“Busanhaeng” (“Train To Busan”) Sang-ho Yeon (2016) Coreia do Sul


O que se pode dizer de mais um filme de zombies que ainda não tenha sido dito sobre o género ?…
Bem para começar, [“TRAIN TO BUSAN”] terá sido o primeiro filme com mortos-vivos a sair de Cannes com uma reputação melhor do que a que tinha quando chegou ao festival e agora que Hollywood vai fazer um remake disto; ( para quê ?!!! ), recomendo vivamente que o procurem e vejam-no quanto antes.
E sim, é tão bom quanto parece no trailer.
Aliás, é melhor.

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É verdade, o que se pode dizer de mais um filme de zombies que ainda não tenha sido dito sobre o género ?…
Bem sobre [“TRAIN TO BUSAN”] pode dizer-se que não tem um pingo de originalidade no conceito, pois obviamente que todos nós já vimos isto milhões de vezes antes mas conta logo á partida com uma coisa que o cinema oriental sabe fazer muito bem e que o difere de todos os plásticos que Hollywood poderá produzir quando aparecer o inevitável remake
[“TRAIN TO BUSAN”] tem personagens verdadeiramente cativantes.

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Como habitualmente no cinema oriental, nem o caos de uma história como esta, nem o monte de efeitos especiais que isto mete faz com que a pirotecnia se sobreponha aquilo que importa. Os personagens.
Contrariamente ao que acontece normalmente no cinema espectáculo de Hollywood onde os bonecos estão lá apenas para enquadrar as cenas de porrada, efeitos e acção, em [“TRAIN TO BUSAN”] são as cenas de porrada, os efeitos e a acção que enquadram um grupo de pessoas.
Pessoas com que começamos por nem ter grande empatia, mas que sabe-se lá como a meio do filme já estamos realmente a torcer pelas suas histórias pessoais.
Em alguns momentos isto faz lembrar inclusivamente outro grande filme de monstros Sul Coreano, o excelente “THE HOST” de que já falei por aqui há alguns anos.

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[“TRAIN TO BUSAN”] não tem absolutamente nada de original a não ser o facto de ser cinema puramente oriental precisamente na forma como consegue humanizar cada uma daquelas pessoas que acompanhamos e talvez tenha sido por isso que causou tanto impacto em Cannes, pois o público ocidental não está habituado a acompanhar personagens bem construídos neste tipo de cinema saído de Hollywood e por isso terá ficado bastante surpreendido.
[“TRAIN TO BUSAN”] é um daqueles filmes que quando acaba nos deixa completamente exaustos psicológicamente e mais do que torcermos pelos heróis da história , torcemos pela história daquelas pessoas que a meio do filme esquecemos por completo que são ficção.

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Estranhamente [“TRAIN TO BUSAN”] irá agradar até a quem se calhar não gosta de filmes com zombies, especialmente se essas pessoas tiverem visto e adorado outro filme Sul Coreano fabuloso, o drama “HOPE”. Quem gostou de “HOPE” irá gostar deste; apenas este mete mortos vivos pelo meio.
Á primeira vista podem não ter nada a ver mas [“TRAIN TO BUSAN”] cria exactamente o mesmo tipo de empatia que aquela outra história também sobre pai e filha conseguiu criar em toda a gente que apanhou com ela de surpresa quando saiu e a tornou já no filme de culto oriental que é.
Portanto meus amigos, mesmo que os mortos vivos não sejam a vossa coisa favorita, se calhar eu espreitava quanto antes [“TRAIN TO BUSAN”].
Especialmente antes de Hollywood vomitar cá para fora mais um remake atroz de outro filme oriental e os trailers gringos lhes estragarem o suspense todo.
Não percam [“TRAIN TO BUSAN”] enquanto este ainda é único.

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Consta que este filme já se tornou no maior êxito comercial de todos os tempos por aquelas bandas da Coreia do Sul o que só demonstra que para algo assim ter acontecido, [“TRAIN TO BUSAN”] tem mesmo que ter muito mais conteúdo e conseguir criar mais empatia do que se apenas fosse o típico filme de zombies em que toda a gente passa o tempo todo a correr de mortos vivos.
E mais uma vez, [“TRAIN TO BUSAN”] não tem nada de original. 
A sua originalidade está na empatia que cria pois ficamos mesmo a gostar dos personagens.

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[“TRAIN TO BUSAN”] é capaz de ter sido dos filmes com mais adrenalina que vi pelo menos nos últimos dois anos dentro de um certo tipo de thriller.
É o tipo de filme que nos deixa a tremer por todos os lados com cada situação que apresenta. Não só pela forma como a montagem cria uma sensação de claustrofobia fantástica mesmo em espaços abertos como principalmente na forma variada como apresenta e inventa situações de nos fazer roer o sofá de uma ponta á outra pois nunca temos bem a certeza se alguém irá morrer a seguir.

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Até porque depois [“TRAIN TO BUSAN”] também não é propriamente politicamente correcto.
Aposto tudo o que vocês quiserem em como Hollywood quando refizer isto, irá sem qualquer sombra de dúvida mudar o final, porque os americanos não irão aguentar o contexto dramático verdadeiramente intenso desta história e que mais uma vez a distingue do habitual.

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[“TRAIN TO BUSAN”] é um excelente cruzamento entre, a adrenalina de “SNOWPIERCER” ou de “THE TERROR LIVE“, o contexto de “THE HOST” ( curiosamente ambos do mesmo realizador ), o suspense de “MIDNIGHT FM” , a tensão de “FLU” e a empatia de “HOPE”; apenas mete mortos vivos á mistura.
Se gostaram de qualquer um dos filmes que mencionei atrás, irão gostar de [“TRAIN TO BUSAN”] porque tal como em todos esses filmes também o espectador nunca tem bem a certeza do que irá ver a seguir.
É essa a grande mais valia de [“TRAIN TO BUSAN”].
Numa história já vista mil vezes consegue ser imprevisível em muitos aspectos, especialmente a nível de destino de personagens.
Não se livra dos clichés é certo, mas esses vêem inevitavelmente por arrasto com a fórmula deste tipo de filmes com mortos vivos e se fossem evitados [“TRAIN TO BUSAN”] já não seria um verdadeiro filme de zombies.

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Tal como aconteceu quando o muito intenso “28 Days Later” de Danny Boyle estreou anos atrás, irá haver gente que acusará [“TRAIN TO BUSAN”] de não ser um verdadeiro filme de mortos vivos porque também aqui estes mortos correm como o raio e não andam feitos estúpidos em modo … ehm, zombie em câmera lenta pelos cenários.
Estes mortos estão muito vivos, extremamente activos e incrivelmente raivosos o que dá a [“TRAIN TO BUSAN”] uma adrenalina raramente encontrada no género.

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Não só a realização é fantástica pois todo o ritmo narrativo está excepcionalmente bem cozinhado para nos ir perturbando apenas quanto baste antes de nos jogar com baldes de adrenalina em cima, como [“TRAIN TO BUSAN”] nem precisa de pregar sustos com SOM ALTO para meter medo.
Aliás, este filme não recorre a nenhum desses truques baratos, porque nem precisa.
A meio da história já estamos tão arrepiados com o sobe e desce dos níveis de adrenalina que qualquer coisa nos assusta.
Nem o filme precisa de ser particularmente gore embora não fuja dele.

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Curiosamente [“TRAIN TO BUSAN”] não é mesmo muito gore.
Consegue assustar e meter impressão sem precisar de meter propriamente nojo e por isso nunca abusa dos efeitos prostéticos ao contrário do que costumamos ver neste tipo de cinema hoje em dia.
 Não precisa.
[“TRAIN TO BUSAN”] tem uma coisa diferente. Não sei se terão contratado contorcionistas para alguns papeis de zombies mas a expressão corporal destes mortos vivos é não só completamente original como extraordinariamente expressiva.
Muitos deles arrepiam-nos só com os movimentos que fazem.
[“TRAIN TO BUSAN”] tem definitivamente uma das melhores coreografias no que toca a movimento de multidões que vi ultimamente neste tipo de cinema.

