Battle in Outer Space (Uchû daisensô)Ishirô Honda (1959) Japão


Eu adoro filmes de ficção-científica da chamada “Golden Age of Sci-fi”, essencialmente produções dos anos 50 até inícios de 60. Adoro filmes com foguetões, extraterrestres muito ameaçadores e invasões  de discos voadores só porque sim. [“Battle in Outer Space”] é um deles e curiosamente foi um filme que me tinha escapado até ontem. Já tinha visto o seu cartaz mas ainda não tinha colocado os olhos no filme e devo dizer que tanto me surpreendeu em muitos aspectos como me irritou por demais noutros.

battle in outer space 01

Muitos de vocês se calhar não sabem, mas existem inúmeros títulos associados aos estados unidos que na verdade nunca foram produzidos em Hollywood mas sim na Rússia (que estava muito (mas muito) à frente dos americanos em efeitos especiais nessa época).
Também o Japão a partir de Godzilla investiu forte e feio em cinema espectáculo dentro do género catástrofe e mal ou bem acabou por marcar uma época e definir um estilo que se mantêm até hoje.

battle in outer space 14

Enquanto na Rússia se produziram excelentes títulos de ficção-científica séria ao nível dos melhores romances da época com produções como “Road to the Stars (Doroga k zvezdam)“; “Planet of Storms (Planeta Bur)” ou “Voyage to the End of the Universe (Ikarie XB1)” que mais tarde foram comprados, dobrados e retalhados por Hollywood ao serem criadas “versões americanas” desses filmes para os drive-ins; o Japão atirava cá para fora uma sucessão de clones do Godzilla e também alguns exemplos daquilo que depois, com a chegada de Star Wars em 1977, viria a ser o género da space-opera no cinema ocidental.

battle in outer space 04

Este fascinante [“Battle in Outer Space”] estreou em 1959 e quase que aposto que George Lucas na altura com 16 anos o deve ter visto e o reteve na memória, pois curiosamente a batalha espacial final neste filme Japonês tem extraordinárias semelhaças com o ataque à Estrela da Morte no fim do Star Wars original. O tom é practicamente o mesmo intercalando cenas de tiroteio espacial entre caças trocando raios laser com inserts em grande plano dos pilotos dentro das naves a comunicarem uns com os outros.
Que eu me lembre, nunca tinha aparecido algo assim antes no cinema e pelo visto [“Battle in Outer Space”] foi pioneiro nisto. Vale a pena verem este filme pela batalha espacial final pois é muito divertida ao mesmo tempo que é completamente imbecil.

battle in outer space 30

Aliás, começando logo pelo que este filme tem de bom, os efeitos especiais para a época devem ter sido absolutamente inovadores. Dentro do contexto são realmente bons e penso que são até algo superiores ao que o Japão fazia na altura com os clones de Godzillas; em particular nas cenas espaciais.
As partes no espaço são fascinantes. Ao contrário dos série-b americanos que filmavam modelos de foguetões pendurados por fios essencialmente de perfil contra fundos pretos, em [“Battle in Outer Space”] há uma tentativa muito boa de apresentar algumas sequências com profundidade, filmando as naves de vários ângulos em viagem pelo espaço de uma forma até ainda bastante actual.

battle in outer space 29

O design dos foguetões também é bastante bom e não tem aquela estética de supositório com asas que era comum no primitivo cinema do género na américa, apostando já em apresentar as naves espaciais com alguma identidade e pormenores interessantes.
[“Battle in Outer Space”] em termos visuais começa logo bem, com uma pequena mas excelente sequência de ataque a uma estação espacial em órbita (no distante e futurista ano de 1965) e que só peca por ser muito breve. Não só o ataque alienígena é divertido como o próprio design da estação espacial tem muita pinta.

battle in outer space 17

Aliás, outra coisa muito boa neste filme são os matte-paintings que estendem paisagens naturais ou inserem elementos futuristas nos cenários. São muito variados, bem pintados e muito bem integrados no filme seja onde estiverem inseridos.
Muitas maquetas são bastante engraçadas, o design dos discos voadores alienígenas é muito cool e todo o conjunto visual funciona muito bem.

battle in outer space 32

Em termos de cenários idem. Especialmente nas partes lunares onde [“Battle in Outer Space”] consegue realmente ter uma atmosfera bem mais cuidada do que muito cinema da época costumava apresentar. Há alguma variedade de cenários e ambientes, mais uma vez os matte-painting expandem as paisagens lunares de uma forma excelente e tudo resulta para fazer com que o meio do filme passado a aventura na lua seja sem sombra de dúvida uma das melhores partes desta história sem pés nem cabeça.

battle in outer space 09

E é precisamente a história que afunda [“Battle in Outer Space”] e o remete automáticamente para o reino daquele mau cinema que é imperdível. Isto não é de todo a excelente ficção-científica séria da Russia mas também não é o típico filme simplistico de foguetão filmado no quintal produzido em Hollywood na época. Isto é algo muito à parte.
É uma espécie de cruzamento entre um filme catástrofe em modo Godzilla com cidades arrassadas porque sim, a típica aventura de foguetão americana (onde nem falta a inevitável cena dos asteroides que quase colidem com as naves; mil vezes repetida na FC da época), com algo que é na verdade uma espécie de proto-space-opera que mais tarde seria popularizada por Star Wars com os seus combates no espaço.

battle in outer space 19

Essa mistura torna [“Battle in Outer Space”] num filme estranho.
É ao mesmo tempo muito divertido e muito irritante também.
E a culpa é dos personagens.
[“Battle in Outer Space”] é absolutamente inepto quando tenta apresentar pessoas nesta história. É claramente um filme de efeitos especiais em que o realizador não tem qualquer talento para dirigir actores, tem personagens a mais e um argumento que não faz ideia do que apresentar para os personagens dizerem. É absolutamente atroz e quase inacreditável de tão mau que é.

battle in outer space 24

[“Battle in Outer Space”] sofre precisamente do mesmo mal que um dos grandes clássicos americanos da FC, “The Thing from Another World” sofria. Este filme que anos mais tarde foi refeito por John Carpenter no seu “The Thing”, na sua versão original de 1951 para mim é um dos filmes mais irritantes de sempre precisamente por causa dos personagens.
Tem pessoas a mais a passearem pelos cenários sem qualquer identidade e depois andam todos em fila indiana uns atrás dos outros quando acontece alguma coisa. Há cenas “de suspense” em que metade do elenco anda a correr em fila atrás do tipo que vai à frente e depois dá meia volta e segue tudo em fila noutra direcção.
[“Battle in Outer Space”]  sofre exactamente do mesmo mal.

battle in outer space 06

Por causa disso o início do filme tem cenas completamente rídiculas em que por exemplo dezenas de protagonistas (?) correm atrás de um vilão em grupo, estilo manada de vacas com o mau a correr à frente. E isto é aquilo que passa por cena de acção com personagens humanos nesta história.
Quando chega a parte da aventura na lua, a Terra envia não um mas dois foguetões para irem atacar a base dos extraterrestres (com um único canhão laser) e em cada nave há umas dez pessoas que não conhecemos de todo nem nos importamos minimamente com elas pois são peças do cenário. Não têm nada para fazer nesta história a não ser andar uns atrás dos outros “nas cenas de acção”.

