Saam gwok dzi gin lung se gap (Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon) Daniel Lee (2008) China


Se procurarem saber alguma coisa sobre este filme pela web, irão descobrir que não é particularmente apreciado.
Por outro lado, também não é particularmente odiado e mesmo quem lhe atribui uma crítica negativa geralmente também lhe dá algum valor em certos aspectos, o que torna [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] num daqueles filmes algo ambiguos que poderá agradar muito a muita gente ao mesmo tempo que desagrada também bastante a outra metade.

Já conhecia este titulo há anos desde que ele foi lançado, mas nunca lhe tinha prestado grande atenção precisamente por causa da sua reputação algo tosca. Pela mesma razão também nunca o cheguei a comprar ou sequer sacá-lo de algum torrent para espreitá-lo pois estava mesmo convencido de que seria bem fraquinho por todas as razões que as várias reviews apontavam ao longo destes anos.
Bom, fiquem já a saber que esta review vai ser outra daquelas bem contraditórias porque eu gostei muito deste filme, precisamente pelas suas fraquezas.

Eu explico.
Supostamente [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] será a adaptação cinematográfica de um daqueles clássicos da literatura épica chinesa e por essa razão é considerado uma adaptação bem fraquinha. Isto porque só tem 98 minutos de duração e segundo muita gente entendida no assunto, resumir em pouco mais de 90 minutos uma obra literária como aquela tem o mesmo efeito que teria uma adaptação do Lord of the Rings se este tivesse tentado adaptar a trilogia de Tolkien num único filme com pouco mais de hora e meia.

Tudo em [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] passa a correr.
E nota-se !!!
Os seus criadores tentaram remendar a coisa, recorrendo a uma constante narração em voz-off de um dos personagens mas sente-se constantemente a artificialidade desse truque narrativo, embora não me tenha chateado particularmente e penso que até resulta muito bem dramáticamente quando a história chega ao fim.

Durante toda a sua duração o filme anda perigosamente na corda-bamba entre o épico chinês cheio de personalidade e o desastre cinematográfico que vai descambar a qualquer momento, isto devido á própria estrutura com que o argumento é alinhavado para fazer caber tudo (?) o que é importante realçar da obra original na sua adaptação ao grande ecran.

Ainda mal nos habituamos aos personagens, já se passaram vinte anos nas suas vidas e de repente todo o filme parece mudar de rumo. E isto acontece várias vezes ao longo da história o que leva muita gente a considerar que uma das grandes falhas de [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] é ser um filme com personagens desprovidas de qualquer alma e portanto desinteressantes.
Ora bem…Eu discordo.

Não só discordo bem alto, como digo mais, eu não estava nada á espera que um filme com uma estrutura tão acelerada quanto esta conseguisse ter tempo para dotar tantos personagens com tanta humanidade.
Pessoalmente aquilo de que acusam [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] como sendo a sua grande falha, é na minha opinião a sua grande mais valia.
Não sei como foi possivel num argumento  tão alinhavado quanto este o realizador ter conseguido espaço para fazer com que nos importassemos com os personagens.

O filme acabou e estas pessoas com o seu percurso de vida  ficaram-me na memória, o que para mim é logo motivo suficiente para atribuir uma boa classificação a este pequeno grande épico falhado.
Pode ter falhado em muita coisa, mas na minha opinião é completamente errado dizer-se que [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] falha porque não permite ao espectador criar empatia com os personagens.
Não posso discordar mais deste argumento, pois em 90 minutos estas pessoas ficaram-me mais na memória do que todos os personagens das quase seis horas de “Red Cliff”, supostamente aquela obra-prima dos épicos chineses, mas do qual neste momento já nem me recordo de um único personagem com que me tenha importado.

Sendo assim, acima de tudo penso que [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] é um bom filme sobre os caminhos da amizade e além disso contém dois personagens principais que ligam toda a história e que não podiam ser mais diferentes, o que contribui bastante para que a carga dramática da história funcione bem na minha opinião, nos momentos em que tem oportunidade de ter espaço no filme por entre tanta batalha e saltos cronológicos no argumento.