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É também o filme perfeito para quem ficou muito decepcionado com aquele vazio chamado “World War – Z” ( talvez uma das piores adaptações de um bom livro de sempre também ).
Brad Pitt não entra nisto, nem precisa.
Um bom filme de mortos vivos só precisa de criatividade nas situações e de saber como provocar grande adrenalina no espectador. Nesse campo mais do que meter medo [“TRAIN TO BUSAN”] mete-nos os nervos em franja até mais com o que imaginamos do que com aquilo que vemos e essa subjectividade é aquilo que fará sempre um bom filme de terror.

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CLASSIFICAÇÃO

[“TRAIN TO BUSAN”] é obrigatório se gostam de filmes com zombies.
Já viram isto mil vezes mas se calhar ainda tem muita coisa que não viram.
Se para vocês o cinema de terror tem que ter mais coisas para mostrar do que apenas coisas que metem medo então vão adorar a empatia que cria com os personagens ao melhor estilo que só o cinema oriental é capaz de nos dar.

Cinco Tigelas de Noodles e um Gold Award


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Pode não ser um daqueles filmes para rever muitas vezes, pode já nem ter suspense á segunda vez que o virmos, mas da primeira é uma verdadeira montanha-russa emocional e de adrenalina que diverte do princípio ao fim e não precisa mais do que isso para ser excelente.

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A Favor: a adrenalina que provoca, o suspense, não é politicamente correcto, as cenas de acção, a humanização dos personagens, a criancinha actriz é fantástica, intercala de forma excelente o drama com o thriller de zombies.

Contra: já viram isto mil vezes em termos de conceito. Vai ter remake americano sabe-se lá para quê…

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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Está em pre-order na amazon uk. Sai em bluray no mês de Fevereiro.
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IMDb

http://www.imdb.com/title/tt5700672

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E se gostaram deste não vão querer perder:
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Sadako 2 – 3D (Sadako 3D 2) Tsutomu Hanabusa (2013) Japão


Muita gente conhece a trilogia original da série “Ringu” iniciada practicamente há vinte anos atrás no Japão; “Ringu”;”Ringu 2″ e “Ringu Zero”, mas curiosamente penso que os filmes seguintes não serão tão populares; pelo menos eu desconhecia que existiam mais dois filmes paralelos à série. Não continuam a trilogia inicial de forma directa mas complementam-na.
Para já existem dois títulos; o primeiro “Sadako” que eu ainda não vi e esta sequela [“Sadako 2 -3D”] que na verdade é a segunda metade da nova história iniciada com o primeiro filme “Sadako” e que segundo dizem as críticas é até bastante superior à primeira parte.

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Anos atrás por volta de 1998, mais ou menos pela mesma altura em que eu comecei a descobrir o cinema oriental, surgiu o fenómeno “Ringu” realizado por Hideo Nakata.
Quem se interessa por cinema de terror oriental, não conseguiu certamente escapar a este filme inicial que além de inventar um género ainda acabou por ter remake americano com direito a sequelas e tudo; seja na versão original, seja na versão americana.
Pessoalmente na altura “Ringu” foi uma grande decepção para mim, pois comprei-o em dvd (juntamente com o 2) confiando em todas as reviews ocidentais que me garantiam que este seria um dos filmes mais assustadores de sempre, mas na verdade embora eu tenha gostado do filme não foi um título que me assustou por aí além, (e a sequela muito menos pois é péssima; a fazer lembrar os velhos tempos do “Exorcista 2: O Herege” nos anos 70, possívelmente a mais estúpida sequela de sempre para um filme de terror). O terceiro filme “Ringu Zero” não vi, mas sei que narra as origens da maldição apresentada no primeiro filme, explica a história do poço, etc.
Na verdade não tinha grande entusiasmo para voltar a ver esta série, mas deparei-me no outro dia com este título [“Sadako 2 -3D”] e resolvi espreitar, desconhecendo por completo que se tratava de mais um título “Ringu” pois nem tinha reparado no título sequer.

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Desde já lhes digo uma coisa, nunca vi um 3D assim !!!
Isto vai ser agora muito complicado de explicar agora sem o poder demonstrar, mas vão por mim, se virem este [“Sadako 2 -3D”] em 3D no maior televisor que conseguirem, (o meu é um LG de 55″), garanto-vos que irão ficar absolutamente espantados com os efeitos tridimensionais deste filme. MESMO.

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Eu sei que o mercado está cheio de 3D, eu próprio já vi uns impressionantes (“Mr Go”;”Guardians of the Galaxy”;”John Carter”), mas nunca tinha visto um 3D que nos mostrasse coisas “realmente” fora do televisor (ao melhor estilo holograma a flutuar no ar) e nos desse tempo para conseguir admirar o que nos mostra, (pois mantém os melhores efeitos em ecran durante largos segundos para podermos admirar; não nos atira apenas coisas à cara).

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A imagem acima não é exagero publicitário. Vão por mim. Mesmo que já tenham visto muito 3D, garanto-vos que [“Sadako 2 -3D”] irá ser o melhor que pelo menos até ver irão conseguir experienciar no conforto do lar. Apenas arranjem bastante espaço na vossa frente para que o filme lhes coloque uma data de coisas dentro das vossas salas em muitos dos melhores momentos. Há uma cena estilo holograma no ar que é incrivel. Ou a cena da mão do cadáver por exemplo.

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Não só [“Sadako 2 -3D”] resulta incrivelmente bem quando faz com que saiam coisas de dentro do televisor como em termos de profundidade de imagem é absolutamente incrível. Vejam este filme em 3D e a vossa tv irá transformar-se literalmente numa janela e quase que irão pensar que é só meter um pé e entrar pelo filme a dentro.
[“Sadako 2 -3D”] no Japão foi alvo de uma intensa campanha publicitária baseada precisamente na qualidade do 3D que iria apresentar e não desilude.

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Se isto resulta assim em casa num TV 3D de grande ecran, imagino que em cinema deve ter sido do outro mundo mesmo. Por isso a expressão “3D” desta vez faz mesmo parte do título e não é apenas uma referência à alternativa. Neste caso a alternativa é a versão 2D simples e não o contrário.

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Curiosamente estes japoneses pensam em tudo e parece que foi lançada também no mercado uma app que permitia ver o filme nos telemóveis e tablets também usufruindo de um certo 3D especialmente pensado para a visualização do filme nos aparelhos móveis, o que para mim não faz sentido pois se isto é suposto ser um filme de terror é para ser visto sózinhos no escuro e não a olhar para um ecran de um tablet a caminho do trabalho. Mas os japoneses é que sabem.
Mas vamos a isto, [“Sadako 2 -3D”] é bom ou não ?

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Bem, não faço ideia porque razão isto me acontece, mas nenhum filme da série “Ringu” me assusta minímamente. O que é estranho pois por exemplo, “JU-On” dá-me completamente cabo dos nervos por mais vezes que o reveja e até “A Tale of Two Sisters” não sendo exactamente o típico filme de terror me arrepia em muitos momentos.
Curiosamente já também o original “Dark Water” de Hideo Nakata nunca me assustou particularmente.
Portanto, [“Sadako 2 -3D”] não me meteu medo absolutamente nenhum. Talvez por ser tão prevísivel nem sequer a grande quantidade de sustos que tenta pregar me apanhou particularmente de surpresa. Embora ver coisas “inesperadas” realmente a saltarem (MESMO) de dentro do ecran, tenha o seu efeito…particular.

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No entanto, não posso dizer que [“Sadako 2 -3D”] seja um mau filme de terror. Se gostam da série “Ringu” para mim, dos que vi este foi o melhor, talvez até melhor em termos de história que o título original que inventou esta moda de miudas com cabelos negros escorridos sobre a face que saltam do nada para nos pregar sustos.
Tem inclusivamente uma cena de pânico no metro bem divertida e que só peca por ser muito curta. E também se sente que houve aqui neste filme alguma contenção nas cenas gore pois não será um título particularmente “nojento” apesar do muito sangue que mostra.

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Portanto, penso que este novo título cumpre muito bem tudo o que é cliché desta saga e até se esforça por ser algo inovador. O estilo tragédia-gótica tem a sua piada, dá grande identidade visual ao filme e o argumento na minha opinião é bastante interessante de se seguir. Especialmente, porque até mesmo quem não viu o primeiro “Sadako” irá conseguir olhar para isto como uma história fresca pois muitas das coisas anteriores são referenciadas e nunca parecem estar inseridas apenas a martelo. Gostei do equílibrio.
Ah e tem a melhor criancinha fofinha-creepy desde a Carol Anne do Poltergeist original.

