In-lyu-myeol-mang-bo-go-seo (Doomsday Book) Pil-Sung Yim – Kim Jee-Woon (2012) Coreia do Sul


Aviso, este texto poderá conter pequenos *spoilers*. Se ainda não viram o filme se calhar torna-se bem mais fascinante se o virem primeiro sem saber absolutamente nada sobre o que irão ver e como tal não sei se recomendo que leiam já o que vou escrever a seguir. Não revelo nada de mais, mas se calhar este é um daqueles filmes que é para mergulhar nele sem fazer a miníma ideia do que irão encontrar. Por isso estão por vossa conta. 😉

Doomsday_Book_10

Comecei a ver [“Doomsday Book”] da melhor forma. Sem saber nada sobre ele. Pela capa parecia-me algo de ficção científica e portanto não podia deixar de o espreitar.
Comecei a ver [“Doomsday Book”] e ainda nem tinham passado cinco minutos e já eu estava a pensar criar uma nova secção neste blog apenas para WTF filmes. Ou seja, ainda o primeiro episódio presente neste filme ia a meio e eu só pensava, what the fuck ?!! Mais uma vez o cinema da coreia do sul surpreende e quando eu pensava que já tinha visto tudo, dei por mim a não conseguir adivinhar o que iria aparecer a seguir, o que é sempre bom sinal num mundo cheio de histórias mil vezes repetidas. Especialmente quando a primeira história envolve os habituais zombies tresloucados.

Doomsday_Book_09

Por outro lado, WTF ?!! É bom sermos originais, mas quando vocês virem o primeiro episódio disto vão perceber, porque razão agora não tenho palavras para o descrever.
[“Doomsday Book”] é aquele tipo de filme que eu normalmente odeio. Ou seja, em pouco mais de 100 minutos temos direito a trés curtas metragens independentes realizadas por várias pessoas (uma delas do mesmo realizador de “The Host“, as outras do realizador de “Hansel & Gretel“) o que é algo que me costuma logo afastar deste tipo de produtos.

Doomsday_Book_13

Neste caso, temos três histórias muito diferentes e tenho que dizer que me surpreenderam pela positiva. O cinema oriental não costuma levar muito a sério as suas histórias de ficção-científica e aqui também não é excepção. Na verdade, mais ou menos. Em três histórias que poderiam perfeitamente pertencer a uma boa antologia de contos do género temos direito a duas histórias completamente alucinadas e uma totalmente sci-fi num tom sério bem mais próximo de um bom conto de Philip K.Dick do que própriamente dentro do que se costuma ver pelo cinema oriental.
Temáticamente o  segundo conto está até perto do excelente “Natural City” que para mim é uma espécie de Blade Runner 2 não oficial made in Coreia do Sul e portanto se o assunto da inteligência artificial é algo que gostam de ver abordado no cinema não ficarão desapontados.

Doomsday_Book_04

Isto poderia ter desequilibrado [“Doomsday Book”] enquanto filme, mas a verdade é que há aqui algo que funciona bastante bem.
Agora preparem-se para algumas surpresas.
A primeira história é completamente indiscritível. Vocês já viram muitas histórias apocalípticas com zombies mas se calhar nunca viram uma como esta.
O primeiro conto, é ao mesmo tempo hilariante, absolutamente nojento e perturbante. Ah, e é romântico também.

Doomsday_Book_12

Eu disse romântico ? Bem, se vocês procuram uma história e amor entre dois zombies esta poderá ser a lovestory que queriam ver. Ou talvez não. Como disse isto é dificil de explicar sem lhes estragar o prazer da descoberta. Se calhar digo-lhes só que se vocês não gostam de carne têm no primeiro episódio a razão para tornar tornar toda a gente vegetariana neste planeta.
A primeira história é essencialmente o típico filme catástrofe sobre um virus que contamina o mundo inteiro e transforma a população em mortos vivos. Mortos vivos que nem por isso abdicam do seu telemóvel, o que dá logo um tom de sátira ao consumismo a esta pequena história inicial, tão intensa quanto repugnante, numa mistura entre amor, podridão, consumismo e comédia tresloucada ao melhor estilo Sul Coreano. Nisto tudo ainda consegue criar uma mini-história de amor ao melhor estilo caótico habitual por aquelas paragens. E mais não digo.

Doomsday_Book_07

A segunda história é o coração do filme. Se procuram apenas um pequeno grande filme de FC sem partes parvas ou personagens cartoonescos, podem saltar o primeiro filme de [“Doomsday Book”] e passar logo ao segundo “episódio” que é tudo o que vocês gostariam de ver se procuram uma daquelas histórias de ficção-cientifica dentro da tradição mais tecnológica e hardcore dentro do género. Como disse antes, esta história podia ter sido escrita por Philip K.Dick nos anos 70 ou até mesmo por Arthur C.Clarke pois é bem o género do que eles produziam. Se gostam do trabalho de algum desses escritores vão adorar o segundo conto.

Doomsday_Book_17

Esta segunda parte conta a história de um técnico de robots que num futuro próximo onde os robots fazem parte do nosso dia-a-dia, é chamado a um mosteiro budista para confirmar se o robot do templo é ou não a reencarnação de Buda.
A partir daí a história desenrola-se num tom algo gélido e quase clínico que na minha opinião era desnecessário, mas por outro lado lhe dá uma certa atmosfera cyberpunk Kubrikiana a fazer lembrar o ambiente frio dos diálogos com Hal em 2001 Odisseia no Espaço.

Doomsday_Book_03

O trailer de [“Doomsday Book”] engana muito bem o espectador. Faz-nos crer que o filme será bem mais ligeiro e divertido do que na realidade qualquer um dos episódios é. O primeiro episódio é algo nojento e doentio, este segundo chega a ser deprimente pela atmosfera fria de toda a história e o terceiro e último episódio parece uma espécie de comédia sem graça.

Doomsday_Book_06

De qualquer forma, este segundo conto sobre o robot que pode ser Buda reencarnado é uma história excelente e um daqueles conceitos que já fazia falta ao cinema de ficção-científica que hoje se resume mais a efeitos especiais do que a nos maravilhar com ideias. Neste segundo episódio o fascínio não vem do excelente personagem do robot e dos efeitos especiais mas sim do intenso conteúdo filosófico que envolve toda a discussão sobre o direito de uma máquina a ter um sentimento religioso.

Doomsday_Book_05

Em nenhum momento este episódio se torna chato, mesmo apesar do conteúdo filósófico ser bem denso por vezes, embora talvez o personagem do dono da corporação cibernética esteja um bocado á parte no tom geral da história pois achei o seu discurso algo forçado como se o argumentista tentasse criar um manifesto qualquer sobre inteligência artificial e tivesse despejado tudo o que pensa nos discursos exacerbados deste personagem.
De qualquer forma este segundo conto em [“Doomsday Book”] é fantástico. Grande ideia, muito bem executada, excelente atmosfera e com um final bem simples que pode deixar no ar muitos temas para o espectador continuar a discutir muito para além do filme ter acabado.

