Bichunmoo (Bichunmoo-O Guerreiro) Young-jun Kim (2000) Coreia do Sul


Tens 12 anos, kurtes uma beca de filmes porque têm muita acção e axas a MTV o máximo porque é boé da cool, porque yá, sim e essas cenas ? Então vais adorar [“Bichunmoo“] porque este filme é para ti jovem.

Para o resto do pessoal, tenham medo, muito medo, porque se comprarem este filme, particularmente a sua edição Portuguesa de nome “Bichunmuu-O Guerreiro” (parece nome de churrasqueira), vão desejar antes ter queimado um par de notas porque ao menos isso provocaria alguma reacção emocional.
[“Bichunmoo“] é um dos piores filmes Wuxia que poderão ter o azar de comprar na vossa vida e é tão mau que até faz com que coisas semelhantes como “Shinobi” pareçam ser cinema.

Isto de uma pessoa andar á procura de filmes fora do sistema comercial americano, também tem os seus riscos e de vez em quando por falta de mais informação sobre um titulo (ou excesso de hype á sua volta), lá nos caiem em cima coisas que nem se percebe porque foram feitas.
No caso deste [“Bichunmoo“], infelizmente só se percebe tarde demais quando espreitamos os making of do filme e nos deparamos com os seus criadores a dizerem todos orgulhosos que este foi feito para agradar precisamente á geração MTV e a toda a gente que acha aqueles filmes Wuxia “menores” como “Hero” uma grande seca porque são chatos e assim essas coisas, tás a ver…

Foi pena eu não ter sabido disto antes de comprar este [“Bichunmoo“], pois teria poupado algum dinheiro. Ainda por cima fui idiota o suficiente para comprar a genial edição Portuga em dvd onde mais uma vez se demonstra que neste país não só se editam todos os monos que pareçam ser de Karaté (filmes orientais=karaté), como ainda por cima são editados com condições técnicas no mínimo duvidosas e aparentemente sem grande controlo de qualidade antes do produto ser atirado para os cestos de promoções dos hipermercados.
É que vocês não sabem, mas como se já não bastasse o filme ser mau, ainda por cima parece que alguém aqui no nosso país decidiu transformá-lo numa comédia hilariante porque mais ou menos durante os últimos 40 minutos finais, o som do dvd está completamente dessincronizado pelo menos com sessenta segundos de atraso em relação ao que se passa na imagem.
Se quiserem rir á parva comprem o dvd pois há um par de momentos absolutamente hilariantes durante a parte final por causa deste pormenor no som. Quase que redimem o filme e pela qualidade deste bem que podem agradecer á editora Portuguesa.

Mas afinal qual é o problema com este filme, [“Bichunmoo“] ?
Bem, começa logo por aí, porque de filme tem muito pouco. Parece mais um telefilme, ou pior um episódio dos Power Rangers.
A primeira impressão que se tem quando começa é que a fotografia está um bocado deslocada da atmosfera que a história mereceria ter.
As imagens mais parecem seguir aquele estilo gráfico de telenovela TVI onde todo o cenário está constantemente iluminado com óbvios focos de luzes ás cores por todo o lado, do que própriamente se nota que houve uma preocupação em criar-se uma atmosfera que servisse o argumento.
Por outro lado a malta do MTV vai gostar pois o filme assemelha-se estéticamente a um enorme videoclip de duas horas.
Como resultado, parece mais que estamos a ver um mau produto televisivo em que o estilo de iluminação muda constantemente do que um filme supostamente feito para cinema. Será que despediram sucessivamente vários directores de fotografia ?
Logo neste aspecto se o objectivo dos seus produtores era evitar parecer-se com o filme “Hero” então começaram logo bem pois muito poucas imagens se poderão comparar.
Para já nem falar do resto do filme.

[“Bichunmoo“] supostamente é outra adaptação de uma famosa Manga oriental e como tal muito do seu sucesso deveu-se precisamente a isso, embora sinceramente eu não consiga perceber como raio é que esse tipo de adaptações inevitávelmente dão origem a filmes cada vez piores.
O que se passa com estes orientais ? Quando as suas histórias Wuxia são argumentos originais normalmente o resultado é sempre excelente, mas quando estes adaptam bandas-desenhadas parece que todo o talento asiático para criar cinema do género se evapora e o resultado são sempre produtos completamente desiquilibrados ficando sempre a meio termo entre o filme infantil e o drama para adultos, falhando miserávelmente em ambas as abordagens.
Já tinha contecido em “Shinobi“, aconteceu neste [“Bichunmoo“] e voltou a acontecer no épico “Battle of Wits” também adaptado de outra popular Manga, embora ao menos este último não tenha tido estética de teledisco ao contrário do presente filme.

Em termos de argumento, levamos com a habitual história de vingança do rapazinho que vê a sua aldeia destruída pelo mau de serviço, depois cresce e torna-e um espadachim um bocado traumatizado que basicamente resolve chinar (hehe) o gajo mau que é mesmo mau, diga-se de passagem. Tão mau que até consegue gritar com boca fechada na última metade do filme se estiverem a ver o dvd editado em Portugal.
Não haveria grande mal com este argumento formulático se a realização do filme estivesse á altura, o problema é que parece que alguém achou que o que interessava em [“Bichunmoo“], seriam as sequências de acção e como tal, qualquer coisa que se pareça com um fio de argumento apresentado de uma forma lógica apenas lá está para ligar a próxima cena de porrada super-ultra-cool-mega estilosa que pode ser mal filmada mas nem por isso deixa de ser também ainda por cima muito “bem” iluminada por belos focos multicolores ao melhor estilo teledisco dos anos 80.
É que lá por ter muita acção não quer dizer que estes segmentos sequer estejam particularmente bem feitos o que ainda agrava mais o resultado, pois a própria montagem é do piorio.
Se esperam seguir uma história com alguma lógica narrativa, esqueçam.
A meio do filme nem vocês sabem como as coisas acontecem ou porque acontecem e a história dá saltos completamente inesperados que nem me vou dar ao trabalho de detalhar agora aqui.

