Rent a Cat (Rentaneko) Naoko Ogigami (2012) Japão


Este [“Rent a Cat”] é mais um daqueles sérios candidatos a “-WTF Movie-” do ano, designação que por si só merece ser um sub-género único dentro do cinema oriental.

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Ou seja, estamos mais uma vez na presença de um daqueles filmes inclassificáveis. Daqueles que só apetece gritar WTF !!!
Na verdade um “-WTF Movie-“ não quer necessáriamente dizer que seja um mau filme.
Por um lado pode ser verdadeiramente atroz como por exemplo, “Visage(provavelmente o pior e mais pretencioso filme (oriental) que alguma vez vi e o único que levou -zero- tigelas de noodles neste blog) que recomendo vivamente que não tentem sequer ver.
Por outro, pode ser uma surpresa agradável como por exemplo “Kamome Diner“, que apesar de ser um verdadeiro título -indie- também com vários momentos -WTF, é no entanto um filme muito simpático, cheio de personalidade, que se vê agradavelmente e fica na memória como algo muito diferente mas com substância. A mesma coisa não se pode dizer de “Visage”...

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Se refiro agora “Kamome Diner“, é porque [“Rent a Cat”] é mais um pequeno filme independente da mesma realizadora, contando inclusivamente com a mesma actriz principal como protagonista, que segundo sei já se tornou uma espécie de musa do cinema independente, pois conta com uma beleza estranha e diferente da que estamos habituados a ver na tradicional história romântica e segundo esses moldes tem-se encaixado bastante bem no outro cinema mais indie, estando a ganhar excelente reputação.

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E sim, [“Rent a Cat”] é outro -WTF Movie- sim senhor, porque eu passei o filme todo a tentar perceber o que estava a ver e a murmurar para mim – wtf ?!
Não que a história seja particularmente dificil de se entender, mas o objectivo do que estava a ver…na verdade deixou-me baralhado por completo.

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Baralhado e aborrecido de morte. Eu não costumo ser daqueles tipos alérgicos a cinema de autor mas há titulos que me custa muito conseguir ver do princípio ao fim e este surpreendentemente foi mais um desses. Curiosamente “Kamome Diner” não foi tão dificil de ver quanto [“Rent a Cat”], pois este agora foi um daqueles raros filmes que eu tive que ver em duas vezes, pois da primeira não consegui passar do meio. Mais por estar irritado do que por aborrecimento. Chegou a uma altura que eu disse, chega desta “#$%& !!!

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Agora, aviso já que esta review vai parecer totalmente esquizofrénica e muito do que eu disser se calhar não irá fazer sentido, mas não se preocupem pois será o exemplo perfeito daquilo que [“Rent a Cat”] é enquanto um daqueles filmes que apanha as pessoas desprevenidas e lhes dá a volta ao cérebro.
O cinema oriental, parece desde há muito ter inventado um novo género, vulgarmente denominado nas reviews por –“dramady”. Ou seja, tanto o Japão como a Coreia do Sul parecem ser prolíferos em produzir um estranho tipo de filme que não se encaixa em género nenhum e anda ali entre a comédia (mas não tem graça) e o drama (mas também não é dramático).

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[“Rent a Cat”] é precisamente um “dramady” absolutamente exemplar. Aliás, enquanto “dramady” é capaz de ser possivelmente um dos melhores saídos do cinema indie japonês nos últimos anos.
Então porque o achei tão difícil de ver ? É simples, o filme irritou-me como o raio !
Aquela personagem principal é de arrancar os cabelos e atirar coisas ao televisor a todo o instante. Porta-se de forma absolutamente incompreensível o tempo todo e ainda por cima tem o hábito de andar a gritar “rentaneko” (alugue um gato) pela cidade com um megafone durante o filme todo de forma absolutamente enervante.

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[“Rent a Cat”] conta a história de uma rapariga de trinta e poucos anos que vive sózinha com dezenas de gatos em luto permanente pela sua avó que morreu há anos e que percorre as margens do rio da cidade com um carrinho cheio de bichanos que tenta alugar às pessoas que passam. Naturalmente é considerada por toda a gente como a louca da cidade mas ela parece nem notar, pois o seu objectivo é nobre.

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Ela pretende alugar um gato a cada pessoa que estiver solitária, pois segundo ela a companhia de um gato é o melhor remédio para a solidão e portanto percorre as ruas tentando mitigar o sofrimento das pessoas com que se cruza, alugando-lhes gatos de companhia.
Vive sózinha, è absolutamente incapaz de se relacionar com as pessoas em redor, mas tem o sonho de um dia se casar e ir passar a lua de mel no Havai e todo o filme gira à volta desta dinâmica sem no entanto se passar nada na história por aí além ou que leve a qualquer resolução final.
Isto é suposto ser a parte dramática.

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A parte “cómica” vem pelo personagem da sua vizinha bisbilhoteira (por qualquer razão um actor em dragg vestido de mulher) e que está sempre a atirar-lhe bocas em como a miuda é uma falhada, feia, banal, etc. Essa é suposto ser a parte para rir, o que me deixa um bocado estupefacto, pois não só a caracterização do personagem é também particularmente irritante como o seu papel se repete constantemente ao longo da história desaparecendo logo a seguir.

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Aliás a repetição é ao mesmo tempo aquilo que torna o filme dificil de se seguir e aquilo que em última análise lhe dá uma identidade muito particular.
Neste campo, destaque para a longa sequência de um sonho, onde a protagonista sonha que vai a uma agência de rent-a-cat para alugar um gato, onde ocorre um longo e pausado diálogo com a empregada que lá trabalha e que nunca viu entrar um cliente na loja antes. Essa sequência é depois repetida ao pormenor minutos depois quando já no mundo real a protagonista descobre que a loja existe mesmo mas em vez se ser uma rent-a-cat é na verdade uma rent-a-car; embora depois toda a sequência que se segue aconteça tal como no ocorreu no sonho, mas onde os diálogos que envolviam gatos, agora são sobre o aluguer de carros. Confusos ? Eu também.

