Baahubali: The Beginning (Baahubali: The Beginning) S.S. Rajamouli (2015) India


Ahhh, “Baahubali – O Começo”; por onde começar…
Há cinema bom e há cinema mau. Há ainda aquele cinema que de ser tão mau se torna automaticamente bom. Depois há o cinema Indiano…

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E como muita gente sabe Bollywood é um caso à parte.
Se a física quântica procura a prova da existência de universos paralelos, não procurem mais, vejam uns filmes de Bollywood porque está lá tudo.
Ainda hoje me pergunto, o que raio é o cinema Indiano e porque razão produções  como este [“Baahubali – The Beginning”] parecem insistir em continuar a contribuir para a minha confusão. Mais espantoso ainda é os filmes de Bollywood serem actualmente o cinema mais rentável do mundo. Para quem pensa que é o cinema americano, recomendo que leiam uns artigos sobre o assunto e irão surpreender-se com o dinheiro que o cinema Indiano faz pois nem irão acreditar. Avatar é para amadores em termos de fazer guito à parva no box-office.

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Como devem ter notado este irá ser o primeiro filme Indiano a figurar neste blog. Na verdade não deixa de ser cinema asiático também, mas é o primeiro que comento porque pura e simplesmente desta vez não consigo deixar de fazê-lo.
[“Baahubali – The Beginning”] não é o primeiro filme Indiano que vi tentando encontrar algo que valesse a pena divulgar aqui, mas é definitivamente o primeiro que na minha opinião vale a pena recomendar.
Mas não se entusiasmem. Eu disse, recomendar.
Não disse para irem vê-lo.
Recomendo que façam qualquer coisa com ele, recomendem-no a amigos que gostem MESMO de cinema Bollywood, podem sacá-lo, gravá-lo e até vê-lo mas estarão por vossa conta e não me responsabilizo pelos danos cerebrais nos leitores que não estão habituados ao estilo Indiano de fazer cinema.

Por outro lado depois de verem este trailer, vocês não vão conseguir escapar por isso nem tentem resistir.

Então ? Dá vontade de ver ou não dá ?
Parece ser um filme de fantasia altamente não é ? Ah pois é.
Este trailer está realmente um espectáculo mas cuidado, toda a adrenalina entusiasmante que aparece nesta montagem promocional está particularmente ausente do filme. O tom do filme não é de todo o tom magnifico que encontram na sua apresentação.
Então isto afinal é o quê ?
Bem, [“Baahubali – The Beginning”], é um filme de fantasia Indiano. Consta que é a produção mais cara de sempre em Bollywood e nota-se.
Se o quiserem classificar será assim o –Lord of the Rings- indiano tendo por base todo o imaginário fabuloso daquele país e nesse aspecto faz um trabalho magnifico ao passar para o grande écran todo aquele sentido épico que sempre imaginamos nas sagas relativas aos textos do Mahabharata e restantes narrativas Vedicas da India.

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Se gostam mesmo muito de filmes Indianos provavelmente nunca viram algo assim no género , podem parar de ler este texto e irem ver isto porque irão adorar.
Para quem não conhece (ou não suporta) cinema Indiano, ainda há muito para dizer. Portanto, vamos começar pelo que este filme tem de bom.
[“Baahubali – The Beginning”] visualmente é tudo o que podem ver no trailer e mais ainda.
Esta história de fantasia tem definitivamente um dos melhores designs de produção dos últimos anos e ainda parece melhor por tudo se passar num universo tão particularmente Indiano e culturalmente muito enraizado nas suas narrativas épicas.
Embora seja um filme incrivelmente colorido, depois de nos acostumarmos ao estilo visual berrante que pode desorientar-nos no inicio, podem ter a certeza que visualmente[“Baahubali – The Beginning”] é um espectáculo e só por isso é de visão obrigatória para quem se interessa não só por fantasia como principalmente para toda a gente que gosta de concept design ou ilustração.

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As paisagens são fabulosas e mesmo apesar de muita coisa tresandar obviamente a photoshop, na sua maioria é trabalho de photoshop do bom. Os matte paintings são lindíssimos em muito dos momentos estendendo paisagens naturais até um nível de fantasia fabuloso que não fica nada a dever ao melhor que se pode ver numa produção americana.
O tom de  [“Baahubali – The Beginning”] é claramente o de um livro ilustrado, uma espécie de iluminura de um veda transposto para o grande écran e nesse aspecto o CGI está particularmente bem usado em quase todo o filme embora não escape também a muitos momentos algo fraquinhos; mas isso acontece igualmente em muito cinema americano e ninguém se queixa, por isso deixem-se de tretas e apreciem o esforço que foi colocado para produzir este universo pois este mundo de fantasia indiano é fascinante e muito real.

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Em termos de design, fica aqui também o meu destaque para uma das melhores cidades de fantasia que apareceram no cinema do género desde Minas Tirith nos filmes de Peter Jackson. Temos aqui um caso em que uma complexa maqueta CGI foi criada para o cenário deste filme e parece ter sido explorada até ao último pixel. Quero com isto dizer que  [“Baahubali – The Beginning”] parece a todo o momento querer mostrar que o dinheiro que gastaram está todo no écran e nota-se. A maqueta da cidade parece que foi filmada de todos os ângulos e todo o filme está cheio de pequenos segmentos introdutórios de cenas que se iniciam cheios de ambiente porque começam sempre com uma visualização de um qualquer pormenor do cenário que termina onde começa a acção.
A arquitectura e a as cores em particular são fabulosas.

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O mesmo vale para o guarda roupa que como seria impensável num filme indiano não podia ser outra coisa senão espectacularmente colorido e imaginativo.
Como bom épico de fantasia que se preze também  [“Baahubali – The Beginning”] tinha que ter uma batalha com milhares de guerreiros à espadeirada no final e neste aspecto, embora não resulte particularmente bem em termos de adrenalina por razões que explicarei mais adiante, a verdade é que em termos de design, uso de cgi e ambiente geral o conflito final também é um dos pontos altos do filme, pois tecnicamente também não fica atrás do que se faz actualmente no cinema épico fora da India.

