The Assassination Classroom (Ansatsu kyôshitsu) Eiichirô Hasumi (2015) Japão


Se são daqueles que sempre pensaram que o que faltava no filme “Dead Poets Society/O Clube dos Poetas Mortos” eram umas pistolas e uns assassinatos então , [“The Assassination classroom“] é para vocês !

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Quando eu pensava que já tinha visto tudo, eis que o Japão volta à carga com mais um titulo absolutamente indiscritível e verdadeiramente inclassificável.
Por falta de tempo não costumo acompanhar o que se passa no mundo das séries Anime ou dos Manga, mas consta que este filme é a adaptação live-action de uma das mais populares séries animadas do momento em termos de objecto de culto.
Depois do filme, acho que vou ter mesmo que ver a série…

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Para aqueles que andam sempre a dizer que já não existem conceitos originais, tomem lá este.
Um extraterrestre que se parece com um polvo gigante amarelinho e com o rosto sorridente do -smile- um dia destroi mais de metade da lua (esculpindo-a para sempre em forma de meia-lua) e dirige-se para o nosso planeta Terra para voltar a fazer o mesmo, porque sim.
Para evitar que tal tragédia aconteça o governo do Japão faz um acordo com o alienígena e na troca deste poupar a Terra por mais uns meses, aceita dar-lhe emprego como professor de liceu.

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Sim, leram bem.
Mas não é um professor qualquer. É um professor de –assassinato– num liceu que treina os adolescentes para serem assassinos profissionais porque sim.
O objectivo na sala de aula, é por isso, assassinar o professor. Se não o conseguirem fazer até um determinado prazo, o extraterrestre amarelinho irá destruir também o planeta Terra porque lhe apetece.
Ainda está alguém aí ?… … …

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E mais; tudo isto parece passar-se numa espécie de Japão alternativo, ou pelo menos num futuro próximo onde a sociedade e o mundo escolar está dividido entre aqueles que têm boas notas nos estudos e por isso irão pertencer à elite e aqueles que são medianos mas que estão para sempre condenados a servir os ricos , um pouco como nas castas indianas.
Esses alunos são remetidos para a turma-E onde são treinados como assassinos para servir o governo.
Ah e a professora de Inglés chama-se “miss Bitch”.
Vic Bitch.

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E pronto, a partir daqui o que mais se pode dizer…
[“The Assassination classroom“] poderia ter sido um dos mais geniais filmes de…qualquer coisa…desde…ehm…qualquer outro…
O problema é que este filme tem pelo menos meia hora a mais e isso retira-lhe logo muito do divertimento que parece ir gerar à partida quando apanhamos com o conceito de tudo isto.

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Talvez porque tem a necessidade de apresentar inúmeras personagens ao mesmo tempo que tenta fundamentar este universo totalmente alucinado, [“The Assassination classroom“] acaba por gastar muito tempo naqueles momentos de exposição em que se fala muito sobre coisas em vez dessas coisas nos serem mostradas. Curiosamente isto parece ser a típica praga que assola grande parte do cinema live-action Japonês quando entra por este tipo de histórias mais Anime e [“The Assassination classroom“]  ressente-se disso, pois não fosse tão repetitivo na sua estrutura e tudo poderia ter sido fantástico. Algo me diz que a sequela (e sim vai ter sequela), irá ser bem mais consistente precisamente porque já não tem de apresentar personagens.

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É também um filme em termos geográficos muito restrito e tudo practicamente se passa ou dentro da sala de aula ou no recreio do liceu. Raramente abre a acção ou o drama para outro sitio qualquer salvo um par de breves momentos. Pessoalmente estou sempre á espera de ambientes épicos neste tipo de filme que se cola de certa forma ao estilo -super herois- de uma maneira ou de outra e quando isso não acontece sinto sempre que falta algo. Mas isto é uma opinião pessoal mesmo. De qualquer forma practicamente toda esta primeira história se passa dentro da sala de aula e pouco mais.

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Por outro lado, personagens completamente loucos é o que não falta por aqui. Desde o super-puto tipo Dragon Ball que voa e luta com os cabelos, até à colega de turma que é assim uma espécie de super computador em versão monólito do 2001 mas num estilo teenager fofinha; tudo em [“The Assassination classroom“] parece existir para desorientar o espectador apanhado de surpresa. Mas resulta ?
Por acaso até resulta. Até o puto esquisito tem pinta.

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Tirando a repetição constante das situações, algumas cenas que não levam a lado nenhum (os rapazes irem espreitar o dormitório das raparigas) e o excesso de diálogos de exposição, a verdade é que ainda sobra muita coisa realmente divertida que nos faz ficar hipnotizados sem conseguir sair de frente do ecran só para saber o que raio nos vai parecer pela frente de seguida.

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[“The Assassination classroom“] tem também a vantagem de contar com efeitos especiais fantásticos no seu geral. Algumas cenas de acção mais digitais resultam plenamente, a estética visual é totalmente Anime mas reproduzida em live-action e nada se pode apontar de negativo em termos técnicos a esta produção. Simplesmente esquecemo-nos muitas vezes que estamos a ver efeitos especiais e isso é o melhor que se pode dizer deste trabalho nesse aspecto.
A animação digital do personagem alienígena Kersensei é simplesmente espectacular e não conseguimos distinguir quando foi usada animação digital ou um efeito práctico com um boneco insuflável real no set.

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Todas as aventuras alucinantes do alien sorridente são acompanhadas por animação fabulosa, fluída e absolutamente notável, sendo este filme um bom exemplo para mostrar aquele pessoal que ainda pensa que só em Hollywood se fazem efeitos especiais a sério.
Quem gosta daquelas sequências de acção em estilo Dragon Ball ou Pokemon, vai delirar com algumas das cenas deste filme pois devem ser das mais fieis ao estilo Manga que vi até agora.

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[“The Assassination classroom“] é um filme de efeitos especiais, mas ao contrário de coisas como por exemplo “Transformers”, aqui os efeitos são sempre usados para complementar a história e não apenas para exibir o boneco (e ficamos a gostar muito do boneco sorridente também (apesar do riso irritante)). Teria sido muito simples terem entrado por esse caminho, mas felizmente que o argumento ainda se preocupa com os personagens. Infelizmente nem sempre resulta, pois são personagens a mais para duas horas de filme, mas pelo menos (embora algo vazios) nunca sentimos que estejam apenas por ali à deriva, pois alguns até têm momentos importantes, principalmente nas tentativas de assassinato do professor.

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O filme falha no entanto quando tenta dramatizar algumas situações, por exemplo no final. Há tanto personagem no filme que quando a história precisa de tentar meter alguma emoção para criar empatia com o espectador no que toca ao destino de certos personagens a coisa não resulta de todo e tudo parece metido a martelo porque era preciso e mais nada.
E não resulta porque precisamente não há grande desenvolvimento de personalidades ao longo da história. Todo o filme é focado no alien e como resultado o personagem mais humanizado acaba mesmo por ser ele. O que nem é particularmente negativo.

