Niji no megami (Rainbow Song) Naoto Kumazawa (2006) Japão


Mais uma vez os japoneses filmam uma história de amor tão diferente dos moldes ocidentais que eu me pergunto como raio é que eles conseguem fazer resultar estes filmes quando nos atingem de uma forma tão estranha por nunca se passar muito nesta histórias, ao contrário do que costumamos ver nos produtos ocidentais.

Na longa lista de candidatos a remakes americanos saída do oriente, aposto que nunca verão [“Rainbow Song“] e isto porque é mesmo daquelas histórias de amor que jamais seriam compreendidas por um qualquer executivo de Hollywood que tivesse de aprovar um projecto assim.
Até parece que estou a ver a cara do senhor a perguntar: – “Mas onde é que raio é que está a história neste filme ?”


É que [“Rainbow Song“] além de ser uma história de amor sem um casal de namorados, ainda por cima não tem a típica estrutura a que estamos habituados no ocidente ou em produtos mais comerciais, até porque tem bastantes tiques de cinema de autor mais experimentalista pelo meio, ora não fosse este filme uma produção do realizador de “All About Lily Chou-Chou” o que deve logo servir de aviso suficiente para muita gente se manter afastado disto.

Para começar a miuda morre no início e sendo assim lá se vai todo o suspanse romântico que poderia ser usado por Hollywood num remake. Depois todo o filme é narrado em flashback e acompanhamos a relação de um rapaz e uma rapariga que nunca chegam a vias de facto e ainda por cima quase no fim do filme a estrutura muda drásticamente e além de acompanharmos uma outra relação paralela em tom algo deprimente e que não tem nada a ver directamente com a história principal ainda nos é apresentada uma curta metragem isolada dentro do próprio filme.
Portanto, quem esperar encontrar em [“Rainbow Song“] a típica história de amor com adolescentes num estilo mais soft e comercial se calhar é melhor ir ver “My Girl & I” que é assim uma espécie de “Rainbow Song” mas em versão comercial.

No entanto, este filme é absolutamente fascinante precisamente por aparentemente nunca se passar nada na história mas ao mesmo tempo passar-se tudo ! 😉
Nunca paro de me surpreender com a eficácia do cinema japonês para contar histórias de amor naquele tom contido onde nem sequer se pronuncia um “amo-te” entre personagens mas cujo o efeito emocional nos bate mais forte do que alguma vez esperariamos, especialmente quando [“Rainbow Song“] tem um certo tom experimentalísta que ás vezes parece querer incluir esta história num patamar diferente do que precisaria ser.
Por outro lado, não há dúvida que cada vez gosto mais das histórias de amor adolescentes saídas dos Japão pela sua simplicidade e acima de tudo pela sua naturalidade.

Um dos grandes pontos altos de [“Rainbow Song“] está precisamente nisso. A meio do filme já nem nos lembramos que estamos a ver actores a desempenhar um papel ficcional e aquelas pessoas parecem-nos tudo menos pesonagens de ficção.
A naturalidade do “par romântico” neste filme é fantástica e tem uma das melhores químicas que me encontrei recentemente em histórias de amor orientais. O que ainda se torna mais fascinante, pois os dois protagonístas estão em cena em practicamente 95% de todo o filme e nunca nos fartamos de acompanhar a sua vida mesmo quando nesta não se passa de facto absolutamente nada !!

Nada no sentido dramático que costumamos ver em histórias de amor ocidentais e ainda menos quando estas são histórias de amor com adolescentes. Em [“Rainbow Song“] não há enganos , não há traições, não há rivais amorosos, não há drama teenager, não há nada.
Acompanhamos o dia-a-dia destas duas pessoas e é tudo. Nem sequer se passa algo de extraordinário no seu quotidiano.
Apenas acompanhamos um breve período da vida de duas pessoas que foram feitas uma para a outra mas onde nada se consumou por força de um destino trágico que conhecemos logo de início e como tal não esperem qualquer twist inesperado nesta história de amor, pois a sua força não está nos truques e reviravoltas do argumento mas sim no carísma dos personagens que ficamos a adorar mal passamos vinte minutos com eles.

Agora, [“Rainbow Song“] é um filme algo estranho, porque a sua estrutura anda ali algures entre o cinema comercial e o filme mais experimentalísta, (existencialista até). Quase no fim, entra por uma história de amor paralela algo estranha e termina em registo ainda mais experimentalísta quando nos é mostrado o filme que a protagonista estava a fazer, pois outra das coisas muito interessantes em [“Rainbow Song“] é o facto de ser um filme sobre cinema com um filme dentro de um filme e embora isso por vezes lhe confira um tom algo pretencioso a puxar para o estilo-obra-de-arte, a verdade é que ainda se torna mais curioso de o acompanharmos por causa disso.

O facto de ser um bocadinho Art-House não lhe retira no entanto a emoção e se vocês procuram uma história de amor oriental bastante curiosa e humana, recomendo vivamente que espreitem [“Rainbow Song“], pois na sua simplicidade (algo complexa), consegue cativar-nos e emocionar-nos nos momentos chave, pois faz-nos gostar muito do par protagonísta e damos por nós a desejar que a sua história acabe bem quando sabemos desde o início que irá acabar trágicamente.

Destaque também para os personagens secundários, muito variados e todos com momentos decisivos para a história que enriquecem este argumento onde se calhar se passa muito mais do que parece passar-se.
Desde o realizador histérico (e muito divertido) do início, passando pelo chefe da rapariga até á sua irmã cega, todos nos parecem muito mais do que apenas personagens de cartão que poderiam muito bem ter sido pois não têm muito tempo de exposição.

Se procuram uma história de amor diferente e gostam do estilo japonês de as contar, devem incluir este filminho na vossa lista também.

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CLASSIFICAÇÃO:

Resumindo, [“Rainbow Song“] é algo estranho e até ambiguo, mas como história de amor resulta em pleno pois acerta em cheio nos melhores toques emocionais sem precisar de entrar num tom melodramático apesar da premisa trágica da história.
É uma pequena história de amor japonesa que vale a pena verem, quanto mais não seja porque vão ficar a gostar muito do par romântico principal.
Trés tigelas e meia de noodles.

