Midnight FM (Simya-ui FM) Sang Man Kim (2010) Coreia do Sul


Este deve ser um dos meus thrillers favoritos dos últimos tempos e curiosamente não faz mais do que aquilo que é costume vermos na habitual história com psicopatas.
Então porque é que [“Midnight FM“] resulta tão bem ?

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A começar, pela simplicidade. Parte de um conceito tão simples como o facto de um psicopata obcecado por um programa de rádio, resolver invadir a casa da locutora e fazer reféns todos os seus familiares, ameaçando-os de morte caso a protagonista não conduzir a emissão da forma que este acha que deve ir para o ar.

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Conceito aparentemente simples, mas na verdade muito bem trabalhado, pois [“Midnight FM“] sem atirar nada à cara do espectador, nem tentar sequer ser um thriller politico acaba pelo meio de todo o seu suspense, por introduzir muitos temas pertinentes e tal como aconteceu em “The Terror Live” fazer também um excelente estudo sobre o poder dos media para influenciar tudo em redor; não sendo estranho o personagem do psicopata ser influenciado pelo filme Taxi Driver.

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Aliás tudo em [“Midnight FM“]  funciona em redor do filme de Martin Scorcese com Robert De Niro e é também aqui que este argumento brilha, pois a história avança na forma como faz constantes referências a esse clássico e se mantem em paralelo com Taxi Driver na forma como usa esse título para dar vida também agora a mais este psicopata urbano fascinado com o poder da radio.

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Se olharmos para a história e para a estrutura de [“Midnight FM“], à primeira vista isto não pedia mais do que ser a habitual aventura de suspense em estilo Hollywood e onde o que importaria seriam apenas mesmo as cenas de acção e pouco mais. Acontece que aqui a coisa vai um pouco mais além. O filme conta com algumas sequências de acção excelentes mas nunca esquece que por detrás de tudo estão bons personagens e é precisamente aqui que mais uma vez o cinema sul coreano brilha.

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Não só os protagonistas são excelentes, como depois todo o seu mundo é suportado por um elenco de secundários que são absolutamente importantes para o desenrolar da história num argumento onde não existem personagens supérfulos e na verdade nem herois nem vilões. Há sempre uma motivação por detrás de cada acção e por isso todo o suspense resulta, até nas parte mais intensas que poderiam retirar-nos por completo de dentro do filme mas tal nunca acontece.

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A cada minuto que passa ficamos mais agarrados a esta história e se calhar nem deveria ser, pois não vão ver aqui nada que já não tenham visto mil vezes na típica história de raptos e terroristas ameaçando vitimas inocentes. Só que lá está, a fórmula é simples, mas o conteúdo é detalhado e cheio de texturas por explorar, integrando muito bem dentro da acção principal temáticas que acabarão por ficar como tópicos de conversa muito depois do filme acabar.

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[“Midnight FM“] é por isso um thriller pensado ao mílimetro. Nada aparece por acaso, há algumas boas reviravoltas, tem conteúdo muito bem integrado nas cenas de suspanse e ainda consegue dar-nos um par de cenas porrada com muita adrenalina para compor o conjunto final. E por falar em final, este filme consegue expandir o final, por vários momentos e esticar o suspense até quase ao último segundo culminando tudo num desenlace perfeito para esta história.

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Não há muito mais que eu possa dizer sobre isto sem lhes estragar o filme todo, por isso se procuram um thriller de suspense de temática semelhante ao que podem ver em “The Terror Live” mas com uma execução particularmente diferente e que embora mais standart e mainstream não deixa de ser extraordinariamente eficaz, então não percam de todo [“Midnight FM“].

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A realização é fantástica, a montagem é absolutamente perfeita e as interpretações são excelentes por todo o elenco (até das criançinhas). Os personagens não são particularmente simpáticos (num estilo cinematográfico) o que é uma abordagem bastante natural , mas vão ganhando empatia connosco à medida que a história se desenvolve e portanto isto não é um argumento com bonecos estáticos. Toda a gente nesta história, muda, evolui e irão gostar de acompanhar cada um dos personagens envolvidos.

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Se gostam de histórias passadas no mundo da rádio, esta é uma excelente opção que não devem perder. Em alguns momentos fez-me lembrar até “Talk Radio” de Oliver Stone, o que só lhe fica bem pois esse é outro daqueles filmes imperdíveis para quem gosta da temática e em particular se gostam tanto do género da -talk radio- quanto eu, pois devoro inúmeras emissões americanas  enquanto trabalho em ilustração diáriamente.

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CLASSIFICAÇÃO:

Este é outro daqueles filmes que para mim valem a nota máxima.
[“Midnight FM“] na minha opinião tem a particularidade de conseguir desenvolver um argumento detalhado a partir de uma ideia simples. Além disso faz tudo bem para nos deixar a roer cadeiras e almofadas até ao último segundo, sendo portanto uma verdadeira montanha russa do príncipio ao fim sem nunca perder o fôlego um segundo sequer.
Se gostaram de “The Terror Live” têm aqui um excelente complemento numa vertente diferente mas não menos intensa.

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Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque [“Midnight FM“] é outro daqueles que se revê inúmeras vezes e a intensidade nunca se perde pois está carregado de adrenalina.

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A favor: a realização, os actores, o argumento, a montagem, a adrenalina.
Contra: á partida poderá parecer algo que já vimos mil vezes no que toca à história central mas não é por aí que perde pontos de qualquer forma.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


IMDB

http://www.imdb.com/title/tt1825955

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E se gostaram deste não vão querer perder:
Capinha_the terror live 
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Gatchaman ( Gacchaman ) Tôya Satô ( 2013 ) Japão


Não consigo entender o que há com os japoneses e os épicos de ficção-científica que tentam fazer.
O Japão parece ser o país perfeito quando se trata de produzirem histórias de amor de baixo ou médio orçamento, pela forma como os personagens são normalmente humanizados e as histórias nos agarram até ao último segundo por muito cliché que sejam, mas no entanto naquilo que deveriam ser absolutamente brilhantes falham sucessivamente.

