Kiki’s Delivery Service – Majo no takkyûbin – Takashi Shimizu (2014) Japão


[“Kiki´s Delivery Service”] logo à partida é um daqueles filmes de que me apetecia gostar mesmo muito !
Practicamente tal como aconteceu com toda a gente que conhece o filme animado original, também eu fiquei absolutamente surpreendido quando descobri que alguém tentou passar esta história para live-action.

kiki_07

Mais surpreendido fiquei, quando descobri que a pessoa que o tentou fazer foi precisamente Takashi Shimizu que é bem mais conhecido por provocar ataques cardíacos a quem pensa que não tem medo de filmes de terror através dos seus excelentes JU-ON.
Portanto encontra-lo agora por detrás das câmeras naquela que é provavelmente uma das histórias japonesas mais emblemáticas e fofinhas de todos os tempos é algo com que eu não contava de todo.

kiki_04

Para quem não sabe [“Kiki´s Delivery Service”] na sua origem é um dos mais populares (e esgotados) romances para crianças Japoneses publicado em 1985. Apesar de ser algo praticamente desconhecido aqui pelas bandas do ocidente, o livro original lá pelo Japão é quase uma espécie de Harry Potter muuuuuuito antes de Harry Potter, isto em termos tanto de popularidade como de criatividade.
No entanto, [“Kiki´s Delivery Service”] por cá ficou bastante popular não pelo livro mas pelo trabalho de Hayao Miyazki que em 1989 adaptou pela primeira vez o romance original Kiki ao cinema tendo produzido a obra prima que é a sua versão anime “Kiki´s Delivery Service” que não só na minha opinião mas de muita gente é simplesmente um dos melhores desenhos animados e filmes para todas as idades de todos os tempos; só comparado a outras produções do realizador, como “My Neighbour Totoro” ou “Laputa Castle in the Sky”, talvez.

kiki_08

Por isso quando se soube que iria haver um remake em live-action para [“Kiki´s Delivery Service”], toda a gente ficou em enorme expectativa, pois com uma história destas a coisa tanto poderia ser brilhante como dar seriamente para o torto.
O que ninguém esperava é que ficasse a meio termo e isso é quase pior do que ter realmente dado para o torto.
Estranhamente esta nova versão é verdadeiramente decepcionante em muitos aspectos, enquanto que noutros nos dá um breve vislumbre da magia que poderia e deveria ter tido !

kiki_14

Logo do início apetece-nos mesmo gostar muito de [“Kiki´s Delivery Service”]. Eu próprio nos primeiros 15 minutos achei que lhe iria atribuir sem sombra de dúvida pelo menos cinco tigela de noodles na minha apreciação final. Mal podia esperar que o filme acabasse para dizer ao mundo o quão genial esta nova versão era.
Infelizmente passados mais quinze minutos percebi que algo estava sériamente errado com este filme.

kiki_27

Comecemos pelo que tem de positivo.
Embora não tente adaptar de forma óbvia o mundo desenhado por Hayo Miyazaki é perceptível que este foi inevitávelmente uma inspiração inicial para o design de produção desta adaptação live-action. E ainda bem. Infelizmente não podemos contar com aquela maravilhosa cidade em estilo steampunk victoriano que nos deslumbrou a partir do meio da adaptação Anime, até porque duvido que houvesse orçamento para recriar algo assim, mas a verdade é que apesar da ausência de balões e dirigiveis no céu, continua a sentir-se algo de especial nos cenários que representam a ilha para onde Kiki vai trabalhar.
Se esta versão ainda consegue ter alguma magia, muito deve à cenografia de certas pequenas sequências em que Kiki voa ou interage com as pessoas da cidade para onde vai viver.

kiki_09

Incialmente as cenas passadas na aldeia onde Kiki nasceu também são visualmente muito bonitas, mágicas e atmosféricas. Sente-se um ambiente demasiado plástico por causa do óbvio CGI de alguns cenários que depois não ligam bem com o set design interior, mas nem isso quebra a primeira boa impressão que temos com o visual da história.

kiki_03

Também gostei da escolha para interpretar a Kiki. Esta actriz tem sido algo atacada pela sua caracterização decepcionante de um personagem que toda a gente estava habituado a ver em animação, mas na minha opinião penso que não é por causa dessas óbvias diferenças que [“Kiki´s Delivery Service”] se torna um filme muito mais decepcionante do que deveria ter sido.
Esta Kiki, também é apontada como sendo demasiado velha para o papel. Nisso é verdade, a rapariga não parece própriamente ter 12 anos e está um bocadinho demasiado madura para um papel tão infantil, mas penso que é algo que enquanto espectadores acabamos por ultrapassar porque acho que a jovem actriz trouxe muita vida e frescura a este personagem. A alma do personagem está lá.

kiki_28

Uma coisa que é absolutamente fabulosa nesta produção são as paisagens naturais que este filme mostra e para mim só peca não terem mostrado ainda mais. Não sei até que ponto estes locais apresentados existem realmente, mas se existirem com esta beleza eu por mim mudava-me já para aqui hoje mesmo, pois isto em termos de inspiração para o meu trabalho de ilustração seria absolutamente fantástico.
Curiosamente na internet não se encontram imagens destes bocados do filme e portanto não lhes posso demonstrar como são realmente bonitas e mágicas todas as localizações naturais por onde Kiki voa na sua vassoura de bruxinha.

kiki_20

O que me leva a coisas menos boas…ou talvez não.

Os efeitos especiais em [“Kiki´s Delivery Service”] oscilam entre o excelente em pequenos breves segundos que mostram Kiki a voar por cima de algumas paisagens fabulosas e o atroz ! Mas atroz mesmo !!!
Inicialmente os cenários CGI medianamente produzidos já tinham sido um pequeno alerta de que este filme provavelmente não teria tido um bom orçamento para coisas desta, mas nada me preparava para montagens contra ecran verde dignas de um filme do inicio dos anos 90 numa produção de 2014. Muito menos ainda numa produção como [“Kiki´s Delivery Service”] que pedia acima de tudo um orçamento bem generoso para bons efeitos especiais !!

kiki_11

E não é porque os efeitos especiais orientais sejam regra geral obrigatoriamente piores do que o que se faz em Hollywood. Muito pelo contrário. O que não faltam por aí são excelentes exemplos de óptima animação CGI em cinema japonês contemporâneo (este blog está cheio deles) e portanto não se percebe porque precisamente um filme como [“Kiki´s Delivery Service”] que depende realmente muito de excelente efeitos para ser eficaz se espalha ao comprido mesmo onde deveria ter brilhado mais.

kiki_10

Filmar [“Kiki´s Delivery Service”] sem dinheiro para efeitos especiais é quase como tentar produzir os novos Star Wars com um orçamento de série-B caseiro.
Algumas cenas em que Kiki voa na sua vassoura são absolutamente péssimas e o problema é que isso retira imediatamente o espectador adulto de dentro daquela atmosfera mágica que nos deveria conseguir iludir do principio ao fim.
Aliás, tal como muita gente já comentou, o grande problema desta nova versão de [“Kiki´s Delivery Service”] é que na sua essência é um produto que só conseguirá agradar verdadeiramente a crianças pequenas; enquanto que a versão anime de 1989 é uma adaptação realmente para todas as faixas etárias apesar de ser um produto animado.
Esta nova versão de [“Kiki´s Delivery Service”] está imediatamente datada e ainda nem sequer tem um ano.
As sequências de acção na aventura final são completamente desinteressantes porque por esta altura já o espectador não aguenta ver mais CGI e montagens amadoras e só pensa em ir rever o desenho animado original para recuperar.

