“Feng shen bang” ( “League of Gods” ) Koan Hui (2016) China


O cinema de fantasia Chinês como [“LEAGUE OF GODS”] tem dois grandes problemas para conseguir vingar no ocidente; o primeiro problema está no total desconhecimento do público ocidental do que são os contos populares chineses de pura fantasia e da sua própria importância na história deste género. Isto porque quem conhece a literatura de fantasia chinesa que chegou cá ao longo dos anos essencialmente na forma de livros de contos sabe o quanto esta é incrivelmente rica em detalhes, ambientes, acontecimentos, acção e até bastante aventura onde não faltam “quests” variadas ao melhor estilo moderno.
[“LEAGUE OF GODS”] apesar de estar longe de ser um exemplo perfeito de uma certa maneira de ver o género da Fantasia, tem no entanto alguns pontos positivos dentro do cinema imaginativo Chinês.

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[“LEAGUE OF GODS”] o filme é novamente , ( tal como “A CHINESE TALL STORY” ou “THE MONKEY KING II” já tinham sido ) mais uma representação visual de outra narrativa épica da literatura clássica Chinesa e encontrará o seu público por cá no ocidente principalmente nos espectadores que tiveram a sorte de crescer lendo algumas boas lendas naqueles objectos que costumavamos chamar de livros e que as crianças dantes tinham nas mãos antes dos tablets.
Esse público não estranhará o facto do moderno cinema de Fantasia Chinês parecer andar sempre em modo histérico no que toca ao seu visual e á sua estrutura narrativa, pois só agora com a democratização do CGI é possível tornar “reais” muitas daquelas coisas que dantes só podíamos imaginar lendo as descrições nos contos populares porque estes eram tão detalhados que até há bem pouco tempo nem Hollywood se quisesse os conseguiria reproduzir fielmente. Foi preciso mesmo o digital ter surgido pois isto com matte paintings tradicionais e cenários de madeira nunca iria lá.
Mas este é também o segundo problema…

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O segundo problema está precisamente na estrutura deste tipo de versões cinematográficas que aos olhos do público ocidental parecerão sempre exageradas e totalmente sem nexo porque assentam numa narrativa levada ao extremo por cenas de acção e efeitos digitais num modo incrivelmente histérico que se tornará verdadeiramente insuportável numa questão de segundos para quem não estiver de todo habituado ao género.
E sim, o género da Fantasia Chinesa tem regras muito próprias.
Totalmente diferentes das da Fantasia ocidental bem mais contida mas também muito mais formulática em termos de conceitos visuais e por isso bem menos imaginativa.
No entanto pode até dizer-se que o cinema de Fantasia Chinês actualmente é tão rápido que faz coisas como a série “Transformers” do Michael Bay ( verdadeiramente um dos meus ódios de estimação ) parecerem cinema de autor para intelectuais de café.
[“LEAGUE OF GODS”] é no entanto um festival ( de “fake” )  CGI apresentado á velocidade da luz que poderá assustar muita gente que tentar ver este filme sem preparação contextual prévia.

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Curiosamente recentemente também o americano “GODS OF EGYPT”, um ( excelente ) filme de fantasia ocidental (neste género ) mas totalmente Hollywoodesco foi trucidado na crítica e na maior parte da opinião pública ( que como carneiros se limitaram a seguir a moda de ódio do momento na internet )  precisamente por apresentar um estilo bem longe daquele encontrado na Fantasia ocidental e muito, muito semelhante ao estilo Chinês; coisa que poucos compreenderam e muitos menos ainda conseguiram apreciar.
“GODS OF EGYPT” com aquele argumento só podia ter sido mesmo adaptado como se fosse um verdadeiro livro ilustrado oriental, mas muito pouca gente percebeu isso.
Na realidade “GODS OF EGYPT” na sua essência foi precisamente uma tentativa uma tentativa de descolar o género – Fantasia – produzido no ocidente da já muito cansada e estereotipada fórmula americana Dungeons & Dragons. Uma fórmula que há décadas não passa de uma cópia muito simplificada das estruturas narrativas originais que Tolkien popularizou nos seus livros; grupo de heróis, anão, feiticeiro, hobbits ou semelhantes, elfos e afins, rapariga mercenária, etc, etc, etc…
“GODS OF EGYPT” em vez disso optou por uma estrutura bem típica do conto de fadas oriental , longe de todos os clichés ocidentais e bem próximo da representação visual das Mil-e-Uma-Noites  numa representação moderna. Uma estrutura onde a acção é por demais acelerada a todo o instante porque só podia ser assim para resultar enquanto livro ilustrado cinematográfico no estilo oriental.
Não resultou, pois nem os críticos perceberam a origem da inspiração do realizador Alex Proyas, nem o público tinha qualquer referência que lhe permitisse perceber que um caos visual não tem necessariamente que ser um caos mal controlado, tal como se demonstra de certa forma até mesmo agora em [“LEAGUE OF GODS”] e já tinha ficado bem claro em “THE MONKEY KING II” ou “THE PROMISE”; ambos exemplos fabulosos de como o conto de fadas oriental pode também traduzir-se em excelentes propostas dentro da aventura de Fantasia.

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E ninguém controla melhor o caos cinematográfico actualmente dentro do cinema de Fantasia do que os Chineses que já se estão a tornar verdadeiros mestres num estilo de Fantasia ultra plástica ( em total modo “fake” verdadeiramente assumido ) mas com grande inventividade visual. Um estilo que não faz mais do que reproduzir finalmente todos aqueles ambientes esplendorosos e extravagantes que habitaram as páginas dos seus contos durante séculos sem fim e só agora finalmente graças ao ( excessivo ) uso de CGI podem finalmente ver a luz do dia em toda a sua glória.

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Os mesmos contos que, curiosamente inventaram o conceito que temos hoje dos super-heróis modernos.
Os “X-Men” podem ter aparecido nos Estados Unidos , mas a sua fórmula estava presente da forma moderna que conhecemos hoje em dia já nos contos populares da China de há muitos séculos atrás, mais precisamente no seu épico de fantasia “Journey to the West” que é assim uma espécie de “Lusíadas” Chinês e que engloba não só a narrativa central como também muitos contos paralelos dos quais [“LEAGUE OF GODS”] faz inclusivamente parte como se fosse uma lua orbitando um planeta.
Não é [“LEAGUE OF GODS”] que se parece com um filme dos X-MEN, são os X-MEN que muito provavelmente sem querer foram imaginados segundo arquétipos heróicos pertencentes a lendas tradicionais que inclusivamente já contam com muitas e muitas centenas de anos. Milhares até, no caso oriental.

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Uma das características mais fascinantes na literatura de Fantasia Chinesa, especialmente evidenciada nos seus contos, é o facto de em muitos momentos se parecer verdadeiramente com uma space-opera totalmente moderna ao melhor estilo Star Wars.
Por exemplo o clássico da literatura chinesa, “Journey to the West” está carregado de aventuras no espaço, naves espaciais que combatem com raios laser, criaturas mecânicas, “Vimanas” que percorrem os céus, cidades flutuantes que desafiam a gravidade e tudo o que vocês possam imaginar de mais tecnológico hoje em dia.
Tudo escrito há muito tempo atrás numa China totalmente distante.

