Failan (Failan) Hae-sung Song (2001) Coreia do Sul


[“Failan“] é um daqueles filmes que gera consenso no que toca á qualidade dentro do cinema sul coreano e percebe-se porquê; apesar de não deixar de ser estranho ter-se tornado tão conhecido quando foge bastante ao que costuma ser popular dentro do cinema comercial e ter mais a ver com um cinema mais intimista do que própriamente com aquilo que costuma vender dentro do género romântico.

Se [“Failan“] fosse um filme de Hollywood teria sido outro fracasso tão grande como “A Mexicana“, que falhou redondamente nas bilheteiras porque o público americano estava á espera de ver  Brad Pitt e  Julia Roberts a namorar no ecran e estes passam o filme todo separados com cenas independentes sem se tocar.
Tal como acontece agora neste filme oriental mas com uma estrutura bem menos ligeira e muito mais real.
Antes de ser uma história de amor, [“Failan“] é essencialmente um drama e muito provávelmente será o melhor filme dramático que surgiu até hoje na cinematografia da Coreia do Sul, tanto pela originalidade desta história de amor como pela intensidade dramática que consegue atingir sem precisar de ser própriamente um tearjerker de fazer chorar as pedras da calçada naquele sentido mais comercial.

Todo o drama nesta história é absolutamente notável e extremamente contido fazendo-nos importar realmente com os personagens de uma forma que ainda não tinha encontrado neste género de filmes.
Não estranhem…se estranharem não sentir grande vontade de chorar com [“Failan“] ao longo de quase toda a sua duração, pois este é um filme que nos manipula mas de uma forma particularmente subliminar.
Ficamos tristes quando acompanhamos as vidas vazias daquelas pessoas e contentes quando conseguem pequenas vitórias mas tudo é tão interessante e focado nos pequenos detalhes que nunca sentimos que o realizador nos está a mostrar algo para nos fazer chorar de propósito.
As situações são apresentadas de uma forma extremamente natural, especialmente nas sequências com o personagem da Cecilia Cheung o que torna [“Failan“] quase na antítese perfeita de “Fly Me to Polaris” também com a mesma actriz mas onse se assumiu totalmente o estilo melodramático para nos dar cabo do stock de lencos de papel a todo o instante.  O que não acontece agora nesta produção Sul Coreana que já conta com dez anos.

[“Failan“] segue o caminho oposto, é extremamente contido durante a sua duração e tudo para culminar num final absolutamente devastador com um impacto emocional a que certamente não irão ficar indiferentes pois esta história tem um final absolutamente perfeito, totalmente coerente com a história e com um par de minutos que vocês não irão esquecer antes de rolarem os créditos.
Este é mais outro daqueles filmes que recomendo totalmente que o vejam sem saber nada sobre ele.
Se nunca leram grandes detalhes sobre a sua história, ou temática, não leiam mais nada a não ser este meu texto e vejam o filme a seguir.
Garanto-vos que irão surpreender-se bastante com toda a sua estrutura particularmente original.

[“Failan“] é uma das melhores e mais originais histórias de amor saídas do cinema oriental nos últimos anos, embora seja essencialmente um drama humano onde o amor é apenas  o motor de todo o seu coração emocional, mas poderia ter sido outro tema qualquer, por isso não esperem um daqueles filmes românticos fofinhos habituais.
[“Failan“] é um filme frio, desencantado e muito triste mas de uma forma bastante natural.
Não é um daqueles filmes tristes que são tristes porque é preciso atirar desgraça atrás de desgraça para fazer o espectador chorar baba e ranho a todo o instante.
É um filme triste, porque a vida das pessoas que acompanhamos é realmente penosa, o que nos faz desejar a todo o momento poder entrar pela história a dentro e ajudar aquelas pessoas.

E parecem pessoas mesmo. Esquecemo-nos por completo dos actores por detrás dos personagens e esta é uma das grandes forças deste filme, pois tanto Min-sik Choi (o inesquécivel actor de “Old Boy”) como Cecilia Cheung (“Fly Me to Polaris” e “The Promise“), têm aqui talvez a melhor prestação das suas carreiras e se calhar isso não se nota a uma primeira visão pois vocês vão estar a importar-se tanto com o triste destino das pessoas que dão corpo e alma a esta história  que nem se lembrarão que estão a ver um filme até rolarem os créditos finais.