kiki_06

Eu não conheço o livro mas sei que também Miyazaki em 1989 não adaptou o romance de forma integral ou particularmente fiel ao texto do romance. O que me leva a pensar que se calhar ele estava muito certo.
Isto porque se esta nova versão live-action estiver bem mais próxima do conteúdo do livro, então foi bom a versão animada ter ignorado toda a parte da história que aparece agora nesta produção moderna. Pessoalmente depois de ver este filme fiquei sem vontade nenhuma de ler o livro…

kiki_22

A partir do momento em que Kiki chega à sua cidade adoptiva, toda a história deixa de se parecer com o que vimos no Anime de Miyazaki e entra por uma série de sequências episódicas absolutamente desinteressantes, com vários sub-plots que aparentemente pretendem mostrar a evolução e amadurecimento emocional da personagem mas só aparecem no écran como cenas dramáticas absolutamente falhadas, pois o filme nunca se decide o que quer ser; se um drama se uma história de magia.
O sub-plot sobre a antiga bruxa que perdeu a vontade de cantar é absolutamente de nos colocar a dormir a meio por exemplo. Se isto está no romance original, ainda bem que a versão Anime ignorou esta sequência pois quebra o ritmo da narrativa de uma forma que simplesmente não resulta em filme. Para agravar a actriz que faz de bruxa ex-cantora não tem qualquer carisma e parece inclusivamente estar a fazer um frete por ter entrado nesta produção para crianças.

kiki_19

Para piorar as coisas, [“Kiki´s Delivery Service”] a partir do meio parece ser também sobre o salvamento de um hipopótamo noutro sub-plot que não lembra ao diabo e onde ainda por cima encontramos um dos grandes exemplos do pior CGI animado nesta produção. É de ver para não querer crer no que vemos.
Mau, mau, mau !

kiki_23

E por falar em  diabo; pior ainda é o gato da Kiki !!!
Aquele que era um dos personagens que mais alma tinham no desenho animado e um dos bonecos mais fofinhos de sempre no cinema japonês ( a par com Totoro ), aqui em [“Kiki´s Delivery Service”] a gata Jiji, é nos apresentada como uma espécie de gato dos infernos. Um bichano que só pode estar possuído pelo demónio, feio como o raio, inesperadamente antipático e totalmente incapaz de criar qualquer empatia com o espectador, o que na minha opinião é verdadeiramente o grande tiro no pé deste filme.
Comparem só o gato do filme com a sua versão cute do Anime. Qual destes gatos é que vocês usariam no vosso ritual satânico preferido ?

kiki_25   kiki_26

[“Kiki´s Delivery Service”] até poderia ter tido os efeitos mais foleiros de sempre (quase); os sub-plots até poderiam ser desinteressantes (são), mas agora o que nunca, nunca deveria ter tido era uma total ausência de carisma nos personagens ! Muito menos ter representado a gata Jiji da forma que é caracterizada neste filme !!
E é melhor nem me perguntarem a opinião também sobre a animação deste boneco…

kiki_17

Tirando Kiki, todos os personagens em [“Kiki´s Delivery Service”] ou são irritantes como o raio, ( o idiota marido da padeira não serve para nada; a padeira idem ), ou são absolutamente desinteressantes e um total vazio dramático ( as adolescentes da cidade ) ou pior ainda estão lá para criar drama forçado sem qualquer razão ( a sobrinha da bruxa cantora, o tratador de animais do zoo ).
[“Kiki´s Delivery Service”] falha enquanto filme, não por todas as suas fraquezas técnicas mas acima de tudo nas suas fraquezas dramáticas, pois nunca por qualquer momento sentimos que Kiki está numa situação que nos interesse seguir; ao contrário do que acontecia no desenho animado.

kiki_12

Até o personagem do rapaz que quer aprender a voar aqui é absolutamente estéril em termos dramáticos. E pior ainda é apresentado como um convencido sem qualquer empatia com o que o rodeia e nem por um instante nos interessamos por ele enquanto espectadores ou nos importamos com o seu destino.
Depois a história entra por um climax final sem qualquer nexo; a atmosfera muda para uma espécie de aventura na selva envolvendo cientistas e hipopótamos feridos e tudo nos faz perguntar a todo o instante onde está aquele [“Kiki´s Delivery Service”] que toda a gente queria ver numa adaptação moderna para cinema…

kiki_29

Como muita gente já sabe, o filme conta a história de Kiki, a pequena bruxinha que vem de uma longa linhagem de bruxas que têm por tradição ajudar os humanos. Quando uma bruxinha faz treze anos esta deverá abandonar o lar dos pais, pegar na sua vassoura e ir viver ( e trabalhar ) sózinha durante um ano inteiro numa cidade onde precisem dos seus serviços e é o que acontece. Kiki muda-se para uma bonita vila à beira mar, mas nem tudo corre bem quando tenta ser aceite pela população.

kiki_18

Entre hipopótamos sem interesse, bruxas que perderam a vontade de cantar e adolescentes irritantes a única coisa que se salva são mesmo os ambientes naturais lindíssimos e algumas breves sequências de vôo que surpreendentemente estão com montes de atmosfera e por momentos nos fazem pensar que o filme irá finalmente descolar e tornar-se absolutamente mágico.
Não vai.

kiki_21

Portanto, [“Kiki´s Delivery Service”] tinha tudo para ser um filme inesquecível e é realmente um daqueles títulos de que apetece MESMO gostar muito, mas infelizmente passamos o tempo todo à procura de bons momentos que por vezes duram um segundo ou dois em tempo de ecran quando todo o filme deveria ser verdadeiramente mágico tal como o Anime de Myiazaki o foi em 1989.
É com muita pena minha que esta versão não irá ficar para a história e só ficará na minha memória porque adoro a adaptação anterior em desenho animado.

—————————————————————————————————————
CLASSIFICAÇÃO

Eu queria mesmo, mesmo gostar disto mas tenho que admitir que o filme é realmente decepcionante, acima de tudo porque um filme sobre magia, com um personagem fantástico como Kiki a bruxinha deveria ser verdadeiramente mágico e não é.

E pior ainda, [“Kiki´s Delivery Service”] nem sequer é verdadeiramente mau. Apenas é desinteressante. Mais valia que fosse insuportável e seria mais fácil cascar nele pelas suas falhas. Assim como está é apenas uma grande desilusão.

kiki_01

Mesmo assim três tigelas e meia porque enquanto filme para crianças nem é mau de todo. Apenas deveria ter sido mais que um filme para crianças, tal como a versão Anime surpreendentemente consegue ainda ser.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg

A favor: as paisagens naturais da ilha são incríveis, as cenas iniciais na aldeia da Kiki são um bom começo para o filme, os cenários da ilha e da vila para onde Kiki vai viver são muito bonitos e atmosféricos, tem uma boa fotografia que consegue tirar bom proveito da luz e da cor bonita que percorre toda a história, em termos de design notam-se algumas boas influências do próprio anime mas consegue ter uma identidade própria, algumas cenas de vôo (por breves segundos) são fantásticamente atmosféricas e entusiasmantes, a protagonista embora um bocadinho velha demais é uma boa Kiki.