battle in outer space 25

Quando exploram a lua a coisa agrava-se pois com os fatos de astronauta vestidos ainda menos sabemos quem é quem, embora “o heroi” deva ser quem vai á frente com a manada atrás. Eu sei que isto é suposto fazer parte do charme ingénuo deste tipo de cinema, mas acreditem-me, neste caso tal como acontecia no americano “The Thing from Another World” alguns anos antes, é algo extremamente irritante. Isto porque pura e simplesmente nos desliga por completo dos personagens. Em [“Battle in Outer Space”] não nos importamos minimamente com ninguém e só desejamos que passem á cena de efeitos seguintes para não ter que ouvir aquelas pessoas abrirem a boca sem nada para dizer ou com diálogos “técnicos & científicos” de morte. Poderia ser divertido, mas é irritante como o raio porque este tipo de coisa é o que passa por desenvolvimento de personagens neste filme e repete-se constantemente.

battle in outer space 11

Como resultado disto também a batalha final no espaço não tem qualquer interesse para além dos efeitos especiais e da dinâmica da coisa, porque os supostos herois do filme nem participam nela !! Estão sentados mais uma vez numa sala de comando na Terra a ver a coisa acontecer no espaço através de um enorme televisor e mais nada !
Curiosamente, esta é uma das características do cinema Japonês desta época dentro deste género e em particular desta produtora. No final das aventuras nenhum dos personagens costumava participar na acção porque toda a gente se limita a ficar numa sala de comando qualquer à espera que a batalha final se desenrole e acabe bem para o lado deles enquanto outros personagens completamente anónimos lutam.

battle in outer space 16

E vocês nem querem saber qual é o papel das mulheres neste filme. Neste tipo de cinema quando feito nos estados unidos já serviam apenas para gritar mas neste filme não servem só para gritar como também são burras como o raio. Esperem só até vocês chegarem à cena na lua em que uma astronauta é cercada por um bando de extraterrestres…
E por falar em extraterrestres…é melhor nem dizer mais nada.
A Terra foi invadida porque sim.

battle in outer space 27

E voltam vocês a perguntar; mas não é esse o charme deste tipo de filmes ? É sim, mas há uma linha que separa -o charme- de um argumento completamente imbecil (até mesmo para esta altura), que dispensa por completo qualquer personagem humano e no entanto desperdiça cena atrás de cena com dezenas deles no ecran a todo o instante quando não lhes dá absolutamente nada para fazer e muito menos faz com que nos importemos com eles.

battle in outer space 23

Sendo assim, [“Battle in Outer Space”]  recomenda-se moderadamente a quem se preparar para conseguir ver isto sem lhes apetecer enfiar uns murros nos protagonistas.
Ou se calhar é uma obra prima. Não sei, estão por vossa conta.
Não sei se lhes recomende a versão dobrada em inglés ou a versão original. Se calhar a versão dobrada é ainda pior. Eu vi a versão original legendada em inglés e apesar de tudo é suportável…apesar de eu não entender esta mania dos Japoneses de colocarem um elenco internacional espalhado pelo filme todo também, a falarem todo o tipo de idiomas quando depois mais uma vez o argumento não desenvolve qualquer personagem e portanto o cast internacional aqui também não serve para nada. Acontece aqui também como depois continuou a acontecer anos mais tarde, com efeitos ainda mais risíveis em “Sayonara Jupiter” por exemplo.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

[“Battle in Outer Space”] não deixa de ser um verdadeiro guilty-pleasure e totalmente obrigatório para quem gosta de conhecer títulos dos primórdios da FC, (na mesma linha de um “The X From Outer Space” ou “The Green Slime“); até porque em efeitos especiais este é realmente muito bom; bastante cuidado para a época e muito imaginativo visualmente.
Não fossem os personagens absolutamente vazios, sem um pingo de interesse para a história e este filme levaria uma classificação bem mais alta.

battle in outer space 28

Dentro do género “Message from Space” já uns anitos depois, ou até mesmo “War in Space” são bem mais divertidos. Até “X-Bomber” que é com bonecos consegue ter personagens melhores e bem mais humanizados que [“Battle in Outer Space”].
Portanto, três tigelas de noodles porque dentro do género retro é bom por ser bom em termos técnicos no que toca a design e efeitos.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: o ambiente, o design, os efeitos, os matte-paintings, as cenas na lua, a batalha no espaço.
Contra: é um vazio absoluto para lá dos efeitos especiais, zero carisma ou interesse nos personagens humanos, a história ainda parece pior por causa dos personagens, nem se vêem os extraterrestres tirando uma sequência absolutamente ridicula na lua envolvendo a habitual rapariga astronauta que grita muito e é burra como o raio, os personagens podem ser absolutamente irritantes porque a escrita deste argumento é atroz, em termos de argumento é ainda pior do que aquilo que costuma ser o standart ingénuo da FC dos anos 50 o que pode tornar este filme insuportável em vez de divertido.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0053388

battle in outer space 02

——————————————————————————————————————

Se gostou deste poderá gostar de:

capinha_mesagefromspace73x x-bomber04_capinha capinha_warinspace73x capinha_the-x-from-outer-space

——————————————————————————————————————

Cinema_oriental_no_facebook

Hôrudo appu daun (Hold Up Down) Hiroyuki Tanaka (2005) Japão


Não fora a quantidade de piadas com Jesus Cristo presentes nesta divertida comédia japonesa e este [“Hold Up Down“] seria um sério candidato a remake americano.
Assim como está, dúvido que alguma vez vejam esta história em versão Hollywood pois o seu humor blasfemo teria certamente bastantes problemas com muito do público evangélico por terras do Uncle Sam com toda a certeza.

O que quer dizer que também não será própriamente um filme recomendado a pessoas mais religiosas ou que se ofendam facilmente com gags envolvendo o Jota Cê mais popular do planeta.
Quanto a mim contém algum do melhor humor blasfemo dos últimos tempos e só tenho pena que mesmo assim não seja tão ofensivo merecia ter sido, pois havia aqui material para ter sido ainda mais engraçado.

Na verdade apesar de conter algumas das melhores piadas com Jesus Cristo talvez desde “A Vida de Brian” dos Monty Python estas são na verdade até bem inofensivas para minha desilusão, pois muitos dos gags só teriam a ganhar se [“Hold Up Down“] tivesse tido coragem de ser menos politicamente correctos apesar de tudo, embora contenha gags hilariantes quanto baste envolvendo todas as situações inimagináveis com padres, psicopatas, policias malucos, ladrões azarados e Jesus deslizantes…

Este é um daqueles filmes que justifica plenamente a minha intenção original ao criar este blog para divulgar propostas cinematográficas originais daquelas que não se costumam encontrar nas salas com muita frequência; isto porque na verdade não se percebe bem que raio de filme é este.
Começa como sendo uma típica comédia de assaltos; uma espécie de – heist movie – em versão anárquica, estilo Pulp Fiction oriental em esteroídes algo contidos, mas logo entra por territórios completamente inesperados, tanto em estilo de argumento como em visual, o que levará a um par de bons momentos inesperados na segunda metade do filme quando entra por caminhos completamente parvos e totalmente inesperados.
O que torna [“Hold Up Down“] num daqueles titulos que nos agarra a partir do momento em que percebemos que na verdade não estamos a perceber o que raio estamos a ver e por isso precisamos mesmo de continuar a olhar para o ecran. Especialmente quando entra em cena o “Jesus Cristo” estilo picolé sobre rodas…

Mas [“Hold Up Down“] não vive apenas do humor blasfemo. Na verdade desde cedo se percebe que o seu estilo visual vai ser fundamental para que muitos dos gags tenham piada não pelo que se passa mas pela forma como muitas vezes os acontecimentos são filmados.
A sequência incial da esquadra de policia com todos os queixosos é um bom exemplo de como se pega em algo que no papel não passaria de um conjunto de personagens sem grande coisa para fazer e no entanto cria um momento de humor único envolvendo um turista perdido, um cidadão agredido, uma gaja boa vitima de assédio sexual, uma velhinha que perdeu um gato, um psicopata com um bastão e um “Jesus Cristo” assaltado frente a um par de policias totalmente ineptos.