Pelo meio, para confundir ainda mais as coisas, o filme de repente muda de estilo e por momentos parece que tenta ser um drama romântico de fazer chorar as pedras da calçada ao melhor estilo oriental. Mas por essa altura tudo o resto já é tão mau e tão irrelevante que pouco nos importamos com o destino do par romântico. Ainda por cima o realizador deve ter pensado que para criar romance e emocionar o espectador bastava usar todos os clichés do género e assim levamos com as mais banais cenas dramáticas ao pior estilo telenovelístico durante os poucos momentos que ainda poderiam ter salvado este filme se tivessem conseguido introduzir nesta história alguma alma.

Acontece que quem realizou [“Bichunmoo“], não possui o talento da pessoa que filmou “Fly Me to Polaris” e portanto, isto de manipular clichés românticos e filmar ao estilo videoclip, tem que se lhe diga pois esse filme provou definitivamente que a “banalidade” romântica também pode ser uma arte quando os seus ingredientes são trabalhados correctamente.
Coisa que não se nota em neste filme, pois mesmo tentando usar os mesmos truques que “Fly Me to Polaris” tão bem usou para nos emocionar, nunca nos consegue tocar minimamente porque a história de amor parece estar mais lá porque faz parte da fórmula e havia que equilibrar a espadeirada de plástico, do que propriamente porque o realizador tenha algum talento para filmar histórias românticas.
É que ainda por cima esta parte parece clonada de “Shinobi“, o que não é propriamente a melhor referência quando a ideia seria criar uma empatia com o espectador.

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CLASSIFICAÇÃO:

Possivelmente o pior filme Wuxia que vi até hoje.
Só comparável a outros monos como “Shinobi” ou “Seven Swords”.
Os próprios produtores do filme afirmam orgulhosamente que [“Bichunmoo“], foi feito a pensar na geração MTV e por isso tirem daqui as vossas conclusões. )
Se calhar até vão gostar, mas sinceramente duvido.

Mais uma vez, cuidado com as reviews que classificam este filme de absoluta maravilha, pois podem acabar com um dvd nas mãos que não vale o disco em que está gravado. 
E atenção que a edição portuguesa tem um problema no áudio e a última metade do filme tem o som com um atraso de mais de um minuto em relação á imagem, o que o torna hilariante.
Mas nem um som em condições conseguiria evitar que este filme fosse tão mau.
Se eu vejo mais um foco de luz azul em estética de videoclip á contraluz acho que derreto este dvd.
Uma tigela de noodles, por tudo e mais alguma coisa, pois nem sequer algumas imagens bonitas esporádicamente localizadas ao longo da história conseguem evitar que este filme seja realmente mau.

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A favor: ao menos com a edição portuguesa dá para rir na última metade do filme por causa do problema de som. Apesar da confusão estilizada na direcção de fotografia, o filme contém algumas imagens bonitas ao melhor estilo oriental. A edição portuguesa contém a pista de som original em coreano. Apesar de tudo é uma compra indispensável para quem tem o culto do “mau” cinema que é tão mau que se torna genial. Se virmos a coisa por esse prisma este filme é uma obra prima do mau cinema.
Contra:  mesmo mau o trailer é muito melhor que o filme, um vazio, os personagens não transmitem qualquer emoção, a estética esforça-se demasiado para ter estilo a todo o momento, não há qualquer empatia com o espectador, a realização do filme é muito má e totalmente desiquilibrada com um estilo televisivo que só o prejudica ainda mais, a história de amor não tem um pingo de interesse, a montagem é péssima, não se percebe se quer ser um filme para adolescentes ou um drama Wuxia a sério, o filme tem duas horas !!
Mais uma vez cuidado com o (incompreensível) hype á volta desta obra em alguns sites e não julguem que este [“Bichunmoo“] é algo semelhante a um “O Tigre e o Dragão”, “Hero” ou “House of the Flying Daggers”. Não é.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=iZH7V2jrUdM

Comprar
Se quiserem comprar a versão com o som todo trocado a partir do meio do filme, podem encontrar a edição portuguesa deste dvd no cesto de promoções em qualquer hipermercado perto de vós.
Se no entanto acharem que vão gostar disto e quiserem comprar uma cópia em condições podem encontrá-la a pouco mais de 3€ actualmente na Play-Asia na sua vertente de edição normal.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-15-bichunmoo-70-cjq.html

IMDB
Onde poderão ver o quanto este filme divide opiniões.
http://www.imdb.com/title/tt0278351/

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Se gostaram deste poderão gostar de:

Shinobi   A Chinese Tall Story   The Promise      The Myth 

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The Classic ( The Classic ) Kwak Jae-yong ( 2003 ) Coreia do Sul


Na minha opinião, se “My Sassy Girl” é a melhor comédia romântica adolescente que alguma vez existiu, então [“The Classic“] é definitivamente o seu equivalente dentro do drama romântico adolescente também.
E antes que perguntem…pois, este também vai ter em breve um remake americano…
Por isso façam-me o favor de ver este filme o quanto antes.

Na sua simplicidade, [“The Classic“] é um dos mais poéticos e bonitos filmes orientais do género que poderão encontrar e por isso desde já recomendo a sua compra imediata a quem gosta de cinema romântico oriental pois tem aqui um filme que quererá incluir na sua videoteca, junto a “Il Mare“, “Be With You” e obviamente “My Sassy Girl” se nos ficarmos apenas pelo cinema mais comercial, claro.

Isto apesar de [“The Classic“] ser uma obra relativamente formulática e não conter aquela originalidade refrescante que “My Sassy Girl” apresentou quando apareceu há alguns anos atrás.
No entanto a maneira como [“The Classic“] está executado é comparável a uma lindíssima sinfonia de manipulação de emoções coordenada por um maestro que sabe perfeitamente que cordelinhos puxar para criar uma experiência cinematográfica inesquecível para toda a gente que se identifique com os personagens desta poética história de amor oriental Sul Coreana.
Tal como já tinha acontecido em “My Sassy Girl“, pois o tom poético é semelhante nos dois filmes.