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O mesmo país que é fantástico a criar animes de acção e aventura envoltos em fantasia e ficção-científica por vezes extraordinária, quando se trata de cinema de animação, parece ter uma enorme dificuldade ao passar essas mesmas criações para filme “normal” de “imagem real” em estilo “live action” e infelizmente não é ainda com [“Gatchaman”] que este enguiço foi quebrado.

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Quase que acertaram, mas ainda não está lá. E mais uma vez não se entende de todo porque um filme destes não se torna imediatamente brilhante no melhor sentido pipoca.
Até porque ainda por cima [“Gatchaman”] começa bem como o raio !

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A primeira cena de acção é não só excelente e entusiasmante,  como ainda demonstra muito bem como se pode filmar acção caótica em estilo disaster movie sem precisar de recorrer a montagens a duzentos frames por segundo. Michael Bay deveria ver este filme e tomar notas pois é assim que se faz.
[“Gatchaman”] tem uma sequência inicial que nos faz pensar imediatamente que finalmente vamos ver um grande filme pipoca produzido no Japão dentro do cinema de super-herois.

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Não só a acção é frenética, como enquanto espectadores conseguimos acompanhar perfeitamente tudo o que se passa na batalha inicial sem precisarmos de um saco de vómito ou ter um ataque de epilépsia. [“Gatchaman”] nos primeiros 20 minutos tem uma montagem do melhor que já vi em filmes de super heróis no que toca a forma como batalhas épicas são filmadas.
Ainda por cima mantém um estilo totalmente manga na forma como pausa algumas sequências por décimos de segundo e deixa as situações respirar mesmo no meio dos combates mais espectaculares.

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Além disso as sequências de vôo ao melhor estilo super-homem no que toca a super heróis de capa, embora simples e breves são absolutamente entusiasmantes e ficam na memória pela sua estética anime totalmente conseguida.
Nota alta para os uniformes dos personagens também. Conseguem manter o estilo do anime original mesmo tendo modificado todo o seu visual de forma a moderniza-lo significativamente.

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[“Gatchaman”] é a adaptação em “imagem real” de uma das clássicas séries anime do mesmo nome e que pelo ocidente ficou conhecida como “Battle of the Planets”,(em Portugal muita gente recordar-se-á até do jogo para o computador ZX Spectrum que saiu baseado nesta série por volta de 1985).
Segundo o que tenho lido, parece que o filme usa a base da série original mas modificou practicamente tudo o resto. O que nem seria problemático, pois na verdade o grande problema de [“Gatchaman”] nem sequer é esse.

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O problema de [“Gatchaman”] é que passada aquela sequência inicial entusiasmente , o resto do filme vai caindo a pique a cada minuto que passa. E isto porquê ? Porque simplesmente perde toda a espectacularidade. Pelo meio a história à força que querer desenvolver personagens, entra por intermináveis cenas de telenovela dramática, onde os personagens gritam e sofrem muito por tudo e por nada, tendo por base acontecimentos traumáticos passados e que não levam a lado nenhum em termos de satisfação cinemática por parte de quem está a ver este filme e só pede que passem à frente.

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Nem o twist pelo meio tem qualquer impacto porque quando acontece já ninguém quer saber dos personagens para nada pois estamos fartos de tanto dramatismo de pacotilha a todo o instante que ainda por cima é totalmente previsível em conteúdo.

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[“Gatchaman”] sofre exactamente da pior coisa que pode acontecer a um blockbuster. Em vez de nos mostrarem o que acontece ou aconteceu na história, os personagens falam sobre isso uns com os outros.
[“Gatchaman”] podia perfeitamente ter continuado a ser bastante divertido e espectacular se nos mostrasse aquilo que é suposto ir acontecendo na história; no entanto os personagens insistem em passar minutos intermináveis a falar sobre isso (ao mesmo tempo que sofrem muito por tudo e por nada) e o espectador nunca se sente imerso naquele universo; salvo um breve momento que mais uma vez tenta ser dramático quando se calhar deveria antes ter mantido a espectacularidade própria de um filme de super-herois.

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Depois há outra coisa muito estranha com o design deste filme. [“Gatchaman”] começa fantásticamente bem com a batalha inicial onde visualmente tudo funciona como um relógio suíço, mas depois parece que o orçamento para o filme vai sendo reduzido a cada minuto que passa. Como se não bastasse os personagens passarem o tempo todo a falar de coisas que o espectador preferiria estar a ver, estes fazem-no normalmente em cenários cada vez mais despidos e desinteressantes. Seja em quartos vazios, hangares vazios, ou corredores vazios, [“Gatchaman”] parece cada vez mais despido do que quer que seja a cada minuto que passa.

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A base dos heróis tem um par de sets bem anime com um design interessante mas tudo o resto é por demais pobre em termos criativos. Especialmente a base dos alienígenas invasores que é surpreendentemente desinteressante como o raio.
Visualmente os CGI que a reproduzem exteriormente são espectaculares mas depois o design do interior dessa suposta base alienígena ultra avançada parece ter saído de um mau episódio de sábado de manhã dos Power Rangers no pior dos sentidos. Verdadeiramente incrível, pela negativa

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Não só todo o climax do filme se passa essencialmente em cavernas sem qualquer interesse visual como ainda por cima parecem aquilo que são; cenários de cartão, esferovite e plástico que inclusivamente abanam por todo o lado quando os actores encalham sem querer por exemplo numa mesa de controlo. Tudo o que é cenário alienígena em [“Gatchaman”] faz lembrar um set do Star Trek original dos anos 60 com a diferença de esta suposta mega produção japonesa parece não ter tido qualquer interesse em desenvolver visualmente metade do filme. Parece até que o dinheiro acabou e resolveram utilizar uns sets quaisquer que estavam por lá à mão de um episódio dos Power Rangers.

