Battle in Outer Space (Uchû daisensô)Ishirô Honda (1959) Japão


Eu adoro filmes de ficção-científica da chamada “Golden Age of Sci-fi”, essencialmente produções dos anos 50 até inícios de 60. Adoro filmes com foguetões, extraterrestres muito ameaçadores e invasões  de discos voadores só porque sim. [“Battle in Outer Space”] é um deles e curiosamente foi um filme que me tinha escapado até ontem. Já tinha visto o seu cartaz mas ainda não tinha colocado os olhos no filme e devo dizer que tanto me surpreendeu em muitos aspectos como me irritou por demais noutros.

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Muitos de vocês se calhar não sabem, mas existem inúmeros títulos associados aos estados unidos que na verdade nunca foram produzidos em Hollywood mas sim na Rússia (que estava muito (mas muito) à frente dos americanos em efeitos especiais nessa época).
Também o Japão a partir de Godzilla investiu forte e feio em cinema espectáculo dentro do género catástrofe e mal ou bem acabou por marcar uma época e definir um estilo que se mantêm até hoje.

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Enquanto na Rússia se produziram excelentes títulos de ficção-científica séria ao nível dos melhores romances da época com produções como “Road to the Stars (Doroga k zvezdam)“; “Planet of Storms (Planeta Bur)” ou “Voyage to the End of the Universe (Ikarie XB1)” que mais tarde foram comprados, dobrados e retalhados por Hollywood ao serem criadas “versões americanas” desses filmes para os drive-ins; o Japão atirava cá para fora uma sucessão de clones do Godzilla e também alguns exemplos daquilo que depois, com a chegada de Star Wars em 1977, viria a ser o género da space-opera no cinema ocidental.

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Este fascinante [“Battle in Outer Space”] estreou em 1959 e quase que aposto que George Lucas na altura com 16 anos o deve ter visto e o reteve na memória, pois curiosamente a batalha espacial final neste filme Japonês tem extraordinárias semelhaças com o ataque à Estrela da Morte no fim do Star Wars original. O tom é practicamente o mesmo intercalando cenas de tiroteio espacial entre caças trocando raios laser com inserts em grande plano dos pilotos dentro das naves a comunicarem uns com os outros.
Que eu me lembre, nunca tinha aparecido algo assim antes no cinema e pelo visto [“Battle in Outer Space”] foi pioneiro nisto. Vale a pena verem este filme pela batalha espacial final pois é muito divertida ao mesmo tempo que é completamente imbecil.

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Aliás, começando logo pelo que este filme tem de bom, os efeitos especiais para a época devem ter sido absolutamente inovadores. Dentro do contexto são realmente bons e penso que são até algo superiores ao que o Japão fazia na altura com os clones de Godzillas; em particular nas cenas espaciais.
As partes no espaço são fascinantes. Ao contrário dos série-b americanos que filmavam modelos de foguetões pendurados por fios essencialmente de perfil contra fundos pretos, em [“Battle in Outer Space”] há uma tentativa muito boa de apresentar algumas sequências com profundidade, filmando as naves de vários ângulos em viagem pelo espaço de uma forma até ainda bastante actual.

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O design dos foguetões também é bastante bom e não tem aquela estética de supositório com asas que era comum no primitivo cinema do género na américa, apostando já em apresentar as naves espaciais com alguma identidade e pormenores interessantes.
[“Battle in Outer Space”] em termos visuais começa logo bem, com uma pequena mas excelente sequência de ataque a uma estação espacial em órbita (no distante e futurista ano de 1965) e que só peca por ser muito breve. Não só o ataque alienígena é divertido como o próprio design da estação espacial tem muita pinta.

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Aliás, outra coisa muito boa neste filme são os matte-paintings que estendem paisagens naturais ou inserem elementos futuristas nos cenários. São muito variados, bem pintados e muito bem integrados no filme seja onde estiverem inseridos.
Muitas maquetas são bastante engraçadas, o design dos discos voadores alienígenas é muito cool e todo o conjunto visual funciona muito bem.