É que o realizador é exactamente o mesmo e como tal, ambas as obras têm vários pontos de contacto e podem ser vistas quase como duas faces de uma mesma moeda.
Inclusivamente musicalmente. Têm por base a mesma banda sonora e ambos contêm uma versão única e extraordinária do clássico Canon de Pachelbel que cria uma atmosfera romântica absolutamente mágica nos filmes que apesar de serem diferentes em estrutura, estão no entanto ligados pelo mesmo tom emocional e portanto quem gostou de  “My Sassy Girl“,  irá também certamente apaixonar-se por [“The Classic“].

O filme passa-se em duas épocas distintas e conta duas histórias de amor paralelas.
Uma tem lugar nos anos 60 e a outra algures na actualidade.
Uma rapariga encontra numa caixa, todas as cartas de amor que a mãe guardou desde a adolescência contendo toda a história do romance dos seus pais.
Décadas atrás, um rapaz no liceu, com jeito para prosa, acede fazer um favor a um colega que nem conhece bem e aceita escrever por ele algumas cartas para a noiva.
Isto porque o noivo em questão não é suficientemente inteligente para conseguir fazê-lo por si próprio e como tal precisa de ajuda para comunicar por carta com a jovem noiva que os seus austeros pais lhe arranjaram á força de modo a unirem duas famílias por interesses políticos e económicos.

Obviamente que o rapaz que escreve as cartas em nome do noivo, ao ver a fotografia da rapariga, imediatamente se apaixona por ela e as coisas complicam-se quando os dois acabam por se conhecer pessoalmente e também ela se apaixona pelo autor das cartas embora não saiba que foi ele que as redigiu.
Como seria de esperar, o amor de ambos é depois posto á prova num conflito de interesses e entrelaçado numa sucessão de acontecimentos que acompanham toda a história até dar naturalmente origem á rapariga que nos dias de hoje lê as cartas que a mãe guardou.

E tal como a mãe amou um rapaz que parecia nunca conseguir vir a ter, também actualmente a sua filha, está apaixonada por um rapaz do seu liceu que julga inalcançável por ele ser não só um dos mais populares da escola como também ainda por cima a sua melhor amiga está interessada nele e não perde uma oportunidade para impedir que a rapariga se aproxime do jovem.

E para quem nesta altura já estiver a pensar que [“The Classic“]. não passará de mais uma banal, sopeira e telenovelística história cheia de lugares comuns, se calhar é melhor ver o filme antes de o criticar negativamente, pois só assim irá perceber como esta história não é aquilo que parece pois neste caso, os clichés são uma mais valia que só contribuem para o desenrolar emotivo da história. Nada está neste argumento por acaso e por isso preparem-se para um par de surpresas muito bem colocadas precisamente baseadas em pormenores que ninguém notou espalhados discretamente ao longo da história mas que de repente nos caiem em cima ao melhor estilo do cinema romântico coreano.

Além disso, [“The Classic“], tem o grande mérito, de ser um filme com adolescentes (e até para o público adolescente), que não é de forma nenhuma o produto banal a que muita gente está habituada devido aos péssimos exemplos que conhecem habitualmente do cinema pseudo-romântico adolescente americano.
[“The Classic“], tem alma, tem poesia, tem drama mas acima de tudo tem pessoas reais com que todos nos podemos identificar e neste aspecto não só os personagens são excelentes apesar da sua simplicidade, como o trabalho dos actores é absolutamente mágnifico. Com destaque para a actriz principal que neste filme se desdobra precisamente em dois papeis completamente diferentes, pois a mesma pessoa faz de mãe enquanto jovem nos anos 60 e de filha que actualmente lê as cartas encontradas no sotão.

Só pelo trabalho da jovem actriz, vale a pena verem o filme, pois ao longo da duração da história nem nos lembramos que está uma única pessoa a fazer os dois papeis tal é a diferença de composição de personalidade em cada uma das encarnações. E nem sequer são identidades demasiado vincadas ou exageradas. Pura e simplesmente são duas pessoas diferentes e quando nos lembramos disto [“The Classic“] torna-se ainda um melhor filme do que parece a um primeiro e descuidado olhar.

Mas lá por [“The Classic“]  ser um filme de amor adolescente, com adolescentes e para adolescentes, não pensem os mais velhinhos que vão ficar imunes a ele, ou sequer minimamente aborrecidos. Garanto-vos que isto não é o habitual filme banal ao estilo americano por isso é melhor sentarem-se confortávelmente no sofá  para se surpreenderem e principalmente emocionar-se,  pois esta história de amor é universal e tocará muita gente de todas as idades das mais diferentes formas. Até porque este é um daqueles filmes que já converteu mais do que um ao cinema oriental e certamente irá convencer muitos mais.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma das melhores histórias românticas orientais que poderão alguma vez ver em filme e a prova de que filmes com adolescentes, sobre adolescentes não têm que ser produtos vazios.
Uma obra prima da simplicidade narrativa com visuais lindíssimos e uma fotografia perfeita.
Um filme indispensável em qualquer colecção de cinema oriental, especialmente para quem gosta de cinema romântico coreano ou apenas de boas histórias de amor com muita alma.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade porque este é outro daqueles filmes que rebenta a escala, apesar de conter algumas falhas menores.

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A favor: o argumento e a maneira como faz passar despercebidos os pormenores que importam até ser altura de os revelar, a humanidade dos personagens apesar de simples, a realização é excelente, os actores, o trabalho fabuloso da actriz principal que se desdobra em dois papeis completamente diferentes, a fotografia lindíssima com imagens que são autênticas pinturas em movimento, a banda sonora simplesmente não poderia ser melhor, ninguém filma cenas á chuva e em estações de comboios melhor que os coreanos, um dos twists do argumento é genial na forma como nos é revelado, o final do filme é muito bonito mesmo.
Contra: não é tão original quanto o filme anterior do mesmo realizador, a narrativa pode parecer demasiado simples, algum humor escatológico desnecessário na minha opinião pois detesto piadas do estilo, a história de amor contemporanea quando comparada com a outra passada nos anos 60 não tem de forma alguma a mesma poesia ou impacto e por causa disto o filme nunca chega a ser tão perfeito quando merecia. Mas não deixem que este pormenor os afaste desta mágnifica história.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=EOZWxGbQlzY
http://www.youtube.com/watch?v=dZsxRZk1qiU&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Dl6ncGPnVZI&feature=related

COMPRAR
Recomendo vivamente esta edição. Apesar dos extras não estarem legendados, os making of são excelentes e os dois discos valem mesmo a pena.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-77-4-49-en-15-the+classic-70-2×4.html
Excelente qualidade de imagem anamórfica sem falhas e com cores absolutamente vibrantes, além de ter um óptimo som 5.1 normal e um absolutamente fantástico som DTS.
Filme legendado em inglés.