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A favor: a química entre o par protagonísta é fantástica, a naturalidade como toda a sua relação se desenvolve e o tom real de toda a história, bons personagens secundários, gostei muito da forma como está filmado especialmente nas sequências que envolvem o par protagonista, é uma história de amor cheia de alma e muito humana.
Contra: não precisava dos tiques Art-House para ser bom, a segunda história de amor é algo doentia e embora original dá uma carga de tristeza ao filme que na minha opinião seria desnecessária, por causa disso o filme está algo fragmentado no seu ritmo narrativo o que pode retirar algum do impacto emocional da principal história romântica.

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=TTDJdpD0VcI

Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-49-en-70-2oyx.html

Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0804513

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Outros títulos “românticos” semelhantes em estilo:

concerto_capinha_73x 

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Inu to watashi no 10 no yakusoku (10 Promises to my dog) Katsuhide Motoki (2008) Japão


Na minha incessante busca por filme fofinhos de meter vómito ás vezes deparo-me com coisas absolutamente inesperadas, mas nada fazia prever que iria encontrar algo como [“10 Promises to my dog“] quando resolvi entrar em modo masoquista e procurar pelo filme mais piroso que conseguisse encontrar pela frente só porque me apetecia mesmo falar mal de um filme desses.

Na minha incessante busca por filmes fofinhos de meter vómito, segundo as minhas próprias regras habituais inspiradas, no que costuma sair de Hollywood dentro do estilo “passem-me o saco de vómito fachavor” lembrei-me logo de passear pela net a ver se descobria um filme oriental com cães, gatos ou qualquer outra coisa que abanasse a cauda.
Não podia falhar, seria piroseira e banalidade garantida.
Eis que me deparo com o candidato ideal [“10 Promises to my dog“] e quando eu já esfregava as mãos de contente e me preparava para ver algo realmente do piorio, saiu-me por completo o tiro pela culatra e não estava nada á espera disto. Toma que é para aprenderes !

Ainda não tinha passado vinte minutos de filme e já eu sabia que [“10 Promises to my dog“] seria algo bem mais especial do que eu alguma vez teria previsto. Cinquenta minutos depois, já eu tinha feito pausa na minha cópia pirata e ido comprar o dvd na Play-Asia. E porquê ? – perguntam vocês.
Porque este filme recordou-me imediatamente “Be With You” pelo seu estilo incrivelmente simples, estética visual muito semelhante, uma fotografia em tons sépia muito bonita e personagens centrais dentro do mesmo registo low-key mas completamente cativantes com uma humanização que se entranha no espectador sem este dar por isso.

E mais, contrariamente ao esperado [“10 Promises to my dog“] contorna habilmente todas as armadilhas, manipulações emocionais e clichés de que todos vocês estarão á espera mal espreitem a capa do dvd ou o cartaz do filme.
Se isto tivesse sido um filme Disney, o espectador levaria com sucessivas sequências em que o cãozinho se perdia durante minutos a fio, sofria imenso, encontrava pessoa más, chorava para a câmera,etc, etc, etc e no fim encontraria os donos enquanto correria em câmera lenta em direcção a todos nós. The End.

Pois bem, [“10 Promises to my dog“] passa lateralmente por esses lugares comuns nem sequer se demora muito com esses detalhes e muito menos os torna na parte central do argumento.
Ao contrário do que vocês esperam, o cãozinho fofinho não é o centro da história o que parece uma total contradição pois tudo gira á volta da sua presença na vida dos personagens humanos.
Isto é bastante dificil de explicar, mas irão compreender o que quero dizer quando virem o filme e é este pormenor que o torna num produto único dentro deste género de cinema. Eu pela minha parte não estava nada á espera disto.

[“10 Promises to my dog“] é um filme oriental acima de tudo sobre humanos e sobre as escolhas que temos de fazer na vida. Sobre o facto de ás vezes uma decisão tão aparentemente simples como dar ou não atenção a um animal de estimação durante uns minutos poder mudar o rumo da história pessoal de quem um dia decide trazer um cão para casa.
Este é um pequeno grande filme japonês sobre a responsabilidade do que é ter um animal e de que forma essa “banal” decisão nos pode tornar pessoas diferentes.
Se alguma vez tiveram um cão ou pensaram ter um, [“10 Promises to my dog“] é um filme completamente obrigatório pois garanto-vos que lhes fará pensar em coisas que certamente nunca lhes passaram pela cabeça.

A força deste filme oriental, está no facto de conseguir fazer tudo isso sem nunca dar a entender essa intenção. Ao contrário do que é costume neste género de filmes no ocidente, o argumento não nos atira constantemente á cara lições de moral para nos dizer como nos devemos sentir, mas faz-nos pensar em muita coisa, inclusivamente muitos minutos depois das cenas já terem passado.
Não nos obriga a viver – no momento – em que o realizador decide em que agora quer meter toda a plateia a chorar porque o cãozinho está perdido, mas faz-nos pensar muitos minutos depois na importância do que levou certa coisa acontecer, sem nos tentar explicar nada ou demonstrar por A+B porque isso tinha de acontecer.

Essencialmente [“10 Promises to my dog“] é uma história sobre a vida de um cão, não do ponto de vista daquilo que lhe acontece ao longo dos seus anos de vida, mas sim daquilo que a sua presença significou para os seres humanos que o rodearam.
Se existe um bom filme sobre o impacto invisível que cada um de nós pode ter sobre o mundo de outra pessoa sem sequer termos uma consciência disso, este é esse filme.
O cão aqui não é apenas um catalisador para haver duas horas de pelicula com um bando de personagens humanos estilo cartão que mais não fazem na história do que proporcionar motivos para o cão brilhar e fazer chorar as plateias. Esqueçam.

Em [“10 Promises to my dog“] o cão nunca é filmado dessa maneira,mesmo quando por momentos tudo parece que vai descambar no cliché do costume; felizmente logo muito bem contornado pela ligeireza com que o realizador aborda todos aqueles pequenos segmentos que fora do cinema oriental seriam o ponto central da cena e o fulcro de muita chantagem emocional em modo histérico junto do espectador.
[“10 Promises to my dog“] é um filme sobre um cão mas não esquece os personagens humanos e consegue ser tão bem sucedido nesse aspecto que lá para o fim da história, enquanto espectadores já o olhamos mais como outro personagem humano do que própriamente como sendo o animal de estimação da familia.

