The Sorcerer and the White Snake (The Sorcerer and the White Snake) Siu-Tung Ching (2011) China


Se julgam o cinema de fantasia pela qualidade dos efeitos especiais então fujam !
[“The Sorcerer and the White Snake“] tem efeitos digitais tão maus que fazem as sequências de “Blood – The Last Vampire” parecerem cenas do Avatar em comparação.
Por isso se um mau filme na vossa opinião se define pelo lado técnico dos efeitos é melhor esquecerem este desde já pois não vão gostar de todo.

Se no entanto, conseguirem abstrair-se das piores criações em CGI dos últimos anos, entrarem na onda visual do filme e não se importarem com “renders” que mais parecem saídos de uma introdução de um velho jogo para a PS-ONE do que material produzido para cinema feito em 2011, então bem-vindos a [“The Sorcerer and the White Snake“].
Especialmente se gostam de filmes de fantasia.

Esta produção pode ter defeitos que nunca mais acabam a nível técnico, mas tem imenso charme e acima de tudo tem uma coisa que para mim dá logo imenso valor a um projecto; está sempre a surpreender no que toca a imaginação e parece continuamente apostado em atirar á cara do espectador momentos inesperados especialmente quando pensamos que já vimos tudo e nada nos pode apanhar de surpresa. E isto no sentido positivo e no negativo. O que de de certa forma serve como ponto de reviravolta na nossa opinião sobre o que aparece no ecran.

Perdi a conta dos momentos em que só pensava que tudo era tão mau, tão mal feito , tão piroso e tão foleiro que só poderia ser totalmente viciante, naquele sentido do é tão mau que só pode ser de propósito e portanto se torna automáticamente genial.
Por outro lado também perdi a conta dos momentos realmente bons deste filme.
Não o são, própriamente pela história ou carísma dos personagens porque na verdade não têm nada de especial ou sequer muito cativante, mas pelo resultado global desta produção que tanto pode ser genialmente má como extraordináriamente boa ás vezes com uma diferença de segundos entre cenas.

Isto porque como já disse [“The Sorcerer and the White Snake“] é um filme cheio de imaginação. Daqueles que sabem usar as suas limitações técnicas para muitas das vezes criar cenas memoráveis. Já vi este título há um par de semanas e continua a não sair-me da cabeça, nomeadamente por causa de muitas das suas imagens cheias de ambiente, paisagens fabulosas e muita criatividade no design visual.

[“The Sorcerer and the White Snake“] está cheio de geografias fantásticas, criaturas fofinhas e carismáticas (que deveriam ter tido mais tempo de antena), ao mesmo tempo que contém algumas cenas de acção bem divertidas e que culminam num final absolutamente épico.
Tão épico que se nota perfeitamente que os criadores deste projecto não tinham orçamento nem para metade do que quiseram mostrar mas mostraram na mesma, numa onda total de : “que se lixe !”
Por isso nota alta para tanta ambição e pela total falta de receio em alienar logo metade do público com tanto mau CGI.

Nota-se que houve aqui uma escolha óbvia; ou faziam um final pequenino sem grande chama e dentro do dinheiro que haveria para produzir uns efeitos mais aceitáveis…ou… entravam á maluca por um final para lá de épico sem terem meios para o realizar técnicamente como deveria ter sido filmado. Por mim, ainda bem que escolheram o total avacalhamento visual , pois [“The Sorcerer and the White Snake“] tem no seu final alguns dos melhores momentos de sempre dentro daquele género de cinema-tão-mau-que-só-pode-ser-bom !

Portanto se gostam de cinema de fantasia eu recomendo vivamente este filminho. Agora têm de gostar de Fantasia dentro do género conto-popular-chinês, em puro modo de conto-de-fadas com um bocadinho de porrada e artes marciais. Se procuram algo no estilo ocidental em jeito de Lord of the Rings, esqueçam, [“The Sorcerer and the White Snake“] é puro cinema de fantasia ao melhor estilo “The Promise” mas produzido sem o mesmo orçamento.

Quando isto começou, a primeira sensação que tive foi a de que estava a ver uma espécie de sequela não declarada de “The Forbidden Kingdom” mas sem o Jackie Chan ou o puto americano que não servia para nada.
Parecia que alguém na China esteve a ver esse filme, percebeu o que estaria a mais nele e resolveu criar a sua própria versão integralmente chinesa (visto Forbidden Kingdom ter sido uma co-produção China/América).
Isto porque inclusivamente o personagem de Jet Li até parece o mesmo e tudo, só que desta vez bem melhor usado dentro do contexto geral da história.

[“The Sorcerer and the White Snake“] é no entanto um filme bem mais infantil que “The Forbidden Kindom” (se é que tal é possível), isto porque em muitos momentos até parece uma produção da Disney ou da Dreamworks, devido ás sequências com criaturas fofinhas e animais inteligentes a piscar o olho ao estilo Shrek até).
Mas ainda bem que elas estão na história, pois são um dos seus pontos fortes. Quebram a monotonia da óbvia, clássica e algo aborrecida história de amor central e equilibram muito bem alguns dos momentos de acção mais fracos até.
Da minha parte só tenho pena que o filme não tenha tido mais criaturas como estas ao longo da história. Mas como está, está bem e curiosamente os efeitos digitais nesses momentos nem são nada maus não senhor.

Essencialmente [“The Sorcerer and the White Snake“] é um conto de fadas chinês. Conta a história de uma espécie de serpente milenar que se apaixona por um humano e se transforma em mulher para poder viver com ele. Claro que o pobre coitado nem suspeita do verdadeiro aspecto da senhora e muito menos imagina que existe uma ordem de monges que ao melhor estilo Terminator em versão Shaolin percorrem o mundo eliminando todo o tipo de criaturas que não forem humanas porque as consideram demoníacas , só porque sim; o que acaba por se revelar um dos pontos interessantes na moral da história também e provavelmente será a tónica do conto original que não parece esquecida no desenlace final desta aventura. Nota positiva também para isto.

