Hôrudo appu daun (Hold Up Down) Hiroyuki Tanaka (2005) Japão


Não fora a quantidade de piadas com Jesus Cristo presentes nesta divertida comédia japonesa e este [“Hold Up Down“] seria um sério candidato a remake americano.
Assim como está, dúvido que alguma vez vejam esta história em versão Hollywood pois o seu humor blasfemo teria certamente bastantes problemas com muito do público evangélico por terras do Uncle Sam com toda a certeza.

O que quer dizer que também não será própriamente um filme recomendado a pessoas mais religiosas ou que se ofendam facilmente com gags envolvendo o Jota Cê mais popular do planeta.
Quanto a mim contém algum do melhor humor blasfemo dos últimos tempos e só tenho pena que mesmo assim não seja tão ofensivo merecia ter sido, pois havia aqui material para ter sido ainda mais engraçado.

Na verdade apesar de conter algumas das melhores piadas com Jesus Cristo talvez desde “A Vida de Brian” dos Monty Python estas são na verdade até bem inofensivas para minha desilusão, pois muitos dos gags só teriam a ganhar se [“Hold Up Down“] tivesse tido coragem de ser menos politicamente correctos apesar de tudo, embora contenha gags hilariantes quanto baste envolvendo todas as situações inimagináveis com padres, psicopatas, policias malucos, ladrões azarados e Jesus deslizantes…

Este é um daqueles filmes que justifica plenamente a minha intenção original ao criar este blog para divulgar propostas cinematográficas originais daquelas que não se costumam encontrar nas salas com muita frequência; isto porque na verdade não se percebe bem que raio de filme é este.
Começa como sendo uma típica comédia de assaltos; uma espécie de – heist movie – em versão anárquica, estilo Pulp Fiction oriental em esteroídes algo contidos, mas logo entra por territórios completamente inesperados, tanto em estilo de argumento como em visual, o que levará a um par de bons momentos inesperados na segunda metade do filme quando entra por caminhos completamente parvos e totalmente inesperados.
O que torna [“Hold Up Down“] num daqueles titulos que nos agarra a partir do momento em que percebemos que na verdade não estamos a perceber o que raio estamos a ver e por isso precisamos mesmo de continuar a olhar para o ecran. Especialmente quando entra em cena o “Jesus Cristo” estilo picolé sobre rodas…

Mas [“Hold Up Down“] não vive apenas do humor blasfemo. Na verdade desde cedo se percebe que o seu estilo visual vai ser fundamental para que muitos dos gags tenham piada não pelo que se passa mas pela forma como muitas vezes os acontecimentos são filmados.
A sequência incial da esquadra de policia com todos os queixosos é um bom exemplo de como se pega em algo que no papel não passaria de um conjunto de personagens sem grande coisa para fazer e no entanto cria um momento de humor único envolvendo um turista perdido, um cidadão agredido, uma gaja boa vitima de assédio sexual, uma velhinha que perdeu um gato, um psicopata com um bastão e um “Jesus Cristo” assaltado frente a um par de policias totalmente ineptos.

Tudo numa sequência criativa que dura largos minutos em total plano fixo ao melhor estilo cinema-de-autor mas que aqui resulta num gag que essencialmente define o estilo visual que o filme irá tomar na forma como trata o humor da história.
[“Hold Up Down“] é por isso visualmente um filme muito estranho.
Para começar tem uma estrutura completamente imprevisível suportada por uma história daquelas que faz o espectador pensar a todo o instante que sabe o que vai acontecer , para de seguida lhe trocar as voltas  a todo o instante. É este um dos seus grandes trunfos para agarrar o espectador, isto porque se assim não fosse, o filme seria até demasiado estranho para poder ser considerado um comum filme comercial nos moldes a que estamos habituados devido á sua realização estilizada que nos lembra algo… a todo o instante…

Este é o tipo de filme que se tivesse sido produzido em Hollywood a máquina publicitária iria ter bastantes dificuldades em vendê-lo com um rótulo apontado a um target de audiências específico.
[“Hold Up Down“] tem um estilo visual e um ritmo tão estranho que não se enquadra própriamente no que estamos habituados a ver neste estilo de comédias totalmente anárquicas. Tem algumas semelhanças com “Men Suddenly in Black” mas se calhar consegue ir mais longe tanto nos momentos de humor como no próprio conceito.
Mas há mais.