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Na verdade é óbvio que [“Rent a Cat”] pretende ser uma história sobre a solidão nas grandes cidades. Todos os personagens que a rapariga encontra refletem precisamente isso. Desde a velhota que mora sózinha porque o filho já adulto saiu de casa há muito, até ao homem de negócios que vive num apartamento vazio porque o trabalho o obriga a ficar longe da familia passando pela rapariga que trabalha na rent-a-car e nunca viu entrar um cliente na loja, é óbvio que o filme pretende reflectir sobre a solidão de uma forma ligeira e divertida (?).

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A protagonista é a principal metáfora para tudo o que a rodeia, pois ela aluga gatos a pessoas sózinhas quando ela própria vive rodeada de gatos mas nunca consegue encontrar o conforto que ela julga poder dar a quem leva um dos seus gatos para casa.
O problema em [“Rent a Cat”] é que parece que se passa num universo onde só existem pessoas excêntricas e por demais irritantes. Se a intenção foi produzir uma qualquer metáfora visual sobre a alienação da sociedade em geral e coisa e tal, tudo bem, mas… será que não havia maneira de meterem um personagem neste filme que não fosse absolutamente enervante a níveis estratosféricos de ridiculo ?!

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É que a protagonista parece ter consciência de que a sua excentricidade é aquilo que lhe impede de encontrar companhia mas depois em nenhum momento faz qualquer coisa para tentar mudar de vida e ter mais chances de encontrar alguém que lhe mitigue a solidão.
Ainda por cima nem os gatos são particularmente fofinhos (ou têm qualquer destaque) , o que é a pior coisa que poderia acontecer num filme que supostamente é sobre a empatia que podemos criar com um gato.
E eu adoro gatos.

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Em termos de dinâmica, não acontece nada no filme durante duas horas. A história passa episódicamente por vários personagens solitários que alugam um gato, passa pela própria excentricidade da protagonista e quando finalmente até parece que vai conseguir criar alguma empatia com o espectador apresentando algo mais normal como uma possível perspectiva de um relacionamento amoroso entre a protagonista e um velho colega de escola, também esse personagem é tão enervante (e grunho) que percebemos logo que não irá servir para nada na história.

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O que não quer dizer que isto não traga originalidade ao filme. Tal como em “Kamome Diner” da mesma realizadora, também aqui é dificil classificar este filme. Por um lado é irritante como o raio, mesmo concordando que é um estudo sobre a solidão e tem o seu quê de original. Por outro lado, não é um daqueles filmes de autor pretenciosos. Muito pelo contrário, o que só lhe fica bem. Tem até um certo charme que não nos deixa esquecê-lo facilmente.

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Visualmente é muito bonito e incrivelmente detalhado; em particular no que toca aos cenários típicamente japoneses, como o do interior da casa da rapariga, as roupas que enverga e principalmente as cores. Em termos de paleta de cor [“Rent a Cat”] é um espectáculo  se calhar não se nota logo porque estamos a tentar perceber o que raio estamos a ver.
Excelente fotografia, bons actores sem sombra de dúvida e a realização é definitivamente um estilo adquirido que já é uma marca desta realizadora, goste-se ou não do trabalho dela. É um filme eficaz dentro do género e muito bem feito.

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Não é o tom lento que me chateia no filme, mas em última análise os personagens e a sua (falta de) motivação; os diálogos excêntricos e por vezes histéricos durante toda a história quanto a mim separa-nos daquele universo, pois é tão estranho e sem lógica quando comparado com a nossa realidade do dia a dia que quanto a mim é muito dificil criarmos uma verdadeira empatia com o que vemos. Por outro lado, reconheço qual a intenção por detrás desta abordagem, mas sinceramente isso não faz com que o filme seja menos irritante de se ver.
Ao mesmo tempo, é o facto de ser tão irritante, (e deprimente em alguns momentos) que lhe dá uma aura muito especial. Estou baralhado. Gostei e achei o filme insuportável ao mesmo tempo.

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Pode parecer estranho, mas até eu não tenho dúvidas que este vai ser um daqueles títulos que irei começar a gostar bastante dele gradualmente e se calhar daqui a um par de anos refaço a classificação que lhe vou dar agora e dou-lhe mais uns pontos.
É que o raio do filme custou-me mesmo a ver até ao fim, mas o facto é que este não me sai da cabeça há vários dias e deixou-me uma quantidade enorme de imagens (e ambientes) bem marcados no pensamento. Por isso se calhar até gostei mais dele do que admito, para além da profunda irritação que a personagem principal e todos os “malucos” desta história me causaram.

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[“Rent a Cat”] estranhamente, ou talvez não está a tornar-se aos poucos um filme de culto junto de muitas pessoas e curiosamente até está bem cotado no imdb o que não é muito comum com cinema de autor nestes moldes. No entanto a ideia principal de [“Rent a Cat”] parece ter tocado o coração de muita gente que se calhar se identificou com a imagem muito forte que este filme transmite sobre a solidão nas grandes cidades; ao ponto de estarem a começar a surgir pessoas que abriram de verdade um negócio de -alugar gatos- precisamente inspirados pela heroina deste filme. Podem ler sobre um destes exemplos da vida real inspirados por [“Rent a Cat”] se clicarem aqui. E não é único.

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Actualmente podem espreitar [“Rent a Cat”] facilmente no youtube na sua versão integral. Inclusivamente conta com um excelente cópia a 720p, legendada em inglés e portanto só por isto já vale a pena irem ver este filme para me dizerem o que acham e de que forma os atingiu também.

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CLASSIFICAÇÃO:

Tal como em “Kamome Diner” da mesma realizadora, se estiverem á procura de um drama, esqueçam. Se estiverem á procura de uma comédia esqueçam.

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É mais uma vez uma história original com o seu mérito próprio e que pelo que tenho visto pelas reviews espalhadas pela net irá atingir as pessoas de várias maneiras. Pessoalmente achei-o insuportávelmente irritante mas ao mesmo tempo extremamente cativante e um daqueles títulos que ficam no pensamento. Por isso se calhar é bom.
Três tigelas de noodles para já, mas se calhar no futuro irá ganhar mais.

