Detective Dee and the Mystery of the Phantom Flame (Di Renjie: Tong tian di guo ) Tsui Hark/Hark Tsui (2010) China


Dentro do cinema oriental, Tsui Hark é um dos meus ódios de estimação, pois por mais que tente não consigo de todo entender porque é considerado um génio do cinema e praticamente todos os seus filmes aborrecem-me de morte salvo raras excepções. Curiosamente ainda não vi, aquele que é considerado um dos seus clássicos, o “Once Upon a Time In China” porque sinceramente…não confio nada naquilo. Comprei o dvd há já quase dez anos e até hoje continua na prateleira a apanhar pó.
Talvez por isso eu ache que Tsui Hark me persegue.

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Todos os anos pelo Natal tenho por hábito comprar pelo menos um dvd/blu-ray oriental sem saber nada dele. Olho para a capa e compro. Isto surgiu um pouco para combater aquela frustração de hoje em dia já não conseguirmos manter-nos afastados da enxurrada de informação que existe sobre os filmes ainda eles mal saíram. Por isso uma coisa que eu gosto é de tentar recuperar aquele ambiente de infância quando íamos a uma sala de cinema sem saber absolutamente nada sobre o que iríamos ver para além do que estava nos cartazes de cartão pendurados á entrada do cinema. Isto para quem cresceu nos anos 70/80 claro. A partir daí, com a invenção dos multiplexes à americana com pipocas nas salas foi a desgraça e o fim do cinema também.

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Todos os anos pelo Natal compro um filme do Tsui Hark !!!
Não sei que raio de pontaria é que eu tenho tido ultimamente pois até já tenho medo de olhar para a contracapa do dvd e ler “directed by Tsui Hark”… outra vez.
E outra…
E outra…

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Das duas uma, ou há aqui algo que me agrada bastante nas capas dos blu-rays dos filmes dele ou então parece que o universo conspira contra mim, tentando demonstrar-me como este realizador será realmente um génio e pelo visto só eu não quero reconhecer o seu lendário talento para filmes de acção…zzzzzz
Uhm ?!!
Bom, desta vez quase me convenceram; [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] conseguiu surpreender-me.
Á segunda tentativa.
Da primeira acho que estava tão traumatizado por ter comprado outro blu-ray deste realizador que acho que nem dei grande hipótese ao filme. Vi-o porque tinha que ver, já que tinha gasto o dinheiro naquela coisa e quando o vi pela primeira vez naturalmente só notei tudo aquilo que eu odeio no cinema de Tsui Hark. Como tal, o blu-ray ficou na prateleira por mais dois anos. Estranhamente, apesar de não ter gostado nada do filme (e me ter deixado dormir a meio, como é costume quando vejo cinema do Hark), este manteve-se na minha memória e como aconteceu há um par de anos com o fabuloso “A Time to Love” que eu também tinha detestado a uma primeira visão, agora quando ontem revi [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] fiquei agradavelmente surpreendido e portanto esta é mais uma daquelas raras vezes em que eu revejo um filme que detestei e acabo também por rever a minha posição inicial sobre ele. Estranhamente neste caso, para melhor.

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Apesar de eu ainda não ter visto o “Once upon a time in China”, tirando esse, penso que já vi pelo menos 80% de toda a filmografia de Tsui Hark. E em 90% das vezes detestei, ou nem consegui ver os filmes até ao fim porque apesar de conterem sempre bastante acção têm na verdade sobre mim um efeito sorporifero perfeito para combater insónias, (um pouco como nos filmes de super-herois gringos actualmente).
A última xaropada de artes marciais que vi de Hark, foi o secante “Seven Swords” do qual já estou para falar dele aqui há séculos… Ou melhor, ainda estou para tentar acabar de vê-lo pela primeira vez, pois já por três vezes me sentei para o ver do início ao fim e em todas desisti bem antes de chegar a meio.
Mas então se eu detesto tanto o Tsui Hark, como raio é que eu estou sempre a ver os filmes dele ? – Perguntam vocês…e perguntam bem.
Bem, como já referi eu tenho o mau hábito de comprar filmes do Tsui Hark, sabe-se lá como !
Se calhar foi por causa do guito que já gastei com cinema dele que o homem parece ser tão importante pois eu ando a comprar filmes dele sem saber, há decadas já. Cada um pior que o outro.
Pensavam que eu estava a brincar quando disse que este realizador me persegue ?…
Primeiro foi com as cassetes VHS pois alguns filmes chegaram a portugal, depois foi com o dvd e agora parece que ando a comprar coisas dele em Blu-ray também…Até em torrents eu já saquei Tsui Harks sem saber, (alguns incluídos já neste blog também)…
Se calhar devia ir à bruxa…

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Portanto, recapitulando ontem decidi rever [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”]. Pois como já sabia o que continha de mau, a ideia foi tentar ignorar aqueles tiques Tsui Hark que detesto e tentar procurar pelas coisas boas que descurei quando vi o filme há dois anos pela primeira vez acompanhado das minhas baixas espectativas.
E não é que desta vez adorei ?…

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Ok, não adorei, adorei… Não fiquei extasiado…
Adorei…
Explicando…a verdade é que sabe-se lá como, ontem o raio do filme divertiu-me bastante.
É claro que mais uma vez contem tudo o que eu odeio no cinema de Hark mas acho que desta vez também lá está muita coisa boa que não costuma existir…
No que toca a coisas que eu odeio no cinema de Hark, também em [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”], tudo o que é mau continua…péssimo!
Como raio é que este tipo continua a ser considerado um bom realizador ultrapassa totalmente a minha compreensão.

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Desenvolvimento de personagens é mentira. Mais uma vez o filme está cheio de gente totalmente desinteressante que nunca cria qualquer empatia com o espectador; as tentativas para humanizarem os heróis com a inevitável história de amor aqui caem por terra novamente pois os personagens não têm profundidade, as sequências de acção são ultra estilizadas e são sempre todas iguais, (ao que já eram em todos os filmes anteriores também). Além do mais temos ainda, o habitual desiquilibrio narrativo entre cenas de porrada repetitivas, “artificiais” e sem qualquer carisma que ainda por cima são bem curtas.
[“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] é um filme de kung-fu que irá desagradar bastante a quem procura um filmes de artes marciais, pois toda a acção embora abundante é sempre muito curta e sempre mais do mesmo do início ao fim da história…se exceptuarmos as cenas com os v…já lá vamos…

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Ainda por cima embora neste filme a coisa já esteja mais suavizada, Hark continua a filmar como se estivesse nos anos 80. Não só pela forma como algumas sequências estão montadas como principalmente conta com uma das coisas que eu mais detesto ver em cinema e em particular no cinema deste realizador pois inevitávelmente é algo que podemos sempre esperar dele ainda hoje em dia como se o homem tivesse parado no tempo e continuasse fã daqueles filmes do Dario Argento dos anos 70 onde tudo era iluminado a lâmpadas de lava e papel de celofane ás cores azuis e vermelhas. Incrivelmente também neste filme continuamos a ver aqueles cenários iluminados por holofotes azuis e brancos que fazem com que grande parte do filme pareça ser um cenário de um videoclipfuturista” do início dos anos 80 ou um teledisco das Bangles em finais dessa década. Todos os estereótipos visuais pirosos dos anos 80 estão presentes no cinema de Hark ainda hoje e isso é das coisas que eu mais detesto nos filmes dele, pois retiram-me imediatamente de dentro do universo em que o filme esteja a decorrer para me transportar algures para um videoclip dos Duran Duran ou dos Classics Nouveaux circa 1981…blargh !

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Esse tique visual ao pior estilo Hark em [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] é aquilo que quase arruina o filme para mim novamente. Ocorre bem demarcado a meio da história e é precisamente por causa disto que de repente todo o trabalho espantoso de cenografia e atmosfera que finalmente foi conseguido num filme deste realizador cai por terra. Isto porquê ? Porque de repente parece que alguém decidiu ir filmar para uns esgotos subterrâneos, iluminou tudo como se fosse um video do Michael Jackson e encenou mais uma cena de luta estilizada que neste caso ainda se torna mais desinteressante pois a qualquer momento esperamos que a Madonna entre por ali a cantar o Like a Virgin.

