The Assassination Classroom (Ansatsu kyôshitsu) Eiichirô Hasumi (2015) Japão


Se são daqueles que sempre pensaram que o que faltava no filme “Dead Poets Society/O Clube dos Poetas Mortos” eram umas pistolas e uns assassinatos então , [“The Assassination classroom“] é para vocês !

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Quando eu pensava que já tinha visto tudo, eis que o Japão volta à carga com mais um titulo absolutamente indiscritível e verdadeiramente inclassificável.
Por falta de tempo não costumo acompanhar o que se passa no mundo das séries Anime ou dos Manga, mas consta que este filme é a adaptação live-action de uma das mais populares séries animadas do momento em termos de objecto de culto.
Depois do filme, acho que vou ter mesmo que ver a série…

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Para aqueles que andam sempre a dizer que já não existem conceitos originais, tomem lá este.
Um extraterrestre que se parece com um polvo gigante amarelinho e com o rosto sorridente do -smile- um dia destroi mais de metade da lua (esculpindo-a para sempre em forma de meia-lua) e dirige-se para o nosso planeta Terra para voltar a fazer o mesmo, porque sim.
Para evitar que tal tragédia aconteça o governo do Japão faz um acordo com o alienígena e na troca deste poupar a Terra por mais uns meses, aceita dar-lhe emprego como professor de liceu.

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Sim, leram bem.
Mas não é um professor qualquer. É um professor de –assassinato– num liceu que treina os adolescentes para serem assassinos profissionais porque sim.
O objectivo na sala de aula, é por isso, assassinar o professor. Se não o conseguirem fazer até um determinado prazo, o extraterrestre amarelinho irá destruir também o planeta Terra porque lhe apetece.
Ainda está alguém aí ?… … …

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E mais; tudo isto parece passar-se numa espécie de Japão alternativo, ou pelo menos num futuro próximo onde a sociedade e o mundo escolar está dividido entre aqueles que têm boas notas nos estudos e por isso irão pertencer à elite e aqueles que são medianos mas que estão para sempre condenados a servir os ricos , um pouco como nas castas indianas.
Esses alunos são remetidos para a turma-E onde são treinados como assassinos para servir o governo.
Ah e a professora de Inglés chama-se “miss Bitch”.
Vic Bitch.

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E pronto, a partir daqui o que mais se pode dizer…
[“The Assassination classroom“] poderia ter sido um dos mais geniais filmes de…qualquer coisa…desde…ehm…qualquer outro…
O problema é que este filme tem pelo menos meia hora a mais e isso retira-lhe logo muito do divertimento que parece ir gerar à partida quando apanhamos com o conceito de tudo isto.

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Talvez porque tem a necessidade de apresentar inúmeras personagens ao mesmo tempo que tenta fundamentar este universo totalmente alucinado, [“The Assassination classroom“] acaba por gastar muito tempo naqueles momentos de exposição em que se fala muito sobre coisas em vez dessas coisas nos serem mostradas. Curiosamente isto parece ser a típica praga que assola grande parte do cinema live-action Japonês quando entra por este tipo de histórias mais Anime e [“The Assassination classroom“]  ressente-se disso, pois não fosse tão repetitivo na sua estrutura e tudo poderia ter sido fantástico. Algo me diz que a sequela (e sim vai ter sequela), irá ser bem mais consistente precisamente porque já não tem de apresentar personagens.

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É também um filme em termos geográficos muito restrito e tudo practicamente se passa ou dentro da sala de aula ou no recreio do liceu. Raramente abre a acção ou o drama para outro sitio qualquer salvo um par de breves momentos. Pessoalmente estou sempre á espera de ambientes épicos neste tipo de filme que se cola de certa forma ao estilo -super herois- de uma maneira ou de outra e quando isso não acontece sinto sempre que falta algo. Mas isto é uma opinião pessoal mesmo. De qualquer forma practicamente toda esta primeira história se passa dentro da sala de aula e pouco mais.

