Bread of Hapiness (Shiawase no pan) Yukiko Mishima (2012) Japão


Há um certo tipo de cinema que só os Japoneses conseguem fazer bem.
Aquele tipo de filmes extremamente simpáticos que nos mostram locais onde adorariamos viver ou passar longas temporadas e onde não se passa absolutamente nada.
[“Bread of Hapiness”] é um excelente exemplo de mais um título assim transportando-nos para um mundo absolutamente mágico e que nos deixa a pensar sobre ele muitos dias depois de ver esta história. Nada mal para um filme sobre… nada…

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[“Bread of Hapiness”] conta a história de uma rapariga que um dia deixou a grande cidade e  abriu uma padaria em jeito de hostel na remota margem de um dos grandes lagos do Japão. Embora contente por viver na pequena localidade Rie Mizushima não consegue evitar sentir um vazio na sua vida; sentimento esse que acaba por tentar colmatar quando juntamente com o seu marido Nao cozinha os mais deliciosos pãezinhos que serve a todos aqueles que passam pelo local tentando através da sua culinária, colmatar nos outros também o vazio interior de cada uma dessas pessoas.

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Ambos funcionam como uma espécie de anjos da guarda para todos aqueles que chegam até à sua casa com algo em falta nas suas vidas; amenizando problemas através da culinária e fazendo com que nesse instante contemplativo cada pessoa descubra por si própria um rumo a seguir que irá mudar a sua vida apenas porque um dia passou por aquela padaria.

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A primeira hóspede é uma rapariga em busca de um rumo pois foi abandonada pelo namorado e acabou por vir parar àquela margem do lago, ela própria à deriva.
Depois temos a história da miuda cujo a mãe fugiu com outro homem tendo abandonado o seu pai e finalmente a história do velho casal que chega um dia ao local para morrer.
Todos estes pequenos fios condutores aparentemente isolados são aquilo que vão solidificando aos poucos a história do casal central e sem o espectador se aperceber conduzem até àquele final perfeito que dá um carísma muito especial a [“Bread of Hapiness”].

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Basicamente é isto o que se passa neste filme absolutamente simpático durante duas horas;  onde nem falta um pequeno twist nos segundos finais que muita gente certamente nem irá notar, mas que me apanhou completamente de surpresa e deu uma enorme magia ao desenlace desta história.
[“Bread of Hapiness”] é um daqueles filmes episódicos onde os vários segmentos isolados estão unidos pelos personagens principais e pela interacção destes para com cada um dos protagonistas de cada uma das pequenas histórias que no final acabam por dar um sentido à própria história do casal protagonista.

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[“Bread of Hapiness”] está dividido por estações do ano e cada estação corresponde não apenas a uma história mas também evoca uma emoção particular ou um estado de espírito para aquilo que se passa na alma de cada personagem.
Pode parecer uma coisa muito filosófica ou ultra-pretenciosa mas não se preocupem, o grande trunfo deste filme está precisamente na forma simples como aborda questões profundas sobre a própria vida sem nunca se parecer com um daqueles títulos pretenciosos ao pior estilo cinema de autor.

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[“Bread of Hapiness”] pode ser cinema independente, pode ser cinema de autor, mas nunca se impõe como tal ao espectador. É tão simples que parece ser realmente um filme onde não se passa nada até que de repente, este acaba e percebemos o quanto esta história falou realmente de muita coisa. É esta simplicidade que dá uma grande originalidade a este tipo de cinema que só podia ser mesmo Japonês; contemplativo quanto baste mas carregado de emoção contida e muito significado.

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Em [“Bread of Hapiness”] em termos de acção , temos essencialmente cenas em que as pessoas comem pãezinhos, cenas em que as pessoas passeiam pelo campo, cenas em que as pessoas vão à praça comprar ingredientes para fazer mais comidinhas, cenas em que as pessoas conversam sobre a vida e “pouco mais”.

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A grande magia do filme no entanto está na sua atmosfera. A cinematografia é absolutamente luminosa (demasiado luminosa dizem alguns) e para mim é precisamente a escolha perfeita para da a este pequeno mundo isolado o ar encantado que precisa para que a história do casal e principalmente o pequeno micro-twist final resulte de uma forma tão mágica. É como se esta padaria se localizasse numa dimensão paralela onde apenas a calma e a contemplação fizessem parte daquele mundo.

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A cor deste filme é simplesmente fantástica e é um daqueles que em bluray vibra com toda a energia que o formato pode proporcionar em termos de imagem. As cenas de verão com toda a luminosidade de um fim do dia ou de uma manhã de sol são absolutamente perfeitas e dão a este filme uma certa característica de Anime filmado em live-action.
Aliás, a todo o instante este filme me fez lembrar de “O Meu Vizinho Totoro” de Hayao Myiazaki; a começar pela banda sonora -feliz- em tom “desafinado” que adorei. Estava sempre à espera de ver Totoro aparecer numa árvore qualquer, mas infelizmente este filme não tem qualquer criatura mágica.

