Fly me to Polaris – Legendado em Português (BR) no Youtube.


Caso, não saibam, a fabulosamente pirosa mas muito eficaz história de amor “Fly me to Polaris” já se encontra disponível no Youtube para visionamento completamente legendada em português do brasil.
O link anterior que tinha aqui postado sumiu pois foi retirado pelo youtube. Entretanto encontrei o filme noutra localização  e portanto cá vai o novo link.

Por isso é de aproveitar, até porque este continua a ser infelizmente um dos dvds mais dificeis de arranjar, especialmente numa boa cópia. Aliás, esta cópia do youtube é bem melhor que a do meu dvd comprado em Hong Kong no que toca á qualidade de imagem.
Este filme esta legendado em inglés no youtube por isso é só activarem as legendas. 😉

Quem procura uma boa love story oriental e nunca viu este filme recomenda-se vivamente que repare essa lacuna cinéfila pois é um produto absolutamente genial na sua aparente simplicidade mas de uma eficácia fantástica enquanto história de amor para gastar lenços de papel á parva.
Mais detalhes na minha pormenorizada review (sem spoilers) aqui:
https://cinemasiatico.wordpress.com/2008/05/14/xing-yuan-fly-me-to-polaris-jingle-ma-1999-china/

Os meus agradecimentos ao Rodrigo, leitor deste blog por me ter apontado a existência de Fly me To Polaris no youtube. 😉

Zhan Guo (The Warring States) Chen Jin (2011) China


Eu deveria ter suspeitado que [“The Warring States“] teria qualquer coisa errada quando a primeira coisa que notei no trailer desta produção foi que o guarda roupa era estranhamente parecido com o que se pode ver no excelente , “An Empress and the Warriors“.

Aquelas armaduras pareciam-me familiares e sinceramente pensei que alguém teria aproveitado alguns restos desse outro filme para poupar uns cobres no design e não liguei muito. Na verdade até me deixou mais curioso pois pelo trailer até parece  um filme com potencial a um primeiro olhar.
Não se enganem.
É mau, mas mau mesmo e nem consegue entrar naquele nível do tão-mau-que-se-torna-genial, pois a partir de certa altura torna-se absolutamente insuportável pois [“The Warring States“] é um daqueles filmes para o qual o botão de fast-forward foi inventado.

Por exemplo “The Sorcerer and the White Snake” também de 2011, pode não ser própriamente uma obra-prima e ter efeitos especiais atrozes mas ao menos compensa na imaginação e na própria realização. Coisa que não acontece de todo em [“The Warring States“] pois é um bom exemplo de como um mau realizador, aliado a uma má montagem nem sequer pode ser salvo por alguns efeitos especiais interessantes e por paisagens estonteantes muito bem fotografadas.

Raramente concordo com muitas das reviews de cinema oriental no IMDB mas desta vez faço minhas as palavras de todas aquelas pessoas que perderam duas horas das suas vidas a tentar encontrar algo de realmente bom em [“The Warring States“] e tiveram que  ventilar as suas frustrações online quando acabou; talvez a jeito de aviso para que mais pessoas não caiam na tentação de pensar que o filme até poderá ser menos mau do que o pintam.

Mas afinal o que há de tão mau nesta produção ? Bem…tudo.
Começa como épico de guerra com uma batalha supostamente espectacular mas que logo cedo se torna num imenso catálogo de tudo o que vai ser mau no resto do filme.
A realização é atroz, a montagem é completamente caótica e o esforço para meter estilo quase Anime é constante e constantemente se espalha ao comprido em tudo o que supostamente seria sequência que emocionasse o espectador.
As coreografias são , diria…amadoras, o estilo do filme varia quase de frame para frame, os inserts gore com decepações de membros são ridiculos, a montagem em slow-motion (e ás vezes quase que diria “stop-motion“), tudo parece uma atabalhoada produção televisiva mal definida e desde início se nota que o realizador parece ter perdido o rumo ao projecto.

[“The Warring States“] é um épico sem ponta por onde se lhe pegue. Os personagens parecem sofrer de uma gritante falta de casting e o filme nunca se decide em que género se insere. Começa por pretender ser um épico de guerra ao estilo “Red Cliff” ou “Three Kingdoms“, mas logo entra por um registo de comédia sem graça absolutamente nenhuma , muito graças ao personagem principal que deve ser dos gajos mais irritantes que apareceu num filme recente. O personagem não se define e se durante a maior parte da história protagoniza uma série de gags sem piada nenhuma com momentos em total estilo slapstick , noutros parece pretender ser um protagonísta dramático a sério e o filme alterna entre qualquer coisa que se parece com um épico de guerra, a comédia parva sem graça nenhuma, o filme de intriga palaciana protagonizado pelo maior número de personagens sem qualquer carísma que já se viu num filme destes e uma love-story sem qualquer chama, muito prejudicada por tanta indefinição no argumento central que se ramifica demasiado em vários tipos de filmes sem nunca seguir um rumo concreto.

[“The Warring States“] parece um filme feito com restos de todos os outros filmes que vocês já viram, não só a nivel de guarda-roupa, mas principalmente no que toca á história. E mesmo aí, o seu grande problema é precisamente parecer-se com algo escrito a partir de bocados deitados fora por outros argumentistas. Como se alguém tivesse ido escavar o balde do lixo dos argumentistas de “Red Cliff“, “An Empress and the Warriors” e “Three Kingdoms” e acabasse por colar o melhor-do-pior que teria sido rejeitado por esses filmes. É esta a sensação que percorre o espectador durante toda a duração deste filme e é pena.

É que, mas que raio….nem Ben-Hur escapa !! Sim, esse !!
Gostam de filmes com corridas de quadrigas ao melhor estilo clássico ? [“The Warring States“] tem talvez a pior, mais desinteressante, previsível e sem qualquer pingo de suspanse corrida de cavalos algumas vez filmada.
Não só a falta de personagens realmente interessantes retira logo metade do interesse de toda a sequência, como mais uma vez, também estas supostas cenas de acção voltam a ser um catálogo de como não se deve filmar ou montar este tipo de sequências de aventura. Simplesmente não funciona e em vez de entusiasmo só provoca bocejos.