Contra: a caracterização dramática de todos os personagens é um vazio, há personagens demasiado inúteis que não servem para nada, os sub-plots de argumento tornam o filme demasiado episódico e nunca o sentimos como sendo uma única história, o sub-plot com a bruxa cantora não tem qualquer interesse, a sequência de aventura envolvendo o hipopótamo é imbecil demais, os efeitos especiais são muito muito fracos com destaque para as péssimas animações CGI e as montagens amadoras com óbvio écran verde, é essencialmente um produto que só agradará mesmo muito a crianças quando deveria ter o mesmo apelo universal do desenho animado.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2865558

——————————————————————————————————————

Se gostou deste vai gostar certamente de:

   capinha_totoro

——————————————————————————————————————
Cinema_oriental_no_facebook

Gatchaman ( Gacchaman ) Tôya Satô ( 2013 ) Japão


Não consigo entender o que há com os japoneses e os épicos de ficção-científica que tentam fazer.
O Japão parece ser o país perfeito quando se trata de produzirem histórias de amor de baixo ou médio orçamento, pela forma como os personagens são normalmente humanizados e as histórias nos agarram até ao último segundo por muito cliché que sejam, mas no entanto naquilo que deveriam ser absolutamente brilhantes falham sucessivamente.

Gatchaman-movie_review

O mesmo país que é fantástico a criar animes de acção e aventura envoltos em fantasia e ficção-científica por vezes extraordinária, quando se trata de cinema de animação, parece ter uma enorme dificuldade ao passar essas mesmas criações para filme “normal” de “imagem real” em estilo “live action” e infelizmente não é ainda com [“Gatchaman”] que este enguiço foi quebrado.

Gatchaman-movie_03

Quase que acertaram, mas ainda não está lá. E mais uma vez não se entende de todo porque um filme destes não se torna imediatamente brilhante no melhor sentido pipoca.
Até porque ainda por cima [“Gatchaman”] começa bem como o raio !

Gatchaman-movie_05

A primeira cena de acção é não só excelente e entusiasmante,  como ainda demonstra muito bem como se pode filmar acção caótica em estilo disaster movie sem precisar de recorrer a montagens a duzentos frames por segundo. Michael Bay deveria ver este filme e tomar notas pois é assim que se faz.
[“Gatchaman”] tem uma sequência inicial que nos faz pensar imediatamente que finalmente vamos ver um grande filme pipoca produzido no Japão dentro do cinema de super-herois.

Gatchaman-movie_13

Não só a acção é frenética, como enquanto espectadores conseguimos acompanhar perfeitamente tudo o que se passa na batalha inicial sem precisarmos de um saco de vómito ou ter um ataque de epilépsia. [“Gatchaman”] nos primeiros 20 minutos tem uma montagem do melhor que já vi em filmes de super heróis no que toca a forma como batalhas épicas são filmadas.
Ainda por cima mantém um estilo totalmente manga na forma como pausa algumas sequências por décimos de segundo e deixa as situações respirar mesmo no meio dos combates mais espectaculares.

Gatchaman-movie_37

Além disso as sequências de vôo ao melhor estilo super-homem no que toca a super heróis de capa, embora simples e breves são absolutamente entusiasmantes e ficam na memória pela sua estética anime totalmente conseguida.
Nota alta para os uniformes dos personagens também. Conseguem manter o estilo do anime original mesmo tendo modificado todo o seu visual de forma a moderniza-lo significativamente.

Gatchaman-movie_33

[“Gatchaman”] é a adaptação em “imagem real” de uma das clássicas séries anime do mesmo nome e que pelo ocidente ficou conhecida como “Battle of the Planets”,(em Portugal muita gente recordar-se-á até do jogo para o computador ZX Spectrum que saiu baseado nesta série por volta de 1985).
Segundo o que tenho lido, parece que o filme usa a base da série original mas modificou practicamente tudo o resto. O que nem seria problemático, pois na verdade o grande problema de [“Gatchaman”] nem sequer é esse.

Gatchaman-movie_01

O problema de [“Gatchaman”] é que passada aquela sequência inicial entusiasmente , o resto do filme vai caindo a pique a cada minuto que passa. E isto porquê ? Porque simplesmente perde toda a espectacularidade. Pelo meio a história à força que querer desenvolver personagens, entra por intermináveis cenas de telenovela dramática, onde os personagens gritam e sofrem muito por tudo e por nada, tendo por base acontecimentos traumáticos passados e que não levam a lado nenhum em termos de satisfação cinemática por parte de quem está a ver este filme e só pede que passem à frente.

Gatchaman-movie_31

Nem o twist pelo meio tem qualquer impacto porque quando acontece já ninguém quer saber dos personagens para nada pois estamos fartos de tanto dramatismo de pacotilha a todo o instante que ainda por cima é totalmente previsível em conteúdo.

Gatchaman-movie_16

[“Gatchaman”] sofre exactamente da pior coisa que pode acontecer a um blockbuster. Em vez de nos mostrarem o que acontece ou aconteceu na história, os personagens falam sobre isso uns com os outros.
[“Gatchaman”] podia perfeitamente ter continuado a ser bastante divertido e espectacular se nos mostrasse aquilo que é suposto ir acontecendo na história; no entanto os personagens insistem em passar minutos intermináveis a falar sobre isso (ao mesmo tempo que sofrem muito por tudo e por nada) e o espectador nunca se sente imerso naquele universo; salvo um breve momento que mais uma vez tenta ser dramático quando se calhar deveria antes ter mantido a espectacularidade própria de um filme de super-herois.

Gatchaman-movie_27

Depois há outra coisa muito estranha com o design deste filme. [“Gatchaman”] começa fantásticamente bem com a batalha inicial onde visualmente tudo funciona como um relógio suíço, mas depois parece que o orçamento para o filme vai sendo reduzido a cada minuto que passa. Como se não bastasse os personagens passarem o tempo todo a falar de coisas que o espectador preferiria estar a ver, estes fazem-no normalmente em cenários cada vez mais despidos e desinteressantes. Seja em quartos vazios, hangares vazios, ou corredores vazios, [“Gatchaman”] parece cada vez mais despido do que quer que seja a cada minuto que passa.

Gatchaman-movie_19

A base dos heróis tem um par de sets bem anime com um design interessante mas tudo o resto é por demais pobre em termos criativos. Especialmente a base dos alienígenas invasores que é surpreendentemente desinteressante como o raio.
Visualmente os CGI que a reproduzem exteriormente são espectaculares mas depois o design do interior dessa suposta base alienígena ultra avançada parece ter saído de um mau episódio de sábado de manhã dos Power Rangers no pior dos sentidos. Verdadeiramente incrível, pela negativa

Gatchaman-movie_10.

Não só todo o climax do filme se passa essencialmente em cavernas sem qualquer interesse visual como ainda por cima parecem aquilo que são; cenários de cartão, esferovite e plástico que inclusivamente abanam por todo o lado quando os actores encalham sem querer por exemplo numa mesa de controlo. Tudo o que é cenário alienígena em [“Gatchaman”] faz lembrar um set do Star Trek original dos anos 60 com a diferença de esta suposta mega produção japonesa parece não ter tido qualquer interesse em desenvolver visualmente metade do filme. Parece até que o dinheiro acabou e resolveram utilizar uns sets quaisquer que estavam por lá à mão de um episódio dos Power Rangers.

Gatchaman-movie_29

Para agravar a coisa, a parte final da aventura é absolutamente desinteressante. Depois de passarmos pelo menos uma hora a meio do filme a ter que levar com drama de pacotilha sem qualquer interesse (nem me perguntem sobre a inevitável história de amor);  aquilo que esperávamos era que a batalha final fosse pelo menos tão divertida e espectacular como a batalha do inicio. Esqueçam.

Gatchaman-movie_32

O desenlace da história em [“Gatchaman”] é uma verdadeira decepção também. Não só não tem qualquer suspanse ou sentido de aventura como passamos meia hora a ver combates de artes marciais com super-herois a lutarem em cima de plataformas de plástico todas iguais em cavernas de cartão absolutamente aborrecidas do ponto de vista criativo. E o pior é que nem as lutas têm qualquer interesse e o suspense é praticamente inexistente pois percebe-se logo como tudo irá acabar e só queremos é que os personagens se despachem com aquilo para a gente ir embora.