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Aliás, [“Sadako 2 -3D”] quando não nos está a impressionar com o 3D, consegue dar-nos uns arrepios consideráveis,  bastando para isso que nos mostre cenas com a criancinha que consegue prever as mortes das pessoas com os seus desenhos perturbantes.
Aliás em muitos momentos este filme faz recordar o Poltergeist original (esqueçam o reboot moderno fachavor); a miudinha é “satânica” quanto baste ao mesmo tempo que é verdadeiramente vulnerável o que cria uma boa incerteza no espectador durante algum tempo até ao desenlace final.

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A história, como referem algumas críticas, é boa, mas pode ser algo ilógica em certos momentos. Não vi o primeiro filme e no entanto não tive dificuldade em seguir a história deste segundo, mas também senti que [“Sadako 2 -3D”] tentava ser muitas coisas ao mesmo tempo. No entanto, penso que se manteve sempre coerente até mesmo quando não fazia sentido, se é que isto faz sentido.

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De resto, se já viram “Ringu” ou qualquer filme “Ring” na sua versão americana, já viram isto e não vão surpreender-se com nada. É apenas mais do mesmo. Banhos de sangue, sustos, miudas tétricas de cabelos longos, som enervante e muita gente aos gritos depois de verem videos malditos. Por outro lado tem um gostinho gótico que lhe dá um sabor diferente e é sempre divertido. Não é um filme chato. É apenas simples.

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Se o virem apenas em 2D tradicional, sinceramente não penso que devam ir a correr ver isto, a não ser que gostem muito de filmes “Ringu”. O que eleva este título à categoria de obrigatório é mesmo o 3D; até para quem normalmente não se impressiona com a tecnologia. Este está mesmo bem conseguido.

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CLASSIFICAÇÃO:

Como filme de terror não tem nada de especial nem o acho particularmente assustador. Já viram isto mil vezes e não tem qualquer surpresa.

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Como filme em 3D é o melhor que alguma vez vi. Se o virem em 2D e gostarem muito de cinema de terror, [“Sadako 2 -3D”] é um produto simples mas sólido.
Se não gostam de cinema de terror mas quiserem ver como todos os filmes 3D deveriam ser então devem pelo menos espreitar este.
Três tigelas de noodles pelo filme, mas levaria na boa a classificação máxima pelo uso acertado e verdadeiramente impressionante do 3D.

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A favor: o 3D é incrível, história interessante, miudinha arrepiante, é um bom filme “Ringu” sem mais nem menos, não precisam ver o primeiro Sadako para acompanhar a história.
Contra: não mete medo nenhum, os sustos são do mais prevísivel que há e não assustam de todo, se não o virem em 3D é apenas mais um filme igual a tantos outros dentro deste mesmo género.

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TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2440362

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Filmes semelhantes e 100% orientais de que poderá gostar:

A Tale of Two Sisters Dark Water
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The Forest (The Forest) Jason Zada (2016) Usa/Sérvia/Japão


Se há uma coisa que acabou de vez com o cinema de terror norte-americano foi esta tendencia dos ultimos anos em que os filmes do género saídos de Hollywood têm de ser fabricados para todos os públicos e serem obrigatóriamente PG-13 para não assustar as criancinhas.
[“The Forest“] é portanto o típico exemplo desta moda.
[“The Forest“] é assim, um filme de terror que não mete medo absolutamente nenhum.

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Por esta altura já devem estar a perguntar-se porque raio estou a falar de [“The Forest“] , neste blog. Bem, há várias razões que me levam novamente a esticar aqui o contexto da página; (tal como já aconteceu antes com por exemplo “The Messengers“, um bocado pelo mesmo motivo).
Neste caso o realizador não é oriental, a produção principal é norte americana, mas é uma história ambientada no Japão; (filmada em parte no Japão), com um elenco japonês em practicamente todos os papeis secundários (onde se fala Japonês) e é também um filme sobre a misteriosa Floresta Aokigahara localizada no sopé do monte Fuji, onde milhares de Japoneses se dirigiram para cometer suícidio ao longo de várias décadas.
[“The Forest“] enquanto filme, apesar de todas as suas falhas consegue desde logo algo que eu não esperava; tem ambiente e em alguns momentos poderia muito bem ser cinema de terror Japonês. Aliás, aí sim teria sido certamente arrepiante como o raio.

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Há outro motivo pelo qual eu achei interessante destacar o filme agora aqui, mas ficará para daqui a pouco mais à frente e já vão perceber porquê.
Ainda bem que eu não vi o trailer antes de ver [“The Forest“], pois se o tivesse feito certamente não teria tido qualquer interesse em ver o filme, especialmente depois da sucessão de banalidades que aparece na apresentação.
A julgar pelas reviews que tinha lido, [“The Forest“] não carregava propriamente grande reputação e portanto também eu fui ver isto já preparado para desancar forte e feio neste título. Principalmente por não meter medo ao menino Jesus. E isso é o pior que pode acontecer a um filme que supostamente deveria ser de terror. Ainda por cima com um tema destes.

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Agora que vi o trailer depois de ter visto o filme, constato que pelo menos umas cinco ou seis sequências que aparecem na apresentação felizmente nem sequer fazem parte da montagem final do filme. Óptimo !
Quem resolveu cortar essas cenas que se revelam imediatamente formuláticas e banais no trailer, fez muito bem pois [“The Forest“] só ganhou com isso.
Portanto, se virem o trailer, não se preocupem; não tem spoilers, até porque muito do que aparece lá não entra na versão de cinema e o filme segue uma linha algo diferente; linha essa que me surpreendeu agradavelmente.

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Em vez de criar um clima de terror, [“The Forest“] parece achar que meter medo é igual “a pregar mais um daqueles sustos” (sem tensão nenhuma) com o som MUITO ALTO de cinco em cinco minutos, como manda a cartilha das pastilhas elásticas hollywoodescas sem um pingo de inspiração.
Este filme está cheio de cenas daquelas que supostamente deveriam ter uma grande tensão mas a gente já sabe exactamente que tipo de susto vem a seguir e pior, quando é que esse susto “inesperado” vai aparecer !
Olha, mais um. Booo !
Ai que medo. Que terror.
Vários sustos que aparecem no trailer não fazem parte do filme, o que mais uma vez é positivo, pois o que sobra já é por demais infantil e desinspirado em termos de clima de pseudo-terror.
Então mas onde é que isto funciona ?

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Bem, [“The Forest“] a partir do momento em que o espectador percebe que isto é terror para crianças, baseado em saltos com SOM ALTO e máscaras de látex para mortos-vivos de plástico que aparecem “subitamente” por tudo e por nada ; há aqui uma boa história algures.
Tivesse este titulo sido apresentado como sendo um thriller de mistério e não como filme de terror e se calhar muitas das reviews que agora o arrassam por completo tinham reparado nas suas qualidades.
Porque as tem.
[“The Forest“] além de trabalhar bastante bem o enigma sobre o desaparecimento da irmã da protagonista, tem um certo sabor a filme de aventura que lhe dá uma aura especial.

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Para começar eu que pensava que ia ver mais outro daqueles filmes com gente a correr às escuras por florestas durante a noite perseguida por psicopatas, zombies ou fantasmas em geral, surpreendeu-me o facto de [“The Forest“] se passar na sua grande parte durante o dia. E é aí que funciona melhor enquanto thriller de mistério. Não quero aqui detalhar o porquê, porque se virem o filme vão gostar de perceber qual o rumo do argumento e acompanhar a forma como cria permanentes pequenas reviravoltas que nos deixam incertos sobre o destino dos personagens durante largos minutos.

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Normalmente neste tipo de cinema de “terror” para crianças PG-13 a coisa não passa de uma contagem decrescente em termos de cadáveres até que sobra uma pessoa; acontece que em [“The Forest“] essa fórmula tem alguma substância mais e eu não estava à espera que o argumento tivesse tido esse cuidado. Não só os personagens são interessantes, como ainda damos por nós a torcer por eles, o que não é mau de todo para um filme de terror que falha redondamente em assustar quem quer que seja.

