Blood: The Last Vampire (Blood: The Last Vampire) Chris Nahon (2009) Hong-Kong/China, França


Devo confessar que se há uma coisa que eu gosto no cinema comercial moderno é de filmes franceses que tentam parecer-se com produções americanas á força toda. Daqueles que se colam á estética podre de chique gringa ao pior estilo cinema-de-super-herois made-in-hollywood onde tudo parece igual.
Só muda o design dos monstros que na verdade parecem-se todos com o mesmo boneco musculado saído de livros da Marvel onde só se altera a cor do uniforme de capítulo para capítulo.

Por isso eu gosto muito de cinema francês em estilo Hollywood porque falha redondamente em tudo o que pretende fazer para se colar ao estilo americano.
Não sei o que há com estas produções europeias, que apesar de fazerem sempre tudo bem e de seguirem á risca a cartilha pipoca americana a verdade é que eu acho que se espalham todas no resultado final.
Tudo o que é filme francês de acção moderno que se tenta colar ao cinema do outro lado do oceano atlântico acaba sempre por se ficar por um resultado estranhamente hibrido que nem é carne nem é peixe. O mesmo acontece agora com este [“Blood: The Last Vampire“] uma estranha co-produção entre a Europa e Hong-Kong em piloto automático estilo Hollywood.

Mais uma vez temos um filme francês que á força de querer parecer-se com um filme americano acerta ao lado em tudo e na verdade ainda bem que assim é.
Ainda bem porque é essa falta de pontaria constante do moderno cinema-clónico francês que lhe dá imensa identidade e transforma qualquer produção europeia de efeitos especiais e acção á bruta numa coisa mais interessante do que costuma acontecer com as pipocas pré-fabricadas americanas. Talvez porque a europa use moldes diferentes.
Por muito que se tente estragar um filme rasca na europa tentando imitar o plástico americano, pelo menos eu fico sempre com a sensação de que o resultado é sempre bem mais carismático e isso ajuda a salvar da banalidade muita coisa que de outra forma poderia tornar-se absolutamente insuportável.

Há qualquer coisa de bom num mau filme pipoca europeu quando este tenta imitar o cinema de Hollywood e melhor ainda quando além de tentar imitar o cinema americano tenta ao mesmo tempo parecer-se com cinema oriental em estilo Hong-Kong.
Por isso eu gostei bastante de [“Blood: The Last Vampire“].
Estamos na presença de um bom filme de acção totalmente braindead no sentido mais positivo do termo e que mesmo com tanta mistura de estilo consegue ainda assim manter uma atmosfera europeia com um sabor intenso a baguette francesa de que não se consegue livrar apesar da overdose de pirotécnica digital á americana e kung-fu com fios á la Hong Kong.

Além disso, fiquei bastante surpreendido por este titulo ser protagonizado pela minha “Sassy Girl” favorita do cinema oriental que parece ter escolhido este papel para se tentar projectar internacionalmente, que é como quem diz, mostrar que também poderá ser uma boa escolha para filmes mais …americanos.
Quase que custamos a acreditar que esta é a mesma actriz que protagonizou também “Il Mare” num registo que não poderia ser mais oposto.

E por acaso acho que esta miúda foi a escolha perfeita para este papel. Eu não conheço bem o anime original mas do pouco que vi do desenho animado, penso que Jeon Ji-hyun (aqui com o pseudónimo internacional “Gianna Jun”), está fantástica apesar de em muitas alturas sentirmos que não estará muito confortável com os diálogos em inglés.
Sim porque [“Blood: The Last Vampire“] é um filme francês co-produzido com a China a tentar imitar o cinema americano com diálogos tanto em inglés como em japonês protagonizado por uma actriz Sul Coreana… Confusos ? Não se preocupem a coisa resulta.

Muita gente ataca [“Blood: The Last Vampire“] por causa dos seus péssimos efeitos digitais, nomeadamente o sangue em bolinhas 3D Studio em efeitos nada especiais que parecem saidos de um render amador criado para uma introdução de um jogo da Playstation-One. Tudo verdade. É quase mau demais para ser real e damos por nós a pensar como raio é que alguém deitou cá para fora um filme com efeitos tão datados assim e pensou que poderia competir com o que de mais moderno se faz no cinema deste mesmo estilo em Hollywood.
Por mim, que se lixe. Sim, o filme tem efeitos atrozes e até ridiculamente amadores e sim, aquele demónio é mau demais para ser verdade mas desde quando é que maus efeitos especiais fazem um mau filme ?

[“Blood: The Last Vampire“] apesar de todo o emaranhado de influências visuais consegue no entanto ser um produto comercial muito bem executado e com uma realização segura. Penso que o realizador francês conseguiu aqui um trabalho com personalidade e fiquei com a sensação de que só não fez melhor mais por culpa do argumento do que por causa dos péssimos efeitos especiais que tanta gente contesta.

Quanto a mim, [“Blood: The Last Vampire“] tem uma primeira metade totalmente cativante. Sequências de acção divertidas, uma estética de comercial de shampoo que resulta, actores carismáticos e uma atmosfera visual que por momentos faz lembrar Blade Runner em certos aspectos, nomeadamente no ambiente nocturno.
Infelizmente , achei que a segunda metade do filme perdeu toda a piada. Não sei o que se passou mas a partir de certa altura parece que mudaram de argumentista e todo o desenvolvimento deixa de conseguir envolver o espectador. Isto porque a história deixa de ser interessante não apenas por se tornar ainda mais previsível mas principalmente porque tudo culmina num climax que não tem particular entusiasmo ou grande espectacularidade.

No entanto, eu gostei muito da primeira metade do filme. Abre com uma sequência entusiasmante, continua com alguns personagens carismáticos, situações digitalmente sangrentas bem divertidas e a coisa resulta até meio onde de repente se instala alguma monotonia geral até ao final embora os actores bem se esforcem para dar vida a um argumento já em piloto automático no pior dos sentidos.
Não que seja própriamente muito grave, mas a verdade é que achei que este filme merecia ter-se mantido muito divertido até ao fim e na minha opinião isso não acontece como deveria ter sido.

Se há uma coisa que me aborrece de morte no cinema estilo super-herois á americana é a banalidade do típico confronto final com o vilão e achei muito decepcionante que a única vez em que [“Blood: The Last Vampire“]  se parece mesmo com um filme de Hollywood seja precisamente naquela parte em que se calhar deveria ter-se parecido mais com um produto de Hong-Kong pois a sequência final aborreceu-me pela sua previsibilidade e total falta de interesse previligiando mais a pirotécnia digital do que o carisma dos personagens e a criatividade das sequências de acção.