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Em termos de cenários idem. Especialmente nas partes lunares onde [“Battle in Outer Space”] consegue realmente ter uma atmosfera bem mais cuidada do que muito cinema da época costumava apresentar. Há alguma variedade de cenários e ambientes, mais uma vez os matte-painting expandem as paisagens lunares de uma forma excelente e tudo resulta para fazer com que o meio do filme passado a aventura na lua seja sem sombra de dúvida uma das melhores partes desta história sem pés nem cabeça.

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E é precisamente a história que afunda [“Battle in Outer Space”] e o remete automáticamente para o reino daquele mau cinema que é imperdível. Isto não é de todo a excelente ficção-científica séria da Russia mas também não é o típico filme simplistico de foguetão filmado no quintal produzido em Hollywood na época. Isto é algo muito à parte.
É uma espécie de cruzamento entre um filme catástrofe em modo Godzilla com cidades arrassadas porque sim, a típica aventura de foguetão americana (onde nem falta a inevitável cena dos asteroides que quase colidem com as naves; mil vezes repetida na FC da época), com algo que é na verdade uma espécie de proto-space-opera que mais tarde seria popularizada por Star Wars com os seus combates no espaço.

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Essa mistura torna [“Battle in Outer Space”] num filme estranho.
É ao mesmo tempo muito divertido e muito irritante também.
E a culpa é dos personagens.
[“Battle in Outer Space”] é absolutamente inepto quando tenta apresentar pessoas nesta história. É claramente um filme de efeitos especiais em que o realizador não tem qualquer talento para dirigir actores, tem personagens a mais e um argumento que não faz ideia do que apresentar para os personagens dizerem. É absolutamente atroz e quase inacreditável de tão mau que é.

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[“Battle in Outer Space”] sofre precisamente do mesmo mal que um dos grandes clássicos americanos da FC, “The Thing from Another World” sofria. Este filme que anos mais tarde foi refeito por John Carpenter no seu “The Thing”, na sua versão original de 1951 para mim é um dos filmes mais irritantes de sempre precisamente por causa dos personagens.
Tem pessoas a mais a passearem pelos cenários sem qualquer identidade e depois andam todos em fila indiana uns atrás dos outros quando acontece alguma coisa. Há cenas “de suspense” em que metade do elenco anda a correr em fila atrás do tipo que vai à frente e depois dá meia volta e segue tudo em fila noutra direcção.
[“Battle in Outer Space”]  sofre exactamente do mesmo mal.

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Por causa disso o início do filme tem cenas completamente rídiculas em que por exemplo dezenas de protagonistas (?) correm atrás de um vilão em grupo, estilo manada de vacas com o mau a correr à frente. E isto é aquilo que passa por cena de acção com personagens humanos nesta história.
Quando chega a parte da aventura na lua, a Terra envia não um mas dois foguetões para irem atacar a base dos extraterrestres (com um único canhão laser) e em cada nave há umas dez pessoas que não conhecemos de todo nem nos importamos minimamente com elas pois são peças do cenário. Não têm nada para fazer nesta história a não ser andar uns atrás dos outros “nas cenas de acção”.

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Quando exploram a lua a coisa agrava-se pois com os fatos de astronauta vestidos ainda menos sabemos quem é quem, embora “o heroi” deva ser quem vai á frente com a manada atrás. Eu sei que isto é suposto fazer parte do charme ingénuo deste tipo de cinema, mas acreditem-me, neste caso tal como acontecia no americano “The Thing from Another World” alguns anos antes, é algo extremamente irritante. Isto porque pura e simplesmente nos desliga por completo dos personagens. Em [“Battle in Outer Space”] não nos importamos minimamente com ninguém e só desejamos que passem á cena de efeitos seguintes para não ter que ouvir aquelas pessoas abrirem a boca sem nada para dizer ou com diálogos “técnicos & científicos” de morte. Poderia ser divertido, mas é irritante como o raio porque este tipo de coisa é o que passa por desenvolvimento de personagens neste filme e repete-se constantemente.

