…ing (…ing) Eon-hie Lee (2003) Coreia do Sul


Quando espreitei o IMDB a propósito deste filme esta manhã, a última coisa de que estava á espera era a de encontrar tão elevadas classificações por parte dos utilizadores, pois sinceramente estou quase convencido de que esta gente só pode ter visto um filme diferente do que eu vi ontem porque de outra forma não compreendo de todo a razão de tanto fascínio com este banal filme romântico.

[“…ing”] foi uma das histórias de amor sul-coreanas mais medianas que alguma vez me passaram pela frente e na minha opinião é o exemplo típico de que o facto de um filme romântico ser realmente cativante ou não, nem sempre precisa de passar por um argumento original.
É que [“…ing”] tem tudo no sítio, e tal como noutros títulos românticos não há aqui nada que já não tenhamos visto dezenas de vezes neste formato de histórias de amor; no entanto, mesmo com todos os ingredientes conhecidos, filmado da maneira mais tradicional possivel dentro deste género e contando com excelentes actores, este filme não me conseguiu cativar minimamente.

[“…ing”] não me provocou a mínima emoção e achei isto realmente muito estranho. Especialmente agora quando leio no IMDB que tanta gente se fartou de chorar com esta história ainda me estou a perguntar o que raio foi que eu não vi ?!!
É certo que o género está por demais batido, mas não é por uma história de amor seguir a mesma fórmula que um filme será menos interessante ou emocional. Mas então porque é que [“…ing”] me pareceu tão banal ?…

A partir de certa altura, fiquei mesmo com sensação de que isto seria uma daquelas produções ultra-comerciais totalmente encomendada pelos estúdios apenas para cumprir calendário e poder ter uma história romântica fofinha no seu catálogo de estreias de verão. Nem por um momento senti aqui aquele toque de que estaria a ver um projecto mais personalizado, pois uma coisa é certa, [“…ing”] está a milhas da identidade pessoal de um “My Sassy Girl“, de um “Il Mare“, ou até mesmo de um “Cyborg She” e como tal nunca me conseguiu cativar ao longo da sua duração pois sempre me pareceu que lhe faltava qualquer coisa.

Conta com um elenco excelente, personagens-tipo simpáticos e com um par de momentos cativantes, mas na minha opinião  nunca alcança qualquer tom emocional que tanta gente parece ter encontrado neste título.
[“…ing”] tem falta de qualquer coisa. A história é a típica tragédia adolescente sobre uma rapariga que está a morrer com uma doença rara qualquer que inclusivamente lhe deformou a mão mas que continua a tentar viver a sua vida o melhor que pode, sempre ajudada pela sua mãe que na verdade é a sua melhor amiga.
Um dia, um jovem alguns anos mais velho muda-se para a apartamento de baixo e tudo o que vocês imaginam que vai acontecer acontece.
Inclusivamente, o que seria de uma história de amor sul-coreana sem um twist ? [“…ing”] conta com uma pequena reviravolta algo inconsequente que mais parece ter lá ser metida a martelo porque a fórmula pedia que houvesse uma cena assim e portanto mesmo que lá não estivesse não haveria grande diferença.

Visualmente contém um par de imagens bonitas, mas também não surpreende ou cativa particularmente, talvez porque segue demasiado a própria cartilha de instruções para se criar cenas do estilo e como tal também aqui [“…ing”] não deslumbra.
É um filme estranho. Tem tudo no lugar certo, mas a fórmula desta vez não resulta e não se percebe bem porquê. Pelo menos eu não percebo.
Embora muita gente no Imdb pareça ter chorado baba e ranho com esta história fiquei com a ideia de que [“…ing”] só resultará bastante bem com aquele público que chega agora ao género oriental de histórias de amor em tom fofinho de meter vómito. Sinceramente não acredito que alguém que já tenha visto pelo menos metade das melhores obras que tenho recomendado aqui neste blog dentro deste género, consiga ficar tão impressionado com [“…ing”].

Quem nunca viu uma história de amor oriental e começar por este filme, muito provávelmente irá ficar totalmente fascinado com este romance, pois na verdade é um verdadeiro catálogo de tudo o que é bom no cinema asiático dentro deste género.
Contém suficientes diferenças entre o cinema americano supostamente romântico e o melhor do género oriental e por isso muito provávelmente será um filme surpreendente para que chega agora a este estilo de cinema e estaria convencido de que uma história de amor oriental seria igual ao que se produz de mais plástico em Hollywood.
Talvez tenha sido este o segredo do seu sucesso junto de muita gente, pois provávelmente funcionará bastante bem mesmo em termos emocionais se nunca viram uma história de amor comercial sul-coreana antes.

A protagonista é fantástica, a química entre ela e a actriz que faz de sua mãe é perfeita, tem um par de actores secundários muito engraçados, mas depois há qualquer coisa errada quando se trata da parte romântica, pois pelo menos a mim não me pareceu haver qualquer química entre o casal desta trágica história de amor e para mim essa foi a grande falha de [“…ing”].
Também senti que o argumento é algo paternalista e parece que a todo o instante o realizador e o argumentista nos estão a guiar pela mão indicando quando é a altura de rir, quando devemos chorar, etc. É certo que isto é uma característica comum a este género, mas neste filme senti que a presença do realizador se nota por demais, tentando tornar mais dramática uma história que na verdade nem tem alma suficiente para poder ser mais do que apenas uma tragédia adolescente pré-fabricada.

Não é um mau filme, é uma história de amor interessante com um par de momentos divertidos, mas se chegaram agora a este género há muito melhor por onde deverão começar e poderão muito bem deixar [“…ing”] para quando não tiverem mais nada para ver.
Muita gente fala também maravilhas da banda sonora, mas sinceramente nem me lembro dela para poder deixar aqui qualquer comentário relevante.

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CLASSIFICAÇÃO:

É um filme simpático, uma história de amor interessante mas pouco mais, parecendo uma espécie de equivalente do “Mulan” mas em versão história de amor sul coreana.
Não tem na verdade nada de realmente mau, mas também não tem nada de particularmente cativante e muito menos achei que será tão emocional quanto muita gente achou tendo em conta os comentários do IMDB.
Duas tigelas e meia de noodles por ser uma história de amor interessante e pouco mais pois foi uma dos romances mais banais e sem chama que já me passaram pela frente desde que cheguei a isto do cinema romântico oriental.