Também podem encontrar esta edição com capa em inglés na Amazon americana. Se gostam de filmes românticos orientais, este é de juntar imediatamente á colecção mesmo antes de o verem pois irão querer comprá-lo na mesma se o virem antes. Vão por mim.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0348568/

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

My Sassy Girl Be With You Il Mare Love Phobia Fly me to Polaris

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S-Diary (S-Diary) Jang Kwan Kwon (2004) Coreia do Sul


Pelo trailer [“S-Diary“], prometia ser uma comédia oriental hilariante, no entanto o resultado fica um bocado aquém das espectativas que a apresentação cria nos espectadores.
É muito divertida, tem um par de gags brilhantes mas o filme balança entre o muito engraçado e o assim-assim nunca se conseguindo elevar ao nível que está sugerido no humor do trailer, que diga-se de passagem, tem uma montagem bem melhor que o próprio filme e talvez seja essa a grande diferença que se note na disparidade do humor entre ambos.

A meio parece que os seus criadores se aperceberam que havia algo que não funcionaria plenamente, pois subitamente a história entra por um interlúdio dramático/romântico ao melhor estilo do cinema Coreano, mas que acaba por não resultar porque a nossa empatia com a personagem feminina foi criada com base numa personalidade e depois pedem-nos para a ver de uma nova perspectiva de um momento para o outro.
Passado o interlúdio dramático, o filme regressa ao tom de comédia desmiolada ao melhor estilo oriental, mas o espectador fica sempre com aquela sensação que há algo que não resultou particularmente bem em  [“S-Diary“].

Na verdade, nota-se que houve aqui uma tentativa de colagem ao estilo do fabuloso “My Sassy Girl“, mas nem o argumento de [“S-Diary“] se pode comparar nem aquela personagem feminina sequer consegue assemelhar-se de forma positiva á presente no filme que [“S-Diary“] tenta emular.
Por isso por muito que tente disfarçar, este filme oriental acaba por parecer mais uma tentativa falhada de tentarem copiar o estilo de humor (e drama) de “My Sassy Girl“, (como muitos outros já tentaram também fazer, mas sem a poesia do “original” e muito menos o talento para criar uma verdadeira empatia com o espectador.

[“S-Diary“], não é um mau filme, e até como comédia romântica ao estilo típicamente alucinado coreano é algo que se vê muito bem pois contém alguns momentos divertidos.
Quem gostou de filmes como “O Diário de Bridget Jones” tem aqui o seu equivalente coreano, pois a temática é mais ou menos a mesma e tudo gira á volta das desventuras amorosas de uma rapariga coreana que tem imenso azar com os namorados que arranja e que a colocam nas mais variadas e ridiculas situações.
O filme está dividido em vários segmentos, um para cada namorado que a miuda arranja, com um interlúdio romântico pelo meio e finalizando com algumas sequências muito engraçadas que envolvem o tenebroso e divertido plano da rapariga para se vingar ao mesmo tempo de tudo o que cada namorado a fez passar.

Não há muito mais que se possa dizer sobre este filme asiático. É uma boa comédia mas não tem practicamente nada que a faça ficar por muito tempo na nossa memória. Ainda assim é uma comédia acima da média se compararmos com o habitual estilo completamente histérico de grande parte do cinema de humor oriental.
Nesse aspecto deve ser uma das comédias da Coreia do Sul que mais se poderá assemelhar a um estilo de cinema Ocidental e se calhar poderá estar aí uma das suas fraquezas, pois nunca se define própriamente enquanto filme.

[“S-Diary“], quer dizer, “Sex-Diary”, mas não esperem meninas nuas, cenas eróticas ou qualquer coisa do género neste filme, para além de algumas piadas estilo “American Pie” mas com roupa vestida, com roupa vestida.
O que não deixa de ser curioso, pois toda a promoção em cartazes deste filme aponta para uma comédia mais explicitamente picante e erótica, chegando inclusive a colocarem nos posters (e na capa do dvd), meninas despidas que nem sequer têm qualquer coisa a ver com o filme.
O que demonstra bem que os produtores de [“S-Diary“] a dada altura também não devem ter percebido bem que tipo de filme é que estavam a querer fazer e como tal devem ter tentado atrair público com imagens de meninas giras que depois não têm nada a ver com o espírito do filme presente no dvd.

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CLASSIFICAÇÃO:

Boa comédia mas não mais do que isso.
A partir de certa altura tenta seguir as pisadas de ”My Sassy Girl” mas falta-lhe alma, embora contenha muitos momentos divertidos e como tal que goste de comédias acima da média tem em [“S-Diary“] uma boa opção que o fará passar alguns momentos divertidos.
Trés tigelas de noodles porque é um bom filme e pronto. Nem mais nem menos.

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A favor: é divertido, as situações provocadas pela variedade de namorados da miuda, um par de gags excelentes e hilariantes, a vingança final com o padre.
Contra: realização sem fôlego e com uma montagem dispersa que não tem de forma a noção de ritmo divertida que aparece no trailer, a meio do filme tentam seguir um caminho romântico demasiado sério que fica um bocado deslocado.

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Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=ndOL1JiSXUY&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=wpBXqzzhQoo

Comprar
Estranhamente este filme parece já não se encontrar á venda em lado nenhum.
A edição que eu tenho é esta http://global.yesasia.com/en/PrdDept.aspx/pid-1003919443/
É uma edição especial com um design excelente, 2 discos e pilhas de extras…embora só o filme esteja legendado em inglés o que é pena. Até os menus estão em Coreano o que complica imenso a navegação quando queremos procurar trailers ou algo assim.

