Man cheng jin dai huang jin jia (Curse of the Golden Flower/A Maldição da Flor Dourada) Yimou Zhang (2006) China


O facto deste filme oriental ser uma milésima variação da peça Otelo de Shakespeare pode á primeira vista parecer um bocado surpreendente para quem esperava algo mais parecido com um filme de acção no estilo “House of the Flying Daggers“.
No entanto, apesar de [“Curse of the Golden Flower“] conter algumas das melhores sequências de acção que vi no género Wuxia, este é essencialmente um drama político.
O que confesso me aborreceu um bocado, pois se existem histórias para o qual não tenho pachorra absolutamente nenhuma são os dramas de intriga palaciana embrulhada em capa de épico histórico.

Não que estivesse á espera de apenas mais um filme asiatico de acção, mas a verdade é que não esperava algo tão intensamente palaciano e tão shakespeareano.
Até porque [“Curse of the Golden Flower“] ao ser uma espécie de Otelo em versão chinesa perde um pouco da sua frescura no que toca a desenvolvimento do argumento pois por mais que nos fascine com as suas imagens nunca nos prende propriamente á história pois esta é por demais previsível ao longo de toda a narrativa.
De cada vez que alguém novo entra em cena, passados minutos percebemos imediatamente qual irá ser o seu destino e qual a sua relação com cada um dos mistérios referidos no argumento. Ora isto, coloca o espectador sempre muito á frente dos personagens e isso na minha opinião faz com que nunca entremos verdadeiramente dentro do filme e tenhamos sempre alguma distância em relação ao que se passa no ecran.

Agora que já falei do único aspecto “negativo” de [“Curse of the Golden Flower“], não me lembro de mais nada que possa impedir-vos de gostarem mesmo muito deste filme.
Como tal, até digo-vos já a minha classificação em adiantado. [“Curse of the Golden Flower“] leva absolutamente cinco tigelas de noodles sem qualquer dúvida. E embora eu não lhe atribua um Golden Award se vocês gostarem mesmo de histórias de intriga política palaciana, considerem-no atribuído pois vão adorar o filme.

Até tenho receio de continuar esta review, porque realmente não há palavras que eu consiga colocar aqui nem fotografias que possam acompanhar esta review que transmitam o incrível visual deste filme. Possivelmente será o Wuxia mais espectacular que vi até hoje no que toca a cenografia e ao tratamento tanto dos enquadramentos como também principalmente na cor.
Enquanto “Hero” do mesmo realizador, estava dividido em vários segmentos cada um com uma tonalidade dominante, desta vez em [“Curse of the Golden Flower“], parece que todas as cores do espectro visível ao olho humano foram colocadas no ecran em cada frame deste filme.´

E o que poderia ter resultado em algo desastroso para os sentidos, ou até mesmo ter tornado o filme num produto algo kitsh a verdade é que não poderia ter funcionado melhor. Cada frame deste filme está tão bem pensado a nível de cor e tratamento fotográfico que temos que o ver pelo menos uma meia dúzia de vezes para conseguirmos reparar em todos os incríveis detalhes que compoem esta extraordinária tapeçaria visual que vos irá deixar absolutamente deslumbrados. Especialmente se tiverem a sorte de poder ver [“Curse of the Golden Flower“] num projector com um ecran de tamanho considerável como eu posso fazer.

Mas não só da cor vive este filme asiático, pois além da fotografia absolutamente perfeita, a quantidade alucinante dos próprios detalhes que estão presentes em cada imagem é de uma pessoa ficar a pensar como raio é que alguém se deu a tanto trabalho apenas por causa de um filme.
Desde ao incrível guarda-roupa absolutamente impressionante na sua combinação de texturas até ao detalhe esculpido em cada adereço este é um daqueles filmes que só podia ter vindo mesmo da china, pois sinceramente é preciso mesmo uma literal paciência de chinês para se conseguir produzir aquilo que poderão ver no ecran se comprarem este filme.
E segundo parece, tirando um par de anacronísmos em alguns detalhes das roupas, consta que no que toca a uma reprodução fiel de ambiente [“Curse of the Golden Flower“] levou uma excelente nota da parte dos historiadores. Até aquilo que nos parece um exesso de cor, supostamente será algo decalcado do que seria a realidade daquela época no que toca á atmosfera que o filme tentou reproduzir.

É que não pensem que estes chineses não tendo exactamente um local adequado para filmar isto se deram apenas ao trabalho de construir um par de cenários. Não meus amigos, já que tinham tanta gente para trabalhar, eles decidiram construír um palácio medieval verdadeiro para que o público pudesse sentir ainda melhor o espírito históricamente fiel da obra.
Tudo o que poderão ver no ecran, não se tratam apenas de cenários pintados, mas sim de locais verdadeiros que foram construídos de propósito para este filme com um nível de realidade tal que o palácio ficou pronto para ser habitado e actualmente parece que foi inclusivamente transformado numa nova atracção turística porque a coisa é tão impressionante que é mesmo de ver para crer.
Podem ter a certeza que isso transparece muito bem pelas imagens quando virem o filme.

Já agora, recomendo que o comprem mesmo, pois este é um daqueles que precisa de uma boa cópia para poder ser devidamente apreciado e duvido que uma cópia sacada de qualquer torrent consiga realmente transmitir com qualidade tudo o que merece ser visto neste filme.
Até porque se a edição portuguesa tiver o mesmo documentário de Making of que eu tenho na edição chinesa esse é um complemento que não devem perder para terem uma ideia do trabalho que [“Curse of the Golden Flower“] deu a produzir. Não só contém as habituais entrevistas aos actores, como mostra a construção de todo o complexo “cenográfico” e ainda nos dá um vislumbre das filmagens das impressionantes sequências de acção presentes no filme.

Embora [“Curse of the Golden Flower“] seja essencialmente um drama de intriga palaciana, pontualmente transforma-se súbitamente num dos filmes de acção mais impressionantes que poderão encontrar pela frente actualmente.
Poderão nem se lembrar da história ou sequer se importarem muito com ela, mas podem ter a certeza que não vão esquecer tão cedo a originalidade das cenas de acção deste filme que nos mostra coisas de um angulo que ainda não tinha aparecido no ecran desta maneira no que toca á encenação de cenas deste estilo.

