Runway Cop (Cha hyung-sa) Terra Shin (2012) Coreia do Sul


Se calhar não devia, mas não resisto dar a [“Runway Cop“] a excelente classificação que lhe dou. Se calhar não vale nem metade mas na verdade tenho que admitir que este filme me divertiu à brava e não estava nada à espera disto.

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Esperava algo divertido mas ao mesmo tempo apenas mediano. Nunca pensei que [“Runway Cop“] fosse mau, mas também não esperava que fosse melhor do que a habitual comédia tresloucada produzida na Coreia do Sul naquela fórmula habitual em que todas as comédias acabam por parecer iguais.
No entanto, achei piada ao estilo chunga do trailer e neste caso a apresentação representa bem o tipo de filme que depois encontramos; o que é bom, pois desta vez o trailer não engana. Quem não gostar do trailer salte este filme. Quem gostar, o filme é isto mas mais chunga ainda.

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Este tipo de comédia totalmente alucinada é realmente um estilo à parte e normalmente esgota o espectador ocidental ainda um filme não chegou ao meio da história pois sinceramente penso que nós por cá não estamos de todo culturalmente programados para aguentar tanta adrenalina excêntrica por segundo ou tanta piada por frame em tom histérico como acontece nestas produções daquela parte do mundo.
[“Runway Cop“] encaixa-se neste tipo de comédia típicamente Sul Coreana em modo ultra comercial, mas para minha surpresa, deixou-me realmente muito bem disposto do inicio ao fim.

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Eu que tenho total desprezo pelo mundo da Alta Costura e da Moda em geral, não resisto a espreitar qualquer coisa que ataque esse meio que eu não suporto; mas até agora acho que nunca tinha visto um filme tão divertido passado nesse universo de excesso e futilidade.
Até o conhecido “Zoolander” de Ben Stiller me decepcionou em grande e nunca lhe achei grande piada pois sempre achei que se esforçava demais para ter graça (a sequela é do pior) e portanto para mim não resultou. Não há pior coisa numa comédia do que aquele estilo de realização que parece indicar ao espectador quando é para rir como se as piadas tivessem obrigatoriamente que ter graça. Vá, agora é para rir !

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Para mim uma boa sátira ao mundo da moda teria de ser algo que passasse subjectivamente essa ideia e é isso que [“Runway Cop“] na minha opinião faz muito bem.
Não é abertamente uma sátira àquele mundo apesar de ser ambientada no meio, mas usa uma história supostamente policial para ao mesmo tempo apontar  aquilo que a Alta Costura tem de rídiculo sem no entanto ser um ataque gratuíto porque enche toda a trama com personagens cativantes e caristmáticos quanto baste, tanto no mundo “real” como no mundo das passerelles, sem esquecer um par de boas caricaturas histéricas ao extremo muito bem inseridas nos momentos de humor certos.

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Eu diverti-me realmente muito com isto; por muitas vezes conseguiu arrancar-me algumas gargalhadas inesperadas e não me lembro da última vez que uma comédia conseguiu colocar uma sucessão de piadas que me tivessem mantido permanentemente em modo de boa disposição e interessado em ver o que iria acontecer a seguir em termos de gags humorísticos criativos.
Quanto a mim este filme tem alguns dos melhores momentos de humor dos últimos tempos pois acima de tudo é um filme muito boa onda.

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[“Runway Cop“] é um filme em duas metades. Na primeira parte acompanhamos as desventuras do policia mais porco, mal cheiroso e javardo que alguma vez deve ter aparecido no cinema e na segunda metade da história vemos o que acontece quando este é obrigado a transformar-se à força num Top Model masculino para se infiltrar num esquema de tráfico de droga que supostamente se passará nos bastidores de uma passagem de moda. Inevitávelmente a estilista envolvida é uma antiga colega de escola do bófia imundo e por isso já estão a ver onde a parte romântica irá funcionar. E funciona.

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Por causa desta estrutura [“Runway Cop“] será ao mesmo tempo dois filmes num só. O primeiro acto para mim é o mais hilariante, pois toda a caracterização do heroi mais porco do mundo é plenamente divertida pelo ritmo non-stop com gags que utilizam a sua javardice profissional de forma criativa e às vezes inesperada para nos fazer rir sem nunca se tornar verdadeiramente repetitivo. Há um par de sequências absolutamente hilariantes que aposto lhes ficarão na memória; a cena do interrogatório “desumano” e a parte em que o heroi “segue” o carro do vilão guiando na verdade à frente deste sem querer.