Pessoalmente nunca tinha prestado grande atenção ao trabalho de Cecilia Cheung mas depois deste filme, entra directamente para a minha pequena lista de actrizes a tomar muita atenção e como [“Failan“] já é uma produção de 2001 se calhar tenho que me actualizar um bocadinho em relação a esta rapariga. Quando vejo isto é que ainda me surpreende mais como foi mal tão utilizada em “The Promise” onde serviu apenas para mostrar uma cara bonita no ecran e pouco mais.
O dvd [“Failan“] contém um excelente pequeno making-of com boas imagens de bastidores e entre elas tem uma cena extraordinária com a Cecilia Cheung que realmente me surpreendeu depois que vi o filme.
Em [“Failan“] existe uma pequena cena absolutamente angustiante pela tristeza que provoca com um simples momento em que uma lágrima cai espontaneamente pela face da personagem num momento de grande tensão e crueldade humana.

O making of desse pequeno instante é absolutamente fascinante, porque num momento assistimos a um ambiente de total descontração nos bastidores com a actriz a rir e a brincar com a equipa e no segundo em que o realizador diz – “Acção” – a transfiguração é total e Cecilia chora espontaneamente no momento exacto, não apena num mas em vários takes numa prestação de extraordinária naturalidade dramática. Algo que me deixa sempre surpreendido em várias actrizes orientais pois fico sempre espantado com a capacidade delas conseguirem chorar e representar cenas absolutamente trágicas com uma naturalidade espantosa especialmente quando precisam de chorar, mas nunca tinha visto este processo em acção num momento de bastidores.
Vejam o filme e depois se tiverem o dvd duplo, espreitem o making of pois o contraste entre o divertimento nos bastidores e o tom triste e melancólico do filme é notável.
A propósito, o dvd Sul Coreano que comprei só trás legendas em inglés no filme e nada mais. Embora no making of nem seja necessário é mesmo pena o comentário audio não estar legendado pois certamente seria fascinante.

[“Failan“] é outro daqueles dvds que comprei anos atrás quando comecei a explorar o cinema oriental mas quando o vi pela primeira vez foi mais um dos filmes que na altura não me impressionou particularmente porque me apanhou totalmente de surpresa com uma estrutura completamente diferente daquilo que eu estava habituado na altura. O facto de não estar também muito virado para ambientes tão tristes como o que percorre este filme também ajudou á minha fraca impressão disto na altura, certamente.
No entanto, ficou-me na memória e sempre achei que deveria dar-lhe uma segunda hipótese mais tarde quando o pudesse ver já com um segundo olhar sabendo de antemão com o que contar.
Por isso ainda não tinha falado deste filme aqui no blog pois sempre achei que seria um daqueles que ganharia muito a uma nova visão e não me enganei.

[“Failan“] conta a história de duas pessoas que nunca se chegam a encontrar mas que foram casadas.
Num ambiente urbano de grande violência e tensão conhecemos Kang-jae, um gangster de meia tigela que não é própriamente muito bom no que faz porque ao contrário dos restantes capangas, Kang-jae é um bandido de bom coração que essencialmente só se meteu no mundo do crime para acompanhar o seu amigo de infância que chegou a lider da máfia local graças á sua crueldade. O mesmo amigo que agora o trata abaixo de cão e o ridiculariza a torto e direito.
Kang-jae ama o mar e o seu grande sonho é regressar á sua cidade, comprar um barco e viver feliz até ao fim dos seus dias, mas não tem dinheiro para o barco e além disso tem medo de enfrentar o seu chefe e antigo amigo pois ninguém sai vivo daquele gang.