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Para agravar a coisa, a parte final da aventura é absolutamente desinteressante. Depois de passarmos pelo menos uma hora a meio do filme a ter que levar com drama de pacotilha sem qualquer interesse (nem me perguntem sobre a inevitável história de amor);  aquilo que esperávamos era que a batalha final fosse pelo menos tão divertida e espectacular como a batalha do inicio. Esqueçam.

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O desenlace da história em [“Gatchaman”] é uma verdadeira decepção também. Não só não tem qualquer suspanse ou sentido de aventura como passamos meia hora a ver combates de artes marciais com super-herois a lutarem em cima de plataformas de plástico todas iguais em cavernas de cartão absolutamente aborrecidas do ponto de vista criativo. E o pior é que nem as lutas têm qualquer interesse e o suspense é praticamente inexistente pois percebe-se logo como tudo irá acabar e só queremos é que os personagens se despachem com aquilo para a gente ir embora.

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Portanto [“Gatchaman”] é mais uma verdadeira oportunidade perdida do Japão conseguir finalmente fazer aquele blockbuster de “Live Action” que toda a gente quer ver. [“Gatchaman”] tinha tudo para ser um verdadeiro “Pacific Rim” oriental devolvendo a sua inspiração a casa mas acabou por se parecer mais com uma sequela de “Space Battleship Yamato” que curiosamente sofre exactamente do mesmo tipo de problemas e não se entende porquê.
O que é mesmo pena, pois o início é fantástico, os personagens prometem e até há uma química muito boa entre os actores naqueles papeis. Por momentos [“Gatchaman”] parece realmente um filme dos Power Rangers muito bem feito. E deveria ter sido.

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Outra coisa excelente são os efeitos especiais o que ainda torna [“Gatchaman”] num desperdício maior.
Como já referi as cenas de vôo iniciais são do melhor que já vi em cinema de super-herois e depois a qualidade continua no CGI em geral, que não fica nada a dever ao que de melhor estamos habituados a ver vindo de Hollywood.
Provavelmente gastaram o orçamento todo em animação de computador e depois não houve verba para cenários ou algo assim…

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Para aqueles de vocês que se lembram também de outro filme no mesmo estilo, o já mais velhinho “Casshern” e querem perguntar-me como se compara com este filme agora, ao menos essa outra adaptação anime igualmente falhada tinha um visual extraordinário, coisa que não acontece em [“Gatchaman”]. Infelizmente no caso de “Casshern” a parte dramática ou de acção ainda foi pior, tendo um filme sido um dos primeiros exemplos da ineptitude dos Japoneses para conseguirem produzir cinema de super-herois. De qualquer forma, se gostarem de [“Gatchaman”] espreitem “Casshern”.

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Apesar de todo este rol de queixas da minha parte, por ter ficado realmente muito decepcionado com [“Gatchaman”], a verdade é que o filme acabou e até fiquei com vontade de ver uma sequela, (e vai haver; vejam depois dos créditos).
Ao contrário do que me aconteceu em “Space Battleship Yamato”, aqui em [“Gatchaman”]  sente-se que existe material suficientemente bom para que á segunda acertem finalmente de vez e possamos ter um blockbuster Japonês realmente bom que já tarda em aparecer.

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Como habitualmente não irei revelar nada da história porque eu ainda sou daqueles que gosta que me recomendem filmes sem me dizerem sobre o que eles são. De qualquer forma se já viram um filme de invasões extraterrestres com super heróis e super vilões já sabem com o que contar.

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Este é mais um. Apenas não é tão interessante como merecia ter sido.
Começa bem e depois sabe-se lá porquê perde-se por completo. Embora, se vocês gostarem muito de filmes de super-herois e especialmente se nunca tiverem ouvido falar destes personagens, vale a pena espreitarem isto, até para compararem os efeitos especiais com aqueles a que estão habituados a ver em cinema americano.

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CLASSIFICAÇÃO

É com pena que não lhe dou melhor classificação mas de qualquer forma [“Gatchaman”] é um filme a ver, especialmente por quem gosta de cinema de super-herois, ou até por quem se lembra bem da série anime dos anos 80 e gostava dela.

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Trés tigelas e meia porque apesar de tudo, como filme não é verdadeiramente mau. Apenas sofre de excesso de exposição e grande pobreza visual no que toca a ambientes. Leva mais meia tigela de noodles na classificação apenas porque a sequência de acção do início é verdadeiramente entusiasmante e os efeitos especiais são de grande nível no que toca a animação digital.

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A favor: a cena de acção do inicio, as cenas com os heróis a voarem entre prédios, a montagem inicial é excelente e não se perde um fotograma da batalha, o design dos uniformes e tudo o que é criado em CGI é excelente, existe boa química entre os cinco heróis e nota-se que há muito potencial aqui para uma sequela como deve de ser.