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Muito público ocidental quando olha para um título como [“LEAGUE OF GODS”] não consegue mesmo passar para além do ataque sensorial que este provoca com visuais que não dão descanso aos olhos e sequências de acção que não dão descanso ao cérebro; tudo acompanhado com efeitos digitais que vão do pior ao melhor do que se faz hoje em dia numa questão de décimos de segundo não dando sequer tempo ao cérebro para processar o que está a ver.
Mas será isto um ponto negativo do cinema de Fantasia Chinês actual ?…
Porque é que o mesmo público que aguenta o pior de filmes como “Transformers” ou vazios absolutos e formuláticos como “X-Men” e pimbalhadas da Marvel ( até mesmo em Comics ) depois é o primeiro a acusar filmes como [“LEAGUE OF GODS”] de serem maus filmes ?
Apenas porque aparentam fazer o mesmo… mas com o triplo da velocidade, já são insuportáveis ?…
Ou será porque não são falados em inglês ?…

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Pode parecer insuportável mas contrariamente ao que acontece no cinema americano onde se encenam intermináveis cenas de lutas com robots gigantes em cenários quotidianos e desinspirados onde não há mais nada para ver a não ser porrada, filmes como [“LEAGUE OF GODS”] compensam plenamente a sua histérica estrutura com uma criatividade visual absolutamente excepcional.
[“LEAGUE OF GODS”] não é de todo tão bom quanto “THE MONKEY KING II” ou “THE PROMISE” foram e pede realmente que o espectador perceba as regras deste tipo de cinema ou chegue até ele sem ideias pré-concebidas para poder ser devidamente apreciado; mas pelo meio do seu “vazio” narrativo estão um conjunto de excelentes ideias que irão agradar a quem procura uma aventura de Fantasia com ambientes absolutamente inéditos. O que hoje em dia não é tão comum quanto isso.
[“LEAGUE OF GODS”] acima de tudo consegue uma coisa que o torna vencedor logo á partida.Consegue transportar-nos verdadeiramente para um outro mundo.

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Um mundo de Fantasia tão diferente do que estamos habituados e que irá fazer as delícias de quem procura uma aventura que se passe em geografias imaginárias onde cada cenário é uma surpresa e onde cada surpresa está carregada de tantos detalhes que só a uma segunda visão conseguirão saborear tudo o que a produção imaginou e colocou no écran.
Visualmente [“LEAGUE OF GODS”] é absolutamente um espanto e só por isso vale a pena espreitarem. Tem também um certo sabor a “THE NEVERENDING STORY” pois algumas paisagens poderiam pertencer ao mundo de “Fantasia” onde Bastian mergulhou, sem destoar de todo, o que só lhe fica bem. Será verdadeiramente um dos melhores “livros ilustrados” que já vi no cinema oriental.

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Está carregado de paisagens fabulosas, é muito variado nos cenários e inclusivamente tem uma das melhores fortalezas que alguma vez vi onde no segundo acto acontece uma das batalhas mais originais entre uma armada de naves espaciais invasoras e os defensores do castelo pela forma como as defesas da fortaleza actuam para destruir os invasores. Será talvez até a melhor parte da história e só é pena não durar mais.
É uma ideia fantástica carregada de imaginação na forma como está executada mas não posso revelar nada aqui para não estragar o filme a quem consiga chegar até essa parte sem desistir a meio.
Isto porque [“LEAGUE OF GODS”] pode ter muitas mais valias em termos criativos, mas é um filme que cansa !
Cansa mesmo !

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Até eu que adoro este estilo oriental de filmar Fantasia fiquei exausto de olhar para isto só na primeira hora.
Aliás, há muito tempo que isto não acontecia mas quando eu julgava que já tinham passado pelo menos duas horas de filme, descobri que [“LEAGUE OF GODS”] ainda nem sequer tinha chegado a meio !!
Neste aspecto faz lembrar tanto o primeiro “THE MONKEY KING” quanto o original “A CHINESE TALL STORY” que sofrem exactamente do mesmo mal.
É que acontece tanta coisa, mas tanta coisa , mas tanta, tanta coisa só na primeira hora que dava para encher toda a trilogia do THE HOBBIT e ainda sobrava.
O que cria uma estranha sensação no espectador pois parece que já estamos a ver o filme há séculos quando ainda nem sequer passaram 60 minutos desde que tudo começou.
Filmes como [“LEAGUE OF GODS”] são definitivamente a prova de que o tempo é mesmo relativo e quase que se podem realizar experiências de física quântica com eles.

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Portanto para mim é muito difícil classificar este filme.
Por um lado divertiu-me por completo em muitos aspectos, por outro é um filme dificil de recomendar a toda a gente pois muito público irá ficar bastante chocado ou extremamente exausto só nos primeiros dez minutos quando a aventura abre com uma cena de invasão e batalha a trezentos à hora e nos baralha por completo. Tudo se passa á velocidade da luz e o espectador não tem qualquer contexto para perceber bem onde raio está a história daquilo !! É como se tivessemos entrado a meio de um filme de Star Wars sem conhecer absolutamente nada sobre aquele universo e levar com sequências intermináveis de efeitos visuais sem contexto.
Habituem-se, pois o resto de [“LEAGUE OF GODS”] é ainda muito, muito pior neste campo. Se procuram por uma narrativa que lhes dá momentos para respirar e absorverem o que estão a ver, esqueçam. Não está nisto.
Se me perguntarem qual é  a história do filme neste momento não sei responder. Não me lembro absolutamente nada do que vi. Mete uma feiticeira e um tipo que voa, uns monstros e é isso…

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[“LEAGUE OF GODS”] sofre de uma gritante falta de ritmo narrativo porque se calhar tem ritmo a mais. Terá porrada a mais e exposição a menos. Bem que eles tentam explicar coisas ao mesmo tempo que entram por desenfreadas sequências de acção mas tudo é tão caótico que nem conseguimos prestar atenção nem á acção, nem á história, nem aos detalhes. A nada.
Por exemplo “GARM WARS: THE LAST DRUID” também recorreu à ideia de usar as cenas de porrada para contar bocados da história, mas ao menos nesse filme a coisa até resultou mais ou menos.  [“LEAGUE OF GODS”] bem tenta, mas não chega lá. São coisas a mais a acontecerem, ao mesmo tempo que o filme tenta contar uma história pelo meio de intermináveis efeitos CGI.
É aqui que [“LEAGUE OF GODS”] falha redondamente.
Está bem que isto tem a ver com o estilo Chinês de filmar Fantasia mas desta vez é por demais, pois até eu achei que esticaram a corda ao máximo. Se vocês não gostaram de “GODS OF EGYPT” por o considerar vazio, plástico e rápido demais é melhor nem sequer tentarem ver [“LEAGUE OF GODS”].
Mesmo.
Em certas alturas faz lembrar o pior de “WARRIORS OF ZU MOUNTAIN“, um dos primeiros filmes de Fantasia que modernizou o género, anos atrás.

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[“LEAGUE OF GODS”] tem outro problema…
Há por ali um dos personagens mais enervantes desde Jar-Jar-Binks… o bébé.
Este boneco é absolutamente insuportável e praticamente não serve para nada a não ser para depois “quando cresce”,  representar mais um “dos X-Men” nas sequências de acção.
Ainda por cima é protagonista de uma das cenas de porradaria digital mais inúteis alguma vez filmadas.
Trata-se de uma sequência de pancadaria passada no fundo do mar em que o bébé luta , usando peidos e bufas contra um exército de homens-sereia e caranguejos gigantes.
Eu disse, luta usando peidos e bufas.
A sério.

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É este o grande problema de [“LEAGUE OF GODS”].
Não está no facto de ser mau porque é um filme a duzentos á hora dentro do estilo do cinema de Fantasia Chinês. É mau porque apesar de controlar bem o caos no que toca ás partes de acção ( algumas são mesmo um espectáculo de adrenalina ), depois não sabe o que fazer com a história e com as cenas que deveriam ter servido para nos fazer interessar pelos personagens mas que na verdade não servem para nada.
Não há um único personagem interessante nesta história a não ser a feiticeira vilã que é um espectáculo !