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Este é um filme muito estranho, não só pelo tema, mas pela estrutura. Na verdade não se passa grande coisa nele a não ser assistirmos constantemente às inumeras tentativas de assassinato do professor. Algumas divertidas, outras espectaculares, outras nem por isso.
Ha por aqui algures uma sátira politica e um comentário social, mas perde-se um bocado porque o que importa é mesmo o boneco amarelo. Por outro lado nem é grave, pois o que importa mesmo é mesmo o boneco amarelo e sendo assim…venha ele.

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Portanto [“The Assassination classroom“] recomenda-se a quem ? Bem, a quem conhece o Anime original talvez. Também se recomenda a quem quer ver um filme completamente alucinado pois a verdade é que é realmente uma ideia original muito bem executada técnicamente. Só pela originalidade vale a pena espreitarem.
Tem algum humor, é fofinho quanto baste e apesar da enorme quantidade de armas , não é propriamente um filme violento, embora tenha aqui e ali umas pitadas de politicamente incorrecto muito bem colocadas, o que só lhe fica bem.

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A verdade é que senti que há por aqui algo com um enorme potentencial, mas que fica a meio caminho precisamente porque isto é essencialmente um filme introdução.
Este universo tem de ser explicado, deixa pontas soltas no ar no final e tudo aponta para que a sequela resolva tudo o que fica a pairar nesta primeira parte.
Por outro lado, tem momentos divertidos e a sua originalidade é totalmente cativante.

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CLASSIFICAÇÃO:

Estava a pensar dar uma classificação menor a [“The Assassination classroom“] porque tem realmente meia hora a mais e as cenas de exposição tornam a história algo maçadora e repetitiva quando a história chega a meio; no entanto ninguém poderá negar a originalidade deste filme e só por isso merece ser destacado. Ainda por cima tecnicamente está fantástico e portanto é um daqueles que se recomenda a toda a gente que pensa que já viu tudo.

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Quatro tigelas de noodles porque sinto que a sequela deverá ser melhor, mas este vale pela originalidade acima de tudo.

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A favor: a originalidade e a loucura de todo o conceito, o personagem do alien amarelo é genial, os efeitos especiais digitais são de alta qualidade, boa fotografia, torna-se num filme verdadeiramente hipnótico a partir de certa altura.
Contra: deveria ser mais curto e ter menos momentos de exposição redundantes, é algo repetitivo quando passa a novidade do conceito, são duas horas onde não acontece grande coisa para além do que se repete constantemente e o final fica no ar.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


IMDB

http://www.imdb.com/title/tt3853452

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Se gosta de filmes alucinados e originais:

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Battle in Outer Space (Uchû daisensô)Ishirô Honda (1959) Japão


Eu adoro filmes de ficção-científica da chamada “Golden Age of Sci-fi”, essencialmente produções dos anos 50 até inícios de 60. Adoro filmes com foguetões, extraterrestres muito ameaçadores e invasões  de discos voadores só porque sim. [“Battle in Outer Space”] é um deles e curiosamente foi um filme que me tinha escapado até ontem. Já tinha visto o seu cartaz mas ainda não tinha colocado os olhos no filme e devo dizer que tanto me surpreendeu em muitos aspectos como me irritou por demais noutros.

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Muitos de vocês se calhar não sabem, mas existem inúmeros títulos associados aos estados unidos que na verdade nunca foram produzidos em Hollywood mas sim na Rússia (que estava muito (mas muito) à frente dos americanos em efeitos especiais nessa época).
Também o Japão a partir de Godzilla investiu forte e feio em cinema espectáculo dentro do género catástrofe e mal ou bem acabou por marcar uma época e definir um estilo que se mantêm até hoje.

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Enquanto na Rússia se produziram excelentes títulos de ficção-científica séria ao nível dos melhores romances da época com produções como “Road to the Stars (Doroga k zvezdam)“; “Planet of Storms (Planeta Bur)” ou “Voyage to the End of the Universe (Ikarie XB1)” que mais tarde foram comprados, dobrados e retalhados por Hollywood ao serem criadas “versões americanas” desses filmes para os drive-ins; o Japão atirava cá para fora uma sucessão de clones do Godzilla e também alguns exemplos daquilo que depois, com a chegada de Star Wars em 1977, viria a ser o género da space-opera no cinema ocidental.

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Este fascinante [“Battle in Outer Space”] estreou em 1959 e quase que aposto que George Lucas na altura com 16 anos o deve ter visto e o reteve na memória, pois curiosamente a batalha espacial final neste filme Japonês tem extraordinárias semelhaças com o ataque à Estrela da Morte no fim do Star Wars original. O tom é practicamente o mesmo intercalando cenas de tiroteio espacial entre caças trocando raios laser com inserts em grande plano dos pilotos dentro das naves a comunicarem uns com os outros.
Que eu me lembre, nunca tinha aparecido algo assim antes no cinema e pelo visto [“Battle in Outer Space”] foi pioneiro nisto. Vale a pena verem este filme pela batalha espacial final pois é muito divertida ao mesmo tempo que é completamente imbecil.

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Aliás, começando logo pelo que este filme tem de bom, os efeitos especiais para a época devem ter sido absolutamente inovadores. Dentro do contexto são realmente bons e penso que são até algo superiores ao que o Japão fazia na altura com os clones de Godzillas; em particular nas cenas espaciais.
As partes no espaço são fascinantes. Ao contrário dos série-b americanos que filmavam modelos de foguetões pendurados por fios essencialmente de perfil contra fundos pretos, em [“Battle in Outer Space”] há uma tentativa muito boa de apresentar algumas sequências com profundidade, filmando as naves de vários ângulos em viagem pelo espaço de uma forma até ainda bastante actual.

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O design dos foguetões também é bastante bom e não tem aquela estética de supositório com asas que era comum no primitivo cinema do género na américa, apostando já em apresentar as naves espaciais com alguma identidade e pormenores interessantes.
[“Battle in Outer Space”] em termos visuais começa logo bem, com uma pequena mas excelente sequência de ataque a uma estação espacial em órbita (no distante e futurista ano de 1965) e que só peca por ser muito breve. Não só o ataque alienígena é divertido como o próprio design da estação espacial tem muita pinta.

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Aliás, outra coisa muito boa neste filme são os matte-paintings que estendem paisagens naturais ou inserem elementos futuristas nos cenários. São muito variados, bem pintados e muito bem integrados no filme seja onde estiverem inseridos.
Muitas maquetas são bastante engraçadas, o design dos discos voadores alienígenas é muito cool e todo o conjunto visual funciona muito bem.

