The Magician (Chosun Masoolsa) Dae-seung Kim (2015) Coreia do Sul


Sempre que vejo um trailer para um filme oriental, devidamente ocidentalizado com aquela estrutura de trailer americano e apresentado em inglés; suspeito logo que a coisa não vai ser nada de especial e também aqui em [“The Magician“] parece que não me enganei.

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Desde há vários anos a esta parte,  há por aí uma estranha tendência em que tudo o que é cinema do oriente “escolhido” para ser lançado no ocidente com distribuição de uma major americana, normalmente é sempre bastante básico. Especialmete quando comparado com titulos que mereciam mesmo ter divulgação por cá mas permanecem eternamente inorados por quem depois distribui as coisas mais medianas saídas da Ásia como se fossem verdadeiras obras extraordinárias (de que toda a gente tem que obrigatóriamente que gostar).

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Nestas alturas , aparecem críticas ocidentais supostamente profissionais completamente extasiadas por todo o lado sobre muitos desses títulos; (aconteceu agora novamente com o extremamente banal “A Assassina” que anda por aí apresentado como sendo qualquer coisa de génio); e às vezes pergunto-me se quem escreve maravilhas sobre produções orientais absolutamente medianas que apenas chegam cá oficialmente porque são distribuídas por Hollywood, alguma vez se deu ao trabalho de acompanhar o cinema realmente bom que há do outro lado do mundo ou apenas fica surpreendido com o exotismo natural de um tipo de filme a que não está habituado, quando as distribuidoras americanas “nos dão permissão” para finalmente notarmos que determinado título existe.

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[“The Magician“] não sendo tão banal quanto outros títulos que a crítica ocidental apresentou como sendo verdadeira obras primas ou filmes extraordinários no passado; apenas porque foram distribuidos no ocidente;  (“Azumi“, “Shinobi“, “Bichunmoo – O guerreiro“,”Duelist” ou até mesmo o decepcionante “Red Cliff” que deixou muito a desejar); é no entanto absolutamente mediano em todos os sentidos quando comparado com dezenas de outras opções superiores que existem neste momento na Coreia do Sul e que mereciam mesmo ser distribuídas por cá.

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Há por aqui uma lógica que eu não entendo de todo e que começou curiosamente quando parece que o mundo ocidental descobriu “Crouching Tiger Hidden Dragon“; outro título bastante inferior a 90% dos verdadeiros Wuxias orientais que poderão em alternativa ver se explorarem o cinema Wuxia da China por exemplo; mas que no ocidente adquiriu estatuto de obra prima , fruto um pouco dessa lógica desconexa que a crítica profissional parece apresentar constantemente; como se escrevessem bem sobre um filme apenas porque Hollywood estalou os dedos para que assim seja, porque alguém algures num departamento de marketing em Los Angeles achou que seria interessante criar uma moda sobre cinema “de Karaté” para consumo dos cinéfilos da pipoca ocidental.

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[“The Magician“] embora pareça ser mais um título assim,  não é mau. Na verdade não tem absolutamente nada de errado. Tudo o que faz, resulta em termos de história, tem um certo carísma a nível de personagens, mas depois o produto final não deslumbra minimamente.
O facto de ter uma realização algo televisiva também não ajuda e em muitos momentos mais parece um telefilme apropriado para um qualquer canal de cabo do que propriamente um produto para cinema. A própria fotografia do filme tem ali um sabor a televisão que quanto a mim retirou logo metade do ambiente que esta história deveria ter tido.

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Talvez porque [“The Magician“] é suposto ter um enquadramento histórico e sabe-se lá porquê, mais uma vez a Coreia do Sul parece não conseguir acertar propriamente neste tipo de filmes, contrariamente ao que se passa no cinema da China onde em termos de ambiente épico, ou atmosfera de autenticidade a coisa resulta sempre plenamente.
Quando a Coreia do Sul tenta algo semelhante, o resultado é sempre algo plástico e bastante -televisivo- o que acontece também aqui nesta história romântica em ambiente Wuxia quanto baste.

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No entanto, mesmo enquanto cinema romântico, este título também não é propriamente indispensável ou um titulo que se recomende imediatamente.
Mais uma vez, [“The Magician“] não tem propriamente nada de errado, mas fica a meio termo em tudo, principalmente em termos emocionais. E quando uma história romântica produzida na Coreia do Sul não consegue criar uma empatia emocional com o espectador, algo vai mal.

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[“The Magician“] gira à volta de uma rapariga que foi essencialmente vendida pela familia e enviada para o sul do país para se casar com o rei e tornar-se por isso numa verdadeira princesa. A comitiva real pára numa cidade onde um jovem mágico com um passado torturado tem o seu espectáculo de magia montado e portanto já estão a ver onde isto vai dar.

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Este é um filme dificil de classificar precisamente porque nem como cinema romântico é particularmente interessante. Os primeiros vinte minutos são curiosos mas algo aborrecidos, com cenas onde se conhece o passado do jovem mágico ou no presente ficamos a saber como são feitos os seus truques que impressionam as plateias da cidade onde reside.

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Na verdade estava quase a desligar o filme pois o ambiente “televisivo” é algo que me irrita por demais em produções para cinema e [“The Magician“] logo desde o inicio parecia encaixar-se nesse estilo visual e não ir muito mais além. Felizmente foi precisamente nessa altura que a parte romântica da história começou verdadeiramente e percebi que pelo menos havia ali uma boa química entre os dois protagonistas.
[“The Magician“] só não resulta melhor em termos românticos porque o filme não se decide se quer ser uma comédia, um drama, ou um thriller politico com sabor a Wuxia e intenções de se apresentar como recriação histórica.

