“Feng shen bang” ( “League of Gods” ) Koan Hui (2016) China


O cinema de fantasia Chinês como [“LEAGUE OF GODS”] tem dois grandes problemas para conseguir vingar no ocidente; o primeiro problema está no total desconhecimento do público ocidental do que são os contos populares chineses de pura fantasia e da sua própria importância na história deste género. Isto porque quem conhece a literatura de fantasia chinesa que chegou cá ao longo dos anos essencialmente na forma de livros de contos sabe o quanto esta é incrivelmente rica em detalhes, ambientes, acontecimentos, acção e até bastante aventura onde não faltam “quests” variadas ao melhor estilo moderno.
[“LEAGUE OF GODS”] apesar de estar longe de ser um exemplo perfeito de uma certa maneira de ver o género da Fantasia, tem no entanto alguns pontos positivos dentro do cinema imaginativo Chinês.

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[“LEAGUE OF GODS”] o filme é novamente , ( tal como “A CHINESE TALL STORY” ou “THE MONKEY KING II” já tinham sido ) mais uma representação visual de outra narrativa épica da literatura clássica Chinesa e encontrará o seu público por cá no ocidente principalmente nos espectadores que tiveram a sorte de crescer lendo algumas boas lendas naqueles objectos que costumavamos chamar de livros e que as crianças dantes tinham nas mãos antes dos tablets.
Esse público não estranhará o facto do moderno cinema de Fantasia Chinês parecer andar sempre em modo histérico no que toca ao seu visual e á sua estrutura narrativa, pois só agora com a democratização do CGI é possível tornar “reais” muitas daquelas coisas que dantes só podíamos imaginar lendo as descrições nos contos populares porque estes eram tão detalhados que até há bem pouco tempo nem Hollywood se quisesse os conseguiria reproduzir fielmente. Foi preciso mesmo o digital ter surgido pois isto com matte paintings tradicionais e cenários de madeira nunca iria lá.
Mas este é também o segundo problema…

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O segundo problema está precisamente na estrutura deste tipo de versões cinematográficas que aos olhos do público ocidental parecerão sempre exageradas e totalmente sem nexo porque assentam numa narrativa levada ao extremo por cenas de acção e efeitos digitais num modo incrivelmente histérico que se tornará verdadeiramente insuportável numa questão de segundos para quem não estiver de todo habituado ao género.
E sim, o género da Fantasia Chinesa tem regras muito próprias.
Totalmente diferentes das da Fantasia ocidental bem mais contida mas também muito mais formulática em termos de conceitos visuais e por isso bem menos imaginativa.
No entanto pode até dizer-se que o cinema de Fantasia Chinês actualmente é tão rápido que faz coisas como a série “Transformers” do Michael Bay ( verdadeiramente um dos meus ódios de estimação ) parecerem cinema de autor para intelectuais de café.
[“LEAGUE OF GODS”] é no entanto um festival ( de “fake” )  CGI apresentado á velocidade da luz que poderá assustar muita gente que tentar ver este filme sem preparação contextual prévia.

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Curiosamente recentemente também o americano “GODS OF EGYPT”, um ( excelente ) filme de fantasia ocidental (neste género ) mas totalmente Hollywoodesco foi trucidado na crítica e na maior parte da opinião pública ( que como carneiros se limitaram a seguir a moda de ódio do momento na internet )  precisamente por apresentar um estilo bem longe daquele encontrado na Fantasia ocidental e muito, muito semelhante ao estilo Chinês; coisa que poucos compreenderam e muitos menos ainda conseguiram apreciar.
“GODS OF EGYPT” com aquele argumento só podia ter sido mesmo adaptado como se fosse um verdadeiro livro ilustrado oriental, mas muito pouca gente percebeu isso.
Na realidade “GODS OF EGYPT” na sua essência foi precisamente uma tentativa uma tentativa de descolar o género – Fantasia – produzido no ocidente da já muito cansada e estereotipada fórmula americana Dungeons & Dragons. Uma fórmula que há décadas não passa de uma cópia muito simplificada das estruturas narrativas originais que Tolkien popularizou nos seus livros; grupo de heróis, anão, feiticeiro, hobbits ou semelhantes, elfos e afins, rapariga mercenária, etc, etc, etc…
“GODS OF EGYPT” em vez disso optou por uma estrutura bem típica do conto de fadas oriental , longe de todos os clichés ocidentais e bem próximo da representação visual das Mil-e-Uma-Noites  numa representação moderna. Uma estrutura onde a acção é por demais acelerada a todo o instante porque só podia ser assim para resultar enquanto livro ilustrado cinematográfico no estilo oriental.
Não resultou, pois nem os críticos perceberam a origem da inspiração do realizador Alex Proyas, nem o público tinha qualquer referência que lhe permitisse perceber que um caos visual não tem necessariamente que ser um caos mal controlado, tal como se demonstra de certa forma até mesmo agora em [“LEAGUE OF GODS”] e já tinha ficado bem claro em “THE MONKEY KING II” ou “THE PROMISE”; ambos exemplos fabulosos de como o conto de fadas oriental pode também traduzir-se em excelentes propostas dentro da aventura de Fantasia.

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E ninguém controla melhor o caos cinematográfico actualmente dentro do cinema de Fantasia do que os Chineses que já se estão a tornar verdadeiros mestres num estilo de Fantasia ultra plástica ( em total modo “fake” verdadeiramente assumido ) mas com grande inventividade visual. Um estilo que não faz mais do que reproduzir finalmente todos aqueles ambientes esplendorosos e extravagantes que habitaram as páginas dos seus contos durante séculos sem fim e só agora finalmente graças ao ( excessivo ) uso de CGI podem finalmente ver a luz do dia em toda a sua glória.

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Os mesmos contos que, curiosamente inventaram o conceito que temos hoje dos super-heróis modernos.
Os “X-Men” podem ter aparecido nos Estados Unidos , mas a sua fórmula estava presente da forma moderna que conhecemos hoje em dia já nos contos populares da China de há muitos séculos atrás, mais precisamente no seu épico de fantasia “Journey to the West” que é assim uma espécie de “Lusíadas” Chinês e que engloba não só a narrativa central como também muitos contos paralelos dos quais [“LEAGUE OF GODS”] faz inclusivamente parte como se fosse uma lua orbitando um planeta.
Não é [“LEAGUE OF GODS”] que se parece com um filme dos X-MEN, são os X-MEN que muito provavelmente sem querer foram imaginados segundo arquétipos heróicos pertencentes a lendas tradicionais que inclusivamente já contam com muitas e muitas centenas de anos. Milhares até, no caso oriental.

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Uma das características mais fascinantes na literatura de Fantasia Chinesa, especialmente evidenciada nos seus contos, é o facto de em muitos momentos se parecer verdadeiramente com uma space-opera totalmente moderna ao melhor estilo Star Wars.
Por exemplo o clássico da literatura chinesa, “Journey to the West” está carregado de aventuras no espaço, naves espaciais que combatem com raios laser, criaturas mecânicas, “Vimanas” que percorrem os céus, cidades flutuantes que desafiam a gravidade e tudo o que vocês possam imaginar de mais tecnológico hoje em dia.
Tudo escrito há muito tempo atrás numa China totalmente distante.

