Quing Ren Jie (A Time to Love) Jianqi Huo (2005) China


Se há coisa que eu já não posso ver mais pela frente são versões do Romeu & Julieta de Shakespeare, onde a conhecida história é por demais repetida até á exaustão em todos os detalhes e mais alguns.
Não consigo perceber para quê tantos autores continuarem a insistir naquela narrativa a esta altura quando já milhares de vezes foi  transformada em tudo e mais alguma coisa, desde filmes do Franco Zefirelli até pornos da Ginger Lynn.

Como tal, quando eu comprei há muitos anos atrás o dvd de [“A Time to Love“] sem saber nada sobre o filme e depois descobri que se tratava da bilionéssima história inspirada por “Romeu & Julieta”, a minha vontade foi a de devolver isto á Play Asia ou trocá-lo por um filme romântico qualquer com o Steven Seagal aos tiros.
Toma lá para não comprares filmes pelo aspecto gráfico da (excelente) capa !
Por isso quando vi esta história pela primeira vez (já que tinha que ser) nem sequer lhe prestei grande atenção.
Ainda por cima eu estava á procura de algo mais no estilo sul-coreano e [“A Time to Love“] tinha uma atmosfera marcadamente chinesa, algo a que eu não estava ainda habituado, pois são estilos muito diferentes dentro do cinema romântico.

Apesar de não me ter causado uma impressão por aí além na altura, surpreendentemente ficou-me na memória e esteve na minha lista de filmes a rever com outros olhos por muito tempo, até ontem.
Ficou-me na memória, não só pela abordagem á história clássica ter-me surpreendido como principalmente algumas das suas bonitas imagens acabaram ficando gravadas na minha imaginação até hoje, pois já na altura o visual do filme me surpreendeu.
Toda a paleta cromática de [“A Time to Love“]  é composta por tons ferrugem contrastando com verde das árvores e tons de sombra intensa o que lhe dá logo desde o início uma estética que nos agarra todos os sentidos pelo seu estilo quase steampunk pois mal o filme começa somos logo transportados para um úniverso único e bastante poético.

E surpresa das surpresas, agora que revi o filme ainda estou para saber o que raio é que foi que não me cativou na altura em que o vi pela primeira vez !
[“A Time to Love“] é um filme absolutamente lindíssimo em muitos aspectos mas se calhar é capaz de não se notar mesmo a uma primeira visão. Especialmente se entrarem com preconceitos anti-Romeu & Julieta como eu entrei nisto anos atrás quando vi o dvd.

Portanto, para começar eu já não me lembrava nada do filme e agora foi como se o tivesse visto pela primeira vez e não podia ter ficado, não só mais surpreendido como também mais satisfeito com o que (re)vi ontem.
Se calhar [“A Time to Love“] poderá ter uma altura certa para ser visto e muito provavelmente funcionará muito melhor com o público adulto do que com pessoas mais novas talvez, com menos experiência de vida ou algo assim. Isto porque pode ser uma história de amor com adolescentes, mas tudo é narrado num tom dramático mais adulto e até teatral, pois este filme tem uma assinatura tão característica que julgo se poderá incluir algures entre o cinema comercial e o dito cinema de autor pela sua abordagem algo intímista.

[“A Time to Love“] como filme é realmente um espectáculo (nem acredito que estou a dizer isto); primeiro, porque consegue pegar não só no tema mas também em alguma da estrutura de Romeu & Julieta e no entanto, milagre dos milagres apresenta-o com uma abordagem realmente refrescante. Conseguindo inclusivamente uma coisa que eu julgava impossível de ser feita…nomeadamente [“A Time to Love“] tem um suspanse romântico de cortar á faca pois até quase literalmente ao último segundo o espectador fica completamente na espectativa de como irá terminar desta vez esta história de amor com o seu final por demais conhecido.
Conseguirão desta vez os dois amantes ficar juntos ?
Apenas lhes posso dizer que o final de [“A Time to Love“] é extraordináriamente simples mas muito poderoso em termos de emoção e não lhes digo mais nada, pois o trabalho da actriz protagonista no último enquadramento visual desta história vai deixar-vos totalmente cativados e emocionados de uma forma que ainda não tinha visto num filme oriental.
Adorei o final deste filme.

