Hua Mulan (Mulan) Jingle Ma/Wei Dong (2009) China


Antes de mais se esperam encontrar o dragão vermelho da Mulan nesta versão é melhor voltarem para o desenho animado da Disney, porque isto aqui só tem cavalos e mesmo assim [“Mulan“] não parece ter tido verba para comprar muitos.
Vi este filme apenas há alguns dias e já nem me lembro grande coisa dele, por isso vamos lá ver se não me esqueço de mencionar algum detalhe importante neste texto.

Se virem o trailer, podem ficar com a ideia de que isto é uma das habituais super-produções chinesas, mas desenganem-se, pois se isto é um épico histórico,  [“Mulan“] será o épico histórico mais mediano que alguma vez vi.
Nota-se um esforço constante para parecer mais grandioso do que na realidade é e talvez seja esse o seu grande problema. Ou seja, [“Mulan“] preocupa-se mais em tentar parecer algo que se nota á distância que não é do que em contornar as suas limitações.

No entanto começa muito bem. Ainda o filme não começou há dez minutos e já estamos a adorar os personagens, o que não deixa de ser notável, especialmente quando outros filmes realmente épicos como “Red Cliff” gastam 300 minutos e os personagens não criam a mesma empatia com o público.
A actriz principal que dá corpo e alma á heroína histórica, está perfeita e nunca será por causa dela que [“Mulan“] filme, perde qualquer ponto pois ela é uma Mulan excelente.
O resto do elenco também é bastante cativante. No que toca aos herois da história, os personagens são simples mas com personalidades divertidas e interessantes que nos mantêm interessados nos seus destinos ao longo da narrativa e portanto também não é por aqui que o filme pode ser penalizado.

O vilão no entanto, é um bocado ridiculo e estereotipado e esta caracterização subitamente retira [“Mulan“] da carga dramática que pretende ter pois quando os vilões estão em cena, tudo mais parece saído de uma banda desenhada do que própriamente do épico histórico dramático que eu pensava que este filme queria ser e isto não tem grande lógica.
[“Mulan“] é também estranho enquanto épico de guerra pois tem uma atmosfera de filme para adolescentes demasiado carregada, o que me muito me surpreendeu.
Em muitas alturas fez-me lembrar o “Starship Troopers” mas sem aliens, pois tudo gira á volta dos soldados adolescentes, das suas aventuras na guerra e dos seus amores e desamores.

Tudo em [“Mulan“] sabe a pouco. Os personagens são interessantes e carísmaticos mas depois a história não é particularmente interessante, nunca se definindo entre o épico de guerra que não consegue ser pois não tem escala suficiente ou a história de amor oriental que não funciona particularmente bem porque depois tem um filme de guerra pelo meio e as duas coisas nunca se ligam muito bem.

E por falar em escala, as batalhas em [“Mulan“] podem parecer muito épicas no trailer, mas sabem a pouco e são incrivelmente repetitivas e redundantes. Tudo é filmado em pequenos takes onde se tentar dar a impressão de que existem muitos figurantes e onde se predominam as sequências de luta á espada corpo a corpo no meio de muito pó para que o realizador não tenha que mostrar que tem menos figurantes nas batalhas do que quer fazer crer.

Como tal sente-se sempre que falta alguma coisa naquilo que deveria ser a parte espectacular do filme e no entanto apesar de não se poder propriamente dizer que falha, não deixa de ser estranhamente mediana e até desinteressante em muita alturas, o que não é algo particularmente bom para se dizer sobre um filme que supostamente deveria contar uma épica história de guerra.

Na verdade não há muito mais para dizer sobre [“Mulan“].
Boa fotografia, um par de imagens bonitas, uma história sem grande chama e sequências de acção medianas e desinspiradas.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não tem nada de particularmente mau, mas se vocês já viram muitos épicos históricos não vão ficar nada impressionados com este pois é por demais mediano em tudo.
Trés tigelas de noodles pois é um bom filme, mas vão esquece-lo rapidamente e dúvido que lhes apeteça rever isto tão cedo quando há tanta coisa espectacular no mercado.

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A favor: excelente trabalho da actriz principal como Mulan, os personagens cativam o espectador ainda o filme mal começou, o design das armaduras é muito cool, tem algumas cenas de acção engraçadas.
Contra: o vilão parece saido de uma banda desenhada banal, a história de amor não cativa particularmente e é suposto ser o coração emocional do filme, as cenas de batalha são muito pouco épicas e repetitivas, não há grande variedade de ambientes cénicos e tudo parece não sair do mesmo lugar, parece um filme para adolescentes com armaduras e pouco mais tem que agarre quem procure um épico histórico mais adulto.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=gTAETFTIo_I

Comprar DVD
http://www.amazon.co.uk/Mulan-DVD-Wei-Zhao/dp/B003ATD7OY/ref=sr_1_3?ie=UTF8&qid=1306765339&sr=8-3
Comprar Blu-Ray
http://www.amazon.co.uk/Mulan-Blu-ray-Wei-Zhao/dp/B003ATD7OO/ref=sr_1_4?ie=UTF8&qid=1306765339&sr=8-4

Download aqui com legendas em PT/Br

OST em mp3

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1308138/

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The Promise

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Tada, Kimi wo Aishiteru (Heavenly Forest) Takehiko Shinjo (2006) Japão


Mas como é que estes gajos continuam a conseguir fazer isto ?!
Após dezenas de histórias de amor fofinhas sempre com uma base emocional semelhante o Japão consegue ainda pegar numa estrutura já usada mil vezes e no entanto voltar a surpreender pela humanidade dos desenlaces como se fosse a primeira vez que este tipo de argumentos estivesse a ser filmada.