Gatchaman-movie_28

Portanto [“Gatchaman”] é mais uma verdadeira oportunidade perdida do Japão conseguir finalmente fazer aquele blockbuster de “Live Action” que toda a gente quer ver. [“Gatchaman”] tinha tudo para ser um verdadeiro “Pacific Rim” oriental devolvendo a sua inspiração a casa mas acabou por se parecer mais com uma sequela de “Space Battleship Yamato” que curiosamente sofre exactamente do mesmo tipo de problemas e não se entende porquê.
O que é mesmo pena, pois o início é fantástico, os personagens prometem e até há uma química muito boa entre os actores naqueles papeis. Por momentos [“Gatchaman”] parece realmente um filme dos Power Rangers muito bem feito. E deveria ter sido.

Gatchaman-movie_20

Outra coisa excelente são os efeitos especiais o que ainda torna [“Gatchaman”] num desperdício maior.
Como já referi as cenas de vôo iniciais são do melhor que já vi em cinema de super-herois e depois a qualidade continua no CGI em geral, que não fica nada a dever ao que de melhor estamos habituados a ver vindo de Hollywood.
Provavelmente gastaram o orçamento todo em animação de computador e depois não houve verba para cenários ou algo assim…

Gatchaman-movie_36

Para aqueles de vocês que se lembram também de outro filme no mesmo estilo, o já mais velhinho “Casshern” e querem perguntar-me como se compara com este filme agora, ao menos essa outra adaptação anime igualmente falhada tinha um visual extraordinário, coisa que não acontece em [“Gatchaman”]. Infelizmente no caso de “Casshern” a parte dramática ou de acção ainda foi pior, tendo um filme sido um dos primeiros exemplos da ineptitude dos Japoneses para conseguirem produzir cinema de super-herois. De qualquer forma, se gostarem de [“Gatchaman”] espreitem “Casshern”.

Gatchaman-movie_38

Apesar de todo este rol de queixas da minha parte, por ter ficado realmente muito decepcionado com [“Gatchaman”], a verdade é que o filme acabou e até fiquei com vontade de ver uma sequela, (e vai haver; vejam depois dos créditos).
Ao contrário do que me aconteceu em “Space Battleship Yamato”, aqui em [“Gatchaman”]  sente-se que existe material suficientemente bom para que á segunda acertem finalmente de vez e possamos ter um blockbuster Japonês realmente bom que já tarda em aparecer.

Gatchaman-movie_35

Como habitualmente não irei revelar nada da história porque eu ainda sou daqueles que gosta que me recomendem filmes sem me dizerem sobre o que eles são. De qualquer forma se já viram um filme de invasões extraterrestres com super heróis e super vilões já sabem com o que contar.

Gatchaman-movie_11

Este é mais um. Apenas não é tão interessante como merecia ter sido.
Começa bem e depois sabe-se lá porquê perde-se por completo. Embora, se vocês gostarem muito de filmes de super-herois e especialmente se nunca tiverem ouvido falar destes personagens, vale a pena espreitarem isto, até para compararem os efeitos especiais com aqueles a que estão habituados a ver em cinema americano.

—————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

É com pena que não lhe dou melhor classificação mas de qualquer forma [“Gatchaman”] é um filme a ver, especialmente por quem gosta de cinema de super-herois, ou até por quem se lembra bem da série anime dos anos 80 e gostava dela.

Gatchaman-movie_12

Trés tigelas e meia porque apesar de tudo, como filme não é verdadeiramente mau. Apenas sofre de excesso de exposição e grande pobreza visual no que toca a ambientes. Leva mais meia tigela de noodles na classificação apenas porque a sequência de acção do início é verdadeiramente entusiasmante e os efeitos especiais são de grande nível no que toca a animação digital.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg
A favor: a cena de acção do inicio, as cenas com os heróis a voarem entre prédios, a montagem inicial é excelente e não se perde um fotograma da batalha, o design dos uniformes e tudo o que é criado em CGI é excelente, existe boa química entre os cinco heróis e nota-se que há muito potencial aqui para uma sequela como deve de ser.

Contra: passada a invasão inicial os personagens falam demais sobre coisas em vez de nos serem mostrados todos esses acontecimentos em primeira mão, há uma tentativa de dramatizar os personagens que simplesmente não resulta pois tudo parece histérico e forçado demais, perdemos totalmente o interesse nos vilões e toda a ameaça de invasão fica sem qualquer suspense, tenta ter duas histórias de amor que são uma anedota sem qualquer emotividade, a cada minuto que passa o design do filme em termos de cenários e ambientes fica mais pobre, os ambientes alienígenas na nave extraterrestre são de uma pobreza visual incrível e parecem saídos de um episódio dos Power Rangers sem qualquer orçamento (são obviamente de plástico e cartão e isso nunca deveria transparecer num set design), a aventura final não tem qualquer suspense ou interesse, as cenas de acção do fim idem, é mais uma oportunidade perdida do Japão conseguir fazer um blockbuster de “Live Action” com a mesma qualidade com que sabem produzir animes ou histórias de amor de baixo orçamento.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
https://www.youtube.com/watch?v=r56XwTGidsU

Gatchaman-movie_02

Anime original
https://www.youtube.com/watch?v=SmNs5DuXDdg
https://www.youtube.com/watch?v=6q5uy7VFZaE
https://www.youtube.com/watch?v=HJxcLCHhu4g

Imdb
http://www.imdb.com/title/tt2451110

——————————————————————————————————————

Se gostou deste poderá gostar de:

capinha_casshern capinha_sayonarajupiter73x capinha_mesagefromspace73x x-bomber04_capinha capinha_space_battleship_yamato

——————————————————————————————————————

5 Centimeters per second – (O Manga / Banda Desenhada – Romance / Livro original) – Versão integral – (Japão) – Makoto Shinkai / Yukiko Seike


[“5 Centimeters per second”] será não só o meu anime favorito de todos os tempos como principalmente uma das melhores histórias românticas que alguma vez encontrei no cinema oriental, senão talvez até a melhor, ou pelo menos a que me mais me marcou (a par com “Be with You”, “Il Mare” e mais umas quantas). É também considerado umas das histórias de amor orientais mais tristes de todos os tempos (no bom sentido) e quem gosta dele sabe bem porquê. Se não sabem basta irem ao Youtube espreitar as centenas de comentários de pessoas de todas as idades que se identificaram com esta pequena grande história.

Manga - Makoto Shinkai

Entrei muito tarde no cinema de animação de Makoto Shinkai. Há anos que ouvia falar maravilhas daquele jovem realizador que tinha revolucionado a forma de fazer animação por trabalhar essencialmente de forma caseira, inicialmente sózinho no seu quarto, depois sem estúdio, em apartamentos alugados com uma pequena equipa de amigos que se desfaz a seguir a cada filme e um sem número de particularidades que pela qualidade final de cada obra mal custa a crer que tenha sido produzida dessa maneira. Pela sua obra ser essencialmente marcada por produção “caseira”; desde o verdadeiramente amador “Voices of a distant star“, feito por Shinkai completamente sozinho durante meses a trabalhar no seu quarto, até ao mais recente “Garden of Words”, o facto dos seus filmes costumarem ter curta duração sempre me afastou da compra dos dvds durante muito tempo pois apesar das reviews excelentes, custava-me dar dinheiro por 45/50 minutos de filme em média e na altura raramente se conseguia arranjar cópias em condições na internet para espreitar primeiro. No entanto a partir do momento em que arrisquei a primeira compra e vi “Voices of a distant star” fiquei estupefacto com a qualidade do trabalho de Makoto Shinkai e nunca mais parei de seguir todo o seu trabalho subsequente, tal como “The Place Promised on Our Early Days”, “Journey to Agartha” e mais recentemente “Garden of Words” (com review para breve).