Tudo numa sequência criativa que dura largos minutos em total plano fixo ao melhor estilo cinema-de-autor mas que aqui resulta num gag que essencialmente define o estilo visual que o filme irá tomar na forma como trata o humor da história.
[“Hold Up Down“] é por isso visualmente um filme muito estranho.
Para começar tem uma estrutura completamente imprevisível suportada por uma história daquelas que faz o espectador pensar a todo o instante que sabe o que vai acontecer , para de seguida lhe trocar as voltas  a todo o instante. É este um dos seus grandes trunfos para agarrar o espectador, isto porque se assim não fosse, o filme seria até demasiado estranho para poder ser considerado um comum filme comercial nos moldes a que estamos habituados devido á sua realização estilizada que nos lembra algo… a todo o instante…

Este é o tipo de filme que se tivesse sido produzido em Hollywood a máquina publicitária iria ter bastantes dificuldades em vendê-lo com um rótulo apontado a um target de audiências específico.
[“Hold Up Down“] tem um estilo visual e um ritmo tão estranho que não se enquadra própriamente no que estamos habituados a ver neste estilo de comédias totalmente anárquicas. Tem algumas semelhanças com “Men Suddenly in Black” mas se calhar consegue ir mais longe tanto nos momentos de humor como no próprio conceito.
Mas há mais.

Curiosamente o filme fazia-me lembrar aquele estilo “frio” do cinema de Stanley Kubrick mas em versão tresloucada a todo o instante. Até que percebi o porquê , o que me deixou bem surpreendido por não ter sido apenas impressão minha. E mais não posso dizer pois garanto-vos se conhecerem bem os filmes emblemáticos do realizador de Shinning vão curtir muito o que lhes vai aparecer pela frente na segunda metade da história pois se pensam que piadas com um Jesus Cristo seria o cúmulo da loucura nem imaginam o rumo que esta história toma a partir de certa altura com a sequência do casamento…

[“Hold Up Down“] é um daqueles titulos que valem mesmo a pena ser vistos pelo menos uma vez. Poderão não conseguir entrar fácilmente no seu estilo algo indefinido devido aos vários rumos que o argumento consegue tomar sem perder o fôlego e poderão até nem gostar do filme no final ou até achar-lhe grande piada. No entanto tenho a certeza que ficará na memória precisamente por ser tão diferente ao mesmo tempo que parece uma comédia de assalto típica.

Não procurem qualquer lógica na história. Não é para ter. É um daqueles filmes para curtir mesmo e não é para fazer sentido. Podia ser intitulado – “Mil e uma coisas para fazer com Jesus” – e vai agradar a toda a gente que tiver sentido de humor negro, gostar de filmes com policias, ladrões e … coisas do outro mundo em todos os sentidos.
Pode ser estípido como o raio, mas a ser alguma coisa poderá ser uma espécie de comédia dos Monty Python se alguma vez tivesse sido filmada pelo Stanley Kubrik e escrita pelo Quentin Tarantino, produzida no Japão.
Se estas referências lhes dizem alguma coisa não percam porque vale a pena.
Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Uma comédia cheia de momentos inesperados que muitas vezes até nem parece ter grande graça até que nos acerta com mais um gag totalmente inesperado para nos fazer rir á parva.
É um daqueles filmes para deixar o cérebro á porta e simplesmente curtir tudo o que de inesperado acontece nesta história que não tem ponta por onde se lhe pegue mas tem um grande sentido de humor negro de caríz biblico e até kung-fu sobrenatural. Além de ser uma história de policias e ladrões que também gostam de brincar com modelos de comboios e padres que de repente encontram Jesus na sua vida. E também mete um psicopata que ataca pessoas com bastões. E mais coisas inimagináveis…
Um filme bastante original que na verdade nem se consegue enquadrar em qualquer género, pois por vezes até parece cinema-de-autor para logo no momento a seguir se calhar até não.
Divertido quanto baste, inofensivo, braindead e muito criativo na forma como mistura géneros diferentes para um resultado que merece na boa cinco tigelas de noodles e só não leva um Gold Award também porque nem sei…

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: a originalidade da estrutura da história, as piadas com “Jesus”, o inesperado de muitos gags, a realização que alterna entre o Kubrick pastilhado e o Tarantino na ganza, tem um argumento totalmente imprevisível, personagens alucinantes e completamente ilógicos, mistura uma quantidade de géneros num argumento que não tem ponta por onde se lhe pegue e faz tudo resultar num produto bem divertido.
Contra: na verdade não tem nada de negativo…poderá ser demasiado estranho para quem está habituado a um tipo de comédia mais comercial ao estilo ocidental, as piadas religiosas poderiam ter sido muito mais ácidas pois quanto a mim ficaram ainda demasiado politicamente correctas para o que eu gostaria que tivessem sido, a cena de acção com kung-fu parece demasiado longa, é original mas provavelmente não ficará na memória.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
NOTA: Não vejam o trailer antes de verem o filme pois vai quebrar muitas das surpresas visuais que fazem grande parte das piadas resultar pelo seu inesperado quando se vê o filme sem sabermos nada dele.
http://www.youtube.com/watch?v=h4tTAvgcGhs

Comprar
http://www.cdjapan.co.jp/detailview.html?KEY=JABM-8003

Download aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0461523

——————————————————————————————————————

Se gostou deste  poderá gostar de:

——————————————————————————————————————

Inu to watashi no 10 no yakusoku (10 Promises to my dog) Katsuhide Motoki (2008) Japão


Na minha incessante busca por filme fofinhos de meter vómito ás vezes deparo-me com coisas absolutamente inesperadas, mas nada fazia prever que iria encontrar algo como [“10 Promises to my dog“] quando resolvi entrar em modo masoquista e procurar pelo filme mais piroso que conseguisse encontrar pela frente só porque me apetecia mesmo falar mal de um filme desses.

Na minha incessante busca por filmes fofinhos de meter vómito, segundo as minhas próprias regras habituais inspiradas, no que costuma sair de Hollywood dentro do estilo “passem-me o saco de vómito fachavor” lembrei-me logo de passear pela net a ver se descobria um filme oriental com cães, gatos ou qualquer outra coisa que abanasse a cauda.
Não podia falhar, seria piroseira e banalidade garantida.
Eis que me deparo com o candidato ideal [“10 Promises to my dog“] e quando eu já esfregava as mãos de contente e me preparava para ver algo realmente do piorio, saiu-me por completo o tiro pela culatra e não estava nada á espera disto. Toma que é para aprenderes !

Ainda não tinha passado vinte minutos de filme e já eu sabia que [“10 Promises to my dog“] seria algo bem mais especial do que eu alguma vez teria previsto. Cinquenta minutos depois, já eu tinha feito pausa na minha cópia pirata e ido comprar o dvd na Play-Asia. E porquê ? – perguntam vocês.
Porque este filme recordou-me imediatamente “Be With You” pelo seu estilo incrivelmente simples, estética visual muito semelhante, uma fotografia em tons sépia muito bonita e personagens centrais dentro do mesmo registo low-key mas completamente cativantes com uma humanização que se entranha no espectador sem este dar por isso.

