Failan (Failan) Hae-sung Song (2001) Coreia do Sul


[“Failan“] é um daqueles filmes que gera consenso no que toca á qualidade dentro do cinema sul coreano e percebe-se porquê; apesar de não deixar de ser estranho ter-se tornado tão conhecido quando foge bastante ao que costuma ser popular dentro do cinema comercial e ter mais a ver com um cinema mais intimista do que própriamente com aquilo que costuma vender dentro do género romântico.

Se [“Failan“] fosse um filme de Hollywood teria sido outro fracasso tão grande como “A Mexicana“, que falhou redondamente nas bilheteiras porque o público americano estava á espera de ver  Brad Pitt e  Julia Roberts a namorar no ecran e estes passam o filme todo separados com cenas independentes sem se tocar.
Tal como acontece agora neste filme oriental mas com uma estrutura bem menos ligeira e muito mais real.
Antes de ser uma história de amor, [“Failan“] é essencialmente um drama e muito provávelmente será o melhor filme dramático que surgiu até hoje na cinematografia da Coreia do Sul, tanto pela originalidade desta história de amor como pela intensidade dramática que consegue atingir sem precisar de ser própriamente um tearjerker de fazer chorar as pedras da calçada naquele sentido mais comercial.

Todo o drama nesta história é absolutamente notável e extremamente contido fazendo-nos importar realmente com os personagens de uma forma que ainda não tinha encontrado neste género de filmes.
Não estranhem…se estranharem não sentir grande vontade de chorar com [“Failan“] ao longo de quase toda a sua duração, pois este é um filme que nos manipula mas de uma forma particularmente subliminar.
Ficamos tristes quando acompanhamos as vidas vazias daquelas pessoas e contentes quando conseguem pequenas vitórias mas tudo é tão interessante e focado nos pequenos detalhes que nunca sentimos que o realizador nos está a mostrar algo para nos fazer chorar de propósito.
As situações são apresentadas de uma forma extremamente natural, especialmente nas sequências com o personagem da Cecilia Cheung o que torna [“Failan“] quase na antítese perfeita de “Fly Me to Polaris” também com a mesma actriz mas onse se assumiu totalmente o estilo melodramático para nos dar cabo do stock de lencos de papel a todo o instante.  O que não acontece agora nesta produção Sul Coreana que já conta com dez anos.

[“Failan“] segue o caminho oposto, é extremamente contido durante a sua duração e tudo para culminar num final absolutamente devastador com um impacto emocional a que certamente não irão ficar indiferentes pois esta história tem um final absolutamente perfeito, totalmente coerente com a história e com um par de minutos que vocês não irão esquecer antes de rolarem os créditos.
Este é mais outro daqueles filmes que recomendo totalmente que o vejam sem saber nada sobre ele.
Se nunca leram grandes detalhes sobre a sua história, ou temática, não leiam mais nada a não ser este meu texto e vejam o filme a seguir.
Garanto-vos que irão surpreender-se bastante com toda a sua estrutura particularmente original.

[“Failan“] é uma das melhores e mais originais histórias de amor saídas do cinema oriental nos últimos anos, embora seja essencialmente um drama humano onde o amor é apenas  o motor de todo o seu coração emocional, mas poderia ter sido outro tema qualquer, por isso não esperem um daqueles filmes românticos fofinhos habituais.
[“Failan“] é um filme frio, desencantado e muito triste mas de uma forma bastante natural.
Não é um daqueles filmes tristes que são tristes porque é preciso atirar desgraça atrás de desgraça para fazer o espectador chorar baba e ranho a todo o instante.
É um filme triste, porque a vida das pessoas que acompanhamos é realmente penosa, o que nos faz desejar a todo o momento poder entrar pela história a dentro e ajudar aquelas pessoas.

E parecem pessoas mesmo. Esquecemo-nos por completo dos actores por detrás dos personagens e esta é uma das grandes forças deste filme, pois tanto Min-sik Choi (o inesquécivel actor de “Old Boy”) como Cecilia Cheung (“Fly Me to Polaris” e “The Promise“), têm aqui talvez a melhor prestação das suas carreiras e se calhar isso não se nota a uma primeira visão pois vocês vão estar a importar-se tanto com o triste destino das pessoas que dão corpo e alma a esta história  que nem se lembrarão que estão a ver um filme até rolarem os créditos finais.

Pessoalmente nunca tinha prestado grande atenção ao trabalho de Cecilia Cheung mas depois deste filme, entra directamente para a minha pequena lista de actrizes a tomar muita atenção e como [“Failan“] já é uma produção de 2001 se calhar tenho que me actualizar um bocadinho em relação a esta rapariga. Quando vejo isto é que ainda me surpreende mais como foi mal tão utilizada em “The Promise” onde serviu apenas para mostrar uma cara bonita no ecran e pouco mais.
O dvd [“Failan“] contém um excelente pequeno making-of com boas imagens de bastidores e entre elas tem uma cena extraordinária com a Cecilia Cheung que realmente me surpreendeu depois que vi o filme.
Em [“Failan“] existe uma pequena cena absolutamente angustiante pela tristeza que provoca com um simples momento em que uma lágrima cai espontaneamente pela face da personagem num momento de grande tensão e crueldade humana.

O making of desse pequeno instante é absolutamente fascinante, porque num momento assistimos a um ambiente de total descontração nos bastidores com a actriz a rir e a brincar com a equipa e no segundo em que o realizador diz – “Acção” – a transfiguração é total e Cecilia chora espontaneamente no momento exacto, não apena num mas em vários takes numa prestação de extraordinária naturalidade dramática. Algo que me deixa sempre surpreendido em várias actrizes orientais pois fico sempre espantado com a capacidade delas conseguirem chorar e representar cenas absolutamente trágicas com uma naturalidade espantosa especialmente quando precisam de chorar, mas nunca tinha visto este processo em acção num momento de bastidores.
Vejam o filme e depois se tiverem o dvd duplo, espreitem o making of pois o contraste entre o divertimento nos bastidores e o tom triste e melancólico do filme é notável.
A propósito, o dvd Sul Coreano que comprei só trás legendas em inglés no filme e nada mais. Embora no making of nem seja necessário é mesmo pena o comentário audio não estar legendado pois certamente seria fascinante.

[“Failan“] é outro daqueles dvds que comprei anos atrás quando comecei a explorar o cinema oriental mas quando o vi pela primeira vez foi mais um dos filmes que na altura não me impressionou particularmente porque me apanhou totalmente de surpresa com uma estrutura completamente diferente daquilo que eu estava habituado na altura. O facto de não estar também muito virado para ambientes tão tristes como o que percorre este filme também ajudou á minha fraca impressão disto na altura, certamente.
No entanto, ficou-me na memória e sempre achei que deveria dar-lhe uma segunda hipótese mais tarde quando o pudesse ver já com um segundo olhar sabendo de antemão com o que contar.
Por isso ainda não tinha falado deste filme aqui no blog pois sempre achei que seria um daqueles que ganharia muito a uma nova visão e não me enganei.

[“Failan“] conta a história de duas pessoas que nunca se chegam a encontrar mas que foram casadas.
Num ambiente urbano de grande violência e tensão conhecemos Kang-jae, um gangster de meia tigela que não é própriamente muito bom no que faz porque ao contrário dos restantes capangas, Kang-jae é um bandido de bom coração que essencialmente só se meteu no mundo do crime para acompanhar o seu amigo de infância que chegou a lider da máfia local graças á sua crueldade. O mesmo amigo que agora o trata abaixo de cão e o ridiculariza a torto e direito.
Kang-jae ama o mar e o seu grande sonho é regressar á sua cidade, comprar um barco e viver feliz até ao fim dos seus dias, mas não tem dinheiro para o barco e além disso tem medo de enfrentar o seu chefe e antigo amigo pois ninguém sai vivo daquele gang.