Curiosamente o filme fazia-me lembrar aquele estilo “frio” do cinema de Stanley Kubrick mas em versão tresloucada a todo o instante. Até que percebi o porquê , o que me deixou bem surpreendido por não ter sido apenas impressão minha. E mais não posso dizer pois garanto-vos se conhecerem bem os filmes emblemáticos do realizador de Shinning vão curtir muito o que lhes vai aparecer pela frente na segunda metade da história pois se pensam que piadas com um Jesus Cristo seria o cúmulo da loucura nem imaginam o rumo que esta história toma a partir de certa altura com a sequência do casamento…

[“Hold Up Down“] é um daqueles titulos que valem mesmo a pena ser vistos pelo menos uma vez. Poderão não conseguir entrar fácilmente no seu estilo algo indefinido devido aos vários rumos que o argumento consegue tomar sem perder o fôlego e poderão até nem gostar do filme no final ou até achar-lhe grande piada. No entanto tenho a certeza que ficará na memória precisamente por ser tão diferente ao mesmo tempo que parece uma comédia de assalto típica.

Não procurem qualquer lógica na história. Não é para ter. É um daqueles filmes para curtir mesmo e não é para fazer sentido. Podia ser intitulado – “Mil e uma coisas para fazer com Jesus” – e vai agradar a toda a gente que tiver sentido de humor negro, gostar de filmes com policias, ladrões e … coisas do outro mundo em todos os sentidos.
Pode ser estípido como o raio, mas a ser alguma coisa poderá ser uma espécie de comédia dos Monty Python se alguma vez tivesse sido filmada pelo Stanley Kubrik e escrita pelo Quentin Tarantino, produzida no Japão.
Se estas referências lhes dizem alguma coisa não percam porque vale a pena.
Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma comédia cheia de momentos inesperados que muitas vezes até nem parece ter grande graça até que nos acerta com mais um gag totalmente inesperado para nos fazer rir á parva.
É um daqueles filmes para deixar o cérebro á porta e simplesmente curtir tudo o que de inesperado acontece nesta história que não tem ponta por onde se lhe pegue mas tem um grande sentido de humor negro de caríz biblico e até kung-fu sobrenatural. Além de ser uma história de policias e ladrões que também gostam de brincar com modelos de comboios e padres que de repente encontram Jesus na sua vida. E também mete um psicopata que ataca pessoas com bastões. E mais coisas inimagináveis…
Um filme bastante original que na verdade nem se consegue enquadrar em qualquer género, pois por vezes até parece cinema-de-autor para logo no momento a seguir se calhar até não.
Divertido quanto baste, inofensivo, braindead e muito criativo na forma como mistura géneros diferentes para um resultado que merece na boa cinco tigelas de noodles e só não leva um Gold Award também porque nem sei…

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A favor: a originalidade da estrutura da história, as piadas com “Jesus”, o inesperado de muitos gags, a realização que alterna entre o Kubrick pastilhado e o Tarantino na ganza, tem um argumento totalmente imprevisível, personagens alucinantes e completamente ilógicos, mistura uma quantidade de géneros num argumento que não tem ponta por onde se lhe pegue e faz tudo resultar num produto bem divertido.
Contra: na verdade não tem nada de negativo…poderá ser demasiado estranho para quem está habituado a um tipo de comédia mais comercial ao estilo ocidental, as piadas religiosas poderiam ter sido muito mais ácidas pois quanto a mim ficaram ainda demasiado politicamente correctas para o que eu gostaria que tivessem sido, a cena de acção com kung-fu parece demasiado longa, é original mas provavelmente não ficará na memória.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
NOTA: Não vejam o trailer antes de verem o filme pois vai quebrar muitas das surpresas visuais que fazem grande parte das piadas resultar pelo seu inesperado quando se vê o filme sem sabermos nada dele.
http://www.youtube.com/watch?v=h4tTAvgcGhs

Comprar
http://www.cdjapan.co.jp/detailview.html?KEY=JABM-8003

Download aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0461523

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Mo gong ( Battle of Wits – aka – Battle of the Warriors) Chi Leung ‘Jacob’ Cheung (2006) China


No outro dia ao desiludir-me bastante com “Red Cliff“, lembrei-me que este era bastante semelhante a outro titulo mais antigo que eu tinha comprado há anos mas de que ainda não tinha falado aqui, pois por qualquer motivo é um daqueles dvds que nunca mais tinha revisto e como tal, decidi tirar o pó do disco a [“Battle of Wits“] porque esta é mesmo a altura certa para falar deste filme no blog até por uma questão de comparação entre títulos semelhantes.

Tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] são filmes de guerra semelhantes, porque essencialmente assentam mais sobre as estratégias de guerra, tácticas de movimentação de exércitos, planos de combate e intrigas políticas ou palacianas do que própriamente sobre herois e heroínas que vivem aventuras em mundos Wuxia ou de ambiente medieval e como tal são filmes com uma estrutura muito parecida.

Em ambos os casos, temos dois exércitos em confronto que se analisam um ao outro e onde a maior parte das cenas se passam naquela guerra de muralhas e paliçadas onde as estratégias de invasão se sobrepõem á sequências de acção pura e simples.
Também a nível de personagens os filmes se tocam pois tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] contam com os inevitáveis generais caracterizados da forma habitual, com os guerreiros heroicos em estilo solitário, grandes estrategas militares, imperadores decadentes ou corruptos e claro, com a miúda gira da história que neste caso também é muito boa a andar á bulha pelo meio das cenas de batalha, pois é uma oficial de cavalaria.

Achei portanto, que tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] poderiam ter sido o mesmo filme. Se se trocassem os cenários e o guarda roupa, provavelmente o resultado teria sido o mesmo nos dois filme e ambos manteriam a sua identidade apenas por causa de um grande pormenor que os distingue.
[“Battle of Wits“] ostenta muito menos opulência visual que “Red Cliff” e como tal não tem aquele sabor a grande épico cinematográfico que exala por todos os frames desse filme e que tornou a obra de John Woo imediatamente muito menos interessante na minha opinião; apenas porque por detrás de tanto estilo visual espantoso tudo aquilo sempre me pareceu demasiado plástico e como espectador nunca consegui entrar naquele mundo pois tudo me pareceu fabricado para cinema e muito pouco real.

Algo que não me aconteceu de todo agora em [“Battle of Wits“].
Ainda o filme não tinha começado á dez minutos e já eu me tinha esquecido que estava a ver um épico cinematográfico. Isto porque pura e simplesmente, nada em [“Battle of Wits“] nos lembra que são cenários contruidos para um filme e nada no estilo visual chama constantemente a atenção para o que aparece no ecrã.
Acompanhar [“Battle of Wits“] é como espreitar por uma máquina do tempo e contemplar o passado; ter acompanhado “Red Cliff” para mim foi como estar a desfolhar um livro sobre design e construção de cenários para cinema. Por muito que eu tenha adorado o fantástico estilo visual do filme de John Woo prefiro mil vezes a contenção estética de [“Battle of Wits“] e o estilo completamente natural dos ambientes e arquitecturas pois transportam o espectador para o passado. Não o deixam do outro lado da televisão a contemplar ambientes gráficos quando estes deveriam servir os personagens e não gritar – superprodução cinematográfica – a todo o instante.

Portanto, em comparação, nota alta para [“Battle of Wits“] logo por este início. Tudo nesta história parece visualmente real e quem gostou da estética realística e crua de Musa the Warrior tem aqui um filme muito semelhante gráficamente falando que  irá certamente agradar a quem procura este tipo de atmosfera visual.
Infelizmente a nível de argumento, também [“Battle of Wits“] é um daqueles filmes que me custa bastante a absorver, mas isto é uma questão de gosto pessoal pois como já referi em posts anteriores, o género de intriga politica e palaciana é algo que me aborrece de morte. Portanto para mim foi muito dificil arrastar-me pelos primeiros vinte minutos deste filme.

