisa e tal lamento muito mas é simplesmente estúpido, mostra degolações e sangramentos em grande plano mas depois censura todas as cenas com nudez de uma forma absolutamente inacreditável, o final não serve para nada mas também a história não tem qualquer carísma por isso tudo o que seria supostamente metafórico já se foi há muito antes do filme chegar ao fim, tem duas horas e poderia ter uma hora a menos que certamente só lhe faria bem.

Se procuram por cinema de autor oriental hà muito melhor (e muito menos pretencioso) à escolha até mesmo neste blog: “In the mood for love” ; “2046” ;  “Days of being wild” ; “My Blueberry Nights” ; “The Place Promised on our early days” ; “Goodbye Dragon Inn” ; “Rent a Cat” ; “Bread of hapiness” ; “5 Cm per second” ; “Bedevilled” ; “Citizen Dog” ; “Confessions” ; “Failan” ; “The Floating Landscape”  ; “The Grandmasters” ; “Kamome Dinner” ; “Sweet Rain” ; “Tears of the Black Tiger” ; “Ashes of Eden” ; “All about Lily Chou Chou” ; “Black coal thin ice” ; “The furthest end awaits” ; “A girl at my door” ; “Il Mare”  … por exemplo. 😉

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TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3230162

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Se gostou deste poderá gostar de:

capinha_himalaya-where-the-wind-dwels capinha_Visage

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Monk comes down the mountain (Dao shi xia shan) Chen Kaige (2015) China


De vez em quando aparecem-me filmes de que me esforço tanto por gostar que depois se torna absolutamente frustrante ter que reconhecer que são um verdadeiro desastre. E pior ainda, não se entende bem porquê.

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Nem de propósito, ainda no post anterior tinha acabado de falar sobre um dos meus filmes de fantasia favoritos “The Promise” e recomendado a sua edição em Blu-Ray, quando minutos depois me caiu de pára-quedas este título, [“Monk comes down the mountain“], o mais recente filme  precisamente do mesmo realizador.

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Após uns cinco minutos iniciais com uma cena de pancadaria muito divertida, após um genérico cheio de atmosfera (excelentes enquadramentos) e paisagens fantásticas e após uma primeira meia hora inicial onde parecia que [“Monk comes down the mountain“] tinha tudo para ser uma boa história de artes-marciais num estilo quase conto de fadas urbano, eis que de repente tudo descamba num dos títulos mais desperdiçados que me lembro de ter encontrado em muitos anos.
Desta vez até concordo em absoluto com os dois comentários postados no site do imdb.
[“Monk comes down the mountain“] é um falhanço absoluto e tinha tudo para vir a ser um triunfo.

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Para começar visualmente tem momentos fabulosos. Não só em termos de paisagens, como na composição de muitos enquadramentos; excelente fotografia e uma cenografia verdadeiramente inspirada principalmente na primeira meia hora que nos transporta imediatamente para uma espécie de China encantada por volta de 1920 e nos garante a todos os nossos sentidos que [“Monk comes down the mountain“] vai ser um espectáculo.

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Depois tira-nos o tapete debaixo do pés e levamos com uma hora e meia final que não se entende de todo, com muito pouco de positivo e muito pouco a ver com o filme que parecia ser no início.
A história desperdiça por completo um personagem principal excelente e cheio de carísma e parece quase inacreditável. O actor principal é a razão porque vale a pena continuar a acompanhar a coisa até ao fim. Dá mesmo vida ao personagem, tem muito carisma e todo os melhores momentos são dele.
[“Monk comes down the mountain“] poderia ser genial porque tem uma coisa que à partida parecia ser excelente. Verdade seja dita, este é mesmo um daqueles filmes em que não fazemos qualquer ideia do que irá acontecer a seguir.

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Não porque a história seja confusa ou inesperada no seu rumo dentro de um contexto narrativo concreto, mas porque o argumento de [“Monk comes down the mountain“] parece não fazer ideia de qual o caminho que irá seguir na próxima cena sequer !
Em termos de dinâmica narrativa chega a ser bastante confuso, pois a história avança várias vezes no tempo e o espectador nem repara que passaram alguns meses ou anos desde a última cena. Só minutos depois percebemos onde estamos porque acontece algo que nos obriga a tentar localizar tudo o que vemos no que está a acontecer depois. E enquanto estamos a pensar nisso, damos por nós a não reparar no que está a suceder no momento.