De qualquer forma, [“Blood: The Last Vampire“]  é um produto pipoca divertido e que se recomenda a quem não pedir mais do que ver uma boa aventura com vampiros e uma heroína cheia de personalidade suportada por um bom elenco internacional onde se destaca Liam Cunningham um actor que por vezes parece estar a incoorporar o espírito do ainda bem vivo Jean Reno na construção do seu personagem de agente da CIA que estará algures entre o “Leon” e o “Enzo” presentes nos fabulosos filmes de Luc Besson.
Só é pena que acabe por ser desprediçado dentro do próprio argumento.

Muitos fãs do anime, não gostaram da personagem teenager americana que pelo visto foi inserida a martelo nesta versão da história porque acusam-na de existir apenas para agradar ao mercado americano. Pessoalmente eu gostei da rapariga. Acho que tem um personagem dinâmico e que conduz bem o filme por entre as sequências protagonizadas por Jeon Ji-hyun e ajuda até a actriz principal a brilhar pois evita que nos concentremos demasiado no inglés limitado da actriz Sul Coreana que apesar de conseguir fazer um excelente trabalho nesta sua estreia “internacional” esteve sempre um bocadinho limitada pela lingua inglesa para poder ir mais longe e conseguir carregar sózinha o protagonismo de um filme assim.

Por isso, resumindo, eu curti.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um estranho hibrido entre filme comercial americano, cinema francês e estilo Hong-Kong que só não resulta totalmente porque o argumento perde-se na banalidade a partir da segunda metade do filme e tenta depender demasiado de maus efeitos especiais para o climax da história quando esta pedia mais atenção aos personagens talvez.
De qualquer forma é um produto pipoca muito divertido, com uma primeira parte dinâmica e cheia de personalidade, uma actriz Sul Coreana que parece não conseguir ser má até quando tem limitações de idioma contra ela.
Não é um filme pipoca brilhante, mas recomenda-se bastante.
Trés tigelas e meia de noodles sem problemas mas com muita pena minha pois [“Blood: The Last Vampire“] merecia ter sido bem melhor e a culpa disso nao ter acontecido não é dos maus efeitos especiais como muita gente parece achar, mas sim de um argumento que poderia ter sido bem mais imaginativo.

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A favor: o elenco é excelente com destaque para a protagonista Sul Coreana que dá tudo para conseguir fazer um bom trabalho num idioma que lhe é claramente dificil de dominar, a primeira metade do filme tem pinta e uma atmosfera visual excelente, a realização faz milagres em conseguir manter todas as diversas influências coerentes ao longo do filme, contém algumas cenas de acção estilo Hong-Kong divertidas.
Contra: a segunda metade do filme parece apagada, o climax do filme depende demasiado dos maus efeitos especiais digitais que percorrem toda a história, os vilões não têm carisma nenhum e em nenhum momento causam qualquer tensão na história por tudo ser tão banalmente previsivel e vazio na sua própria caracterização.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Fk2L8Mgxd5Q

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Download com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0806027

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

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The Warrior’s Way (The Warrior’s Way) Sngmoo Lee (2010) Coreia do Sul / Nova Zelândia


O que raio estão Geoffrey Rush e Kate Bosworth a fazer num filme Sul Coreano de cábois com ninjas  filmado na Nova Zelândia ?!!!
De vez em quando aparecem-me pela frente filmes que me fazem ficar absolutamente frustrado por nunca ter tido oportunidade de os ver antes numa sala de cinema e [“The Warrior´s Way“] é o mais recente exemplo disto pois é simplesmente espectacular em todos os sentidos e não estava nada á espera de encontrar algo assim.

Mais uma vez se demonstra que no que toca a filmes pipoca, está mais que na altura de Hollywood colocar os olhos no outro lado do mundo para aprender como se fazem produtos realmente divertidos e carismáticos sem orçamentos gigantes e onde mesmo pelo meio de tanta artificialidade visual com efeitos especiais aos quilos conseguem criar-se histórias com alma e cheias de identidade.

[“The Warrior´s Way“] surpreendentemente foi um dos filmes de aventuras mais divertidos, cativantes e até originais que vi em muito tempo (pelo menos desde “Humanities End” no ano passado) e um dos melhores produtos pipoca que vi este ano; senão talvez o melhor.
Essencialmente estamos na presença de algo que a pertencer a um género será ao Anime (em imagem real), pois [“The Warrior´s Way“] é essencialmente um Western com Ninjas, artes marciais em ambiente steampunk e filmado em modo gráfico ao melhor estilo cinema-photoshop , que embora  usado anteriormente noutros filmes orientais muito antes de Hollywood o ter ido buscar, foi apenas popularizado no ocidente por causa do “300” de Zack Snyder.

Na verdade, estéticamente esta produção com cowboys e ninjas estranhamente é bem mais parecida com o francês “Vidocq” do que até com “300”, por isso se viram esse relativamente obscuro filme com Gerard Depardieu (que até estreou em Portugal no cinema) e gostaram dele quase que aposto que vão adorar [“The Warrior´s Way“].
Não sei quem é que resolveu cozinhar este conceito para um Western com Ninjas, mas o facto disto ainda por cima ser uma co-produção Sul Coreana e Neo Zelandesa, torna [“The Warrior´s Way“] logo em algo completamente inesperado e aposto que essa mistura de culturas não é alheia ao carísma único que sobressai deste pequeno grande filme de aventuras cheio de pormenores divertidos, muita acção e atmosfera extraordinária.

Como alguém disse numa review algures na net, [“The Warrior´s Way“] é um daqueles filmes, cheios de momentos “YES!”. Quero isto dizer que é uma daquelas aventuras cinematográficas em que por mais de uma vez nos apetece saltar do sofá em estilo Ninja também pois cria uma empatia extraordinária com o espectador que entra no espírito da coisa e não tem grandes preconceitos com o estilo extremamente digital que é usado para criar todo o visual da história.

Aliás, [“The Warrior´s Way“] é outro daqueles produtos que demonstra bastante bem que o excesso de efeitos especiais ou de artificialidade não tem que obrigatóriamente destruir um filme; ao contrário do que estamos habituados a encontrar na forma como o cinema americano lida com as novas técnologias onde cada pipoca cinematográfica é mais vazia do que a anterior.
Aqui temos um excelente exemplo de que o -Cinema- enquanto arte,  não precisa de estar ausente dos filmes pipoca e podem haver excelentes produtos ultra comerciais que não só equilibram as novas tecnologias com as formas mais tradicionais de narrar um argumento, como essencialmente poderão criar produtos cinematográficos com tanta qualidade quanto o dito cinema tradicional sempre foi capaz de fazer antes da chegada do digital.