E já que falo na actriz principal, nunca pensei que esta rapariga fosse tão incrivel. Estava habituado a vê-la em produções bem mais comerciais essencialmente em papeis de muita acção (“Warriors of Heaven & Earth”  –  “So Close“) e nem sequer pensava que ela seria capaz de carregar ás costas metade de um filme como [“A Time to Love“], onde bem mais que apenas uma história de amor ao estilo habitual oriental, é acima de tudo um drama bem mais complexo que se centra apenas numa história de amor impossível, (quase uma tragédia na verdade, sempre a piscar o olho a Shakespeare).

Tanto ela, como o seu co-protagonista masculino brilham neste drama.
Irão encontrar em [“A Time to Love“] um dos pares românticos com mais carísma que apareceu até hoje dentro deste estilo de histórias de amor orientais. A química entre os dois actores é total e enquanto espectadores a partir de certa altura esquecemo-nos por completo que estamos a ver um filme pois deixamo-nos levar por aqueles dois personagens até ao desenlace final desta história. Uma história que surpreendentemente de forma tão cativante consegue dar-nos um Romeu & Julieta com suspanse suficiente para nos fazer roer as almofadas até ao último segundo (sem parecer que está a fazer qualquer coisa de importante sequer), o que já é por si só uma boa característica para algo que seria á partida totalmente previsível.
Usa inclusivamente o próprio livro com a peça de Romeu & Julieta original para nos garantir que [“A Time to Love“]  é Romeu & Julieta por mais do que uma vez. O que é bom para confundir o espectador.

Não pensem no entanto, que [“A Time to Love“] é um filme romântico oriental ao estilo que estão habituados, se virem por exemplo produtos sul-coreanos ou japoneses.
Uma das características da maior parte dos dramas românticos chineses está no facto deste país preocupar-se mais com uma história de amor enquanto objecto dramático dentro daquele aspecto teatral mais sério e menos com a ligeireza do estilo narrativo. Por isso, [“A Time to Love“] é um filme sem pressas. Embora tenha um ritmo narrativo sempre constante, muitas vezes conta a sua história não por palavras mas por ambientes, imagens atmosferas e silêncios. Um pouco talvez como “Il Mare” o fez e com um tom melancólico semelhante, embora um pouco mais triste neste caso devido á carga trágica da própria base da história.

E por falar em silêncios, [“A Time to Love“] tem dois momentos absolutamente fantásticos na minha opinião que jogam precisamente com o silêncio para criar uma intensidade de emoções espectacular e que nos faz entrar em total empatia com o casal de apaixonados desta história.
É certo que o filme vai aos poucos trabalhando a carga emotiva sem o espectador notar, tanto na criação de ambientes como também pelo que não mostra e como tal quando surge um dos momentos mais bonitos a meio do filme, nem sequer precisa colocar os actores com qualquer diálogo para a cena romântica resultar com uma força incrível.

Falo particularmente de uma breve e pequenina cena a meio do filme, em que o rapaz e a rapariga estão de ambos os lados de uma vedação de arame e onde sem palavras o realizador consegue transmitir uma carga romântica não só totalmente natural como acima de tudo cria um momento emocional fantástico apenas recorrendo ao toque das mãos, a silêncios e a olhares breves para nos transmitir tudo o que os personagens sentem.

A segunda cena semelhante tem a ver com os segundos finais da história, mas de que não posso aqui falar porque lhes estragaria o suspanse todo e vocês ficariam a saber se [“A Time to Love“] acaba como a peça que lhe deu inspiração ou não. Apenas lhes garanto que se chegarem até aos momentos finais desta história totalmente cativados pelo destino dos personagens até se vão passar com o trabalho da actriz nos momentos finais onde apenas com um olhar concluiu tudo o que havia para concluir e proporciona ao espectador um momento final daqueles que os fará não esquecer este filme tão cedo se gostarem tanto dele quanto eu gostei desta segunda vez que o vi.
Não esperem é explicações de bandeja ao estilo, – “o que aconteceu foi…” – porque isto não é um filme desses.

[“A Time to Love“] é uma daquelas raras histórias de amor em cinema que resultam plenamente do trabalho não só dos actores principais mas também das interpretações de um elenco poderoso em termos dramáticos. Não sei se este pessoal será tudo actores de teatro mas todos os personagens nesta história são fascinantes e irão tocar-lhes emocionalmente em muitos aspectos surpreendentes.
Juntem a isto uma realização fantástica e têm todos os ingredientes para gostarem também muito deste filme se procuram por outra boa história de amor e já espreitaram tudo o que tenho recomendado neste blog.