Contra: passada a invasão inicial os personagens falam demais sobre coisas em vez de nos serem mostrados todos esses acontecimentos em primeira mão, há uma tentativa de dramatizar os personagens que simplesmente não resulta pois tudo parece histérico e forçado demais, perdemos totalmente o interesse nos vilões e toda a ameaça de invasão fica sem qualquer suspense, tenta ter duas histórias de amor que são uma anedota sem qualquer emotividade, a cada minuto que passa o design do filme em termos de cenários e ambientes fica mais pobre, os ambientes alienígenas na nave extraterrestre são de uma pobreza visual incrível e parecem saídos de um episódio dos Power Rangers sem qualquer orçamento (são obviamente de plástico e cartão e isso nunca deveria transparecer num set design), a aventura final não tem qualquer suspense ou interesse, as cenas de acção do fim idem, é mais uma oportunidade perdida do Japão conseguir fazer um blockbuster de “Live Action” com a mesma qualidade com que sabem produzir animes ou histórias de amor de baixo orçamento.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
https://www.youtube.com/watch?v=r56XwTGidsU

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Anime original
https://www.youtube.com/watch?v=SmNs5DuXDdg
https://www.youtube.com/watch?v=6q5uy7VFZaE
https://www.youtube.com/watch?v=HJxcLCHhu4g

Imdb
http://www.imdb.com/title/tt2451110

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The Warrior’s Way (The Warrior’s Way) Sngmoo Lee (2010) Coreia do Sul / Nova Zelândia


O que raio estão Geoffrey Rush e Kate Bosworth a fazer num filme Sul Coreano de cábois com ninjas  filmado na Nova Zelândia ?!!!
De vez em quando aparecem-me pela frente filmes que me fazem ficar absolutamente frustrado por nunca ter tido oportunidade de os ver antes numa sala de cinema e [“The Warrior´s Way“] é o mais recente exemplo disto pois é simplesmente espectacular em todos os sentidos e não estava nada á espera de encontrar algo assim.

Mais uma vez se demonstra que no que toca a filmes pipoca, está mais que na altura de Hollywood colocar os olhos no outro lado do mundo para aprender como se fazem produtos realmente divertidos e carismáticos sem orçamentos gigantes e onde mesmo pelo meio de tanta artificialidade visual com efeitos especiais aos quilos conseguem criar-se histórias com alma e cheias de identidade.

[“The Warrior´s Way“] surpreendentemente foi um dos filmes de aventuras mais divertidos, cativantes e até originais que vi em muito tempo (pelo menos desde “Humanities End” no ano passado) e um dos melhores produtos pipoca que vi este ano; senão talvez o melhor.
Essencialmente estamos na presença de algo que a pertencer a um género será ao Anime (em imagem real), pois [“The Warrior´s Way“] é essencialmente um Western com Ninjas, artes marciais em ambiente steampunk e filmado em modo gráfico ao melhor estilo cinema-photoshop , que embora  usado anteriormente noutros filmes orientais muito antes de Hollywood o ter ido buscar, foi apenas popularizado no ocidente por causa do “300” de Zack Snyder.

Na verdade, estéticamente esta produção com cowboys e ninjas estranhamente é bem mais parecida com o francês “Vidocq” do que até com “300”, por isso se viram esse relativamente obscuro filme com Gerard Depardieu (que até estreou em Portugal no cinema) e gostaram dele quase que aposto que vão adorar [“The Warrior´s Way“].
Não sei quem é que resolveu cozinhar este conceito para um Western com Ninjas, mas o facto disto ainda por cima ser uma co-produção Sul Coreana e Neo Zelandesa, torna [“The Warrior´s Way“] logo em algo completamente inesperado e aposto que essa mistura de culturas não é alheia ao carísma único que sobressai deste pequeno grande filme de aventuras cheio de pormenores divertidos, muita acção e atmosfera extraordinária.

Como alguém disse numa review algures na net, [“The Warrior´s Way“] é um daqueles filmes, cheios de momentos “YES!”. Quero isto dizer que é uma daquelas aventuras cinematográficas em que por mais de uma vez nos apetece saltar do sofá em estilo Ninja também pois cria uma empatia extraordinária com o espectador que entra no espírito da coisa e não tem grandes preconceitos com o estilo extremamente digital que é usado para criar todo o visual da história.

Aliás, [“The Warrior´s Way“] é outro daqueles produtos que demonstra bastante bem que o excesso de efeitos especiais ou de artificialidade não tem que obrigatóriamente destruir um filme; ao contrário do que estamos habituados a encontrar na forma como o cinema americano lida com as novas técnologias onde cada pipoca cinematográfica é mais vazia do que a anterior.
Aqui temos um excelente exemplo de que o -Cinema- enquanto arte,  não precisa de estar ausente dos filmes pipoca e podem haver excelentes produtos ultra comerciais que não só equilibram as novas tecnologias com as formas mais tradicionais de narrar um argumento, como essencialmente poderão criar produtos cinematográficos com tanta qualidade quanto o dito cinema tradicional sempre foi capaz de fazer antes da chegada do digital.

Se a vocês a simples menção ao cinema digital os fizer querer desde já deixar este filme de lado, não o façam antes de o espreitar. Particularmente se gostarem de cinema de aventura.
Não se preocupem porque apesar de overdose de efeitos especiais e carradas de estilo artificial presentes em [“The Warrior´s Way“] , isto tem mais alma e identidade em cinco minutos do que os trés novos Star Wars juntos conseguiram em mais de dez horas de design gráfico sem personalidade.

Isto porque [“The Warrior´s Way“]  pode ser uma demonstração gigante de pirotecnia digital, mas não depende da técnica para nos cativar. Sabe antes, construir bons personagens que dá gosto acompanhar do principio ao fim e onde ao melhor estilo Sul Coreano ainda há espaço para um twist ou dois que cativa o espectador ainda mais.
Não esperem grandes surpresas no argumento, mas podem contar com um pormenor ou dois que os irá surpreender certamente.

Acho que não há um personagem nesta história que não seja interessante. Tudo é tão bem pensado a nível de protagonistas que até os secundários e inclusivamente os figurantes são fascinantes e têm o seu momento para brilhar no meio de tudo o que acontece na narrativa.
Isto acontece porque [“The Warrior´s Way“]  parte logo de uma boa base. Soube construir um universo á parte e fê-lo tão bem que depois foi simples colocar nesse mundo qualquer personagem porque seria quase impossível que este não resultasse bem.
Até o facto de isto ser um Western com Ninjas em estilo cinema de aventuras clássico, nos parece a coisa mais natural do mundo logo a partir dos primeiros minutos mal o heroi chega á velha cidade cheia de cowboys feios porcos e maus.