Eu que já nem podia ouvir a palavra “Ninja“, (por causa daqueles abjectos filmes de porrada americanos dos anos 80), fiquei absolutamente impressionado com a fabulosa e original sequência de acção com os Ninjas neste filme. Nunca tinha visto nada assim e muito menos filmado desta maneira. Só é pena a cena até nem durar muito tempo, mas enquanto dura torna-se inesquecível, pois tudo desde ás coreografias em fios, á fotografia e á própria montagem é simplesmente perfeito. Vai fazer com que vocês fiquem com vontade de irem buscar um facalhão á cozinha e depois de se enrolarem num lençol preto ainda saltem pela janela do apartamento com umas quantas piruetas silenciosas.

Como se esta cena não tivesse sido já visualmente muito original, o final do filme ainda conta com uma outra daquelas batalhas épicas como nunca tinha visto. Pensava eu que nisto de batalhas entre exércitos já estava tudo mostrado quando [“Curse of the Golden Flower“] nos apresenta algo verdadeiramente único.
Além da própria batalha ter em estilo e uma estratégia peculiar composta á base de defesa de gigantescos escudos de metal que servem de barricadas entre dois exércitos, os produtores deste filme ainda acharam que seria giro fazer tudo não soldadinhos de CGI mas sim com gajos mesmo a sério que por acaso até foram buscar ao verdadeiro exército chinês actual só para nos impressionar certamente.
Quando virem aquela gente toda á porrada na batalha não se esqueçam de os contar a todos, pois foram mesmo muitos os chineses que tiveram de vestir armaduras. Já agora, também consta que as armaduras não eram cá de plástico pois foram construídas a sério para dar mais realísmo á coisa. Portanto cada actor e figurante andou a passear por esta cidade cenográfica real com uns bons quilos de metal ás costas só porque sim.

Isto para não falar das actrizes que passaram um mau bocado com os espartilhos dos fatos de época que no entanto resultaram em decotes tão hipnóticos que o próprio Chow Yun Fat não se conseguia concentrar nos olhos da excelente Gong Li que faz de sua mulher no filme e que tem portanto inúmeros diálogos com ele ao longo da história. Actor sofre.

Agora, mais uma vez chamo a atenção para o facto de que [“Curse of the Golden Flower“] não é um Wuxia de acção, mas sim um drama completamente shakespeareano passado nas cortes palacianas chinesas da idade média e pontualmente polvilhado por breves cenas de acção que vos vão deixar absolutamente maravilhados se gostam de bons filmes Wuxia mais tradicionais.

Posto isto passemos ao que interessa e portanto, resumindo:

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CLASSIFICAÇÃO:

Por tudo e mais alguma coisa, cinco tigelas de noodles á vontade.
Visualmente é definitivamente uma obra prima em todos os sentidos, tem uma fotografia absolutamente incrível e o detalhe de cada imagem vai fazer com que a uma segunda visão estejam sempre a fazer pausa e zoom para poder espreitar cada pormenor ao longo das quase duas horas de filme.
Só não lhe atribuo um Golden Award porque a parte de intriga palaciana aborreceu-me imenso, não por ser uma história do estilo mas porque está tão colocada ás obras de Shakespeare que se torna absolutamente previsível e com isso arruina parte do encanto que tanto se esforçaram por obter visualmente.
Mas tirando isso é um filme extraordinário e uma compra obrigatória para quem gosta do estilo e totalmente indispensável para todos os admiradores deste realizador que antes já tinha feito também os fabulosos, “Hero” e “House of the Flying Daggers“.
[“Curse of the Golden Flower“] , é um bom exemplo de um filme que sendo no fundo uma obra de cinema de autor não deixa de ser menos comercial por causa disso, pois tem o equilíbrio perfeito entre os dois géneros.

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A favor: visualmente é uma obra prima como há muito não se via, a fotografia é mágnifica, os cenários verdadeiros são impressionantes, as cenas de acção são inesquecíveis e até as mais tradicionais contêm coreografias excelentes, a batalha final, os personagens apesar de totalmente Shakespeareanos têm uma identidade não apenas teatral.
Contra: as intrigas palacianas aborrecem-me de morte e pior ainda quando são tão previsíveis como as que constam no argumento deste filme, as cenas de acção ás vezes parece que não seriam própriamente necessárias e apenas estão lá para que o espectador não adormeça com a previsibilidade do argumento.

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=tyVv8qSTLRQ

Website Oficial
http://www.sonyclassics.com/curseofthegoldenflower/

COMPRAR
Excelentes e baratinhas edições na Amazon Uk:

Curse of the Golden Flower – DVD

Curse of the Golden Flower + Crouching Tiger Hidden Dragon – DVD

Ou então…

Dvd Edição Chinesa
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7k-77-1-49-en-15-curse+of+the+golden+flower-70-1up9.html
Dvd Edição Portuguesa
http://www.worten.pt/ProductDetail.aspx?pid=03873734

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0473444/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

The Promise

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Daai cheug foo (Men Suddenly in Black) Ho-Cheung-Pang (2003) China


Conhecem certamente aquele género de cinema denominado “heist-film“, em português qualquer coisa como “filme de golpe”, e que foca essencialmente o submundo do crime.
Nestes filmes um grupo de criminosos junta-se para planear e executar um assalto mas tudo acaba por correr mal provocando as mais variadas situações que contribuem para o desenvolvimento da história.
Normalmente há sempre um bando de malfeitores com feitios diferentes que não se gramam, chefes do crime obscuros, mafiosos de terceira categoria, assassinos profissionais e elementos da policia que fazem tudo para lhes dar caça e apanhá-los em flagrante.
Talvez um dos exemplos mais conhecidos seja o filme “Snatch” realizado pelo inglés Guy Ritchie com Brad Pitt e um bando de gajos feios porcos e maus.
É precisamente este o filme que serve de matriz para [“Men Suddenly in Black“] e é aqui que reside a grande originalidade desta comédia oriental que poderia ter ido mais longe, mas no entanto não deixa der muito divertida e estar cheia de criativade. Porque vocês não sabem mas esta obra asiática  não tem nada a ver com o mundo do crime, não mete assaltos e nem sequer tem mafiosos.