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Como resultado disto também a batalha final no espaço não tem qualquer interesse para além dos efeitos especiais e da dinâmica da coisa, porque os supostos herois do filme nem participam nela !! Estão sentados mais uma vez numa sala de comando na Terra a ver a coisa acontecer no espaço através de um enorme televisor e mais nada !
Curiosamente, esta é uma das características do cinema Japonês desta época dentro deste género e em particular desta produtora. No final das aventuras nenhum dos personagens costumava participar na acção porque toda a gente se limita a ficar numa sala de comando qualquer à espera que a batalha final se desenrole e acabe bem para o lado deles enquanto outros personagens completamente anónimos lutam.

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E vocês nem querem saber qual é o papel das mulheres neste filme. Neste tipo de cinema quando feito nos estados unidos já serviam apenas para gritar mas neste filme não servem só para gritar como também são burras como o raio. Esperem só até vocês chegarem à cena na lua em que uma astronauta é cercada por um bando de extraterrestres…
E por falar em extraterrestres…é melhor nem dizer mais nada.
A Terra foi invadida porque sim.

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E voltam vocês a perguntar; mas não é esse o charme deste tipo de filmes ? É sim, mas há uma linha que separa -o charme- de um argumento completamente imbecil (até mesmo para esta altura), que dispensa por completo qualquer personagem humano e no entanto desperdiça cena atrás de cena com dezenas deles no ecran a todo o instante quando não lhes dá absolutamente nada para fazer e muito menos faz com que nos importemos com eles.

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Sendo assim, [“Battle in Outer Space”]  recomenda-se moderadamente a quem se preparar para conseguir ver isto sem lhes apetecer enfiar uns murros nos protagonistas.
Ou se calhar é uma obra prima. Não sei, estão por vossa conta.
Não sei se lhes recomende a versão dobrada em inglés ou a versão original. Se calhar a versão dobrada é ainda pior. Eu vi a versão original legendada em inglés e apesar de tudo é suportável…apesar de eu não entender esta mania dos Japoneses de colocarem um elenco internacional espalhado pelo filme todo também, a falarem todo o tipo de idiomas quando depois mais uma vez o argumento não desenvolve qualquer personagem e portanto o cast internacional aqui também não serve para nada. Acontece aqui também como depois continuou a acontecer anos mais tarde, com efeitos ainda mais risíveis em “Sayonara Jupiter” por exemplo.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Battle in Outer Space”] não deixa de ser um verdadeiro guilty-pleasure e totalmente obrigatório para quem gosta de conhecer títulos dos primórdios da FC, (na mesma linha de um “The X From Outer Space” ou “The Green Slime“); até porque em efeitos especiais este é realmente muito bom; bastante cuidado para a época e muito imaginativo visualmente.
Não fossem os personagens absolutamente vazios, sem um pingo de interesse para a história e este filme levaria uma classificação bem mais alta.

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Dentro do género “Message from Space” já uns anitos depois, ou até mesmo “War in Space” são bem mais divertidos. Até “X-Bomber” que é com bonecos consegue ter personagens melhores e bem mais humanizados que [“Battle in Outer Space”].
Portanto, três tigelas de noodles porque dentro do género retro é bom por ser bom em termos técnicos no que toca a design e efeitos.