Em termos visuais, [“A Time to Love“] é um dos filmes mais poéticos que me passaram pela frente em muito tempo dentro deste género estético.
Para começar a fotografia é incrível e vão encontrar aqui imagens absolutamente notáveis pois este é mais um daqueles filmes em que vão querer fazer pausa a todo o instante só para apreciar as pinturas de luz e sombra que ele contém practicamente em todo e qualquer frame.
Não só os ambientes são depois também fascinantes como está carregado de texturas e pormenores por todo o lado, tornando-o num filme totalmente obrigatório também para quem gosta muito de rever um filme muitas vezes só para curtir os pormenores. Pode ser uma sombra, pode ser uma textura, uma luz, uma cor, ou uma paisagem, mas garanto-vos que mesmo que nem gostem muito do género, visualmente vão achar este filme uma pequena joia perdida que importa descobrir em termos visuais quanto antes.

Não faço ideia se a arquitectura presente em [“A Time to Love“] existe mesmo ou se isto serão cenários criados para o filme. De qualquer forma, esta obra conta com espaços arquitectónicos fascinantemente poéticos que vão adorar contemplar ao longo da história. Desde, fábricas abandonadas, a prédios em decadência, passando por ruas e becos fabris, tudo aquilo que poderia parecer um ambiente deprimente é transformado num mundo quase mágico, parecendo por momentos saído de um verdadeiro conto de fadas ou de um filme de Fantasia.
[“A Time to Love“] quanto mais não seja, é um filme para contemplar, por muitos e bons motivos. Vão por mim, é fantástico visualmente.

Recomendo este filme a toda a gente que já espreitou tudo o que tenho apresentado no blog dentro do estilo romântico, ou então como contraponto a histórias de amor mais comerciais.
Não é que [“A Time to Love“] não seja comercial, mas o seu estilo muito chinês, intensamente dramático e bastante introspectivo em alguns momentos poderá talvez tornar-se algo chato ou arrastado para o pessoal que não gosta de coisas mais pausadas.

[“A Time to Love“] é um filme que demora o seu tempo e muitas vezes conta a sua história mais por olhares e silêncios do que por palavras e isto poderá afastar algum público.
O facto de ser uma história muito triste mesmo apesar de todo o ambiente poético, poderá afastar quem procurar um daqueles filmes totalmente –feel good– pois este usa a própria tristeza e melancolia para criar grandes incertezas no espectador sobre o desenlace da história. Nesse aspecto não poderia resultar melhor, mas ao mesmo tempo é um filme com uma carga algo deprimente por breves momentos a fazer lembrar o muito poético mas algo triste “The Floating Landscape” ; curiosamente outra produção chinesa.

Posto isto, se quiserem ver um filme muito bonito e diferente do habitual neste género tão estereotipado, se calhar [“A Time to Love“] é um título  a terem em conta. E se não gostarem á primeira, dêem-lhe segunda oportunidade, pois ainda acabam a gostar tanto dele quanto eu gosto agora.

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CLASSIFICAÇÃO:

Estava tentado a atribuir a [“A Time to Love“] apenas cinco tigelas de noodles por ser realmente excelente.
Mas a verdade é que agora que o revi, este filme não me sai da cabeça e apetece-me vê-lo novamente em vez de ir espreitar outra coisa nova qualquer, por isso se calhar será justo dar-lhe a minha classificação máxima deste blog, pois de outra forma estaria a enganar-me a mim próprio se não lhe desse também um Golden Award.
Quanto mais não seja pelo trabalho dos actores, pela fotografia do filme e por ter conseguido criar suspanse na história de Romeu & Julieta, o que é obra !
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award por muitos e variados motivos.