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A favor: o conceito e a ideia geral da história, a atmosfera visual, a actriz principal, o design, a fotografia.
Contra: não vai a lado nenhum para além de ser um estudo sobre a solidão, as motivações dos personagens são por demais excêntricas, a protagonista é totalmente enervante, alguns diálogos são insuportáveis e irritantes como o raio, pode ser incrivelmente chato porque não nos identificamos com os personagens mesmo quando nos indentificamos com o seu vazio, os gatos não têm qualquer carísma o que é o pior que podia acontecer num filme supostamente sobre gatos também…

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2246953

FILME COMPLETO
No Youtube – Legendado em Inglés.

 

Rent a cat (de verdade)
http://www.themoscowtimes.com/business/article/rent-a-cat-service-comes-to-kiev/487892.html

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Filmes de autor “semelhantes”

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5 Centimeters per second – (O Manga / Banda Desenhada – Romance / Livro original) – Versão integral – (Japão) – Makoto Shinkai / Yukiko Seike


[“5 Centimeters per second”] será não só o meu anime favorito de todos os tempos como principalmente uma das melhores histórias românticas que alguma vez encontrei no cinema oriental, senão talvez até a melhor, ou pelo menos a que me mais me marcou (a par com “Be with You”, “Il Mare” e mais umas quantas). É também considerado umas das histórias de amor orientais mais tristes de todos os tempos (no bom sentido) e quem gosta dele sabe bem porquê. Se não sabem basta irem ao Youtube espreitar as centenas de comentários de pessoas de todas as idades que se identificaram com esta pequena grande história.

Manga - Makoto Shinkai

Entrei muito tarde no cinema de animação de Makoto Shinkai. Há anos que ouvia falar maravilhas daquele jovem realizador que tinha revolucionado a forma de fazer animação por trabalhar essencialmente de forma caseira, inicialmente sózinho no seu quarto, depois sem estúdio, em apartamentos alugados com uma pequena equipa de amigos que se desfaz a seguir a cada filme e um sem número de particularidades que pela qualidade final de cada obra mal custa a crer que tenha sido produzida dessa maneira. Pela sua obra ser essencialmente marcada por produção “caseira”; desde o verdadeiramente amador “Voices of a distant star“, feito por Shinkai completamente sozinho durante meses a trabalhar no seu quarto, até ao mais recente “Garden of Words”, o facto dos seus filmes costumarem ter curta duração sempre me afastou da compra dos dvds durante muito tempo pois apesar das reviews excelentes, custava-me dar dinheiro por 45/50 minutos de filme em média e na altura raramente se conseguia arranjar cópias em condições na internet para espreitar primeiro. No entanto a partir do momento em que arrisquei a primeira compra e vi “Voices of a distant star” fiquei estupefacto com a qualidade do trabalho de Makoto Shinkai e nunca mais parei de seguir todo o seu trabalho subsequente, tal como “The Place Promised on Our Early Days”, “Journey to Agartha” e mais recentemente “Garden of Words” (com review para breve).

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De todo o trabalho de Makoto Shinkai aquele que mais me marcou foi sem sombra de dúvida [“5 Centimeters per second”]; 50 minutos de verdadeira poesia visual com uma história romântica que hoje em dia é das mais populares de sempre dentro do cinema oriental, principalmente pelo seu final devastador que se tornou comentado em todo o lado pelo murro no estômago que os segundos finais provocaram e ainda provoca nos espectadores. Principalmente pela sua simplicidade. Se procurarem nos foruns de discussão ainda hoje muita gente especula sobre o destino dos personagens, o que terá acontecido depois e tudo o mais que possam imaginar de interpretações pessoais para esta história que cada espectador vive à sua maneira.

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Não que [“5 Centimeters per second”] seja propriamente uma história abstracta, mas na verdade o final teve tanto impacto na audiência, que muita gente parece ainda querer encontrar novas pistas para um desenlace final que todos gostaríamos de ver para aquela história de amor animada mas que se existisse hoje não estariamos aqui a falar dela. Ora acontece que curiosamente existem algumas pistas espalhadas visualmente ao longo do filme que não se notam a uma primeira visão (se nunca tiverem lido o Manga) e que podem realmente ser interpretadas de uma forma que eventualmente nem estará particularmente longe da verdade. Quero dizer com isto, que [“5 Centimeters per second”] tem realmente mais história para contar do que aquela que apareceu “filmada” em 50 minutos por Makoto Shinkai no filme original.

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E tem história para contar não em filme, ou em qualquer extra do dvd, mas sim no argumento original que acabou sendo reduzido na versão de cinema mas que se transformou há pouco tempo numa banda desenhada Manga e num respeitável volume com mais de 500 páginas, tal como se fosse um comum romance de prosa. E é precisamente esse Manga que eu venho aqui agora recomendar.

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O Manga, de [“5 Centimeters per second”] conta muito mais detalhes sobre a vida dos personagens e quem adorou o filme vai ficar fascinado com as histórias paralelas e com as motivações por detrás do que foi mostrado sobre cada história no filme original.

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O Manga é essencialmente o romance completo e percebe-se que muito provavelmente seria demasiado detalhado para funcionar como filme. Certamente se este argumento tivesse sido adaptado ao cinema de forma integral o impacto emocional do momento chave da história na versão animada, iria ficar um pouco diluído pois aqui na versão integral há tempo para se ficar a saber um pouco mais sobre os destinos dos personagens e até para introduzir personagens novos que acabam por justificar muito do que já se tinha visto no filme e que levou tanto fan a especular durante tanto tempo pela internet fora.

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O Manga é de compra e leitura obrigatória para toda a gente que adorou a versão de cinema já editada em dvd há alguns anos e à venda na amazon Uk. Tal como o filme “Be With You” ganha outra dimensão quando se lê o livro original (apenas) só depois de vermos o filme, também aqui em [“5 Centimeters per second”], a leitura do romance em forma de banda-desenhada dá uma nova perspectiva a toda aquela história que os fans bem conhecem. Não só reproduz todos os melhores momentos do filme, onde não falta um suspense gráfico que resulta plenamente até mesmo em Manga, como com mais de 500 páginas ainda tem tempo para desenvolver e responder a muitas das interrogações e especulações dos fans.

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Conta obviamente com o mesmo final demolidor do filme, mas aqui em Manga acaba por não ter tanto impacto por um simples motivo. O livro não termina nesse momento ao contrário do filme e mesmo subjectivamente dá-nos um segundo final para especular quando de repente inesperadamente se conclui a parte central da história… ou talvez não.