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Não mete medo, mas olhem para isto como um thriller e vão perceber que a intriga funciona bem, inclusivamente até à revelação final em jeito de cinema sul-coreano, que embora simples me apanhou de surpresa, pois não me apercebi logo da coisa no momento.
Portanto [“The Forest“] recomenda-se, não como cinema de terror, mas como um bom filme de mistério com muitos “sustos” parvos à mistura, mas que nem por isso estragam o tom enigmático que funciona muito bem graças aos personagens cativantes. O que para um filme americano a tentar colar-se ao género japonês, até nem está mau de todo.

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Agora o que eu não esperava era que me apetecesse ver isto duas vezes e há uma boa razão para vocês depois também o fazerem; mesmo que não gostem por aí além do filme. E já explico mais à frente (na parte dos *spoilers*) o porquê.
Para já deixem-me recomendar isto da forma habitual.

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CLASSIFICAÇÃO:

Esqueçam que isto é suposto ser um filme de terror. Como thriller de mistério funciona bem a vários níveis e não é de todo o mau filme que muita review por aí pinta para grande surpresa minha. Gostei muito de o acompanhar, gostei de várias coisas (até) no final formulático e sendo assim recomendo que se procuram histórias de mistério espreitem esta; (já irei explicar mais à frente nos *spoilers*).

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Três tigelas e meia de noodles porque é um produto algo híbrido que funciona muito bem a um determinado nível enquanto que se afunda por completo como filme de terror que não consegue ser de todo.
No entanto é suficientemente bom para espreitarem pois acaba por estar muitos furos acima do típico cinema de “terror” para teenagers habitualmente saído de Hollywood nestes moldes.

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A favor: consegue transportar-nos para aquela floresta no Japão mesmo não tendo sido um filme totalmente filmado lá, as paisagens originais estão muito bem recriadas se compararmos com os verdadeiros locais até a nível de arquitectura, o enigma é se calhar mais complexo do que aparenta a uma primeira visão, como thriller funciona bem e até tem um certo sabor a aventura, surpreendentemente as melhores cenas são passadas durante o dia e tem poucos momentos estereotipados com gente a correr por florestas durante a noite, aliás tem menos clichés do que parece ter no trailer, os personagens são cativantes e felizmente conta com um elenco japonês para dar mais autenticidade à história e ao ambiente, o argumento é melhor do que parece e joga muito bem com um clima de incerteza, grande parte das cenas parvas e formuláticas que estão no trailer não aparecem de todo no filme e só por isso vale o destaque.
Contra: se procuram um filme de terror procurem noutro lado, é “terror” PG-13 para familias americanas irem ao cinema com baldes de pipoca “assustarem-se muito” mas sem sangue de estilo gore, tudo o que é suposto ser clima de terror não passa de momentos de SOM ALTO “repentino” quase de cinco em cinco minutos. Até podemos acertar o relógio pelos “sustos”.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER (com inúmeras cenas que não entram no filme)

Documentário sobre a verdadeira Aokigahara Forest

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ATENÇÃO: se têm alguma intenção de ver este filme não leiam ABSOLUTAMENTE NADA do que vou escrever a partir do aviso vermelho de *spoilers* a seguir.
Leiam só a partir dos titulos verdes depois desta secção.
Vão por mim, irão olhar para este filme de uma forma que se calhar nem imaginam.

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Eu próprio não me apercebi disto na história, mas há alguém no IMDB com uma interpretação do que aconteceu neste filme deveras intrigante e que os fará ficar com vontade de rever em pormenor [“The Forest“] mal leiam a sua visão do que realmente aconteceu neste enigma.
Não costumo dar muita atenção a estas re-interpretações para filmes mas tenho que concordar que depois de ler o que o Author: jarora2213″ escreveu na sua favorável review do filme, já não consigo pensar na história da mesma forma que eu tinha pensado.

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Na altura também tinha ficado com a ideia de pontas soltas, mas se calhar, jarora2213 tem razão e somos nós que pelo facto de estarmos tão decepcionados com a falta de terror deste título que acabamos por não dar grande atenção às pistas que estão espalhadas pela história e que se calhar tornam [“The Forest“] num argumento mais complexo e criativo do que nos parece à primeira vista. A interpretação de jarora2213  [“The Forest“] quase que me transporta ao “The Sixth Sense”; e de repente o filme parece bem melhor. Daí estar agora também a recomendá-lo no blog.

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Estão preparados ? Não leiam isto antes de verem o filme. MESMO !

SPOILERS * SPOILERS  * SPOILERS * SPOILERS * SPOILERS
A partir deste momento irei parafrasear muito do texto ou do sentido original descrito pelo utilizador jarora2213 na sua review de IMDB.

Ao acompanhar este filme não consegui deixar de sentir que esta história seria mais complexa do que aparentou à primeira vista. Sinto que este filme é mais uma história sobre doença mental do que será um filme de terror sobrenatural envolvendo os pretensos espiritos maléficos da floresta de  Aokigahara que na verdade nunca existem na história.

Comecemos pelos factos, temos a personagem principal, Sara e a sua irmâ gemea idêntica Jess. Uma noite quando em crianças estavam ao cuidado da avó, soam dois tiros que todas ouvem e logo procuram investigar a origem dos disparos. Quando com a sua avó descem por um lance de escadas que leva até à cave de sua casa, esta grita-lhes “tapem os olhos!”.
Isto porque o que tinha acontecido minutos antes fora o pai das miudas ter assassinado a mãe delas com um tiro de caçadeira e de seguida ter-se suicidado.

Sara fechou os olhos e nunca viu o banho de sangue, mas Jess viu tudo ao pormenor.

Portanto eis o que eu acho ser a grande revelação encoberta na história do filme.
Nunca houve uma irmã gemea. Jess (ou Sara)  nunca existiu.

Penso que devido à experiência traumática na sua infância Sara (ou Jess)  dividiu-se mentalmente em duas pessoas num típico exemplo do sindroma da dupla personalidade. Sara passou assim a ser, Sara e Jess alternadamente.
Sara afirma por várias vezes durante o filme que sente remorsos profundos por nunca ter “ajudado” Jess a carregar o fardo de ter visto os cadáveres dos pais a quando do banho de sangue naquela noite. Penso que essa convicção será apenas um lugar interior dentro de si. Um refúgio psicológico. Um trauma que carrega desde esse dia.
Esta teoria faz sentido , se vocês prestarem atenção a várias pistas que o realizador e o argumentista deixaram espalhadas pelo filme de propósito(?).
Aqui vão as 5 principais:

1. Logo no início do filme vemos uma cena em que Sara desce um lance de escadas que também conduzem a uma cave. Nessa cave está uma tenda amarela. Do exterior conseguem-se ver duas sombras de criança distintas no interior da tenda mas quando Sara a abre, só lá está uma menina.

2. Quando Sara comunica ao seu namorado que precisa de ir ao Japão em busca da irmã, este reage com uma expressão algo distante mas ao mesmo tempo preocupada. Parece algo cansado mas não está particularmente chocado com o anúncio de que uma pessoa da familia desapareceu no estrangeiro.
Pode interpretar-se isto comu sendo um sinal de que alguém sabe que a outra pessoa tem realmente um problema psicológico e de forma a tentar acalma-la, tenta não a contrariar para não criar resistência.
(Curiosamente também eu notei que havia aqui algo estranho no diálogo algo frio que inicia este filme, pois a relação destas duas pessoas não me pareceu saudável ou romântica por aí além; pensei inclusivamente que isso depois viesse a ser parte do cliché habitual quando Sara conhece “o heroi” da história, mas na verdade esse sub-plot nunca existe. Mais tarde quando o namorado vai ao Japão para a trazer de volta para casa, a partir desse momento parece já alguém realmente caloroso e preocupado com a pessoa que ama, contrariamente ao que acontece no frio diálogo inicial que estabelece a relação destes dois personagens até de uma forma algo -clínica-).