Isto torna o pequeno “twist” presente no fim da  história em algo que noutro lado poderia parecer forçado, mas que tendo em conta a caracterização do personagem canino ao longo do filme, enquanto espectadores, nem sequer questionamos a legitimidade da pequena surpresa relativa ao ponto de vista do cão e que se nos depara no final com o pai e a filha á entrada da casa. Mais um ponto positivo neste filme que poderia ter sido absolutamente básico e plástico e no entanto surpreende pela positiva pela forma como os pormenores são abordados.

Estava a ver a cena da morte do bicho (sim, o bicho morre) e fiquei absolutamente fascinado pelo facto de a estar a sentir não pelo ponto de vista de ser mais uma cena com a morte de um bichinho, mas porque a senti como se fosse um personagem humano que morre de velhice rodeado na sua cama por todos os que o amam e quanto a mim é neste ponto que acho que [“10 Promises to my dog“] leva logo uma nota alta que o distingue dos restantes filmes com cães fofinhos que já vi ao longo dos anos.
A grande lição a tirar desta história é que nos faz pensar num animal de estimação como um amigo e faz-nos sentir essa sensação sem precisar de um argumento que nos explique em estilo paternalista como nos devemos estar a sentir ao contrário do que é costume assistirmos.
Na verdade se formos a ver muito pouca coisa é explicada neste filme. Apenas sentimos e não questionamos. O que quanto a mim é um bom exemplo do trabalho do realizador que soube como ninguém como gerir esta história.

Como já disse [“10 Promises to my dog“] só aparentemente é uma história sobre um cão. Na sua simplicidade este argumento consegue ainda abordar temas como a solidão, a responsabilidade, o sucesso e a morte e nesse aspecto podem ter a certeza que os fará pensar sobre muita coisa, muito mais do que esperam.
A forma ligeira como aborda o tema da morte não lhe retira a sua força mas é bastante interessante. Nada neste argumento é desperdiçado e nunca sentimos que existem cenas a mais (com uma excepção).
Um bom exemplo disto é a cena da morte da mãe da protagonista onde a coisa se passa e o espectador só minutos mais tarde se dá conta. E isto tem uma razão dentro da própria estrutura do argumento que joga muito bem todos aqueles pormenores que nem notamos.

Basicamente, adorei este filme e não estava nada á espera disto. Há muito tempo que não via um filme tão bonito e tão bem trabalhado num género assim. Poderia fácilmente não ter sido mais do que um bom produto para crianças e se calhar nem precisava de ser mais do que isso para ser um filme simpático, mas no entanto insinua-se por entre o espectador com pormenores muito mais interessantes que o elevam a um patamar acima do que é comum encontrarmos neste tipo de filmes que normalmente as crianças gostam mas que provocam bocejos nos adultos.
Se tem uma falha está apenas no facto de haver uma total falta de química entre o par protagonista da vertente romântica da história. O que não é nada normal no cinema oriental nem seria de prever neste filme, pois practicamente todo o elenco é simplesmente perfeito, com destaque para o elenco infantil. No entanto as versões adultas das crianças da história sofrem de alguma falta de química entre si e a sua história de amor nunca resulta tão convicente quanto tudo o resto.

Outra falha (quanto a mim grave), está nos cinco minutos finais passados numa igreja. São absolutamente desnecessários, cortam todo o estado emocional da sequência da morte do bicho e entram por uma atmosfera foleira que por momentos ameaça fazer com que [“10 Promises to my dog“] termine em absoluta piroseira. É pena.
Por mim cortava os últimos cinco minutos de filme, mas também não é por isso que deixo de gostar menos dele.

Já o vi há mais de 24 horas, não me sai da cabeça e ando a recomendá-lo a toda a gente feito estúpido sem conseguir explicar ao pessoal que [“10 Promises to my dog“] não é mais um “Benji” ou “Marley & Eu” mas sim algo com uma alma completamente diferente e que transmite uma sensação genuína muito credível. Pelo menos na minha opinião.
Por um lado, se calhar não é um filme que eu possa recomendar ao público em geral.

Poderá ser apenas um daqueles que só poderá ser devidamente valorizado por quem já teve um cão (ou gato) e para todos os restantes parecerá um filme absolutamente banal, até porque não é propriamente uma obra maior do cinema (nem tenta ser), não terá nada de absolutamente extraordinário nem ficará para a história sequer do género (com muita pena minha); um pouco por culpa do próprio realizador, pois ao escolher um estilo tão “invisível” e verdadeiramente low-key para narrar esta história acabou por criar se calhar um produto que parecerá bem mais banal do que na verdade é.

Sendo assim, sinto que para ser justo tal com já fiz antes neste blog, também este filme terá agora dois tipos de classificações. Vamos a isto:

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CLASSIFICAÇÃO PESSOAL:

Se já tiveram um cão não podem perder este filme.
Se estão a pensar ter um cão (e nunca tiveram um), então é de visionamento obrigatório pois funciona quase como uma espécie de exposição a tudo o que poderão ter de enfrentar e principalmente aborda pequenos pormenores que se calhar vocês nem nunca imaginaram que poderiam ser importantes perante a responsabilidade de se ter um bicho.
[“10 Promises to my dog“] é uma verdadeira pérola perdida no meio do género filme-fofinho pois acaba por ser muito mais sério e acima de tudo interessante do que poderá parecer á primeira vista.
Não esperem que este seja apenas mais um filme com cãezinhos ao estilo matinée Disney pois é bem mais do que parece na capa.
Foi uma das melhores surpresas que tive nos últimos tempos e um filme que irei rever muitas vezes certamente.
Pode não ser um grande objecto de cinema, mas também não precisa de ser mais para ser um filme muito bonito, cheio de atmosfera e significado quanto baste.
Quem gostou da atmosfera e do estilo de filme que encontrou em “Be With You” e nunca mais conseguiu ver um filme assim, tem neste [“10 Promises to my dog“] um pequeno produto comercial obrigatório, onde nem falta um pequeno mas discreto e simbólico “twist” quase no final.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award.
Se eu alguma vez eu voltar a ter um cão e calhar ser um Golden Retriever, podem ter a certeza que se irá chamar “Socks“. 🙂

