Kaze no tani no Naushika (Nausicaa of the Valley of the Wind – (“Warriors of the Wind”/”Os Guerreiros do Vento”)) Hayao Miyazaki (1984) Japão


Os mais velhinhos que me estão a ler em Portugal, devem lembrar-se daqueles anos, um par de décadas atrás em que algumas Câmaras Municipais (Prefeituras para o pessoal que me lê no Brasil) a meio dos anos 80, montavam antenas parabólicas em pontos altos das suas autarquias de modo a transmitir emissões de televisão estrangeiras de borla para toda a população.
Foi graças a isto que consegui pela primeira vez descobrir aquele que imediatamente se tornou um dos meus filmes de fantasia/Fc favoritos em animação dentro do cinema oriental , [“Nausicaa of the Valley of the Wind“].

Quem tivesse uma antena no telhado, estivesse perto do transmissor ou então comprando um amplificador de sinal que o tornava mais próximo, (esgotaram todos onde vivo durante meses a fio), conseguia apanhar o velhinho e já extinto canal de cinema “Premiére” que além de ter sido dos primeiros a trazer ás nossas salas-de-estar aqueles filmes que só se podiam ver no cinema foi também uma estação que apresentou as primeiras longas metragens de cinema asiático e Anime que vi.

Isto alguns anos antes de eu inclusive ter conseguido que a minha mãe me comprasse aquilo que era o sonho de todos os putos que gostavam de filmes nessa altura, um videogravador VHS. De duas cabeças apenas claro porque não havia dinheiro para um mais caro e estas coisas custavam os olhos da cara nesses dias. Tempos nostálgicos.
Foi a primeira vez que vi [“Nausicaa of the Valley of the Wind“]. Na altura ainda não o sabia mas mesmo tendo gostado tanto do filme, na verdade ainda não o tinha visto na versão integral.

Isto porque o “Premiére” costumava passar não a versão original do filme mas sim a sua versão remontada para distribuição nos Estados Unidos dobrada em inglés.
Conhecida por “Warriors of the Wind” pouco mais de 80 minutos tinha, mas mesmo assim tornou-se logo uma referência até para o meu próprio imaginário pois muito do meu estilo de ilustração de paisagens teve origem na admiração por esta obra e pelo mundo que nos fazia habitar até mesmo naquela versão condensada.

A mesma que depois ainda revi algumas vezes numa cópia Betamax de um amigo meu (que era rico porque tinha um gravador de video) e que na altura tinha gravado do Premiére,  [“Nausicaa of the Valley of the Wind“] naquela versão “Warriors of the Wind” que chegou inclusivamente a ser (horrivelmente mal) editada mais tarde numa cópia VHS em Portugal debaixo do titulo “Os Guerreiros do Vento” e estranhamente com uma capa que nada tinha a ver com o filme e mais parecia uma má cópia Espanhola dos “Cavaleiros do Zodíaco”.

Nem vale a pena esconder nesta altura que vou atribuir a nota máxima a este filme e na realidade eu dar-lhe-ia na mesma cinco tigela de noodles e um Golden Award se estivesse apenas a falar dele na sua inferior versão “Warriors of the Wind” porque sinceramente em termos de impacto continuo a achar que o filme é fantástico. Aliás, tão fantástico que podem numa altura ter-lhe cortado vinte minutos e o filme continuou a ser uma obra prima, tanto  do cinema oriental como do cinema de animação em geral na minha opinião.

Claro que não recomendo a niguém que veja a versão curta em vez da versão original que quase alcança as duas horas, mas se a escolha for entre só terem acesso á versão de 80 minutos dobrada ou não verem o filme, não deixem de ver [“Nausicaa of the Valley of the Wind“] mesmo que ele se chame apenas “Warriors of the Wind / Os Guerreiros do Vento“, especialmente se gostam de boas histórias do género com personagens carismáticos e ambientes imaginários cheios de identidade e adoram o estilo de animação presente nos filmes orientais do género.

O filme costuma ser comparado com “Dune” principalmente por causa das criaturas no estilo “Sandworm” que também povoam este universo e pela forma como as motivações políticas são encadeadas para formar esta história única. Muitos do pormenores que mais tarde encontramos duplicados nos trabalhos seguintes do Estúdio Ghibli apareceram primeiro neste trabalho e portanto se por acaso alguns momentos do filme os fizer recordar de “A Princesa Mononoke” isso não será coincidência, especialmente no que toca á constante temática da protecção da natureza que costuma estar sempre presente nos trabalhos de Miyazaki.

Pessoalmente, tenho achado a fase mais moderna do estúdio Ghibli algo decepcionante pois as mais recentes obras não me cativaram tanto quanto os filmes antigos. “Totoro”, “Kiki“, “Laputa“, “Grave of Fireflies”, “Porco Rosso” e [“Nausicaa of the Valley of the Wind“] são definitivamente os meus filmes japoneses favoritos dentro do Anime e como tal recomendo a toda a gente que começe por esses títulos se chegar agora á obra do estúdio Ghibli.

Não há muito mais que eu possa dizer sobre [“Nausicaa of the Valley of the Wind“] que não lhes estrague o prazer da descoberta se nunca o viram. Só posso dizer que é realmente tão bom quanto o pintam em quase todas as reviews de filmes asiáticos espalhadas pela net.
Os personagens são cativantes, o universo é fantástico e o argumento é extremamente interessante.

Essencialmente conta a história do que aconteceu um dia, mil anos após aquilo que básicamente se tornou no fim do mundo conhecido onde a maior parte do ecosistema da Terra foi destruído. Toda a humanidade encontra-se agora espalhada pelo planeta em pequenas povoações e dívidida em vários impérios que no entanto se encontram isolados uns dos outros por uma misteriosa floresta onde tudo é tóxico mas apesar disso é no entanto habitada por uma variedade extraordinária de plantas e insectos gigantes.

Nausicaa é o nome da princesa do pequeno reino do Vale do Vento, que procura explorar sózinha estas florestas letais para o ser humano e um dia se vê inesperadamente envolvida numa aventura que não esperava e onde o seu próprio papel poderá decidir o futuro do mundo. Contem com muitas batalhas, insectos gigantes, princesas, aviões gigantes e muita atmosfera steampunk.

Contém excelentes sequências de acção e alguns momentos mais contemplativos para equilibrar quanto baste, tudo coreografado numa realização quanto a mim do melhor que existiu até hoje no Anime pois independentemente disto ser um desenho animado ou não, na minha opinião [“Nausicaa of the Valley of the Wind“] é um dos melhores filmes disponíveis por aí e um titulo obrigatório para quem gosta de FC ou simplesmente de filmes japoneses ou orientais no geral e não tem preconceitos com a animação ou o Anime.

Estou para falar disto há seculos aqui no blog mas até hoje nunca o tinha feito porque pensava que o filme seria por demais conhecido e toda a gente interessada nele já o tinha visto, até porque existem muitas críticas de cinema espalhadas pela net que falam dele.
No entanto ás vezes esqueço-me que este espaço também é lido pelo pessoal mais novo, pessoal que tem agora 14,15,16 anos e ao conversar com o meu filho (15 anos) no outro dia é que me bateu a ideia de que já há por aí uma geração que porventura conhecerá muito melhor um Dragon Ball e o Naruto do que estes filmes Anime que no fundo pertencem ás origens de tudo o que hoje é popular em produtos televisivos saidos do cinema de animação oriental.