O mesmo vale para a suposta história de amor. Não tem piada nenhuma. Não por ser previsivel mas porque tudo o que há de errado no resto se reflete demasiado  também aqui.
Além disso, só de olharmos para o ar de carneiro mal morto em estilo reencarnação oriental do Lionel Richie com que o heroi se passeia pelo filme desejamos que ele nunca consiga tocar com um dedo na princesa da história, o que não abona muito para a necessária química romântica do suposto drama.

Portanto com tudo isto não deixa de ser extraordinário como raio é que [“The Warring States“] teve honras de ser lançado inclusivamente nas salas de cinema nos Estados Unidos este ano !!!?!
Mas que raio ?!!!
Com tanto cinema épico chinés semelhante e realmente bom a pedir uma internacionalização como deve de ser, alguém tem uma boa cunha para meter isto no mercado ocidental ?!
São filmes como este que dão mau nome ao cinema oriental e o facto de ser logo esta obra a ser distribuida no ocidente não vai contribuir de todo para alterar as opiniões de muitos daqueles que ainda pensam que o oriente nunca poderá competir com Hollywood. É pena.
E pior ainda…se esta coisa foi distribuída por uma major americana, aposto que [“The Warring States“] irá mais tarde ou mais cedo chegar aos cinemas aqui de Portugal…de repente até me sinto uma pessoa religiosa. Por outro lado, isto é a prova que Deus não existe.

[“The Warring States“] salva-se de ser um vazio absoluto apenas por causa das fascinantes paisagens e geografias que percorrem toda a história. O que ainda torna tudo isto mais deprimente; a fotografia é luminosa, o ambiente cénico é muito bom e nota-se que houve um esforço para que tudo se parecesse mais épico do que se calhar poderia ser.
Tudo no sitio certo portanto. Enganaram-se no casting, no realizador e no gajo que fez a montagem.
E a banda sonora também alterna entre o adequado e o estranhamente eléctronicamente contemporâneo como se o próprio compositor também não tivesse percebido muito bem que raio de filme é que estaria a tentar ilustrar musicalmente.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma história com um potencial interessante completamente desperdiçada por uma realização ineficaz e totalmente desorientada, uma escolha de elenco algo duvidosa e uma montagem péssima, especialmente no que toca a cenas de batalha.
Gostaria de dizer que estamos na presença de um filme interessante, mas nem isso. Começa logo mal com todos os tiques negativos e continua até ao final a desenvolver esses defeitos. Nem a história de amor se salva porque não podemos com o palhaço do protagonista ao fim de vinte minutos de o estarmos a ver e só desejamos que lhe caia uma pedra em cima.
Sendo assim, uma tigela e meia de noodles, porque é uma verdadeira desilução e um verdadeiro desperdicio de algo que poderia ter sido uma boa ideia, pois por incrível que pareça [“The Warring States“] tem a ver com o célebre clássico oriental conhecido como “A Arte da Guerra” e esta base não poderia ter sido mais desperdiçada.

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A favor: excelente fotografia e está cheio de paisagens naturais e em CGI muito bem filmadas que pediam um filme extraordinário que nunca acontece.
Contra: o elenco não tem qualquer química, as batalhas épicas são tão mal filmadas e com tanto CGI da treta + gore mal feito metido a martelo só para impressionar que o efeito é precisamente péssimo, a montagem é péssima especialmente nas partes de acção, tenta meter estilo a todo o momento e nota-se demasiado o esforço, a história tem sub-plots a mais e ramifica-se por pormenores sem grande interesse, não se decide se quer ser um épico de guerra, uma comédia completamente imbecil e sem graça nenhuma, um drama palaciano ou uma história de amor. Essencialmente resume-se a ser apenas um mau wuxia com um visual extraordinário a maior parte das vezes e tem duração a mais pois 2 horas disto é uma verdadeira prova de resistência a quem como eu viu o trailer e tem o azar de tentar ver este filme.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=1u5eB5F0M6o

Comprar
http://www.amazon.com/Warring-States-Zige-Fang/dp/B005BJ7XIW

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1885448

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Failan (Failan) Hae-sung Song (2001) Coreia do Sul


[“Failan“] é um daqueles filmes que gera consenso no que toca á qualidade dentro do cinema sul coreano e percebe-se porquê; apesar de não deixar de ser estranho ter-se tornado tão conhecido quando foge bastante ao que costuma ser popular dentro do cinema comercial e ter mais a ver com um cinema mais intimista do que própriamente com aquilo que costuma vender dentro do género romântico.

Se [“Failan“] fosse um filme de Hollywood teria sido outro fracasso tão grande como “A Mexicana“, que falhou redondamente nas bilheteiras porque o público americano estava á espera de ver  Brad Pitt e  Julia Roberts a namorar no ecran e estes passam o filme todo separados com cenas independentes sem se tocar.
Tal como acontece agora neste filme oriental mas com uma estrutura bem menos ligeira e muito mais real.
Antes de ser uma história de amor, [“Failan“] é essencialmente um drama e muito provávelmente será o melhor filme dramático que surgiu até hoje na cinematografia da Coreia do Sul, tanto pela originalidade desta história de amor como pela intensidade dramática que consegue atingir sem precisar de ser própriamente um tearjerker de fazer chorar as pedras da calçada naquele sentido mais comercial.