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Muito público ocidental quando olha para um título como [“LEAGUE OF GODS”] não consegue mesmo passar para além do ataque sensorial que este provoca com visuais que não dão descanso aos olhos e sequências de acção que não dão descanso ao cérebro; tudo acompanhado com efeitos digitais que vão do pior ao melhor do que se faz hoje em dia numa questão de décimos de segundo não dando sequer tempo ao cérebro para processar o que está a ver.
Mas será isto um ponto negativo do cinema de Fantasia Chinês actual ?…
Porque é que o mesmo público que aguenta o pior de filmes como “Transformers” ou vazios absolutos e formuláticos como “X-Men” e pimbalhadas da Marvel ( até mesmo em Comics ) depois é o primeiro a acusar filmes como [“LEAGUE OF GODS”] de serem maus filmes ?
Apenas porque aparentam fazer o mesmo… mas com o triplo da velocidade, já são insuportáveis ?…
Ou será porque não são falados em inglês ?…

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Pode parecer insuportável mas contrariamente ao que acontece no cinema americano onde se encenam intermináveis cenas de lutas com robots gigantes em cenários quotidianos e desinspirados onde não há mais nada para ver a não ser porrada, filmes como [“LEAGUE OF GODS”] compensam plenamente a sua histérica estrutura com uma criatividade visual absolutamente excepcional.
[“LEAGUE OF GODS”] não é de todo tão bom quanto “THE MONKEY KING II” ou “THE PROMISE” foram e pede realmente que o espectador perceba as regras deste tipo de cinema ou chegue até ele sem ideias pré-concebidas para poder ser devidamente apreciado; mas pelo meio do seu “vazio” narrativo estão um conjunto de excelentes ideias que irão agradar a quem procura uma aventura de Fantasia com ambientes absolutamente inéditos. O que hoje em dia não é tão comum quanto isso.
[“LEAGUE OF GODS”] acima de tudo consegue uma coisa que o torna vencedor logo á partida.Consegue transportar-nos verdadeiramente para um outro mundo.

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Um mundo de Fantasia tão diferente do que estamos habituados e que irá fazer as delícias de quem procura uma aventura que se passe em geografias imaginárias onde cada cenário é uma surpresa e onde cada surpresa está carregada de tantos detalhes que só a uma segunda visão conseguirão saborear tudo o que a produção imaginou e colocou no écran.
Visualmente [“LEAGUE OF GODS”] é absolutamente um espanto e só por isso vale a pena espreitarem. Tem também um certo sabor a “THE NEVERENDING STORY” pois algumas paisagens poderiam pertencer ao mundo de “Fantasia” onde Bastian mergulhou, sem destoar de todo, o que só lhe fica bem. Será verdadeiramente um dos melhores “livros ilustrados” que já vi no cinema oriental.

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Está carregado de paisagens fabulosas, é muito variado nos cenários e inclusivamente tem uma das melhores fortalezas que alguma vez vi onde no segundo acto acontece uma das batalhas mais originais entre uma armada de naves espaciais invasoras e os defensores do castelo pela forma como as defesas da fortaleza actuam para destruir os invasores. Será talvez até a melhor parte da história e só é pena não durar mais.
É uma ideia fantástica carregada de imaginação na forma como está executada mas não posso revelar nada aqui para não estragar o filme a quem consiga chegar até essa parte sem desistir a meio.
Isto porque [“LEAGUE OF GODS”] pode ter muitas mais valias em termos criativos, mas é um filme que cansa !
Cansa mesmo !

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Até eu que adoro este estilo oriental de filmar Fantasia fiquei exausto de olhar para isto só na primeira hora.
Aliás, há muito tempo que isto não acontecia mas quando eu julgava que já tinham passado pelo menos duas horas de filme, descobri que [“LEAGUE OF GODS”] ainda nem sequer tinha chegado a meio !!
Neste aspecto faz lembrar tanto o primeiro “THE MONKEY KING” quanto o original “A CHINESE TALL STORY” que sofrem exactamente do mesmo mal.
É que acontece tanta coisa, mas tanta coisa , mas tanta, tanta coisa só na primeira hora que dava para encher toda a trilogia do THE HOBBIT e ainda sobrava.
O que cria uma estranha sensação no espectador pois parece que já estamos a ver o filme há séculos quando ainda nem sequer passaram 60 minutos desde que tudo começou.
Filmes como [“LEAGUE OF GODS”] são definitivamente a prova de que o tempo é mesmo relativo e quase que se podem realizar experiências de física quântica com eles.

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Portanto para mim é muito difícil classificar este filme.
Por um lado divertiu-me por completo em muitos aspectos, por outro é um filme dificil de recomendar a toda a gente pois muito público irá ficar bastante chocado ou extremamente exausto só nos primeiros dez minutos quando a aventura abre com uma cena de invasão e batalha a trezentos à hora e nos baralha por completo. Tudo se passa á velocidade da luz e o espectador não tem qualquer contexto para perceber bem onde raio está a história daquilo !! É como se tivessemos entrado a meio de um filme de Star Wars sem conhecer absolutamente nada sobre aquele universo e levar com sequências intermináveis de efeitos visuais sem contexto.
Habituem-se, pois o resto de [“LEAGUE OF GODS”] é ainda muito, muito pior neste campo. Se procuram por uma narrativa que lhes dá momentos para respirar e absorverem o que estão a ver, esqueçam. Não está nisto.
Se me perguntarem qual é  a história do filme neste momento não sei responder. Não me lembro absolutamente nada do que vi. Mete uma feiticeira e um tipo que voa, uns monstros e é isso…

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[“LEAGUE OF GODS”] sofre de uma gritante falta de ritmo narrativo porque se calhar tem ritmo a mais. Terá porrada a mais e exposição a menos. Bem que eles tentam explicar coisas ao mesmo tempo que entram por desenfreadas sequências de acção mas tudo é tão caótico que nem conseguimos prestar atenção nem á acção, nem á história, nem aos detalhes. A nada.
Por exemplo “GARM WARS: THE LAST DRUID” também recorreu à ideia de usar as cenas de porrada para contar bocados da história, mas ao menos nesse filme a coisa até resultou mais ou menos.  [“LEAGUE OF GODS”] bem tenta, mas não chega lá. São coisas a mais a acontecerem, ao mesmo tempo que o filme tenta contar uma história pelo meio de intermináveis efeitos CGI.
É aqui que [“LEAGUE OF GODS”] falha redondamente.
Está bem que isto tem a ver com o estilo Chinês de filmar Fantasia mas desta vez é por demais, pois até eu achei que esticaram a corda ao máximo. Se vocês não gostaram de “GODS OF EGYPT” por o considerar vazio, plástico e rápido demais é melhor nem sequer tentarem ver [“LEAGUE OF GODS”].
Mesmo.
Em certas alturas faz lembrar o pior de “WARRIORS OF ZU MOUNTAIN“, um dos primeiros filmes de Fantasia que modernizou o género, anos atrás.

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[“LEAGUE OF GODS”] tem outro problema…
Há por ali um dos personagens mais enervantes desde Jar-Jar-Binks… o bébé.
Este boneco é absolutamente insuportável e praticamente não serve para nada a não ser para depois “quando cresce”,  representar mais um “dos X-Men” nas sequências de acção.
Ainda por cima é protagonista de uma das cenas de porradaria digital mais inúteis alguma vez filmadas.
Trata-se de uma sequência de pancadaria passada no fundo do mar em que o bébé luta , usando peidos e bufas contra um exército de homens-sereia e caranguejos gigantes.
Eu disse, luta usando peidos e bufas.
A sério.