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A favor: comete a proeza de não ser apenas uma colecção de cenas fofinhas com cachorros em vez de ser um filme, a história não está centrada á volta do cão da forma que vocês julgam que vai estar, mais uma vez a humanidade da caracterização dos personagens, toda a naturalidade nunca se perde mesmo quando parece ir enveredar pelo habitual lugar-comum dentro deste género de filme, o ambiente visual conta com algumas imagens lindíssimas que aproveitam bem a fotografia em tons de sépia, a realização nem se nota mas é completamente eficaz a levar-nos pela história até ao seu final inevitável mas muito bem gerido a nível emocional, consegue humanizar o personagem do cão e no final já nem o olhamos como sendo um animal de estimação, o elenco infantil tem uma química fantástica, é outro filme oriental que vai buscar a sua banda sonora novamente á minha música clássica favorita “Canon de Pachelbel” tal como antes “The Classic” e “My Sassy Girl” já o tinham feito também com excelentes resultados, excelente aproveitamento de uma música dos anos 80 que sempre detestei “Time After Time” da Cindy Lauper, tem mais um par de cachorros hilariantes com destaque para o cão com cabelo em estilo de cubo (logo percebem), é um filme que vos irá fazer pensar muito mais em certos assuntos do que alguma vez imaginaram quando começarem a vê-lo, a maneira ligeira  como lida com o tema da morte, solidão e responsabilidade sem nunca perder a poesia, é um filme com alma, contorna habilmente todas as armadilhas que poderiam ter estragado tudo, é o melhor filme com animais e principalmente sobre animais que vi até hoje, não se parece com um produto americano e tem uma identidade perfeitamente oriental, se se identificarem com o coração emocional do filme arriscam-se a gastar pacotes de lenços de papel sucessivamente mas se calhar não pelos motivos que julgam ir encontrar pelo tipo de filme que é…
Se gostaram de “Be With You” não podem perder [“10 Promises to my dog“] pois o tom emocional é semelhante.
Contra: não deslumbra enquanto objecto cinematográfico pois todo o filme apaga-se nos personagens e na história que conta mas se calhar isto é também uma mais-valia, as caudas de CGI que colocaram no cão para lhe tentar dar mais expressividade em alguns momentos (gimmick infantil e desnecessário que quase arruina algumas das melhores partes do filme), a química romântica entre o par protagonista anda próximo do zero e pelo menos a mim nunca me convenceram do potencial dramático que a história de amor deveria ter tido, tem cinco minutos a mais de filme no final pois as cenas na igreja não servem absolutamente para nada além de amenizarem o impacto emocional com que a história conseguiu terminar no que toca á vida do cachorro, apesar de tudo é um filme com elevado grau de cenas fofinhas e isso poderá enervar quem detesta este tipo de cinema oriental.

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Para o público em geral, para os cinéfilos mais sérios ou para quem não gosta particularmente de animais:
CLASSIFICAÇÃO :
Trés tigelas de noodles, porque consegue ser um bom filme que contorna habilmente os clichés do género (mesmo sem os evitar) e que não insulta a inteligencia de quem procura apenas passar um par de horas com um produto simples bem feito e onde não falta um toque de poesia quanto baste. É um excelente filme de familia e mantém uma boa identidade oriental sem se parecer com os habituais produtos semelhantes ao estilo Disney.
Não tem nada particularmente mau, mas deve ser evitado por quem odeia de morte filmes com ambiente cute.
Quem nunca soube o que é ter um cão poderá não se identificar particularmente com nada deste filme, por outro lado não se admirem se depois de verem [“10 Promises to my dog“] lhes apetecer arranjar um.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=1t7o31J8nOo

COMPRAR
Podem encontrar adquirir este filme por exemplo aqui nesta loja. Bom serviço e com muitos outros títulos á escolha.

Se o quiserem espreitar antes…podem ir buscá-lo aqui neste blog por exemplo (legendas inglés).

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1179271/

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

Be With You

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Palwolui Christmas (Christmas in August) Jin-ho Hur (1998) Coreia do Sul


Já tentei mas não compreendo todo o hype á volta deste filme.
[“Christmas in August“] é suposto ser uma obra prima qualquer dentro do género dramático sul-coreano mas por mais que eu tente, não compreendo mesmo porquê.

Parece inclusivamente que este filme é usado nas escolas de cinema como exemplo de como se escreve um argumento, serve de modelo a aulas sobre narrativa cinematográfica e inspirou até o autor de “My Sassy Girl” a escrever o seu clássico.
Uhm ?!!! …
Será que eu andei estes anos todos a ver e a rever uma cópia incompleta qualquer e ainda não notei ?! É que eu comprei o dvd !!

[“Christmas in August“] foi mais um daqueles dvds que eu comprei sem pestanejar sequer, pois as reviews espalhadas pela net eram tão extraordinárias e a suposta importância deste filme para o cinema oriental  é tão elevada que eu pensei que não me poderia enganar com esta história de amor.
Da primeira vez que o vi, nem o consegui ver todo pois fartei-me a meio.
Depois disso nestes anos todos tentei revê-lo pelo menos duas vezes por ano, (a ver se me tinha escapado alguma coisa) mas de cada vez que o revia ainda consolidava mais a minha opinião.

É que [“Christmas in August“] é realmente muito interessante, mas… não mais do que isso. Não compreendo de todo o porquê de tanta reverência á volta deste filme.
A história é banalíssima, mas não é por isso que o filme perde alguma coisa pois é verdade que está cheio de pequenos pormenores que lhe dão bastante humanidade.
No entanto, na minha opinião tem humanidade mas não tem chama. Falta-lhe de todo aquele toque especial que normalmente me agarra no cinema asiático e aqui isso não acontece.

Os personagens não me emocionaram de todo e isso para mim, depois de ter lido em todo o lado que [“Christmas in August“] era uma verdadeira obra prima do cinema-choradeira , foi uma verdadeira decepção. É que nem sequer me causou a mais pequena lágrima e tal deixou-me estupefacto.
Tem bastantes aspectos tocantes e supostamente a sua narrativa é uma obra prima da manipulação emocional mas no entanto nada nesta história foi suficiente para me causar o mesmo efeito que por exemplo “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” me causaram.

É que até “My Girl & I” tem mais emotividade que [“Christmas in August“] e no entanto um é desprezado pela crítica enquanto o outro é quase tratado como um objecto religioso dentro do cinema romântico oriental ?!
E “My Girl & I” é quase um plágio de [“Christmas in August“] pois a sua estrutura base é practicamente a mesma, mas tomara [“Christmas in August“] conseguir a mesma atmosfera.
Vocês sabem, vocês já viram este filme antes, muitas vezes até se gostarem de cinema romântico Sul Coreano.
Casal de apaixonados, muito amor platónico e depois um deles tem uma doença grave e morre no fim. Acabou o filme.