Longe dali, no outro lado do país,  uma jovem rapariga chamada Failan, chega á Coreia do Sul, acabada de emigrar da China. Perdeu a sua mãe e não tem ninguém no mundo a não ser uma morada de uma velha tia que supostamente deveria habitar numa pequena cidade piscatória mas que na verdade emigrou há muito para os Estados Unidos sem avisar ninguém e como tal a jovem volta a encontrar-se sózinha, desta vez num país estranho e sem sequer falar a lingua.
Ao tentar encontrar emprego numa agência de trabalho temporário algo manhosa, fica a saber que a única maneira de conseguir permanecer no país sem família, será se casar com um Sul Coreano e como tal acaba por aceitar contraír matrimónio com alguém que não conhece apenas a um nível burocrático pois nem sequer precisa de conhecer o futuro marido ou de ter qualquer relação com ele.
Este apenas receberá em troca, uma quantia em dinheiro e o casamento fica oficializado, pois essencialmente a agência com ligações a actividades ilegais, recruta trabalhadores para as mais diversas tarefas duvidosas e tem meios de fazer entrar no país quem pretende utilizar para algo, nomeadamente encontrar miúdas para bares de alterne e fins semelhantes.

É assim que o gangster sem vocação Kang-jae se vê casado e com algum dinheiro que lhe servirá para contribuir para o seu sonho de ter um barco e livrar-se do mundo do crime.
Mas as coisas complicam-se e como não quero revelar muito mais, depois de algumas complicações no meio da máfia originadas pela extrema violência do líder do gang eis que Kang-jae se vê perante um dilema e uma encruzilhada decisiva na sua vida e no seu sonho de liberdade.
Isto ao mesmo tempo que recebe notícias de alguém que já nem se lembrava que existia.
Failan a sua jovem esposa escreveu-lhe uma carta.

Essencialmente é esta a base da história de [“Failan“] e se vocês pensam que já contei demais não se preocupem. Isto é apenas o princípio e há muito para verem á medida que vão acompanhando as vidas destas duas pessoas que acabam por se entrelaçar numa das mais originais histórias de amor que poderão encontrar no cinema Sul Coreano e até hoje ainda não teve igual.

[“Failan“] tem uma estrutura fascinante e algo única. Por momentos não conseguimos perceber que raio de filme estamos a ver, pois essencialmente durante os primeiros 40 minutos assistimos apenas a um típico filme de máfias, yakuzas e afins que alterna entre momentos de violência extrema e sequências estilo Irmãos Metralha.
Não passa muito tempo sem que o espectador se pergunte como raio é que este argumento conseguirá integrar algures pelo meio uma história de amor. Mas consegue. E de que maneira !
Se forem como eu e não tiverem grande paciência para filmes de máfias, aguentem o início da história e prestem atenção aos detalhes. No meu caso, se calhar uma das razões porque não gostei muito do filme quando o vi pela primeira vez há muitos anos, foi precisamente porque metade deste parece apenas um típico filme de gangsters e isso talvez me tenha distanciado da história porque não estava á espera daquilo quando procurava apenas uma história de amor mais comercial na altura.

O que me leva a outro ponto. [“Failan“] é um filme comercial, mas se calhar não será propriamente comercial no sentido mais pipoca, por isso tenho a certeza de que agradará mais a quem também gosta de algum cinema de autor do que a quem apenas está habituado a coisas mais no estilo Hollywood. Por isso não esperem a típica produção fofinha oriental costumeira no género romântico.
[“Failan“] é um drama adulto, num tom intimista e muito melancólico. Contém um par de cenas com muito humor mas perfeitamente naturais e provavelmente vocês nem as notarão no meio de tanta temática séria e introspectiva.

Essencialmente [“Failan“] é um filme corajoso que se arriscou a quebrar o molde do cinema romântico oriental.
Apanhou os pedaços, voltou a colá-los noutras posições e inventou uma nova fórmula que na minha opinião só não voltou a ser copiada até á exaustão (como aconteceu com a fórmula de “My Sassy Girl” por exemplo), por causa da sua estrutura intimista e menos comercial decerto.
Uma grande história de amor onde os protagonistas nunca estão juntos que resulta de uma forma extraordinária por nos parecer tudo tão real.
No entanto é um filme absolutamente romântico no seu aspecto mais humano e natural, com duas pessoas que se amaram á distância em tempos diferentes e quase em vidas diferentes também que deixará o espectador sem fôlego nos momentos finais do desenlace desta história. É um daqueles filmes que acabam e nós não conseguimos deixar de acompanhar os créditos até ao fim (memo em Coreano) só porque precisamos mesmo de pensar em tudo o que vimos e absorver toda a sua alma e poesia.

Paralelamente é também um filme sobre solidão com um sentido poético que os irá deixar com um nó na garganta.