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Em termos de cenários idem. Especialmente nas partes lunares onde [“Battle in Outer Space”] consegue realmente ter uma atmosfera bem mais cuidada do que muito cinema da época costumava apresentar. Há alguma variedade de cenários e ambientes, mais uma vez os matte-painting expandem as paisagens lunares de uma forma excelente e tudo resulta para fazer com que o meio do filme passado a aventura na lua seja sem sombra de dúvida uma das melhores partes desta história sem pés nem cabeça.

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E é precisamente a história que afunda [“Battle in Outer Space”] e o remete automáticamente para o reino daquele mau cinema que é imperdível. Isto não é de todo a excelente ficção-científica séria da Russia mas também não é o típico filme simplistico de foguetão filmado no quintal produzido em Hollywood na época. Isto é algo muito à parte.
É uma espécie de cruzamento entre um filme catástrofe em modo Godzilla com cidades arrassadas porque sim, a típica aventura de foguetão americana (onde nem falta a inevitável cena dos asteroides que quase colidem com as naves; mil vezes repetida na FC da época), com algo que é na verdade uma espécie de proto-space-opera que mais tarde seria popularizada por Star Wars com os seus combates no espaço.

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Essa mistura torna [“Battle in Outer Space”] num filme estranho.
É ao mesmo tempo muito divertido e muito irritante também.
E a culpa é dos personagens.
[“Battle in Outer Space”] é absolutamente inepto quando tenta apresentar pessoas nesta história. É claramente um filme de efeitos especiais em que o realizador não tem qualquer talento para dirigir actores, tem personagens a mais e um argumento que não faz ideia do que apresentar para os personagens dizerem. É absolutamente atroz e quase inacreditável de tão mau que é.

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[“Battle in Outer Space”] sofre precisamente do mesmo mal que um dos grandes clássicos americanos da FC, “The Thing from Another World” sofria. Este filme que anos mais tarde foi refeito por John Carpenter no seu “The Thing”, na sua versão original de 1951 para mim é um dos filmes mais irritantes de sempre precisamente por causa dos personagens.
Tem pessoas a mais a passearem pelos cenários sem qualquer identidade e depois andam todos em fila indiana uns atrás dos outros quando acontece alguma coisa. Há cenas “de suspense” em que metade do elenco anda a correr em fila atrás do tipo que vai à frente e depois dá meia volta e segue tudo em fila noutra direcção.
[“Battle in Outer Space”]  sofre exactamente do mesmo mal.

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Por causa disso o início do filme tem cenas completamente rídiculas em que por exemplo dezenas de protagonistas (?) correm atrás de um vilão em grupo, estilo manada de vacas com o mau a correr à frente. E isto é aquilo que passa por cena de acção com personagens humanos nesta história.
Quando chega a parte da aventura na lua, a Terra envia não um mas dois foguetões para irem atacar a base dos extraterrestres (com um único canhão laser) e em cada nave há umas dez pessoas que não conhecemos de todo nem nos importamos minimamente com elas pois são peças do cenário. Não têm nada para fazer nesta história a não ser andar uns atrás dos outros “nas cenas de acção”.

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Quando exploram a lua a coisa agrava-se pois com os fatos de astronauta vestidos ainda menos sabemos quem é quem, embora “o heroi” deva ser quem vai á frente com a manada atrás. Eu sei que isto é suposto fazer parte do charme ingénuo deste tipo de cinema, mas acreditem-me, neste caso tal como acontecia no americano “The Thing from Another World” alguns anos antes, é algo extremamente irritante. Isto porque pura e simplesmente nos desliga por completo dos personagens. Em [“Battle in Outer Space”] não nos importamos minimamente com ninguém e só desejamos que passem á cena de efeitos seguintes para não ter que ouvir aquelas pessoas abrirem a boca sem nada para dizer ou com diálogos “técnicos & científicos” de morte. Poderia ser divertido, mas é irritante como o raio porque este tipo de coisa é o que passa por desenvolvimento de personagens neste filme e repete-se constantemente.

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Como resultado disto também a batalha final no espaço não tem qualquer interesse para além dos efeitos especiais e da dinâmica da coisa, porque os supostos herois do filme nem participam nela !! Estão sentados mais uma vez numa sala de comando na Terra a ver a coisa acontecer no espaço através de um enorme televisor e mais nada !
Curiosamente, esta é uma das características do cinema Japonês desta época dentro deste género e em particular desta produtora. No final das aventuras nenhum dos personagens costumava participar na acção porque toda a gente se limita a ficar numa sala de comando qualquer à espera que a batalha final se desenrole e acabe bem para o lado deles enquanto outros personagens completamente anónimos lutam.

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E vocês nem querem saber qual é o papel das mulheres neste filme. Neste tipo de cinema quando feito nos estados unidos já serviam apenas para gritar mas neste filme não servem só para gritar como também são burras como o raio. Esperem só até vocês chegarem à cena na lua em que uma astronauta é cercada por um bando de extraterrestres…
E por falar em extraterrestres…é melhor nem dizer mais nada.
A Terra foi invadida porque sim.

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E voltam vocês a perguntar; mas não é esse o charme deste tipo de filmes ? É sim, mas há uma linha que separa -o charme- de um argumento completamente imbecil (até mesmo para esta altura), que dispensa por completo qualquer personagem humano e no entanto desperdiça cena atrás de cena com dezenas deles no ecran a todo o instante quando não lhes dá absolutamente nada para fazer e muito menos faz com que nos importemos com eles.

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Sendo assim, [“Battle in Outer Space”]  recomenda-se moderadamente a quem se preparar para conseguir ver isto sem lhes apetecer enfiar uns murros nos protagonistas.
Ou se calhar é uma obra prima. Não sei, estão por vossa conta.
Não sei se lhes recomende a versão dobrada em inglés ou a versão original. Se calhar a versão dobrada é ainda pior. Eu vi a versão original legendada em inglés e apesar de tudo é suportável…apesar de eu não entender esta mania dos Japoneses de colocarem um elenco internacional espalhado pelo filme todo também, a falarem todo o tipo de idiomas quando depois mais uma vez o argumento não desenvolve qualquer personagem e portanto o cast internacional aqui também não serve para nada. Acontece aqui também como depois continuou a acontecer anos mais tarde, com efeitos ainda mais risíveis em “Sayonara Jupiter” por exemplo.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Battle in Outer Space”] não deixa de ser um verdadeiro guilty-pleasure e totalmente obrigatório para quem gosta de conhecer títulos dos primórdios da FC, (na mesma linha de um “The X From Outer Space” ou “The Green Slime“); até porque em efeitos especiais este é realmente muito bom; bastante cuidado para a época e muito imaginativo visualmente.
Não fossem os personagens absolutamente vazios, sem um pingo de interesse para a história e este filme levaria uma classificação bem mais alta.