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Por outro lado, personagens completamente loucos é o que não falta por aqui. Desde o super-puto tipo Dragon Ball que voa e luta com os cabelos, até à colega de turma que é assim uma espécie de super computador em versão monólito do 2001 mas num estilo teenager fofinha; tudo em [“The Assassination classroom“] parece existir para desorientar o espectador apanhado de surpresa. Mas resulta ?
Por acaso até resulta. Até o puto esquisito tem pinta.

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Tirando a repetição constante das situações, algumas cenas que não levam a lado nenhum (os rapazes irem espreitar o dormitório das raparigas) e o excesso de diálogos de exposição, a verdade é que ainda sobra muita coisa realmente divertida que nos faz ficar hipnotizados sem conseguir sair de frente do ecran só para saber o que raio nos vai parecer pela frente de seguida.

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[“The Assassination classroom“] tem também a vantagem de contar com efeitos especiais fantásticos no seu geral. Algumas cenas de acção mais digitais resultam plenamente, a estética visual é totalmente Anime mas reproduzida em live-action e nada se pode apontar de negativo em termos técnicos a esta produção. Simplesmente esquecemo-nos muitas vezes que estamos a ver efeitos especiais e isso é o melhor que se pode dizer deste trabalho nesse aspecto.
A animação digital do personagem alienígena Kersensei é simplesmente espectacular e não conseguimos distinguir quando foi usada animação digital ou um efeito práctico com um boneco insuflável real no set.

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Todas as aventuras alucinantes do alien sorridente são acompanhadas por animação fabulosa, fluída e absolutamente notável, sendo este filme um bom exemplo para mostrar aquele pessoal que ainda pensa que só em Hollywood se fazem efeitos especiais a sério.
Quem gosta daquelas sequências de acção em estilo Dragon Ball ou Pokemon, vai delirar com algumas das cenas deste filme pois devem ser das mais fieis ao estilo Manga que vi até agora.

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[“The Assassination classroom“] é um filme de efeitos especiais, mas ao contrário de coisas como por exemplo “Transformers”, aqui os efeitos são sempre usados para complementar a história e não apenas para exibir o boneco (e ficamos a gostar muito do boneco sorridente também (apesar do riso irritante)). Teria sido muito simples terem entrado por esse caminho, mas felizmente que o argumento ainda se preocupa com os personagens. Infelizmente nem sempre resulta, pois são personagens a mais para duas horas de filme, mas pelo menos (embora algo vazios) nunca sentimos que estejam apenas por ali à deriva, pois alguns até têm momentos importantes, principalmente nas tentativas de assassinato do professor.

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O filme falha no entanto quando tenta dramatizar algumas situações, por exemplo no final. Há tanto personagem no filme que quando a história precisa de tentar meter alguma emoção para criar empatia com o espectador no que toca ao destino de certos personagens a coisa não resulta de todo e tudo parece metido a martelo porque era preciso e mais nada.
E não resulta porque precisamente não há grande desenvolvimento de personalidades ao longo da história. Todo o filme é focado no alien e como resultado o personagem mais humanizado acaba mesmo por ser ele. O que nem é particularmente negativo.

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Este é um filme muito estranho, não só pelo tema, mas pela estrutura. Na verdade não se passa grande coisa nele a não ser assistirmos constantemente às inumeras tentativas de assassinato do professor. Algumas divertidas, outras espectaculares, outras nem por isso.
Ha por aqui algures uma sátira politica e um comentário social, mas perde-se um bocado porque o que importa é mesmo o boneco amarelo. Por outro lado nem é grave, pois o que importa mesmo é mesmo o boneco amarelo e sendo assim…venha ele.

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Portanto [“The Assassination classroom“] recomenda-se a quem ? Bem, a quem conhece o Anime original talvez. Também se recomenda a quem quer ver um filme completamente alucinado pois a verdade é que é realmente uma ideia original muito bem executada técnicamente. Só pela originalidade vale a pena espreitarem.
Tem algum humor, é fofinho quanto baste e apesar da enorme quantidade de armas , não é propriamente um filme violento, embora tenha aqui e ali umas pitadas de politicamente incorrecto muito bem colocadas, o que só lhe fica bem.