E mais, contrariamente ao esperado [“10 Promises to my dog“] contorna habilmente todas as armadilhas, manipulações emocionais e clichés de que todos vocês estarão á espera mal espreitem a capa do dvd ou o cartaz do filme.
Se isto tivesse sido um filme Disney, o espectador levaria com sucessivas sequências em que o cãozinho se perdia durante minutos a fio, sofria imenso, encontrava pessoa más, chorava para a câmera,etc, etc, etc e no fim encontraria os donos enquanto correria em câmera lenta em direcção a todos nós. The End.

Pois bem, [“10 Promises to my dog“] passa lateralmente por esses lugares comuns nem sequer se demora muito com esses detalhes e muito menos os torna na parte central do argumento.
Ao contrário do que vocês esperam, o cãozinho fofinho não é o centro da história o que parece uma total contradição pois tudo gira á volta da sua presença na vida dos personagens humanos.
Isto é bastante dificil de explicar, mas irão compreender o que quero dizer quando virem o filme e é este pormenor que o torna num produto único dentro deste género de cinema. Eu pela minha parte não estava nada á espera disto.

[“10 Promises to my dog“] é um filme oriental acima de tudo sobre humanos e sobre as escolhas que temos de fazer na vida. Sobre o facto de ás vezes uma decisão tão aparentemente simples como dar ou não atenção a um animal de estimação durante uns minutos poder mudar o rumo da história pessoal de quem um dia decide trazer um cão para casa.
Este é um pequeno grande filme japonês sobre a responsabilidade do que é ter um animal e de que forma essa “banal” decisão nos pode tornar pessoas diferentes.
Se alguma vez tiveram um cão ou pensaram ter um, [“10 Promises to my dog“] é um filme completamente obrigatório pois garanto-vos que lhes fará pensar em coisas que certamente nunca lhes passaram pela cabeça.

A força deste filme oriental, está no facto de conseguir fazer tudo isso sem nunca dar a entender essa intenção. Ao contrário do que é costume neste género de filmes no ocidente, o argumento não nos atira constantemente á cara lições de moral para nos dizer como nos devemos sentir, mas faz-nos pensar em muita coisa, inclusivamente muitos minutos depois das cenas já terem passado.
Não nos obriga a viver – no momento – em que o realizador decide em que agora quer meter toda a plateia a chorar porque o cãozinho está perdido, mas faz-nos pensar muitos minutos depois na importância do que levou certa coisa acontecer, sem nos tentar explicar nada ou demonstrar por A+B porque isso tinha de acontecer.

Essencialmente [“10 Promises to my dog“] é uma história sobre a vida de um cão, não do ponto de vista daquilo que lhe acontece ao longo dos seus anos de vida, mas sim daquilo que a sua presença significou para os seres humanos que o rodearam.
Se existe um bom filme sobre o impacto invisível que cada um de nós pode ter sobre o mundo de outra pessoa sem sequer termos uma consciência disso, este é esse filme.
O cão aqui não é apenas um catalisador para haver duas horas de pelicula com um bando de personagens humanos estilo cartão que mais não fazem na história do que proporcionar motivos para o cão brilhar e fazer chorar as plateias. Esqueçam.

Em [“10 Promises to my dog“] o cão nunca é filmado dessa maneira,mesmo quando por momentos tudo parece que vai descambar no cliché do costume; felizmente logo muito bem contornado pela ligeireza com que o realizador aborda todos aqueles pequenos segmentos que fora do cinema oriental seriam o ponto central da cena e o fulcro de muita chantagem emocional em modo histérico junto do espectador.
[“10 Promises to my dog“] é um filme sobre um cão mas não esquece os personagens humanos e consegue ser tão bem sucedido nesse aspecto que lá para o fim da história, enquanto espectadores já o olhamos mais como outro personagem humano do que própriamente como sendo o animal de estimação da familia.

Isto torna o pequeno “twist” presente no fim da  história em algo que noutro lado poderia parecer forçado, mas que tendo em conta a caracterização do personagem canino ao longo do filme, enquanto espectadores, nem sequer questionamos a legitimidade da pequena surpresa relativa ao ponto de vista do cão e que se nos depara no final com o pai e a filha á entrada da casa. Mais um ponto positivo neste filme que poderia ter sido absolutamente básico e plástico e no entanto surpreende pela positiva pela forma como os pormenores são abordados.

Estava a ver a cena da morte do bicho (sim, o bicho morre) e fiquei absolutamente fascinado pelo facto de a estar a sentir não pelo ponto de vista de ser mais uma cena com a morte de um bichinho, mas porque a senti como se fosse um personagem humano que morre de velhice rodeado na sua cama por todos os que o amam e quanto a mim é neste ponto que acho que [“10 Promises to my dog“] leva logo uma nota alta que o distingue dos restantes filmes com cães fofinhos que já vi ao longo dos anos.
A grande lição a tirar desta história é que nos faz pensar num animal de estimação como um amigo e faz-nos sentir essa sensação sem precisar de um argumento que nos explique em estilo paternalista como nos devemos estar a sentir ao contrário do que é costume assistirmos.
Na verdade se formos a ver muito pouca coisa é explicada neste filme. Apenas sentimos e não questionamos. O que quanto a mim é um bom exemplo do trabalho do realizador que soube como ninguém como gerir esta história.

Como já disse [“10 Promises to my dog“] só aparentemente é uma história sobre um cão. Na sua simplicidade este argumento consegue ainda abordar temas como a solidão, a responsabilidade, o sucesso e a morte e nesse aspecto podem ter a certeza que os fará pensar sobre muita coisa, muito mais do que esperam.
A forma ligeira como aborda o tema da morte não lhe retira a sua força mas é bastante interessante. Nada neste argumento é desperdiçado e nunca sentimos que existem cenas a mais (com uma excepção).
Um bom exemplo disto é a cena da morte da mãe da protagonista onde a coisa se passa e o espectador só minutos mais tarde se dá conta. E isto tem uma razão dentro da própria estrutura do argumento que joga muito bem todos aqueles pormenores que nem notamos.

Basicamente, adorei este filme e não estava nada á espera disto. Há muito tempo que não via um filme tão bonito e tão bem trabalhado num género assim. Poderia fácilmente não ter sido mais do que um bom produto para crianças e se calhar nem precisava de ser mais do que isso para ser um filme simpático, mas no entanto insinua-se por entre o espectador com pormenores muito mais interessantes que o elevam a um patamar acima do que é comum encontrarmos neste tipo de filmes que normalmente as crianças gostam mas que provocam bocejos nos adultos.
Se tem uma falha está apenas no facto de haver uma total falta de química entre o par protagonista da vertente romântica da história. O que não é nada normal no cinema oriental nem seria de prever neste filme, pois practicamente todo o elenco é simplesmente perfeito, com destaque para o elenco infantil. No entanto as versões adultas das crianças da história sofrem de alguma falta de química entre si e a sua história de amor nunca resulta tão convicente quanto tudo o resto.

Outra falha (quanto a mim grave), está nos cinco minutos finais passados numa igreja. São absolutamente desnecessários, cortam todo o estado emocional da sequência da morte do bicho e entram por uma atmosfera foleira que por momentos ameaça fazer com que [“10 Promises to my dog“] termine em absoluta piroseira. É pena.
Por mim cortava os últimos cinco minutos de filme, mas também não é por isso que deixo de gostar menos dele.