Eu estou sempre a falar da mesma coisa no que toca a estas histórias de amor Japonesas (e Sul Coreanas também), mas é impossível recomendar mais uma boa história de amor cinematográfica saída daquelas bandas sem referir o habitual, pois continua a ser acima de tudo a principal diferença entre uma love-story oriental e o seu equivalente plástico produzido em Hollywood.
Mais uma vez temos pela frente um filme que não parece ser sobre nada de especial mas ao mesmo tempo consegue seguir rumos diferentes daquilo a que estamos habituados a ver no cinema ocidental do mesmo estilo. Se bem que dizer que existe um estilo semelhante no ocidente é esticar um pouco o conceito. Na verdade ninguém faz este tipo de histórias como os orientais e neste caso, mais uma vez os Japoneses.

Desta vez a minha proposta romântica chama-se [“Heavenly Forest“] e não sendo uma daquelas histórias de amor obrigatórias merece fazer parte da colecção de que gosta do género e já viu tudo o que tenho recomendado no blog.
O elevado número de pessoas que aqui chega procurando por histórias de amor demonstra que o género romântico oriental está vivo e recomenda-se por isso se o leitor só agora chegou a este cinema, até nem ficará mal servido se começar por ver [“Heavenly Forest“].
Não será completamente brilhante por qualquer motivo que ainda não consegui descortinar, mas é uma proposta muito boa para toda a gente que procurar um bom romance cinematográfico.
Surpreendentemente bem mais original do que aparenta pelo trailer ou mesmo até pelo que acontece na história durante a primeira hora de filme.

Se calhar é um filme que até irá agradar mais a quem já tiver visto muita coisa no género por uma simples razão.
Irá surpreender muito mais quem entra em [“Heavenly Forest“] totalmente convencido que já viu tudo isto mil vezes.
Isto porque mais uma vez temos outra história de amor adolescente (ou com jovens adultos) ao melhor estilo oriental e onde não falta o habitual twist no final.
Mas desta vez o próprio twist tem um sub-plot absolutamente simples que irá atingir como um tijolo na cabeça quem pensava que ia chegar ao fim tendo reparado em todos os pormenores, isto porque desta vez a surpresa não está na verdade na reviravolta mas sim na sua razão. E mais não digo.

[“Heavenly Forest“] conta a história de dois jovens universitários que ficam amigos porque ambos são pessoas solitárias e um dia se cruzam á beira de uma estrada (pelo visto no japão não é obrigatório os automóveis pararem numa passadeira se não quiserem).
Ela, uma rapariga que toda a gente considera estranha e algo nerd devido á forma infantil como se veste e age apesar de já ter 21 anos e ele um jovem solitário que se afasta das pessoas com medo que o cheiro de uma pomada que usa para um problema de pele lhe cause embaraços sociais. Como podem ver, isto começa logo de uma forma curiosa.

Quando começam a interagir no dia a dia, ambos descobrem a paixão pela Fotografia e a partir do momento que começam por explorar uma propriedade privada onde existe uma floresta isolada a sua amizade começa a ganhar raízes mais profundas. O problema é que o jovem alheio aos avanços amorosos da sua amiga, está no entanto apaixonado por uma colega de turma, a típica miúda gira e popular que já vimos mil vezes neste tipo de história.

Já vimos mil vezes neste tipo de história, mas nunca como em [“Heavenly Forest“].
Ao contrário do que seria de prever, desta vez temos aqui um triângulo amoroso absolutamente refrescante pela total ausência de drama, rivalidade ou tensões românticas estilo telenovela que estamos habituados a encontrar.
Quando tudo indicava que a partir do momento em que apareceu a miúda gira as coisas iam ficar absolutamente desinteressantes, os argumentistas usam esse novo personagem para humanizar também todos os colegas dos dois protagonístas do filme e criar um sub-plot sobre uma grande amizade entre colegas.

Por isso se também já esperavam que este personagem entrava na história para ser a bitch mimada e má como as cobras do costume, estão muito enganados e até vão gostar muito da rapariga.
Mais um pormenor dentro de uma história que apesar de simples não perde tempo em surpreender-nos constantemente precisamente pela simplicidade como nos apresenta sempre situações com que não contamos; o que não é de todo um feito menor num produto que á partida parece tão desinspirado e formulático, mas que está na verdade estruturado para nos esconder mesmo em frente da vista aquilo que depois irá causar o impacto emocional no fim da história.

[“Heavenly Forest“] contém pequenos pormenores e pequenas histórias paralelas (que só notarão a uma segunda visão, garanto-vos). No caso de toda a dinâmica entre os personagens principais e a rapariga gira da universidade [“Heavenly Forest“] ainda tem tempo para nos apresentar um dos momentos mais tocantes dentro da história de amor central quando, ainda a meio do filme este perde um momento a fazer-nos refletir sobre os caminhos das nossas próprias vidas numa sequência muito breve mas bonita em que se foca o valor da amizade no momento em que se assiste á despedida dos amigos quando concluiem a universidade. Uma cena que nem sequer precisaria de ter feito parte desta obra mas que lhe dá ainda mais humanismo e tornam o impacto emocional do final em [“Heavenly Forest“] ainda mais significativo.

Este é um daqueles filmes onde, como já disse, parece realmente que não se passa nada mesmo. Não existe uma relação romântica assumida própriamente dita entre os protagonistas, não verão – “I Love You” – por tudo quanto é canto e nem sequer há qualquer drama entre rivais pois toda a base de suspanse é construida através não do ciúme mas sim, da amizade. E sim [“Heavenly Forest“] tem suspanse romântico. Sabe-se lá como.
E é uma das mais valias deste filme.

[“Heavenly Forest“] é uma daquelas histórias que nós estamos a ver plenamente convencidos de que sabemos como irá acabar embora o facto de estar sempre a acontecer qualquer coisa diferente no ecran nos faça interrogar a todo o instante se saberemos mesmo tudo sobre a previsibilidade deste tipo de argumento…
Isto porque [“Heavenly Forest“] é um filme sobre pormenores.
E vocês nem imaginam como eu estou aqui a conter-me para não comentar os melhores, pois são precisamente esses que lhes estragaria por completo o emotivo final desta história.