No entanto a sua atmosfera cativou-me e cedo também os personagens se começaram a delinear bem mais interessantes do que em por exemplo, mais uma vez “”Red Cliff“.
Não quero parecer estar aqui a ser muito duro com o filme de John Woo até porque gostei do que vi, mas é impossível não compará-lo com [“Battle of Wits“] pois são bastante semelhantes temáticamente e estruturalmente e como tal em termos de gosto puramente pessoal eu penso que esta produção bem menos extravagante é muito mais interessante.

Muita gente em reviews na net critica um pouco os personagens deste filme por causa de serem um bocado estereotipados e parecerem apenas ter sido criados para fazer brilhar as estrelas Pop chinesas que pelo visto entram nisto. Eu como não conheço nenhum destes gajos que entram nos papeis secundários, por mim estão todos muito bem e nem me pareceu sequer que o personagem do soldado arqueiro tenha sido criado para imitar o “Elfo Legolas” do “Lord of the Rings” embora perceba a razão de muita gente referir essa sensação pois o seu papel e dinâmica em [“Battle of Wits“] pode ser semelhante.
Como no entanto, a mim nem me pareceu que isto estrague própriamente o filme por mim que se lixe e passa á frente.

Coisas boas. [“Battle of Wits“] tem muito ambiente e conta com além de Andy Lau sempre seguro, também com o carismático actor sul-coreano que vocês vão reconhecer de “Musa the Warrior” onde personificava o velho e sábio guerreiro veterano e que neste caso faz de general invasor.
Se bem que este filme também seja cativante pelo facto de não ter herois e vilões mas sim, tal como em “Musa the Warrior“, apenas guerreiros em facções politicas opostas e sobre este detalhe [“Battle of Wits“] conta com uma simples e fascinante cena em frente da fortaleza cercada, onde os dois oponentes se encontram cara a cara e que define todo o tom da história; onde a haver vilões, estes serão claro está, os políticos que tudo manobram nos bastidores e que causarão mais mortos e tragédia do que quem faz a guerra por eles, o que não deixa de ser uma mensagem subliminar sempre interessante neste tipo de histórias.

E por falar em cenas de guerra, não só todas as batalhas têm um tom de guerra fascinante como ao vê-las nem me lembrei que estava a ver cenas coreografadas para um filme. Bem ao contrário do que me aconteceu em “Red Cliff” onde além de as cenas de invasão da parte final terem sabido a pouco e nem sequer terem sido particularmente impressionantes a nível criativo tudo me pareceu apenas guerra cinematográfica a todo o instante; coisa que nunca me aconteceu notar agora em [“Battle of Wits“].

Não só todas as cenas de invasão são muito variadas, como a nível de argumento as ideias para estratégias e planos de guerra são todas muito criativos e até bem surpreendentes em alguns momentos. E o melhor é que tudo isto é conseguido sem dar a impressão que estamos apenas a ver um filme, o que quanto a mim é o melhor trunfo que um épico histórico pode ter. Conseguir transportar o espectador para o passado e [“Battle of Wits“] consegue-o bastante bem na minha opinião.

A nível de história, não será propriamente algo tão interessante assim, e neste campo talvez até “Red Cliff” tenha tentado ser melhor e ir mais longe, mas [“Battle of Wits“] é essencialmente um filme sobre estratégias militares e sobre um combate de teimosias entre dois comandantes em ambos os lados da paliçada. A tal “battle of wits” que não tem uma verdadeira correspondente tradução directa na nossa lingua, mas que também se poderia traduzir por algo como “guerra de determinação” ou algo semelhante, pois é esse o coração do filme na sua essência.
[“Battle of Wits“] é um filme sobre dois homens, sobre os poderes que estão á sua volta e sobre o facto de só um deles poder sair vencedor de uma guerra que na verdade não tem qualquer sentido a não ser o de cimentar a sua honra e reputação ao melhor estilo filme de guerra medieval chinés.

Tudo gira á volta da invasão e defesa de uma cidade e tudo tem a ver com guerra, estratégia e politica, mas [“Battle of Wits“] tem ainda tempo para dedicar algumas sequências á inevitável história de amor. Neste caso, talvez mais para abrir o filme ao público feminino do que propriamente para criar algo memorável dentro do género romântico em filmes de guerra.
Por exemplo não encontrarão aqui a assumidamente romântica história de amor de “An Empress and the Warriors“, mas mesmo assim quem procura um toque de romantismo ao melhor estilo cinema oriental, penso que também irá ficar satisfeito com o que [“Battle of Wits“] tem para contar neste aspecto.
Tudo muito breve, mas resulta bem e humaniza o personagem de Andy Lau que até então mais parecia uma espécie de Obi-Wan-Kenobi da estratégia militar pois faz parte de uma ordem de guerreiros quase mística e do qual nunca se sabe muito ao longo de todo o filme.