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CLASSIFICAÇÃO:

Mais um drama com uma história de amor do que uma história de amor com drama, mas um filme que não esquecerão tão cedo, acima de tudo pelas suas personagens completamente cativantes, naturais e porque é um romance com muita alma, poesia, bastante melancolia e muita humanidade.
Será possivelmente o melhor filme dramático dentro deste estilo que a Coreia do Sul produziu até hoje e merece ser visto por toda a gente que procura uma história de amor original e já viu tudo o que há para ver que tenho recomendado do género romântico neste blog.
Se não o absorverem muito bem a uma primeira visão, deixem passar um par de meses e voltem a ele. Primeiro estranha-se mas depois entranha-se e bem.
Preparem os lenços, mas no bom sentido porque esta história merece-os.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award, claro.

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A favor: a originalidade da estrutura da história, a intensidade do romance entre duas pessoas que nunca se encontram apesar dos seus destinos se terem cruzado um dia, os personagens (todos), as interpretações extraordinárias de Min-shik Choi e Cecilia Cheung, a banda sonora totalmente discreta e subliminar que nem se nota mas que dita a atmosfera em muitos dos melhores momentos, a contenção da realização totalmente eficaz e que se “apaga” para deixar os actores e a história brilharem bem alto, como drama é fantástico, a forma como mistura o género de filme de gangsters ultra violento com o género romântico na sua forma mais humana e natural, cada vez que o revemos encontramos novos pormenores que não tinhamos notado, excelente fotografia também.
Contra: pode ser demasiado intimista para quem procura uma história de amor num estilo mais comercial, não conseguimos entrar pelo ecran a dentro e ajudar aquelas pessoas, o trailer é bem mauzinho não tem alma nem transmite bem o que o filme realmente é.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=I-uN9Gu1yVQ

Comprar
É um fime cada vez mais dificil de encontrar á venda. A edição antiga de dois discos que eu tenho está totalmente esgotada e só existem umas edições de um disco sobre as quais não tenho qualquer informação.

Download aqui com legendas em inglés

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0289181

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Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

concerto_capinha_73x 

Be With You Il Mare The Classic Love Phobia

 Fly me to Polaris My Sassy Girl

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Quing Ren Jie (A Time to Love) Jianqi Huo (2005) China


Se há coisa que eu já não posso ver mais pela frente são versões do Romeu & Julieta de Shakespeare, onde a conhecida história é por demais repetida até á exaustão em todos os detalhes e mais alguns.
Não consigo perceber para quê tantos autores continuarem a insistir naquela narrativa a esta altura quando já milhares de vezes foi  transformada em tudo e mais alguma coisa, desde filmes do Franco Zefirelli até pornos da Ginger Lynn.

Como tal, quando eu comprei há muitos anos atrás o dvd de [“A Time to Love“] sem saber nada sobre o filme e depois descobri que se tratava da bilionéssima história inspirada por “Romeu & Julieta”, a minha vontade foi a de devolver isto á Play Asia ou trocá-lo por um filme romântico qualquer com o Steven Seagal aos tiros.
Toma lá para não comprares filmes pelo aspecto gráfico da (excelente) capa !
Por isso quando vi esta história pela primeira vez (já que tinha que ser) nem sequer lhe prestei grande atenção.
Ainda por cima eu estava á procura de algo mais no estilo sul-coreano e [“A Time to Love“] tinha uma atmosfera marcadamente chinesa, algo a que eu não estava ainda habituado, pois são estilos muito diferentes dentro do cinema romântico.

Apesar de não me ter causado uma impressão por aí além na altura, surpreendentemente ficou-me na memória e esteve na minha lista de filmes a rever com outros olhos por muito tempo, até ontem.
Ficou-me na memória, não só pela abordagem á história clássica ter-me surpreendido como principalmente algumas das suas bonitas imagens acabaram ficando gravadas na minha imaginação até hoje, pois já na altura o visual do filme me surpreendeu.
Toda a paleta cromática de [“A Time to Love“]  é composta por tons ferrugem contrastando com verde das árvores e tons de sombra intensa o que lhe dá logo desde o início uma estética que nos agarra todos os sentidos pelo seu estilo quase steampunk pois mal o filme começa somos logo transportados para um úniverso único e bastante poético.