Já o vi há mais de 24 horas, não me sai da cabeça e ando a recomendá-lo a toda a gente feito estúpido sem conseguir explicar ao pessoal que [“10 Promises to my dog“] não é mais um “Benji” ou “Marley & Eu” mas sim algo com uma alma completamente diferente e que transmite uma sensação genuína muito credível. Pelo menos na minha opinião.
Por um lado, se calhar não é um filme que eu possa recomendar ao público em geral.

Poderá ser apenas um daqueles que só poderá ser devidamente valorizado por quem já teve um cão (ou gato) e para todos os restantes parecerá um filme absolutamente banal, até porque não é propriamente uma obra maior do cinema (nem tenta ser), não terá nada de absolutamente extraordinário nem ficará para a história sequer do género (com muita pena minha); um pouco por culpa do próprio realizador, pois ao escolher um estilo tão “invisível” e verdadeiramente low-key para narrar esta história acabou por criar se calhar um produto que parecerá bem mais banal do que na verdade é.

Sendo assim, sinto que para ser justo tal com já fiz antes neste blog, também este filme terá agora dois tipos de classificações. Vamos a isto:

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO PESSOAL:

Se já tiveram um cão não podem perder este filme.
Se estão a pensar ter um cão (e nunca tiveram um), então é de visionamento obrigatório pois funciona quase como uma espécie de exposição a tudo o que poderão ter de enfrentar e principalmente aborda pequenos pormenores que se calhar vocês nem nunca imaginaram que poderiam ser importantes perante a responsabilidade de se ter um bicho.
[“10 Promises to my dog“] é uma verdadeira pérola perdida no meio do género filme-fofinho pois acaba por ser muito mais sério e acima de tudo interessante do que poderá parecer á primeira vista.
Não esperem que este seja apenas mais um filme com cãezinhos ao estilo matinée Disney pois é bem mais do que parece na capa.
Foi uma das melhores surpresas que tive nos últimos tempos e um filme que irei rever muitas vezes certamente.
Pode não ser um grande objecto de cinema, mas também não precisa de ser mais para ser um filme muito bonito, cheio de atmosfera e significado quanto baste.
Quem gostou da atmosfera e do estilo de filme que encontrou em “Be With You” e nunca mais conseguiu ver um filme assim, tem neste [“10 Promises to my dog“] um pequeno produto comercial obrigatório, onde nem falta um pequeno mas discreto e simbólico “twist” quase no final.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award.
Se eu alguma vez eu voltar a ter um cão e calhar ser um Golden Retriever, podem ter a certeza que se irá chamar “Socks“. 🙂

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: comete a proeza de não ser apenas uma colecção de cenas fofinhas com cachorros em vez de ser um filme, a história não está centrada á volta do cão da forma que vocês julgam que vai estar, mais uma vez a humanidade da caracterização dos personagens, toda a naturalidade nunca se perde mesmo quando parece ir enveredar pelo habitual lugar-comum dentro deste género de filme, o ambiente visual conta com algumas imagens lindíssimas que aproveitam bem a fotografia em tons de sépia, a realização nem se nota mas é completamente eficaz a levar-nos pela história até ao seu final inevitável mas muito bem gerido a nível emocional, consegue humanizar o personagem do cão e no final já nem o olhamos como sendo um animal de estimação, o elenco infantil tem uma química fantástica, é outro filme oriental que vai buscar a sua banda sonora novamente á minha música clássica favorita “Canon de Pachelbel” tal como antes “The Classic” e “My Sassy Girl” já o tinham feito também com excelentes resultados, excelente aproveitamento de uma música dos anos 80 que sempre detestei “Time After Time” da Cindy Lauper, tem mais um par de cachorros hilariantes com destaque para o cão com cabelo em estilo de cubo (logo percebem), é um filme que vos irá fazer pensar muito mais em certos assuntos do que alguma vez imaginaram quando começarem a vê-lo, a maneira ligeira  como lida com o tema da morte, solidão e responsabilidade sem nunca perder a poesia, é um filme com alma, contorna habilmente todas as armadilhas que poderiam ter estragado tudo, é o melhor filme com animais e principalmente sobre animais que vi até hoje, não se parece com um produto americano e tem uma identidade perfeitamente oriental, se se identificarem com o coração emocional do filme arriscam-se a gastar pacotes de lenços de papel sucessivamente mas se calhar não pelos motivos que julgam ir encontrar pelo tipo de filme que é…
Se gostaram de “Be With You” não podem perder [“10 Promises to my dog“] pois o tom emocional é semelhante.
Contra: não deslumbra enquanto objecto cinematográfico pois todo o filme apaga-se nos personagens e na história que conta mas se calhar isto é também uma mais-valia, as caudas de CGI que colocaram no cão para lhe tentar dar mais expressividade em alguns momentos (gimmick infantil e desnecessário que quase arruina algumas das melhores partes do filme), a química romântica entre o par protagonista anda próximo do zero e pelo menos a mim nunca me convenceram do potencial dramático que a história de amor deveria ter tido, tem cinco minutos a mais de filme no final pois as cenas na igreja não servem absolutamente para nada além de amenizarem o impacto emocional com que a história conseguiu terminar no que toca á vida do cachorro, apesar de tudo é um filme com elevado grau de cenas fofinhas e isso poderá enervar quem detesta este tipo de cinema oriental.

——————————————————————————————————————

Para o público em geral, para os cinéfilos mais sérios ou para quem não gosta particularmente de animais:
CLASSIFICAÇÃO :
Trés tigelas de noodles, porque consegue ser um bom filme que contorna habilmente os clichés do género (mesmo sem os evitar) e que não insulta a inteligencia de quem procura apenas passar um par de horas com um produto simples bem feito e onde não falta um toque de poesia quanto baste. É um excelente filme de familia e mantém uma boa identidade oriental sem se parecer com os habituais produtos semelhantes ao estilo Disney.
Não tem nada particularmente mau, mas deve ser evitado por quem odeia de morte filmes com ambiente cute.
Quem nunca soube o que é ter um cão poderá não se identificar particularmente com nada deste filme, por outro lado não se admirem se depois de verem [“10 Promises to my dog“] lhes apetecer arranjar um.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=1t7o31J8nOo

COMPRAR
Podem encontrar adquirir este filme por exemplo aqui nesta loja. Bom serviço e com muitos outros títulos á escolha.

Se o quiserem espreitar antes…podem ir buscá-lo aqui neste blog por exemplo (legendas inglés).

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1179271/

——————————————————————————————————————

Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

Be With You

——————————————————————————————————————

20-seiki shônen: Honkaku kagaku bôken eiga (20th Century Boys) Yukihiko Tsutsumi (2008) Japão


O ano de 2010 começa bem para mim no que toca a boas compras de cinema oriental.

Este é um filme sobre o qual me é muito dificil falar pois é um daqueles produtos de cinema asiático muito dificeis de classificar.
A minha primeira reacção foi a de atribuir-lhe a classificação máxima pois [“20th Century Boys“] é não só muito bom como tem uma coisa que lhe dá logo muitos pontos, é completamente original. Mesmo não parecendo.

Na verdade não me lembro de ter visto nada  assim antes e surpreendeu-me que o filme tivesse uma estrutura inesperada.
Curiosamente o único motivo porque vi o filme foi porque o comprei.
E a única razão porque o comprei foi porque a edição que estava á venda na Amazon Uk (e ainda está) tinha uma relação preço-qualidade que me pareceu muito boa, pois os dois discos vinham dentro de um livro hardcover com 26 páginas a cores e eu não resisto a estas coisas especialmente quando estão á venda por menos de 10€. Comprei o filme a 4 libras um par de semanas atrás.