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A verdade é que senti que há por aqui algo com um enorme potentencial, mas que fica a meio caminho precisamente porque isto é essencialmente um filme introdução.
Este universo tem de ser explicado, deixa pontas soltas no ar no final e tudo aponta para que a sequela resolva tudo o que fica a pairar nesta primeira parte.
Por outro lado, tem momentos divertidos e a sua originalidade é totalmente cativante.

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CLASSIFICAÇÃO:

Estava a pensar dar uma classificação menor a [“The Assassination classroom“] porque tem realmente meia hora a mais e as cenas de exposição tornam a história algo maçadora e repetitiva quando a história chega a meio; no entanto ninguém poderá negar a originalidade deste filme e só por isso merece ser destacado. Ainda por cima tecnicamente está fantástico e portanto é um daqueles que se recomenda a toda a gente que pensa que já viu tudo.

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Quatro tigelas de noodles porque sinto que a sequela deverá ser melhor, mas este vale pela originalidade acima de tudo.

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A favor: a originalidade e a loucura de todo o conceito, o personagem do alien amarelo é genial, os efeitos especiais digitais são de alta qualidade, boa fotografia, torna-se num filme verdadeiramente hipnótico a partir de certa altura.
Contra: deveria ser mais curto e ter menos momentos de exposição redundantes, é algo repetitivo quando passa a novidade do conceito, são duas horas onde não acontece grande coisa para além do que se repete constantemente e o final fica no ar.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


IMDB

http://www.imdb.com/title/tt3853452

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Se gosta de filmes alucinados e originais:

capinha_the-great-yokai-war capinha_Mr-Go capinha_attack_the_gas_station capinha-happiness-of-the-katakuris capinha_20th

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The Sorcerer and the White Snake (The Sorcerer and the White Snake) Siu-Tung Ching (2011) China


Se julgam o cinema de fantasia pela qualidade dos efeitos especiais então fujam !
[“The Sorcerer and the White Snake“] tem efeitos digitais tão maus que fazem as sequências de “Blood – The Last Vampire” parecerem cenas do Avatar em comparação.
Por isso se um mau filme na vossa opinião se define pelo lado técnico dos efeitos é melhor esquecerem este desde já pois não vão gostar de todo.

Se no entanto, conseguirem abstrair-se das piores criações em CGI dos últimos anos, entrarem na onda visual do filme e não se importarem com “renders” que mais parecem saídos de uma introdução de um velho jogo para a PS-ONE do que material produzido para cinema feito em 2011, então bem-vindos a [“The Sorcerer and the White Snake“].
Especialmente se gostam de filmes de fantasia.

Esta produção pode ter defeitos que nunca mais acabam a nível técnico, mas tem imenso charme e acima de tudo tem uma coisa que para mim dá logo imenso valor a um projecto; está sempre a surpreender no que toca a imaginação e parece continuamente apostado em atirar á cara do espectador momentos inesperados especialmente quando pensamos que já vimos tudo e nada nos pode apanhar de surpresa. E isto no sentido positivo e no negativo. O que de de certa forma serve como ponto de reviravolta na nossa opinião sobre o que aparece no ecran.

Perdi a conta dos momentos em que só pensava que tudo era tão mau, tão mal feito , tão piroso e tão foleiro que só poderia ser totalmente viciante, naquele sentido do é tão mau que só pode ser de propósito e portanto se torna automáticamente genial.
Por outro lado também perdi a conta dos momentos realmente bons deste filme.
Não o são, própriamente pela história ou carísma dos personagens porque na verdade não têm nada de especial ou sequer muito cativante, mas pelo resultado global desta produção que tanto pode ser genialmente má como extraordináriamente boa ás vezes com uma diferença de segundos entre cenas.

Isto porque como já disse [“The Sorcerer and the White Snake“] é um filme cheio de imaginação. Daqueles que sabem usar as suas limitações técnicas para muitas das vezes criar cenas memoráveis. Já vi este título há um par de semanas e continua a não sair-me da cabeça, nomeadamente por causa de muitas das suas imagens cheias de ambiente, paisagens fabulosas e muita criatividade no design visual.