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Ou pior ainda, de repente [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] deixa de ser um filme de fantasia e visualmente entra durante largos minutos por um estilo telenovela da TVI. E quem me está a ler em Portugal sabe o quanto isso é atroz !!! Iluminação televisiva do pior.
O que irrita ainda mais, pois curiosamente até meio do filme [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] até estava a ir tão bem. Mesmo visualmente. Apesar do óbvio CGI por todo o lado, a verdade é que desta vez Tsui Hark até acertou e o filme tinha um ambiente fantástico logo desde o inicio, com cenários épicos, excelente design e uma fotografia realmente luminosa que deu à história logo uma vida bem diferente do que é costume encontrarmos no cinema de Hark.
Mas depois o gajo a meio estraga tudo quando vai para os “esgotos” filmar focos de luz nas paredes.

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Não só desaparece toda aquela atmosfera épica que até então o filme tinha, como ainda por cima entra em total contraste visual com tudo o que supostamente estaria a ocorrer na história. Nesta parte do argumento, o bando de heróis é suposto estarem a visitar uma espécie de mundo perdido, uma cidade encantada de atmosfera negra ao melhor estilo fantasia clássica mas depois de uns mate paintings digitais um bocadinho apressados para estabelecer o aspecto desse mundo, Tsui Hark parece que joga fora todo esse design inicial e o filme parece não pertencer de todo a esse universo. Subitamente parece que estamos num outro filme despido de detalhes e com excesso de focos de luz por todo o lado.

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Felizmente que esta sequência na cidade perdida não é longa, mas infelizmente é um verdadeiro catálogo de tudo o que é mau no cinema de acção de Tsui Hark. Porrada repetitiva, desinspirada, focos de luz ás cores por todo o lado, realização em estilo anos 80 e mais personagens de cartão sem qualquer carísma que parecem ter entrado no filme apenas para justificar a gravação de cenas no “esgoto” porque, sabe-se lá como [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] até aí quase que nem parecia um trabalho deste realizador e o homem deve ter começado a entrar em pânico porque desta vez o filme até estava indo bem demais e os espectadores ainda estavam acordados.

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De qualquer forma, felizmente que após este interlúdio visualmente piroso, [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] entra novamente pelos eixos e dali até ao final continua bastante divertido e até algo carismático pois aquilo que falta em desenvolvimento de praticamente 90% dos personagens depois é compensado com uma história dinâmica cheia de reviravoltas onde se nota que houve um esforço para tentar realmente enganar o espectador no que toca à resolução do mistério.
Não me enganou a mim, mas ainda conseguiu guiar-me por um par de detalhes que eu não esperava por isso acho que quem escreveu isto está de parabéns, pois ao menos tentou realmente dar uma boa história ao público e quanto a mim conseguiu.
Tivesse este filme contado com um realizador capaz de criar algo mais do que personagens de cartão e [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] teria sido um filme de aventuras extraordinário.

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Assim como está, é realmente um bom filme de aventuras e provavelmente o melhor produto que Tsui Hark fez em décadas de cinema conceituado (sabe-se lá como) mas nem por isso menos pimba. Ao menos desta vez não aborrece de morte o espectador, pois as habituais cenas de acção repetitivas não duram muito, a história e conceito são excelentes e o final também é bastante bom.
O personagem do Detective Dee é um boneco excelente e espero sinceramente que na sequela já o tenham dotado de mais personalidade. A imperatriz é o melhor do filme inteiro, pois apesar de parecer um bocado à deriva pelo meio da história, é na verdade um grande personagem pela forma como está caracterizada, não sendo nem uma heroína, nem uma vilã. Como dizem alguns utilizadores no IMDB foi uma oportunidade perdida para se fazer algo mais com esta personagem na história, mas tendo em conta que isto é um filme de Hark, como está já é um verdadeiro milagre ter resultado.

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[“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] essencialmente é o equivalente chinês dos novos filmes de Sherlock Holmes com o Robert Downey Jr.
Nota-se que a ideia foi fazer um blockbuster nos moldes ocidentais ao melhor estilo do bom cinema de aventuras criado em Hollywood mas honra seja feita a Tsui Hark isso não impediu que tivesse mantido a sua identidade oriental na mesma.
Se vocês procuram um bom cruzamento entre o Indiana Jones, o novo Sherlock Holmes para cinema e um Wuxia no estilo do O Tigre e o Dragão têm aqui uma boa proposta, pois apesar dos tiques Hark pelo meio não há dúvida que como entretenimento pipoca despretensioso é um filme muito agradável mesmo.
E divertido.

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[“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] é um daqueles filmes que apesar das suas fraquezas nos faz ficar com vontade de ver uma sequela e sei que esta já existe…realizada por Hark novamente…
Só posso ter esperança que a segunda aventura já tenha corrigido os defeitos da primeira, tenha dado realmente vida aos personagens e por todos os deuses chineses, acabem-me com aqueles holofotes de teledisco da Maddona em inicio de carreira !!!

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[“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] essencialmente é um mistério no estilo Sherlock Holmes tradicional, só que este sabe andar à porrada com kung-fu e tem um pouco do cinísmo de Indiana Jones o que só lhe fica bem.
Parece que este detective existiu mesmo no período retratado no filme, mas óbviamente a sua actuação como investigador policial do reino terá sido um bocadinho diferente do que aparece aqui nesta versão pipoca.
Esta aventura adapta um dos livros de um autor curiosamente do norte da europa e que supostamente serão bastante populares algures por aí…tenho que investigar isto…

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Neste caso, a história gira à volta de assassinatos misteriosos envolvendo combustão humana espontânea e essa foi uma das melhores ideia do filme, pois apesar de usar muito o CGI nessas cenas de mortes, mesmo assim tem um estilo gore bem gráfico e sangrento que certamente nos estados unidos seria censurado mas aqui é mostrado em cada detalhe ardente de cada vez que uma vítima começa a pegar fogo espontaneamente até que morre carbonizada aos nossos olhos. Em pormenor.
Muito giro.
Essencialmente não há muito para dizer sem lhes estragar o prazer da descoberta. Resta dizer que … aquele “actor” ocidental que aparece no inicio do filme a fingir que é um navegador – Espanhol – é de ver para crer e rir até às lágrimas de cada vez que abre a boca (como se a sua barba não fosse suficientemente hilariante). Parece que foi interpretado por um conhecido… alpinista… francês…
Não perguntem…

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E já agora se vocês pensam que já viram tudo depois deste “espanhol” completamente inútil para o argumento e que aparece sabe-se lá porquê no inicio do filme…então preparem-se para as cenas de kung-fu com veados.
Eu disse, cenas de kung-fu com veados.

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São filmes do Tsui Hark e filmes com veados. Ultimamente parece que ando a ser perseguido por eles também…
Agora é não só um filme do Tsui Hark como também mete veados. Um verdadeiro dois-em-um com o universo a conspirar contra mim.
Eu devo ter um karma qualquer…

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CLASSIFICAÇÃO

Haja milagre. Um bom filme do Tsui Hark !!! Por acaso divertiu-me bastante assim que consegui ultrapassar o meu desprezo pelos tiques visuais deste realizador e só não lhe dou uma nota mais alta por dois motivos. Primeiro por causa desses mesmos tiques visuais que se intrometem a meio do filme de forma realmente intrusiva e quase estragam o ambiente todo; segundo, porque como esta aventura já tem sequela guardo a nota melhor para quando vir a continuação disto, pois espero sinceramente que consiga evoluir favoravelmente porque potencial não falta aqui, para se fazer uma excelente série de blockbusters pipoca orientais de forma a mostrar que bom cinema espectáculo não sai apenas de Hollywood como muita gente ainda pensa.
Excelente aventura apesar das falhas do costume. Aguardam-se desenvolvimentos.

Trés tigelas e meia de noodles (com possibilidade de subir no futuro) pois vale mesmo a pena espreitarem. E se tiverem blu-ray recomendo a compra deste disco pois tem uma qualidade técnica do outro mundo.

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A favor: É uma aventura divertida, tenta ter uma história intricada e quase consegue dar a volta ao espectador, visualmente apesar do excesso de cgi é um filme com uma identidade chinesa espectacular, já conta com uma montagem bem melhor do que costuma haver nos filmes de Hark, muitos cenários apesar de artificiais ao olho são realmente fantásticos, excelente design de produção em alguns momentos com cenários grandiosos num estilo steampunk que parece cada vez mais popular pelo oriente, tem um par de personagens com potencialidade, as cenas de combustão humana espontânea estão muito engraçadas, o final deixa-nos com vontade de ver uma nova aventura. Tem Kung-Fu com veados e “espanhóis” com sotaque francês…e barbas…ridículas…

Em certos momentos tem um certo sabor a “Young Sherlock Holmes” que muitos de vocês se recordam dos anos 80 e que em Portugal ficou conhecido como “O Enigma da Pirâmide”. Só que este agora mete Kung-Fu.