Doomsday_Book_02

Mas o filme não acaba sem passarmos primeiro pela terceira história.
Nela, o mundo também vai acabar porque uma criancinha no seu computador encomenda num site “alienígena(?)” uma bola de snooker numero 8 e esta vem dos confins do universo em entrega especial e em tamanho gigante chocar com a Terra na morada assinalada…

Doomsday_Book_22

Eu repito…
O mundo também vai acabar porque uma criancinha no seu computador encomenda num site “alienígena(?)” uma bola de snooker numero 8 e esta vem dos confins do universo numa entrega especial para em tamanho gigante chocar com a Terra na morada assinalada…

Doomsday_Book_21

Se eu tinha ficado baralhado com a primeira história mais baralhado fiquei com esta última. Ao ler algumas reviews do filme pela net, consta que isto é suposto ser uma comédia mas sinceramente não lhe achei particularmente graça…a não ser pelo visual com que os personagens ficam depois de passarem 10 anos a viver num bunker debaixo de terra após o apocalipse acontecer…por causa da bola de snooker…
O que dizer disto ? A verdade é que é divertido e bem original.
Este episódio tem uma estrutura muito alucinada mas onde entre falsas emissões e falsos debates televisivos sobre o fim do mundo nunca sobra muito tempo para desenvolver os personagens no tempo que resta e por isso talvez a sua única fraqueza não é a falta de graça (se é que isto era suposto ser para rir), mas sim o fraco desenvolvimento dos personagens, pois a história chega ao seu (ainda mais estranho) final e como espectadores nunca estivemos particularmente cativados por aquelas pessoas.

Doomsday_Book_08

Por outro lado, a ideia para a história é muito original e satírica e tudo funciona bem dentro da trilogia de histórias completamente diferentes que compõem [“Doomsday Book”].

—————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

Mais um excelente exemplo de como podem ser originais os filmes orientais que nunca chegam aos cinemas desta parte do mundo.
O trailer deste engana, não é o filme em tom ligeiro que parece ser mas são sim trés histórias separadas com uma atmosfera algo doentia (muitos momentos repugnantes no primeiro conto) e até clinica e deprimente em muitas alturas e que o trailer não reproduz de todo por isso estão avisados.
Sci-fi fria e crua mas com muitos momentos de ironia á mistura como só poderia ser feito num cinema daquela parte do mundo.
Mais uma vez a coreia do sul mostra como ainda se pode fazer cinema de ficção-científica bem original e irá agradar a quem procura algo do género longe das formulas comic book infantis que estamos habituados a ver saídos de Hollywood.
Quem gosta de FC deve espreitar isto sem sombra de dúvida. Especialmente quem gosta de LER ficção-científica pois contém trés dos melhores contos do género que vi em muito tempo apesar de algumas fragilidades.
Trés tigelas e meia de noodles porque é bastante bom mas podia ter sido muito melhor se o segundo episódio sobre o robot Buda tivesse sido desenvolvido no filme inteiro. Não foi e é pena.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg

A favor: Trés histórias de ficção científica originais que poderiam ser contos de uma boa antologia em livro, apesar de ser caótico por vezes [“Doomsday Book”] é sempre cativante pois nunca sabemos bem o que pode acontecer a seguir, o primeiro episódio é completamente alucinado e até repugnante mas contém personagens de que ficamos a gostar logo em pouco tempo, o segundo conto é o melhor do filme e é uma daquelas histórias de ficção-científica que vale mesmo a pena ver (quem estiver ligado ao Budismo irá adorar certamente), o personagem do robot está fantástico apesar de bem simples, o terceiro conto fecha bem a trilogia de histórias bem originais e apesar de não ser particularmente divertido é no entanto fascinante na mesma por ser imprevisível.

Contra: A segunda história deveria ter sido o filme todo e não durar apenas pouco menos de cinquenta minutos, [“Doomsday Book”] pode ser demasiado caótico e até impróprio para estômagos mais sensíveis por toda a atmosfera repulsiva que envolve o primeiro conto, o terceiro conto pode ser demasiado estranho e não funciona como comédia como supostamente deveria ser.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS:

Doomsday_Book_01

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=9GGfa0EybCI

Comprar
Existe edição ocidental em blu-ray que poderão encontrar aqui.

Doomsday_Book_14

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2297164

Não vou colocar nenhum link para download pois estes nunca tardam em desaparecer e não pretendo deixar que o blog se inunde de broken links como já tenho muitos por aqui. De qualquer forma é só procurarem o filme em Torrents que o encontram facilmente.

——————————————————————————————————————

Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

capinha_natural_city capinha_host capinha_hansel-and-gretel capinha-the_flu capinha-happiness-of-the-katakuris

——————————————————————————————————————

Cinema_oriental_no_facebook

 

Gamgi (Flu) Sung-su Kim (2013) Coreia do Sul


O meu ano de 2014 não podia ter começado melhor em termos de cinema do que com esta injeção de adrenalina proporcionada por [“The Flu”].
Há muito tempo que não encontrava pela frente um filme catástrofe daqueles que nos deixam literalmente “on the edge of our seats” e este foi absolutamente eficaz nesse sentido pois é daqueles que nos faz querer roer as almofadas até quase ao minuto final. Especialmente quando ainda nem sequer tinha visto o trailer ou sabia qualquer coisa sobre ele.

the flu_08

O que não deixa de ser surpreendente pois na verdade em termos de argumento não tem nada que vocês não tenham já visto mil vezes dentro deste género de filmes, o que para mim só lhe dá ainda mais valor, pois conseguir manter um nível de suspanse como este filme mantém nos seus 40 minutos finais com uma história que á partida não surpreende pela sua originalidade é obra !!
Se também foram daqueles que acharam o Hollywoodesco “World War Z” uma desilusão, então têm aqui o antídoto perfeito na sua vertente oriental.
Não que [“The Flu”] seja propriamente um filme de zombies mas de certa forma na sua estrutura é tudo aquilo que “World War Z” não foi em termos de adrenalina e é o exemplo perfeito de que não é o facto de um argumento estar cheio de lugares comuns e clichés que estraga um filme mas sim a forma como se trabalha esse material e neste caso não poderia estar melhor na minha opinião.

the flu_04

Em termos de cinema espectáculo têm aqui também um excelente exemplo para mostrarem aquele vosso amigo que ainda pensa que só na américa se faz bom cinema comercial, isto porque visualmente [“The Flu”] conta com momentos assombrosos que não destoariam de um filme de Rolland Emerich ao melhor estilo pastilha elástica “2012”, só que aqui também temos personagens com que realmente nos importamos e não estão apenas na história para servirem de body-count e ilustrarem cenas de efeitos especiais.