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A primeira metade usa as piadas para introduzir personagens e portanto tudo está muito bem integrado na narrativa. Ou seja, [“Runway Cop“] não é aquele tipo de comédia que pàra para nos fazer rir com gags e depois logo mete uma história pelo meio porque tem que ser ; (contráriamente ao que acontece em “Zoolander”); aqui os gags são usados para fazer sempre avançar a história e tudo resulta de forma muito organica e que surpreendentemente não parece de todo forçada apesar de acontecerem cenas totalmente alucinadas a todo o instante.

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E nota-se que os actores estão a divertir-se por completo com este argumento. Os personagens secundários são hilariantes ou cativantes, a história é divertida e tudo em [“Runway Cop“] funciona porque tudo é simples.
Há ainda uma boa história romântica secundária particularmente inesperada e que curiosamente ainda dota este filme de uma certa humanidade que se calhar nem precisaria de ter para resultar; por outro lado, isto é cinema oriental e mais uma vez demonstra muito bem como se criam personagens de que se fica a gostar sem às vezes nos apercebermos.

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[“Runway Cop“] não tem pretenções a ser mais do que uma boa comédia e quanto a mim resulta plenamente na sua simplicidade. Está cheio de lugares-comuns, personagens tipo, mas sabe cozinhar tudo de uma forma que resulta muito bem. Até algum defeito, porventura estará no facto de que a primeira metade enquanto o heroi é um porco imundo é bem mais divertida do que a segunda, quando o filme entra mais pela comédia de acção, mas nem por isso deixa de ser um produto simpático e com alguns momentos realmente hilariantes com gags muito bem pensados e criativos.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se calhar não merece, pois em termos de cinema propriamente dito não há por aqui nada que seja realmente único ou brilhante, mas a verdade é que é uma comédia eficaz e se calhar isso é quanto basta para que um filme simples seja bem melhor do que aparenta à primeira vista; isto porque fazer comédia com fôlego e alguma criatividade não é para todos e quanto a mim tudo neste caso resulta plenamente para nos dar um par de horas divertidas com personagens cativantes e divertidos quanto baste metidos em situações por vezes hilariantes e onde tudo se passa num ritmo endiabrado que muitas vezes nos deixa completamente cansados só de olhar para tanta correria.

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Cinco tigelas de noodles porque é um daqueles filmes simpáticos que é um antidoto perfeito para quando temos um dia complicado e só queremos descontraír um pouco sem pensar muito.

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A favor: o actor principal é fantastico nas partes em que faz de porco imundo chunga, os personagens secundários são excelentes e muito carismáticos (com destaque para o capitão do heroi), é uma história que não tem medo de ser politicamente incorrecta até na abordagem romântica em relação a certos personagens, contem alguns gags muito criativos e por vezes hilariantes, é uma boa comédia de acção e bem melhor estruturada do que o típico filme do género que habitualmente encontramos aos montes no cinema de humor sul coreano.
Contra: o facto de ter duas metades em registro diferente fragmenta um bocado o ritmo narrativo e perde algum fôlego no meio, até mesmo em termos de humor… mas não é grave.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2182095

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Comédias “semelhantes”:

My Sassy Girl capinha_iron_ladies capinha_sex-is-zero

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Cinema_oriental_no_facebook

Kimssi pyoryugi (Castaway on the Moon) Hae-jun Lee (2009) Coreia do Sul


Quando iniciei este blog nem sequer pensei que durasse muito tempo quanto mais chegar aos cinquenta filmes orientais comentados.
Por isso para mim é agora verdadeiramente surpreendente poder anunciar que hoje irei apresentar-lhes o CENTÉSIMO FILME !
Cem filmes. O que na práctica quer dizer que já escrevi para cima de 100 textos, o que para um tipo que nunca alguma vez na vida teve por hábito escrever assiduamente no que quer que fosse é um verdadeiro feito pessoal.
Portanto sejam bem vindos a [“Castaway on the Moon“] a minha recomendação número 100 e não poderia ter encontrado melhor filme para comemorar esta data pois este titulo na minha opinião representa perfeitamente a razão deste blog existir.