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E perguntam vocês…mas então  [“Baahubali – The Beginning”] é bom ?
Sim ou não ?
Bem… “nim”…

O cinema indiano é realmente algo à parte. Ou temos estômago para tanto estilo kitsh em modo “azeiteiro” e entranhamos tudo aquilo como uma experiência cultural e seguimos em frente ou então está tudo perdido e a coisa torna-se verdadeiramente secante , especialmente quando a coisa dura duas horas e meia que mais parecem quatro.
No que me toca, estou a meio termo. Normalmente tento entrar em “modo indiano” mas a verdade é que depois lá pelos 50 minutos de filme já começo a pensar que se calhar não me apetece ver aquilo tudo. Aconteceu mais uma vez neste filme também e estava com muita esperança que desta vez fosse diferente por causa de ter gostado tanto do trailer.
Mas mais uma vez também  [“Baahubali – The Beginning”] conta com certos pormenores que me irritam por demais no cinema Indiano e que sinceramente custo muito a ultrapassar.
E não, não estou a falar das cantilenas pindéricas azeiteiras dos moçoilos de bigode e das raparigas roliças que cantam e dançam por tudo e por nada nos filmes indianos.

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Isto porque surpreendentemente, desta vez  [“Baahubali – The Beginning”] é um filme indiano atípico. Talvez porque os produtores querem mesmo tentar projectar esta aventura no circuito de distribuição ocidental, as cantigas para o ar foram reduzidas apenas a dois momentos musicais ao longo do filme inteiro, o que não deixa de ser inesperado. Eu estava à espera de encontrar pelo menos umas 15 canções com dança ao longo do filme e isso não acontece de todo. A música está presente, mas está mais a servir de banda sonora nalguma montagem que faz avançar a narrativa do que propriamente encalha a história parando tudo para que os actores cantem e dancem como de costume. Desta vez a coisa é diferente para melhor.

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A primeira cantoria irritante (com uma canção pimba do mais kitsh e foleiro que possam imaginar), só aparece aos 50 minutos de filme e mesmo essa cena está bastante bem contextualizada dentro de um sonho do herói, o que na verdade alarga o tempo do filme mas não interfere na narrativa principal. Agora meus amigos, preparem o cérebro e o saco de vómito para o “videoclip” em estilo Jardim do Éden que lhes irá aparecer pela frente. Não digam que não avisei. Só as roupinhas do heroi valem o clip.

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A segunda cantoria com dança, acontece quase uma hora depois da primeira e tem lugar numa cena que mostram as bailarinas do palácio do vilão do filme. É uma breve cena musical que na verdade parece maior do que é porque é uma seca para quem como eu não suporta estas coisas no cinema Indiano, pois esta é longa demais e encalha a narrativa sem necessidade nenhuma.
E pronto em cantorias ficamos por aqui.

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Para minha surpresa neste filme, o problema desta vez não está em conseguirmos suportar os intermináveis números musicais. O problema agora tem mais a ver com a história e com os personagens.
Ou melhor, mais uma vez um filme como  [“Baahubali – The Beginning”] falha nas suas pretensões de se ocidentalizar porque não consegue fugir do estilo (pseudo) “dramático” em permanente estado de “overacting” em modo trágico dos actores/personagens.
Ou seja, o problema em  [“Baahubali – The Beginning”] é que os personagens não têm qualquer interesse porque não existe qualquer suspense e muito menos tensão dramática nesta aventura.
Os actores bem se esforçam, permanentemente aos berros, a chorar baba e ranho, a sofrerem imenso ao melhor estilo “Floribela”, ou então no registo oposto; em total modo de “comédia” azeiteira com gags de humor forçado onde inclusivamente os personagens parecem estar a dizer para o espectador … agora é para rir. Ou pior … a ser charmosos para o ecran !! Tipo, sou podre de bom !

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Não resulta. Mais uma vez o tradicional tom Indiano de caracterizar personagens e situações em modo ultra-melodramatico, versão esteroide não resulta fora da India.
Aquilo que para o público indiano será drama intenso, para um ocidental é uma verdadeira anedota.
Não tenho duvidas nenhumas que é esse tom que o público na India procura encontrar nos seus “dramas”, mas aos olhos do publico ocidental toda a carga dramática que deveria criar interesse na história pura e simplesmente desaparece para quem não tiver qualquer ligação com a cultura Indiana, porque o suposto dramatismo é tão extremo e ridiculo que anula por completo qualquer personagem ou situação que deveria ser de tensão.
Por exemplo, imagino o publico indiano a vibrar de ódio e suspense para com o vilão e a bater palmas com o herói , mas acreditem-me, para o público ocidental aquilo será humor involuntário do mais pindérico.

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O problema de  [“Baahubali – The Beginning”] está nos personagens. Simplesmente não resultam dramaticamente, são de uma piroseira total em termos cómicos e depois as suas histórias pessoais no decurso da própria narrativa principal são completamente sem nexo. Mais uma vez, tenho a certeza que isto resultará plenamente na India, mas por cá, meus amigos , certas cenas chegam a atingir momentos insuportáveis em que só apetece ligar para o argumentista e perguntar qual era a ideia. E eu nem costumo ser muito picuínhas com estas coisas. Acontece que em  [“Baahubali – The Beginning”] tudo parece desconexo, ilógico ou simplesmente piroso, o que destrói por completo qualquer carga dramática que a história pedia para ser minimamente interessante de seguir.
Não é. Esta história não tem qualquer interesse porque o tom de piroseira constante anula qualquer empatia com um publico que não tenha afinidades com a cultura indiana.

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[“Baahubali – The Beginning”] não cria qualquer empatia com o espectador em termos de personagens e até naquilo que costuma ser o forte no cinema oriental (pelas bandas do Japão ou da Coreia do Sul), as suas boas histórias de amor muito humanizadas e cheias de carísma, no caso deste filme Indiano, esqueçam. É pior que todos os filmes do Twilight juntos. Eles amam-se porque são muito giros e gostam um do outro e tá feito.
Não é este o caminho para a ocidentalização do cinema Indiano.
O excelente design e bons efeitos digitais não servem de nada se depois não conseguem sair do estereotipo Indiano na forma como desenham personagens de cartão em qualquer interesse pois nunca sentimos que aquelas pessoas estão em perigo, ou a viver um drama real.