Todo o drama nesta história é absolutamente notável e extremamente contido fazendo-nos importar realmente com os personagens de uma forma que ainda não tinha encontrado neste género de filmes.
Não estranhem…se estranharem não sentir grande vontade de chorar com [“Failan“] ao longo de quase toda a sua duração, pois este é um filme que nos manipula mas de uma forma particularmente subliminar.
Ficamos tristes quando acompanhamos as vidas vazias daquelas pessoas e contentes quando conseguem pequenas vitórias mas tudo é tão interessante e focado nos pequenos detalhes que nunca sentimos que o realizador nos está a mostrar algo para nos fazer chorar de propósito.
As situações são apresentadas de uma forma extremamente natural, especialmente nas sequências com o personagem da Cecilia Cheung o que torna [“Failan“] quase na antítese perfeita de “Fly Me to Polaris” também com a mesma actriz mas onse se assumiu totalmente o estilo melodramático para nos dar cabo do stock de lencos de papel a todo o instante.  O que não acontece agora nesta produção Sul Coreana que já conta com dez anos.

[“Failan“] segue o caminho oposto, é extremamente contido durante a sua duração e tudo para culminar num final absolutamente devastador com um impacto emocional a que certamente não irão ficar indiferentes pois esta história tem um final absolutamente perfeito, totalmente coerente com a história e com um par de minutos que vocês não irão esquecer antes de rolarem os créditos.
Este é mais outro daqueles filmes que recomendo totalmente que o vejam sem saber nada sobre ele.
Se nunca leram grandes detalhes sobre a sua história, ou temática, não leiam mais nada a não ser este meu texto e vejam o filme a seguir.
Garanto-vos que irão surpreender-se bastante com toda a sua estrutura particularmente original.

[“Failan“] é uma das melhores e mais originais histórias de amor saídas do cinema oriental nos últimos anos, embora seja essencialmente um drama humano onde o amor é apenas  o motor de todo o seu coração emocional, mas poderia ter sido outro tema qualquer, por isso não esperem um daqueles filmes românticos fofinhos habituais.
[“Failan“] é um filme frio, desencantado e muito triste mas de uma forma bastante natural.
Não é um daqueles filmes tristes que são tristes porque é preciso atirar desgraça atrás de desgraça para fazer o espectador chorar baba e ranho a todo o instante.
É um filme triste, porque a vida das pessoas que acompanhamos é realmente penosa, o que nos faz desejar a todo o momento poder entrar pela história a dentro e ajudar aquelas pessoas.

E parecem pessoas mesmo. Esquecemo-nos por completo dos actores por detrás dos personagens e esta é uma das grandes forças deste filme, pois tanto Min-sik Choi (o inesquécivel actor de “Old Boy”) como Cecilia Cheung (“Fly Me to Polaris” e “The Promise“), têm aqui talvez a melhor prestação das suas carreiras e se calhar isso não se nota a uma primeira visão pois vocês vão estar a importar-se tanto com o triste destino das pessoas que dão corpo e alma a esta história  que nem se lembrarão que estão a ver um filme até rolarem os créditos finais.

Pessoalmente nunca tinha prestado grande atenção ao trabalho de Cecilia Cheung mas depois deste filme, entra directamente para a minha pequena lista de actrizes a tomar muita atenção e como [“Failan“] já é uma produção de 2001 se calhar tenho que me actualizar um bocadinho em relação a esta rapariga. Quando vejo isto é que ainda me surpreende mais como foi mal tão utilizada em “The Promise” onde serviu apenas para mostrar uma cara bonita no ecran e pouco mais.
O dvd [“Failan“] contém um excelente pequeno making-of com boas imagens de bastidores e entre elas tem uma cena extraordinária com a Cecilia Cheung que realmente me surpreendeu depois que vi o filme.
Em [“Failan“] existe uma pequena cena absolutamente angustiante pela tristeza que provoca com um simples momento em que uma lágrima cai espontaneamente pela face da personagem num momento de grande tensão e crueldade humana.

O making of desse pequeno instante é absolutamente fascinante, porque num momento assistimos a um ambiente de total descontração nos bastidores com a actriz a rir e a brincar com a equipa e no segundo em que o realizador diz – “Acção” – a transfiguração é total e Cecilia chora espontaneamente no momento exacto, não apena num mas em vários takes numa prestação de extraordinária naturalidade dramática. Algo que me deixa sempre surpreendido em várias actrizes orientais pois fico sempre espantado com a capacidade delas conseguirem chorar e representar cenas absolutamente trágicas com uma naturalidade espantosa especialmente quando precisam de chorar, mas nunca tinha visto este processo em acção num momento de bastidores.
Vejam o filme e depois se tiverem o dvd duplo, espreitem o making of pois o contraste entre o divertimento nos bastidores e o tom triste e melancólico do filme é notável.
A propósito, o dvd Sul Coreano que comprei só trás legendas em inglés no filme e nada mais. Embora no making of nem seja necessário é mesmo pena o comentário audio não estar legendado pois certamente seria fascinante.

[“Failan“] é outro daqueles dvds que comprei anos atrás quando comecei a explorar o cinema oriental mas quando o vi pela primeira vez foi mais um dos filmes que na altura não me impressionou particularmente porque me apanhou totalmente de surpresa com uma estrutura completamente diferente daquilo que eu estava habituado na altura. O facto de não estar também muito virado para ambientes tão tristes como o que percorre este filme também ajudou á minha fraca impressão disto na altura, certamente.
No entanto, ficou-me na memória e sempre achei que deveria dar-lhe uma segunda hipótese mais tarde quando o pudesse ver já com um segundo olhar sabendo de antemão com o que contar.
Por isso ainda não tinha falado deste filme aqui no blog pois sempre achei que seria um daqueles que ganharia muito a uma nova visão e não me enganei.

[“Failan“] conta a história de duas pessoas que nunca se chegam a encontrar mas que foram casadas.
Num ambiente urbano de grande violência e tensão conhecemos Kang-jae, um gangster de meia tigela que não é própriamente muito bom no que faz porque ao contrário dos restantes capangas, Kang-jae é um bandido de bom coração que essencialmente só se meteu no mundo do crime para acompanhar o seu amigo de infância que chegou a lider da máfia local graças á sua crueldade. O mesmo amigo que agora o trata abaixo de cão e o ridiculariza a torto e direito.
Kang-jae ama o mar e o seu grande sonho é regressar á sua cidade, comprar um barco e viver feliz até ao fim dos seus dias, mas não tem dinheiro para o barco e além disso tem medo de enfrentar o seu chefe e antigo amigo pois ninguém sai vivo daquele gang.