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É este o grande problema de [“LEAGUE OF GODS”].
Não está no facto de ser mau porque é um filme a duzentos á hora dentro do estilo do cinema de Fantasia Chinês. É mau porque apesar de controlar bem o caos no que toca ás partes de acção ( algumas são mesmo um espectáculo de adrenalina ), depois não sabe o que fazer com a história e com as cenas que deveriam ter servido para nos fazer interessar pelos personagens mas que na verdade não servem para nada.
Não há um único personagem interessante nesta história a não ser a feiticeira vilã que é um espectáculo !

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O resto são bonecos com tanto carisma quanto um gráfico da PS2 num daqueles jogos que mais ninguém joga.
Ou são inúteis e não servem para nada ou são simplesmente irritantes e não servem para nada; ( os dois bébés digitais… só á estalada por exemplo )…
Excepção para a planta faladora que é engraçada e poderia ter salvo o filme mas não lhe dão suficiente destaque.

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Outra coisa curiosa nesta aventura é a constante mudança de tom. Ora estamos a ver um filme de acção e Fantasia em modo -sério- ora entra por um estilo de desenho animado que mais parece saído de um cartoon Warner Bros com o Road Runner.E quando o melhor personagem de [“LEAGUE OF GODS”] é a centopeia do deserto que aparece a meio da história tentando mastigar os herois quando estes cruzam um deserto, algo está realmente errado com este argumento.

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Essencialmente estamos na presença de uma aventura que até dentro do próprio género a que pertence poderia ter saído melhor.
Tem muita coisa excelente mas depois o resto complica um bocado o resultado e como tal não é mesmo tão bom quanto deveria ter sido. Ou se calhar é… estou totalmente confuso.
Ainda por cima o filme termina com a história a meio e vamos ter sequela para completar a aventura que fica completamente pendurada precisamente no melhor.

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CLASSIFICAÇÃO



[“LEAGUE OF GODS”] por um lado é divertido e se vocês gostam do estilo Chinês de filmar Fantasia é imperdível; por outro se não gostam, ou não conhecem, se calhar eu começaria antes por “THE MONKEY KING II” ou “THE PROMISE” antes de passarem a este…
Pessoal com epilepsia é melhor nem tentarem ver isto…
ou qualquer filme de Fantasia Chinês…

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Parece-se bastante com uma versão moderna de “A CHINESE TALL STORY”; o estilo é semelhante, o caos também; apenas tem efeitos digitais superiores.
Quem detestou “GODS OF EGYPT” abstenha-se por completo.
Não irá encontrar qualquer coisa positiva neste título e muito menos irá compreender porquê precisa deste estilo para se enquadrar bem no género que representa.

Três tigelas de noodles.

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Provavelmente até merece quatro apesar de tudo ( e dentro de um certo contexto ), mas para já fico por aqui, até porque isto vai ter uma sequela e portanto quando eu tiver oportunidade de conseguir ver a história completa logo repensarei a minha classificação.
Para já se procuram cinema de Fantasia diferente [“LEAGUE OF GODS”] é um bom filme e apesar das suas muitas falhas irá divertir quem procura entrar verdadeiramente num mundo que nunca visitou.

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Tem alguns momentos de acção excelentes. Outros nem por isso.
Mas visualmente é realmente um espectáculo.
Quem também julga o cinema pela qualidade dos efeitos especiais não irá gostar disto, pois varia entre o espantoso e o atroz numa questão de segundos e pode baralhar muita gente que não compreenderá que [“LEAGUE OF GODS”] é supostamente um livro ilustrado digitalmente e precisa dessa artificialidade para resultar.

A Favor: transporta-nos mesmo para um mundo que nunca vimos, as geografias imaginárias são fabulosas a fazer lembrar o melhor de “THE NEVERENDING STORY”, algumas sequências de acção e efeitos são geniais, a realização tem alguns momentos fantásticos na forma como gere todo o caos digital e consegue manter um bom espírito de aventura clássica, o design do filme é absolutamente do outro mundo desde o guarda roupa ao adereços tudo é incrível e muito imaginativo, boa banda sonora também, as naves, os palácios, os montes, os vales, tudo o que aparece no écran a todo o instante.

Contra: os personagens são um vazio absoluto, tenta contar uma história com demasiado caos pelo meio e em muitas partes do filme a coisa não funciona de todo, parece três vezes maior do que é porque mete tanta coisa a acontecer que quase nem queremos acreditar no que vemos quando ainda nem passou uma hora de filme, tem personagens absolutamente irritantes como os bebés que não servem para nada, tem pelo menos uma sequência de porrada digital totalmente inútil debaixo de água, o bébé vence um exército utilizando peidos e bufas debaixo de água, fica a meio quando acaba e não conclui absolutamente nada. Sinceramente acho que nem conseguiria resumir a história se me lembrasse dela…

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER CHINES

TRAILER OCIDENTAL

COMPRAR BLURAY
Não o compram pois não está ainda á venda, mas podem encontrá-lo aqui.

IMDb
http://www.imdb.com/title/tt5481184

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Se gostou deste irá gostar de:

capinha_Themonkeyking capinha_sorcerer_and_white_snake capinha_restless capinha_snow-girl A Chinese Tall Story
capinha_dragon nest capinha_the monkey king 2 The Promise

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The Promise – Edições BluRay – Qual comprar ?


Faço aqui mais um breve intervalo nas reviews para lhes falar sobre a edição Blu-Ray de [“The Promise”], um dos meus filmes de fantasia favoritos e que recomendo vivamente a quem gosta do estilo conto de fadas chinês.

The Promise (2005)
Ultimamente tenho recebido questões sobre este título pois muita gente parece algo confusa com o que se passa. E com razão.
Até quem procura por este filme na pirataria acaba por se dar mal e não sacar o verdadeiro título mesmo em torrents que o partilham. Por um  simples motivo.

[“The Promise”] é o típico exemplo de mais um título oriental que foi distribuído nos estados unidos mas numa versão completamente mutilada.
E se foi distribuído nos estados unidos, naturalmente é esta a edição lançada na europa.

Tal como aconteceu anos atrás com outro dos meus filmes favoritos de todos os tempos, o fabuloso “The Big Blue/Le Grand Bleu” de Luc Besson, que para ser distribuído na américa (e pela américa) foi obrigado por contrato a ser reduzido, remontado, teve um final ligeiramente alterado (para um final “feliz”) e ainda por cima toda a banda sonora original de Eric Serra foi substituida por música New Age de um tal guru americano chamado Conti;  (senão nunca seria divulgado pela poderosa máquina do marketing de hollywood) ; e tal como ia acontecendo novamente com “Snowpiercer” também recentemente não fosse o realizador ter colocado um travão à brincadeira e recusado as exigências do estúdio americano antes do estrago ser feito pois Hollywood queria distribuir o filme nas salas, mas teria de ser numa versão menor, com inúmeros cortes e mudanças radicais na estrutura original;  também [“The Promise”] tem duas versões muito distintas no mercado dependendo do lado do mundo em que vocês habitem.

Existe este [“The Promise”] que está distribuído no ocidente (em região A e região B (USA e Europa)) e que é a versão mais comentada (e arrassada) no IMDB pela maioria dos utilizadores fora da Ásia com alguma razão.

the promise - br-ocidentalEsqueçam essa !  Não comprem o blu-ray com a capa acima.
Felizmente temos depois a (verdadeira) versão original; integral, bem maior que os míseros 90 minutos da versão “americanizada” mas que muita gente nunca viu pois só esteve disponível no mercado oriental de dvd (numa edição excelente cheia de extras (há muito esgotada)); mas que nunca chegou ao mainstream ocidental (muito menos ao mercado português) ; (apesar de ter sido essa a versão apresentada em festivais de cinema e também a versão que foi candidata a Óscar de melhor filme estrangeiro no ano em que estreou, facto que curiosamente passou completamente despercebido a toda a gente).