Portanto espero que esta recomendação agora pelo menos sirva para quem nunca soube da existência deste filme oriental o tente procurar pois quanto a mim é dos melhores filmes de aventura em animação que existem no mercado e na verdade causa-me sempre um problema. Se eu tivesse que escolher o meu favorito dos primeiros filmes Ghibli não conseguiria pois este é realmente tão bom quanto “Laputa” ou “Kiki” por exemplo. Para nem falar de “Totoro” que também acho absolutamente brilhante e do qual falarei em breve por aqui.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Outro dos melhores filmes de fantasia Anime que poderão encontrar, um dos melhores exemplos da qualidade do cinema oriental em geral e mais uma vez outro dos melhores trabalhos deste realizador. Na verdade foi a primeira longa metragem do estúdio Ghibli e foi o seu sucesso que originou depois todos os outros fantásticos trabalhos que agora conhecemos.
Na minha opinião é mais uma obra prima da animação. Não só do cinema Anime japonês mas de uma forma geral.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade excepcional sem qualquer sombra de dúvida.
noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: Tudo. Personagens em geral, conta com uma personagem feminina cheia de personalidade, história, conceito, paisagens, detalhes dos desenhos, a banda sonora original, ambiente apocalíptico, os insectos gigantes tão inesquéciveis quanto os sandwordms de Dune.
Contra: Nada ! Mas possivelmente a versão dobrada em inglés poderá não ter tanta piada, por isso vejam primeiro a versão japonesa. Quem não gosta de Anime ou FC não vai ficar a gostar.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=7wSba9hwCaU

COMPRAR em DVD
A quantidade de versões dos produtos Ghibli á venda na net pode ser um pesadelo porque existem inúmeras edições bootleg (tenho uma delas realmente excelente que já não se encontra á venda contendo as versões originais dos filmes).

No entanto a edição oficial UK á venda na Amazon é do melhor que actualmente poderão encontrar e vale mesmo a pena, por isso se não se contentarem com apenas sacarem o filme da net e quiserem realmente colocar este filme na vossa estante sigam o link abaixo porque esta edição vale mesmo a pena.

Nausicaa of the Valley of the Wind [DVD]

Manga
Esta história também está contada em BD por isso se gostarem do filme provavelmente irão querer ter a versão em Manga também disponível na Amazon.uk

Nausicaa of the Valley of the Wind Volume 1 (Nausicaa of the Valley of the Wind)

Nausicaa of the Valley of the Wind Volume 2

Nausicaa of the Valley of the Wind volume 3

——————————————————————————————————————

Se gostou deste vai gostar de:

——————————————————————————————————————

Kimssi pyoryugi (Castaway on the Moon) Hae-jun Lee (2009) Coreia do Sul


Quando iniciei este blog nem sequer pensei que durasse muito tempo quanto mais chegar aos cinquenta filmes orientais comentados.
Por isso para mim é agora verdadeiramente surpreendente poder anunciar que hoje irei apresentar-lhes o CENTÉSIMO FILME !
Cem filmes. O que na práctica quer dizer que já escrevi para cima de 100 textos, o que para um tipo que nunca alguma vez na vida teve por hábito escrever assiduamente no que quer que fosse é um verdadeiro feito pessoal.
Portanto sejam bem vindos a [“Castaway on the Moon“] a minha recomendação número 100 e não poderia ter encontrado melhor filme para comemorar esta data pois este titulo na minha opinião representa perfeitamente a razão deste blog existir.

A minha intenção com o “Cinema ao Sol Nascente” sempre foi a de tentar divulgar aquilo que fui vendo e mostrar que há no oriente uma excelente alternativa ao cinema americano para todos aqueles que como eu estão mais que fartos do que encontram nos clubes de video e nos produtos ultra-formuláticos que inundam as nossas salas saídos de Hollywood qual hamburguers do McDonald´s produzidos em série sempre com os ingredientes misturados da mesma forma.
O que me atraiu para o cinema oriental, além da caracterização humana em muitos personagens que até nem pediam mais do que ser de cartão, foi a originalidade de muitos das histórias produzidas naquelas bandas.
Há quem diga que não há grande diferença entre o cinema comercial americano e o oriental. Pois se calhar a nível de realização, montagem e efeitos se calhar não. Na verdade nem questiono isso pois para mim a grande originalidade está na forma como na minha opinião conta histórias diferentes ou, melhor ainda, consegue tornar diferentes histórias iguais a tantas outras apenas pela forma como nos faz importar com o destino dos personagens e humaniza situações que não costumamos encontrar humanizadas dessa forma num filme americano para além do cliché usado como pausa entre cenas de porrada e pelo visto há mais pessoal a pensar o mesmo o que demonstra o quanto as pessoas felizmente ainda gostam de tentar passar para lá daquilo que apenas lhes apresentam pela frente.

Numa altura em que tudo o que chega ás salas de cinema a Portugal vindo dos States está imediatamente rotulado á partida foi para mim muito surpreendente encontrar no oriente uma cinematografia também ultra comercial (em geral) mas onde isso não impediu o factor originalidade de ser aquilo que principalmente move as histórias e isto sem qualquer deterimento da própria comercialidade dos filmes junto das audiências.
O cinema oriental não tem medo de colocar o espectador a pensar receando perca de audiência e quero com isto dizer que pelo menos eu costumo sempre encontrar por lá algum pormenor especial que penso eu, costuma estar ausente nos argumentos americanos e com isto humaniza muitas situações que em outro lado seriam apenas ponte entre sequências de acção habituais ou algo assim.

Surpreendeu-me encontrar coisas completamente inclassificáveis e que mesmo assim funcionam. Filmes policiais que afinal são dramas mas depois no momento a seguir são comédias, filmes de terror que de repente são filmes de fantasia e terminam em drama, comédias que subitamente se tornam em filmes de kung-fu mas que depois acabam como drama, ficção-científica que afinal também consegue ser cinema para adolescentes sem tratar a audiência por crianças, filmes de fantasia que são contos de fada completamente infantís mas que subitamente entram por histórias de amor dramáticas de conteúdo poético e filosófico, histórias de amor com adolescentes e para adolescentes mas carregadas de alma e poesia, filmes de autor que não têm medo de incluir sequências comerciais e vice versa, etc, etc, etc.

Isto para quem como eu estava mais que habituado a ver apenas o policial, o drama, ou a comédia americana que nunca se afastava da fórmula já testada de lucro garantido, foi uma verdadeira lufada de ar fresco.
E mais uma vez , [“Castaway on the Moon“] será possivelmente o melhor exemplo deste estilo de cinema oriental que encontrei pela frente nos últimos tempos, pois consegue ser uma comédia, um drama, uma história de amor com alguma fantasia á mistura e navegar algures entre o cinema puramente comercial e (talvez) uma pitada de cinema-de-autor. Mas já lá vamos…

De cada vez que vejo mais um blockbuster Americano (ou um filme comercial de grande estúdio), fico a pensar que alguém num estúdio algures parece ter-se preocupado muito se as pessoas conseguem incluir imediatamente um filme numa categoria de modo a poder ser publicitado como tal.
Temos os filmes americanos policiais, os de terror, os de super-herois, os dramas, as comédias para gajas, as comédias para adolescentes, os filmes de terror para adolescentes, a “ficção-científica” para adolescentes mas não me recordo de nenhum titulo que pegasse em todos estes géneros e os tentasse subverter da maneira que o cinema oriental o consegue fazer sem fugir do estilo comercial.
Talvez uma excepção tenha sido o fabuloso filme de ficção-científica “Moon” (ficção-científica hard-core como há muito não se via nos cinemas) do realizador Duncan Jones , mas este raro exemplo foi conseguido através de uma produção independente e jamais teria chegado ás salas de Portugal se já não tivesse um selo de uma Major americana por detrás fruto dos prémios independentes que a obra conseguiu ganhar.