Longe dali, no outro lado do país,  uma jovem rapariga chamada Failan, chega á Coreia do Sul, acabada de emigrar da China. Perdeu a sua mãe e não tem ninguém no mundo a não ser uma morada de uma velha tia que supostamente deveria habitar numa pequena cidade piscatória mas que na verdade emigrou há muito para os Estados Unidos sem avisar ninguém e como tal a jovem volta a encontrar-se sózinha, desta vez num país estranho e sem sequer falar a lingua.
Ao tentar encontrar emprego numa agência de trabalho temporário algo manhosa, fica a saber que a única maneira de conseguir permanecer no país sem família, será se casar com um Sul Coreano e como tal acaba por aceitar contraír matrimónio com alguém que não conhece apenas a um nível burocrático pois nem sequer precisa de conhecer o futuro marido ou de ter qualquer relação com ele.
Este apenas receberá em troca, uma quantia em dinheiro e o casamento fica oficializado, pois essencialmente a agência com ligações a actividades ilegais, recruta trabalhadores para as mais diversas tarefas duvidosas e tem meios de fazer entrar no país quem pretende utilizar para algo, nomeadamente encontrar miúdas para bares de alterne e fins semelhantes.

É assim que o gangster sem vocação Kang-jae se vê casado e com algum dinheiro que lhe servirá para contribuir para o seu sonho de ter um barco e livrar-se do mundo do crime.
Mas as coisas complicam-se e como não quero revelar muito mais, depois de algumas complicações no meio da máfia originadas pela extrema violência do líder do gang eis que Kang-jae se vê perante um dilema e uma encruzilhada decisiva na sua vida e no seu sonho de liberdade.
Isto ao mesmo tempo que recebe notícias de alguém que já nem se lembrava que existia.
Failan a sua jovem esposa escreveu-lhe uma carta.

Essencialmente é esta a base da história de [“Failan“] e se vocês pensam que já contei demais não se preocupem. Isto é apenas o princípio e há muito para verem á medida que vão acompanhando as vidas destas duas pessoas que acabam por se entrelaçar numa das mais originais histórias de amor que poderão encontrar no cinema Sul Coreano e até hoje ainda não teve igual.

[“Failan“] tem uma estrutura fascinante e algo única. Por momentos não conseguimos perceber que raio de filme estamos a ver, pois essencialmente durante os primeiros 40 minutos assistimos apenas a um típico filme de máfias, yakuzas e afins que alterna entre momentos de violência extrema e sequências estilo Irmãos Metralha.
Não passa muito tempo sem que o espectador se pergunte como raio é que este argumento conseguirá integrar algures pelo meio uma história de amor. Mas consegue. E de que maneira !
Se forem como eu e não tiverem grande paciência para filmes de máfias, aguentem o início da história e prestem atenção aos detalhes. No meu caso, se calhar uma das razões porque não gostei muito do filme quando o vi pela primeira vez há muitos anos, foi precisamente porque metade deste parece apenas um típico filme de gangsters e isso talvez me tenha distanciado da história porque não estava á espera daquilo quando procurava apenas uma história de amor mais comercial na altura.

O que me leva a outro ponto. [“Failan“] é um filme comercial, mas se calhar não será propriamente comercial no sentido mais pipoca, por isso tenho a certeza de que agradará mais a quem também gosta de algum cinema de autor do que a quem apenas está habituado a coisas mais no estilo Hollywood. Por isso não esperem a típica produção fofinha oriental costumeira no género romântico.
[“Failan“] é um drama adulto, num tom intimista e muito melancólico. Contém um par de cenas com muito humor mas perfeitamente naturais e provavelmente vocês nem as notarão no meio de tanta temática séria e introspectiva.

Essencialmente [“Failan“] é um filme corajoso que se arriscou a quebrar o molde do cinema romântico oriental.
Apanhou os pedaços, voltou a colá-los noutras posições e inventou uma nova fórmula que na minha opinião só não voltou a ser copiada até á exaustão (como aconteceu com a fórmula de “My Sassy Girl” por exemplo), por causa da sua estrutura intimista e menos comercial decerto.
Uma grande história de amor onde os protagonistas nunca estão juntos que resulta de uma forma extraordinária por nos parecer tudo tão real.
No entanto é um filme absolutamente romântico no seu aspecto mais humano e natural, com duas pessoas que se amaram á distância em tempos diferentes e quase em vidas diferentes também que deixará o espectador sem fôlego nos momentos finais do desenlace desta história. É um daqueles filmes que acabam e nós não conseguimos deixar de acompanhar os créditos até ao fim (memo em Coreano) só porque precisamos mesmo de pensar em tudo o que vimos e absorver toda a sua alma e poesia.

Paralelamente é também um filme sobre solidão com um sentido poético que os irá deixar com um nó na garganta.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Mais um drama com uma história de amor do que uma história de amor com drama, mas um filme que não esquecerão tão cedo, acima de tudo pelas suas personagens completamente cativantes, naturais e porque é um romance com muita alma, poesia, bastante melancolia e muita humanidade.
Será possivelmente o melhor filme dramático dentro deste estilo que a Coreia do Sul produziu até hoje e merece ser visto por toda a gente que procura uma história de amor original e já viu tudo o que há para ver que tenho recomendado do género romântico neste blog.
Se não o absorverem muito bem a uma primeira visão, deixem passar um par de meses e voltem a ele. Primeiro estranha-se mas depois entranha-se e bem.
Preparem os lenços, mas no bom sentido porque esta história merece-os.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award, claro.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: a originalidade da estrutura da história, a intensidade do romance entre duas pessoas que nunca se encontram apesar dos seus destinos se terem cruzado um dia, os personagens (todos), as interpretações extraordinárias de Min-shik Choi e Cecilia Cheung, a banda sonora totalmente discreta e subliminar que nem se nota mas que dita a atmosfera em muitos dos melhores momentos, a contenção da realização totalmente eficaz e que se “apaga” para deixar os actores e a história brilharem bem alto, como drama é fantástico, a forma como mistura o género de filme de gangsters ultra violento com o género romântico na sua forma mais humana e natural, cada vez que o revemos encontramos novos pormenores que não tinhamos notado, excelente fotografia também.
Contra: pode ser demasiado intimista para quem procura uma história de amor num estilo mais comercial, não conseguimos entrar pelo ecran a dentro e ajudar aquelas pessoas, o trailer é bem mauzinho não tem alma nem transmite bem o que o filme realmente é.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=I-uN9Gu1yVQ

Comprar
É um fime cada vez mais dificil de encontrar á venda. A edição antiga de dois discos que eu tenho está totalmente esgotada e só existem umas edições de um disco sobre as quais não tenho qualquer informação.

Download aqui com legendas em inglés

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0289181

——————————————————————————————————————

Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

concerto_capinha_73x 

Be With You Il Mare The Classic Love Phobia

 Fly me to Polaris My Sassy Girl

——————————————————————————————————————

…ing (…ing) Eon-hie Lee (2003) Coreia do Sul


Quando espreitei o IMDB a propósito deste filme esta manhã, a última coisa de que estava á espera era a de encontrar tão elevadas classificações por parte dos utilizadores, pois sinceramente estou quase convencido de que esta gente só pode ter visto um filme diferente do que eu vi ontem porque de outra forma não compreendo de todo a razão de tanto fascínio com este banal filme romântico.