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No meio de toda esta indecisão de género que cruza e descruza toda a narrativa ao longo das mais de duas horas de filme, os personagens acabam por ser algo desperdiçados. O que é pena, pois a história consegue um bom grupo que se calhar poderia ter sido realmente interessante nas mãos de outro argumentista talvez. Mesmo assim ainda há alguma humanização bem conseguida que acaba por ser sempre o melhor que [“The Magician“] tem para dar.

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Se gostam de – Magia – enquanto espectáculo se calhar irão achar o filme muito interessante, pois toda a parte quase em ambiente -steampunk- passada nos bastidores do teatro é bastante curiosa.
Tenta também ter algumas cenas de acção, mas o filme é tão ligeiro em tudo que qualquer carga dramática que ainda poderia vir dessas partes fica logo anulada à partida, até porque as cenas de luta não têm grande interesse ou energia por aí além.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“The Magician“] é competente em tudo o que faz, mas garanto-vos que daqui a uns dias já nem se lembram dele. É por demais mediano em tudo, as cenas românticas têm alguma magia ao inicio mas logo perdem a chama porque o tom se repete e por vezes a história parece estar presa numa espécie de telenovela televisiva ambientada séculos atrás e pouco mais.

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Se já viram tudo o que tenho recomendado de cinema romântico e procuram um título simpático, podem ver este filme pois não darão o tempo por perdido. Enquanto dura acompanha-se bem e até tem um final ambiguo algo interessante, mas não é um filme que irão querer voltar a ver. Não por ser mau, mas porque parece não ter grande ambição para além do que mostra.
Três tigelas de noodles. É bom e pronto. Nem mais, nem menos.

 

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A favor: o par romântico tem uma boa química, há alguns personagens secundários muito interessantes embora pouco explorados (o general guardião da princesa poderia ter sido excelente por exemplo), tem algum ambiente nas cenas românticas iniciais, as partes em que vemos os bastidores dos truques de magia  são interessantes, tem um par de paisagens muito bonitas.
Contra: o tom do filme é ligeiro por demais, não tem grande carga dramática nem cria particular empatia com o espectador, tenta misturar vários géneros de filme mas todos ficam a meio caminho, é um tipo de filme que logo se esquece.

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TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt4471636

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Filmes “semelhantes” que lhes poderão interessar:

Shinobi The Promise capinha_curse-of-the-goldenflower The Myth

capinha_duelist capinha_an_empress_and_the_warriors capinha_the-classic capinha_bichunmoo

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Midnight FM (Simya-ui FM) Sang Man Kim (2010) Coreia do Sul


Este deve ser um dos meus thrillers favoritos dos últimos tempos e curiosamente não faz mais do que aquilo que é costume vermos na habitual história com psicopatas.
Então porque é que [“Midnight FM“] resulta tão bem ?

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A começar, pela simplicidade. Parte de um conceito tão simples como o facto de um psicopata obcecado por um programa de rádio, resolver invadir a casa da locutora e fazer reféns todos os seus familiares, ameaçando-os de morte caso a protagonista não conduzir a emissão da forma que este acha que deve ir para o ar.

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Conceito aparentemente simples, mas na verdade muito bem trabalhado, pois [“Midnight FM“] sem atirar nada à cara do espectador, nem tentar sequer ser um thriller politico acaba pelo meio de todo o seu suspense, por introduzir muitos temas pertinentes e tal como aconteceu em “The Terror Live” fazer também um excelente estudo sobre o poder dos media para influenciar tudo em redor; não sendo estranho o personagem do psicopata ser influenciado pelo filme Taxi Driver.

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Aliás tudo em [“Midnight FM“]  funciona em redor do filme de Martin Scorcese com Robert De Niro e é também aqui que este argumento brilha, pois a história avança na forma como faz constantes referências a esse clássico e se mantem em paralelo com Taxi Driver na forma como usa esse título para dar vida também agora a mais este psicopata urbano fascinado com o poder da radio.

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Se olharmos para a história e para a estrutura de [“Midnight FM“], à primeira vista isto não pedia mais do que ser a habitual aventura de suspense em estilo Hollywood e onde o que importaria seriam apenas mesmo as cenas de acção e pouco mais. Acontece que aqui a coisa vai um pouco mais além. O filme conta com algumas sequências de acção excelentes mas nunca esquece que por detrás de tudo estão bons personagens e é precisamente aqui que mais uma vez o cinema sul coreano brilha.

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Não só os protagonistas são excelentes, como depois todo o seu mundo é suportado por um elenco de secundários que são absolutamente importantes para o desenrolar da história num argumento onde não existem personagens supérfulos e na verdade nem herois nem vilões. Há sempre uma motivação por detrás de cada acção e por isso todo o suspense resulta, até nas parte mais intensas que poderiam retirar-nos por completo de dentro do filme mas tal nunca acontece.

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A cada minuto que passa ficamos mais agarrados a esta história e se calhar nem deveria ser, pois não vão ver aqui nada que já não tenham visto mil vezes na típica história de raptos e terroristas ameaçando vitimas inocentes. Só que lá está, a fórmula é simples, mas o conteúdo é detalhado e cheio de texturas por explorar, integrando muito bem dentro da acção principal temáticas que acabarão por ficar como tópicos de conversa muito depois do filme acabar.

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[“Midnight FM“] é por isso um thriller pensado ao mílimetro. Nada aparece por acaso, há algumas boas reviravoltas, tem conteúdo muito bem integrado nas cenas de suspanse e ainda consegue dar-nos um par de cenas porrada com muita adrenalina para compor o conjunto final. E por falar em final, este filme consegue expandir o final, por vários momentos e esticar o suspense até quase ao último segundo culminando tudo num desenlace perfeito para esta história.

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Não há muito mais que eu possa dizer sobre isto sem lhes estragar o filme todo, por isso se procuram um thriller de suspense de temática semelhante ao que podem ver em “The Terror Live” mas com uma execução particularmente diferente e que embora mais standart e mainstream não deixa de ser extraordinariamente eficaz, então não percam de todo [“Midnight FM“].