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O resto são bonecos com tanto carisma quanto um gráfico da PS2 num daqueles jogos que mais ninguém joga.
Ou são inúteis e não servem para nada ou são simplesmente irritantes e não servem para nada; ( os dois bébés digitais… só á estalada por exemplo )…
Excepção para a planta faladora que é engraçada e poderia ter salvo o filme mas não lhe dão suficiente destaque.

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Outra coisa curiosa nesta aventura é a constante mudança de tom. Ora estamos a ver um filme de acção e Fantasia em modo -sério- ora entra por um estilo de desenho animado que mais parece saído de um cartoon Warner Bros com o Road Runner.E quando o melhor personagem de [“LEAGUE OF GODS”] é a centopeia do deserto que aparece a meio da história tentando mastigar os herois quando estes cruzam um deserto, algo está realmente errado com este argumento.

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Essencialmente estamos na presença de uma aventura que até dentro do próprio género a que pertence poderia ter saído melhor.
Tem muita coisa excelente mas depois o resto complica um bocado o resultado e como tal não é mesmo tão bom quanto deveria ter sido. Ou se calhar é… estou totalmente confuso.
Ainda por cima o filme termina com a história a meio e vamos ter sequela para completar a aventura que fica completamente pendurada precisamente no melhor.

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CLASSIFICAÇÃO



[“LEAGUE OF GODS”] por um lado é divertido e se vocês gostam do estilo Chinês de filmar Fantasia é imperdível; por outro se não gostam, ou não conhecem, se calhar eu começaria antes por “THE MONKEY KING II” ou “THE PROMISE” antes de passarem a este…
Pessoal com epilepsia é melhor nem tentarem ver isto…
ou qualquer filme de Fantasia Chinês…

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Parece-se bastante com uma versão moderna de “A CHINESE TALL STORY”; o estilo é semelhante, o caos também; apenas tem efeitos digitais superiores.
Quem detestou “GODS OF EGYPT” abstenha-se por completo.
Não irá encontrar qualquer coisa positiva neste título e muito menos irá compreender porquê precisa deste estilo para se enquadrar bem no género que representa.

Três tigelas de noodles.

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Provavelmente até merece quatro apesar de tudo ( e dentro de um certo contexto ), mas para já fico por aqui, até porque isto vai ter uma sequela e portanto quando eu tiver oportunidade de conseguir ver a história completa logo repensarei a minha classificação.
Para já se procuram cinema de Fantasia diferente [“LEAGUE OF GODS”] é um bom filme e apesar das suas muitas falhas irá divertir quem procura entrar verdadeiramente num mundo que nunca visitou.

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Tem alguns momentos de acção excelentes. Outros nem por isso.
Mas visualmente é realmente um espectáculo.
Quem também julga o cinema pela qualidade dos efeitos especiais não irá gostar disto, pois varia entre o espantoso e o atroz numa questão de segundos e pode baralhar muita gente que não compreenderá que [“LEAGUE OF GODS”] é supostamente um livro ilustrado digitalmente e precisa dessa artificialidade para resultar.

A Favor: transporta-nos mesmo para um mundo que nunca vimos, as geografias imaginárias são fabulosas a fazer lembrar o melhor de “THE NEVERENDING STORY”, algumas sequências de acção e efeitos são geniais, a realização tem alguns momentos fantásticos na forma como gere todo o caos digital e consegue manter um bom espírito de aventura clássica, o design do filme é absolutamente do outro mundo desde o guarda roupa ao adereços tudo é incrível e muito imaginativo, boa banda sonora também, as naves, os palácios, os montes, os vales, tudo o que aparece no écran a todo o instante.

Contra: os personagens são um vazio absoluto, tenta contar uma história com demasiado caos pelo meio e em muitas partes do filme a coisa não funciona de todo, parece três vezes maior do que é porque mete tanta coisa a acontecer que quase nem queremos acreditar no que vemos quando ainda nem passou uma hora de filme, tem personagens absolutamente irritantes como os bebés que não servem para nada, tem pelo menos uma sequência de porrada digital totalmente inútil debaixo de água, o bébé vence um exército utilizando peidos e bufas debaixo de água, fica a meio quando acaba e não conclui absolutamente nada. Sinceramente acho que nem conseguiria resumir a história se me lembrasse dela…

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER CHINES

TRAILER OCIDENTAL

COMPRAR BLURAY
Não o compram pois não está ainda á venda, mas podem encontrá-lo aqui.

IMDb
http://www.imdb.com/title/tt5481184

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capinha_Themonkeyking capinha_sorcerer_and_white_snake capinha_restless capinha_snow-girl A Chinese Tall Story
capinha_dragon nest capinha_the monkey king 2 The Promise

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Still the water (Futatsume no mado) Naomi Kawase (2014) Japão/França


Imaginem… … … que… … … … … eu … … … escrevia… … … … … cada … … … … … uma das minhas… … … … … … … … sugestões … … … … … … de … … … … … … … … … … … … cinema … … … … … … … oriental… … … … … … deste … … … blog … assim … … … … desta … … … … … forma … … … … … … onde … … … … … … pau … sa … da … men … t … e… … … … … … descrevia … a … … … … minha … … opini … ão … … … … sobre … … … … os … … filmes … que … … … aqui … apresento… muito… … … … devagarinho…

Pois…

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Não se deixem enganar pela beleza do poster. Isto pode parecer imediatamente apelativo especialmente para quem adora filmes como The Big Blue mas as aparências iludem.
Para começar ainda bem que me apareceu [“Still the Water”] na frente precisamente  a  seguir a eu lhes ter recomendado o excelente “Bread of Happiness“.
Dois filmes japoneses, dois filmes dentro do chamado cinema de autor, dois filmes bem calmos e sem pressa de ir qualquer lado.
Um é bonito, cheio de poesia e deixa-nos a pensar no final. Outro é chato como o raio e pretencioso a um nível que já há muito tempo não encontrava.
Adivinhem qual.

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[“Still the Water”] além de ter um dos trailers mais enganadores dos últimos tempos, teve o condão de me conseguir irritar profundamente e há muito que um filme não me provocava tamanha reacção a um ponto de decidir esperar um dia para descomprimir depois de ter visto tamanha –obra prima– antes de vir aqui falar sobre ela.
Dentro do cinema oriental, a última “obra de génio” que me tinha aparecido pela frente antes tinha sido o inenarrável “Visage“; curiosamente outra co-produção com o ministério da Cultura de França, portanto há por aqui um padrão que se começa a adivinhar no que toca a cinema com pretenções a –instalação artística– inteligente. Nota mental: começar a evitar cinema oriental produzido com dinheiro “cultural” francês…porque provavelmente são os únicos a patrocinar estas … obras …

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O que se pode dizer de uma –obra- que abre com um grande plano de vários minutos em câmera fixa em que se vê um senhor a cortar a garganta a uma cabra com uma navalha de fazer a barba ? E não, não é um efeito especial.
Depois ainda temos o prazer de assistir ao sangramento do bicho para um balde durante um bom bocado, até que depois a “história” avança… para a … história … própriamente … dita.
E querem saber o mais cómico ? [“Still the Water”] Está censurado !!
Deixam-nos assistir por duas vezes à degolação de um animal e ao seu sangramento; (sim aparece novamente a meio … “da história” … porque sim); em grande plano, mas depois [“Still the Water”] censura a sequência final onde os protagonistas nadam nús no oceano , colocando estratégicamente “zonas de névoa” no corpo dos actores para disfarçar as zonas genitais !!