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Pois bem, agora que o Blu-Ray anda por aí, deixem-me dizer-vos que se nunca viram este filme, o Blu-Ray é definitivamente a versão a ver.
Não é a melhor edição do mundo mas quando comparada com a edição dvd que já existia (tanto para a versão americana como para a versão original), a mais recente edição de Hong Kong é de uma evolução impressionante, especialmente a nível de imagem.
Estranhamente ainda conta com algum grão, mas a verdade é que num filme que depende tanto de imagens magnificas com paisagens de fantasia absolutamente de tirar o fôlego, ver [“The Promise”] de uma qualquer outra maneira que não seja numa cópia em Blu-Ray (e no maior ecran possível, já agora) para mim não faz qualquer sentido. Muito menos é um filme para se ver num pequeno ecran de computador.

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Este é um daqueles títulos para o qual o formato do Blu-Ray foi inventado sem qualquer sombra de dúvida. Apesar de, repito, não ter a edição perfeita que poderia ter tido nem por isso deixa de ser verdadeiramente estonteante, especialmente quando a história se abre àquelas cenas mais épicas e encantadas ao melhor estilo conto de fadas chinês que curiosamente até o trailer americanizado capta muito bem em termos de atmosfera que poderão depois encontrar no filme. Se gostarem do trailer americanizado (que para mim até é o melhor trailer), vão certamente gostarem do filme.
Se ainda não têm a certeza, leiam a minha review para [“The Promise”].

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Portanto, se tiverem um leitor de Blu-Ray, tiverem 15€ + 2€ de portes (caso vivam em Portugal) e gostarem de cinema de fantasia nestes moldes, então a única edição que vocês querem comprar (e precisam mesmo comprar) é a edição à venda na China.
Ainda por cima a edição Blu-Ray chinesa é de REGIÃO ZERO/LIVRE (apesar de não dizer no site) e por isso podem comprá-la mesmo vivendo em qualquer parte do mundo (legendas em inglés com boa legendagem).
É aproveitar enquanto não esgota tal como aconteceu ao dvd de edição especial que quem não comprou, já não compra.
Não comprem mais nada a não ser a edição com esta capa !
Esta é a única edição em Blu-Ray do filme original na sua versão integral.
Ao contrário da edição especial que havia antigamente em dvd (carregada de extras fantásticos) nenhuma das edições Blu-Ray traz qualquer extra e é pena , pois o filme merecia mas não deixem que isso os impeça de adquirir este título, especialmente se gostam de cinema de Fantasia, (com uma banda-sonora fabulosa, já agora).

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Eu sei que esta capa da edição chinesa acima é muito pobrezinha e até foleira; especialmente porque não mostra de todo o conteúdo visual extraordinário que está dentro desta história, mas não se deixem enganar por uma capa bonita. Quem vê caras não vê corações.
A capa da edição ocidental (e americana) é muito melhor e bem mais espectacular, mas esconde no interior do disco uma versão reduzida do filme que vocês não querem de todo ver, por mais do que um motivo até.

A versão remontada para americano ver, não só contêm quase menos meia hora de filme, como ainda por cima muda algumas cenas de lugar e pior ainda; o espectador ocidental tem de comer com uma nova introdução (feita especialmente a pensar no público americano) onde logo (!) nos créditos iniciais explica muito bem explicadinho, onde fica o reino dos bons, onde fica o reino dos maus, quem são os personagens, o que são, o que farão dentro do contexto da história, etc, etc, etc.
Tudo muito bem explicadinho de forma detalhada e onde não faltam inclusivamente uns desenhos feitos á pressa que mostram logo o aspecto de personagens que aparecem ao longo da história e que deveriam pelo menos manter um efeito de mistério, pois o seu visual detém também um impacto dramático na versão original.
Não na versão (americana) ocidental.
Nessa versão explica-se logo tudo muito bem explicadinho não fosse depois o público das pipocas não conseguir distinguir os maus dos bons mais tarde, porque este filme é realmente muito complicado, pois até temos de prestar atenção à história e tudo.

A propósito, já agora fica aqui o aviso… [“The Promise”] foi também editado em Portugal em dvd há alguns anos pelas edições do Fantasporto que são simplesmente o exemplo de como não se edita cinema em video !! A edição dvd Portuga, não só tem uma qualidade de imagem absolutamente inacreditávelmente má, como ainda por cima está num estranho formato semelhante ao 4:3 (que só pode ser invenção portuguesa) cortando toda as paisagens do lado da imagem e destruindo por completo os enquadramentos do filme.
Estas e muitas mais outras desgraças estão descritas neste meu artigo mais antigo sobre as piores edições de filmes orientais alguma vez lançadas em Portugal; inexplicávelmente pelo festival do Fantasporto que deveria ser o primeiro a exigir qualidade e no entanto tem um historial de lançamentos abaixo de cão aqui em Portugal que não tem explicação.

Resumindo, se gostam de cinema de fantasia, gostam do estilo conto de fadas chinês e nunca viram [“The Promise”] não sabem o que perdem.
Se nunca o viram antes, vejam-no em Blu-Ray no maior televisor que encontrarem.

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Mas certifiquem-se que compraram e estão a ver o Blu-Ray de edição chinesa e não compraram por engano a aparentemente mais bonita mas verdadeiramente asquerosa edição ocidental desta filme americanizada à força pelos distribuidores de Hollywood.

Chronicles of the Ghostly Tribe (Jiu ceng yao ta) Chuan Lu (2015) China


Se há uma coisa que me irrita por demais no actual cinema blockbuster, seja de aventuras, ficção-científica ou super-herois, é esta nova moda de que um filme fica sempre em continuação. Parece que hoje em dia já ninguém filma aventuras fechadas, são sempre tudo trilogias, séries, episódios e fimes que acabam em cliffhangers que só se resolverão com sorte 1 ano depois se a primeira parte do filme tiver sido um sucesso.
[“Chronicles of the Ghostly Tribe”] sofre do mesmo mal…

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Pensava que isto seria um mal americano, mas agora também parece estar a alastrar ao cinema oriental, muito em particular ao cinema chinês.
Posto isto…agora que já reclamei…
[“Chronicles of the Ghostly Tribe”] é o filme de aventuras que “Indiana Jones & The Crystal Skulls” tinha a obrigação de ter sido.
Não está particularmente bem cotado no Imdb, mas isso já começa a ser tradição naqueles filmes que tentam ser algo mais do que apenas cumprir a norma.

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[“Chronicles of the Ghostly Tribe”] é baseado num romance de ficção-científica/aventura chinês de sucesso e nota-se. Tem aquela coisa especial de uma aventura que se sente não ter sido inventada ou escrita apenas para cinema mas que teve tempo para ser bem pensada, imaginada e estruturada, daquela forma que só os bons livros conseguem fazer. Como adaptação não faço ideia se estará correcta ou não, mas se isto é um exemplo do tipo de literatura escapista de aventura que se escreve actualmente pela china eu bem que gostaria agora de aprender a ler chinês pois os livros são exclusivos daquele país até ao momento.

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Não é a coisa mais original do mundo, vai buscar muitas influências e arquétipos do género a várias fontes (que não é o mesmo que imitar o que quer que seja), mas o seu ponto forte está na forma como mistura todos esses elementos e atira cá para fora um daqueles blockbusters de aventura com um sabor clássico, que Hollywood tinha o dever de voltar a lançar mas parece ser incapaz de o fazer há vários anos.