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Pessoalmente penso que [“Bread of Hapiness”] tem apenas um encalhe. Penso que uma das histórias não resulta plenamente porque dá um tom diferente ao conjunto central até porque a acho desnecessáriamente longa. Não se arrasta por demais, mas acho que [“Bread of Hapiness”] não precisava ter duas horas de duração para passar o mesmo tipo de mensagem que passa.
Por mim, aqui e ali poderia ter-se cortado algum tempo excessivo e se este título tivesse meia hora a menos teria sido absolutamente perfeito.

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Alguns personagens secundários não parecem ter nada para fazer na história a não ser preencher espaços físicos nos cenários e penso que algumas cenas poderiam ter sido realmente um bocadinho reduzidas que não fazia mal nenhum.
Por outro lado, a atmosfera do local é realmente encantada e [“Bread of Hapiness”] é um daqueles filmes bonitos, simples e que não pretendem armar-se em inteligentes mesmo em última análise sendo bem mais do que parece à primeira vista.
E a canção disonante da banda sonora é muito fixe !

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CLASSIFICAÇÃO:

Se procuram um filme muito simpático, daqueles muito calminhos e em total espírito Zen sem qualquer pretenção a obra prima do cinema de autor, [“Bread of Hapiness”] é um título perfeito a não perder. Aliás, é realmente uma boa introdução a certo tipo de cinema independente (ou de Autor) pois não assusta ninguém e é uma excelente alternativa para quem está farto de filmes com tiros e explosões e quer encontrar algo para relaxar mas que ao mesmo tempo transporte o espectador para um mundo muito próprio.
Se gostaram de “O Meu Vizinho Totoro” em Anime, vão gostar disto.

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Pode não ser para toda a gente, mas se entrarem no espírito da coisa vão gostar. E mesmo que não estejam absolutamente rendidos aos personagens ou às histórias, garanto-vos se procuram um toque de magia, o pequeno twist dos segundos finais quando entra a última narração vai deixá-los plenamente satisfeitos e ainda a gostar mais deste filme. Foi esse final “mágico” que acrescentou agora mais uma tigela de noodles à minha classificação.

Cinco tigelas de noodles. Não é um filme sem falhas, mas é muito, muito simpático.

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A favor: toda a atmosfera do local, a fotografia luminosa é fantastica, a cor, algumas das histórias são simples mas têm alguma magia, o micro-twist no final é muito fixe, a banda sonora ( a canção do final em tom disonante), não deixa de ser cinema de autor mas prova plenamente que este tipo de filmes não têm que ser obrigatoriamente chatos ou intelectualoides.
Contra: tem meia hora a mais, alguns personagens não servem para grande coisa (a “artista” é um bocado irritante), pode ser um filme calmo demais para muita gente.

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TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1726749

Uma das canções:

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Black Coal Thin Ice (Bai ri yan huo) Yi’nan Diao (2014) China


Pensava que era desta que ia aqui escrever uma recomendação para um excelente policial em estilo oriental mas fui enganado. Tudo indicava que [“Black Coal Thin Ice“] ia ser realmente um bom título para um género de que ainda pouco falei por aqui na cinematografia oriental, mas afinal ainda não é desta.
As “iludências aparudem” meus amigos.

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Estou cá com a impressão de que a crítica ocidental que diz maravilhas deste filme só deve ter visto mesmo apenas o trailer e nada mais.
Isto porque tudo o que tem sido escrito sobre [“Black Coal Thin Ice“] em tom exacerbado por alguns críticos iluminados em puro extase de intelectual de café, realmente está absolutamente certo se apenas virmos o trailer.

Tudo no trailer indica que isto vai ser um excelente policial noir sim senhor. O trailer tem mistério, puxa-nos para dentro da história e tem um ritmo que parece perfeito para um filme policial nestes moldes.
Depois vemos o filme e parece que alguém se enganou na montagem.
[“Black Coal Thin Ice“] contém realmente todos os elementos que estão na apresentação, mas este é um caso típico de como uma montagem pode determinar o tom e o estilo de um filme, para bem ou para o mal.

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[“Black Coal Thin Ice“] tinha tudo para ser o thriller intenso, estilizado e emocionante que aparenta ser no trailer, mas na realidade é um filme muito diferente.
É uma pena, mas este filme é um daqueles que até irrita porque o potencial é absolutamente fantástico, a história é boa, o ambiente visual está lá mas depois deita tudo a perder quando entra por um estilo pretencioso nos moldes do pior cinema de autor.
Não que [“Black Coal Thin Ice“] seja chato como o raio, mas sinceramente deveria ter sido o filme que aparenta no trailer e não o filme que na realidade é.

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Estou sinceramente convencido que muita gente deve ter escrito reviews à pressa para entregar ao editor no último minuto apenas tendo olhado para o trailer sem ter visto o filme.
[“Black Coal Thin Ice“] dispensava por completo aquelas pausas narrativas, aqueles enquadramentos longos e momentos contemplativos que parecem durar minutos a fio quando na verdade até só duram alguns segundos.
Não há nada de errado num realizador querer criar um ambiente intimista, criar uma atmosfera desencantada para basear a sua história numa realidade urbana em vez de a filmar numa espécie de versão da realidade num tom cinematográfico habitual, mas sinceramente bastava estabelecer essa premissa num par de cenas só para o espectador perceber onde está e depois deveria ter seguido em frente.