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A favor: não tem nada de verdadeiramente negativo.
Contra: falta-lhe qualquer coisa pois parece ter tudo no lugar certo mas não me provocou qualquer reacção emocional o que é bastante estranho pois não estava nada á espera disto numa história de amor sul-coreana, esforça-se demais por ser fofinho e muito trágico, talvez se note demasiado o esforço do realizador para manipular as emoções do espectador e isso tem exactamente o efeito contrário, o twist é interessante mas totalmente redundante, falta quimica romântica entre os protagonistas apaixonados.

PS: Para quem chega agora a este género romântico oriental, em vez de começar por este filme, recomendo vivamente que espreitem antes os títulos que recomendo no meu TOP DE CINEMA ROMÂNTICO ORIENTAL, por isso sigam o link. 😉

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=SSN1dAqJJPw

Comprar
http://www.dvdasian.com/_e/Korea/product/18132/_Ing_Special_Edition_Region_3_2_DVD_Set_.htm

Download aqui com legendas em Inglés

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0381838

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Outros títulos românticos (bem mais) recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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Quing Ren Jie (A Time to Love) Jianqi Huo (2005) China


Se há coisa que eu já não posso ver mais pela frente são versões do Romeu & Julieta de Shakespeare, onde a conhecida história é por demais repetida até á exaustão em todos os detalhes e mais alguns.
Não consigo perceber para quê tantos autores continuarem a insistir naquela narrativa a esta altura quando já milhares de vezes foi  transformada em tudo e mais alguma coisa, desde filmes do Franco Zefirelli até pornos da Ginger Lynn.

Como tal, quando eu comprei há muitos anos atrás o dvd de [“A Time to Love“] sem saber nada sobre o filme e depois descobri que se tratava da bilionéssima história inspirada por “Romeu & Julieta”, a minha vontade foi a de devolver isto á Play Asia ou trocá-lo por um filme romântico qualquer com o Steven Seagal aos tiros.
Toma lá para não comprares filmes pelo aspecto gráfico da (excelente) capa !
Por isso quando vi esta história pela primeira vez (já que tinha que ser) nem sequer lhe prestei grande atenção.
Ainda por cima eu estava á procura de algo mais no estilo sul-coreano e [“A Time to Love“] tinha uma atmosfera marcadamente chinesa, algo a que eu não estava ainda habituado, pois são estilos muito diferentes dentro do cinema romântico.

Apesar de não me ter causado uma impressão por aí além na altura, surpreendentemente ficou-me na memória e esteve na minha lista de filmes a rever com outros olhos por muito tempo, até ontem.
Ficou-me na memória, não só pela abordagem á história clássica ter-me surpreendido como principalmente algumas das suas bonitas imagens acabaram ficando gravadas na minha imaginação até hoje, pois já na altura o visual do filme me surpreendeu.
Toda a paleta cromática de [“A Time to Love“]  é composta por tons ferrugem contrastando com verde das árvores e tons de sombra intensa o que lhe dá logo desde o início uma estética que nos agarra todos os sentidos pelo seu estilo quase steampunk pois mal o filme começa somos logo transportados para um úniverso único e bastante poético.

E surpresa das surpresas, agora que revi o filme ainda estou para saber o que raio é que foi que não me cativou na altura em que o vi pela primeira vez !
[“A Time to Love“] é um filme absolutamente lindíssimo em muitos aspectos mas se calhar é capaz de não se notar mesmo a uma primeira visão. Especialmente se entrarem com preconceitos anti-Romeu & Julieta como eu entrei nisto anos atrás quando vi o dvd.

Portanto, para começar eu já não me lembrava nada do filme e agora foi como se o tivesse visto pela primeira vez e não podia ter ficado, não só mais surpreendido como também mais satisfeito com o que (re)vi ontem.
Se calhar [“A Time to Love“] poderá ter uma altura certa para ser visto e muito provavelmente funcionará muito melhor com o público adulto do que com pessoas mais novas talvez, com menos experiência de vida ou algo assim. Isto porque pode ser uma história de amor com adolescentes, mas tudo é narrado num tom dramático mais adulto e até teatral, pois este filme tem uma assinatura tão característica que julgo se poderá incluir algures entre o cinema comercial e o dito cinema de autor pela sua abordagem algo intímista.

[“A Time to Love“] como filme é realmente um espectáculo (nem acredito que estou a dizer isto); primeiro, porque consegue pegar não só no tema mas também em alguma da estrutura de Romeu & Julieta e no entanto, milagre dos milagres apresenta-o com uma abordagem realmente refrescante. Conseguindo inclusivamente uma coisa que eu julgava impossível de ser feita…nomeadamente [“A Time to Love“] tem um suspanse romântico de cortar á faca pois até quase literalmente ao último segundo o espectador fica completamente na espectativa de como irá terminar desta vez esta história de amor com o seu final por demais conhecido.
Conseguirão desta vez os dois amantes ficar juntos ?
Apenas lhes posso dizer que o final de [“A Time to Love“] é extraordináriamente simples mas muito poderoso em termos de emoção e não lhes digo mais nada, pois o trabalho da actriz protagonista no último enquadramento visual desta história vai deixar-vos totalmente cativados e emocionados de uma forma que ainda não tinha visto num filme oriental.
Adorei o final deste filme.

E já que falo na actriz principal, nunca pensei que esta rapariga fosse tão incrivel. Estava habituado a vê-la em produções bem mais comerciais essencialmente em papeis de muita acção (“Warriors of Heaven & Earth”  –  “So Close“) e nem sequer pensava que ela seria capaz de carregar ás costas metade de um filme como [“A Time to Love“], onde bem mais que apenas uma história de amor ao estilo habitual oriental, é acima de tudo um drama bem mais complexo que se centra apenas numa história de amor impossível, (quase uma tragédia na verdade, sempre a piscar o olho a Shakespeare).