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[“Monk comes down the mountain“] básicamente é um filme sobre sexo, vassouras e kung-fu.
Na verdade pretende ser uma espécie de história filosófica muito profunda indo buscar conceitos espirituais a várias tradições da filosofia  chinesa, só que a forma como apresenta toda essa vertente é tão atabalhoada que a partir de certa altura parece que nos está constantemente a atirar com filosofia new age de cordel para tentar ser cinema profundo quando se calhar deveria estar a entreter-nos.

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Em muitas alturas pareceu-me que o filme pretendia ser uma espécie de versão ligeira de “The Grandmaster” de Wong Kar Way, esse sim um filme que acerta em cheio na forma como liga a tradição filosófica oriental á própria cultura do Kung-Fu enquanto tradição espiritual. [“Monk comes down the mountain“] parece ser uma espécie de versão pimba de “The Grandmaster” em muitos momentos. Não só pelo paleio que aqui não resulta por parecer pseudo-filosofia impingida à força, mas também em muitos momentos das cenas de acção que se assemelham mais a recriações “divertidas” das cenas de luta de IP Man no filme de Wong Kar Way do que a qualquer tentativa de criar algo com uma identidade original.

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[“Monk comes down the mountain“] começa por ser a história de um jovem monge que sempre viveu num mosteiro desde que foi abandonado à porta quando era bébé e que um dia … é convidado a sair, para se fazer à vida e ir conhecer o mundo exterior.
O início da história é muito cativante e tudo indica que o filme vai ser realmente bom.
O monge chega à grande cidade pela primeira vez e logo faz amizade com um velho cirurgião de medicina ocidental depois de uma divertida sequência de perseguição pela cidade. O seu novo amigo, também tinha um dia sido um monge mas escolheu abandonar a vida religiosa por causa de … sexo. O coitado não aguentava estar todo o dia no templo a ver passar tanta mulher gostosa e resolveu abandonar tudo para se casar com uma bela jovem.
Até aqui tudo bem.

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A história prossegue;  o jovem monge vai trabalhar para casa do médico e logo descobre que a mulher deste tem um jovem amante, precisamente o irmão mais novo do senhor e que é uma espécie de besta quadrada que tenta fazer tudo para ficar com a fortuna do irmão mais velho.
É neste segmento que se sucedem as melhores cenas do filme. A narrativa é divertida, o ambiente é um espectáculo (os detalhes da cenografia e guarda roupa são impecáveis) e nada fazia prever que [“Monk comes down the mountain“] iria afundar-se dali a minutos no final desse segmento.

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E quando digo segmento, quero mesmo dizer -segmento-. [“Monk comes down the mountain“] está incrivelmente fracturado e parece ser uma espécie de colagem de vários outros filmes que por qualquer motivo não ligam de todo uns com os outros.
Após o excelente início, (inclusivamente depois de uma cena com um visual cgi inspirado passada debaixo de água), de repente o filme muda de registro e perde todo o sentido visual épico, passando essencialmente a ser uma história de interiores onde tudo gira ao redor de uma antiga rivalidade entre facções de mestres de Kung-Fu e é aqui que o filme entra pelos territórios mais parvos e sem qualquer nexo. Saltos narrativos para cenas de guerra incluidos…espectaculares mas … porquê ?!

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Não quero revelar muito, porque mesmo assim ainda acho que vale a pena espreitarem isto. Quanto mais não seja pela originalidade que resulta de toda esta mistura. Uma mistura que só não funciona, porque primeiro a história de kung-fu não se decide se quer ser cinema de acção ou impingir filosofia de pacotilha ao espectador através de diálogos inenarráveis;  debitados por personagens absolutamente vazios, ou antipáticos como o raio sem qualquer razão aparente.
Pior ainda é quando tenta entrar pela comédia de acção pois não tem graça (ver a cena da droga).

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E por falar em acção, mais uma vez o trabalho acrobático de fios em [“Monk comes down the mountain“] é tão bom quanto já tinha sido em “The Promise“, o problema aqui é que todas as cenas de kung-fu ou são tão over-the-top e exageradamente histéricas que perdem toda a tensão, ou então são repetitivas como o raio e lá para o fim já não temos mais pachorra para ver tanta gente anónima a voar pelos ares pendurados por fios invisiveis.