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[“Chronicles of the Ghostly Tribe”] está tão cheio de pormenores, sequências variadas de aventura e estilos de cinema, que na américa poderia perfeitamente ter sido retalhado em quatro ou cinco sub-plots e depois dariam certamente origem a um bom número de sub-blockbusters de médio orçamento produzidos a metro, sem alma, apenas baseados nos efeitos especiais e pouco mais; ou pior ainda, num estilo comics.
Algo que na minha opinião, esta aventura chinesa, apesar de toda a parafernália tecnológica que a envolve soube no entanto evitar muito bem. Embora se calhar não pareça.

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Apesar de ser uma amálgama quase non-stop de sequências de acção, cliffhangers tradicionais e mistérios sci-fi quanto baste nunca perde a noção de cinema espectáculo no melhor dos sentidos; daquele cinema cheio de efeitos especiais, mas que nunca esquece que os efeitos e as cenas de porrada não podem deixar de ter personagens e uma boa história  por detrás. Neste caso, se calhar mais elaborada do que propriamente original ou imaginativa no sentido mais tradicional mas nem por isso menos divertida.

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Este foi um daqueles que que me divertiu do principio ao fim pelo seu espírito de série-b mas criado com muitos meios e por nunca se levar a sério. É uma aventura clássica e pronto. Quem gosta de BD clássica nos moldes de um Blake & Mortimer a atmosfera visual disto por vezes faz lembrar bocadinhos dos albuns de banda desenhada, “O Enigma da Atlântida” ou “O Segredo do Espadão”, salvo as devidas diferenças entre o estilo moderno e o antigo de se narrar uma história.
Em alguns momentos tem um sabor a Indiana Jones da trilogia original, embora com estética moderna a piscar o olho ao Tomb Raider no bom sentido; pois [“Chronicles of the Ghostly Tribe”] é tudo o que aquele vazio baseado num dos meus jogos favoritos de todos os tempos alguma vez conseguiu ser.

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Quem gosta de cinema de aventuras clássico, com mundos perdidos, arqueologia proíbida e alguns monstros quanto baste tem em [“Chronicles of the Ghostly Tribe”] um dos melhores títulos do género que sairam em muito tempo.
Costumo queixar-me bastante que o cinema oriental produz excelentes histórias imaginativas em animação , mas depois quando entra pela live-action mostra-se totalmente incapaz de reproduzir a mesma magia. Não desta vez.
Isso acontece em particular no cinema japonês e se calhar este filme agora conseguiu evitar essa sina, porque estamos na presença de uma produção chinesa.

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Parece que o know-how acumulado por décadas a produzir épicos históricos de larga escala começa também a dar frutos noutro tipo de cinema “mais simples” saído da china e [“Chronicles of the Ghostly Tribe”] é o perfeito exemplo de uma mega-produção oriental que não fica a dever absolutamente nada ao melhor do que se faz técnicamente nos estados unidos actualmente.
Boa animação digital em muitas sequências e excelentes matte paintings compõem a escala épica desta aventura que vale a pena seguir só pela viagem que proporciona.

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No que toca a efeitos especiais está realmente muito bem servida, pois conta com algumas sequências absolutamente fantásticas em termos de acção mas também anima um par de monstros muito divertidos e impressionantes.
Óbviamente que nem tudo resulta e há alguns efeitos digitais melhores que outros, mas isso também acontece no cinema de Hollywood e ninguém parece queixar-se.
Neste caso embora tenha um par de sequências medianas, o resto da fasquia no que toca a efeitos é bastante elevada e se vocês gostam de cinema espectáculo apenas para verem efeitos especiais, vão ter muito com que se entreter aqui também.

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Curiosamente, não é um filme sobre Dragões embora possa parecer no poster, nem é uma espécie de Godzilla. Na verdade a história disto surpreendeu-me.
É passado na China entre 1978 e 1985, começa com uma sequência absolutamente fantástica de aventura arqueológica e exploração, transforma-se num filme de monstros, passa para algo que lembra os X-Files em estilo retro, entra pelo filme de viagem, transforma-se em filme de super-herois e acaba em cinema de acção e porrada com muitos efeitos especiais; não sem esquecer a inevitável história de amor oriental e algum humor muito bem colocado.

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Em termos de cenários é fabuloso. Aliás, não só contém paisagens fantásticas, como a variedade de localizações parece um nunca mais acabar de coisas a explorar o que num filme deste género só fica bem, pois enquanto espectadores nunca sabemos ver o que a história nos vai mostrar a seguir e isso é perfeito para criar aquele ambiente de aventura que nos faz sentir exploradores juntamente com os herois do filme.

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O design de produção é excelente, contém inumeros ambientes cheios de imaginação que demonstram que o concept design disto deve ter sido fascinante de se seguir.
Falha num cenário ou dois, daqueles mais digitais mas não é de todo grave pois a diferença não é suficiente para estragar a imersão do espectador na história. De resto nota alta para tudo o que envolve a parte técnica no que toca à criação de ambientes, design, guarda-roupa, atenção aos detalhes e pormenores incríveis por todo o lado na cenografia.
Aliás um dos pontos altos deste filme é precisamente estar cheio daqueles pormenores visuais que 99% daquele pessoal que emite opiniões sobre cinema no imdb nem repara.

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No que toca a localizações reais, quando o filme entra pela parte de viagem, as paisagens naturais são incrivelmente bem captadas pela magnifica fotografia que também está presente neste [“Chronicles of the Ghostly Tribe”]. Quem gosta de paisagens com desertos vai adorar. Aliás grande destaque mesmo para o detalhe que encontramos também nos cenários reais. Não só nos desertos como nas cidades (em ruínas ou não), este é um daqueles filmes que pede uma segunda visão só para admirar-mos a atenção dada ao detalhe em cada enquadramento.

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Hão de notar que apesar de tudo isto não lhe vou atribuir classificação máxima por uma simples razão.
Ou melhor, duas.
Como já disse, irrita-me isto ser outro daqueles filmes que nos deixa pendurados à espera da sequela, por outro lado se calhar o livro disto é enorme e portanto tinha mesmo que ser assim, mas no entanto como espectador não gosto nada desta moda das continuações.
A segunda razão tem a ver com aquilo que para mim é o ponto fraco do filme. Não que seja trágico ou muito mau, mas quando comparado com o resto devia ter estado à mesma altura, tendo em conta que isto supostamente será mesmo a adaptação de um livro.

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Os personagens não são muito interessantes.
E pelo facto dos personagens não criarem grande ligação com o espectador, isso faz até com que o filme pareça ter uma história mais banal do que na realidade até não tem.
[“Chronicles of the Ghostly Tribe”] pode parecer cinema mais plástico e formulático do que merecia parecer precisamente porque os personagens não resultam muito bem e pouco nos importamos com eles. Se calhar o mais carismático ainda é o comic-relief na pessoa do amigo do heroi quando o coração do filme deveria estar na relação dos protagonistas e nunca se sente isso.

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Os personagens, são muito variados, percorrem todos os clichés do género, heroi, miuda, cientista excentrico, amigo do heroi, agente dos serviços secretos, etc; mas nenhum deles cria grande empatia connosco enquanto espectadores. Por causa disto, a inevitável história de amor não tem propriamente grande tensão dramática e tinha o dever de ter tido, afinal estamos a falar de cinema oriental.
Muitos dos personagens parece estarem ali ou para serem carne para canhão, ou para servirem de comédia mas no conjunto geral uma aventura como esta pedia um grupo de herois carismáticos que não tem de todo.