Basicamente estamos na presença de um filme de aventuras divertido, passado numa China de Fantasia ao melhor estilo conto de fadas clássico oriental. Não se chateiem muito com o visual dos maus efeitos especiais e deixem-se levar pelo universo da história pois [“The Sorcerer and the White Snake“]  é um pequeno grande “mau” filme simplesmente perfeito para quem procura um titulo divertido e ligeiro. Nota-se que houve um constante esforço para apresentarem um produto criativo mesmo apesar das limitações técnicas e nem sempre encontramos algo assim que sabe tirar uma nota tão positiva daquilo que á partida poderia ter sido a morte do filme.

O seu único problema é que a história nem é particularmente divertida e o facto de se basear essencialmente numa espécie de comédia de costumes envolvendo uma história de amor também não ajuda a dar-lhe grande carísma no aspecto humano. Isto porque os personagens são todos muito superficiais e portanto não esperem encontrar aquela intensidade romântica de um “An Empressa and the Warriors” por exemplo e essa é uma das grandes falhas do filme, pois supostamente o amor seria o motor de todas as situações da história mas os personagens nunca nos cativam da forma que é habitual encontrarmos no cinema romântico oriental.
Como resultado disso, a parte dramática deveria criar uma grande empatia com o espectador para ajudar a terminar em beleza o segmento final da história, mas não funciona muito bem em termos emocionais pois tudo nos parece artificial demais ao contrário do que costuma ser costume em produções românticas orientais.

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CLASSIFICAÇÃO:

É um filme carregado de pequenos pormenores que lhe dão imensa vida. Tudo o que não envolve a história de amor central, dá imensa energia ao filme; o que no fundo é uma mais valia pois este enquanto fantasia romântica simplesmente nunca funcionaria muito bem por causa da superficialidade de toda a trama de amor.
Boas cenas e acção, monstros divertidos, criaturas fofinhas quanto baste, alguma comédia bem conseguida, quilos de maus efeitos especiais que não deixam de ter imensa personalidade mesmo assim e um final tão épico que nem cabe no orçamento do filme.
Como filme de fantasia totalmente no estilo conto-de-fadas-chinês, não será melhor que “The Promise” ou mesmo que “An Empress and the Warriors“, mas mesmo apesar dos maus efeitos especiais penso que é mais cativante do que “The Restless” e mais criativo que “The Forbidden Kingdom” também.
Por isso e porque o raio do filme não me sai da cabeça mesmo depois destas semanas todas, quatro tigelas e meio de noodles porque sendo mau demais é realmente muito bom mesmo ! E já que estamos no Natal é uma óptima escolha para espreitarem enquanto esperam pelo dia de abrir as prendas também.

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A favor: soube tirar partido da sua muita imaginação mesmo apesar dos péssimos efeitos CGI, está carregado de pequenos pormenores criativos a todos os níveis, algumas paisagens são fabulosas, tem um final tão épico que quase não cabe no orçamento do filme o que o torna ainda mais divertido, esforça-se a todo o instante por ultrapassar as suas limitações técnicas tentando surpreender o espectador com coisas novas e pequenas reviravoltas, tem um par de monstros bem creepy e divertidos, alguns efeitos digitais até nem são maus de todo não senhor, tem um par de criaturas fofinhas bem conseguidas, grande parte do design é excelente com destaque para o visual das duas serpentes irmãs em estilo sereia flutuante, boas e variadas cenas de acção eficazes quanto baste, alguns momentos de comédia divertidos.
Contra: quem odeia o estilo cinema-photoshop presente em “The Promise” vai abominar este filme totalmente,  a história de amor deveria ser o coração da história mas perde-se algures entre o drama que nunca poderia ser e a comédia que não sabe se quer ser, os personagens não têm grande profundidade e por isso a parte humana da história fica um bocadinho áquem do que é costume em produções românticas orientais, em 2011 é um filme com efeitos digitais do meio dos anos 90 no mínimo…mas por outro lado, who cares !

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=YOXg1SL60nk

Comprar
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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0865556/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Promise

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Blood: The Last Vampire (Blood: The Last Vampire) Chris Nahon (2009) Hong-Kong/China, França


Devo confessar que se há uma coisa que eu gosto no cinema comercial moderno é de filmes franceses que tentam parecer-se com produções americanas á força toda. Daqueles que se colam á estética podre de chique gringa ao pior estilo cinema-de-super-herois made-in-hollywood onde tudo parece igual.
Só muda o design dos monstros que na verdade parecem-se todos com o mesmo boneco musculado saído de livros da Marvel onde só se altera a cor do uniforme de capítulo para capítulo.

Por isso eu gosto muito de cinema francês em estilo Hollywood porque falha redondamente em tudo o que pretende fazer para se colar ao estilo americano.
Não sei o que há com estas produções europeias, que apesar de fazerem sempre tudo bem e de seguirem á risca a cartilha pipoca americana a verdade é que eu acho que se espalham todas no resultado final.
Tudo o que é filme francês de acção moderno que se tenta colar ao cinema do outro lado do oceano atlântico acaba sempre por se ficar por um resultado estranhamente hibrido que nem é carne nem é peixe. O mesmo acontece agora com este [“Blood: The Last Vampire“] uma estranha co-produção entre a Europa e Hong-Kong em piloto automático estilo Hollywood.

Mais uma vez temos um filme francês que á força de querer parecer-se com um filme americano acerta ao lado em tudo e na verdade ainda bem que assim é.
Ainda bem porque é essa falta de pontaria constante do moderno cinema-clónico francês que lhe dá imensa identidade e transforma qualquer produção europeia de efeitos especiais e acção á bruta numa coisa mais interessante do que costuma acontecer com as pipocas pré-fabricadas americanas. Talvez porque a europa use moldes diferentes.
Por muito que se tente estragar um filme rasca na europa tentando imitar o plástico americano, pelo menos eu fico sempre com a sensação de que o resultado é sempre bem mais carismático e isso ajuda a salvar da banalidade muita coisa que de outra forma poderia tornar-se absolutamente insuportável.