3. À noite na floresta Sara encontra a rapariga japonesa que lhe diz para não confiar em Aiden e isso torna-a totalmente paranoica durante o resto do filme sempre que estão juntos.
Quando ela lhe pede o telemóvel  para ver ser Aiden tem realmente algumas fotografias da irmã, Aiden nega alguma vez ter encontrado Jess e olha para Sara realmente perplexo com o que está a acontecer. A fotografia que Sara “vê” no telemóvel de Jess será então na realidade o rosto dela própria, apenas Sara a interpreta como sendo a da sua irmã; sua segunda personalidade.
(Daí o cabelo preto quando esta é salva; na sua verdadeira personalidade de Jess; no final da história e retirada da floresta, tendo a personalidade “ferida” de “Sara” ficado para sempre retida na floresta em jeito de expiação da sua própria dor ).

4. Perto do fim. Na cena da cabana quando Sara nas costas de Aiden comunica com Jess através da porta e trocam bilhetes por debaixo da fresta onde Jess lhe diz que Aiden a irá matar, se notarem bem, a letra de Jess é exactamente a mesma letra de Sara.
É neste momento que interiormente Sara “deixa Jess” sair e ataca Aiden que continua sem perceber a razão de tanta paranoia à sua volta.
Também nessa altura “naturalmente”, a porta da cave da cabana, (mais uma vez, outra cave), mostra-se afinal aberta sem razão aparente; Jess não se encontra em lado nenhum e embora o filme aponte para uma explicação sobrenatural , o mais certo é tudo apenas se passar na mente de Sara influenciada pelas histórias de fantasmas que envolvem as lendas locais da floresta.
Quando Sara desce as escadas para a cave encontra novamente APENAS uma única criança que está a assistir à morte dos pais. Sara grita para a miuda correr escada acima ao mesmo que o seu pai em modo morto-vivo a agarra, obrigando Sara a usar a faca e a cortar a carne para se soltar, pensando estar a cortar o pai para este a largar quando está na realidade a cortar o seu pulso no fundo de umas escadas que não levam a lado nenhum enquanto imagina toda a cena em que revive o assassinato da mãe e o suicidio dos pais.
isto confirma a teoria de que supostamente apenas “Jess” teria visto a morte dos pais, quando Sara se auto-convenceu de que ela própria nunca tinha visto nada e criou Jess para sofrer o trauma por ela própria.

5. Quando Sara consegue escapar da cabana, curiosamente o filme de repente muda para uma cena em que vemos Jess finalmente perdida na floresta (até aí nunca a tinhamos visto na história depois de se “perder”); surpreendentemente apesar de desorientada “Jess” não parece particularmente atacada por fantasmas ou qualquer coisa sobrenatural, apenas se encontra perdida, tal como ela própria refere no final quando é salva pela equipa de resgate onde está o namorado de “Sara”.
Na sequência em que ambas correm pela floresta em direcção ás luzes da equipa de resgate, a montagem do filme mostra-as em paralelo sem nunca se encontrarem, mas correndo practicamente no mesmo local.
Quando Rob o namorado a abraça trata-a por Sara embora “Sara” não responda, (pois “Sara” ficou na floresta para sempre, pois (afinal) era Sara e não Jess que sofria durante tantos anos por ter visto a morte dos pais); quando Rob, a trata por Jess, esta é a personalidade que responde. Na cabana Sara tinha enfrentado a realidade finalmente e admitido interiormente que tinha sido ela a ver a morte dos pais e não “Jess”, daí fazer sentido que “Jess” tenha saido da floresta eventualmente “curada” por ter deixado toda a sua dor presa no interior na pessoa da sua personalidade “Sara”. Por isso “Jess” diz que já não consegue ouvir a voz de “Sara”, o que fecha o circulo do inicio onde o mote da procura de Sara tem a ver com a voz que ouve constantemente no seu interior e que indica que a irmã ainda está “viva”. Ou seja, até enfrentar a realidade e perceber que só existe uma única pessoa que viu os assassinatos; para “Sara” foi “Jess” quem sofreu. A questão que fica no ar é se Sara se chama Sara ou se Jess será realmente o seu verdadeiro nome.

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FINAL DOS *SPOILERS* FINAL DOS *SPOILERS* FINAL DOS *SPOILERS*
FINAL DOS *SPOILERS* FINAL DOS *SPOILERS* FINAL DOS *SPOILERS*

Portanto meus amigos, já podem ler este bocadinho a seguir se ainda não viram o filme.
Como podem ver se calhar por detrás de um mau e banal filme de terror, estará aqui um argumento bem melhor do que aparenta à primeira vista. Não me admirava nada que os criadores desta história tivessem mesmo a intenção de apresentar um mistério assim de uma forma mais evidente, mas aposto que algum executivo de qualquer estudio em Hollywood deve ter achado tudo muito confuso e terá ordenado que se focassem mais no “terror sobrenatural” do que na história “confusa” sobre o enigma das “duas irmãs”.
Por isso, pela minha parte, já não consigo olhar para este filme da forma simplista que muito reviewer que o ataca por ser um péssimo filme de terror o está a fazer nas reviews espalhadas na net.

the forest 08

Certa, ou não, a verdade é que a teoria do utilizador jarora2213 no IMDB mudou por completo a minha primeira visão desta história. Penso realmente que o argumento pode mesmo ser interpretado desta maneira, especialmente tendo em conta que tudo o que são cenas realmente parvas presentes no trailer não estão depois no filme e o facto de apesar dos sustos imbecis estarem espalhados pelo filme (se calhar mais para agradar ao estudio em hollywood do que outra coisa), a verdade é que mesmo desconhecendo toda esta interpretação eu sempre senti que havia por ali um bom thriller de mistério.
Revendo o filme, as pistas apontadas pela interpretação de jarora2213 estão realmente todas lá, por isso meus amigos, volto a dizer, [“The Forest“] não é o melhor filme do mundo, mas recomenda-se vivamente por muitos e variados motivos.
Vejam-no pelo menos uma vez.

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Pode não ser cinema oriental no sentido mais puro, mas se calhar tem mais a ver com o seu espírito e menos a ver com Hollywood do que aparenta à primeira vista.

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Filmes semelhantes e 100% orientais de que poderá gostar:

A Tale of Two Sisters

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Rigor Mortis (Geung si) Juno Mak (2013) China


Os chineses reinventaram o filme de vampiros.
Ou melhor…segundo o que eu tenho lido sobre o tema, parece que a china já tem uma tradição particular no cinema de vampiros série-b que eu desconhecia por completo e ao qual este [“Rigor Mortis”] supostamente será uma singela homenagem ao mesmo tempo que pretende transportar o género para os tempos modernos.

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Uma coisa é certa, este filme é o antídoto perfeito para a desgraça do “Twilight”. Aqui não há vampiros lindos que brilham ao sol. Aqui há vampiros do c#”%#$” que lhes f%#$%#” a tromba sem dó nem piedade e os comem literalmente vivos num filme com baldes de sangue e entranhas quanto baste.
Vampiros inspirados no Nosferatu e não no Justin Bieber.

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[“Rigor Mortis”] foi uma verdadeira surpresa para mim pois não estava nada à espera disto.
Na verdade é melhor avisar já que o trailer engana.
[“Rigor Mortis”] não é o filme de terror em estilo Japonês que aparenta ser, não será própriamente um filme de fantasmas habitual e muito menos é o filme de aventura e acção que o trailer mostra. De todo.
O trailer mente !

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[“Rigor Mortis”] é a mistura mais estranha que alguma vez vi entre um filme de porrada ultra-comercial em estética Matrix e o mais introspectivo cinema-de-autor. Tanto podemos ficar estupefactos com a adrenalina das cenas de acção como logo a seguir levamos com longos takes intímistas que nos fazem mergulhar na vida deprimente e vazia de todos os personagens.

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Sendo uma abordagem aquilo que parece ser –o velho género– de cinema de vampiros chinês que eu desconhecia por completo, curiosamente o realizador/argumentista vai buscar inspiração á ideia do quanto a popularidade é efémera e acentua isso tendo chamado para o elenco precisamente bastantes daquelas caras que supostamente já terão sido bem populares no cinema deste género anos atrás, mas que actualmente andavam realmente afastados do grande écran na vida real, tendo caído no esquecimento público até serem convidados para entrar agora nesta história que de certa forma espelha não só o seu passado dentro do cinema do género como replica as suas vidas fora do écran até certo ponto.