Se a vocês a simples menção ao cinema digital os fizer querer desde já deixar este filme de lado, não o façam antes de o espreitar. Particularmente se gostarem de cinema de aventura.
Não se preocupem porque apesar de overdose de efeitos especiais e carradas de estilo artificial presentes em [“The Warrior´s Way“] , isto tem mais alma e identidade em cinco minutos do que os trés novos Star Wars juntos conseguiram em mais de dez horas de design gráfico sem personalidade.

Isto porque [“The Warrior´s Way“]  pode ser uma demonstração gigante de pirotecnia digital, mas não depende da técnica para nos cativar. Sabe antes, construir bons personagens que dá gosto acompanhar do principio ao fim e onde ao melhor estilo Sul Coreano ainda há espaço para um twist ou dois que cativa o espectador ainda mais.
Não esperem grandes surpresas no argumento, mas podem contar com um pormenor ou dois que os irá surpreender certamente.

Acho que não há um personagem nesta história que não seja interessante. Tudo é tão bem pensado a nível de protagonistas que até os secundários e inclusivamente os figurantes são fascinantes e têm o seu momento para brilhar no meio de tudo o que acontece na narrativa.
Isto acontece porque [“The Warrior´s Way“]  parte logo de uma boa base. Soube construir um universo á parte e fê-lo tão bem que depois foi simples colocar nesse mundo qualquer personagem porque seria quase impossível que este não resultasse bem.
Até o facto de isto ser um Western com Ninjas em estilo cinema de aventuras clássico, nos parece a coisa mais natural do mundo logo a partir dos primeiros minutos mal o heroi chega á velha cidade cheia de cowboys feios porcos e maus.

O ambiente deste mundo digital por vezes parece saído de uma canção de Tom Waits e se forem fãs do cantor/compositor vão perceber o que quer dizer mal vejam o filme e olharem para os personagens que envolvem o circo e o parque de diversões localizado atrás da cidade. Nem vale a pena dizer mais nada sobre isto porque quem gostar de Tom Waits, vai logo perceber a referência que estou aqui a tentar fazer.

Por outro lado –freaks– de todo o género é coisa que não falta em [“The Warrior´s Way“]. Desde os ninjas orientais ao fantástico Coronel, passando pelo inevitável pistoleiro aposentado e á miúda gira da cidade que perdeu toda a familia anos atrás, a galeria de personagens é não só totalmente cativante quanto são os desempenhos dos actores que as habitam.

Geoffrey Rush está totalmente fantástico (e irreconhecível) no papel do bêbado da cidade que foi outrora um grande pistoleiro e Kate Bosworth é totalmente cativante num personagem semelhante ao de Keira Knightley em “Os Piratas das Caraíbas” mas que resulta bem melhor aqui no contexto desta história bem mais simples.

O resto do elenco é perfeito, desde o heroi do filme que nos cativa logo de início, passando pelo  fabuloso vilão -Coronel- que consegue criar tanto bons momentos de humor quanto de tensão e suspanse, até aos restantes habitantes da cidade, toda a gente tem aqui um desempenho cheio de energia que passa para o espectador a todo o instante e torna esta aventura por demais entusiasmante á medida que o filme avança para a sua conclusão.

Ah, [“The Warrior´s Way“], além de ser um western com ninjas é ainda um filme com bébés.
E esqueçam os habituais personagens de bébés fofinhos irritantes que habitualmente conseguem tornar pastosos muitos argumentos com potencial. Muitas das melhores cenas deste filme envolvem o bébé da história que está practicamente presente em todos os gags por vezes hilariantes e não raras vezes cheios de suspanse também que irão encontrar em muitos momentos desta aventura onde só faltam mesmo é indios.

Até a história de amor nos cativa. Talvez fruto da sensibilidade de um realizador Sul Coreano, pois não esquecer que apesar de tudo isto ainda é um filme oriental…apesar de ás vezes nos esquecermos disso por ser essencialmente falado em inglés.
Não esperem um grande romance, mas podem contar com a habitual sensibilidade presente nas love-stories sul-coreanas desta vez aplicada a um ambiente bem diferente mas que funciona perfeitamente para intercalar entre os momentos de acção ou as partes mais humorísticas

Visualmente o filme tem momentos fabulosos.
O digital aqui é usado de forma perfeita para criar um universo á parte da melhor maneira e nunca parece excessivo.
A artificialidade do filme poderá não agradar a quem já decidiu que odeia filmes digitais, mas podem ter a certeza que desta vez todos os “excessos” visuais estão lá para tornar [“The Warrior´s Way“] numa espécie de livro ilustrado e não apenas para serem exibidos á parva.

Os ambientes e as paisagens desta história são uma das grandes razões porque este universo funciona tão bem e se torna bem mais credível do que poderiamos esperar num conceito tão maluco quanto este de ninjas, cowboys e bébés.
Nota máxima para o digital na minha opinião portanto, pois este filme não seria o mesmo sem ele.
É quase um personagem tão importante quanto os de carne e osso.

E por falar em carne e osso, as cenas de acção são totalmente entusiasmantes e espectaculares. As coreografias são criativas, há sangue quanto baste e nem a estética Anime as torna menos cativantes.
Além disso são muito variadas, há espadas por todo o lado, punhais, tiros de pistola, tiros de metralhadora, murros, pontapés nas trombas, dinamites e bébés pelo ar. Brilhante.
Nem o uso algo excessivo do – slow motion- em alguns momentos estragam aquilo que [“The Warrior´s Way“] consegue apresentar e quanto a mim como filme de acção é simplesmente fabuloso e bem mais original na forma do que aparenta á primeira vista.

Resumindo, se procuram um Western oriental, [“The Warrior´s Way“] é tudo aquilo que sempre quiseram ver num filme assim mas nunca encontraram em “Sukyiaki Western Django” ou sequer em “The Good The Bad The Weird” pois acerta em tudo aquilo em que os outros titulos falharam.
Acima de tudo é realmente divertido ao mesmo tempo que não se esquece também de homenagear alguns dos clássicos do western em pequenos pormenores ao longo da história para depois subverter tudo quando mete, bébés, ninjas e … palhaços pelo meio…

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CLASSIFICAÇÃO:

Portanto, com grande surpresa minha leva mesmo a classificação máxima pois adorei este filme e não estava nada  á espera disto.
Não há muito mais que eu possa dizer, é original, é bem mais coerente enquanto filme do que aparenta á primeira vista e é completamente divertido. Possivelmente o melhor filme pipoca que vi este ano.
Eu por mim vou comprar isto para o Natal pois este é um daqueles que não quero de todo apenas ter em cópia sacada da net.
Cinco tigelas de noodles e um golden award porque é brilhante na sua simplicidade e um filme que ainda irei rever muitas vezes sem dúvida nenhuma.