As cenas românticas, são sempre muito secundárias e complementam bem toda a conversa estratégica, política e militarista do resto do argumento e ainda bem que os criadores deste filme as incluiram, porque conseguem criar uma carga de grande suspanse adicional no segmento final da história que agarra o espectador ao ecrã mesmo sem notarmos que não conseguimos desviar o olhar desses momentos. O desenlace romântico não foge muito ao habitual mas acaba também por transmitir um tom poético ao final de [“Battle of Wits“] o que é sempre bem-vindo.

Consta que isto é a adaptação de um Manga muito popular no Japão, mas como eu não o conheço nem nunca o li, não posso tirar grandes considerações sobre o mesmo. Por outro lado também acho que nem interessariam muito, pois mesmo que isto nem sequer seja uma grande adaptação da banda-desenhada, quanto a mim é um dos filmes mais interessantes de guerra em estilo super-produção que saiu da China recentemente e nesse aspecto bem mais carismático que “Red Cliff” sem precisar de tanta opulência gráfica para ser notado e apreciado.

Quem procura um épico de guerra chinés, penso que irá gostar bastante.
Na minha opinião, [“Battle of Wits“] talvez tenha duração a mais e não lhe fazia mal ficar sem uns quinze minutos talvez, isto porque se repete um pouco quando não há muito mais para dizer sobre honra, dedicação e patriotismo sem começar a tornar-se mais do mesmo. No entanto, como a história romântica intercala bem tudo o resto a coisa equilibra-se e não será por aqui que o filme perderá grandes pontos. Apenas poderia ter tido uma montagem mais dinâmica talvez.

Penso que irá agradar a quem procurar cenas de guerra medieval com grandes exércitos. As batalhas são muito variadas e divertidas, mesmo quando não são espectaculares. Neste campo é onde se nota o melhor do trabalho do realizador, pois penso que ele é fantástico a gerir toda a movimentação de figurantes e a transformar o pouco em muito.
Consegue algumas cenas bem espectaculares e acima de tudo divertidas pois são bem entusiasmantes ao longo de todas as cenas de guerra e quando um filme é essencialmente composto por cenas de batalha e pouco mais é notável como se consegue manter sempre equilibrado sem se tornar monótono.

Por outro lado, [“Battle of Wits“] não é um daqueles filmes de guerra com milhares de figurantes a lutar em cenas de exércitos gigantes no meio de planícies ou algo assim. É um filme de guerra de cerco e que se calhar já merece ser classificado como um sub-género dentro do cinema deste estilo.
Em vez de cenas épicas com milhares de figurantes temos cenas muito dinâmicas com algumas centenas de gajos a matarem e morrerem de todas as formas e mesmo assim, uma cena de cinco minutos de guerra deste filme tem mais entusiasmo do que quase duas horas de  “Mulan” o que já não é mau de todo.

Por falar em mau, [“Battle of Wits“] só tem uma coisa péssima.
Os maus efeitos digitais quase que arruinam algumas das cenas de batalha. Sejam a mostrar exércitos com soldadinhos feitos em CGI a marchar algo amadoramente em termos técnicos no que toca a animação, seja em muito fogo digital ou ainda em sequências inteiras com homens e cavalos tudo muito mal integrado na acção, por momentos ás vezes parece que [“Battle of Wits“] poderá tornar-se mesmo bastante foleiro e piroso quando tenta ser espectacular.
O que vale é que se calhar muita gente nem vai notar, pois felizmente são poucos e breves. Além disso a variedade do que acontece nas batalhas também contribui para distrair bastante o espectador e como tal penso que não se deve penalizar muito este filme por isto também.