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Tal como acontece naqueles filmes de super herois irritantes onde há tanto cgi nas cenas de luta que tudo acaba por se tornar absolutamente desinteressante, também em [“Monk comes down the mountain“] tanta gente pendurada por fios em lutas prácticamente idênticas a todo o instante  acaba por eliminar por completo todo o interesse que as cenas de acção deveriam manter.

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Por outro lado a acção só se tornaria interessante se nos preocupassemos com os personagens e neste filme tirando o heroi que é excelente (e os personagens do primeiro segmento), de resto não há por aqui nenhuma pessoa com que nos importemos.
Até porque nenhum tem grande lógica. Uns aparecem para morrer apenas, outros não têm personalidade ou motivação para serem “filosóficos” a martelo, outros são simplesmente aborrecidos.

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Os mafiosos são ridiculos, anónimos ou estereotipados para além de serem unidimensionais como o raio e “filosóficos” por demais; o mesmo vale para os supostos mestres do Kung-Fu que têm o carisma de uma pedra e a personalidade de um cepo ou então são antipáticos ao ponto de lhes querermos enfiar um murro nós próprios (o monge budista). Tudo isto afunda por demais um filme que merecia ter tido melhor sorte.

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Isto porque tudo o que faz bem, acerta totalmente em cheio. O problema é que tudo o que faz mal é realmente insuportável e pior, torna o filme chato como o raio porque se torna absolutamente desinteressante. E então se viram “The Grandmaster” e gostaram do filme de Wong Kar Way não vão conseguir deixar de comparar os dois filmes por muito diferentes que estes sejam ou estúpida que seja a comparação.

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CLASSIFICAÇÃO:

Ignorem o trailer. O filme parece muito divertido na apresentação mas não se deixem enganar, porque o tom  desta história é bem diferente e muito mais caótico.
O que raio se passou com [“Monk comes down the mountain“] ?!
Depois de “The Promise”, o mesmo realizador faz uma coisa destas por que razão ?
Este filme tinha tudo para ser um dos filmes de fantasia mais originais dentro de um registo de Kung-Fu e no entanto desperdiça todas as cenas, até mesmo as cenas de kung-fu !!
Infelizmente ao contrário de “The Promise” não me parece que vá rever este filme tão cedo na minha vida. Uma vez chega. E este não vou comprar em Blu-Ray de certeza.

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Duas tigelas de noodles e meia. É interessante, vale a pena ser visto uma vez pelo que tem de positivo mas depois passem à frente.
Uma decepção.

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A favor: alguns momentos visuais são do melhor, a primeira meia hora é tudo o que o resto do filme deveria ter continuado a ser, o protagonista/actor principal é excelente e muito carismático, excelente fotografia, um par de lutas kung-fu em estilo voador bastante divertidas.
Contra: depois da primeira meia hora o filme muda de registo, há um excesso de fragmentação nesta história que não se entende, personagens totalmente desinteressantes ou antipáticos na sua maioria, excesso de lutas anónimas onde se pontapeia em estilo cartoon hordas de vilões que aparecem de todos os lados só porque sim, está cheio de filosofia de pacotilha do pior, não cria qualquer ligação emocional com o espectador a não ser que o aborrecimento de morte seja uma boa emoção.

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TRAILER

 

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3594826
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Filme semelhante de que poderá gostar:

capinha_grandmaster

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The Magician (Chosun Masoolsa) Dae-seung Kim (2015) Coreia do Sul


Sempre que vejo um trailer para um filme oriental, devidamente ocidentalizado com aquela estrutura de trailer americano e apresentado em inglés; suspeito logo que a coisa não vai ser nada de especial e também aqui em [“The Magician“] parece que não me enganei.

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Desde há vários anos a esta parte,  há por aí uma estranha tendência em que tudo o que é cinema do oriente “escolhido” para ser lançado no ocidente com distribuição de uma major americana, normalmente é sempre bastante básico. Especialmete quando comparado com titulos que mereciam mesmo ter divulgação por cá mas permanecem eternamente inorados por quem depois distribui as coisas mais medianas saídas da Ásia como se fossem verdadeiras obras extraordinárias (de que toda a gente tem que obrigatóriamente que gostar).