Se vocês gostam de cinema romântico Sul Coreano, sabem bem que não é por causa deste tipo de argumento que o género perde a sua força e sendo assim eu não estava nada á espera que uma suposta obra prima tão conceituada como [“Christmas in August“] não tivesse practicamente força nenhuma.
Não me interpretem mal, é um filme bonito de estutura básica mas totalmente funcional, cheio de pormenores que até prometem fazer-nos pensar sobre muita coisa, mas no entanto há algo que falha e lhe retira logo a intensidade de muitos outros filmes semelhantes criados posteriormente dentro do cinema oriental ou cinema sul coreano em particular.

Uma das razões de [“Christmas in August“] ser tão conceituado é porque segundo consta, este foi o filme que revolucionou o cinema romântico Sul Coreano moderno e definiu por completo o género modernizando-o em 1998.
Até então, parece que nada daquilo que nós hoje conhecemos nestas histórias de amor no cinema oriental existia nos moldes que agora nos fascinam e sendo assim segundo rezam as crónicas, o cinema romãntico Sul Coreano renasceu com esta obra que practicamente definiu o estilo – boy meets girl, boy looses girl, boy gets girl again, girl/boy dies, boy/girl ends up alone.

Por este prisma, eu sou o primeiro a reconhecer o seu valor.
Hoje claro, já vimos este tipo de estrutura mil vezes mas se calhar na altura foi mesmo capaz de ter causado um grande impacto nas plateias ao melhor estilo choradeira-lovestory anos 70.
Agora o que me surpreende é toda a gente continuar ainda hoje maravilhado com o filme quando já existem pelo menos uma dezena de melhores, mais drámaticos e mais eficazes exemplos dentro do género.
Se vocês já viram tudo o que tenho aconselhado aqui neste blog dentro do género romântico muito certamente também irão ter a mesma opinião que eu quando agora forem ver [“Christmas in August“].
Digam-me qualquer coisa pois gostaria muito de saber o que vocês acham sobre a enorme fama deste filme.

De resto não há muito mais para se dizer sobre ele.
É um bom produto, boas interpretações, miuda fofinha, história triste mas bonita e tudo o mais que normalmente há de bom neste tipo de cinema made-in-coreia do sul.
Não posso deixar de recomendá-lo também se já viram tudo o resto de que tenho falado, pois na verdade [“Christmas in August“] não tem propriamente nada de mau que se possa apontar nele.
Apenas tem uma carga de emotividade algo inóqua e não percebi até hoje o porquê disto ser assim.

——————————————————————————————————————CLASSIFICAÇÃO:

Se já viram tudo o resto dentro do género romântico que recomendei até hoje, devem então juntar este filme á vossa lista de coisas a ver.
Até por uma questão histórica pois supostamente este foi o filme que reinventou o género e o modernizou no que toca ás histórias de amor made-in-coreia-do-sul que hoje vocês conhecem.
De resto, na minha opinião quando comparado com o que já foi feito nestes últimos anos, [“Christmas in August“] não passa apenas de mais um pequeno e muito interessante filme mas nem de longe nem de perto será a obra-prima maior do género romântico oriental como practicamente todas as reviews o designam.
Não o colocaria no topo da minha lista de filmes a ver se tivesse chegado apenas agora ao género romântico sul-coreano.
Duas tigelas e meia de noodles pois é muito interessante mesmo mas não mais do que isso e dúvido se lhes ficará sequer na memória.

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A favor: história simples e bem contada, alguma poesia e atmosfera, excelente naturalidade nos personagens, é um filme fofinho.
Contra: na verdade não há nada de negativo neste filme, apenas falta-lhe algo para criar realmente o mesmo nível de emoção que obras posteriores como “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” conseguiram atingir. Por qualquer motivo não me emocionou minimamente, não deu a mínima vontade de chorar e isso é o pior que poderia ter acontecido num drama romântico Sul Coreano. Até o bem mediano “My Girl & I” tem mais emotividade e poesia que [“Christmas in August“] e não estava nada á espera disso tendo em conta a reputação de obra-prima deste filme.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Parece que não há trailer disto em lado nenhum por isso fica aqui um videoclip.
http://www.youtube.com/watch?v=GQzq_Un-1Xc&feature=related


COMPRAR

A edição que eu tenho (capa acima) parece já não existir mas podem comprar esta aqui.
Christmas In August [DVD]

Imdb
http://www.imdb.com/title/tt0140825/

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Outros títulos românticos (bem mais) recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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The Classic ( The Classic ) Kwak Jae-yong ( 2003 ) Coreia do Sul


Na minha opinião, se “My Sassy Girl” é a melhor comédia romântica adolescente que alguma vez existiu, então [“The Classic“] é definitivamente o seu equivalente dentro do drama romântico adolescente também.
E antes que perguntem…pois, este também vai ter em breve um remake americano…
Por isso façam-me o favor de ver este filme o quanto antes.

Na sua simplicidade, [“The Classic“] é um dos mais poéticos e bonitos filmes orientais do género que poderão encontrar e por isso desde já recomendo a sua compra imediata a quem gosta de cinema romântico oriental pois tem aqui um filme que quererá incluir na sua videoteca, junto a “Il Mare“, “Be With You” e obviamente “My Sassy Girl” se nos ficarmos apenas pelo cinema mais comercial, claro.

Isto apesar de [“The Classic“] ser uma obra relativamente formulática e não conter aquela originalidade refrescante que “My Sassy Girl” apresentou quando apareceu há alguns anos atrás.
No entanto a maneira como [“The Classic“] está executado é comparável a uma lindíssima sinfonia de manipulação de emoções coordenada por um maestro que sabe perfeitamente que cordelinhos puxar para criar uma experiência cinematográfica inesquecível para toda a gente que se identifique com os personagens desta poética história de amor oriental Sul Coreana.
Tal como já tinha acontecido em “My Sassy Girl“, pois o tom poético é semelhante nos dois filmes.