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A realização é fantástica, a montagem é absolutamente perfeita e as interpretações são excelentes por todo o elenco (até das criançinhas). Os personagens não são particularmente simpáticos (num estilo cinematográfico) o que é uma abordagem bastante natural , mas vão ganhando empatia connosco à medida que a história se desenvolve e portanto isto não é um argumento com bonecos estáticos. Toda a gente nesta história, muda, evolui e irão gostar de acompanhar cada um dos personagens envolvidos.

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Se gostam de histórias passadas no mundo da rádio, esta é uma excelente opção que não devem perder. Em alguns momentos fez-me lembrar até “Talk Radio” de Oliver Stone, o que só lhe fica bem pois esse é outro daqueles filmes imperdíveis para quem gosta da temática e em particular se gostam tanto do género da -talk radio- quanto eu, pois devoro inúmeras emissões americanas  enquanto trabalho em ilustração diáriamente.

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CLASSIFICAÇÃO:

Este é outro daqueles filmes que para mim valem a nota máxima.
[“Midnight FM“] na minha opinião tem a particularidade de conseguir desenvolver um argumento detalhado a partir de uma ideia simples. Além disso faz tudo bem para nos deixar a roer cadeiras e almofadas até ao último segundo, sendo portanto uma verdadeira montanha russa do príncipio ao fim sem nunca perder o fôlego um segundo sequer.
Se gostaram de “The Terror Live” têm aqui um excelente complemento numa vertente diferente mas não menos intensa.

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Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque [“Midnight FM“] é outro daqueles que se revê inúmeras vezes e a intensidade nunca se perde pois está carregado de adrenalina.

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A favor: a realização, os actores, o argumento, a montagem, a adrenalina.
Contra: á partida poderá parecer algo que já vimos mil vezes no que toca à história central mas não é por aí que perde pontos de qualquer forma.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


IMDB

http://www.imdb.com/title/tt1825955

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E se gostaram deste não vão querer perder:
Capinha_the terror live 
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Runway Cop (Cha hyung-sa) Terra Shin (2012) Coreia do Sul


Se calhar não devia, mas não resisto dar a [“Runway Cop“] a excelente classificação que lhe dou. Se calhar não vale nem metade mas na verdade tenho que admitir que este filme me divertiu à brava e não estava nada à espera disto.

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Esperava algo divertido mas ao mesmo tempo apenas mediano. Nunca pensei que [“Runway Cop“] fosse mau, mas também não esperava que fosse melhor do que a habitual comédia tresloucada produzida na Coreia do Sul naquela fórmula habitual em que todas as comédias acabam por parecer iguais.
No entanto, achei piada ao estilo chunga do trailer e neste caso a apresentação representa bem o tipo de filme que depois encontramos; o que é bom, pois desta vez o trailer não engana. Quem não gostar do trailer salte este filme. Quem gostar, o filme é isto mas mais chunga ainda.

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Este tipo de comédia totalmente alucinada é realmente um estilo à parte e normalmente esgota o espectador ocidental ainda um filme não chegou ao meio da história pois sinceramente penso que nós por cá não estamos de todo culturalmente programados para aguentar tanta adrenalina excêntrica por segundo ou tanta piada por frame em tom histérico como acontece nestas produções daquela parte do mundo.
[“Runway Cop“] encaixa-se neste tipo de comédia típicamente Sul Coreana em modo ultra comercial, mas para minha surpresa, deixou-me realmente muito bem disposto do inicio ao fim.

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Eu que tenho total desprezo pelo mundo da Alta Costura e da Moda em geral, não resisto a espreitar qualquer coisa que ataque esse meio que eu não suporto; mas até agora acho que nunca tinha visto um filme tão divertido passado nesse universo de excesso e futilidade.
Até o conhecido “Zoolander” de Ben Stiller me decepcionou em grande e nunca lhe achei grande piada pois sempre achei que se esforçava demais para ter graça (a sequela é do pior) e portanto para mim não resultou. Não há pior coisa numa comédia do que aquele estilo de realização que parece indicar ao espectador quando é para rir como se as piadas tivessem obrigatoriamente que ter graça. Vá, agora é para rir !

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Para mim uma boa sátira ao mundo da moda teria de ser algo que passasse subjectivamente essa ideia e é isso que [“Runway Cop“] na minha opinião faz muito bem.
Não é abertamente uma sátira àquele mundo apesar de ser ambientada no meio, mas usa uma história supostamente policial para ao mesmo tempo apontar  aquilo que a Alta Costura tem de rídiculo sem no entanto ser um ataque gratuíto porque enche toda a trama com personagens cativantes e caristmáticos quanto baste, tanto no mundo “real” como no mundo das passerelles, sem esquecer um par de boas caricaturas histéricas ao extremo muito bem inseridas nos momentos de humor certos.

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Eu diverti-me realmente muito com isto; por muitas vezes conseguiu arrancar-me algumas gargalhadas inesperadas e não me lembro da última vez que uma comédia conseguiu colocar uma sucessão de piadas que me tivessem mantido permanentemente em modo de boa disposição e interessado em ver o que iria acontecer a seguir em termos de gags humorísticos criativos.
Quanto a mim este filme tem alguns dos melhores momentos de humor dos últimos tempos pois acima de tudo é um filme muito boa onda.

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[“Runway Cop“] é um filme em duas metades. Na primeira parte acompanhamos as desventuras do policia mais porco, mal cheiroso e javardo que alguma vez deve ter aparecido no cinema e na segunda metade da história vemos o que acontece quando este é obrigado a transformar-se à força num Top Model masculino para se infiltrar num esquema de tráfico de droga que supostamente se passará nos bastidores de uma passagem de moda. Inevitávelmente a estilista envolvida é uma antiga colega de escola do bófia imundo e por isso já estão a ver onde a parte romântica irá funcionar. E funciona.