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O que retira logo por completo qualquer suposta atmosfera da sequência, pois é tão evidente aquela censura gráfica que como espectadores nem conseguimos prestar atenção a mais nada.
Portanto, para [“Still the Water”], – degolar cabras com navalhas de barbear – (para efeitos “artísticos” (vou fazer de ti uma estrela, cabra); tudo bem ! Adolescentes a nadarem sem roupa debaixo de água é melhor censurar pois não queremos cá chocar a sensibilidade das audiências.
Ehm ?!!

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E não meus amigos, contrariamente a algumas opiniões extasiadas que poderão encontrar no imdb sobre esta obra que atacam quem detestou o filme, desta vez não se trata aqui da eterna guerra entre o estilo comercial de Hollywood em modo socos e pontapés nas trombas a cem explosões por segundo versus a realização de cinema com qualidade.

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O facto deste [“Still the Water”] estar a ser apontado como uma seca absoluta no que toca à escolha do estilo narrativo, (vão por mim), não tem nada a ver com isso, porque acima de tudo o que irrita não é o ritmo ultra pausado dos diálogos no filme por si só, mas principalmente a extensão dos takes onde se filmam cenas absolutamente vazias; pior ainda, sem qualquer importância para a história principal em sequências de nada absoluto onde parece que alguém se esqueceu de dizer, corta !
E olhem que um dos meus filmes favoritos de todos os tempos é o clássico soviético “Solaris” de Tarkosvky (um dos meus filmes favoritos de ficção-científica); portanto quem sabe do que estou a falar, já perceberam que não ia ser um filme -parado- como agora este vazio absoluto japonês avec dinheiro francês que me iria intimidar.

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[“Still the Water”] tem duas horas mas poderia perfeitamente funcionar como curta metragem. Se isto tivesse menos uma hora muito provavelmente seria um bom titulo.
Na verdade sente-se que há por aqui um bom filme a querer reaparecer à superfície mas as pretenções a “auteur” da realizadora parecem insistir em fazer com que esta história seja forçada a ser obrigatoriamente a instalação artística que não precisava de ter sido de todo.
Há aqui alguns pontos bons. Os actores parecem excelentes, a história poderia ter sido muito bem usada para fazer aquela ligação com a espiritualidade do oceano e a cinematografia é excelente , contando o filme até com algumas imagens particularmente inspiradas. Mas tudo vai literalmente … por agua abaixo.

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E não é pelo ritmo calmo da história ou por ser algo dentro do cinema de autor. Meus amigos, o facto de ser classificado pela crítica inteligente como –cinema de autor– não significa que seja garantia de qualidade, como este título bem prova. Isto é tão mau quando o mais desinspirado filme de porrada do Michael Bay. Se o blockbuster hollywoodesco sem cérebro abusa da velocidade e do vazio absoluto a todos os níveis, uma obra com pretenções a cinema de autor ao nível de [“Still the Water”] tem precisamente o mesmo efeito; apenas em vez de pipocas tem pretenções a obra muito profunda quando é simplesmente um vazio narrativo.

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O filme “Bread of happiness” também tem um ritmo narrativo semelhante, também é uma reflexão profunda sobre a vida, a morte e o sentido de tudo o que nos rodeia, mas nem por um instante atira qualquer coisa à cara do espectador. E também é um filme bem calminho, por isso não me venham dizer que [“Still the Water”] tem sido apontado por ser tão irritante apenas porque as pessoas que o viram apenas queriam ver um filme pipoca nos moldes blockbuster de Hollywood. Desta vez não têm razão.

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O facto de se armar em cinema-de-autor em jeito de contrariar o pior de Hollywood não significa que tenha resultado; [“Still the Water”] é simplesmente mau e acima de tudo torna-se insuportável a límites que testam verdadeiramente a nossa paciência, o que como nem podia deixar de ser culmina num final que se alonga também por demais e totalmente inconsequente para a história que supostamente acabou de ser contada.

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O filme é pretencioso como tudo, está cheio de takes extendidos de conteúdo totalmente irrelevante e como resultado não cria qualquer empatia com o espectador.
Pelo menos, pessoalmente custa-me bastante sentir qualquer emoção pelo que quer que seja quando de vez em quando alguém se lembra de abrir a goela a um bicho em grande plano só porque sim e durante o resto do tempo os … personagens … falam … muito … pausadamente … em … longos … takes … completamente … irrelevantes… numa … história … que … poderia …. ter … resultado … não … fosse … esse … pequeno … detalhe.
E a censura é mesmo irritante. Até a cena romântica de sexo parece decalcada do velho “A Lagoa Azul” na forma como os personagens são enquadrados.

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Ao ver o trailer de [“Still the Water”] fiquei plenamente convencido que isto ia ser o meu tipo de filme. Um dos filmes da minha vida, é o “The Big Blue / Le Grande Bleu” de Luc Besson com Jean Marc Barr e Jean Reno e pelo trailer de [“Still the Water”] parecia que iamos estar na presença de algo semelhante.
Um filme espiritual, sobre a própria vida e morte tendo por base o misticismo do próprio oceano com uma história simples mas de personagens humanos complexos com uma atmosfera muito própria.
Com um trailer assim (e tanta aclamação europeia em Cannes) o que poderia falhar ?
Bem … … …



TUDO !

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos filmes mais irritantes que alguma vez vi dentro do cinema oriental (e não só); ao pior nível de “Visage” ou tão inconsequente quanto “Himalaya: Where the wind dwells“.
Tão pretenciosamente mau, que podia ser na boa Cinema Português.

Não leva zero só porque as cinematografia das cenas debaixo de água é absolutamente fantástica.
Meia tigela de noodles.

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A favor: excelente cinematografia, algumas imagens muito atmosféricas ao longo de todo o filme, bom par protagonista.
Contra: o trailer engana por completo (o trailer tem o ambiente e o ritmo narrativo que o filme deveria ter tido mas não tem; não se deixem eganar), a história dramática perde-se pelo meio de tanta pausa narrativa no ritmo dos diálogos, torna-se um filme insuportávelmente irritante e só apetece enfiar um estalo nos personagens a ver se acordam, a violência gráfica com degolações de animais em grande plano é absolutamente inaceitável porque não serve em absoluto para a história e se a ideia era servir de metáfora sobre a inevitabilidade da morte e coisa e tal lamento muito mas é simplesmente estúpido, mostra degolações e sangramentos em grande plano mas depois censura todas as cenas com nudez de uma forma absolutamente inacreditável, o final não serve para nada mas também a história não tem qualquer carísma por isso tudo o que seria supostamente metafórico já se foi há muito antes do filme chegar ao fim, tem duas horas e poderia ter uma hora a menos que certamente só lhe faria bem.