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Como todos os fans do filme original sabem, [“5 Centimeters per second”] tem 3 partes e essencialmente duas histórias de amor; sendo a segunda aquela que é considerada por muita gente a parte vazia da história. Ora bem, no Manga essa parte já tem uma razão de existir e esse segundo segmento de repente parece fazer outro sentido. Por outro lado, percebe-se perfeitamente que o segundo segmento no filme nunca poderia ser “concluído” pois esse epílogo iria retirar todo o fabuloso impacto emocional que encontramos na versão para cinema.

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Sendo assim, o que mais dizer. Se gostam do filme [“5 Centimeters per second”] este Manga é de compra totalmente obrigatória. É no entanto um livro para adultos. Não no sentido erótico, mas no sentido emocional. Este Manga não é a típica história de aventura para adolescentes mas sim um romance sólido e adulto bem pensado enquanto história de amor para um publico mais crescido e que não fica nada a perder em relação a muitos conceituados livros em prosa.

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O Manga é escrito por Makoto Shinkai mas não é desenhado por ele. Isto talvez porque o próprio realizador já disse que não gosta nada de desenhar bonecos e o que lhe move artisticamente é desenhar paisagens e ambientes (o que se nota perfeitamente no seu cinema) por isso deixa a bonecada humana para um dos seus colaboradores. Ao contrário do filme este Manga depende totalmente dos personagens e não dos ambientes e portanto é perfeitamente natural que a história tenha sido apenas escrita por Shinkai e não desenhada por ele na sua versão em banda desenhada. O livro é desenhado por Yukiko Seike mas todo o espírito de Makoto Shinkai está perfeitamente retratado principalmente pela poesia da própria escrita do autor.

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A diferença entre o livro e o filme está nos pormenores extra sobre cada história de amor, no final adicional e no facto do filme falar sobre emoções através dos ambientes visuais magistralmente desenhados e pintados por Makoto Shinkai enquanto o livro vai buscar a sua força á expressividade dos personagens.

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CLASSIFICAÇÃO Se gostam de [“5 Centimeters per second”] vocês sabem que têm mesmo que comprar este Manga. Não vale a pena resistirem porque vão adorar.

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Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque esta é daquelas histórias que rebenta qualquer escala seja de que forma for apresentada.

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a favor: tem a resposta para quase tudo o que sempre quiseram saber sobre o que ficou por dizer no filme original, graficamente tem uma estrutura fantástica e consegue surpreendentemente manter suspense romântico até mesmo para quem já conhece o filme de trás para a frente, a humanização dos personagens mais uma vez é do melhor como em todos os trabalhos de Makoto Shinkai e toda a escrita é verdadeiramente poética. Tem mais de 500 páginas excelentemente ilustradas e com uma narrativa visual brilhante na forma como consegue retratar emoções.

contra: o impacto emocional do final cinematográfico é diluído por ainda existir um novo final a seguir a esse, o novo final também poderá ser demasiado subjectivo para muita gente, (inclusivamente já gerou muita discussão sobre o que significa na internet). O impacto visual é menor em relação ao filme, pois o Manga é a preto e branco e a história não assenta emocionalmente nos ambientes ao contrário do que acontece no filme. Não que seja algo verdadeiramente mau, pelo contrário, mas Manga e filme são realmente dois produtos diferentes.

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NOTAS ADICIONAIS

COMPREM-NA AQUI EM ESPANHOL
https://www.amazon.es/Cm-Por-Segundo-Makoto-Shinkai/dp/8416476454/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1479487364&sr=8-1&keywords=5cm+por+segundo

COMPREM-NA AQUI EM INGLÉS
https://www.amazon.co.uk/gp/product/1932234969/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=1932234969&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21

A minha review do filme original
https://cinemasiatico.wordpress.com/2014/05/11/5-centimeters-per-second-byosoku-5-senchimetoru-makoto-shinkai-2007-japao/

A minha review alternativa no meu blog sobre Cinema de Culto
https://universosesquecidos.wordpress.com/2016/11/18/5-centimeters-per-second-byosoku-5-senchimetoru-makoto-shinkai-2007-japao/

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Trailer https://www.youtube.com/watch?v=wdM7athAem0

Clip Contém *Spoilers* Por outro lado, se não viram o filme, também não irão notar. E mesmo que notem, eu até lhes podia contar o final em detalhe que não lhes estragaria a beleza do filme. Estão por vossa conta. 😉

https://www.youtube.com/watch?v=FJmvvZk4C1A
com legendas
https://www.youtube.com/watch?v=egCHrY_gHGg

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Comprar dvd na amazon UK
https://www.amazon.co.uk/gp/product/B0037B2WP0/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B0037B2WP0&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21

O filme também está disponível numa copia legendada no youtube, mas não recomendo que o vejam assim. Este filme pede mesmo um bom ecran e principalmente um bom sistema de som pois muita da sua emoção vem da forma como usa a música. Não vejam o filme num simples ecran de computador.

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Se gostar deste vai gostar certamente de:

capinha_voices-of-a-distant-star capinha-the_place_prmised_in_early days capinha_agartha ——————————————————————————————————————

FB

There´s Only One Sun – Wong Kar Wai


No outro dia perguntaram-me por esta curta metragem por isso apesar de eu já ter colocado o link para ela nos outros fabulosos filmes de Wong-Kar-Wai, nomeadamente em “In The Mood For Love”, “2046” ou “My Blueberry Nights” fica aqui agora o post em destaque para quem quiser espreitar esta fascinante produção que é quase um catálogo de todos os pormenores, toques visuais e ambientes presentes nas longas metragens para Cinema deste grande autor.

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Se gostou, vai gostar certamente dos seguintes filmes abaixo.
Aliás, mesmo que não tenha gostado deste  vai gostar dos filmes abaixo.

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Valley of Flowers (Valley of Flowers) Pan Nalin (2006) India/Japão/França/Alemanha


De vez em qando aparecem filmes que desafiam qualquer classificação possível e este enigmático mas fascinante [“Valley of Flowers”] é o exemplo mais recente deste género.