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Por causa desta estrutura [“Runway Cop“] será ao mesmo tempo dois filmes num só. O primeiro acto para mim é o mais hilariante, pois toda a caracterização do heroi mais porco do mundo é plenamente divertida pelo ritmo non-stop com gags que utilizam a sua javardice profissional de forma criativa e às vezes inesperada para nos fazer rir sem nunca se tornar verdadeiramente repetitivo. Há um par de sequências absolutamente hilariantes que aposto lhes ficarão na memória; a cena do interrogatório “desumano” e a parte em que o heroi “segue” o carro do vilão guiando na verdade à frente deste sem querer.

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A primeira metade usa as piadas para introduzir personagens e portanto tudo está muito bem integrado na narrativa. Ou seja, [“Runway Cop“] não é aquele tipo de comédia que pàra para nos fazer rir com gags e depois logo mete uma história pelo meio porque tem que ser ; (contráriamente ao que acontece em “Zoolander”); aqui os gags são usados para fazer sempre avançar a história e tudo resulta de forma muito organica e que surpreendentemente não parece de todo forçada apesar de acontecerem cenas totalmente alucinadas a todo o instante.

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E nota-se que os actores estão a divertir-se por completo com este argumento. Os personagens secundários são hilariantes ou cativantes, a história é divertida e tudo em [“Runway Cop“] funciona porque tudo é simples.
Há ainda uma boa história romântica secundária particularmente inesperada e que curiosamente ainda dota este filme de uma certa humanidade que se calhar nem precisaria de ter para resultar; por outro lado, isto é cinema oriental e mais uma vez demonstra muito bem como se criam personagens de que se fica a gostar sem às vezes nos apercebermos.

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[“Runway Cop“] não tem pretenções a ser mais do que uma boa comédia e quanto a mim resulta plenamente na sua simplicidade. Está cheio de lugares-comuns, personagens tipo, mas sabe cozinhar tudo de uma forma que resulta muito bem. Até algum defeito, porventura estará no facto de que a primeira metade enquanto o heroi é um porco imundo é bem mais divertida do que a segunda, quando o filme entra mais pela comédia de acção, mas nem por isso deixa de ser um produto simpático e com alguns momentos realmente hilariantes com gags muito bem pensados e criativos.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se calhar não merece, pois em termos de cinema propriamente dito não há por aqui nada que seja realmente único ou brilhante, mas a verdade é que é uma comédia eficaz e se calhar isso é quanto basta para que um filme simples seja bem melhor do que aparenta à primeira vista; isto porque fazer comédia com fôlego e alguma criatividade não é para todos e quanto a mim tudo neste caso resulta plenamente para nos dar um par de horas divertidas com personagens cativantes e divertidos quanto baste metidos em situações por vezes hilariantes e onde tudo se passa num ritmo endiabrado que muitas vezes nos deixa completamente cansados só de olhar para tanta correria.

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Cinco tigelas de noodles porque é um daqueles filmes simpáticos que é um antidoto perfeito para quando temos um dia complicado e só queremos descontraír um pouco sem pensar muito.

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A favor: o actor principal é fantastico nas partes em que faz de porco imundo chunga, os personagens secundários são excelentes e muito carismáticos (com destaque para o capitão do heroi), é uma história que não tem medo de ser politicamente incorrecta até na abordagem romântica em relação a certos personagens, contem alguns gags muito criativos e por vezes hilariantes, é uma boa comédia de acção e bem melhor estruturada do que o típico filme do género que habitualmente encontramos aos montes no cinema de humor sul coreano.
Contra: o facto de ter duas metades em registro diferente fragmenta um bocado o ritmo narrativo e perde algum fôlego no meio, até mesmo em termos de humor… mas não é grave.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2182095

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Comédias “semelhantes”:

My Sassy Girl capinha_iron_ladies capinha_sex-is-zero

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The Terror Live (Deu tae-ro ra-i-beu) Byeong-woo Kim (2013) Coreia do Sul


Já ando para falar deste filme há um par de anos mas queria voltar a vê-lo antes de escrever sobre ele para me certificar de que isto era realmente tão bom quanto me pareceu da primeira vez.
É !

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Agora que ainda nem passaram duas semanas após os atentados bem reais na Bélgica aqui na Europa em Março de 2016, um filme como [“The Terror Live“] não poderia ser mais actual, especialmente quando estamos na presença de um título absolutamente fantástico que acima de tudo sabe como tratar a questão do terrorismo sem a banalizar mesmo sendo um produto plenamente comercial enquanto cinema.
Independentemente do tema, se procuram um thriller com suspense de cortar à faca e um estilo muito pouco politicamente correcto, é este.

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[“The Terror Live“] não é apenas a habitual história de um psicopata que resolve explodir com coisas por tudo e por nada, mas principalmente é um verdadeiro estudo sobre o poder dos media para manipular audiências e formar opiniões sobre as pessoas. Independentemente da verdadeira história por detrás de acontecimentos que muitas vezes ficam por contar, porque simplesmente para os rates de audiencia não terão importância e o que importa no mundo das notícias televisivas que lucram com directos dramáticos ao vivo, é acima de tudo não apresentar a verdade mas sim manter a capacidade de gerar patrocinadores e publicidade para cada canal aproveitando-se da catástrofe do momento enquanto oficialmente passa tudo por –informação.

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[“The Terror Live“] é sobre isto e muito mais. É sobre a corrupção do Estado, sobre chantagem política e não tem medo de ser um filme que analisa as próprias razões por detrás de um acto terrorista mostrando também o lado de quem espalha o terror. Não escolhe lados, apenas mostra-nos a posição de todas as partes envolvidas de uma forma crua e realista sem tomar partido ao mesmo tempo que envolve o espectador numa verdadeira montanha russa de emoções, pois a certa altura já nem sabemos por quem estamos a torcer, ou se todos serão culpados num sistema podre que não tem salvação a não ser que alguém expluda com isto tudo e o mundo comece realmente do zero.