[“Heavenly Forest“] tem tantos pormenores que vocês nem notarão pois estão tão bem disfarçados sobre a capa da banalidade quotidiana que lhes passarão todos ao lado até chegar o momento certo.
Como já disse, o twist neste filme é fácil de adivinhar, mas parece mesmo que os argumentistas estavam a dizer, – “ai pensam que toparam, tudo ? Pensam ? Tomem lá isto para não se armarem em espertos !”
Esta história é na verdade uma adaptação de um romance japonês com bastante sucesso e pelo que eu investiguei parece que este autor é especialista em escrever excelentes histórias de amor com base no que é mais banal no quotidiano e como tal não é de admirar que [“Heavenly Forest“] tenha resultado tão bem a esse nível apesar de parecer realmente um filme bastante normal e sem grande chama, especialmente para quem já viu muita coisa do género.
Não desistam porque irão gostar.

Na verdade, acho que é dificil não ficar hipnotizado com este filme. Até parece que os seus criadores percebendo que a história e a estrutura de [“Heavenly Forest“] poderia induzir em erro por ser algo tão formulático á primeira vista, decidiram usar então outros truques para nos prender a atenção.
Além do inesperado presente no argumento, este filme conta com imagens lindíssimas e não só nas cenas de floresta. Todo o filme parece estar filmado num formato widescreen tão largo que faz lembrar o velho formato empregue nos épicos estilo Ben-Hur da Hollywood clássica. O que não deixa de ser algo inesperado de ser empregue para filmar aquilo que parece uma simples história de amor adolescente.

[“Heavenly Forest“] contém uma profundidade de campo na sua maior parte das imagens que surpreende. Há paisagens incríveis neste filme, desde paisagens urbanas cheias de textura e movimento, até cenários absolutamente encantados nas partes em que os protagonistas exploram a sua floresta secreta longe da cidade. As cenas de floresta neste filme são absolutamente incríveis no que toca ao cuidado visual e quase que esperamos que apareça a qualquer instante um dragão ou uma fada pelo meio do filme que não nos surpreenderia de todo.

[“Heavenly Forest“] filma também Nova-York de uma forma refrescante e algumas das imagens mais bonitas desta obra são também captadas nos Estados Unidos mesmo no meio da Big Apple precisamente em alguns dos locais mais emblemáticos que já conhecemos de outros filmes e onde se faz uma homenagem visual a tudo desde “Manhattan” de Woody Allen , até “Once Upon a time in America” de Sergio Leone, o que só fica bem num filme que tem também como tema principal a paixão pela fotografia.
E por falar em fotografia, a cinematografia de [“Heavenly Forest“] é luminosamente fantástica. Este deve ser o filme mais refrescante visualmente que me lembro de ter encontrado em muito tempo. Não pela originalidade das imagens mas pelas cores que aparecem em cada frame e pelo tom caloroso a manhã de sol que percorre quase toda esta obra.

Antes que me esqueça, também, evitem ver o trailer deste filme antes de o conhecer e façam o que fizerem afastem-se da net e do google images no que toca a [“Heavenly Forest“] !!
Isto porque num filme sobre fotografia, uma das melhores cenas do final tem precisamente a ver com isso e a net, está cheio da emblemática imagem desta história que faz parte do emotivo final por isso não diminuam o impacto da história conhecendo de antemão a imagem ícone de toda esta história de amor e que está por todo o lado na net.
Fiquem-se pelas fotos que coloquei aqui neste texto, porque as selecionei cuidadosamente para não revelar nada de importante.

Sendo assim…

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CLASSIFICAÇÃO:

Quem procura mais uma boa história de amor oriental pode seguir para este bonito [“Heavenly Forest“] também.
Trés tigelas e meia de noodles porque é um filme com momentos muito bonitos e que vale mesmo a pena.
A única razão porque não lhe dou uma melhor nota é porque é um daqueles que não ficarão com muita vontade de o estar sempre a rever ao contrário de outras coisas que já recomendei por aqui.
No entanto não deixem que esta aparente singela classificação atribuída os impeça de procurar ver este filme pois vale mesmo a pena.

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A favor: parece um filme banal e formulático mas contém um par de boas surpresas que os irá espantar, a história de amor é muito boa e mais original do que parece, está cheio de pormenores que lhes vão cair em cima como um tijolo quando perceberem o motivo por detrás da reviravolta, contém imagens incriveis, as cenas do bosque são fabulosas em termos visuais, ás vezes parece um Anime romântico até porque a miúda fofinha parece saída de um desenho animado japonês mesmo, a cena do beijo a meio do filme é um espectáculo (embora a uma primeira visão não lhes cause a emoção que irá causar se o reverem depois de conhecerem tudo da história á volta desse momento), evita todos os estereotipos á volta de cenas de ciúmes ou rivalidades românticas e usa a miúda gira da universidade para criar um sub-plot sobre amizade que os irá tocar mesmo na sua brevidade, bons personagens, óptimo final.
Contra: parece um filme banal e formulático e demora algum tempo até nos agarrar especialmente se vocês já viram muito cinema romântico oriental (não desistam), por causa dessa estrutura algo normal e corriqueira mesmo até no final não é tão emocional como poderia ter sido (embora a concorrência nesse sentido seja forte com outros títulos como “My Sassy Girl”, “The Classic” ou “Il Mare” e portanto é sempre complicado criar algo com a mesma força.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Recomendo que não vejam o trailer antes de verem o filme pois contém uma cena muito importante que lhe estragará o impacto emocional da parte final, mas se insistirem podem fazê-lo aqui.