Contra: é um filme Tsui Hark com tudo o que isso acarreta de mau, não se vão escapar do estilo visual tipo videoclip pindérico anos 80 com holofotes cheios de cor azul e branca nas paredes, 95% dos personagens são de cartão, Hark não tem qualquer talento para filmar histórias de amor e por isso esta não cria qualquer empatia com o espectador, as cenas de luta são as do costume que já viram mil vezes em todos os outros filmes do realizador, a realização alterna entre um estilo bem moderno e uma estética retro que de repente quase que arrasta o filme para o pior dos anos 80, o cgi tem um design excelente mas nota-se demasiado que tudo é animação de computador.
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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
https://www.youtube.com/watch?v=-3N9n-0lpGo

Comprar Dvd
http://www.amazon.co.uk/Detective-Dee-Mystery-Phantom-Flame/dp/B004N6WXE8/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1399928636&sr=8-1&keywords=detective+dee

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Comprar Blu-ray
http://www.amazon.co.uk/Detective-Dee-Mystery-Phantom-Blu-ray/dp/B004N6WXDY/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1399928636&sr=8-2&keywords=detective+dee

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1123373

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Por agora (Maio 2014) o filme todo está à borla no youtube com legendas em inglês.
https://www.youtube.com/watch?v=tZiu2jqa3f0

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Space Battleship Yamato (Space Battleship Yamato) Takashi Yamazaki (2010) Japão


O design é fantástico, os efeitos especiais são muito bons e cheios de pequenos detalhes nas próprias sequências de acção, parece mesmo um Anime em “imagem real”, a história podia ser pior e não envolve as macacadas habituais do cinema Japonês de FC, o ambiente é bem conseguido, tem uma óptima fotografia e muitos personagens com potencial quanto baste para fazer disto um dos melhores filmes de ficção científica saídos do Japão nos últimos anos.

Então porque raio é que [“Space Battleship Yamato“], é tão mau ?!!
Mas mau mesmo !
Não é daqueles – tão maus que se tornam bons – e por isso nunca se tornará num filme de culto até mesmo junto daqueles que gostaram do Anime em que foi baseado. [“Space Battleship Yamato“] é simplesmente mau e pronto.
E porquê ? Porque há aqui qualquer coisa que não se percebe de todo. O filme tem 138 minutos, é desinteressante como o raio e o pior é que nunca se percebe bem porquê quando chegamos ao fim.

Será porque nos deixamos dormir a cada 40 minutos de filme mais ou menos ?
Será porque tenta ser um drama humano tão intenso a nível de personagens que tem provavelmente dos diálogos mais chatos e arrastados dos últimos tempos ? Sabem aqueles filmes que têm duração a mais ? [“Space Battleship Yamato“] tem duração a mais nas cenas de diálogo, consegue aborrecer mesmo sendo dinâmico na montagem e practicamente é uma seca porque os momentos com os personagens são sempre tão desinteressantes, longos e vazios; que como espectador senti sempre que apenas continuava a ver este filme porque visualmente é tão cativante que me forcei a não dormir á espera das cenas em que o design era exibido, apenas para ver o que apareceria a seguir.

O Japão não é propriamente conhecido por produzir cinema de ficção-científica hardcore naquele tom sério que encontramos numa novela do género. Talvez a única tentativa para lançar um épico mais sci-fi em tom mais realístico tenha sido o fascinante “Bye Bye Jupiter” e mesmo essa com o resultado que se viu…
Temos também o muito bom, “The Sinking of Japan” mais dentro do género catástrofe e pouco mais há.
Ficção-Científica no Japão significa acima de tudo “Godzilla” com clones do género ás dezenas e pouco mais e eu sempre me perguntei porquê. Especialmente nos tempos modernos em que os japoneses já demonstraram que fazem efeitos especiais tão bons ou melhores quanto o que sai actualmente de Hollywood e do qual o trabalho visual apresentado em [“Space Battleship Yamato“] não é excepção.

Por isso eu quando descobri este filme fiquei logo muito contente e atirei-me a ele plenamente convencido de que desta vez é que era. Parecia que o Japão tinha finalmente conseguido fazer uma Space-Opera cinematográfica que não ficava nada a dever ao que os americanos fazem comercialmente falando.
Ainda dizem que a pirataria não é útil ? Se isto fosse como nos velhos tempos eu teria comprado imediatamente o dvd disto ou o blu-ray sem pestanejar pois tinha por filosofia comprar para ver.
Eu matava-me se tivesse gasto agora dinheiro neste filme !
Especialmento porque [“Space Battleship Yamato“] seria mesmo o tipo de titulo que eu compraria logo sem pestanejar ou sequer ver primeiro. Por isso neste momento só posso dizer, viva a pobreza que me salvou de gastar dinheiro naquilo que foi um dos filmes mais chatos de FC que me passaram pela frente em muitos anos. Será inclusivamente a Space-Opera mais desinteressante que alguma vez vi.

É que apesar de visualmente parecer que segue todas as regras que tornam o género da Space-Opera o divertimento garantido que se sabe (graças ao template Star Wars também), a verdade é que [“Space Battleship Yamato“] acerta ao lado em tudo. Se isto fosse uma batalha naval o único navio que seria afundado no jogo seria o do próprio jogador.
O visual e as cenas de efeitos especiais são regra geral excelentes ou muito boas, inclusivamente o estilo de combates espaciais está baseado nas próprias leis da física e as naves portam-se mais como os caças de Babylon-5 do que com as naves bonitinhas do Star Trek.

O problema é que tudo o que é visualmente estimulante em [“Space Battleship Yamato“] dura muito pouco.
Pouco mesmo !
As sequências de combate são tão rápidas e dinâmicas que mal começamos a habituarmo-nos ao seu ritmo e estilo visual, já estas acabaram. Com a agravante de apesar de não haver nada neste filme que já não tenham visto dezenas de vezes noutros lados, nomeadamente por exemplo no recente remake da Galactica. Tudo muito competente técnicamente mas sem grande imaginação na verdade. Não há nada em [“Space Battleship Yamato“] daquele chamado “WOW factor“.

Depois como contraponto e para intercalar com as cenas “exteriores” em bom CGI, apanhamos intermináveis sequências com personagens no interior da Yamato em diálogos totalmente desinspirados e sem interesse algum; numa tentativa desesperada do realizador (e argumentista talvez), para colarem o estilo da tripulação da nave á química de personagens encontradas em Star Trek. Especialmente encontrada no NOVO Star Trek de J.J.Abrahms.
Nota-se uma tentativa constante de fazer com que esta tripulação da Yamato, se pareça tanto com a da Enterprise que inclusivamente nem aqui falta um “Mr Scott” na sala das máquinas.
[“Space Battleship Yamato“] tem personagens a mais com histórias interessantes a menos.

Curiosamente esta intenção de reproduzir o estilo Star Trek começa logo por se afundar no personagem do capitão da nave. O que raio é aquilo ? É um boneco sem vida, um actor morto sentado no banco ou será um gajo completamente aborrecido por entrar no filme ? Terá isto tudo sido culpa do argumentista que lhe deu algumas das cenas mais chatas de toda a história para debitar diálogos sem qualquer interesse ?!
O problema é que isto não se esgota num personagem. Todos são ou aborrecidos de morte, ou irritantes á bráva e a única vez que [“Space Battleship Yamato“] ganha alguma humanidade é numa breve sequência de despedida através do ecran do videofone e isto graças ao carisma dos dois actores que por breves segundos conseguem passar mais emoção do que o resto do elenco do filme em 138 minutos !

[“Space Battleship Yamato“] alterna entre o visualmente fascinante, o chato como o raio e o irritante á brava !
Irritante á brava porque se por um lado tenta colar-se ao estilo Star Trek no que toca a personagens, por outro tenta desesperadamente parecer-se com um filme de Hollywood a todo o instante, muito em particular parece que este filme o que gostaria de ter sido era o “Armageddon” de Michael Bay e não consegue, não por falta de meios mas por falta de capacidade do realizador para tentar imitar correctamente o estilo do realizador americano. Especialmente quando não se decide se quer ser o Star Trek (notem os constantes lens-flare e a movimentação de câmera a imitar o Trek novo) , a Galactica, o Wing Commander, ou o Armageddon !