[“…ing”] foi uma das histórias de amor sul-coreanas mais medianas que alguma vez me passaram pela frente e na minha opinião é o exemplo típico de que o facto de um filme romântico ser realmente cativante ou não, nem sempre precisa de passar por um argumento original.
É que [“…ing”] tem tudo no sítio, e tal como noutros títulos românticos não há aqui nada que já não tenhamos visto dezenas de vezes neste formato de histórias de amor; no entanto, mesmo com todos os ingredientes conhecidos, filmado da maneira mais tradicional possivel dentro deste género e contando com excelentes actores, este filme não me conseguiu cativar minimamente.

[“…ing”] não me provocou a mínima emoção e achei isto realmente muito estranho. Especialmente agora quando leio no IMDB que tanta gente se fartou de chorar com esta história ainda me estou a perguntar o que raio foi que eu não vi ?!!
É certo que o género está por demais batido, mas não é por uma história de amor seguir a mesma fórmula que um filme será menos interessante ou emocional. Mas então porque é que [“…ing”] me pareceu tão banal ?…

A partir de certa altura, fiquei mesmo com sensação de que isto seria uma daquelas produções ultra-comerciais totalmente encomendada pelos estúdios apenas para cumprir calendário e poder ter uma história romântica fofinha no seu catálogo de estreias de verão. Nem por um momento senti aqui aquele toque de que estaria a ver um projecto mais personalizado, pois uma coisa é certa, [“…ing”] está a milhas da identidade pessoal de um “My Sassy Girl“, de um “Il Mare“, ou até mesmo de um “Cyborg She” e como tal nunca me conseguiu cativar ao longo da sua duração pois sempre me pareceu que lhe faltava qualquer coisa.

Conta com um elenco excelente, personagens-tipo simpáticos e com um par de momentos cativantes, mas na minha opinião  nunca alcança qualquer tom emocional que tanta gente parece ter encontrado neste título.
[“…ing”] tem falta de qualquer coisa. A história é a típica tragédia adolescente sobre uma rapariga que está a morrer com uma doença rara qualquer que inclusivamente lhe deformou a mão mas que continua a tentar viver a sua vida o melhor que pode, sempre ajudada pela sua mãe que na verdade é a sua melhor amiga.
Um dia, um jovem alguns anos mais velho muda-se para a apartamento de baixo e tudo o que vocês imaginam que vai acontecer acontece.
Inclusivamente, o que seria de uma história de amor sul-coreana sem um twist ? [“…ing”] conta com uma pequena reviravolta algo inconsequente que mais parece ter lá ser metida a martelo porque a fórmula pedia que houvesse uma cena assim e portanto mesmo que lá não estivesse não haveria grande diferença.

Visualmente contém um par de imagens bonitas, mas também não surpreende ou cativa particularmente, talvez porque segue demasiado a própria cartilha de instruções para se criar cenas do estilo e como tal também aqui [“…ing”] não deslumbra.
É um filme estranho. Tem tudo no lugar certo, mas a fórmula desta vez não resulta e não se percebe bem porquê. Pelo menos eu não percebo.
Embora muita gente no Imdb pareça ter chorado baba e ranho com esta história fiquei com a ideia de que [“…ing”] só resultará bastante bem com aquele público que chega agora ao género oriental de histórias de amor em tom fofinho de meter vómito. Sinceramente não acredito que alguém que já tenha visto pelo menos metade das melhores obras que tenho recomendado aqui neste blog dentro deste género, consiga ficar tão impressionado com [“…ing”].

Quem nunca viu uma história de amor oriental e começar por este filme, muito provávelmente irá ficar totalmente fascinado com este romance, pois na verdade é um verdadeiro catálogo de tudo o que é bom no cinema asiático dentro deste género.
Contém suficientes diferenças entre o cinema americano supostamente romântico e o melhor do género oriental e por isso muito provávelmente será um filme surpreendente para que chega agora a este estilo de cinema e estaria convencido de que uma história de amor oriental seria igual ao que se produz de mais plástico em Hollywood.
Talvez tenha sido este o segredo do seu sucesso junto de muita gente, pois provávelmente funcionará bastante bem mesmo em termos emocionais se nunca viram uma história de amor comercial sul-coreana antes.

A protagonista é fantástica, a química entre ela e a actriz que faz de sua mãe é perfeita, tem um par de actores secundários muito engraçados, mas depois há qualquer coisa errada quando se trata da parte romântica, pois pelo menos a mim não me pareceu haver qualquer química entre o casal desta trágica história de amor e para mim essa foi a grande falha de [“…ing”].
Também senti que o argumento é algo paternalista e parece que a todo o instante o realizador e o argumentista nos estão a guiar pela mão indicando quando é a altura de rir, quando devemos chorar, etc. É certo que isto é uma característica comum a este género, mas neste filme senti que a presença do realizador se nota por demais, tentando tornar mais dramática uma história que na verdade nem tem alma suficiente para poder ser mais do que apenas uma tragédia adolescente pré-fabricada.

Não é um mau filme, é uma história de amor interessante com um par de momentos divertidos, mas se chegaram agora a este género há muito melhor por onde deverão começar e poderão muito bem deixar [“…ing”] para quando não tiverem mais nada para ver.
Muita gente fala também maravilhas da banda sonora, mas sinceramente nem me lembro dela para poder deixar aqui qualquer comentário relevante.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

É um filme simpático, uma história de amor interessante mas pouco mais, parecendo uma espécie de equivalente do “Mulan” mas em versão história de amor sul coreana.
Não tem na verdade nada de realmente mau, mas também não tem nada de particularmente cativante e muito menos achei que será tão emocional quanto muita gente achou tendo em conta os comentários do IMDB.
Duas tigelas e meia de noodles por ser uma história de amor interessante e pouco mais pois foi uma dos romances mais banais e sem chama que já me passaram pela frente desde que cheguei a isto do cinema romântico oriental.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg

A favor: não tem nada de verdadeiramente negativo.
Contra: falta-lhe qualquer coisa pois parece ter tudo no lugar certo mas não me provocou qualquer reacção emocional o que é bastante estranho pois não estava nada á espera disto numa história de amor sul-coreana, esforça-se demais por ser fofinho e muito trágico, talvez se note demasiado o esforço do realizador para manipular as emoções do espectador e isso tem exactamente o efeito contrário, o twist é interessante mas totalmente redundante, falta quimica romântica entre os protagonistas apaixonados.

PS: Para quem chega agora a este género romântico oriental, em vez de começar por este filme, recomendo vivamente que espreitem antes os títulos que recomendo no meu TOP DE CINEMA ROMÂNTICO ORIENTAL, por isso sigam o link. 😉

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=SSN1dAqJJPw

Comprar
http://www.dvdasian.com/_e/Korea/product/18132/_Ing_Special_Edition_Region_3_2_DVD_Set_.htm

Download aqui com legendas em Inglés

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0381838

——————————————————————————————————————

Outros títulos românticos (bem mais) recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

——————————————————————————————————————

Quing Ren Jie (A Time to Love) Jianqi Huo (2005) China


Se há coisa que eu já não posso ver mais pela frente são versões do Romeu & Julieta de Shakespeare, onde a conhecida história é por demais repetida até á exaustão em todos os detalhes e mais alguns.
Não consigo perceber para quê tantos autores continuarem a insistir naquela narrativa a esta altura quando já milhares de vezes foi  transformada em tudo e mais alguma coisa, desde filmes do Franco Zefirelli até pornos da Ginger Lynn.