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A favor: o trabalho dos actores, o par protagonista tem uma química no ecrã fantástica e um desempenho totalmente cativante, esquecemo-nos que estamos a ver um filme o que não poderia ser melhor elogio, consegue o feito notável de recriar a velha história de Romeu & Julieta numa china moderna desencantada mas muito poética e fá-lo com total suspanse romântico até ao último olhar da protagonísta, a fotografia é fabulosa, os cenários são lindissimos e em muitos momentos parece que tudo se passa num qualquer mundo de fantasia encantada, mais do que uma história de amor comercial normal  é um drama intenso e duro por vezes, a cena da vedação de arame mesmo durando menos de um minuto é memorável, idem para o desempenho da actriz nos segundos finais da história onde só com o olhar nos transmite toda uma vida, muita poesia visual, o tom intimista e o excelente trabalho do realizador que alterna os momentos mais intimistas com os mais tragicos ou românticos de uma forma totalmente orgânica e bastante natural, nem vão notar a banda sonora mas esta vai entrar-lhes pela alma nos melhores momentos.
Contra: é mais um drama generalizado do que uma história de amor especificamente por isso não esperem o estilo fofinho oriental dos filmes japoneses porque este é chinés mesmo, pode parecer menos comercial do que na realidade é e algum público poderá não ficar particularmente cativado, Romeo & Julieta again…and again…and again…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=3NaS55XOylw

Videoclip 1
Embora curiosamente a música não faça parte do filme, pois foi criada para a promoção. Aposto que foi para dar um ambiente mais comercial á obra pois esta é na verdade bastante intimista e não tão comercial como aparenta aqui.
http://www.youtube.com/watch?v=y3TNcyS-IWw&feature=related

Videoclip 2
Este com uma das músicas que entra no filme e com a particularidade de ser um videoclip com dezenas de cenas cortadas que não aparecem no próprio filme, o que só demonstra que devem ter filmado pilhas de coisas que ficaram de fora e só é pena muitas destas cenas não estarem como deleted scenes no dvd porque parecem cheias de atmosfera também.
http://www.youtube.com/watch?v=krChsULuIbM&feature=related

Comprar
http://www.fivestarlaser.com/movies/13766.html

Download aqui com legendas em Inglés.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0450099/

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Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

concerto_capinha_73x 

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Love Phobia

 Fly me to Polaris cyborg_she_capinha_73x

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Man cheng jin dai huang jin jia (Curse of the Golden Flower/A Maldição da Flor Dourada) Yimou Zhang (2006) China


O facto deste filme oriental ser uma milésima variação da peça Otelo de Shakespeare pode á primeira vista parecer um bocado surpreendente para quem esperava algo mais parecido com um filme de acção no estilo “House of the Flying Daggers“.
No entanto, apesar de [“Curse of the Golden Flower“] conter algumas das melhores sequências de acção que vi no género Wuxia, este é essencialmente um drama político.
O que confesso me aborreceu um bocado, pois se existem histórias para o qual não tenho pachorra absolutamente nenhuma são os dramas de intriga palaciana embrulhada em capa de épico histórico.

Não que estivesse á espera de apenas mais um filme asiatico de acção, mas a verdade é que não esperava algo tão intensamente palaciano e tão shakespeareano.
Até porque [“Curse of the Golden Flower“] ao ser uma espécie de Otelo em versão chinesa perde um pouco da sua frescura no que toca a desenvolvimento do argumento pois por mais que nos fascine com as suas imagens nunca nos prende propriamente á história pois esta é por demais previsível ao longo de toda a narrativa.
De cada vez que alguém novo entra em cena, passados minutos percebemos imediatamente qual irá ser o seu destino e qual a sua relação com cada um dos mistérios referidos no argumento. Ora isto, coloca o espectador sempre muito á frente dos personagens e isso na minha opinião faz com que nunca entremos verdadeiramente dentro do filme e tenhamos sempre alguma distância em relação ao que se passa no ecran.

Agora que já falei do único aspecto “negativo” de [“Curse of the Golden Flower“], não me lembro de mais nada que possa impedir-vos de gostarem mesmo muito deste filme.
Como tal, até digo-vos já a minha classificação em adiantado. [“Curse of the Golden Flower“] leva absolutamente cinco tigelas de noodles sem qualquer dúvida. E embora eu não lhe atribua um Golden Award se vocês gostarem mesmo de histórias de intriga política palaciana, considerem-no atribuído pois vão adorar o filme.