the flu_14

Aliás, a razão porque [“The Flu”] resulta tão bem, especialmente nos últimos 40 minutos finais, é porque por essa altura já estamos plenamente cativados pelas pessoas que vemos no ecran e não apenas pelos heróis; isto porque ao contrário do que costuma acontecer neste género de cinema, o filme não tem pressa de nos mostrar as coisas rápidas demais e aproveita o seu tempo não só para se ir tornando cada vez mais épico sem o espectador dar por isso como principalmente constrói personagens á melhor maneira sul coreana para um resultado final totalmente eficaz no que toca a criar empatia com o espectador. Em [“The Flu”] até o personagem mais secundário tem o seu momento e nada é deixado ao acaso para humanizar as pessoas que nós vemos na história, sejam elas “heróis” ou “vilões” também aqui um conceito que não se pode aplicar naquele sentido em que estamos habituados a encontrar.

the flu_06

Alguma reviews ocidentais dão uma nota mediana ao filme porque dizem que os personagens choram demais e tudo é por demais melodramático. Acontece que esse melodrama é a principal característica do cinema Sul Coreano e portanto convém que o espectador entre no espírito da coisa, até porque a forma emotiva como os temas são tratados no cinema daquelas partes do mundo reflete muito a cultura desses povos. Por isso na minha opinião penalizar um filme como este apenas porque alguém acha que as pessoas choram demais para mim não faz qualquer sentido. Muito menos dentro do contexto da própria história, pois [“The Flu”] trata essencialmente de um potencial fim do mundo com tudo o que isso implica na vida das pessoas.

the flu_03

[“The Flu”] centra-se essencialmente na quarentena de uma cidade na Coreia do Sul, mas tem um ambiente bem mais de ameaça global do que mais uma vez “World War Z” conseguiu ter mesmo adaptando um romance que tinha tudo para ser tão bom quanto [“The Flu”] agora conseguiu ser a partir de um argumento “original”.
Bom, mas isto é sobre o quê ? Essencialmente é a típica história sobre epidemias. Gripe das aves em versão extrema pois “flu” significa isso mesmo; -gripe- em inglés.
Se gostam de filmes em que morrem pessoas em quantidades apocalípticas estão no sitio certo. Muita gente a vomitar sangue, cadáveres ás pilhas, criancinhas mortas, pessoas espezinhadas, caos urbano e extermínio em massa. Tudo para divertir o espectador.
E resulta fantasticamente bem.

the flu_13

Aquilo que na primeira parte do filme parece ser interessante mas não particularmente emocionante depressa se torna no segmento final numa jornada de adrenalina para o espectador daquelas que não nos deixa respirar quase até ao final. Pelo meio ainda temos direito a alguns momentos de humor á boa maneira sul-coreana e claro a uma proto-história de amor que não precisa de ser desenvolvida para ser eficaz.

the flu_07

[“The Flu”] conta com excelentes interpretações do elenco sul-coreano com grande destaque para o trio de protagonistas onde sobressai a pequena actriz que no segundo acto da história acaba por ser o coração do filme e que dá um show de emotividade no desenrolar da verdadeira montanha russa de acontecimentos que ocorre nos segmentos finais de um filme catástrofe que equilibra muito bem o terror, a aventura, o suspanse, alguma comédia e o cinema de acção e efeitos especiais a um nível tão bom quanto qualquer coisa que vocês tenham visto saída de Hollywood nos últimos anos. Com a vantagem de que aqui temos personagens e não apenas bonecos de cartão.

the flu_12

Um grande destaque também para aquilo que raramente se fala nestes filmes. As multidões de extras/figurantes que inundam esta produção e têm um papel fundamental em todo o ambiente e cenário apocalíptico de caos e confusão. O espectador nem nota, mas o trabalho de toda esta gente é fantástico neste filme e quem coordenou tudo isto está de parabéns pois as cenas de pânico em [“The Flu”] são do melhor que há e contribuem totalmente para a descarga de adrenalina que os acontecimentos do fim proporcionam no espectador desprevenido.

the flu_16

Então e coisas más, tem ?
Bem, tem…
Vocês nem queiram saber os canastrões que arranjaram para fazer o papel de americanos(?) que essencialmente são “os vilões” deste filme. Onde raio foram buscar aqueles “actores(?)” ?!!
Quase que arruinam totalmente todo o esforço do realizador para tornar real todo o ambiente e não se entende de todo.
Por outro lado não deixa de ser hilariante, pois o cinema oriental já tem uma longa tradição em colocar os piores actores ocidentais do mundo em papeis secundários. Não acreditam ? Vejam, “Bye Bye Jupiter” pois é talvez o único titulo que consegue ter piores actores ocidentais que [“The Flu”].
Felizmente que o suspanse final da história está tão bem orquestrado que nem com estas interpretações desastrosas pelo meio a adrenalina se perde, mas mesmo assim os “americanos” neste filme são de ver para crer.

the flu_11

De resto, o filme é um espectáculo. Se tiverem em casa um projector e poderem ver isto num écran pelo menos com uns três metros de largura vão se passar ! Embora também funcione bem numa tv normal, a escala épica do filme é perfeita para vocês exibirem o vosso projector aos amigos e ai de quem tiver coragem de tossir durante [“The Flu”].

—————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

Pensei se haveria de dar a classificação máxima a [“The Flu”] ou se “apenas” lhe daria cinco tigelas de noodles, isto porque a força deste filme está no suspanse final e esse só se vive uma vez.
Lembrem-se que nunca temos bem a certeza se isto vai dar um final feliz ou não. No cinema oriental os heróis não têm obrigatoriamente que acabar bem e esse factor também aqui é determinante para criar incerteza e para aumentar ainda mais a tensão no espectador, o que contribui totalmente para o nosso divertimento.
Portanto [“Flu”] enquanto filme vive essencialmente de uma primeira visão. E nesse aspecto não podia ser melhor.

the flu_02

Quando já o vimos uma vez, claro que tudo aquilo que é espectacular no final perde logo metade do impacto, mas nem por isso posso deixar de dar a classificação máxima a isto.
Já vi o filme duas vezes e aquilo que a uma primeira visão é pura adrenalina, a uma segunda visão torna-se essencialmente na apreciação do excelente trabalho de toda a gente que esteve envolvida nesta produção e para mim é mesmo um dos melhores filmes catástrofe dos últimos tempos. Dentro do cinema oriental é mesmo do melhor que vi no género até hoje. Um blockbuster com alma.