Comprar
http://www.yesasia.com/global/heavenly-forest-dvd-hong-kong-version/1010701737-0-0-0-en/info.html

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0872022

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

  

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Hachikô monogatari (Hachi-ko) Seijirô Kôyama (1987) Japão & remake Usa: Hachiko: A Dog’s Story (Hachi: A Dog’s Tale) Lasse Hallström (2009) Usa


Esta história chegou até mim totalmente ao acaso no outro dia enquanto andava pelo Youtube á procura de trailers de cinema oriental e estranhamente ia sempre parar ao trailer de um filme recente com Richard Gere, chamado “Hachi – A Dog´s Tale” feito em Hollywood.
Surpreendentemente ou talvez não, o filme de Richard Gere revelou-se como mais um remake americano de outro filme oriental, mas curiosamente o próprio trailer da versão Usa tinha um certo encanto e identidade que me cativou imediatamente e me levou não só a querer saber mais sobre o filme Japonês original, como como acima de tudo, saber mais sobre esta história absolutamente tocante e fascinante.
E foi assim que cheguei a esta reportagem que antes de mais recomendo que toda a gente veja antes de continuarem a ler a minha crítica sobre [“Hachi-Ko“] pois vale mesmo a pena começar por aqui.


(Cliquem na imagem ou neste link, para verem a peça no Youtube,  pois o video original também não permite integração no blog).

Fascinante não é ?
É daquelas histórias que nos dão um nó na garganta quando paramos para pensar como terá sido acompanhar todo o caso original na época e tudo aquilo que depois veio a simbolizar para as pessoas nos anos seguintes.
E segundo o que tenho lido parece que os produtores do filme original [“Hachi-Ko“] não se pouparam a esforços no que toca aos detalhes da história e procuraram tentar reproduzi-la o mais fielmente possível quase de uma forma documental sem no entanto descurar o lado cinematográfico da narrativa.

O que veio a tornar [“Hachi-Ko“] num pequeno filme japonês deveras surpreendente na minha opinião.
Surpreendente porque ao contrário do que eu estava á espera com um tema destes, encontramos um filme bem contido e até certo ponto intimísta.
Material deste dava pano para mangas, no que toca a choradeira-galopante e [“Hachi-Ko“] poderia ter resultado num produto assumidamente produzido para fazer as plateias gastar lenços de papel aos quilos. No entanto, surpreendeu-me mesmo muito por tentar essencialmente contar uma história muito simples sem grandes exageros emocionais e não estava nada á espera disto.

Quando eu pensava que ia ver um produto totalmente ultra-comercial ao pior estilo americano, tipo Benji ou Marley & Eu onde se exploraria até á medula o sofrimento dos personagens e principalmente do cachorro, [“Hachi-Ko“] apareceu-me com uma história completamente oposta onde há espaço para todos os personagens e onde se conta acima de tudo a história, não apenas de um cão, mas principalmente de um acontecimento que marcou não só a história de Tokyo como também as vidas de muita gente.

E que história foi esta, perguntam aqueles que não viram o video acima ou não sabem inglés.
Essencialmente [“Hachi-Ko“] conta a história de um cão que foi adotado por um senhor algures nos anos 20 no Japão e da relação que se gerou entre ambos.
Durante um par de anos, todos os dias o cão acompanhava o dono até á estação quando este tomava o comboio para ir trabalhar e todos os dias o cão voltava ao fim do dia á mesma hora para esperar o senhor quando ele regressava.
Um dia o dono morreu e nunca mais voltaria a regressar a casa no comboio á mesma hora mas no entanto, durante quase dez anos, Hachi-Ko regressou todos os dias á hora do comboio chegar para continuar a esperar pelo dono que nunca mais viria, isto apesar da fome, do frio e de entretanto se ter tornado num cão vadio pois fugia sempre de todos os que o tentavam adoptar para poder voltar á estação todos os dias para esperar o ser humano que amava.

Ora, com um material destes, seria mais que natural que [“Hachi-Ko“] o filme, fosse um enorme pastelão em overdose sentimental mas no entanto é um pequeno filme quase intimista absolutamente notável e simpático. Isto pela sua simplicidade e pela forma como nos conta a tocante história de Hachi-Ko , filmando-a mais como um drama-de-época onde todos os personagens contam e não apenas como um filme para espremer lágrimas aos espectadores porque sim.

Não pensem no entanto que [“Hachi-Ko“] não lhes causará sucessivos nós na garganta e não pensem que não vão derramar uma lágrima ou duas…ou trés. [“Hachi-Ko“] emociona e muito, mas emociona pelas razões certas, pelo significado da história, por ser uma lição de vida ao mesmo tempo que acaba por ser um filme sobre a solidão e a dedicação.
Poderá parecer-vos no entanto, um filme algo vazio durante quase toda a maior parte do tempo, pois practicamente setenta por cento do filme é passado em apresentar-nos as pessoas que fizeram parte desta história e não encontrarão em [“Hachi-Ko“] muito cliché habitual á volta do facto do personagem principal ser um cão.
Nota-se que houve um esforço dos argumentistas em manterem-se fieis aos acontecimentos e por isso o filme não está carregado de momentos inventados com o único objectivo de fazer chorar as plateias de X em X tempo para se manter fiel ao que esperariamos do género.

A grande virtude de [“Hachi-Ko“] está nesse aspecto. Conta uma história, fá-lo de uma maneira simples e muito, muito atmosférica assente numa recriação de época quase mágica e onde tudo se conjuga para nos levar até ao seu final onde Hachi-Ko “reencontra” finalmente o seu dono á porta da estação e que os fará chorar baba e ranho pois toda a contenção emocional durante o resto do filme foi orquestrada de modo a que apenas nesse momento os espectadores sintam verdadeiramente o significado de tudo o que Hachi-Ko passou para se reunir com quem gostava.
Quem conhece o livro “Timbuktu” de Paul Auster e adorou essa história principalmente no seu  final, tem aqui em [“Hachi-Ko“] algo de características muito semelhantes tanto na forma como a história é resolvida como na própria emotividade e poesia da resolução. Se gostaram de “Timbuktu” vão adorar este filme.
Se gostarem muito deste filme não percam de forma nenhuma o livro “Timbuktu” de Paul Auster.