Até tenho receio de continuar esta review, porque realmente não há palavras que eu consiga colocar aqui nem fotografias que possam acompanhar esta review que transmitam o incrível visual deste filme. Possivelmente será o Wuxia mais espectacular que vi até hoje no que toca a cenografia e ao tratamento tanto dos enquadramentos como também principalmente na cor.
Enquanto “Hero” do mesmo realizador, estava dividido em vários segmentos cada um com uma tonalidade dominante, desta vez em [“Curse of the Golden Flower“], parece que todas as cores do espectro visível ao olho humano foram colocadas no ecran em cada frame deste filme.´

E o que poderia ter resultado em algo desastroso para os sentidos, ou até mesmo ter tornado o filme num produto algo kitsh a verdade é que não poderia ter funcionado melhor. Cada frame deste filme está tão bem pensado a nível de cor e tratamento fotográfico que temos que o ver pelo menos uma meia dúzia de vezes para conseguirmos reparar em todos os incríveis detalhes que compoem esta extraordinária tapeçaria visual que vos irá deixar absolutamente deslumbrados. Especialmente se tiverem a sorte de poder ver [“Curse of the Golden Flower“] num projector com um ecran de tamanho considerável como eu posso fazer.

Mas não só da cor vive este filme asiático, pois além da fotografia absolutamente perfeita, a quantidade alucinante dos próprios detalhes que estão presentes em cada imagem é de uma pessoa ficar a pensar como raio é que alguém se deu a tanto trabalho apenas por causa de um filme.
Desde ao incrível guarda-roupa absolutamente impressionante na sua combinação de texturas até ao detalhe esculpido em cada adereço este é um daqueles filmes que só podia ter vindo mesmo da china, pois sinceramente é preciso mesmo uma literal paciência de chinês para se conseguir produzir aquilo que poderão ver no ecran se comprarem este filme.
E segundo parece, tirando um par de anacronísmos em alguns detalhes das roupas, consta que no que toca a uma reprodução fiel de ambiente [“Curse of the Golden Flower“] levou uma excelente nota da parte dos historiadores. Até aquilo que nos parece um exesso de cor, supostamente será algo decalcado do que seria a realidade daquela época no que toca á atmosfera que o filme tentou reproduzir.

É que não pensem que estes chineses não tendo exactamente um local adequado para filmar isto se deram apenas ao trabalho de construir um par de cenários. Não meus amigos, já que tinham tanta gente para trabalhar, eles decidiram construír um palácio medieval verdadeiro para que o público pudesse sentir ainda melhor o espírito históricamente fiel da obra.
Tudo o que poderão ver no ecran, não se tratam apenas de cenários pintados, mas sim de locais verdadeiros que foram construídos de propósito para este filme com um nível de realidade tal que o palácio ficou pronto para ser habitado e actualmente parece que foi inclusivamente transformado numa nova atracção turística porque a coisa é tão impressionante que é mesmo de ver para crer.
Podem ter a certeza que isso transparece muito bem pelas imagens quando virem o filme.

Já agora, recomendo que o comprem mesmo, pois este é um daqueles que precisa de uma boa cópia para poder ser devidamente apreciado e duvido que uma cópia sacada de qualquer torrent consiga realmente transmitir com qualidade tudo o que merece ser visto neste filme.
Até porque se a edição portuguesa tiver o mesmo documentário de Making of que eu tenho na edição chinesa esse é um complemento que não devem perder para terem uma ideia do trabalho que [“Curse of the Golden Flower“] deu a produzir. Não só contém as habituais entrevistas aos actores, como mostra a construção de todo o complexo “cenográfico” e ainda nos dá um vislumbre das filmagens das impressionantes sequências de acção presentes no filme.

Embora [“Curse of the Golden Flower“] seja essencialmente um drama de intriga palaciana, pontualmente transforma-se súbitamente num dos filmes de acção mais impressionantes que poderão encontrar pela frente actualmente.
Poderão nem se lembrar da história ou sequer se importarem muito com ela, mas podem ter a certeza que não vão esquecer tão cedo a originalidade das cenas de acção deste filme que nos mostra coisas de um angulo que ainda não tinha aparecido no ecran desta maneira no que toca á encenação de cenas deste estilo.

Eu que já nem podia ouvir a palavra “Ninja“, (por causa daqueles abjectos filmes de porrada americanos dos anos 80), fiquei absolutamente impressionado com a fabulosa e original sequência de acção com os Ninjas neste filme. Nunca tinha visto nada assim e muito menos filmado desta maneira. Só é pena a cena até nem durar muito tempo, mas enquanto dura torna-se inesquecível, pois tudo desde ás coreografias em fios, á fotografia e á própria montagem é simplesmente perfeito. Vai fazer com que vocês fiquem com vontade de irem buscar um facalhão á cozinha e depois de se enrolarem num lençol preto ainda saltem pela janela do apartamento com umas quantas piruetas silenciosas.