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Em muitos momentos o tom narrativo de [“Black Coal Thin Ice“] parece o equivalente àquela velha piada que nunca mais acaba porque quem a conta repete a história sucessivamente minutos a fio antes da punchline final que deveria ter graça mas que depois perde todo o impacto.
São assim todos os bons momentos que acontecem na história deste título policial.
Quando a narrativa parece que finalmente vai reproduzir o filme que vimos no trailer, o realizador resolve entrar novamente em modo “artístico” e encalhar a montagem com mais uma daquelas pausas contemplativas de qualquer coisa, takes com segundos a mais que perpetuam momentos vazios (e nunca mais ninguém diz – “corta”); ou então inserindo cenas que na verdade não servem absolutamente para nada na história, mas parecem estar lá porque o realizador está mais preocupado em ser considerado – um autor – do que em contar uma história noir pura e simples nos moldes clássicos.

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Há algures um excelente filme noir pelo meio de [“Black Coal Thin Ice“], visualmente é muito atmosférico, baseado numa realidade urbana fria e desencantada e a história no seu todo é muito boa.
A história gira à volta de um crime inicial que depois se ramifica por mais uns quantos e tinha um potencial fantástico para nos surpreender. Começa com o facto misterioso de que vários bocados de um cadáver apareceram ao mesmo tempo em várias regiões distantes da China mas logo se torna numa história mais intimista que leva a conclusões relativamente inesperadas. Tivesse [“Black Coal Thin Ice“] sido realmente o filme que parece ser no trailer, estariamos na presença de um excelente policial noir.

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[“Black Coal Thin Ice“] falha pura e simplesmente porque todo o mistério, mas principalmente todos os twists e revelações da história são completamente diluídos por tantos momentos em modo -cinema de autor- que insistem em fazer com que o impacto da narrativa se perca constantemente.
Quando acontece algo que deveria ser um twist ou uma reviravolta na história, o espectador practicamente nem sente o impacto da revelação ;(nem notamos às vezes) e isso é o pior que para mim pode acontecer naquilo que supostamente seria uma história policial.

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O problema de [“Black Coal Thin Ice“] é que nunca se define se quer ser cinema de entretenimento com uma boa história policial ou um título iluminado no cinema de autor cheio de metáforas pessoais sobre o isolamento, a depressão, vidas vazias, etc, mas num tom algo pretencioso.
Toda essa vertente estraga por completo o que deveria ter sido um excelente policial chinês.
Por um lado continua a ser. Se vocês conseguirem abstrair-se dos tiques -auter- da história e terem presença de espírito para se concentrarem apenas no mistério policial, se calhar irão gostar bastante.
O filme tem um enorme potencial. Mas na verdade são dois filmes colados num só e não resultam como um todo numa análise final.

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Visualmente tem momentos excelentes e é um daqueles títulos que me recordou constantemente  Blade Runner. Estava a ver [“Black Coal Thin Ice“] e a imaginar que se o ambiente disto tivesse uns carros voadores pelo meio e uns edificios épicamente tecnológicos como background nos cenários, este seria uma argumento fantástico para uma espécie de sequela não oficial made in china para Blade Runner.

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Todo o ambiente está cheio de neons, viela escuras contrastando com as luzes da cidade e é um filme essencialmente nocturno cheio de contrastes de cor e jogos de iluminação muito bem pensados. Os personagens parecem também ser absolutamente perfeitos para Blade Runner, o detective desencantado (que não detectiva por aí além), a femme fatale num estilo Rachel mas em tom urbano contemporâneo, um “vilão” que num mundo futuristico poderia muito bem ter sido um excelente replicant e todo um conjunto de referências actuais orientais que o próprio Blade Runner utilizou com uma estética futurista trinta anos atrás.
Até o anti-heroi tem qualquer coisa a fazer lembrar Rick Deckard.

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Por este prisma [“Black Coal Thin Ice“] é um filme fascinante, pois sente-se que poderia ter sido realmente um Blade Runner a todo o instante. Inclusivamente o tom intimista e a história de amor melancólica estão lá também, (só falta Vangelis); apenas tudo leva com um estilo de realização que é por demais pretencioso para que os ingredientes certos resultem como deveriam ter resultado mesmo neste cenário contemporâneo.

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[“Black Coal Thin Ice“] é também um filme algo deprimente. Uma coisa que contribui imenso para isso é a banda sonora clássica por vezes em tom de Adágios sucessivos (algum Richard Strauss), ou então entra pela música pimba chinesa mais atroz. Isto até nem teria sido problemático; o problema é que aliado àquele estilo de realização pretencioso em modo -instalação artística- por vezes, isso ainda contribui mais para que a sua história de mistério se perca por completo.
E o final também não ajuda. O mistério resolve-se mas depois há minutos a mais na conclusão quando o filme fecha assim com mais uma espécie de metáfora visual e que era perfeitamente desnecessária, até porque parece que irá levar a qualquer lado e não leva a lado nenhum. E o filme acaba. The end.