Então afinal o que tem isto a ver com um “heist-film“,  e porquê a comparação com o “Snatch” ?
É que [“Men Suddenly in Black“], aplica todos os clichés do género criminoso mas ao adúlterio com resultados muito criativos e que embora nem sempre hilariantes conseguem arrancar-nos ainda algumas gargalhadas e até conter bastante suspanse.
Confusos ? Passo a explicar.
Neste filme um grupo de homens organizam-se não para assaltarem um banco, roubar um mafioso, ou assaltar uma carrinha de valores, mas sim para basicamente meter os cornos ás mulheres com umas raparigas de má-vida.
Imaginem um grupo de gajos que só pensam em sexo porque básicamente, ou estão fartos da rotina do casamento ou nem têm namorada e resolvem dar uma escapadinha de fim de semana até Hong Kong para apreciarem a companhia do máximo de mulheres-da-vida que conseguirem comprar com o pouco dinheiro que juntaram.
Como tal, têm que o conseguir fazer sem que as mulheres descubram os seus intentos e elaboram um complexo plano digno de um assalto a um banco onde nenhum detalhe é deixado ao acaso.
Só que as coisas não correm como era suposto acontecer e as esposas e namoradas suspeitando da verdadeira intenção dos seus companheiros resolvem agir e também partem em grupo para a grande cidade para tentarem apanhar os maridos e namorados em total e absoluto flagrante.

A grande originalidade de [“Men Suddenly in Black“], é que todo o filme é apresentado como se fosse um verdeiro  “heist-film“. Toda a maneira como está filmado remete para um estilo “Snatch” onde não apenas estão presentes os clichés na estrutura de argumento como principalmente o filme assume uma estética completamente saída de um filme sobre criminosos como se este tivesse sido realizado por Guy Ritchie só que não mete assaltos a bancos mas sim facadas no casamento.
É muito dificil tentar demonstrar-lhes isto agora por palavras sem lhes estragar o prazer de descobrirem por vocês mesmo esta original comédia que segundo parece em breve também irá ter uma versão americana para mal dos nossos pecados.

Os personagens não são meras caricaturas, mas sim pessoas com personalidade e tudo é tratado como se fosse um verdadeiro filme sobre crime. Todas as situações de comédia não vêem por isso das palhaçadas que os personagens fazem, mas sim da própria originalidade das situações e da maneira como estas são decalcadas de filmes sobre mafiosos mas aplicadas ao tema do adultério.
A genialidade do filme está precisamente aqui. É engraçado por causa das constantes comparações que permite ao espectador estar sempre sem saber o que poderá acontecer a seguir e neste aspecto a realização não poderia ter acertado mais em cheio na forma como a narrativa progride.

É que neste filme, tal como num bom filme de crime não faltam perseguições e cenas de tiroteio. Acontece que em [“Men Suddenly in Black“], as perseguições são feitas de outra maneira e até as cenas de tiros substituem as pistolas e balas por mangueiras e máquinas fotográficas numa das sequências mais engraçadas e criativas de todo o filme.
E esta ideia percorre toda esta comédia, pois se os maridos em busca de sexo fácil são os criminosos, as suas esposas são o equivalente á policia que percorre todas as pistas para os conseguir apanhar em flagrante.

Tudo muito criativo e divertido.
Pelo meio ainda temos direito á inevitável cena com um respeitado mafioso ao melhor estilo “O Padrinho“, só que aqui não é uma figura mítica do mundo do crime, mas sim um gajo que agora vive em total reclusão porque um dia foi apanhado em flagrante adultério e a mulher nunca mais o deixou sair de casa desde então, tendo esta figura adquirido contornos místicos e sagrados para todos aqueles cujo o objectivo basicamente é andar no putedo sem ser descoberto pela respectiva esposa.
Só vendo mesmo, pois mais não digo e até se calhar já falei demais.

Não pensem no entanto que [“Men Suddenly in Black“], é uma comédia desmiolada ao habitual estilo oriental. Este filme tem alma, pois os personagens por mais incriveis que nos pareçam estão realmente muito bem construidos e o argumento acaba por colocar algumas questões sobre a natureza do casamento, do amor e da fidelidade que deixará muita gente a pensar como agiria nas mesmas situações, o que contribuiu para uma profundidade algo inesperada num filme que não pedia mais do que ser capaz de nos fazer rir.

Como comédia é no entanto algo estranha, pois apesar de conter um par de momentos hilariantes não se pode dizer que o filme seja verdadeiramente para rir. Não naquele sentido de nos arrancar constantes gargalhadas, isto porque muitas das vezes estamos mais a sorrir pelas comparações entre estilos do que própriamente a rir pelo humor do argumento.
Mas não se deixem desmoralizar por este meu comentário, pois [“Men Suddenly in Black“], é mesmo uma comédia. As cenas com as esposas embora breves e espalhadas por todo o filme são muito engraçadas pois tal como no caso dos homens, todas têm personalidades muito diversificadas com destaque para a “morena burra” que lhes vai proporcionar momentos de boa disposição.

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CLASSIFICAÇÃO:
Uma óptima comédia para quem ainda pensa que não há muita criatividade no género actualmente.
Não há muito mais a dizer, pois este é um daqueles que vale a pena descobrir por vocês mesmo.
Não acho o filme tão brilhante quanto a fama que têm nas reviews espalhadas pela net mas mesmo assim achei-o muito bom. Quatro tigelas de noodles.