Há qualquer coisa de bom num mau filme pipoca europeu quando este tenta imitar o cinema de Hollywood e melhor ainda quando além de tentar imitar o cinema americano tenta ao mesmo tempo parecer-se com cinema oriental em estilo Hong-Kong.
Por isso eu gostei bastante de [“Blood: The Last Vampire“].
Estamos na presença de um bom filme de acção totalmente braindead no sentido mais positivo do termo e que mesmo com tanta mistura de estilo consegue ainda assim manter uma atmosfera europeia com um sabor intenso a baguette francesa de que não se consegue livrar apesar da overdose de pirotécnica digital á americana e kung-fu com fios á la Hong Kong.

Além disso, fiquei bastante surpreendido por este titulo ser protagonizado pela minha “Sassy Girl” favorita do cinema oriental que parece ter escolhido este papel para se tentar projectar internacionalmente, que é como quem diz, mostrar que também poderá ser uma boa escolha para filmes mais …americanos.
Quase que custamos a acreditar que esta é a mesma actriz que protagonizou também “Il Mare” num registo que não poderia ser mais oposto.

E por acaso acho que esta miúda foi a escolha perfeita para este papel. Eu não conheço bem o anime original mas do pouco que vi do desenho animado, penso que Jeon Ji-hyun (aqui com o pseudónimo internacional “Gianna Jun”), está fantástica apesar de em muitas alturas sentirmos que não estará muito confortável com os diálogos em inglés.
Sim porque [“Blood: The Last Vampire“] é um filme francês co-produzido com a China a tentar imitar o cinema americano com diálogos tanto em inglés como em japonês protagonizado por uma actriz Sul Coreana… Confusos ? Não se preocupem a coisa resulta.

Muita gente ataca [“Blood: The Last Vampire“] por causa dos seus péssimos efeitos digitais, nomeadamente o sangue em bolinhas 3D Studio em efeitos nada especiais que parecem saidos de um render amador criado para uma introdução de um jogo da Playstation-One. Tudo verdade. É quase mau demais para ser real e damos por nós a pensar como raio é que alguém deitou cá para fora um filme com efeitos tão datados assim e pensou que poderia competir com o que de mais moderno se faz no cinema deste mesmo estilo em Hollywood.
Por mim, que se lixe. Sim, o filme tem efeitos atrozes e até ridiculamente amadores e sim, aquele demónio é mau demais para ser verdade mas desde quando é que maus efeitos especiais fazem um mau filme ?

[“Blood: The Last Vampire“] apesar de todo o emaranhado de influências visuais consegue no entanto ser um produto comercial muito bem executado e com uma realização segura. Penso que o realizador francês conseguiu aqui um trabalho com personalidade e fiquei com a sensação de que só não fez melhor mais por culpa do argumento do que por causa dos péssimos efeitos especiais que tanta gente contesta.

Quanto a mim, [“Blood: The Last Vampire“] tem uma primeira metade totalmente cativante. Sequências de acção divertidas, uma estética de comercial de shampoo que resulta, actores carismáticos e uma atmosfera visual que por momentos faz lembrar Blade Runner em certos aspectos, nomeadamente no ambiente nocturno.
Infelizmente , achei que a segunda metade do filme perdeu toda a piada. Não sei o que se passou mas a partir de certa altura parece que mudaram de argumentista e todo o desenvolvimento deixa de conseguir envolver o espectador. Isto porque a história deixa de ser interessante não apenas por se tornar ainda mais previsível mas principalmente porque tudo culmina num climax que não tem particular entusiasmo ou grande espectacularidade.

No entanto, eu gostei muito da primeira metade do filme. Abre com uma sequência entusiasmante, continua com alguns personagens carismáticos, situações digitalmente sangrentas bem divertidas e a coisa resulta até meio onde de repente se instala alguma monotonia geral até ao final embora os actores bem se esforcem para dar vida a um argumento já em piloto automático no pior dos sentidos.
Não que seja própriamente muito grave, mas a verdade é que achei que este filme merecia ter-se mantido muito divertido até ao fim e na minha opinião isso não acontece como deveria ter sido.

Se há uma coisa que me aborrece de morte no cinema estilo super-herois á americana é a banalidade do típico confronto final com o vilão e achei muito decepcionante que a única vez em que [“Blood: The Last Vampire“]  se parece mesmo com um filme de Hollywood seja precisamente naquela parte em que se calhar deveria ter-se parecido mais com um produto de Hong-Kong pois a sequência final aborreceu-me pela sua previsibilidade e total falta de interesse previligiando mais a pirotécnia digital do que o carisma dos personagens e a criatividade das sequências de acção.

De qualquer forma, [“Blood: The Last Vampire“]  é um produto pipoca divertido e que se recomenda a quem não pedir mais do que ver uma boa aventura com vampiros e uma heroína cheia de personalidade suportada por um bom elenco internacional onde se destaca Liam Cunningham um actor que por vezes parece estar a incoorporar o espírito do ainda bem vivo Jean Reno na construção do seu personagem de agente da CIA que estará algures entre o “Leon” e o “Enzo” presentes nos fabulosos filmes de Luc Besson.
Só é pena que acabe por ser desprediçado dentro do próprio argumento.

Muitos fãs do anime, não gostaram da personagem teenager americana que pelo visto foi inserida a martelo nesta versão da história porque acusam-na de existir apenas para agradar ao mercado americano. Pessoalmente eu gostei da rapariga. Acho que tem um personagem dinâmico e que conduz bem o filme por entre as sequências protagonizadas por Jeon Ji-hyun e ajuda até a actriz principal a brilhar pois evita que nos concentremos demasiado no inglés limitado da actriz Sul Coreana que apesar de conseguir fazer um excelente trabalho nesta sua estreia “internacional” esteve sempre um bocadinho limitada pela lingua inglesa para poder ir mais longe e conseguir carregar sózinha o protagonismo de um filme assim.