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A favor: o ambiente, o design, os efeitos, os matte-paintings, as cenas na lua, a batalha no espaço.
Contra: é um vazio absoluto para lá dos efeitos especiais, zero carisma ou interesse nos personagens humanos, a história ainda parece pior por causa dos personagens, nem se vêem os extraterrestres tirando uma sequência absolutamente ridicula na lua envolvendo a habitual rapariga astronauta que grita muito e é burra como o raio, os personagens podem ser absolutamente irritantes porque a escrita deste argumento é atroz, em termos de argumento é ainda pior do que aquilo que costuma ser o standart ingénuo da FC dos anos 50 o que pode tornar este filme insuportável em vez de divertido.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0053388

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Taegukgi hwinalrimyeo (The Brotherhood of War/Irmãos de Guerra) Je-gyu Kang (2004) Coreia do Sul


Lamento o atraso na colocação de novas reviews, mas tenho andado muito ocupado a publicitar o meu trabalho de banda-desenhada (podem descarregar os PDFs GRÁTIS no meu website) e por isso apesar de ter visto inúmero cinema oriental nas ultimas semanas tem sido complicado arranjar tempo para escrever. Mas vamos a isto…

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Como eu tenho a mania de que não gosto particularmente de filmes de guerra, mantive este dvd na prateleira (literalmente) desde o último Natal pois apesar de o ter comprado na amazon.uk junto com mais um par de filmes orientais em promoção nunca tive muita vontade de o ver.
Agora que já o vi trés vezes em menos de cinco semanas, se calhar gostei mesmo muito mais disto do que alguma vez pensei que iria admitir.

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Antes de mais, se calhar é melhor dizer logo que este filme tem uma boa edição em dvd portuguesa e de certeza que ainda o encontram á venda nos cestos de promoções dos hipermercados e wortens, pois há alguns meses pelo menos aqui pelo Algarve eram aos quilos a menos de €5 na altura. E eu burro, nem assim comprei o filme, pois como já disse, parece que tenho a mania de que não gosto de filmes de guerra e não me apeteceu comprar o dvd.
Não sejam burros como eu e se encontrarem a edição portuga disto á venda sugiro que se joguem a ela pois ao contrário da edição inglesa que eu tenho, a portuguesa até trás extras e tudo. O que é de estranhar pois normalmente as edições portuguesas de cinema oriental são do piorio.

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Rezam as crónicas que este filme foi criado pela mesma equipa técnica que produziu o impressionante “Assembly” e deixem-me dizer-vos que se nota !
Aliás, eu que fiquei absolutamente surpreendido com a escala épica das cenas de guerra desse filme posterior, devo dizer que se calhar ainda prefiro as sequências de batalha neste [“The Brotherhood of War“] pois têm uma atmosfera diferente, bem mais dramática, sangrenta e estão cheias de momentos politicamente incorrectos que  não são habituais num filme de guerra made-in-hollywood.

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Enquanto em “Assembly” a guerra era representada de uma forma épica com centenas de soldados aos tiros em [“The Brotherhood of War“] a violência é mostrada quase isoladamente num estilo caso a caso, criando um suspanse e uma angústia permanente no espectador pela quantidade de sequências com muito sangue, lutas corpo a corpo, tripas e baionetas quanto baste. Neste aspecto, o filme cumpre totalmente enquanto cinema de guerra e vão poder ver nele muita coisa que nunca viram mostrada desta forma.

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Isto não quer dizer que não tenha também os seus momentos épicos com imagens fabulosas. [“The Brotherhood of War“] está cheio de sequências com milhares de soldados em cenas de guerra grandiosas que irão agradar até ao mais devoto fã do Soldado Ryan.
Todo o filme tem um sentido épico único, até mesmo nas cenas em que não existe guerra no ecrã, isto porque cheira a super-produção por todo o lado e em cada frame que vemos temos sempre uma orquestração de personagens e ambientes em grande escala que não desapontará quem gosta de histórias maiores do que a vida.