A favor: a colagem ao estilo “Snatch” e ao estilo “heist-film“, é brilhante, a realização é óptima e dá ao filme não só uma estética particular como consegue manter um ritmo narrativo excelente, os actores têm carisma e os personagens são muito divertidos, contém um par de momentos hilariantes, é uma comédia com alma que não se limita a fazer rir como ainda nos dá um par de questões para pensar no assunto.
Contra: o humor do filme depende demasiado da colagem ao cinema de crime para ter graça e esquece um pouco as piadas dentro da própria história.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Infelizmente parece ser bastante dificil de encontrar e portanto vão ter de se contentar com a apresentação televisiva.
http://www.youtube.com/watch?v=odSbnf5oVRM

Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7h-77-2-49-en-15-men+suddenly-70-30t.html

Outra review
http://www.kfccinema.com/reviews/comedy/mensuddenlyinblack/mensuddenlyinblack.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0380291/

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Outras comédias de que poderá gostar:

Attack the gas station The Happiness of the Katakuris My Sassy Girl

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Honogurai mizu no soko kara (Dark Water) Hideo Nakata (2002) Japão


Embora o filme “Ringu”, conhecido em inglés como “The Ring” tenha definindo practicamente todos os clichés que encontramos actualmente nos filmes sobrenaturais orientais, nunca foi uma obra que me tenha fascinado particularmente e por isso Hideo Nakata nem sequer faz parte dos meus cineastas de culto, embora reconheça a sua importância dentro do género.
Como “Ringu” não me assustou por aí além, e a sua decepcionante sequela muito menos, levei algum tempo até ganhar coragem para comprar este [“Honogurai mizu no soko kara“], mais conhecido no ocidente pelo seu seu titulo em inglés [“Dark Water“], embora não estejamos a falar do remake americano, mas sim do original Japonês.

Achei [“Dark Water “],  muito superior a “Ringu”.
Gostei mesmo muito da atmosfera triste e melancólica e a ideia do filme ser essencialmente um drama pontuado por acontecimentos sobrenaturais está muito bem trabalhada pois cria no espectador uma angústia que se transforma aos poucos numa sensação de medo e impotência por não podermos ajudar as pessoas que vemos no ecrã.

Ao contrárido de filmes orientais como “Ju-on” em que as pessoas são meros acessórios para criar ambiente e pregar sustos, aqui em [“Dark Water“], acontece precisamente o contrário pois o sobrenatural é usado para dar vida aos personagens e justificar as situações dramáticas que lhes alteram o quotidiano e contribuiem para que o espectador se sinta cada vez mais ligado aos protagonistas á medida que o filme avança.
Isto faz no entnato com que [“Dark Water“], não seja um filme de terror oriental normal e certamente não irá agradar a quem espera muitos sustos fáceis ou constantes sequências inesperadas.

Na verdade, há muito pouco de inesperado neste filme asiático no que toca a grandes reviravoltas de argumento. De tal forma, que até o mistério da parte sobrenatural da história acaba por ser algo decepcionante pois o seu desfecho é tão previsível que a certa altura quase que torna a narrativa mais arrastada do que na realidade é.
Isto porque, quanto mais se aproxima do seu final, mais o espectador já calcula o que vai acontecer a seguir e no entanto o filme parece continuar como se o realizador ainda estivesse a pensar que ia surpreender alguém com alguma reviravolta inesperada. Não surpreende pois o filme nem sequer contém qualquer twist ao contrário do que é comum no cinema oriental.
Quem ficar surpreendido com a resolução do mistério, então certamente deve ter-se deixado dormir com o estilo calmo da narrativa e não apanhou todas as pistas.

[“Dark Water“], não é um filme de terror japonês comum pois é dos poucos filmes orientais dentro do género que consegue dar a volta aos próprios clichés que usa e tal como aconteceu em “A Tale of Two Sisters“, também este é mais assustador porque nos identificamos com as consequências  do sobrenatural na vida dos personagens do que própriamente porque nos prega sustos á volta de situações que nunca viveriamos.

Aqui o medo é uma consequência da angústia que sentimos porque tudo se passa ao redor de coisas perfeitamente banais e não sentimos que se trata de uma realidade fabricada num estúdio de cinema.
O apartamento em [“Dark Water“], poderia ser a casa de qualquer um de nós se tivessemos o azar de nos vermos na situação em que a personagem principal se encontra, os personagens são pessoas absolutamente normais e até o aspecto sobrenatural é perfeitamente baseado nesse conceito.

O filme conta a história de uma mãe em processo de divórcio e a risco de perder a custódia da sua pequena filha. Em virtude disso, é obrigada a mudar-se para um apartamento numa área degradada da cidade ao mesmo tempo que tenta refazer a sua vida e manter o seu precário novo emprego.
Um dia a menina encontra no terraço uma mochila vermelha de criança ganhando-lhe uma obsessiva afeição. A partir daí começa a sentir-se uma presença sobrenatural no condomínio que se manifesta de formas discretas mas perturbantes acabando não só por interferir na relação entre mãe e filha como ainda por cima coloca em risco a custódia da menina para desespero da mãe que não sabendo como lidar sózinha com o que lhe está a acontecer e sem posses económicas para mudar novamente de apartamento é arrastada para uma sucessão de acontecimentos que a levarão até ao desfecho final.
E tudo começa com uma estranha infiltração de água no tecto.

Essencialmente, estamos na presença de um filme oriental de terror psicológico.
Como tal [“Dark Water “], apesar de seguir uma lógica narrativa habitual este não se enquadrará propriamente dentro do cinema comercial se o virmos por um prisma a que estamos habituados.
Acima de tudo é uma obra de Hideo Nakata e isso nota-se, o que automáticamente quase que classifica o filme como Cinema-de-Autor naquele sentido mais negativo para algumas pessoas.
O filme decorre a um ritmo lento, e não tem pressa em mostrar o que o espectador espera ver por isso poderá ser até classificado por muita gente como “filme chato”, daqueles onde não há um pingo de acção, nem monstros, nem sangue a jorros e muito menos efeitos especiais daqueles que o povo tanto gosta.
Mas tem um clima assombrado, muito bem conseguido pela sombria fotografia e pela maneira como usa a arquitectura minimalista do prédio para nos assustar.

Aliás uma das melhores coisas em [“Dark Water“], é precisamente o facto de não precisar recorrer a efeitos especiais pirotécnicos ou cenas chocantes cheias de sangue para assustar. Não há maus, não há bons, não há tiros, não há facadas, não há loiras em t-shirts molhadas e também não tem perseguições de automóvel nem fantasmas em CGI.
E já lhes disse que o filme é lento ?
Tudo é construído com base numa transfiguração do quotidiano mais simples em algo que nos fará pensar duas vezes da próxima vez que estivermos em situações semelhantes. Pelo menos eu já não consigo olhar para uma poça de água sem me lembrar do que acontece neste filme e entrar sózinho em elevadores em prédios suspeitos também não me apetece muito. E banheiras cheias de água de repente também deixaram de ter muita piada.