Tanto ela, como o seu co-protagonista masculino brilham neste drama.
Irão encontrar em [“A Time to Love“] um dos pares românticos com mais carísma que apareceu até hoje dentro deste estilo de histórias de amor orientais. A química entre os dois actores é total e enquanto espectadores a partir de certa altura esquecemo-nos por completo que estamos a ver um filme pois deixamo-nos levar por aqueles dois personagens até ao desenlace final desta história. Uma história que surpreendentemente de forma tão cativante consegue dar-nos um Romeu & Julieta com suspanse suficiente para nos fazer roer as almofadas até ao último segundo (sem parecer que está a fazer qualquer coisa de importante sequer), o que já é por si só uma boa característica para algo que seria á partida totalmente previsível.
Usa inclusivamente o próprio livro com a peça de Romeu & Julieta original para nos garantir que [“A Time to Love“]  é Romeu & Julieta por mais do que uma vez. O que é bom para confundir o espectador.

Não pensem no entanto, que [“A Time to Love“] é um filme romântico oriental ao estilo que estão habituados, se virem por exemplo produtos sul-coreanos ou japoneses.
Uma das características da maior parte dos dramas românticos chineses está no facto deste país preocupar-se mais com uma história de amor enquanto objecto dramático dentro daquele aspecto teatral mais sério e menos com a ligeireza do estilo narrativo. Por isso, [“A Time to Love“] é um filme sem pressas. Embora tenha um ritmo narrativo sempre constante, muitas vezes conta a sua história não por palavras mas por ambientes, imagens atmosferas e silêncios. Um pouco talvez como “Il Mare” o fez e com um tom melancólico semelhante, embora um pouco mais triste neste caso devido á carga trágica da própria base da história.

E por falar em silêncios, [“A Time to Love“] tem dois momentos absolutamente fantásticos na minha opinião que jogam precisamente com o silêncio para criar uma intensidade de emoções espectacular e que nos faz entrar em total empatia com o casal de apaixonados desta história.
É certo que o filme vai aos poucos trabalhando a carga emotiva sem o espectador notar, tanto na criação de ambientes como também pelo que não mostra e como tal quando surge um dos momentos mais bonitos a meio do filme, nem sequer precisa colocar os actores com qualquer diálogo para a cena romântica resultar com uma força incrível.

Falo particularmente de uma breve e pequenina cena a meio do filme, em que o rapaz e a rapariga estão de ambos os lados de uma vedação de arame e onde sem palavras o realizador consegue transmitir uma carga romântica não só totalmente natural como acima de tudo cria um momento emocional fantástico apenas recorrendo ao toque das mãos, a silêncios e a olhares breves para nos transmitir tudo o que os personagens sentem.

A segunda cena semelhante tem a ver com os segundos finais da história, mas de que não posso aqui falar porque lhes estragaria o suspanse todo e vocês ficariam a saber se [“A Time to Love“] acaba como a peça que lhe deu inspiração ou não. Apenas lhes garanto que se chegarem até aos momentos finais desta história totalmente cativados pelo destino dos personagens até se vão passar com o trabalho da actriz nos momentos finais onde apenas com um olhar concluiu tudo o que havia para concluir e proporciona ao espectador um momento final daqueles que os fará não esquecer este filme tão cedo se gostarem tanto dele quanto eu gostei desta segunda vez que o vi.
Não esperem é explicações de bandeja ao estilo, – “o que aconteceu foi…” – porque isto não é um filme desses.

[“A Time to Love“] é uma daquelas raras histórias de amor em cinema que resultam plenamente do trabalho não só dos actores principais mas também das interpretações de um elenco poderoso em termos dramáticos. Não sei se este pessoal será tudo actores de teatro mas todos os personagens nesta história são fascinantes e irão tocar-lhes emocionalmente em muitos aspectos surpreendentes.
Juntem a isto uma realização fantástica e têm todos os ingredientes para gostarem também muito deste filme se procuram por outra boa história de amor e já espreitaram tudo o que tenho recomendado neste blog.

Em termos visuais, [“A Time to Love“] é um dos filmes mais poéticos que me passaram pela frente em muito tempo dentro deste género estético.
Para começar a fotografia é incrível e vão encontrar aqui imagens absolutamente notáveis pois este é mais um daqueles filmes em que vão querer fazer pausa a todo o instante só para apreciar as pinturas de luz e sombra que ele contém practicamente em todo e qualquer frame.
Não só os ambientes são depois também fascinantes como está carregado de texturas e pormenores por todo o lado, tornando-o num filme totalmente obrigatório também para quem gosta muito de rever um filme muitas vezes só para curtir os pormenores. Pode ser uma sombra, pode ser uma textura, uma luz, uma cor, ou uma paisagem, mas garanto-vos que mesmo que nem gostem muito do género, visualmente vão achar este filme uma pequena joia perdida que importa descobrir em termos visuais quanto antes.

Não faço ideia se a arquitectura presente em [“A Time to Love“] existe mesmo ou se isto serão cenários criados para o filme. De qualquer forma, esta obra conta com espaços arquitectónicos fascinantemente poéticos que vão adorar contemplar ao longo da história. Desde, fábricas abandonadas, a prédios em decadência, passando por ruas e becos fabris, tudo aquilo que poderia parecer um ambiente deprimente é transformado num mundo quase mágico, parecendo por momentos saído de um verdadeiro conto de fadas ou de um filme de Fantasia.
[“A Time to Love“] quanto mais não seja, é um filme para contemplar, por muitos e bons motivos. Vão por mim, é fantástico visualmente.

Recomendo este filme a toda a gente que já espreitou tudo o que tenho apresentado no blog dentro do estilo romântico, ou então como contraponto a histórias de amor mais comerciais.
Não é que [“A Time to Love“] não seja comercial, mas o seu estilo muito chinês, intensamente dramático e bastante introspectivo em alguns momentos poderá talvez tornar-se algo chato ou arrastado para o pessoal que não gosta de coisas mais pausadas.