Também poderia ter tido mais sangue. Num filme de guerra com tanta acção corpo a corpo e sequências em estilo cru com alguma violência tem muito pouca gente cortada aos bocados e practicamente nenhum sangue a espirrar; o que não deixa de ser estranho pois retira-lhe logo algum do dramatismo que poderia ter tido nas cenas de guerra. Se ás vezes sentirem que falta qualquer coisa no meio de tantas cenas de acção, já sabem. Falta sangue, pois surpreendentemente [“Battle of Wits“] é uma produção bastante politicamente correcta quando comparada com outras coisas semelhantes como “The Warlords” ou “Musa the Warrior“.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não será propriamente o meu filme de guerra medieval chinês favorito, mas é uma boa alternativa a quem procura um bom épico neste estilo e gostou da atmosfera visual de por exemplo, “Musa the Warrior“.
Tem atractivos suficientes para divertir e é bem mais variado e épico que “Mulan” por exemplo sem sequer se esforçar por sê-lo. E aposto que irá agradar muito a quem procura um bom filme de guerra onde a estratégia de batalha é o centro da história e terá ficado tão desiludido com “Red Cliff” quanto eu fiquei.
Sendo assim, quatro tigelas e meia de noodles porque é mesmo muito bom e só não leva mais porque achei que tem duração a mais e arrasta-se algo pelo meio.

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A favor: excelente ambiente cénico pois nem nos lembramos que são cenários construídos para um filme, boas e muito variadas cenas de batalha com estratégias de combate divertidas e imaginativas além de muitas vezes serem empolgantes, excelente realização particularmente na gestão das cenas de acção e na forma como as narrativas se cruzam, os personagens não são originais mas são na sua grande parte muito carismáticos, dois excelentes actores como antagonistas, é um filme de guerra com alma e muito para dizer mesmo subliminarmente, boa e simpática história de amor que ainda consegue arrancar um excelente momento de suspanse na parte final.
Contra: tem duração a mais e talvez se repita em alguns pontos já antes abordados, arrasta-se um bocado a meio da sua duração, os efeitos digitais são muito fraquinhos mesmo em alguns momentos, os personagens poderiam ter sido mais originais embora eu compreenda que isto não seja nada fácil de fazer, falta-lhe sangue pois tem carnificina aos montes mas é demasiado politicamente correcto no uso de cenas gore e nem tem sequer uma decapitaçãozinha nem nada, é um bom filme mas não lhes ficará na memória pois falta-lhe qualquer coisa para ser realmente fantástico.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=WdX_cNu9dCw

Comprar DVD ou  BluRay na Amazon Uk bem baratinhos

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0485863

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Lian zhi feng jing (The Floating Landscape) Miu-suet Lai (2003) China


[“The Floating Landscape“] é um filme oriental tão estranho quanto especial.
Estranho porque ao contrário do que o videoclip dá a entender não é de forma nenhuma a típica história de amor ultra-fofinha ao estilo oriental mas sim uma obra que se situa algures entre um filme de autor intímista e a love-story comercial embora nunca se defina por completo.  Isto contribui para que seja um produto cinematográfico com um certo charme que só lhe fica bem quando comparado com todas as outras histórias de amor que inundam o mercado pois estamos na presença de um filme asiático diferente.

Especial também, porque essa diferença mais uma vez mostra que actualmente ninguém produz melhores histórias de amor do que o oriente pois conseguem acima de tudo humanizar os personagens e torná-los pessoas reais sem precisar de entrar em diálogos excessivamente dramáticos e telenovelísticos. Mais uma vez estamos na presença de uma história de amor em que a palavra “amar” practicamente nem aparece no argumento e tudo é nos mostrado pela imagem.

Mas este filme na minha opinião também é especial porque é um daqueles que nos puxa para ele muito depois de o termos visto. No meu caso, da primeira vez que o vi não gostei particularmente, pois estava á espera de encontrar no filme o mesmo ambiente do videoclip e fui surpreendido com uma obra bem mais intimista e mais de acordo com o trailer oficial que ainda não tinha visto na altura.
No entanto, mesmo não tendo gostado particularmente de [“The Floating Landscape“] a verdade é que este filme insistia em não me sair da cabeça, (um pouco como aconteceu com “Madeleine“). E isto mais uma vez essencialmente devido á sua atmosfera, algo que é agora um bocado dificil de explicar a quem ainda não viu o filme.