Este filme não lhes ficará na memória por muito. Está bem feito, tem algumas imagens muito bonitas e uma fotografia fantástica que torna quase mágica a cidade onde vive Hachi-Ko, mas no entanto não é algo que lhes fique na recordação pelo lado mais cinematográfico.
Também o seu ritmo narrativo que não tem pressa de ir a lado nenhum na própria história poderá aborrecer alguns espectadores mais habituados ao estilo ocidental onde tem de acontecer sempre algo movimentado ou dramático de dez em dez minutos e [“Hachi-Ko“] não é assim.
Essencialmente tem uma identidade muito japonesa e isso só lhe fica bem pois sabe conduzir o espectador até ao desenlace da história sem que este se aperceba realmente da emotividade crescente da mesma e por esse aspecto está de parabéns.

Também não será um filme a que voltarão muitas vezes, a não ser que adorem mesmo cães e principalmente Akitas, no entanto é um bom título para mostrarem aos amigos que procurem um filme com animais bem feito, honesto na forma como está filmado sem excessos para além da história original que procura retratar e acima de tudo é um excelente complemento para a reportagem televisiva com que iniciei este post sobre [“Hachi-Ko“].

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CLASSIFICAÇÃO do Filme Original Japonês:

Quem gosta de cães vai adorar isto. Quem tem um Akita então é um daqueles filmes obrigatórios.
É um filme simpático, muito simples e tudo o que faz, faz bem.

Trés tigelas e meia de noodles porque enquanto filme não fica na memória nem é um daqueles que nos apeteça estar sempre a rever, no entanto não deixem que a minha modesta classificação os afaste de [“Hachi-Ko“] pois acima de tudo é uma história fascinante e muito bonita.

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A favor: a simplicidade de tudo resulta plenamente, não abusa das desgraças do cãozinho para provocar choro fácil, é um filme calminho e contido ao contrário do que se esperaria com uma história destas, manipula bastante bem a emotividade da história até ao desenlace final, a recriação de época tem montes de atmosfera e a fotografia do filme dá-lhe um ar quase mágico, acima de tudo é um filme sobre uma história com vários personagens e não apenas o típico filme para fazer as plateias chorar á custa do cãozinho, quem gostou de um romance de Paul Auster chamado “Timbuktu” vai adorar o final de [“Hachi-Ko“].
Contra: poderá ser um filme algo lento para quem está mais habituado ao estilo americano de cinema, não nos fica na memória enquanto objecto cinematográfico e há até quem compare [“Hachi-Ko“] a um telefilme de sábado á tarde com alguma razão.

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————————————————REMAKE————————————————
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Agora falemos do remake americano – [“Hachi: A Dog’s Tale”]

Como já devem ter notado isto agora é uma novidade aqui no blog, pois salvo raras excepções, não costumo falar particularmente dos remakes americanos de filmes orientais por aqui, embora desde há muito venha pensando numa forma de integrar esse aspecto, pois cada dia que passa aparecem mais remakes made-in-usa de cinema asiático e muitas vezes o público ocidental nem faz ideia de que já existe um original, normalmente muito superior.

Por isso vale a pena agora falar aqui um bocadinho do remake americano de [“Hachi-Ko“], intitulado em Hollywood como [“Hachi: A Dog’s Tale”] e protagonizado por Richard Gere, pois este título desta vez surpreendeu-me pela positiva por muitas razões que vale a pena destacar por aqui.

Para começar como podem ver pelo popular trailer (japonês) do remake americano, há por aqui uma identidade original que se manteve. E de uma forma bem mais interessante e genuína do que eu pensaria encontrar e isso mantém-se no remake desde logo os primeiros minutos de uma forma muito curiosa.
A maneira como o remake começa é uma quase nostálgica homenagem não só á origem japonesa da história como ao facto de já ter havido um [“Hachi-Ko“] original.

Ao contrário da maioria dos remakes americanos de filmes orientais que tentam disfarçar a sua origem (raramente se menciona sequer que existe um filme original no oriente), em [“Hachi: A Dog’s Tale”] essa origem é plenamente assumida desde os primeiros segundos e no início do filme assistimos á chegada de um cachorro Akita aos Estados Unidos vindo como encomenda directamente do Japão como se o próprio filme tivesse emigrado do oriente para o ocidente e sendo assim este remake não poderia ter começado de forma mais cativante e genuína.

E o tom do filme continua da mesma forma positiva e em pura homenagem á narrativa original. Nada é mudado e tudo é apenas transportado para o universo ocidental, nomeadamente o americano.
Essencialmente encontramos todos os personagens do filme original, agora na sua encarnação ocidental e toda a história se mantêm essencialmente fiel aos factos históricos originais que já tinham sido representados no filme Japonês.

No entanto, [“Hachi: A Dog’s Tale”] inevitávelmente conta com mais umas coisinhas inventadas pelos argumentistas americanos que polvilham e intercalam a história original e acabam por tornar o filme não só mais açucarado, como principalmente mais comercial para um público habituado ao género de cinema com cãezinhos saídos de Hollywood, embora desta vez a coisa nem seja particularmente grave e nota-se que houve alguma contenção nas “invenções” melodramáticas. Estas apenas estão lá para criar a tal estrutura com que o público conta sempre, (a tal onde tem sempre que acontecer algo de X em X tempo para não aborrecer as plateias) e na verdade a coisa até resulta pois torna o filme agradável e mantém o tom simpático.
Porque sejamos francos, se [“Hachi: A Dog’s Tale”] mantivesse a estrutura lenta (onde “não se passa muito”) de [“Hachi-Ko“] tenho a certeza que não iria restar muita gente acordada no final do remake nas salas americanas porque isto de um filme ser comercial pode ter muitas diferenças em várias partes do mundo.

De qualquer forma, a estrutura original mantém-se em [“Hachi: A Dog’s Tale”] e torna-se um prazer comparar as duas versões pois todo o remake americano é uma homenagem á história que  o inspirou.
Os personagens continuam cativantes e simpáticos, toda a atmosfera da história mantém aquele tom mágico do filme original apesar do remake ser passado na actualidade e Richard Gere é o actor perfeito para ter entrado nisto pois faz-nos esquecer por completo a estrela de Hollywood por detrás do personagem e compõe um dono de Hachi que os cativará.