[“A Time to Love“] é um filme que demora o seu tempo e muitas vezes conta a sua história mais por olhares e silêncios do que por palavras e isto poderá afastar algum público.
O facto de ser uma história muito triste mesmo apesar de todo o ambiente poético, poderá afastar quem procurar um daqueles filmes totalmente –feel good– pois este usa a própria tristeza e melancolia para criar grandes incertezas no espectador sobre o desenlace da história. Nesse aspecto não poderia resultar melhor, mas ao mesmo tempo é um filme com uma carga algo deprimente por breves momentos a fazer lembrar o muito poético mas algo triste “The Floating Landscape” ; curiosamente outra produção chinesa.

Posto isto, se quiserem ver um filme muito bonito e diferente do habitual neste género tão estereotipado, se calhar [“A Time to Love“] é um título  a terem em conta. E se não gostarem á primeira, dêem-lhe segunda oportunidade, pois ainda acabam a gostar tanto dele quanto eu gosto agora.

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CLASSIFICAÇÃO:

Estava tentado a atribuir a [“A Time to Love“] apenas cinco tigelas de noodles por ser realmente excelente.
Mas a verdade é que agora que o revi, este filme não me sai da cabeça e apetece-me vê-lo novamente em vez de ir espreitar outra coisa nova qualquer, por isso se calhar será justo dar-lhe a minha classificação máxima deste blog, pois de outra forma estaria a enganar-me a mim próprio se não lhe desse também um Golden Award.
Quanto mais não seja pelo trabalho dos actores, pela fotografia do filme e por ter conseguido criar suspanse na história de Romeu & Julieta, o que é obra !
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award por muitos e variados motivos.

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A favor: o trabalho dos actores, o par protagonista tem uma química no ecrã fantástica e um desempenho totalmente cativante, esquecemo-nos que estamos a ver um filme o que não poderia ser melhor elogio, consegue o feito notável de recriar a velha história de Romeu & Julieta numa china moderna desencantada mas muito poética e fá-lo com total suspanse romântico até ao último olhar da protagonísta, a fotografia é fabulosa, os cenários são lindissimos e em muitos momentos parece que tudo se passa num qualquer mundo de fantasia encantada, mais do que uma história de amor comercial normal  é um drama intenso e duro por vezes, a cena da vedação de arame mesmo durando menos de um minuto é memorável, idem para o desempenho da actriz nos segundos finais da história onde só com o olhar nos transmite toda uma vida, muita poesia visual, o tom intimista e o excelente trabalho do realizador que alterna os momentos mais intimistas com os mais tragicos ou românticos de uma forma totalmente orgânica e bastante natural, nem vão notar a banda sonora mas esta vai entrar-lhes pela alma nos melhores momentos.
Contra: é mais um drama generalizado do que uma história de amor especificamente por isso não esperem o estilo fofinho oriental dos filmes japoneses porque este é chinés mesmo, pode parecer menos comercial do que na realidade é e algum público poderá não ficar particularmente cativado, Romeo & Julieta again…and again…and again…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=3NaS55XOylw

Videoclip 1
Embora curiosamente a música não faça parte do filme, pois foi criada para a promoção. Aposto que foi para dar um ambiente mais comercial á obra pois esta é na verdade bastante intimista e não tão comercial como aparenta aqui.
http://www.youtube.com/watch?v=y3TNcyS-IWw&feature=related

Videoclip 2
Este com uma das músicas que entra no filme e com a particularidade de ser um videoclip com dezenas de cenas cortadas que não aparecem no próprio filme, o que só demonstra que devem ter filmado pilhas de coisas que ficaram de fora e só é pena muitas destas cenas não estarem como deleted scenes no dvd porque parecem cheias de atmosfera também.
http://www.youtube.com/watch?v=krChsULuIbM&feature=related

Comprar
http://www.fivestarlaser.com/movies/13766.html

Download aqui com legendas em Inglés.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0450099/

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Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

concerto_capinha_73x 

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Love Phobia

 Fly me to Polaris cyborg_she_capinha_73x

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Dung che sai duk (Ashes of Time “Redux”) Kar Wai Wong (1994) China


Por falar em Wong-Kar-Wai ( a propósito do último post), lembrei-me que ainda não tinha visto a nova montagem do velhinho “Ashes of Time”, agora intitulada, [“Ashes of Time – Redux“].

O original é um daqueles meus filmes favoritos de que me esqueço por completo e de cada vez que me lembro de o rever parece que estou a ver um filme novo, sabe-se lá porquê.
Talvez seja do próprio tom hipnótico, da suas histórias fragmentadas e da narrativa em puzzle visual, mas este filme nunca me fica na memória por muito tempo.
Ou talvez seja porque se calhar não é só o vinho que é mágico na história de [“Ashes of Time – Redux“] e o próprio filme apaga também as nossas memórias passadas. O que é fixe.

[“Ashes of Time – Redux“] na sua versão original, sem o “Redux” á frente no título e com mais uns 8 minutos de duração há uns anos atrás era um dos dvds mais dificeis de encontrar no mercado; só havia uma cópia atroz disponível que acabei por comprar na PlayAsia na altura e é definitivamente uma das piores edições que alguma vez me passaram pela frente. A um ponto tal que o dvd nem tem menu nem nada, a qualidade de imagem parece para aí a vigéssima cópia pirata de um original em vhs gravado da TV e a legendagem queimada na imagem está ao mesmo tempo em Cantonês e Inglés sempre presente no ecran.

Por isso foi com grande agrado que soube que Wong Kar Wai reviu o filme e supervisionou finalmente uma cópia como deve de ser desta pequena grande obra dentro daquilo que se convencionou chamar Cinema de Autor.
Parece que havia no mercado tanta montagem alternativa deste filme, que o próprio realizador se viu na obrigação de colocar ordem na casa e revisionar o seu trabalho numa versão definitiva e foi assim que surgiu no mercado [“Ashes of Time – Redux“].
Uma versão ligeiramente reduzida, pois já não conta com uma atabalhoada sequência de acção inicial presente nas cópias maradas e entra logo pelo tom mais intímista a dentro para assustar a malta, mas que resulta plenamente.
Primeiro porque não engana ninguém e quem chegar a este filme a pensar que é mais um Wuxia de Artes Marciais comercial muda logo de ideias nos primeiros cinco minutos e ainda tem tempo para procurar algo mais comercial e depois porque torna o tom filosófico do filme mais imediato.