 

Aparentemente [“The Floating Landscape“] é uma obra asiática muito simples. A história é intrigante mas nem por isso particularmente misteriosa, isto porque o espectador percebe logo muito antes dos personagens o significado do enigma que os confunde e este facto retira logo todo o suspense que o desenlaçe poderia ter, o que me desiludiu quando vi o filme pela primeira vez.
No entanto, a uma segunda visão já conhecendo bem a estrutura da narrativa a verdade é que [“The Floating Landscape“] revela-se numa obra especial e com muitos bons motivos para agradar a quem procura uma história de amor diferente do habitual cinema oriental do género.
Diferente no ambiente, pois além de contar com dois personagens cativantes e tão simples que parecem pessoas reais ainda se passa numa das cidades mais atmosféricas que me lembro de ver no cinema.

O filme passa-se algures numa das muitas cidades industriais costeiras da China e ao contrário do que possam pensar esta não tem nada de extraordinário. Não é um local ao estilo de Paris ou Roma, não tem nenhuma característica que a torne parte de qualquer roteiro turístico mundial obrigatório, mas tem uma coisa absolutamente fascinante e que a transforma no cenário perfeito para ser palco da história deste filme.
A melhor maneira de descrever o seu ambiente será dizer-vos que em certos momentos parece um local perdido onde o tempo corre mais devagar e em certos momentos parece uma cidade saída de um desenho animado de Hiyao Miyazaki.
Além do par romântico, a cidade é a terceira personagem do filme e apesar da localização geográfica nem ter qualquer relevância para a história neste caso a luz com que esta é sempre fotografada cria uma atmosfera realmente bonita que contrasta um pouco com a frieza e a melancolia  presente no próprio desenrolar da narrativa.

É que uma das características estranhas deste filme está precisamente no seu equílibrio entre dois tons narrativos extremamente distintos. Se por um lado [“The Floating Landscape“] tem um lado poético e bonito na forma como usa as cores da cidade para ilustrar a relação dos dois protagonistas, por outro tem também momentos intimístas extremamente frios e algo perturbantes que parecem até deslocados do resto do filme. Se numas alturas assume claramente um estilo de cinema de autor noutros momentos parece querer colar-se ao registro oriental mais comercial. Isto cria um ambiente algo incerto, pois enquanto espectadores nunca sabemos se a seguir vamos ter uma cena ligeira ou então mais uma sequência com outra daquelas cargas de tristeza contemplativa que nos fazem querer cortar os pulsos.
E por falar nisso…
Já agora chamo a atenção para a inesperada e muito gráficamente explícita cena de tentativa de suicidio envolvendo um pulso, uma lâmina de barbear, veias e muito sangue que aparece nos momentos iniciais do filme e que poderá ser um bocado incomodativa para muita gente.
Dentro do contexto da história entende-se a razão da cena estar lá, mas a verdade é que é algo realmente inesperado quando o videoclip nos remetia para um filme muito mais ligeiro do que na realidade [“The Floating Landscape“] é em alguns momentos.

Esta estranha alternância entre um ambiente comercial descontraído e uma atmosfera negra intímista  muito triste e deprimente é uma das coisas que mais nos confunde nesta obra e ao mesmo tempo se calhar é aquilo que também torna [“The Floating Landscape“] num filme que não se esquece, especialmente se gostarmos de histórias de amor originais e bem contadas.
Um factor muito importante que contribui imenso para a atmosfera é tmbém a banda sonora.
Mais uma vez, se esperam encontrar algo no estilo da música que aparece no videoclip esqueçam, pois essa canção nem entra na história. Em vez de uma banda sonora ligeira, todo o filme é pontuado por uma atmosfera sonora bastante minímalIsta (quase de música erudita) e que reflete muito bem principalmente o clima de intensa tristeza que percorre muitas partes da história.
Embora ao mesmo tempo também consiga ilustrar os momentos alegres mas de uma forma igualmente intímista, por isso já sabem, [“The Floating Landscape“] é tão diferente que até a própria música não é aquilo que se esperaria mas mais uma vez isto contribui para tornar o filme numa história de amor especial que merece ser vista pelo menos uma vez.