Tinha visto o trailer há meses e já o podia ter sacado da net há muito tempo para espreitar, mas nem me dei ao trabalho porque [“20th Century Boys“] parecia-me ser precisamente aquele tipo de filme que me aborrece de morte, ou seja algo num estilo super-herois que geralmente não me diz nada e como tal as apresentações nunca me convenceram ao ponto de sequer me fazer ter vontade de ver o filme á borla.
No entanto algo me dizia que [“20th Century Boys“] não seria tão banal quanto me parecia no trailer e devido á sua excelente e barata edição não resisti a comprá-lo.
E ainda bem que o fiz.
Se calhar não se nota pela “suave” classificação que lhe atribuí mais abaixo, mas este filme quanto a mim é absolutamente fantástico e a única razão porque não lhe dou uma nota melhor é porque este é um daqueles produtos que são absolutamente contagiantes quando o vemos pela primeira vez, mas pessoalmente não fiquei com vontade nenhuma de o rever tão cedo.

Não porque [“20th Century Boys“] seja um mau filme, aborrecido ou tenha algum problema grave, mas porque é um daqueles que depende mesmo muito do fascínio que o mistério da história cria no espectador e como tal quando a coisa chega a uma conclusão, mesmo apesar de ser um filme oriental cheio de qualidades há muito pouco que faça o espectador querer voltar a ele muito próximamente.
Pelo menos até ver como a história termina…

[“20th Century Boys“] tem o grave problema de ser uma primeira parte de uma história em trés capitulos. Ou melhor em trés filmes. Além disso a sua originalidade acaba por ser a sua maior virtude e a sua maior fraqueza.
A sua originalidade não está propriamente no estilo, ou até na história, até porque se vocês conhecem obras como Watchmen (tanto o livro como o filme), não vão encontrar algo muito diferente em [“20th Century Boys“], que, quanto a mim é quase uma versão alternativa da Bd de Alan Moore transposta para uma identidade oriental puramente japonesa. Não que seja um plágio, mas o tom da história e até a sua própria estrutura é semelhante.

Segundo consta, esta trilogia de filmes, adapta o Manga mais vendido de sempre no Japão. Algo que me é totalmente alheio pois até agora nunca tinha ouvido falar de tal coisa e como tal parti para este filme como eu gosto. Completamente ás escuras.
O facto de  [“20th Century Boys“] ser a primeira parte da história (em filme) podia até nem ser um problema, pois por exemplo  a primeira parte do Senhor dos Aneis resulta plenamente enquanto filme isolado até ao seu final.
No entanto [“20th Century Boys“] “falha” nesse aspecto porque como alguém já referiu numa outra review na net, parece que os criadores deste projecto se esqueceram que este produto acima de tudo era suposto ser um filme e se calhar não deveria ter seguido tão á risca uma estrutura de banda-desenhada no que toca á sua narrativa.

Por outro lado, esta visão pode ser apenas fruto do nosso olhar ocidental mais habituado ao tipo de estrutura que vemos nos filmes americanos e sendo assim é inevitável que olhemos para [“20th Century Boys“] como um filme algo estranho e inesperado.
Lá ver se consigo explicar isto melhor…olhem que é difícil…
[“20th Century Boys“] é apresentado como um verdadeiro blockbuster “de super-herois” ao estilo japonês. No entanto não se passa nada neste filme asiático ao longo de quase trés horas !!!

Não se passa nada daquilo que vocês pensam que se vai passar se virem os trailers.
As apresentações dão a ideia que o espectador vai ver um blockbuster cheio de acção e cenas de destruição ao melhor estilo de cinema catástrofe e no entanto nada disso acontece  em [“20th Century Boys“].
As poucas cenas de acção e destruição que vocês vão encontrar nesta história são os breves segundos de explosão no aeroporto e no parlamento e isso aparece tudo no trailer sem haver mais nada para mostrar.
As partes de aventura com o robot gigante são practicamente nulas e mais parecem pertencer aos cinco minutos finais de um qualquer episódio de uma série televisiva do que a uma mega-produção que [“20th Century Boys“] apregoa ser em todo o seu marketing.

Ou seja, se esperam um filme de super-herois, ou com uma estrutura (ou espectacularidade) semelhantes ao que estão habituados a ver, esqueçam.
Que achou que Watchmen foi uma seca porque aquilo era muito paleio e pouca acção, então é melhor nem se aproximar de [“20th Century Boys“], pois é trés vezes “mais lento”. O aviso está feito, isto não é o blockbuster que aparenta ser na publicidade (o que muito me agradou).
Ainda por cima quando o filme está precisamente no seu momento mais empolgante ao fim de quase 150 minutos…a imagem pára e aparecem no ecran as palavras “To be continued…” !!!

Curiosamente é um filme oriental bem mais intimista do que eu próprio esperava ter visto.
Practicamente as primeiras duas horas são passadas em desenvolvimento de personagens. Não que isto seja o ponto fraco do filme, mas deixo já o aviso que é muito importante vocês estarem atentos aos nomes dos personagens porque senão vão dar em doidos.
Consta que todos os trés filmes contêm ao todo mais de 300 personagens diferentes e acredito plenamente nisso pois só nesta primeira parte devem passar dos 50. Ainda por cima isto é um filme oriental e como tal…esqueçam o conceito de “heroi” ou personagem principal, pois aqui até o personagem mais secundário é importante para a história e tem o seu momento de ecran específico o que complica bastante a vida ao espectador mais desatento.

Para piorar as coisas, o filme ainda é passado em trés décadas diferentes e como tal apanhamos com os personagens quando crianças em 1970, acompanhamos os mesmos nos anos 90 e ainda os vislumbramos por volta de 2015. O que quer dizer que cada personagem é interpretado por um par de actores diferentes consoante a época em que a história decorre. E muitos deles têm alcunhas em criança e nomes diferentes em adultos…
Resumindo, este filme só pode ter sido um sucesso enorme no japão mesmo.
Metessem isto num cinema americano (ou americanizado) do ocidente e isto seria um fracasso absoluto pois metade das pessoas perder-se-ia por completo no emaranhado da história e personagens infinitamente variados, com a agravante do filme não ter cenas de aventura ou acção intercaladas ao estilo dos argumentos americanos para deixar o cérebro descomprimir.

É que essencialmente [“20th Century Boys“] é um filme oriental de mistério.
E um dos mais intrigantes e completamente hipnóticos que me lembro de ter visto em muito tempo.
Se vocês ficarem intrigados pela história, o seu desenvolvimento não vos vai deixar tirar os olhos do ecran até ao seu final. Final esse que é considerado por muita gente como uma das maiores desilusões do cinema recente.
Isto porque na verdade não corresponde minimamente á ideia de blockbuster com que o filme é vendida no ocidente e como tal era inevitável que muita gente visse as suas expectativas completamente frustradas.

Pessoalmente eu nem queria acreditar no que estava a ver quando o filme parou mesmo no melhor e a expressão “continua” apareceu na imagem.
Nunca tinha visto um filme acabar assim. A sensação com que se fica é que [“20th Century Boys“] acaba ali como podia ter acabado noutro sítio qualquer e isso é um sentimento algo estranho quando como espectadores investimos todo o nosso interesse na história e pelo menos esperávamos que nesta primeira parte algo nos recompensasse os primeiros 150 minutos do nosso entusiasmo.