Longe dali, no outro lado do país,  uma jovem rapariga chamada Failan, chega á Coreia do Sul, acabada de emigrar da China. Perdeu a sua mãe e não tem ninguém no mundo a não ser uma morada de uma velha tia que supostamente deveria habitar numa pequena cidade piscatória mas que na verdade emigrou há muito para os Estados Unidos sem avisar ninguém e como tal a jovem volta a encontrar-se sózinha, desta vez num país estranho e sem sequer falar a lingua.
Ao tentar encontrar emprego numa agência de trabalho temporário algo manhosa, fica a saber que a única maneira de conseguir permanecer no país sem família, será se casar com um Sul Coreano e como tal acaba por aceitar contraír matrimónio com alguém que não conhece apenas a um nível burocrático pois nem sequer precisa de conhecer o futuro marido ou de ter qualquer relação com ele.
Este apenas receberá em troca, uma quantia em dinheiro e o casamento fica oficializado, pois essencialmente a agência com ligações a actividades ilegais, recruta trabalhadores para as mais diversas tarefas duvidosas e tem meios de fazer entrar no país quem pretende utilizar para algo, nomeadamente encontrar miúdas para bares de alterne e fins semelhantes.

É assim que o gangster sem vocação Kang-jae se vê casado e com algum dinheiro que lhe servirá para contribuir para o seu sonho de ter um barco e livrar-se do mundo do crime.
Mas as coisas complicam-se e como não quero revelar muito mais, depois de algumas complicações no meio da máfia originadas pela extrema violência do líder do gang eis que Kang-jae se vê perante um dilema e uma encruzilhada decisiva na sua vida e no seu sonho de liberdade.
Isto ao mesmo tempo que recebe notícias de alguém que já nem se lembrava que existia.
Failan a sua jovem esposa escreveu-lhe uma carta.

Essencialmente é esta a base da história de [“Failan“] e se vocês pensam que já contei demais não se preocupem. Isto é apenas o princípio e há muito para verem á medida que vão acompanhando as vidas destas duas pessoas que acabam por se entrelaçar numa das mais originais histórias de amor que poderão encontrar no cinema Sul Coreano e até hoje ainda não teve igual.

[“Failan“] tem uma estrutura fascinante e algo única. Por momentos não conseguimos perceber que raio de filme estamos a ver, pois essencialmente durante os primeiros 40 minutos assistimos apenas a um típico filme de máfias, yakuzas e afins que alterna entre momentos de violência extrema e sequências estilo Irmãos Metralha.
Não passa muito tempo sem que o espectador se pergunte como raio é que este argumento conseguirá integrar algures pelo meio uma história de amor. Mas consegue. E de que maneira !
Se forem como eu e não tiverem grande paciência para filmes de máfias, aguentem o início da história e prestem atenção aos detalhes. No meu caso, se calhar uma das razões porque não gostei muito do filme quando o vi pela primeira vez há muitos anos, foi precisamente porque metade deste parece apenas um típico filme de gangsters e isso talvez me tenha distanciado da história porque não estava á espera daquilo quando procurava apenas uma história de amor mais comercial na altura.

O que me leva a outro ponto. [“Failan“] é um filme comercial, mas se calhar não será propriamente comercial no sentido mais pipoca, por isso tenho a certeza de que agradará mais a quem também gosta de algum cinema de autor do que a quem apenas está habituado a coisas mais no estilo Hollywood. Por isso não esperem a típica produção fofinha oriental costumeira no género romântico.
[“Failan“] é um drama adulto, num tom intimista e muito melancólico. Contém um par de cenas com muito humor mas perfeitamente naturais e provavelmente vocês nem as notarão no meio de tanta temática séria e introspectiva.

Essencialmente [“Failan“] é um filme corajoso que se arriscou a quebrar o molde do cinema romântico oriental.
Apanhou os pedaços, voltou a colá-los noutras posições e inventou uma nova fórmula que na minha opinião só não voltou a ser copiada até á exaustão (como aconteceu com a fórmula de “My Sassy Girl” por exemplo), por causa da sua estrutura intimista e menos comercial decerto.
Uma grande história de amor onde os protagonistas nunca estão juntos que resulta de uma forma extraordinária por nos parecer tudo tão real.
No entanto é um filme absolutamente romântico no seu aspecto mais humano e natural, com duas pessoas que se amaram á distância em tempos diferentes e quase em vidas diferentes também que deixará o espectador sem fôlego nos momentos finais do desenlace desta história. É um daqueles filmes que acabam e nós não conseguimos deixar de acompanhar os créditos até ao fim (memo em Coreano) só porque precisamos mesmo de pensar em tudo o que vimos e absorver toda a sua alma e poesia.

Paralelamente é também um filme sobre solidão com um sentido poético que os irá deixar com um nó na garganta.

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CLASSIFICAÇÃO:

Mais um drama com uma história de amor do que uma história de amor com drama, mas um filme que não esquecerão tão cedo, acima de tudo pelas suas personagens completamente cativantes, naturais e porque é um romance com muita alma, poesia, bastante melancolia e muita humanidade.
Será possivelmente o melhor filme dramático dentro deste estilo que a Coreia do Sul produziu até hoje e merece ser visto por toda a gente que procura uma história de amor original e já viu tudo o que há para ver que tenho recomendado do género romântico neste blog.
Se não o absorverem muito bem a uma primeira visão, deixem passar um par de meses e voltem a ele. Primeiro estranha-se mas depois entranha-se e bem.
Preparem os lenços, mas no bom sentido porque esta história merece-os.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award, claro.