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A favor: a originalidade da estrutura da história e o conceito maluco com ninjas e cowboys que resulta plenamente, a realização é excelente e usa como ninguém a estética Anime em imagem real para criar um produto totalmente cativante, visualmente é fabuloso, personagens cativantes, Geoffrey Rush no seu melhor num papel feito á medida, as cenas com o bébé são hilariantes por vezes, excelente vilão, consegue ter suspanse na previsibilidade, não se leva a sério, fantásticas cenas de acção com muita variedade e criatividade, excelente uso do digital que nunca se sobrepõe á história, é um filme plástico com muita alma e personalidade, tem uma boa história de amor apesar de simples e já vista mil vezes.

Contra: tem dois minutos a mais no fim, pois aquele epílogo era perfeitamente dispensável e quebra o tom emocional do final da história só para voltar a meter um estilo Anime que desta vez destoa negativamente por parecer forçado e realmente artificial ao contrário do que aconteceu ao longo do resto do filme onde tuda a narrativa permaneceu totalmente orgânica. Não há ainda uma sequela ?…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=fSVpW-Lw_i8

Comprar
Está á venda bem baratinho na Amazon.uk por isso é aproveitar em DVD ou em Blu-ray.

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1032751

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Se gostou deste poderá gostar de :

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The Forbidden Kingdom (The Forbidden Kingdom) Rob Minkoff (2008) EUA/Italia/China


Quando eu me preparava para cascar forte e feio  neste título eis que sou obrigado a engolir as minhas ideias pré-concebidas pois não contava nada com isto.
Depois do deboche que foi o post anterior, falemos então de [“The Forbidden Kingdom“], um filminho de artes marciais americano para toda a família…produzido por uma italiana (Rafaela De Laurentis) e rodado com uma equipa internacional cheia de chineses. Na china.

Quando vi pela primeira vez o trailer disto, na altura em que o filme saiu, fiquei plenamente convencido de que iria ser um filme de que nunca iria falar aqui no blog. Primeiro porque era um produto directamente ligado a Hollywood, depois o heroi era o típico puto americano e portanto não me parecia um bom candidato para ser comentado num blog como este.

Além disso o trailer parecia-me um vazio e nem o facto desta história contar com Jet Li contracenando com Jackie Chan me deu grande motivo para espreitar aquilo que essencialmente mais me parecia um hibrido falhado entre o melhor do cinema oriental e aquilo que os americanos achariam que o cinema oriental supostamente deveria ser.
Ou seja, porrada de karaté com gajos de olhos em bico e um heroi americano para salvar a China.

Ao longo do tempo, comecei a notar que muitos blogs e sites sobre cinema oriental acabavam sempre por falar deste filme mas para dizer a verdade acho que nunca li uma review sequer e como tal continuei a ignorar [“The Forbidden Kingdom“] até há dois dias atrás.
Descobri este dvd em promoção no Hipermercado Jumbo aqui em Portugal apenas a 1.99€ a edição de 2 discos e não resisti. Era agora ou nunca.
Como tinha comprado o dvd, lá tinha então que ver o filme, mas parti para ele plenamente convencido de que iria ver um pedaço de plástico do piorio.
Enganei-me.

Quer dizer, mais ou menos.
É um pedaço de plástico mas … não é que o raio do filme é surpreendentemente uma pequena grande aventura de fantasia muito divertida ?!! Desta não estava á espera.
Para começar não estava á espera que tivesse um ambiente visual tão fantástico e detalhado.
No que toca ao aproveitamento de paisagens naturais [“The Forbidden Kingdom“] está de parabéns. Esta aventura soube mesmo criar uma atmosfera de mundo de fantasia muito para além daquilo com que eu estava a contar.
Ou seja, mesmo quando as paisagens são aumentadas por CGIs, tudo tem um visual fascinante, muito imaginativo e cheio de ambiente, o que começou logo por ser um ponto extremamente positivo num filme que não pedia mais do que ser uma colecção de cenas de porrada chinesa filmada por um americano.

A verdade é que [“The Forbidden Kingdom“] conta com um universo realmente muito bem concebido que nos faz mergulhar numa china antiga de fantasia quase como se fosse uma espécie de Terra Média oriental (inclusivamente a expressão é usada no filme para descrever a geografia desse mundo).

Adorei e fiquei logo plenamente cativado por todo o visual daquele universo imaginário. Este filme contém algumas das melhores e bonitas paisagens criadas para um mundo de fantasia cinematográfico que alguma vez vi num produto americano e nota-se que houve mesmo muito cuidado na criação de toda a geografia imaginária de modo a dar ao espectador um bom palco para todas as cenas de kung-fu. Gostei.
[“The Forbidden Kingdom“] visualmente é uma espécie de cruzamento entre “The Promise” e “The Restless” com um certo sabor a “The Neverending Story” oriental, embora sem qualquer criatura fofinha pelo meio.

Como eu não esperava um titulo violento ou minimamente realístico a nível de cenas de guerra e batalhas, o facto do filme ser totalmente limpinho no que toca a cenas de sangue e tripas pelos ares comuns nos épicos medievais orientais, também não me chateou muit0 que [“The Forbidden Kingdom“] fosse essencialmente uma aventura para toda a família no mais básico estilo americano.
Isto porque o filme pode ser um título quase para crianças, mas tem o mérito de não alienar o público adulto que goste do género de fantasia e aprecie particularmente filmes orientais com muito kung-fu á mistura.

[“The Forbidden Kingdom“] tem tudo para agradar ao público mais jovem, mas por outro lado está carregado de referências visuais para fazer com que o pessoal que já conhece bem outros titulos do género oriental possa olhar para esta aventura americana como uma espécie de caça ao tesouro.
Nota-se que quem criou este produto hibrido entre várias culturas e estilos de cinema conhece bem o que foi produzido no cinema clássico oriental do género no passado e resolveu polvilhar todo o argumento por demais simples a uma primeira vista com dezenas de pequenos pormenores que homenageiam tudo desde á série “Monkey”, aos filmes com o “Drunken Master” e até ao próprio cinema de Tsuy Hark.

Portanto, se vocês gostarem muito de filmes de kung-fu e conhecerem bem os titulos clássicos vão conseguir curtir muito mais [“The Forbidden Kingdom“] do que qualquer outra pessoa que não consome cinema do oriente, pois este filme está cheio de sequências que não são mais do que homenagens aos produtos originais. E resulta.
Por isso nota positiva também para o facto do argumento parecer muito básico, mas na verdade conter mais substância do que aparenta.