Resumindo, se gostarem de cinema de terror com identidade e um estilo próprio, recomendo este filme asiático pois sabe como criar um ambiente e apesar da história muito previsível consegue ultrapassar essa limitação provocando-nos alguns bons arrepios. Especialmente se gostarem de filmes de terror com criancinhas de aspecto perturbante e uns fantasmas infantis á mistura.

Uma nota final para o último segmento do filme pois costuma ser alvo de muita discussão em reviews espalhadas pela net.
Muita gente parece ter achado desnecessário o epílogo, mas na minha opinião este é uma das melhores coisas de todo o filme.
Não só fecha a história de uma forma interessante, como o faz criando um dos melhores ambientes de medo que acontecem durante todo o filme.
Já lhes disse que [“Dark Water“], tem um ritmo narrativo lento embora perturbante, mas neste segmento final esse estilo dá origem a uma atmosfera ainda mais assustadora, pois toda esta parte é baseada no silêncio e na gestão desses momentos criando no espectador uma espectativa pesadamente macabra que nos faz estar á espera que algo aconteça a qualquer momento e no entanto parece nunca mais acontece fazendo-nos afundar na cadeira e parar de respirar por momentos.
Para mim fecha com chave de ouro um filme que não sendo uma obra prima do género é no entanto uma excelente proposta para quem gosta de se assustar com estas coisas.

Bom filminho oriental para ser visto pela noite dentro quando vocês estiverem sózinhos em casa e para vos fazer deixar de tomar banho durante os próximos meses também.

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CLASSIFICAÇÃO:
Um óptimo filme asiático de fantasmas e onde a simplicidade compensa e vale mais um ambiente perturbante do que mil efeitos especiais, monstros, zombies,gore ou CGIs.
Vale a pena ser visto e é uma excelente compra para quem gosta do género e é suficientemente corajoso para ver filmes destes feitos por orientais.
Embora contenha momentos assustadores esperava assustar-me mais do que na realidade aconteceu e como tal na retiro-lhe uma tigela de noodles á classificação.
Não lhe dou mais também porque para mim a previsibilidade da história decepcionou-me mesmo muito e quebrou bastante o tom realistico que o filme tinha até ao momento da óbvia revelação do mistério.
Quatro tigelas de noodles. Mas pode valer até mais. Depende muito da disposição de cada um para ver isto na altura. Arrisquem porque vale a pena se gostarem de bons filmes de casas assombradas e se gostarem muito de cinema de terror oriental.

A favor: o clima de medo, a tensão latente nos silêncios, mete criancinhas vivas e mortas brrrr, tem muito poucos efeitos especiais e tudo é construído com base na atmosfera, o tom assombrado é excelente, os últimos minutos metem medo.
Contra: o mistério do argumento é demasiado previsível e um clima de tensão tão bom pedia uma história mais imaginativa. O excelente clima de medo do épilogo chega tarde demais e deveria ter-se sentido mais vezes ao longo do filme.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=_mt0_a68SSc

Comprar
Existe uma edição portuguesa deste filme, practicamente identica á que eu comprei mas também está já á venda muito barata na Amazon Uk a menos de 5€. É aproveitar.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0308379/

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

A Tale of Two Sisters

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Xing yuan (Fly me to Polaris) Jingle Ma (1999) China


Como a procura de titulos de cinema romântico neste blog se mantem constantemente elevada por parte de todos vocês que o visitam, então está  na altura certa para vos apresentar um filme muito especial.
É daqueles que não irão esquecer tão cedo pois dentro do estilo romântico asiático [“Fly Me To Polaris“] é inclusive uma obra á parte por um motivo curioso e pouco comum.
Tudo o que habitualmente estraga por completo um filme romântico, desta vez é precisamente aquilo que lhe dá uma enorme magia e o transforma numa das histórias de amor mais bonitas que poderão encontrar dentro do cinema ultra-ultra-ultra comercial oriental.

Este é um filme oriental absolutamente extraordinário pela sua simplicidade.
Não tem um pingo de originalidade, não tem grande imaginação, e ainda por cima é possivelmente a maior colecção de clichés romântico-pirosos que vocês alguma vez poderão encontrar reunidos num só filme.
As situações dramáticas em [“Fly Me To Polaris“] não ficariam deslocadas numa canção da Ágata, numa letra do Tony Carreira ou num argumento de uma telenovela TVI.
Imaginem o lugar-comum mais óbvio que já lhes impingiram numa história romântica televisiva e multipliquem-no quase ao infinito. Adicionem-lhe uns pózinhos esotéricos de filosofia pseudo New Age comercial, reguem tudo com umas melodias de saxofone ultra melosas e suaves ao melhor estilo Kenny-G e obterão um dos melhores filmes românticos orientais que (quase já não) poderão encontrar actualmente no mercado dvd.

O filme oriental perfeito para ver com a namorada ou esposa em noite romântica, ou quem sabe, para conquistarem uma pessoal especial.  Não antes de se munirem com uma quantidade considerável de lenços de papel porque [“Fly Me To Polaris“] usa todos os truques e mais alguns para vos colocar de lágrima nos olhos.
Por isso recomendo muitos lenços de papel. Diria, até mesmo…boé !
Estão avisados.
É que este filme asiático tal como aconteceu com”The Classic” também já é famoso pelo tsunami de lágrimas que provoca. Não vale a pena resistirem pois se estiverem vivos, ainda tiverem um batimento cardíaco e se identificarem minimamente com os personagens, garanto-vos que se vão fartar de berrar baba e ranho mesmo que não queiram.
E vão divertir-se muito com isso pois faz parte do espírito da coisa.
É que o filme além de ser muito bonito também é extremamente positivo, isto apesar da choradeira galopante que consegue provocar nas incautas plateias que não imaginam sequer o que lhes vai cair em cima quando começam a ver este festival de aparente piroseira.
Posso acrescentar inclusivamente que já reduziu muitos gajos feios porcos e maus ao seu estado mais sensível, levando-os não só a comprarem o dvd horas depois de terem visto o filme, como também ainda meteram no cesto de compras “The Classic“, “Be With You“, “My Sassy Girl” e “Il Mare“, o que prova definitivamente que a malta do metal lá no fundo também são almas poéticamente sensíveis.
Mas afinal, que raio de filme oriental é este ?