[“Castaway on the Moon“] é por isso o filme perfeito para comemorar a minha centéssima recomendação porque na verdade é um titulo inclassificável, pois posso apostar que se isto tivesse sido um titulo americano nunca teria sido distribuído nas salas sem antes ter sido alvo de dezenas de screen-previews com audiências-teste (possívelmente a pior invenção de sempre na história do cinema) e onde certamente no fim desse processo muito pouco teria restado da visão original dos argumentistas e realizador pois seriam certamente obrigados a remontar todo o trabalho de modo a que se encaixasse num estilo que a máquina de Hollywood podesse vender de forma directa a quem não espera mais do que o habitual. É que este filme oriental sul coreano é muita coisa ao mesmo tempo.

Se calhar aqui este blogzinho pessoal corre o risco de passar a ideia que eu odeio cinema americano, o que não deixa de ser hilariante pois pelo menos 1200 dos quase 2000 dvds que já constam da minha colecção pessoal serão certamente filmes gringos. E este não é um blog sobre cinema pipoca (pelo menos nos moldes em que eu classifico o que chega normalmente ás nossas salas saído de Hollywood), mas sim um espaço onde eu tento divulgar produtos que na minha opinião conseguem momentos cinematográficos que raramente encontro no cinema americano mesmo quando muitos são inclusivamente tão ou mais comerciais.
No entanto não posso evitar compararações pois pessoalmente não tenho dúvida nenhuma que o cinema (comercial) oriental para mim está bastantes furos acima do que se produz hoje em dia nos States onde tudo parece ser apenas mais do mesmo e produzido para a geração que cresceu com os videogames e aquele estilo particular de imagética actualmente muito adaptado ao cinema comercial onde tudo se passa a 300 frames por segundo para não aborrecer as audiências.

Por exemplo, nem queria crer quando “Avatar” ganhou agora um prémio para melhor filme dramático. Dramático ?!!   Eu, não me importei minímamente com qualquer dos personagens naquela história pois sabia-se perfeitamente o que lhes ia acontecer de antemão a todo o instante o que me anulou qualquer efeito supostamente “dramático” pois nem as cenas tristes e que pretendiam criar alguma emoção ou empatia as achei menos formuláticas.  Senti que lá estavam apenas porque tinham que estar para seguir a habitual estrutura.
James Cameron já escreveu um grande filme de FC dramático – “O Abismo” e é pena que não tenha continuado o estilo agora também neste novo projecto.
No entanto eu adorei “Avatar” e sou daqueles que lhe dá nota absolutamente máxima, pois na verdade achei-o não só um dos melhores filmes-pipoca desde há muitos anos como possívelmente o melhor filme-para-crianças que me lembro de ter visto desde talvez “Chronicles of Narnia” (juntamente com “O Feiticeiro de Oz“), pela forma “infantil” como gere espectacularmente um argumento concebido para a geração dos videojogos e que embora para lá de básico contém ainda espaço para passar uma mensagem ou duas.
Adorei “Avatar” mas não lhe chamaria propriamente um filme dramático.
Nem estou a ver este excelente blockbuster a ser considerado como tal dentro de uma cinematografia oriental e é aqui que eu acho que está a grande diferença entre o cinema oriental e o americano.

O que me fascina no cinema oriental é o inesperado e inesperado foi o que me surgiu pela frente mais uma vez.
Falemos de [“Castaway on the Moon“]. O Filme número 100 deste blog.
Comecei a vê-lo pensando que não passaria de mais uma comédia maluca ao estilo sul-coreano mas logo descobri que havia aqui algo muito especial.
Para começar a originalidade do conceito cativou-me logo desde o início e este é mais um daqueles titulos que aposto mais tarde ou mais cedo irá ter um remake americano pois a ideia base disto está mesmo a pedir um.
Senão vejamos…

Imaginem uma cidade com um rio e uma ponte que atravessa duas margens. No meio desse rio, existe uma ilha deserta sendo assim como uma espécie de mini-reserva natural (onde nunca ninguém vai) mas onde muita da poluição da cidade acaba inevitávelmente por encalhar.
Imaginem que um dia vocês se tentam matar jogando-se da ponte abaixo mas acabam por naufragar nessa ilha no meio do rio e não conseguem sair de lá pois não sabem nadar e as pessoas a quem tentam pedir ajuda quando elas passam de barco pensam que vocês estão apenas a acenar de contentamento.
Os meses passam, ninguém apareceu na ilha e a vossa única solução é tentarem habitá-la o melhor possível aproveitando tudo o que encalha na praia dos desperdicios humanos.

Viram “Castaway” de Robert Zemeckis com Tom Hanks a fazer de náufrago encalhado numa ilha deserta ?
[“Castaway on the Moon“] é o mesmo filme. O heroi desta história podia estar encalhado no meio do oceano (ou na lua) que a sensação de isolamento seria a mesma e é este um dos grandes trunfos da história que curiosamente apesar de se passar literalmente no meio de uma cidade gigantesca raramente nos mostra mais pessoas além dos protagonistas.
O heroi encalhado no meio do rio nesta “versão” oriental está tão só como se tivesse naufragado numa ilha deserta e depara-se exactamente com as mesmas situações mostradas no filme com Tom Hanks mas desta vez com uma pequena excepção…

Numa das margens do rio, vive uma rapariga que não sai do seu quarto há 3 anos. Toda a sua existência é passada online e o seu mundo real é apenas um quarto atulhado do lixo que foi acumulando durante a sua existência de eremita.
A sua vida é passada em jogos online, tem um negócio que gere através da web, encomenda comida pela net, comunica com os pais apenas por mensagens de SMS e tudo faz para se isolar do resto do mundo com o qual recusa contactar.
Um dia ao preparar-se para fotografar a lua com a sua câmera por acaso descobre que no meio do rio está um tipo que vive como um selvagem na ilha do rio que divide a cidade e a partir daí a vida da jovem começa a sofrer uma influência que ela nunca esperou vinda de um local fora do seu próprio mundo e causada por um jovem que ela pura e simplesmente não sabe como contactar ou sequer se apercebe de que ele precisa de ajuda.

Normalmente eu não costumo contar muito sobre um filme, mas achei que [“Castaway on the Moon“] merecia que eu lhes contasse este bocadinho, até para vocês perceberem que isto não é a típica comédia destrambelhada que aparenta ser na capa do dvd ou no cartaz do filme.
Aliás, [“Castaway on the Moon“] como cinema é inclusivamente algo ambiguo. É um filme comercial…ou pelo menos grande parte dele é, mas também contém um estilo intimísta que me apanhou de surpresa.
A própria fotografia etérea atira o filme para uma atmosfera algo inesperada logo quando como espectadores nos apercebemos que se calhar isto será um filme mais profundo do que aparentava ser. Isto aliado a um estilo visual muito baseado numa identidade gráfica particular coloca este filme num género á parte logo na primeira meia hora.