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Nestas alturas , aparecem críticas ocidentais supostamente profissionais completamente extasiadas por todo o lado sobre muitos desses títulos; (aconteceu agora novamente com o extremamente banal “A Assassina” que anda por aí apresentado como sendo qualquer coisa de génio); e às vezes pergunto-me se quem escreve maravilhas sobre produções orientais absolutamente medianas que apenas chegam cá oficialmente porque são distribuídas por Hollywood, alguma vez se deu ao trabalho de acompanhar o cinema realmente bom que há do outro lado do mundo ou apenas fica surpreendido com o exotismo natural de um tipo de filme a que não está habituado, quando as distribuidoras americanas “nos dão permissão” para finalmente notarmos que determinado título existe.

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[“The Magician“] não sendo tão banal quanto outros títulos que a crítica ocidental apresentou como sendo verdadeira obras primas ou filmes extraordinários no passado; apenas porque foram distribuidos no ocidente;  (“Azumi“, “Shinobi“, “Bichunmoo – O guerreiro“,”Duelist” ou até mesmo o decepcionante “Red Cliff” que deixou muito a desejar); é no entanto absolutamente mediano em todos os sentidos quando comparado com dezenas de outras opções superiores que existem neste momento na Coreia do Sul e que mereciam mesmo ser distribuídas por cá.

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Há por aqui uma lógica que eu não entendo de todo e que começou curiosamente quando parece que o mundo ocidental descobriu “Crouching Tiger Hidden Dragon“; outro título bastante inferior a 90% dos verdadeiros Wuxias orientais que poderão em alternativa ver se explorarem o cinema Wuxia da China por exemplo; mas que no ocidente adquiriu estatuto de obra prima , fruto um pouco dessa lógica desconexa que a crítica profissional parece apresentar constantemente; como se escrevessem bem sobre um filme apenas porque Hollywood estalou os dedos para que assim seja, porque alguém algures num departamento de marketing em Los Angeles achou que seria interessante criar uma moda sobre cinema “de Karaté” para consumo dos cinéfilos da pipoca ocidental.

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[“The Magician“] embora pareça ser mais um título assim,  não é mau. Na verdade não tem absolutamente nada de errado. Tudo o que faz, resulta em termos de história, tem um certo carísma a nível de personagens, mas depois o produto final não deslumbra minimamente.
O facto de ter uma realização algo televisiva também não ajuda e em muitos momentos mais parece um telefilme apropriado para um qualquer canal de cabo do que propriamente um produto para cinema. A própria fotografia do filme tem ali um sabor a televisão que quanto a mim retirou logo metade do ambiente que esta história deveria ter tido.

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Talvez porque [“The Magician“] é suposto ter um enquadramento histórico e sabe-se lá porquê, mais uma vez a Coreia do Sul parece não conseguir acertar propriamente neste tipo de filmes, contrariamente ao que se passa no cinema da China onde em termos de ambiente épico, ou atmosfera de autenticidade a coisa resulta sempre plenamente.
Quando a Coreia do Sul tenta algo semelhante, o resultado é sempre algo plástico e bastante -televisivo- o que acontece também aqui nesta história romântica em ambiente Wuxia quanto baste.

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No entanto, mesmo enquanto cinema romântico, este título também não é propriamente indispensável ou um titulo que se recomende imediatamente.
Mais uma vez, [“The Magician“] não tem propriamente nada de errado, mas fica a meio termo em tudo, principalmente em termos emocionais. E quando uma história romântica produzida na Coreia do Sul não consegue criar uma empatia emocional com o espectador, algo vai mal.

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[“The Magician“] gira à volta de uma rapariga que foi essencialmente vendida pela familia e enviada para o sul do país para se casar com o rei e tornar-se por isso numa verdadeira princesa. A comitiva real pára numa cidade onde um jovem mágico com um passado torturado tem o seu espectáculo de magia montado e portanto já estão a ver onde isto vai dar.

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Este é um filme dificil de classificar precisamente porque nem como cinema romântico é particularmente interessante. Os primeiros vinte minutos são curiosos mas algo aborrecidos, com cenas onde se conhece o passado do jovem mágico ou no presente ficamos a saber como são feitos os seus truques que impressionam as plateias da cidade onde reside.

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Na verdade estava quase a desligar o filme pois o ambiente “televisivo” é algo que me irrita por demais em produções para cinema e [“The Magician“] logo desde o inicio parecia encaixar-se nesse estilo visual e não ir muito mais além. Felizmente foi precisamente nessa altura que a parte romântica da história começou verdadeiramente e percebi que pelo menos havia ali uma boa química entre os dois protagonistas.
[“The Magician“] só não resulta melhor em termos românticos porque o filme não se decide se quer ser uma comédia, um drama, ou um thriller politico com sabor a Wuxia e intenções de se apresentar como recriação histórica.