O ambiente deste mundo digital por vezes parece saído de uma canção de Tom Waits e se forem fãs do cantor/compositor vão perceber o que quer dizer mal vejam o filme e olharem para os personagens que envolvem o circo e o parque de diversões localizado atrás da cidade. Nem vale a pena dizer mais nada sobre isto porque quem gostar de Tom Waits, vai logo perceber a referência que estou aqui a tentar fazer.

Por outro lado –freaks– de todo o género é coisa que não falta em [“The Warrior´s Way“]. Desde os ninjas orientais ao fantástico Coronel, passando pelo inevitável pistoleiro aposentado e á miúda gira da cidade que perdeu toda a familia anos atrás, a galeria de personagens é não só totalmente cativante quanto são os desempenhos dos actores que as habitam.

Geoffrey Rush está totalmente fantástico (e irreconhecível) no papel do bêbado da cidade que foi outrora um grande pistoleiro e Kate Bosworth é totalmente cativante num personagem semelhante ao de Keira Knightley em “Os Piratas das Caraíbas” mas que resulta bem melhor aqui no contexto desta história bem mais simples.

O resto do elenco é perfeito, desde o heroi do filme que nos cativa logo de início, passando pelo  fabuloso vilão -Coronel- que consegue criar tanto bons momentos de humor quanto de tensão e suspanse, até aos restantes habitantes da cidade, toda a gente tem aqui um desempenho cheio de energia que passa para o espectador a todo o instante e torna esta aventura por demais entusiasmante á medida que o filme avança para a sua conclusão.

Ah, [“The Warrior´s Way“], além de ser um western com ninjas é ainda um filme com bébés.
E esqueçam os habituais personagens de bébés fofinhos irritantes que habitualmente conseguem tornar pastosos muitos argumentos com potencial. Muitas das melhores cenas deste filme envolvem o bébé da história que está practicamente presente em todos os gags por vezes hilariantes e não raras vezes cheios de suspanse também que irão encontrar em muitos momentos desta aventura onde só faltam mesmo é indios.

Até a história de amor nos cativa. Talvez fruto da sensibilidade de um realizador Sul Coreano, pois não esquecer que apesar de tudo isto ainda é um filme oriental…apesar de ás vezes nos esquecermos disso por ser essencialmente falado em inglés.
Não esperem um grande romance, mas podem contar com a habitual sensibilidade presente nas love-stories sul-coreanas desta vez aplicada a um ambiente bem diferente mas que funciona perfeitamente para intercalar entre os momentos de acção ou as partes mais humorísticas

Visualmente o filme tem momentos fabulosos.
O digital aqui é usado de forma perfeita para criar um universo á parte da melhor maneira e nunca parece excessivo.
A artificialidade do filme poderá não agradar a quem já decidiu que odeia filmes digitais, mas podem ter a certeza que desta vez todos os “excessos” visuais estão lá para tornar [“The Warrior´s Way“] numa espécie de livro ilustrado e não apenas para serem exibidos á parva.

Os ambientes e as paisagens desta história são uma das grandes razões porque este universo funciona tão bem e se torna bem mais credível do que poderiamos esperar num conceito tão maluco quanto este de ninjas, cowboys e bébés.
Nota máxima para o digital na minha opinião portanto, pois este filme não seria o mesmo sem ele.
É quase um personagem tão importante quanto os de carne e osso.

E por falar em carne e osso, as cenas de acção são totalmente entusiasmantes e espectaculares. As coreografias são criativas, há sangue quanto baste e nem a estética Anime as torna menos cativantes.
Além disso são muito variadas, há espadas por todo o lado, punhais, tiros de pistola, tiros de metralhadora, murros, pontapés nas trombas, dinamites e bébés pelo ar. Brilhante.
Nem o uso algo excessivo do – slow motion- em alguns momentos estragam aquilo que [“The Warrior´s Way“] consegue apresentar e quanto a mim como filme de acção é simplesmente fabuloso e bem mais original na forma do que aparenta á primeira vista.

Resumindo, se procuram um Western oriental, [“The Warrior´s Way“] é tudo aquilo que sempre quiseram ver num filme assim mas nunca encontraram em “Sukyiaki Western Django” ou sequer em “The Good The Bad The Weird” pois acerta em tudo aquilo em que os outros titulos falharam.
Acima de tudo é realmente divertido ao mesmo tempo que não se esquece também de homenagear alguns dos clássicos do western em pequenos pormenores ao longo da história para depois subverter tudo quando mete, bébés, ninjas e … palhaços pelo meio…

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CLASSIFICAÇÃO:

Portanto, com grande surpresa minha leva mesmo a classificação máxima pois adorei este filme e não estava nada  á espera disto.
Não há muito mais que eu possa dizer, é original, é bem mais coerente enquanto filme do que aparenta á primeira vista e é completamente divertido. Possivelmente o melhor filme pipoca que vi este ano.
Eu por mim vou comprar isto para o Natal pois este é um daqueles que não quero de todo apenas ter em cópia sacada da net.
Cinco tigelas de noodles e um golden award porque é brilhante na sua simplicidade e um filme que ainda irei rever muitas vezes sem dúvida nenhuma.