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Dentro do género “Message from Space” já uns anitos depois, ou até mesmo “War in Space” são bem mais divertidos. Até “X-Bomber” que é com bonecos consegue ter personagens melhores e bem mais humanizados que [“Battle in Outer Space”].
Portanto, três tigelas de noodles porque dentro do género retro é bom por ser bom em termos técnicos no que toca a design e efeitos.

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A favor: o ambiente, o design, os efeitos, os matte-paintings, as cenas na lua, a batalha no espaço.
Contra: é um vazio absoluto para lá dos efeitos especiais, zero carisma ou interesse nos personagens humanos, a história ainda parece pior por causa dos personagens, nem se vêem os extraterrestres tirando uma sequência absolutamente ridicula na lua envolvendo a habitual rapariga astronauta que grita muito e é burra como o raio, os personagens podem ser absolutamente irritantes porque a escrita deste argumento é atroz, em termos de argumento é ainda pior do que aquilo que costuma ser o standart ingénuo da FC dos anos 50 o que pode tornar este filme insuportável em vez de divertido.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0053388

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Kiseichuu: kiraa pusshii (Sexual Parasite Killer Pussy) Takao Nakano (2004) Japão


Sexo e deboche.
Miudas orientais nuas, mamas por todo o lado e pouca-vergonha da boa quanto baste com boé de lésbicas de olhos em bico á mistura.
Agora é que este blog vai triplicar as visitas.
Bem-vindos a [“Sexual Parasite Killer Pussy“].
E não, vocês nunca viram nada assim.

Se calhar depois desta primeira imagem eu já nem precisava dizer mais nada mas…vocês nunca viram uma chungaria como esta e também nunca viram tanta gaja nua e tanto sexo numa recomendação deste blog.
Fica desde já aqui o aviso que este titulo não será própriamente recomendável ás minhas leitoras mais sensiveis.
Além disso este texto poderá tornar-se inclusivamente bastante chunga para condizer com o filme.
[“Sexual Parasite Killer Pussy“] é puro cinema exploitation que se assume como chungaria libidinosa para machos ainda mais grunhos desde o primeiro minuto e como tal só agradará aquele público que curtir o género e entrar neste universo sem qualquer preconceito pois aqui nada é para ser levado a sério.
É um titulo totalmente despretencioso e nota-se que o objectivo foi mesmo criar um produto que divertisse por (não) ser tão chocante, tendo o resultado sido brilhante na minha opinião e não estava nada á espera disto.

Este é o tipo de filme que se fosse bom, teria sido péssimo.
Como é péssimo, logo é totalmente genial. Porque é do piorio. Mesmo !
Tudo falha em [“Sexual Parasite Killer Pussy“] , logo tudo acerta em cheio porque nada funciona.
E se nada funciona temos um filme totalmente divertido a muitos níveis e este é um daqueles títulos em que se sente que os criadores se devem ter divertido bastante a fazer o pior que podiam para nosso prazer.

Tudo o que é cliché chunga está neste filme, a começar pelo sexo. Montes de sexo.
E se procuram um filme de terror, esqueçam. Isto só pode ser para rir.
Aliás, se este filme tem uma falha gravíssima é precisamente por causa do sexo.
Não por este estar sempre presente ;(o que foi, não gostam ?), mas porque alguém deveria ter tido coragem de ter ido mais longe embora seja esta indefinição que remeta este titulo para o género dos chamados Pink Films.
[“Sexual Parasite Killer Pussy“] só por um triz não é um filme porno totalmente hardcore e merecia ter sido.
Não me surpreenderia de todo se inicialmente tivesse sido pensado como tal.

Este titulo merecia ter sido um filme porno plenamente assumido, isto porque se assim fosse teriamos tido aqui um daqueles raros exemplos de cinema pornográfico que realmente cativaria o público não só pelo sexo mas porque seria um titulo divertido mesmo nas cenas onde não há miudas nuas a comerem qualquer coisa.
Aliás, nunca se percebe bem se [“Sexual Parasite Killer Pussy“] é uma história escrita para mostrar miudas e rapazinhos no deboche de dez em dez minutos com uma história de terror á mistura, ou se será uma história de terror com sexo inserido a martelo porque fica sempre bem mostrar umas gajas nuas a se comerem umas ás outras, a serem comidas pelo elenco masculino, ou a comerem o elenco masculino.

A esta altura vocês devem estar a pensar que já viram dezenas de filmes com adolescentes onde há sempre a inevitável cena com sexo ou pelo menos miudas com mamas boas á mostra por dá-cá-aquela-palha. Se estão a pensar nos habituais filmes de terror teen americanos, deixem-me dizer-lhes que as cenas de sexo neste [“Sexual Parasite Killer Pussy“] são um bocadinho mais ousadas do que costuma passar por erotísmo nas produções da terra do tio Sam e eu não estava nada á espera disto, pois pensava que ia encontrar o típico título de terror com monstros e adolescentes e mamas ao léu em moldes mais ocidentais mas filmado no Japão.

Fiquei com a ideia de que isto será inclusivamente uma daquelas produções com actores porno que querem dar o salto para o cinema-mainstream. Um pouco como os filmes “normais” em que a Tracy Lords, a Ginger Lynn ou o Ron Jeremy costumam entrar para mostrar que são mais do que um pedaço de carne, pois só assim consigo explicar até a própria ousadia sexual de alguns momentos presentes em [“Sexual Parasite Killer Pussy“].

As miudas em [“Sexual Parasite Killer Pussy“] têm mesmo um certo ar chunga natural o que só lhes fica bem.
Aliás, quando a melhor performance do filme vem do monstro de plástico a gente percebe logo que isto só pode ser um titulo de qualidade a sério.
Qual Casablanca qual quê ! Ainda me vêm falar dos clássicos ! Eu queria ver a Ingrid Bergman a representar da mesma forma com um alien com dentes a sair da vagina !
E depois ainda dizem que o pessoal do cinema chunga não sabe representar ! O mundo é muito injusto.
Por outro lado este é o filme certo para desmistificar aquele ar de miuda fofinha oriental a que estamos habituados nos filmes do Japão, porque pelo menos eu com aqueles grandes planos de mamas no ecran a todo o instante a meio do filme já nem me lembrava que “Be with You” existia !

Portanto meus amigos, (e quem sabe, amigas), se gostam de vaginas vão gostar deste filme.
Por outro lado, [“Sexual Parasite Killer Pussy“] pode dar cabo da vossa vida sexual por uns tempos.
Depois de verem isto, a vossa vida nunca mais será a mesma.
E já agora, nunca mais irão para olhar para Alien da mesma forma também pois inevitávelmente  irão sempre recordar-se que um dia viram um dos piores clones do género que alguma vez julgaram ser possivel e de repente o monstro a sair do peito de John Hurt já não lhes irá parecer tão fantástico assim. Nada se compara a uma boa vagina com dentes.