Se algumas vez pensaram como poderia ser um filme do Michael Bay mas desinteressante como tudo pelas razões mais inesperadas, têm aqui uma boa resposta em [“Space Battleship Yamato“].
A gente sabe que o Michael Bay não é própriamente um realizador genial, e aquela montagem a trezentos por segundo é horrorosa, mas ao menos naqueles raros bocados em que até tem alguma coisa para narrar ele sabe contar uma história apesar dos pesares. Tal não acontece com este realizador de [“Space Battleship Yamato“] que se espalha precisamente nas cenas que supostamente deveriam humanizar -“o estilo Michael Bay“- mas falham redondamente porque, ou os textos são chatos, as sequências são longas e vazias ou então é a própria história que não tem interesse suficiente para ser esticada artificialmente por 138 minutos que mais parecem quatro horas.

Essencialmente [“Space Battleship Yamato“] conta a história do planeta Terra estar practicamente nas últimas. Nada resta daquilo que antes foi a natureza verdejante do nosso mundo e toda a humanidade está a morrer. Não só por toda a falta de condições naturais mas também porque o nosso mundo está a ser atacado por uma raça alienígena que insiste em nos limpar da superfície porque são maus e pronto. Até têm um motivo, mas é tão banal e desinteressante que eu nem quero estragar aqui “o twist” do argumento. Isto se vocês chegarem acordados até ele claro está.
Um dia é recolhida uma cápsula vinda do espaço e quando analisada, as autoridades informam a população de que esta contêm um mapa que levará uma missão espacial até ao planeta Iskandar onde poderá encontrar-se a cura para toda a devastação da humanidade. Logo é escolhida uma tripulação e a nave Yamato é lançada para o espaço nessa missão de confirmar se existirá de facto em Iskandar algo que poderá salvar a Terra.
Isto claro, com os alienígenas atrás tentando impedir o sucesso dos nossos herois, assim ao melhor estilo Cylons contra humanos.
Ah, e claro que há uma história de amor pelo meio.
Nem se nota.

[“Space Battleship Yamato“] é um daqueles filmes de que apetece logo gostar muito. Especialmente se vocês forem fãs de Space-Opera e sempre acharam que o Japão poderia ser um bom local para se filmar umas boas aventuras espaciais ao melhor estilo clássico. Isto já que nos Estados Unidos toda a gente parece ter medo de filmar histórias de aventuras no espaço e depois ser comparado com o sucesso de Star Wars.
Inclusivamente muita gente hoje ainda pensa que foi George Lucas que inventou o estilo e o género Space-Opera devido ao sucesso de “A Guerra das Estrelas” desde os anos 70 quando este desenterrou o estilo clássico das aventuras espaciais dos anos 30 e 40 e o transformou no template cinematográfico que se conhece hoje e que muito pouca gente voltou a usar por medo de ser considerado plágio.

Se virem o trailer de [“Space Battleship Yamato“] e gostarem de Space-Opera muito provavelmente ficarão logo com vontade de comprar o filme. Cuidado.
Recomendo que o vejam de um torrent primeiro, porque isto não é o filme divertido que vocês esperam e que toda a gente gostaria que pudesse ter sido.
Surpreendentemente é até bem menos divertido do que “The X-From Outer Space” se é que acreditam numa coisa destas.
[“Space Battleship Yamato“] leva-se demasiado a sério e por isso espalha-se ao comprido em tudo o que tenta atingir.
Além disso, para completar a colagem ao estilo Michael Bay, ainda por cima a banda sonora é cantada em Inglés por nem mais nem menos do que Steven Tyler dos Aerosmith…hmmmm…..onde é que a gente já viu isto antes ?….Em que filme com um asteroide gigante é que…hmmmm…..
Isto é absolutamente deprimente.

Não só [“Space Battleship Yamato“] tenta ser um clone á americana made in japan daquilo que Michael Bay faz em Hollywood como ainda por cima a própria música da banda sonora parece ela mesma um clone da sua “versão” mais famosa que o próprio Steven Tyler já tinha gravado para “Armageddon”.
Isto para nem falar do final do filme, meus amigos…
Deprimente.

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CLASSIFICAÇÃO:

Com muita, muita pena minha leva a mesma classificação do filme abaixo, o que demonstra claramente que o facto de um filme ter excelentes efeitos especiais não significa automáticamente que seja um bom filme de FC ao contrário de produções mais antigas ou modestas.
[“Space Battleship Yamato“] acerta ao lado em tudo o que se propõe fazer e aquilo que deveria ter sido uma fantástica e divertida Space-Opera japonesa, acaba por ser um produto muito decepcionante, chato e por vezes bastante irritante.
Tinha tudo para ser fantástico e pelo visto dinheiro também não lhe faltou e não passa de um mau clone de um estilo que por si só originalmente já nem sequer é grande coisa.
Uma tigela e meia de noodles, apesar de ser um daqueles filmes de que apetece gostar mesmo muito. Mas depois acordamos para a realidade.
Querem uma boa space opera japonesa ? Vejam antes o “X-Bomber/Starfleet” pois apesar de primitivo e ser todo em marionetes tem mais alma e emotividade que esta produção modernaça cheia de estilo e efeitos a sério.

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A favor: Bons efeitos especiais, bom design de produção, boa fotografia, contém algumas paisagens fantasticas.
Contra: os personagens não têm interesse, os diálogos arrastam-se no vazio, as cenas de acção são muito breves e totalmente desinspiradas, não tem nada que não tenham visto já mil vezes noutros sitios, tenta imitar o mais popular de Hollywood e espalha-se ao comprido, nota-se o constante desespero de produzir um filme á americana quando se calhar a chave do sucesso estaria na sua identidade original, a história resume o Anime mas não tem grande imaginação ou interesse, pura e simplesmente não é divertido.
Ah, e o cabelo á Michael Jackson do heroi dá-me cabo dos nervos. 🙂

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Row0rYFQCHs

Ainda não está a venda na altura em que escrevo isto.

Download aqui com legendas em PT/BR

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1477109

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Musa (Musa the Warrior) Sung-su Kim (2001) Coreia do Sul


Este foi um dos primeiros dvds orientais que eu comprei já há alguns anos atrás e um dos filmes que me fizeram ficar a gostar muito do cinema daquela parte do mundo.
Estou para falar de [“Musa the Warrior“] desde que criei este blog  e na verdade até era para ter sido o primeiro filme aqui comentado não fosse por uma coisa.

Na altura quando me preparava para escrever sobre esta obra de aventura medieval descobri que infelizmente a versão que eu tinha comprado não era a versão integral do filme. Apesar da edição dvd que eu tenho ser uma edição chinesa comprada na Play Asia (caixinha com excelente grafismo e muita pinta), não é no entanto a versão completa e portanto resolvi adiar o meu comentário sobre esta obra para um dia em que eu conseguisse ter acesso ao filme integral. Isto porque a montagem curta parece ter sido apenas criada para o mercado exterior ao da Coreia do Sul.

Quando vi [“Musa the Warrior“] pela primeira vez gostei muito mas não fiquei particularmente impressionado por aí além. Sempre achei que lhe faltava qualquer coisa mesmo sem saber na altura que havia uma versão bem maior.
Algo não batia certo. Practicamente todas as reviews que eu encontrava consideravam-no extraordinário e no entanto eu continuava a achá-lo uma boa aventura mas pouco mais e não percebia de todo porque isto era tão considerado por tudo quanto era sítio.

Ao investigar melhor depois apercebi-me que [“Musa the Warrior“] seria um filme com muito mais do que apenas excelentes sequências de acção, mas para meu azar só conseguia encontrar a versão curta á venda em dvd e nem em torrents se econtrava o original que parecia guardado a sete chaves na coreia do sul sabe-se lá porque razão.
Aliás, agora que vi finalmente a versão integral é caso mesmo para perguntar o que raio deu na cabeça de alguém para fazer uma versão curta disto apenas com as cenas de porrada, pois 25 minutos a menos fazem (e de que maneira) muita diferença nesta extraordinária história de honra e amizade ao melhor estilo oriental.

O dvd com a versão integral continua pelos vistos extinto em todo o lado excepto se o quiserem comprar na Austrália, embora também já exista um torrent com esta versão e portanto recomendo que o vão buscar aqui antes que volte a sumir.
[“Musa the Warrior“] na sua versão integral é um daqueles filmes que vocês precisam mesmo de ver, por muitas e variadas razões.
A Coreia do Sul não é conhecida por produzir Wuxias com a qualidade que costuma sair da China e é mais prolífera a deitar cá para fora filmes de porrada estilizados para adolescentes em estilo videogame do que própriamente tem conseguido criar épicos históricos memoráveis, por isso não deixa de ser uma verdadeira surpresa um filme como [“Musa the Warrior“] ter saído precisamente daquele país.