Como tal, quando eu comprei há muitos anos atrás o dvd de [“A Time to Love“] sem saber nada sobre o filme e depois descobri que se tratava da bilionéssima história inspirada por “Romeu & Julieta”, a minha vontade foi a de devolver isto á Play Asia ou trocá-lo por um filme romântico qualquer com o Steven Seagal aos tiros.
Toma lá para não comprares filmes pelo aspecto gráfico da (excelente) capa !
Por isso quando vi esta história pela primeira vez (já que tinha que ser) nem sequer lhe prestei grande atenção.
Ainda por cima eu estava á procura de algo mais no estilo sul-coreano e [“A Time to Love“] tinha uma atmosfera marcadamente chinesa, algo a que eu não estava ainda habituado, pois são estilos muito diferentes dentro do cinema romântico.

Apesar de não me ter causado uma impressão por aí além na altura, surpreendentemente ficou-me na memória e esteve na minha lista de filmes a rever com outros olhos por muito tempo, até ontem.
Ficou-me na memória, não só pela abordagem á história clássica ter-me surpreendido como principalmente algumas das suas bonitas imagens acabaram ficando gravadas na minha imaginação até hoje, pois já na altura o visual do filme me surpreendeu.
Toda a paleta cromática de [“A Time to Love“]  é composta por tons ferrugem contrastando com verde das árvores e tons de sombra intensa o que lhe dá logo desde o início uma estética que nos agarra todos os sentidos pelo seu estilo quase steampunk pois mal o filme começa somos logo transportados para um úniverso único e bastante poético.

E surpresa das surpresas, agora que revi o filme ainda estou para saber o que raio é que foi que não me cativou na altura em que o vi pela primeira vez !
[“A Time to Love“] é um filme absolutamente lindíssimo em muitos aspectos mas se calhar é capaz de não se notar mesmo a uma primeira visão. Especialmente se entrarem com preconceitos anti-Romeu & Julieta como eu entrei nisto anos atrás quando vi o dvd.

Portanto, para começar eu já não me lembrava nada do filme e agora foi como se o tivesse visto pela primeira vez e não podia ter ficado, não só mais surpreendido como também mais satisfeito com o que (re)vi ontem.
Se calhar [“A Time to Love“] poderá ter uma altura certa para ser visto e muito provavelmente funcionará muito melhor com o público adulto do que com pessoas mais novas talvez, com menos experiência de vida ou algo assim. Isto porque pode ser uma história de amor com adolescentes, mas tudo é narrado num tom dramático mais adulto e até teatral, pois este filme tem uma assinatura tão característica que julgo se poderá incluir algures entre o cinema comercial e o dito cinema de autor pela sua abordagem algo intímista.

[“A Time to Love“] como filme é realmente um espectáculo (nem acredito que estou a dizer isto); primeiro, porque consegue pegar não só no tema mas também em alguma da estrutura de Romeu & Julieta e no entanto, milagre dos milagres apresenta-o com uma abordagem realmente refrescante. Conseguindo inclusivamente uma coisa que eu julgava impossível de ser feita…nomeadamente [“A Time to Love“] tem um suspanse romântico de cortar á faca pois até quase literalmente ao último segundo o espectador fica completamente na espectativa de como irá terminar desta vez esta história de amor com o seu final por demais conhecido.
Conseguirão desta vez os dois amantes ficar juntos ?
Apenas lhes posso dizer que o final de [“A Time to Love“] é extraordináriamente simples mas muito poderoso em termos de emoção e não lhes digo mais nada, pois o trabalho da actriz protagonista no último enquadramento visual desta história vai deixar-vos totalmente cativados e emocionados de uma forma que ainda não tinha visto num filme oriental.
Adorei o final deste filme.

E já que falo na actriz principal, nunca pensei que esta rapariga fosse tão incrivel. Estava habituado a vê-la em produções bem mais comerciais essencialmente em papeis de muita acção (“Warriors of Heaven & Earth”  –  “So Close“) e nem sequer pensava que ela seria capaz de carregar ás costas metade de um filme como [“A Time to Love“], onde bem mais que apenas uma história de amor ao estilo habitual oriental, é acima de tudo um drama bem mais complexo que se centra apenas numa história de amor impossível, (quase uma tragédia na verdade, sempre a piscar o olho a Shakespeare).

Tanto ela, como o seu co-protagonista masculino brilham neste drama.
Irão encontrar em [“A Time to Love“] um dos pares românticos com mais carísma que apareceu até hoje dentro deste estilo de histórias de amor orientais. A química entre os dois actores é total e enquanto espectadores a partir de certa altura esquecemo-nos por completo que estamos a ver um filme pois deixamo-nos levar por aqueles dois personagens até ao desenlace final desta história. Uma história que surpreendentemente de forma tão cativante consegue dar-nos um Romeu & Julieta com suspanse suficiente para nos fazer roer as almofadas até ao último segundo (sem parecer que está a fazer qualquer coisa de importante sequer), o que já é por si só uma boa característica para algo que seria á partida totalmente previsível.
Usa inclusivamente o próprio livro com a peça de Romeu & Julieta original para nos garantir que [“A Time to Love“]  é Romeu & Julieta por mais do que uma vez. O que é bom para confundir o espectador.

Não pensem no entanto, que [“A Time to Love“] é um filme romântico oriental ao estilo que estão habituados, se virem por exemplo produtos sul-coreanos ou japoneses.
Uma das características da maior parte dos dramas românticos chineses está no facto deste país preocupar-se mais com uma história de amor enquanto objecto dramático dentro daquele aspecto teatral mais sério e menos com a ligeireza do estilo narrativo. Por isso, [“A Time to Love“] é um filme sem pressas. Embora tenha um ritmo narrativo sempre constante, muitas vezes conta a sua história não por palavras mas por ambientes, imagens atmosferas e silêncios. Um pouco talvez como “Il Mare” o fez e com um tom melancólico semelhante, embora um pouco mais triste neste caso devido á carga trágica da própria base da história.

E por falar em silêncios, [“A Time to Love“] tem dois momentos absolutamente fantásticos na minha opinião que jogam precisamente com o silêncio para criar uma intensidade de emoções espectacular e que nos faz entrar em total empatia com o casal de apaixonados desta história.
É certo que o filme vai aos poucos trabalhando a carga emotiva sem o espectador notar, tanto na criação de ambientes como também pelo que não mostra e como tal quando surge um dos momentos mais bonitos a meio do filme, nem sequer precisa colocar os actores com qualquer diálogo para a cena romântica resultar com uma força incrível.

Falo particularmente de uma breve e pequenina cena a meio do filme, em que o rapaz e a rapariga estão de ambos os lados de uma vedação de arame e onde sem palavras o realizador consegue transmitir uma carga romântica não só totalmente natural como acima de tudo cria um momento emocional fantástico apenas recorrendo ao toque das mãos, a silêncios e a olhares breves para nos transmitir tudo o que os personagens sentem.

A segunda cena semelhante tem a ver com os segundos finais da história, mas de que não posso aqui falar porque lhes estragaria o suspanse todo e vocês ficariam a saber se [“A Time to Love“] acaba como a peça que lhe deu inspiração ou não. Apenas lhes garanto que se chegarem até aos momentos finais desta história totalmente cativados pelo destino dos personagens até se vão passar com o trabalho da actriz nos momentos finais onde apenas com um olhar concluiu tudo o que havia para concluir e proporciona ao espectador um momento final daqueles que os fará não esquecer este filme tão cedo se gostarem tanto dele quanto eu gostei desta segunda vez que o vi.
Não esperem é explicações de bandeja ao estilo, – “o que aconteceu foi…” – porque isto não é um filme desses.