Ok, tem um heroi adolescente americano que não serve para nada.
Podia ter-se feito este filme sem recorrer a qualquer referência americana que este resultaria na mesma, mas afinal há que vender isto ao público ocidental e claro que não bastaria contar com Jet Li e Jackie Chan para fazer o filme render nas bilheteiras americanizadas do mundo inteiro. Tinha que haver um heroi americano teenager.

Surpreendentemente, apesar do personagem ser perfeitamente dispensável nisto tudo, a verdade é que temos em [“The Forbidden Kingdom“] um bom personagem adolescente que contrariamente ao que eu esperaria não é de todo um daqueles adolescentes saídos de uma boys-band para vender posters ás meninas que costumam polvilhar este tipo de filmes mais infantís.

Na verdade o heroi teen deste filme até é um tipo simpático e que podia ser perfeitamente uma pessoa comum. Até aqui nota-se um cuidado da produção para criar um personagem central que se integrasse na narrativa e não recorreram apenas a uma estrela com carinha laroca para fazer suspirar o público teenager. Obviamente que é um bocado estéreotipado, mas está definido dentro das próprias regras deste tipo de história e consegue realmente o feito de ser um adolescente num filme americano que não dá cabo dos nervos ás audiências adultas que já não podem mais com High School Musicals.

De resto não há muito mais para dizer, além de que muita gente parece ter ficado algo decepcionada porque o primeiro encontro cinematográfico de duas lendas como Jet Li e Jackie Chan tenha ocorrido num filme tão pouco violento e tão ligeiro, mas a mim não me chateou minimamente. Embora verdade seja dita me pareça (até pelo making of) que ambos entraram nisto mais pelo cheque do que por qualquer outra razão.

Penso que tanto Jet Li, como Jackie Chan cumprem perfeitamente, as suas sequências de luta são muito criativas visualmente, divertidissimas de acompanhar e ambos os personagens têm carísma suficiente para conseguirem uma boa química no ecran quando ambos estão presentes e acho que ambos equilibram muito bem o filme ao redor do personagem teen principal.
Ah, e a miúda é fofinha quanto baste também.

Uma nota positiva para o realizador. Sinceramente não estava nada á espera que um filme americano conseguisse captar aquela magia de um produto oriental no que toca a este género de cinema de kung-fu mas penso que o realizador está de parabéns.
Além de dotar [“The Forbidden Kingdom“] de uma identidade própria, conseguiu equilibrar muito bem aquilo que os americanos supostamente devem achar que deverá ser um filme de kung-fu com o melhor daquilo que realmente é um bom filme de kung-fu. Mesmo kung-fu para crianças.

Os personagens nunca andam perdidos, o filme tem um ritmo excelente e montes de atmosfera e  nem o facto dos vilões serem totalmente de cartão impede que o produto final seja uma aventura de fantasia muito divertida que consegue demonstrar o que pode haver de melhor no cinema pipoca americano e oriental sem ter que sacrificar nenhuma das suas características.
[“The Forbidden Kingdom“] é assim uma espécie de aventura totalmente série-B, mas filmada com muito dinheiro.

O facto de tudo ter sido filmado na China, também ajudou imenso e já agora recomendo vivamente que espreitem os pequenos documentários de making of se comprarem a edição de dois discos que eu tenho. O segundo disco com extras não tem mais de meia hora , mas contém um par de pormenores de bastidores que vão gostar de conhecer, dos quais destaco a fantástica cidade cenário que existe na china e que os vai deixar fascinados.

A propósito, se tiverem uma sensação de dejá-vu ao verem [“The Forbidden Kingdom“] no que toca a cenários…é porque  já viram muitos deles em filmes como “Curse of the Golden Flower” por exemplo. Apenas agora neste filme estão decorados de forma ligeiramente diferente o que permitiu á produção fazer com que esta aventura de fantasia pareça ter custado mais a produzir do que na realidade custou em orçamento. Muitas das coisas já existiam construidas na china para outros filmes e por isso também vão curtir prestar atenção aos cenários e tentar lembrarem-se onde é que já os viram antes.

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CLASSIFICAÇÃO:

É um filme básico, é pipoca total, não tem nada que os impressione na história e o suspanse dramático é totalmente inexistente, mas lá que é uma pequena grande aventura de fantasia isso é. Acima de tudo é um filme simpático e muito divertido para quem decidir entrar no espírito da coisa. Bem melhor do que aparentava ser no trailer e totalmente recomendável a quem procura um bom filme de familia dentro do género de fantasia passado num mundo imaginário visualmente fantástico e cheio de identidade.
Ainda pensei dar-lhe apenas trés tigelas de noodles, mas a verdade é que estaria a ser injusto se não lhe atribuisse mais uma e portanto fica com quatro. É um filme simples mas como cinema puramente pipoca é muito bom mesmo.
Não peçam muito dele e vão gostar. Especialmente se comprarem o dvd edição dupla a 1.99€ como eu comprei nos Hipermercados Jumbo em promoção especial.

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A favor: cenários e ambientes de fantasia muito atmosféricos e visualmente criativos, personagens simpáticos e com carísma no ecran, espectaculares coreografias de acção criativas quanto baste, é uma aventura de fantasia muito divertida embora banal, está carregado de referências a filmes clássicos orientais, é um bom filme pipoca “oriental” surpreendentemente bem realizado por um americano.
Contra: não tem qualquer suspanse seja a que nível for, não tem um pingo de originalidade, os vilões são totalmente de cartão.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=e66Og0lOCcE

Comprar
DVD – http://www.amazon.co.uk/Forbidden-Kingdom-DVD-Jackie-Chan/dp/B001EY5VJQ/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1314827804&sr=8-1
BluRay – http://www.amazon.co.uk/The-Forbidden-Kingdom-Blu-ray/dp/B001D07Q2Q/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1314827804&sr=8-2
Se estiverem em Portugal devem encontrar o dvd duplo á venda nos Hipermercados Jumbo por 1.99€ (neste mês de Agosto de 2011).

Download aqui com legendas me PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0865556/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Myth The Promise

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Chi bi/Chi bi xia: Jue zhan tian xia (Red Cliff / Red Cliff 2 – Versão Integral Original com 300 minutos) John Woo (2008/2009) China


Comecei a ver [“Red Cliff“] no início de Janeiro e curiosamente embora tenha gostado do primeiro dvd, quando o primeiro  filme acabou não fiquei com vontade nenhuma de continuar a acompanhar esta saga apesar de ter deixado a história a meio e como tal só me decidi a ver o segundo disco ontem quase seis meses depois porque achei que estava na altura de falar sobre este título tão popular por aqui.
Se este blog não existisse é bem provável que não visse o resto do filme tão cedo o que não deixa de ser estranho até para mim que não costumo deixar coisas destas a meio.