Além disso [“Ashes of Time – Redux“] está devidamente restaurado com uma qualidade incrível a nível visual. As diferenças a nível de cor e imagem são tão grandes que eu tive ontem que ir comparar esta nova versão com a antiga lado a lado, pois nem me lembrava de 90% dos enquadramentos que me estavam a passar pela frente e tudo aquilo me parecia um filme completamente novo.
Talvez porque também a banda sonora foi substituida o que ainda moderniza mais o filme, embora na minha opinião tão “má” seja a música nova como a antiga. Isto porque não me habituo de todo a sonoridades sintetizadas em filmes supostamente medievais e isso aqui também não é excepção. Embora não seja particularmente incomodativa neste caso e não é tão foleira quanto a música presente em “Musa the Warrior” por exemplo. Isto porque é mais usada para acentuar o tom intimista do filme do que própriamente para ilustrar cenas de acção.

E por falar em cenas de acção, [“Ashes of Time – Redux“] não parece, mas está cheio delas. São muito breves e estilizadas, como se as estivessemos a ver através das lentes de uma qualquer máquina do tempo, mas são todas espectaculares no que toca ao cuidado com a coreografia, o que as transforma mais numa espécie de bailado de emoções do que própriamente em cenas de acção e porrada habituais. Por isso fica desde já aqui o aviso ao pessoal que procurar algo com mais aventura pois não é esse de todo o espírito de [“Ashes of Time – Redux“].

Esta obra será talvez a coisa mais próxima de um “Era Uma Vez no Oeste” de Sergio Leone que alguma vez apareceu no cinema oriental e é muitas vezes comparado com isso, embora [“Ashes of Time – Redux“] seja ainda bem mais introspectivo e intimista. Por isso se aquele tipo de cenas filosóficas em que os personagens dissertam os seus pensamentos para a câmara os incomoda se calhar é melhor evitarem este filme a todo o custo pois todo o seu coração é composto por momentos desses alternados com sequências de acção que os complementam.

Toda a história é intensamente fragmentada de propósito para servir o tema central do filme a propósito do facto da memória humana ser a grande responsável por tudo o que há de mau na nossa existência e por todo o sofrimento das pessoas. A premissa é a de que se não houvesse memória, todos nós começariamos o dia sem qualquer mágoa e tudo poderia ser bem mais simples e feliz nas nossas vidas.
Como tal, o próprio filme parece fazer questão de baralhar a nossa memória constantemente, recorrendo a saltos na narrativa, flashbacks de personagens e acontecimentos, ou então avançando no tempo e voltando ao presente para no final ligar todos os acontecimentos e personagens num puzzle que cabe ao espectador desvendar e juntar as peças para poder apreciar devidamente toda a profundidade de [“Ashes of Time – Redux“].

No entanto, apesar de ser Cinema de Autor, isto poderia ter degenerado em algo extremamente pretencioso e intelectualoide mas não acontece de todo. [“Ashes of Time – Redux“] é chato, ou melhor, pode ser chato para muita gente, pois não é de todo um Wuxia comercial, mas não tem aquela carga de – “Ó para mim como sou um filme inteligente.” – que muitas vezes abunda no género.
O que acaba até por justificar o sucesso comercial que teve na altura, o que não deixa de ser mesmo estranho pois aqui no ocidente um filme como estes jamais levaria o público comum ás salas da forma como aparentemente aconteceu no oriente.

[“Ashes of Time – Redux“] segundo rezam as crónicas por causa disso e de toda a sua original abordagem ao género Wuxia, acabou por se tornar numa das grandes obras inspiradoras de “O Tigre e o Dragão” que depois veio relançar o género no ocidente de uma forma já mais comercial, mas onde se nota apesar de tudo uma tentativa de lhe atribuir um toque ou dois de intimismo ao nível do que Wong-Kar-Wai apresentou neste titulo originalmente lançado em 1994.

Portanto, [“Ashes of Time – Redux“] não será para todos, mas quem se interessar por filosofia, tem aqui um filme obrigatório que explora muitas questões interessantes sobre todos nós, contém imagens absolutamente fabulosas e ainda por cima consegue ser mais uma vez intensamente romântico mas desta vez com uma grande aura melancólica. Não esperem uma história de amor fofinha ao estilo comercial oriental. Se esperarem uma aura romântica intensamente assombrada e não tiverem medo de acompanhar o estilo fragmentado do filme vão adorar todo o seu ambiente, seja nas histórias de amor cruzadas ao melhor estilo Wong Kar Wai, seja no ambiente desencantado mas muito realístico e vão curtir o estilo visual das cenas de acção Wuxia pois [“Ashes of Time – Redux“] contêm momentos intensamente poéticos.

Wong Kar Wai diz que tentou fazer um filme sobre os típicos herois Wuxia, mas contando as suas histórias e apresentando o seu passado antes destes se tornarem os habituais herois que vemos nos filmes e penso que a ideia além de ser bem interessante foi plenamente realizada.
Precisamente porque uma das coisas mais fascinantes e hipnoticas em [“Ashes of Time – Redux“] é precisamente sentirmos que a qualquer momento aqueles personagens podem ser apresentados como os típicos herois que conhecemos de outras aventuras Wuxia, mas ao mesmo tempo nunca sabemos bem quando isso irá acontecer ou sequer se irá acontecer.

Todos os personagens de [“Ashes of Time – Redux“] são os estereotipos que conhecemos; o guerreiro solitário, o assassino profissional, a princesa, a rapariga em busca de ajuda, a mulher amada que nunca foi de quem a amava, etc
Agora a genialidade da narrativa está precisamente em ter pegado tudo isso que conhecemos de outros lados e ter nos mostrado o lado humano desses personagens tipo. A partir daqui e depois de vermos [“Ashes of Time – Redux“] parece que todos os filmes de aventura Wuxia que virmos a seguir contam com estes personagens pois podemos imaginar os seus passados como algo semelhante mesmo que estes não sejam muito desenvolvidos noutros filmes.