E surpresa das surpresas, agora que revi o filme ainda estou para saber o que raio é que foi que não me cativou na altura em que o vi pela primeira vez !
[“A Time to Love“] é um filme absolutamente lindíssimo em muitos aspectos mas se calhar é capaz de não se notar mesmo a uma primeira visão. Especialmente se entrarem com preconceitos anti-Romeu & Julieta como eu entrei nisto anos atrás quando vi o dvd.

Portanto, para começar eu já não me lembrava nada do filme e agora foi como se o tivesse visto pela primeira vez e não podia ter ficado, não só mais surpreendido como também mais satisfeito com o que (re)vi ontem.
Se calhar [“A Time to Love“] poderá ter uma altura certa para ser visto e muito provavelmente funcionará muito melhor com o público adulto do que com pessoas mais novas talvez, com menos experiência de vida ou algo assim. Isto porque pode ser uma história de amor com adolescentes, mas tudo é narrado num tom dramático mais adulto e até teatral, pois este filme tem uma assinatura tão característica que julgo se poderá incluir algures entre o cinema comercial e o dito cinema de autor pela sua abordagem algo intímista.

[“A Time to Love“] como filme é realmente um espectáculo (nem acredito que estou a dizer isto); primeiro, porque consegue pegar não só no tema mas também em alguma da estrutura de Romeu & Julieta e no entanto, milagre dos milagres apresenta-o com uma abordagem realmente refrescante. Conseguindo inclusivamente uma coisa que eu julgava impossível de ser feita…nomeadamente [“A Time to Love“] tem um suspanse romântico de cortar á faca pois até quase literalmente ao último segundo o espectador fica completamente na espectativa de como irá terminar desta vez esta história de amor com o seu final por demais conhecido.
Conseguirão desta vez os dois amantes ficar juntos ?
Apenas lhes posso dizer que o final de [“A Time to Love“] é extraordináriamente simples mas muito poderoso em termos de emoção e não lhes digo mais nada, pois o trabalho da actriz protagonista no último enquadramento visual desta história vai deixar-vos totalmente cativados e emocionados de uma forma que ainda não tinha visto num filme oriental.
Adorei o final deste filme.

E já que falo na actriz principal, nunca pensei que esta rapariga fosse tão incrivel. Estava habituado a vê-la em produções bem mais comerciais essencialmente em papeis de muita acção (“Warriors of Heaven & Earth”  –  “So Close“) e nem sequer pensava que ela seria capaz de carregar ás costas metade de um filme como [“A Time to Love“], onde bem mais que apenas uma história de amor ao estilo habitual oriental, é acima de tudo um drama bem mais complexo que se centra apenas numa história de amor impossível, (quase uma tragédia na verdade, sempre a piscar o olho a Shakespeare).

Tanto ela, como o seu co-protagonista masculino brilham neste drama.
Irão encontrar em [“A Time to Love“] um dos pares românticos com mais carísma que apareceu até hoje dentro deste estilo de histórias de amor orientais. A química entre os dois actores é total e enquanto espectadores a partir de certa altura esquecemo-nos por completo que estamos a ver um filme pois deixamo-nos levar por aqueles dois personagens até ao desenlace final desta história. Uma história que surpreendentemente de forma tão cativante consegue dar-nos um Romeu & Julieta com suspanse suficiente para nos fazer roer as almofadas até ao último segundo (sem parecer que está a fazer qualquer coisa de importante sequer), o que já é por si só uma boa característica para algo que seria á partida totalmente previsível.
Usa inclusivamente o próprio livro com a peça de Romeu & Julieta original para nos garantir que [“A Time to Love“]  é Romeu & Julieta por mais do que uma vez. O que é bom para confundir o espectador.

Não pensem no entanto, que [“A Time to Love“] é um filme romântico oriental ao estilo que estão habituados, se virem por exemplo produtos sul-coreanos ou japoneses.
Uma das características da maior parte dos dramas românticos chineses está no facto deste país preocupar-se mais com uma história de amor enquanto objecto dramático dentro daquele aspecto teatral mais sério e menos com a ligeireza do estilo narrativo. Por isso, [“A Time to Love“] é um filme sem pressas. Embora tenha um ritmo narrativo sempre constante, muitas vezes conta a sua história não por palavras mas por ambientes, imagens atmosferas e silêncios. Um pouco talvez como “Il Mare” o fez e com um tom melancólico semelhante, embora um pouco mais triste neste caso devido á carga trágica da própria base da história.