Possivelmente será um dos piores filmes que alguma vez vi e portanto ao contrário do que vocês pensam, este segue já com a minha mais alta recomendação apesar da nota mediana que irá levar no final.
[“Sexual Parasite Killer Pussy“] é tão mau, mas tão mau que se torna absolutamente divertido e irressistível e vai encher as medidas de todo o pessoal que costuma chegar até este blog á procura de filmes com miudas orientais nuas ou quem está á procura de um daqueles verdadeiros títulos de culto dentro do cinema oriental a pedir uma descoberta.
É este !
E só tem 60 minutos !!!
A sério.
É bem pequeno mas parece muito maior porque tem sempre tanta coisa a acontecer a todo o instante que nunca dá descanso ao espectador e por isso garanto-vos que se gostarem de cinema de baixo orçamento, têm aqui provavelmente a melhor produção sem-orçamento do cinema oriental que alguma vez poderão encontrar pela frente.

O que me leva ás coisas positivas.
Tem gajas nuas e sexo.
Adolescentes imbecis aos bocados, castrações á dentada, baldes de sangue e muito terror de meter medo.
Mais gajas e mais sexo.
Mamas.
Vaginas com dentes e meninas lesbianas orientais, o que é sempre bom.
E também tem indios da Amazónia.

Eu disse, indios da Amazónia.
Bem, na verdade, é apenas um indio da Amazónia.
E suspeito que não terá própriamente nascido no Brasil. Ou já agora, que viva na Amazónia. (Vide senhor á direita na foto acima.)
Será certamente o primeiro  indio nativo da Amazónia a ter nascido no Japão e a viver algures num jardim botânico em Tokio, o que só demonstra o cuidado que houve nesta produção carregada de localizações deslumbrantes e efeitos especiais que os irá fazer cair para o lado.
De tanto rir.

Depois de ver a criatura de [“Sexual Parasite Killer Pussy“] eu juro que nunca mais faço comentários depreciativos em relação aos milhares de Godzillas made-in-japan com os seus fantásticos efeitos especiais estilo Power Rangers.
Isto, porque este monstro vaginal presente agora neste filme bate tudo o que vocês possam imaginar no que toca a monstros de plástico.
E já lhes falei das cenas de acção e violência ?

[“Sexual Parasite Killer Pussy“] além de ser chunga sexualmente e parecer-se a todo o momento com um daqueles posters para camionistas mas com gajas que mexem as mamas, é também um verdadeiro filme do Rambo, onde não falta a clássica sequência em que o heroi, neste caso a heroína se arma com tudo o que tem á mão e mete uma fita na cabeça, aqui num excelente cruzamento entre John Rambo, Helen Rippley e puta da esquina.

Depois a rapariga entra por uma onda de violência verdadeiramente arrepiante quando se lança á caça das outras gajas boas que entretanto ficaram possuídas pelo monstro e numa cena extraordináriamente cruel, espanca (mas com muito carinho) a outra chavala chungosa do filme na melhor cena de espancamento com um tubo de metal que vocês alguma vez verão num filme para gajos de barba rija.

Entretanto, há mais umas mamas e umas cenas de quecas orientais pelo meio para não desanimar o pessoal.
Tudo regado a banhos de sangue e muito gore.
Se é que se pode chamar gore a isto, pois comparado com [“Sexual Parasite Killer Pussy“], o filme “Hell” made-in-tailandia é um verdadeiro Sexta-Feira 13.
Querem tripas ? Querem entranhas banhadas em sangue e verdadeiros momentos nojentos com pessoas decepadas ?
Não é aqui neste filme.

O que levam daqui são cenas geniais com tripas feitas de tubos e mangueiras pintadas de vermelho e uma castração hilariante quando um dos rapazinhos é literalmente comido por uma das miúdas.
E já agora, [“Sexual Parasite Killer Pussy“] dá um novo significado ao sexo-oral também.
Como podem ver este filme tem tudo ! Excepto cinema talvez…
Por isso como podemos não gostar desta obra-prima ?
Os melhores 60 minutos que vocês poderão passar a ver um filme se entrarem no espírito da coisa.

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CLASSIFICAÇÃO:

Vejamos…o filme é brilhante. Por isso não se deixem ficar pela minha singela classificação de apenas trés tigelas de noodles, até porque não poderia classificar isto de outra forma. Se curtem cinema de culto ultra-chunga, acrescentem-lhe mais um par de tigelas de noodles por vossa conta.
O filme é mau como o raio, mas é essa a sua grande força. Por outro lado é do piorio. Mas é bom.
E tem miudas chungosas orientais nuas em montes de deboche. E vaginas com dentes.
É boooooom !

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A favor:  É completamente chunga e um excelente exemplo daquilo que é designado por Pink films no japão, tem gajas nuas, tem sexo, tem meninas lesbianas, tem mais gajas nuas, tem mamas por todo o lado, tem mais meninas lesbianas, tem mais sexo, tem chungaria que nunca mais acaba, não tem orçamento nenhum, parece um soft-porno inacabado com montes de sangue e monstros á mistura, tem mais mamas, tem mais deboche, tem violência de cair a rir, efeitos nada especiais, e mais sexo, gajas nuas outra vez, quem sempre quis saber como é o interior de uma vagina não é aqui que vai encontrar a resposta, é um filme de terror que não mete medo, os monstros são de plástico e nota-se,  tem uma vagina com dentes, tem castrações á dentada, tem violência erótica com tubos e canos (não é isso seus tarados), tem mais sexo, não se leva a sério, tem apenas 60 minutos embora para mim a duração ideal seria 69 pois as cenas eróticas são mais ousadas do que é costume encontrarmos neste tipo de filmes de terror com adolescentes imbecis, quem gosta do Brain Dead ou Bad Taste de Peter Jackson não pode perder isto.
Contra: quem não percebe onde está a piada no cinema de culto ultra low-budget não vai conseguir olhar para este excelente exemplo do exploitation oriental  trinta segundos sequer, devia ter sido um porno totalmente assumido pois assim parece que lhe falta coragem de ter ido mais longe nas cenas de sexo.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=vsgDN2AjN8w&feature=related

Comprar
http://www.amazon.com/Sexual-Parasite-Sakurako-Kaoru/dp/B000XSKDLU/ref=sr_1_3?ie=UTF8&qid=1314306110&sr=8-3

Download com legendas em PT/Br

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0434125/

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Uchû daikaijû Girara (The X from Outer Space) Kazui Nihonmatsu (1967) Japão


Quando um filme de ficção científica mete um OVNI que é uma tarte de maçã, a gente percebe logo que este só pode ser um filme dos anos 60 onde certamente a droga seria de boa qualidade e distribuída de borla pelo japão, pois só isso justifica a existência de:

Depois de ver um drama tão melancólico quanto “Failan“, achei que seria melhor descomprimir um pouco e lembrei-me que ainda não tinha visto [“The X from outer space“], mas provavelmente teria sido melhor ter estado quieto pois acho que ainda não recuperei do choque cultural.
Até eu que adoro filmes lixo e sci-fi clássica acho que não estava preparado para esta obra prima do “coiso que veio do espaço” e como tal agora não consigo tirar as imagens do filme da cabeça o que certamente não será muito bom para a saúde.