O facto do remake se manter fiel ao original, também significa que o final é idêntico até na forma como mostra o “reencontro” de Hachi com o seu dono, embora eu tenha preferido mais a forma como foi apresentado na versão original, pois o remake substituiu o tom poético e sobrenatural por algo mais meloso e melodramático que na minha opinião poderia ter sido mais contido. Embora não seja de todo muito grave.

O final do remake, ainda tem outra ligação directa com o Japão pois, [“Hachi: A Dog’s Tale”] termina com a informação de que a história verdadeira passou-se no Japão dos anos 20 e não nos Eua e depois o filme termina com algumas fotografias históricas dos verdadeiros protagonístas e mostra a actual estátua de Hachi-ko em Tókio permanentemente á espera que o seu dono regresse.


Resumindo, na minha opinião, mesmo apesar do tom muito mais açucarado e ultra-comercial do remake, a verdade é que [“Hachi: A Dog’s Tale”] é um dos raros remakes americanos de filmes orientais que pode andar de cabeça erguida com todo o mérito.
Talvez muito se deva á própria sensibilidade do realizador Sueco, o conhecido Lasse Hallström , autor de dois dos meus dramas favoritos dos últimos anos falados em Inglés o conhecido “The Cider House Rules (Regras da Casa)” que deu o Oscar a Michael Cane e “The Shipping News” adaptando o romance do mesmo nome e situado no norte do Alaska.
Portanto, digamos que [“Hachi: A Dog’s Tale”] é um remake americano de um filme japonês com um toque emotivo europeu que só lhe fica bem e talvez seja isto também o que o torna num filme made-in-Hollywood tão simpático e até bastante cativante em alguns momentos.

Um filme que se assume como ultra-comercial mas com excelentes resultados, uma identidade própria e muito respeito tanto pela versão original como pela história fantástica que apresenta ao público ocidental que nunca veria o filme japonês.

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CLASSIFICAÇÃO do Remake Americano (ver acima o Original Japonês):

Quem gosta de cães também vai gostar muito disto e é um bom complemento para o filme original, além de ser um daqueles raros remakes americanos que resulta em todos os sentidos, embora seja inevitávelmente algo plástico e até conter um momento piroso ou dois totalmente desnecessários quem nem tiveram lugar na história original.
No entanto é uma tentativa honesta de se fazer um bom remake em Hollywood e que respeita totalmente a sua fonte original e até a homenageia em muitos momentos.

Trés tigelas e meia de noodles também, por motivos diferentes da mesma classificação atribuída ao original[“Hachi-Ko“] mas no fundo chegam os dois ao mesmo resultado; o de contar esta história tão triste quanto inspiradora passada há mais de 80 anos no japão e que até hoje ainda mantêm todo o seu valor e poesia.
E mais uma vez, não deixem que a minha modesta classificação aqui lhes tire a vontade de também espreitarem este filme. Vejam, um vejam os dois, mas vale a pena conhecer a história deste cão seja em que versão for.

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A favor: a simplicidade de tudo resulta plenamente, também não abusa das desgraças do cãozinho para provocar choro fácil embora seja um filme bem mais comercial que o original, é um filme simpático cheio de atmosfera e também surpreendentemente contido nos seus excessos mais pirosos, continua a ser também acima de tudo um filme sobre uma história com vários personagens e não apenas o típico filme para fazer as plateias chorar á custa do cãozinho, quem gostou de um romance de Paul Auster chamado “Timbuktu” vai adorar o final deste filme também pois é igual ao do original, respeita totalmente o filme original e a história que lhe deu origem, homenageia todas as suas origens nipónicas em muitos sentidos, a abertura do filme é muito criativa na forma como importa o cão/conceito do Japão para o Ocidente e nos faz entrar logo no ambiente Usa sem perder a identidade original.
Contra: é um filme de Hollywood e como tal tem coisas a mais só para que a plateia não adormeça, contém um par de momentos melodramáticos pirososos desnecessários mas inevitáveis dentro deste estilo de filmes quando saídos de Hollywood, também não nos fica na memória enquanto objecto cinematográfico e embora não se sinta tanto aquele ambiente de telefilme não será um dos titulos mais emblemáticos deste realizador sueco.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer – Hachi-ko
http://www.youtube.com/watch?v=JIbkRGef8kE

Trailer – Hachi a Dog´s Tale
http://www.youtube.com/watch?v=urfwQHddesI

Encontrei também esta canção sobre a história.

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Comprar -out Hachi-ko (Filme original – Japão)
Só o consigo encontrar nesta loja a um preço muito elevado.
Se alguém souber de outro sítio mais em conta diga-me qualquer coisa.

Download Hachi-ko aqui com legendas Pt/Br

Comprar – Hachi a Dog´s Tale (Remake – Usa)
Isto está por todo o lado aqui em Portugal, e aposto que também no Brasil.
Quem não encontrar pode comprar na Amazon em Dvd e Blu-Ray.

IMDB – HACHI-KO
http://www.imdb.com/title/tt0093132

IMDB – HACHI a Dog´s Tale (2009)
http://www.imdb.com/title/tt1028532

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FOTOS DOS PROTAGONISTAS REAIS e da Estátua em Tokyo em frente da estação.



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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

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Zhan shen chuan shuo (MoonWarriors) Sammo Hung Kam-Bo (1993) China


Se entendermos o Cinema por Ilusão, então [“MoonWarriors“] será provavelmente um dos melhores exemplos desse tipo de magia no que toca a filmes saídos do oriente.
Não por ser um grande filme oriental, ou por nos transportar para um mundo cheio de fantasia, mas porque sem recorrer a efeitos especiais modernos (sem CGIs), consegue uma coisa que se torna absolutamente divertida quando revemos o filme uma segunda vez.
E mais não digo porque desta vez o filme nem tem qualquer surpresa. Não esperem propriamente um twist daqueles que lhes trocam as voltas, mas esperem o inesperado.