MANG3081 Inlay

De todo o trabalho de Makoto Shinkai aquele que mais me marcou foi sem sombra de dúvida [“5 Centimeters per second”]; 50 minutos de verdadeira poesia visual com uma história romântica que hoje em dia é das mais populares de sempre dentro do cinema oriental, principalmente pelo seu final devastador que se tornou comentado em todo o lado pelo murro no estômago que os segundos finais provocaram e ainda provoca nos espectadores. Principalmente pela sua simplicidade. Se procurarem nos foruns de discussão ainda hoje muita gente especula sobre o destino dos personagens, o que terá acontecido depois e tudo o mais que possam imaginar de interpretações pessoais para esta história que cada espectador vive à sua maneira.

5cm_per_second_09

Não que [“5 Centimeters per second”] seja propriamente uma história abstracta, mas na verdade o final teve tanto impacto na audiência, que muita gente parece ainda querer encontrar novas pistas para um desenlace final que todos gostaríamos de ver para aquela história de amor animada mas que se existisse hoje não estariamos aqui a falar dela. Ora acontece que curiosamente existem algumas pistas espalhadas visualmente ao longo do filme que não se notam a uma primeira visão (se nunca tiverem lido o Manga) e que podem realmente ser interpretadas de uma forma que eventualmente nem estará particularmente longe da verdade. Quero dizer com isto, que [“5 Centimeters per second”] tem realmente mais história para contar do que aquela que apareceu “filmada” em 50 minutos por Makoto Shinkai no filme original.

5cm_per_second_36

E tem história para contar não em filme, ou em qualquer extra do dvd, mas sim no argumento original que acabou sendo reduzido na versão de cinema mas que se transformou há pouco tempo numa banda desenhada Manga e num respeitável volume com mais de 500 páginas, tal como se fosse um comum romance de prosa. E é precisamente esse Manga que eu venho aqui agora recomendar.

5-centimeters-per-second-l0

O Manga, de [“5 Centimeters per second”] conta muito mais detalhes sobre a vida dos personagens e quem adorou o filme vai ficar fascinado com as histórias paralelas e com as motivações por detrás do que foi mostrado sobre cada história no filme original.

5-centimeters-per-second-2509879

O Manga é essencialmente o romance completo e percebe-se que muito provavelmente seria demasiado detalhado para funcionar como filme. Certamente se este argumento tivesse sido adaptado ao cinema de forma integral o impacto emocional do momento chave da história na versão animada, iria ficar um pouco diluído pois aqui na versão integral há tempo para se ficar a saber um pouco mais sobre os destinos dos personagens e até para introduzir personagens novos que acabam por justificar muito do que já se tinha visto no filme e que levou tanto fan a especular durante tanto tempo pela internet fora.

5-centimeters-per-second-2509921

O Manga é de compra e leitura obrigatória para toda a gente que adorou a versão de cinema já editada em dvd há alguns anos e à venda na amazon Uk. Tal como o filme “Be With You” ganha outra dimensão quando se lê o livro original (apenas) só depois de vermos o filme, também aqui em [“5 Centimeters per second”], a leitura do romance em forma de banda-desenhada dá uma nova perspectiva a toda aquela história que os fans bem conhecem. Não só reproduz todos os melhores momentos do filme, onde não falta um suspense gráfico que resulta plenamente até mesmo em Manga, como com mais de 500 páginas ainda tem tempo para desenvolver e responder a muitas das interrogações e especulações dos fans.

5-centimeters-per-second-2199745

Conta obviamente com o mesmo final demolidor do filme, mas aqui em Manga acaba por não ter tanto impacto por um simples motivo. O livro não termina nesse momento ao contrário do filme e mesmo subjectivamente dá-nos um segundo final para especular quando de repente inesperadamente se conclui a parte central da história… ou talvez não.

5-centimeters-per-second-2509919

Como todos os fans do filme original sabem, [“5 Centimeters per second”] tem 3 partes e essencialmente duas histórias de amor; sendo a segunda aquela que é considerada por muita gente a parte vazia da história. Ora bem, no Manga essa parte já tem uma razão de existir e esse segundo segmento de repente parece fazer outro sentido. Por outro lado, percebe-se perfeitamente que o segundo segmento no filme nunca poderia ser “concluído” pois esse epílogo iria retirar todo o fabuloso impacto emocional que encontramos na versão para cinema.

5-centimeters-per-second-2464851

Sendo assim, o que mais dizer. Se gostam do filme [“5 Centimeters per second”] este Manga é de compra totalmente obrigatória. É no entanto um livro para adultos. Não no sentido erótico, mas no sentido emocional. Este Manga não é a típica história de aventura para adolescentes mas sim um romance sólido e adulto bem pensado enquanto história de amor para um publico mais crescido e que não fica nada a perder em relação a muitos conceituados livros em prosa.

5-centimeters-per-second-2487015

O Manga é escrito por Makoto Shinkai mas não é desenhado por ele. Isto talvez porque o próprio realizador já disse que não gosta nada de desenhar bonecos e o que lhe move artisticamente é desenhar paisagens e ambientes (o que se nota perfeitamente no seu cinema) por isso deixa a bonecada humana para um dos seus colaboradores. Ao contrário do filme este Manga depende totalmente dos personagens e não dos ambientes e portanto é perfeitamente natural que a história tenha sido apenas escrita por Shinkai e não desenhada por ele na sua versão em banda desenhada. O livro é desenhado por Yukiko Seike mas todo o espírito de Makoto Shinkai está perfeitamente retratado principalmente pela poesia da própria escrita do autor.

5-centimeters-per-second-2486951

A diferença entre o livro e o filme está nos pormenores extra sobre cada história de amor, no final adicional e no facto do filme falar sobre emoções através dos ambientes visuais magistralmente desenhados e pintados por Makoto Shinkai enquanto o livro vai buscar a sua força á expressividade dos personagens.

—————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO Se gostam de [“5 Centimeters per second”] vocês sabem que têm mesmo que comprar este Manga. Não vale a pena resistirem porque vão adorar.

5-centimeters-per-second-2187365

Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque esta é daquelas histórias que rebenta qualquer escala seja de que forma for apresentada.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

a favor: tem a resposta para quase tudo o que sempre quiseram saber sobre o que ficou por dizer no filme original, graficamente tem uma estrutura fantástica e consegue surpreendentemente manter suspense romântico até mesmo para quem já conhece o filme de trás para a frente, a humanização dos personagens mais uma vez é do melhor como em todos os trabalhos de Makoto Shinkai e toda a escrita é verdadeiramente poética. Tem mais de 500 páginas excelentemente ilustradas e com uma narrativa visual brilhante na forma como consegue retratar emoções.

contra: o impacto emocional do final cinematográfico é diluído por ainda existir um novo final a seguir a esse, o novo final também poderá ser demasiado subjectivo para muita gente, (inclusivamente já gerou muita discussão sobre o que significa na internet). O impacto visual é menor em relação ao filme, pois o Manga é a preto e branco e a história não assenta emocionalmente nos ambientes ao contrário do que acontece no filme. Não que seja algo verdadeiramente mau, pelo contrário, mas Manga e filme são realmente dois produtos diferentes.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

COMPREM-NA AQUI EM ESPANHOL
https://www.amazon.es/Cm-Por-Segundo-Makoto-Shinkai/dp/8416476454/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1479487364&sr=8-1&keywords=5cm+por+segundo

COMPREM-NA AQUI EM INGLÉS
https://www.amazon.co.uk/gp/product/1932234969/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=1932234969&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21