Como se esta cena não tivesse sido já visualmente muito original, o final do filme ainda conta com uma outra daquelas batalhas épicas como nunca tinha visto. Pensava eu que nisto de batalhas entre exércitos já estava tudo mostrado quando [“Curse of the Golden Flower“] nos apresenta algo verdadeiramente único.
Além da própria batalha ter em estilo e uma estratégia peculiar composta á base de defesa de gigantescos escudos de metal que servem de barricadas entre dois exércitos, os produtores deste filme ainda acharam que seria giro fazer tudo não soldadinhos de CGI mas sim com gajos mesmo a sério que por acaso até foram buscar ao verdadeiro exército chinês actual só para nos impressionar certamente.
Quando virem aquela gente toda á porrada na batalha não se esqueçam de os contar a todos, pois foram mesmo muitos os chineses que tiveram de vestir armaduras. Já agora, também consta que as armaduras não eram cá de plástico pois foram construídas a sério para dar mais realísmo á coisa. Portanto cada actor e figurante andou a passear por esta cidade cenográfica real com uns bons quilos de metal ás costas só porque sim.

Isto para não falar das actrizes que passaram um mau bocado com os espartilhos dos fatos de época que no entanto resultaram em decotes tão hipnóticos que o próprio Chow Yun Fat não se conseguia concentrar nos olhos da excelente Gong Li que faz de sua mulher no filme e que tem portanto inúmeros diálogos com ele ao longo da história. Actor sofre.

Agora, mais uma vez chamo a atenção para o facto de que [“Curse of the Golden Flower“] não é um Wuxia de acção, mas sim um drama completamente shakespeareano passado nas cortes palacianas chinesas da idade média e pontualmente polvilhado por breves cenas de acção que vos vão deixar absolutamente maravilhados se gostam de bons filmes Wuxia mais tradicionais.

Posto isto passemos ao que interessa e portanto, resumindo:

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CLASSIFICAÇÃO:

Por tudo e mais alguma coisa, cinco tigelas de noodles á vontade.
Visualmente é definitivamente uma obra prima em todos os sentidos, tem uma fotografia absolutamente incrível e o detalhe de cada imagem vai fazer com que a uma segunda visão estejam sempre a fazer pausa e zoom para poder espreitar cada pormenor ao longo das quase duas horas de filme.
Só não lhe atribuo um Golden Award porque a parte de intriga palaciana aborreceu-me imenso, não por ser uma história do estilo mas porque está tão colocada ás obras de Shakespeare que se torna absolutamente previsível e com isso arruina parte do encanto que tanto se esforçaram por obter visualmente.
Mas tirando isso é um filme extraordinário e uma compra obrigatória para quem gosta do estilo e totalmente indispensável para todos os admiradores deste realizador que antes já tinha feito também os fabulosos, “Hero” e “House of the Flying Daggers“.
[“Curse of the Golden Flower“] , é um bom exemplo de um filme que sendo no fundo uma obra de cinema de autor não deixa de ser menos comercial por causa disso, pois tem o equilíbrio perfeito entre os dois géneros.

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A favor: visualmente é uma obra prima como há muito não se via, a fotografia é mágnifica, os cenários verdadeiros são impressionantes, as cenas de acção são inesquecíveis e até as mais tradicionais contêm coreografias excelentes, a batalha final, os personagens apesar de totalmente Shakespeareanos têm uma identidade não apenas teatral.
Contra: as intrigas palacianas aborrecem-me de morte e pior ainda quando são tão previsíveis como as que constam no argumento deste filme, as cenas de acção ás vezes parece que não seriam própriamente necessárias e apenas estão lá para que o espectador não adormeça com a previsibilidade do argumento.

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=tyVv8qSTLRQ

Website Oficial
http://www.sonyclassics.com/curseofthegoldenflower/

COMPRAR
Excelentes e baratinhas edições na Amazon Uk:

Curse of the Golden Flower – DVD

Curse of the Golden Flower + Crouching Tiger Hidden Dragon – DVD

Ou então…

Dvd Edição Chinesa
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7k-77-1-49-en-15-curse+of+the+golden+flower-70-1up9.html
Dvd Edição Portuguesa
http://www.worten.pt/ProductDetail.aspx?pid=03873734

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0473444/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

The Promise

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