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A favor: a originalidade da estrutura da história e o conceito maluco com ninjas e cowboys que resulta plenamente, a realização é excelente e usa como ninguém a estética Anime em imagem real para criar um produto totalmente cativante, visualmente é fabuloso, personagens cativantes, Geoffrey Rush no seu melhor num papel feito á medida, as cenas com o bébé são hilariantes por vezes, excelente vilão, consegue ter suspanse na previsibilidade, não se leva a sério, fantásticas cenas de acção com muita variedade e criatividade, excelente uso do digital que nunca se sobrepõe á história, é um filme plástico com muita alma e personalidade, tem uma boa história de amor apesar de simples e já vista mil vezes.

Contra: tem dois minutos a mais no fim, pois aquele epílogo era perfeitamente dispensável e quebra o tom emocional do final da história só para voltar a meter um estilo Anime que desta vez destoa negativamente por parecer forçado e realmente artificial ao contrário do que aconteceu ao longo do resto do filme onde tuda a narrativa permaneceu totalmente orgânica. Não há ainda uma sequela ?…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=fSVpW-Lw_i8

Comprar
Está á venda bem baratinho na Amazon.uk por isso é aproveitar em DVD ou em Blu-ray.

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1032751

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Kilme (Kiss Me, Kill Me) Yang Jong-Hyun (2009) Coreia do Sul


Só mesmo os Sul Coreanos para filmar uma história de amor entre uma rapariga que se quer matar e um assassino profissional que lida com a sua profissão como se fosse o emprego mais banal do mundo.
[“Kiss Me, Kill Me“] é mais uma proposta romântica bastante curiosa e que pela forma como está filmada é na realidade bem mais original do que pode aparentar á primeira vista.

Para começar [“Kiss Me, Kill Me“] é bem dificil de classificar. Não é própriamente uma comédia normal, ou o típico filme romântico fofinho ao estilo oriental mas também não é um drama ou sequer um filme de acção. Talvez seja uma comédia negra mas ao mesmo tempo tem uma certa carga triste intimista que quase anula o efeito de algumas das piadas bem conseguidas por sinal.
Por outro lado não deixa de conter alguns gags hilariantes nos locais mais inesperados e os dois protagonistas á medida que história se desenvolve vão ganhando uma química excelente no ecrã.

A estrutura é bem mais original do que aparenta, porque [“Kiss Me, Kill Me“] é um daqueles filmes em que nunca sabemos bem o que vai acontecer a seguir e mesmo quando adivinhamos, há sempre qualquer coisa que se mete pelo meio trocando as voltas ao espectador por mais do que uma vez; o que tem como efeito secundário o filme pular entre géneros com uma facilidade bastante natural que lhe dá um certo carísma.

Na sua essência não é uma comédia, mas está cheio de piadas cirurgicamente colocadas nos momentos mais inesperados para nos fazer rir, ás vezes até nos momentos mais tristes e dramáticos. E vice-versa.
[“Kiss Me, Kill Me“] enquanto filme romântico não se insere bem naquilo que o espectador espera quando o vê pela primeira vez, mas é isso que ao mesmo tempo lhe dá uma grande personalidade.

Contém cenas de acção interessantes, suspanse quanto baste e um par de twists ao melhor estilo cinema romântico Sul Coreano, que embora não sejam propriamente inesperados são sempre bem-vindos e neste caso ajudam a tornar esta história  num bom filme romântico a não perder por quem gosta do género e quer ver algo que ainda não viu neste estilo de histórias. Não porque seja muito original mas porque a sua força está nos muitos pormenores que estão espalhados pelo argumento e bem ilustrados pela própria realização do filme.

E por falar em realização, ao contrário do que aconteceu em “Daisy“, um filme á primeira vvista semelhante no que toca a histórias de amor com assassinos profissionais, aqui em [“Kiss Me, Kill Me“] a estética nunca se sobrepõe á história mesmo o filme tendo um estilo visual particularmente diferente por força até de alternar bastante entre vários géneros de história. Nunca se sente também que a história esteja fragmentada por causa disso, o que só revela o bom trabalho do realizador a equílibrar os vários diferentes elementos.

Em certas alturas, o tipo de humor negro faz lembrar bastante o hipnótico e bastante esquecido “Sweet Rain“. Até a parte da história á volta do submundo do crime tem algumas semelhanças na forma como o humor é usado para criar momentos inesperados ás vezes nas alturas de maior suspanse e tensão.
O tom da história de amor algo desconcertante remete imediatamente [“Kiss Me, Kill Me“] para algo semelhante ao que poderão ver em “Castaway on the Moon” pois até o próprio ambiente do filme tem certas semelhanças.

Como thriller de acção resulta , pois toda a história á volta da profissão do protagonísta é cativante quanto baste, como comédia negra tem bastantes momentos humorísticos inesperados que os vão fazer rir nos momentos mais inclassificáveis, como filme dramático – sério – consegue uma carga intimista algo tocante na forma como lida com o tema da solidão e finalmente como história de amor vai nos cativando é medida que as coisas se sucedem.

Embora na minha opinião, a parte romântica não resulte logo do início; coisa que não demora muito a ser reparada e a partir da hilariante damático-cómica sequência do passeio no parque de diversões duvido que alguém que veja este filme não fique logo a torcer pelos protagonistas.
Sabem aquelas cenas românticas típicas em que um casal enamorado passeia pelo jardim, anda nos carrosseis do parque de diversões, come algodão doce, etc ? Já viram isso antes certo ? Errado.
Nunca como neste filme e é bem divertida pela forma como falha redondamente por ser a sequência mais anti-romântica de todos os tempos neste contexto e ao mesmo tempo cimenta a relação dos protagonistas dando a volta por completo aos clichés do género.

Essencialmente não há muito mais para dizer sobre [“Kiss Me, Kill Me“] sem correr o risco de estragar o prazer da descoberta.
O trailer dá uma ideia mais cómica e caótica do estilo de filme do que na realidade este é, mas mesmo assim se procuram mais uma história de amor Sul Coreana e tal como eu ficaram um bocado desiludidos com “Daisy” que tem uma temática semelhante, se calhar poderão curtir muito este filme.