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A favor: a originalidade da estrutura da história, a intensidade do romance entre duas pessoas que nunca se encontram apesar dos seus destinos se terem cruzado um dia, os personagens (todos), as interpretações extraordinárias de Min-shik Choi e Cecilia Cheung, a banda sonora totalmente discreta e subliminar que nem se nota mas que dita a atmosfera em muitos dos melhores momentos, a contenção da realização totalmente eficaz e que se “apaga” para deixar os actores e a história brilharem bem alto, como drama é fantástico, a forma como mistura o género de filme de gangsters ultra violento com o género romântico na sua forma mais humana e natural, cada vez que o revemos encontramos novos pormenores que não tinhamos notado, excelente fotografia também.
Contra: pode ser demasiado intimista para quem procura uma história de amor num estilo mais comercial, não conseguimos entrar pelo ecran a dentro e ajudar aquelas pessoas, o trailer é bem mauzinho não tem alma nem transmite bem o que o filme realmente é.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=I-uN9Gu1yVQ

Comprar
É um fime cada vez mais dificil de encontrar á venda. A edição antiga de dois discos que eu tenho está totalmente esgotada e só existem umas edições de um disco sobre as quais não tenho qualquer informação.

Download aqui com legendas em inglés

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0289181

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concerto_capinha_73x 

Be With You Il Mare The Classic Love Phobia

 Fly me to Polaris My Sassy Girl

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Mo gong ( Battle of Wits – aka – Battle of the Warriors) Chi Leung ‘Jacob’ Cheung (2006) China


No outro dia ao desiludir-me bastante com “Red Cliff“, lembrei-me que este era bastante semelhante a outro titulo mais antigo que eu tinha comprado há anos mas de que ainda não tinha falado aqui, pois por qualquer motivo é um daqueles dvds que nunca mais tinha revisto e como tal, decidi tirar o pó do disco a [“Battle of Wits“] porque esta é mesmo a altura certa para falar deste filme no blog até por uma questão de comparação entre títulos semelhantes.

Tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] são filmes de guerra semelhantes, porque essencialmente assentam mais sobre as estratégias de guerra, tácticas de movimentação de exércitos, planos de combate e intrigas políticas ou palacianas do que própriamente sobre herois e heroínas que vivem aventuras em mundos Wuxia ou de ambiente medieval e como tal são filmes com uma estrutura muito parecida.

Em ambos os casos, temos dois exércitos em confronto que se analisam um ao outro e onde a maior parte das cenas se passam naquela guerra de muralhas e paliçadas onde as estratégias de invasão se sobrepõem á sequências de acção pura e simples.
Também a nível de personagens os filmes se tocam pois tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] contam com os inevitáveis generais caracterizados da forma habitual, com os guerreiros heroicos em estilo solitário, grandes estrategas militares, imperadores decadentes ou corruptos e claro, com a miúda gira da história que neste caso também é muito boa a andar á bulha pelo meio das cenas de batalha, pois é uma oficial de cavalaria.

Achei portanto, que tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] poderiam ter sido o mesmo filme. Se se trocassem os cenários e o guarda roupa, provavelmente o resultado teria sido o mesmo nos dois filme e ambos manteriam a sua identidade apenas por causa de um grande pormenor que os distingue.
[“Battle of Wits“] ostenta muito menos opulência visual que “Red Cliff” e como tal não tem aquele sabor a grande épico cinematográfico que exala por todos os frames desse filme e que tornou a obra de John Woo imediatamente muito menos interessante na minha opinião; apenas porque por detrás de tanto estilo visual espantoso tudo aquilo sempre me pareceu demasiado plástico e como espectador nunca consegui entrar naquele mundo pois tudo me pareceu fabricado para cinema e muito pouco real.

Algo que não me aconteceu de todo agora em [“Battle of Wits“].
Ainda o filme não tinha começado á dez minutos e já eu me tinha esquecido que estava a ver um épico cinematográfico. Isto porque pura e simplesmente, nada em [“Battle of Wits“] nos lembra que são cenários contruidos para um filme e nada no estilo visual chama constantemente a atenção para o que aparece no ecrã.
Acompanhar [“Battle of Wits“] é como espreitar por uma máquina do tempo e contemplar o passado; ter acompanhado “Red Cliff” para mim foi como estar a desfolhar um livro sobre design e construção de cenários para cinema. Por muito que eu tenha adorado o fantástico estilo visual do filme de John Woo prefiro mil vezes a contenção estética de [“Battle of Wits“] e o estilo completamente natural dos ambientes e arquitecturas pois transportam o espectador para o passado. Não o deixam do outro lado da televisão a contemplar ambientes gráficos quando estes deveriam servir os personagens e não gritar – superprodução cinematográfica – a todo o instante.

Portanto, em comparação, nota alta para [“Battle of Wits“] logo por este início. Tudo nesta história parece visualmente real e quem gostou da estética realística e crua de Musa the Warrior tem aqui um filme muito semelhante gráficamente falando que  irá certamente agradar a quem procura este tipo de atmosfera visual.
Infelizmente a nível de argumento, também [“Battle of Wits“] é um daqueles filmes que me custa bastante a absorver, mas isto é uma questão de gosto pessoal pois como já referi em posts anteriores, o género de intriga politica e palaciana é algo que me aborrece de morte. Portanto para mim foi muito dificil arrastar-me pelos primeiros vinte minutos deste filme.

No entanto a sua atmosfera cativou-me e cedo também os personagens se começaram a delinear bem mais interessantes do que em por exemplo, mais uma vez “”Red Cliff“.
Não quero parecer estar aqui a ser muito duro com o filme de John Woo até porque gostei do que vi, mas é impossível não compará-lo com [“Battle of Wits“] pois são bastante semelhantes temáticamente e estruturalmente e como tal em termos de gosto puramente pessoal eu penso que esta produção bem menos extravagante é muito mais interessante.