[“The Sorcerer and the White Snake“] está cheio de geografias fantásticas, criaturas fofinhas e carismáticas (que deveriam ter tido mais tempo de antena), ao mesmo tempo que contém algumas cenas de acção bem divertidas e que culminam num final absolutamente épico.
Tão épico que se nota perfeitamente que os criadores deste projecto não tinham orçamento nem para metade do que quiseram mostrar mas mostraram na mesma, numa onda total de : “que se lixe !”
Por isso nota alta para tanta ambição e pela total falta de receio em alienar logo metade do público com tanto mau CGI.

Nota-se que houve aqui uma escolha óbvia; ou faziam um final pequenino sem grande chama e dentro do dinheiro que haveria para produzir uns efeitos mais aceitáveis…ou… entravam á maluca por um final para lá de épico sem terem meios para o realizar técnicamente como deveria ter sido filmado. Por mim, ainda bem que escolheram o total avacalhamento visual , pois [“The Sorcerer and the White Snake“] tem no seu final alguns dos melhores momentos de sempre dentro daquele género de cinema-tão-mau-que-só-pode-ser-bom !

Portanto se gostam de cinema de fantasia eu recomendo vivamente este filminho. Agora têm de gostar de Fantasia dentro do género conto-popular-chinês, em puro modo de conto-de-fadas com um bocadinho de porrada e artes marciais. Se procuram algo no estilo ocidental em jeito de Lord of the Rings, esqueçam, [“The Sorcerer and the White Snake“] é puro cinema de fantasia ao melhor estilo “The Promise” mas produzido sem o mesmo orçamento.

Quando isto começou, a primeira sensação que tive foi a de que estava a ver uma espécie de sequela não declarada de “The Forbidden Kingdom” mas sem o Jackie Chan ou o puto americano que não servia para nada.
Parecia que alguém na China esteve a ver esse filme, percebeu o que estaria a mais nele e resolveu criar a sua própria versão integralmente chinesa (visto Forbidden Kingdom ter sido uma co-produção China/América).
Isto porque inclusivamente o personagem de Jet Li até parece o mesmo e tudo, só que desta vez bem melhor usado dentro do contexto geral da história.

[“The Sorcerer and the White Snake“] é no entanto um filme bem mais infantil que “The Forbidden Kindom” (se é que tal é possível), isto porque em muitos momentos até parece uma produção da Disney ou da Dreamworks, devido ás sequências com criaturas fofinhas e animais inteligentes a piscar o olho ao estilo Shrek até).
Mas ainda bem que elas estão na história, pois são um dos seus pontos fortes. Quebram a monotonia da óbvia, clássica e algo aborrecida história de amor central e equilibram muito bem alguns dos momentos de acção mais fracos até.
Da minha parte só tenho pena que o filme não tenha tido mais criaturas como estas ao longo da história. Mas como está, está bem e curiosamente os efeitos digitais nesses momentos nem são nada maus não senhor.

Essencialmente [“The Sorcerer and the White Snake“] é um conto de fadas chinês. Conta a história de uma espécie de serpente milenar que se apaixona por um humano e se transforma em mulher para poder viver com ele. Claro que o pobre coitado nem suspeita do verdadeiro aspecto da senhora e muito menos imagina que existe uma ordem de monges que ao melhor estilo Terminator em versão Shaolin percorrem o mundo eliminando todo o tipo de criaturas que não forem humanas porque as consideram demoníacas , só porque sim; o que acaba por se revelar um dos pontos interessantes na moral da história também e provavelmente será a tónica do conto original que não parece esquecida no desenlace final desta aventura. Nota positiva também para isto.

Basicamente estamos na presença de um filme de aventuras divertido, passado numa China de Fantasia ao melhor estilo conto de fadas clássico oriental. Não se chateiem muito com o visual dos maus efeitos especiais e deixem-se levar pelo universo da história pois [“The Sorcerer and the White Snake“]  é um pequeno grande “mau” filme simplesmente perfeito para quem procura um titulo divertido e ligeiro. Nota-se que houve um constante esforço para apresentarem um produto criativo mesmo apesar das limitações técnicas e nem sempre encontramos algo assim que sabe tirar uma nota tão positiva daquilo que á partida poderia ter sido a morte do filme.