Enquanto espectadores ficamos um bocado sem saber mesmo qual o rumo que a história poderá tomar. Conseguimos adivinhar o que acontecerá em linhas gerais, mas podem ter a certeza que não vão esperar encontrar muitos dos pormenores que aparecem nesta história desde o seu início até á sua resolução.
Ah, a propósito…se calhar é melhor não verem [“Castaway on the Moon“] depois do jantar…

O filme começa como uma comédia negra, depois entra por um humor completamente escatológico portanto se alguma vez pensaram em ver um grande filme de merda se calhar vão gostar de alguns momentos mais hilariantes da primeira metade só pela repulsa que lhes irá causar e porque não conseguirão mesmo afastar os olhos do ecran pois a partir de certa alturaparece que tudo pode acontecer.
Garanto-vos que nunca viram um náufrago assim em “Castaway” sequer.
Além de alguma comédia mais radical [“Castaway on the Moon“] conta ainda com um par de gags hilariantes com destaque para o breve momento em que o protagonísta tenta fazer fogo como se vê fazer nos filmes. Mais não digo.

É dificil falar de [“Castaway on the Moon“] sem revelar muita coisa pois a vontade que me dá é contar-lhes já os melhores momentos de um filme que na verdade vai muito para além da simples e banal comédia de costumes.
Aliás se existe um filme que poderá ser sujeito a inúmeras análises sociológicas entre muitas outras interpretações e discussões sobre os temas que o percorrem é este. Claro que uma forma ligeira; não estou a dizer que isto seja o mesmo que interpretar um qualquer tratado.Mas  é bastante interessante na forma como joga com aquelas pequenas coisas a que estamos habituados e temos por certas na nossa vida.
Desde a importância da  junk-food na nossa felicidade imediata ao ponto de a tentarmos recriar para mitigar o nosso sofrimento psicológico quando ela nos falta, até ao próprio conceito de isolamento há por aqui muita coisa para originar muito motivo de conversa se virem isto com muitos amigos.

[“Castaway on the Moon“] é uma comédia que no fundo não é para rir, é um drama que nos faz pensar em vez de chorar, é uma grande história de amor sem o ser mas onde os protagonístas nunca se desencontram apesar de viverem isolados. E é também um filme que não pode ser verdadeiramente incluído num género específico pois cada segmento da sua narrativa poderia ele próprio ser uma curta metragem de um género diferente. Apenas todos estes “segmentos isolados” estão muito bem enquadrados uns nos outros e o resultado não poderia ter sido melhor.

Não achei [“Castaway on the Moon“] um filme muito comercial se pensarmos nele pelo estilo de narrativas a que estamos habituados a ver chegar ás nossas salas. Poderá ser no entanto um bom exemplo de um certo tipo de cinema pipoca oriental que contém precisamente aquele tipo de características que na minha opinião raramente se encontram nos filmes pipoca a que estamos habituados a consumir. É um filme algo lento, com uma carga intímista invulgar que alterna entre momentos de comédia e suspanse de ambiente gráfico estranho e atmosfera algo perturbante mas que ao mesmo tempo tem momentos de comédia geniais, para não dizer algo repugnantes também tudo muito bem equilibrado com uma sensação de romance latente que nos agarra até ao final.
Nem tudo é explicado ao espectador, o que é mais outra diferença do cinema oriental em relação ao que normalmente estamos habituados a ver.

Como filme em si, por mim é um produto fantástico porque consegue ligar de forma única muitos retalhos de diferentes estilos.
Não há muito mais a dizer nem vou tentar entrar por grandes análises cinéfilas para justificar melhor a minha nota alta, pois isso é o que menos me interessa no Cinema.
Pessoalmente estou-me borrifando para a inovação de um Fritz Lang, para a mestria de um John Ford ou para a genialidade Stanley Kubrik. Fizeram excelentes filmes, tenho dvds deles todos, passa á frente.
Sempre tentei neste blog escrever o que penso da forma mais simples e directa como se estivesse a recomendar um filme aos meus amigos pois não sou crítico de cinema nem quero ser e passo-me dos carretos com aquelas reviews muito conceituadas e onde ás vezes se analisa tudo menos o interesse que o filme poderá ter para o espectador comum e em vez disso muitos Iluminados passam parágrafos a dissertar sobre as implicações psicológicas ou pior, Artísticas de um gajo ter usado um plano A em vez de um plano B como se estes soubessem o que o realizador queria mesmo dizer com aquilo.
É este tipo assunção de intenções que sempre tentei evitar com este blog e como tal recomendo-vos [“Castaway on the Moon“] porque tenho a certeza de que muitos de vós irão gostar, acho que está muito bem filmado, tem excelentes personagens extravagantes e é mais um produto de cinema oriental único que certamente irão ver em versão americana (bem mais ligeira) não tarda nada.

Obrigado a todos pelas visitas pois é por vossa causa que este blog de filmes  chegou ao filme número 100.
Espero que gostem deste também e pode ser que ainda nos encontremos no 200 daqui a mais dois anos.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO :

Tem um dos conceitos mais originais que me lembro de ver nos últimos tempos e é um filme que se acompanha com muito interesse que depois se vai gradualmente transformando em suspanse culminando numa história de amor muito original.
Não há muito mais para dizer além do que já escrevi para trás.
Cinco tigelas de noodles e em Golden Award apesar de não ser um daqueles que nos apeteça rever constantemente mas ficará certamente na vossa memória pois nunca viram uma história assim.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: é uma espécie de “anti-Lagoa Azul” com um gajo maluco e uma chavala ainda mais alucinada, tem um par de gags hilariantes, o conceito base é único e muito imaginativo na forma como todo o argumento é desenvolvido, alterna entre o estilo intimista de um filme de autor e o melhor do cinema comercial embora seja um filme algo estranho, tem cenas de merda muito nojentas, bom suspanse no final, é uma história de amor que nunca se assume como tal, é um drama mas não da forma como pensam que vai ser, é uma comédia mas não como esperam.
Contra: não agarra á primeira pois achei-o divertido mas só depois da primeira hora é que realmente o comecei a ver como algo mesmo especial.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=BnF7cZcwPHM

COMPRAR
Recomendo a compra aqui desta edição neste site. Boa loja, muitos titulos e serviço profissional.

Eu vi a minha cópia aqui com legendas em inglés mas parece que já podem encontrar o filme aqui Asian Space com legendas em Pt Br


IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1499666/

——————————————————————————————————————

Filme semelhante de que certamente irá gostar:

* Não me lembro de nada parecido com isto*

——————————————————————————————————————

Palwolui Christmas (Christmas in August) Jin-ho Hur (1998) Coreia do Sul


Já tentei mas não compreendo todo o hype á volta deste filme.
[“Christmas in August“] é suposto ser uma obra prima qualquer dentro do género dramático sul-coreano mas por mais que eu tente, não compreendo mesmo porquê.

Parece inclusivamente que este filme é usado nas escolas de cinema como exemplo de como se escreve um argumento, serve de modelo a aulas sobre narrativa cinematográfica e inspirou até o autor de “My Sassy Girl” a escrever o seu clássico.
Uhm ?!!! …
Será que eu andei estes anos todos a ver e a rever uma cópia incompleta qualquer e ainda não notei ?! É que eu comprei o dvd !!

[“Christmas in August“] foi mais um daqueles dvds que eu comprei sem pestanejar sequer, pois as reviews espalhadas pela net eram tão extraordinárias e a suposta importância deste filme para o cinema oriental  é tão elevada que eu pensei que não me poderia enganar com esta história de amor.
Da primeira vez que o vi, nem o consegui ver todo pois fartei-me a meio.
Depois disso nestes anos todos tentei revê-lo pelo menos duas vezes por ano, (a ver se me tinha escapado alguma coisa) mas de cada vez que o revia ainda consolidava mais a minha opinião.