[“Ashes of Time – Redux“] não será um filme para todo o público, mas quem curtir, vai curtir mesmo muito.
É não só um bom antidoto para uma dose de Wuxias mais comerciais, como acima de tudo é um complemento excelente para esses filmes de aventura.
É uma obra intensamente pessoal e filosófica e no entanto não é pretenciosa o que lhe dá logo muitos pontos na minha opinião e quem gostou de coisas como “In the Mood For Love” ou “2046”, poderá encontrar aqui a origem de muitos dos pormenores visuais que conhecem da obra mais recente do realizador pois [“Ashes of Time – Redux“] foi um dos primeiros filmes antigos dele onde o seu novo estilo se começou a fazer notar.

Nota-se e como ! Visualmente contém imagens estonteantes. Desde á fotografia das paisagens de deserto, aos interiores e á forma como os pormenores são filmados, onde o jogo de luzes e sombras está cuidadosamente planeado para amplificar ainda mais toda a filosofia e emotividade das caracterizações dos personagens.
Se gostam do estilo visual de Wong Kar Wai e nunca viram [“Ashes of Time – Redux“] nem sabem o que perdem, pois isto contém quadro atrás de quadro. Não só os enquadramentos são fantásticos como a própria cor do filme é fabulosa, especialmente no contraste entre o ceu azul e o amarelo do deserto.

Mesmo quem achar o filme uma seca mas gostar de espreitar imagens fascinantes, vai querer ver este filme.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não posso deixar de dar a nota máxima a este filme também, apesar de na verdade não recomendar a toda a gente que o vá a correr ver, porque não é de todo um filme que irá agradar a todo o público. No entanto se estiverem numa de cinema de autor e quiserem ver um filme fascinante dentro do género e ainda por cima passado em ambiente Wuxia onde não faltam algumas cenas de acção fantásticas se calhar não irão perder o vosso tempo em espreitar [“Ashes of Time – Redux“].
Então para fãs do Wong Kar Wai que nunca tenham visto isto e muito especialmente para quem só viu a cópia ultra rasca que andava por aí á venda em dvd, esta nova versão é totalmente obrigatória pois nem irão reconhecer o filme.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque sim.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: o ambiente visual, a carga filosófica sem ser pretenciosa, os personagens e o desempenho fantastico dos actores, a estética nas cenas de acção, excelentes sequências de acção embora muito breves mas bem equilibradas com o lado intimista.
Contra: se não conseguem ver cinema de autor pela frente fujam, a banda sonora podia complementar bem melhor o filme.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=XFh55NaFVLc

Comprar Versão Redux em Blu-Ray
http://www.amazon.co.uk/Ashes-Time-Redux-Blu-ray-DVD/dp/B001L4I1VE/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1306786553&sr=8-1

Comprar Versão Redux em DVD
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http://www.imdb.com/title/tt0109688

Entrevista com Charlie Yeung
Entrevista com Carina Lau
Entrevista com Tony Leung

Entrevista com Wong Kar Wai – Parte 1Parte 2Parte 3

Entrevista com Christopher Doyle – Parte 1Parte 2

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Se gostou, vai gostar certamente dos seguintes filmes abaixo.
Aliás, mesmo que não tenha gostado deste  vai gostar dos filmes abaixo.

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Siworae ( Il Mare ) Hyun-seung Lee ( 2000 ) Coreia do Sul


Mais de metade das pessoas que chegam a este blog, fazem-no pesquisando nos motores de busca pela expressão – “filme romântico japonês”, ou através de frases semelhantes.
Como o cinema oriental romântico não tem qualquer divulgação no nosso país será lógico assumir que este interesse das pessoas é essencialmente fruto de um “passa-a-palavra” por entre aqueles que o descobriram e agora procuram mais da mesma poesia e originalidade que já não existe no cinema romântico de Hollywood mas que os asiáticos parecem produzir cada vez melhor e do qual [“Il Mare“] é um exemplo perfeito.

Isto porque um bom filme romântico oriental é muito mais do que a banal telenovela, pirosa, formulática e cheia de nomes sonantes Holywoodescos que passa habitualmente por romance aos olhos do público ocidental que não conhece mais nada.
Sendo assim, porque bons filmes orientais não faltam e porque muita gente parece estar interessada em cinema romântico, vou continuar a recomendar aqueles que na minha opinião são filmes obrigatórios.
E nada melhor do que lhes apresentar o que para mim é não só um dos melhores filmes orientais que poderão encontrar mas acima de tudo uma das grandes obras primas do cinema romântico em qualquer parte do mundo.
Bem-vindos a [“Il Mare“].

[“Il Mare“] foi o filme que me fez ficar a gostar mesmo de cinema oriental e é definitivamente um dos meus filmes românticos favoritos.
Na verdade, para mim existem pelo menos oito filmes absolutamente imprescindíveis dentro do cinema asiático do género; “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Be With You“, “In The Mood For Love“, “Fly me to Polaris”, “My Blueberry Nights“, “2046” e [“Il Mare“].
Quem quiser ter uma excelente introdução ao bom cinema romântico que se faz do outro lado do mundo, não pode de forma alguma perder qualquer um destes filmes. Nos seus estilos mais diversos resumem bem a versatilidade, criatividade e principalmente a alma e a poesia que pode haver neste género cinematográfico mas que há tantos anos anda muito longe dos produtos fabricados em Hollywood.

[“Il Mare“], tem logo á partida, outra característica curiosa. Na minha opinião é o perfeito exemplo de que o chamado Cinema de Autor, não tem necessáriamente que significar – filme secante para intelectuais – e pode ser um excelente filme comercial sem no entanto perder a sua identidade muito pessoal e intimista.
Neste caso, estamos perante uma história de amor de contornos não só extremamente poéticos, mas também com uma pitada de ficção-cientifica plenamente baseada na String Theory.
Mas não se preocupem, aqueles que já estão a torcer o nariz. [“Il Mare“], não é um filme de ficção-científica pois o facto da sua história contar de certa forma com universos paralelos e viagens através do tempo, essa vertente nunca é o ponto central da narrativa e nem sequer é explicada ao espectador. Apenas nos é pedido para entrarmos no conceito e deixar-mo-nos levar pelo seu resultado poético e emocional e pela forma como os personagens são afectados pelos acontecimentos inexplicáveis que lhes permite desenvolver a sua história de amor.