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Mas a grande mais valia de [“The Brotherhood of War“], está no facto de apesar de ser um filme oriental visualmente esplendoroso, nunca se esquece dos seus personagens.
Como sabem, quanto a mim um dos grandes trunfos do cinema oriental face ás modernas produções americanas está no facto dos orientais conseguirem sempre dotar de humanidade até o mais simples personagem e também aqui não é excepção, pois as sequências podem ser espectaculares mas muito dessa espectacularidade vem do facto de haver um grande suspanse perante o destino dos personagens, isto porque o espectador fica realmente a gostar daquelas pessoas.

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Outro grande ponto positivo é que em [“The Brotherhood of War“], não existem maus nem bons.
Aliás, duvido que este filme alguma vez pudesse ter sido produzido na América onde as audiências-teste ditam os resultados do que se vê no ecran.
Se [“The Brotherhood of War“] tivesse sido alvo de um desses testes, aposto convosco que mais de metade das audiências americanas a meio do filme já nem haveriam de perceber quem era o heroi.
E pior ainda, haveria de haver pessoas que ficariam muito baralhadas pois nesta história nada é o que parece e muitos dos twists de argumento em [“The Brotherhood of War“] seriam suficientes para fazer com que muita gente não gostasse do filme porque os herois “são maus”. Resumindo nesta história não há herois de guerra á americana e logo irão perceber o que quero dizer quando acompanharem esta história fabulosa.

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Estamos perante um grande filme de guerra, com guerra, mas também sobre a guerra e sobre o que esta pode fazer a pessoas simples quando são confrontadas com uma realidade da qual não podem escapar.
Custa-me estar aqui a escrever sem lhes revelar logo grande parte da história, por isso se calhar é melhor estar calado e não dizer muito mais. Apenas lhes posso garantir que [“The Brotherhood of War“] é tudo menos uma narrativa com uma estrutura previsível e é esse o seu grande trunfo.
Até mesmo quando parece que vai tomar o partido da Coreia do Sul e vilanizar a Coreia do Norte, o argumento volta a surpreender com um par de twists que os vão deixar agarrados á cadeira e a questionar tudo e mais alguma coisa a partir desse momento até ao final.

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Já agora uma nota muito positiva para a parte romântica da história.
Nunca paro de me surpreender como o cinema oriental consegue criar histórias de amor grandiosas recorrendo na sua maioria das vezes a pormenores minimalistas que quase nem se notam ou parecem ser particularmente importantes.
Em [“The Brotherhood of War“] a parte dedicada ao romance dos protagonistas nem deve ocupar ao todo dez minutos de ecran num filme que tem mais de duas horas e meia, no entanto se gostam habitualmente de cinema oriental romantico, sugiro que espreitem também este filme, mesmo até que nem gostem de cinema de guerra pois não se irão arrepender.
Há mais humanidade em 10 minutos de sequências emocionais envolvendo o pequeno romance dos personagens nesta história do que em muitas supostas histórias de amor saídas do mercado americano ultimamente e portanto posso garantir-vos que se procuram um bom filme de guerra com uma pitada (tão pequena que nem se nota) de romance quanto baste [“The Brotherhood of War“] é o vosso filme. Preparem os lenços de papel.

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Não posso deixar de falar também na fantástica banda-sonora deste filme asiático feito na coreia do sul. Na verdade não há muito para dizer, apenas que a música é perfeita para enquadrar todo o ambiente e faz um trabalho excelente na criação de emotividade em muitas sequências. Como tal se gostam de grandes partituras orquestrais épicas com um sabor melodioso intermédio vão adorar também a música que ilustra esta história.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma verdadeira surpresa e um dos melhores filmes com guerra que alguma vez vi. Provavelmente um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos dentro do cinema comercial. Como blockbuster poderá ser uma obra prima do cinema oriental pela sua qualidade de entretenimento que não fica nada atrás do que melhor se produz na América.
Joga perfeitamente com um sentido épico de espectáculo que nos diverte, horroriza e ao mesmo tempo nos emociona ao longo das suas duas horas e meia que passam num instante sem darmos por isso.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque este é um daqueles filmes que merece ser revisto.