A minha intenção com o “Cinema ao Sol Nascente” sempre foi a de tentar divulgar aquilo que fui vendo e mostrar que há no oriente uma excelente alternativa ao cinema americano para todos aqueles que como eu estão mais que fartos do que encontram nos clubes de video e nos produtos ultra-formuláticos que inundam as nossas salas saídos de Hollywood qual hamburguers do McDonald´s produzidos em série sempre com os ingredientes misturados da mesma forma.
O que me atraiu para o cinema oriental, além da caracterização humana em muitos personagens que até nem pediam mais do que ser de cartão, foi a originalidade de muitos das histórias produzidas naquelas bandas.
Há quem diga que não há grande diferença entre o cinema comercial americano e o oriental. Pois se calhar a nível de realização, montagem e efeitos se calhar não. Na verdade nem questiono isso pois para mim a grande originalidade está na forma como na minha opinião conta histórias diferentes ou, melhor ainda, consegue tornar diferentes histórias iguais a tantas outras apenas pela forma como nos faz importar com o destino dos personagens e humaniza situações que não costumamos encontrar humanizadas dessa forma num filme americano para além do cliché usado como pausa entre cenas de porrada e pelo visto há mais pessoal a pensar o mesmo o que demonstra o quanto as pessoas felizmente ainda gostam de tentar passar para lá daquilo que apenas lhes apresentam pela frente.

Numa altura em que tudo o que chega ás salas de cinema a Portugal vindo dos States está imediatamente rotulado á partida foi para mim muito surpreendente encontrar no oriente uma cinematografia também ultra comercial (em geral) mas onde isso não impediu o factor originalidade de ser aquilo que principalmente move as histórias e isto sem qualquer deterimento da própria comercialidade dos filmes junto das audiências.
O cinema oriental não tem medo de colocar o espectador a pensar receando perca de audiência e quero com isto dizer que pelo menos eu costumo sempre encontrar por lá algum pormenor especial que penso eu, costuma estar ausente nos argumentos americanos e com isto humaniza muitas situações que em outro lado seriam apenas ponte entre sequências de acção habituais ou algo assim.

Surpreendeu-me encontrar coisas completamente inclassificáveis e que mesmo assim funcionam. Filmes policiais que afinal são dramas mas depois no momento a seguir são comédias, filmes de terror que de repente são filmes de fantasia e terminam em drama, comédias que subitamente se tornam em filmes de kung-fu mas que depois acabam como drama, ficção-científica que afinal também consegue ser cinema para adolescentes sem tratar a audiência por crianças, filmes de fantasia que são contos de fada completamente infantís mas que subitamente entram por histórias de amor dramáticas de conteúdo poético e filosófico, histórias de amor com adolescentes e para adolescentes mas carregadas de alma e poesia, filmes de autor que não têm medo de incluir sequências comerciais e vice versa, etc, etc, etc.

Isto para quem como eu estava mais que habituado a ver apenas o policial, o drama, ou a comédia americana que nunca se afastava da fórmula já testada de lucro garantido, foi uma verdadeira lufada de ar fresco.
E mais uma vez , [“Castaway on the Moon“] será possivelmente o melhor exemplo deste estilo de cinema oriental que encontrei pela frente nos últimos tempos, pois consegue ser uma comédia, um drama, uma história de amor com alguma fantasia á mistura e navegar algures entre o cinema puramente comercial e (talvez) uma pitada de cinema-de-autor. Mas já lá vamos…

De cada vez que vejo mais um blockbuster Americano (ou um filme comercial de grande estúdio), fico a pensar que alguém num estúdio algures parece ter-se preocupado muito se as pessoas conseguem incluir imediatamente um filme numa categoria de modo a poder ser publicitado como tal.
Temos os filmes americanos policiais, os de terror, os de super-herois, os dramas, as comédias para gajas, as comédias para adolescentes, os filmes de terror para adolescentes, a “ficção-científica” para adolescentes mas não me recordo de nenhum titulo que pegasse em todos estes géneros e os tentasse subverter da maneira que o cinema oriental o consegue fazer sem fugir do estilo comercial.
Talvez uma excepção tenha sido o fabuloso filme de ficção-científica “Moon” (ficção-científica hard-core como há muito não se via nos cinemas) do realizador Duncan Jones , mas este raro exemplo foi conseguido através de uma produção independente e jamais teria chegado ás salas de Portugal se já não tivesse um selo de uma Major americana por detrás fruto dos prémios independentes que a obra conseguiu ganhar.