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Filme “semelhante” de que certamente irá gostar:

My Sassy Girl

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0426196/

Jungdok (Addicted) Young-hoon Park (2002) Coreia do Sul


Se há algo em que actualmente os Sul-Coreanos são definitivamente os melhores do mundo, é na minha opinião em criar as mais inesperadas e originais histórias de amor cinematográficas.
E mais uma vez, também [“Addicted“] não é excepção.

Mas atenção, se calhar importa desde já dizer que esta não é a normal love-story oriental que por muito dramática que seja acaba sempre por ter um cunho positivo e nos faz sentir bem, mesmo ficando tristes no final. Nada disso, [“Addicted“] é um caso á parte, pois devido ao seu conceito acaba por ser uma história não só particularmente deprimente como acima de tudo perturbante e até doentia.
Portanto, se vão á espera de um filme romântico, cheio de beleza e poesia, se calhar é melhor passarem á frente e irem ver por exemplo “Be With You“, “My Sassy Girl” ou “Il Mare” em vez de [“Addicted“].

[“Addicted“], é um genuíno “feel-like-shit movie” e portanto não é definitivamente um “feel-good-romance“. Estão avisados.
O que não impede que os americanos não se preparem já para também lançarem um remake made-in-Hollywood deste filme. O que para mim foi uma verdadeira surpresa, pois o original nem sequer foi propriamente um sucesso no oriente e para mais o filme tem uma aura negativa que me surpreende muito que alguém na América tenha agora achado que seria uma boa ideia fazer uma versão ocidental desta história.
A não ser que a entregassem ao David Cronenberg, aí sim, a coisa se calhar já teria toda a lógica, pois definitivamente se há algo que caracteriza [“Addicted“] é o facto de abordar um tema perfeito para o realizador Canadiano. Mas aposto que vão transformar este filme em mais um “Scream” com umas cenazinhas de suspanse daquelas com sustos de música ALTA quando o original usa em vez disso os silêncios angústiantes para criar suspanse nos arrepiar.
Aguardemos…
De qualquer maneira e já que a versão americana também vem a caminho, achei que seria interessante dar-lhes uma pequena ideia do original caso estejam interessados em espreitá-lo antes que a publicidade ao filme americano acabe por também arruinar a surpresa final de mais esta história de amor completamente original made-in oriente. Porque apesar de tudo, deprimente ou não [“Addicted“] não deixa de ser uma história de amor. Será que vamos poder dizer o mesmo do remake americano quando ele chegar ?

[“Addicted“], conta a história de dois irmãos que vivem juntos na mesma casa junto com a esposa do mais velho. O irmão mais novo é piloto de corridas automóveis e pouco tempo tem para compromissos românticos. Isto para desespero de uma sua amiga que está plenamente apaixonada por ele e que vê constantemente os seus avanços serem preteridos em favor do desporto pelo qual o rapaz está completamente viciado, preferindo a adrenalina dos motores á paixão de quem o ama.

O irmão mais velho é o oposto. É um artista de temperamento calmo que cria, obras de arte á volta da construção de mobiliário no seu estúdio privado e é casado com uma jovem promotora de eventos vivendo uma relação amorosa que dá o tom aos poucos momentos realmente românticos e bonitos do filme. Momentos esses que por um instante quase nos fazem crer que vamos ver o típico romance sul-coreano cheio de poesia. Isto até que dois acidentes acontecem.

Num determinado momento, os dois irmãos sofrem dois acidentes de automóvel ao mesmo tempo mas em locais diferentes, vindo o irmão mais velho a falecer e o mais novo a entrar em coma profundo durante meses.
Quando desperta, a jovem cunhada agora viúva, leva-o de regresso a casa, mas o rapaz já não é a mesma pessoa que era dantes. Perdeu todo o interesse pelos automóveis e aos poucos tanto a sua cunhada como a rapariga que continua a gostar dele começam a notar que o seu comportamento é bem mais estranho do que aquilo que seria de prever tendo em conta que ele acaba de recuperar de um coma profundo.
O rapaz tem agora todas as características do irmão mais velho falecido no acidente. Tem exactamente os mesmos tiques e trejeitos, começa também ele a trabalhar nas esculturas do irmão e uma certa noite apresenta-se á cunhada como sendo na realidade o seu marido falecido, pois segundo ele, o seu espírito na hora da sua morte não querendo perder o amor da sua esposa transferiu-se para o corpo do irmão em coma impedindo-o de também morrer e assumindo o corpo mais jovem para poder voltar para os braços da muher que tanto amava.

E mais não conto. Apenas posso dizer que daqui em diante, o argumento progride até ao seu habitual twist e que apesar de relativamente esperado é no entanto uma ideia realmente fantástica para uma história de contornos românticos muito negra e com uma boa pitada de ambiente sobrenatural á mistura.

Não há nada de errado com este filme, o argumento é excelente, os actores estão fantásticos e até contém algumas inesperadas cenas de sexo o que não é nada habitual em filmes românticos orientais diga-se de passagem.
Quanto a mim o único grande problema está na sua realização. Não que esta seja má, mas simplesmente o filme não fica na memória por mais nada a não ser pelo argumento. Afinal este realizador não é o Cronenberg e não filmou aquele tipo de filme que tenhamos vontade de rever pela combinação de elementos, atmosfera, poesia, fotografia, etc.
Na verdade [“Addicted“] esgota-se por completo numa primeira visão porque após nos ser revelado o twist final não há grande motivo para que nos apeteça voltar a colocar o dvd no leitor.
E o facto disto ser uma história de amor com uma aura particularmente negativa também não ajuda nada, embora ao mesmo tempo seja essa a grande originalidade e a força principal do filme.
Acima de tudo o grande problema aqui é a realização banal e quase em formato televisivo. Não há nenhuma sequência memorável, o filme não é composto de imagens inesquéciveis ou contém sequer qualquer coisa que nos faça ter vontade de o rever pelo prazer de ver cinema.
O estilo televisivo limita-se a servir a história, mas [“Addicted“] perde a sua identidade por ser tão banal enquanto trabalho cinematográfico, pois mais parece ter sido filmado para um canal de televisão-cabo do que para as salas de cinema.