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A favor: é assim que se faz um filme de guerra, mais uma vez o humanismo da caracterização dos personagens, o excelente trabalho de todos os actores com destaque para os protagonistas inclusivamente o actor mais velho, as constantes reviravoltas da história, a total variedade das sequências de acção que nunca se repetem ao longo de todo o filme, os fabulosos efeitos especiais a todos os níveis, ultra-violento e cheio de sangue e balas quanto baste, completamente politicamente incorrecto nos dias que correm no que toca á caracterização de “maus” e “bons”, contém uma minuscula mas inesquécivel história de amor que culmina num dos pontos altos de maior suspanse em todo o filme e os fará roer as almofadas, a banda sonora é excelente, fotografia idem, tem um ritmo narrativo perfeito que nunca se perde num emaranhado de sequências de guerra e onde há sempre espaço para os personagens respirarem, há já algum tempo que não via um filme Sul Coreano com uma cena de despedida numa estação de comboios e já estava a sentir falta disto. Ninguém filma cenas de despedida com comboios como os Sul Coreanos !
Contra: não escapa aquele estilo épico comercial a que inclusivamente estamos habituados no cinema americano no entanto neste caso isto nem sequer é algo particularmente negativo…apenas não me lembro de mais nada verdadeiramente detestável para referir. O estilo “fofinho” habitual nas histórias de amor orientais pode enervar quem não pode com isso apesar desta até ser apenas uma breve sequência.

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TRAILER

http://www.youtube.com/watch?v=DCnyJZafn-w&feature=related


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Comprar
A edição de 1 disco que eu comprei foi esta. Aproveitem porque está a menos de 4 libras. 😉
Brotherhood [DVD] [2004]

Sem extras mas com uma qualidade fantástica a nível de som e imagem.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0386064/

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Madeleine (Madeleine) Kwang-chun Park (2003) Coreia do Sul


[“Madeleine“] é um filme oriental muito bonito mas se calhar não se nota á primeira, pois é uma love-story asiática particularemente discreta.
Não tem o habitual estilo excessivamente melodramático muito característico do cinema romântico Coreano e por isso não nos causa aquele impacto inicial que muitas obras nos provocam.
Quando vi [“Madeleine“] pela primeira vez fiquei sem perceber se tinha gostado muito do filme, ou nem por isso.
Achei que lhe faltava algo, pois senti falta daquela emoção imediata de outros filmes como “The Classic” por exemplo e por isso pareceu-me particularmente ambiguo.
No entanto, apesar de ter arrumado o filme na prateleira, por qualquer motivo não me consegui esquecer dele ou tirar a sua história da cabeça; dei por mim até a comparar outras love-stories que vi posteriormente com [“Madeleine“] e aos poucos comecei a perceber porque muitas críticas de cinema  falam deste filme de uma forma especial.

[“Madeleine“], é um filme Sul Coreano diferente. Á primeira vista parece ser uma cópia de “My Sassy Girl ” com dois personagens até semelhantes e uma estrutura parecida. No entanto o filme revela-se um trabalho mais contido e as emoções dos personagens são trabalhadas de uma forma diferente, o que afasta a história de ser apenas um eventual clone e lhe confere uma identidade asiática muito própria com contornos mais realisticos do que é habitual no cinema romântico da Coreia do Sul.

