Fah talai jone (Tears of the Black Tiger) Wisit Sasanatieng (2000) Tailândia


[“Tears of the Black Tiger“] é um filme absolutamente único por vários motivos e se há um título que merece sem sombra de dúvida um excelente estatuto de filme de culto é este.

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Contrariamente ao que seria de esperar quando pensamos em Westerns, os Estados Unidos não foram os maiores produtores ( em quantidade ) de filmes de cowboys ao longo dos anos. Nem sequer foram os Italianos com a sua variante “Spaghetti” filmada normalmente em Itália ou no sul de Espanha.
Foram os Tailândeses.

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Em termos estatísticos parece que para desconhecimento total de todos nós, a Tailândia produziu uma tonelada de Westerns desde que o cinema chegou àquelas bandas. Na sua maioria títulos que nunca sairam do país mas que se tornaram em verdadeiros objectos de culto. Não propriamente pela sua qualidade mas sim pela sua originalidade, tal como é bem demonstrado aqui neste clip que um amigo me enviou há pouco ( pertencente ao filme Tailandês “San Basilio” de 1981 ). Foi a razão de eu hoje me ter lembrado que também estava na altura de recomendar [“Tears of the Black Tiger“] aqui no blog e portanto a ocasião não poderia ter sido melhor.
Vamos a isto. Viajemos até à terra dos cowboys, dos rancheiros, dos indios…A Tailândia.

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Não se assustem. [“Tears of the Black Tiger“] não é um “San Basilio” mas sim uma homenagem ao género, procurando não só reproduzir a atmosfera clássica “technicolor” da época como inclusivamente quer ainda recuperar o estilo kitsh ( em total modo pimba foto-novelístico), acertando em cheio na execução da ideia.
A tal ponto que muita gente pensa que este filme ou “é antigo” ou “está mal feito; (porque a imagem não presta)”

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Parece que a Tailândia tem mantido um verdadeiro fascinio com o cinema Western norte americano  bem longe do conhecimento do publico ocidental.
Como se já não bastasse imaginarmos duelos de cowboys pelo meio de arrozais ( sim, campos de arroz no oriente ) depois a Tailândia ao logo das décadas foi misturando géneros ao Western até tudo ter dado origem a um estilo de cinema de cowboys verdadeiramente único, verdadeiramente desconhecido e verdadeiramente chunga, num certo sentido pimba divertido.

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Isto porque os filmes Tailandeses ainda hoje não se livram daquela aura absolutamente inépta e amadora que torna o Cinema daquela região possivelmente no pior do oriente, pois são poucos os filmes Tailandeses que se conseguem suportar…
Tenho a certeza que se Ed Wood se tivesse nascido Tailandês teria sido certamente aclamado como o maior realizador do país, pois o cinema daquela terra continua a ser verdadeiramente “Edwoodiano”…para não lhe chamar outra coisa; ( especialmente desde que descobriram o CGI pois não deve existir pior utilização dessas técnicas modernas no cinema contemporâneo do que aquilo que a Tailândia faz actualmente com o digital…)
Mas como em tudo, há excepções absolutamente brilhantes e pelo visto ainda há quem saiba fazer cinema extraordinário na Tailandia.

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Como alguém referiu um dia numa review, [“Tears of the Black Tiger“] é definitivamente um daqueles filmes que são a razão de muita gente se apaixonar pelo Cinema, enquanto 7ºArte.
Se o cinema se pode definir pela arte de contar histórias por imagens tentando ser o mais original e eficaz possível sem nunca esquecer que as mesmas também podem invocar poesia e emoção então como já foi escrito, este é um dos melhores títulos de sempre nesse aspecto; tanto pelo visual como pela própria atmosfera única desta história que nos hipnotiza por completo mal nos deixamos transportar para aquele universo adentro.

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Nunca pensei recomendar um filme oriental dizendo isto, mas…
Quem adorar a obra literária de Gabriel Garcia Marquez, nomeadamente livros como “O Amor em Tempos de Cólera“, ou porque não, “Cem anos de solidão“, vai adorar [“Tears of the Black Tiger“].
Se Garcia Marquez tivesse sido realizador este teria sido o tipo de cinema que certamente faria adaptando muitos dos seus romances. Há por aqui aquela magia e aquele sentido de “realísmo mágico” característico da sua escrita, o que dá imensa personalidade a este filme.