E por falar em silêncios, [“A Time to Love“] tem dois momentos absolutamente fantásticos na minha opinião que jogam precisamente com o silêncio para criar uma intensidade de emoções espectacular e que nos faz entrar em total empatia com o casal de apaixonados desta história.
É certo que o filme vai aos poucos trabalhando a carga emotiva sem o espectador notar, tanto na criação de ambientes como também pelo que não mostra e como tal quando surge um dos momentos mais bonitos a meio do filme, nem sequer precisa colocar os actores com qualquer diálogo para a cena romântica resultar com uma força incrível.

Falo particularmente de uma breve e pequenina cena a meio do filme, em que o rapaz e a rapariga estão de ambos os lados de uma vedação de arame e onde sem palavras o realizador consegue transmitir uma carga romântica não só totalmente natural como acima de tudo cria um momento emocional fantástico apenas recorrendo ao toque das mãos, a silêncios e a olhares breves para nos transmitir tudo o que os personagens sentem.

A segunda cena semelhante tem a ver com os segundos finais da história, mas de que não posso aqui falar porque lhes estragaria o suspanse todo e vocês ficariam a saber se [“A Time to Love“] acaba como a peça que lhe deu inspiração ou não. Apenas lhes garanto que se chegarem até aos momentos finais desta história totalmente cativados pelo destino dos personagens até se vão passar com o trabalho da actriz nos momentos finais onde apenas com um olhar concluiu tudo o que havia para concluir e proporciona ao espectador um momento final daqueles que os fará não esquecer este filme tão cedo se gostarem tanto dele quanto eu gostei desta segunda vez que o vi.
Não esperem é explicações de bandeja ao estilo, – “o que aconteceu foi…” – porque isto não é um filme desses.

[“A Time to Love“] é uma daquelas raras histórias de amor em cinema que resultam plenamente do trabalho não só dos actores principais mas também das interpretações de um elenco poderoso em termos dramáticos. Não sei se este pessoal será tudo actores de teatro mas todos os personagens nesta história são fascinantes e irão tocar-lhes emocionalmente em muitos aspectos surpreendentes.
Juntem a isto uma realização fantástica e têm todos os ingredientes para gostarem também muito deste filme se procuram por outra boa história de amor e já espreitaram tudo o que tenho recomendado neste blog.

Em termos visuais, [“A Time to Love“] é um dos filmes mais poéticos que me passaram pela frente em muito tempo dentro deste género estético.
Para começar a fotografia é incrível e vão encontrar aqui imagens absolutamente notáveis pois este é mais um daqueles filmes em que vão querer fazer pausa a todo o instante só para apreciar as pinturas de luz e sombra que ele contém practicamente em todo e qualquer frame.
Não só os ambientes são depois também fascinantes como está carregado de texturas e pormenores por todo o lado, tornando-o num filme totalmente obrigatório também para quem gosta muito de rever um filme muitas vezes só para curtir os pormenores. Pode ser uma sombra, pode ser uma textura, uma luz, uma cor, ou uma paisagem, mas garanto-vos que mesmo que nem gostem muito do género, visualmente vão achar este filme uma pequena joia perdida que importa descobrir em termos visuais quanto antes.

Não faço ideia se a arquitectura presente em [“A Time to Love“] existe mesmo ou se isto serão cenários criados para o filme. De qualquer forma, esta obra conta com espaços arquitectónicos fascinantemente poéticos que vão adorar contemplar ao longo da história. Desde, fábricas abandonadas, a prédios em decadência, passando por ruas e becos fabris, tudo aquilo que poderia parecer um ambiente deprimente é transformado num mundo quase mágico, parecendo por momentos saído de um verdadeiro conto de fadas ou de um filme de Fantasia.
[“A Time to Love“] quanto mais não seja, é um filme para contemplar, por muitos e bons motivos. Vão por mim, é fantástico visualmente.