Como resumir então [“Il Mare“], sem estragar a magia da descoberta a quem ainda não o viu…
Basicamente conta a história de duas pessoas que vivem separadas por dois anos. O rapaz vive em 1998 e a rapariga em 2000 mas ambos trocam correspondência através de uma mágica (?) caixa do correio que se situa á entrada de uma casa de praia chamada precisamente “Il Mare”.
Não há qualquer exlicação para esse acontecimento (nem interessa) e apenas ficamos a saber que os dois protagonistas conseguem comunicar através daquilo que colocam na caixa de correio e que misteriosamente é transportado de um lado para o outro atravessando o tempo ao longo de dois anos até á respectiva data no calendário em que cada um deles vive.
Inicialmente ambos viveram na mesma casa mas em alturas diferentes. O rapaz viveu em “Il Mare” entre 1997 e 1999 e a rapariga entre 99 e o início do ano 2000 quando ele já lá não habitava, altura em que depois se mudou para a cidade para estar perto do seu emprego como actriz de vozes para Anime.
Ambos têm um passado marcado por mágoas na sua vida, a rapariga continua apaixonada pelo ex-namorado que a deixou por outra pessoa e o mesmo acontece com o rapaz que também perdeu a namorada por um motivo semelhante.

Através da caixa de correio, estabelecem então uma relação de amizade que aos poucos se transforma em amor, até que um dia combinam encontrar-se cara-a-cara numa praia deserta algures numa ilha da Coreia do Sul. Para a rapariga, o dia do encontro será na próxima semana a contar do seu calendário de 2000, mas para o rapaz esse dia no seu calendário de 1998 ainda está a dois anos de distância,  o que cria desde logo uma das situações mais interessantes do filme e que não pretendo agora aqui revelar como se desenvolve pois estaria a estragar a descoberta dos pormenores mais mágicos e emocionais desta original e muito poética história de amor.
Só posso dizer que vão adorar a maneira como  [“Il Mare“], usa os paradoxos temporais para criar situações românticas verdadeiramente bonitas e muito atmosféricas que os fará certamente apreciar tanto este filme quanto eu se embarcarem no seu conceito e se identificarem com os personagens.

Ao mesmo tempo que é ligeiro na sua abordagem narrativa, [“Il Mare“] é no entanto um filme extremamente intímista, carregado de paisagens interiores que são plenamente traduzidas visualmente na associação gráfica que o realizador constroi usando a imagem da mágnifica e original casa de praia denominada precisamente “Il Mare” e que serve de ligação não só entre o romance dos personagens mas principalmente entre as suas emoções.
[“Il Mare“], é por isso um filme de poucas palavras. Aqui os personagens não precisam passar o enredo todo a dizer que se amam muito como acontece nas banais pseudo-histórias de amor americanas.
Na verdade [“Il Mare“] é construído com base nos silêncios e no que não é dito, mas que compreendemos perfeitamente graças ao extraordinário trabalho do realizador que nos transmite visualmente tudo o que não precisa de ser descrito por palavras.
Esta é uma das grandes razões porque este filme funciona tão bem a um nível emocional, pois faz-nos sentir e compreender o que os personagens sentem sem ter que passar o tempo todo em truques melodramáticos de pacotilha telenovelística para conquistar o espectador.

Mas não esperem encontrar aqui o típico filme de autor secante para intelectuais de café.
[“Il Mare“], está cheio de metáforas visuais, mas tudo é colocado de uma forma directa ao sabor do argumento e para servir a história da forma menos chata possível, o que não deixa de ser um feito pois o filme tem realmente uma atmosfera calma e muito relaxante ao mesmo tempo que não nos larga até á sua conclusão.

É também, talvez um dos filmes que melhor aborda o tema do isolamento e da solidão nas grandes cidades sem entrar por caminhos deprimentes ou pretenciosos. Sempre de uma forma subliminarmente séria e muito poética que nos deixa a pensar embalados pelo seu ambiente hipnótico e contemplativo muito suportado também pela extraordinária música presente em todo o filme.
A combinação música/imagem ás vezes faz até lembrar os momentos mais poéticos de Blade Runner no que toca a uma criação de atmosfera de solidão ilustrada de uma forma que chega a ser bonita apesar de nos fazer pensar em muito mais do que esperaríamos quando julgavamos que iamos apenas ver um banal filme romântico, coisa que [“Il Mare“] não é.

Um dos grandes trunfos na criação deste ambiente está também na extraordinária banda sonora composta por originais de Jazz made-in-Coreia do Sul e que se adaptam perfeitamente a cada fotograma criando uma atmosfera única que complementa perfeitamente todo a poesia visual e também cada emoção que percorre o filme.
Conseguindo inclusivamente numa questão de segundos passar de um momento dramático a um tom mais ligeiro sem perder identidade, transmitir saudade, melancolia ou alegria como no caso da cena dos noodles que liga os dois personagens na mesma actividade embora separados por dois anos no calendário.

Como tal o que há a dizer mais sobre este pequeno grande filme ?…
Foi um fracasso de bilheteira monumental na Coreia do Sul quando estreou. Essencialmente devido á sua campanha de marketing atroz que já ficou como um exemplo da maneira de como um filme não deve ser publicitado. Teve um trailer oficial tão mau, mas tão mau que afastou o público todo do filme ainda este não tinha sequer estreado. Graças ao trailer oficial que não tem absolutamente nada a ver com a verdadeira atmosfera do filme, as salas de cinema ficaram ás moscas, porque as pessoas pensaram que [“Il Mare“] seria um melodrama estilo cinema-de-autor intelectualoide a atirar para o deprimente e não um filme tão romântico e simples como mais tarde toda a gente descobriu que afinal este era.
Entretanto tornou-se um enorme sucesso de vendas em dvd por aqueles lados do oriente e um verdadeiro filme de culto, pois tal como em Blade Runner as pessoas foram-no descobrindo e recomendando aos amigos que por sua vez o recomendaram a outros amigos e assim por diante, tornando este filme tão popular que até os americanos compraram os direitos para fazer um dos piores remakes de filmes orientais de que há memória, com o nome “The Lake House”; onde destruiram por completo a poesia da obra original e a deixaram sem o mínimo vestígio da magia que tem nesta primeira versão Sul-Coreana.
Está nos meus planos em breve colocar aqui uma review de comparação entre a versão original e a desgraça Americana, assim que preparar o cérebro e a paciência para conseguir rever o remake.