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O que cai que nem uma luva, no tipo de universo que [“Rigor Mortis”] retrata. O velho prédio degradado e perdido nas zonas mais esquecidas de Hong Kong onde só vivem os mais idosos esquecidos de tudo e de todos, é também um mundo à parte onde a magia, as crendices populares e a bruxaria estão bem vivas e juntamente com a solidão alimentam aquelas almas que vagueiam por esse microcosmos onde apenas podem contar uns com outros e os dias são sempre iguais.

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O filme narra a história de um actor desempregado e esquecido com muitos problemas familiares e pessoais, que tentando fugir da sociedade e do esquecimento a que foi votado resolve alugar um apartamento num velho prédio com o propósito de se suicidar.
O realizador terá ido buscar para o papel principal, inclusivamente um actor que até este filme (segundo alguns artigos) teve uma vida particularmente semelhante ao personagem que agora interpreta, o que torna a sua prestação ainda mais real, pois muita da existência vazia do personagem, parece ter tido realmente eco na vida do actor que agora lhe dá vida neste filme.

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O que torna [“Rigor Mortis”] numa espécie de cinema-veritée em versão baldes de sangue, numa mistura entre drama sobre a solidão e o isolamento cruzado com o mais entusiasmaste filme de vampiros dos últimos tempos, pela forma absolutamente original com que tudo está orquestrado e apresentado ao espectador, deixando-nos curiosos, fascinados, entusiasmados, desconcertados; por vezes aborrecidos mas sempre hipnotizados.

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É dificil descrever este filme sem estragar as surpresas todas a quem ainda não o viu, pois este é um daqueles que merece ser visto sem sabermos nada sobre ele. Não porque a história tenha muitas surpresas mas porque o filme consegue surpreender visualmente nos momentos mais inesperados e portanto vale mesmo a pena ser visto, em especial se gostam de histórias com vampiros.
[“Rigor Mortis”] é o perfeito exemplo daquela originalidade que felizmente está bem viva pelas bandas do cinema oriental e aqui apesar do estranho cruzamento entre o cinema-de-autor e o cinema de efeitos especiais mais pipoca tem momentos que não irão esquecer tão cedo.

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O filme tem um design gráfico fabuloso. Não só a nível de estética, fotografia e cenários mas principalmente na forma com muita das sequências de acção estão filmadas. Por vezes parece que se irá tornar até demasiado estilizado mas não há dúvida que tudo está muito bem equilibrado e o realizador fez um trabalho excelente alternando entre o filme intimista de carga bastante triste e contemplativa e o cinema de porrada vampírica com adrenalina de fazer subir as paredes.

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Nota máxima também para o sangue.
Filme de vampiros que se preze tem que ter sangue mas sinceramente acho que nunca tinha visto um sangue tão realistico em filmes do género como neste [“Rigor Mortis”]. Se calhar pela forma como é usado, não só para dar vida á própria estética do filme mas porque há baldes dele espalhado pela história; muitas vezes mostrado de uma forma políticamente incorrecta que não passaria nos censores de Hollywood quando tentassem que isto se transformasse em mais um filme PG13 como parece que todo o suposto terror americano se tornou hoje em dia.
É um filme gráficamente violento a fazer lembrar “Dream Home” e felizmente não tem medo de o ser, para divertimento de quem adora filmes de vampiros, feios, maus e sujos, com sangue a sério e bem longe das tretas delicodoces do cinema para adolescentes americanos.

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Há sangue por todo o lado, esfaqueamentos múltiplos e mostrados de forma crua e explícita, pescoços quebrados da forma mais arrepiante, violações e muita violência psicológica à mistura que por vezes dá ao filme uma aura crua bastante doentia até, embora nunca desinteressante.
[“Rigor Mortis”] é uma estranha mistura entre filme de vampiros, filme de fantasmas e filme de bruxaria onde se cruzam drama sobre solidão e abandono com as mais entusiasmastes sequências de porrada em estilo CGI que já vi dentro do género.

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Segundo o que li, tal como aconteceu por exemplo em “In The Mood For Love” também este filme chinês está carregado de referências culturais que só o público oriental consegue notar e que certamente ainda o tornarão mais interessante na China, mas não há dúvida que há por aqui algo especial mesmo para o público ocidental que goste de cinema fantástico e não conheça muito da cultura sobrenatural chinesa em que esta história se assenta. O público ocidental pode curtir a referência ao Shinning para não se sentir deslocado.

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Em termos de falhas, independentemente do estilo mais intimista poder ser considerado uma falha por alguns espectadores ou não, quanto a mim [“Rigor Mortis”] só tem um problema que o impede de ser absolutamente brilhante.
[“Rigor Mortis”] supostamente é um filme de terror.
[“Rigor Mortis”] não mete medo absolutamente nenhum !!!
Népia !
Nicles !
Zero !
Tem pilhas de atmosfera, montes de sangue, fantasmas excelentes e bruxaria quanto baste, mas nunca em momento algum consegue criar qualquer clima de medo, suspanse ou terror a que estamos habituados encontrar no género.

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Tudo é espectacular ou tudo é intimista. Ambiente de terror é que não há em parte alguma apesar de toda a estética, dos baldes de sangue, dos esvíceraçamentos, das almas penadas em cgi e das mortes violentas.
Garanto-vos que ninguém se irá assustar minimamente com este filme e suspanse também não tem muito, o que é estranho, pois a partir de certa altura [“Rigor Mortis”] não consegue evitar a habitual previsibilidade apesar de toda a originalidade na maneira como mistura as ideias.

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Na verdade isto não será propriamente um ponto negativo, pois o filme funciona noutros níveis que atiram esta história de vampiros para um género particularmente único. No entanto eu tenho pena de não me ter assustado nada com isto, pois se há coisa que me decepciona no cinema de terror é precisamente quando este não assusta. Embora as almas penadas tenham um par de momentos arrepiantes mas também se tornam inconsequentes por serem tão estilizados.
Por outro lado [“Rigor Mortis”] compensa em adrenalina, construção de personagens e estilo visual e só por isso está de parabéns.

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CLASSIFICAÇÃO

Um dos filmes de vampiros mais originais e estranhos que alguma vez vi.
Pode não ser propriamente assustador mas compensa plenamente em tudo o resto. No entanto o estranho equilíbrio entre o cinema de acção em estilo cgi ultra comercial e o mais introspectivo cinema de autor pode deixar muita gente desorientada e sem vontade de continuar a seguir a história em muitos dos momentos do filme.
No entanto, quatro tigelas de noodles pois é muito bom, tem muita adrenalina e é um excelente exemplo de como a imaginação está bem viva pelos lados do cinema chinês. Não tarda muito, isto ainda vai dar remake americano.

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A favor: Tem vampiros e caçadores de vampiros num estilo que ainda não tinha visto, está cheio de atmosfera e visualmente é fantástico e com muita personalidade, tem actores excelentes que merecem voltar à ribalta depois disto, está carregado de adrenalina mesmo nas cenas de lutas com muito cgi à mistura, tem um par de almas penadas arrepiastes, é uma excelente história sobrenatural embora não evite alguns clichés óbviamente, o equilíbrio entre o cinema comercial e o cinema de autor surpreendentemente resulta em pleno e torna o filme bastante original.

Contra: Possivelmente um dos filmes de terror menos assustadores de todos os tempos, por vezes a acção é tão estilizada que se sobrepõe àquilo que deveria ser mais assustador e menos artístico, as partes mais art-house podem matar de tédio e deixar desconcertado muito espectador que não esteja habituado a cinema menos comercial pois o cruzamento entre filme de porrada e cinema de autor intimista parece algo dificil de ser digerido ao inicio.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
https://www.youtube.com/watch?v=8ax65-ulouA

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Comprar
Não está ainda disponível pelo ocidente.

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2771800
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Snowpiercer (Snowpiercer) Bong Joon-Ho (2013) Coreia do Sul – França – Eua – República Checa


Eu sei que este blog nos últimos tempos parece ser apenas sobre filmes que eu acho extraordinários, mas como não tenho tido muito tempo para ver cinema, tenho andado a tentar selecionar os títulos que me parecem mais prometedores e por acaso tenho acertado em cheio em coisas absolutamente fascinantes.
E atípicas também.