[“Castaway on the Moon“] é por isso o filme perfeito para comemorar a minha centéssima recomendação porque na verdade é um titulo inclassificável, pois posso apostar que se isto tivesse sido um titulo americano nunca teria sido distribuído nas salas sem antes ter sido alvo de dezenas de screen-previews com audiências-teste (possívelmente a pior invenção de sempre na história do cinema) e onde certamente no fim desse processo muito pouco teria restado da visão original dos argumentistas e realizador pois seriam certamente obrigados a remontar todo o trabalho de modo a que se encaixasse num estilo que a máquina de Hollywood podesse vender de forma directa a quem não espera mais do que o habitual. É que este filme oriental sul coreano é muita coisa ao mesmo tempo.

Se calhar aqui este blogzinho pessoal corre o risco de passar a ideia que eu odeio cinema americano, o que não deixa de ser hilariante pois pelo menos 1200 dos quase 2000 dvds que já constam da minha colecção pessoal serão certamente filmes gringos. E este não é um blog sobre cinema pipoca (pelo menos nos moldes em que eu classifico o que chega normalmente ás nossas salas saído de Hollywood), mas sim um espaço onde eu tento divulgar produtos que na minha opinião conseguem momentos cinematográficos que raramente encontro no cinema americano mesmo quando muitos são inclusivamente tão ou mais comerciais.
No entanto não posso evitar compararações pois pessoalmente não tenho dúvida nenhuma que o cinema (comercial) oriental para mim está bastantes furos acima do que se produz hoje em dia nos States onde tudo parece ser apenas mais do mesmo e produzido para a geração que cresceu com os videogames e aquele estilo particular de imagética actualmente muito adaptado ao cinema comercial onde tudo se passa a 300 frames por segundo para não aborrecer as audiências.

Por exemplo, nem queria crer quando “Avatar” ganhou agora um prémio para melhor filme dramático. Dramático ?!!   Eu, não me importei minímamente com qualquer dos personagens naquela história pois sabia-se perfeitamente o que lhes ia acontecer de antemão a todo o instante o que me anulou qualquer efeito supostamente “dramático” pois nem as cenas tristes e que pretendiam criar alguma emoção ou empatia as achei menos formuláticas.  Senti que lá estavam apenas porque tinham que estar para seguir a habitual estrutura.
James Cameron já escreveu um grande filme de FC dramático – “O Abismo” e é pena que não tenha continuado o estilo agora também neste novo projecto.
No entanto eu adorei “Avatar” e sou daqueles que lhe dá nota absolutamente máxima, pois na verdade achei-o não só um dos melhores filmes-pipoca desde há muitos anos como possívelmente o melhor filme-para-crianças que me lembro de ter visto desde talvez “Chronicles of Narnia” (juntamente com “O Feiticeiro de Oz“), pela forma “infantil” como gere espectacularmente um argumento concebido para a geração dos videojogos e que embora para lá de básico contém ainda espaço para passar uma mensagem ou duas.
Adorei “Avatar” mas não lhe chamaria propriamente um filme dramático.
Nem estou a ver este excelente blockbuster a ser considerado como tal dentro de uma cinematografia oriental e é aqui que eu acho que está a grande diferença entre o cinema oriental e o americano.

O que me fascina no cinema oriental é o inesperado e inesperado foi o que me surgiu pela frente mais uma vez.
Falemos de [“Castaway on the Moon“]. O Filme número 100 deste blog.
Comecei a vê-lo pensando que não passaria de mais uma comédia maluca ao estilo sul-coreano mas logo descobri que havia aqui algo muito especial.
Para começar a originalidade do conceito cativou-me logo desde o início e este é mais um daqueles titulos que aposto mais tarde ou mais cedo irá ter um remake americano pois a ideia base disto está mesmo a pedir um.
Senão vejamos…

Imaginem uma cidade com um rio e uma ponte que atravessa duas margens. No meio desse rio, existe uma ilha deserta sendo assim como uma espécie de mini-reserva natural (onde nunca ninguém vai) mas onde muita da poluição da cidade acaba inevitávelmente por encalhar.
Imaginem que um dia vocês se tentam matar jogando-se da ponte abaixo mas acabam por naufragar nessa ilha no meio do rio e não conseguem sair de lá pois não sabem nadar e as pessoas a quem tentam pedir ajuda quando elas passam de barco pensam que vocês estão apenas a acenar de contentamento.
Os meses passam, ninguém apareceu na ilha e a vossa única solução é tentarem habitá-la o melhor possível aproveitando tudo o que encalha na praia dos desperdicios humanos.