Recomendo este filme a toda a gente que já espreitou tudo o que tenho apresentado no blog dentro do estilo romântico, ou então como contraponto a histórias de amor mais comerciais.
Não é que [“A Time to Love“] não seja comercial, mas o seu estilo muito chinês, intensamente dramático e bastante introspectivo em alguns momentos poderá talvez tornar-se algo chato ou arrastado para o pessoal que não gosta de coisas mais pausadas.

[“A Time to Love“] é um filme que demora o seu tempo e muitas vezes conta a sua história mais por olhares e silêncios do que por palavras e isto poderá afastar algum público.
O facto de ser uma história muito triste mesmo apesar de todo o ambiente poético, poderá afastar quem procurar um daqueles filmes totalmente –feel good– pois este usa a própria tristeza e melancolia para criar grandes incertezas no espectador sobre o desenlace da história. Nesse aspecto não poderia resultar melhor, mas ao mesmo tempo é um filme com uma carga algo deprimente por breves momentos a fazer lembrar o muito poético mas algo triste “The Floating Landscape” ; curiosamente outra produção chinesa.

Posto isto, se quiserem ver um filme muito bonito e diferente do habitual neste género tão estereotipado, se calhar [“A Time to Love“] é um título  a terem em conta. E se não gostarem á primeira, dêem-lhe segunda oportunidade, pois ainda acabam a gostar tanto dele quanto eu gosto agora.

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CLASSIFICAÇÃO:

Estava tentado a atribuir a [“A Time to Love“] apenas cinco tigelas de noodles por ser realmente excelente.
Mas a verdade é que agora que o revi, este filme não me sai da cabeça e apetece-me vê-lo novamente em vez de ir espreitar outra coisa nova qualquer, por isso se calhar será justo dar-lhe a minha classificação máxima deste blog, pois de outra forma estaria a enganar-me a mim próprio se não lhe desse também um Golden Award.
Quanto mais não seja pelo trabalho dos actores, pela fotografia do filme e por ter conseguido criar suspanse na história de Romeu & Julieta, o que é obra !
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award por muitos e variados motivos.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: o trabalho dos actores, o par protagonista tem uma química no ecrã fantástica e um desempenho totalmente cativante, esquecemo-nos que estamos a ver um filme o que não poderia ser melhor elogio, consegue o feito notável de recriar a velha história de Romeu & Julieta numa china moderna desencantada mas muito poética e fá-lo com total suspanse romântico até ao último olhar da protagonísta, a fotografia é fabulosa, os cenários são lindissimos e em muitos momentos parece que tudo se passa num qualquer mundo de fantasia encantada, mais do que uma história de amor comercial normal  é um drama intenso e duro por vezes, a cena da vedação de arame mesmo durando menos de um minuto é memorável, idem para o desempenho da actriz nos segundos finais da história onde só com o olhar nos transmite toda uma vida, muita poesia visual, o tom intimista e o excelente trabalho do realizador que alterna os momentos mais intimistas com os mais tragicos ou românticos de uma forma totalmente orgânica e bastante natural, nem vão notar a banda sonora mas esta vai entrar-lhes pela alma nos melhores momentos.
Contra: é mais um drama generalizado do que uma história de amor especificamente por isso não esperem o estilo fofinho oriental dos filmes japoneses porque este é chinés mesmo, pode parecer menos comercial do que na realidade é e algum público poderá não ficar particularmente cativado, Romeo & Julieta again…and again…and again…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=3NaS55XOylw

Videoclip 1
Embora curiosamente a música não faça parte do filme, pois foi criada para a promoção. Aposto que foi para dar um ambiente mais comercial á obra pois esta é na verdade bastante intimista e não tão comercial como aparenta aqui.
http://www.youtube.com/watch?v=y3TNcyS-IWw&feature=related

Videoclip 2
Este com uma das músicas que entra no filme e com a particularidade de ser um videoclip com dezenas de cenas cortadas que não aparecem no próprio filme, o que só demonstra que devem ter filmado pilhas de coisas que ficaram de fora e só é pena muitas destas cenas não estarem como deleted scenes no dvd porque parecem cheias de atmosfera também.
http://www.youtube.com/watch?v=krChsULuIbM&feature=related

Comprar
http://www.fivestarlaser.com/movies/13766.html

Download aqui com legendas em Inglés.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0450099/

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Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

concerto_capinha_73x 

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Love Phobia

 Fly me to Polaris cyborg_she_capinha_73x

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