O seu único problema é que a história nem é particularmente divertida e o facto de se basear essencialmente numa espécie de comédia de costumes envolvendo uma história de amor também não ajuda a dar-lhe grande carísma no aspecto humano. Isto porque os personagens são todos muito superficiais e portanto não esperem encontrar aquela intensidade romântica de um “An Empressa and the Warriors” por exemplo e essa é uma das grandes falhas do filme, pois supostamente o amor seria o motor de todas as situações da história mas os personagens nunca nos cativam da forma que é habitual encontrarmos no cinema romântico oriental.
Como resultado disso, a parte dramática deveria criar uma grande empatia com o espectador para ajudar a terminar em beleza o segmento final da história, mas não funciona muito bem em termos emocionais pois tudo nos parece artificial demais ao contrário do que costuma ser costume em produções românticas orientais.

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CLASSIFICAÇÃO:

É um filme carregado de pequenos pormenores que lhe dão imensa vida. Tudo o que não envolve a história de amor central, dá imensa energia ao filme; o que no fundo é uma mais valia pois este enquanto fantasia romântica simplesmente nunca funcionaria muito bem por causa da superficialidade de toda a trama de amor.
Boas cenas e acção, monstros divertidos, criaturas fofinhas quanto baste, alguma comédia bem conseguida, quilos de maus efeitos especiais que não deixam de ter imensa personalidade mesmo assim e um final tão épico que nem cabe no orçamento do filme.
Como filme de fantasia totalmente no estilo conto-de-fadas-chinês, não será melhor que “The Promise” ou mesmo que “An Empress and the Warriors“, mas mesmo apesar dos maus efeitos especiais penso que é mais cativante do que “The Restless” e mais criativo que “The Forbidden Kingdom” também.
Por isso e porque o raio do filme não me sai da cabeça mesmo depois destas semanas todas, quatro tigelas e meio de noodles porque sendo mau demais é realmente muito bom mesmo ! E já que estamos no Natal é uma óptima escolha para espreitarem enquanto esperam pelo dia de abrir as prendas também.

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A favor: soube tirar partido da sua muita imaginação mesmo apesar dos péssimos efeitos CGI, está carregado de pequenos pormenores criativos a todos os níveis, algumas paisagens são fabulosas, tem um final tão épico que quase não cabe no orçamento do filme o que o torna ainda mais divertido, esforça-se a todo o instante por ultrapassar as suas limitações técnicas tentando surpreender o espectador com coisas novas e pequenas reviravoltas, tem um par de monstros bem creepy e divertidos, alguns efeitos digitais até nem são maus de todo não senhor, tem um par de criaturas fofinhas bem conseguidas, grande parte do design é excelente com destaque para o visual das duas serpentes irmãs em estilo sereia flutuante, boas e variadas cenas de acção eficazes quanto baste, alguns momentos de comédia divertidos.
Contra: quem odeia o estilo cinema-photoshop presente em “The Promise” vai abominar este filme totalmente,  a história de amor deveria ser o coração da história mas perde-se algures entre o drama que nunca poderia ser e a comédia que não sabe se quer ser, os personagens não têm grande profundidade e por isso a parte humana da história fica um bocadinho áquem do que é costume em produções românticas orientais, em 2011 é um filme com efeitos digitais do meio dos anos 90 no mínimo…mas por outro lado, who cares !

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=YOXg1SL60nk

Comprar
http://www.yesasia.com/us/the-sorcerer-and-the-white-snake-dvd-china-version/1025644242-0-0-0-en/info.html

Download aqui com legendas me PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0865556/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Promise

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Tôku no sora ni kieta (Into the Faraway Sky) Isao Yukisada (2007) Japão


Mais um filme bastante estranho e original saído do japão. E grande também…
Se o Emir Kusturica adaptasse romances do Jorge Amado filmando-os no japão com uma atmosfera de Stand By Me e um toque de Dandelion Wine do Ray Bradbury o resultado seria [“Into the Faraway Sky”].