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Talvez na segunda parte [“Chronicles of the Ghostly Tribe”] emende esta “falha”, pois afinal ainda vamos a meio da história e portanto é esperar para ver.
Por agora é apreciar o que o filme tem de bom enquanto cinema espectaculo em estilo pipoca comercial mas não menos divertida.
É um excelente filme de aventuras live-action a fazer lembrar um bocado os melhores romances de aventuras de Clive Cussler para quem sabe do que estou a falar. É assim uma espécie de romance que Cussler nunca escreveu nos moldes do seu livro de aventuras “Inca Gold” mas poderia ter muito bem escrito.

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CLASSIFICAÇÃO:

Como habitualmente nem vou contar nada da história pois podem ter uma ideia desta no trailer e eu defendo que um filme deve sempre ser visto sem sabermos absolutamente nada sobre ele. Se gostam de cinema de aventuras vejam [“Chronicles of the Ghostly Tribe”].
Eu diverti-me à brava. Só senti falta de uma ligação emocional aos personagens e isso retira-lhe logo bastantes pontos à classificação que deveria ter tido.

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Quatro tigelas e meia de noodles, pois é um óptimo filme de aventuras com reinos perdidos, arqueologia e monstros feios quanto baste nos moldes de Hollywood mas com identidade oriental própria quanto baste.

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A favor: a estética do filme em termos de uso da cor, bom sentido de aventura, história criativa, uma pitada de ficção cientifica curiosa, nunca sabemos ver o que nos irá mostrar a seguir, bons efeitos especiais no geral, excelente cinematografia e cenários fantásticos, muito divertido do início ao fim.
Contra: os personagens não são tão cativantes como tinham a obrigação de ter sido, alguns cenários digitais são apenas medianos. O filme fica em continuação.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt4819498

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

capinha_the-good-the-bad-the-ugly  The Myth

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Let the Bullets Fly (Rang zi dan fei ) Wen Jiang (2010) China


Há filmes sobre carros, há filmes sobre motas, há filmes sobre desporto, há filmes sobre fantasmas, há filmes sobre droga, há filmes sobre paixão, há filmes sobre cavalos, há filmes sobre cães, há filmes sobre sexo, há filmes sobre tragédias, há filmes sobre gajos, há filmes sobre gajas, há filmes sobre gajos e gajas, há filmes sobre vampiros lindos que brilham ao sol.
[“Let the Bullets Fly”] é um filme sobre pessoas que apontam pistolas umas ás outras.

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Quando vi o trailer, isto pareceu-me divertido e por isso fiquei bastante surpreendido por me ter decepcionado tanto com ele.
Curiosamente foi um daqueles filmes em que a partir de certa altura não conseguia deixar de olhar para o relógio. Quando [“Let the Bullets Fly”] chegou aos 90 minutos (que mais me pareceram duas horas), percebi que a coisa ainda iria durar e infelizmente acertei pois a história ainda se arrastou até para lá dos 120 minutos e sinceramente não percebo porquê.

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Se o filme tivesse tido menos uns 40 minutos de duração provavelmente seria muito divertido, mas assim como está na minha opinião tem minutos a mais para conteúdo de menos e apesar do que o titulo poderia indicar, há muita pouca bala a voar por aqui. E quando há, os tiroteios são algo insípidos, repetitivos e desinteressantes, o que torna [“Let the Bullets Fly”] num dos filmes de acção mais desinspirados que me lembro de ter visto nos últimos anos e francamente não estava nada à espera disto pois carísma não falta aos personagens.

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O trailer parece engraçado e eu que adoro “westerns” chineses preparei-me para me divertir à grande também com este filme, pensando estar na presença pelo menos de algo como “The Good the Bad and the Weird”. Infelizmente apesar de parecer, este tem demasiadas falhas para que se possa comparar com justiça com o divertido título Sul Coreano.
Na verdade não há nada de verdadeiramente mau em [“Let the Bullets Fly”] ; apenas é um produto desinspirado e não estava nada à espera que o fosse.
Tem uma coisa que para mim mata logo qualquer filme para cinema; em muitas partes mais parece um filme para televisão. Possui aquela qualidade visual de um produto televisivo; a fotografia é luminosa quanto baste mas não dá qualquer identidade visual á história e o facto de ser um filme muito rodado em exteriores também não ajuda.

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Falta aqui um pouco daquela magia que um bom cenário cria no espectador. Mesmo quando não nos recordamos que estamos a ver cenários visualmente nota-se imediatamente quando um filme é assente em –locations– reais onde não houve grande cuidado com o design de produção. Em certas alturas o filme parece um daqueles séries-b que aproveitam os cenários que havia à mão e pouco mais. Especialmente quando a própria fotografia evidencia isso de uma forma que parece saída de um episódio de telenovela. Há qualquer coisa nas texturas de um local verdadeiro que retiram logo aquela atmosfera de mundo à parte quando estamos a ver um filme e o facto da cinematografia aqui limitar-se a iluminar o que lá está para ser filmado sem grande preocupação de criar uma identidade gráfica, faz com que o espectador não consiga de todo empatizar com os ambientes naturais em que a acção decorre. Não falha por usar locais reais, falha porque a cinematografia não os torna mais especiais do que se estivessem a ser usados numa série televisiva.

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E por falar em acção [“Let the Bullets Fly”] é um filme onde se apontam armas o tempo todo, a tudo e todos e ao mesmo tempo é uma história onde raramente se pressiona o gatilho. E quando isso acontece, de repente a história perde ainda mais qualquer identidade pois os tiroteios são desinspirados, não são divertidos e quando são filmados no campo parece que estamos a ver um daqueles episódios de séries de cowboys dos anos 60/70 filmadas no rancho da Universal Studios.

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Maus apontam armas a bons, bons apontam armas a maus, maus apontam armas a maus, bons apontam armas a bons, boas apontam armas a bons, boas apontam armas a maus, bandidos apontam armas a comboios, bandidos apontam armas a mulheres, bons apontam armas a mais ou menos boas, mais ou menos boas apontam armas a maus e a bons e a mais ou menos bons…e isto durante 126 minutos praticamente.
Tiros é que há poucos para tanta antecipação, ameaças e build up.

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[“Let the Bullets Fly”] em muitas alturas mais parece querer ser um filme do Quentin Tarantino do que fazer justiça ao seu nome. Se há uma coisa que não se pode negar nisto é que não tenha diálogos bons. Por acaso o ritmo dos diálogos por vezes é alucinante a fazer lembrar o estilo de diálogo metralhadora em que  Tarantino se especializou e neste filme disparam-se mais palavras por segundo do que própriamente se disparam balas.
[“Let the Bullets Fly”]parece um Tarantino com uma pitada de Sergio Leone/Clint Eastwood onde se adicionam uns pózinhos de “The good, the Bad and the Weird” que já de si é plenamente inspirado na mesma fonte.

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Por isso mesmo é que eu acho que isto é um desperdício de bons actores. E actores excelentes é coisa que não falta aqui. Quem está habituado a ver aqueles épicos chineses, vai reconhecer caras quanto baste e toda a gente parece estar a divertir-se à brava neste filme com os seus personagens carismáticos.
Só é pena a história não os acompanhar.
O filme conta a história de um grupo de bandidos que rapta aquele que ia ser o novo governador de uma cidade, governada na realidade pela máfia local. O chefe do grupo toma o lugar de governador e logo os conflitos com o Corleone da zona começam. Mas não começa a acção própriamente dita.