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CLASSIFICAÇÃO:

Há por aqui em [“Black Coal Thin Ice“] um excelente filme noir a querer saltar para fora a todo o instante. Precisamente aquele filme noir com que o trailer engana toda a gente mas não existe de todo nesta produção e não é de todo o que aparenta ser se vocês forem pelas críticas entusiasmantes que aparentemente tem recebido por todo o lado.

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Todas as excelentes qualidades que ninguém nega a este título, são no entanto diluídas pela pretenção a cinema extremamente sério num tom de autor que era perfeitamente dispensável, pois neste caso só serviu para colocar em terceiro plano aquilo que deveria ter sido o seu maior atractivo; o argumento. Em [“Black Coal Thin Ice“] filma-se muito para lá do que o argumento pedia para resultar e tudo o que é adicional torna-se pretencioso como o raio e em alguns momentos secante também pois faz com que a história perca todo o impacto.

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Duas tigelas e meia de noodles, porque é um filme extremamente interessante mas nem de perto ou de longe é a obra prima que certa crítica parece ter visto neste título. E podia ter sido.
Quanto a mim os críticos só viram o trailer mesmo. Esse sim, contém o filme que isto deveria ter sido e que aparenta ser nas reviews ocidentais.

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A favor: a história é boa, o ambiente visual é excelente, boa fotografia, bons actores e bons personagens, o trailer é fantástico.
Contra: não se deixem enganar pelo trailer, tem cenas que se alongam por demais, o tom de cinema de autor torna-se pretencioso e é totalmente dispensável num titulo que não pedia mais do que ser aquilo que parecia ser quando vemos o trailer mas não é.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3469910

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Kiki’s Delivery Service – Majo no takkyûbin – Takashi Shimizu (2014) Japão


[“Kiki´s Delivery Service”] logo à partida é um daqueles filmes de que me apetecia gostar mesmo muito !
Practicamente tal como aconteceu com toda a gente que conhece o filme animado original, também eu fiquei absolutamente surpreendido quando descobri que alguém tentou passar esta história para live-action.

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Mais surpreendido fiquei, quando descobri que a pessoa que o tentou fazer foi precisamente Takashi Shimizu que é bem mais conhecido por provocar ataques cardíacos a quem pensa que não tem medo de filmes de terror através dos seus excelentes JU-ON.
Portanto encontra-lo agora por detrás das câmeras naquela que é provavelmente uma das histórias japonesas mais emblemáticas e fofinhas de todos os tempos é algo com que eu não contava de todo.

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Para quem não sabe [“Kiki´s Delivery Service”] na sua origem é um dos mais populares (e esgotados) romances para crianças Japoneses publicado em 1985. Apesar de ser algo praticamente desconhecido aqui pelas bandas do ocidente, o livro original lá pelo Japão é quase uma espécie de Harry Potter muuuuuuito antes de Harry Potter, isto em termos tanto de popularidade como de criatividade.
No entanto, [“Kiki´s Delivery Service”] por cá ficou bastante popular não pelo livro mas pelo trabalho de Hayao Miyazki que em 1989 adaptou pela primeira vez o romance original Kiki ao cinema tendo produzido a obra prima que é a sua versão anime “Kiki´s Delivery Service” que não só na minha opinião mas de muita gente é simplesmente um dos melhores desenhos animados e filmes para todas as idades de todos os tempos; só comparado a outras produções do realizador, como “My Neighbour Totoro” ou “Laputa Castle in the Sky”, talvez.

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Por isso quando se soube que iria haver um remake em live-action para [“Kiki´s Delivery Service”], toda a gente ficou em enorme expectativa, pois com uma história destas a coisa tanto poderia ser brilhante como dar seriamente para o torto.
O que ninguém esperava é que ficasse a meio termo e isso é quase pior do que ter realmente dado para o torto.
Estranhamente esta nova versão é verdadeiramente decepcionante em muitos aspectos, enquanto que noutros nos dá um breve vislumbre da magia que poderia e deveria ter tido !

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Logo do início apetece-nos mesmo gostar muito de [“Kiki´s Delivery Service”]. Eu próprio nos primeiros 15 minutos achei que lhe iria atribuir sem sombra de dúvida pelo menos cinco tigela de noodles na minha apreciação final. Mal podia esperar que o filme acabasse para dizer ao mundo o quão genial esta nova versão era.
Infelizmente passados mais quinze minutos percebi que algo estava sériamente errado com este filme.

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Comecemos pelo que tem de positivo.
Embora não tente adaptar de forma óbvia o mundo desenhado por Hayo Miyazaki é perceptível que este foi inevitávelmente uma inspiração inicial para o design de produção desta adaptação live-action. E ainda bem. Infelizmente não podemos contar com aquela maravilhosa cidade em estilo steampunk victoriano que nos deslumbrou a partir do meio da adaptação Anime, até porque duvido que houvesse orçamento para recriar algo assim, mas a verdade é que apesar da ausência de balões e dirigiveis no céu, continua a sentir-se algo de especial nos cenários que representam a ilha para onde Kiki vai trabalhar.
Se esta versão ainda consegue ter alguma magia, muito deve à cenografia de certas pequenas sequências em que Kiki voa ou interage com as pessoas da cidade para onde vai viver.