É que [“Christmas in August“] é realmente muito interessante, mas… não mais do que isso. Não compreendo de todo o porquê de tanta reverência á volta deste filme.
A história é banalíssima, mas não é por isso que o filme perde alguma coisa pois é verdade que está cheio de pequenos pormenores que lhe dão bastante humanidade.
No entanto, na minha opinião tem humanidade mas não tem chama. Falta-lhe de todo aquele toque especial que normalmente me agarra no cinema asiático e aqui isso não acontece.

Os personagens não me emocionaram de todo e isso para mim, depois de ter lido em todo o lado que [“Christmas in August“] era uma verdadeira obra prima do cinema-choradeira , foi uma verdadeira decepção. É que nem sequer me causou a mais pequena lágrima e tal deixou-me estupefacto.
Tem bastantes aspectos tocantes e supostamente a sua narrativa é uma obra prima da manipulação emocional mas no entanto nada nesta história foi suficiente para me causar o mesmo efeito que por exemplo “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” me causaram.

É que até “My Girl & I” tem mais emotividade que [“Christmas in August“] e no entanto um é desprezado pela crítica enquanto o outro é quase tratado como um objecto religioso dentro do cinema romântico oriental ?!
E “My Girl & I” é quase um plágio de [“Christmas in August“] pois a sua estrutura base é practicamente a mesma, mas tomara [“Christmas in August“] conseguir a mesma atmosfera.
Vocês sabem, vocês já viram este filme antes, muitas vezes até se gostarem de cinema romântico Sul Coreano.
Casal de apaixonados, muito amor platónico e depois um deles tem uma doença grave e morre no fim. Acabou o filme.

Se vocês gostam de cinema romântico Sul Coreano, sabem bem que não é por causa deste tipo de argumento que o género perde a sua força e sendo assim eu não estava nada á espera que uma suposta obra prima tão conceituada como [“Christmas in August“] não tivesse practicamente força nenhuma.
Não me interpretem mal, é um filme bonito de estutura básica mas totalmente funcional, cheio de pormenores que até prometem fazer-nos pensar sobre muita coisa, mas no entanto há algo que falha e lhe retira logo a intensidade de muitos outros filmes semelhantes criados posteriormente dentro do cinema oriental ou cinema sul coreano em particular.

Uma das razões de [“Christmas in August“] ser tão conceituado é porque segundo consta, este foi o filme que revolucionou o cinema romântico Sul Coreano moderno e definiu por completo o género modernizando-o em 1998.
Até então, parece que nada daquilo que nós hoje conhecemos nestas histórias de amor no cinema oriental existia nos moldes que agora nos fascinam e sendo assim segundo rezam as crónicas, o cinema romãntico Sul Coreano renasceu com esta obra que practicamente definiu o estilo – boy meets girl, boy looses girl, boy gets girl again, girl/boy dies, boy/girl ends up alone.

Por este prisma, eu sou o primeiro a reconhecer o seu valor.
Hoje claro, já vimos este tipo de estrutura mil vezes mas se calhar na altura foi mesmo capaz de ter causado um grande impacto nas plateias ao melhor estilo choradeira-lovestory anos 70.
Agora o que me surpreende é toda a gente continuar ainda hoje maravilhado com o filme quando já existem pelo menos uma dezena de melhores, mais drámaticos e mais eficazes exemplos dentro do género.
Se vocês já viram tudo o que tenho aconselhado aqui neste blog dentro do género romântico muito certamente também irão ter a mesma opinião que eu quando agora forem ver [“Christmas in August“].
Digam-me qualquer coisa pois gostaria muito de saber o que vocês acham sobre a enorme fama deste filme.

De resto não há muito mais para se dizer sobre ele.
É um bom produto, boas interpretações, miuda fofinha, história triste mas bonita e tudo o mais que normalmente há de bom neste tipo de cinema made-in-coreia do sul.
Não posso deixar de recomendá-lo também se já viram tudo o resto de que tenho falado, pois na verdade [“Christmas in August“] não tem propriamente nada de mau que se possa apontar nele.
Apenas tem uma carga de emotividade algo inóqua e não percebi até hoje o porquê disto ser assim.

——————————————————————————————————————CLASSIFICAÇÃO:

Se já viram tudo o resto dentro do género romântico que recomendei até hoje, devem então juntar este filme á vossa lista de coisas a ver.
Até por uma questão histórica pois supostamente este foi o filme que reinventou o género e o modernizou no que toca ás histórias de amor made-in-coreia-do-sul que hoje vocês conhecem.
De resto, na minha opinião quando comparado com o que já foi feito nestes últimos anos, [“Christmas in August“] não passa apenas de mais um pequeno e muito interessante filme mas nem de longe nem de perto será a obra-prima maior do género romântico oriental como practicamente todas as reviews o designam.
Não o colocaria no topo da minha lista de filmes a ver se tivesse chegado apenas agora ao género romântico sul-coreano.
Duas tigelas e meia de noodles pois é muito interessante mesmo mas não mais do que isso e dúvido se lhes ficará sequer na memória.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg

A favor: história simples e bem contada, alguma poesia e atmosfera, excelente naturalidade nos personagens, é um filme fofinho.
Contra: na verdade não há nada de negativo neste filme, apenas falta-lhe algo para criar realmente o mesmo nível de emoção que obras posteriores como “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” conseguiram atingir. Por qualquer motivo não me emocionou minimamente, não deu a mínima vontade de chorar e isso é o pior que poderia ter acontecido num drama romântico Sul Coreano. Até o bem mediano “My Girl & I” tem mais emotividade e poesia que [“Christmas in August“] e não estava nada á espera disso tendo em conta a reputação de obra-prima deste filme.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Parece que não há trailer disto em lado nenhum por isso fica aqui um videoclip.
http://www.youtube.com/watch?v=GQzq_Un-1Xc&feature=related


COMPRAR

A edição que eu tenho (capa acima) parece já não existir mas podem comprar esta aqui.
Christmas In August [DVD]

Imdb
http://www.imdb.com/title/tt0140825/

——————————————————————————————————————

Outros títulos românticos (bem mais) recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

——————————————————————————————————————

20-seiki shônen: Honkaku kagaku bôken eiga (20th Century Boys) Yukihiko Tsutsumi (2008) Japão


O ano de 2010 começa bem para mim no que toca a boas compras de cinema oriental.

Este é um filme sobre o qual me é muito dificil falar pois é um daqueles produtos de cinema asiático muito dificeis de classificar.
A minha primeira reacção foi a de atribuir-lhe a classificação máxima pois [“20th Century Boys“] é não só muito bom como tem uma coisa que lhe dá logo muitos pontos, é completamente original. Mesmo não parecendo.

Na verdade não me lembro de ter visto nada  assim antes e surpreendeu-me que o filme tivesse uma estrutura inesperada.
Curiosamente o único motivo porque vi o filme foi porque o comprei.
E a única razão porque o comprei foi porque a edição que estava á venda na Amazon Uk (e ainda está) tinha uma relação preço-qualidade que me pareceu muito boa, pois os dois discos vinham dentro de um livro hardcover com 26 páginas a cores e eu não resisto a estas coisas especialmente quando estão á venda por menos de 10€. Comprei o filme a 4 libras um par de semanas atrás.