A minha review do filme original
https://cinemasiatico.wordpress.com/2014/05/11/5-centimeters-per-second-byosoku-5-senchimetoru-makoto-shinkai-2007-japao/

A minha review alternativa no meu blog sobre Cinema de Culto
https://universosesquecidos.wordpress.com/2016/11/18/5-centimeters-per-second-byosoku-5-senchimetoru-makoto-shinkai-2007-japao/

5-centimeters-per-second-2199747

Trailer https://www.youtube.com/watch?v=wdM7athAem0

Clip Contém *Spoilers* Por outro lado, se não viram o filme, também não irão notar. E mesmo que notem, eu até lhes podia contar o final em detalhe que não lhes estragaria a beleza do filme. Estão por vossa conta. 😉

https://www.youtube.com/watch?v=FJmvvZk4C1A
com legendas
https://www.youtube.com/watch?v=egCHrY_gHGg

81F+hDip9RL._SL1500_

Comprar dvd na amazon UK
https://www.amazon.co.uk/gp/product/B0037B2WP0/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B0037B2WP0&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21

O filme também está disponível numa copia legendada no youtube, mas não recomendo que o vejam assim. Este filme pede mesmo um bom ecran e principalmente um bom sistema de som pois muita da sua emoção vem da forma como usa a música. Não vejam o filme num simples ecran de computador.

——————————————————————————————————————

Se gostar deste vai gostar certamente de:

capinha_voices-of-a-distant-star capinha-the_place_prmised_in_early days capinha_agartha ——————————————————————————————————————

FB

Hoshi o ou kodomo (Journey to Agartha) Makoto Shinkai (2011) Japão


avatar_2011_200x200  Amigos do Cinema ao Sol Nascente, no dia 24 de Dezembro de 2013 fez dois anos que postei o meu último texto neste blog e parece que foi ontem. A última vez que escrevi algo por aqui sobre um filme foi já na véspera de Natal de 2011…
Por isso se calhar começo este meu regresso agradecendo a toda a gente que apesar do meu silêncio nestes 24 meses se manteve fiel a este pequeno espaço de opinião pessoal e contribuiu para que surpreendentemente as visitas não só se tenham mantido estáveis na maior parte do tempo como ainda por cima tivessem começado a aumentar durante 2013 sem eu perceber bem porquê. De qualquer forma obrigado a todos vocês que nunca deixaram de ler o que escrevo e também aqueles que comentaram nos posts, muitos dos quais eu não cheguei a responder (ainda).
O blog esteve parado por vários motivos. Por um lado tinha uma situação de Alzheimer muito complicada em casa (tendo a minha mãe depois morrido no verão de 2012)  e por outro nestes últimos dois anos o meu trabalho como ilustrador foi vindo a aumentar exponencialmente e muito pouco tempo me sobrou para ver cinema oriental ao ritmo que o podia fazer dantes, quanto mais ter tempo para escrever sobre ele como gostaria.
Portanto…
A minha ideia será a partir de agora tentar continuar a dar vida a este espaço, embora nos meses que se seguem a coisa ainda poder vir a ser algo intermitente pois ainda estou com muito trabalho de ilustração em mãos (visitem o meu facebook ou o meu site) e portanto o cinema oriental terá que encaixar algures nisto tudo.
Sendo assim, esta primeira review que estou a postar hoje será assim uma espécie de preview daquilo que ainda pretendo recomendar nos próximos tempos, pois ao longo destes dois anos de silêncio não deixei de acumular alguns títulos que se calhar vocês agora irão continuar a gostar de conhecer.
Recomecemos então…reboot !

Journey to Agartha 00b

[“Journey to Agartha”] (no seu titulo ocidental), é mais um filme de Makoto Shinkai.
Isto para muitos se calhar, será suficiente e nem precisarão de continuar a perder tempo a ler o texto que se segue pois sei que vocês sabem que não querem perder mais esta obra.
Para outros tantos, este filme não será novidade, principalmente para o pessoal que acompanha as notícias Anime e muito provávelmente já o viram. Se assim for, não se esqueçam que este blog serve essencialmente para que eu possa apresentar coisas como esta a quem não conhece e portanto o texto que se segue será dedicado a esses leitores essencialmente.

Journey to Agartha 01

[“Journey to Agartha”], é mais um filme de Makoto Shinkai.
Se nunca ouviram falar dele, nunca viram o seu trabalho ou se calhar até nem gostam particularmente de cinema de animação, então para evitar que eu me repita nas referências e elogios a este jovem realizador, é melhor fazerem uma pausa aqui e lerem as minhas duas anteriores reviews sobre o seu trabalho, nomeadamente o seu primeiro filme caseiro “Voices of a distant star” e o já mais profissional (embora ainda produzido no seu já habitual método “caseiro”), “The place promised in our early days”.
Eu espero…

Journey to Agartha 10



Ok, já leram ?…
Então se calhar percebem melhor o valor que eu enquanto ilustrador dou ao trabalho de um autor com Makoto Shinkai, porque eu sei o que custa desenhar e também me identifico bastante com a sua paixão por cenários e paisagens imaginárias.
[“Journey to Agartha”], é mais um filme de Makoto Shinkai e mais uma vez, temos direito a uma história que apesar de ter que contar obrigatóriamente com personagens e bonecos é essencialmente contada através do uso de cenários incrivelmente bonitos e detalhados.

Journey to Agartha 08

Isto é, os personagens continuam lá, mas como sempre grande parte da atmosfera emocional da história depende muito do ambiente cénico que embrulha toda a narrativa e é aquilo de que eu mais continuo a gostar no trabalho de Shinkai. Toda a poesia da história, toda a emotividade da narrativa são acentuadas essencialmente pela luz dos cenários e principalmente pelos detalhes mínimos que os compõem. Pode ser uma gota de chuva a cair, pode ser uma folha a flutuar ao vento, pode ser uma nuvem de fumo a sair de uma chaminé, mas há sempre um pormenor assim integrado numa paisagem encaixado num momento chave do filme quando se trata de emocionar o espectador. Contrariamente ao habitual, Makoto Shinkai usa a paisagem para humanizar os personagens ao passo que normalmente nos filmes, os cenários costumam ser apenas o suporte visual onde se coloca a acção.

Journey to Agartha 12

Também em [“Journey to Agartha”] a acção está lá, (e até bem mais do que é costume no cinema deste realizador), mas não esperem o típico desenho animado Anime cheio de sequências estilizadas a duzentos frames por segundo. Se são daqueles leitores que nunca se atreveram a espreitar um Anime para cinema porque não podem com aquelas séries televisivas para adolescentes no estilo Naruto ou Dragon Ball, não se preocupem pois os filmes Anime de Makoto Shinkai não seguem de todo essa fórmula e basta terem visto “Voices of a distant star” ou “A place promised on our early days” para perceberem isso.
Os Anime deste realizador não são sobre acção, mas sim sobre temas e histórias apresentados de uma forma mais adulta apesar da aparência juvenil que caracteriza o próprio estilo nipónico de desenho.

Journey to Agartha 18

Shinkai, tem sido apelidado de -novo Myiazaki- e percebe-se porquê. Desta vez, não só os próprios bonecos se assemelham bastante ao que se costuma encontrar em filmes como “Princesa Mononoke”, ou “Nausicaa, Valley of the Wind” como até as temáticas da história se aproximam das preocupações ecológicas sempre presentes no também no trabalho de Hayao Myiazaki, como acontece em “Laputa Castle in the Sky”, “Conan o Rapaz do Futuro” ou até mesmo “O meu vizinho Totoro”; isto porque até [“Journey to Agartha”] conta uma história que gira essencialmente á volta da importância do mundo natural ao melhor estilo Myiazaki.
Aliás, não deixa de ser curioso Makoto Shinkai fazer cinema mais no estilo Myiazaki sem qualquer esforço quando o próprio filho do clássico realizador bem tenta e nunca chega lá, como ficou bem demonstrado na falhada adaptação “Tales of Earthsea” que ficou bem áquem das expectativas de toda a gente.