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Muita gente tem comentado na internet que este é um daqueles filmes que parece um thriller americano à primeira vista mas por muitas razões que só serão perceptíveis por quem vir [“The Terror Live“], imediatamente se destaca como uma produção há parte; que pelo menos actualmente não seria filmada nestes moldes por Hollywood de certeza. Pelo menos , não com este argumento e colocando as questões da forma que as coloca. Um argumento onde para lá da habitual história de suspense que poderia ter sido filmada da forma mais formulática se encontra no entanto um argumento que nos deixa a pensar e a discutir sobre tudo o que vimos muito para lá da duração do filme. Vejam [“The Terror Live“] , depois espreitem qualquer canal de noticiários na TV e garanto-vos que os mais distraídos irão começar a prestar atenção a pormenores que se calhar nunca tinham pensado antes.

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[“The Terror Live“] tem sido comparado ao americano “A Cabine Telefónica/Phonebooth”, mas enquanto o filme de Joel Schumacher é realmente eficaz enquanto thriller, este filme Sul Coreano, até porque tem maior duração consegue ir muito mais além. Na verdade o atentado terrorista da história é apenas uma desculpa para que alguém tenha escrito um dos melhores argumentos politicamente incorrectos dos últimos anos, dentro deste estilo de cinema que envolve jornalismo. E a uma primeira visão quase que isso nem se nota.

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O filme conta a história de uma antiga estrela televisiva do jornalismo que caiu em desgraça, acabando despedido e a ter que trabalhar numa rádio local ao mesmo tempo que ainda tem que lidar com o seu divórcio; nunca deixando no entanto de ser um crápula arrogante para com toda a gente. Mantendo uma ambição desmedida para voltar ao topo da apresentação televisiva não olha a meios para pisar seja quem for para atingir os seus objectivos.

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Um dia numa das suas emissões de linha aberta, alguém liga para o programa afirmando que irá fazer explodir uma das principais pontes da capital Sul Coreana se o presidente não vir a público pedir desculpas pela forma como alguns trabalhadores que a construiram foram tratados pelo Estado muitos anos antes.

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Naturalmente o jornalista não o leva a sério e desafia-o a ir para a frente com a explosão. O que acontece de verdade  e a partir desse momento desencadeia-se uma verdadeira corrida às audiências por parte dos canais de notícias que tudo fazem para suplantar a concorrência cobrindo em directo o acontecimento. Mas só o nosso jornalista tem o terrorista em directo na outra ponta da linha telefónica e vê nisso acima de tudo o seu bilhete de regresso ao topo da informação televisiva.

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[“The Terror Live“] joga incrivelmente bem com a linguagem televisiva. A realização é extraordinária e a montagem deste filme não perde um fotograma. Aliás tudo nesta história é cronometrado ao segundo e cada cena é cortada ao milímetro para nos deixar constantemente em tensão como se estivessemos a assistir a um acontecimento real; a forma como está filmada alterna entre o habitual para este género e a própria linguagem televisiva. E é nesses momentos em que como espectadores parece mesmo que estamos a assistir a um drama em directo na televisão que o filme brilha.

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As interpretações são fantásticas e esquecemo-nos por completo que estamos a ver uma ficção passados alguns minutos. O argumento é o ponto alto do filme também, não apenas pela história em si, pelo politicamente incorrecto no seu conteúdo, mas principalmente porque sabe enredar toda a sua vertente mais politica em personagens com substância.
Todos os secundários nesta história têm um papel importante, todas as personalidades estão muito bem definidas e nem notamos que [“The Terror Live“] conta na verdade com imensos personagens-tipo, que noutro tipo de filme se calhar seriam óbvias e algo artificiais, mas que aqui são absolutamente indispensáveis para que o suspense resulte.

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Acima de tudo, tal como acontece com o protagonista, são personagens intensamente credíveis e que fazem por completo desaparecer os actores por detrás delas. Inclusivamente o terrorista que passa practicamente todo o filme apenas sendo uma voz no telefone tem uma prestação absolutamente cativante e toda a sua química com o protagonista do filme é aquilo que os irá deixar por muitas vezes à beira de um ataque cardíaco com o desenrolar dos acontecimentos.

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Desenrolar de acontecimentos que ainda por cima culminam num final absolutamente perfeito e até algo inesperado. Embora na minha opinião [“The Terror Live“] só peque no momento em que nos atira com um pequeno “twist” à boa e velha maneira do cinema Sul Coreano. Estranhamente, desta vez nem resulta particularmente bem, pois na verdade pelo menos a mim não me causou propriamente grande impacto.

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Se calhar porque tudo o resto já tem até tensão a mais durante o filme todo, mas achei realmente que desperdiçaram uma ligação que poderia ter havido no contexto da história. Essencialmente para mim só “falha” mesmo o twist do filme. Não porque não seja eficaz, mas porque deveria ter sido um murro no estômago e não foi; isto porque até ocorrer a revelação nada no contexto do argumento apontava para algo assim tão anónimo (até porque todos os diálogos com o terrorista são por telefone) e por isso quando esta “surpresa” surge de repente , pelo menos eu achei que foi algo metida a martelo para introduzir o inevitável twist.

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Mas não deixem que isto os afaste de [“The Terror Live“]. É apenas uma opinião pessoal.
De resto tudo nesta história é do melhor. Vão ficar agarrados até ao último segundo e não se irão esquecer deste filme tão cedo; especialmente tendo em conta tudo o que se tem passado no mundo actualmente e se costumam acompanhar noticiários televisivos.

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CLASSIFICAÇÃO:

É impossível não dar a nota máxima a isto. Mesmo já conhecendo a história acho que da segunda vez que vi o filme ainda gostei mais dele; talvez porque pude reparar no resto à volta das cenas de suspense de uma forma mais descontraída e observar como este [“The Terror Live“] é realmente um produto muito bem feito e que prova que o cinema comercial também pode ser inteligente sem deixar de ser cinema espectáculo.