[“Fly Me To Polaris“], não é suposto ser uma piroseira do piorio ?!
É sim. Este filme chinês só pode ser mesmo comparável á melhor história trágica publicada na revista Maria ou á desgraça da semana ao melhor estilo TVI.
Mas ninguém pode negar que tem muita alma !
[“Fly Me To Polaris“], é um verdadeiro milagre de realização e criação de atmosfera.
Tinha tudo para ser um filme pseudo-romântico absolutamente abjecto, detestável e primário, no entanto posso garantir-vos que é uma verdadeira obra prima da manipulação de emoções.
Tudo o que normalmente é extremamente negativo em produções semelhantes, aqui tem precisamente o efeito contrário, muito graças ao talento do realizador que soube como ninguém equilibrar todas as referências mais populares dentro do género para obter uma obra que se destaca por ser extremamente original usando a maior falta de originalidade possível…se é que isto faz algum sentido.
Este é um filme asiático quase interactivo que a partir de certa altura agarra o espectador e só nos larga quando nos joga contra a parede, nos espreme muito bem espremidos e ainda por cima nos faz ficar felizes por termos tido a sorte de continuar a ver este dvd mesmo quando de início [“Fly Me To Polaris“], não parecia absolutamente nada de especial.

Óbviamente que será apenas cinema oriental para quem gosta de cinema romântico. Nem que seja secretamente.
Diria mesmo, do bom cinema romântico; e neste caso nem o facto de ser um produto extremamente comercial consegue torná-lo num objecto cinéfilo menor. Muito pelo contrário.
[“Fly Me To Polaris“], é a prova de que até mesmo com um argumento cheio de lugares-comuns, se tivermos um realizador que os sabe trabalhar e usa-los de forma criativa, então o resultado pode superar todas as expectativas e surpreender muita gente.
Neste caso o trabalho ainda é mais valorizado porque o estilo do filme é tão ligeiro, que nem sentimos uma marca muito vincada no trabalho de realização. O realizador está lá, mas não se impõe durante todo o filme e só nos apercebemos do valor do seu trabalho no final, quando de repente nos damos conta que estamos completamente enfeitiçados pela atmosfera da história sem sabermos como, pois em muitos aspectos a realização até parece nem ter nada de especial.

Não é um filme asiático que se evidencie pela montagem original ou sequer pelos enquadramentos artísticos. Muitas das vezes até parece um telefilme, tal é a sua aparente leveza visual e narrativa.
No entanto, está cheio de humanismo na forma como trata a simplicidade dos personagens e sem notarmos vai envolvendo aos poucos o espectador até chegar ao momento absolutamente romântico e mágico com a devastadora cena da varanda no final, quando o par da história ouve no rádio as dedicatórias que vos irão fazer sentir sucessivos nós na garganta durante largos minutos e fazer-vos ficar completamente apaixonados pela maneira como o realizador consegue um momento tão poético sem precisar de pouco mais do que duas pessoas e um rádio.
Este é outro daqueles filmes que recomendo a compra imediata a toda a gente que gosta de cinema oriental do género mesmo sem o verem, porque é melhor pouparem tempo. Garanto-vos se virem [“Fly Me To Polaris“], vão querer guardá-lo na vossa colecção de dvds junto de outras grandes obras do cinema romântico pois no meio de toda a sua comercialidade consegue ir muito mais além do que apenas ser um filme pipoca banal. Considerem-no um filme pipoca com coração e muita poesia.

[“Fly Me To Polaris“], conta a história de um rapaz ceguinho, muito bonzinho, que vive numa instituição de caridade e está apaixonado pela muito bonita e muito boazinha enfermeira que cuida dele (ao melhor estilo Floribela). E sim, estou a usar diminuitivo…zinhos, de propósito.
Os dias do rapaz ceguinho só ganham cor (ahah), quando é a hora diária da visita da rapariga que ama e que ele tenta a todo o custo fazer com ela o deixe de ver apenas como mais um paciente.
Coisa que com o passar do tempo acaba por acontecer e ambos se apaixonam inevitávelmente um pelo outro e esse momento de felicidade parece durar para sempre.
Para sempre, até o ceguinho ser atropelado á saída do hospital e morrer nos braços do seu amor.
Parem de rir, [“Fly Me To Polaris“], é um drama para chorar ! A sério…
E já lhes disse que o rapazinho, além de ser ceguinho, também é mudo ?
Juro !
Continuemos…

Quando a alma do jovem chega ao Céu, um sitio que parece uma repartição de finanças só que onde tudo é branco, ele menciona o seu enorme amor pela jovem enfermeira que ficou ainda no mundo dos vivos e consegue que o anjo de serviço lhe dê alguns dias de vida temporária para que possa estar perto da rapariga que ama durante durante mais algum tempo.
Mas com uma condição.
O rapaz tem de voltar á Terra num corpo novo, bem diferente do que tinha antes e não pode dizer á jovem enfermeira que ele é o seu amor temporáriamente reencarnado, o que como imaginam coloca um problema para que a relação dos dois possa vir a ser retomada.
E as coisas complicam-se porque a enfermeira também já tem também como pretendente um jovem médico de sucesso o que origina automáticamente o habitual triangulo amoroso, desta vez com contornos sobrenaturais e que dá origem a algumas sequências engraçadas ao longo do filme.
E mais não conto.

Apesar da minha descrição em tom humorístico, o filme contem um bom equílibrio entre a comédia romântica e o drama e pelo meio de tudo isto ainda tem tempo para ser uma obra com personalidade e muito charme.
Vejam-no como um cruzamento entre “Ghost” e “Heaven Can Wait” e não andarão muito longe de [“Fly Me To Polaris“].
Não posso terminar este texto sem deixar no entanto de referir um dos aspectos mais importantes do filme e aquilo que faz com que tudo funcione tão bem. A sua banda sonora.