No entanto…
Superem este pormenor e vão descobrir uma história fascinante suportada por um elenco enorme e cheio de carísma.
O filme practicamente não tem acção (não se deixem enganar pelos trailers), mas nem por isso deixa de ser divertido ou cativante.
Nota alta para o trabalho do realizador que conseguiu manter coeso todo o emaranhado do argumento sem nunca perder o fio á meada e criar um filme divertido e cheio de personalidade. Mesmo sem recorrer a cenas de porrada á americana ou a efeitos especiais ao longo de practicamente todo o filme, [“20th Century Boys“] mantém-nos colados á sua história e interessados no seu desenlace.
Só é pena ainda termos de esperar até ao lançamento do terceiro capitulo para ficar a saber como tudo termina. Isto claro se nunca leram o Manga, cujo o próprio autor é agora o argumentista do filme e talvez seja por isso que esta grande produção pareça ser mais uma banda-desenhada com imagens “reais” em movimento do que propriamente um filme.

Nota alta para o elenco infantil que tem um desempenho absolutamente hipnotizante. Alías, toda a parte passada na infância dos herois é um dos pontos altos do filme a fazer lembrar aquele estilo de história juvenis nostálgicas que normalmente Stephen King costuma contar.
Enquanto espectador não pude deixar de pensar que havia algo de Stand By Me nesta história e isso agradou-me mesmo muito e tenho a certeza irá agradar bastante a todos aqueles que foram crianças nos anos 70 bem antes de existirem computadores, telemóveis, videogames e internet e onde todos nós tinhamos de inventar os nossos próprios mundos de imaginação pois não havia nada do género pré-fabricado. O filme (e a história) capta muito bem o espírito de infância desses anos e sendo assim é mais um dos seus pontos altos.

Como este texto já vai longo e não quero revelar muito sobre o filme vou terminar apenas dando-lhes uma ideia da história.
Essencialmente [“20th Century Boys“] é sobre um misterioso culto religioso centrado num enigmático logotipo e numa figura conhecida apenas como “Friend” e sobre a maneira como esta personagem consegue dominar (e destruir?)  o mundo.
No inicio dos anos 70 um grupo de crianças imaginou uma história de ficção-científica precisamente contendo todos os detalhes que depois se vieram a tornar reais e como tal todo o mistério gira á volta da possibilidae de “Friend” ser na realidade ser uma das crianças do grupo original que de alguma forma conseguiu tornar realidade algo surgido num jogo infantil muitos anos atrás.
Fico-me por aqui pois há muito para descobrirem se virem [“20th Century Boys“].

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Sinto que quando conseguir ver os trés filmes de uma só vez e puder unificar toda a história, hei de voltar a esta review e adicionar mais uns pontos á sua classificação.
Isto porque [“20th Century Boys“] é um filme diferente dos outros porque tem uma estrutura inesperada e como tal devido a isso é quase injusto estar a classificar isoladamente esta primeira parte pois ao contrário de filmes como o primeiro Lord of The Rings, esta não resulta enquanto filme e sente-se mesmo a falta da continuação para podermos ser realmente justos sobre o que dizer sobre o produto final.
No entanto não deixem de ver [“20th Century Boys“] pois é algo absolutamente único e recomenda-se vivamente.
Quatro tigelas de noodles…por agora…

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: também neste filme o argumento labirintico e a forma como cruza os diversos caminhos do destino dos protagonistas, as sequências nostálgicas da infância dos personagens, o elenco e a quantidade enorme de personagens (secundários(?)), apesar da complexidade da história o trabalho do realizador é notável a gerir tudo aquilo, em 150 minutos de filme mesmo sem practicamente acção nenhuma o suspanse mantém-se apenas pela força da história e carísma dos personagens, o estilo de realização tem variações impecáveis que nunca deixam o filme perder o interesse e quase que assistimos a um estilo de filmagem diferente para cada personagem, a fotografia destaca-se especialmente nas sequências dos anos 70, quem gostou de Watchmen irá gostar de [“20th Century Boys“].
Contra: quem espera um blockbuster cheio de acção e estilo cinema catástrofe cheio de efeitos especiais vai ficar muito decepcionado, este primeiro filme não está estruturado enquanto primeiro capitulo com um principio meio e fim e acaba de forma completamente inesperada e sem resolver absolutamente nada do que desenvolve ao longo de quase trés horas, não sentimos que estamos a ver o primeiro filme de uma trilogia mas apenas um bocado do inicio de um qualquer filme de oito horas que subitamente nem sequer fica a meio mas acaba no inicio quando tudo parece ir começar a sério, as cenas de acção que supostamente seriam o climax desta primeira parte são absolutamente desinteressantes e banais mais parecendo a parte final de um qualquer episódio televisivo de uma série desinteressante qualquer com robots gigantes.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=OCFOM5mZx28&feature=related

COMPRAR
A foto acima pertence á edição que eu comprei na Amazon Uk e que recomendo. Os dvds vêm dentro de um bonito livro numa edição hardcover com 24 páginas a cores detalhando muita coisa sobre o universo do filme (cuidado com os spoilers). Tudo com o excelente preço a condizer.
20th Century Boys (2 Discs & 24 Page Book) [2008] [DVD]

Está também já disponível o segundo capitulo numa edição em tudo semelhante á do primeiro caso queiram continuar a colecionar isto em dvds separados.
20th Century Boys Chapter 2 (2Disc & 24 Page Book) [DVD] [2009]

E finalmente o terceiro.
20th Century Boys 3: Redemption (Ws Sub Ac3 Dol) [DVD] [Region 1] [US Import] [NTSC]

Em alternativa, se quiserem já adquirir os 3 filmes de uma só vez também já o podem fazer numa única e muito interessante edição.
20th Century Boys Trilogy – The Complete Saga [DVD] [2010]

Recomendo vivamente a compra das edições dvd acima, mas se quiserem espreitar o filme primeiro podem ir buscá-lo aqui com legendas em Pt(Brasil)

IMDB
http://www.imdb.pt/title/tt1155705/

——————————————————————————————————————

Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

——————————————————————————————————————

Superman ieotdeon sanai (A Man who was Superman/If I was Superman/A Man Once Superman) Yoon-Chul Jeong (2008) Coreia do Sul


Este é mais um daqueles filmes orientais de que me apetecia gostar mesmo muito.

O conceito é absolutamente simples mas cheio de potencialidades por explorar, os personagens prometem e as referências ao universo do Super-Homem são absolutamente deliciosas, particularmente os pormenores sacados ao filme realizado por Richard Donner com Christopher Reeve.

Infelizmente este é mais um daqueles filmes asiáticos que fica a meio caminho de tudo aquilo que poderia e deveria ter sido, por muitas e diversas razões que vou tentar resumir agora.
De qualquer forma também é bom começar por dizer que apesar da minha desilusão com o filme, [“The Man Who Was Superman“] é no entanto um daqueles obrigatórios não só para quem gosta do género dramático sul-coreano como principalmente para os fãs do Super-Homem.
Então se viram o primeiro filme com Christopher Reeve não podem perder “esta versão”  que apesar das suas muitas fraquezas tem ainda alguns bons motivos para que vocês o queiram ver pelo menos uma vez.

[“The Man Who Was Superman“], conta a história de um homem que anda pelas ruas de uma cidade Sul Coreana convencido de que está em Metropolis e é nada mais nada menos que o próprio Super-Homem.
Sendo assim, o seu dia-a-dia é passado tentando ajudar as pessoas que encontra ao mesmo tempo que procura super-vilões e ainda tem tempo para salvar o planeta agindo de forma ecológica, obrigando as pessoas a não despejar lixo no chão entre outros feitos heroicos.