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Agora é que me meti mesmo em sarilhos pois vai ser muito complicado explicar o que quero dizer com isto, mas sinceramente espero que algum produtor coloque os olhos neste realizador e o obrigue a fazer um novo remake para cinema de “O Amor em Tempos de Cólera“, ou até mesmo uma adaptação de “Memórias das minhas putas tristes“.
Até pode ser tudo transposto em termos de ambiente para a Tailândia que irá ter mais alma, poesia e atmosfera “Marqueziana” genuína do que a última tentativa em piloto automática saida de Hollywood para adaptar “O Amor em Tempos de Cólera“ que foi absolutamente esquecível em todos os aspectos e um verdadeiro desperdício de um dos melhores livros de todos os tempos.

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[“Tears of the Black Tiger“] sem adaptar “O Amor em Tempos de Cólera“ ou qualquer outro livro de Garcia Marquez tem mais a ver com o seu universo literário do que qualquer coisa que Hollywood tenha tentado colocar no ecran nas últimas décadas.

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Definir o que quero dizer ainda se torna mais complicado, se eu lhes disser agora que [“Tears of the Black Tiger“] é uma espécie de romance que Garcia Marquez nunca escreveu mas que poderia ter escrito se as suas histórias também metessem cowboys tailândeses pelo meio por entre palmeiras e campos de arroz.
Confusos ? Eu não.

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Logo desde os primeiros segundos [“Tears of the Black Tiger“] remete para uma atmosfera totalmente Garcia Marquez, o visual clássico da protagonísta de características étnicas ocidentais, o ambiente cénico a fazer lembrar aquela arquitectura colonial presente nos romances do escritor, as cores e os estimulos visuais que poderia ter sido decalcados de obras como “Cem anos de solidã0” e até o sentido de humor no estilo em que está presente em “O Amor em tempos de cólera“, tudo me fez ter a sensação de que estava a assistir no ecran à melhor adaptação de um livro que Garcia Marquez nunca escreveu e o resultado não poderia ter sido melhor.

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Depois de eu ter visto tanto filme mau saído da Tailândia nos últimos tempos, não deixa de ser fascinante quando agora três dos melhores filmes que vi  saídos daquela região tenham sido  criados pelo mesmo realizador-argumentista.
O criativo Wisit Sasanatieng ; cineasta que entrou já para a minha lista de realizadores favoritos por causa de: “Citizen Dog“, “The Unseen” e [“Tears of the Black Tiger“].

Até hoje ainda não quero crer que [“Tears of the Black Tiger“]  me passou ao lado estes anos todos apesar de já ter sido filmado em 2000 !
Temos aqui mais um bom exemplo de outro título que pode agradecer a sua actual popularidade no nicho do cinema de culto à existência de internet. Se ainda vivessemos num mundo de há trinta anos atrás fechados nos nossos próprios países, alguém como eu jamais conseguiria ter acesso a este tipo de cinema, quanto mais ouvir falar dele; até porque aqui em Portugal, tudo o que não vem de Hollywood não existe desde sempre.

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[“Tears of the Black Tiger“] visualmente é absolutamente fascinante. Tem uma estética artificial quase teatral mas onde tudo foi construído tradicionalmente através de cenários, efeitos gráficos e pinturas, o que lhe dá uma atmosfera extranhamente natural apesar do histerísmo visual de practicamente todas as cenas e lhe confere um efeito muito menos plástico do que veio depois a acontecer em “Citizen Dog” onde tudo foi criado digitalmente.

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O filme resulta em muitos níveis. Como drama romântico é genial. Ou melhor, diria mesmo, como tragédia romântica é genial, pois vai buscar aquele estilo melodramático totalmente over-the-top dos romances de cordel dos anos 30 e 40 e mistura tudo com a maior quantidade de clichés do Western mais puro num resultado final absolutamente surpreendente por muitos e variados motivos.
E ainda por cima enquanto filme de acção tem momentos clássicos a fazer lembrar o melhor e mais cru do trabalho de realizadores como Sam Peckinpah ou Samuel Fuller de uma forma divertidissima.

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[“Tears of the Black Tiger“] está cheio de tiroteios e baldes de sangue por todo o lado, o que o torna na primeira história de amor intensamente romântica com cenas gore absolutamente geniais, (vão adorar a bala pelos dentes).
Enquanto história de amor é fabuloso, não só visualmente como ainda tem muita alma e poesia pelo meio e nem o seu estilo totalmente melodramático em tom histérico de fazer chorar as pedras da calçada lhe retira o mérito de ser uma das melhores histórias de amor orientais ( e de todos os tempos ).
Muito pelo contrário pois é intensamente romântico ao melhor estilo clássico.