Para muitos o facto de eu lhes dizer que a música principal deste filme é um par de melodias de saxofone ao melhor estilo Kenny-G poderá ser logo motivo suficiente para afastar muita gente desta obra. Eu como não tenho nada contra o tipo, e ainda por cima adoro saxofone não poderia estar mais contente com a escolha deste instrumento para ilustrar musicalmente todas as emoções que a história pretende transmitir. Neste caso não poderiam ter escolhido um estilo melódico mais adequado.
Não há muito que se possa dizer sobre as melodias de saxofone presentes neste filme a não ser que são perfeitas e ajudam a criar uma atmosfera á parte dentro deste género de cinema.
Depois de verem [“Fly Me To Polaris“], se gostarem do filme, nunca mais vão conseguir ouvir uma melodia de saxofone deste estilo sem se recordarem imediatamente desta história de amor cinematográfica, um pouco como também depois de verem “In The Mood For Love” não mais conseguimos ouvir Nat King Cole sem o associarmos aos ambientes de Wong-Kar-Wai.

Mas não só de melodias de saxofone vive este filme oriental. Sendo cinema puramente comercial tem naturalmente uma banda sonora a condizer e por toda a história muitas das emoções são ilustradas ao sabor de canções pop que, graças ao talento do realizador para usar magistralmente aquilo que noutras mãos seria material de deitar fora, transformam-se em peças chave para manipular emocionalmente o espectador de uma forma absolutamente fantástica.
A sequência em que o jovem cego tem a confirmação de que o seu amor também é retribuido pela enfermeira, musicalmente ilustrada por uma vulgar canção pop deve ser um dos momentos cinematográficos que melhor conseguiu captar até hoje num filme a sensação de alegria de se estar apaixonado e ainda por cima consegue plenamente transmitir todas as emoções do personagem ao espectador, criando um momento de empatia verdadeiramente mágico e único que só valoriza ainda mais o discreto mas muito eficaz trabalho do realizador em [“Fly Me To Polaris“].
Posto isto, não há muito mais que lhes possa dizer sobre o filme, pois na verdade é muito dificil conseguir resumir em palavras como este é realmente muito melhor do que parece ao primeiro momento.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um filme oriental muito bonito que supera todas as limitações de ser um produto muito comercial de uma forma totalmente inesperada tornando-se verdadeiramente único e original dentro da sua própria falta de originalidade.
Totalmente indispensável para quem gosta de cinema romântico oriental.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade pois na minha opinião estamos perante uma obra prima do cinema comercial que prova que filmes ligeiros também podem ter muita poesia sem precisarem de ser mais do que são.

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A favor: o filme tem muita alma, o ambiente, os personagens, o trabalho do realizador que manipula as emoções do espectador usando apenas aquilo que parece banal, a fantástica e adequada banda-sonora, a poesia que percorre todo o filme, a cena final na varanda a ouvirem rádio é um clássico absoluto do género.
Contra: ehm…estou a tentar lembrar-me de algo mas não consigo. Quem não gosta mesmo de cinema romântico provavelmente não irá gostar…ou se calhar até vai, mas como irá certamente sair deste filme de lágrima ao canto do olho muito provavelmente nunca o irá admitir.

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Trailer
Na falta de uma boa apresentação oficial, podem espreitar um dos videoclips, embora nem de longe consiga transmitir o real ambiente do filme, mas é o que se pode arranjar de momento.
http://www.youtube.com/watch?v=yCYOoYRnU_o

Outra Review
http://www.kfccinema.com/reviews/drama/flymepolaris/flymeplaris.html

Comprar
Este filme está a esgotar-se rápidamente em todo o lado pois a cada dia que passa, o dvd desaparece das prinicipais lojas e não parece que vá haver uma reedição tão cedo apesar da enorme popularidade do filme nos foruns e de já ser um verdadeiro filme de culto.
O único sitio que ainda tem  a edição igual á minha para venda é esta loja:
http://www.chinesetapes.com/movie_chinese/fly_me_to_polaris.html embora eu não possa dar grandes referências sobre a mesma pois nunca comprei nenhum filme nesta gráficamente amadora loja de aspecto assustador.

Nesta outra encontrei uma edição que não conheço, embora pareça ser semelhante á minha
http://www.dvdasian.com/_e/Hong_Kong/product/13099/Fly_Me_to_Polaris.htm
Ao menos a dvdasian é uma loja de aspecto mais “confiável” que a anterior embora eu também ainda não tenha comprado nada aqui para poder comentar sobre a qualidade do serviço.

Também podem encontrar nesta loja outra edição (incrivelmente barata), que até há minutos atrás nunca tinha visto http://www.ecrater.com/product.php?pid=342505 onde eu também nunca comprei nada.
Basicamente, estão por vossa conta.
De qualquer maneira se gostarem do género, este é um daqueles filmes que não podem perder de forma alguma.

Sempre podem procurar o filme nos torrents embora eu nunca o tenha visto em lado nenhum.
Embora, este seja um daqueles filmes que é essencial ser visto com um excelente sistema de som pois a música é peça fundamental para a sua mágica atmosfera. Como tal não é aconselhável que apenas o vejam num simples stereo 2.0 de cópia sacada em torrent.

Mais opiniões neste fórum
http://asianfanatics.net/forum/lofiversion/index.php/t81991.html

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Algumas opiniões que reflectem bem o espírito do filme e os seus efeitos no espectador.
http://asianfanatics.net/forum/lofiversion/index.php/t81991.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0213314/

Tian di ying xiong (Warriors of Heaven & Earth) Ping He (2003) China


Gostei muito de [“Warriors of Heaven & Earth“], pois em certos momentos até fez-me lembrar um filme de Riddley Scott.
Estéticamente há um pouco de “Gladiator” ou de “Kingdom of Heaven“, neste filme chinês que mesmo assim consegue manter a sua identidade cultural apesar do ambiente, a fotografia e até a realização terem algumas semelhanças com o trabalho de Scott.  Se este tivesse nascido na China possívelmente teria realizado este simples mas divertido filme medieval oriental.
[“Warriors of Heaven & Earth“], tem sabor a série B com aura de Western clássico embora situado numa China antiga e na sua simplicidade é para mim um dos melhores filmes filmes de aventuras que poderão ver se quiserem passar um par de horas descontraídas.