[“A Time to Love“] é uma daquelas raras histórias de amor em cinema que resultam plenamente do trabalho não só dos actores principais mas também das interpretações de um elenco poderoso em termos dramáticos. Não sei se este pessoal será tudo actores de teatro mas todos os personagens nesta história são fascinantes e irão tocar-lhes emocionalmente em muitos aspectos surpreendentes.
Juntem a isto uma realização fantástica e têm todos os ingredientes para gostarem também muito deste filme se procuram por outra boa história de amor e já espreitaram tudo o que tenho recomendado neste blog.

Em termos visuais, [“A Time to Love“] é um dos filmes mais poéticos que me passaram pela frente em muito tempo dentro deste género estético.
Para começar a fotografia é incrível e vão encontrar aqui imagens absolutamente notáveis pois este é mais um daqueles filmes em que vão querer fazer pausa a todo o instante só para apreciar as pinturas de luz e sombra que ele contém practicamente em todo e qualquer frame.
Não só os ambientes são depois também fascinantes como está carregado de texturas e pormenores por todo o lado, tornando-o num filme totalmente obrigatório também para quem gosta muito de rever um filme muitas vezes só para curtir os pormenores. Pode ser uma sombra, pode ser uma textura, uma luz, uma cor, ou uma paisagem, mas garanto-vos que mesmo que nem gostem muito do género, visualmente vão achar este filme uma pequena joia perdida que importa descobrir em termos visuais quanto antes.

Não faço ideia se a arquitectura presente em [“A Time to Love“] existe mesmo ou se isto serão cenários criados para o filme. De qualquer forma, esta obra conta com espaços arquitectónicos fascinantemente poéticos que vão adorar contemplar ao longo da história. Desde, fábricas abandonadas, a prédios em decadência, passando por ruas e becos fabris, tudo aquilo que poderia parecer um ambiente deprimente é transformado num mundo quase mágico, parecendo por momentos saído de um verdadeiro conto de fadas ou de um filme de Fantasia.
[“A Time to Love“] quanto mais não seja, é um filme para contemplar, por muitos e bons motivos. Vão por mim, é fantástico visualmente.

Recomendo este filme a toda a gente que já espreitou tudo o que tenho apresentado no blog dentro do estilo romântico, ou então como contraponto a histórias de amor mais comerciais.
Não é que [“A Time to Love“] não seja comercial, mas o seu estilo muito chinês, intensamente dramático e bastante introspectivo em alguns momentos poderá talvez tornar-se algo chato ou arrastado para o pessoal que não gosta de coisas mais pausadas.

[“A Time to Love“] é um filme que demora o seu tempo e muitas vezes conta a sua história mais por olhares e silêncios do que por palavras e isto poderá afastar algum público.
O facto de ser uma história muito triste mesmo apesar de todo o ambiente poético, poderá afastar quem procurar um daqueles filmes totalmente –feel good– pois este usa a própria tristeza e melancolia para criar grandes incertezas no espectador sobre o desenlace da história. Nesse aspecto não poderia resultar melhor, mas ao mesmo tempo é um filme com uma carga algo deprimente por breves momentos a fazer lembrar o muito poético mas algo triste “The Floating Landscape” ; curiosamente outra produção chinesa.

Posto isto, se quiserem ver um filme muito bonito e diferente do habitual neste género tão estereotipado, se calhar [“A Time to Love“] é um título  a terem em conta. E se não gostarem á primeira, dêem-lhe segunda oportunidade, pois ainda acabam a gostar tanto dele quanto eu gosto agora.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Estava tentado a atribuir a [“A Time to Love“] apenas cinco tigelas de noodles por ser realmente excelente.
Mas a verdade é que agora que o revi, este filme não me sai da cabeça e apetece-me vê-lo novamente em vez de ir espreitar outra coisa nova qualquer, por isso se calhar será justo dar-lhe a minha classificação máxima deste blog, pois de outra forma estaria a enganar-me a mim próprio se não lhe desse também um Golden Award.
Quanto mais não seja pelo trabalho dos actores, pela fotografia do filme e por ter conseguido criar suspanse na história de Romeu & Julieta, o que é obra !
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award por muitos e variados motivos.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: o trabalho dos actores, o par protagonista tem uma química no ecrã fantástica e um desempenho totalmente cativante, esquecemo-nos que estamos a ver um filme o que não poderia ser melhor elogio, consegue o feito notável de recriar a velha história de Romeu & Julieta numa china moderna desencantada mas muito poética e fá-lo com total suspanse romântico até ao último olhar da protagonísta, a fotografia é fabulosa, os cenários são lindissimos e em muitos momentos parece que tudo se passa num qualquer mundo de fantasia encantada, mais do que uma história de amor comercial normal  é um drama intenso e duro por vezes, a cena da vedação de arame mesmo durando menos de um minuto é memorável, idem para o desempenho da actriz nos segundos finais da história onde só com o olhar nos transmite toda uma vida, muita poesia visual, o tom intimista e o excelente trabalho do realizador que alterna os momentos mais intimistas com os mais tragicos ou românticos de uma forma totalmente orgânica e bastante natural, nem vão notar a banda sonora mas esta vai entrar-lhes pela alma nos melhores momentos.
Contra: é mais um drama generalizado do que uma história de amor especificamente por isso não esperem o estilo fofinho oriental dos filmes japoneses porque este é chinés mesmo, pode parecer menos comercial do que na realidade é e algum público poderá não ficar particularmente cativado, Romeo & Julieta again…and again…and again…

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=3NaS55XOylw

Videoclip 1
Embora curiosamente a música não faça parte do filme, pois foi criada para a promoção. Aposto que foi para dar um ambiente mais comercial á obra pois esta é na verdade bastante intimista e não tão comercial como aparenta aqui.
http://www.youtube.com/watch?v=y3TNcyS-IWw&feature=related

Videoclip 2
Este com uma das músicas que entra no filme e com a particularidade de ser um videoclip com dezenas de cenas cortadas que não aparecem no próprio filme, o que só demonstra que devem ter filmado pilhas de coisas que ficaram de fora e só é pena muitas destas cenas não estarem como deleted scenes no dvd porque parecem cheias de atmosfera também.
http://www.youtube.com/watch?v=krChsULuIbM&feature=related

Comprar
http://www.fivestarlaser.com/movies/13766.html

Download aqui com legendas em Inglés.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0450099/

——————————————————————————————————————

Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

concerto_capinha_73x 

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Love Phobia

 Fly me to Polaris cyborg_she_capinha_73x

——————————————————————————————————————

Dung che sai duk (Ashes of Time “Redux”) Kar Wai Wong (1994) China


Por falar em Wong-Kar-Wai ( a propósito do último post), lembrei-me que ainda não tinha visto a nova montagem do velhinho “Ashes of Time”, agora intitulada, [“Ashes of Time – Redux“].

O original é um daqueles meus filmes favoritos de que me esqueço por completo e de cada vez que me lembro de o rever parece que estou a ver um filme novo, sabe-se lá porquê.
Talvez seja do próprio tom hipnótico, da suas histórias fragmentadas e da narrativa em puzzle visual, mas este filme nunca me fica na memória por muito tempo.
Ou talvez seja porque se calhar não é só o vinho que é mágico na história de [“Ashes of Time – Redux“] e o próprio filme apaga também as nossas memórias passadas. O que é fixe.