O filme segue a relação deste personagem com uma jornalista frustrada que a princípio pretende aproveitar-se dele para realizar um documentário sobre o pretenso Super-Homem e ganhar uns cobres com a estação de TV local, mas depois aos poucos começa a ver-se envolvida com o misterioso homem quando o passado trágico daquela figura trágico-cómica se começa a revelar.

Os minutos iniciais de [“The Man Who Was Superman“] são absolutamente geniais. Tudo aquilo que envolve a caracterização do “Super-Homem” é não só completamente divertida, mas principalmente fascinante  e não conseguimos tirar os olhos desta história.
O actor que faz de “Super-Homem” não só consegue incoorporar por completo o personagem como principalmente compõe a melhor imitação de Christopher Reeve que poderão encontrar pela frente.

O que não deixa de ser extraordinário em muitos sentidos, pois a meio do filme quase que nos esquecemos que estamos a ver um “Super-Homem/Clark Kent” de traços orientais tal é a genial caracterização que o actor consegue produzir a partir de todas aquelas referências que conhecemos dos filmes de Richard Donner dos anos 70.
Se [“The Man Who Was Superman“] dependesse deste Super-Homem para ser um filme fantástico, eu dava-lhe já a nota máxima.

Infelizmente, todo o genial trabalho de composição do actor acaba por se perder um bocado pelo meio do filme á medida que a história avança e é mesmo pena.
Culpa de um argumento que nunca consegue criar uma transição fluida entre a comédia e o drama, pois o registro do filme muda de um segundo para o outro e é por demais errático ao longo de toda a estrutura da história o que cria no espectador uma constante incerteza sobre que tipo de história está a ver pois nunca há uma transição bem conseguida entre géneros e ás vezes temos a sensação que estamos a ver dois filmes diferentes remendados um ao outro.

Isto faz com que as partes humoristicas (ou de homenagem) não tenham tempo para respirar e criar uma identidade e também retira algum interesse á parte dramática pois o filme balança demasiado bruscamente entre os dois géneros. É bastante complicado explicar isto melhor, mas quando vocês virem o filme vão perceber o que quero dizer.

Quando a história entra pela gradual revelação sobre o passado do personagem principal, o conceito á volta do “Super-Homem” parece algo abandonado como se este tivesse apenas servido para introduzir o filme e pouco mais.
[“The Man Who Was Superman“] primeiro fascina-nos com todas as referências ao super-heroi, cria a personalidade do personagem central com base nesse material mas depois a meio do filme retira-nos essas referências do centro da história e a coisa entre por um estilo de drama clínico, frio, algo esterelizado e nem a presença da personagem feminina consegue amenizar a sensação de que de repente estamos a ver um filme diferente.

E por falar em personagem feminina, quanto a mim uma das grandes fraquezas do filme está precisamente nos personagens. Talvez seja da fascinante caracterização inicial do personagem principal no inicio do filme, mas a verdade é que (talvez comparadas com ele) todas os outros personagens nos parecem desinteressantes e algo antipáticas.
A inevitável ligação romântica do filme não resulta plenamente porque nem a miúda do filme nos atrai particularmente, talvez fruto de uma caracterização que se foca demasiado no estilo rebelde e não passa daí o que lhe dá uma dimensão algo limitada.

Percebe-se que a ideia seria criar uma Lois Lane oriental, mas quanto a mim á força de a quererem caracterizar como mulher independente os argumentistas acabaram por se esquecer de a humanizar ao mesmo nível que trabalharam o personagem do “Super-Homem”.
No entanto, estas fraquezas estão todas principalmente nos 50 minutos centrais do filme, como se depois de um inicio fantástico os autores da história não tivessem sabido bem o que fazer com o resto da ideia.
[“The Man Who Was Superman“] tem um inicio excelente, uma parte central desajustada fria e desinteressante (mesmo apesar da gradual revelação sobre a identidade do misterioso “Super-Homem”) e um final muito bom que quase alcança o mesmo nível do inicio do filme.

Só não atinge o interesse e a qualidade inicial, porque entra por um registro completamente óbvio no que toca ao estilo de sequências de acção com ambiente dramático e por isso, ainda o filme tem pelo menos 20 minutos para acabar e já o espectador imagina o que acontece em cada minuto seguinte. Afinal quantas cenas com incêndios é que todos nós já vimos ? A cena final não é excepção e por isso não vão encontrar nada que mantenha qualquer suspanse nesta sequência e é pena.

Mas, apesar da previsibilidade da sequência de acção final, subitamente o filme ganha vida.
De repente até nos identificamos com a tristeza de “Lois Lane” e o resultado final do acto de heroísmo do “Super-Homem”  parece-nos digno de nos fazer sentir algo mais do que decepção com o rumo que o filme tinha tomado na sua parte central.

Resumindo, a parte final salva o dia e se gostarem dos primeiros vinte minutos da história, vão adorar o desenlace da mesma, com destaque para os segundos finais que encerram o filme, pois regressam todas as referências á obra de Richard Donner e [“The Man Who Was Superman“] acaba de uma forma muito bonita, deixando-nos com a sensação de que acabamos de ver uma história que poderia ter sido um clássico instantâneo e um verdadeiro filme de culto á volta do mundo dos Comics e no entanto algo se perdeu pelo caminho.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Uma oportunidade perdida.
Poderia ter sido bem melhor mas perdeu-se um bocado porque não soube aproveitar a imaginação do conceito inicial.
No entanto se gostam do Super-Homem, este é um dos melhores e mais originais filmes sobre o universo dos super-herois que poderão encontrar e sendo assim vocês precisam mesmo de ver isto porque independentemente das suas fraquezas é apesar disso uma boa tentativa de se criar um produto original.
É um bom filme, nem mais, nem menos. Não os vai maravilhar mas é uma boa maneira de passarem algum tempo em frente ao ecran.
Trés tigelas de noodles. Acrescentem mais meia por vossa conta se gostarem mesmo muito do Super-Homem ou do universo dos comics americanos.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: o trabalho do actor principal na caracterização do “Super-Homem/Clark Kent” é fantástico, o espírito de Christopher Reeve deve andar por este filme, os primeiros vinte minutos da história são muito cativantes, as referências ao universo do Super-Homem são excelentes e muitas estão escondidas em pequenos pormenores, a ligação com o filme de Richard Donner presta-lhe uma boa homenagem (tem a “nave estrela” do filme e tudo), tem um bom final apesar de previsível, apesar de ser um produto mediano por culpa da falta de imaginação no desenvolvimento do coração do filme é um filme que fica na memória, ainda consegue ter um mini-twist curioso no final, apetece-nos gostar muito mais dele do que na realidade podemos gostar.
Contra: não se define enquanto género pois não é uma comédia um drama ou um filme romântico mas ao mesmo tempo é tudo isso sem conseguir manter uma identidade ao longo da sua duração, parece maior do que na realidade é e isso nunca é bom sinal, os personagens secundários não são particularmente cativantes, a parte central do filme acaba por se tornar aborrecida porque o registo da história não soube equilibrar bem entre o humor e o drama, a “Lois Lane” não cativa, a parte romântica nunca alcança um registo emocional que a história merecia, o “Super-Homem” desaparece demasiado da história em determinados momentos quando todo o fio condutor deveria ter seguido o registo inicial na minha opinião, as partes de suspanse no final do filme são absolutamente previsíveis e perdem algum do impacto.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=-qFG-XO56Ss&feature=related

Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7h-49-en-15-a+man+who+was+superman-70-37uw.html

Ver na Web
http://asianspace.blogspot.com/2009/06/man-who-was-superman-2008.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1119199/

——————————————————————————————————————

Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

——————————————————————————————————————