Por isso, resumindo, eu curti.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um estranho hibrido entre filme comercial americano, cinema francês e estilo Hong-Kong que só não resulta totalmente porque o argumento perde-se na banalidade a partir da segunda metade do filme e tenta depender demasiado de maus efeitos especiais para o climax da história quando esta pedia mais atenção aos personagens talvez.
De qualquer forma é um produto pipoca muito divertido, com uma primeira parte dinâmica e cheia de personalidade, uma actriz Sul Coreana que parece não conseguir ser má até quando tem limitações de idioma contra ela.
Não é um filme pipoca brilhante, mas recomenda-se bastante.
Trés tigelas e meia de noodles sem problemas mas com muita pena minha pois [“Blood: The Last Vampire“] merecia ter sido bem melhor e a culpa disso nao ter acontecido não é dos maus efeitos especiais como muita gente parece achar, mas sim de um argumento que poderia ter sido bem mais imaginativo.

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A favor: o elenco é excelente com destaque para a protagonista Sul Coreana que dá tudo para conseguir fazer um bom trabalho num idioma que lhe é claramente dificil de dominar, a primeira metade do filme tem pinta e uma atmosfera visual excelente, a realização faz milagres em conseguir manter todas as diversas influências coerentes ao longo do filme, contém algumas cenas de acção estilo Hong-Kong divertidas.
Contra: a segunda metade do filme parece apagada, o climax do filme depende demasiado dos maus efeitos especiais digitais que percorrem toda a história, os vilões não têm carisma nenhum e em nenhum momento causam qualquer tensão na história por tudo ser tão banalmente previsivel e vazio na sua própria caracterização.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0806027

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

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Chi bi/Chi bi xia: Jue zhan tian xia (Red Cliff / Red Cliff 2 – Versão Integral Original com 300 minutos) John Woo (2008/2009) China


Comecei a ver [“Red Cliff“] no início de Janeiro e curiosamente embora tenha gostado do primeiro dvd, quando o primeiro  filme acabou não fiquei com vontade nenhuma de continuar a acompanhar esta saga apesar de ter deixado a história a meio e como tal só me decidi a ver o segundo disco ontem quase seis meses depois porque achei que estava na altura de falar sobre este título tão popular por aqui.
Se este blog não existisse é bem provável que não visse o resto do filme tão cedo o que não deixa de ser estranho até para mim que não costumo deixar coisas destas a meio.

Portanto, como já imaginam [“Red Cliff“] não me impressionou por aí além.
No entanto percebo porque tem tanto hype á sua volta, pois além de ser o regresso de John Woo á China visualmente é na verdade extraordináriamente apelativo e na minha opinião é precisamente o aspecto visual que cria aquela ilusão de que esta saga será a tal obra prima que muitos gostariam que fosse mas que não é de forma alguma.

Talvez John Woo tenha apanhado alguns maus hábitos por ter passado 16 anos a fazer filmes nos Estados Unidos pois [“Red Cliff“] é um claro exemplo de uma super-produção onde o estilo se sobrepõe e muito á substância. Neste caso, se calhar em vez do estilo poderemos até dizer que a opulência se sobrepõe á substância, pois garanto-vos que vão ficar impressionados com a escala visual deste épico sobre estratégia de guerra.

Por outro lado, épicos históricos saídos da China é coisa que não falta no mercado e cenas de batalha com milhares de figurantes já todos nós vimos muitas também e como tal nem nisso [“Red Cliff“]  difere muito do que é costume, nem na verdade acrescenta o que quer que seja de novo. Pelo contrário até.
No entanto, [“Red Cliff“]  é fantástico a criar a ilusão de que tudo é espantosamente  épico e apesar de se notar que falta ali qualquer coisa a todo o instante, o espectador consegue acompanhar com interesse toda a história precisamente porque visual não lhe falta.

Ficamos  essencialmente hipnotizados pelo estilo gráfico deste filme que é absolutamente fantástico embora em muitas alturas pareça bastante plástico o que contradiz um pouco aquela ideia de reconstituição histórica que pretende ser pois os seus ambientes são tão gráficos e artificiais que perdem muito da naturalidade que costumamos encontrar nos ambientes da maior parte dos épicos históricos orientais.
[“Red Cliff“]  é uma saga militar grandiosa mas sente-se constantemente o lado cinematográfico presente, naquele sentido em que apesar da opulência não se livra daquele sabor a cenário para cinema.

Ao contrário do que costuma acontecer-me com estes filmes, [“Red Cliff“]  não me transportou minimamente para dentro do seu universo e nunca por um momento me fez esquecer que estava a ver um filme, pois enquanto espectador sempre me senti totalmente distanciado do que estava a acontecer no ecran e isso para mim é o pior que me pode acontecer quando estou a ver uma história deste estilo.
Por mais que uma vez, dei por mim a olhar para o relógio do leitor para ver se ainda faltava muito para aquilo acabar e não foi por desejar que [“Red Cliff“]  durasse mais uns minutos. Isto aconteceu-me tanto na primeira parte como na segunda.

Como alguém também já referiu algures numa review,  [“Red Cliff“] não consegue criar qualquer empatia entre os espectadores e os personagens, pois pouco nos importamos com o seu destino, salvo uma ou duas excepções.
São muitos e variados mas na verdade podem morrer todos que pouco importa e por isso há aqui qualquer coisa que falha. Nota-se uma excessiva tentativa de caracterização nuns (o que alonga o filme em cenas inconsequentes que muitas vezes parecem desnecessárias), enquanto outros que até são importantes para a carga dramática da história pouco tempo têm de ecran e são apenas usados como peões nas extraordinárias coreografias de movimentação de exército para que o espectador possa saber quem é quem.

Nota-se uma tentativa de humanizar alguns deles através do recurso ao drama romântico pelo meio da história, mas as histórias de amor também não têm qualquer interesse ou atmosfera. Uma perde-se totalmente pelo meio de tanta estratégia militar e outra perde demasiado tempo a ser totalmente previsivel sem conseguir construir uma base emocional que a fizesse resultar no inevitavel desfecho e como tal pouco nos importa quando este acontece.