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Vamos fazer uma coisa, eu mais á frente irei revelar algo com que não contam (conscientemente) e por isso quem ainda não conhece este filme asiático, tente vê-lo sem cair na tentação de ir espreitar o final desta review onde falarei sobre o assunto.
A sério, não façam batota. E façam-me o favor de nem tentarem ler mais reviews disto na net.
Vejam simplesmente [“MoonWarriors“] e divirtam-se.
Depois quando o virem uma primeira vez, voltem aqui a esta review, porque quando lerem o que tenho para lhes contar mais abaixo e depois forem rever o filme, garanto-lhes que estarão a ver um filme oriental completamente novo.

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[“MoonWarriors“] é como um bom truque de magia em que o espectador nem repara que o está a ver quando acompanha esta obra pela primeira vez. Mas, ao contrário de um truque de magia, neste caso quando ficamos a saber como fomos enganados o filme não perde o seu encanto. Muito pelo contrário pois ganha uma nova vida, agora podem ter a certeza de que nunca mais o irão ver da mesma maneira quando conhecerem o seu segredo, por isso aproveitem bem uma primeira visão porque nunca mais a irão repetir.

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Vão notar que nem sequer vou dar uma classificação muito espectacular [“MoonWarriors“], mas não é porque o filme seja fraco. Apenas este é uma daquelas obras tão flutuantes que depende muito da nossa disposição aquilo que achamos dele. Umas vezes adoro-o, outras nem me parece nada de especial e por isso o mais justo é dizer-lhes logo que é realmente um bom filme chinês. Sem mais nem menos. É bom e com espaço suficiente para que o espectador insira depois uma classificação maior ou menor consoante aquilo que retirar dele.

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Na verdade [“MoonWarriors“] quanto a mim é um daqueles filmes orientais únicos dentro do estilo. O que não falta no cinema oriental são Wuxias de todos os tipos, mas normalmente seguem sempre um fórmula exacta. Não própriamente apenas na história mas principalmente na criação de atmosfera e no tom de cada filme.
Talvez com excepção de “Hero”, raramente o género Wuxia se afasta muito daquilo que o espectador espera encontrar e normalmente até quando se afasta o resultado nem tem sido dos melhores pois as obras ou entram por um forçado estilo de cinema de autor (salvo raras excepções como o fabuloso “Ashes of Time” de Hong Kar Wai), ou então ficam a meio caminho entre o cinema de aventuras ou de kung-fu puro e simples.

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No caso de [“MoonWarriors“] o resultado foi bem diferente. Este é um daqueles exemplos que tinha tudo para ser uma salganhada mal cozinhada de vários estilos mas no entanto tudo resulta. E o mais extraordinário é que nenhum dos estilos está sequer particularmente bem conseguido nesta obra de cinema oriental.
Resulta também porque tem um design particularmente cuidado e onde também tudo parece muito mais sumptuoso do que na realidade é. Nota alta portanto para o aproveitamento de ambientes naturais e  cenográficos onde ainda se incluiem um par de bons cenários como por exemplo a aldeia do heroi junto ao mar.

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[“MoonWarriors“] é uma estranha mistura entre filme Wuxia, cinema de aventuras, filme de kung-fu, comédia desbragada, cinema de Fantasia (com umas referências a “Legend” ao estilo Riddley Scott) e onde nem sequer faltam um par de cenas gore com baldes de sangue quanto baste atirados á cara do espectador da forma mais estúpida e ridiculamente hilariantes. E mais não digo…
Ah…e também tem uma pitada de “Free Willy” o que dá ao filme alguns momentos ainda mais pirosos.

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No entanto, pelo meio de todo este cozinhado, ainda consegue ter um par de momentos sérios, pois muita da motivação de alguns personagens está bem assente em pensamentos puramente filosóficos que nos fazem conseguir acompanhar as cenas mais “parvas” do filme aceitando os personagens como eles são pois apesar de toda a loucura visual nunca sentimos que os personagens são de cartão. O que é ainda mais estranho pois nem sequer estão particularmente bem trabalhados ao nível da história. Se é que podemos dizer que o filme tem uma história, pois é do mais cliché que possam imaginar.

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Mas [“MoonWarriors“] é verdadeiramente divertido.
Não é um grande filme, mas a sua (falta de) originalidade cativa-nos.
Além diso está cheio de bons actores e actrizes entre as quais a sempre excelente Maggie Cheung (“In The Mood For Love”) que é a principal protagonista da história.

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Um aviso, quem odeia filmes orientais com gajos e espadas a voar da forma mais ridicula por tudo quanto é lado pendurados por fios “invisíveis” vai detestar esta obra por isso não se dê ao trabalho.
Quem espera um filme de kung-fu puro e duro cheio de sequências de porrada de criar bicho também é melhor não perder tempo.
Agora quem quiser ver algumas das sequências de acção com fios mais alucinantes do cinema oriental e não se ofender com a falta de realismo e o estilo cartoon Bugs Bunny de algumas sequências tem aqui uns bons 90 minutos para passar.

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E depois que souber do que lhes vou contar a seguir ainda vão curtir mais o filminho.
Por isso meus amigos…
SE AINDA NÃO VIRAM O FILME,
PAREM IMEDIATAMENTE DE LER
ISTO !
Não estraguem metade da piada que há em verem [“MoonWarriors“].

Se já viram [“MoonWarriors“] então selecionem o texto do parágrafo abaixo e leiam o seguinte:

POR ACASO NÃO ME ESTÃO A ENGANAR ?
VEJAM O FILME ANTES DE LEREM ISTO !
Estão avisados.

[“MoonWarriors“] está cheio de curiosidades geniais sobre o making of. Se comprarem o Dvd, irão contar com um comentário áudio absolutamente extraordinário onde se revelam muitas das coisas de que agora vou falar aqui e que são a razão de eu classificar o filme como um dos melhores exemplos sobre a criação de ilusão no cinema que poderão encontrar no mercado.
Notaram que eu referi que a actriz Maggie Cheung é uma importante protagonista feminina deste filme.
O que vocês nem imaginam é que ela apesar de entrar em practicamente toda a história só filmou durante dois dias para [“MoonWarriors“]. E melhor ainda, não gravou practicamente nada para a sua participação apesar de entrar em todas as cenas importantes da história e “contracenar” com todos os actores do filme.