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Incialmente as cenas passadas na aldeia onde Kiki nasceu também são visualmente muito bonitas, mágicas e atmosféricas. Sente-se um ambiente demasiado plástico por causa do óbvio CGI de alguns cenários que depois não ligam bem com o set design interior, mas nem isso quebra a primeira boa impressão que temos com o visual da história.

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Também gostei da escolha para interpretar a Kiki. Esta actriz tem sido algo atacada pela sua caracterização decepcionante de um personagem que toda a gente estava habituado a ver em animação, mas na minha opinião penso que não é por causa dessas óbvias diferenças que [“Kiki´s Delivery Service”] se torna um filme muito mais decepcionante do que deveria ter sido.
Esta Kiki, também é apontada como sendo demasiado velha para o papel. Nisso é verdade, a rapariga não parece própriamente ter 12 anos e está um bocadinho demasiado madura para um papel tão infantil, mas penso que é algo que enquanto espectadores acabamos por ultrapassar porque acho que a jovem actriz trouxe muita vida e frescura a este personagem. A alma do personagem está lá.

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Uma coisa que é absolutamente fabulosa nesta produção são as paisagens naturais que este filme mostra e para mim só peca não terem mostrado ainda mais. Não sei até que ponto estes locais apresentados existem realmente, mas se existirem com esta beleza eu por mim mudava-me já para aqui hoje mesmo, pois isto em termos de inspiração para o meu trabalho de ilustração seria absolutamente fantástico.
Curiosamente na internet não se encontram imagens destes bocados do filme e portanto não lhes posso demonstrar como são realmente bonitas e mágicas todas as localizações naturais por onde Kiki voa na sua vassoura de bruxinha.

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O que me leva a coisas menos boas…ou talvez não.

Os efeitos especiais em [“Kiki´s Delivery Service”] oscilam entre o excelente em pequenos breves segundos que mostram Kiki a voar por cima de algumas paisagens fabulosas e o atroz ! Mas atroz mesmo !!!
Inicialmente os cenários CGI medianamente produzidos já tinham sido um pequeno alerta de que este filme provavelmente não teria tido um bom orçamento para coisas desta, mas nada me preparava para montagens contra ecran verde dignas de um filme do inicio dos anos 90 numa produção de 2014. Muito menos ainda numa produção como [“Kiki´s Delivery Service”] que pedia acima de tudo um orçamento bem generoso para bons efeitos especiais !!

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E não é porque os efeitos especiais orientais sejam regra geral obrigatoriamente piores do que o que se faz em Hollywood. Muito pelo contrário. O que não faltam por aí são excelentes exemplos de óptima animação CGI em cinema japonês contemporâneo (este blog está cheio deles) e portanto não se percebe porque precisamente um filme como [“Kiki´s Delivery Service”] que depende realmente muito de excelente efeitos para ser eficaz se espalha ao comprido mesmo onde deveria ter brilhado mais.

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Filmar [“Kiki´s Delivery Service”] sem dinheiro para efeitos especiais é quase como tentar produzir os novos Star Wars com um orçamento de série-B caseiro.
Algumas cenas em que Kiki voa na sua vassoura são absolutamente péssimas e o problema é que isso retira imediatamente o espectador adulto de dentro daquela atmosfera mágica que nos deveria conseguir iludir do principio ao fim.
Aliás, tal como muita gente já comentou, o grande problema desta nova versão de [“Kiki´s Delivery Service”] é que na sua essência é um produto que só conseguirá agradar verdadeiramente a crianças pequenas; enquanto que a versão anime de 1989 é uma adaptação realmente para todas as faixas etárias apesar de ser um produto animado.
Esta nova versão de [“Kiki´s Delivery Service”] está imediatamente datada e ainda nem sequer tem um ano.
As sequências de acção na aventura final são completamente desinteressantes porque por esta altura já o espectador não aguenta ver mais CGI e montagens amadoras e só pensa em ir rever o desenho animado original para recuperar.

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Eu não conheço o livro mas sei que também Miyazaki em 1989 não adaptou o romance de forma integral ou particularmente fiel ao texto do romance. O que me leva a pensar que se calhar ele estava muito certo.
Isto porque se esta nova versão live-action estiver bem mais próxima do conteúdo do livro, então foi bom a versão animada ter ignorado toda a parte da história que aparece agora nesta produção moderna. Pessoalmente depois de ver este filme fiquei sem vontade nenhuma de ler o livro…

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A partir do momento em que Kiki chega à sua cidade adoptiva, toda a história deixa de se parecer com o que vimos no Anime de Miyazaki e entra por uma série de sequências episódicas absolutamente desinteressantes, com vários sub-plots que aparentemente pretendem mostrar a evolução e amadurecimento emocional da personagem mas só aparecem no écran como cenas dramáticas absolutamente falhadas, pois o filme nunca se decide o que quer ser; se um drama se uma história de magia.
O sub-plot sobre a antiga bruxa que perdeu a vontade de cantar é absolutamente de nos colocar a dormir a meio por exemplo. Se isto está no romance original, ainda bem que a versão Anime ignorou esta sequência pois quebra o ritmo da narrativa de uma forma que simplesmente não resulta em filme. Para agravar a actriz que faz de bruxa ex-cantora não tem qualquer carisma e parece inclusivamente estar a fazer um frete por ter entrado nesta produção para crianças.