Viram “Castaway” de Robert Zemeckis com Tom Hanks a fazer de náufrago encalhado numa ilha deserta ?
[“Castaway on the Moon“] é o mesmo filme. O heroi desta história podia estar encalhado no meio do oceano (ou na lua) que a sensação de isolamento seria a mesma e é este um dos grandes trunfos da história que curiosamente apesar de se passar literalmente no meio de uma cidade gigantesca raramente nos mostra mais pessoas além dos protagonistas.
O heroi encalhado no meio do rio nesta “versão” oriental está tão só como se tivesse naufragado numa ilha deserta e depara-se exactamente com as mesmas situações mostradas no filme com Tom Hanks mas desta vez com uma pequena excepção…

Numa das margens do rio, vive uma rapariga que não sai do seu quarto há 3 anos. Toda a sua existência é passada online e o seu mundo real é apenas um quarto atulhado do lixo que foi acumulando durante a sua existência de eremita.
A sua vida é passada em jogos online, tem um negócio que gere através da web, encomenda comida pela net, comunica com os pais apenas por mensagens de SMS e tudo faz para se isolar do resto do mundo com o qual recusa contactar.
Um dia ao preparar-se para fotografar a lua com a sua câmera por acaso descobre que no meio do rio está um tipo que vive como um selvagem na ilha do rio que divide a cidade e a partir daí a vida da jovem começa a sofrer uma influência que ela nunca esperou vinda de um local fora do seu próprio mundo e causada por um jovem que ela pura e simplesmente não sabe como contactar ou sequer se apercebe de que ele precisa de ajuda.

Normalmente eu não costumo contar muito sobre um filme, mas achei que [“Castaway on the Moon“] merecia que eu lhes contasse este bocadinho, até para vocês perceberem que isto não é a típica comédia destrambelhada que aparenta ser na capa do dvd ou no cartaz do filme.
Aliás, [“Castaway on the Moon“] como cinema é inclusivamente algo ambiguo. É um filme comercial…ou pelo menos grande parte dele é, mas também contém um estilo intimísta que me apanhou de surpresa.
A própria fotografia etérea atira o filme para uma atmosfera algo inesperada logo quando como espectadores nos apercebemos que se calhar isto será um filme mais profundo do que aparentava ser. Isto aliado a um estilo visual muito baseado numa identidade gráfica particular coloca este filme num género á parte logo na primeira meia hora.

Enquanto espectadores ficamos um bocado sem saber mesmo qual o rumo que a história poderá tomar. Conseguimos adivinhar o que acontecerá em linhas gerais, mas podem ter a certeza que não vão esperar encontrar muitos dos pormenores que aparecem nesta história desde o seu início até á sua resolução.
Ah, a propósito…se calhar é melhor não verem [“Castaway on the Moon“] depois do jantar…

O filme começa como uma comédia negra, depois entra por um humor completamente escatológico portanto se alguma vez pensaram em ver um grande filme de merda se calhar vão gostar de alguns momentos mais hilariantes da primeira metade só pela repulsa que lhes irá causar e porque não conseguirão mesmo afastar os olhos do ecran pois a partir de certa alturaparece que tudo pode acontecer.
Garanto-vos que nunca viram um náufrago assim em “Castaway” sequer.
Além de alguma comédia mais radical [“Castaway on the Moon“] conta ainda com um par de gags hilariantes com destaque para o breve momento em que o protagonísta tenta fazer fogo como se vê fazer nos filmes. Mais não digo.

É dificil falar de [“Castaway on the Moon“] sem revelar muita coisa pois a vontade que me dá é contar-lhes já os melhores momentos de um filme que na verdade vai muito para além da simples e banal comédia de costumes.
Aliás se existe um filme que poderá ser sujeito a inúmeras análises sociológicas entre muitas outras interpretações e discussões sobre os temas que o percorrem é este. Claro que uma forma ligeira; não estou a dizer que isto seja o mesmo que interpretar um qualquer tratado.Mas  é bastante interessante na forma como joga com aquelas pequenas coisas a que estamos habituados e temos por certas na nossa vida.
Desde a importância da  junk-food na nossa felicidade imediata ao ponto de a tentarmos recriar para mitigar o nosso sofrimento psicológico quando ela nos falta, até ao próprio conceito de isolamento há por aqui muita coisa para originar muito motivo de conversa se virem isto com muitos amigos.