Quando eu pensava que “The Green Slime” seria o exemplo máximo da ficção-científica ultra pirosa produzida nos anos 60, eis que descubro que o Japão um ano antes se tinha superado a si próprio ao produzir algo realmente inclassificável que é um verdadeiro teste á paciência do espectador mais desprevenido e provávelmente não é mais conhecido porque metade do público se deve ter suicidado antes do filme acabar.
Até quem gosta dos clássicos Godzilla vai arrepiar-se até á medula com este clone genialmente mau a um nível que ultrapassa qualquer crítica humanamente reproduzível por palavras.

Se a mãe de Godzilla tivesse sido violada por um caracol gigante fruto de uma relação extra-conjugal do seu pai com uma galinha no cio, o resultado teria sido o monstro presente em [“The X from outer space“] pois este será porventura o pior criatura cinematográfica alguma vez criada. O detalhe das anteninhas a dar-a-dar é absolutamente notável o que só comprova como o LSD no japão estaria também bastante divulgado por alturas dos anos 60.

Quando pensamos que precisamente na mesma altura em que [“The X from outer space“] e também “The Green Slime” estariam a ser filmados, Stanley Kubrik estava a construir o seu “2001 Odisseia no Espaço” começamos a acreditar que se calhar a existência de realidades pararelas não será algo tão estranho assim de conceber nas nossas mentes.
[“The X from outer space“] é demasiado mau para ser verdade. Até dentro do cinema mesmo mau, este filme é mau como o raio ! Logo é bom. Genialmente bom, porque é mau a um nível que não tem classificação. Perceberam ?
E é groovy meus ! Totalmente grooooooooooovy baby !!

Algures no futuro nós até temos bases na lua e tudo e estamos agora a tentar chegar a Marte. Todas as nossas expedições para alcançar o planeta vermelho falharam por motivos misteriosos e por isso nada melhor do que voltar a tentar de novo, mas desta vez usando uma tripulação completamente imbecil para tripular a nave.
[“The X from outer space“] terá possívelmente o pior conjunto de personagens que alguma vez apareceu numa aventura espacial e logo é de visão obrigatória porque essencialmente isto é mesmo de ver para crer.

Nada falta aqui, o piloto heroico mas que não serve para nada, a cientista genial mas que é totalmente loira burra, o técnico espacial sem jeito para o stand-up mas que supostamente será o palhaço da tripulação e tudo o mais que imaginam e também o que não conseguem imaginar.
Quando vão a caminho da lua metade da aventura gira á volta do médico da tripulação que se sente mal porque não faz ideia que pode enjoar no espaço, o que demonstra logo de início  o nível de inteligência e realísmo deste argumento.
Claro que a partir daqui as coisas só poderiam descambar ainda mais.

Chegados á lua, o que a malta quer é curtir.
Estão de partida para a missão mais importante da humanidade, mas o pessoal está mais interessado em participar em novas festas , adivinharam, – totalmente groovy – que pelo visto ocorrem regularmente na Lua a todo o instante onde o que interessa é engatar gajas e confraternizar em ambientes lounge podres de swinging sixties a fazer inveja ao pior visto em Austin Powers.
Pelo meio temos ainda umas cenas com saunas e quando tudo isto acaba os nossos herois regressam á nave para continuar a missão a Marte, coisa pouca, mas desta vez sem o médico que ficou para trás porque pelo visto enjoava muito no espaço.

As chefias á última hora voluntariam um outro gajo lá na Lua para substituir o médico e que fica muito aborrecido por ser obrigado a participar naquela missão histórica, isto  porque a mulher estava á espera dele em casa e ficará muito chateada se ele tiver que passar por Marte antes.
Como resultado este génio passa o segmento seguinte da aventura a fazer os maiores disparates a bordo da nave porque está farto daquilo e quer é voltar para casa rápidamente porque senão ainda arranja problemas com a esposa. O que inclui passar-se dos carretos e tentar acelerar a nave á força para regressar á Lua mesmo percebendo tanto de pilotagem como pelo visto o médico anterior perceberia de medicina.
Resultado pifa o carburador da nave.

As coisas complicam-se quando aparece a torta voadora, perdão, o OVNI que insiste em passear pelo espaço sem qualquer razão plausível e atacar todas as naves vindas da terra penduradas em fios que tentam chegar a Marte; disparando-lhes…coisas…
Este faz umas razias por perto da nave dos nossos herois, anda de um lado para o outro e deposita uns esporos no tubo de escape que são depois recolhidos e trazidos para bordo por astronautas pendurados em cabos contra um cenário de cartão.
Entretanto a Lua envia uma outra missão de salvamento para recuperar este bando de imbecis que saltam, pulam de contentamento e acenam para os ecrans de televisão como colegiais no cio de cada vez que a jovem Michiko aparece na imagem como se nunca a tivessem visto na vida ou esta fosse a melhor visão do mundo.
A jovem Michiko será certamente a mãe da Sandra Benes do Espaço 1999 pois a semelhança é notável. Outro dos pontos altos deste filme no que toca a personagens.

A seguir, voltam todos para casa nada chateados pela missão a Marte ter falhado outra vez e para descomprimir vão para outra festa groovy beber mais uns cocktails, embora pelo estilo do filme cá para mim aquilo contenha umas pastilhas ilegais pelo meio.
Antes disso assistimos a uma das melhores cenas científicas que alguma vez poderão encontrar no cinema de ficção científica e onde a loira burra (a melhor cientísta da tripulação) com umas colheres analisa em cima da mesa do escritório lá do chefe  os tais esporos que trouxeram do espaço numa breve cena com toda a gente á volta sem qualquer protecção ou cuidado especial.
No entanto, esta cena científica não demora muito,  porque afinal o pessoal não se pode atrasar para a festa seguinte e deixa a experiência a meio com a primeira prova de vida extraterrestre lá abandonada á sua sorte no escritório porque a curtição chama mais alto que a ciência.
O facto de haver um mistério á volta de um OVNI e de se ter comprovado a existência de vida extraterrestre parece nem ter grande interesse quando comparado com a importância de se ir beber uns copos com as amigas.