É um daqueles filmes que não se podem encaixar em lado nenhum. Não é suficientemente comercial para poder correr o comum circuito de filmes pipoca, até porque este é um daqueles que fará com que 99% desse público abandone  a sala bem antes de chegar a meio, mas também não é suficientemente artístico para agradar ao mais acérrimo intelectual fundamentalista frequentador de festivais obscuros, porque afinal, [“Valley of Flowers”] se calhar tem acção e aventura a mais e apesar do seu ritmo lento não filma planos fixos de pedras a crescerem durante meia hora.

[“Valley of Flowers”] é também um filme Indiano, embora não esperem encontrar nele cantigas pimba e danças coloridas de dez em dez minutos pois neste filme Indiano ninguém canta ou dança. Talvez com excepção de uma atmosférica sequência lá para o final ao som de uma banda sonora e uma canção específica mas de que não posso aqui falar porque lhes estragaria o prazer da descoberta do argumento.

Por outro lado, se o dito Cinema de Autor produzisse filmes de aventura e fantasia em massa, [“Valley of Flowers”] poderia servir bem como template para algo dentro desse estilo pois é a coisa mais próxima de um Indiana Jones (ou de um Western) que eu pelo menos vi num filme com estas características.
Se por exemplo, “Ashes of Time” de Hong-Kar-Wai, é o equivalente Wuxia dentro do cinema-de-autor chinês, se calhar [“Valley of Flowers”] bem que poderia ser classificado o equivalente a um blockbuster de aventura ocidental dentro do cinema-de-autor Indiano. Não sei, estou baralhado.

Só lhes digo uma coisa. Se procuram um título diferente dentro do cinema feito no oriente e gostam de filmes de aventura com grandes espaços abertos e uma temática de fantasia baseada em muitos preceitos do budismo não vão mais longe, porque [“Valley of Flowers”] é mesmo muito bom no aproveitamento desses tópicos para criar uma história que por vezes poderá parecer demasiado longa, chata até, mas nunca deixa de ser totalmente hipnotizante. Especialmente quando o filme chega ao seu surpreendente capítulo final que quase que se pode considerar o twist da história se vocês não souberem nada sobre este filme.

O que me leva a uma nota muito importante:
AFASTEM-SE DE PROCURAR SABER MAIS QUALQUER COISA SOBRE [“Valley of Flowers”] NA NET.
Se nunca ouviram falar disto e pelo que já escrevi acham que lhes poderá interessar, nem pensem em ler mais qualquer coisa além do meu texto sobre este filme antes de o verem.
Se não conhecem nada sobre [“Valley of Flowers”] afastem-se não só das reviews da Net como principalmente das fotografias que estão espalhadas por todo o lado pois irão destruir-lhes por completo o prazer de serem surpreendidos pelo rumo do segmento final na história. Fiquem-se pelas fotos que eu seleccionei para colocar aqui sem grandes spoilers.
E já agora, nem pensem em consultar o IMDB sobre isto.
Vão por mim.
Vejam [“Valley of Flowers”] completamente ás escuras e sem saberem nada sobre ele e vão dar-lhe muito mais valor do que lhe dariam se já conhecessem a reviravolta e a temática completa da história.

Como tal, eu até poderia agora comparar isto com dois outros títulos ocidentais bem semelhantes  (um ultra comercial muito famoso e outro dentro do cinema independente americano),  mas não o irei fazer porque isso seria dar-lhes referências a mais e vocês percebiam logo o que iam ver pela frente.
[“Valley of Flowers”] é para ser apreciado sem saberem nada dele.
Continuem assim. 😉

Portanto, o que posso eu dizer sobre isto sem estragar-lhes o filme…
Coisas boas…a história passa-se nos Himalaias no ano de 1836, tem montes de atmosfera e gira á volta de um grupo de bandoleiros composto por exilados de várias terras e que sobrevive assaltando caravanas que percorrem a Rota da Seda por aqueles lados.
Um dia, num desses assaltos encontram uma misteriosa mulher que apaixonada pelo líder do bando tudo faz para se juntar a eles com a promessa de lhes indicar potenciais alvos para assaltos onde poderão enriquecer rápidamente.

Acontece que essa mulher além de estranhamente não possuir um umbigo, parece possuir capacidades sobrenaturais que coloca ao serviço do bando, embora os coloque também em risco pois no seu encalce sem conhecermos bem as razões para tal encontra-se um misterioso homem conhecido como Yeti (esse mesmo) que parece conhece-la e estar muito interessado em capturar não só o bando de assaltantes como principalmente a misteriosa mulher.
E não lhes digo mais nada para não estragar o prazer da descoberta.

[“Valley of Flowers”] visualmente é absolutamente grandioso embora de uma forma estranhamente contida e intimista. Imaginem-no assim como uma espécie de “Where the Wind Dwels” com muitas cenas de acção e aventura pelo meio mas filmado nas mesmas paisagens naturais absolutamente incriveis entre montanhas e vales majestosos e um céu aberto ao azul infinito.
No entanto, atenção, [“Valley of Flowers”] tem muita sequência de aventura, mas o seu ambiente é tão enigmático que não esperem cenas muito emocionantes ao estilo de aventura ocidental a que estão habituados.
Há muita acção mas toda ela é um bocado…parada e o suspanse é gerido de uma forma diferente. Se é que isto faz sentido.

[“Valley of Flowers”] é um filme sobre conceitos espirituais pois assenta muito na filosofia budista e em muitos conceitos a ela associada. Essencialmente estamos na presença de uma história sobre Karma e portanto isto saído de um realizador Indiano com um elenco multi-cultural onde nem sequer faltam japoneses, já podem imaginar que  não irão propriamente ver um filme de aventuras comercial comum.

Quanto a mim tem apenas uma única falha. Talvez tenha uma meia hora a mais na minha opinião. Isto porque começa muito bem, mas depois perde-se um bocado mais ou menos a meio do filme pois durante algum tempo repetem-se não só o mesmo estilo de cenas de aventura como principalmente repetem-se as mesmas ideias e o filme poderia ter evitado isso.
Além disso á força de tentar ser um filme intensamente romântico, este insiste em repetir as mesmas sequências de amor vezes sem conta e que em vez de tornar a história de amor mais poderosa, acaba por a tornar monótona.
Por isso não se espantem se começarem por gostar, mas depois lá pelo meio [“Valley of Flowers”] lhes começar a parecer gritantemente desinteressante e até algo secante. Não desistam porque vale a pena acompanhar o que ainda falta.