É que o realizador é exactamente o mesmo e como tal, ambas as obras têm vários pontos de contacto e podem ser vistas quase como duas faces de uma mesma moeda.
Inclusivamente musicalmente. Têm por base a mesma banda sonora e ambos contêm uma versão única e extraordinária do clássico Canon de Pachelbel que cria uma atmosfera romântica absolutamente mágica nos filmes que apesar de serem diferentes em estrutura, estão no entanto ligados pelo mesmo tom emocional e portanto quem gostou de  “My Sassy Girl“,  irá também certamente apaixonar-se por [“The Classic“].

O filme passa-se em duas épocas distintas e conta duas histórias de amor paralelas.
Uma tem lugar nos anos 60 e a outra algures na actualidade.
Uma rapariga encontra numa caixa, todas as cartas de amor que a mãe guardou desde a adolescência contendo toda a história do romance dos seus pais.
Décadas atrás, um rapaz no liceu, com jeito para prosa, acede fazer um favor a um colega que nem conhece bem e aceita escrever por ele algumas cartas para a noiva.
Isto porque o noivo em questão não é suficientemente inteligente para conseguir fazê-lo por si próprio e como tal precisa de ajuda para comunicar por carta com a jovem noiva que os seus austeros pais lhe arranjaram á força de modo a unirem duas famílias por interesses políticos e económicos.

Obviamente que o rapaz que escreve as cartas em nome do noivo, ao ver a fotografia da rapariga, imediatamente se apaixona por ela e as coisas complicam-se quando os dois acabam por se conhecer pessoalmente e também ela se apaixona pelo autor das cartas embora não saiba que foi ele que as redigiu.
Como seria de esperar, o amor de ambos é depois posto á prova num conflito de interesses e entrelaçado numa sucessão de acontecimentos que acompanham toda a história até dar naturalmente origem á rapariga que nos dias de hoje lê as cartas que a mãe guardou.

E tal como a mãe amou um rapaz que parecia nunca conseguir vir a ter, também actualmente a sua filha, está apaixonada por um rapaz do seu liceu que julga inalcançável por ele ser não só um dos mais populares da escola como também ainda por cima a sua melhor amiga está interessada nele e não perde uma oportunidade para impedir que a rapariga se aproxime do jovem.

E para quem nesta altura já estiver a pensar que [“The Classic“]. não passará de mais uma banal, sopeira e telenovelística história cheia de lugares comuns, se calhar é melhor ver o filme antes de o criticar negativamente, pois só assim irá perceber como esta história não é aquilo que parece pois neste caso, os clichés são uma mais valia que só contribuem para o desenrolar emotivo da história. Nada está neste argumento por acaso e por isso preparem-se para um par de surpresas muito bem colocadas precisamente baseadas em pormenores que ninguém notou espalhados discretamente ao longo da história mas que de repente nos caiem em cima ao melhor estilo do cinema romântico coreano.

Além disso, [“The Classic“], tem o grande mérito, de ser um filme com adolescentes (e até para o público adolescente), que não é de forma nenhuma o produto banal a que muita gente está habituada devido aos péssimos exemplos que conhecem habitualmente do cinema pseudo-romântico adolescente americano.
[“The Classic“], tem alma, tem poesia, tem drama mas acima de tudo tem pessoas reais com que todos nos podemos identificar e neste aspecto não só os personagens são excelentes apesar da sua simplicidade, como o trabalho dos actores é absolutamente mágnifico. Com destaque para a actriz principal que neste filme se desdobra precisamente em dois papeis completamente diferentes, pois a mesma pessoa faz de mãe enquanto jovem nos anos 60 e de filha que actualmente lê as cartas encontradas no sotão.

Só pelo trabalho da jovem actriz, vale a pena verem o filme, pois ao longo da duração da história nem nos lembramos que está uma única pessoa a fazer os dois papeis tal é a diferença de composição de personalidade em cada uma das encarnações. E nem sequer são identidades demasiado vincadas ou exageradas. Pura e simplesmente são duas pessoas diferentes e quando nos lembramos disto [“The Classic“] torna-se ainda um melhor filme do que parece a um primeiro e descuidado olhar.

Mas lá por [“The Classic“]  ser um filme de amor adolescente, com adolescentes e para adolescentes, não pensem os mais velhinhos que vão ficar imunes a ele, ou sequer minimamente aborrecidos. Garanto-vos que isto não é o habitual filme banal ao estilo americano por isso é melhor sentarem-se confortávelmente no sofá  para se surpreenderem e principalmente emocionar-se,  pois esta história de amor é universal e tocará muita gente de todas as idades das mais diferentes formas. Até porque este é um daqueles filmes que já converteu mais do que um ao cinema oriental e certamente irá convencer muitos mais.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma das melhores histórias românticas orientais que poderão alguma vez ver em filme e a prova de que filmes com adolescentes, sobre adolescentes não têm que ser produtos vazios.
Uma obra prima da simplicidade narrativa com visuais lindíssimos e uma fotografia perfeita.
Um filme indispensável em qualquer colecção de cinema oriental, especialmente para quem gosta de cinema romântico coreano ou apenas de boas histórias de amor com muita alma.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade porque este é outro daqueles filmes que rebenta a escala, apesar de conter algumas falhas menores.

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A favor: o argumento e a maneira como faz passar despercebidos os pormenores que importam até ser altura de os revelar, a humanidade dos personagens apesar de simples, a realização é excelente, os actores, o trabalho fabuloso da actriz principal que se desdobra em dois papeis completamente diferentes, a fotografia lindíssima com imagens que são autênticas pinturas em movimento, a banda sonora simplesmente não poderia ser melhor, ninguém filma cenas á chuva e em estações de comboios melhor que os coreanos, um dos twists do argumento é genial na forma como nos é revelado, o final do filme é muito bonito mesmo.
Contra: não é tão original quanto o filme anterior do mesmo realizador, a narrativa pode parecer demasiado simples, algum humor escatológico desnecessário na minha opinião pois detesto piadas do estilo, a história de amor contemporanea quando comparada com a outra passada nos anos 60 não tem de forma alguma a mesma poesia ou impacto e por causa disto o filme nunca chega a ser tão perfeito quando merecia. Mas não deixem que este pormenor os afaste desta mágnifica história.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=EOZWxGbQlzY
http://www.youtube.com/watch?v=dZsxRZk1qiU&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Dl6ncGPnVZI&feature=related

COMPRAR
Recomendo vivamente esta edição. Apesar dos extras não estarem legendados, os making of são excelentes e os dois discos valem mesmo a pena.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-77-4-49-en-15-the+classic-70-2×4.html
Excelente qualidade de imagem anamórfica sem falhas e com cores absolutamente vibrantes, além de ter um óptimo som 5.1 normal e um absolutamente fantástico som DTS.
Filme legendado em inglés.