Portanto, como já imaginam [“Red Cliff“] não me impressionou por aí além.
No entanto percebo porque tem tanto hype á sua volta, pois além de ser o regresso de John Woo á China visualmente é na verdade extraordináriamente apelativo e na minha opinião é precisamente o aspecto visual que cria aquela ilusão de que esta saga será a tal obra prima que muitos gostariam que fosse mas que não é de forma alguma.

Talvez John Woo tenha apanhado alguns maus hábitos por ter passado 16 anos a fazer filmes nos Estados Unidos pois [“Red Cliff“] é um claro exemplo de uma super-produção onde o estilo se sobrepõe e muito á substância. Neste caso, se calhar em vez do estilo poderemos até dizer que a opulência se sobrepõe á substância, pois garanto-vos que vão ficar impressionados com a escala visual deste épico sobre estratégia de guerra.

Por outro lado, épicos históricos saídos da China é coisa que não falta no mercado e cenas de batalha com milhares de figurantes já todos nós vimos muitas também e como tal nem nisso [“Red Cliff“]  difere muito do que é costume, nem na verdade acrescenta o que quer que seja de novo. Pelo contrário até.
No entanto, [“Red Cliff“]  é fantástico a criar a ilusão de que tudo é espantosamente  épico e apesar de se notar que falta ali qualquer coisa a todo o instante, o espectador consegue acompanhar com interesse toda a história precisamente porque visual não lhe falta.

Ficamos  essencialmente hipnotizados pelo estilo gráfico deste filme que é absolutamente fantástico embora em muitas alturas pareça bastante plástico o que contradiz um pouco aquela ideia de reconstituição histórica que pretende ser pois os seus ambientes são tão gráficos e artificiais que perdem muito da naturalidade que costumamos encontrar nos ambientes da maior parte dos épicos históricos orientais.
[“Red Cliff“]  é uma saga militar grandiosa mas sente-se constantemente o lado cinematográfico presente, naquele sentido em que apesar da opulência não se livra daquele sabor a cenário para cinema.

Ao contrário do que costuma acontecer-me com estes filmes, [“Red Cliff“]  não me transportou minimamente para dentro do seu universo e nunca por um momento me fez esquecer que estava a ver um filme, pois enquanto espectador sempre me senti totalmente distanciado do que estava a acontecer no ecran e isso para mim é o pior que me pode acontecer quando estou a ver uma história deste estilo.
Por mais que uma vez, dei por mim a olhar para o relógio do leitor para ver se ainda faltava muito para aquilo acabar e não foi por desejar que [“Red Cliff“]  durasse mais uns minutos. Isto aconteceu-me tanto na primeira parte como na segunda.

Como alguém também já referiu algures numa review,  [“Red Cliff“] não consegue criar qualquer empatia entre os espectadores e os personagens, pois pouco nos importamos com o seu destino, salvo uma ou duas excepções.
São muitos e variados mas na verdade podem morrer todos que pouco importa e por isso há aqui qualquer coisa que falha. Nota-se uma excessiva tentativa de caracterização nuns (o que alonga o filme em cenas inconsequentes que muitas vezes parecem desnecessárias), enquanto outros que até são importantes para a carga dramática da história pouco tempo têm de ecran e são apenas usados como peões nas extraordinárias coreografias de movimentação de exército para que o espectador possa saber quem é quem.

Nota-se uma tentativa de humanizar alguns deles através do recurso ao drama romântico pelo meio da história, mas as histórias de amor também não têm qualquer interesse ou atmosfera. Uma perde-se totalmente pelo meio de tanta estratégia militar e outra perde demasiado tempo a ser totalmente previsivel sem conseguir construir uma base emocional que a fizesse resultar no inevitavel desfecho e como tal pouco nos importa quando este acontece.

[“Red Cliff“]  também não se define bem enquanto género. Não é de forma nenhuma um filme de aventuras ou de acção medieval apesar das suas inúmeras sequências porque essas cenas apenas complementam as intrigas palacianas do costume e as sequências de estratégia militar. Por isso não esperem encontrar em [“Red Cliff“]  um blockbuster com um ritmo definido ou um espírito de aventura e preparem-se para intermináveis minutos onde se conta essencialmente uma história sobre estratégia política e militar que á força de não ter própriamente personagens cativantes se torna algo aborrecida e até demasiado técnica em certos aspectos.
Por outro lado quem gostar muito de estratégia militar, tem aqui em [“Red Cliff“]  provavelmente o melhor filme de todos os tempos, pois toda a sua acção gira á volta de tácticas de movimentação de exércitos, intrigas políticas, alianças e traições.

O que me leva a outra coisa que me desapontou e muito. Esperava muito mais de [“Red Cliff“]  nas cenas de acção tendo em conta que isto é um filme de John Woo. Não que estas não sejam espectaculares, mas não vão encontrar nada que já não tenham visto noutros filmes antes e como tal não vão encontrar aqui cenas de acção que os deixem completamente fascinados pela inovação.
Todas as batalhas são fantásticas, mas falta-lhes alguma identidade pois a sua espectacularidade vem mais do estilo gráfico do filme e da quantidade estúpida de figurantes no ecran do que própriamente nos cativam por nos preocuparmos com o rumo da história ou com os personagens que estão envolvidos nas lutas.

Até porque grande parte das vezes as batalhas são travadas pelos figurantes enquanto os personagens principais ficam sentados a controlar as estratégias á distância num épico jogo de xadrez humano. Isto salvo excepções claro mas não consegui evitar sentir um total distanciamento das cenas de acção de [“Red Cliff“], o que muito me surpreendeu , pois estava preparado para me divertir totalmente com as batalhas épicas destes filmes e tal não aconteceu de forma alguma ao nível que eu esperava e que já encontrei antes em filmes como “The Warlords” por exemplo, onde a escala e a produção poderá ser menor mas a eficácia cinematográfica é bem superior porque conseguiu criar uma ilusão de realísmo que John Woo não conseguiu reproduzir de todo.

Notei uma gritante falta de sangue nestas batalhas. Em muitos momentos parecia que estava a ver um filme americano. Batalhas gigantes, montes de gente á espadeirada mas muito poucos salpicos e cabeças cortadas.
Isto depois de já ter visto tanta batalha extraordináriamente realística ultimamente em épicos de menor escala faz com que [“Red Cliff“]  ainda pareça ser uma produção mais plástica e desinteressante do que merecia ter sido.
Não quero dizer com isto no entanto, que as cenas de acção sejam chatas, não são; apenas a fama do filme faz com entremos nele á espera de uma coisa e depois não surpreende de todo e salvo raras excepções nem notamos que isto será um filme de John Woo pois falta-lhe alguma identidade.