Embora na verdade, isto não seja propriamente um Wuxia no verdadeiro sentido da palavra e na realidade também não será um épico histórico apesar da espectacularidade das cenas de acção.
[“Musa the Warrior“] na sua versão original é um grande filme medieval até com uma surpreendente carga intimista devido á fantástica caracterização humana de todos os seus personagens a um nível que raramente se encontra em filmes de porrada medieval.

Contém possivelmente das melhores cenas de luta á espada e batalhas tradicionais que alguma vez vi dentro deste estilo. Há outros filmes com cenas de guerra fabulosas como por exemplo “The Warlords” e que em escala épica ultrapassam em muito o que se pode ver em [“Musa the Warrior“], mas isto é porque são filmes com centenas de figurantes nas cenas de batalha enquanto [“Musa the Warrior“] se centra mais em pequenas escaramuças e no combate homem a homem espada contra espada.
Se alguma vez pensaram como seria um verdadeiro filme de Conan o Bárbaro se este retratasse correctamente no ecran a carnificina individual que se encontra na banda desenhada não vão mais longe, pois este extraordinário filme de aventuras Sul Coreano é esse filme.

[“Musa the Warrior“] tem dos melhores, mais realísticos e mais crueis combates á espada que vi em cinema até hoje e provavelmente será dos filmes que melhor retrata a realidade destes ambientes históricos nesse sentido.
Até eu que já vi dezenas de épicos históricos com sangue quanto baste, fico surpreendido quando revejo [“Musa the Warrior“] e mais surpreendido fiquei agora que o revi na sua verdadeira versão pois contém ainda mais snippets de sangue explícito que a versão remontada para o ocidente largamente difundida pelo mundo quem nem imagina o que perde por só ter acesso apenas a 130 minutos de 154 originais.

Se procuram um filme com gente decepada, membros cortados de todas as maneiras e feitios e ainda com as decapitações mais viscerais de tudo o que já viram em cinema, não podem perder [“Musa the Warrior“] pois é dificil descrever em palavras a quantidade de sangue presente nas inúmeras batalhas. Sobretudo tem cenas de batalha individual que são mesmo de ver para crer e pela sua crueza, realismo e emotividade são o antídoto perfeito para quem já está farto de filmes de espada plásticos feitos em Hollywood onde o politicamente correcto se sobrepõe ao realismo de divertidas decapitações como deve de ser.

Mas nem só de tripas e sangue vive este filme. Se virem apenas a versão curta remontada de 130 minutos, essencialmente [“Musa the Warrior“] é apenas um movimentado filme de aventuras que no entanto tem um ritmo narrativo algo estranho. No entanto,  apesar da acção não pode ser totalmente atirado para a categoria de filmes de guerra ou porrada pura e simples. Isto porque como já referi , sente-se a falta de algo  mais na versão curta, mas nota-se que haverá algo por lá que não estamos a ver.
A versão curta apesar de funcionar bem enquanto filme de aventuras resulta num produto ambiguo apesar de tudo.
Agora, se vocês virem a versão integral vão ter uma boa surpresa e não é apenas por causa das quantidades adicionais de sangue no ecran.

[“Musa the Warrior“] na sua versão completa além de ter cenas de violência medieval incríveis, tem provavelmente a melhor caracterização de personagens que poderão encontrar num filme com estas características.
Aliás, os personagens são tão  bons que de repente as cenas de luta até ganham uma outra dimensão, pois muitos daqueles bonecos que na versão curta nos pareciam apenas figurantes colocados no filme para andarem á espadeirada subitamente tornam-se pessoas com que realmente nos importamos.
[“Musa the Warrior“] é extraordinário na forma como caracteriza toda a gente neste filme e a força dos seus personagens é sem sombra de dúvida a grande mais valia desta história simples mas que ganha uma dimensão dramática que não esperavamos que tivesse.

Não há um personagem neste filme de que não gostemos.
Toda a gente tem o seu momento e a sua função na história. Não só os personagens principais são excelentes como o cuidado colocado nos secundários é absolutamente notável o que dá uma dimensão dramática extraordinária á versão integral de [“Musa the Warrior“] que não encontramos de todo na versão curta, pois essencialmente os 25 minutos a mais que estão no filme completo são as cenas em que conhecemos as pessoas envolvidas na aventura.
Em [“Musa the Warrior“] até quando morre um figurante conseguimos sentir empatia com a pessoa pois todo o background é tão bem estruturado que confere uma profundidade única dentro de um filme que se calhar nem pedia mais do que ser aquilo que está na versão curta, ou seja apenas um bom filme de aventura medieval e no entanto consegue atingir o nível de um excelente drama na versão integral de forma inesperada.

Outra das coisas geniais a nivel de personagens em [“Musa the Warrior“] é o facto de não haver vilões de serviço. Não há maus, não há super-vilões e todo o conflito se passa essencialmente entre várias facções de pessoas que estão em guerra pelos motivos politicos e históricos habituais. No entanto toda a história de [“Musa the Warrior“] poderia ser contada do lado “dos vilões” que o espectador ganharia empatia com aqueles personagens também.
É quase um filme anti-guerra sem ser panfletário, pois foca bastante o facto de nem sequer os personagens saberem bem porque precisam de lutar e chega-se a notar o facto de que qualquer um destes soldados poderia mudar de campo que não faria difrença.
Isto é inclusivamente um pequeno sub-plot dentro da própria história principal que é bastante bem usado também para tornar bastante humano aquilo que é o mais próximo que este filme tem de um vilão. Um persoangem que também é apresentado como um comandante com grande sentido de honra e respeito pelo adversário, o que contribui bastante para a carga humanista da própria história e eleva este filme muito para lá do típico filme de porrada com espadas.

Na verdade [“Musa the Warrior“] é um dos melhores filmes com anti-herois de todos os tempos na minha opinião. Ninguém é verdadeiramente bom ou mau e toda a gente se comporta de uma forma bastante humana onde momentos de cobardia ou medo por se encontrar no meio de uma guerra se cruzam com feitos heroicos com honra e grande camaradagem e isto sente-se tanto do lado “dos herois” como do lado de quem os persegue e é um dos grandes pontos fortes deste filme.
A sua versão integral é para mim realmente a obra prima do cinema medieval que muitas reviews apregoavam há alguns anos atrás e eu não conseguia perceber a razão de tamanho elogío. A versão curta embora seja uma boa opção para quem procura apenas cenas de acção, não faz de forma nenhuma justiça ao poder dramático e emotivo da versão completa.

Curiosamente, este é também um filme diferente a nível de actores, pois encontramos a atlética e versátil Zhang Ziyi num papel dramático diferente do habitual. Ao contrário do que é costume e do que se esperava ela não tem em [“Musa the Warrior“] qualquer cena de luta, pois desta vez limita-se a fazer o papel da Princesa da história sem qualquer envolvimento nas sequências de batalha.
Muita gente lamenta esse facto mas quanto a mim foi uma boa opção, pois este personagem precisava de alguém com a qualidade dramática da actriz que pudesse humanizar aquela que é uma das personagens mais humanas e fascinantes da história sobre a qual gira toda a tragédia sem sentido.

Na verdade estou a tentar lembrar-me de algo realmente mau para referir sobre este título na sua versão integral e não consigo; com excepção de um pormenor que mencionarei no final do texto.
O guarda roupa é outro pormenor extraordinário por exemplo. Tudo neste filme tem texturas extraordinárias em tons sépia e ocre e dá uma atmosfera realística a [“Musa the Warrior“] onde nem sequer nos lembramos que estamos a ver actores vestidos com fatos de cinema e tudo nos parece real como se estivessemos a acompanhar um documentário histórico através de uma qualquer máquina do tempo.

Uma nota especial para a realização que soube como ninguém equilibrar as sangrentas cenas de luta espectaculares com os momentos mais dramáticos e humanos de toda a história com um estilo tão natural e orgânico que nem sentimos a presença do realizador por detrás da câmara; muito menos nos parece estarmos a acompanhar um argumento para cinema pois tudo nos parece extremamente real.
Além disso [“Musa the Warrior“] conta com uma colecção de cenários naturais que irá agradar bastante a quem gosta de ambientes orientais exóticos, especialmente se gostarem de aventuras passadas em desertos ou na Rota da Seda onde se misturam todo o tipo de culturas orientais. Não há grande variedade em termos de locais mas o que existe está fantástico e cheio de atmosfera, especialmente o forte em ruinas do final junto ao mar.