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No meio de toda esta indecisão de género que cruza e descruza toda a narrativa ao longo das mais de duas horas de filme, os personagens acabam por ser algo desperdiçados. O que é pena, pois a história consegue um bom grupo que se calhar poderia ter sido realmente interessante nas mãos de outro argumentista talvez. Mesmo assim ainda há alguma humanização bem conseguida que acaba por ser sempre o melhor que [“The Magician“] tem para dar.

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Se gostam de – Magia – enquanto espectáculo se calhar irão achar o filme muito interessante, pois toda a parte quase em ambiente -steampunk- passada nos bastidores do teatro é bastante curiosa.
Tenta também ter algumas cenas de acção, mas o filme é tão ligeiro em tudo que qualquer carga dramática que ainda poderia vir dessas partes fica logo anulada à partida, até porque as cenas de luta não têm grande interesse ou energia por aí além.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“The Magician“] é competente em tudo o que faz, mas garanto-vos que daqui a uns dias já nem se lembram dele. É por demais mediano em tudo, as cenas românticas têm alguma magia ao inicio mas logo perdem a chama porque o tom se repete e por vezes a história parece estar presa numa espécie de telenovela televisiva ambientada séculos atrás e pouco mais.

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Se já viram tudo o que tenho recomendado de cinema romântico e procuram um título simpático, podem ver este filme pois não darão o tempo por perdido. Enquanto dura acompanha-se bem e até tem um final ambiguo algo interessante, mas não é um filme que irão querer voltar a ver. Não por ser mau, mas porque parece não ter grande ambição para além do que mostra.
Três tigelas de noodles. É bom e pronto. Nem mais, nem menos.

 

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A favor: o par romântico tem uma boa química, há alguns personagens secundários muito interessantes embora pouco explorados (o general guardião da princesa poderia ter sido excelente por exemplo), tem algum ambiente nas cenas românticas iniciais, as partes em que vemos os bastidores dos truques de magia  são interessantes, tem um par de paisagens muito bonitas.
Contra: o tom do filme é ligeiro por demais, não tem grande carga dramática nem cria particular empatia com o espectador, tenta misturar vários géneros de filme mas todos ficam a meio caminho, é um tipo de filme que logo se esquece.

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TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt4471636

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Black Coal Thin Ice (Bai ri yan huo) Yi’nan Diao (2014) China


Pensava que era desta que ia aqui escrever uma recomendação para um excelente policial em estilo oriental mas fui enganado. Tudo indicava que [“Black Coal Thin Ice“] ia ser realmente um bom título para um género de que ainda pouco falei por aqui na cinematografia oriental, mas afinal ainda não é desta.
As “iludências aparudem” meus amigos.

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Estou cá com a impressão de que a crítica ocidental que diz maravilhas deste filme só deve ter visto mesmo apenas o trailer e nada mais.
Isto porque tudo o que tem sido escrito sobre [“Black Coal Thin Ice“] em tom exacerbado por alguns críticos iluminados em puro extase de intelectual de café, realmente está absolutamente certo se apenas virmos o trailer.

Tudo no trailer indica que isto vai ser um excelente policial noir sim senhor. O trailer tem mistério, puxa-nos para dentro da história e tem um ritmo que parece perfeito para um filme policial nestes moldes.
Depois vemos o filme e parece que alguém se enganou na montagem.
[“Black Coal Thin Ice“] contém realmente todos os elementos que estão na apresentação, mas este é um caso típico de como uma montagem pode determinar o tom e o estilo de um filme, para bem ou para o mal.

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[“Black Coal Thin Ice“] tinha tudo para ser o thriller intenso, estilizado e emocionante que aparenta ser no trailer, mas na realidade é um filme muito diferente.
É uma pena, mas este filme é um daqueles que até irrita porque o potencial é absolutamente fantástico, a história é boa, o ambiente visual está lá mas depois deita tudo a perder quando entra por um estilo pretencioso nos moldes do pior cinema de autor.
Não que [“Black Coal Thin Ice“] seja chato como o raio, mas sinceramente deveria ter sido o filme que aparenta no trailer e não o filme que na realidade é.