Com tudo isto, pode parecer que detestei este filme e na verdade isso não é assim. [“Red Cliff“]  tem alguns momentos fantásticos. Por exemplo, todas as ideias para estratégias de batalha são absolutamente geniais e quanto a mim , o plano para os herois conseguirem arranjar flechas extra para os exércitos é dos momentos mais divertidos e brilhantes da história que marca definitivamente o que há de melhor nesta saga.
O primeiro filme também tem uma cena de batalha fabulosa com outra táctica de movimentação de exércitos incrível e que os irá surpreender. Curiosamente será talvez a melhor batalha do filme todo e surpreendeu-me não terem guardado este momento para o final da história pois todas essas cenas de guerra no primeiro [“Red Cliff“]  são bem mais entusiasmantes que o plástico ataque final que supostamente deveria ser o climax do filme e no entanto sabe a pouco.
Tal como os mais de 300 minutos de duração que a versão integral contém apesar de terem muita coisa positiva.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Red Cliff“] mesmo não sendo aquele acontecimento cinematográfico que tanta gente gostaria que fosse, é no entanto um bom filme sobre estratégia militar e intriga politica e palaciana que apesar do seu argumento algo disperso ainda contém um par de boas surpresas no que toca á parte de espionagem entre exércitos que os irá divertir.
Será talvez vitima do próprio peso de mostrar que é um épico histórico gigantesco e como tal a megalómania dos cenários e dos efeitos gráficos sobrepõe-se ao divertimento, o que é pena.
De qualquer forma, quatro tigelas de noodles porque é bastante bom mesmo e irá agradar muito a quem gosta de coisas sobre estratégia militar.

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A favor: visualmente é sumptuoso e com uma escala épica incrível a nível de produção, está cheio de paisagens fabulosas, a batalha do primeiro disco é fantástica e muito criativa, as cenas de espionagem são divertidas e com bastante humor o que foi algo inesperado de encontrar num filme tão sério sobre alianças e estratégias militares, uma das love-stories quase resulta e é divertida de seguir, contém um par de sequências de acção individuais muito boas mesmo, a cena do roubo das flechas no segundo disco é absolutamente clássica e muito engraçada, um elenco fabuloso que se esforça por dar vida a personagens que não cativam particularmente.
Contra: esforça-se demasiado para nos fazer notar que é um épico a todo o instante e com isso torna-se muito artificial, tem cenas longas e desnecessárias que repetem informação que já se sabe, não cria qualquer empatia com os personagens salvo uma ou duas excepções, muita acção mas não se percebe bem que tipo de filme estamos a ver, falta-lhe sangue, a batalha final não tem nada de surpreendente, nota-se o CGI e isso retira-nos automáticamente do ambiente do filme nos raros momentos em que quase conseguimos abstrair-nos de que estamos a ver um filme.

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=GPF6jaaBW7M&feature=related

Comprar Blu-Ray bem baratinho na Amazon Uk- Contém os dois filmes
http://www.amazon.co.uk/Cliff-Special-Blu-ray-Tony-Leung/dp/B002GDM2S2/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1306617909&sr=8-1

Download Red Cliff com legendas em PT/Br
Download Red Cliff 2 com legendas em PT/Br

IMDB – Red Cliff
http://www.imdb.com/title/tt0425637/
IMDB – Red Cliff 2
http://www.imdb.com/title/tt1326972/

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Xin shu shan jian ke (Zu Warriors from the Magic Mountain) Hark Tsui (1983) China


Eu devo ser masoquista porque por qualquer motivo não páro de tentar ver filmes do Tsuy-Hark.
O facto deste realizador ser tão considerado por todo o lado, especialmente no ocidente como sendo um daqueles génios orientais do cinema ultrapassa-me por completo e por isso acho que continuo na minha quest pessoal para tentar encontrar uma obra dele que me provoque algo mais do que sono, só porque não compreendo de todo tanta consideração pelos seus filmes.

Já tinha comprado este dvd há mais de quatro anos atrás num daqueles cestos de promoção em supermercados com filmes rascas por 2€ apenas mas como depois notei que o realizador era Tsuy-Hark fui deixando o filme na minha prateleira até hoje. Isto porque na altura já tinha visto tantos outros filmes dele que me aborreceram de morte que não me apetecia nada espreitar o dvd.
Aliás isto ainda me acontece com o “Era Uma Vez na China” também. Já o comprei há anos e continua á espera de ser visto pelos mesmos motivos, porque ainda acho que estou a tentar acordar de filmes como “Seven Swords” de que ainda não falei aqui, porque sinceramente nem sei o que dizer.

Portanto, agora com [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] a coisa custou, mas foi. Já vi o dvd.
Estava farto de ler por todo o lado o quanto este filme é uma qualquer obra prima do cinema de fantasia, particularmente do cinema feito na China e portanto a curiosidade levou a melhor.
Além disso como já tinha visto (e comprado para desgraça minha) o seu remake moderno (também realizado por Tsuy-Hark), o indescritívelmente plástico “Zu Warriors” de que já falei por aqui no blog, estava na hora de espreitar a verão original e maravilhar-me então com este suposto grande clássico do cinema.

E por acaso, não está nada mal não senhor.
Parece que Tsuy-Hark quase que acertou num filme.
Embora esta produção de 1983 contenha já o catálogo de tudo o que nunca resulta no seu cinema, (história vazia, personagens sem interesse, montagem completamente errática, acção, acção,acção e efeitos do piorio) a verdade é que [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] tem um certo charme por ser uma produção tão ingénua mas claramente feita com grande dedicação na altura. E é essa alma e dedicação que se nota no filme e transparece para o espectador, pois tudo é tão inacreditávelmente artesanal que isto mais parece um filme amador com uma grande produção mas sem meios técnicos absolutamente nenhuns.

Sofre do habitual problema dos filmes de Tsuy-Hark; acção, acção,acção,acção e mais acção, acção,acção tudo alinhavado numa montagem que mais parece não sê-lo pois todas as cenas parecem estar remendadas umas ás outras quanto mais não seja para aproveitar frames filmados e todo o conjunto geral a partir de certa altura começa a tornar-se insuportável.

Embora [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] comece de uma forma bastante divertida com momentos de acção engraçados e humor quanto baste, logo que passa ao ambiente mais mágico a coisa descamba no habitual leque de duelos mágicos sucessivos que a partir de certa altura já nos parecem todos iguais e onde não faltam os tradicionais diálogos ao melhor estilo : “o meu poder é maior que o teu” espalhados pelo filme todo.