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Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque este é daqueles se revê inúmeras vezes e a intensidade nunca se perde.

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A favor: o argumento, os actores, a realização, a montagem, o politicamente incorrecto da mensagem, os efeitos especiais.
Contra: o “twist” poderia ter tido mais impacto se tivesse sido integrado num contexto envolvendo algum personagem presente no estúdio ou nos directos talvez, pois aparece algo de pára-quedas só para –surpreender– e quanto a mim destoa da estrutura do filme até então.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2990738

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E se gostaram deste não vão querer perder:
capinha_Midnight_FM 
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Snowpiercer (Snowpiercer) Bong Joon-Ho (2013) Coreia do Sul – França – Eua – República Checa


Eu sei que este blog nos últimos tempos parece ser apenas sobre filmes que eu acho extraordinários, mas como não tenho tido muito tempo para ver cinema, tenho andado a tentar selecionar os títulos que me parecem mais prometedores e por acaso tenho acertado em cheio em coisas absolutamente fascinantes.
E atípicas também.

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Neste caso, [“Snowpiercer”] é não só um dos melhores filmes de ficção-científica que alguma vez me passaram pela frente como ainda por cima é mais um filme oriental que a um primeiro olhar parece ser apenas mais um produto americano made-in Hollywood. Que, diga-se já de passagem ainda não estreou nos States (e como tal parece que nem irá chegar a cinemas portugueses), porque os distribuidores ocidentais do outro lado do oceano exigem que o realizador corte pelo menos 25 minutos para tornar o filme menos denso em termos de história e focar-se mais na porrada imbecil como habitualmente.

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Até há alguns dias atrás eu nunca tinha visto qualquer publicidade sobre a sua existência, não fazia ideia que estava planeado sequer e curiosamente apesar de tentar andar a par sobre o mundo do cinema, nunca tinha visto qualquer menção a [“Snowpiercer”] em parte alguma até um amigo me recomendar o filme no outro dia; desconhecendo também por completo que isto seria cinema oriental.
O que não deixa de ser particularmente estranho, pois o filme está carregado de conhecidos actores ocidentais, não só europeus, como americanos e inclusivamente australianos.

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E um dos americanos é precisamente o mesmo actor que está bastante popular por causa dos filmes do Capitão América, por isso ainda mais surpreendido fiquei quando percebi quem era aquela cara que já tinha visto em algum lado e me deparei com uma estrela de Hollywood num filme Sul Coreano. Ainda por cima num papel de anti-heroi bastante negro que não passaria na censura do país da democracia e liberdade se o argumento deste filme tivesse dependido da aprovação de um qualquer executivo de estúdio cinematográfico habitual.

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Todo o conceito de [“Snowpiercer”] inclusivamente no tipo de produção, recordou-me imediatamente filmes orientais como “Virus” naquela “tradição” oriental/japonesa que havia em finais dos anos 70 quando contratavam estrelas ocidentais de toda a parte do mundo para as misturarem com actores asiáticos e criarem épicos de cinema catástrofe/aventura com um elenco enorme e totalmente multi-cultural.
[“Snowpiercer”]é um desses filmes e apesar de ser essencialmente um filme de grupo, acerta logo em cheio na forma como gere o seu elenco. Isto porque é um daqueles raros filmes em que todos os actores têm realmente um papel importante na história não se limitando a ser peças de cenário para fazer o herói brilhar, como aconteceria de certeza absoluta se isto fosse mais um típico enlatado americano.

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E de que trata este filme então ?
Bem, acima de tudo deixo ficar já aqui um aviso muito importante.
Se tal como eu nunca ouviram falar de [Snowpiercer], façam o que fizerem, não leiam nada sobre ele (além desta review sem *spoilers*), afastem-se de tudo o que lhes possa estragar as (muitas) surpresas que a progressão da história contém e sinceramente…meus amigos… não vejam o trailer antes de verem o filme também.
Curiosamente o trailer desta vez está bem feito e não estraga nada felizmente, mas acreditem-me, especialmente se gostarem de ficção-cientifica (estilo steampunk até), façam como eu fiz e partam para [Snowpiercer] sem tentar saber absolutamente nada sobre ele. Vão por mim. O impacto vai ser bem melhor.

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É que ainda por cima neste caso [“Snowpiercer”] está realmente carregado de surpresas. Não só na história, como uma das suas grandes mais valias, está no facto de ser um daqueles raros filmes em que por muito que tentemos imaginar o que pode acontecer a seguir, raramente conseguimos adivinhar o que vai aparecer no écran e isso é muito raro hoje em dia. O filme está carregado de surpresas não apenas no argumento escrito, mas principalmente conta com momentos visuais daqueles mesmo – WOW não estava mesmo nada á espera que isto aparecesse agora !!!

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[“Snowpiercer”] é um filme de Bong Joon-Ho, o mesmo realizador que fez o fantástico Sul Coreano “The Host” e que há alguns anos atrás redefiniu o cinema de monstros pela densidade e forma como mais do que mostrar o monstro, mostra como as personagens são afectadas por ele.
Curiosamente Bong Joon-Ho, conta de novo com os dois fantásticos actores principais de “The Host”, novamente no papel de pai e filha e em certas alturas não conseguimos evitar a sensação que a sua relação quase parece uma continuidade de um filme para o outro embora os seus personagens desta vez tenham um par de características bem particulares que não posso agora revelar.