Se procuram um filme oriental com uma atmosfera rural única e um toque de fábula campestre não vão mais longe, pois irão achar esta história fascinante.
Eu ainda não sei o que raio é este filme mas é absolutamente hipnótico e apesar de já o ter visto por trés vezes ainda não cheguei a nenhuma conclusão coerente sobre ele, a não ser que merece ser visto.



[“Into the Faraway Sky”] tenta ser muitas coisas ao mesmo tempo e desta vez o conjunto geral até resulta bem. Acho…
Ainda não cheguei a uma conclusão sobre o que vi e como acho que nunca irei chegar já sei que vou continuar a ter que rever este fascinante filme por muitas vezes.
[“Into the Faraway Sky”] é uma daquelas obras que ficam num canto da nossa memória depois de o vermos pela primeira vez e raramente nos lembramos de voltar a espreitar. Mas se o fizermos , depois quando começamos a rever o filme, não conseguimos parar pois temos que o ver até ao fim novamente pois tudo é tão cativante quanto estranho e não conseguimos tirar os olhos do ecran.
Até porque está cheio de imagens bonitas e muito cuidadas que ajudam a criar aquele tom de fantasia que percorre todo o filme.

Isto lembra-me uma história do Jorge Amado, porque li há pouco o romance “Tieta do Agreste“, (o tal em que basearam também a clássica telenovela) e também em [“Into the Faraway Sky”] encontramos pormenores semelhantes naquele tom satírico e muito engraçado. Também [“Into the Faraway Sky”] se passa algures num meio rural totalmente isolado e quase esquecido, onde não faltam os personagens dos coscuvilheiros que comentam tudo e todos, do Coronel que tudo manda, do louco da vila e claro uma casa da Luz-Vermelha com as típicas prostitutas locais. E isto para nem falar do resto no que toca a personagens.

Tal como em “Tieta do Agreste” de Jorge Amado, também [“Into the Faraway Sky”] é uma história á volta da ecologia e da eterna guerra entre o progresso e a natureza. Se em “Tieta” tinhamos no Brasil a empresa poluidora  Brastâmio, aqui em [“Into the Faraway Sky”] temos no Japão o projecto da construção de um novo aeroporto que vai destruir o pequeno paraíso rural encantadamente perdido no tempo, mas toda a dinâmica dramática e humorística funciona como no romance de Jorge Amado, desta vez representado visualmente no tal cruzamenteo entre “Gato Preto Gato Branco” de Kusturica com Stand By Me de Rob Reiner.
Confusos ? Eu não estou.
Se conhecerem bem todas estas referências vão perceber o que quero dizer e muito provavelmente concordarão depois comigo. Se não conhecerem, recomendo que as espreitem a todas, especialmente a obra de Jorge Amado que é genial e muito divertida, (tal como a novela de lá retirada já o foi ha vinte anos atrás).

[“Into the Faraway Sky”] estranho porque (não) é muita coisa ao mesmo tempo numa mistura de pormenores que há partida tinham tudo para não encaixar mas que resultam num filme que é tudo menos aquilo que aparenta ser.
Foi apresentado algures como filme de fantasia, mas na verdade não sei se isto se poderá encaixar no género apesar do seu ambiente algo encantado e de mundo perdido. No entanto, em alguns momentos faz lembrar o tom feliz e irreal do fantástico Anime “My Neighbour Totoro” de Miyazaki, por isso se gostaram da atmosfera rural desse desenho animado encontrarão aqui em [“Into the Faraway Sky”] quase o seu equivalente edílico em imagem real.


Este filme também já foi apresentado em alguns sitíos como sendo um filme para crianças, o que não podia estar mais longe da verdade. É certo que mais de metade do elenco é composto por crianças mas esta história é bem mais que um filme infantil de sábado á tarde não só pelas questões que aborda como pelo facto de meter putas rurais que convidam os homens na beira da estrada assediando quem passa mostrando as cuecas. Uma temática muito pouco comum no cinema para crianças.
A não ser que os japoneses estejam também muito á frente no cinema infantil…

[“Into the Faraway Sky”] é uma história contada pelo ponto de vista do elenco infantil, mas é mais um filme para aqueles adultos que ainda se recordam da magia do tempo em que eram crianças do que um produto para o público mais novo. Um pouco como “Stand By Me” era dirigido ao público adulto contando uma história infantil, também aqui este filme segue mais ou menos a mesma fórmula, por isso não se afastem de [“Into the Faraway Sky”] por causa de parecer um filme para putos porque é bem mais do que isso. Embora resulte bem a todos os níveis e cada faixa etária encontrará nele um ponto de referência que o fará gostar de acompanhar todos estes personagens, alguns bem alucinados e inesqueciveis.