Tinha visto o trailer há meses e já o podia ter sacado da net há muito tempo para espreitar, mas nem me dei ao trabalho porque [“20th Century Boys“] parecia-me ser precisamente aquele tipo de filme que me aborrece de morte, ou seja algo num estilo super-herois que geralmente não me diz nada e como tal as apresentações nunca me convenceram ao ponto de sequer me fazer ter vontade de ver o filme á borla.
No entanto algo me dizia que [“20th Century Boys“] não seria tão banal quanto me parecia no trailer e devido á sua excelente e barata edição não resisti a comprá-lo.
E ainda bem que o fiz.
Se calhar não se nota pela “suave” classificação que lhe atribuí mais abaixo, mas este filme quanto a mim é absolutamente fantástico e a única razão porque não lhe dou uma nota melhor é porque este é um daqueles produtos que são absolutamente contagiantes quando o vemos pela primeira vez, mas pessoalmente não fiquei com vontade nenhuma de o rever tão cedo.

Não porque [“20th Century Boys“] seja um mau filme, aborrecido ou tenha algum problema grave, mas porque é um daqueles que depende mesmo muito do fascínio que o mistério da história cria no espectador e como tal quando a coisa chega a uma conclusão, mesmo apesar de ser um filme oriental cheio de qualidades há muito pouco que faça o espectador querer voltar a ele muito próximamente.
Pelo menos até ver como a história termina…

[“20th Century Boys“] tem o grave problema de ser uma primeira parte de uma história em trés capitulos. Ou melhor em trés filmes. Além disso a sua originalidade acaba por ser a sua maior virtude e a sua maior fraqueza.
A sua originalidade não está propriamente no estilo, ou até na história, até porque se vocês conhecem obras como Watchmen (tanto o livro como o filme), não vão encontrar algo muito diferente em [“20th Century Boys“], que, quanto a mim é quase uma versão alternativa da Bd de Alan Moore transposta para uma identidade oriental puramente japonesa. Não que seja um plágio, mas o tom da história e até a sua própria estrutura é semelhante.

Segundo consta, esta trilogia de filmes, adapta o Manga mais vendido de sempre no Japão. Algo que me é totalmente alheio pois até agora nunca tinha ouvido falar de tal coisa e como tal parti para este filme como eu gosto. Completamente ás escuras.
O facto de  [“20th Century Boys“] ser a primeira parte da história (em filme) podia até nem ser um problema, pois por exemplo  a primeira parte do Senhor dos Aneis resulta plenamente enquanto filme isolado até ao seu final.
No entanto [“20th Century Boys“] “falha” nesse aspecto porque como alguém já referiu numa outra review na net, parece que os criadores deste projecto se esqueceram que este produto acima de tudo era suposto ser um filme e se calhar não deveria ter seguido tão á risca uma estrutura de banda-desenhada no que toca á sua narrativa.

Por outro lado, esta visão pode ser apenas fruto do nosso olhar ocidental mais habituado ao tipo de estrutura que vemos nos filmes americanos e sendo assim é inevitável que olhemos para [“20th Century Boys“] como um filme algo estranho e inesperado.
Lá ver se consigo explicar isto melhor…olhem que é difícil…
[“20th Century Boys“] é apresentado como um verdadeiro blockbuster “de super-herois” ao estilo japonês. No entanto não se passa nada neste filme asiático ao longo de quase trés horas !!!

Não se passa nada daquilo que vocês pensam que se vai passar se virem os trailers.
As apresentações dão a ideia que o espectador vai ver um blockbuster cheio de acção e cenas de destruição ao melhor estilo de cinema catástrofe e no entanto nada disso acontece  em [“20th Century Boys“].
As poucas cenas de acção e destruição que vocês vão encontrar nesta história são os breves segundos de explosão no aeroporto e no parlamento e isso aparece tudo no trailer sem haver mais nada para mostrar.
As partes de aventura com o robot gigante são practicamente nulas e mais parecem pertencer aos cinco minutos finais de um qualquer episódio de uma série televisiva do que a uma mega-produção que [“20th Century Boys“] apregoa ser em todo o seu marketing.

Ou seja, se esperam um filme de super-herois, ou com uma estrutura (ou espectacularidade) semelhantes ao que estão habituados a ver, esqueçam.
Que achou que Watchmen foi uma seca porque aquilo era muito paleio e pouca acção, então é melhor nem se aproximar de [“20th Century Boys“], pois é trés vezes “mais lento”. O aviso está feito, isto não é o blockbuster que aparenta ser na publicidade (o que muito me agradou).
Ainda por cima quando o filme está precisamente no seu momento mais empolgante ao fim de quase 150 minutos…a imagem pára e aparecem no ecran as palavras “To be continued…” !!!

Curiosamente é um filme oriental bem mais intimista do que eu próprio esperava ter visto.
Practicamente as primeiras duas horas são passadas em desenvolvimento de personagens. Não que isto seja o ponto fraco do filme, mas deixo já o aviso que é muito importante vocês estarem atentos aos nomes dos personagens porque senão vão dar em doidos.
Consta que todos os trés filmes contêm ao todo mais de 300 personagens diferentes e acredito plenamente nisso pois só nesta primeira parte devem passar dos 50. Ainda por cima isto é um filme oriental e como tal…esqueçam o conceito de “heroi” ou personagem principal, pois aqui até o personagem mais secundário é importante para a história e tem o seu momento de ecran específico o que complica bastante a vida ao espectador mais desatento.

Para piorar as coisas, o filme ainda é passado em trés décadas diferentes e como tal apanhamos com os personagens quando crianças em 1970, acompanhamos os mesmos nos anos 90 e ainda os vislumbramos por volta de 2015. O que quer dizer que cada personagem é interpretado por um par de actores diferentes consoante a época em que a história decorre. E muitos deles têm alcunhas em criança e nomes diferentes em adultos…
Resumindo, este filme só pode ter sido um sucesso enorme no japão mesmo.
Metessem isto num cinema americano (ou americanizado) do ocidente e isto seria um fracasso absoluto pois metade das pessoas perder-se-ia por completo no emaranhado da história e personagens infinitamente variados, com a agravante do filme não ter cenas de aventura ou acção intercaladas ao estilo dos argumentos americanos para deixar o cérebro descomprimir.

É que essencialmente [“20th Century Boys“] é um filme oriental de mistério.
E um dos mais intrigantes e completamente hipnóticos que me lembro de ter visto em muito tempo.
Se vocês ficarem intrigados pela história, o seu desenvolvimento não vos vai deixar tirar os olhos do ecran até ao seu final. Final esse que é considerado por muita gente como uma das maiores desilusões do cinema recente.
Isto porque na verdade não corresponde minimamente á ideia de blockbuster com que o filme é vendida no ocidente e como tal era inevitável que muita gente visse as suas expectativas completamente frustradas.

Pessoalmente eu nem queria acreditar no que estava a ver quando o filme parou mesmo no melhor e a expressão “continua” apareceu na imagem.
Nunca tinha visto um filme acabar assim. A sensação com que se fica é que [“20th Century Boys“] acaba ali como podia ter acabado noutro sítio qualquer e isso é um sentimento algo estranho quando como espectadores investimos todo o nosso interesse na história e pelo menos esperávamos que nesta primeira parte algo nos recompensasse os primeiros 150 minutos do nosso entusiasmo.