Cinco tigelas de noodles e um Gold Award também. O ano começa bem em termos de cinema oriental para mim.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg
A favor: leva o seu tempo a desenvolver personagens, cria suspanse aos poucos sem notarmos o esforço para nos impressionar, todos os personagens são excelentes (até mesmo os americanos se tornam divertidos), a primeira parte do filme consegue manipular bem as reviravoltas do argumento, a segunda metade do filme abre-se para aquela escala épica que esperamos que aconteça, excelentes cenas de pânico, não foge dos momentos gore e mostra sangue sem problemas, consegue um equilíbrio perfeito entre vários géneros, óptimas cenas de acção que embora curtas são sempre colocadas no momento certo, adrenalina pura nos 40 minutos finais.

Contra: Algum paleio “politico” repetitivo a mais pelo meio, tem actores ocidentais do piorio que destoam totalmente de tudo o resto e quase arruinam a tensão final, alguns momentos em CGI não são muito bem conseguidos (mas quase nem se nota). Se calhar poderia ter sido bem mais repulsivo e repugnante do que é pois nota-se que essencialmente isto é para ser um filme para o grande publico e portanto contém alguma contenção de modo a não tornar isto muito insuportável para aquelas pessoas que se assustam facilmente.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=1BvKZMg2LjU

Director´s trailer
http://www.youtube.com/watch?v=3vsm83GA7s4

the flu_01

Comprar
Neste momento ainda não é fácil. Nem na Play Asia ainda existe.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2351310

Não vou colocar nenhum link para download pois estes nunca tardam em desaparecer e não pretendo deixar que o blog se inunde de broken links como já tenho muitos por aqui. De qualquer forma é só procurarem o filme em Torrents que o encontram facilmente. 😉

——————————————————————————————————————

Filmes semelhantes de que poderá gostar:

capinha_haeundae capinha_host capinha_tsunami capinha_virus

——————————————————————————————————————

Cinema_oriental_no_facebook

 

 

Uchû daikaijû Girara (The X from Outer Space) Kazui Nihonmatsu (1967) Japão


Quando um filme de ficção científica mete um OVNI que é uma tarte de maçã, a gente percebe logo que este só pode ser um filme dos anos 60 onde certamente a droga seria de boa qualidade e distribuída de borla pelo japão, pois só isso justifica a existência de:

Depois de ver um drama tão melancólico quanto “Failan“, achei que seria melhor descomprimir um pouco e lembrei-me que ainda não tinha visto [“The X from outer space“], mas provavelmente teria sido melhor ter estado quieto pois acho que ainda não recuperei do choque cultural.
Até eu que adoro filmes lixo e sci-fi clássica acho que não estava preparado para esta obra prima do “coiso que veio do espaço” e como tal agora não consigo tirar as imagens do filme da cabeça o que certamente não será muito bom para a saúde.

Quando eu pensava que “The Green Slime” seria o exemplo máximo da ficção-científica ultra pirosa produzida nos anos 60, eis que descubro que o Japão um ano antes se tinha superado a si próprio ao produzir algo realmente inclassificável que é um verdadeiro teste á paciência do espectador mais desprevenido e provávelmente não é mais conhecido porque metade do público se deve ter suicidado antes do filme acabar.
Até quem gosta dos clássicos Godzilla vai arrepiar-se até á medula com este clone genialmente mau a um nível que ultrapassa qualquer crítica humanamente reproduzível por palavras.

Se a mãe de Godzilla tivesse sido violada por um caracol gigante fruto de uma relação extra-conjugal do seu pai com uma galinha no cio, o resultado teria sido o monstro presente em [“The X from outer space“] pois este será porventura o pior criatura cinematográfica alguma vez criada. O detalhe das anteninhas a dar-a-dar é absolutamente notável o que só comprova como o LSD no japão estaria também bastante divulgado por alturas dos anos 60.

Quando pensamos que precisamente na mesma altura em que [“The X from outer space“] e também “The Green Slime” estariam a ser filmados, Stanley Kubrik estava a construir o seu “2001 Odisseia no Espaço” começamos a acreditar que se calhar a existência de realidades pararelas não será algo tão estranho assim de conceber nas nossas mentes.
[“The X from outer space“] é demasiado mau para ser verdade. Até dentro do cinema mesmo mau, este filme é mau como o raio ! Logo é bom. Genialmente bom, porque é mau a um nível que não tem classificação. Perceberam ?
E é groovy meus ! Totalmente grooooooooooovy baby !!

Algures no futuro nós até temos bases na lua e tudo e estamos agora a tentar chegar a Marte. Todas as nossas expedições para alcançar o planeta vermelho falharam por motivos misteriosos e por isso nada melhor do que voltar a tentar de novo, mas desta vez usando uma tripulação completamente imbecil para tripular a nave.
[“The X from outer space“] terá possívelmente o pior conjunto de personagens que alguma vez apareceu numa aventura espacial e logo é de visão obrigatória porque essencialmente isto é mesmo de ver para crer.

Nada falta aqui, o piloto heroico mas que não serve para nada, a cientista genial mas que é totalmente loira burra, o técnico espacial sem jeito para o stand-up mas que supostamente será o palhaço da tripulação e tudo o mais que imaginam e também o que não conseguem imaginar.
Quando vão a caminho da lua metade da aventura gira á volta do médico da tripulação que se sente mal porque não faz ideia que pode enjoar no espaço, o que demonstra logo de início  o nível de inteligência e realísmo deste argumento.
Claro que a partir daqui as coisas só poderiam descambar ainda mais.

Chegados á lua, o que a malta quer é curtir.
Estão de partida para a missão mais importante da humanidade, mas o pessoal está mais interessado em participar em novas festas , adivinharam, – totalmente groovy – que pelo visto ocorrem regularmente na Lua a todo o instante onde o que interessa é engatar gajas e confraternizar em ambientes lounge podres de swinging sixties a fazer inveja ao pior visto em Austin Powers.
Pelo meio temos ainda umas cenas com saunas e quando tudo isto acaba os nossos herois regressam á nave para continuar a missão a Marte, coisa pouca, mas desta vez sem o médico que ficou para trás porque pelo visto enjoava muito no espaço.

As chefias á última hora voluntariam um outro gajo lá na Lua para substituir o médico e que fica muito aborrecido por ser obrigado a participar naquela missão histórica, isto  porque a mulher estava á espera dele em casa e ficará muito chateada se ele tiver que passar por Marte antes.
Como resultado este génio passa o segmento seguinte da aventura a fazer os maiores disparates a bordo da nave porque está farto daquilo e quer é voltar para casa rápidamente porque senão ainda arranja problemas com a esposa. O que inclui passar-se dos carretos e tentar acelerar a nave á força para regressar á Lua mesmo percebendo tanto de pilotagem como pelo visto o médico anterior perceberia de medicina.
Resultado pifa o carburador da nave.