Se procuram por cinema de autor oriental hà muito melhor (e muito menos pretencioso) à escolha até mesmo neste blog: “In the mood for love” ; “2046” ;  “Days of being wild” ; “My Blueberry Nights” ; “The Place Promised on our early days” ; “Goodbye Dragon Inn” ; “Rent a Cat” ; “Bread of hapiness” ; “5 Cm per second” ; “Bedevilled” ; “Citizen Dog” ; “Confessions” ; “Failan” ; “The Floating Landscape”  ; “The Grandmasters” ; “Kamome Dinner” ; “Sweet Rain” ; “Tears of the Black Tiger” ; “Ashes of Eden” ; “All about Lily Chou Chou” ; “Black coal thin ice” ; “The furthest end awaits” ; “A girl at my door” ; “Il Mare”  … por exemplo. 😉

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TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3230162

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Se gostou deste poderá gostar de:

capinha_himalaya-where-the-wind-dwels capinha_Visage

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Bread of Hapiness (Shiawase no pan) Yukiko Mishima (2012) Japão


Há um certo tipo de cinema que só os Japoneses conseguem fazer bem.
Aquele tipo de filmes extremamente simpáticos que nos mostram locais onde adorariamos viver ou passar longas temporadas e onde não se passa absolutamente nada.
[“Bread of Hapiness”] é um excelente exemplo de mais um título assim transportando-nos para um mundo absolutamente mágico e que nos deixa a pensar sobre ele muitos dias depois de ver esta história. Nada mal para um filme sobre… nada…

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[“Bread of Hapiness”] conta a história de uma rapariga que um dia deixou a grande cidade e  abriu uma padaria em jeito de hostel na remota margem de um dos grandes lagos do Japão. Embora contente por viver na pequena localidade Rie Mizushima não consegue evitar sentir um vazio na sua vida; sentimento esse que acaba por tentar colmatar quando juntamente com o seu marido Nao cozinha os mais deliciosos pãezinhos que serve a todos aqueles que passam pelo local tentando através da sua culinária, colmatar nos outros também o vazio interior de cada uma dessas pessoas.

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Ambos funcionam como uma espécie de anjos da guarda para todos aqueles que chegam até à sua casa com algo em falta nas suas vidas; amenizando problemas através da culinária e fazendo com que nesse instante contemplativo cada pessoa descubra por si própria um rumo a seguir que irá mudar a sua vida apenas porque um dia passou por aquela padaria.

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A primeira hóspede é uma rapariga em busca de um rumo pois foi abandonada pelo namorado e acabou por vir parar àquela margem do lago, ela própria à deriva.
Depois temos a história da miuda cujo a mãe fugiu com outro homem tendo abandonado o seu pai e finalmente a história do velho casal que chega um dia ao local para morrer.
Todos estes pequenos fios condutores aparentemente isolados são aquilo que vão solidificando aos poucos a história do casal central e sem o espectador se aperceber conduzem até àquele final perfeito que dá um carísma muito especial a [“Bread of Hapiness”].

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Basicamente é isto o que se passa neste filme absolutamente simpático durante duas horas;  onde nem falta um pequeno twist nos segundos finais que muita gente certamente nem irá notar, mas que me apanhou completamente de surpresa e deu uma enorme magia ao desenlace desta história.
[“Bread of Hapiness”] é um daqueles filmes episódicos onde os vários segmentos isolados estão unidos pelos personagens principais e pela interacção destes para com cada um dos protagonistas de cada uma das pequenas histórias que no final acabam por dar um sentido à própria história do casal protagonista.

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[“Bread of Hapiness”] está dividido por estações do ano e cada estação corresponde não apenas a uma história mas também evoca uma emoção particular ou um estado de espírito para aquilo que se passa na alma de cada personagem.
Pode parecer uma coisa muito filosófica ou ultra-pretenciosa mas não se preocupem, o grande trunfo deste filme está precisamente na forma simples como aborda questões profundas sobre a própria vida sem nunca se parecer com um daqueles títulos pretenciosos ao pior estilo cinema de autor.

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[“Bread of Hapiness”] pode ser cinema independente, pode ser cinema de autor, mas nunca se impõe como tal ao espectador. É tão simples que parece ser realmente um filme onde não se passa nada até que de repente, este acaba e percebemos o quanto esta história falou realmente de muita coisa. É esta simplicidade que dá uma grande originalidade a este tipo de cinema que só podia ser mesmo Japonês; contemplativo quanto baste mas carregado de emoção contida e muito significado.

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Em [“Bread of Hapiness”] em termos de acção , temos essencialmente cenas em que as pessoas comem pãezinhos, cenas em que as pessoas passeiam pelo campo, cenas em que as pessoas vão à praça comprar ingredientes para fazer mais comidinhas, cenas em que as pessoas conversam sobre a vida e “pouco mais”.

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A grande magia do filme no entanto está na sua atmosfera. A cinematografia é absolutamente luminosa (demasiado luminosa dizem alguns) e para mim é precisamente a escolha perfeita para da a este pequeno mundo isolado o ar encantado que precisa para que a história do casal e principalmente o pequeno micro-twist final resulte de uma forma tão mágica. É como se esta padaria se localizasse numa dimensão paralela onde apenas a calma e a contemplação fizessem parte daquele mundo.

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A cor deste filme é simplesmente fantástica e é um daqueles que em bluray vibra com toda a energia que o formato pode proporcionar em termos de imagem. As cenas de verão com toda a luminosidade de um fim do dia ou de uma manhã de sol são absolutamente perfeitas e dão a este filme uma certa característica de Anime filmado em live-action.
Aliás, a todo o instante este filme me fez lembrar de “O Meu Vizinho Totoro” de Hayao Myiazaki; a começar pela banda sonora -feliz- em tom “desafinado” que adorei. Estava sempre à espera de ver Totoro aparecer numa árvore qualquer, mas infelizmente este filme não tem qualquer criatura mágica.

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Pessoalmente penso que [“Bread of Hapiness”] tem apenas um encalhe. Penso que uma das histórias não resulta plenamente porque dá um tom diferente ao conjunto central até porque a acho desnecessáriamente longa. Não se arrasta por demais, mas acho que [“Bread of Hapiness”] não precisava ter duas horas de duração para passar o mesmo tipo de mensagem que passa.
Por mim, aqui e ali poderia ter-se cortado algum tempo excessivo e se este título tivesse meia hora a menos teria sido absolutamente perfeito.

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Alguns personagens secundários não parecem ter nada para fazer na história a não ser preencher espaços físicos nos cenários e penso que algumas cenas poderiam ter sido realmente um bocadinho reduzidas que não fazia mal nenhum.
Por outro lado, a atmosfera do local é realmente encantada e [“Bread of Hapiness”] é um daqueles filmes bonitos, simples e que não pretendem armar-se em inteligentes mesmo em última análise sendo bem mais do que parece à primeira vista.
E a canção disonante da banda sonora é muito fixe !

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CLASSIFICAÇÃO:

Se procuram um filme muito simpático, daqueles muito calminhos e em total espírito Zen sem qualquer pretenção a obra prima do cinema de autor, [“Bread of Hapiness”] é um título perfeito a não perder. Aliás, é realmente uma boa introdução a certo tipo de cinema independente (ou de Autor) pois não assusta ninguém e é uma excelente alternativa para quem está farto de filmes com tiros e explosões e quer encontrar algo para relaxar mas que ao mesmo tempo transporte o espectador para um mundo muito próprio.
Se gostaram de “O Meu Vizinho Totoro” em Anime, vão gostar disto.

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Pode não ser para toda a gente, mas se entrarem no espírito da coisa vão gostar. E mesmo que não estejam absolutamente rendidos aos personagens ou às histórias, garanto-vos se procuram um toque de magia, o pequeno twist dos segundos finais quando entra a última narração vai deixá-los plenamente satisfeitos e ainda a gostar mais deste filme. Foi esse final “mágico” que acrescentou agora mais uma tigela de noodles à minha classificação.

Cinco tigelas de noodles. Não é um filme sem falhas, mas é muito, muito simpático.