Também podem encontrar esta edição com capa em inglés na Amazon americana. Se gostam de filmes românticos orientais, este é de juntar imediatamente á colecção mesmo antes de o verem pois irão querer comprá-lo na mesma se o virem antes. Vão por mim.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0348568/

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

My Sassy Girl Be With You Il Mare Love Phobia Fly me to Polaris

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Ima, Ai Ni Yukimasu (Be With You) Nobuhiro Doi (2004) Japão


Para quem não conhece [“Be With You“] só lhes digo que este cartaz do filme em total modo fofinho japonês esconde um título com um dos melhores twists que já houve dentro de uma história de amor num filme que à primeira vista não passaria apenas de um drama romântico ao melhor estilo oriental.
Este não é um filme fácil de comentar principalmente porque se indico demais sobre a história e lá se vai o impacto todo. Mas não se preocupem pois não lhes vou estragar as surpresas.

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Apesar de [“Be With You“] já ter sido produzido em 2004, houve um tempo em que não havia qualquer informação de relevo sobre este filme na internet a não ser em Japonês.
Quase cheguei a pensar que ninguém a não ser eu o tinha visto aqui no ocidente.
Curiosamente, a partir do momento em que apareceu no Imdb a notícia de que Hollywood havia comprado os direitos para fazer um (inevitável) remake americano, a ser na altura protagonizado por Jennifer Garner, começaram por volta de 2008 a surgir em inglês na internet as primeiras referências ao filme original.

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Remake que entretanto parece que não se concretizou, mas no entanto como isto em Hollywood nunca é de fiar e antes que apareça por aí uma versão gringa de surpresa e aconteça o mesmo que aconteceu com o fabuloso “Il Mare”; (que na sua charoposa e descaracterizada versão americana ganhou o nome “The Lake House“) aconselho vivamente a quem gosta de uma boa história romântica de contornos, ehm..  “sobrenaturais” que procure este filme o quanto antes pois tem suficientes atractivos para prender o espectador ao ecran e pregar uma excelente surpresa pelo final.

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Eu poderia agora até compará-lo com um recente título de ficção-científica que andou nos cinemas há pouco tempo mas não o irei fazer pois muitos de vocês adivinhariam logo qual o conceito desta história.
Posso garantir-vos é que se gostam de cinema romântico com alma e estão fartos dos enlatados americanos com pseudolovestories formuláticas, então não irão esquecer este filme tão cedo pois o final ainda lhes irá proporcionar alguns bons motivos para uma discussão filosófica entre amigos sobre as questões que este coloca.

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[“Be With You“], é um pequeno grande exemplo de como se pode fazer cinema comercial romântico de forma inteligente, mesmo usando os habituais clichés. Só que desta vez para criar uma história realmente com substância.
Apesar de se calhar, á primeira vista prometer vir a ser algo que muita gente classificará como piroso ou demasiado sentimental, não se deixem enganar pelo tom do trailer nem desmoralizar pelo ritmo calmo do início da história e posso garantir-vos que o final do filme irá no mínimo provocar não só legítima emoção (pela súbita identificação do espectador quando nos apercebemos da questão central da história), como principalmente poderá fomentar muita discussão sobre o dilema que de repente nos é apresentado no segmento final onde tudo é revelado.

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Mas [“Be With You“] é sobre o quê ?
Bem.. O filme baseado num popular romance Japonês, conta a história de uma familia em que a mãe morre, deixando o pai sózinho a tomar conta de um filho com 5 anos.
Ao morrer a rapariga promete regressar para junto da família num dia de chuva e eis que meses mais tarde precisamente na estação das chuvas Japonesa, ao passearem no mesmo  bosque onde costumavam ir os três, o pai e a criança encontram uma mulher exactamente igual á falecida esposa e mãe.

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Fascinados pelas semelhanças entre a rapariga que encontram e a falecida, decidem aproveitar o facto desta pessoa se econtrar totalmente amnésica e recolhem-na em sua casa ao mesmo tempo que a convencem de que ela sempre fez realmente parte da familia e que apenas esteve muito doente internada durante meses num hospital.
A partir daqui o mistério adensa-se. Quem é a jovem amnésica e porque tem tantas semelhanças com a rapariga que faleceu ?
Quem conhece bem o cinema romântico oriental já sabe com o que pode contar e com uma resposta no mínimo original que infelizmente agora não posso comentar pois estaria a dar cabo do filme a toda a gente.

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Se gostam de bons filmes românticos com um conteúdo inteligente sem ser pretencioso, se gostam de finais com uma pitada de mistério e de filmes em que os personagens parecem mesmo seres humanos e não apenas estereótipos, sugiro que procurem este filme o quanto antes não vá aparecer por aí o remake americano um destes dias e estragar toda a magia da surpresa original. E se não gostam de Gira-sois depois deste filme passam a gostar.

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[“Be With You“] como já referi é a adaptação de um romance original japonês que aparentemente teve um enorme sucesso por aquelas bandas do oriente e posso dizer-vos que se nota.
Nota-se que foi adaptado de um livro.
Está carregado daqueles pequenos pormenores que nem sempre se encontram em histórias especificamente criadas para  filme e isto torna-se ainda mais evidente depois que lemos o livro.
Não só o filme está mesmo muito bem adaptado como ao mesmo tempo ainda deixa muita coisa para descobrirmos no livro sem que isso tenha sido prejudicial para o argumento adaptado ou vice-versa.

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[“Be With You“] é um filme melancólico mas nunca triste.
Poderá ser algo lento para quem estiver habituado a uma montagem mais americanizada mas esta lentidão só lhe dá ainda maior poesia.
Está carregado de imagens bonitas compostas apenas através do que se encontra no quotidiano e toda a atmosfera da história além de ser bastante misteriosa quase que se torna verdadeiramente mágica por causa disso.