As coisas complicam-se quando aparece a torta voadora, perdão, o OVNI que insiste em passear pelo espaço sem qualquer razão plausível e atacar todas as naves vindas da terra penduradas em fios que tentam chegar a Marte; disparando-lhes…coisas…
Este faz umas razias por perto da nave dos nossos herois, anda de um lado para o outro e deposita uns esporos no tubo de escape que são depois recolhidos e trazidos para bordo por astronautas pendurados em cabos contra um cenário de cartão.
Entretanto a Lua envia uma outra missão de salvamento para recuperar este bando de imbecis que saltam, pulam de contentamento e acenam para os ecrans de televisão como colegiais no cio de cada vez que a jovem Michiko aparece na imagem como se nunca a tivessem visto na vida ou esta fosse a melhor visão do mundo.
A jovem Michiko será certamente a mãe da Sandra Benes do Espaço 1999 pois a semelhança é notável. Outro dos pontos altos deste filme no que toca a personagens.

A seguir, voltam todos para casa nada chateados pela missão a Marte ter falhado outra vez e para descomprimir vão para outra festa groovy beber mais uns cocktails, embora pelo estilo do filme cá para mim aquilo contenha umas pastilhas ilegais pelo meio.
Antes disso assistimos a uma das melhores cenas científicas que alguma vez poderão encontrar no cinema de ficção científica e onde a loira burra (a melhor cientísta da tripulação) com umas colheres analisa em cima da mesa do escritório lá do chefe  os tais esporos que trouxeram do espaço numa breve cena com toda a gente á volta sem qualquer protecção ou cuidado especial.
No entanto, esta cena científica não demora muito,  porque afinal o pessoal não se pode atrasar para a festa seguinte e deixa a experiência a meio com a primeira prova de vida extraterrestre lá abandonada á sua sorte no escritório porque a curtição chama mais alto que a ciência.
O facto de haver um mistério á volta de um OVNI e de se ter comprovado a existência de vida extraterrestre parece nem ter grande interesse quando comparado com a importância de se ir beber uns copos com as amigas.

Resultado os esporos transformam-se numa galinha gigante que destroi Tokio e metade do Japão, há muita porrada pelo meio, inúmeras maquetes e brinquedos são estilhaçados e o monstro é abatido no final; reduzido a esporos e devolvido ao espaço quem sabe á espera de uma sequela, (que parece existir e tudo).
Não sem antes assistirmos a uma das melhores perseguições de sempre da história do cinema com a galinha gigante atrás de um jipe pelas estradas do Japão num momento de tensão tão tenso que acho que ainda não consegui fazer os músculos que controlam o sorriso voltar á posição natural até este momento.
Aposto que o Spielberg viu este filme, pois esta cena faz lembrar intensamente as melhores cenas de acção de “Os Salteadores da Arca Perdida”, naquela sequência com Indiana Jones á porrada por entre carros e camiões em movimento. Mas isto se calhar sou eu que já tenho o cérebro afectado. Não liguem.
Quanto ao OVNI em forma de tarte de maçã, isso também não interessa para nada mas se vocês quiserem comprar galinhas gigantes recomendo que o procurem algures entre Marte e a Lua no local habitual.

Resumindo, [“The X from outer space“] é um filme incrível. É tão mau que não há classificação possível, mas ao mesmo tempo se calhar é um daqueles que merece cinco tigelas de noodles e um Golden Award pois é realmente uma experiência única dentro deste género de filmes. Por outro lado, se calhar talvez não…
Mesmo quem pensa que já viu tudo o que seria possível de se fazer de mau dentro do estilo japonês de Godzilla, se calhar pensa assim porque ainda não viu isto.
E é melhor ver, porque uma formação cultural nunca estará completa sem a inclusão deste título na vossa memória cinéfila, pois será possívelmente o Casablanca do cinema lixo japonês do final dos anos 60 e um titulo que faz com que “The Green Slime” , “War in Space“, “Message from Space” ou “Bye Bye Jupiter” pareçam ser filmes sérios e totalmente científicos.

Vejam OVNIS em forma de tarte, vejam naves penduradas com fios, vejam uma galinha gigante sem penas com anteninhas de caracol, vejam actores a flutuar em cenas com anti-gravidade saltando em camas elásticas escondidas atrás das crateras de cartão nos cenários, vejam como afinal Tokio é toda feita de cartão, vejam como alguém deu novo uso aos seus tanques de guerra e carrinhos de infância para fazer efeitos nada especiais, vejam os piores e mais descontraídos herois que alguma vez apareceram num filme de destruição apocalíptica e vejam outro filme cheio de actores americanos totalmente desconhecidos filmado no japão.

E por falar nisto…
O que raio é que se passou no Japão nos anos 60 para haver tanto americano a fazer de heroi em filmes de ficção científica japoneses da altura ?!!
Os americanos não tinham bombardeado o país ainda há pouco mais de vinte anos atrás ?! De onde surgiu esta moda de dotar estas super-produções orientais com montes de péssimos actores americanos ou ocidentais que nunca vimos em mais lado nenhum ?!!  Seriam ex-prisioneiros de guerra do Japão obrigados a entrar no cinema pós-guerra japonês como castigo ?
Há algo que me escapa da história do cinema de FC oriental desta época e tenho que investigar isto melhor pois esta coisa dos ocidentais com papeis de destaque nas aventuras espaciais japonesas desde os anos 60 até aos 80 é algo que me ultrapassa  por completo e de que só me lembro nestas alturas.

E por falar em anos 60, o horror não estaria completo sem falar na música deste [“The X from outer space“].
Não há palavras !

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Possívelmente o melhor filme da história do mau cinema.
Só a musiquinha da banda sonora vale a agonia de o tentarem acompanhar até ao fim, embora se recomende a sua visão estando podres de bêbados antes. E se notarem que a banda sonora se repete constantemente não é efeito do alcóol.
Uma tigela e meia de noodles porque até mesmo dentro do cinema-lixo é mau demais para ser verdade e no cinema de culto será uma espécie de anti-filme-de-culto e por isso de culto obrigatório, se é que isto faz algum sentido.

noodle2.jpg

A favor: é o pior clone do Godzilla de todos os tempos, tem uma galinha gigantes que destroi cidades de cartão, tem naves penduradas com fios, tem um elenco internacional cheio de actores atrozes, tem cenas na lua todas cool, tem montes de maquetes e cenários contruidos com brinquedos de plástico, tem uma estética toda groovy, tem a banda sonora mais deslocada de sempre num filme de ficção científica com um par de canções que os fará arrepiar até á medula e nunca mais deixará de ressoar nos reconditos do vosso cérebro, tem os piores personagens de que há memória numa aventura espacial, tem naves com fios, tem uma tarte de maçã que viaja pelo espaço, é mau demais para ser verdade.
Contra: a primeira metade tem montes de personalidade kitsh mas depois quando a galinha gigante começa a destruir tudo o filme repete-se como o raio até ao final, tem pilhas de personagens que não têm nada para fazer no filme, muita maqueta destruida até á exaustão mas practicamente nenhumas cenas com população em pânico, quem não gosta de cinema-lixo ou não percebe a piada dos filmes de culto maus como o raio vai odiar este filme de morte, poderá causar danos irreparáveis ao cérebro.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=BpdpPdoQpDw

Comprar
Se aguentarem as legendas em espanhol, podem comprá-lo na Dvdgo.

