Hôrudo appu daun (Hold Up Down) Hiroyuki Tanaka (2005) Japão


Não fora a quantidade de piadas com Jesus Cristo presentes nesta divertida comédia japonesa e este [“Hold Up Down“] seria um sério candidato a remake americano.
Assim como está, dúvido que alguma vez vejam esta história em versão Hollywood pois o seu humor blasfemo teria certamente bastantes problemas com muito do público evangélico por terras do Uncle Sam com toda a certeza.

O que quer dizer que também não será própriamente um filme recomendado a pessoas mais religiosas ou que se ofendam facilmente com gags envolvendo o Jota Cê mais popular do planeta.
Quanto a mim contém algum do melhor humor blasfemo dos últimos tempos e só tenho pena que mesmo assim não seja tão ofensivo merecia ter sido, pois havia aqui material para ter sido ainda mais engraçado.

Na verdade apesar de conter algumas das melhores piadas com Jesus Cristo talvez desde “A Vida de Brian” dos Monty Python estas são na verdade até bem inofensivas para minha desilusão, pois muitos dos gags só teriam a ganhar se [“Hold Up Down“] tivesse tido coragem de ser menos politicamente correctos apesar de tudo, embora contenha gags hilariantes quanto baste envolvendo todas as situações inimagináveis com padres, psicopatas, policias malucos, ladrões azarados e Jesus deslizantes…

Este é um daqueles filmes que justifica plenamente a minha intenção original ao criar este blog para divulgar propostas cinematográficas originais daquelas que não se costumam encontrar nas salas com muita frequência; isto porque na verdade não se percebe bem que raio de filme é este.
Começa como sendo uma típica comédia de assaltos; uma espécie de – heist movie – em versão anárquica, estilo Pulp Fiction oriental em esteroídes algo contidos, mas logo entra por territórios completamente inesperados, tanto em estilo de argumento como em visual, o que levará a um par de bons momentos inesperados na segunda metade do filme quando entra por caminhos completamente parvos e totalmente inesperados.
O que torna [“Hold Up Down“] num daqueles titulos que nos agarra a partir do momento em que percebemos que na verdade não estamos a perceber o que raio estamos a ver e por isso precisamos mesmo de continuar a olhar para o ecran. Especialmente quando entra em cena o “Jesus Cristo” estilo picolé sobre rodas…

Mas [“Hold Up Down“] não vive apenas do humor blasfemo. Na verdade desde cedo se percebe que o seu estilo visual vai ser fundamental para que muitos dos gags tenham piada não pelo que se passa mas pela forma como muitas vezes os acontecimentos são filmados.
A sequência incial da esquadra de policia com todos os queixosos é um bom exemplo de como se pega em algo que no papel não passaria de um conjunto de personagens sem grande coisa para fazer e no entanto cria um momento de humor único envolvendo um turista perdido, um cidadão agredido, uma gaja boa vitima de assédio sexual, uma velhinha que perdeu um gato, um psicopata com um bastão e um “Jesus Cristo” assaltado frente a um par de policias totalmente ineptos.

Tudo numa sequência criativa que dura largos minutos em total plano fixo ao melhor estilo cinema-de-autor mas que aqui resulta num gag que essencialmente define o estilo visual que o filme irá tomar na forma como trata o humor da história.
[“Hold Up Down“] é por isso visualmente um filme muito estranho.
Para começar tem uma estrutura completamente imprevisível suportada por uma história daquelas que faz o espectador pensar a todo o instante que sabe o que vai acontecer , para de seguida lhe trocar as voltas  a todo o instante. É este um dos seus grandes trunfos para agarrar o espectador, isto porque se assim não fosse, o filme seria até demasiado estranho para poder ser considerado um comum filme comercial nos moldes a que estamos habituados devido á sua realização estilizada que nos lembra algo… a todo o instante…

Este é o tipo de filme que se tivesse sido produzido em Hollywood a máquina publicitária iria ter bastantes dificuldades em vendê-lo com um rótulo apontado a um target de audiências específico.
[“Hold Up Down“] tem um estilo visual e um ritmo tão estranho que não se enquadra própriamente no que estamos habituados a ver neste estilo de comédias totalmente anárquicas. Tem algumas semelhanças com “Men Suddenly in Black” mas se calhar consegue ir mais longe tanto nos momentos de humor como no próprio conceito.
Mas há mais.

Curiosamente o filme fazia-me lembrar aquele estilo “frio” do cinema de Stanley Kubrick mas em versão tresloucada a todo o instante. Até que percebi o porquê , o que me deixou bem surpreendido por não ter sido apenas impressão minha. E mais não posso dizer pois garanto-vos se conhecerem bem os filmes emblemáticos do realizador de Shinning vão curtir muito o que lhes vai aparecer pela frente na segunda metade da história pois se pensam que piadas com um Jesus Cristo seria o cúmulo da loucura nem imaginam o rumo que esta história toma a partir de certa altura com a sequência do casamento…

[“Hold Up Down“] é um daqueles titulos que valem mesmo a pena ser vistos pelo menos uma vez. Poderão não conseguir entrar fácilmente no seu estilo algo indefinido devido aos vários rumos que o argumento consegue tomar sem perder o fôlego e poderão até nem gostar do filme no final ou até achar-lhe grande piada. No entanto tenho a certeza que ficará na memória precisamente por ser tão diferente ao mesmo tempo que parece uma comédia de assalto típica.