Não esperava mais do que encontrar um filme de porrada com uns bonecos de cartão e surpreendeu-me mesmo muito encontrar um filme onde até os personagens secundários com pouco tempo de exposição conseguem ser apresentados com uma abordagem muito humana e ainda gostei mais desta ser uma história sem bons nem maus. Apenas sobre governantes e soldados.

Outra das críticas negativas que apontam a esta obra está no facto de conter muito pouca estratégia nas cenas de batalha. Parece que o coração do texto clássico original está precisamente no facto de se centrar bastante nos aspectos técnicos das campanhas militares e muita gente ficou muito decepcionada porque  [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] não se parece com “Red Cliff” onde esse aspecto é central no desenvolvimento dramático.
Como o filme de John Woo não me disse grande coisa mesmo com excelentes cenas de estratégia militar, eu por mim prefiro uma história com personagens cativantes e portanto, o facto deste filme de Daniel Lee ter pelo visto falhado por completo na representação cinematográfica das cenas de batalha que deveria ter encenado de outra forma, a mim não me chateou minímamente.

Aliás, adorei as cenas de acção deste filme e também não entendo as críticas negativas que lhe são feitas.
É um facto que tudo é muito rápido e todas as sequências são muito breves. E sim, o estilo visual é ligeiramente inspirado no que Wong-Kar-Wai fez em “Ashes of Time” como referiram algumas reviews, mas que raio, onde está o problema ? A violência neste filme não só resulta como é totalmente crua e até bastante realística no que toca a pessoas cortadas aos bocados e baldes de sangue quanto baste, onde nem faltam braços decepados, cavalos espetados e gargantas abertas a jorrar sangue em grande plano para divertimento de todos os sádicos cinematográficos que como eu adoram batalhas medievais com intensidade. Se têm alguma falha, está mesmo no facto de tudo se passar demasiado rápido e nem a utilização do slow-motion atenua essa realidade.

O filme começa como cinema de aventuras e contém um par se sequências verdadeiramente divertidas e emocionantes, com destaque para o momento em que o heroi parte para salvar o herdeiro real e assistimos a uma sequência absolutamente inclassificável que envolve espadas, cavalos, soldados, acrobacias quanto baste e bébés reais. Vão adorar.
A segunda metade do filme é bem mais contida e a tom torna-se mais dramático até nos combates. Para isso muito contribuem os “vilões” da história que equilibram muito bem toda a narrativa e tornam o filme ainda mais humanizado, o que só lhe fica bem no meio de tanto balde de sangue.

[“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] agradou-me imenso e não estava nada á espera disto. Não será o meu épico chinês favorito dentro deste estilo, mas ganhou um lugar de destaque na minha colecção.
Visualmente tem momentos fantásticos e cheios de atmosfera com uma boa fotografia que ajuda imenso a tornar ainda mais épicos os cenários naturais que abundam nesta história.

Sendo assim, para mim é um verdeiro feito, alguém ter conseguido realizar um filme deste género, nestes moldes, tão rápido, tão resumido e mesmo assim conseguir chegar ao fim e deixar o espectador a pensar naqueles herois.
A sua ambiguídade para mim não deverá ser motivo para comentários depreciativos mas sim aquilo que lhe dá muita personalidade e alma quanto baste. Coisa que épicos muito maiores, mais perfeitos e com menos falhas se calhar raramente conseguem atingir.

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CLASSIFICAÇÃO:

Contém muitas falhas é certo. Talvez o seu maior defeito seja mesmo a sua narrativa acelerada que tenta condensar em 90 minutos um texto que precisaria pelo menos de trés horas só para adaptar em condições a primeira metade desta versão. No entanto, esta sua fraqueza, na minha opinião é também aquilo que lhe dá muita força pois o realizador nunca perde o pulso ao trabalho e tudo aquilo que poderia ter descambado numa tragédia cinematográfica, acaba por se transformar num pequeno filme medieval, muito divertido e cheio de personalidade.
Se calhar não vale esta excelente classificação que lhe dou, mas a verdade é que fiquei com vontade de o rever e mesmo pela sua duração deverá ser um daqueles filmes do género que me irá acompanhar ainda muitas vezes nos anos que virão.
É um filme de aventuras medievais simpático e cativante.
Cinco tigelas de noodles portanto sem qualquer reserva de maior.