[“Valley of Flowers”] tem 15o minutos e se calhar seria um filme de aventura e fantasia ao melhor estilo cinema-de-autor bem mais empolgante se tivesse tido apenas duas horas.
Por outro lado, segundo algumas pessoas parece que existe uma versão curta que foi lançada no ocidente mas o filme não resulta tão bem pois foi-lhe retirada muita da carga filosófica quando deveriam ter encurtado apenas algumas sequências repetitivas.
Sendo assim, se espreitarem este filme, certifiquem-se que vão ver a versão de 150 minutos apesar de tudo.

Eu gostei mesmo muito disto, embora me tenha arrastado para conseguir passar da tal parte do meio quando tudo pareceu começar a repetir-se. No entanto [“Valley of Flowers”] está tão carregado de imagens extraordinárias a todo o instante e a sua atmosfera é tão misteriosa e hipnótica que não conseguia mesmo tirar os olhos do ecran só para saber o que iria acontecer a seguir, isto porque em muitos momentos a história do filme parece que não vai a lado nenhum o que nos deixa ainda mais intrigados para descobrir como será o seu final.

E o final é excelente.
Perde aquela carga de aventura e entra num tom desencantado, bastante filosófico e talvez ainda mais próximo do que é costume em cinema ainda menos comercial, mas resulta. E resulta bem, pois [“Valley of Flowers”] subitamente segue por um rumo totalmente inesperado para quem não conhece nada sobre este projecto e daí, volto a insistir AFASTEM-SE DE PROCURAR SABER O QUE QUER QUE SEJA sobre esta obra antes de verem o filme se nunca ouviram falar dele ou da sua temática central.

Algumas reviews, mencionam o facto da história colocar questões a mais e ter respostas a menos, no entanto, eu acho que isso só parece acontecer se tentarmos acompanhar este filme como se estivessemos a ver uma aventura comercial ocidental comum. Isto poderá fazer com que o espectador depois esteja sempre há espera que num determinado momento apareça no ecran um personagem a explicar tudo o que aconteceu e a detalhar qual a origem de tudo e mais alguma coisa.

[“Valley of Flowers”] contém todas as explicações para o que é enigmático na história; agora, não esperem que alguém lhes vá explicar de bandeja todos os seus mistérios, porque a solução está lá mesmo na frente dos olhos durante o filme todo e muito em particular na sua parte final, inclusivamente nos silenciosos derradeiros segundos.

Apenas não há nenhum personagem que diga coisas como – “isto foi assim porque ….” – ou ” afinal a mulher misteriosa era”.
Esqueçam a fórmula ocidental de explicar os filmes e prestem atenção.
Se calhar também convém informarem-se um bocadinho sobre a própria filosofia Budista e sobre alguma mitologia dos Hymalaias antes se puderem, pois se tiverem as referências necessárias vão não só perceber bem tudo o que há de misterioso no argumento quando este alcança o fim da história como se calhar ainda gostarão mais do filme por não ser paternalista.
Embora, por outro lado…alguém deve andar a vender droga da boa por aqueles sítios pois [“Valley of Flowers”] só pode mesmo ter sido escrito debaixo de uma grande moca ! Ou talvez não.

Estou para aqui tentado em falar-lhes sobre o fascinante segmento final deste filme que subitamente atira a história para um registo realmente inesperado mas não o posso fazer por isso se calhar é melhor passar á classificação final para isto antes que eu diga coisas demais.

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CLASSIFICAÇÃO:

É um excelente cruzamento entre o cinema de aventuras, (ou de viagem) onde as paisagens naturais majestosas são uma personagem por direito e um estilo de cinema intimista e filosófico que irá agradar a quem procura algo menos comercial.
Tem uma história deveras enimática embora nem sempre resulte enquanto filme pois 150 minutos talvez seja demais embora o segmento final seja fascinante pelo inesperado e tom filosófico.
Sendo assim, quantro tigelas de noodles pois é realmente muito bom e acima de tudo interessante quando se vê uma primeira vez e se calhar ainda é um daqueles que lhes apetecerá rever de novo um dia destes, até porque é um antídoto perfeito para um cinema de aventuras mais comercial produzido no ocidente.

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A favor: as paisagens naturais são do outro mundo, visualmente o filme está fantástico, o ambiente é mágnifico em todos os sentidos,  tem uma história enigmática que alterna com alguns segmentos de aventura interessantes, as partes sobrenaturais são muito curiosas e hipnóticas, o segmento final parece pertencer a um filme diferente mas resulta mesmo bem pois dá muita frescura a uma história que até aí parecia que não ia a lado nenhum, as explicações para os mistérios e origem dos personagens estão lá mas não esperem que algum deles lhes venha explicar o que se passou na história numa daquelas cenas paternalistas, contém uma canção excelente algures pelo fim.
Contra: ainda não sei se como história de amor isto resulta ou não pois não há grande química entre os protagonistas, esforça-se demasiado por ser um filme romântico e nota-se esse esforço a todo o instante o que lhe retira muita da naturalidade, não é cinema de aventuras ultra comercial e portanto irá desagradar a quem não suporta aquele toqeue de cinema mais intimista, pelo meio arrasta-se demasiado e a história parece não ir a lado nenhum durante minutos a fio, se não tiverem pelo menos algumas boas referências sobre budismo, filosofia e mitologia oriental não irão conseguir perceber a explicação dos mistérios da história pois ninguém lhes vai explicar nada e todas as soluções muito provavelmente irão passar-lhes ao lado por falta de referências para serem notadas, nota-se que foram buscar modelos para actores principais pois o heroi passa o tempo todo em pose constante para a câmara e há por ali alguma falta de naturalidade nas suas presenças físicas embora isso se note menos na actriz principal.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
NÃO VEJAM O TRAILER ANTES DE VEREM O FILME
especialmente se não sabem nada sobre esta obra, pois uma das melhores surpresas do rumo da história está no trailer.