Download com legendas em Inglés

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0062411

——————————————————————————————————————

Se gostou deste irá gostar de:

capinha_sayonarajupiter73x capinha_mesagefromspace73x x-bomber04_capinha capinha_warinspace73x

——————————————————————————————————————

Doragon heddo (Dragon Head) Jôji Iida (2003) Japão


Finalmente um filme catástrofe com uma atmosfera do caraças !
Até que enfim que encontrei aquilo que procurava em Tidal Wave ou 2022 Tsunami e não me tinha aparecido ainda pela frente pois [“Dragon Head“] é mesmo o meu tipo de filme catástrofe e um dos melhores produtos do género que vi ultimamente dentro do cinema oriental.
Muito apocalíptico, uma incerteza total sobre as razões do fim do mundo ter chegado e milhares de mortos com ruínas por todo o lado a uma escala inimaginável tudo regado com uma boa dose de situações perturbantes carregadas de mistério constante ao longo de toda a narrativa.

Eu fico parvo quando algumas reviews no Imdb dizem que este filme não presta porque é lento.
Lento ?!! Só porque não tem sequências de acção espectaculares a todo o instante intercaladas com cenas pseudo dramáticas que só funcionam como intervalo entre cenas de porrada como se vê habitualmente nos filmes do Rolland Emerich ?!…

A “lentidão” deste [“Dragon Head“] é o seu grande trunfo, pois não tem pressa de ir a lado nenhum e nunca coloca o espectador á frente dos personagens. É um filme perfeito na forma como consegue fazer com que o espectador faça quase parte da história, pois faz-nos ir descobrindo o que se passou a pouco e pouco ao mesmo tempo que os personagens e isso é a sua grande mais valia ao contrário do que costuma acontecer neste tipo de cinema onde tudo é devidamente explicado logo de início e depois só resta ao espectador acompanhar o destino dos protagonistas á medida que vão morrendo á vez por entre as cenas de acção e suspanse do costume.
Não aqui.

Um grupo de estudantes viaja de comboio pelo Japão. Ao atravessarem um túnel uma luz e uma onda de choque incríveis faz com que practicamente toda a gente a bordo morra de forma ultra-violenta quando o túnel desaba por completo e o que resta do comboio com apenas trés sobreviventes fica preso no interior da montanha.
A partir daí vamos acompanhando o destino dos sobreviventes á medida que conseguem encontrar uma saída até á superfície e descobrem da pior maneira que o mundo nunca mais será o mesmo.

Nada é explicado ao espectador, os primeiros 40 minutos de filme são completamente claustrofóbicos pois passam-se totalmente no interior do túnel. Depois quando o cenário se abre, as coisas adquirem um tom ainda mais misterioso á medida que acompanhamos o destino dos sobreviventes e este filme japonês chega a um climax algo dúbio mas nem por isso menos interessante.  Deixa-nos um gosto amargo mas faz-nos desejar que alguém tivesse feito uma sequela deste bom exemplo do cinema oriental de catástrofe apocalíptica.
Na minha opinião este é um daqueles filmes asiáticos que apetece continuar a ver e pela minha parte nem dei por terem passado duas horas. Mesmo apesar do tal suposto “ritmo lento” que muita gente refere no Imdb.

Quanto a mim [“Dragon Head“] é um dos melhores filmes catástrofe que vi em muito tempo e pela própria abordagem do tema nem sei se não terá sido o melhor. É um produto de cinema oriental simples sem pretenções, sabe construir um mistério, mantém o espectador interessado no cataclísmo enigmático e consegue ainda ter espaço para nos atirar com um par de personagens algo perturbantes e até de conceito algo inesperado, doentio (e até ilógicamente descontextualizado da própria história)…logo percebem quando virem as criancinhas creepy

Não entendo como se pode achar este filme lento. [“Dragon Head“] não teria o mesmo impacto e atmosfera perturbante se tivesse um ritmo sempre a abrir onde estivessem sempre a acontecer mais cenas de efeitos especiais a todo o instante só para contentar as plateias do milho em baldes.
A narrativa enigmática agarra desde o primeiro momento e não é por falta de mais CGIs que o filme perde o interesse bem pelo contrário.

E também não é pela falta de efeitos cataclísmicos a todo o instante que o filme perde a tensão dentro do género do cinema catástrofe, pois se procuram um titulo que os recompensará por completo com inúmeras imagens de total destruição devastadora e consegue criar realmente a ideia de que o mundo acabou de vez [“Dragon Head“] contém tudo o que esperam nessa capítulo.

A forma como este filme japones nos apresenta o fim do mundo é não só perfeita como cria aquela ideia de que não há mesmo salvação possível ou forma de tudo poder voltar a ser como era, o que contribui imenso para uma excelente sensação de realísmo em toda a narrativa e nos agarra ainda mais ao destino dos personagens.
É que aqui ao contrário de por exemplo “2012“, quando acaba o mundo acabam também os telemóveis. Quando muito sobrevivem as baratas e estas ainda não têm SMS incorporado.

As interpretações do filme são algo histéricas e farsolas, pá, pois são. E depois ?
[“Dragon Head“] é como um bom série-B com ambiente de grande produção em versão cinema oriental que não precisa mais do que um par de personagens-tipo que façam avançar o mistério. O que para mim contradiz logo também a ideia de algumas pessoas no Imdb quando dizem que o filme não tem história.
Se calhar não tem, mas tem tão pouca história quanto um bom filme do “John Carpenter” e esses também não precisam de ser mais do que são para geralmente serem filmes excelentes.
A recordar-me algo, [“Dragon Head“] recorda-me os melhores momentos do realizador de “The Thing” e isso agradou-me desde o início.

Esta ideia que muitas pessoas parecem ter de que para um filme resultar tem que obrigatóriamente ter um estilo espectacular e uma história que vai de A a B e termina em Z com tudo muito bem explicadinho, causa-me mesmo confusão. Houve um tempo em que as coisas não eram assim e pelo menos até ao final dos anos 80 esse tipo de conceito não parecia estar entranhado na cabeça do público que hoje parece que não consegue ter mais atenção para qualquer coisa que não se pareça imediatamente com um videogame cheio de estilo MTV.
[“Dragon Head“] a ser alguma coisa é um bom e velho série-B na melhor fórmula anos 80 mas conseguido através do recurso a técnologia moderna para elevar no ecran aquilo que óbviamente nem terá sido um orçamento muito alto.