Por isso, apesar do filme até ser bom e merecer ser visto pelo menos uma vez, não lhe posso dar uma nota muito alta, porque sinceramente não me cativou por aí além e não é um filme que volte a rever tão cedo, pois tirando a surpresa da história não tem muitos mais motivos que me atraiam para novo visionamento.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um filme que agarra pelo mistério e pelas excelentes iterpretações, da primeira vez que o vemos, mas o seu desfecho poderá ter um sabor demasiado negro e amargo para quem procura uma história de amor poética no estilo sul-coreano habitual. Vejam antes “Be With You“, “My Sassy Girl” ou “Il Mare“.
Duas tigelas e meia porque é muito interessante como história original, mas como filme precisava de ter ido mais além. No entanto, aqueles que gostam daquela aura doentia dos filmes de Cronenberg podem adicionar mais uma tigela á minha classificação porque poderão gostar mais do que eu gostei.

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A favor: o breve momento romântico do inicio com a habitual cena á chuva sempre presente no cinema do género sul-coreano, o mistério, o tom sobrenatural subliminar constante, o ambiente perturbante, o twist final, o conceito doentio da história, os actores.
Contra: realização sem fôlego banal e televisiva que acaba por tornar tudo o resto irrrelevante pois quando se conhece o final não há mais motivos para voltarmos a rever o filme.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=WrQLwxnzncU

Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-77-1-49-en-15-addicted-70-ox6.html

Pequeno update
Isto nas américas trabalha-se rápido…acabei agora de ver o trailer para a versão USA do filme e sinceramente não me parece totalmente má. Tirando desde já o facto de terem transformado um dos irmãos num gajo boé da mau com pinta de delinquente psicopata. Mas deve ser para que o filme possa entrar na linha dos habituais plásticos tipo “Scream” do Wes Craven , porque senão o público das pipocas nunca iria compreender o argumento se tivessem apresentado os dois irmãos como duas pessoas banais. E também deve ser para o público ver um vilão no trailer porque nos States um filme sem vilão é logo metade da receita nas bilheteiras.
O que acho uma idiotice terem feito esta mudança porque se isto é para ganhar suspanse na versão americana e meter umas perseguições a martelo, então mais uma vez Hollywood acabou de retirar uma das grandes forças do argumento original onde a história é construída ao redor de pessoas normais. A não ser que ser um delinquente estiloso na América seja tão banal que já passa por “boy-next-door”. Mas vamos lá ver o que isto vai dar…
Podem espreitar o trailer americano aqui http://www.youtube.com/watch?v=bPrFQv7ROzA

 

 

Siworae ( Il Mare ) Hyun-seung Lee ( 2000 ) Coreia do Sul


Mais de metade das pessoas que chegam a este blog, fazem-no pesquisando nos motores de busca pela expressão – “filme romântico japonês”, ou através de frases semelhantes.
Como o cinema oriental romântico não tem qualquer divulgação no nosso país será lógico assumir que este interesse das pessoas é essencialmente fruto de um “passa-a-palavra” por entre aqueles que o descobriram e agora procuram mais da mesma poesia e originalidade que já não existe no cinema romântico de Hollywood mas que os asiáticos parecem produzir cada vez melhor e do qual [“Il Mare“] é um exemplo perfeito.

Isto porque um bom filme romântico oriental é muito mais do que a banal telenovela, pirosa, formulática e cheia de nomes sonantes Holywoodescos que passa habitualmente por romance aos olhos do público ocidental que não conhece mais nada.
Sendo assim, porque bons filmes orientais não faltam e porque muita gente parece estar interessada em cinema romântico, vou continuar a recomendar aqueles que na minha opinião são filmes obrigatórios.
E nada melhor do que lhes apresentar o que para mim é não só um dos melhores filmes orientais que poderão encontrar mas acima de tudo uma das grandes obras primas do cinema romântico em qualquer parte do mundo.
Bem-vindos a [“Il Mare“].

[“Il Mare“] foi o filme que me fez ficar a gostar mesmo de cinema oriental e é definitivamente um dos meus filmes românticos favoritos.
Na verdade, para mim existem pelo menos oito filmes absolutamente imprescindíveis dentro do cinema asiático do género; “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Be With You“, “In The Mood For Love“, “Fly me to Polaris”, “My Blueberry Nights“, “2046” e [“Il Mare“].
Quem quiser ter uma excelente introdução ao bom cinema romântico que se faz do outro lado do mundo, não pode de forma alguma perder qualquer um destes filmes. Nos seus estilos mais diversos resumem bem a versatilidade, criatividade e principalmente a alma e a poesia que pode haver neste género cinematográfico mas que há tantos anos anda muito longe dos produtos fabricados em Hollywood.

[“Il Mare“], tem logo á partida, outra característica curiosa. Na minha opinião é o perfeito exemplo de que o chamado Cinema de Autor, não tem necessáriamente que significar – filme secante para intelectuais – e pode ser um excelente filme comercial sem no entanto perder a sua identidade muito pessoal e intimista.
Neste caso, estamos perante uma história de amor de contornos não só extremamente poéticos, mas também com uma pitada de ficção-cientifica plenamente baseada na String Theory.
Mas não se preocupem, aqueles que já estão a torcer o nariz. [“Il Mare“], não é um filme de ficção-científica pois o facto da sua história contar de certa forma com universos paralelos e viagens através do tempo, essa vertente nunca é o ponto central da narrativa e nem sequer é explicada ao espectador. Apenas nos é pedido para entrarmos no conceito e deixar-mo-nos levar pelo seu resultado poético e emocional e pela forma como os personagens são afectados pelos acontecimentos inexplicáveis que lhes permite desenvolver a sua história de amor.