Journey to Agartha 20

Em [“Journey to Agartha”], Shinkai pela primeira vez não desenha os bonecos. Se conhecem o trabalho do realizador e já viram entrevistas com ele, sabem o quanto ele detesta desenhar bonecos, (como o compreendo…), preferindo antes passar tempo a criar paisagens imaginárias e cenários de fantasia, (idem…) com os resultados absolutamente notáveis que se podem ver em todos os seus filmes.
Na minha opinião, Shinkai desenha as melhores paisagens do Anime actual. Não apenas pelo design mas essencialmente pela forma como sabe iluminar cada cena e coloca sempre um toque de poesia visual que ás vezes só notamos a uma segunda visão.

Journey to Agartha 03

Portanto, desta vez Shinkai delegou a bonecagem para o seu amigo e colaborador mais directo e focou-se essencialmente na realização e no desenho dos cenários, o que não poderia ter dado melhor resultado. Isto porque em [“Journey to Agartha”] os bonecos já deixaram de ter aquele leve toque amador que ainda estava presente nos trabalhos anteriores e os cenários são absolutamente de cortar a respiração na forma como o realizador sabe pintar luz.
Outra coisa curiosa nesta produção está no método de realização do filme. Mais uma vez não há cá estúdios, Makoto Shinkai alugou um apartamento pelos meses de produção, colocou um bando de amigos a viver permanentemente por lá e entretanto foram desenhando e realizando mais esta obra prima visual que apesar de extremamente profissional não deixa de ter sido produzida de forma realmente caseira entre sofás, pizzas e MACs, por um grupo de amigos que depois se volta a separar quando o projecto fica concluído como é habitual no cinema de Shinkai.

Journey to Agartha 15

Mas [“Journey to Agartha”] é sobre o quê ? Bem, como de costume, eu não pretendo contar nada da história, pois como espectador eu continuo a ser daqueles que odeia trailers americanos onde nos explicam a história de uma ponta á outra logo na apresentação e portanto já sabem que comigo nestes textos a ideia é fazer com que vocês sintam curiosidade em descobrir um filme de raíz sem saberem nada sobre ele.
Essencialmente [“Journey to Agartha”] é uma aventura de Fantasia. Uma espécie de mistura entre “Nausicaa, Valley of the Wind” e “Princesa Mononoke” mas com um toque contemporâneo e passada num mundo totalmente inspirado na estética Tibetana e do norte da India.

Journey to Agartha 06

Contráriamente ao que é costume no cinema de Makoto Shinkai, este filme é uma história de aventura mais directa com uma narrativa menos subjectiva e portanto se calhar será o filme mais comercial dele mas nem por isso um produto menor.
Curiosamente, temáticamente, [“Journey to Agartha”] é um filme sobre a morte.
O tema da morte e da perda das pessoas que amamos como sendo algo que faz parte da vida é o fio condutor “invisível” que movimenta toda a história e por vezes a coisa chega a tornar-se até algo pesada e totalmente inesperada embora nunca deprimente. Tem um par de momentos tristes e realmente surpreendentes pelo meio da história mas logo o realizador lhes dá a volta de uma forma poética , deixando-nos a pensar na morte de uma forma mais positiva do que se calhar costuma acontecer quando encontramos temáticas semelhantes em obras bem mais pretensiosas.

Journey to Agartha 09

É mais uma das virtudes de cinema de Makoto Shinkai e também aqui em [“Journey to Agartha”] isso se nota bastante. Os temas importantes estão sempre lá mas nunca nos são permanentemente atirados á cara como sendo a coisa mais importante da história. No entanto damos por nós constantemente a pensar no assunto. Especialmente no caso desta aventura que essencialmente é sobre morte e sobre a forma como cada um de nós tem que lidar com ela. Supreendentemente é um daqueles filmes que se recomenda a quem estiver em processo de luto, essencialmente por ser bastante filosófico e dar-nos algumas perspectivas bem positivas sobre uma coisa que se calhar deveria ser menos assustadora para nós do que é na nossa cultura ocidental. Neste aspecto [“Journey to Agartha”] é claramente um filme saído do cinema oriental sem qualquer sombra de dúvida.

Journey to Agartha 07

Como pontos menos bons, pessoalmente penso que se perde um pouco talvez pelo final, por entrar por conceitos visuais talvez demasiado abstractos quando todo o filme tinha sido bastante linear até então. Penso que as cenas de acção finais perdem um pouco da sua intensidade e toda a parte dramática não funciona particularmente bem, talvez porque nunca se afasta muito daquilo que já vimos mil vezes em mil Animes anteriormente, e até já vimos feito de forma bem mais emocionante.

Journey to Agartha 22

Por isso quanto a mim, aquilo que devia ser o climax emocional e dramático do filme e da história não tem a força que pedia e deveria ter tido. Apenas porque o filme perde um pouco da originalidade que construiu até aí e como tal perdemos um pouco a empatia com o que se passa á volta dos personagens, pois ou tudo é demasiado abstracto ou tudo se passa de forma demasiado rápida como se o filme precisasse de acabar ali e não houvesse mais ideias sobre como terminar o argumento.
Felizmente que depois os minutos finais da história voltam á atmosfera original e tudo termina de uma forma nostálgica e bonita que nos faz desejar que houvesse algures uma sequela a ser preparada. Ou talvez não.

Journey to Agartha 02

Apenas mais uma nota especial para a banda sonora. Novamente podemos contar com uma atmosfera musical totalmente perfeita para o tipo de história que conta. Quem gosta do estilo melódico e orquestral que normalmente acompanha brilhantemente grande parte dos bons Anime para cinema que podemos encontrar por aí, vai adorar a música deste filme.
Recomendo vivamente que espreitem o videoclip com a canção “Hello, goodbye hello”, que embora contenha um par de spoilers vocês nem irão notar sem terem primeiro visto primeiro o filme. É melhor que um trailer e se gostarem do videoclip vão adorar [“Journey to Agartha”].
Resumindo:

—————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

Journey to Agartha 04

Mais um grande filme de Makoto Shinkai, talvez o mais comercial que ele produziu até agora por ser essencialmente uma aventura de fantasia com uma estrutura comum embora ambientada num universo visual bastante pessoal e inspirado no Tibete.
Não há muito mais que se possa dizer, porque quem gosta do trabalho deste realizador já sabe com o que conta e no que toca a ambiente este é mais um filme fabuloso que irá agradar a várias faixas etárias sem qualquer sombra de dúvida por diferentes motivos.
Completamente obrigatório em qualquer videoteca de quem gosta de cinema, independentemente disto ser um Anime ou não.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: Excelente personagem feminina, o espírito de aventura da história, a forma como trata o tema da morte ao longo de todo o argumento, as incríveis paisagens já habituais no trabalho de Makoto Shinkai, as cores são fabulosas, o ambiente de fantasia que nos apresenta um universo diferente, a diversidade dos momentos de aventura, mantém o mistério de se explorar um mundo novo, os personagens cativam-nos á medida que conhecemos os seus destinos, tem algumas supressas pelo meio, a banda sonora.