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Neste caso, [“Snowpiercer”] é não só um dos melhores filmes de ficção-científica que alguma vez me passaram pela frente como ainda por cima é mais um filme oriental que a um primeiro olhar parece ser apenas mais um produto americano made-in Hollywood. Que, diga-se já de passagem ainda não estreou nos States (e como tal parece que nem irá chegar a cinemas portugueses), porque os distribuidores ocidentais do outro lado do oceano exigem que o realizador corte pelo menos 25 minutos para tornar o filme menos denso em termos de história e focar-se mais na porrada imbecil como habitualmente.

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Até há alguns dias atrás eu nunca tinha visto qualquer publicidade sobre a sua existência, não fazia ideia que estava planeado sequer e curiosamente apesar de tentar andar a par sobre o mundo do cinema, nunca tinha visto qualquer menção a [“Snowpiercer”] em parte alguma até um amigo me recomendar o filme no outro dia; desconhecendo também por completo que isto seria cinema oriental.
O que não deixa de ser particularmente estranho, pois o filme está carregado de conhecidos actores ocidentais, não só europeus, como americanos e inclusivamente australianos.

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E um dos americanos é precisamente o mesmo actor que está bastante popular por causa dos filmes do Capitão América, por isso ainda mais surpreendido fiquei quando percebi quem era aquela cara que já tinha visto em algum lado e me deparei com uma estrela de Hollywood num filme Sul Coreano. Ainda por cima num papel de anti-heroi bastante negro que não passaria na censura do país da democracia e liberdade se o argumento deste filme tivesse dependido da aprovação de um qualquer executivo de estúdio cinematográfico habitual.

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Todo o conceito de [“Snowpiercer”] inclusivamente no tipo de produção, recordou-me imediatamente filmes orientais como “Virus” naquela “tradição” oriental/japonesa que havia em finais dos anos 70 quando contratavam estrelas ocidentais de toda a parte do mundo para as misturarem com actores asiáticos e criarem épicos de cinema catástrofe/aventura com um elenco enorme e totalmente multi-cultural.
[“Snowpiercer”]é um desses filmes e apesar de ser essencialmente um filme de grupo, acerta logo em cheio na forma como gere o seu elenco. Isto porque é um daqueles raros filmes em que todos os actores têm realmente um papel importante na história não se limitando a ser peças de cenário para fazer o herói brilhar, como aconteceria de certeza absoluta se isto fosse mais um típico enlatado americano.

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E de que trata este filme então ?
Bem, acima de tudo deixo ficar já aqui um aviso muito importante.
Se tal como eu nunca ouviram falar de [Snowpiercer], façam o que fizerem, não leiam nada sobre ele (além desta review sem *spoilers*), afastem-se de tudo o que lhes possa estragar as (muitas) surpresas que a progressão da história contém e sinceramente…meus amigos… não vejam o trailer antes de verem o filme também.
Curiosamente o trailer desta vez está bem feito e não estraga nada felizmente, mas acreditem-me, especialmente se gostarem de ficção-cientifica (estilo steampunk até), façam como eu fiz e partam para [Snowpiercer] sem tentar saber absolutamente nada sobre ele. Vão por mim. O impacto vai ser bem melhor.

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É que ainda por cima neste caso [“Snowpiercer”] está realmente carregado de surpresas. Não só na história, como uma das suas grandes mais valias, está no facto de ser um daqueles raros filmes em que por muito que tentemos imaginar o que pode acontecer a seguir, raramente conseguimos adivinhar o que vai aparecer no écran e isso é muito raro hoje em dia. O filme está carregado de surpresas não apenas no argumento escrito, mas principalmente conta com momentos visuais daqueles mesmo – WOW não estava mesmo nada á espera que isto aparecesse agora !!!

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[“Snowpiercer”] é um filme de Bong Joon-Ho, o mesmo realizador que fez o fantástico Sul Coreano “The Host” e que há alguns anos atrás redefiniu o cinema de monstros pela densidade e forma como mais do que mostrar o monstro, mostra como as personagens são afectadas por ele.
Curiosamente Bong Joon-Ho, conta de novo com os dois fantásticos actores principais de “The Host”, novamente no papel de pai e filha e em certas alturas não conseguimos evitar a sensação que a sua relação quase parece uma continuidade de um filme para o outro embora os seus personagens desta vez tenham um par de características bem particulares que não posso agora revelar.

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Outra coisa que adorei nesta história, foi a sua atmosfera visual numa mistura absolutamente perfeita entre o melhor da estética oriental e aquele estilo de banda-desenhada europeia do final dos anos 70 que já faz muita falta actualmente. Pelo que notei, adapta uma novela gráfica francesa actual que eu desconhecia em absoluto mas que no entanto me parece estar mais perto do estilo manga do que própriamente dentro da linha tradicional franco-belga.
No entanto, por outro lado, quem gosta daquele género de histórias de banda desenhada europeia com uma intensa aura negra passadas em futuros distópicos e um estilo visual a roçar a paleta de cores de autores de Bd como Bilal, ou Serpieri (com o seu Druuna por exemplo), vai adorar o que irá encontrar estéticamente em [“Snowpiercer”]. Em muitos momentos faz lembrar até o traço de Rosinsky (o autor de Thorgal), pois alguns cenários têm ali qualquer coisa de gráficamente familiar e vai encher as medidas de quem já tem saudades de uma boa estética de banda desenhada antes dos comics terem formatado tudo ao estilo americano sem um pingo de imaginação.

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Portanto, mais uma vez aviso. Afastem-se de tudo que lhes possa estragar as surpresas deste filme. Especialmente não tentem ver mais imagens sobre ele para além da fotos que lhes mostro neste blog.
Muitas das surpresas em [Snowpiercer] são visuais e vocês não querem dar cabo daquele momento de pura surpresa que há tanto tempo anda afastado do cinema comercial que nos chega da américa onde os trailers contam os filmes de uma ponta a outra.
Por isso se procuram um produto realmente diferente e onde podem voltar a sentir aquele ambiente de maravilhoso e de total imersão num mundo imaginário sem que lhes tenham estragado as reviravoltas todas este filme é o filme que procuraram durante muito tempo.

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[“Snowpiercer”] é também intensamente violento, por isso preparem-se os mais sensíveis. Contém aquele estilo de –crueldade– muito característico nas histórias intensamente dramáticas a que estamos habituados no cinema oriental e só por ali, nota-se que este é um daqueles produtos que não sofreu qualquer -suavização- por parte dos habituais censores de Hollywood que actualmente insistem sempre que um filme de terror tem que se “adaptar” todas as idades de modo a rentabilizar nas bilheteiras gringas e “gringadas” pelo mundo fora que tem que comer com essencialmente com a distribuição americana, que desde há décadas adora mutilar filmes “estrangeiros” cortando-os, remontando-os e destruíndo-os para se adaptarem áquilo que muitos executivos acham que deve ser –o gosto- mais rentável das plateias americanas e americanizadas.
Portanto, neste filme, a história é pesada, muitas surpresas podem até considerar-se chocantes e o politicamente incorrecto abunda.
E ainda bem, pois este mundo apocalíptico sem esses pormenores não seria o mesmo nem seria tão convicente.

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A história deste filme se não tivesse sido contada da forma que foi, teria perdido toda a sua alma e ainda bem que isto é do mesmo realizador Sul Coreano de “The Host” pois ele é especialista em criar cinema espectáculo tão impressionante quanto qualquer coisa saída de Hollywood sem no entanto se esquecer dos personagens.
Acima de tudo [“Snowpiercer”] é sobre as pessoas e vocês quando chegarem ao final da história vão lembrar-se de igual forma de todos os personagens e não apenas do -“herói”. Até porque heróis é coisa que não há por aqui.