Muita gente em reviews na net critica um pouco os personagens deste filme por causa de serem um bocado estereotipados e parecerem apenas ter sido criados para fazer brilhar as estrelas Pop chinesas que pelo visto entram nisto. Eu como não conheço nenhum destes gajos que entram nos papeis secundários, por mim estão todos muito bem e nem me pareceu sequer que o personagem do soldado arqueiro tenha sido criado para imitar o “Elfo Legolas” do “Lord of the Rings” embora perceba a razão de muita gente referir essa sensação pois o seu papel e dinâmica em [“Battle of Wits“] pode ser semelhante.
Como no entanto, a mim nem me pareceu que isto estrague própriamente o filme por mim que se lixe e passa á frente.

Coisas boas. [“Battle of Wits“] tem muito ambiente e conta com além de Andy Lau sempre seguro, também com o carismático actor sul-coreano que vocês vão reconhecer de “Musa the Warrior” onde personificava o velho e sábio guerreiro veterano e que neste caso faz de general invasor.
Se bem que este filme também seja cativante pelo facto de não ter herois e vilões mas sim, tal como em “Musa the Warrior“, apenas guerreiros em facções politicas opostas e sobre este detalhe [“Battle of Wits“] conta com uma simples e fascinante cena em frente da fortaleza cercada, onde os dois oponentes se encontram cara a cara e que define todo o tom da história; onde a haver vilões, estes serão claro está, os políticos que tudo manobram nos bastidores e que causarão mais mortos e tragédia do que quem faz a guerra por eles, o que não deixa de ser uma mensagem subliminar sempre interessante neste tipo de histórias.

E por falar em cenas de guerra, não só todas as batalhas têm um tom de guerra fascinante como ao vê-las nem me lembrei que estava a ver cenas coreografadas para um filme. Bem ao contrário do que me aconteceu em “Red Cliff” onde além de as cenas de invasão da parte final terem sabido a pouco e nem sequer terem sido particularmente impressionantes a nível criativo tudo me pareceu apenas guerra cinematográfica a todo o instante; coisa que nunca me aconteceu notar agora em [“Battle of Wits“].

Não só todas as cenas de invasão são muito variadas, como a nível de argumento as ideias para estratégias e planos de guerra são todas muito criativos e até bem surpreendentes em alguns momentos. E o melhor é que tudo isto é conseguido sem dar a impressão que estamos apenas a ver um filme, o que quanto a mim é o melhor trunfo que um épico histórico pode ter. Conseguir transportar o espectador para o passado e [“Battle of Wits“] consegue-o bastante bem na minha opinião.

A nível de história, não será propriamente algo tão interessante assim, e neste campo talvez até “Red Cliff” tenha tentado ser melhor e ir mais longe, mas [“Battle of Wits“] é essencialmente um filme sobre estratégias militares e sobre um combate de teimosias entre dois comandantes em ambos os lados da paliçada. A tal “battle of wits” que não tem uma verdadeira correspondente tradução directa na nossa lingua, mas que também se poderia traduzir por algo como “guerra de determinação” ou algo semelhante, pois é esse o coração do filme na sua essência.
[“Battle of Wits“] é um filme sobre dois homens, sobre os poderes que estão á sua volta e sobre o facto de só um deles poder sair vencedor de uma guerra que na verdade não tem qualquer sentido a não ser o de cimentar a sua honra e reputação ao melhor estilo filme de guerra medieval chinés.

Tudo gira á volta da invasão e defesa de uma cidade e tudo tem a ver com guerra, estratégia e politica, mas [“Battle of Wits“] tem ainda tempo para dedicar algumas sequências á inevitável história de amor. Neste caso, talvez mais para abrir o filme ao público feminino do que propriamente para criar algo memorável dentro do género romântico em filmes de guerra.
Por exemplo não encontrarão aqui a assumidamente romântica história de amor de “An Empress and the Warriors“, mas mesmo assim quem procura um toque de romantismo ao melhor estilo cinema oriental, penso que também irá ficar satisfeito com o que [“Battle of Wits“] tem para contar neste aspecto.
Tudo muito breve, mas resulta bem e humaniza o personagem de Andy Lau que até então mais parecia uma espécie de Obi-Wan-Kenobi da estratégia militar pois faz parte de uma ordem de guerreiros quase mística e do qual nunca se sabe muito ao longo de todo o filme.

As cenas românticas, são sempre muito secundárias e complementam bem toda a conversa estratégica, política e militarista do resto do argumento e ainda bem que os criadores deste filme as incluiram, porque conseguem criar uma carga de grande suspanse adicional no segmento final da história que agarra o espectador ao ecrã mesmo sem notarmos que não conseguimos desviar o olhar desses momentos. O desenlace romântico não foge muito ao habitual mas acaba também por transmitir um tom poético ao final de [“Battle of Wits“] o que é sempre bem-vindo.

Consta que isto é a adaptação de um Manga muito popular no Japão, mas como eu não o conheço nem nunca o li, não posso tirar grandes considerações sobre o mesmo. Por outro lado também acho que nem interessariam muito, pois mesmo que isto nem sequer seja uma grande adaptação da banda-desenhada, quanto a mim é um dos filmes mais interessantes de guerra em estilo super-produção que saiu da China recentemente e nesse aspecto bem mais carismático que “Red Cliff” sem precisar de tanta opulência gráfica para ser notado e apreciado.

Quem procura um épico de guerra chinés, penso que irá gostar bastante.
Na minha opinião, [“Battle of Wits“] talvez tenha duração a mais e não lhe fazia mal ficar sem uns quinze minutos talvez, isto porque se repete um pouco quando não há muito mais para dizer sobre honra, dedicação e patriotismo sem começar a tornar-se mais do mesmo. No entanto, como a história romântica intercala bem tudo o resto a coisa equilibra-se e não será por aqui que o filme perderá grandes pontos. Apenas poderia ter tido uma montagem mais dinâmica talvez.