A haver alguma coisa má neste bom filme asiático, na minha opinião, isso reflete-se  na maioria dos personagens secundários. São todos demasiado excêntricos como se depois do fim do mundo não restassem pessoas normais e toda a gente se transformasse em malucos psicopatas…por outro lado eu também nunca passei pelo fim do mundo por isso é melhor não comentar muito mais.
No entanto achei que o estilo road-movie ficou um bocado estragado por causa das excentricidades que os protagonístas vão encontrando pelo caminho.

O argumento perde um bocado por causa desses personagens secundários, pois a partir de certa altura parece que eles dividem demasiado o filme em episódios que acabam por não resultar num todo. O que faz com que [“Dragon Head“] mais pareça uma colagem de vários episódios de 20 minutos com estilos diferentes do que própriamente um filme com principio, meio e fim. E claro que o final episódico em estilo aberto também deixa alguma insatisfação. Não porque não conclui verdadeiramente a história que seguimos mas porque nos deixa com vontade de continuar a ver a odisseia dos protagonístas e depois não há mais para ver. Com muita pena minha.

Parece que [“Dragon Head“] é uma adaptação de mais uma Manga japonesa do mesmo nome. Assim sendo, é possivelmente um dos melhores filmes asiáticos baseados numa banda-desenhada oriental que vi até hoje, pois normalmente as adaptações de Manga ou Anime que me passaram pela frente foram sempre muito más enquanto filme, salvo raras excepções.
Agora fiquei com vontade de ler a banda-desenhada pois se o filme estiver bem adaptado gostava de saber como termina a história, pois muita coisa fica no ar. Confirma-se a razão da catástrofe ? O mundo acabou mesmo ?

São questões que ficam pendentes mas que nem por isso tornam este pequeno grande filme catástrofe num produto menor.
Bem pelo contrário, pois toda a incerteza que deixa seria a mesma que teriamos se estivessemos realmente a viver o desastre ao lado dos protagonístas e como tal quando o filme segue essa estrutura seria depois irrealístico vir no final explicar tudo muito bem explicadinho.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO :

Isto para mim é sempre complicado atribuir uma classificação alta a este tipo de filmes FC orientais, quando “Natural City” é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos e no entanto aqui nem sequer lhe dei uma nota totalmente fantástica.
Sendo assim [“Dragon Head“] não será um filme oriental que irei rever tantas vezes quanto já revi “Natural City” mas acho que merece mesmo assim mais meia tigela de noodles do que esse meu filme favorito pois penso que tem realmente menos falhas enquanto produto.
Enquanto dura é uma história totalmente cativante se gostam do género catástrofe e procuram um cataclísmo misterioso em vez de uma sessão de efeitos especiais CGI.
Cinco tigelas de noodles, pois apesar das suas falhas diverti-me á brava com isto e nem dei pelas duas horas passarem. Poderá não ser tão bom a uma segunda visão mas por agora tenho que dizer que me surpreendeu mesmo bastante e recomendo-o a quem procura um bom filme deste tipo dentro do cinema japonês ou cinema asiático em geral.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: tem uma atmosfera de mistério constante que cativa o espectador que não procure um filme de porrada ou de efeitos CGI, alguns bons momentos de suspanse, sabe usar pequenos cenários extendidos por matte-paintings para criar um ambiente vasto de exteriores, o ambiente de devastação é total, tem imensas sequências apenas ilustrando a destruição de tudo o que nos rodeia, muito cadáver e sangue quanto baste por todo o lado, o par protagonista embora algo histérico é cativante, tem um bom sabor a cinema de “John Carpenter” pela forma como a narrativa não tem pressa de ir a lado nenhum e demora o seu tempo a criar atmosfera, é um filme moderno com sabor a série-B dos anos 80, é mais cativante que todos os blockbusters de Rolland Emerich juntos,  é um filme bem mais interessante do que parece á primeira vista pelo cartaz algo foleiro e formulático.
Contra: falta-lhe alguma força emocional e não nos cativa propriamente por esse aspecto, tem uma estrutura episódica que não resulta plenamente por causa da excentricidade de practicamente todos os personagens secundários sobreviventes, deixa-nos com vontade de continuar a ver mais um bocadinho e não há mais. O titulo [“Dragon Head“] soa um bocado estúpido pois parece mais um nome de uma banda Heavy-Metal pirosa e cria a ideia de que este filme oriental será pior do que na realidade é.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
Fica aqui o trailer mas não recomendo que o vejam antes de verem o filme pois grande parte do fascínio está precisamente em irem descobrindo as coisas com os personagens e ainda não terem visto nenhumas imagens do que sucede. Estão por vossa conta mas o trailer contêm *SPOILERS*

Comprar
Dragonhead (2pc) (Ws Dub Sub) [DVD] [2005] [Region 1] [US Import] [NTSC]

ou aqui
http://www.yesasia.com/global/dragon-head-us-version/1004415210-0-0-0-en/info.html

Podem no entanto espreitá-lo antes se o forem buscar aqui (legendas em Inglés)

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0384055/

——————————————————————————————————————

Filmes semelhantes de que poderá gostar:

——————————————————————————————————————

Isto para mim é sempre complicado atribuir uma classificação alta a este tipo de filmes FC orientais, quando “Natural City” é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos e no entanto aqui nem sequer lhe dei uma nota totalmente fantástica.
Sendo assim [“Dragonhead“] não será um filme que irei rever tantas vezes quanto já revi “Natural City” mas acho que merece mesmo assim mais meia tigela de noodles do que esse meu filme favorito pois penso que tem realmente menos falhas enquanto produto.

Haeundae (Tidal Wave) Je-gyun Yun (2009) Coreia do Sul


Ultimamente ando em maré de filmes com Tsunamis.
Já algum tempo que estava longe de cinema catástrofe mas no último semana fui ver o “2012” made-in-hollywood e fiquei com imensa vontade de procurar algo semelhante no estilo oriental pois desde o muito divertido “The Sinking of Japan” que não me tinha aparecido nada do género pela frente.
Para meu contentamento encontrei [“Haeundae – Tidal Wave“] e satisfez plenamente todas as minhas expectativas.

Não é um daqueles filmes orientais fabulosos e claro que não se compara em escala com um “2012” mas dentro das possibilidades do cinema Sul Coreano, quanto a mim [“Haeundae – Tidal Wave“] é um óptimo pequeno filme catástrofe que apesar das suas limitações técnicas contém no entanto excelentes momentos de destruição apocalíptica e consegue ainda apresentar-nos um par de personagens interessantes com que nos preocupamos mesmo mesmo sendo tão esquemáticos.

Além disso, na minha opinião tem uma coisa muito boa que já aparecia também em “The Sinking of Japan”.
Ao contrário do que costuma acontecer nos filmes americanos do género também aqui em [“Haeundae – Tidal Wave“]  nunca temos bem a certeza de quem irá morrer ou quem irá salvar-se.