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Enquanto filme de porrada, ou melhor, enquanto filme-de-cábois é totalmente divertido. Não só a violência é estupidamente intensa a todo o instante embora totalmente cartoon, como está filmado num estilo que anda por ali algures entre os Westerns do final dos anos 60 e o cinema-exploitation do meio dos 70.
Muito daquilo que vocês viram Robert Rodriguez tentar recriar agora recentemente em filmes como Desperado, Planet Terror ou até mesmo Machete está aqui reproduzido em [“Tears of the Black Tiger“] de uma forma genuína para nos surpreender e divertir.

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Curiosamente o filme apesar de parecer ser uma espécie de dois-em-um com duas partes totalmente separadas que poderiam ser filmes isolados por si só, a coisa resulta plenamente quando a história de amor se junta ao western tailandês no acto final da novela.
Até lá parece que estamos a ver dois filmes diferentes ao mesmo tempo, inclusivamente com tratamentos visuais ligeiramente diferentes; por isso não se surpreendam.
Em [“Tears of the Black Tiger“] acompanhamos a história de amor no seu estilo telenovela melodramática em ambiente colonial por um lado, mas também um western-exploitation em modo ultra-violento por outro que depois irão cruzar-se num único ponto.
E não é que tudo isto resulta ?!

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Quem viu “Citizen Dog” e gostou, vai adorar [“Tears of the Black Tiger“].
Desde os enquadramentos até ao tratamento de cor, tudo neste filme está no ecran para nos maravilhar e fazer entrar num mundo de fantasia muito próprio e incrivelmente único onde as referências clássicas abundam e nos obrigam a voltar ao filme por muito mais vezes só porque nos escaparam detalhes á primeira.
O estilo western-chunga é genial e o uso do technicolor dos anos 50 para a história de amor tem resultados não só intensamente românticos como visualmente fabulosos.
A cor na cena da praia por exemplo está extraordinária e o filme tem ainda um intenso sabor a “IN THE MOOD FOR LOVE“.
Portanto se sabem do que estou a falar, irão adorar [“Tears of the Black Tiger“] por muitos motivos.

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Em termos de história, haveria bastante para contar, mas como não quero estragar o prazer da descoberta acho que mais uma vez basta apenas referir que quem também gostou de livros como “O Amor em tempo de cólera” vai curtir muito [“Tears of the Black Tiger“]. Garanto-vos.
Não terá a complexidade de argumento de um romance de Garcia Marquez mas tem a sua alma e acima de tudo contém uma poesia semelhante, tanto no seu visual único e extraordinário como no próprio coração emocional da história.

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Quem quiser ver um filme de porrada completamente estilizado a fazer lembrar o melhor cinema chunga surpreendentemente vai encontrá-lo no meio de uma história de amor cheia de atmosfera.
Quem procura uma história de amor cheia de atmosfera surpreendentemente vai encontrá-la no meio de um filme cheio de tiros, bocados de pessoas a saltar por todo o lado e violência gratuíta quanto baste.
Ah e a banda sonora é fabulosa.

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CLASSIFICAÇÃO

Um dos filmes românticos mais bonitos e originais saidos da ásia que me apareceram pela frente até agora; até porque tem um estilo visual absolutamente clássico ao mesmo tempo que mete baldes de sangue e bocados de pessoas a saltar por todo o lado.
O mais incrível é que consegue criar uma história de amor com que nos importamos e consegue misturar dois géneros de filmes que nunca chocam nem parecem metidos a martelo.

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Absolutamente notável em todos os sentidos e um dos filmes mais originais que já recomendei em qualquer dos meus  blogs de cinema.
Nunca viram nada assim.

Cinco Tigelas de Noodles e um Gold Award

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Porque é realmente surpreendente e muito criativo mas acima de tudo porque nos transporta para um mundo que nunca vimos e quase que nos apresenta uma espécie de realidade paralela em todos os aspectos.

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A favor: um visual fabuloso, excelente banda sonora, personagens com que nos importamos, boa história de amor totalmente melodramática mas perfeitamente adequada, parece um livro do Gabriel Garcia Marquez se este escrevesse histórias com cowboys e baldes de sangue passadas na Tailândia, a fotografia estilo technicolor na sequência da praia, é muito divertido, tem cenas gore e gente cortada aos bocados, tem muita alma e é um exercicio de poesia visual, consegue ser cómico emocionante e dramático ao mesmo tempo que tudo resulta num filme completamente coerente, é de fazer chorar as pedras da calçada ao melhor estilo fotonovela das revistas clássicas.
Tudo o que falhou em Sukiyaki Western Django resulta plenamente em [“Tears of the Black Tiger“].