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A favor: consegue ser mais do que apenas um filme de porrada, tem uma surpreendente humanização de personagens que não esperava encontrar aqui de todo, não tem “maus” nem “bons”, óptimo trabalho dos actores, até os secundários têm carisma, excelente utilização das paisagens naturais da China e cenários épicos cheios de atmosfera, óptima fotografia e excelente guarda-roupa também, baldes de sangue nas cenas de combate, boas cenas de acção e um par de momentos de grande aventura muito divertidos, excelente banda-sonora que embora não fique na memória contém alguns momentos que ilustram perfeitamente tanto as cenas de aventura como os momentos mais emotivos dos personagens.
Contra: tinha potencial para ser um épico absolutamente brilhante e inesquecível mas a sua curta duração e velocidade narrativa acelerada impede-o de ser realmente grande, quem não gosta de histórias narradas em voz-off irá achar este filme algo irritante, falta-lhe um bom desenvolvimento para a história de amor que se vislumbra por breves minutos no início..

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=PQ6Ah_Mu8Sk&feature=related

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Se viverem em Portugal neste mês de Setembro de 2011 podem ainda encontrar o dvd simples e sem extras por 1.99€ em qualquer banca de jornais.
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com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0882978

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Mo gong ( Battle of Wits – aka – Battle of the Warriors) Chi Leung ‘Jacob’ Cheung (2006) China


No outro dia ao desiludir-me bastante com “Red Cliff“, lembrei-me que este era bastante semelhante a outro titulo mais antigo que eu tinha comprado há anos mas de que ainda não tinha falado aqui, pois por qualquer motivo é um daqueles dvds que nunca mais tinha revisto e como tal, decidi tirar o pó do disco a [“Battle of Wits“] porque esta é mesmo a altura certa para falar deste filme no blog até por uma questão de comparação entre títulos semelhantes.

Tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] são filmes de guerra semelhantes, porque essencialmente assentam mais sobre as estratégias de guerra, tácticas de movimentação de exércitos, planos de combate e intrigas políticas ou palacianas do que própriamente sobre herois e heroínas que vivem aventuras em mundos Wuxia ou de ambiente medieval e como tal são filmes com uma estrutura muito parecida.

Em ambos os casos, temos dois exércitos em confronto que se analisam um ao outro e onde a maior parte das cenas se passam naquela guerra de muralhas e paliçadas onde as estratégias de invasão se sobrepõem á sequências de acção pura e simples.
Também a nível de personagens os filmes se tocam pois tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] contam com os inevitáveis generais caracterizados da forma habitual, com os guerreiros heroicos em estilo solitário, grandes estrategas militares, imperadores decadentes ou corruptos e claro, com a miúda gira da história que neste caso também é muito boa a andar á bulha pelo meio das cenas de batalha, pois é uma oficial de cavalaria.

Achei portanto, que tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] poderiam ter sido o mesmo filme. Se se trocassem os cenários e o guarda roupa, provavelmente o resultado teria sido o mesmo nos dois filme e ambos manteriam a sua identidade apenas por causa de um grande pormenor que os distingue.
[“Battle of Wits“] ostenta muito menos opulência visual que “Red Cliff” e como tal não tem aquele sabor a grande épico cinematográfico que exala por todos os frames desse filme e que tornou a obra de John Woo imediatamente muito menos interessante na minha opinião; apenas porque por detrás de tanto estilo visual espantoso tudo aquilo sempre me pareceu demasiado plástico e como espectador nunca consegui entrar naquele mundo pois tudo me pareceu fabricado para cinema e muito pouco real.