Penso que irá agradar a quem procurar cenas de guerra medieval com grandes exércitos. As batalhas são muito variadas e divertidas, mesmo quando não são espectaculares. Neste campo é onde se nota o melhor do trabalho do realizador, pois penso que ele é fantástico a gerir toda a movimentação de figurantes e a transformar o pouco em muito.
Consegue algumas cenas bem espectaculares e acima de tudo divertidas pois são bem entusiasmantes ao longo de todas as cenas de guerra e quando um filme é essencialmente composto por cenas de batalha e pouco mais é notável como se consegue manter sempre equilibrado sem se tornar monótono.

Por outro lado, [“Battle of Wits“] não é um daqueles filmes de guerra com milhares de figurantes a lutar em cenas de exércitos gigantes no meio de planícies ou algo assim. É um filme de guerra de cerco e que se calhar já merece ser classificado como um sub-género dentro do cinema deste estilo.
Em vez de cenas épicas com milhares de figurantes temos cenas muito dinâmicas com algumas centenas de gajos a matarem e morrerem de todas as formas e mesmo assim, uma cena de cinco minutos de guerra deste filme tem mais entusiasmo do que quase duas horas de  “Mulan” o que já não é mau de todo.

Por falar em mau, [“Battle of Wits“] só tem uma coisa péssima.
Os maus efeitos digitais quase que arruinam algumas das cenas de batalha. Sejam a mostrar exércitos com soldadinhos feitos em CGI a marchar algo amadoramente em termos técnicos no que toca a animação, seja em muito fogo digital ou ainda em sequências inteiras com homens e cavalos tudo muito mal integrado na acção, por momentos ás vezes parece que [“Battle of Wits“] poderá tornar-se mesmo bastante foleiro e piroso quando tenta ser espectacular.
O que vale é que se calhar muita gente nem vai notar, pois felizmente são poucos e breves. Além disso a variedade do que acontece nas batalhas também contribui para distrair bastante o espectador e como tal penso que não se deve penalizar muito este filme por isto também.

Também poderia ter tido mais sangue. Num filme de guerra com tanta acção corpo a corpo e sequências em estilo cru com alguma violência tem muito pouca gente cortada aos bocados e practicamente nenhum sangue a espirrar; o que não deixa de ser estranho pois retira-lhe logo algum do dramatismo que poderia ter tido nas cenas de guerra. Se ás vezes sentirem que falta qualquer coisa no meio de tantas cenas de acção, já sabem. Falta sangue, pois surpreendentemente [“Battle of Wits“] é uma produção bastante politicamente correcta quando comparada com outras coisas semelhantes como “The Warlords” ou “Musa the Warrior“.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não será propriamente o meu filme de guerra medieval chinês favorito, mas é uma boa alternativa a quem procura um bom épico neste estilo e gostou da atmosfera visual de por exemplo, “Musa the Warrior“.
Tem atractivos suficientes para divertir e é bem mais variado e épico que “Mulan” por exemplo sem sequer se esforçar por sê-lo. E aposto que irá agradar muito a quem procura um bom filme de guerra onde a estratégia de batalha é o centro da história e terá ficado tão desiludido com “Red Cliff” quanto eu fiquei.
Sendo assim, quatro tigelas e meia de noodles porque é mesmo muito bom e só não leva mais porque achei que tem duração a mais e arrasta-se algo pelo meio.

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A favor: excelente ambiente cénico pois nem nos lembramos que são cenários construídos para um filme, boas e muito variadas cenas de batalha com estratégias de combate divertidas e imaginativas além de muitas vezes serem empolgantes, excelente realização particularmente na gestão das cenas de acção e na forma como as narrativas se cruzam, os personagens não são originais mas são na sua grande parte muito carismáticos, dois excelentes actores como antagonistas, é um filme de guerra com alma e muito para dizer mesmo subliminarmente, boa e simpática história de amor que ainda consegue arrancar um excelente momento de suspanse na parte final.
Contra: tem duração a mais e talvez se repita em alguns pontos já antes abordados, arrasta-se um bocado a meio da sua duração, os efeitos digitais são muito fraquinhos mesmo em alguns momentos, os personagens poderiam ter sido mais originais embora eu compreenda que isto não seja nada fácil de fazer, falta-lhe sangue pois tem carnificina aos montes mas é demasiado politicamente correcto no uso de cenas gore e nem tem sequer uma decapitaçãozinha nem nada, é um bom filme mas não lhes ficará na memória pois falta-lhe qualquer coisa para ser realmente fantástico.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=WdX_cNu9dCw

Comprar DVD ou  BluRay na Amazon Uk bem baratinhos

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0485863

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…ing (…ing) Eon-hie Lee (2003) Coreia do Sul


Quando espreitei o IMDB a propósito deste filme esta manhã, a última coisa de que estava á espera era a de encontrar tão elevadas classificações por parte dos utilizadores, pois sinceramente estou quase convencido de que esta gente só pode ter visto um filme diferente do que eu vi ontem porque de outra forma não compreendo de todo a razão de tanto fascínio com este banal filme romântico.

[“…ing”] foi uma das histórias de amor sul-coreanas mais medianas que alguma vez me passaram pela frente e na minha opinião é o exemplo típico de que o facto de um filme romântico ser realmente cativante ou não, nem sempre precisa de passar por um argumento original.
É que [“…ing”] tem tudo no sítio, e tal como noutros títulos românticos não há aqui nada que já não tenhamos visto dezenas de vezes neste formato de histórias de amor; no entanto, mesmo com todos os ingredientes conhecidos, filmado da maneira mais tradicional possivel dentro deste género e contando com excelentes actores, este filme não me conseguiu cativar minimamente.