Entretanto, passemos á frente.

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CLASSIFICAÇÃO:

Poético, original e uma obra prima do cinema romântico que ninguém interessado no género pode ficar sem ver.
Completamente imprescindível para quem não tem medo de ver um filme calmo onde a atmosfera faz o filme. Recomendo o uso de um bom sistema surround para tirarem realmente partido do filme, pois a música em [“Il Mare“] é absolutamente essencial.
Bom filme também para quem se interessa por univeros paralelos e String Theory, apesar de não ser uma obra de ficção-científica.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de absoluta qualidade.
Mais um filme que rebenta a escala.

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A favor: tudo, poesia, personagens, ambiente, banda sonora, romantismo, fotografia, realização, inteligência de argumento, a maneira como a música é usada, a estética das imagens, o design de produção, o equilíbrio perfeito entre o cinema-de-autor e o cinema comercial, é um filme calmo sem ser chato.
Contra: contra ?!…Só se for o trailer original que é absolutamente enigmático e não tem absolutamente nada a ver com o filme. [“Il Mare“], também pode ser muito calmo para quem estiver demasiado habituado ao cinema americano ou procurar uma telenovela com tudo explicadinho, pois aqui neste filme não há vilões, perseguições, traições ou triangulos amorosos de pacotilha.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer:
Na falta de um trailer decente, felizmente existe um videoclip que reproduz fielmente a verdadeira atmosfera do filme e embora contenha uns *spoilers* menores recomendo mesmo que o vejam.
http://www.youtube.com/watch?v=2aLttFT27K4
Se gostarem da atmosfera do teledisco, comprem o dvd pois o filme é exactamente assim.

No entanto, o trailer japonês também capta bem o ambiente e é bem melhor que o trailer original.

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Comprar:
Devido ao sucesso que foi obtendo de forma muito gradual e talvez ao facto de ter sido um fracasso nas salas Sul-Coreanas quando estreou, [“Il Mare“] foi inicialmente lançado em dvd de uma forma não muito profissional, pois pelo visto ninguém dava nada pelo filme.
Por causa disto practicamente todas as cópias que existem no mercado asiático têm problemas, ou de imagem ou de legendagem.
Ao longo do tempo tenho colecionado edições do filme na esperança de que da próxima vez é que alguém resolva lançá-lo nas condições que merece por isso posso dar-vos uma ideia do que poderão encontrar á venda se o quiserem comprar.

Apesar da sua legendagem inacreditávelmente amadora, a minha edição favorita deste filme é a edição simples Chinesa
A imagem não é anamórfica, contém alguns artefactos, mas é no formato widescreen original o que mantém a beleza dos enquandramentos intactos, tal como foram pensados pelo realizador e se há uma coisa de que este filme não tem falta é de imagens bonitas por isso gosto muito deste dvd chinês apesar de todas as suas falhas.
O som 5.1 é muito bom e o DTS é na minha opinião fantástico pois aproveita plenamente a banda-sonora do filme criando uma experiência tridimensional sonora absolutamente perfeita.
A legendagem em inglés é uma anedota.
O inglés de quem traduziu o filme é no mínimo duvidoso (cómico) e grande parte das frases nas legendas não cabem no ecran o que dá origem a uma quantidade enorme de expressões que terminam subitamente sem deixar rasto. Se isto pode parecer problemático, não se preocupem. O que está escrito dá perfeitamente para compreendermos a intenção e o sentido dos diálogos e não é por isso que vão deixar de disfrutar deste filme.
Penso que já não a encontram com a capa inicial (e caixa de cartão), mas podem adquirir a nova edição do mesmo disco aqui em embalagem normal.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-15-il+mare-70-ckk.html

Depois desta edição inicial, devido ao sucesso das vendas, surgiu no mercado mais outra edição chinesa. Neste caso adaptada da versão original Coreana e que de novo trouxe uma caixinha toda atmosférica em cartão grosso com um fecho magnético e um grafismo já mais bonito embora tão esquisito quanto os novos e estéticamente amadores menus que também trouxe de novo.
A imagem desta vez já não é em letterbox mas preenche agora todo o ecran. Embora não esteja cortada, pessoalmente eu não gosto de ver as imagens assim pois parece que os enquadramentos perderam a magia e a grandiosidade com que foram originalmente concebidos.
É uma edição de dois discos com bastantes extras (e que parecem mesmo interessantes), mas infelizmente apenas o filme está legendado em inglés e por isso não podemos disfrutar devidamente do conteúdo adicional, o que é pena pois o making of é excelente mesmo totalmente em Coreano.
Penso que esta já nem se encontra á venda por isso não coloco aqui qualquer link.

Por último há ainda outra edição especial em 3 discos, da imagem acima, que na práctica é a exactamente a mesma edição que referi atrás, mas agora com uma bonita e muito cuidada nova embalagem.
Esta edição (que já está quase esgotada em todo o lado), tem ainda um bonús imprescindível para quem gostou do filme, pois contém um CD com toda a banda sonora de [“Il Mare“].
O que nos coloca num dilema…pessoalmente recomendo a básica (e má) edição chinesa inicial porque apesar de tudo mantém o formato de ecran original em que o filme foi fotografado, mas por outro lado…vocês querem mesmo ter esta bonita caixinha com os 3 discos. Acreditem-me.

Aproveitem agora que o dollar está baixo e façam como eu, comprem as duas. E aconselho-vos a ser rápidos se ainda quiserem o CD da banda sonora.
Curiosamente o melhor local para se comprar esta edição actualmente é na Amazon americana. Seller de confiança e preço porreiro. Até porque apesar de na caixa dizer que os dvds são região 3, na verdade esta edição está livre de qualquer região, sendo portanto região ZERO e caso não possuam um leitor multi-regiões poderão na mesma ver este filme indispensável.

DOWNLOAD AQUI com legendas em PT/Br

OST original para download

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0282599/

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Be With You My Sassy Girl Love Phobia The Classic Fly me to Polaris

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