Algo que não me aconteceu de todo agora em [“Battle of Wits“].
Ainda o filme não tinha começado á dez minutos e já eu me tinha esquecido que estava a ver um épico cinematográfico. Isto porque pura e simplesmente, nada em [“Battle of Wits“] nos lembra que são cenários contruidos para um filme e nada no estilo visual chama constantemente a atenção para o que aparece no ecrã.
Acompanhar [“Battle of Wits“] é como espreitar por uma máquina do tempo e contemplar o passado; ter acompanhado “Red Cliff” para mim foi como estar a desfolhar um livro sobre design e construção de cenários para cinema. Por muito que eu tenha adorado o fantástico estilo visual do filme de John Woo prefiro mil vezes a contenção estética de [“Battle of Wits“] e o estilo completamente natural dos ambientes e arquitecturas pois transportam o espectador para o passado. Não o deixam do outro lado da televisão a contemplar ambientes gráficos quando estes deveriam servir os personagens e não gritar – superprodução cinematográfica – a todo o instante.

Portanto, em comparação, nota alta para [“Battle of Wits“] logo por este início. Tudo nesta história parece visualmente real e quem gostou da estética realística e crua de Musa the Warrior tem aqui um filme muito semelhante gráficamente falando que  irá certamente agradar a quem procura este tipo de atmosfera visual.
Infelizmente a nível de argumento, também [“Battle of Wits“] é um daqueles filmes que me custa bastante a absorver, mas isto é uma questão de gosto pessoal pois como já referi em posts anteriores, o género de intriga politica e palaciana é algo que me aborrece de morte. Portanto para mim foi muito dificil arrastar-me pelos primeiros vinte minutos deste filme.

No entanto a sua atmosfera cativou-me e cedo também os personagens se começaram a delinear bem mais interessantes do que em por exemplo, mais uma vez “”Red Cliff“.
Não quero parecer estar aqui a ser muito duro com o filme de John Woo até porque gostei do que vi, mas é impossível não compará-lo com [“Battle of Wits“] pois são bastante semelhantes temáticamente e estruturalmente e como tal em termos de gosto puramente pessoal eu penso que esta produção bem menos extravagante é muito mais interessante.

Muita gente em reviews na net critica um pouco os personagens deste filme por causa de serem um bocado estereotipados e parecerem apenas ter sido criados para fazer brilhar as estrelas Pop chinesas que pelo visto entram nisto. Eu como não conheço nenhum destes gajos que entram nos papeis secundários, por mim estão todos muito bem e nem me pareceu sequer que o personagem do soldado arqueiro tenha sido criado para imitar o “Elfo Legolas” do “Lord of the Rings” embora perceba a razão de muita gente referir essa sensação pois o seu papel e dinâmica em [“Battle of Wits“] pode ser semelhante.
Como no entanto, a mim nem me pareceu que isto estrague própriamente o filme por mim que se lixe e passa á frente.

Coisas boas. [“Battle of Wits“] tem muito ambiente e conta com além de Andy Lau sempre seguro, também com o carismático actor sul-coreano que vocês vão reconhecer de “Musa the Warrior” onde personificava o velho e sábio guerreiro veterano e que neste caso faz de general invasor.
Se bem que este filme também seja cativante pelo facto de não ter herois e vilões mas sim, tal como em “Musa the Warrior“, apenas guerreiros em facções politicas opostas e sobre este detalhe [“Battle of Wits“] conta com uma simples e fascinante cena em frente da fortaleza cercada, onde os dois oponentes se encontram cara a cara e que define todo o tom da história; onde a haver vilões, estes serão claro está, os políticos que tudo manobram nos bastidores e que causarão mais mortos e tragédia do que quem faz a guerra por eles, o que não deixa de ser uma mensagem subliminar sempre interessante neste tipo de histórias.

E por falar em cenas de guerra, não só todas as batalhas têm um tom de guerra fascinante como ao vê-las nem me lembrei que estava a ver cenas coreografadas para um filme. Bem ao contrário do que me aconteceu em “Red Cliff” onde além de as cenas de invasão da parte final terem sabido a pouco e nem sequer terem sido particularmente impressionantes a nível criativo tudo me pareceu apenas guerra cinematográfica a todo o instante; coisa que nunca me aconteceu notar agora em [“Battle of Wits“].