[“Madeleine“], conta a história de um rapaz e de uma rapariga que se conhecem desde o liceu, mas não se viam desde esses tempos. Até ao dia em que o rapaz vai cortar o cabelo e encontra a sua antiga colega que sonhava ser designer de penteados mas não conseguiu ir muito além do emprego de cabeleireira que arranjou.
Sem nada em comum antes, também agora os dois não têm grandes motivos para se voltar a encontrar, mas no entanto acontece precisamente o contrário e desta vez esse facto atrai-os para uma nova relação de amizade que naturalmente vai evoluindo para um amor mais a sério.
Apesar de nenhum deles querer admiti-lo, pois afinal apesar de tudo parecer certo quando estão juntos continuam a não ter absolutamente nada em comum um com o outro.
Assim um dia combinam namorar durante um mês e nenhum dos dois pode acabar a relação antes desse período seja porque motivo for.
Isto a titulo de experiência e se tal não resultar cada um seguirá o seu caminho sem qualquer ressentimento.
Mas obviamente que as coisas não são assim tão simples.

Amores antigos regressam subitamente á vida dos dois protagonistas e a situação complica-se.
Mas não pensem que vão encontrar aqui os habituais triangulos amorosos formuláticos.
Isto é muito dificil de explicar mas tudo neste filme parece real e até as partes que se prestariam a uma abordagem mais típica de um filme de amor para adolescentes em [“Madeleine“], são apresentadas de uma forma perfeitamente natural.
Por exemplo do lado do rapaz, surge uma história paralela envolvendo uma amiga que depois do liceu se tornou vocalísta de uma banda rock e agora se encontra bastante interessada numa relação romântica com o protagonista ao mesmo tempo que tenta alcançar a fama.
Ora se isto fosse um filme romântico com adolescentes americanos made-in-hollywood, haveria logo de meter imensas traições e cenas com a heroína a descobrir o heroi nos braços de outra rapariga ou vice versa. E como o filme mete adolescentes e bandas de rock, inevitávelmente seria também uma daquelas histórias em que os protagonistas sonham ser estrelas rock e pelo caminho percorrem todos os clichés deste género de história tão repetido no cinema americano.
Não em [“Madeleine“].

A forma como [“Madeleine“], trata este tema é completamente refrescante pois evita todos os clichés do género e nunca cai no melodrama corriqueiro nem no típico filme para adolescentes sem cérebro.
Aliás na verdade quase que nem se sente uma carga dramática ao longo do filme.
As situações estão lá, mas parece que o espectador só as consegue verdadeiramente sentir quando estas já passaram.
Um pouco como acontecia com o personagem da robot-cyborg em “2046” de Hong-Kar-Wai, que tinha reacções emocionais atrasadas, neste filme parece que só quando as situações passam é que damos por nós a pensar nelas e só então apanhamos com o seu impacto emocional.
Como lhes disse isto é dificil de explicar porque este é realmente um filme muito diferente dentro do género romântico oriental o que o torna numa obra original.
Nem sequer é cinema de autor, mas tem uma carga intimista que não tinha visto num filme comercial com adolescentes, á excepção de “Nana” de que em breve irei também falar.
Até a parte sobre a banda de rock, que num filme americano dava logo motivo para muita história da treta sobre jovenzinhos que querem ser famosos, aqui serve apenas de suporte para a forma como as relações dos personagens são construídas.
Mas isto não impede que [“Madeleine“], tenha no entanto uma banda sonora com um par de temas rock excelentes, pois a banda que aparece no filme é mesmo real e a actriz que interpreta a sua vocalista está na verdade a interpretar-se a si mesma.

Outro tema absolutamente bem tratado e que se torna de certa forma o coração do filme é o tema do aborto. E mais uma vez não pensem que vão ver aquilo de que estão á espera.
O filme nem é contra nem a favor do aborto e na verdade apresenta-nos uma realidade que quase se torna uma terceira tomada de posição sobre o assunto, pois está muito baseada na cultura oriental e na forma filosófica como algumas religiões não católicas vêem de forma muito natural, extremamente poética e espiritual aquilo que para muita gente nascida debaixo de um severo catolicismo Mediterrânico será um pecado mortal que levará directamente ao inferno.
[“Madeleine“], aborda por momentos a questão e numa simples frase justifica de uma forma muito bonita aquilo que para muita gente será algo inconcebível, colocando este filme num patamar ainda mais elevado, pois se isto fosse um filme americano eu nem quero imaginar o tom moralista que estaria a envolver todo este pequeno segmento da história.

