Quing Ren Jie (A Time to Love) Jianqi Huo (2005) China


Se há coisa que eu já não posso ver mais pela frente são versões do Romeu & Julieta de Shakespeare, onde a conhecida história é por demais repetida até á exaustão em todos os detalhes e mais alguns.
Não consigo perceber para quê tantos autores continuarem a insistir naquela narrativa a esta altura quando já milhares de vezes foi  transformada em tudo e mais alguma coisa, desde filmes do Franco Zefirelli até pornos da Ginger Lynn.

Como tal, quando eu comprei há muitos anos atrás o dvd de [“A Time to Love“] sem saber nada sobre o filme e depois descobri que se tratava da bilionéssima história inspirada por “Romeu & Julieta”, a minha vontade foi a de devolver isto á Play Asia ou trocá-lo por um filme romântico qualquer com o Steven Seagal aos tiros.
Toma lá para não comprares filmes pelo aspecto gráfico da (excelente) capa !
Por isso quando vi esta história pela primeira vez (já que tinha que ser) nem sequer lhe prestei grande atenção.
Ainda por cima eu estava á procura de algo mais no estilo sul-coreano e [“A Time to Love“] tinha uma atmosfera marcadamente chinesa, algo a que eu não estava ainda habituado, pois são estilos muito diferentes dentro do cinema romântico.

Apesar de não me ter causado uma impressão por aí além na altura, surpreendentemente ficou-me na memória e esteve na minha lista de filmes a rever com outros olhos por muito tempo, até ontem.
Ficou-me na memória, não só pela abordagem á história clássica ter-me surpreendido como principalmente algumas das suas bonitas imagens acabaram ficando gravadas na minha imaginação até hoje, pois já na altura o visual do filme me surpreendeu.
Toda a paleta cromática de [“A Time to Love“]  é composta por tons ferrugem contrastando com verde das árvores e tons de sombra intensa o que lhe dá logo desde o início uma estética que nos agarra todos os sentidos pelo seu estilo quase steampunk pois mal o filme começa somos logo transportados para um úniverso único e bastante poético.

E surpresa das surpresas, agora que revi o filme ainda estou para saber o que raio é que foi que não me cativou na altura em que o vi pela primeira vez !
[“A Time to Love“] é um filme absolutamente lindíssimo em muitos aspectos mas se calhar é capaz de não se notar mesmo a uma primeira visão. Especialmente se entrarem com preconceitos anti-Romeu & Julieta como eu entrei nisto anos atrás quando vi o dvd.

Portanto, para começar eu já não me lembrava nada do filme e agora foi como se o tivesse visto pela primeira vez e não podia ter ficado, não só mais surpreendido como também mais satisfeito com o que (re)vi ontem.
Se calhar [“A Time to Love“] poderá ter uma altura certa para ser visto e muito provavelmente funcionará muito melhor com o público adulto do que com pessoas mais novas talvez, com menos experiência de vida ou algo assim. Isto porque pode ser uma história de amor com adolescentes, mas tudo é narrado num tom dramático mais adulto e até teatral, pois este filme tem uma assinatura tão característica que julgo se poderá incluir algures entre o cinema comercial e o dito cinema de autor pela sua abordagem algo intímista.

[“A Time to Love“] como filme é realmente um espectáculo (nem acredito que estou a dizer isto); primeiro, porque consegue pegar não só no tema mas também em alguma da estrutura de Romeu & Julieta e no entanto, milagre dos milagres apresenta-o com uma abordagem realmente refrescante. Conseguindo inclusivamente uma coisa que eu julgava impossível de ser feita…nomeadamente [“A Time to Love“] tem um suspanse romântico de cortar á faca pois até quase literalmente ao último segundo o espectador fica completamente na espectativa de como irá terminar desta vez esta história de amor com o seu final por demais conhecido.
Conseguirão desta vez os dois amantes ficar juntos ?
Apenas lhes posso dizer que o final de [“A Time to Love“] é extraordináriamente simples mas muito poderoso em termos de emoção e não lhes digo mais nada, pois o trabalho da actriz protagonista no último enquadramento visual desta história vai deixar-vos totalmente cativados e emocionados de uma forma que ainda não tinha visto num filme oriental.
Adorei o final deste filme.

E já que falo na actriz principal, nunca pensei que esta rapariga fosse tão incrivel. Estava habituado a vê-la em produções bem mais comerciais essencialmente em papeis de muita acção (“Warriors of Heaven & Earth”  –  “So Close“) e nem sequer pensava que ela seria capaz de carregar ás costas metade de um filme como [“A Time to Love“], onde bem mais que apenas uma história de amor ao estilo habitual oriental, é acima de tudo um drama bem mais complexo que se centra apenas numa história de amor impossível, (quase uma tragédia na verdade, sempre a piscar o olho a Shakespeare).