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A favor: toda a atmosfera do local, a fotografia luminosa é fantastica, a cor, algumas das histórias são simples mas têm alguma magia, o micro-twist no final é muito fixe, a banda sonora ( a canção do final em tom disonante), não deixa de ser cinema de autor mas prova plenamente que este tipo de filmes não têm que ser obrigatoriamente chatos ou intelectualoides.
Contra: tem meia hora a mais, alguns personagens não servem para grande coisa (a “artista” é um bocado irritante), pode ser um filme calmo demais para muita gente.

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TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1726749

Uma das canções:

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Sadako 2 – 3D (Sadako 3D 2) Tsutomu Hanabusa (2013) Japão


Muita gente conhece a trilogia original da série “Ringu” iniciada practicamente há vinte anos atrás no Japão; “Ringu”;”Ringu 2″ e “Ringu Zero”, mas curiosamente penso que os filmes seguintes não serão tão populares; pelo menos eu desconhecia que existiam mais dois filmes paralelos à série. Não continuam a trilogia inicial de forma directa mas complementam-na.
Para já existem dois títulos; o primeiro “Sadako” que eu ainda não vi e esta sequela [“Sadako 2 -3D”] que na verdade é a segunda metade da nova história iniciada com o primeiro filme “Sadako” e que segundo dizem as críticas é até bastante superior à primeira parte.

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Anos atrás por volta de 1998, mais ou menos pela mesma altura em que eu comecei a descobrir o cinema oriental, surgiu o fenómeno “Ringu” realizado por Hideo Nakata.
Quem se interessa por cinema de terror oriental, não conseguiu certamente escapar a este filme inicial que além de inventar um género ainda acabou por ter remake americano com direito a sequelas e tudo; seja na versão original, seja na versão americana.
Pessoalmente na altura “Ringu” foi uma grande decepção para mim, pois comprei-o em dvd (juntamente com o 2) confiando em todas as reviews ocidentais que me garantiam que este seria um dos filmes mais assustadores de sempre, mas na verdade embora eu tenha gostado do filme não foi um título que me assustou por aí além, (e a sequela muito menos pois é péssima; a fazer lembrar os velhos tempos do “Exorcista 2: O Herege” nos anos 70, possívelmente a mais estúpida sequela de sempre para um filme de terror). O terceiro filme “Ringu Zero” não vi, mas sei que narra as origens da maldição apresentada no primeiro filme, explica a história do poço, etc.
Na verdade não tinha grande entusiasmo para voltar a ver esta série, mas deparei-me no outro dia com este título [“Sadako 2 -3D”] e resolvi espreitar, desconhecendo por completo que se tratava de mais um título “Ringu” pois nem tinha reparado no título sequer.

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Desde já lhes digo uma coisa, nunca vi um 3D assim !!!
Isto vai ser agora muito complicado de explicar agora sem o poder demonstrar, mas vão por mim, se virem este [“Sadako 2 -3D”] em 3D no maior televisor que conseguirem, (o meu é um LG de 55″), garanto-vos que irão ficar absolutamente espantados com os efeitos tridimensionais deste filme. MESMO.

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Eu sei que o mercado está cheio de 3D, eu próprio já vi uns impressionantes (“Mr Go”;”Guardians of the Galaxy”;”John Carter”), mas nunca tinha visto um 3D que nos mostrasse coisas “realmente” fora do televisor (ao melhor estilo holograma a flutuar no ar) e nos desse tempo para conseguir admirar o que nos mostra, (pois mantém os melhores efeitos em ecran durante largos segundos para podermos admirar; não nos atira apenas coisas à cara).

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A imagem acima não é exagero publicitário. Vão por mim. Mesmo que já tenham visto muito 3D, garanto-vos que [“Sadako 2 -3D”] irá ser o melhor que pelo menos até ver irão conseguir experienciar no conforto do lar. Apenas arranjem bastante espaço na vossa frente para que o filme lhes coloque uma data de coisas dentro das vossas salas em muitos dos melhores momentos. Há uma cena estilo holograma no ar que é incrivel. Ou a cena da mão do cadáver por exemplo.

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Não só [“Sadako 2 -3D”] resulta incrivelmente bem quando faz com que saiam coisas de dentro do televisor como em termos de profundidade de imagem é absolutamente incrível. Vejam este filme em 3D e a vossa tv irá transformar-se literalmente numa janela e quase que irão pensar que é só meter um pé e entrar pelo filme a dentro.
[“Sadako 2 -3D”] no Japão foi alvo de uma intensa campanha publicitária baseada precisamente na qualidade do 3D que iria apresentar e não desilude.

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Se isto resulta assim em casa num TV 3D de grande ecran, imagino que em cinema deve ter sido do outro mundo mesmo. Por isso a expressão “3D” desta vez faz mesmo parte do título e não é apenas uma referência à alternativa. Neste caso a alternativa é a versão 2D simples e não o contrário.

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Curiosamente estes japoneses pensam em tudo e parece que foi lançada também no mercado uma app que permitia ver o filme nos telemóveis e tablets também usufruindo de um certo 3D especialmente pensado para a visualização do filme nos aparelhos móveis, o que para mim não faz sentido pois se isto é suposto ser um filme de terror é para ser visto sózinhos no escuro e não a olhar para um ecran de um tablet a caminho do trabalho. Mas os japoneses é que sabem.
Mas vamos a isto, [“Sadako 2 -3D”] é bom ou não ?

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Bem, não faço ideia porque razão isto me acontece, mas nenhum filme da série “Ringu” me assusta minímamente. O que é estranho pois por exemplo, “JU-On” dá-me completamente cabo dos nervos por mais vezes que o reveja e até “A Tale of Two Sisters” não sendo exactamente o típico filme de terror me arrepia em muitos momentos.
Curiosamente já também o original “Dark Water” de Hideo Nakata nunca me assustou particularmente.
Portanto, [“Sadako 2 -3D”] não me meteu medo absolutamente nenhum. Talvez por ser tão prevísivel nem sequer a grande quantidade de sustos que tenta pregar me apanhou particularmente de surpresa. Embora ver coisas “inesperadas” realmente a saltarem (MESMO) de dentro do ecran, tenha o seu efeito…particular.

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No entanto, não posso dizer que [“Sadako 2 -3D”] seja um mau filme de terror. Se gostam da série “Ringu” para mim, dos que vi este foi o melhor, talvez até melhor em termos de história que o título original que inventou esta moda de miudas com cabelos negros escorridos sobre a face que saltam do nada para nos pregar sustos.
Tem inclusivamente uma cena de pânico no metro bem divertida e que só peca por ser muito curta. E também se sente que houve aqui neste filme alguma contenção nas cenas gore pois não será um título particularmente “nojento” apesar do muito sangue que mostra.

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Portanto, penso que este novo título cumpre muito bem tudo o que é cliché desta saga e até se esforça por ser algo inovador. O estilo tragédia-gótica tem a sua piada, dá grande identidade visual ao filme e o argumento na minha opinião é bastante interessante de se seguir. Especialmente, porque até mesmo quem não viu o primeiro “Sadako” irá conseguir olhar para isto como uma história fresca pois muitas das coisas anteriores são referenciadas e nunca parecem estar inseridas apenas a martelo. Gostei do equílibrio.
Ah e tem a melhor criancinha fofinha-creepy desde a Carol Anne do Poltergeist original.

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Aliás, [“Sadako 2 -3D”] quando não nos está a impressionar com o 3D, consegue dar-nos uns arrepios consideráveis,  bastando para isso que nos mostre cenas com a criancinha que consegue prever as mortes das pessoas com os seus desenhos perturbantes.
Aliás em muitos momentos este filme faz recordar o Poltergeist original (esqueçam o reboot moderno fachavor); a miudinha é “satânica” quanto baste ao mesmo tempo que é verdadeiramente vulnerável o que cria uma boa incerteza no espectador durante algum tempo até ao desenlace final.