Contra: quem não gosta do estilo gráfico excessivamente artificial não vai gostar disto, pode ser demasiado estranho para quem procura algo mais mainstream…afinal não tem indios…

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailers ( que vale a pena verem ):

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COMPRAR DVD – REGIÃO 2 – EDIÇÃO UK
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Boa edição para um filme que se está a tornar bem raro.
Infelizmente ainda não existe em bluray por isso é aproveitar em Dvd, porque está baratinho.
https://www.amazon.co.uk/gp/product/B00005UWPC/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B00005UWPC&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0269217

Podem ir buscá-lo aqui.

Nota curiosa: A actriz principal, pouco depois do filme concluído foi vítima de uma doença rara que quase a matou. Foi internada já inconsciente e quando acordou tinham-lhe amputado uma das pernas para a salvar. Actualmente encontra-se bem.

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Filmes estéticamente semelhantes de que poderá gostar:

The Promise capinha_citizen_dog

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Khun krabii hiiroh (Sars Wars: Bangkok Zombie Crisis) Taweewat Wantha (2004) Tailândia)


Quando o trailer do filme é o próprio a dizer coisas como:
Warning ! Please have some toilet paper handy while watching this movie because you might shit yourself laughing !”  a gente percebe logo que [“Sars Wars“] só pode ser cinema do bom !

Além de ser  cinema do bom, será provavelmente a comédia com as piadas mais imbecis dos últimos anos, o que o torna também logo num filme hilariante e como tal o trailer até terá razão embora não estejamos própriamente a rir pela objectiva veia cómica dos argumentistas. Ou se calhar isto é uma obra prima do nonsense ao melhor nível dos MontyPython em versão Tailândia, não faço ideia…

[“Sars Wars“] é um trash-movie como há bastante tempo não me aparecia pela frente. Chunga, com piadas que nunca mais acabam mas todas sem nexo nenhum, baldes de sangue mas tudo muito cartoon, miúdas giras que passam o filme todo mais preocupadas em parecer sexys do que em representar, montes de tiros e gente cortada aos bocados de todas as formas e feitios, mortos vivos que nunca mais acabam, sequências em Anime pelo meio e … uma cobra gigante !! (?)…

Como descrever esta coisa ?
Tudo é mau em [“Sars Wars“], logo…tudo é bom.
Melhor, logo, tudo é genial !
A começar pela auto-paródia dos próprios criadores do projecto pois passam o filme todo a constatar como tudo aquilo é mau demais assumindo que tudo isto foi feito apenas para sacar guito aos espectadores.
E sendo assim, como não concordar com eles e achar também que este filme só pode ser bom porque é realmente mau ?!

[“Sars Wars“] mete coisas demais para poder contar aqui sem me baralhar todo. E todas elas falham redondamente tornando o filme num daqueles filmes-lixo absolutamente irresistiveis. Embora [“Sars Wars“] seja menos divertido do que aparenta ser no trailer.
Aliás, o trailer é excelente e dá uma ideia errada até do próprio ritmo da coisa.
O filme tem tanta referência metida pelo meio que acaba por ser algo completamente desconjuntado e com um ritmo muito estranho que anula em alguns momentos aquele efeito divertido que aparenta ter no trailer.

No entanto, não deixa de ter momentos absolutamente geniais de tão maus que são.
Desde os mortos-vivos que mais parecem figurantes rejeitados do Thriller de Michael Jackson, até ás heroínas sexy que fazem com que a saga Resident Evil pareça ser o Casablanca, tudo em [“Sars Wars“] se mistura numa combinação explosiva que os irá divertir ao longo da sua duração.

E já lhes disse que isto mete uma cobra gigante ?!
[“Sars Wars“] é assim uma espécie de mistura de Zombies do Romero com o Jaws do Spielberg mas com uma cobra gigante á mistura que parece um gráfico da Playstation One. Pelo meio ainda tem tempo de se parecer com o Resident Evil, piscar o olho ao Matrix e a todos os filmes de porrada do John Woo. Ah, e mete light-sabres também… e sexo badalhoco.
Além disso, como habitualmente no cinema Tailandês, os efeitos de CGI são absolutamente do piorio.
O que me leva ao feto/aborto-zombie…ou se calhar é melhor não…

Essencialmente não há muito mais para dizer sobre [“Sars Wars“], até porque é muito dificil encontrarmos palavras para dizer o que quer que seja sobre isto de uma forma coerente.
Deve haver qualquer coisa na água da Tailândia que faz com que practicamente 99% dos filmes saídos daquela terra sejam…indiscritíveis, no mínimo…
E este [“Sars Wars“] não é excepção porque só visto mesmo.