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CLASSIFICAÇÃO:

É mais uma boa história de amor Sul Coreana a juntar á colecção por todos vocês que chegam a este blog á procura de filmes do género. Não será inesquecível mas enquanto dura é interessante e tem alguns bons momentos tanto a nível dramático como a nível de suspanse e comédia negra.
Sendo assim é um daqueles filmes do qual não se pode dizer grande coisa negativa. Não deslumbra mas é competente e tem um certo carísma que só lhe fica bem e o distingue de tantos outros títulos semelhantes.
Quatro tigelas de noodles pois vale a pena espreitarem nem que seja uma vez.

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A favor: está cheio de gags humoristicos nos sitios mais inesperados, a sequência do parque de diversões é um gag tão trágico quanto original e bem divertido, a história de amor resulta e ainda tem tempo para um twist engraçado, os protagonístas têm carísma, as cenas de acção são interessantes e o filme consegue ter algum suspanse, não será um clone mas nota-se grande influência (bem aproveitada) do estilo “My Sassy Girl” que já se tornou incontornável no moderno cinema de comédia romântica Sul Coreano.
Contra: não tem nada que o torne um grande filme por aí além, tem uma carga triste e algo intimista que se calhar seria dispensável (ou talvez não), não fica na memória.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer – em tom mais ligeiro do que o filme é na realidade.
http://www.youtube.com/watch?v=5EF_838Ka_Y

Comprar
http://www.yesasia.com/us/kiss-me-kill-me-dvd-first-press-edition-korea-version/1022023550-0-0-0-en/info.html

Download aqui – com legendas em inglés.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1430619

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Outros títulos românticos recomendados:

My Sassy Girl

Be With You Il Mare The Classic Fly me to Polaris

concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

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Saam gwok dzi gin lung se gap (Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon) Daniel Lee (2008) China


Se procurarem saber alguma coisa sobre este filme pela web, irão descobrir que não é particularmente apreciado.
Por outro lado, também não é particularmente odiado e mesmo quem lhe atribui uma crítica negativa geralmente também lhe dá algum valor em certos aspectos, o que torna [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] num daqueles filmes algo ambiguos que poderá agradar muito a muita gente ao mesmo tempo que desagrada também bastante a outra metade.

Já conhecia este titulo há anos desde que ele foi lançado, mas nunca lhe tinha prestado grande atenção precisamente por causa da sua reputação algo tosca. Pela mesma razão também nunca o cheguei a comprar ou sequer sacá-lo de algum torrent para espreitá-lo pois estava mesmo convencido de que seria bem fraquinho por todas as razões que as várias reviews apontavam ao longo destes anos.
Bom, fiquem já a saber que esta review vai ser outra daquelas bem contraditórias porque eu gostei muito deste filme, precisamente pelas suas fraquezas.

Eu explico.
Supostamente [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] será a adaptação cinematográfica de um daqueles clássicos da literatura épica chinesa e por essa razão é considerado uma adaptação bem fraquinha. Isto porque só tem 98 minutos de duração e segundo muita gente entendida no assunto, resumir em pouco mais de 90 minutos uma obra literária como aquela tem o mesmo efeito que teria uma adaptação do Lord of the Rings se este tivesse tentado adaptar a trilogia de Tolkien num único filme com pouco mais de hora e meia.

Tudo em [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] passa a correr.
E nota-se !!!
Os seus criadores tentaram remendar a coisa, recorrendo a uma constante narração em voz-off de um dos personagens mas sente-se constantemente a artificialidade desse truque narrativo, embora não me tenha chateado particularmente e penso que até resulta muito bem dramáticamente quando a história chega ao fim.

Durante toda a sua duração o filme anda perigosamente na corda-bamba entre o épico chinês cheio de personalidade e o desastre cinematográfico que vai descambar a qualquer momento, isto devido á própria estrutura com que o argumento é alinhavado para fazer caber tudo (?) o que é importante realçar da obra original na sua adaptação ao grande ecran.

Ainda mal nos habituamos aos personagens, já se passaram vinte anos nas suas vidas e de repente todo o filme parece mudar de rumo. E isto acontece várias vezes ao longo da história o que leva muita gente a considerar que uma das grandes falhas de [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] é ser um filme com personagens desprovidas de qualquer alma e portanto desinteressantes.
Ora bem…Eu discordo.

Não só discordo bem alto, como digo mais, eu não estava nada á espera que um filme com uma estrutura tão acelerada quanto esta conseguisse ter tempo para dotar tantos personagens com tanta humanidade.
Pessoalmente aquilo de que acusam [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] como sendo a sua grande falha, é na minha opinião a sua grande mais valia.
Não sei como foi possivel num argumento  tão alinhavado quanto este o realizador ter conseguido espaço para fazer com que nos importassemos com os personagens.

O filme acabou e estas pessoas com o seu percurso de vida  ficaram-me na memória, o que para mim é logo motivo suficiente para atribuir uma boa classificação a este pequeno grande épico falhado.
Pode ter falhado em muita coisa, mas na minha opinião é completamente errado dizer-se que [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] falha porque não permite ao espectador criar empatia com os personagens.
Não posso discordar mais deste argumento, pois em 90 minutos estas pessoas ficaram-me mais na memória do que todos os personagens das quase seis horas de “Red Cliff”, supostamente aquela obra-prima dos épicos chineses, mas do qual neste momento já nem me recordo de um único personagem com que me tenha importado.

Sendo assim, acima de tudo penso que [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] é um bom filme sobre os caminhos da amizade e além disso contém dois personagens principais que ligam toda a história e que não podiam ser mais diferentes, o que contribui bastante para que a carga dramática da história funcione bem na minha opinião, nos momentos em que tem oportunidade de ter espaço no filme por entre tanta batalha e saltos cronológicos no argumento.