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Temos o herói que em estilo moisés foi salvo de morrer afogado num rio e criado por camponeses até que se torna um bigode com pernas muito óleoso em termos de carisma azeiteiro com tiques de mandar olhares charmosos para a camera, temos o vilão que é mau porque sim e que usurpou o trono do monarca bom, temos a ex-raínha que vive prisioneira na praça da cidade acorrentada há mais de 25 anos à espera do filho que perdeu um dia, temos o escravo que por motivos de honra contribui mais para a desgraça de toda agente quando podia ter resolvido a situação e ter escapado há muito tempo, temos personagens árabes que não servem para nada (pelo menos para já), temos grupos de rebeldes que podiam estar num filme dos Monty Python e temos a Keira Knightley… ooops, perdão, a pirata das caraíbas… quer dizer a –princesa guerreira– que é uma psicopata do caraças e não tem problemas em decapitar soldados que se renderam ao melhor estilo radical islâmico (mas é boa moça).

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E por falar em decapitar, sangue visceras e tudo o que gostariamos de ver numa batalha.

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[“Baahubali – The Beginning”] tem montes de sangue, gargantas cortadas, decapitações e coisas assim ao longo de todo o filme. Isto até chegar à batalha final.
Depois estranhamente no conflito entre os dois exércitos… há lâminas por todo o lado mas nem uma gota de sangue. Os soldados levam espadeiradas e apenas saltam no ar em estilo banda desenhada do Asterix ou total modo cartoon da Warner Bros.
Em vez do filme continuar com gore sangrento como seria de esperar, isso não acontece de todo e de repente a batalha do final, que já tinha pouco suspense, fica ainda menos interessante pois o filme resolve entrar em auto-censura (?) precisamente nesse momento no que respeita a gente cortada aos bocados e ao sangue que (não) mostra.

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E já lhes falei do – “CGI” ?…
Não ?
Bem me parecia.
Mas não vão acreditar nesta.

Em  [“Baahubali – The Beginning”] sempre que aparece uma cena com animais (estes são todos criados em animação digital renderizada).
Até aqui tudo bem, certo ?
Errado.
Em  [“Baahubali – The Beginning”] sempre que aparece uma cena com animais, de repente surge no canto inferior esquerdo um pequeno logotipo a dizer precisamente “CGI” !!!!
Juro !!!

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Acontece primeiro numa cena em que o vilão mata um touro numa arena em estilo tourada Indiana e depois volta a acontecer precisamente no meio das cenas de batalha no final do filme !! Ora se estas já não têm qualquer adrenalina por tudo se parecer tão politicamente correcto e “infantil”, (além dos personagens sem interesse), imaginem agora que de cada vez que a camera muda de ângulo, se o breve take mostrar um cavalo, um touro, ou outro bicho qualquer no meio da batalha de repente lá está ao canto do écran “CGI” !!!
Parece anedota !!!

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Ah, depois o filme acaba a meio.
Ok, está bem, chama-se  [“Baahubali – The Beginning”], mas não pensei que fosse literalmente o inicio e nos deixasse pendurados.
A segunda parte sai ainda este ano.

Ah, mas acaba com um bom twist.
Eu fiquei com vontade de ver o resto e ainda não sei bem porquê. Muito provavelmente porque preciso recuperar do choque pindérico que esta produção provoca.
Sendo assim, vamos a conclusões.

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CLASSIFICAÇÃO para quem gosta de cinema Indiano:

Se gostam de cinema Indiano mesmo a sério e conseguem suportar todos aquele clichés tradicionais, acho que vão adorar [“Baahubali – The Beginning”] pois contém todas as formulas de Bollywood mas com menos canções desta vez.
De qualquer forma se gostam de cinema daquela parte do mundo, acho que nunca viram nada nesta escala e irão gostar pois é capaz de ser realmente a maior produção de sempre em Bollywood e nota-se bem a todo o instante no ecran.
Se aguentam a piroseira oleosa reinante, esta produção valerá mesmo a classificação de excelente.

Cinco tigelas de noodles.
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Para os outros… 😉

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CLASSIFICAÇÃO para quem não gosta ou não conhece cinema Indiano

Se não têm paciência para cinema Indiano…  [“Baahubali – The Beginning”] é apenas uma boa tentativa Indiana de criar um espectáculo de fantasia que só falha porque ter bom design e bons efeitos especiais não chega quando o estilo dramático continua a ser culturalmente restrito ao que o público indiano considera desenvolvimento de personagens. Com muita pena minha leva apenas três tigelas de noodles, porque é (subjectivamente) bom e vale a pena tentarem vê-lo pelo menos uma vez se gostam de cinema de fantasia; mas só é “bom” porque nota-se no écran o esforço da produção para criar um bom espectáculo de aventura a nível visual.
Infelizmente depois falha por completo a nível dramático.

Tres tigelas de noodles.
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Avancem com cuidado. [“Baahubali – The Beginning”] se calhar nem sequer merecerá três tigelas de noodles, mas por agora fica assim e vamos ver o que acontece na segunda parte um dia destes. Não será um filme que irei rever tão cedo, provavelmente nunca.

A favor: O ambiente visual do filme, o design da cidade de fantasia e as paisagens matte painting em geral. Não tem momentos musicais aos montes ao contrário do que costuma acontecer nos filmes indianos onde cantam e dançam por tudo e por nada. Algumas cenas de acção são divertidas. Se gostam de cinema kitsh vão adorar.