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Outra coisa que adorei nesta história, foi a sua atmosfera visual numa mistura absolutamente perfeita entre o melhor da estética oriental e aquele estilo de banda-desenhada europeia do final dos anos 70 que já faz muita falta actualmente. Pelo que notei, adapta uma novela gráfica francesa actual que eu desconhecia em absoluto mas que no entanto me parece estar mais perto do estilo manga do que própriamente dentro da linha tradicional franco-belga.
No entanto, por outro lado, quem gosta daquele género de histórias de banda desenhada europeia com uma intensa aura negra passadas em futuros distópicos e um estilo visual a roçar a paleta de cores de autores de Bd como Bilal, ou Serpieri (com o seu Druuna por exemplo), vai adorar o que irá encontrar estéticamente em [“Snowpiercer”]. Em muitos momentos faz lembrar até o traço de Rosinsky (o autor de Thorgal), pois alguns cenários têm ali qualquer coisa de gráficamente familiar e vai encher as medidas de quem já tem saudades de uma boa estética de banda desenhada antes dos comics terem formatado tudo ao estilo americano sem um pingo de imaginação.

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Portanto, mais uma vez aviso. Afastem-se de tudo que lhes possa estragar as surpresas deste filme. Especialmente não tentem ver mais imagens sobre ele para além da fotos que lhes mostro neste blog.
Muitas das surpresas em [Snowpiercer] são visuais e vocês não querem dar cabo daquele momento de pura surpresa que há tanto tempo anda afastado do cinema comercial que nos chega da américa onde os trailers contam os filmes de uma ponta a outra.
Por isso se procuram um produto realmente diferente e onde podem voltar a sentir aquele ambiente de maravilhoso e de total imersão num mundo imaginário sem que lhes tenham estragado as reviravoltas todas este filme é o filme que procuraram durante muito tempo.

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[“Snowpiercer”] é também intensamente violento, por isso preparem-se os mais sensíveis. Contém aquele estilo de –crueldade– muito característico nas histórias intensamente dramáticas a que estamos habituados no cinema oriental e só por ali, nota-se que este é um daqueles produtos que não sofreu qualquer -suavização- por parte dos habituais censores de Hollywood que actualmente insistem sempre que um filme de terror tem que se “adaptar” todas as idades de modo a rentabilizar nas bilheteiras gringas e “gringadas” pelo mundo fora que tem que comer com essencialmente com a distribuição americana, que desde há décadas adora mutilar filmes “estrangeiros” cortando-os, remontando-os e destruíndo-os para se adaptarem áquilo que muitos executivos acham que deve ser –o gosto- mais rentável das plateias americanas e americanizadas.
Portanto, neste filme, a história é pesada, muitas surpresas podem até considerar-se chocantes e o politicamente incorrecto abunda.
E ainda bem, pois este mundo apocalíptico sem esses pormenores não seria o mesmo nem seria tão convicente.

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A história deste filme se não tivesse sido contada da forma que foi, teria perdido toda a sua alma e ainda bem que isto é do mesmo realizador Sul Coreano de “The Host” pois ele é especialista em criar cinema espectáculo tão impressionante quanto qualquer coisa saída de Hollywood sem no entanto se esquecer dos personagens.
Acima de tudo [“Snowpiercer”] é sobre as pessoas e vocês quando chegarem ao final da história vão lembrar-se de igual forma de todos os personagens e não apenas do -“herói”. Até porque heróis é coisa que não há por aqui.

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Resumidamente e sem lhes estragar nada, [“Snowpiercer”] conta a história de um comboio que percorre o planeta sem nunca parar (porque senão tudo congela), trilhando a única linha férrea mundial que existe, após a Terra ter mergulhado numa nova idade do gelo.
Em 2014 ao tentarem resolver o problema do aquecimento global espalhando um produto na atmosfera que iria agir com um escudo para radiações, essencialmente os políticos destruíram o mundo pois o produto teve um efeito tão bom que mergulhou a Terra numa temperatura glacial durante décadas tendo aniquilado a população mundial inteira com excepção das pessoas que conseguiram entrar num comboio experimental que tinha sido construído por um magnata dos transportes. O mesmo que agora vivendo na carruagem da frente é dono e senhor das vidas de todas as pessoas que vivem a bordo, o que inevitávelmente dá origem á típica história sobre regimes totalitários que o trailer indica mas que vai muito mais além daquilo que vocês possam imaginar.
Ah e se pensam que este é mais um daqueles em que depois se descobre que afinal havia mais sobreviventes algures pelo planeta e de seguida o herói encontra essa gente, há uma revolução e coisa e tal, esqueçam.
As 1000 pessoas do comboio são mesmo os últimos mil sobreviventes à superfície do planeta Terra.
Vão adorar.

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[“Snowpiercer”] consegue ser ao mesmo tempo, uma história de ficção científica com um bom conceito, um filme de acção ao melhor estilo Hollywood e um drama intenso completamente politicamente incorrecto como há muito tempo não se via dentro do cinema do género.
Cada carruagem do comboio tem as suas características muito pessoais e que servem como metáfora para se falar sobre uma série de temas  pertinentes e onde muitas vezes até no meio das mais intensas cenas de acção não deixam o espectador parar de pensar. Óbviamente que um filme assim teria ir á tesoura nos Estados Unidos.

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Acima de tudo tem aquele factor surpresa que eu adoro encontrar no cinema e que é cada vez mais raro neste mundo. Este filme está cheio de pequenos detalhes que o enriquecem em muitos aspectos, (especialmente a uma segunda visão) e a minha vontade era aqui comentar detalhadamente sobre os melhores momentos, mas não o posso fazer. Num mundo onde os trailers com que somos bombardeados mesmo que não os queiramos ver nos retiram por completo o prazer da descoberta de um filme, neste caso se vocês se mantiverem longe de tudo o que lhes poderá destruir o mistério, então irão dar por bem empregue o vosso tempo e apanhar o queixo do chão umas quantas vezes ao longo de toda a história. Garanto-vos.
Afastem-se até das imagens do filme espalhadas pela net, pois algumas revelam boas surpresas em termos de personagens e vocês querem partir para [“Snowpiercer”] sem saberem nada dele.