Não procurem qualquer lógica na história. Não é para ter. É um daqueles filmes para curtir mesmo e não é para fazer sentido. Podia ser intitulado – “Mil e uma coisas para fazer com Jesus” – e vai agradar a toda a gente que tiver sentido de humor negro, gostar de filmes com policias, ladrões e … coisas do outro mundo em todos os sentidos.
Pode ser estípido como o raio, mas a ser alguma coisa poderá ser uma espécie de comédia dos Monty Python se alguma vez tivesse sido filmada pelo Stanley Kubrik e escrita pelo Quentin Tarantino, produzida no Japão.
Se estas referências lhes dizem alguma coisa não percam porque vale a pena.
Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma comédia cheia de momentos inesperados que muitas vezes até nem parece ter grande graça até que nos acerta com mais um gag totalmente inesperado para nos fazer rir á parva.
É um daqueles filmes para deixar o cérebro á porta e simplesmente curtir tudo o que de inesperado acontece nesta história que não tem ponta por onde se lhe pegue mas tem um grande sentido de humor negro de caríz biblico e até kung-fu sobrenatural. Além de ser uma história de policias e ladrões que também gostam de brincar com modelos de comboios e padres que de repente encontram Jesus na sua vida. E também mete um psicopata que ataca pessoas com bastões. E mais coisas inimagináveis…
Um filme bastante original que na verdade nem se consegue enquadrar em qualquer género, pois por vezes até parece cinema-de-autor para logo no momento a seguir se calhar até não.
Divertido quanto baste, inofensivo, braindead e muito criativo na forma como mistura géneros diferentes para um resultado que merece na boa cinco tigelas de noodles e só não leva um Gold Award também porque nem sei…

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A favor: a originalidade da estrutura da história, as piadas com “Jesus”, o inesperado de muitos gags, a realização que alterna entre o Kubrick pastilhado e o Tarantino na ganza, tem um argumento totalmente imprevisível, personagens alucinantes e completamente ilógicos, mistura uma quantidade de géneros num argumento que não tem ponta por onde se lhe pegue e faz tudo resultar num produto bem divertido.
Contra: na verdade não tem nada de negativo…poderá ser demasiado estranho para quem está habituado a um tipo de comédia mais comercial ao estilo ocidental, as piadas religiosas poderiam ter sido muito mais ácidas pois quanto a mim ficaram ainda demasiado politicamente correctas para o que eu gostaria que tivessem sido, a cena de acção com kung-fu parece demasiado longa, é original mas provavelmente não ficará na memória.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
NOTA: Não vejam o trailer antes de verem o filme pois vai quebrar muitas das surpresas visuais que fazem grande parte das piadas resultar pelo seu inesperado quando se vê o filme sem sabermos nada dele.
http://www.youtube.com/watch?v=h4tTAvgcGhs

Comprar
http://www.cdjapan.co.jp/detailview.html?KEY=JABM-8003

Download aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0461523

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Wai dor lei ah yut ho (Dream Home) Ho-Cheung Pang (2010) China


Os Chineses reinventaram o slasher-movie !
Quando eu pensava que nada já haveria para fazer neste género eis que me surge pela frente uma coisa como esta.
Bem-vindos a [“Dream Home“] provavelmente o primeiro filme de terror sobre a crise imobiliária alguma vez produzido.
Digam-me lá que nunca sonharam com um apartamento localizado num sitio como este abaixo ?

Eu odeio Slashers.
Nunca percebi a piada daqueles filmes em que um gajo com uma faca limpa um a um os personagens da história cortando-os ás fatias e é um género que sempre me deu sono.
Nunca percebi a importância de “Halloween” de John Carpenter e filmes como “Sexta Feira 13” se me conseguirem manter acordado só me dão vontade de pegar numa faca e xinar os autores do produto também. E a isto nem “Psycho”  escapa.
Este tipo de filmes nunca me interessaram de todo, nem que fossem consideradas inovadoras obras primas do cinema pois estou-me borrifando para uma suposta cinéfilia obrigatória.

Por outro lado não tenho nada contra adolescente boas em t-shirts molhadas a serem esfaqueadas por ordem de entrada mas sinceramente sempre achei os slashers das coisas mais desinteressantes alguma vez produzidas pelo cinema pois não me recordo de alguma vez ter sentido qualquer suspanse ao ver um titulo do género na sua fórmula americana adolescente mais pura.