E como se o filme não fosse já suficientemente estranho, se calhar é melhor dizer também que este mete um par de sequências em desenho animado, mas sobre isto não vou dizer muito mais, até porque vocês precisam ter algo para apreciar de fresquinho e os momentos animados presentes em [“The Floating Landscape“] apesar de breves contribuem também para aquele estranho equilibrio entre cinema de autor, cinema comercial e para a originalidade do filme.

Basicamente  [“The Floating Landscape“] conta a história de uma rapariga que depois do namorado ter morrido de uma rara doença genética mesmo assim não consegue deixar de o amar. Após uma tentativa de suicídio como forma de se sentir mais perto do jovem que faleceu ela resolve viajar até á cidade natal do namorado com o objectivo de conseguir encontrar o local real que este representou um dia num desenho e que significava muito na sua vida.
Ao chegar lá encontra um jovem carteiro que a guia pela cidade e a tenta ajudar a encontrar esse local presente na ilustração mas sempre sem grande sucesso, (embora para o espectador seja mais que óbvio). Durante esse processo vocês, já estão a ver o resultado e claro que o jovem carteiro se apaixona pela rapariga que entretanto não consegue largar a obsessão de encontrar a paisagem desenhada pelo namorado e com isso nem repara no amor e na possibilidade de um novo futuro feliz que o jovem carteiro lhe poderia proporcionar.

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CLASSIFICAÇÃO:

Apesar da minha classificação relativamente baixa quando comparada com a de outras histórias de amor que já apresentei neste blog não se deixem desmoralizar. Na verdade se calhar [“The Floating Landscape“] até é capaz de merecer mais mas a verdade é que a estranha indefenição entre estilos de cinema lhe retira muito da força que merecia ter tido.
No entanto continua a ser uma boa história de amor e que merece ser vista ou até fazer parte de qualquer colecção de quem gosta de cinema romântico oriental e não receie encontrar um filme algo frio em certos momentos.
Até porque a atmosfera (quando não é fria e deprimente como o %&#”) é quase mágica e a química entre os dois protagonistas é excelente. Tivesse o estilo de filme sido mais bem definido e [“The Floating Landscape“] poderia até ser um daqueles filmes obrigatórios. Assim fico-me apenas pelo muito recomendável. Mas recomendável mesmo, pois é uma excelente alternativa a todos os outros filmes do género romântico oriental que tenho recomendado até agora.
Trés tigelas e meia de noodles, porque mesmo assim é muito bom (de uma forma estranha).

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A favor: a química entre os actores, os personagens muito humanos e reais, a maneira como a cidade está filmada, tem uma atmosfera muito poética apesar de algo melancólica até nas partes mais bonitas, as breves ilustrações da sequência animada, por entre o ambiente triste contém um par de sequências românticas bonitas sem precisar de recorrer a diálogos de telenovela para mostrar emoção, apesar de estranho e por vezes muito deprimente é um filme que nos fica na memória pelos seus pequenos aspectos muito positivos.
Contra: a realização não deslumbra e esforça-se demasiado para ser um daqueles filmes de autor inteligentes, a banda sonora é muito boa mas pode ser bastante triste e não tem nada a ver com a balada comercial do videoclip, a carga emocional negativa que percorre todo o filme quase que anula o ambiente romântico que a história supostamente pretende ter, não sabe se quer ser um filme de autor ou uma love-story comercial, não é uma obra que estejamos sempre a querer voltar a ver ao contrário de filmes como “Be With You“, “The Classic” ou “Il Mare“ e pode decepcionar quem espera algo mais essencialmente comercial.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=lzU1DNLRNxI

Videoclip
http://www.youtube.com/watch?v=6pnWBQ6jnqM&feature=related

Comprar
A edição que tenho é esta. Contém um pequeno making of muito interessante mesmo apesar dos extras não estarem legendados em inglés. Apenas o filme está legendado, mas tem uma boa cópia e é uma boa compra para quem quiser comprar mais uma boa história de amor oriental.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-49-en-15-the+floating+landscape-70-3g1.html

Podem também encontrá-la á venda na Amazon.com a um bom preço.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0377923/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia

Il Mare The Classic Fly me to Polaris

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