[“Red Cliff“]  também não se define bem enquanto género. Não é de forma nenhuma um filme de aventuras ou de acção medieval apesar das suas inúmeras sequências porque essas cenas apenas complementam as intrigas palacianas do costume e as sequências de estratégia militar. Por isso não esperem encontrar em [“Red Cliff“]  um blockbuster com um ritmo definido ou um espírito de aventura e preparem-se para intermináveis minutos onde se conta essencialmente uma história sobre estratégia política e militar que á força de não ter própriamente personagens cativantes se torna algo aborrecida e até demasiado técnica em certos aspectos.
Por outro lado quem gostar muito de estratégia militar, tem aqui em [“Red Cliff“]  provavelmente o melhor filme de todos os tempos, pois toda a sua acção gira á volta de tácticas de movimentação de exércitos, intrigas políticas, alianças e traições.

O que me leva a outra coisa que me desapontou e muito. Esperava muito mais de [“Red Cliff“]  nas cenas de acção tendo em conta que isto é um filme de John Woo. Não que estas não sejam espectaculares, mas não vão encontrar nada que já não tenham visto noutros filmes antes e como tal não vão encontrar aqui cenas de acção que os deixem completamente fascinados pela inovação.
Todas as batalhas são fantásticas, mas falta-lhes alguma identidade pois a sua espectacularidade vem mais do estilo gráfico do filme e da quantidade estúpida de figurantes no ecran do que própriamente nos cativam por nos preocuparmos com o rumo da história ou com os personagens que estão envolvidos nas lutas.

Até porque grande parte das vezes as batalhas são travadas pelos figurantes enquanto os personagens principais ficam sentados a controlar as estratégias á distância num épico jogo de xadrez humano. Isto salvo excepções claro mas não consegui evitar sentir um total distanciamento das cenas de acção de [“Red Cliff“], o que muito me surpreendeu , pois estava preparado para me divertir totalmente com as batalhas épicas destes filmes e tal não aconteceu de forma alguma ao nível que eu esperava e que já encontrei antes em filmes como “The Warlords” por exemplo, onde a escala e a produção poderá ser menor mas a eficácia cinematográfica é bem superior porque conseguiu criar uma ilusão de realísmo que John Woo não conseguiu reproduzir de todo.

Notei uma gritante falta de sangue nestas batalhas. Em muitos momentos parecia que estava a ver um filme americano. Batalhas gigantes, montes de gente á espadeirada mas muito poucos salpicos e cabeças cortadas.
Isto depois de já ter visto tanta batalha extraordináriamente realística ultimamente em épicos de menor escala faz com que [“Red Cliff“]  ainda pareça ser uma produção mais plástica e desinteressante do que merecia ter sido.
Não quero dizer com isto no entanto, que as cenas de acção sejam chatas, não são; apenas a fama do filme faz com entremos nele á espera de uma coisa e depois não surpreende de todo e salvo raras excepções nem notamos que isto será um filme de John Woo pois falta-lhe alguma identidade.

Com tudo isto, pode parecer que detestei este filme e na verdade isso não é assim. [“Red Cliff“]  tem alguns momentos fantásticos. Por exemplo, todas as ideias para estratégias de batalha são absolutamente geniais e quanto a mim , o plano para os herois conseguirem arranjar flechas extra para os exércitos é dos momentos mais divertidos e brilhantes da história que marca definitivamente o que há de melhor nesta saga.
O primeiro filme também tem uma cena de batalha fabulosa com outra táctica de movimentação de exércitos incrível e que os irá surpreender. Curiosamente será talvez a melhor batalha do filme todo e surpreendeu-me não terem guardado este momento para o final da história pois todas essas cenas de guerra no primeiro [“Red Cliff“]  são bem mais entusiasmantes que o plástico ataque final que supostamente deveria ser o climax do filme e no entanto sabe a pouco.
Tal como os mais de 300 minutos de duração que a versão integral contém apesar de terem muita coisa positiva.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Red Cliff“] mesmo não sendo aquele acontecimento cinematográfico que tanta gente gostaria que fosse, é no entanto um bom filme sobre estratégia militar e intriga politica e palaciana que apesar do seu argumento algo disperso ainda contém um par de boas surpresas no que toca á parte de espionagem entre exércitos que os irá divertir.
Será talvez vitima do próprio peso de mostrar que é um épico histórico gigantesco e como tal a megalómania dos cenários e dos efeitos gráficos sobrepõe-se ao divertimento, o que é pena.
De qualquer forma, quatro tigelas de noodles porque é bastante bom mesmo e irá agradar muito a quem gosta de coisas sobre estratégia militar.

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A favor: visualmente é sumptuoso e com uma escala épica incrível a nível de produção, está cheio de paisagens fabulosas, a batalha do primeiro disco é fantástica e muito criativa, as cenas de espionagem são divertidas e com bastante humor o que foi algo inesperado de encontrar num filme tão sério sobre alianças e estratégias militares, uma das love-stories quase resulta e é divertida de seguir, contém um par de sequências de acção individuais muito boas mesmo, a cena do roubo das flechas no segundo disco é absolutamente clássica e muito engraçada, um elenco fabuloso que se esforça por dar vida a personagens que não cativam particularmente.
Contra: esforça-se demasiado para nos fazer notar que é um épico a todo o instante e com isso torna-se muito artificial, tem cenas longas e desnecessárias que repetem informação que já se sabe, não cria qualquer empatia com os personagens salvo uma ou duas excepções, muita acção mas não se percebe bem que tipo de filme estamos a ver, falta-lhe sangue, a batalha final não tem nada de surpreendente, nota-se o CGI e isso retira-nos automáticamente do ambiente do filme nos raros momentos em que quase conseguimos abstrair-nos de que estamos a ver um filme.