Resultado os esporos transformam-se numa galinha gigante que destroi Tokio e metade do Japão, há muita porrada pelo meio, inúmeras maquetes e brinquedos são estilhaçados e o monstro é abatido no final; reduzido a esporos e devolvido ao espaço quem sabe á espera de uma sequela, (que parece existir e tudo).
Não sem antes assistirmos a uma das melhores perseguições de sempre da história do cinema com a galinha gigante atrás de um jipe pelas estradas do Japão num momento de tensão tão tenso que acho que ainda não consegui fazer os músculos que controlam o sorriso voltar á posição natural até este momento.
Aposto que o Spielberg viu este filme, pois esta cena faz lembrar intensamente as melhores cenas de acção de “Os Salteadores da Arca Perdida”, naquela sequência com Indiana Jones á porrada por entre carros e camiões em movimento. Mas isto se calhar sou eu que já tenho o cérebro afectado. Não liguem.
Quanto ao OVNI em forma de tarte de maçã, isso também não interessa para nada mas se vocês quiserem comprar galinhas gigantes recomendo que o procurem algures entre Marte e a Lua no local habitual.

Resumindo, [“The X from outer space“] é um filme incrível. É tão mau que não há classificação possível, mas ao mesmo tempo se calhar é um daqueles que merece cinco tigelas de noodles e um Golden Award pois é realmente uma experiência única dentro deste género de filmes. Por outro lado, se calhar talvez não…
Mesmo quem pensa que já viu tudo o que seria possível de se fazer de mau dentro do estilo japonês de Godzilla, se calhar pensa assim porque ainda não viu isto.
E é melhor ver, porque uma formação cultural nunca estará completa sem a inclusão deste título na vossa memória cinéfila, pois será possívelmente o Casablanca do cinema lixo japonês do final dos anos 60 e um titulo que faz com que “The Green Slime” , “War in Space“, “Message from Space” ou “Bye Bye Jupiter” pareçam ser filmes sérios e totalmente científicos.

Vejam OVNIS em forma de tarte, vejam naves penduradas com fios, vejam uma galinha gigante sem penas com anteninhas de caracol, vejam actores a flutuar em cenas com anti-gravidade saltando em camas elásticas escondidas atrás das crateras de cartão nos cenários, vejam como afinal Tokio é toda feita de cartão, vejam como alguém deu novo uso aos seus tanques de guerra e carrinhos de infância para fazer efeitos nada especiais, vejam os piores e mais descontraídos herois que alguma vez apareceram num filme de destruição apocalíptica e vejam outro filme cheio de actores americanos totalmente desconhecidos filmado no japão.

E por falar nisto…
O que raio é que se passou no Japão nos anos 60 para haver tanto americano a fazer de heroi em filmes de ficção científica japoneses da altura ?!!
Os americanos não tinham bombardeado o país ainda há pouco mais de vinte anos atrás ?! De onde surgiu esta moda de dotar estas super-produções orientais com montes de péssimos actores americanos ou ocidentais que nunca vimos em mais lado nenhum ?!!  Seriam ex-prisioneiros de guerra do Japão obrigados a entrar no cinema pós-guerra japonês como castigo ?
Há algo que me escapa da história do cinema de FC oriental desta época e tenho que investigar isto melhor pois esta coisa dos ocidentais com papeis de destaque nas aventuras espaciais japonesas desde os anos 60 até aos 80 é algo que me ultrapassa  por completo e de que só me lembro nestas alturas.

E por falar em anos 60, o horror não estaria completo sem falar na música deste [“The X from outer space“].
Não há palavras !

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CLASSIFICAÇÃO:

Possívelmente o melhor filme da história do mau cinema.
Só a musiquinha da banda sonora vale a agonia de o tentarem acompanhar até ao fim, embora se recomende a sua visão estando podres de bêbados antes. E se notarem que a banda sonora se repete constantemente não é efeito do alcóol.
Uma tigela e meia de noodles porque até mesmo dentro do cinema-lixo é mau demais para ser verdade e no cinema de culto será uma espécie de anti-filme-de-culto e por isso de culto obrigatório, se é que isto faz algum sentido.

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A favor: é o pior clone do Godzilla de todos os tempos, tem uma galinha gigantes que destroi cidades de cartão, tem naves penduradas com fios, tem um elenco internacional cheio de actores atrozes, tem cenas na lua todas cool, tem montes de maquetes e cenários contruidos com brinquedos de plástico, tem uma estética toda groovy, tem a banda sonora mais deslocada de sempre num filme de ficção científica com um par de canções que os fará arrepiar até á medula e nunca mais deixará de ressoar nos reconditos do vosso cérebro, tem os piores personagens de que há memória numa aventura espacial, tem naves com fios, tem uma tarte de maçã que viaja pelo espaço, é mau demais para ser verdade.
Contra: a primeira metade tem montes de personalidade kitsh mas depois quando a galinha gigante começa a destruir tudo o filme repete-se como o raio até ao final, tem pilhas de personagens que não têm nada para fazer no filme, muita maqueta destruida até á exaustão mas practicamente nenhumas cenas com população em pânico, quem não gosta de cinema-lixo ou não percebe a piada dos filmes de culto maus como o raio vai odiar este filme de morte, poderá causar danos irreparáveis ao cérebro.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=BpdpPdoQpDw

Comprar
Se aguentarem as legendas em espanhol, podem comprá-lo na Dvdgo.

Download com legendas em Inglés

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0062411

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Khun krabii hiiroh (Sars Wars: Bangkok Zombie Crisis) Taweewat Wantha (2004) Tailândia)


Quando o trailer do filme é o próprio a dizer coisas como:
Warning ! Please have some toilet paper handy while watching this movie because you might shit yourself laughing !”  a gente percebe logo que [“Sars Wars“] só pode ser cinema do bom !

Além de ser  cinema do bom, será provavelmente a comédia com as piadas mais imbecis dos últimos anos, o que o torna também logo num filme hilariante e como tal o trailer até terá razão embora não estejamos própriamente a rir pela objectiva veia cómica dos argumentistas. Ou se calhar isto é uma obra prima do nonsense ao melhor nível dos MontyPython em versão Tailândia, não faço ideia…

[“Sars Wars“] é um trash-movie como há bastante tempo não me aparecia pela frente. Chunga, com piadas que nunca mais acabam mas todas sem nexo nenhum, baldes de sangue mas tudo muito cartoon, miúdas giras que passam o filme todo mais preocupadas em parecer sexys do que em representar, montes de tiros e gente cortada aos bocados de todas as formas e feitios, mortos vivos que nunca mais acabam, sequências em Anime pelo meio e … uma cobra gigante !! (?)…

Como descrever esta coisa ?
Tudo é mau em [“Sars Wars“], logo…tudo é bom.
Melhor, logo, tudo é genial !
A começar pela auto-paródia dos próprios criadores do projecto pois passam o filme todo a constatar como tudo aquilo é mau demais assumindo que tudo isto foi feito apenas para sacar guito aos espectadores.
E sendo assim, como não concordar com eles e achar também que este filme só pode ser bom porque é realmente mau ?!