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Estou sinceramente convencido que muita gente deve ter escrito reviews à pressa para entregar ao editor no último minuto apenas tendo olhado para o trailer sem ter visto o filme.
[“Black Coal Thin Ice“] dispensava por completo aquelas pausas narrativas, aqueles enquadramentos longos e momentos contemplativos que parecem durar minutos a fio quando na verdade até só duram alguns segundos.
Não há nada de errado num realizador querer criar um ambiente intimista, criar uma atmosfera desencantada para basear a sua história numa realidade urbana em vez de a filmar numa espécie de versão da realidade num tom cinematográfico habitual, mas sinceramente bastava estabelecer essa premissa num par de cenas só para o espectador perceber onde está e depois deveria ter seguido em frente.

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Em muitos momentos o tom narrativo de [“Black Coal Thin Ice“] parece o equivalente àquela velha piada que nunca mais acaba porque quem a conta repete a história sucessivamente minutos a fio antes da punchline final que deveria ter graça mas que depois perde todo o impacto.
São assim todos os bons momentos que acontecem na história deste título policial.
Quando a narrativa parece que finalmente vai reproduzir o filme que vimos no trailer, o realizador resolve entrar novamente em modo “artístico” e encalhar a montagem com mais uma daquelas pausas contemplativas de qualquer coisa, takes com segundos a mais que perpetuam momentos vazios (e nunca mais ninguém diz – “corta”); ou então inserindo cenas que na verdade não servem absolutamente para nada na história, mas parecem estar lá porque o realizador está mais preocupado em ser considerado – um autor – do que em contar uma história noir pura e simples nos moldes clássicos.

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Há algures um excelente filme noir pelo meio de [“Black Coal Thin Ice“], visualmente é muito atmosférico, baseado numa realidade urbana fria e desencantada e a história no seu todo é muito boa.
A história gira à volta de um crime inicial que depois se ramifica por mais uns quantos e tinha um potencial fantástico para nos surpreender. Começa com o facto misterioso de que vários bocados de um cadáver apareceram ao mesmo tempo em várias regiões distantes da China mas logo se torna numa história mais intimista que leva a conclusões relativamente inesperadas. Tivesse [“Black Coal Thin Ice“] sido realmente o filme que parece ser no trailer, estariamos na presença de um excelente policial noir.

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[“Black Coal Thin Ice“] falha pura e simplesmente porque todo o mistério, mas principalmente todos os twists e revelações da história são completamente diluídos por tantos momentos em modo -cinema de autor- que insistem em fazer com que o impacto da narrativa se perca constantemente.
Quando acontece algo que deveria ser um twist ou uma reviravolta na história, o espectador practicamente nem sente o impacto da revelação ;(nem notamos às vezes) e isso é o pior que para mim pode acontecer naquilo que supostamente seria uma história policial.

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O problema de [“Black Coal Thin Ice“] é que nunca se define se quer ser cinema de entretenimento com uma boa história policial ou um título iluminado no cinema de autor cheio de metáforas pessoais sobre o isolamento, a depressão, vidas vazias, etc, mas num tom algo pretencioso.
Toda essa vertente estraga por completo o que deveria ter sido um excelente policial chinês.
Por um lado continua a ser. Se vocês conseguirem abstrair-se dos tiques -auter- da história e terem presença de espírito para se concentrarem apenas no mistério policial, se calhar irão gostar bastante.
O filme tem um enorme potencial. Mas na verdade são dois filmes colados num só e não resultam como um todo numa análise final.

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Visualmente tem momentos excelentes e é um daqueles títulos que me recordou constantemente  Blade Runner. Estava a ver [“Black Coal Thin Ice“] e a imaginar que se o ambiente disto tivesse uns carros voadores pelo meio e uns edificios épicamente tecnológicos como background nos cenários, este seria uma argumento fantástico para uma espécie de sequela não oficial made in china para Blade Runner.

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Todo o ambiente está cheio de neons, viela escuras contrastando com as luzes da cidade e é um filme essencialmente nocturno cheio de contrastes de cor e jogos de iluminação muito bem pensados. Os personagens parecem também ser absolutamente perfeitos para Blade Runner, o detective desencantado (que não detectiva por aí além), a femme fatale num estilo Rachel mas em tom urbano contemporâneo, um “vilão” que num mundo futuristico poderia muito bem ter sido um excelente replicant e todo um conjunto de referências actuais orientais que o próprio Blade Runner utilizou com uma estética futurista trinta anos atrás.
Até o anti-heroi tem qualquer coisa a fazer lembrar Rick Deckard.