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Como já referi isto é essencialmente um trabalho de grupo e não há propriamente um personagem principal embora alguns se destaquem. Para além dos actores sul coreanos de “The Host” que mais uma vez têm uma empatia absolutamente perfeita, a mistura com o elenco internacional cria uma sensação de realismo excelente; mas é Tilda Swinton que arrebata o filme em cada cena que aparece como a ministra fascista. Vão adorar odiar o seu personagem pois é ao mesmo tempo, ameaçador, cómico e trágico.

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O -“Capitão América”- Chris Evans surpreendeu-me pois não esperava uma prestação tão intensa e perfeita de alguém que normalmente se vê limitado a entrar em pastilhas elásticas para adolescentes e pouco mais quando trabalha na américa. Tem um dos melhores monólogos do filme numa cena arrepiante só pela forma como o actor interpreta o texto e que acaba por ser outra das chaves da história, conduzindo-nos até ao seu final. Um final que quanto a mim deixa algo a desejar mas nem por isso é menos adequado, pois eu sinceramente numa história destas também não saberia bem como a terminar. O filme tem sempre tanto impacto a todo o momento, que inevitávelmente o final se calhar sofre um bocado por não ser própriamente surpreendente ou intensamente chocante.

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Nota especial também para a participação do “TintinJamie Bell com um personagem cativante numa prestação dramática excelente e para John Hurt e Ed Harris que com a sua habitual presença carismática dominam cada cena em que entram.
E claro também para todo o elenco secundário; algumas caras conhecidas inglesas e não só que povoam este úniverso bem negro mas muito bem imaginado e plenamente bem executado pela realização dinâmica e segura de Bong Joon-Ho num filme onde não se perde um fotograma na montagem e onde tudo, até o mais pequeno pormenor aparentemente desinteressante importa para o desenlace final e contribui para estar sempre um passo á frente do que o espectador pensa que vai acontecer.

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Portanto como não quero estragar o filme a ninguém fico-me por aqui e vamos a isto.

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CLASSIFICAÇÃO

Este filme entra directamente para a minha lista de filmes favoritos de ficção-científica pois é uma das melhores co-produções internacionais dos últimos anos e que demonstra bem o que se pode fazer dentro do cinema comercial quando não há interferência directa de Hollywood no seu processo criativo.
Quando eu pensava que já não havia imaginação dentro da ficção-científica cinematográfica; salvo raras excepções que normalmente são fracassos por tentarem sair da habitual fórmula a que os “adolescentes” comedores de milho estão habituados, eis que me deparo com [“Snowpiercer”]. Dos raros filmes de FC que são tão bons quanto um bom romance do género e portanto recomendo vivamente a quem procura algo fora do habitual que contorna hábilmente as inevitáveis cenas previsíveis e nos surpreende a cada instante até ao minuto final.
Cinco tigelas de noodles por mostrar que afinal ainda há gente a fazer ficção-científica adulta algures neste planeta.

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A favor: É ficção-científica para adultos a sério ao melhor estilo clássico, consta que é uma boa adaptação de uma nova BD europeia mesmo, não é nada politicamente correcto e é até bastante pesado e cruel em certas alturas chave, muito violento com baldes de sangue e tripas quanto baste, psicológicamente anda sempre na corda bamba entre até onde pode ir para não chocar demasiado o espectador ao mesmo tempo que o diverte pela espectacularidade de grande parte das cenas, está cheio de surpresas e não é tão previsível quanto poderão pensar, excelente cenas de acção, óptimos personagens, um design incrível com muita inspiração steampunk, um par de vilões extraordinários, agarra-nos do principio ao fim e nunca deixa de surpreender o espectador. Tem inclusivamente algum humor bem negro nos sítios mais inesperados.

Contra: Eu por mim ainda teria ido mais longe na violência e nas cenas repugnantes pois mesmo assim aposto que houve por aqui alguma contenção para não afugentar as plateias, não vai ter uma sequela e é pena; não ficamos com vontade de o rever muitas vezes e será um daqueles que veremos uma vez por ano ou algo assim simplesmente porque fica bastante na memória.

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CENSURA: O filme não foi lançado nos estados unidos e provavelmente irá ter uma distribuição muito pequena, porque o realizador Sul Coreano Bong Joon-Ho, se recusa a cortar os 25 minutos de cenas que a “censura” americana insiste de forma a que este possa ter uma classificação “mais familiar”, deixe de ser pesado e passe a ser mais “comercial“.
Será possível que ainda exista esta imbecilidade de tentarem destruir um filme absolutamente brilhante na sua forma original só para o adaptarem ás audiências americanas e pior, ás audiências  – americanizadas ?!!
Portanto se não for lançado nos estados unidos numa grande escala, muito certamente não chegará aos nossos cinemas pois todo o percurso de distribuição de cinema de grande público nas nossas salas está refém das políticas de distribuição controlas pelos estúdios de Hollywood.
Deve ser com políticas destas que esperam controlar a pirataria…

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer

https://www.youtube.com/watch?v=r6UmqNuMdY4

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Página oficial de Facebook
https://www.facebook.com/pages/Snowpiercer/304469566338971

Comprar
Ainda não existem edições inglesas e claro muito menos portuguesas. Apenas foi lançado em frança bem antes até de estrear no cinema cá pelo ocidente. Isto claro,  devido aos problemas de distribuição mundial porque esta é essencialmente controlada por Hollywood que exige cortes para colocar o filme nas salas americanas e americanizadas internacionais dos multiplexes que as companhias americanas controlam pelos nossos shoppings e não só.
A edição francesa á venda na amazon-fr, apesar de constar ser técnicamente excelente não contém legendas em inglés, (muito menos em portuga, claro), o que vai complicar o visionamento de muitos dos diálogos em Sul Coreano, pois o filme tanto é falado em inglés como em sul-coreano claro está, embora não sejam muitos.

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1706620/

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