Contra: A carga dramática não existe (no “melhor” estilo exagerado do cinema indiano), os personagens são na sua maioria um vazio absoluto ilógicos e sem qualquer carisma, sem personagens a história cai por terra e perde o interesse porque toda a gente que aparece no écran está em permanente modo de –overacting– ao pior estilo cinema indiano numa historia onde os maus são muito maus e os bons são muito bons. Por causa disto, a batalha final não tem qualquer impacto ao contrário do que aparenta no trailer. Anda muita gente à porrada de um lado para o outro mas falta adrenalina às sequências pois é tudo muito anónimo em termos de acção (os vilões não nos interessam porque não os conhecemos o suficiente; os herois são um vazio absoluto). O desiquilibrio entre as varias cenas gore ao longo do filme; muito sangue inesperado na primeira metade do filme mas depois na guerra do final não há sangue em lado nenhum e tudo parece um cartoon sem chama. Mete “orcs” indianos… Sempre que aparecem animais no filme aparece também um logotipo ao canto do écran a dizer “CGI” o que se torna não só ridículo mas distrai a atenção de tudo o resto nesse momento. Sem tem uma banda sonora orquestral, nem me lembro. Os (poucos) momentos musicais são uma piroseira ao pior estilo Bollywood. A história de amor que supostamente seria um dos pontos centrais da narrativa não tem qualquer emotividade, carisma ou interesse. Parece um filme ainda maior do que já é. O trailer é melhor que o filme pois tem a adrenalina e o ambiente de aventura entusiasmante que depois não existe em [“Baahubali – The Beginning”].

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer

Trailer da segunda parte:

Comprar Blu-ray
http://www.amazon.co.uk/Bahubali-Hindi-English-Subtitles-Regions/dp/B0156J9O8I/ref=sr_1_2?s=dvd&ie=UTF8&qid=1456006658&sr=1-2&keywords=bahubali

Comprar Dvd
http://www.amazon.co.uk/Bahubali-Hindi-English-subtitles-Blockbuster/dp/B015TUBDME/ref=sr_1_1?s=dvd&ie=UTF8&qid=1456006658&sr=1-1&keywords=bahubali
IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2631186/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Promise The Myth Shinobi

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Chi bi/Chi bi xia: Jue zhan tian xia (Red Cliff / Red Cliff 2 – Versão Integral Original com 300 minutos) John Woo (2008/2009) China


Comecei a ver [“Red Cliff“] no início de Janeiro e curiosamente embora tenha gostado do primeiro dvd, quando o primeiro  filme acabou não fiquei com vontade nenhuma de continuar a acompanhar esta saga apesar de ter deixado a história a meio e como tal só me decidi a ver o segundo disco ontem quase seis meses depois porque achei que estava na altura de falar sobre este título tão popular por aqui.
Se este blog não existisse é bem provável que não visse o resto do filme tão cedo o que não deixa de ser estranho até para mim que não costumo deixar coisas destas a meio.

Portanto, como já imaginam [“Red Cliff“] não me impressionou por aí além.
No entanto percebo porque tem tanto hype á sua volta, pois além de ser o regresso de John Woo á China visualmente é na verdade extraordináriamente apelativo e na minha opinião é precisamente o aspecto visual que cria aquela ilusão de que esta saga será a tal obra prima que muitos gostariam que fosse mas que não é de forma alguma.

Talvez John Woo tenha apanhado alguns maus hábitos por ter passado 16 anos a fazer filmes nos Estados Unidos pois [“Red Cliff“] é um claro exemplo de uma super-produção onde o estilo se sobrepõe e muito á substância. Neste caso, se calhar em vez do estilo poderemos até dizer que a opulência se sobrepõe á substância, pois garanto-vos que vão ficar impressionados com a escala visual deste épico sobre estratégia de guerra.

Por outro lado, épicos históricos saídos da China é coisa que não falta no mercado e cenas de batalha com milhares de figurantes já todos nós vimos muitas também e como tal nem nisso [“Red Cliff“]  difere muito do que é costume, nem na verdade acrescenta o que quer que seja de novo. Pelo contrário até.
No entanto, [“Red Cliff“]  é fantástico a criar a ilusão de que tudo é espantosamente  épico e apesar de se notar que falta ali qualquer coisa a todo o instante, o espectador consegue acompanhar com interesse toda a história precisamente porque visual não lhe falta.

Ficamos  essencialmente hipnotizados pelo estilo gráfico deste filme que é absolutamente fantástico embora em muitas alturas pareça bastante plástico o que contradiz um pouco aquela ideia de reconstituição histórica que pretende ser pois os seus ambientes são tão gráficos e artificiais que perdem muito da naturalidade que costumamos encontrar nos ambientes da maior parte dos épicos históricos orientais.
[“Red Cliff“]  é uma saga militar grandiosa mas sente-se constantemente o lado cinematográfico presente, naquele sentido em que apesar da opulência não se livra daquele sabor a cenário para cinema.

Ao contrário do que costuma acontecer-me com estes filmes, [“Red Cliff“]  não me transportou minimamente para dentro do seu universo e nunca por um momento me fez esquecer que estava a ver um filme, pois enquanto espectador sempre me senti totalmente distanciado do que estava a acontecer no ecran e isso para mim é o pior que me pode acontecer quando estou a ver uma história deste estilo.
Por mais que uma vez, dei por mim a olhar para o relógio do leitor para ver se ainda faltava muito para aquilo acabar e não foi por desejar que [“Red Cliff“]  durasse mais uns minutos. Isto aconteceu-me tanto na primeira parte como na segunda.

Como alguém também já referiu algures numa review,  [“Red Cliff“] não consegue criar qualquer empatia entre os espectadores e os personagens, pois pouco nos importamos com o seu destino, salvo uma ou duas excepções.
São muitos e variados mas na verdade podem morrer todos que pouco importa e por isso há aqui qualquer coisa que falha. Nota-se uma excessiva tentativa de caracterização nuns (o que alonga o filme em cenas inconsequentes que muitas vezes parecem desnecessárias), enquanto outros que até são importantes para a carga dramática da história pouco tempo têm de ecran e são apenas usados como peões nas extraordinárias coreografias de movimentação de exército para que o espectador possa saber quem é quem.

Nota-se uma tentativa de humanizar alguns deles através do recurso ao drama romântico pelo meio da história, mas as histórias de amor também não têm qualquer interesse ou atmosfera. Uma perde-se totalmente pelo meio de tanta estratégia militar e outra perde demasiado tempo a ser totalmente previsivel sem conseguir construir uma base emocional que a fizesse resultar no inevitavel desfecho e como tal pouco nos importa quando este acontece.