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Por este prisma [“Black Coal Thin Ice“] é um filme fascinante, pois sente-se que poderia ter sido realmente um Blade Runner a todo o instante. Inclusivamente o tom intimista e a história de amor melancólica estão lá também, (só falta Vangelis); apenas tudo leva com um estilo de realização que é por demais pretencioso para que os ingredientes certos resultem como deveriam ter resultado mesmo neste cenário contemporâneo.

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[“Black Coal Thin Ice“] é também um filme algo deprimente. Uma coisa que contribui imenso para isso é a banda sonora clássica por vezes em tom de Adágios sucessivos (algum Richard Strauss), ou então entra pela música pimba chinesa mais atroz. Isto até nem teria sido problemático; o problema é que aliado àquele estilo de realização pretencioso em modo -instalação artística- por vezes, isso ainda contribui mais para que a sua história de mistério se perca por completo.
E o final também não ajuda. O mistério resolve-se mas depois há minutos a mais na conclusão quando o filme fecha assim com mais uma espécie de metáfora visual e que era perfeitamente desnecessária, até porque parece que irá levar a qualquer lado e não leva a lado nenhum. E o filme acaba. The end.

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CLASSIFICAÇÃO:

Há por aqui em [“Black Coal Thin Ice“] um excelente filme noir a querer saltar para fora a todo o instante. Precisamente aquele filme noir com que o trailer engana toda a gente mas não existe de todo nesta produção e não é de todo o que aparenta ser se vocês forem pelas críticas entusiasmantes que aparentemente tem recebido por todo o lado.

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Todas as excelentes qualidades que ninguém nega a este título, são no entanto diluídas pela pretenção a cinema extremamente sério num tom de autor que era perfeitamente dispensável, pois neste caso só serviu para colocar em terceiro plano aquilo que deveria ter sido o seu maior atractivo; o argumento. Em [“Black Coal Thin Ice“] filma-se muito para lá do que o argumento pedia para resultar e tudo o que é adicional torna-se pretencioso como o raio e em alguns momentos secante também pois faz com que a história perca todo o impacto.

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Duas tigelas e meia de noodles, porque é um filme extremamente interessante mas nem de perto ou de longe é a obra prima que certa crítica parece ter visto neste título. E podia ter sido.
Quanto a mim os críticos só viram o trailer mesmo. Esse sim, contém o filme que isto deveria ter sido e que aparenta ser nas reviews ocidentais.

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A favor: a história é boa, o ambiente visual é excelente, boa fotografia, bons actores e bons personagens, o trailer é fantástico.
Contra: não se deixem enganar pelo trailer, tem cenas que se alongam por demais, o tom de cinema de autor torna-se pretencioso e é totalmente dispensável num titulo que não pedia mais do que ser aquilo que parecia ser quando vemos o trailer mas não é.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3469910

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The Furthest End Awaits (Saihate nite) Hsiu-Chiung Chiang (2014) Japão


Lá vem este com aqueles filmes onde não se passa nada…
Yup, pois é.

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Bem-vindos a [“The Furthest End Awaits“].
Um filme onde não se passa nada.
Se gostam de histórias simpáticas passadas à beira mar em locais com uma paisagem natural fantástica [“The Furthest End Awaits“] poderá ser uma boa escolha para passarem duas horas muito calmamente.

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Misaki regressa à sua terra natal e à velha cabana do pai localizada numa vila remota da costa norte do Japão. Não vê o pai desde que foi levada pela sua mãe para longe a quando do divórcio dos dois muitos anos atrás; nunca mais soube dele até que lhe foi comunicado o seu desaparecimento oficial e Misaki volta para a sua vila na esperança de que um dia o seu pai também tenha a mesma ideia e regresse para junto dela.

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Ao regressar, faz remodelações na sua antiga casa transformando-a num pequeno café especializado em misturas de grão que comercializa pelo Japão inteiro a partir desse sitio.
Na sua frente como vizinhos, tem uma rapariga que habita numa pousada decadente com duas crianças e que aparentemente vivem ao abandono pois a vida da mãe acontece entre um trabalho numa grande cidade algo distante dali e os seus encontros com uma espécie de namorado algo duvidoso que aparece de vez em quando pelo local.
[“The Furthest End Awaits“] é a história de como as vidas destes personagens se cruzam e de como uma chávena de café pode ligar duas pessoas que há partida não têm muito em comum.