Como resumir então [“Il Mare“], sem estragar a magia da descoberta a quem ainda não o viu…
Basicamente conta a história de duas pessoas que vivem separadas por dois anos. O rapaz vive em 1998 e a rapariga em 2000 mas ambos trocam correspondência através de uma mágica (?) caixa do correio que se situa á entrada de uma casa de praia chamada precisamente “Il Mare”.
Não há qualquer exlicação para esse acontecimento (nem interessa) e apenas ficamos a saber que os dois protagonistas conseguem comunicar através daquilo que colocam na caixa de correio e que misteriosamente é transportado de um lado para o outro atravessando o tempo ao longo de dois anos até á respectiva data no calendário em que cada um deles vive.
Inicialmente ambos viveram na mesma casa mas em alturas diferentes. O rapaz viveu em “Il Mare” entre 1997 e 1999 e a rapariga entre 99 e o início do ano 2000 quando ele já lá não habitava, altura em que depois se mudou para a cidade para estar perto do seu emprego como actriz de vozes para Anime.
Ambos têm um passado marcado por mágoas na sua vida, a rapariga continua apaixonada pelo ex-namorado que a deixou por outra pessoa e o mesmo acontece com o rapaz que também perdeu a namorada por um motivo semelhante.

Através da caixa de correio, estabelecem então uma relação de amizade que aos poucos se transforma em amor, até que um dia combinam encontrar-se cara-a-cara numa praia deserta algures numa ilha da Coreia do Sul. Para a rapariga, o dia do encontro será na próxima semana a contar do seu calendário de 2000, mas para o rapaz esse dia no seu calendário de 1998 ainda está a dois anos de distância,  o que cria desde logo uma das situações mais interessantes do filme e que não pretendo agora aqui revelar como se desenvolve pois estaria a estragar a descoberta dos pormenores mais mágicos e emocionais desta original e muito poética história de amor.
Só posso dizer que vão adorar a maneira como  [“Il Mare“], usa os paradoxos temporais para criar situações românticas verdadeiramente bonitas e muito atmosféricas que os fará certamente apreciar tanto este filme quanto eu se embarcarem no seu conceito e se identificarem com os personagens.

Ao mesmo tempo que é ligeiro na sua abordagem narrativa, [“Il Mare“] é no entanto um filme extremamente intímista, carregado de paisagens interiores que são plenamente traduzidas visualmente na associação gráfica que o realizador constroi usando a imagem da mágnifica e original casa de praia denominada precisamente “Il Mare” e que serve de ligação não só entre o romance dos personagens mas principalmente entre as suas emoções.
[“Il Mare“], é por isso um filme de poucas palavras. Aqui os personagens não precisam passar o enredo todo a dizer que se amam muito como acontece nas banais pseudo-histórias de amor americanas.
Na verdade [“Il Mare“] é construído com base nos silêncios e no que não é dito, mas que compreendemos perfeitamente graças ao extraordinário trabalho do realizador que nos transmite visualmente tudo o que não precisa de ser descrito por palavras.
Esta é uma das grandes razões porque este filme funciona tão bem a um nível emocional, pois faz-nos sentir e compreender o que os personagens sentem sem ter que passar o tempo todo em truques melodramáticos de pacotilha telenovelística para conquistar o espectador.

Mas não esperem encontrar aqui o típico filme de autor secante para intelectuais de café.
[“Il Mare“], está cheio de metáforas visuais, mas tudo é colocado de uma forma directa ao sabor do argumento e para servir a história da forma menos chata possível, o que não deixa de ser um feito pois o filme tem realmente uma atmosfera calma e muito relaxante ao mesmo tempo que não nos larga até á sua conclusão.

É também, talvez um dos filmes que melhor aborda o tema do isolamento e da solidão nas grandes cidades sem entrar por caminhos deprimentes ou pretenciosos. Sempre de uma forma subliminarmente séria e muito poética que nos deixa a pensar embalados pelo seu ambiente hipnótico e contemplativo muito suportado também pela extraordinária música presente em todo o filme.
A combinação música/imagem ás vezes faz até lembrar os momentos mais poéticos de Blade Runner no que toca a uma criação de atmosfera de solidão ilustrada de uma forma que chega a ser bonita apesar de nos fazer pensar em muito mais do que esperaríamos quando julgavamos que iamos apenas ver um banal filme romântico, coisa que [“Il Mare“] não é.

Um dos grandes trunfos na criação deste ambiente está também na extraordinária banda sonora composta por originais de Jazz made-in-Coreia do Sul e que se adaptam perfeitamente a cada fotograma criando uma atmosfera única que complementa perfeitamente todo a poesia visual e também cada emoção que percorre o filme.
Conseguindo inclusivamente numa questão de segundos passar de um momento dramático a um tom mais ligeiro sem perder identidade, transmitir saudade, melancolia ou alegria como no caso da cena dos noodles que liga os dois personagens na mesma actividade embora separados por dois anos no calendário.

Como tal o que há a dizer mais sobre este pequeno grande filme ?…
Foi um fracasso de bilheteira monumental na Coreia do Sul quando estreou. Essencialmente devido á sua campanha de marketing atroz que já ficou como um exemplo da maneira de como um filme não deve ser publicitado. Teve um trailer oficial tão mau, mas tão mau que afastou o público todo do filme ainda este não tinha sequer estreado. Graças ao trailer oficial que não tem absolutamente nada a ver com a verdadeira atmosfera do filme, as salas de cinema ficaram ás moscas, porque as pessoas pensaram que [“Il Mare“] seria um melodrama estilo cinema-de-autor intelectualoide a atirar para o deprimente e não um filme tão romântico e simples como mais tarde toda a gente descobriu que afinal este era.
Entretanto tornou-se um enorme sucesso de vendas em dvd por aqueles lados do oriente e um verdadeiro filme de culto, pois tal como em Blade Runner as pessoas foram-no descobrindo e recomendando aos amigos que por sua vez o recomendaram a outros amigos e assim por diante, tornando este filme tão popular que até os americanos compraram os direitos para fazer um dos piores remakes de filmes orientais de que há memória, com o nome “The Lake House”; onde destruiram por completo a poesia da obra original e a deixaram sem o mínimo vestígio da magia que tem nesta primeira versão Sul-Coreana.
Está nos meus planos em breve colocar aqui uma review de comparação entre a versão original e a desgraça Americana, assim que preparar o cérebro e a paciência para conseguir rever o remake.