Não só todas as cenas de invasão são muito variadas, como a nível de argumento as ideias para estratégias e planos de guerra são todas muito criativos e até bem surpreendentes em alguns momentos. E o melhor é que tudo isto é conseguido sem dar a impressão que estamos apenas a ver um filme, o que quanto a mim é o melhor trunfo que um épico histórico pode ter. Conseguir transportar o espectador para o passado e [“Battle of Wits“] consegue-o bastante bem na minha opinião.

A nível de história, não será propriamente algo tão interessante assim, e neste campo talvez até “Red Cliff” tenha tentado ser melhor e ir mais longe, mas [“Battle of Wits“] é essencialmente um filme sobre estratégias militares e sobre um combate de teimosias entre dois comandantes em ambos os lados da paliçada. A tal “battle of wits” que não tem uma verdadeira correspondente tradução directa na nossa lingua, mas que também se poderia traduzir por algo como “guerra de determinação” ou algo semelhante, pois é esse o coração do filme na sua essência.
[“Battle of Wits“] é um filme sobre dois homens, sobre os poderes que estão á sua volta e sobre o facto de só um deles poder sair vencedor de uma guerra que na verdade não tem qualquer sentido a não ser o de cimentar a sua honra e reputação ao melhor estilo filme de guerra medieval chinés.

Tudo gira á volta da invasão e defesa de uma cidade e tudo tem a ver com guerra, estratégia e politica, mas [“Battle of Wits“] tem ainda tempo para dedicar algumas sequências á inevitável história de amor. Neste caso, talvez mais para abrir o filme ao público feminino do que propriamente para criar algo memorável dentro do género romântico em filmes de guerra.
Por exemplo não encontrarão aqui a assumidamente romântica história de amor de “An Empress and the Warriors“, mas mesmo assim quem procura um toque de romantismo ao melhor estilo cinema oriental, penso que também irá ficar satisfeito com o que [“Battle of Wits“] tem para contar neste aspecto.
Tudo muito breve, mas resulta bem e humaniza o personagem de Andy Lau que até então mais parecia uma espécie de Obi-Wan-Kenobi da estratégia militar pois faz parte de uma ordem de guerreiros quase mística e do qual nunca se sabe muito ao longo de todo o filme.

As cenas românticas, são sempre muito secundárias e complementam bem toda a conversa estratégica, política e militarista do resto do argumento e ainda bem que os criadores deste filme as incluiram, porque conseguem criar uma carga de grande suspanse adicional no segmento final da história que agarra o espectador ao ecrã mesmo sem notarmos que não conseguimos desviar o olhar desses momentos. O desenlace romântico não foge muito ao habitual mas acaba também por transmitir um tom poético ao final de [“Battle of Wits“] o que é sempre bem-vindo.

Consta que isto é a adaptação de um Manga muito popular no Japão, mas como eu não o conheço nem nunca o li, não posso tirar grandes considerações sobre o mesmo. Por outro lado também acho que nem interessariam muito, pois mesmo que isto nem sequer seja uma grande adaptação da banda-desenhada, quanto a mim é um dos filmes mais interessantes de guerra em estilo super-produção que saiu da China recentemente e nesse aspecto bem mais carismático que “Red Cliff” sem precisar de tanta opulência gráfica para ser notado e apreciado.

Quem procura um épico de guerra chinés, penso que irá gostar bastante.
Na minha opinião, [“Battle of Wits“] talvez tenha duração a mais e não lhe fazia mal ficar sem uns quinze minutos talvez, isto porque se repete um pouco quando não há muito mais para dizer sobre honra, dedicação e patriotismo sem começar a tornar-se mais do mesmo. No entanto, como a história romântica intercala bem tudo o resto a coisa equilibra-se e não será por aqui que o filme perderá grandes pontos. Apenas poderia ter tido uma montagem mais dinâmica talvez.

Penso que irá agradar a quem procurar cenas de guerra medieval com grandes exércitos. As batalhas são muito variadas e divertidas, mesmo quando não são espectaculares. Neste campo é onde se nota o melhor do trabalho do realizador, pois penso que ele é fantástico a gerir toda a movimentação de figurantes e a transformar o pouco em muito.
Consegue algumas cenas bem espectaculares e acima de tudo divertidas pois são bem entusiasmantes ao longo de todas as cenas de guerra e quando um filme é essencialmente composto por cenas de batalha e pouco mais é notável como se consegue manter sempre equilibrado sem se tornar monótono.