O titulo [“Madeleine“], vem no entanto não de qualquer personagem, mas sim de um bolo.
Madeine é o nome de um bolo, que julgo em Portugal chamar-se precisamente “Madalenas” e está no título do filme, porque é um elemento que liga vários personagens e simboliza essencialmente os bons momentos simples e felizes que podemos ter na nossa vida e que a que se calhar nem damos o devido valor.
As cenas envolvendo o respectivo bolo, são quase uma coisa á parte dentro do argumento principal do filme, mas no entanto são precisamente o coração emocional da história e que acaba por nos emocionar mais no final com uma das cenas mais bonitas onde os personagens partilham pela última vez um bocado de bolo de uma Madalena em tamanho grande.

Não há muito mais para dizer, pois este é um daqueles filmes orientais que não precisa de descrição, porque a simplicidade das suas imagens e personagens não precisa de mais nada para tornar [“Madeleine“], num filme romântico oriental muito bonito que nos toca mais do que parece fazer a uma primeira visão.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma história de amor sem história onde a simplicidade dos personagens e situações diz tudo.
Muito bonito, poético e cheio de alma e mais um excelente exemplo de como a Coreia do Sul produz actualmente as melhores e mais originais histórias de amor.
Cinco tigelas de noodles porque as merece plenamente.

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A favor: a simplicidade das situações e personagens, não entra por nenhum cliché de filmes adolescentes, tem um argumento inteligente, é poético sem se evidenciar a todo o momento, é um filme de adolescentes com um tratamento adulto que agradará a todas as faixas etárias, aborda temas polémicos de uma forma natural e muito bonita, nunca tenta pregar qualquer moral ou filosofia.
Contra: o seu estilo diferente pode retirar-lhe algum impacto emocional inicial. Por isso vejam-no pelo menos duas vezes porque este é um filme para ser interiorizado.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Este é um filme muito dificil de ser encontrado como deve de ser actualmente.
Como nem sequer um trailer existe no YouTube, fiquem antes com um dos videoclips da banda sonora pois serve perfeitamente como trailer porque mostra plenamente a atmosfera do filme.
http://www.youtube.com/watch?v=OYkrJ3D9yBE

Comprar
Aqui estão com azar…
Este filme não se encontra já em parte alguma, por isso se o conseguirem descobrir nem hesitem em comprá-lo imediatamente. É uma edição de dois discos e o segundo é o CD da banda sonora com todas as músicas do filme remasterizadas com um som fantástico.
Estejam de olho neste link, pois o filme pode ter uma nova edição a qualquer momento e poderão depois comprá-lo aqui.
http://global.yesasia.com/en/PrdDept.aspx/did-90/code-k/section-videos/pid-1002531967/
Ah…e por qualquer motivo, alguém ainda me há de explicar porque raio é que a capa do dvd deste filme não tem absolutamente NADA a ver com o conteúdo do mesmo. Nada !
Os personagens de [“Madeleine“], nem sequer são parecidos com os que aparecem nas capas do dvd !Não entendo mesmo esta…Se visse alguma destas capas numa loja jamais me passaria pela cabeça que lá dentro das caixas estaria o filme [“Madeleine“].

O dvd do filme parece não estar já á venda, mas não terão grande dificuldade em descobri-lo nos torrents, porque [“Madeleine“], já se tornou um filme de culto dentro do género romântico Coreano, precisamente por ser diferente e ter uma aura de Rock muito bem apanhada.
Também está disponível no Youtube mas não recomendo de forma alguma aquela cópia, até porque o devido á banda sonora do filme, seria preferível poderem vê-lo com um som a condizer.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0345603/

Outra review
http://www.kfccinema.com/reviews/drama/madeleine/madeleine.html

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