Entretanto, passemos á frente.

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CLASSIFICAÇÃO:

Poético, original e uma obra prima do cinema romântico que ninguém interessado no género pode ficar sem ver.
Completamente imprescindível para quem não tem medo de ver um filme calmo onde a atmosfera faz o filme. Recomendo o uso de um bom sistema surround para tirarem realmente partido do filme, pois a música em [“Il Mare“] é absolutamente essencial.
Bom filme também para quem se interessa por univeros paralelos e String Theory, apesar de não ser uma obra de ficção-científica.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de absoluta qualidade.
Mais um filme que rebenta a escala.

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A favor: tudo, poesia, personagens, ambiente, banda sonora, romantismo, fotografia, realização, inteligência de argumento, a maneira como a música é usada, a estética das imagens, o design de produção, o equilíbrio perfeito entre o cinema-de-autor e o cinema comercial, é um filme calmo sem ser chato.
Contra: contra ?!…Só se for o trailer original que é absolutamente enigmático e não tem absolutamente nada a ver com o filme. [“Il Mare“], também pode ser muito calmo para quem estiver demasiado habituado ao cinema americano ou procurar uma telenovela com tudo explicadinho, pois aqui neste filme não há vilões, perseguições, traições ou triangulos amorosos de pacotilha.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer:
Na falta de um trailer decente, felizmente existe um videoclip que reproduz fielmente a verdadeira atmosfera do filme e embora contenha uns *spoilers* menores recomendo mesmo que o vejam.
http://www.youtube.com/watch?v=2aLttFT27K4
Se gostarem da atmosfera do teledisco, comprem o dvd pois o filme é exactamente assim.

No entanto, o trailer japonês também capta bem o ambiente e é bem melhor que o trailer original.

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Comprar:
Devido ao sucesso que foi obtendo de forma muito gradual e talvez ao facto de ter sido um fracasso nas salas Sul-Coreanas quando estreou, [“Il Mare“] foi inicialmente lançado em dvd de uma forma não muito profissional, pois pelo visto ninguém dava nada pelo filme.
Por causa disto practicamente todas as cópias que existem no mercado asiático têm problemas, ou de imagem ou de legendagem.
Ao longo do tempo tenho colecionado edições do filme na esperança de que da próxima vez é que alguém resolva lançá-lo nas condições que merece por isso posso dar-vos uma ideia do que poderão encontrar á venda se o quiserem comprar.

Apesar da sua legendagem inacreditávelmente amadora, a minha edição favorita deste filme é a edição simples Chinesa
A imagem não é anamórfica, contém alguns artefactos, mas é no formato widescreen original o que mantém a beleza dos enquandramentos intactos, tal como foram pensados pelo realizador e se há uma coisa de que este filme não tem falta é de imagens bonitas por isso gosto muito deste dvd chinês apesar de todas as suas falhas.
O som 5.1 é muito bom e o DTS é na minha opinião fantástico pois aproveita plenamente a banda-sonora do filme criando uma experiência tridimensional sonora absolutamente perfeita.
A legendagem em inglés é uma anedota.
O inglés de quem traduziu o filme é no mínimo duvidoso (cómico) e grande parte das frases nas legendas não cabem no ecran o que dá origem a uma quantidade enorme de expressões que terminam subitamente sem deixar rasto. Se isto pode parecer problemático, não se preocupem. O que está escrito dá perfeitamente para compreendermos a intenção e o sentido dos diálogos e não é por isso que vão deixar de disfrutar deste filme.
Penso que já não a encontram com a capa inicial (e caixa de cartão), mas podem adquirir a nova edição do mesmo disco aqui em embalagem normal.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-15-il+mare-70-ckk.html

Depois desta edição inicial, devido ao sucesso das vendas, surgiu no mercado mais outra edição chinesa. Neste caso adaptada da versão original Coreana e que de novo trouxe uma caixinha toda atmosférica em cartão grosso com um fecho magnético e um grafismo já mais bonito embora tão esquisito quanto os novos e estéticamente amadores menus que também trouxe de novo.
A imagem desta vez já não é em letterbox mas preenche agora todo o ecran. Embora não esteja cortada, pessoalmente eu não gosto de ver as imagens assim pois parece que os enquadramentos perderam a magia e a grandiosidade com que foram originalmente concebidos.
É uma edição de dois discos com bastantes extras (e que parecem mesmo interessantes), mas infelizmente apenas o filme está legendado em inglés e por isso não podemos disfrutar devidamente do conteúdo adicional, o que é pena pois o making of é excelente mesmo totalmente em Coreano.
Penso que esta já nem se encontra á venda por isso não coloco aqui qualquer link.

Por último há ainda outra edição especial em 3 discos, da imagem acima, que na práctica é a exactamente a mesma edição que referi atrás, mas agora com uma bonita e muito cuidada nova embalagem.
Esta edição (que já está quase esgotada em todo o lado), tem ainda um bonús imprescindível para quem gostou do filme, pois contém um CD com toda a banda sonora de [“Il Mare“].
O que nos coloca num dilema…pessoalmente recomendo a básica (e má) edição chinesa inicial porque apesar de tudo mantém o formato de ecran original em que o filme foi fotografado, mas por outro lado…vocês querem mesmo ter esta bonita caixinha com os 3 discos. Acreditem-me.

Aproveitem agora que o dollar está baixo e façam como eu, comprem as duas. E aconselho-vos a ser rápidos se ainda quiserem o CD da banda sonora.
Curiosamente o melhor local para se comprar esta edição actualmente é na Amazon americana. Seller de confiança e preço porreiro. Até porque apesar de na caixa dizer que os dvds são região 3, na verdade esta edição está livre de qualquer região, sendo portanto região ZERO e caso não possuam um leitor multi-regiões poderão na mesma ver este filme indispensável.

DOWNLOAD AQUI com legendas em PT/Br

OST original para download

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0282599/

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia The Classic Fly me to Polaris

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