E personagens geniais é coisa de que este filme não tem falta, desde os dois carismáticos cegos que tudo veêm e que bem no estilo dos velhos dos Marretas vão comentando os acontecimentos sociais do local, até ao “Coronel” que supostamente manda em tudo mas que na verdade não manda em nada, passando pelo gang de ciganos  japoneses (?!) que vive numa espécie de aldeia fortificada estilo Astérix, até ás prostitutas de vários feitios e formatos (inclusivamente uma anã), tudo nesta história remete quase para uma espécie de realidade paralela que ás vezes também parece saida de uma canção de Tom Waits se este escrevesse músicas no japão… 🙂
E ainda há uma miuda que fala com ovnis e quer capturar meteoros com o seu telescópio…isto para nem falar do louco da aldeia.
Aliás, há tanta coisa neste filme que é melhor eu nem contar mais para não estragar o prazer da descoberta.

Ah…
E já agora um aviso.
Não vejam este filme ao jantar ou se tiverem um estômago sensível.
Ainda alguém me há de explicar porque raio os orientais gostam tanto de piadas com caca !!!
Parece não haver comédia ou drama com algum humor saído do oriente que não meta um gag ou dois com merda, mas caramba…[“Into the Faraway Sky”] exagera um bocado !!!
Acho que nunca tinha visto um filme com tanto humor de merda como este. Há caca que nunca mais acaba nisto, falsa e real (closeups de cus de vacas a obrar…) e escatologia quanto baste.

Já lhes disse que [“Into the Faraway Sky”] é um filme algo estranho ?
Sinceramente eu nem sei bem o que dizer de tudo isto. Acho-o bastante cativante, mas também não está isento de algumas falhas. Para começar é grande demais e passa dos 140 minutos quando se calhar não precisava e depois alterna entre a comédia e o drama de uma forma que ás vezes parece não ligar muito bem, mas isto se calhar deve-se ao facto de haver tanto personagem e tanta situação a acontecer neste filme que seria inevitável que alguma coisa não pudesse ligar bem.

Tem tópicos a mais e dispersa-se um bocado por todos eles e embora tente centrar-se no tema da construção do aeroporto as coisas nem sempre resultam totalmente coerentes até porque muitas vezes estamos totalmente confundidos enquanto espectadores no meio de tanto personagem alucinado e tanta situação indiscritivel.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se procuram um produto cinematográfico único e com alguma poesia, com montes de atmosfera e originalidade quanto baste, então [“Into the Faraway Sky”] vai agradar-lhes certamente. Quanto mais não seja vale a pena vocês espreitarem pois não quero ser o único a ficar com o cérebro frito a tentar compreender tudo isto.
É um filme cheio de atmosfera tão encantada quanto alucinada e provavelmente será um daqueles que ou se detesta ou se gosta muito. Eu adorei e só não lhe dou ma nota ainda melhor porque … na verdade nem sei.
Quatro tigelas de noodles porque merece ser visto.

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A favor: o ambiente rural num estilo quase mundo perdido é totalmente cativante, os personagens são alucinados, os dois velhos cegos são muito engraçados, tem um toque de originalidade que resulta, mistura bem coisas e pormenores que pareceriam impossíveis de serem misturados, o elenco infantil é fantástico.
Contra: poderá ser demasiado estranho para muita gente, poderá ser confundido fácilmente com um filme para crianças, tem demasiadas piadas com caca por todo o lado !!!

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Nl5G5aFMnZc

Comprar
Excessivamente caro aqui.
Não encontro isto á venda em mais lado nenhum.

Download aqui ou aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0872029/combined
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