[“Castaway on the Moon“] é uma comédia que no fundo não é para rir, é um drama que nos faz pensar em vez de chorar, é uma grande história de amor sem o ser mas onde os protagonístas nunca se desencontram apesar de viverem isolados. E é também um filme que não pode ser verdadeiramente incluído num género específico pois cada segmento da sua narrativa poderia ele próprio ser uma curta metragem de um género diferente. Apenas todos estes “segmentos isolados” estão muito bem enquadrados uns nos outros e o resultado não poderia ter sido melhor.

Não achei [“Castaway on the Moon“] um filme muito comercial se pensarmos nele pelo estilo de narrativas a que estamos habituados a ver chegar ás nossas salas. Poderá ser no entanto um bom exemplo de um certo tipo de cinema pipoca oriental que contém precisamente aquele tipo de características que na minha opinião raramente se encontram nos filmes pipoca a que estamos habituados a consumir. É um filme algo lento, com uma carga intímista invulgar que alterna entre momentos de comédia e suspanse de ambiente gráfico estranho e atmosfera algo perturbante mas que ao mesmo tempo tem momentos de comédia geniais, para não dizer algo repugnantes também tudo muito bem equilibrado com uma sensação de romance latente que nos agarra até ao final.
Nem tudo é explicado ao espectador, o que é mais outra diferença do cinema oriental em relação ao que normalmente estamos habituados a ver.

Como filme em si, por mim é um produto fantástico porque consegue ligar de forma única muitos retalhos de diferentes estilos.
Não há muito mais a dizer nem vou tentar entrar por grandes análises cinéfilas para justificar melhor a minha nota alta, pois isso é o que menos me interessa no Cinema.
Pessoalmente estou-me borrifando para a inovação de um Fritz Lang, para a mestria de um John Ford ou para a genialidade Stanley Kubrik. Fizeram excelentes filmes, tenho dvds deles todos, passa á frente.
Sempre tentei neste blog escrever o que penso da forma mais simples e directa como se estivesse a recomendar um filme aos meus amigos pois não sou crítico de cinema nem quero ser e passo-me dos carretos com aquelas reviews muito conceituadas e onde ás vezes se analisa tudo menos o interesse que o filme poderá ter para o espectador comum e em vez disso muitos Iluminados passam parágrafos a dissertar sobre as implicações psicológicas ou pior, Artísticas de um gajo ter usado um plano A em vez de um plano B como se estes soubessem o que o realizador queria mesmo dizer com aquilo.
É este tipo assunção de intenções que sempre tentei evitar com este blog e como tal recomendo-vos [“Castaway on the Moon“] porque tenho a certeza de que muitos de vós irão gostar, acho que está muito bem filmado, tem excelentes personagens extravagantes e é mais um produto de cinema oriental único que certamente irão ver em versão americana (bem mais ligeira) não tarda nada.

Obrigado a todos pelas visitas pois é por vossa causa que este blog de filmes  chegou ao filme número 100.
Espero que gostem deste também e pode ser que ainda nos encontremos no 200 daqui a mais dois anos.

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CLASSIFICAÇÃO :

Tem um dos conceitos mais originais que me lembro de ver nos últimos tempos e é um filme que se acompanha com muito interesse que depois se vai gradualmente transformando em suspanse culminando numa história de amor muito original.
Não há muito mais para dizer além do que já escrevi para trás.
Cinco tigelas de noodles e em Golden Award apesar de não ser um daqueles que nos apeteça rever constantemente mas ficará certamente na vossa memória pois nunca viram uma história assim.

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A favor: é uma espécie de “anti-Lagoa Azul” com um gajo maluco e uma chavala ainda mais alucinada, tem um par de gags hilariantes, o conceito base é único e muito imaginativo na forma como todo o argumento é desenvolvido, alterna entre o estilo intimista de um filme de autor e o melhor do cinema comercial embora seja um filme algo estranho, tem cenas de merda muito nojentas, bom suspanse no final, é uma história de amor que nunca se assume como tal, é um drama mas não da forma como pensam que vai ser, é uma comédia mas não como esperam.
Contra: não agarra á primeira pois achei-o divertido mas só depois da primeira hora é que realmente o comecei a ver como algo mesmo especial.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=BnF7cZcwPHM

COMPRAR
Recomendo a compra aqui desta edição neste site. Boa loja, muitos titulos e serviço profissional.

Eu vi a minha cópia aqui com legendas em inglés mas parece que já podem encontrar o filme aqui Asian Space com legendas em Pt Br


IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1499666/

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Filme semelhante de que certamente irá gostar:

* Não me lembro de nada parecido com isto*

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