Comprar
http://www.dvdasian.com/_e/India/product/25343/Valley_of_Flowers_Region_3_PAL_DVD_.htm

Download aqui.
AVISO: Não espreitem as fotos senão perdem a surpresa da história. E já agora, vejam se conseguem carregar no torrent sem ler a descrição do filme também porque revela como será a inesperada parte final.

IMDB
E nem pensem em carregar aqui antes de verem o filme.

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

*Não tenho nada parecido com isto no blog*

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Bu san (Goodbye Dragon Inn) Ming-liang Tsai (2003) China/Taiwan


A minha primeira reacção a [“Goodbye Dragon Inn“] foi a pior possível e já me preparava para vir para aqui dizer o quanto tinha detestado este típico exemplo de cinema-de-autor no pior dos sentidos, pois há muito que não via um filme tão enervantemente secante !
Este é daqueles que a uma primeira visão pode criar um verdadeiro teste á nossa força de vontade para não carregarmos no botão de fast-forward dezenas de vezes.

Até eu que tenho “Solaris” (versão Tarkovsky), como um dos meus filmes favoritos, ao ver [“Goodbye Dragon Inn“] pela primeira vez só pude dizer: –“MAS CA GRANDA SECA DO #$#”%& !”
O “Solaris” soviético original comparado com isto é um filme do Michael Bay.
E não, não tentem imaginar, pois sem verem [“Goodbye Dragon Inn“] vocês não irão mesmo conseguir conceber a lentidão desta obra que não fica nada a dever ao mais clássico filme do Manoel de Oliveira, talvez com a diferença de que os do realizador Português têm uma montagem muito rápida em comparação…

Isto porque [“Goodbye Dragon Inn“] é o típico filme com que toda a gente goza !
(Pessoal do Brasil podem parar de rir, porque isto quer dizer outra coisa em Portugal e este não é um filme desses…) 😉
[“Goodbye Dragon Inn“] é um daqueles filmes em que básicamente se aponta uma câmara para o chão e depois filma-se em tempo real a erva a crescer, por isso estão avisados.
E a história também é semelhante. Pelo menos á primeira vista.
[“Goodbye Dragon Inn“] é lento. MUITO LENTO ! Diria, até PARADO !
Basta dizer que tem uma sequência (genial?), em que se vê apenas um plano único que dura 4 minutos (sim, QUATRO MINUTOS) com uma sala vazia, por isso meus amigos, quem acha o “2001 Odisseia no Espaço” chato e vazio, nem imagina o que o espera aqui e só pela experiência vale a pena espreitarem.

Essencialmente, o filme é constituído por planos únicos e longos. Muito, muito, muito, muito, muito looooooooooongos (numa atmosfera algo deprimente, fria ou até doentia) e o primeiro diálogo entre personagens ocorre aos 40 minutos de um filme que só tem 80, por isso já estão a ver ideia.
Por isso, [“Goodbye Dragon Inn“] é um daqueles filmes de que é fácil não gostar.

No entanto…
O problema, é que ao vê-lo pela primeira vez, mesmo após ter-me arrastado ao longo dos seus penosos 80 minutos de duração, o raio do filme ficou-me na memória durante o dia todo e por mais que me preparasse para vir para aqui desancar este título, a verdade é que [“Goodbye Dragon Inn“] não se tinha tornado  tão simples de detestar quanto a frustração inicial que me causou. Só havia uma coisa a fazer.
Voltar a vê-lo.

E não é que a uma segunda visão, as coisas começam a tornar-se mais fascinantes ?
É que ao contrário do que é costume, apesar de ser lento, (ok,ok… chato), na verdade não tem aquela carga pretenciosa carregada de génio égocentrico que muitos filmes de autor costumam exalar de uma forma insuportável quando um realizador com pretenções a Artista plástico está mais interessado em fazer maravilhosas instalações artísticas videográficas cheias de metáforas e intervenção sociológica do que filmar uma história.

[“Goodbye Dragon Inn“] é um filme secante como há muito não me passava pela frente.
Por causa disso é um daqueles titulos que corre logo á partida o risco de alienar metade da audiência pois a sua estrutura faz com que o espectador casual passe ao lado um filme único sem lhe dar mais qualquer hipótese por este sair do tipo de cinema mais fácil de digerir.
Muita gente não aguentará vinte minutos disto sequer, mas quem conseguir vê-lo até ao fim, muito provavelmente ficará com muita da sua atmosfera assombrada no pensamento durante horas a seguir.

Quem ganhar coragem para o voltar a ver, então se calhar é porque também foi apanhado por aquilo que de certa forma torna esta obra especial e a sua falta de prentenciosismo para se armar em “inteligente” é uma mais valia, ao contrário do que costuma acontecer em muito cinema de autor supostamente Iluminado logo á partida.
Pode ser uma opinião pessoal, mas a ideia com que fiquei disto é que o realizador filmou assim porque simplesmente faz parte do seu estilo visual e nada mais e por isso se partirem para [“Goodbye Dragon Inn“] uma segunda vez e conseguirem acompanhá-lo  já conhecendo a forma como ele está apresentado, não estranhem se de repente começarem a ver esta história com outros olhos.

Se alguma vez tiveram na vossa cidade uma sala de cinema de que gostaram muito e que talvez tenha feito parte da vossa infância ou juventude mas que agora já não passa de uma relíquia do passado tendo sido substituída pelos plásticos cineplexes dos shoppings, se calhar encontrará em [“Goodbye Dragon Inn“] alguma magia e irão identificar-se com a sua nostálgica tristeza, pois apesar de “não ter história nenhuma” é um filme sobre a magia do Cinema e se calhar de como este era bem melhor (e bem mais mágico) quando o viamos, não com som DTS em cadeiras almofadadas e em salas de ar condicionado mas em cinemas antigos com som mono, ecrans de pano rasgados,  fitas queimadas e moscas quanto baste; em sessões onde ainda as pessoas viam os filmes caladas, era proíbido comer nas salas e estavamos numa altura em que não estreava um blockbuster todas as semanas que já estará esquecido na semana seguinte.

É esse o tema subliminar de [“Goodbye Dragon Inn“], apenas não usa uma história para falar desses tempos mas sim mostra os ambientes actualmente solitários que outrora tiveram dias de glória.
É chato ? É pois.
É uma seca do camandro ? Pois é.
Mas resulta ?
Resulta pois !