Não é nenhuma obra prima, não ficará na história do género mas é muito melhor do que aparenta ser no péssimo trailer que existe por aí.
Pela apresentação ficamos com a ideia que [“Warriors of Heaven & Earth“], pretende ser um filme wuxia sério, algo violento e muito dramático quando na verdade o seu espírito está bem mais perto de um Indiana Jones do que própriamente tentará ser um “Hero” ou um “Curse of the Golden Flower“.
O trailer (americano?), deste filme deve ter uma das piores narrações que me lembro de ter ouvido nos últimos anos e aposto que foi um dos principais responsáveis por [“Warriors of Heaven & Earth“], não ter sido um filme particularmente popular pois passou bastante despercebido a quando da sua estreia e continua a não ter grandes reviews. O que me surpreende bastante, pois tem tudo para se tornar num filme de culto dentro do cinema de aventuras de espírito mais clássico.

Talvez seja por isso que [“Warriors of Heaven & Earth“], não agrade muito ás audiências modernas, mais habituadas a filmes cheios de estilo e estética videoclip com montagens rápidas e muitos efeitos especiais do que a uma narrativa mais tradicional.
[“Warriors of Heaven & Earth“], é um filme oriental á moda antiga, com personagens á moda antiga e acção ao estilo mais clássico e real sem grandes rasgos de imaginação digital. Mas isto não quer dizer que não tenha excelentes momentos de acção e até mesmo alguns (desnecessários) efeitos especiais, porque afinal este é um filme sempre em movimento que não perde tempo em grandes considerações e mantém o espectador  interessado até ao seu final, previsível mas nem por isso menos conseguido.

Pelo meio ainda temos direito a um dos vilões mais divertidos, unidimensionais e estéreotipados que me lembro de ter visto num filme oriental, só comparado ao gajo “mau” de “Returner”. Mas que neste filme está perfeitamente de acordo com o espírito ligeiro desta aventura e até acaba por lhe dar ainda mais identidade, notando-se que o actor se deve ter divertido muito a fazer este papel.
Embora eu não negue que se [“Warriors of Heaven & Earth“], tivesse tido outro tipo de vilão, se calhar teria sido uma obra mais apreciada e levada a sério por quem agora não lhe dá o devido valor só porque o filme tem um espírito quase juvenil na forma como retrata esta aventura.

Sinceramente estou para aqui a tentar encontrar algo de verdadeiramente negativo para mencionar sobre [“Warriors of Heaven & Earth“], mas não me lembro de nada.
A realização é boa, tem um ritmo narrativo excelente, as cenas de acção cumprem perfeitamente, os personagens-tipo são divertidos, são variados e têm personalidade.
Além disso o filme conta com cenários naturais absolutamente fantásticos e muito, muito bem utilizados para dar uma dimensão bem mais épica a este filme, do que aparenta ter no péssimo trailer.
Aliás uma das coisas que mais gostei foi precisamente a forma como o ambiente está baseado nos grandes espaços abertos presentes ao longo de toda a história e transforma as mágnificas paisagens naturais da China quase num personagem á parte.

Pelo péssimo trailer ficamos com a ideia de que [“Warriors of Heaven & Earth“], seria uma espécie de filme de guerra ao estilo antigo, cheio de batalhas e estratégias militares com personagens muito sérios, dramas militaristas intensos e pouco mais. Mas na verdade o filme tem um estilo bem diferente. As cenas de acção são menos épicas e mais pequenas e encontram-se espalhadas ao longo da história centrando-se em cada um dos personagens e criando um ambiente quase de banda desenhada que resulta muito bem e onde até nem faltam alguns ligeiros mas divertidos momentos de humor a equilibrar as coisas e claro também uns pózinhos de história de amor ao estilo oriental.

Curiosamente, o filme tem no entanto uma coisa estranha. Ou isto é muita, muita coincidência, ou  [“Warriors of Heaven & Earth“], será uma espécie de plágio (remake?) não assumido em estilo ligeiro de um outro filme oriental do género chamado “Musa – The Warrior” realizado alguns anos antes.
É que a história é semelhante em muitos aspectos, segue a mesma estrutura, alguns personagens parecem clones e até a parte final do filme é exactamente idêntica quando tudo se desenrola á volta da típica situação em que os herois estão sitiados numa fortaleza no meio do deserto cercados de inimigos.

Em ambiente são duas obras diferentes, pois “Musa – The Warrior” está realmente muito mais perto do estilo de um “Braveheart” oriental e  [“Warriors of Heaven & Earth“], segue uma linha mais juvenil mas têm muitos pontos de contacto o que até nem sequer é uma coisa negativa.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um óptimo filme de aventuras oriental para quem não procura mais do que um par de horas bem passadas.
Ignorem o péssimo trailer, pois o filme é bem mais interessante do que aparenta ser.
Recomendo vivamente e só não lhe dou uma classificação mais elevada porque lhe falta um toque especial.
Mas que é bom é.
Quatro tigelas e meia de noodles.

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A favor: personagens, história de aventuras á moda antiga, boa realização a piscar o olho ao estilo Riddley Scott, excelente aproveitamento das mágnificas paisagens naturais, banda sonora a condizer.
Contra: o trailer dá uma ideia errada do filme. Tirando isto não há própriamente nada que seja verdadeiramente negativo para quem não estiver á espera de mais do que ver um bom filme de aventuras.

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NOTAS ADICIONAIS:

Mau Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=9V2VGs1yaGU

Comprar
Por acaso, até existe uma boa edição Portuguesa deste filme e certamente não terão muita dificuldade em encontrá-lo numa Worten, Fnac ou qualquer hipermercado.
No entanto caso queiram comprar a edição inglesa (também com legendas em Português) podem fazê-lo na Amazon Uk por menos de 5€.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0374330/

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