No entanto…
Superem este pormenor e vão descobrir uma história fascinante suportada por um elenco enorme e cheio de carísma.
O filme practicamente não tem acção (não se deixem enganar pelos trailers), mas nem por isso deixa de ser divertido ou cativante.
Nota alta para o trabalho do realizador que conseguiu manter coeso todo o emaranhado do argumento sem nunca perder o fio á meada e criar um filme divertido e cheio de personalidade. Mesmo sem recorrer a cenas de porrada á americana ou a efeitos especiais ao longo de practicamente todo o filme, [“20th Century Boys“] mantém-nos colados á sua história e interessados no seu desenlace.
Só é pena ainda termos de esperar até ao lançamento do terceiro capitulo para ficar a saber como tudo termina. Isto claro se nunca leram o Manga, cujo o próprio autor é agora o argumentista do filme e talvez seja por isso que esta grande produção pareça ser mais uma banda-desenhada com imagens “reais” em movimento do que propriamente um filme.

Nota alta para o elenco infantil que tem um desempenho absolutamente hipnotizante. Alías, toda a parte passada na infância dos herois é um dos pontos altos do filme a fazer lembrar aquele estilo de história juvenis nostálgicas que normalmente Stephen King costuma contar.
Enquanto espectador não pude deixar de pensar que havia algo de Stand By Me nesta história e isso agradou-me mesmo muito e tenho a certeza irá agradar bastante a todos aqueles que foram crianças nos anos 70 bem antes de existirem computadores, telemóveis, videogames e internet e onde todos nós tinhamos de inventar os nossos próprios mundos de imaginação pois não havia nada do género pré-fabricado. O filme (e a história) capta muito bem o espírito de infância desses anos e sendo assim é mais um dos seus pontos altos.

Como este texto já vai longo e não quero revelar muito sobre o filme vou terminar apenas dando-lhes uma ideia da história.
Essencialmente [“20th Century Boys“] é sobre um misterioso culto religioso centrado num enigmático logotipo e numa figura conhecida apenas como “Friend” e sobre a maneira como esta personagem consegue dominar (e destruir?)  o mundo.
No inicio dos anos 70 um grupo de crianças imaginou uma história de ficção-científica precisamente contendo todos os detalhes que depois se vieram a tornar reais e como tal todo o mistério gira á volta da possibilidae de “Friend” ser na realidade ser uma das crianças do grupo original que de alguma forma conseguiu tornar realidade algo surgido num jogo infantil muitos anos atrás.
Fico-me por aqui pois há muito para descobrirem se virem [“20th Century Boys“].

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Sinto que quando conseguir ver os trés filmes de uma só vez e puder unificar toda a história, hei de voltar a esta review e adicionar mais uns pontos á sua classificação.
Isto porque [“20th Century Boys“] é um filme diferente dos outros porque tem uma estrutura inesperada e como tal devido a isso é quase injusto estar a classificar isoladamente esta primeira parte pois ao contrário de filmes como o primeiro Lord of The Rings, esta não resulta enquanto filme e sente-se mesmo a falta da continuação para podermos ser realmente justos sobre o que dizer sobre o produto final.
No entanto não deixem de ver [“20th Century Boys“] pois é algo absolutamente único e recomenda-se vivamente.
Quatro tigelas de noodles…por agora…

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: também neste filme o argumento labirintico e a forma como cruza os diversos caminhos do destino dos protagonistas, as sequências nostálgicas da infância dos personagens, o elenco e a quantidade enorme de personagens (secundários(?)), apesar da complexidade da história o trabalho do realizador é notável a gerir tudo aquilo, em 150 minutos de filme mesmo sem practicamente acção nenhuma o suspanse mantém-se apenas pela força da história e carísma dos personagens, o estilo de realização tem variações impecáveis que nunca deixam o filme perder o interesse e quase que assistimos a um estilo de filmagem diferente para cada personagem, a fotografia destaca-se especialmente nas sequências dos anos 70, quem gostou de Watchmen irá gostar de [“20th Century Boys“].
Contra: quem espera um blockbuster cheio de acção e estilo cinema catástrofe cheio de efeitos especiais vai ficar muito decepcionado, este primeiro filme não está estruturado enquanto primeiro capitulo com um principio meio e fim e acaba de forma completamente inesperada e sem resolver absolutamente nada do que desenvolve ao longo de quase trés horas, não sentimos que estamos a ver o primeiro filme de uma trilogia mas apenas um bocado do inicio de um qualquer filme de oito horas que subitamente nem sequer fica a meio mas acaba no inicio quando tudo parece ir começar a sério, as cenas de acção que supostamente seriam o climax desta primeira parte são absolutamente desinteressantes e banais mais parecendo a parte final de um qualquer episódio televisivo de uma série desinteressante qualquer com robots gigantes.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=OCFOM5mZx28&feature=related

COMPRAR
A foto acima pertence á edição que eu comprei na Amazon Uk e que recomendo. Os dvds vêm dentro de um bonito livro numa edição hardcover com 24 páginas a cores detalhando muita coisa sobre o universo do filme (cuidado com os spoilers). Tudo com o excelente preço a condizer.
20th Century Boys (2 Discs & 24 Page Book) [2008] [DVD]

Está também já disponível o segundo capitulo numa edição em tudo semelhante á do primeiro caso queiram continuar a colecionar isto em dvds separados.
20th Century Boys Chapter 2 (2Disc & 24 Page Book) [DVD] [2009]

E finalmente o terceiro.
20th Century Boys 3: Redemption (Ws Sub Ac3 Dol) [DVD] [Region 1] [US Import] [NTSC]

Em alternativa, se quiserem já adquirir os 3 filmes de uma só vez também já o podem fazer numa única e muito interessante edição.
20th Century Boys Trilogy – The Complete Saga [DVD] [2010]

Recomendo vivamente a compra das edições dvd acima, mas se quiserem espreitar o filme primeiro podem ir buscá-lo aqui com legendas em Pt(Brasil)

IMDB
http://www.imdb.pt/title/tt1155705/

——————————————————————————————————————

Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

——————————————————————————————————————

Superman ieotdeon sanai (A Man who was Superman/If I was Superman/A Man Once Superman) Yoon-Chul Jeong (2008) Coreia do Sul


Este é mais um daqueles filmes orientais de que me apetecia gostar mesmo muito.

O conceito é absolutamente simples mas cheio de potencialidades por explorar, os personagens prometem e as referências ao universo do Super-Homem são absolutamente deliciosas, particularmente os pormenores sacados ao filme realizado por Richard Donner com Christopher Reeve.

Infelizmente este é mais um daqueles filmes asiáticos que fica a meio caminho de tudo aquilo que poderia e deveria ter sido, por muitas e diversas razões que vou tentar resumir agora.
De qualquer forma também é bom começar por dizer que apesar da minha desilusão com o filme, [“The Man Who Was Superman“] é no entanto um daqueles obrigatórios não só para quem gosta do género dramático sul-coreano como principalmente para os fãs do Super-Homem.
Então se viram o primeiro filme com Christopher Reeve não podem perder “esta versão”  que apesar das suas muitas fraquezas tem ainda alguns bons motivos para que vocês o queiram ver pelo menos uma vez.

[“The Man Who Was Superman“], conta a história de um homem que anda pelas ruas de uma cidade Sul Coreana convencido de que está em Metropolis e é nada mais nada menos que o próprio Super-Homem.
Sendo assim, o seu dia-a-dia é passado tentando ajudar as pessoas que encontra ao mesmo tempo que procura super-vilões e ainda tem tempo para salvar o planeta agindo de forma ecológica, obrigando as pessoas a não despejar lixo no chão entre outros feitos heroicos.

O filme segue a relação deste personagem com uma jornalista frustrada que a princípio pretende aproveitar-se dele para realizar um documentário sobre o pretenso Super-Homem e ganhar uns cobres com a estação de TV local, mas depois aos poucos começa a ver-se envolvida com o misterioso homem quando o passado trágico daquela figura trágico-cómica se começa a revelar.