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A história, como referem algumas críticas, é boa, mas pode ser algo ilógica em certos momentos. Não vi o primeiro filme e no entanto não tive dificuldade em seguir a história deste segundo, mas também senti que [“Sadako 2 -3D”] tentava ser muitas coisas ao mesmo tempo. No entanto, penso que se manteve sempre coerente até mesmo quando não fazia sentido, se é que isto faz sentido.

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De resto, se já viram “Ringu” ou qualquer filme “Ring” na sua versão americana, já viram isto e não vão surpreender-se com nada. É apenas mais do mesmo. Banhos de sangue, sustos, miudas tétricas de cabelos longos, som enervante e muita gente aos gritos depois de verem videos malditos. Por outro lado tem um gostinho gótico que lhe dá um sabor diferente e é sempre divertido. Não é um filme chato. É apenas simples.

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Se o virem apenas em 2D tradicional, sinceramente não penso que devam ir a correr ver isto, a não ser que gostem muito de filmes “Ringu”. O que eleva este título à categoria de obrigatório é mesmo o 3D; até para quem normalmente não se impressiona com a tecnologia. Este está mesmo bem conseguido.

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CLASSIFICAÇÃO:

Como filme de terror não tem nada de especial nem o acho particularmente assustador. Já viram isto mil vezes e não tem qualquer surpresa.

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Como filme em 3D é o melhor que alguma vez vi. Se o virem em 2D e gostarem muito de cinema de terror, [“Sadako 2 -3D”] é um produto simples mas sólido.
Se não gostam de cinema de terror mas quiserem ver como todos os filmes 3D deveriam ser então devem pelo menos espreitar este.
Três tigelas de noodles pelo filme, mas levaria na boa a classificação máxima pelo uso acertado e verdadeiramente impressionante do 3D.

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A favor: o 3D é incrível, história interessante, miudinha arrepiante, é um bom filme “Ringu” sem mais nem menos, não precisam ver o primeiro Sadako para acompanhar a história.
Contra: não mete medo nenhum, os sustos são do mais prevísivel que há e não assustam de todo, se não o virem em 3D é apenas mais um filme igual a tantos outros dentro deste mesmo género.

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TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2440362

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Journey to the West: Conquering the demons (Xi you xiang mo pian) Stephen Chow/Chi-kin Kwok (2013) China


Ora nem de propósito; ainda no post anterior falei de “The Monkey King 2” e eis que agora vou voltar a falar de mais uma adaptação da saga literária chinesa -Journey to the West.
Desta vez : [“Journey to the West: Conquering the demons”].

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Podem saber mais sobre este texto clássico da literatura chinesa se lerem as minhas reviews de “A Chinese Tall Story“; “Monkey King” ou “The Monkey King 2” por isso não irei repetir agora o que já mencionei anteriormente. [“Journey to the West: Conquering the demons”] é mais uma versão de -Journey to the West- e quase outro reboot da origem da história mais famosa. Imaginem que Hollywood faz uns dez filmes com a origem do Homem Aranha; [“Journey to the West: Conquering the demons”] é quase o equivalente a mais outro “reboot”. Desta vez em tom de comédia.

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Na verdade “reboot” não será própriamente o termo aqui, até porque este texto clássico presta-se às mais variadas interpretações visuais e portanto desta vez [“Journey to the West: Conquering the demons”] é apenas mais uma variação da história que esteve na origem da parte mais famosa. Uma espécie de prequela, digamos. Mais ou menos.
Tudo o que envolve a saga -Journey to the West- para o público ocidental pode ser um bocado confuso, isto porque é um texto intensamente chinês e carregado de simbolísmos que nenhum de nós fora da China pode chegar um dia a compreender ou sequer a reconhecer.

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Talvez seja logo esse o problema desta comédia. Tenho lido que este filme parecerá bem mais cómico para o público chinês do que para o resto do mundo, pois enquanto nós só nos podemos divertir com os visuais malucos e as cenas de acção cartoon, quem está por dentro de todas a referências culturais associadas à cultura chinesa e em especial a -Journey to the West- irá, dizem, conseguir usufruir muito mais de [“Journey to the West: Conquering the demons”].

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Há um pequeno número de realizadores orientais de que eu não gosto absolutamente nada. Já vi vários filmes de alguns e nem sequer me dei ao trabalho de comentar por aqui no blog porque simplesmente não tenho mais pachorra para o cinema de certos autores. Outros, como Tsuy Hark já tenho comentado por aqui alguns títulos embora esteja no topo da minha lista negra de realizadores a evitar (mas de quem acabo sempre por voltar a ver (e até comprar) qualquer coisa, por masoquismo talvez).
Restam ainda alguns realizadores que eu simplesmente ainda nem sei o que acho do cinema deles. No topo dessa lista está Stephen Chow.

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Stephen Chow para quem não sabe é um dos mais conceituados realizadores chineses; daqueles que inclusivamente são denominados de génios (tanto pela crítica local, como por arrasto pela crítica ocidental).
Consta que Chow será um génio da comédia; o equivalente ao Mel Brooks aqui por estas bandas em termos de reverência da crítica e não há nada que ele não filme que não seja imediatamente apelidado de comédia de génio. Um pouco como sempre aconteceu com Brooks por cá, que sinceramente é outro que eu não entendo de todo pois curiosamente sempre achei que o seu humor cinematográfico sofre exactamente do mesmo tipo de problemas que eu encontro no cinema de Chow.
Pessoalmente sempre achei os filmes dele chatos como o raio. O que não deixa de ser estranho.
É que o cinema de Stephen Chow até parece bem divertido. Todos os filmes são ultra-comerciais, não são mínimamente pretenciosos sequer, estão cheios de cenas de acção muito imaginativas e cada título raramente se repete em termos de história.
Então qual é o meu problema com o cinema dele ?!

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[“Journey to the West: Conquering the demons”] exemplifica muito bem tudo o que há de errado com os filmes de Chow, porque mais uma vez repete exactamente os mesmos problemas. Embora este filme seja para mim o mais divertido pois, estranhamente foi o único que não me apeteceu desligar a meio.
[“Journey to the West: Conquering the demons”] consegue ter momentos absolutamente brilhantes com gags hilariantes muito divertidos e ao mesmo tempo arrastar-se por demais em cenas de diálogo “humorístico” que parecem nunca mais acabar.
Resumidamente é este sempre o mesmo problema no cinema de Stephen Chow.
Há um desiquilibrio enorme entre os bons momentos e os maus momentos.

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O que é bom é para lá de excelente. O que não é bom, não só é desinteressante como o raio, não tem graça como parece durar para sempre até que apareça a próxima cena realmente divertida. O problema é que entre o que é excelente e o que não resulta de todo não há nada pelo meio. O que quanto a mim encalha todo o ritmo dos filmes de Stephen Chow; isto porque estamos divertidamente a acompanhar o desenvolvimento de uma história ou a acompanhar uma sequência de acção para depois o filme logo a seguir parar por completo e lá temos que levar novamente com mais uns intermináveis minutos de “diálogos humorísticos” entre -personagens-tipo- que no estilo Stephen Chow são sempre o mesmo personagem em jeito slapstick-comedy.