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Volto a referir que [“Let the Bullets Fly”] é um filme onde se apontam muitas pistolas. Há enquadramentos cheios de estilo para todos os gostos com gente a apontar armas mas na maior parte do tempo não passa disso, pois o que conta são as repetitivas reviravoltas que a história atira ao espectador de dez em dez minutos, num ritmo perfeito , de agora enganas-me tu, agora engano-te eu enquanto os dois senhores da cidade tentam lutar pela supremacia da região sem nunca pretenderem chegar á porrada propriamente dita, embora pelo caminho lá vão morrendo uns gajos, ás vezes da forma mais inesperada…e sem balas…

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A ideia é engraçada, os personagens são excelentes; mereciam estar noutro filme e os actores idem. O problema é a repetição cíclica do tipo de burlas, enganos e reviravoltas que se calhar ficariam perfeitas numa comédia de acção com 80 minutos mas não se aguentam de todo numa muito longa metragem de mais de duas horas, pois a partir de certa altura começamos a perder a paciência para ver mais do mesmo, até porque tudo é bastante previsível. Os actores bem se esforçam para dar vida a um argumento que parece não saber bem como vai terminar a história e fica-se com a ideia que o realizador foi filmando até se decidir como acabaria o filme.

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Duas horas de gente a apontar armas em ritmo cíclico é demais. Por outro lado, [“Let the Bullets Fly”] tem uma coisa genial. Garanto-vos que vocês nunca viram uma morte de um herói como aparece neste filme !
Esta história deve ter a morte mais imbecil que já apareceu no cinema de aventuras e só lhes posso dizer que … é de dar voltas ao estômago…hehe.
Não se irão esquecer, porque é de ver para crer e uma morte destas só poderia aparecer mesmo num filme oriental sem qualquer sombra de dúvida. É ao mesmo tempo, arrepiante, nojenta, hilariante, surpreendente e estúpida como o raio ! Vão adorar.

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[“Let the Bullets Fly”] no entanto, tem uma coisa que é absolutamente insuportável.
No início tem piada, mas garanto que passados vinte minutos vocês já não vão conseguir ouvir mais gente a GRITAR !!!
Acho até, que a partir do meio do filme, já ninguém fala nesta história, toda a gente berra a plenos pulmões, não importa sobre o quê; o que interessa é gritar como o  raio por tudo e por nada !
Estão a ver aqueles Anime fofinhos para meninas em que as bonequinhas gritam histéricamente durante os episódios inteiros em guinchos fofinhos estridentes de arrepiar um gato ? Imaginem o mesmo, mas com gangsters e bandidos aos berros uns com os outros durante duas horas. Sem descanso.
Enquanto apontam pistolas entre si, óbviamente.
[“Let the Bullets Fly”]é um filme onde se apontam pistolas ao mesmo tempo que se berra muito !

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Parecem pitas histéricas e torna-se absolutamente irritante.
O que chateia nisto é que o filme até tinha tudo para ser genialmente divertido, mas o problema de ritmo narrativo causado pela constante repetição da fórmula durante duas horas, retira-lhe por completo toda aquela aura de western oriental em estilo cinema de aventura e faz com que [“Let the Bullets Fly”] se arraste por demais quando percebemos que apesar de contar com um bando de personagens divertidos, a história não vai passar dali.
É que não passa mesmo.

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O estilo televisivo da coisa também não ajuda e tudo isto contribui para que o filme tenha sido para mim uma inesperada decepção.
Parece que vai ter uma sequela e por mim espero sinceramente que consigam usá-la para reparar tudo o que falhou nesta primeira parte pois o conceito tem potencial e está mesmo a pedir um bom Western oriental, porque não é este ainda.

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CLASSIFICAÇÃO

Tinha tudo para ser um western chinés divertidissimo mas fica a meio caminho de tudo o que aparenta ser no trailer. Estive indeciso entre atribuir-lhe três tigelas de noodles ou duas e meia e acho que me vou ficar mesmo pelas duas e meia; isto porque na minha opinião não é realmente um bom filme (ao contrário do que aparenta) devido ás suas  falhas que na sua soma são mesmo muitas; apesar de pequenas é certo, mas suficientes para despersonalizar o filme. [“Let the Bullets Fly”] não é bom, mas é realmente muito interessante, pois há aqui uma boa ideia que ficou pelo caminho e se vocês gostam deste tipo de cinema de aventura vale mesmo a pena espreitarem, até porque não há muitos.
Quem sabe se não gostarão bem mais dele do que eu gostei.
Não é um mau filme. É apenas algo desinspirado…

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A favor: Os personagens são excelentes, os actores idem, tem diálogos alucinantes com um ritmo fantástico e muito divertidos na forma como ajudam a construir os personagens, é uma aventura despretensiosa e bem disposta, algumas cenas de acção quase que são excelentes e algumas piadas são engraçadas, está cheio de humor negro com muito sangue á mistura, tem uma das mortes mais inúteis da história do cinema e é de ver para crer.

Contra: As reviravoltas repetem-se constantemente, parece que fica sem ideias ainda antes do filme chegar a meio, há gente a apontar armas a mais e tiroteio a menos, o estilo “Tarantino” ás vezes é por demais uma referência óbvia para se tornar divertida, em muitas alturas parece um filme para televisão pois a cinematografia apesar de luminosa torna tudo demasiado televisivo, tem mais de duas horas quando era material que tinha ficado fantástico em 80 minutos, torna-se aborrecido e previsível bem antes do fim, as sequências de acção são desinspiradas e sem qualquer suspanse ou adrenalina, a gritaria é por demais a um ponto de se tornar absolutamente irritante.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1533117

Comprar Blu-Ray
http://www.amazon.co.uk/Bullets-Blu-Ray-Jiang-Xiaogang-Carina/dp/B00E3PMMCC/ref=sr_1_3?s=dvd&ie=UTF8&qid=1399577216&sr=1-3&keywords=LET+THE+BULLETS+FLY

Comprar Dvd
http://www.amazon.co.uk/Let-Bullets-Fly-DVD-Chow/dp/B0082BM1WO/ref=sr_1_1?s=dvd&ie=UTF8&qid=1399577216&sr=1-1&keywords=LET+THE+BULLETS+FLY
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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

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Zhan Guo (The Warring States) Chen Jin (2011) China


Eu deveria ter suspeitado que [“The Warring States“] teria qualquer coisa errada quando a primeira coisa que notei no trailer desta produção foi que o guarda roupa era estranhamente parecido com o que se pode ver no excelente , “An Empress and the Warriors“.

Aquelas armaduras pareciam-me familiares e sinceramente pensei que alguém teria aproveitado alguns restos desse outro filme para poupar uns cobres no design e não liguei muito. Na verdade até me deixou mais curioso pois pelo trailer até parece  um filme com potencial a um primeiro olhar.
Não se enganem.
É mau, mas mau mesmo e nem consegue entrar naquele nível do tão-mau-que-se-torna-genial, pois a partir de certa altura torna-se absolutamente insuportável pois [“The Warring States“] é um daqueles filmes para o qual o botão de fast-forward foi inventado.

Por exemplo “The Sorcerer and the White Snake” também de 2011, pode não ser própriamente uma obra-prima e ter efeitos especiais atrozes mas ao menos compensa na imaginação e na própria realização. Coisa que não acontece de todo em [“The Warring States“] pois é um bom exemplo de como um mau realizador, aliado a uma má montagem nem sequer pode ser salvo por alguns efeitos especiais interessantes e por paisagens estonteantes muito bem fotografadas.