Por isso agora [“Dream Home“] surpreendeu-me bastante.
Primeiro não estava nada á espera que este filme fosse um slasher-movie, pois fui vê-lo sem saber nada sobre ele e estava convencido que seria algo semelhante a “Dark Water” ou uma simples história de fantasmas passada em apartamentos assombrados.
Quando o filme entra logo nos primeiros minutos pelo puro slasher-filma dentro fiquei bastante surpreendido e ainda mais surpreendentemente, desde o primeiro massacre nunca mais consegui desviar a atenção desta história pois tudo parecia por demais bizarro e estranhamente cativante.

[“Dream Home“] não é propriamente um filme normal sobre psicopatas. Esqueçam o “Psycho”, o Jason ou até o Hannibal Lecter. A tipa deste filme deve ser o melhor psicopata de todos os tempos pela forma aparentemente arbitrária como despacha com naturalidade e simplicidade todas as pessoas que se intrometem entre ela e o seu sonho de poder comprar um apartamento com vista para o mar em Hong Kong.
Nota alta para a actriz principal e para um personagem tão cativante quanto repulsivo que alterna algures entre uma normalidade a explodir de frustração e o carrascos mais sádico que vocês poderão alguma vez ter visto desde “Audition“; curiosamente outra mulher aparentemente simpática.

A história acaba por ser cativante porque pelo meio da carnificina, na verdade [“Dream Home“] é um drama num formato episódico onde por entre flash-backs que nos explica porque razão a miuda decide limpar o sebo a tudo o que mexe num bloco de apartamentos inteiro, ainda há espaço para um estilo de filme que tem muito pouco a ver com o que esperariamos encontrar num slasher-movie.

Na verdade não há muito mais para dizer sobre isto. É um filme totalmente claustrofóbico e torna-se fascinante porque é realmente um filme de terror baseado na crise económica o que lhe dá uma actualidade bem divertida e talvez por isso até muita gente na net classifique este filme como comédia negra. A mim não me deu grande vontade de rir, mas se calhar foi porque estava demasiado espantado com a originalidade de todo o conceito e demasiado arrepiado com mulheres grávidas a esvairem-se em sangue e asfixiadas com aspiradores em modo de sucção…

Sim, porque não se esqueçam que isto é um filme de terror. E terror que funciona não só porque mete nojo enquanto filme gore, mas porque realmente a atmosfera da história e a própria caracterização da personagem principal muito contribuem para que depois as cenas com tripas e baldes de sangue ainda nos pareçam mais angustiantes.
Se gostam de cenas de tortura completamente indiscritíveis têm aqui o vosso melhor filme a seguir talvez a “Ichhi The Killer” e, claro, “Audition“.

E se pensam que já tinham visto tudo no que toca a cenas de tortura e banhos de sangue, se calhar é porque ainda não viram [“Dream Home“]. O impacto não está propriamente no gore , mas sim na parte psicológica que o envolve o que torna este filme numa história completamente eficaz que os vai arrepiar e confundir.
Confundir porque ás vezes irão ficar sem perceber o que raio se pode passar mais a seguir e como poderão as próximas cenas de tortura poderem vir a ser ainda mais angustiantes do que a anterior.
Isto porque o filme abre logo bem nesse aspecto. Mal a primeira cena de tortura com o segurança apareceu, percebi logo que [“Dream Home“] tinha qualquer coisa de muito especial e até original que felizmente soube manter até ao fim.

Há de tudo nisto, espancamentos, droga, sexo oral, sexo kamasutrico, meninas orientais nuas, mulheres grávidas que se esvaiem em sangue, adolescentes cortados aos bocados com tripas para fora, tiros na cabeça, castrações á faca, penis decepados em grande plano, mais sexo, tábuas pela nuca, etc, etc, etc num manancial de horrores físicos em tom totalmente doentio que não se recomenda de todo a quem se impressiona com este tipo de cenas ou tem estômago fraco.

E parece que também tem comédia. Dizem.

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CLASSIFICAÇÃO:

Provavelmente não irei voltar a ver isto tão cedo, mas não há dúvida que estamos na presença de um produto de horror bem original e muito eficaz.
Não só é um excelente filme gore de terror, um óptimo e muito original slasher-movie (quem diria…) mas ainda tem espaço para ser um drama eficaz que embrulha bastante bem todo o horror á volta da personagem principal que na verdade só quer que lhe deixem comprar uma casa nova aproveitando a crise do mercado.
Sendo assim, não posso deixar de lhe dar cinco tigelas de noodles pois pode não ser um daqueles que nos apeteça ver mais do que uma vez, mas enquanto dura vai mantê-los interessados, horrorizados e fascinados.

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A favor: a personagem principal é fantástica, as cenas de tortura são angustiantes e cheias de momentos surpreendentes, tem sangue e visceras que nunca mais acabam, boa atmosfera e excelente utilização dos cenários para criar suspanse. Parece que foi baseado num caso real…bolas, bolas, bolas !!!
Contra: estranhamente o filme nem tem 100 minutos sequer mas pareceu-me ter duas horas no mínimo por isso há algo que falha a nível narrativo e talvez o drama precisasse de ter sido apresentado de uma forma mais dinâmica.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=o4dD1Fvw6XI

Comprar
Baratinho na Amazon Uk em DVD.

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1407972/

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