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Para piorar as coisas, [“Kiki´s Delivery Service”] a partir do meio parece ser também sobre o salvamento de um hipopótamo noutro sub-plot que não lembra ao diabo e onde ainda por cima encontramos um dos grandes exemplos do pior CGI animado nesta produção. É de ver para não querer crer no que vemos.
Mau, mau, mau !

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E por falar em  diabo; pior ainda é o gato da Kiki !!!
Aquele que era um dos personagens que mais alma tinham no desenho animado e um dos bonecos mais fofinhos de sempre no cinema japonês ( a par com Totoro ), aqui em [“Kiki´s Delivery Service”] a gata Jiji, é nos apresentada como uma espécie de gato dos infernos. Um bichano que só pode estar possuído pelo demónio, feio como o raio, inesperadamente antipático e totalmente incapaz de criar qualquer empatia com o espectador, o que na minha opinião é verdadeiramente o grande tiro no pé deste filme.
Comparem só o gato do filme com a sua versão cute do Anime. Qual destes gatos é que vocês usariam no vosso ritual satânico preferido ?

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[“Kiki´s Delivery Service”] até poderia ter tido os efeitos mais foleiros de sempre (quase); os sub-plots até poderiam ser desinteressantes (são), mas agora o que nunca, nunca deveria ter tido era uma total ausência de carisma nos personagens ! Muito menos ter representado a gata Jiji da forma que é caracterizada neste filme !!
E é melhor nem me perguntarem a opinião também sobre a animação deste boneco…

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Tirando Kiki, todos os personagens em [“Kiki´s Delivery Service”] ou são irritantes como o raio, ( o idiota marido da padeira não serve para nada; a padeira idem ), ou são absolutamente desinteressantes e um total vazio dramático ( as adolescentes da cidade ) ou pior ainda estão lá para criar drama forçado sem qualquer razão ( a sobrinha da bruxa cantora, o tratador de animais do zoo ).
[“Kiki´s Delivery Service”] falha enquanto filme, não por todas as suas fraquezas técnicas mas acima de tudo nas suas fraquezas dramáticas, pois nunca por qualquer momento sentimos que Kiki está numa situação que nos interesse seguir; ao contrário do que acontecia no desenho animado.

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Até o personagem do rapaz que quer aprender a voar aqui é absolutamente estéril em termos dramáticos. E pior ainda é apresentado como um convencido sem qualquer empatia com o que o rodeia e nem por um instante nos interessamos por ele enquanto espectadores ou nos importamos com o seu destino.
Depois a história entra por um climax final sem qualquer nexo; a atmosfera muda para uma espécie de aventura na selva envolvendo cientistas e hipopótamos feridos e tudo nos faz perguntar a todo o instante onde está aquele [“Kiki´s Delivery Service”] que toda a gente queria ver numa adaptação moderna para cinema…

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Como muita gente já sabe, o filme conta a história de Kiki, a pequena bruxinha que vem de uma longa linhagem de bruxas que têm por tradição ajudar os humanos. Quando uma bruxinha faz treze anos esta deverá abandonar o lar dos pais, pegar na sua vassoura e ir viver ( e trabalhar ) sózinha durante um ano inteiro numa cidade onde precisem dos seus serviços e é o que acontece. Kiki muda-se para uma bonita vila à beira mar, mas nem tudo corre bem quando tenta ser aceite pela população.

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Entre hipopótamos sem interesse, bruxas que perderam a vontade de cantar e adolescentes irritantes a única coisa que se salva são mesmo os ambientes naturais lindíssimos e algumas breves sequências de vôo que surpreendentemente estão com montes de atmosfera e por momentos nos fazem pensar que o filme irá finalmente descolar e tornar-se absolutamente mágico.
Não vai.

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Portanto, [“Kiki´s Delivery Service”] tinha tudo para ser um filme inesquecível e é realmente um daqueles títulos de que apetece MESMO gostar muito, mas infelizmente passamos o tempo todo à procura de bons momentos que por vezes duram um segundo ou dois em tempo de ecran quando todo o filme deveria ser verdadeiramente mágico tal como o Anime de Myiazaki o foi em 1989.
É com muita pena minha que esta versão não irá ficar para a história e só ficará na minha memória porque adoro a adaptação anterior em desenho animado.

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CLASSIFICAÇÃO

Eu queria mesmo, mesmo gostar disto mas tenho que admitir que o filme é realmente decepcionante, acima de tudo porque um filme sobre magia, com um personagem fantástico como Kiki a bruxinha deveria ser verdadeiramente mágico e não é.

E pior ainda, [“Kiki´s Delivery Service”] nem sequer é verdadeiramente mau. Apenas é desinteressante. Mais valia que fosse insuportável e seria mais fácil cascar nele pelas suas falhas. Assim como está é apenas uma grande desilusão.

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Mesmo assim três tigelas e meia porque enquanto filme para crianças nem é mau de todo. Apenas deveria ter sido mais que um filme para crianças, tal como a versão Anime surpreendentemente consegue ainda ser.