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Ou seja, este é um filme muito simples, de muito baixo orçamento e que curiosamente foi baseado numa história real passada precisamente na mesma àrea onde agora foi feito. Segundo li, parece que o verdadeiro café, encontra-se a menos de 2km do local onde a recriação desta história foi agora filmada.

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De resto não se passa muito nesta história. Estranhamente mantém-nos colados ao ecran pelo carisma das personagens e no final ficamos até com vontade de passar por lá um dia. Na verdade começando logo pelo que o filme tem de menos bom, o final é demasiado abrupto; não porque não resolva o que tem por resolver mas porque nesse momento já estamos a gostar tanto de acompanhar a vida daquelas pessoas que teriam sido bem-vindas mais um par de cenas em jeito de epílogo para compor a atmosfera.

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Uma coisa que quase arruína o filme é o personagem do namorado da jovem mãe. Nunca sabemos nada sobre ele, para além de ter um aspecto chunga, vestir-se pior ainda e gostar de roubar o dinheiro do almoço escolar das crianças. Na verdade o desenrolar da história apresenta-o de uma forma tão unidimensional que practicamente se torna um vilão de um qualquer cartoon trágico pois parece não pertencer a um filme como este. Por outro lado a sua aparição também é breve e portanto acaba por não chatear muito.

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[“The Furthest End Awaits“] é essencialmente um filme feminino com personagens fortes. Aliás, tudo o que é homem nesta história ou não presta ou não tem grande utilidade o que lhe valeu algumas notas menos boas em algumas reviews que apontaram esse pormenor como um entrave à naturalidade da história. Por mim, não me chateia de todo; acho que está de acordo com o tom melancólico e algo poético do filme e penso que as personagens femininas resultam plenamente em todos os sentidos.

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O elenco é muito pequeno, mas excelente; a química entre as actrizes é óptima e esquecemo-nos muito cedo que estamos a ver um filme. Tanto as protagonistas como a miuda pequena formam um trio que nos agarra ao filme só para saber o que se passará a seguir, mesmo percebendo desde cedo que não se passa muito em [“The Furthest End Awaits“].

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Mantendo a “tradição” deste argumento, onde os homens são essencialmente uma peça de cenário dispensável, também destaco pela negativa o puto pequeno que é particularmente irritante nesta história. Não que seja mal representado pelo mini-actor, muito pelo contrário, mas a verdade é que sempre que abre a boca seria melhor se estivesse calado, pois a atmosfera da história funciona sempre muito melhor quando ele não está presente no ecran.

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Resumindo, [“The Furthest End Awaits“] é um filme altamente recomendável. Não é um drama melodramático em extremo, não é particularmente emotivo sequer, mas contém um grupo de pessoas que vocês irão gostar de acompanhar.
O ambiente é excelente, a pouca história que tem é estranhamente interessante e tudo se desenrola junto ao mar numa localidade que é muito bonita.

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Aliás, segundo consta o filme é criticado por não ter aproveitado de todo o ambiente cénico que está de verdade à sua volta e sinceramente se assim é também não entendo porquê. Sente-se a todo o instante que aquela àrea deve ter paisagens naturais fabulosas e teria sido bom até para abrir o filme um bocadinho que tivessem sido melhor aproveitadas.
Provavelmente o orçamento também não deu para muitas deslocações, afinal isto em termos de comparação nem um série-b seria nos estados unidos pois [“The Furthest End Awaits“] custou pouco mais de um milhão de dolares a produzir o que no panorama actua é o mesmo que nada.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se procuram um drama ligeiro, com um ambiente calmo e até poético num daqueles filmes que não tem pressa de ir a lado nenhum, [“The Furthest End Awaits“] é uma escolha excelente que se recomenda vivamente.

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Apesar de lento, não é um daqueles filmes de autor pretencioso, tudo o que faz resulta e inclusivamente tem uma banda sonora minimalista bastante bonita que cria uma excelente atmosfera com acordes de piano e viola salpicados nos pontos chave da história.
Quatro tigelas de noodles pois é muito, muito bom mesmo.

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A favor: a simplicidade de tudo resulta, é passado num local natural muito atmosférico, bons desempenhos do elenco, banda sonora minimalista agradável, boa realização e fotografia.
Contra: o personagem masculino mais evidente neste drama está totalmente deslocado do tom do filme pela sua caracterização excessiva enquanto grunho, a criancinha masculina poderá ser algo irritante também pois quando aparece quebra alguns dos momentos bonitos da história.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3524792

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