[“Red Cliff“]  também não se define bem enquanto género. Não é de forma nenhuma um filme de aventuras ou de acção medieval apesar das suas inúmeras sequências porque essas cenas apenas complementam as intrigas palacianas do costume e as sequências de estratégia militar. Por isso não esperem encontrar em [“Red Cliff“]  um blockbuster com um ritmo definido ou um espírito de aventura e preparem-se para intermináveis minutos onde se conta essencialmente uma história sobre estratégia política e militar que á força de não ter própriamente personagens cativantes se torna algo aborrecida e até demasiado técnica em certos aspectos.
Por outro lado quem gostar muito de estratégia militar, tem aqui em [“Red Cliff“]  provavelmente o melhor filme de todos os tempos, pois toda a sua acção gira á volta de tácticas de movimentação de exércitos, intrigas políticas, alianças e traições.

O que me leva a outra coisa que me desapontou e muito. Esperava muito mais de [“Red Cliff“]  nas cenas de acção tendo em conta que isto é um filme de John Woo. Não que estas não sejam espectaculares, mas não vão encontrar nada que já não tenham visto noutros filmes antes e como tal não vão encontrar aqui cenas de acção que os deixem completamente fascinados pela inovação.
Todas as batalhas são fantásticas, mas falta-lhes alguma identidade pois a sua espectacularidade vem mais do estilo gráfico do filme e da quantidade estúpida de figurantes no ecran do que própriamente nos cativam por nos preocuparmos com o rumo da história ou com os personagens que estão envolvidos nas lutas.

Até porque grande parte das vezes as batalhas são travadas pelos figurantes enquanto os personagens principais ficam sentados a controlar as estratégias á distância num épico jogo de xadrez humano. Isto salvo excepções claro mas não consegui evitar sentir um total distanciamento das cenas de acção de [“Red Cliff“], o que muito me surpreendeu , pois estava preparado para me divertir totalmente com as batalhas épicas destes filmes e tal não aconteceu de forma alguma ao nível que eu esperava e que já encontrei antes em filmes como “The Warlords” por exemplo, onde a escala e a produção poderá ser menor mas a eficácia cinematográfica é bem superior porque conseguiu criar uma ilusão de realísmo que John Woo não conseguiu reproduzir de todo.

Notei uma gritante falta de sangue nestas batalhas. Em muitos momentos parecia que estava a ver um filme americano. Batalhas gigantes, montes de gente á espadeirada mas muito poucos salpicos e cabeças cortadas.
Isto depois de já ter visto tanta batalha extraordináriamente realística ultimamente em épicos de menor escala faz com que [“Red Cliff“]  ainda pareça ser uma produção mais plástica e desinteressante do que merecia ter sido.
Não quero dizer com isto no entanto, que as cenas de acção sejam chatas, não são; apenas a fama do filme faz com entremos nele á espera de uma coisa e depois não surpreende de todo e salvo raras excepções nem notamos que isto será um filme de John Woo pois falta-lhe alguma identidade.

Com tudo isto, pode parecer que detestei este filme e na verdade isso não é assim. [“Red Cliff“]  tem alguns momentos fantásticos. Por exemplo, todas as ideias para estratégias de batalha são absolutamente geniais e quanto a mim , o plano para os herois conseguirem arranjar flechas extra para os exércitos é dos momentos mais divertidos e brilhantes da história que marca definitivamente o que há de melhor nesta saga.
O primeiro filme também tem uma cena de batalha fabulosa com outra táctica de movimentação de exércitos incrível e que os irá surpreender. Curiosamente será talvez a melhor batalha do filme todo e surpreendeu-me não terem guardado este momento para o final da história pois todas essas cenas de guerra no primeiro [“Red Cliff“]  são bem mais entusiasmantes que o plástico ataque final que supostamente deveria ser o climax do filme e no entanto sabe a pouco.
Tal como os mais de 300 minutos de duração que a versão integral contém apesar de terem muita coisa positiva.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Red Cliff“] mesmo não sendo aquele acontecimento cinematográfico que tanta gente gostaria que fosse, é no entanto um bom filme sobre estratégia militar e intriga politica e palaciana que apesar do seu argumento algo disperso ainda contém um par de boas surpresas no que toca á parte de espionagem entre exércitos que os irá divertir.
Será talvez vitima do próprio peso de mostrar que é um épico histórico gigantesco e como tal a megalómania dos cenários e dos efeitos gráficos sobrepõe-se ao divertimento, o que é pena.
De qualquer forma, quatro tigelas de noodles porque é bastante bom mesmo e irá agradar muito a quem gosta de coisas sobre estratégia militar.

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A favor: visualmente é sumptuoso e com uma escala épica incrível a nível de produção, está cheio de paisagens fabulosas, a batalha do primeiro disco é fantástica e muito criativa, as cenas de espionagem são divertidas e com bastante humor o que foi algo inesperado de encontrar num filme tão sério sobre alianças e estratégias militares, uma das love-stories quase resulta e é divertida de seguir, contém um par de sequências de acção individuais muito boas mesmo, a cena do roubo das flechas no segundo disco é absolutamente clássica e muito engraçada, um elenco fabuloso que se esforça por dar vida a personagens que não cativam particularmente.
Contra: esforça-se demasiado para nos fazer notar que é um épico a todo o instante e com isso torna-se muito artificial, tem cenas longas e desnecessárias que repetem informação que já se sabe, não cria qualquer empatia com os personagens salvo uma ou duas excepções, muita acção mas não se percebe bem que tipo de filme estamos a ver, falta-lhe sangue, a batalha final não tem nada de surpreendente, nota-se o CGI e isso retira-nos automáticamente do ambiente do filme nos raros momentos em que quase conseguimos abstrair-nos de que estamos a ver um filme.

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=GPF6jaaBW7M&feature=related

Comprar Blu-Ray bem baratinho na Amazon Uk- Contém os dois filmes
http://www.amazon.co.uk/Cliff-Special-Blu-ray-Tony-Leung/dp/B002GDM2S2/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1306617909&sr=8-1

Download Red Cliff com legendas em PT/Br
Download Red Cliff 2 com legendas em PT/Br

IMDB – Red Cliff
http://www.imdb.com/title/tt0425637/
IMDB – Red Cliff 2
http://www.imdb.com/title/tt1326972/

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Pen choo kab pee (The Unseeable) Wisit Sasanatieng (2006) Tailândia


Desde “A Tale of Two Sisters” que não encontrava um thriller sobrenatural tão fascinante e portanto fiquem já a saber que [“The Unseeable“] leva logo uma classificação excelente porque é realmente cativante.