Raramente concordo com muitas das reviews de cinema oriental no IMDB mas desta vez faço minhas as palavras de todas aquelas pessoas que perderam duas horas das suas vidas a tentar encontrar algo de realmente bom em [“The Warring States“] e tiveram que  ventilar as suas frustrações online quando acabou; talvez a jeito de aviso para que mais pessoas não caiam na tentação de pensar que o filme até poderá ser menos mau do que o pintam.

Mas afinal o que há de tão mau nesta produção ? Bem…tudo.
Começa como épico de guerra com uma batalha supostamente espectacular mas que logo cedo se torna num imenso catálogo de tudo o que vai ser mau no resto do filme.
A realização é atroz, a montagem é completamente caótica e o esforço para meter estilo quase Anime é constante e constantemente se espalha ao comprido em tudo o que supostamente seria sequência que emocionasse o espectador.
As coreografias são , diria…amadoras, o estilo do filme varia quase de frame para frame, os inserts gore com decepações de membros são ridiculos, a montagem em slow-motion (e ás vezes quase que diria “stop-motion“), tudo parece uma atabalhoada produção televisiva mal definida e desde início se nota que o realizador parece ter perdido o rumo ao projecto.

[“The Warring States“] é um épico sem ponta por onde se lhe pegue. Os personagens parecem sofrer de uma gritante falta de casting e o filme nunca se decide em que género se insere. Começa por pretender ser um épico de guerra ao estilo “Red Cliff” ou “Three Kingdoms“, mas logo entra por um registo de comédia sem graça absolutamente nenhuma , muito graças ao personagem principal que deve ser dos gajos mais irritantes que apareceu num filme recente. O personagem não se define e se durante a maior parte da história protagoniza uma série de gags sem piada nenhuma com momentos em total estilo slapstick , noutros parece pretender ser um protagonísta dramático a sério e o filme alterna entre qualquer coisa que se parece com um épico de guerra, a comédia parva sem graça nenhuma, o filme de intriga palaciana protagonizado pelo maior número de personagens sem qualquer carísma que já se viu num filme destes e uma love-story sem qualquer chama, muito prejudicada por tanta indefinição no argumento central que se ramifica demasiado em vários tipos de filmes sem nunca seguir um rumo concreto.

[“The Warring States“] parece um filme feito com restos de todos os outros filmes que vocês já viram, não só a nivel de guarda-roupa, mas principalmente no que toca á história. E mesmo aí, o seu grande problema é precisamente parecer-se com algo escrito a partir de bocados deitados fora por outros argumentistas. Como se alguém tivesse ido escavar o balde do lixo dos argumentistas de “Red Cliff“, “An Empress and the Warriors” e “Three Kingdoms” e acabasse por colar o melhor-do-pior que teria sido rejeitado por esses filmes. É esta a sensação que percorre o espectador durante toda a duração deste filme e é pena.

É que, mas que raio….nem Ben-Hur escapa !! Sim, esse !!
Gostam de filmes com corridas de quadrigas ao melhor estilo clássico ? [“The Warring States“] tem talvez a pior, mais desinteressante, previsível e sem qualquer pingo de suspanse corrida de cavalos algumas vez filmada.
Não só a falta de personagens realmente interessantes retira logo metade do interesse de toda a sequência, como mais uma vez, também estas supostas cenas de acção voltam a ser um catálogo de como não se deve filmar ou montar este tipo de sequências de aventura. Simplesmente não funciona e em vez de entusiasmo só provoca bocejos.

O mesmo vale para a suposta história de amor. Não tem piada nenhuma. Não por ser previsivel mas porque tudo o que há de errado no resto se reflete demasiado  também aqui.
Além disso, só de olharmos para o ar de carneiro mal morto em estilo reencarnação oriental do Lionel Richie com que o heroi se passeia pelo filme desejamos que ele nunca consiga tocar com um dedo na princesa da história, o que não abona muito para a necessária química romântica do suposto drama.

Portanto com tudo isto não deixa de ser extraordinário como raio é que [“The Warring States“] teve honras de ser lançado inclusivamente nas salas de cinema nos Estados Unidos este ano !!!?!
Mas que raio ?!!!
Com tanto cinema épico chinés semelhante e realmente bom a pedir uma internacionalização como deve de ser, alguém tem uma boa cunha para meter isto no mercado ocidental ?!
São filmes como este que dão mau nome ao cinema oriental e o facto de ser logo esta obra a ser distribuida no ocidente não vai contribuir de todo para alterar as opiniões de muitos daqueles que ainda pensam que o oriente nunca poderá competir com Hollywood. É pena.
E pior ainda…se esta coisa foi distribuída por uma major americana, aposto que [“The Warring States“] irá mais tarde ou mais cedo chegar aos cinemas aqui de Portugal…de repente até me sinto uma pessoa religiosa. Por outro lado, isto é a prova que Deus não existe.

[“The Warring States“] salva-se de ser um vazio absoluto apenas por causa das fascinantes paisagens e geografias que percorrem toda a história. O que ainda torna tudo isto mais deprimente; a fotografia é luminosa, o ambiente cénico é muito bom e nota-se que houve um esforço para que tudo se parecesse mais épico do que se calhar poderia ser.
Tudo no sitio certo portanto. Enganaram-se no casting, no realizador e no gajo que fez a montagem.
E a banda sonora também alterna entre o adequado e o estranhamente eléctronicamente contemporâneo como se o próprio compositor também não tivesse percebido muito bem que raio de filme é que estaria a tentar ilustrar musicalmente.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma história com um potencial interessante completamente desperdiçada por uma realização ineficaz e totalmente desorientada, uma escolha de elenco algo duvidosa e uma montagem péssima, especialmente no que toca a cenas de batalha.
Gostaria de dizer que estamos na presença de um filme interessante, mas nem isso. Começa logo mal com todos os tiques negativos e continua até ao final a desenvolver esses defeitos. Nem a história de amor se salva porque não podemos com o palhaço do protagonista ao fim de vinte minutos de o estarmos a ver e só desejamos que lhe caia uma pedra em cima.
Sendo assim, uma tigela e meia de noodles, porque é uma verdadeira desilução e um verdadeiro desperdicio de algo que poderia ter sido uma boa ideia, pois por incrível que pareça [“The Warring States“] tem a ver com o célebre clássico oriental conhecido como “A Arte da Guerra” e esta base não poderia ter sido mais desperdiçada.

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A favor: excelente fotografia e está cheio de paisagens naturais e em CGI muito bem filmadas que pediam um filme extraordinário que nunca acontece.
Contra: o elenco não tem qualquer química, as batalhas épicas são tão mal filmadas e com tanto CGI da treta + gore mal feito metido a martelo só para impressionar que o efeito é precisamente péssimo, a montagem é péssima especialmente nas partes de acção, tenta meter estilo a todo o momento e nota-se demasiado o esforço, a história tem sub-plots a mais e ramifica-se por pormenores sem grande interesse, não se decide se quer ser um épico de guerra, uma comédia completamente imbecil e sem graça nenhuma, um drama palaciano ou uma história de amor. Essencialmente resume-se a ser apenas um mau wuxia com um visual extraordinário a maior parte das vezes e tem duração a mais pois 2 horas disto é uma verdadeira prova de resistência a quem como eu viu o trailer e tem o azar de tentar ver este filme.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=1u5eB5F0M6o

Comprar
http://www.amazon.com/Warring-States-Zige-Fang/dp/B005BJ7XIW

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1885448

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