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Quem gostou do Sul Coreano Il Mare por exemplo, pode contar aqui com um ambiente relativamente semelhante e por isso recomendo vivamente este filme.
Aliás temos aqui mais um em que a banda sonora é também peça verdadeiramente fundamental para a emotividade da história e desta vez nem o facto de conter um par de canções mais pop-japonesas prejudica o que quer que seja.

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Até porque com um final destes era impossível alguma coisa dar cabo desta fantasia romântica.
Quem procura uma história de amor de contornos “sobrenaturais” não pode de forma nenhuma perder este pequeno grande filme e espero sinceramente que o consigam ver antes que apareça por aí o remake americano e lhes estrague por completo toda a magia da surpresa presente nesta história.

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Este é um daqueles casos que não recomendo que leiam o livro primeiro.
Na verdade o filme vai estragar-lhes a surpresa da história no final do livro, mas por outro lado a visão da adaptação cinematográfica não teria o mesmo impacto se já soubessem a solução do mistério e sendo assim acho que recomendo mesmo que vejam o filme primeiro.
Até porque depois o livro não fica a perder e ganha ainda mais magia pois é um daqueles que se lê pelo puro prazer de o compararmos com a adaptação para filme.

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CLASSIFICAÇÃO

Absolutamente fabuloso e totalmente obrigatório para quem gosta de bom cinema romântico com muita alma e imaginação. E já que vão comprar este juntem também  ”The Classic“, “Be With You“, “My Sassy Girl”, “Fly me to Polaris” e “Il Mare“ pois ficarão com uma pequena colecção do melhor cinema comercial romântico que poderão encontrar actualmente.
Cinco tijelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade, sem qualquer hesitação.

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A favor: história, humanismo dos personagens, interpretações, banda sonora, ambiente, fotografia, montagem, final.

Contra: absolutamente nada, embora para algumas pessoas possa parecer um filme um bocadinho lento. O que não quer dizer que seja aborrecido, muito pelo contrário.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
O que este trailer tem de genial é que consegue mostrar muita coisa do filme sem no entanto dar a entender a minima pista sobre o que este irá ser.
Americanos aprendam com isto ! É assim que se faz um trailer sem mostrar nada do filme.

Talvez o único ponto negativo nesta apresentação é que muita gente irá evitar o filme por parecer extremamente fofinho e é pena. Nem sabem o que perdem.

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COMPRAR O FILME
Eu ia sugerir a compra desta edição fantástica em dvd, barata e com pilhas de gadgets fofinhos para todos os gostos (á maneira japonesa)  mas infelizmente esta caixa especial que eu tenho, parece estar agora descontinuada.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-77-1-49-en-15-be+with+you-70-yrn.html

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Em bluray ainda não existe mas no entanto podem encontrar o DVD normal aqui:

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http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-49-en-15-be+with+you-70-tyi.html .
Não existe diferença entre esta edição e o dvd que vem na caixa especial da edição esgotada. O filme é o mesmo.
Atenção que está em região 3.
Excelente imagem, legendas em inglés e um DTS fantástico a condizer.
Se encomendarem algo nesta loja, sugiro o método de expedição mais barato (“buble”),  pois chega perfeitamente. Costumo comprar muitos dos meus filmes orientais na Play-Asia e até hoje nunca tive qualquer problema de alfândega.

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IMDB (cuidado com os *SPOILERS* que lhes poderão estragar a surpresa do filme)
Não recomendo de todo que leiam o que quer que seja sobre [“Be With You“] antes de o verem. Mesmo ! Estão por vossa conta.
http://www.imdb.com/title/tt0442268/

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intro

Podem encontrá-lo neste site se ainda estiver disponível quando estiverem a ler estas linhas.

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O LIVRO ORIGINAL
Este é o romance original que recomendo vivamente se gostarem do filme, pois desenvolve muita coisa que não está no ecran, tem algumas diferenças consideráveis e é o complemento perfeito para o filme.
CLIQUEM NA CAPA PARA LER A MINHA REVIEW
desta novela original que só devem ler depois de verem o filme !

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A SÉRIE DE TV
Descobri há pouco que este filme no japão também deu origem a um remake para televisão com a mesma criancinha um pouco mais crescida e novos actores a fazerem de pais.
Para quem já tiver visto o filme e quiser espreitar mais esta curiosidade fica aqui o link para algumas das cenas desta versão para televisão.
http://www.youtube.com/watch?v=dGK7qLXW2j4
Pelo que vejo , adicionaram mais umas coisas á história inicialmente apresentada no cinema e sinceramente não me parece que resulte tão bem quanto o original porque na verdade esta história já é suficientemente fabulosa na sua versão inicial e não precisava de mais coisas.
Certifiquem-se apenas quando procurarem pelo filme que estão a ver a versão original para cinema pois a série televisiva de certeza que não terá o impacto do original.
Nem consigo perceber como se conseguiu fazer uma série de TV com esta história tão simples e de que a maior parte das pessoas ficou a conhecer a surpresa final quando viu o filme, mas nunca se sabe, se calhar até resulta bem.
De qualquer maneira, vejam lá se vêem primeiro o filme fachavor.

E afastem-se da Internet antes de verem o filme.
Nem pensem em ir ao IMDb antes de terem visto esta história até ao segundo final.

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

Il Mare My Sassy Girl Love Phobia The Classic Fly me to Polaris

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Update (13-4-08): descobri há pouco que este filme no japão também deu origem a um remake para televisão. Com a mesma criancinha um pouco mais crescida e novos actores a fazerem de pais.
Para quem já tiver visto o filme e quiser espreitar mais esta curiosidade fica aqui o link para algumas das cenas desta versão para televisão.
http://www.youtube.com/watch?v=dGK7qLXW2j4
Pelo que vejo , adicionaram mais umas coisas á história inicialmente apresentada no cinema e sinceramente não me parece que resulte tão bem quanto o original porque na verdade esta história já é suficientemente fabulosa na sua versão inicial e não precisava de mais coisas.
Certifiquem-se apenas quando comprarem o filme que estão a comprar a versão original para cinema. Não vá comprarem por engano a série televisiva pois de certeza que não terá o impacto do original.
Nem consigo perceber como se conseguiu fazer uma série de TV com esta história tão simples e de que a maior parte das pessoas ficou a conhecer a surpresa final quando viu o filme, mas nunca se sabe, se calhar até resulta bem.
De qualquer maneira, vejam lá se vêem primeiro o filme fachavor. 😉