Ainda ponderei seriamente não lhe atribuír as cinco tigelas de noodles e o golden award que lhe dou e ficar-me apenas pelas cinco tigelas de noodles “apenas“, mas depois de pensar muito no assunto, percebi que estava a diminuir o valor de [“The Unseeable“]  só porque é mais um filme do realizador Wisit Sasanatieng e isto já parece suspeito eu estar a dar tanta classificação máxima a todo e qualquer filme dele que me passa pela frente.

Já o fiz com “Citizen Dog” e depois com “Tears of the Black Tiger” e portanto, agora até a mim me parecia estranho voltar a dar novamente a classificação máxima a outro filme deste realizador, especialmente tendo em conta que até há menos de um mês atrás eu nunca tinha ouvido falar do tipo.
Mas a verdade é que também adorei[“The Unseeable“] e acho que está carregado de coisas que o tornam não só num dos melhores filmes sobrenaturais desde o extraordinário “A Tale of Two Sisters” mas também num produto com uma identidade muito própria que merece ser valorizada.

Isto, mesmo apesar de [“The Unseeable“] nem ter nada de muito original, pois essencialmente vai beber a todas as referências clássicas e mais algumas dentro do género de filme com casas assombradas.
Na verdade não me lembro de haver qualquer coisa minimamente original na história de [“The Unseeable“]. Desde a premisa á volta da casa isolada, até ao próprio –spoiler– presente no titulo do filme tudo indica ao espectador que irá ver não apenas uma história idêntica a tantas outras mas essencialmente um filme homenageia todo o cinema clássico sobrenatural que já vimos em Hollywood mas desta vez transposto para as paragens da Tailândia.

E isto não poderia ter resultado melhor. Quando percebemos que em [“The Unseeable“] não iremos ver nenhuma história particularmente surpreendente ou original, estamos livres enquanto espectadores para nos envolvermos na atmosfera clássica e deixarmo-nos levar pelo seu tom assombrado que é a grande força deste filme.
[“The Unseeable“] é um filme assombrado e tudo nele remete para um ambiente quase encantado e perdido no tempo, onde, aposto a própria época em que a tudo se passa terá sido pensada para ainda aumentar mais esse efeito.

Essencialmente conta a história de uma rapariga que viajando em busca do marido desaparecido, chega a uma quinta isolada numa região remota da Tailândia seguindo uma pista do seu paradeiro. Grávida e prestes a ter o filho, vê-se obrigada a servir como empregada nessa casa em troca do abrigo e a partir daí tudo aquilo que o espectador espera, acontece.
Curiosamente [“The Unseeable“] é um filme muito parecido com outro grande sucesso, produzido em Hollywood há alguns anos atrás e realizado em Espanha mas é melhor não revelar o nome desse título porque acabaria por ser mais um spoiler e este filme já é suficientemente previsivel para que eu lhes estrague ainda mais as coisas.

Embora, o facto de ser bastante previsível, não signifique que a história seja particularmente básica. Pelo contrário, [“The Unseeable“] tem um excelente argumento cheio de pequenos pormenores que os fará querer voltar a vê-lo porque não apanharão tudo á primeira, pois este filme é um verdadeiro festival de texturas tanto a nível visual como no que toca ás várias camadas da própria história.
Não será propriamente tão complexo quanto, “A Tale of Two Sisters” e é bem menos labírintico que esse fantástico titulo sul-coreano, mas se gostaram desse vão gostar muito de [“The Unseeable“] pois são muito semelhantes em termos de estrutura.

Têm também em comum o facto de serem dois filmes que vão muito para além do filme de terror, por isso tal como “A Tale of  Two Sisters”, também [“The Unseeable“] é um daqueles raros filmes sobrenaturais que muito provavelmente irão agradar bastante até aquelas pessoas que normalmente nem gostam muito de filmes de terror ou têm medo de os ver.
[“The Unseeable“] não será propriamente um filme de terror puro, porque na verdade até nem é tão assustador assim e nem sequer o seu final “chocante” causa aquele arrepio inesperado na espinha precisamente por seguir o estilo clássico de toda a história e como tal ser tão previsível.
Por isso estamos na presença de um titulo muito recomendável até para quem não costuma gostar de cinema deste género.

Estamos essencialmente na presença de uma história sobrenatural e o terror acaba por ser a consequência e não o objectivo.
[“The Unseeable“] contém um par de bons sustos, mas não abusa deles porque prefere “abusar” do ambiente encantado desconfortável que nos faz passar o filme todo a pensar que há algo de muito errado naquela casa onde as sedas transparentes nos décors substituem os corredores escuros e as sombras do costume.
Arrepia mais a interacção dos personagens em ambientes supostamente normais nesta história do que própriamente as típicas cenas com fantasmas que também as tem e isto muito graças ao talento visual do realizador que mais uma vez cria uma obra intensamente gráfica e onde cada imagem é um verdadeiro quadro.

Um quadro, desta vez pintado em tons sépia intercalado por verdes  misteriosos  e também aqui o realizador volta a surpreender quem como eu esperava um filme bem mais assumidamente gráfico em modo histérico como tinha sido a regra nos filmes anteriores.
[“The Unseeable“] troca-nos as voltas visualmente e mantém-se sóbrio durante toda a sua história o que só demonstra o talento deste tipo para conseguir mudar de registo estético sem nunca perder o seu dom para contar histórias visualmente muito cuidadas onde nunca se descura o argumento.

Tudo funciona em [“The Unseeable“] e surpreende porque consegue ser um excelente filme sobrenatural sem precisar de ser particularmente original. Temos uma casa assombrada visualmente perturbante e cheia de corredores escuros quanto baste, temos fantasmas criançinhas para nos darem cabo dos nervos, personagens cativantes e onde nem sequer falta a típica governanta antipática e absolutamente arrepiante ao melhor molde clássico.