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A favor: as paisagens naturais da ilha são incríveis, as cenas iniciais na aldeia da Kiki são um bom começo para o filme, os cenários da ilha e da vila para onde Kiki vai viver são muito bonitos e atmosféricos, tem uma boa fotografia que consegue tirar bom proveito da luz e da cor bonita que percorre toda a história, em termos de design notam-se algumas boas influências do próprio anime mas consegue ter uma identidade própria, algumas cenas de vôo (por breves segundos) são fantásticamente atmosféricas e entusiasmantes, a protagonista embora um bocadinho velha demais é uma boa Kiki.

Contra: a caracterização dramática de todos os personagens é um vazio, há personagens demasiado inúteis que não servem para nada, os sub-plots de argumento tornam o filme demasiado episódico e nunca o sentimos como sendo uma única história, o sub-plot com a bruxa cantora não tem qualquer interesse, a sequência de aventura envolvendo o hipopótamo é imbecil demais, os efeitos especiais são muito muito fracos com destaque para as péssimas animações CGI e as montagens amadoras com óbvio écran verde, é essencialmente um produto que só agradará mesmo muito a crianças quando deveria ter o mesmo apelo universal do desenho animado.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2865558

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Hanamizuki (Hanamizuki ) Nobuhiro Doi (2010) Japão


Já tinha saudades de uma boa love story oriental e estava à espera de encontrar mais um filme que valesse a pena recomendar.
Ora pois bem, [“Hanamizuki”] é o motivo perfeito para voltar ao blog, por vários motivos até.

Hanamizuki review

Estranhamente apesar de “Be With You” ser para mim a melhor história de amor japonesa ,(a par com o fabuloso 5cm per second) e definitivamente um dos melhores filmes românticos que alguma vez me passaram pela frente, nunca me lembrei de procurar mais trabalhos do mesmo realizador. Talvez porque “Be With You” me tenha marcado tanto que se calhar me esqueci que aquela história não era real e que tinha na verdade também um realizador por detrás.

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Deparei-me agora com [“Hanamizuki”] há poucos dias e para minha surpresa descubro no Imdb que é o mais recente filme de Nobuhiro Doi, precisamente o realizador de “Be With You”.
A procura por cinema romântico segundo as minhas estatísticas continua em alta por aqui mas há muito tempo que eu próprio não encontrava algo que valesse a pena recomendar pois o mercado romântico oriental está cheio de cinema do género mas raramente aparece algo que fuja à rotina ou tenha um toque especial.

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Ainda [“Hanamizuki”] mal tinha começado e já tinha captado a minha atenção pois curiosamente havia qualquer coisa nesta história que me fazia mesmo lembrar a atmosfera de 5cm per second e portanto já não consegui parar de ver.
Mais uma vez quem conhece o cinema romântico oriental já sabe com o que pode contar, pois também este filme não foge muito à regra em termos de história; no entanto mais uma vez também estamos na presença de mais um filme que se torna especial não pela história formulática mas sim pela forma como o realizador a desenvolve.

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[“Hanamizuki”] tem uma coisa de que não nos apercebemos de imediato mas que se torna evidente no decorrer do filme; tal como em 5cm per second também aqui temos uma história romântica que assenta apenas naquilo que é mais comum da vida de qualquer pessoa. [“Hanamizuki”] não usa ou abusa dos clichés melodramáticos que costumamos encontrar nos dramas orientais.

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Curiosamente, tudo está montado em situações que poderiam bem acontecer e todo o suspanse romântico nunca deixa de ser construído numa base sólida de realidade. Desta vez ninguém vai morrer de cancro a meio do filme como acontece no popular cliché romântico do cinema oriental. [“Hanamizuki”] não precisa de artifícios desses para nos manter agarrados ao ecran e continuar interessados na vida de todas as pessoas que vivem esta história.

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Tal como em “Be With You” a narrativa é calminha, os personagens levam o seu tempo a serem construídos e durante algum tempo parece que a história nem vai ser particularmente interessante.
Por outro lado, a partir de certa altura, por qualquer motivo não conseguimos deixar de seguir o que irá acontecer a seguir pois quando damos por nós estamos interessados mesmo na vida daqueles personagens.

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Até o habitual triângulo amoroso aqui, está naturalmente inserido e não é atirado à cara do espectador apenas para aumentar o estilo telenovela. Faz lembrar um pouco o mesmo tipo de estrutura que apareceu também em “Koizora Sky of Love”; precisamente com a mesma actriz, onde também havia um triângulo amoroso perfeitamente natural e sólidamente construido.

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A história é bem simples, um rapaz pescador apaixona-se por uma rapariga que vai estudar para a universidade longe de casa e todo o filme é sobre como será possível manter o amor vivo através da distancia que os separa. Mais um paralelismo com 5cm per second que não se fica por aí pois inclusivamente a cena das pétalas é semelhante, apenas agora não se trata de um Anime.
Nesta história não encontrarão as habituais piroseiras telenovelisticas com rivalidades entre familias, menina rica-menino pobre, traições foleiras e idiotices do género.