O que me dizem vocês se eu lhes contar que Maggie Cheung só se encontrou uma vez com os seus colegas de elenco ? Em [“MoonWarriors“] só existe uma única cena com os quatro actores principais do filme realmente juntos no ecran e ainda por cima é apenas uma breve imagem do grupo montado a cavalo e que dura apenas  segundos sem sequer ter diálogos !
Por acaso repararam no extraordinário design do chapéu que Maggie Cheung usa neste filme ? O que vocês nem imaginam é que aquele look (que se tornou famoso e muito elogiado como uma peça importantissima do design criativo de [“MoonWarriors“]), na realidade nem sequer foi pensado e foi criado á pressa quando os criadores do filme souberam que só iriam contar com a actriz durante dois dias.
Esse adereço de guarda roupa, está no filme apenas com uma finalidade, o de esconder o mais possível o rosto da actriz de forma a que depois o realizador possa usar uma dupla para as cenas que não estavam no contrato de Maggie Cheung.
Topem-me só isto…vão ver o filme de novo…

TODAS as cenas em que não se vê o rosto de Maggie Cheung em que ela esteja a olhar directamente para a câmara (não conta o perfil), foram filmadas com uma dupla da actriz. Até mesmo as partes que nem sequer são de acção. Os breves segundos que vocês poderão encontrar ao longo do filme em que vêem realmente Maggie Cheung a falar para a camara foram os únicos segmentos gravados por ela para [“MoonWarriors“]. Tudo o mais sempre que não lhe vêem a cara foi filmado com outra pessoa. E nem sempre foi com uma mulher. Algumas sequências em que o espectador julgava estar a ver Maggie na realidade foram até filmadas com um homem usando o seu fato !
Agora percebem porque até vestida de Ninja a Maggie andou. Isto de só se verem os olhos tem as suas vantagens para o realizador quando a actriz principal nem sequer entra practicamente no filme. Alguma vez tinham pensado nisto quando assistiram ao filme ?
Há muito mais, mas teria de escrever um texto só para isto. Se quiserem descobrir mais segredos muito interessantes dos making of, sugiro que oiçam o comentário audio do dvd pois é daqueles que vale mesmo a pena e onde vão saber por exemplo que a cena onde a heroina do filme transporta o heroi ferido ás costas durante uma longa caminhada foi apenas filmada num único local e onde a camara era a única coisa que se mexia em redor dos actores para dar a ilusão de que caminhavam pelo cenário.
Ah, e se virem um campo de flores no filme, fiquem a saber que elas foram todas plantadas uma por uma pela equipa na noite anterior pois o filme foi quase todo feito num único local e não havia nada do género para o ambiente que pretendiam dar.

Sendo assim e como não há muito mais de relevante que possa agora ser contado em poucas palavras fiquem então com a classificação.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um Wuxia divertido e cheio de surpresas que lhe dão uma nova vida quando conhecemos alguns segredos de bastidores.
Não é brilhante, mas é um daqueles filmes orientais que são simplesmente bons. Nem mais nem menos.
Quem gosta de filmes asiáticos com gajos a voarem com espadas em coreografias do outro mundo pendurados por fios “invisiveis” vai adorar este. Isto se não se importar com um estilo algo anárquico que vai do kung-fu ao cartoon tipo Road Runner.
Trés tigelas e noodles. Acrescentem ou diminuam mais ou menos uma a vosso gosto, porque este é um daqueles que uma vez se curte imenso , outras nem por isso. Depende da disposição do momento e da pachorra para o estilo.

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A favor: A cenografia da aldeia piscatória, as cenas de porrada com fios, kung-fu quanto baste, alguns litros de sangue nos locais mais inesperados e uma decepação de cabeça hilariante, o estilo humoristico que nem por isso deixa de equilibrar com a parte dramática, alguns pensamentos filosóficos muito interessantes introduzidos no desenvolvimento de um par de personagens, a piroseira atmosférica das cenas com a baleia, os poucos cenários construidos são bem aproveitados e filmados ao detalhe, Maggie Cheung (não) está genial.
Contra: a história não tem interesse, a lovestory muito menos, os personagens são de cartão na maior parte das vezes, o vilão não mete respeito nenhum, as coreografias são tão hilariantes que se tornam mais do mesmo e perdem um pouco da energia á medida que o filme avança, a falta de cenários grandiosos ou variados prejudica o ambiente pois sente-se sempre que lhe falta algo que o torne verdadeiramente naquele épico Wuxia que poderia ter sido, o design de produção até é bom, mas já vimos tudo aquilo em dezenas de outros produtos do género, a realização não deslumbra e a fotografia sofre em alguns momentos daquele estilo videoclip horroroso com focos de luz por todo o lado e muito fumo para disfarçar a falta de cenários ou paisagens, foi literalmente filmado num “quintal” á volta da produtora e nota-se apesar do enorme esforço do realizador para disfarçar a inexistência de cenários.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer

http://www.youtube.com/watch?v=Cw4t6XxGd_0

Comprar
moonwarriors16

Podem comprá-lo em separado, mas recomendo a edição que eu tenho e que faz parte desta bonita caixinha que ainda devem poder encontrar á venda numa loja da FNAC perto de vocês aqui em Portugal e que foi onde eu comprei a minha por 15€ há um bom par de meses.
Em alternativa está á venda na Amazon Uk por um bom preço.
Os outros filmes são, o clássico Dragon Inn e um dos Wuxias que supostamente veio reavivar o género chamado The Swordsman que pessoalmente acho um vazio absoluto. Mas a caixa  vale a pena , especialmente porque contém um excelente comentário audio em MoonWarriors.

Se preferirem podem comprá-lo isoladamente também na Amazon Uk em Sellers de confiança.

IMDB (cuidado com os Spoilers)
http://www.imdb.com/title/tt0108650/

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Se gostou deste poderá gostar de:

Shinobi The Promise A Chinese Tall Story

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