E ainda por cima há um sentido de humor absolutamente surpreendente em [“The Unseeable“] que eu não estava nada á espera, pois o realizador consegue brincar completamente com o suspanse e as expectativas dos espectadores quando nos prega um susto ou dois com um par de momentos humorísticos quando nós esperariamos arrepiar-nos com algo muito assutador.

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CLASSIFICAÇÃO:

Quase, quase tão bom quanto “A Tale of  Two Sisters” embora lhe falte a originalidade que se calhar merecia ter tido.
Por outro lado, é um grande filme sobrenatural e um thriller misterioso que irá agradar até aquelas pessoas que normalmente não gostam de filmes deste género.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque gostei mesmo muito e manteve-me agarrado ao ecran do primeiro ao último minuto apesar de toda a previsibilidade da história e do desenlace final.

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A favor: o realizador não se repete e inova a sua própria estética, a atmosfera visual é fantástica, a casa tem pilhas de atmosfera, tudo tem um sabor clássico e assume-se totalmente enquanto homenagem visual ao melhor daquilo que já vimos noutros sitios, os personagens são trágicamente cativantes, tem fantasmas criancinhas e vozes infantis no escuro, tem momentos de humor muito bem colocados para nos fazer realmente respirar de alívio nos sitios certos embora totalmente inesperados, a história é previsivel mas cheia de pequenos e complexos pormenores que os fará querer voltar a rever este título, o personagem da governanta clássica está perfeito e vão adorar odiá-la e teme-la, a fotografia do filme é fantástica, está cheio de imagens extraordinárias, é um filme cheio de textura em muitos sentidos, agradará até aqueles que normalmente nem gostam de filmes de terror, como filme sobrenatural é um thriller excelente, consolida a minha fé no cinema tailândes depois de tanto filme péssimo que costuma sair daquele país.
Contra: tudo é por demais previsível e perde totalmente aquele impacto final que deveria ter tido e não tem a partir do momento em que o mistério começa a ser revelado, o trailer é mais assustador que o filme, não é tão bom quanto “A Tale of Two Sisters” apenas porque a história é mais simples e previsivel.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=tKg35cY4GhQ

Comprar
http://sensasian.com/product.php/en/V14981H-D/

Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0950500/combined

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Se gostou deste poderá gostar de:

A Tale of Two Sisters

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Casshern (Casshern) Kazuaki Kiriya (2004) Japão


Este filme é um espectáculo…visual.

Pode resumir-se apenas numa palavra; espalhafatoso e desconjuntado.
Eu sei que foram duas palavras, mas da mesma forma que vocês notaram isso e a minha frase perdeu um bocado a sua lógica, assim é [“Casshern“] enquanto filme.
Está lá tudo, mas há qualquer coisa na sua construção que quase o afunda numa sucessão de sequências abstractas e desconjuntadas, quando a história que tenta (?) contar pedia uma narrativa mais coerente.

Visualmente o filme é absolutamente notável, embora também o seja de uma forma estranha, pois a sua estética é construída muito á base de um estilo visual que se poderia denominar Photoshop, pois todas as imagens apesar de impressionantes, são no entanto extremamente artificiais e digitalmente plásticas o que cria uma atmosfera única mas também aumenta a distância entre o espectador e a obra em questão, quando deveria ter acontecido precisamente o oposto.

Ao contrário do que se vê em obras como o “The Promise”, onde o estilo Photoshop suporta de verdade o filme, aqui temos apenas bonitas imagens mas nada que as acompanhe a nível humano para criar uma empatia com o espectador. Quem realizou [“Casshern“], parece estar mais interessado em exibir a sua espectacular estética digital do que propriamente em contar uma história e por isso por muito bonito que seja visualmente, falha em absoluto pois parece que os personagens só lá estão para que os designers tenham uns bonecos nas imagens porque lá tinha que ser e pouco mais.

Basicamente  [“Casshern“], passa-se num futuro em que a humanidade foi quase toda destruida por uma guerra que durou décadas e reduziu o mundo a duas facções.
Apesar da metade oriental ter ganho a guerra, o planeta Terra está quase todo reduzido a escombros pela má utilização de armas químicas, destruição da natureza, mutações genéticas e uma completa super-industrialização do globo onde coorporações fascistas formam o sistema de governo que domina tudo e todos.

Um cientista afirma ter encontrado uma forma de salvar o que resta da humanidade através de resultados que obteve nas suas pesquìsas de regeneração do corpo humano através de algo chamado neo-cells.
No entanto sem o apoio do governo, vê-se obrigado a aceitar o patrocínio de uma misteriosa facção militar para poder prosseguir o seu projecto pois acima de tudo, o cientista procura descobrir a cura para a doença da sua mulher, porque é a única pessoa que lhe resta na vida após ter também perdido o filho na guerra.
Só que um grave acidente tem lugar no laboratório e como resultado, centenas de corpos armazenados no seu interior voltam á vida, auto-proclamando-se neo-sapiens e unem-se para acabarem de vez com os seres humanos que culpam pelo estado em que deixaram o planeta.

Tentando reparar o seu erro, o cientista, faz com que também o seu filho morto na guerra volte á vida. Este ajudado por uma armadura técnológicamente avançada torna-se na única coisa entre os neo-sapiens e a destruição final da humanidade.
E tudo isto passa-se mais ou menos nos primeiros 25 minutos de um filme que conta com mais de duas horas e meia, por isso já estão a ver porque desta vez até contei mais da história do que costumo fazer.

É que na verdade, a primeira vez que vi  [“Casshern“], já estava completamente baralhado ao fim de hora e meia de filme e isto não me costuma acontecer. Não que a história seja particularmente complexa quando depois se pensa nela, mas numa primeira visão, este filme pode ser uma experiência ao mesmo tempo entusiasmante e extremamente confusa.
Isto porque o realizador no meio de toda a pirótecnia, parece que se esqueceu que  [“Casshern“], era suposto ser um filme e não uma sucessão de trailers de videogames para a Playstation.