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Aliás muita da nossa iluminada crítica ocidental gosta de comparar Stephen Chow a Chaplin ou a Buster Keaton pela sua comédia física e nesse aspecto não penso que a comparação seja por aí além exagerada, pois este realizador é realmente muito bom e inovador no que toca à parte fisíca dos seus filmes. O problema está na quebra de ritmo e no fraco desenvolvimento da maioria dos personagens das suas histórias,. Os personagens estão normalmente nos seus filmes ou para serem estúpidos ou para serem estúpidos e levar porrada. E esta fórmula é sempre a mesma. Viram [“Journey to the West: Conquering the demons”], já viram todos os filmes de Chow, porque são todos iguais.

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Há anos atrás quando comecei a ver cinema oriental, atraído pelas críticas brutais que consideravam “Kung-Fu Hussle (Kung-Fu-Zão em Portugal)” uma comédia de génio, lá comprei o dvd sem ver o filme primeiro e foi o meu primeiro choque com o cinema de Stephen Chow. Tal como agora em [“Journey to the West: Conquering the demons”] e também nos seus outros filmes, também “Kung-Fu-Hussle” sofre mesmo problema; cenas de acção em total modo histérico num estilo cartoon da Warner Bros mas envolvendo personagens com que não nos importamos de todo, o que logo torna todas as cenas de acção um vazio absoluto e as faz ficar cada vez mais chatas; especialmente se como é habitual no cinema de Chow estas se alongam por demasiado tempo sempre a mostrar o mesmo; ou pior, o mesmo tipo de “piada” (que chega a repetir-se em todos os filmes por exemplo).

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[“Journey to the West: Conquering the demons”] é o primeiro filme em que Chow apenas está atrás da cameras. Normalmente ele realiza e interpreta sempre o personagem principal. Desta vez apenas realiza.
Apesar de ser mais um Stephen Chow, desta vez achei bastante piada ao conjunto geral e não fosse apenas ter voltado aos mesmos encalhes de sempre, este seria um título que eu recomendaria vivamente, até como filme de fantasia.

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O ambiente visual como sempre é excelente, os cenários são muito elaborados e desta vez há uma boa variedade de locais nesta aventura de fantasia.
A história tem também algumas cenas de acção fantásticamente divertidas, com destaque para a cena do combate contra o monstro marinho ao início que para mim deveria ter sido colocada no final da história pois é definitivamente a melhor parte do filme todo em termos de suspense e aventura; com muita comédia física plenamente conseguida à mistura.

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O monstro marinho do ínicio deve ser também o melhor demónio aquático de todos os tempos e toda a sequência é totalmente cativante.
Pena é que depois o filme entre pelo modo do costume e lá temos que levar com algum humor “histérico” ou então as cenas de desenvolvimento de personagens não resultam porque parecem pertencer a um outro tipo de filme.

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Depois de uma cena de acção novamente algo longa e repetitiva com muito “humor” forçado à mistura, [“Journey to the West: Conquering the demons”] mais ou menos pelo meio parece que finalmente vai se tornar num filme fantástico; (até eu me preparava para lhe dar uma grande nota); isto porque a meio da história ficamos a conhecer um novo grupo de herois absolutamente perfeito. É nesta parte que o filme acerta em cheio nos gags e há um par de piadas com sangue absolutamente clássicas.

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Aparecem novos personagens e cada um é melhor que o outro, com destaque para o caçador de demónios ultra-convencido que tem dos melhores diálogos da aventura quando entra em choque com as suas empregadas que o transportam por todo o lado por exemplo.
Depois, toda a aventura entra por uma espécie de registo steampunk quando a acção envolve a carruagem do bando de herois e ficamos com a sensação de que [“Journey to the West: Conquering the demons”] depois daquilo não pode falhar.
Mas falha.

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Falha porque mais uma vez, depois de nos dar momentos verdadeiramente cativantes, hilariantes e emocionantes, depois ignora tudo o que construiu na última meia hora de filme. Alguns personagens que conhecemos anteriormente  são simplesmente abandonados não servindo para nada ,(o do gag do sangue poderia ter sido genial); outros são apenas usados como bonecos ao estilo Power Rangers para a cena de acção final no combate contra o Monkey King.

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A última meia hora não só não tem graça, como não tem qualquer interesse. A parte com o Monkey King na montanha é um vazio interminável com cenas de “diálogo humorístico” que nunca mais acabam (e um número de dança) tudo filmado num pequeno set sem qualquer piada durante demasiado tempo. Prevísivel, arrastado e chato.
Depois a batalha contra o Monkey King também não tem piada pois já vimos aquilo antes e não há qualquer tensão. Para agravar ainda mais as coisas, esta versão do Monkey King ainda conseguiu ser mais irritante que a versão do filme “The Monkey King” de 2014 , o que é obra !!

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Salva-se o final da história que entra pela parte clássica onde Buda ordena ao Rei Macaco que siga o monge na sua demanda em busca dos manuscritos sagrados do Budismo e que liga [“Journey to the West: Conquering the demons”] a todas as outras adaptações deste texto.
[“Journey to the West: Conquering the demons”] é claramente um filme de temática Budista como não podia deixar de ser. Se calhar não se nota á primeira vista, mas é quase um filme de propaganda para essa filosofia como são muitas das aventuras saidas do -Journey to the West- pois afinal estamos a falar de um texto clássico de cariz filosófico e muito religioso.

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Se isto fosse um filme ocidental seria algo muito assente na Bíblia, um pouco à semelhança do que os filmes de Narnia são no que toca a referências cristãs por demais ao longo de todas as histórias. Os filmes -Journey to the West- são o seu equivalente dentro da fantasia oriental.
Deste vez acompanhamos o desgraçado monge despenteado que aspira a encontrar a –Iluminação- para entrar em comunhão com Buda mas acha que o seu caminho é através da caça aos demónios. Apesar de não ter grande talento para caçador de demónios acaba por encontrar pelo caminho mais colegas do ramo a quem se junta e de demónio em demónio irá chegar até Buda conhecendo o amor pelo caminho quando encontra  a divertida caçadora de demónios que em estilo maria-rapaz também não tem muito jeito para ser feminina.

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E porque isto já vai longo, como filme de fantasia em tom humorístico vale a pena ser visto. Tem muitos problemas de estrutura narrativa como de costume no cinema deste realizador, mas também tem muita coisa boa. Portanto se procuram uma aventura de fantasia ligeira com alguns gags geniais pelo meio e o melhor monstro marinho de sempre este título é um filme a ver concerteza.

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CLASSIFICAÇÃO:

Na verdade [“Journey to the West: Conquering the demons”] não é um mau filme. Se não sofresse dos mesmos problemas que todos os filmes de Stephen Chow sofrem poderia ter sido tão bom quanto “Monkey King 2” e seria a alternativa humorística perfeita a uma versão série de -Journey to the West-; o problema é que continua a sofrer dos tiques do costume no cinema deste realizador.

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Se conseguirem passar para lá desses pormenores, este é um filme de fantasia que vale a pena ver. As partes divertidas são excelentes e só é pena o filme não manter sempre o mesmo tom.
Três tigelas e meia de noodles. Muito bom, mas é uma espécie de grande comédia falhada que fica a meio termo de todo o potencial que tinha.

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A favor: boas cenas de acção em estilo cartoon, o melhor monstro do lago de todos os tempos, o início é muito divertido, contém alguns gags hilariantes, tem um par de personagens muito bons, bom design e bons efeitos especiais de uma forma geral.
Contra: ou tem momentos muito divertidos ou tem monentos muito aborrecidos, desperdiça por completo quase todos os personagens, tem cenas demasiado longas, tem momentos “musicais” ridículos, a parte com o Monkey King na montanha é uma seca sem graça nenhuma, a última meia hora é um desperdício pois nem tem piada nem tem interesse ou qualquer suspanse.

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TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2017561

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