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=GPF6jaaBW7M&feature=related

Comprar Blu-Ray bem baratinho na Amazon Uk- Contém os dois filmes
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Download Red Cliff com legendas em PT/Br
Download Red Cliff 2 com legendas em PT/Br

IMDB – Red Cliff
http://www.imdb.com/title/tt0425637/
IMDB – Red Cliff 2
http://www.imdb.com/title/tt1326972/

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Hachikô monogatari (Hachi-ko) Seijirô Kôyama (1987) Japão & remake Usa: Hachiko: A Dog’s Story (Hachi: A Dog’s Tale) Lasse Hallström (2009) Usa


Esta história chegou até mim totalmente ao acaso no outro dia enquanto andava pelo Youtube á procura de trailers de cinema oriental e estranhamente ia sempre parar ao trailer de um filme recente com Richard Gere, chamado “Hachi – A Dog´s Tale” feito em Hollywood.
Surpreendentemente ou talvez não, o filme de Richard Gere revelou-se como mais um remake americano de outro filme oriental, mas curiosamente o próprio trailer da versão Usa tinha um certo encanto e identidade que me cativou imediatamente e me levou não só a querer saber mais sobre o filme Japonês original, como como acima de tudo, saber mais sobre esta história absolutamente tocante e fascinante.
E foi assim que cheguei a esta reportagem que antes de mais recomendo que toda a gente veja antes de continuarem a ler a minha crítica sobre [“Hachi-Ko“] pois vale mesmo a pena começar por aqui.


(Cliquem na imagem ou neste link, para verem a peça no Youtube,  pois o video original também não permite integração no blog).

Fascinante não é ?
É daquelas histórias que nos dão um nó na garganta quando paramos para pensar como terá sido acompanhar todo o caso original na época e tudo aquilo que depois veio a simbolizar para as pessoas nos anos seguintes.
E segundo o que tenho lido parece que os produtores do filme original [“Hachi-Ko“] não se pouparam a esforços no que toca aos detalhes da história e procuraram tentar reproduzi-la o mais fielmente possível quase de uma forma documental sem no entanto descurar o lado cinematográfico da narrativa.

O que veio a tornar [“Hachi-Ko“] num pequeno filme japonês deveras surpreendente na minha opinião.
Surpreendente porque ao contrário do que eu estava á espera com um tema destes, encontramos um filme bem contido e até certo ponto intimísta.
Material deste dava pano para mangas, no que toca a choradeira-galopante e [“Hachi-Ko“] poderia ter resultado num produto assumidamente produzido para fazer as plateias gastar lenços de papel aos quilos. No entanto, surpreendeu-me mesmo muito por tentar essencialmente contar uma história muito simples sem grandes exageros emocionais e não estava nada á espera disto.

Quando eu pensava que ia ver um produto totalmente ultra-comercial ao pior estilo americano, tipo Benji ou Marley & Eu onde se exploraria até á medula o sofrimento dos personagens e principalmente do cachorro, [“Hachi-Ko“] apareceu-me com uma história completamente oposta onde há espaço para todos os personagens e onde se conta acima de tudo a história, não apenas de um cão, mas principalmente de um acontecimento que marcou não só a história de Tokyo como também as vidas de muita gente.

E que história foi esta, perguntam aqueles que não viram o video acima ou não sabem inglés.
Essencialmente [“Hachi-Ko“] conta a história de um cão que foi adotado por um senhor algures nos anos 20 no Japão e da relação que se gerou entre ambos.
Durante um par de anos, todos os dias o cão acompanhava o dono até á estação quando este tomava o comboio para ir trabalhar e todos os dias o cão voltava ao fim do dia á mesma hora para esperar o senhor quando ele regressava.
Um dia o dono morreu e nunca mais voltaria a regressar a casa no comboio á mesma hora mas no entanto, durante quase dez anos, Hachi-Ko regressou todos os dias á hora do comboio chegar para continuar a esperar pelo dono que nunca mais viria, isto apesar da fome, do frio e de entretanto se ter tornado num cão vadio pois fugia sempre de todos os que o tentavam adoptar para poder voltar á estação todos os dias para esperar o ser humano que amava.

Ora, com um material destes, seria mais que natural que [“Hachi-Ko“] o filme, fosse um enorme pastelão em overdose sentimental mas no entanto é um pequeno filme quase intimista absolutamente notável e simpático. Isto pela sua simplicidade e pela forma como nos conta a tocante história de Hachi-Ko , filmando-a mais como um drama-de-época onde todos os personagens contam e não apenas como um filme para espremer lágrimas aos espectadores porque sim.

Não pensem no entanto que [“Hachi-Ko“] não lhes causará sucessivos nós na garganta e não pensem que não vão derramar uma lágrima ou duas…ou trés. [“Hachi-Ko“] emociona e muito, mas emociona pelas razões certas, pelo significado da história, por ser uma lição de vida ao mesmo tempo que acaba por ser um filme sobre a solidão e a dedicação.
Poderá parecer-vos no entanto, um filme algo vazio durante quase toda a maior parte do tempo, pois practicamente setenta por cento do filme é passado em apresentar-nos as pessoas que fizeram parte desta história e não encontrarão em [“Hachi-Ko“] muito cliché habitual á volta do facto do personagem principal ser um cão.
Nota-se que houve um esforço dos argumentistas em manterem-se fieis aos acontecimentos e por isso o filme não está carregado de momentos inventados com o único objectivo de fazer chorar as plateias de X em X tempo para se manter fiel ao que esperariamos do género.

A grande virtude de [“Hachi-Ko“] está nesse aspecto. Conta uma história, fá-lo de uma maneira simples e muito, muito atmosférica assente numa recriação de época quase mágica e onde tudo se conjuga para nos levar até ao seu final onde Hachi-Ko “reencontra” finalmente o seu dono á porta da estação e que os fará chorar baba e ranho pois toda a contenção emocional durante o resto do filme foi orquestrada de modo a que apenas nesse momento os espectadores sintam verdadeiramente o significado de tudo o que Hachi-Ko passou para se reunir com quem gostava.
Quem conhece o livro “Timbuktu” de Paul Auster e adorou essa história principalmente no seu  final, tem aqui em [“Hachi-Ko“] algo de características muito semelhantes tanto na forma como a história é resolvida como na própria emotividade e poesia da resolução. Se gostaram de “Timbuktu” vão adorar este filme.
Se gostarem muito deste filme não percam de forma nenhuma o livro “Timbuktu” de Paul Auster.