É que a realização deste filme é tão caótica e desconjuntada que se assemelha mais a uma colagem de varios trailers para jogos de estilos completamente diferentes do que outra coisa qualquer.
Tenta-se contar uma história com peças que pura e simplesmente não encaixam porque parecem todas pertencer a projectos completamente distintos uns dos outros e por isso nem os extraordinários visuais deste filme o conseguem salvar de ser uma das experiências mais aborrecidas que me lembro de ter tido a ver um filme nos últimos anos.
Ganha definitivamente o prémio da pior montagem que me lembro de ver em muito tempo. Curiosamente a montagem também é da autoria do realizador, o que tem a sua lógica pois duvido que outra pessoa tivesse conseguido montar este filme com tanta peça solta.
Tendo em conta esse facto, se calhar o resultado final até é um milagre.

Se calhar como consequência disso, o trailer também dá uma ideia completamente errada do filme. Pela apresentação parece que  [“Casshern“], é um filme de aventuras cheio de sequências de acção mas na verdade em quase trés horas de duração não deve totalizar uns 15 minutos de cenas do género e é mais um (mau) drama high-tech sem alma do que própriamente aquilo que parece ser no trailer.
Não que o filme não contenha alguns momentos espectaculares, mas a ligação do espectador com os personagens por essa altura já é tão fraca que pouco importa o que apareça no ecran.
[“Casshern“], está cheio de cenas ambientais (com visuais absolutamente fantásticos) , que supostamente contam a parte humana da história, mas tudo isto acaba por se perder na confusão de estilos visuais que deixam o filme á deriva entre telediscos estilo Matrix mal editados e cenas intimistas de duração tão longa quanto o mais pretencioso cinema de autor possa exibir, o que dá ao filme dezenas de quebras de ritmo narrativo completamente desnecessárias nas alturas mais inesperadas.
Resumindo, não se deixem convencer pelo aspecto do trailer, pois  [“Casshern“], não é de forma alguma o filme que vocês podem pensar que é.

Posto isto, afinal  [“Casshern“],  é tão mau assim ?
Pois…não. Talvez.
Embora quando o vemos da primeira vez, possamos apanhar uma seca monumental até mesmo durante as sequências de acção. O realizador esforça-se tanto por meter estilo no filme a todo o momento que se esquece de que para isso ser realmente importante na história, precisaria de ter tido uma base coerente primeiro que definisse o tipo de filme que esta obra seria.
O filme não é chato porque tem falta de cenas de acção, porque elas têm uma estranha curta duração, ou porque não é um filme do género, mas sim porque tem uma narrativa tão desconjuntada que a partir de certa altura a história perde-se por entre tanto estilo e os personagens deixam de ter qualquer interesse para o espectador.
Por outro lado, tem os seus momentos interessantes pois não há que negar que visualmente é realmente uma obra fabulosa.
Ver este filme é como olhar durante mais de duas horas para quadros animados pintados em Photoshop e por muito mau que isto seja, a verdade é que não conseguimos tirar os olhos do ecran mesmo quando já nem nos importamos com nada do que lá se passa, pois o que queremos é ver que imagem bonita aparece a seguir.

Mas por causa disto, os personagens perdem-se por completo. A love-story não tem interesse, os vilões são mais ridículos do que ameaçadores pois são super-vilões num filme que não é de super-herois e as partes a piscar o olho ao estilo de filme Art-House são simplesmente metidas a martelo criando uma aura pretenciosa no filme que ainda lhe dá menos identidade e credibilidade do que já tem.
O que é pena, pois o filme é na sua essência uma verdadeira obra-prima completamente falhada e onde nem a extrema beleza (e algum romantismo) das imagens consegue salvar  [“Casshern“] de ficar muito aquém daquilo que merecia e deveria ter sido.

O filme supostamente é uma adaptação de um Anime clássico http://www.youtube.com/watch?v=bINVhDM3RpI mas tirando uma breve imagem do capacete original do heroi que aparece como cameo no filme, muito pouco resta da animação original.
Sendo assim, é bastante difícil de ser classificado, pois como filme practicamente não existe, mas por outro lado tem um certo fascínio.
Considerem-no uma espécie de filme do Ed Wood, se este tivesse meios digitais ao seu dispor.
É que [“Casshern“] poderá ser muito bem o “Plan Nine from Outer Space” do cinema digital contemporaneo. O que de certa forma justifica plenamente a aura de culto que tem á sua volta embora como filme não a mereça de modo nenhum.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se estiverem interessados em ilustração de FC, têm aqui um objecto de estudo incontornável dentro do cinema moderno do género e portanto  [“Casshern“] será de compra obrigatória.
Para o resto do público, estão por vossa conta. Arrisquem, pois pode ser que gostem mais dele do que eu gostei. E eu adoro ficção-cientifica.
Mas a verdade é que já tentei revê-lo várias vezes, mas nunca consigo passar da primeira metade pois mesmo com todo o seu visual este filme continua a aborrecer-me de morte.
Duas tigelas e meia porque nem sei bem o que dar. É que se calhar merece muito menos.

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A favor: o visual absolutamente criativo dentro de um estilo steampunk realmente original, algumas sequências de acção são espectaculares.
Contra: realização atroz, péssimo ritmo narrativo, filme estéril e sem alma, o estilo sobrepõe-se á história, as sequências de acção são minúsculas e com uma montagem anárquica, o estilo video-clip MTV de muitas partes do filme, fica a meio caminho entre o cinema-de-autor e o filme comercial de super-herois e falha em ambos os estilos, os personagens não agarram o espectador, quase trés horas é demais.

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NOTAS ADICIONAIS

Podem ver aqui o trailer, mas não acreditem muito no que vêem, pois o filme é muito diferente e não é de forma nenhuma o filme de aventura/acção que parece.
http://www.youtube.com/watch?v=JpUWsMzwpAA

Comprar
A edição que eu tenho tem uma caixa excelente de trés discos, que só encontram á venda aqui. Não tem legendas nos extras.
Mas se quiserem comprar o filme, podem escolher comprar a edição de dois discos ou a de um disco á venda na Amazon Uk a um preço excelente.

Opiniões adicionais:
http://sealedcurse.net/lithium/casshern/

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0405821/
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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Promise

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