[“Musa the Warrior“] na minha opinião tem um pormenor muito fraco que se o filme não fosse tão bom poderia ter arruinado por completo todo o trabalho extraordinário que foi feito na criação de ambiente.
A banda sonora é péssima !
Muito, muito má mesmo !
Salvo o main theme e um par de melodias mais tradicionais ao longo do filme que são excelentes, tudo o resto é composto por ambientes sonoros com uma sonoridade totalmente contemporânea, onde até se usa e abusa do sintetizadores ao pior estilo anos 80.

Não compreendo de todo como raio se coloca uma música destas num filme deste. Até nos créditos finais, ainda mal estamos a absorver o excelelente final dramático entra-nos pelos ouvidos uma canção pop completamente deslocada de toda a atmosfera e isto é um bom exemplo do que acontece várias vezes ao longo do filme. Felizmente não nos colocam mais canções pop pelo meio mas é horrivel estarmos a ver uma sequência de acção fantástica de depois toda a envolvência musical é composta por melodias em estilo moderno e efeitos sonoros de sintetizador que parecem pertencer a tudo menos ao filme medieval que supostamente deveriam ajudar a ilustrar.
Não fosse tudo o resto em [“Musa the Warrior“] tão bom e esta banda sonora incompreensível teria arruinado por completo todo o trabalho da equipa de produção.
Salva-se o main theme que está no trailer, mas o resto das músicas é mesmo muito mau e completamente ilógico.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não há muito mais que eu possa dizer além do que já referi nas linhas acima.
A versão integral de [“Musa the Warrior“] é absolutamente notável em todos os aspectos, salvo na banda sonora muito fraca.
Quem não procura mais que um bom filme de aventuras com alguma profundidade pode perfeitamente comprar o dvd com a versão curta de 130 minutos que ficará muito bem servido, embora essa não valha mais do que quatro tigelas de noodles se eu a fosse classificar aqui.
No entanto quem quiser ver um extraordinário filme medieval com lutas inesquéciveis, decapitações clássicas, sangue em baldes e tudo complementado por uma carga dramática fantástica onde até os personagens secundários são inesquecíveis não pode de forma nenhuma perder a versão integral que infelizmente ainda só se encontra apenas em torrents e é um verdadeiro mistério não ter sido esta a versão editada em dvd fora da Coreia do Sul.
De qualquer forma, cinco tigelas de noodles e um golden award para a versão integral de [“Musa the Warrior“] pois é absolutamente genial em todos os sentidos, excepto na péssima banda sonora.

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A favor: os personagens são fantásticos e todos têm o seu momento e importância para a história, o filme na sua versão inegral tem uma carga dramática excelente que nos faz ainda vibrar mais com as batalhas, não tem herois nem vilões mas apenas pessoas em guerra, tem as melhores cenas de luta á espada que encontrarão num filme medieval, decapitações inesquecíveis e montes de tripas e baldes de sangue por tudo o que é frame neste filme, grande sentido de aventura cruzando com um bom drama humano, tudo muito bem equilibrado por uma excelente realização e direcção de actores naturalmente, se gostam de paisagens com desertos vão adorar isto, grande guarda roupa, as cores e texturas por todo o lado e o ambiente totalmente realistico, tem uma boa história de amor embora bastante contida, esquecemo-nos que estamos a ver um filme e os 155 minutos da versão integral passam mais rápido que os 130 da versão reduzida.
Contra: salvo o main theme a banda sonora é do piorio com muitos sintetizadores e sonoridade contemporânea que quase arruinam toda a atmosfera visual desta obra prima medieval, curiosamente tem muitas semelhanças com o “Warriors of Heaven and Earth” e quem já tiver visto o outro não apanha surpresas nenhumas com o final deste [“Musa the Warrior“]

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=C7Vg1HcgL8U

Comprar a versão curta editada fora da Coreia do Sul (130 min)
Está a preço da chuva na Amazon Uk

Comprar Versão Integral na Austrália
http://www.ezydvd.com.au/item.zml/230719

Download da Versão Integral (154 min)

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0275083/combined

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Joheunnom nabbeunnom isanghannom (The Good The Bad The Weird) Jee-woon Kim (2008) Coreia do Sul


A última coisa que eu esperava ver deste realizador a seguir a um filme de terror tão fascinante quanto “A Tale of Two Sisters” seria um Western e no entanto é isso que [“The Good The Bad The Weird“] é de uma forma tão genuína que nos confunde totalmente pelo facto disto não ser um filme americano e onde se troca o velho Oeste pela Manchuria nos anos 30.

[“The Good The Bad The Weird“] sendo embora absolutamente genial é no entanto um dos filmes mais difíceis que alguma vez tive de comentar aqui neste blog por muitas e variadas razões e portanto aviso já que o texto a seguir poderá parecer-lhes não só totalmente ilógico como se calhar absolutamente  esquizofrénico e sem sentido algum.

Isto porque como podem ver pela classificação que lhe atribuo abaixo, embora bastante boa acaba por nem ser a espectacular nota que este filme se calhar merecia que eu lhe desse, porque na verdade acho-o absolutamente brilhante em muitos aspectos e quanto a mim é uma obra prima do cinema de acção e contém das melhores sequências dentro do cinema de aventura puramente clássico talvez desde a primeira aventura de Indiana Jones. Isto no que toca a filmes com pistolas, balas, gajos com chapéus de abas e tiroteios.

Tudo no que toca a atmosfera e adrenalina é absolutamente genial em [“The Good The Bad The Weird“] e como produto de acção é realmente uma obra prima, pela sua frescura, sentido de aventura e originalidade quanto baste.
Visualmente é do outro mundo. Mais uma vez o realizador enche um filme de imagens inesquecíveis e onde cada frame é um quadro, que muitas vezes neste caso presta homenagem a dezenas de enquadramentos famosos da história dos westerns (e não só) que todos nós conhecemos até mesmo se não formos viciados em filmes de cábois.

O cuidado colocado em cada decor é absolutamente notável e merece que façamos uma pausa no filme só para apreciarmos todas as texturas, detalhes e cores que enchem [“The Good The Bad The Weird“] do principio ao fim. Na verdade isto visualmente é tão bom que mesmo que o filme não tivesse nenhuma cena de acção não conseguiriamos tirar os olhos do ecran desde o início pois toda a estética aqui é absolutamente fantástica dentro do mesmo estilo já encontrado em “A Tale of Two Sisters” mas desta vez aplicado a um universo visual de puro Western americano…embora com Sul Coreanos, Japoneses, Chineses e indios, perdão…Mongois.

E mais do que uma colecção enorme de referências cinéfilas puramente americanas, [“The Good The Bad The Weird“] é um verdadeiro achado para quem adora  Western Spaghetti e particularmente quem conhece bem o trabalho de Sérgio Leone. É que [“The Good The Bad The Weird“] é uma espécie de “O Bom O Mau e O Vilão” em esteróides !
Se Sergio Leone filmasse em estilo videoclip moderno cruzando westerns com serials de aventura o resultado seria algo muito semelhante a isto.
E refiro-o como um elogio.

Então se [“The Good The Bad The Weird“] é tão genial o que é que falha ?
Bem, infelizmente não tem o argumento de um filme de Sérgio Leone e muito menos se pode comparar a “Salteadores da Arca Perdida” nesse aspecto também.
[“The Good The Bad The Weird“] é o típico exemplo de um filme em que a estética sobrepõe-se a tudo a todo o instante. Talvez o facto de visualmente isto ser um produto tão absolutamente perfeito, essa perfeição lhe tenha retirado qualquer hipótese de poder conter um argumento realmente tão entusiasmante que a pudesse complementar ou equiparar.

É verdade que já vimos se calhar dezenas de filmes sem história que resultam apenas como cinema de acção, mas se calhar nunca vimos um produto tão cuidado a pedir desesperadamente por um argumento imaginativo. A última peça que tornaria [“The Good The Bad The Weird“] numa obra prima do cinema de aventura de pleno direito ao lado de todos os clássicos do género; uma marca que não consegue plenamente atingir porque enquanto espectadores gostariamos mesmo de ter algo interessante para acompanhar entre a obra prima visual que são as sequências de tiroteio e não há nada.
É um vazio total !!!

A forma como começa é a forma como acaba. Não há qualquer intriga interessante pelo meio, os personagens não sofrem qualquer evolução ou causam qualquer surpresa e só não são completamente aborrecidos de acompanhar porque [“The Good The Bad The Weird“] consegue ter um sentido de humor bastante divertido que por momentos parece que vai dar vida a todos aqueles bonecos de cartão.