Os minutos iniciais de [“The Man Who Was Superman“] são absolutamente geniais. Tudo aquilo que envolve a caracterização do “Super-Homem” é não só completamente divertida, mas principalmente fascinante  e não conseguimos tirar os olhos desta história.
O actor que faz de “Super-Homem” não só consegue incoorporar por completo o personagem como principalmente compõe a melhor imitação de Christopher Reeve que poderão encontrar pela frente.

O que não deixa de ser extraordinário em muitos sentidos, pois a meio do filme quase que nos esquecemos que estamos a ver um “Super-Homem/Clark Kent” de traços orientais tal é a genial caracterização que o actor consegue produzir a partir de todas aquelas referências que conhecemos dos filmes de Richard Donner dos anos 70.
Se [“The Man Who Was Superman“] dependesse deste Super-Homem para ser um filme fantástico, eu dava-lhe já a nota máxima.

Infelizmente, todo o genial trabalho de composição do actor acaba por se perder um bocado pelo meio do filme á medida que a história avança e é mesmo pena.
Culpa de um argumento que nunca consegue criar uma transição fluida entre a comédia e o drama, pois o registro do filme muda de um segundo para o outro e é por demais errático ao longo de toda a estrutura da história o que cria no espectador uma constante incerteza sobre que tipo de história está a ver pois nunca há uma transição bem conseguida entre géneros e ás vezes temos a sensação que estamos a ver dois filmes diferentes remendados um ao outro.

Isto faz com que as partes humoristicas (ou de homenagem) não tenham tempo para respirar e criar uma identidade e também retira algum interesse á parte dramática pois o filme balança demasiado bruscamente entre os dois géneros. É bastante complicado explicar isto melhor, mas quando vocês virem o filme vão perceber o que quero dizer.

Quando a história entra pela gradual revelação sobre o passado do personagem principal, o conceito á volta do “Super-Homem” parece algo abandonado como se este tivesse apenas servido para introduzir o filme e pouco mais.
[“The Man Who Was Superman“] primeiro fascina-nos com todas as referências ao super-heroi, cria a personalidade do personagem central com base nesse material mas depois a meio do filme retira-nos essas referências do centro da história e a coisa entre por um estilo de drama clínico, frio, algo esterelizado e nem a presença da personagem feminina consegue amenizar a sensação de que de repente estamos a ver um filme diferente.

E por falar em personagem feminina, quanto a mim uma das grandes fraquezas do filme está precisamente nos personagens. Talvez seja da fascinante caracterização inicial do personagem principal no inicio do filme, mas a verdade é que (talvez comparadas com ele) todas os outros personagens nos parecem desinteressantes e algo antipáticas.
A inevitável ligação romântica do filme não resulta plenamente porque nem a miúda do filme nos atrai particularmente, talvez fruto de uma caracterização que se foca demasiado no estilo rebelde e não passa daí o que lhe dá uma dimensão algo limitada.

Percebe-se que a ideia seria criar uma Lois Lane oriental, mas quanto a mim á força de a quererem caracterizar como mulher independente os argumentistas acabaram por se esquecer de a humanizar ao mesmo nível que trabalharam o personagem do “Super-Homem”.
No entanto, estas fraquezas estão todas principalmente nos 50 minutos centrais do filme, como se depois de um inicio fantástico os autores da história não tivessem sabido bem o que fazer com o resto da ideia.
[“The Man Who Was Superman“] tem um inicio excelente, uma parte central desajustada fria e desinteressante (mesmo apesar da gradual revelação sobre a identidade do misterioso “Super-Homem”) e um final muito bom que quase alcança o mesmo nível do inicio do filme.

Só não atinge o interesse e a qualidade inicial, porque entra por um registro completamente óbvio no que toca ao estilo de sequências de acção com ambiente dramático e por isso, ainda o filme tem pelo menos 20 minutos para acabar e já o espectador imagina o que acontece em cada minuto seguinte. Afinal quantas cenas com incêndios é que todos nós já vimos ? A cena final não é excepção e por isso não vão encontrar nada que mantenha qualquer suspanse nesta sequência e é pena.

Mas, apesar da previsibilidade da sequência de acção final, subitamente o filme ganha vida.
De repente até nos identificamos com a tristeza de “Lois Lane” e o resultado final do acto de heroísmo do “Super-Homem”  parece-nos digno de nos fazer sentir algo mais do que decepção com o rumo que o filme tinha tomado na sua parte central.

Resumindo, a parte final salva o dia e se gostarem dos primeiros vinte minutos da história, vão adorar o desenlace da mesma, com destaque para os segundos finais que encerram o filme, pois regressam todas as referências á obra de Richard Donner e [“The Man Who Was Superman“] acaba de uma forma muito bonita, deixando-nos com a sensação de que acabamos de ver uma história que poderia ter sido um clássico instantâneo e um verdadeiro filme de culto á volta do mundo dos Comics e no entanto algo se perdeu pelo caminho.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Uma oportunidade perdida.
Poderia ter sido bem melhor mas perdeu-se um bocado porque não soube aproveitar a imaginação do conceito inicial.
No entanto se gostam do Super-Homem, este é um dos melhores e mais originais filmes sobre o universo dos super-herois que poderão encontrar e sendo assim vocês precisam mesmo de ver isto porque independentemente das suas fraquezas é apesar disso uma boa tentativa de se criar um produto original.
É um bom filme, nem mais, nem menos. Não os vai maravilhar mas é uma boa maneira de passarem algum tempo em frente ao ecran.
Trés tigelas de noodles. Acrescentem mais meia por vossa conta se gostarem mesmo muito do Super-Homem ou do universo dos comics americanos.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: o trabalho do actor principal na caracterização do “Super-Homem/Clark Kent” é fantástico, o espírito de Christopher Reeve deve andar por este filme, os primeiros vinte minutos da história são muito cativantes, as referências ao universo do Super-Homem são excelentes e muitas estão escondidas em pequenos pormenores, a ligação com o filme de Richard Donner presta-lhe uma boa homenagem (tem a “nave estrela” do filme e tudo), tem um bom final apesar de previsível, apesar de ser um produto mediano por culpa da falta de imaginação no desenvolvimento do coração do filme é um filme que fica na memória, ainda consegue ter um mini-twist curioso no final, apetece-nos gostar muito mais dele do que na realidade podemos gostar.
Contra: não se define enquanto género pois não é uma comédia um drama ou um filme romântico mas ao mesmo tempo é tudo isso sem conseguir manter uma identidade ao longo da sua duração, parece maior do que na realidade é e isso nunca é bom sinal, os personagens secundários não são particularmente cativantes, a parte central do filme acaba por se tornar aborrecida porque o registo da história não soube equilibrar bem entre o humor e o drama, a “Lois Lane” não cativa, a parte romântica nunca alcança um registo emocional que a história merecia, o “Super-Homem” desaparece demasiado da história em determinados momentos quando todo o fio condutor deveria ter seguido o registo inicial na minha opinião, as partes de suspanse no final do filme são absolutamente previsíveis e perdem algum do impacto.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=-qFG-XO56Ss&feature=related

Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7h-49-en-15-a+man+who+was+superman-70-37uw.html

Ver na Web
http://asianspace.blogspot.com/2009/06/man-who-was-superman-2008.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1119199/

——————————————————————————————————————

Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

——————————————————————————————————————