[“Ashes of Time – Redux“] na sua versão original, sem o “Redux” á frente no título e com mais uns 8 minutos de duração há uns anos atrás era um dos dvds mais dificeis de encontrar no mercado; só havia uma cópia atroz disponível que acabei por comprar na PlayAsia na altura e é definitivamente uma das piores edições que alguma vez me passaram pela frente. A um ponto tal que o dvd nem tem menu nem nada, a qualidade de imagem parece para aí a vigéssima cópia pirata de um original em vhs gravado da TV e a legendagem queimada na imagem está ao mesmo tempo em Cantonês e Inglés sempre presente no ecran.

Por isso foi com grande agrado que soube que Wong Kar Wai reviu o filme e supervisionou finalmente uma cópia como deve de ser desta pequena grande obra dentro daquilo que se convencionou chamar Cinema de Autor.
Parece que havia no mercado tanta montagem alternativa deste filme, que o próprio realizador se viu na obrigação de colocar ordem na casa e revisionar o seu trabalho numa versão definitiva e foi assim que surgiu no mercado [“Ashes of Time – Redux“].
Uma versão ligeiramente reduzida, pois já não conta com uma atabalhoada sequência de acção inicial presente nas cópias maradas e entra logo pelo tom mais intímista a dentro para assustar a malta, mas que resulta plenamente.
Primeiro porque não engana ninguém e quem chegar a este filme a pensar que é mais um Wuxia de Artes Marciais comercial muda logo de ideias nos primeiros cinco minutos e ainda tem tempo para procurar algo mais comercial e depois porque torna o tom filosófico do filme mais imediato.

Além disso [“Ashes of Time – Redux“] está devidamente restaurado com uma qualidade incrível a nível visual. As diferenças a nível de cor e imagem são tão grandes que eu tive ontem que ir comparar esta nova versão com a antiga lado a lado, pois nem me lembrava de 90% dos enquadramentos que me estavam a passar pela frente e tudo aquilo me parecia um filme completamente novo.
Talvez porque também a banda sonora foi substituida o que ainda moderniza mais o filme, embora na minha opinião tão “má” seja a música nova como a antiga. Isto porque não me habituo de todo a sonoridades sintetizadas em filmes supostamente medievais e isso aqui também não é excepção. Embora não seja particularmente incomodativa neste caso e não é tão foleira quanto a música presente em “Musa the Warrior” por exemplo. Isto porque é mais usada para acentuar o tom intimista do filme do que própriamente para ilustrar cenas de acção.

E por falar em cenas de acção, [“Ashes of Time – Redux“] não parece, mas está cheio delas. São muito breves e estilizadas, como se as estivessemos a ver através das lentes de uma qualquer máquina do tempo, mas são todas espectaculares no que toca ao cuidado com a coreografia, o que as transforma mais numa espécie de bailado de emoções do que própriamente em cenas de acção e porrada habituais. Por isso fica desde já aqui o aviso ao pessoal que procurar algo com mais aventura pois não é esse de todo o espírito de [“Ashes of Time – Redux“].

Esta obra será talvez a coisa mais próxima de um “Era Uma Vez no Oeste” de Sergio Leone que alguma vez apareceu no cinema oriental e é muitas vezes comparado com isso, embora [“Ashes of Time – Redux“] seja ainda bem mais introspectivo e intimista. Por isso se aquele tipo de cenas filosóficas em que os personagens dissertam os seus pensamentos para a câmara os incomoda se calhar é melhor evitarem este filme a todo o custo pois todo o seu coração é composto por momentos desses alternados com sequências de acção que os complementam.

Toda a história é intensamente fragmentada de propósito para servir o tema central do filme a propósito do facto da memória humana ser a grande responsável por tudo o que há de mau na nossa existência e por todo o sofrimento das pessoas. A premissa é a de que se não houvesse memória, todos nós começariamos o dia sem qualquer mágoa e tudo poderia ser bem mais simples e feliz nas nossas vidas.
Como tal, o próprio filme parece fazer questão de baralhar a nossa memória constantemente, recorrendo a saltos na narrativa, flashbacks de personagens e acontecimentos, ou então avançando no tempo e voltando ao presente para no final ligar todos os acontecimentos e personagens num puzzle que cabe ao espectador desvendar e juntar as peças para poder apreciar devidamente toda a profundidade de [“Ashes of Time – Redux“].

No entanto, apesar de ser Cinema de Autor, isto poderia ter degenerado em algo extremamente pretencioso e intelectualoide mas não acontece de todo. [“Ashes of Time – Redux“] é chato, ou melhor, pode ser chato para muita gente, pois não é de todo um Wuxia comercial, mas não tem aquela carga de – “Ó para mim como sou um filme inteligente.” – que muitas vezes abunda no género.
O que acaba até por justificar o sucesso comercial que teve na altura, o que não deixa de ser mesmo estranho pois aqui no ocidente um filme como estes jamais levaria o público comum ás salas da forma como aparentemente aconteceu no oriente.

[“Ashes of Time – Redux“] segundo rezam as crónicas por causa disso e de toda a sua original abordagem ao género Wuxia, acabou por se tornar numa das grandes obras inspiradoras de “O Tigre e o Dragão” que depois veio relançar o género no ocidente de uma forma já mais comercial, mas onde se nota apesar de tudo uma tentativa de lhe atribuir um toque ou dois de intimismo ao nível do que Wong-Kar-Wai apresentou neste titulo originalmente lançado em 1994.

Portanto, [“Ashes of Time – Redux“] não será para todos, mas quem se interessar por filosofia, tem aqui um filme obrigatório que explora muitas questões interessantes sobre todos nós, contém imagens absolutamente fabulosas e ainda por cima consegue ser mais uma vez intensamente romântico mas desta vez com uma grande aura melancólica. Não esperem uma história de amor fofinha ao estilo comercial oriental. Se esperarem uma aura romântica intensamente assombrada e não tiverem medo de acompanhar o estilo fragmentado do filme vão adorar todo o seu ambiente, seja nas histórias de amor cruzadas ao melhor estilo Wong Kar Wai, seja no ambiente desencantado mas muito realístico e vão curtir o estilo visual das cenas de acção Wuxia pois [“Ashes of Time – Redux“] contêm momentos intensamente poéticos.

Wong Kar Wai diz que tentou fazer um filme sobre os típicos herois Wuxia, mas contando as suas histórias e apresentando o seu passado antes destes se tornarem os habituais herois que vemos nos filmes e penso que a ideia além de ser bem interessante foi plenamente realizada.
Precisamente porque uma das coisas mais fascinantes e hipnoticas em [“Ashes of Time – Redux“] é precisamente sentirmos que a qualquer momento aqueles personagens podem ser apresentados como os típicos herois que conhecemos de outras aventuras Wuxia, mas ao mesmo tempo nunca sabemos bem quando isso irá acontecer ou sequer se irá acontecer.

Todos os personagens de [“Ashes of Time – Redux“] são os estereotipos que conhecemos; o guerreiro solitário, o assassino profissional, a princesa, a rapariga em busca de ajuda, a mulher amada que nunca foi de quem a amava, etc
Agora a genialidade da narrativa está precisamente em ter pegado tudo isso que conhecemos de outros lados e ter nos mostrado o lado humano desses personagens tipo. A partir daqui e depois de vermos [“Ashes of Time – Redux“] parece que todos os filmes de aventura Wuxia que virmos a seguir contam com estes personagens pois podemos imaginar os seus passados como algo semelhante mesmo que estes não sejam muito desenvolvidos noutros filmes.