O filme consegue criar uma constante incerteza no espectador até ao final pois mantém aquela característica dos filmes orientais em que um final feliz não tem necessáriamente significar que o heroi se salve e fique com a miúda.
Na verdade, não se pode dizer que exista um heroi ou um personagem principal nesta história e isso contribui bastante para a incerteza sobre o destino dos personagens o que só dá mais pontos a este filme.

No entanto é um produto estranho.
Sendo isto um filme catástrofe contém tantos momentos retirados de tantos outros géneros que o espectador até se esquece que tipo de filme está a ver. Passado uma hora eu já me perguntava onde raio estava o filme que aparecia no cartaz oficial, pois [“Haeundae – Tidal Wave“] leva tanto tempo a desenvolver personagens que uma pessoa se questiona se alguma vez irá aparecer uma onda gigante no ecran.

Tem momentos que nos fazem lembrar “The Host”, principalmente porque é uma história que se foca mais nas pessoas do que propriamente na catástrofe eminente, embora não consiga um resultado tão bom nesse aspecto.
Isto porque [“Haeundae – Tidal Wave“] parece um plágio de uma quantidade de situações já vistas noutros filmes. O nucleo familar parece decalcado de “The Host” e nem falta uma Sassy Girl que mantém uma relação com um jovem da guarda-costeira que parece clonada dos melhores e mais divertidos momentos de “My Sassy Girl“.

Acreditem-me, no que toca a personagens, vocês já viram tudo isto noutros filmes e com resultados bem melhores, mas por outro lado, a coisa até funciona bem e não é por isso que este filme catástrofe se torna num mau filme.
Tem personagens que nunca mais acabam, pequenos dramas familiares de pacotilha mas não só e um par de histórias de amor fofinhas ao melhor estilo Sul Coreano.

Agora se calhar não valia a pena levar tanto tempo a contar as histórias dessas pessoas pois na verdade o que o pessoal quer ver mesmo nisto é a onda gigante a destruir coisas e no entanto os minutos arrastam-se em intermináveis cenas de desenvolvimento de personagens e a tragédia parece nunca mais começar para desespero do espectador.

Se virem o trailer vocês irão ficar confusos pois dá a ideia que [“Haeundae – Tidal Wave“] deve ser uma daquelas comédias desmioladas ao melhor estilo Sul Coreano, mas na realidade a coisa é bem mais complexa do que isso. O filme tem um par de momentos muito engraçados e cartoonescos, mas apesar de tudo equilibra muito bem o drama com a comédia e as cenas de aventura.

Uma das suas mais valias é a forma como quando finalmente aparecem os momentos de destruição o filme consegue alternar entre os vários géneros numa questão de segundos sem nunca perder a identidade ou perder o estilo de filme catástrofe. Neste aspecto, posso até dizer que foi o filme deste estilo que melhor vi cruzar momentos completamente diferentes sem nunca perder o ritmo.
Tem tensão suficiente para nos manter agarrados ao destino dos personagens mas ao mesmo tempo contém um par de sequências hilariantes ao mesmo tempo que nos mantêm em suspanse. Destaque para a genial, tensa e hilariante mini-sequência dos contentores que caiem do céu.

E falando de efeitos especiais, quanto a mim [“Haeundae – Tidal Wave“] está completamente de parabéns. Nem todos são particularmente convicentes. Muita coisa cheira a CGI por todo o lado, mas consegue ter um par de sequências particularmente espectaculares e que não perdem nada em comparação com o que de melhor se viu por exemplo em “2012”.

As cenas de caos quando as ondas gigantes destroiem a cidade são realmente entusiasmantes, (especialmente se as poderem ver num projector com um ecran de trés metros de largura como eu tenho a sorte de o poder fazer).
Aliás, as coisas demoram a acontecer, mas quando a tragédia chega não há duvida que cumpre as expectativas, tanto em espectacularidade como em cenas de tensão. Ainda por cima consegue manter uma excelente variedade nas sequências de destruição e cada personagem tem o seu momento para brilhar…vivo, ou morto…

Excelentes momentos apocalípticos, muito prédio destruido, muito morto a flutuar e muita água por todo o lado com drama, aventura e comédia muito bem misturados.
O único problema do climax do filme é durar tão pouco tempo quando até aí levamos mais de uma hora a ver um outro género de filme á espera desses momentos.
Também se nota alguns figurantes a rir nas cenas em que a multidão supostamente foge em pânico pelas ruas com uma onda gigante atrás da multidão, mas provavelmente vocês nem reparam e isto sou eu a querer implicar com alguma coisa.

Não será tão bom quanto “The Sinking of Japan“, mas felizmente não é tão mau quanto o Tailândes “2022 Tsunami“.  Tudo o que não funciona no hilariante filme made-in-Tailândia está muito bem em [“Haeundae – Tidal Wave“].
É um filme muito divertido apesar de lhe faltar algo que o eleve a um patamar superior.
Não será uma obra prima do género mas é um daqueles que vale mesmo a pena ser visto, especialmente se gostarem de filmes catástrofe.

Já agora, quanto a mim a coisa mais assustadora deste filme são as imagens reais iniciais com as multidões na praia.
Isto para mim que odeio praias comerciais seria o pesadelo e estaria a pedir para que o Tsunami chegasse depressa se tivesse que passar uma tarde num local assim “a fazer praia”…se conseguisse encontrar a areia…

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Um divertido filme catástrofe que percorre vários géneros tentando clonar o melhor de muitos filmes conhecidos mas que não perde por isso.
Não há muito mais para dizer.
Vale a pena pois é mesmo muito bom, embora lhe falte qualquer coisa.
Trés tigelas e meia de noodles na boa.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg

A favor: as histórias parecem decalcadas de outros filmes mas resultam e fazem-nos criar empatia com as pessoas, tem um bom equílibrio entre a comédia e o drama,  a realização é competente e sabe criar excelentes transições entre os vários géneros em segundos sem nunca tornar o estilo do filme ambiguo, os efeitos especiais são em regra muito bons mesmo, tem um par de cenas realmente espectaculares, todos os personagens têm o seu momento o que evita a previsibilidade no seu destino na maioria das vezes, há muita destruição aquática e muita variedade nas sequências de destruição, as cenas dos contentores na ponte são muito engraçadas ao mesmo tempo que nos agarram ao ecran.
Contra: leva demasiado tempo até acontecer alguma coisa daquela que esperamos encontrar num filme catástrofe, as cenas de destruição não duram muito tempo, algum drama de pacotilha que já vimos mil vezes.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=USzuHYrVLkg

COMPRAR
Já se encontra á venda na Amazon Uk a bom preço.
Tidal Wave [DVD] [2009]

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1153040/

——————————————————————————————————————

Filmes semelhantes de que poderá gostar:

——————————————————————————————————————