Não se deixem enganar com as comparações deste filme com o “Cinema Paradiso“. É certo que a sua alma é a mesma, mas a sua forma não tem nada de idêntico por isso não esperem o mesmo tipo de filme. No final a sua magia é a mesma, mas [“Goodbye Dragon Inn“] exige uma predesposição para o aturar que não era necessária no poético filme de Tornatore. No entanto ambos os filmes acabam por ir dar ao mesmo e ambos recordam uma época que já não volta mais no que toca á velha relação do público com a magia do Cinema e só por isso também vale a pena tentarem espreitar esta produção made-in-Taiwan.
No entanto façam-no por vossa conta e risco. 😉

Mas afinal o que fazem os personagens neste filme ?
Não se preocupem com *spoilers* pois em [“Goodbye Dragon Inn“] isto não se poderá aplicar de todo e até poderá ajudar á navegação do pessoal que não está muito habituado a espreitar este género de cinema.
Resumindo:
Essencialmente acompanhamos várias histórias que representam as várias fases de glória de um velho cinema clássico através da presença e do olhar de quatro ou cinco personagens. A maioria nem sequer abre a boca durante o filme todo mas cada um conta um pouco da história do Cinema em geral.
Estamos na última noite antes de um velho cinema ir fechar para sempre e pela última vez, passam na última sessão um dos clássicos do cinema de artes marciais chinés, chamado precisamente “Dragon Inn“.

Outrora algo que enchia a velha sala com espectadores com o passar das décadas e o aparecimento dos novos cinemas modernos a situação inverteu-se e no momento presente em que [“Goodbye Dragon Inn“] decorre o filme Dragon Inn, atrai apenas almas solitárias que parecem tão deslocadas do ambiente da sala quanto a sala está isolada no tempo. Incapazes de comunicar uns com os outros, a única coisa que têm em comum é o facto de todos estarem presentes nesta última sessão e essencialmente o filme “filma” a sua presença nesse ambiente e nesse momento como se fosse o registo final de uma Era que apenas tem o tempo de vida da duração da última projecção de Dragon Inn.

Acompanhamos a empregada do cinema que deambula como um fantasma do passado pelos corredores do edifício com a sua deficiência física – (uma sombra da beleza que também ela teve um dia?) – tentando discretamente captar a atenção (romântica?) do projecionista como se fosse uma última tentativa para se fazer notar.
E enquanto o filme decorre na sala principal, observamos um turista homosexual japonês solitário que procura algo mais do que cinema, assistimos ao seu encontro incómodo com outro homem num corredor onde nada se passa mas onde se menciona que o edificio poderá estar cheio de fantasmas.
Simbólicos ou literais ?

Observamos ainda duas velhas estrelas do filme Dragon Inn original (os verdadeiros actores) que agora já idosos assistem á sua juventude perdida no ecran daquele cinema vazio mas em locais separados sem nunca notarem a presença um do outro. Essencialmente , estes e mais um par de outros personagens formam um padrão de figurantes que compõem toda a essência de [“Goodbye Dragon Inn“] e transportam o filme até ao seu final em que se mostra apenas a sala vazia, – (seriam alguns desses espectadores na verdade fantasmas ?)

A empregada e o projeccionista abandonam pela última vez a velha sala de cinema sem se cruzarem (seriam reais?) ao mesmo tempo que deixam para trás um passado que já não voltará e talvez também uma possível relação romântica que já não terá oportunidade de florescer, ao mesmo tempo que toda a emotividade do momento é resumida numa canção tradicional chinesa sobre a saudade e nostálgia.
The End
.

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CLASSIFICAÇÃO:
Hesitei entre dar-lhe apenas trés tigelas de noodles ou quatro, apenas porque é realmente um filme díficil…ok, chato !
No entanto decidi-me pelas quatro tigelas de noodles porque realmente há aqui qualquer coisa de especial e se entrarmos na onda enquanto espectadores quanto mais detalhes descobrimos naqueles planos únicos de 4 minutos, menos secante o filme nos parece.
Por isso e para prevenir logo isto, por agora fica com quatro tigelas embora algo me diga que um dia destes ainda lhe aumento a classificação.
No entanto isto não quer dizer que eu recomende [“Goodbye Dragon Inn“] a toda a gente e muito menos a quem chega agora á procura de cinema oriental “normal”, pois provavelmente se vir isto assim sem qualquer aviso prévio  se calhar não quererá ver mais nada depois.
De qualquer forma, é um filme que merece uma oportunidade.
Se estiverem habituados a cinema de autor provavelmente irão adorar, se não estiverem e quiserem começar por uma coisa mais levezinha dentro do género sempre podem começar pelo “In the Mood For Love” , pelo “Days of Being Wild” ou “2046” antes de experimentarem [“Goodbye Dragon Inn“]. 

Mas não deixem um dia destes de lhe dar uma chance.
É o antídoto perfeito para uma dose dupla do “Transformers” do Michael Bay. Vão por mim.
E sim, [“Goodbye Dragon Inn“], é uma seca descomunal, mas vale quatro tigelas de noodles na boa.
Se é que não vale até mais…

A favor: para além da seca inicial que pode provocar a uma primeira visão tem uma profundidade que na realidade nem precisa de diálogos para nada, a atmosfera assombrada, tem alma e evoca nostálgia, só tem 80 minutos, tem um bom estilo visual, não é um filme pretencioso e apesar de ser “art-house” tem uma identidade modesta e genuína sem pretenções, quanto mais se revê menos secante parece e mais fascinante se torna, será uma história sobrenatural ?
Contra: quem nunca viu cinema de autor é melhor não começar por este, planos fixos de 4 minutos com salas vazias é capaz de ser demais para muita gente, idem para muitas outras sequências de plano fixo ao longo do filme, a atmosfera assombrada ás vezes pode ser algo doentia a fazer lembrar um filme de terror, é uma seca do caraças se não estiverem com predisposição para o que irão encontrar pela frente.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=zHMxMJ6qkOU



Comprar

Só o apanharão em Sellers da Amazon americana

Ou Podem ir buscá-lo aqui.

IMDB
Goodbye Dragon Inn

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