No entanto [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] tem algo cativante. O facto de parecer um filme tão artesanal (e foi) a todo o instante dá-lhe muito mais personalidade do que depois o péssimo remake moderno veio a (não) ter.
[“Zu Warriors of the Magic Mountain“] filmado em 1983 com efeitos especiais dignos dos anos 50 e onde se veêm os fios onde os actores estão pendurados o tempo todo tem muito mais pinta e identidade do que a versão moderna cheia de CGIs ao milhar.

Se para alguma coisa a versão moderna serviu terá sido para revelar as verdadeiras fragilidades do original. Ou seja, com efeitos modernos todo o espirito artesanal da obra desapareceu e ficamos só com os personagens mal estruturados, com a montagem do piorio e com a história sem qualquer suspanse ou interesse.
Tudo isto já está presente em [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] versão 1983, mas ao menos nesta o espírito da obra é tão amador e ingénuo que todo esse ambiente quase que anula as típicas fraquezas do cinema do realizador e torna a versão original num clássico absoluto do mau cinema ou pelo menos do cinema totalmnte kitsh.

A história deste original embora semelhante ao que depois foi apresentado no remake, tem no entanto mais pormenores engraçados e um sentido de humor que funciona em muitas partes do filme. Além disso os personagens vão ganhando alguma identidade com o desenrolar da história e como tal [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] até se torna um filme divertido se deixarmos o cérebro á porta e entrarmos no espirito da coisa.

Curiosamente é muito parecido em estilo totalmente histérico com o igualmente esquizofrénico “A Chinese Tall Story” e por isso se conseguirem aguentar tanta overdose de maus efeitos especiais tradicionais e sequências de acção indiscritivelmente atabalhoadas em [“Zu Warriors of the Magic Mountain“], irão conseguir ver também “A Chinese Tall Story” do principio ao fim e olhem que não é fácil.
E quem sabe se depois não gostarão também do remake “Zu Warriors“…

[“Zu Warriors of the Magic Mountain“] pode tornar-se incrivelmente chato por ter tanta sequência de acção atabalhoada a todo o instante que cansa, mas por outro lado, se gostam de produções de baixo orçamento com aquele ambiente onde nada funciona mas tudo resulta, então este é um filme a espreitar. E o facto de ser um produto de 1983 ainda lhe dá mais charme.
Como filme falha em tudo e mais alguma coisa, no entanto resulta como excelente divertimento de fantasia onde o melhor de tudo é ver o pessoal pendurado com fios a todo o instante.

Nota alta também para os efeitos especiais.
São todos do piorio, maus demais mesmo, mas não há dúvida que houve aqui muita criatividade para tentar ultrapassar as limitações técnicas tanto a nivel de efeitos como a nível de design de criaturas.
Nunca tinha visto um filme em que os monstros fossem feitos de lençois e disparassem toalhas das mãos, mas não é que isto resulta ?!! Tem momentos de batalha muito divertidos e só é pena usar e abusar dessas sequências porque se isto tivesse uma narrativa mais pausada, uma boa montagem e uma história mais bem estruturada [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] poderia ter sido realmente a obra-prima de Fantasia que supostamente parece ser para muito crítico.

Assim como está, é uma obra-prima de qualquer coisa sim, mas não se percebe bem do quê.
Pela breve mas excelente entrevista a um dos actores presente no dvd edição PT, nota-se que houve um claro esforço para se fazer um bom filme na altura com os meios e os conhecimentos que havia e se pensarmos bem nisto tudo, [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] é realmente um bom filme por esse prisma, pois tirando uma melhor estruturação do argumento e uma montagem como merecia ter, se calhar foi mesmo dificil terem conseguido fazer melhor do que isto.

[“Zu Warriors of the Magic Mountain“] tem muitas falhas. O excesso de acção descabido e as sequências que nunca mais parecem acabar são um dos maiores entraves para que isto se torne tão divertido como aparenta ser nos primeiros minutos, mas não há dúvida que há aqui algo único e especial.
Sendo assim…

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CLASSIFICAÇÃO:

Bem melhor do que o remake embora sofra exactamente das mesmas falhas. No entanto os efeitos especiais totalmente artesanais dão-lhe muita personalidade e é realmente um filme de fantasia único no género.
É muito parecido com o histérico “A Chinese Tall Story” e por isso quem gostou desse vai gostar de [“Zu Warriors of the Magic Mountain“], pois é tão bom ou tão mau quanto esse, menos os CGIs que ainda não tinham sido inventados.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: há fios a pendurar actores por todo o lado, os efeitos especiais são totalmente amadores mas muito muito criativos, tem monstros feitos de lençois que disparam toalhas das mãos e fitas de pano como raios, tem bons cenários de interiorres construidos em estúdio que parecem cenários construídos em estúdio, tem maus cenários de exteriores contruídos em estúdio que parecem maus cenários de exteriores contruídos em estúdio com muito cartão e papel, tem um bom sentido de humor e alguns gags são muito engraçados, tem muita imaginação visual, os personagens são um vazio mas vão ganhando algum carísma com o desenrolar da porrada, é um filme com algum charme e uma obra-prima falhada com muita identidade.
Contra: tem porrada a mais e especialmente tem porrada looooooooonga demais, parece que nunca mais acaba (pelo visto o esta mania do Tsuy-Hark para finais que nunca mais acabam já vem de longe), a montagem é do piorio em muitos momentos e ás vezes faz um filme do Michael Bay parecer cinema de autor do Manuel de Oliveira em contraste, a história tem potencial mas está totalmente esfrangalhada por tanta cena de porrada mágica a todo o segundo, é um filme algo vazio e não é por culpa dos maus efeitos especiais.

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=JZHEn1MxEV4

Comprar
Aqui em Portugal está por todo o lado (promoções de filmes rascas em supermercados) numa boa edição DVD a um preço da chuva ainda. Comprei-o há mais de quatro  anos de anos por 2€  já na altura.
Fora daqui, podem comprá-lo na Amazon americana e pouco mais pois parece esgotado em todo o resto do mundo.
http://www.amazon.com/gp/product/B00023BN2E/ref=pd_lpo_k2_dp_sr_1?pf_rd_p=1278548962&pf_rd_s=lpo-top-stripe-1&pf_rd_t=201&pf_rd_i=6305261385&pf_rd_m=ATVPDKIKX0DER&pf_rd_r=1CQTD3JY9THJ76K4GWH1

Download aqui com legendas em inglés.

Download do remake moderno com legendas em PT/br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0086308

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Shinobi The Promise A Chinese Tall Story

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