É certo que como o próprio título indica, a base de tudo são na verdade personagens-tipo, mas bolas, será que não se poderiam ter tornado aquelas pessoas realmente interessantes ?!!
Isto nem parece ter sido criado pelo mesmo autor que conseguiu tanto humanismo nas personagens centrais de “A Tale of Two Sisters” e por isso não se compreende de todo tamanha ausência de identidade agora neste argumento a nível de personagens.
É que até os Westerns de Sérgio Leone mesmo quando parecem filmar o vazio nunca deixaram de ter personagens fortes e carismáticas, muitas vezes sem precisar de haver qualquer linha de diálogo entre eles sequer.
É isto que falha em [“The Good The Bad The Weird“] e falha redondamente mesmo.

Parece que o filme foi todo construído com base na estética e na homenagem visual a todos os clássicos e mais alguns dentro do género de aventura mas depois não houve tempo para tornar os bonecos que andam aos tiros o tempo todo mais interessantes nos intervalos da porrada embora haja umas tentativas para remendar isso através do humor ao melhor estilo cartoon.

Já ando para falar deste filme por aqui, desde que o vi há anos, mas como das cinco vezes que o tentei rever, nunca consegui chegar ao fim sem estar a cair de sono, sempre me foi muito dificil arrumar as ideias para ter algo coerente para dizer aqui.
Já vi muita coisa má que deu sono, mas nunca me tinha passado pela frente um produto com tanta qualidade como [“The Good The Bad The Weird“] que me tivesse provocado esse efeito. Muito menos um filme visualmente tão apelativo e com tanto tiro e barulho a todo o instante que me deveria ter mantido mais acordado.

O que ainda se torna mais estranho é o facto de estar carregado de sequências de acção fabulosas e acho que nunca vi um filme de cowboys com tanto tiroteio também, por isso ter-me quase arrastado para tentar ver isto do príncipio ao fim ainda se torna mais estranho. É que eu adorei mesmo as cenas de acção e aventura disto !!
Agora, se calhar o [“The Good The Bad The Weird“] tem duração a mais. Para um filme com mais de duas horas onde pelo menos 100 minutos são passados com cenas de tiros e pancadaria não deixa de ser muito estranho isto tornar-se um produto tão aborrecido quando não há gente aos tiros no ecran a todo o instante.

A história não interessa e nem o tema da caça ao tesouro lhe dá qualquer carísma, os personagens quando não andam á porrada não cativam nem servem para nada, tem personagens a mais por todo o lado mas só lá estão para andar aos tiros e como tal o suposto twist final também não tem impacto nenhum porque é precisamente construido á volta da origem de um personagem com o qual não temos grande relação e parece apenas servir para efeito cómico no filme não diferindo muito do heroi que se limita a ser o bom ou do vilão que é mau como as cobras porque sim.

O que salva [“The Good The Bad The Weird“] , além do seu fabuloso ambiente é ter tanta adrenalina nas cenas de acção e por isso é mesmo uma obra-prima falhada dentro do género apenas porque estas na verdade acabam para não servir para muito além de mostrarem o talento do realizador para o género.
Este filme com uma história cativante e personagens de que ficassemos a gostar teria sido absolutamente do outro mundo.
E por falar em outro mundo…

Nunca me tinha passado pela cabeça que a Manchuria dos anos 30 pudesse ser um cenário para cinema de aventura tão genial e carismático. Estamos a ver [“The Good The Bad The Weird“] e o filme poderia ser passado num outro planeta que não notariamos diferença, pois todos os décors são tão alienígenas para a nossa própria cultura que isto poderia ser uma aventura passada em marte que não estranhariamos nada.

Estava a ver o filme e toda a sua estética só me fazia lembrar a genial série western-scifi “Firefly” com a sua excelente conclusão cinematográfica “Serenity“, isto porque todas as texturas e ambientes são muito semelhantes e tudo se passa numa atmosfera oriental onde muitas culturas se misturam num canto perdido do mundo. Quanto a mim se um destes dias fizessem uma sequela para “Serenity“, se calhar não seria nada má ideia contratarem o realizador de [“The Good The Bad The Weird“] para o dirigir com Joss Whedon a escrever pois seria uma combinação fantástica certamente.

Ah, já me ia esquecendo precisamente daquilo que na minha opinião é um dos pontos altos do filme e que quase nos faz perdoar todas as falhas até aí.
[“The Good The Bad The Weird“]  tem uma das melhores, mais entusiasmantes e mais divertidas perseguições de todos os tempos no cinema de aventura e só por isso vale a pena espreitarem este filme.
São mais de dez minutos de uma sequência como nunca viram dentro do género. Um tipo numa mota de  side-car a ser perseguido num deserto por todo o elenco deste filme. E quando eu digo todo, quero mesmo dizer todo o elenco deste filme, gangs de mongois, assaltantes chineses, assassinos profisionais, soldados japoneses, cowboys de todas as raças, samurais foras da lei, montes de cavalos, jipes, canhões, gajos bons, gajos maus, gajos assim-assim tudo numa das maiores perseguições em estilo todos-contra-todos onde não faltam, tiros, bombas, socos nas trombas, facadas, balas de canhão, saltos de veículos em movimento, cavalos pelos ares, gajos a explodir, cavalos a explodir, carros a explodir, motas a explodir, lutas á espada, e tudo numa sequência de antologia que marca a fasquia por onde a partir de agora toda a gente que fizer uma cena de perseguição terá que se guiar, pois é absolutamente notável em todos os aspectos.

Essa perseguição quase no fim do filme e o assalto ao comboio da sequência de créditos iniciais são dos melhores momentos de cinema de acção que lhes irá passar pela frente em muito tempo e se ainda não viram [“The Good The Bad The Weird“] só por estas duas cenas vale mesmo a pena espreitar o filme.
Tudo começa de uma forma tão fantástica que o espectador fica plenamente convencido que depois irá continuar a ter mais do mesmo ou que as coisas só poderão ficar melhores. Não ficam.
Infelizmente depois é apenas mais do mesmo , mas felizmente que o mesmo continua a ser de elevada qualidade com excelentes momentos de humor e montes de imaginação nas cenas de aventura. É mesmo pena que um bocado dessa imaginação não tenha sido também usada para a história.

Básicamente [“The Good The Bad The Weird“] conta a história da existência de um mapa de tesouro que todos querem e pelo qual todos matam. Do príncipio ao fim do filme. Acabou a história. A sério, não há mais.
Um tipo tem o mapa no inicio, um assassino é contratado para o roubar, outro gajo rouba-o em vez dele e assim por diante. O mapa vai passando de personagem em personagem até que se descobre qual era afinal o tesouro (por acaso uma ideia bem engraçada) e o filme acaba com o típico duelo entre cowboys ao cair da tarde junto ao local onde todas as riquezas estão enterradas.

E pronto, é isto… espero que estejam tão confusos quanto eu.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não é de forma nenhuma a obra-prima que muitas reviews em festivais afirmam que é.
Por outro lado, é uma obra prima no que toca a cenas de aventura e sequências de acção e por isso é mesmo com muita pena que constato que falta ali algures um filme pelo meio de tudo isto.
Se procuram um verdadeiro western oriental no estilo mais puro e comercial da coisa mas com montes de qualidades, [“The Good The Bad The Weird“] irá agradar-lhes bem mais que “Sukyiaki Western Django” (esse verdadeiramente um produto falhado a muitos mais níveis).

Também será um Western Oriental que irá agradar a mais gente do que “Tears of the Black Tiger” que apesar de ser brilhante tem um toque de cinema experimental que não agradará a quem procura um Western puro e nesse aspecto [“The Good The Bad The Weird“] é bem mais directo e principalmente comercial.
Portanto e por tudo o que já referi acima, quatro tigelas de noodles porque é mesmo muito bom por um lado e tem momentos absolutamente brilhantes. Por outro lado, sinto até que deveria atribuir-lhe menos pois a suas fraquezas quase que destroiem um filme que merecia ser mesmo uma obra prima do cinema e não apenas no que toca a sequências de acção.