Contra: O climax da aventura não tem a originalidade do resto da historia pois já vimos isto antes mil vezes em mil Animes, ás vezes sentimos que não havia necessidade da história se ramificar em algumas direcções por onde entra, o tema constante da morte e do luto pode tornar por vezes o filme um pouco fúnebre para algumas pessoas apesar do enorme colorido que percorre todas as imagens (mas isto só será sentido pelo público adulto).

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Atenção que o filme tem dois títulos.
O título original é traduzido no ocidente por: “Children who chase lost voices” sendo o título ocidental oficial “Journey to Agartha”.

Journey to Agartha 21

Trailer
http://youtu.be/-62wqEfsKjo

Videoclip
http://youtu.be/gNCh3DWPkRg

—————————————————————————————————————

Comprar
Encontram-no facilmente em várias edições na Amazon UK.
Recomendo vivamente a edição especial em Blu-Ray pois é fantástica.
Journey to Agarthab 01
Especialmente se gostarem de desenho, pois a caixa contém um pequeno livro cheio de esboços, desenhos e testes de cor efectuados pelo realizador. Só este livro inédito vale a compra do Blu-ray.

Journey to Agartha 23

A caixa contém também o filme em DVD por isso estarão a comprar dois formatos pelo preço de um e ainda levam um disco com extras excelentes sobre todo o processo de produção do filme que vale mesmo a pena serem vistos.
Cliquem nas imagens do produto acima, para seguirem para esta edição na amazon UK.

—————————————————————————————————————

A edição normal em blu-ray é esta aqui.
Cliquem na imagem abaixo para seguir para a amazon UK.
blu ray

—————————————————————————————————————

E a edição em dvd está aqui também.
Cliquem na imagem abaixo para seguir para a amazon UK.

Journey to Agartha 00

—————————————————————————————————————

Não vou colocar nenhum link para download pois estes nunca tardam em desaparecer e não pretendo deixar que o blog se inunde de broken links como já tenho muitos por aqui. De qualquer forma é só procurarem o filme em Torrents que o encontram facilmente. 😉

——————————————————————————————————————

Se gostou deste vai gostar certamente de:

capinha_voices-of-a-distant-star capinha-the_place_prmised_in_early days

capinha_conan-o-rapaz-do-futuro capinha_porco_rosso capinha_wings_of_honeamise

——————————————————————————————————————

FB

 

 

Kurenai no buta (Porco Rosso) Hayao Miyazaki (1992) Japão


[“Porco Rosso“] será porventura um dos filmes mais adultos de Miyazaki e também um daqueles de que as pessoas menos se lembram quando se fala da obra deste realizador.
Talvez por ter uma atmosfera tão poética e etérea enquanto dura, depois ao acabar é como um bom sonho do qual não conseguimos recordar os detalhes.

[“Porco Rosso“] é no entanto um filme que consegue agradar tanto aos mais novos como aos mais velhinhos.
Isto porque possivelmente terá algumas das melhores sequências de acção presentes no trabalho de Miyazaki e todas as idades vibram de igual maneira com os divertidos e fascinantes combates nos céus de uma Itália dos anos 20 onde se passa toda esta história cheia de poesia, aventura e muita nostálgia.

O público mais velho, especialmente quem não conhece o trabalho deste realizador, irá certamente surpreender-se com o tom melancólico que percorre uma história tão estranha quanto cativante e onde há inclusivamente espaço para um par de excelentes histórias de amor.  Histórias de amor que nunca acontecem mas que estão sempre presentes na relação do heroi com os personagens femininos de uma forma que torna [“Porco Rosso“] em algo único e fascinante dentro do próprio universo Miyazaki.

[“Porco Rosso“] conta a história das aventuras, ou das vivências de um piloto de aviões nos primórdios da aviação que cruza os céus de uma Itália nos anos 20 do século passado trabalhando como piloto, mercenário e aventureiro de aluguer.
Habita algures numa espécie de base secreta (bem conhecida de toda a gente), localizada numa ilha do mar adriático e onde vive uma existência solitária longe do mundo e de todos desde que uma maldição o transformou num porco.

Não procurem explicações para isto, pois não existem. É apenas a premissa da história, mas não se preocupem porque vocês nem se vão mais lembrar deste pormenor porque vão estar tão cativados com toda a atmosfera de [“Porco Rosso“] que pouco lhes vai importar a razão de estarem a ver um desenho animado com um porco que pilota aviões.

Toda a história gira á volta das proezas e rivalidades entre pilotos nessa época, onde não falta romântismo, uma pitada de sobrenatural e também espiritualidade quanto baste.
Especialmente no que toca á relação entre Porco Rosso e Gina a dona do Cabaret onde se econtram os pilotos que depois de viverem as suas aventuras todos convergem para adorar de longe a dona do local que os mantém a todos na linha.

Eu quase que aposto que quem conhece os livros de Richard Bach e gosta daquela atmosfera etérea e aerea das suas histórias passadas em biplanos, irá gostar muito de [“Porco Rosso“] também. Isto porque além do tom poético e literalmente flutuante ser bastante semelhante também a parte romântica da história tem aquele ambiente que não ficaria deslocado de um livro do autor de Fernão Capelo Gaivota.

Na verdade não há muito mais para dizer sobre este filme. [“Porco Rosso“] faz parte daquele período que para mim foi o melhor, mais variado e mais imaginativo do realizador e quanto a mim é outro dos seus títulos obrigatórios.
Está cheio de momentos humorísticos geniais e personagens memoráveis que os vai colar ao ecran do príncipio ao fim.
Destaque para a grande galeria de piratas do ar que acabam por criar um dos momentos mais nostálgicos nos segundos finais da história quando os revemos já idosos muitos anos depois da sua época aurea ter passado.

[“Porco Rosso“] para mim que trabalho em ilustração continua a ser uma das minhas grandes referências e provávelmente o grande responsável pelo meu estilo de bonequinhos infantís pois a partir do momento em que vi  pela primeira vez muitos anos atrás a hilariante sequência com as miudinhas raptadas no início da história a minha imaginação nunca mais foi a mesma.

Essa cena continua mesmo todos estes anos depois a ser um dos pontos altos do filme e um dos mais divertidos momentos humorísticos de Miyazaki pelo absurdo da situação e contraste entre a pureza das criançinhas e os piratas em total estado grunho com as suas metralhadoras gigantes.

Resumindo, obrigatório para quem não conhece.
Ainda mais para quem já nem se lembra bem dele.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Cinco tigelas de noodles e um Golden Award claro, acima de tudo pela originalidade, atmosfera e pela criação de um universo único até dentro da própria obra do realizador. Além disso é uma obra prima visual.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: a qualidade dos desenhos e a realização, excelentes sequências de acção, personagens variados e memoráveis, grande sentido de humor caótico, grande sentido de aventura, fantástica atmosfera romãntica e nostálgica, a banda sonora é demais, boa história de amor impossível, é um filme muito poético visualmente e emocionalmente, a sua história tem coisas para todas as idades, tem um final ambiguo perfeito e muito tocante.
Contra: Quem procura um Anime mais moderno não vai gostar disto pois este é um filme muito contemplativo e apesar das suas inúmeras cenas de acção o enfase da história está nos sentimentos dos personagens o que torna [“Porco Rosso“] num estranho filme que não será própriamente uma aventura de acção no estilo que muita gente esperará.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=fmyrWYrvF5s

Comprar na Amazon UK ou na Amazon.Com
Em Portugal pelo que vi, temos a mesma edição á venda e pode ser encontrada na FNAC.
O Livro com toda a arte do filme pode ser comprado aqui também.

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0104652

SEQUEL ?
http://timmaughanbooks.com/2009/06/02/miyazaki-to-draw-porco-rosso-sequel/

——————————————————————————————————————

Se gostou deste vai gostar certamente de:

——————————————————————————————————————