Não esperava mais do que encontrar um filme de porrada com uns bonecos de cartão e surpreendeu-me mesmo muito encontrar um filme onde até os personagens secundários com pouco tempo de exposição conseguem ser apresentados com uma abordagem muito humana e ainda gostei mais desta ser uma história sem bons nem maus. Apenas sobre governantes e soldados.

Outra das críticas negativas que apontam a esta obra está no facto de conter muito pouca estratégia nas cenas de batalha. Parece que o coração do texto clássico original está precisamente no facto de se centrar bastante nos aspectos técnicos das campanhas militares e muita gente ficou muito decepcionada porque  [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] não se parece com “Red Cliff” onde esse aspecto é central no desenvolvimento dramático.
Como o filme de John Woo não me disse grande coisa mesmo com excelentes cenas de estratégia militar, eu por mim prefiro uma história com personagens cativantes e portanto, o facto deste filme de Daniel Lee ter pelo visto falhado por completo na representação cinematográfica das cenas de batalha que deveria ter encenado de outra forma, a mim não me chateou minímamente.

Aliás, adorei as cenas de acção deste filme e também não entendo as críticas negativas que lhe são feitas.
É um facto que tudo é muito rápido e todas as sequências são muito breves. E sim, o estilo visual é ligeiramente inspirado no que Wong-Kar-Wai fez em “Ashes of Time” como referiram algumas reviews, mas que raio, onde está o problema ? A violência neste filme não só resulta como é totalmente crua e até bastante realística no que toca a pessoas cortadas aos bocados e baldes de sangue quanto baste, onde nem faltam braços decepados, cavalos espetados e gargantas abertas a jorrar sangue em grande plano para divertimento de todos os sádicos cinematográficos que como eu adoram batalhas medievais com intensidade. Se têm alguma falha, está mesmo no facto de tudo se passar demasiado rápido e nem a utilização do slow-motion atenua essa realidade.

O filme começa como cinema de aventuras e contém um par se sequências verdadeiramente divertidas e emocionantes, com destaque para o momento em que o heroi parte para salvar o herdeiro real e assistimos a uma sequência absolutamente inclassificável que envolve espadas, cavalos, soldados, acrobacias quanto baste e bébés reais. Vão adorar.
A segunda metade do filme é bem mais contida e a tom torna-se mais dramático até nos combates. Para isso muito contribuem os “vilões” da história que equilibram muito bem toda a narrativa e tornam o filme ainda mais humanizado, o que só lhe fica bem no meio de tanto balde de sangue.

[“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] agradou-me imenso e não estava nada á espera disto. Não será o meu épico chinês favorito dentro deste estilo, mas ganhou um lugar de destaque na minha colecção.
Visualmente tem momentos fantásticos e cheios de atmosfera com uma boa fotografia que ajuda imenso a tornar ainda mais épicos os cenários naturais que abundam nesta história.

Sendo assim, para mim é um verdeiro feito, alguém ter conseguido realizar um filme deste género, nestes moldes, tão rápido, tão resumido e mesmo assim conseguir chegar ao fim e deixar o espectador a pensar naqueles herois.
A sua ambiguídade para mim não deverá ser motivo para comentários depreciativos mas sim aquilo que lhe dá muita personalidade e alma quanto baste. Coisa que épicos muito maiores, mais perfeitos e com menos falhas se calhar raramente conseguem atingir.

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CLASSIFICAÇÃO:

Contém muitas falhas é certo. Talvez o seu maior defeito seja mesmo a sua narrativa acelerada que tenta condensar em 90 minutos um texto que precisaria pelo menos de trés horas só para adaptar em condições a primeira metade desta versão. No entanto, esta sua fraqueza, na minha opinião é também aquilo que lhe dá muita força pois o realizador nunca perde o pulso ao trabalho e tudo aquilo que poderia ter descambado numa tragédia cinematográfica, acaba por se transformar num pequeno filme medieval, muito divertido e cheio de personalidade.
Se calhar não vale esta excelente classificação que lhe dou, mas a verdade é que fiquei com vontade de o rever e mesmo pela sua duração deverá ser um daqueles filmes do género que me irá acompanhar ainda muitas vezes nos anos que virão.
É um filme de aventuras medievais simpático e cativante.
Cinco tigelas de noodles portanto sem qualquer reserva de maior.

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A favor: consegue ser mais do que apenas um filme de porrada, tem uma surpreendente humanização de personagens que não esperava encontrar aqui de todo, não tem “maus” nem “bons”, óptimo trabalho dos actores, até os secundários têm carisma, excelente utilização das paisagens naturais da China e cenários épicos cheios de atmosfera, óptima fotografia e excelente guarda-roupa também, baldes de sangue nas cenas de combate, boas cenas de acção e um par de momentos de grande aventura muito divertidos, excelente banda-sonora que embora não fique na memória contém alguns momentos que ilustram perfeitamente tanto as cenas de aventura como os momentos mais emotivos dos personagens.
Contra: tinha potencial para ser um épico absolutamente brilhante e inesquecível mas a sua curta duração e velocidade narrativa acelerada impede-o de ser realmente grande, quem não gosta de histórias narradas em voz-off irá achar este filme algo irritante, falta-lhe um bom desenvolvimento para a história de amor que se vislumbra por breves minutos no início..

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=PQ6Ah_Mu8Sk&feature=related

Comprar
Se viverem em Portugal neste mês de Setembro de 2011 podem ainda encontrar o dvd simples e sem extras por 1.99€ em qualquer banca de jornais.
Podem encontrar na amazon.uk também em dvd ou bluray.



Download aqui
com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0882978

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