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Resumidamente e sem lhes estragar nada, [“Snowpiercer”] conta a história de um comboio que percorre o planeta sem nunca parar (porque senão tudo congela), trilhando a única linha férrea mundial que existe, após a Terra ter mergulhado numa nova idade do gelo.
Em 2014 ao tentarem resolver o problema do aquecimento global espalhando um produto na atmosfera que iria agir com um escudo para radiações, essencialmente os políticos destruíram o mundo pois o produto teve um efeito tão bom que mergulhou a Terra numa temperatura glacial durante décadas tendo aniquilado a população mundial inteira com excepção das pessoas que conseguiram entrar num comboio experimental que tinha sido construído por um magnata dos transportes. O mesmo que agora vivendo na carruagem da frente é dono e senhor das vidas de todas as pessoas que vivem a bordo, o que inevitávelmente dá origem á típica história sobre regimes totalitários que o trailer indica mas que vai muito mais além daquilo que vocês possam imaginar.
Ah e se pensam que este é mais um daqueles em que depois se descobre que afinal havia mais sobreviventes algures pelo planeta e de seguida o herói encontra essa gente, há uma revolução e coisa e tal, esqueçam.
As 1000 pessoas do comboio são mesmo os últimos mil sobreviventes à superfície do planeta Terra.
Vão adorar.

Snowpiercer

[“Snowpiercer”] consegue ser ao mesmo tempo, uma história de ficção científica com um bom conceito, um filme de acção ao melhor estilo Hollywood e um drama intenso completamente politicamente incorrecto como há muito tempo não se via dentro do cinema do género.
Cada carruagem do comboio tem as suas características muito pessoais e que servem como metáfora para se falar sobre uma série de temas  pertinentes e onde muitas vezes até no meio das mais intensas cenas de acção não deixam o espectador parar de pensar. Óbviamente que um filme assim teria ir á tesoura nos Estados Unidos.

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Acima de tudo tem aquele factor surpresa que eu adoro encontrar no cinema e que é cada vez mais raro neste mundo. Este filme está cheio de pequenos detalhes que o enriquecem em muitos aspectos, (especialmente a uma segunda visão) e a minha vontade era aqui comentar detalhadamente sobre os melhores momentos, mas não o posso fazer. Num mundo onde os trailers com que somos bombardeados mesmo que não os queiramos ver nos retiram por completo o prazer da descoberta de um filme, neste caso se vocês se mantiverem longe de tudo o que lhes poderá destruir o mistério, então irão dar por bem empregue o vosso tempo e apanhar o queixo do chão umas quantas vezes ao longo de toda a história. Garanto-vos.
Afastem-se até das imagens do filme espalhadas pela net, pois algumas revelam boas surpresas em termos de personagens e vocês querem partir para [“Snowpiercer”] sem saberem nada dele.

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Como já referi isto é essencialmente um trabalho de grupo e não há propriamente um personagem principal embora alguns se destaquem. Para além dos actores sul coreanos de “The Host” que mais uma vez têm uma empatia absolutamente perfeita, a mistura com o elenco internacional cria uma sensação de realismo excelente; mas é Tilda Swinton que arrebata o filme em cada cena que aparece como a ministra fascista. Vão adorar odiar o seu personagem pois é ao mesmo tempo, ameaçador, cómico e trágico.

Snowpiercer

O -“Capitão América”- Chris Evans surpreendeu-me pois não esperava uma prestação tão intensa e perfeita de alguém que normalmente se vê limitado a entrar em pastilhas elásticas para adolescentes e pouco mais quando trabalha na américa. Tem um dos melhores monólogos do filme numa cena arrepiante só pela forma como o actor interpreta o texto e que acaba por ser outra das chaves da história, conduzindo-nos até ao seu final. Um final que quanto a mim deixa algo a desejar mas nem por isso é menos adequado, pois eu sinceramente numa história destas também não saberia bem como a terminar. O filme tem sempre tanto impacto a todo o momento, que inevitávelmente o final se calhar sofre um bocado por não ser própriamente surpreendente ou intensamente chocante.

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Nota especial também para a participação do “TintinJamie Bell com um personagem cativante numa prestação dramática excelente e para John Hurt e Ed Harris que com a sua habitual presença carismática dominam cada cena em que entram.
E claro também para todo o elenco secundário; algumas caras conhecidas inglesas e não só que povoam este úniverso bem negro mas muito bem imaginado e plenamente bem executado pela realização dinâmica e segura de Bong Joon-Ho num filme onde não se perde um fotograma na montagem e onde tudo, até o mais pequeno pormenor aparentemente desinteressante importa para o desenlace final e contribui para estar sempre um passo á frente do que o espectador pensa que vai acontecer.

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Portanto como não quero estragar o filme a ninguém fico-me por aqui e vamos a isto.

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CLASSIFICAÇÃO

Este filme entra directamente para a minha lista de filmes favoritos de ficção-científica pois é uma das melhores co-produções internacionais dos últimos anos e que demonstra bem o que se pode fazer dentro do cinema comercial quando não há interferência directa de Hollywood no seu processo criativo.
Quando eu pensava que já não havia imaginação dentro da ficção-científica cinematográfica; salvo raras excepções que normalmente são fracassos por tentarem sair da habitual fórmula a que os “adolescentes” comedores de milho estão habituados, eis que me deparo com [“Snowpiercer”]. Dos raros filmes de FC que são tão bons quanto um bom romance do género e portanto recomendo vivamente a quem procura algo fora do habitual que contorna hábilmente as inevitáveis cenas previsíveis e nos surpreende a cada instante até ao minuto final.
Cinco tigelas de noodles por mostrar que afinal ainda há gente a fazer ficção-científica adulta algures neste planeta.

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A favor: É ficção-científica para adultos a sério ao melhor estilo clássico, consta que é uma boa adaptação de uma nova BD europeia mesmo, não é nada politicamente correcto e é até bastante pesado e cruel em certas alturas chave, muito violento com baldes de sangue e tripas quanto baste, psicológicamente anda sempre na corda bamba entre até onde pode ir para não chocar demasiado o espectador ao mesmo tempo que o diverte pela espectacularidade de grande parte das cenas, está cheio de surpresas e não é tão previsível quanto poderão pensar, excelente cenas de acção, óptimos personagens, um design incrível com muita inspiração steampunk, um par de vilões extraordinários, agarra-nos do principio ao fim e nunca deixa de surpreender o espectador. Tem inclusivamente algum humor bem negro nos sítios mais inesperados.

Contra: Eu por mim ainda teria ido mais longe na violência e nas cenas repugnantes pois mesmo assim aposto que houve por aqui alguma contenção para não afugentar as plateias, não vai ter uma sequela e é pena; não ficamos com vontade de o rever muitas vezes e será um daqueles que veremos uma vez por ano ou algo assim simplesmente porque fica bastante na memória.

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CENSURA: O filme não foi lançado nos estados unidos e provavelmente irá ter uma distribuição muito pequena, porque o realizador Sul Coreano Bong Joon-Ho, se recusa a cortar os 25 minutos de cenas que a “censura” americana insiste de forma a que este possa ter uma classificação “mais familiar”, deixe de ser pesado e passe a ser mais “comercial“.
Será possível que ainda exista esta imbecilidade de tentarem destruir um filme absolutamente brilhante na sua forma original só para o adaptarem ás audiências americanas e pior, ás audiências  – americanizadas ?!!
Portanto se não for lançado nos estados unidos numa grande escala, muito certamente não chegará aos nossos cinemas pois todo o percurso de distribuição de cinema de grande público nas nossas salas está refém das políticas de distribuição controlas pelos estúdios de Hollywood.
Deve ser com políticas destas que esperam controlar a pirataria…

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer

https://www.youtube.com/watch?v=r6UmqNuMdY4

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Página oficial de Facebook
https://www.facebook.com/pages/Snowpiercer/304469566338971

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Ainda não existem edições inglesas e claro muito menos portuguesas. Apenas foi lançado em frança bem antes até de estrear no cinema cá pelo ocidente. Isto claro,  devido aos problemas de distribuição mundial porque esta é essencialmente controlada por Hollywood que exige cortes para colocar o filme nas salas americanas e americanizadas internacionais dos multiplexes que as companhias americanas controlam pelos nossos shoppings e não só.
A edição francesa á venda na amazon-fr, apesar de constar ser técnicamente excelente não contém legendas em inglés, (muito menos em portuga, claro), o que vai complicar o visionamento de muitos dos diálogos em Sul Coreano, pois o filme tanto é falado em inglés como em sul-coreano claro está, embora não sejam muitos.

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1706620/

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