Este filme não lhes ficará na memória por muito. Está bem feito, tem algumas imagens muito bonitas e uma fotografia fantástica que torna quase mágica a cidade onde vive Hachi-Ko, mas no entanto não é algo que lhes fique na recordação pelo lado mais cinematográfico.
Também o seu ritmo narrativo que não tem pressa de ir a lado nenhum na própria história poderá aborrecer alguns espectadores mais habituados ao estilo ocidental onde tem de acontecer sempre algo movimentado ou dramático de dez em dez minutos e [“Hachi-Ko“] não é assim.
Essencialmente tem uma identidade muito japonesa e isso só lhe fica bem pois sabe conduzir o espectador até ao desenlace da história sem que este se aperceba realmente da emotividade crescente da mesma e por esse aspecto está de parabéns.

Também não será um filme a que voltarão muitas vezes, a não ser que adorem mesmo cães e principalmente Akitas, no entanto é um bom título para mostrarem aos amigos que procurem um filme com animais bem feito, honesto na forma como está filmado sem excessos para além da história original que procura retratar e acima de tudo é um excelente complemento para a reportagem televisiva com que iniciei este post sobre [“Hachi-Ko“].

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CLASSIFICAÇÃO do Filme Original Japonês:

Quem gosta de cães vai adorar isto. Quem tem um Akita então é um daqueles filmes obrigatórios.
É um filme simpático, muito simples e tudo o que faz, faz bem.

Trés tigelas e meia de noodles porque enquanto filme não fica na memória nem é um daqueles que nos apeteça estar sempre a rever, no entanto não deixem que a minha modesta classificação os afaste de [“Hachi-Ko“] pois acima de tudo é uma história fascinante e muito bonita.

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A favor: a simplicidade de tudo resulta plenamente, não abusa das desgraças do cãozinho para provocar choro fácil, é um filme calminho e contido ao contrário do que se esperaria com uma história destas, manipula bastante bem a emotividade da história até ao desenlace final, a recriação de época tem montes de atmosfera e a fotografia do filme dá-lhe um ar quase mágico, acima de tudo é um filme sobre uma história com vários personagens e não apenas o típico filme para fazer as plateias chorar á custa do cãozinho, quem gostou de um romance de Paul Auster chamado “Timbuktu” vai adorar o final de [“Hachi-Ko“].
Contra: poderá ser um filme algo lento para quem está mais habituado ao estilo americano de cinema, não nos fica na memória enquanto objecto cinematográfico e há até quem compare [“Hachi-Ko“] a um telefilme de sábado á tarde com alguma razão.

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————————————————REMAKE————————————————
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Agora falemos do remake americano – [“Hachi: A Dog’s Tale”]

Como já devem ter notado isto agora é uma novidade aqui no blog, pois salvo raras excepções, não costumo falar particularmente dos remakes americanos de filmes orientais por aqui, embora desde há muito venha pensando numa forma de integrar esse aspecto, pois cada dia que passa aparecem mais remakes made-in-usa de cinema asiático e muitas vezes o público ocidental nem faz ideia de que já existe um original, normalmente muito superior.

Por isso vale a pena agora falar aqui um bocadinho do remake americano de [“Hachi-Ko“], intitulado em Hollywood como [“Hachi: A Dog’s Tale”] e protagonizado por Richard Gere, pois este título desta vez surpreendeu-me pela positiva por muitas razões que vale a pena destacar por aqui.

Para começar como podem ver pelo popular trailer (japonês) do remake americano, há por aqui uma identidade original que se manteve. E de uma forma bem mais interessante e genuína do que eu pensaria encontrar e isso mantém-se no remake desde logo os primeiros minutos de uma forma muito curiosa.
A maneira como o remake começa é uma quase nostálgica homenagem não só á origem japonesa da história como ao facto de já ter havido um [“Hachi-Ko“] original.

Ao contrário da maioria dos remakes americanos de filmes orientais que tentam disfarçar a sua origem (raramente se menciona sequer que existe um filme original no oriente), em [“Hachi: A Dog’s Tale”] essa origem é plenamente assumida desde os primeiros segundos e no início do filme assistimos á chegada de um cachorro Akita aos Estados Unidos vindo como encomenda directamente do Japão como se o próprio filme tivesse emigrado do oriente para o ocidente e sendo assim este remake não poderia ter começado de forma mais cativante e genuína.

E o tom do filme continua da mesma forma positiva e em pura homenagem á narrativa original. Nada é mudado e tudo é apenas transportado para o universo ocidental, nomeadamente o americano.
Essencialmente encontramos todos os personagens do filme original, agora na sua encarnação ocidental e toda a história se mantêm essencialmente fiel aos factos históricos originais que já tinham sido representados no filme Japonês.

No entanto, [“Hachi: A Dog’s Tale”] inevitávelmente conta com mais umas coisinhas inventadas pelos argumentistas americanos que polvilham e intercalam a história original e acabam por tornar o filme não só mais açucarado, como principalmente mais comercial para um público habituado ao género de cinema com cãezinhos saídos de Hollywood, embora desta vez a coisa nem seja particularmente grave e nota-se que houve alguma contenção nas “invenções” melodramáticas. Estas apenas estão lá para criar a tal estrutura com que o público conta sempre, (a tal onde tem sempre que acontecer algo de X em X tempo para não aborrecer as plateias) e na verdade a coisa até resulta pois torna o filme agradável e mantém o tom simpático.
Porque sejamos francos, se [“Hachi: A Dog’s Tale”] mantivesse a estrutura lenta (onde “não se passa muito”) de [“Hachi-Ko“] tenho a certeza que não iria restar muita gente acordada no final do remake nas salas americanas porque isto de um filme ser comercial pode ter muitas diferenças em várias partes do mundo.