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Com uma história destas não havia grande motivo para suspanse, mas a verdade é que o filme consegue criar um clima de incerteza até ao seu desenlace pois nunca temos bem a certeza se a história de amor terá um final feliz. Não por impedimentos melodramáticos mas pelo natural desenrolar das vidas perfeitamente comuns dos protagonistas e de toda a gente que os rodeia nesta historia.

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Aliás, outro ponto positivo são os personagens secundários e as pequenas historias que ocorrem nas suas vidas. Alguns apenas com breve momentos de écran mas que no entanto são suficientes para que como espectadores fiquemos interessados na sua felicidade também, até pelo bom trabalho dos actores secundários.

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Resumindo, como eu tenho por hábito não revelar nada sobre os filmes que recomendo pois ainda sou do tempo em que o prazer de ir ao cinema estava em não sabermos nada sobre o filme em cartaz, também não irei dizer muito mais sobre [“Hanamizuki”].

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A principio nem ia dar uma grande nota a este titulo pois na verdade á primeira vista parecia não me ter marcado muito, mas a verdade é que o raio do filme não me sai da cabeça há vários dias e sendo assim se calhar é daqueles que ainda se irá tornar um titulo especial na minha colecção de cinema romântico.

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Talvez a única coisa que lhe retire algum brilho está no facto de na minha opinião ter duração a mais. Algures pelo meio arrasta-se um pouco e se o filme tivesse 15 minutos a menos se calhar teria sido a montagem ideal para a história sem precisarem de esticar tanto algumas pequenas cenas.

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De resto todo o filme contém algumas imagens fabulosas, boa fotografia e além disso é passado junto ao mar. Só por isso leva logo mais um ponto. Ainda por cima mete comboios e faróis e qualquer história romântica oriental que meta faróis para mim só pode ser boa.

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CLASSIFICAÇÃO

Embora nem de perto se aproxime do impacto que “Be With You” do mesmo realizador causa, este [“Hanamizuki”] é uma excelente história de amor baseada essencialmente em pequenos pormenores da vida do dia a dia e por isso funciona muito bem e recomenda-se. Era para lhe dar três tigelas e meia de noodles mas leva quatro porque estranhamente este filme não me sai da cabeça há dias.

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Se procuram bom cinema romântico oriental e já viram tudo o que tenho recomendado aqui neste blog, então juntem mais este à colecção pois é muito bom e recomenda-se.
Quatro tigelas de noodles na boa.

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A favor: mais uma vez a humanização dos personagens neste tipo de histórias de amor aparentemente simples, excelentes actores e óptimo casting, consegue manter um bom suspense romântico até ao final, tem um par de momentos emocionais fantásticos, bons personagens secundários que nem precisam mais tempo de ecran para funcionarem plenamente, tem um certo sabor a 5cm per second e quem tiver gostado desse irá querer ver [“Hanamizuki”], tem imagens que ficam na memória e uma fotografia que dá vida aos ambientes geográficos onde decorre a história.

Contra: não tem o mesmo impacto emocional que “Be With You” do mesmo realizador nem a atmosfera inesquecivel de 5cm per second, se calhar não precisava de ter 128 minutos para contar a mesma história.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
https://www.youtube.com/watch?v=Wy5tACEEopg

cover

Filme completo no Youtube
https://www.youtube.com/watch?v=ai1AtMFrKvU

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt162928

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Outros títulos românticos totalmente recomendados:

 Be With You My Sassy Girl The Classic Il Mare

 capinha_love_in_space Fly me to Polaris capinha_in-the-mood-for-love capinha_midnight-sun

concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x capinha_my-girl-and-i

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Red Cliff – de John Woo – Editado em Portugal


Está já á venda em Portugal a 15€ a versão curta do filme Red Cliff realizado por John Woo, o que é sempre de louvar porque a escassez de bom cinema oriental continua a fazer-se notar por este cantinho á beira-mar plantado e é sempre positivo quando alguém resolve lançar um destes filmes orientais. Nem que seja na sua versão reduzida.
Consta que o filme é fantástico mas como ainda não o vi não posso dizer grande coisa sobe ele e não sei muito sobre esta versão curta produzida para ser lançada na América mas provavelmente será inferior á versão original.
A versão curta tem pouco mais de 140 minutos na totalidade e a versão original está dividida em duas partes que chegam a ter 150 minutos cada por isso aposto que muito ficou de fora na versão remontada para ser ditribuída no ocidente.
Pela minha parte não espero ver o filme na versão reduzida tão cedo pois quero ver primeiro o original mas esta edição agora em PT poderá ser uma boa escolha para quem faz questão de ter legendas em Português numa edição dvd.
Podem encontrar o trailer aqui e comprar as duas partes da versão longa aqui e aqui.
Para quem quiser espreitar o filme antes também na sua versão longa, podem encontrar as duas parte no Asian Space , aqui e aqui com legendas em Pt/Br.
Um destes dias quando tiver tempo para espreitar o filme logo darei a minha opinião sobre o mesmo.
A capa da edição portuguesa do dvd é semelhante á que vêem na imagem e aposto que o disco é o mesmo da versão á venda na Amazon.uk.
De qualquer forma seria bom que esta edição tivesse sucesso por cá, pois incentivaria certamente as editoras a apostarem mais no cinema asiático.