[“Ashes of Time – Redux“] não será um filme para todo o público, mas quem curtir, vai curtir mesmo muito.
É não só um bom antidoto para uma dose de Wuxias mais comerciais, como acima de tudo é um complemento excelente para esses filmes de aventura.
É uma obra intensamente pessoal e filosófica e no entanto não é pretenciosa o que lhe dá logo muitos pontos na minha opinião e quem gostou de coisas como “In the Mood For Love” ou “2046”, poderá encontrar aqui a origem de muitos dos pormenores visuais que conhecem da obra mais recente do realizador pois [“Ashes of Time – Redux“] foi um dos primeiros filmes antigos dele onde o seu novo estilo se começou a fazer notar.

Nota-se e como ! Visualmente contém imagens estonteantes. Desde á fotografia das paisagens de deserto, aos interiores e á forma como os pormenores são filmados, onde o jogo de luzes e sombras está cuidadosamente planeado para amplificar ainda mais toda a filosofia e emotividade das caracterizações dos personagens.
Se gostam do estilo visual de Wong Kar Wai e nunca viram [“Ashes of Time – Redux“] nem sabem o que perdem, pois isto contém quadro atrás de quadro. Não só os enquadramentos são fantásticos como a própria cor do filme é fabulosa, especialmente no contraste entre o ceu azul e o amarelo do deserto.

Mesmo quem achar o filme uma seca mas gostar de espreitar imagens fascinantes, vai querer ver este filme.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Não posso deixar de dar a nota máxima a este filme também, apesar de na verdade não recomendar a toda a gente que o vá a correr ver, porque não é de todo um filme que irá agradar a todo o público. No entanto se estiverem numa de cinema de autor e quiserem ver um filme fascinante dentro do género e ainda por cima passado em ambiente Wuxia onde não faltam algumas cenas de acção fantásticas se calhar não irão perder o vosso tempo em espreitar [“Ashes of Time – Redux“].
Então para fãs do Wong Kar Wai que nunca tenham visto isto e muito especialmente para quem só viu a cópia ultra rasca que andava por aí á venda em dvd, esta nova versão é totalmente obrigatória pois nem irão reconhecer o filme.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque sim.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: o ambiente visual, a carga filosófica sem ser pretenciosa, os personagens e o desempenho fantastico dos actores, a estética nas cenas de acção, excelentes sequências de acção embora muito breves mas bem equilibradas com o lado intimista.
Contra: se não conseguem ver cinema de autor pela frente fujam, a banda sonora podia complementar bem melhor o filme.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=XFh55NaFVLc

Comprar Versão Redux em Blu-Ray
http://www.amazon.co.uk/Ashes-Time-Redux-Blu-ray-DVD/dp/B001L4I1VE/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1306786553&sr=8-1

Comprar Versão Redux em DVD
http://www.amazon.co.uk/Ashes-Time-Redux-Leslie-Cheung/dp/B001L4I1VO/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1306786553&sr=8-2

Download aqui Versão Redux remontada em 2008 com legendas em PT/Br

Download aqui Versão original de 1994 com legendas em PT/Br

OST da versão de 1994

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0109688

Entrevista com Charlie Yeung
Entrevista com Carina Lau
Entrevista com Tony Leung

Entrevista com Wong Kar Wai – Parte 1Parte 2Parte 3

Entrevista com Christopher Doyle – Parte 1Parte 2

——————————————————————————————————————

Se gostou, vai gostar certamente dos seguintes filmes abaixo.
Aliás, mesmo que não tenha gostado deste  vai gostar dos filmes abaixo.

——————————————————————————————————————

Koizora (Sky of Love) Natsuki Imai (2007) Japão


Dentro do género romântico japonês, [“Sky of Love“] é um dos melhores e mais bonitos filmes que me passaram pela frente desde há alguns anos a esta parte e não estava nada á espera de que logo este fosse um título tão atacado na net, principalmente em reviews saídas dos Estados Unidos.
Até porque não difere muito do que costumamos ver dentro deste género romântico e na verdade já vi coisas muito mais pirosamente sexualmente foleiras saídas de Hollywood e nunca ninguém disse nada.

É que…mas que raio…terá sido este é o único filme sobre sexo adolescente, violação e aborto  que esta gente viu na vida ?!
Como pode haver na net pessoas chocadas por [“Sky of Love“] falar sobre o tema da gravidez adolescente de uma perspectiva totalmente natural ?

Além, disso dizer que [“Sky of Love“] tem cenas de sexo só se for na imaginação de quem ataca o filme, pois não esperem miúdas nuas nesta história. Aliás, nem nas tais cenas chocantes se vê um cotovelo sequer.

[“Sky of Love“] também é atacado por certos reviewers americanos porque mostra uma breve cena com adolescentes a beberem, a fumarem e a participarem numa festa com muita devassidão onde curtem uns com os outros sem sequer serem namorados !! Como é possível andarem a dar ideias destas aos adolescentes que nunca pensaram nisto antes ?!
Agora por causa deste filme todas as crianças vão descobrir que existe tabaco e que as meninas têm partes diferentes dos meninos.
Eu estou chocado. Até porque os americanos nunca fizeram filmes parvos com Spring Breakers nem nada…

Estou chocado, porque não estava nada á espera de encontrar reacções destas perante um filme tão bonito quanto este.
E mais uma vez, eu sei…eu sei que já vimos esta história mil vezes em outros romances cinematográficos orientais, eu sei que tudo é fofinho de propósito neste filme para nos fazer chorar baba e ranho e eu sei que não há um pingo de originalidade em [“Sky of Love“] porque segue todos os clichés do género ao mínimo detalhe.
Mas será um título tão pouco original assim ? Ou haverá algo de muito mais interessante em [“Sky of Love“] que algumas pessoas parecem não ter tido olhos para ver porque estavam demasiado ocupadas em pregar moral em vez de se deixar levar pelo universo da história?

Para começar tem uma coisa extraordinária. Os personagens são muito bons e esta história supostamente banal está filmada de uma forma tão cativante que a meio do filme já nem nos lembramos que já vimos isto antes mil vezes no cinema teen japonês o que não deixa de ser um resultado notável. Acreditem-me, vocês vão chegar ao final deste filme e nem se lembram que já viram isto dezenas de vezes antes pois [“Sky of Love“] é totalmente eficaz na forma como conduz a nossa atenção para o coração emocional da história e nos faz esquecer tudo em redor enquanto o filme não acaba.
Aqui e antes que me esqueça uma nota para o elenco que é perfeito. O par romântico principal é fantástico pela sua naturalidade e totalmente carismático, com grande destaque para actriz principal que na minha opinião tem uma prestação extraordinária neste filme e parece que ninguém notou esse facto.

Percorre toda a história em vários registos dramáticos (representando várias idades) com uma naturalidade espantosa e se calhar é por isso que tanta gente ataca o filme também, sem notarem que ao atacarem os acontecimentos representados na história estão na verdade a valorizar o trabalho dos actores que quanto a mim estão absolutamente mágnificos nisto.
Neste aspecto, também uma nota á parte para o actor que já vimos antes como protagonista de “Cyborg She” e que tem aqui um personagem secundário bem mais contido que os fará ficar ainda a gostar mais desta história. Isto porque mais uma vez, até aquilo que supostamente seria um triangulo amoroso banal, também aqui também funciona com uma dinâmica dramática que os irá não só surpreender como provavelmente emocionar-vos e dar-lhes um tópico ou dois em que pensar. O que não está mal para um filme que á primeira vista parece tão previsivel assim.