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A favor: a sequência de abertura do assalto ao comboio é do melhor e mais clássico que poderia ter sido, tem a melhor perseguição final jamais vista no cinema de aventuras com estas características num verdadeiro festival de porrada em andamento com todos contra todos e caos total, as sequências de acção neste filme são em regra todas totalmente fantásticas, muitas mortes com pinta, tiros que nunca mais acabam, muito sangue e torturas com dedos e peças de corpos aos bocados, muitas cenas de acção com grande sentido de humor e gags bem engraçados, as inúmeras homenagens visuais a tudo o que é western clássico muito particularmente ao western spaghetti também, o toque mexicano na banda sonora é do outro mundo e faz o filme ganhar vida quando aparece nos melhores momentos de perseguição, visualmente é incrível com com pormenores e texturas por todo o lado, existe no dvd um final alternativo muito bom (na verdade o final original do filme quando este passou na Coreia do Sul).
Contra: é um vazio absoluto quando não tem cenas de tiros e aventura, mudem a roupa nos personagens e não se nota diferença, o actor que faz de “Weird” repete exactamente o mesmo papel que já tinha feito em “The Host” mas agora num ambiente western, poderá fazer-vos adormecer o que não deixa de ser um feito espantoso tendo em conta tanta porrada ao longo do filme, o filme é demasiado grande tendo em conta que não se passa nada na história além de perseguições e do mapa a mudar de mãos até ao confronto final, ás vezes faz lembrar muito “Duelist pela falta de uma boa história que ligue tanta perseguição non-stop alucinante sem grandes motivos a não ser passar o mapa de um personagem para o outro.

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Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=Zjm9gAjgRuU
http://www.youtube.com/watch?v=8Zew2yWGDC8

Comprar
Isto está a um preço tão estúpidamente baixo que se gostarem do filme é de aproveitar na Amazon Uk, tanto em DVD (muitos extras) como em Blu-Ray simples ou Blu-Ray edição especial.

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0901487/combined

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Alguns titulos semelhantes em alguns aspectos :

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Niji no megami (Rainbow Song) Naoto Kumazawa (2006) Japão


Mais uma vez os japoneses filmam uma história de amor tão diferente dos moldes ocidentais que eu me pergunto como raio é que eles conseguem fazer resultar estes filmes quando nos atingem de uma forma tão estranha por nunca se passar muito nesta histórias, ao contrário do que costumamos ver nos produtos ocidentais.

Na longa lista de candidatos a remakes americanos saída do oriente, aposto que nunca verão [“Rainbow Song“] e isto porque é mesmo daquelas histórias de amor que jamais seriam compreendidas por um qualquer executivo de Hollywood que tivesse de aprovar um projecto assim.
Até parece que estou a ver a cara do senhor a perguntar: – “Mas onde é que raio é que está a história neste filme ?”


É que [“Rainbow Song“] além de ser uma história de amor sem um casal de namorados, ainda por cima não tem a típica estrutura a que estamos habituados no ocidente ou em produtos mais comerciais, até porque tem bastantes tiques de cinema de autor mais experimentalista pelo meio, ora não fosse este filme uma produção do realizador de “All About Lily Chou-Chou” o que deve logo servir de aviso suficiente para muita gente se manter afastado disto.

Para começar a miuda morre no início e sendo assim lá se vai todo o suspanse romântico que poderia ser usado por Hollywood num remake. Depois todo o filme é narrado em flashback e acompanhamos a relação de um rapaz e uma rapariga que nunca chegam a vias de facto e ainda por cima quase no fim do filme a estrutura muda drásticamente e além de acompanharmos uma outra relação paralela em tom algo deprimente e que não tem nada a ver directamente com a história principal ainda nos é apresentada uma curta metragem isolada dentro do próprio filme.
Portanto, quem esperar encontrar em [“Rainbow Song“] a típica história de amor com adolescentes num estilo mais soft e comercial se calhar é melhor ir ver “My Girl & I” que é assim uma espécie de “Rainbow Song” mas em versão comercial.

No entanto, este filme é absolutamente fascinante precisamente por aparentemente nunca se passar nada na história mas ao mesmo tempo passar-se tudo ! 😉
Nunca paro de me surpreender com a eficácia do cinema japonês para contar histórias de amor naquele tom contido onde nem sequer se pronuncia um “amo-te” entre personagens mas cujo o efeito emocional nos bate mais forte do que alguma vez esperariamos, especialmente quando [“Rainbow Song“] tem um certo tom experimentalísta que ás vezes parece querer incluir esta história num patamar diferente do que precisaria ser.
Por outro lado, não há dúvida que cada vez gosto mais das histórias de amor adolescentes saídas dos Japão pela sua simplicidade e acima de tudo pela sua naturalidade.

Um dos grandes pontos altos de [“Rainbow Song“] está precisamente nisso. A meio do filme já nem nos lembramos que estamos a ver actores a desempenhar um papel ficcional e aquelas pessoas parecem-nos tudo menos pesonagens de ficção.
A naturalidade do “par romântico” neste filme é fantástica e tem uma das melhores químicas que me encontrei recentemente em histórias de amor orientais. O que ainda se torna mais fascinante, pois os dois protagonístas estão em cena em practicamente 95% de todo o filme e nunca nos fartamos de acompanhar a sua vida mesmo quando nesta não se passa de facto absolutamente nada !!

Nada no sentido dramático que costumamos ver em histórias de amor ocidentais e ainda menos quando estas são histórias de amor com adolescentes. Em [“Rainbow Song“] não há enganos , não há traições, não há rivais amorosos, não há drama teenager, não há nada.
Acompanhamos o dia-a-dia destas duas pessoas e é tudo. Nem sequer se passa algo de extraordinário no seu quotidiano.
Apenas acompanhamos um breve período da vida de duas pessoas que foram feitas uma para a outra mas onde nada se consumou por força de um destino trágico que conhecemos logo de início e como tal não esperem qualquer twist inesperado nesta história de amor, pois a sua força não está nos truques e reviravoltas do argumento mas sim no carísma dos personagens que ficamos a adorar mal passamos vinte minutos com eles.

Agora, [“Rainbow Song“] é um filme algo estranho, porque a sua estrutura anda ali algures entre o cinema comercial e o filme mais experimentalísta, (existencialista até). Quase no fim, entra por uma história de amor paralela algo estranha e termina em registo ainda mais experimentalísta quando nos é mostrado o filme que a protagonista estava a fazer, pois outra das coisas muito interessantes em [“Rainbow Song“] é o facto de ser um filme sobre cinema com um filme dentro de um filme e embora isso por vezes lhe confira um tom algo pretencioso a puxar para o estilo-obra-de-arte, a verdade é que ainda se torna mais curioso de o acompanharmos por causa disso.

O facto de ser um bocadinho Art-House não lhe retira no entanto a emoção e se vocês procuram uma história de amor oriental bastante curiosa e humana, recomendo vivamente que espreitem [“Rainbow Song“], pois na sua simplicidade (algo complexa), consegue cativar-nos e emocionar-nos nos momentos chave, pois faz-nos gostar muito do par protagonísta e damos por nós a desejar que a sua história acabe bem quando sabemos desde o início que irá acabar trágicamente.

Destaque também para os personagens secundários, muito variados e todos com momentos decisivos para a história que enriquecem este argumento onde se calhar se passa muito mais do que parece passar-se.
Desde o realizador histérico (e muito divertido) do início, passando pelo chefe da rapariga até á sua irmã cega, todos nos parecem muito mais do que apenas personagens de cartão que poderiam muito bem ter sido pois não têm muito tempo de exposição.

Se procuram uma história de amor diferente e gostam do estilo japonês de as contar, devem incluir este filminho na vossa lista também.

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CLASSIFICAÇÃO:

Resumindo, [“Rainbow Song“] é algo estranho e até ambiguo, mas como história de amor resulta em pleno pois acerta em cheio nos melhores toques emocionais sem precisar de entrar num tom melodramático apesar da premisa trágica da história.
É uma pequena história de amor japonesa que vale a pena verem, quanto mais não seja porque vão ficar a gostar muito do par romântico principal.
Trés tigelas e meia de noodles.

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A favor: a química entre o par protagonísta é fantástica, a naturalidade como toda a sua relação se desenvolve e o tom real de toda a história, bons personagens secundários, gostei muito da forma como está filmado especialmente nas sequências que envolvem o par protagonista, é uma história de amor cheia de alma e muito humana.
Contra: não precisava dos tiques Art-House para ser bom, a segunda história de amor é algo doentia e embora original dá uma carga de tristeza ao filme que na minha opinião seria desnecessária, por causa disso o filme está algo fragmentado no seu ritmo narrativo o que pode retirar algum do impacto emocional da principal história romântica.

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=TTDJdpD0VcI

Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-49-en-70-2oyx.html

Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0804513

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