As piadas não têm graça, e por isso são hilariantes, as cenas de acção são do piorio mas resultam porque se espalham em tudo o que tentam fazer com pinta, tem gore e sangue aos montes mas é tudo tão cartoon que isto quase que se torna um filme para crianças do Road Runner em versão chunga, é um filme de terror, é uma comédia, é um filme de acção e falha redondamente em tudo o que se propõe. Sendo assim, acerta em cheio e o resultado não poderia ter sido melhor porque não poderia ter sido pior. Perceberam ? Pronto.

O mundo está todo virado do avesso. Uma nova variante do virus SARS tomou conta do mundo inteiro (ou quase) e só a Tailândia se safou (?!).
Apesar do mundo ter acabado (?) e essencialmente o pessoal ter todo morrido ou virado morto-vivo, parece que na Tailândia a vida decorre como normalmente (?!) até ao momento em que um homem de negócios que vem do estrangeiro infectado começa a contagiar toda a gente num prédio que rapidamente é isolado pelas autoridades.

Acontece que nesse prédio também estão  um bando de gangsters que não ficam a dever nada aos Irmãos Metralha e que acabaram de raptar a filha de um dos maiores mafiosos da Tailândia (inteligente esta malta) e exigem uma pipa de massa em troca da rapariga ou então…querem fazer-lhe …coisas…

Lógicamente só havia uma solução e essa foi a contratação do maior mestre estilo-Jedi (?!) da Tailândia para ir buscar a miúda que é tudo menos inocente e fofinha. Para complicar temos ainda uma cientista podre de sexy e um jovem aprendiz de heroi que tem um bom gosto extremo na forma como se veste e parte em missão de salvamento também.

Ah, e também há uma rave-party a decorrer no mesmo prédio.
Isto para nem falar na cobra.

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CLASSIFICAÇÃO:

Para quem pensa que já viu tudo o que se poderia fazer dentro do cinema de terror com mortos vivos, se calhar irá surpreender-se com isto.
[“Sars Wars“] tem sido comparado ao Braindead ou ao Bad Taste do Peter Jackson e a coisa não está mal vista não senhor. A onda é a mesma, mas o resultado é pior, por isso é bom.
Quem gosta de filmes do Ed Wood, tem aqui mais uma vez saído da Tailândia como de costume, outro equivalente ao Plan 9 from Outer Space (históricamente considerado como o pior filme do mundo…algo injustamente), mas agora em versão gore, anime, comédia e violência extrema sem sentido nenhum mas onde tudo resulta num cozinhado muito divertido.
Só mesmo na Tailândia é que se conseguiria fazer uma coisa assim sem se tornar insuportável.
Ou se calhar até é.
Já não sei, estou totalmente baralhado, mas apetece-me rever o filme o que no fim de contas não pode ser mau de todo.
Trés tijelas de noodles na boa porque [“Sars Wars“] é bom por ser mau demais.

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A favor: tem zombies, tem miudas giras, tem baldes de sangue, tem cobras gigantes, tem espadas de luz, tem abortos que voam, tem tiros, tem herois indescritíveis, tem gente cortada aos bocados, tem gangsters, tem piadas sem graça, tem CGIs absolutamente inclassificáveis, tem cenas de acção em total modo histérico, é tão bom quanto qualquer filme de Ed Wood agora em versão Tailândesa chunga e tem homens nus para as miudas apreciarem. É divertido porque nunca viram nada assim, quem odeia o Resident Evil vai adorar odiar este também. O próprio filme não se leva nunca a sério , sabe que é mau, assume isso plenamente e por isso merece logo ser visto por quem gosta de cinema-lixo.
Contra: o trailer é mais divertido que o filme porque se [“Sars Wars“] tivesse tido a mesma montagem que está no clip poderiamos estar na presença de uma obra prima do cinema lixo mas infelizmente fica um bocado aquém do que merecia e poderia ter sido.
Mas não se deixem enganar pela minha singela classificação, [“Sars Wars“]  merece ser visto por quem gosta do género e é totalmente obrigatório para quem coleciona filmes com mortos vivos porque nunca se viu nada assim.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=i1qskrW0U34

Comprar
http://www.amazon.co.uk/Sars-Wars-Unlikely-Hero/dp/B004PYSPU4/ref=sr_1_3?ie=UTF8&qid=1304775881&sr=1-3

Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1262945/combined

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Quê ?!!…

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