[“Sars Wars“] mete coisas demais para poder contar aqui sem me baralhar todo. E todas elas falham redondamente tornando o filme num daqueles filmes-lixo absolutamente irresistiveis. Embora [“Sars Wars“] seja menos divertido do que aparenta ser no trailer.
Aliás, o trailer é excelente e dá uma ideia errada até do próprio ritmo da coisa.
O filme tem tanta referência metida pelo meio que acaba por ser algo completamente desconjuntado e com um ritmo muito estranho que anula em alguns momentos aquele efeito divertido que aparenta ter no trailer.

No entanto, não deixa de ter momentos absolutamente geniais de tão maus que são.
Desde os mortos-vivos que mais parecem figurantes rejeitados do Thriller de Michael Jackson, até ás heroínas sexy que fazem com que a saga Resident Evil pareça ser o Casablanca, tudo em [“Sars Wars“] se mistura numa combinação explosiva que os irá divertir ao longo da sua duração.

E já lhes disse que isto mete uma cobra gigante ?!
[“Sars Wars“] é assim uma espécie de mistura de Zombies do Romero com o Jaws do Spielberg mas com uma cobra gigante á mistura que parece um gráfico da Playstation One. Pelo meio ainda tem tempo de se parecer com o Resident Evil, piscar o olho ao Matrix e a todos os filmes de porrada do John Woo. Ah, e mete light-sabres também… e sexo badalhoco.
Além disso, como habitualmente no cinema Tailandês, os efeitos de CGI são absolutamente do piorio.
O que me leva ao feto/aborto-zombie…ou se calhar é melhor não…

Essencialmente não há muito mais para dizer sobre [“Sars Wars“], até porque é muito dificil encontrarmos palavras para dizer o que quer que seja sobre isto de uma forma coerente.
Deve haver qualquer coisa na água da Tailândia que faz com que practicamente 99% dos filmes saídos daquela terra sejam…indiscritíveis, no mínimo…
E este [“Sars Wars“] não é excepção porque só visto mesmo.

As piadas não têm graça, e por isso são hilariantes, as cenas de acção são do piorio mas resultam porque se espalham em tudo o que tentam fazer com pinta, tem gore e sangue aos montes mas é tudo tão cartoon que isto quase que se torna um filme para crianças do Road Runner em versão chunga, é um filme de terror, é uma comédia, é um filme de acção e falha redondamente em tudo o que se propõe. Sendo assim, acerta em cheio e o resultado não poderia ter sido melhor porque não poderia ter sido pior. Perceberam ? Pronto.

O mundo está todo virado do avesso. Uma nova variante do virus SARS tomou conta do mundo inteiro (ou quase) e só a Tailândia se safou (?!).
Apesar do mundo ter acabado (?) e essencialmente o pessoal ter todo morrido ou virado morto-vivo, parece que na Tailândia a vida decorre como normalmente (?!) até ao momento em que um homem de negócios que vem do estrangeiro infectado começa a contagiar toda a gente num prédio que rapidamente é isolado pelas autoridades.

Acontece que nesse prédio também estão  um bando de gangsters que não ficam a dever nada aos Irmãos Metralha e que acabaram de raptar a filha de um dos maiores mafiosos da Tailândia (inteligente esta malta) e exigem uma pipa de massa em troca da rapariga ou então…querem fazer-lhe …coisas…

Lógicamente só havia uma solução e essa foi a contratação do maior mestre estilo-Jedi (?!) da Tailândia para ir buscar a miúda que é tudo menos inocente e fofinha. Para complicar temos ainda uma cientista podre de sexy e um jovem aprendiz de heroi que tem um bom gosto extremo na forma como se veste e parte em missão de salvamento também.

Ah, e também há uma rave-party a decorrer no mesmo prédio.
Isto para nem falar na cobra.

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CLASSIFICAÇÃO:

Para quem pensa que já viu tudo o que se poderia fazer dentro do cinema de terror com mortos vivos, se calhar irá surpreender-se com isto.
[“Sars Wars“] tem sido comparado ao Braindead ou ao Bad Taste do Peter Jackson e a coisa não está mal vista não senhor. A onda é a mesma, mas o resultado é pior, por isso é bom.
Quem gosta de filmes do Ed Wood, tem aqui mais uma vez saído da Tailândia como de costume, outro equivalente ao Plan 9 from Outer Space (históricamente considerado como o pior filme do mundo…algo injustamente), mas agora em versão gore, anime, comédia e violência extrema sem sentido nenhum mas onde tudo resulta num cozinhado muito divertido.
Só mesmo na Tailândia é que se conseguiria fazer uma coisa assim sem se tornar insuportável.
Ou se calhar até é.
Já não sei, estou totalmente baralhado, mas apetece-me rever o filme o que no fim de contas não pode ser mau de todo.
Trés tijelas de noodles na boa porque [“Sars Wars“] é bom por ser mau demais.

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A favor: tem zombies, tem miudas giras, tem baldes de sangue, tem cobras gigantes, tem espadas de luz, tem abortos que voam, tem tiros, tem herois indescritíveis, tem gente cortada aos bocados, tem gangsters, tem piadas sem graça, tem CGIs absolutamente inclassificáveis, tem cenas de acção em total modo histérico, é tão bom quanto qualquer filme de Ed Wood agora em versão Tailândesa chunga e tem homens nus para as miudas apreciarem. É divertido porque nunca viram nada assim, quem odeia o Resident Evil vai adorar odiar este também. O próprio filme não se leva nunca a sério , sabe que é mau, assume isso plenamente e por isso merece logo ser visto por quem gosta de cinema-lixo.
Contra: o trailer é mais divertido que o filme porque se [“Sars Wars“] tivesse tido a mesma montagem que está no clip poderiamos estar na presença de uma obra prima do cinema lixo mas infelizmente fica um bocado aquém do que merecia e poderia ter sido.
Mas não se deixem enganar pela minha singela classificação, [“Sars Wars“]  merece ser visto por quem gosta do género e é totalmente obrigatório para quem coleciona filmes com mortos vivos porque nunca se viu nada assim.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=i1qskrW0U34

Comprar
http://www.amazon.co.uk/Sars-Wars-Unlikely-Hero/dp/B004PYSPU4/ref=sr_1_3?ie=UTF8&qid=1304775881&sr=1-3

Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1262945/combined

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Quê ?!!…

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