[“…ing”] não me provocou a mínima emoção e achei isto realmente muito estranho. Especialmente agora quando leio no IMDB que tanta gente se fartou de chorar com esta história ainda me estou a perguntar o que raio foi que eu não vi ?!!
É certo que o género está por demais batido, mas não é por uma história de amor seguir a mesma fórmula que um filme será menos interessante ou emocional. Mas então porque é que [“…ing”] me pareceu tão banal ?…

A partir de certa altura, fiquei mesmo com sensação de que isto seria uma daquelas produções ultra-comerciais totalmente encomendada pelos estúdios apenas para cumprir calendário e poder ter uma história romântica fofinha no seu catálogo de estreias de verão. Nem por um momento senti aqui aquele toque de que estaria a ver um projecto mais personalizado, pois uma coisa é certa, [“…ing”] está a milhas da identidade pessoal de um “My Sassy Girl“, de um “Il Mare“, ou até mesmo de um “Cyborg She” e como tal nunca me conseguiu cativar ao longo da sua duração pois sempre me pareceu que lhe faltava qualquer coisa.

Conta com um elenco excelente, personagens-tipo simpáticos e com um par de momentos cativantes, mas na minha opinião  nunca alcança qualquer tom emocional que tanta gente parece ter encontrado neste título.
[“…ing”] tem falta de qualquer coisa. A história é a típica tragédia adolescente sobre uma rapariga que está a morrer com uma doença rara qualquer que inclusivamente lhe deformou a mão mas que continua a tentar viver a sua vida o melhor que pode, sempre ajudada pela sua mãe que na verdade é a sua melhor amiga.
Um dia, um jovem alguns anos mais velho muda-se para a apartamento de baixo e tudo o que vocês imaginam que vai acontecer acontece.
Inclusivamente, o que seria de uma história de amor sul-coreana sem um twist ? [“…ing”] conta com uma pequena reviravolta algo inconsequente que mais parece ter lá ser metida a martelo porque a fórmula pedia que houvesse uma cena assim e portanto mesmo que lá não estivesse não haveria grande diferença.

Visualmente contém um par de imagens bonitas, mas também não surpreende ou cativa particularmente, talvez porque segue demasiado a própria cartilha de instruções para se criar cenas do estilo e como tal também aqui [“…ing”] não deslumbra.
É um filme estranho. Tem tudo no lugar certo, mas a fórmula desta vez não resulta e não se percebe bem porquê. Pelo menos eu não percebo.
Embora muita gente no Imdb pareça ter chorado baba e ranho com esta história fiquei com a ideia de que [“…ing”] só resultará bastante bem com aquele público que chega agora ao género oriental de histórias de amor em tom fofinho de meter vómito. Sinceramente não acredito que alguém que já tenha visto pelo menos metade das melhores obras que tenho recomendado aqui neste blog dentro deste género, consiga ficar tão impressionado com [“…ing”].

Quem nunca viu uma história de amor oriental e começar por este filme, muito provávelmente irá ficar totalmente fascinado com este romance, pois na verdade é um verdadeiro catálogo de tudo o que é bom no cinema asiático dentro deste género.
Contém suficientes diferenças entre o cinema americano supostamente romântico e o melhor do género oriental e por isso muito provávelmente será um filme surpreendente para que chega agora a este estilo de cinema e estaria convencido de que uma história de amor oriental seria igual ao que se produz de mais plástico em Hollywood.
Talvez tenha sido este o segredo do seu sucesso junto de muita gente, pois provávelmente funcionará bastante bem mesmo em termos emocionais se nunca viram uma história de amor comercial sul-coreana antes.

A protagonista é fantástica, a química entre ela e a actriz que faz de sua mãe é perfeita, tem um par de actores secundários muito engraçados, mas depois há qualquer coisa errada quando se trata da parte romântica, pois pelo menos a mim não me pareceu haver qualquer química entre o casal desta trágica história de amor e para mim essa foi a grande falha de [“…ing”].
Também senti que o argumento é algo paternalista e parece que a todo o instante o realizador e o argumentista nos estão a guiar pela mão indicando quando é a altura de rir, quando devemos chorar, etc. É certo que isto é uma característica comum a este género, mas neste filme senti que a presença do realizador se nota por demais, tentando tornar mais dramática uma história que na verdade nem tem alma suficiente para poder ser mais do que apenas uma tragédia adolescente pré-fabricada.

Não é um mau filme, é uma história de amor interessante com um par de momentos divertidos, mas se chegaram agora a este género há muito melhor por onde deverão começar e poderão muito bem deixar [“…ing”] para quando não tiverem mais nada para ver.
Muita gente fala também maravilhas da banda sonora, mas sinceramente nem me lembro dela para poder deixar aqui qualquer comentário relevante.

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CLASSIFICAÇÃO:

É um filme simpático, uma história de amor interessante mas pouco mais, parecendo uma espécie de equivalente do “Mulan” mas em versão história de amor sul coreana.
Não tem na verdade nada de realmente mau, mas também não tem nada de particularmente cativante e muito menos achei que será tão emocional quanto muita gente achou tendo em conta os comentários do IMDB.
Duas tigelas e meia de noodles por ser uma história de amor interessante e pouco mais pois foi uma dos romances mais banais e sem chama que já me passaram pela frente desde que cheguei a isto do cinema romântico oriental.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg

A favor: não tem nada de verdadeiramente negativo.
Contra: falta-lhe qualquer coisa pois parece ter tudo no lugar certo mas não me provocou qualquer reacção emocional o que é bastante estranho pois não estava nada á espera disto numa história de amor sul-coreana, esforça-se demais por ser fofinho e muito trágico, talvez se note demasiado o esforço do realizador para manipular as emoções do espectador e isso tem exactamente o efeito contrário, o twist é interessante mas totalmente redundante, falta quimica romântica entre os protagonistas apaixonados.

PS: Para quem chega agora a este género romântico oriental, em vez de começar por este filme, recomendo vivamente que espreitem antes os títulos que recomendo no meu TOP DE CINEMA ROMÂNTICO ORIENTAL, por isso sigam o link. 😉

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=SSN1dAqJJPw

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IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0381838

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