De qualquer forma, a estrutura original mantém-se em [“Hachi: A Dog’s Tale”] e torna-se um prazer comparar as duas versões pois todo o remake americano é uma homenagem á história que  o inspirou.
Os personagens continuam cativantes e simpáticos, toda a atmosfera da história mantém aquele tom mágico do filme original apesar do remake ser passado na actualidade e Richard Gere é o actor perfeito para ter entrado nisto pois faz-nos esquecer por completo a estrela de Hollywood por detrás do personagem e compõe um dono de Hachi que os cativará.

O facto do remake se manter fiel ao original, também significa que o final é idêntico até na forma como mostra o “reencontro” de Hachi com o seu dono, embora eu tenha preferido mais a forma como foi apresentado na versão original, pois o remake substituiu o tom poético e sobrenatural por algo mais meloso e melodramático que na minha opinião poderia ter sido mais contido. Embora não seja de todo muito grave.

O final do remake, ainda tem outra ligação directa com o Japão pois, [“Hachi: A Dog’s Tale”] termina com a informação de que a história verdadeira passou-se no Japão dos anos 20 e não nos Eua e depois o filme termina com algumas fotografias históricas dos verdadeiros protagonístas e mostra a actual estátua de Hachi-ko em Tókio permanentemente á espera que o seu dono regresse.


Resumindo, na minha opinião, mesmo apesar do tom muito mais açucarado e ultra-comercial do remake, a verdade é que [“Hachi: A Dog’s Tale”] é um dos raros remakes americanos de filmes orientais que pode andar de cabeça erguida com todo o mérito.
Talvez muito se deva á própria sensibilidade do realizador Sueco, o conhecido Lasse Hallström , autor de dois dos meus dramas favoritos dos últimos anos falados em Inglés o conhecido “The Cider House Rules (Regras da Casa)” que deu o Oscar a Michael Cane e “The Shipping News” adaptando o romance do mesmo nome e situado no norte do Alaska.
Portanto, digamos que [“Hachi: A Dog’s Tale”] é um remake americano de um filme japonês com um toque emotivo europeu que só lhe fica bem e talvez seja isto também o que o torna num filme made-in-Hollywood tão simpático e até bastante cativante em alguns momentos.

Um filme que se assume como ultra-comercial mas com excelentes resultados, uma identidade própria e muito respeito tanto pela versão original como pela história fantástica que apresenta ao público ocidental que nunca veria o filme japonês.

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CLASSIFICAÇÃO do Remake Americano (ver acima o Original Japonês):

Quem gosta de cães também vai gostar muito disto e é um bom complemento para o filme original, além de ser um daqueles raros remakes americanos que resulta em todos os sentidos, embora seja inevitávelmente algo plástico e até conter um momento piroso ou dois totalmente desnecessários quem nem tiveram lugar na história original.
No entanto é uma tentativa honesta de se fazer um bom remake em Hollywood e que respeita totalmente a sua fonte original e até a homenageia em muitos momentos.

Trés tigelas e meia de noodles também, por motivos diferentes da mesma classificação atribuída ao original[“Hachi-Ko“] mas no fundo chegam os dois ao mesmo resultado; o de contar esta história tão triste quanto inspiradora passada há mais de 80 anos no japão e que até hoje ainda mantêm todo o seu valor e poesia.
E mais uma vez, não deixem que a minha modesta classificação aqui lhes tire a vontade de também espreitarem este filme. Vejam, um vejam os dois, mas vale a pena conhecer a história deste cão seja em que versão for.

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A favor: a simplicidade de tudo resulta plenamente, também não abusa das desgraças do cãozinho para provocar choro fácil embora seja um filme bem mais comercial que o original, é um filme simpático cheio de atmosfera e também surpreendentemente contido nos seus excessos mais pirosos, continua a ser também acima de tudo um filme sobre uma história com vários personagens e não apenas o típico filme para fazer as plateias chorar á custa do cãozinho, quem gostou de um romance de Paul Auster chamado “Timbuktu” vai adorar o final deste filme também pois é igual ao do original, respeita totalmente o filme original e a história que lhe deu origem, homenageia todas as suas origens nipónicas em muitos sentidos, a abertura do filme é muito criativa na forma como importa o cão/conceito do Japão para o Ocidente e nos faz entrar logo no ambiente Usa sem perder a identidade original.
Contra: é um filme de Hollywood e como tal tem coisas a mais só para que a plateia não adormeça, contém um par de momentos melodramáticos pirososos desnecessários mas inevitáveis dentro deste estilo de filmes quando saídos de Hollywood, também não nos fica na memória enquanto objecto cinematográfico e embora não se sinta tanto aquele ambiente de telefilme não será um dos titulos mais emblemáticos deste realizador sueco.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer – Hachi-ko
http://www.youtube.com/watch?v=JIbkRGef8kE

Trailer – Hachi a Dog´s Tale
http://www.youtube.com/watch?v=urfwQHddesI

Encontrei também esta canção sobre a história.

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Comprar -out Hachi-ko (Filme original – Japão)
Só o consigo encontrar nesta loja a um preço muito elevado.
Se alguém souber de outro sítio mais em conta diga-me qualquer coisa.

Download Hachi-ko aqui com legendas Pt/Br

Comprar – Hachi a Dog´s Tale (Remake – Usa)
Isto está por todo o lado aqui em Portugal, e aposto que também no Brasil.
Quem não encontrar pode comprar na Amazon em Dvd e Blu-Ray.

IMDB – HACHI-KO
http://www.imdb.com/title/tt0093132

IMDB – HACHI a Dog´s Tale (2009)
http://www.imdb.com/title/tt1028532

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FOTOS DOS PROTAGONISTAS REAIS e da Estátua em Tokyo em frente da estação.



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