Por outro lado, [“Battle of Wits“] não é um daqueles filmes de guerra com milhares de figurantes a lutar em cenas de exércitos gigantes no meio de planícies ou algo assim. É um filme de guerra de cerco e que se calhar já merece ser classificado como um sub-género dentro do cinema deste estilo.
Em vez de cenas épicas com milhares de figurantes temos cenas muito dinâmicas com algumas centenas de gajos a matarem e morrerem de todas as formas e mesmo assim, uma cena de cinco minutos de guerra deste filme tem mais entusiasmo do que quase duas horas de  “Mulan” o que já não é mau de todo.

Por falar em mau, [“Battle of Wits“] só tem uma coisa péssima.
Os maus efeitos digitais quase que arruinam algumas das cenas de batalha. Sejam a mostrar exércitos com soldadinhos feitos em CGI a marchar algo amadoramente em termos técnicos no que toca a animação, seja em muito fogo digital ou ainda em sequências inteiras com homens e cavalos tudo muito mal integrado na acção, por momentos ás vezes parece que [“Battle of Wits“] poderá tornar-se mesmo bastante foleiro e piroso quando tenta ser espectacular.
O que vale é que se calhar muita gente nem vai notar, pois felizmente são poucos e breves. Além disso a variedade do que acontece nas batalhas também contribui para distrair bastante o espectador e como tal penso que não se deve penalizar muito este filme por isto também.

Também poderia ter tido mais sangue. Num filme de guerra com tanta acção corpo a corpo e sequências em estilo cru com alguma violência tem muito pouca gente cortada aos bocados e practicamente nenhum sangue a espirrar; o que não deixa de ser estranho pois retira-lhe logo algum do dramatismo que poderia ter tido nas cenas de guerra. Se ás vezes sentirem que falta qualquer coisa no meio de tantas cenas de acção, já sabem. Falta sangue, pois surpreendentemente [“Battle of Wits“] é uma produção bastante politicamente correcta quando comparada com outras coisas semelhantes como “The Warlords” ou “Musa the Warrior“.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não será propriamente o meu filme de guerra medieval chinês favorito, mas é uma boa alternativa a quem procura um bom épico neste estilo e gostou da atmosfera visual de por exemplo, “Musa the Warrior“.
Tem atractivos suficientes para divertir e é bem mais variado e épico que “Mulan” por exemplo sem sequer se esforçar por sê-lo. E aposto que irá agradar muito a quem procura um bom filme de guerra onde a estratégia de batalha é o centro da história e terá ficado tão desiludido com “Red Cliff” quanto eu fiquei.
Sendo assim, quatro tigelas e meia de noodles porque é mesmo muito bom e só não leva mais porque achei que tem duração a mais e arrasta-se algo pelo meio.

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A favor: excelente ambiente cénico pois nem nos lembramos que são cenários construídos para um filme, boas e muito variadas cenas de batalha com estratégias de combate divertidas e imaginativas além de muitas vezes serem empolgantes, excelente realização particularmente na gestão das cenas de acção e na forma como as narrativas se cruzam, os personagens não são originais mas são na sua grande parte muito carismáticos, dois excelentes actores como antagonistas, é um filme de guerra com alma e muito para dizer mesmo subliminarmente, boa e simpática história de amor que ainda consegue arrancar um excelente momento de suspanse na parte final.
Contra: tem duração a mais e talvez se repita em alguns pontos já antes abordados, arrasta-se um bocado a meio da sua duração, os efeitos digitais são muito fraquinhos mesmo em alguns momentos, os personagens poderiam ter sido mais originais embora eu compreenda que isto não seja nada fácil de fazer, falta-lhe sangue pois tem carnificina aos montes mas é demasiado politicamente correcto no uso de cenas gore e nem tem sequer uma decapitaçãozinha nem nada, é um bom filme mas não lhes ficará na memória pois falta-lhe qualquer coisa para ser realmente fantástico.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=WdX_cNu9dCw

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Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0485863

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