Uma das grandes forças deste filme em relação a todas as outras histórias de amor que estamos habituados a ver saídas do oriente, está no facto de que [“Sky of Love“] entra por um registro assumidamente mais dramático do que é costume e quando muita gente pensava que ia ver outra história romântica muito ligeira de repente leva com um título que antes de ser uma lovestory é acima de tudo um drama no sentido mais sério, também muito fruto dos próprios temas que aborda e da forma como os apresenta como fazendo parte da vida.

Como alguém refere numa outra review algures na net, atacarem [“Sky of Love“] ou qualquer outro drama romântico japonês com o argumento que é mais do mesmo e que já vimos esta formula ou esta história mil vezes antes é o mesmo que dizer que também não vale a pena vermos mais filmes de terror porque todos seguem a mesma fórmula. E quem diz filmes de terror, diz filmes de acção e por aí fora.
Portanto não é por ser outra história romântica japonesa que [“Sky of Love“] poderá ser desconsiderado. Quando muito seria por ser outra história romântica japonesa mas sem grande interesse ou falta de personalidade e isso garanto-vos que este filme não é, pois identidade, personalidade e muita alma não lhe falta e como tal na minha opinião vocês podem partir para isto com toda a confiança pois é realmente do melhor que anda por aí dentro do género.

Se calhar é um filme que confundiu muita gente porque ao início parece uma coisa e depois apanha o público de surpresa quando percebemos que tem uma temática mais profunda do que parecia a um primeiro olhar.
É que se vocês detestam aqueles ambientes fofinhos de meter vómito ao melhor estilo romance japonês para teenagers, até se vão passar com a atmosfera dos primeiros vinte minutos de [“Sky of Love“]. Isto porque tudo é tão cute em modo histérico que mais parece que estamos a ver um daqueles Animes para miúdas onde tudo é ultra feminino e cheio de estética fofinha quanto baste.

O que não falta em [“Sky of Love“] são colegiais japonesas em fatinho típico tão popular e ainda por cima tudo complementado com uma estética visual absolutamente luminosa que cria verdadeiras sequências onde quase nos parece que estamos a ver um desenho animado totalmente colorido ao melhor estilo japonês.
E é aqui que está o grande contraste do filme, pois quando de repente nos apercebemos que se calhar nem tudo é tão luminoso assim na vida dos personagens já é tarde e ficamos fascinados com o permanente contraste entre o drama das suas vidas e a incrível luminosidade absolutamente poética do ambiente em que a sua história decorre.
Um bom exemplo disto é a cena da violação que termina com uma imagem fabulosa num campo de flores.

Outra coisa curiosa sobre este filme é que parece que [“Sky of Love“] foi baseado numa história real que ocorreu no japão no início deste século (pelo visto o cinema deles conta histórias tão simples que podem ter eco na vida real e vice-versa); e que se tornou famosa porque esta foi publicada na forma de diário pela web num (popular?!) formato conhecido por aquelas bandas como – romances para telémovel (quê?!!) – e que pelo visto muita gente lê por todo o lado.
Parece que o pessoal no Japão em vez de ler livros, lê novelas nos ecrans de telémovel e como tal esta teve um sucesso tal quando foi disponibilizado para download que acabou sendo editado num livro a sério que vendeu como o raio, foi editado em Manga e portanto daí até ser um filme … a coisa nem poderia ter sido de outra forma.
E ainda bem.

Portanto, eu adorei [“Sky of Love“].
Há muito tempo que não encontrava uma love-story com tantas qualidades. Apesar de não ter um pingo de originalidade a nível de formato, tem pormenores fantásticos, muitos momentos dramáticos que resultam plenamente e está carregado de imagens inesquecíveis absolutamente poéticas que criam um contraste por vezes brutal com o que acontece na história.

Pode ser previsível, mas usa essa previsibilidade para tratar de uma forma natural todos os temas, tem interpretações fantásticas e mesmo assim consegue ter um suspanse extraordinário no que toca á forma como poderá acabar pois percebemos o que irá acontecer mas há sempre uma dúvida no ar por causa da introdução do terceiro elemento na história de amor o que lhe dá um toque humano diferente que nos faz colocar dúvidas a propósito do desfecho.
Um pormenor que não só resulta como dá imensa personalidade ao filme.

Sendo assim, pela parte que me toca achei [“Sky of Love“] uma das melhores histórias de amor deste género desde talvez, “The Classic“. É melodramático ? É sim, mas resulta e bem.
É também uma história que também não teria o mesmo impacto se os telemoveis nunca tivessem sido inventados, pois faz desse objecto do quotidiano um pormenor essencial não só para a carga dramática do filme como principalmente para a cena da despedida final que os fará ter nós na garganta pela sua eficácia enquanto ideia genial para um momento romântico e surpreendentemente cheio de suspanse dentro do contexto do  filme.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Outra das melhores histórias românticas orientais que existem para ser apreciadas e mais outra prova de que filmes com adolescentes, sobre adolescentes não têm que ser produtos vazios e descaracterizados, mesmo quando seguem todas as regras de um género que já foram repetidas mil vezes noutros títulos semelhantes.
Uma obra com uma grande simplicidade narrativa mas com uma realização fantásticamente discreta, num filme cheio de imagens lindíssimas e uma fotografia luminosa perfeita que contrasta com o tom cru e triste de muita da temática da história.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade porque este é outro daqueles filmes que rebenta a escala embora não pareça de todo ser um filme tão bom quanto na realidade é.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: mais uma vez toda a humanização dos personagens (inclusivamente dos vilões da história num pormenor final que surpreende pela inclusão inesperada num dos melhores momentos do desenlace), o trabalho da actriz principal é fantástico e se calhar não se nota a uma primeira visão pela naturalidade como tudo acontece no ecran, idem para os protagonistas masculinos que compõem o triangulo amoroso, é formulático e chega pois nem precisava de ser original para ser fantástico, mais do que uma love story é um bom drama sobre adolescentes que não trata o público por imbecil, a fotografia é incrível com imagens absolutamente inesquecíveis pelo filme inteiro, surpreendentemente consegue ter suspanse o que não deixa de ser notável pois já vimos isto tudo antes, tem uma história que não evita falar de sexo, bullying, violação ou aborto entre muitos outros pequenos temas surpreendentemente bem inseridos, o segmento final é totalmente emocional no melhor dos sentidos e mesmo que não queiram se tiverem um batimento cardíaco vão gastar quilos de lenços de papel e fronhas de almofada (bom filme para ver ca namorada…;), é quase um remake de “My Girl & I” mas onde desta vez está mesmo tudo no lugar certo e nada falha.
Contra: já vimos esta história antes várias vezes mas sinceramente…who cares !

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=0_KWYW5qu9o

Comprar
Este dvd está esgotado em tudo quanto é sitio, por isso se o encontrarem algures digam-me alguma coisa.
O sitio mais provavel onde poderá aparecer primeiro será por aqui…
http://www.yesasia.com/us/koizora-aka-sky-of-love-dvd-english-subtitled-hong-kong-version/1020251637-0-0-0-en/info.html

Download com legendas em Inglés,aqui  ou aqui.

Download com legendas em PT/Br aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1194664/combined

LER O MANGA

——————————————————————————————————————

Outros títulos românticos semelhantes recomendados:

The Classic concerto_capinha_73x

——————————————————————————————————————