Tanto ela, como o seu co-protagonista masculino brilham neste drama.
Irão encontrar em [“A Time to Love“] um dos pares românticos com mais carísma que apareceu até hoje dentro deste estilo de histórias de amor orientais. A química entre os dois actores é total e enquanto espectadores a partir de certa altura esquecemo-nos por completo que estamos a ver um filme pois deixamo-nos levar por aqueles dois personagens até ao desenlace final desta história. Uma história que surpreendentemente de forma tão cativante consegue dar-nos um Romeu & Julieta com suspanse suficiente para nos fazer roer as almofadas até ao último segundo (sem parecer que está a fazer qualquer coisa de importante sequer), o que já é por si só uma boa característica para algo que seria á partida totalmente previsível.
Usa inclusivamente o próprio livro com a peça de Romeu & Julieta original para nos garantir que [“A Time to Love“]  é Romeu & Julieta por mais do que uma vez. O que é bom para confundir o espectador.

Não pensem no entanto, que [“A Time to Love“] é um filme romântico oriental ao estilo que estão habituados, se virem por exemplo produtos sul-coreanos ou japoneses.
Uma das características da maior parte dos dramas românticos chineses está no facto deste país preocupar-se mais com uma história de amor enquanto objecto dramático dentro daquele aspecto teatral mais sério e menos com a ligeireza do estilo narrativo. Por isso, [“A Time to Love“] é um filme sem pressas. Embora tenha um ritmo narrativo sempre constante, muitas vezes conta a sua história não por palavras mas por ambientes, imagens atmosferas e silêncios. Um pouco talvez como “Il Mare” o fez e com um tom melancólico semelhante, embora um pouco mais triste neste caso devido á carga trágica da própria base da história.

E por falar em silêncios, [“A Time to Love“] tem dois momentos absolutamente fantásticos na minha opinião que jogam precisamente com o silêncio para criar uma intensidade de emoções espectacular e que nos faz entrar em total empatia com o casal de apaixonados desta história.
É certo que o filme vai aos poucos trabalhando a carga emotiva sem o espectador notar, tanto na criação de ambientes como também pelo que não mostra e como tal quando surge um dos momentos mais bonitos a meio do filme, nem sequer precisa colocar os actores com qualquer diálogo para a cena romântica resultar com uma força incrível.

Falo particularmente de uma breve e pequenina cena a meio do filme, em que o rapaz e a rapariga estão de ambos os lados de uma vedação de arame e onde sem palavras o realizador consegue transmitir uma carga romântica não só totalmente natural como acima de tudo cria um momento emocional fantástico apenas recorrendo ao toque das mãos, a silêncios e a olhares breves para nos transmitir tudo o que os personagens sentem.

A segunda cena semelhante tem a ver com os segundos finais da história, mas de que não posso aqui falar porque lhes estragaria o suspanse todo e vocês ficariam a saber se [“A Time to Love“] acaba como a peça que lhe deu inspiração ou não. Apenas lhes garanto que se chegarem até aos momentos finais desta história totalmente cativados pelo destino dos personagens até se vão passar com o trabalho da actriz nos momentos finais onde apenas com um olhar concluiu tudo o que havia para concluir e proporciona ao espectador um momento final daqueles que os fará não esquecer este filme tão cedo se gostarem tanto dele quanto eu gostei desta segunda vez que o vi.
Não esperem é explicações de bandeja ao estilo, – “o que aconteceu foi…” – porque isto não é um filme desses.

[“A Time to Love“] é uma daquelas raras histórias de amor em cinema que resultam plenamente do trabalho não só dos actores principais mas também das interpretações de um elenco poderoso em termos dramáticos. Não sei se este pessoal será tudo actores de teatro mas todos os personagens nesta história são fascinantes e irão tocar-lhes emocionalmente em muitos aspectos surpreendentes.
Juntem a isto uma realização fantástica e têm todos os ingredientes para gostarem também muito deste filme se procuram por outra boa história de amor e já espreitaram tudo o que tenho recomendado neste blog.

Em termos visuais, [“A Time to Love“] é um dos filmes mais poéticos que me passaram pela frente em muito tempo dentro deste género estético.
Para começar a fotografia é incrível e vão encontrar aqui imagens absolutamente notáveis pois este é mais um daqueles filmes em que vão querer fazer pausa a todo o instante só para apreciar as pinturas de luz e sombra que ele contém practicamente em todo e qualquer frame.
Não só os ambientes são depois também fascinantes como está carregado de texturas e pormenores por todo o lado, tornando-o num filme totalmente obrigatório também para quem gosta muito de rever um filme muitas vezes só para curtir os pormenores. Pode ser uma sombra, pode ser uma textura, uma luz, uma cor, ou uma paisagem, mas garanto-vos que mesmo que nem gostem muito do género, visualmente vão achar este filme uma pequena joia perdida que importa descobrir em termos visuais quanto antes.

Não faço ideia se a arquitectura presente em [“A Time to Love“] existe mesmo ou se isto serão cenários criados para o filme. De qualquer forma, esta obra conta com espaços arquitectónicos fascinantemente poéticos que vão adorar contemplar ao longo da história. Desde, fábricas abandonadas, a prédios em decadência, passando por ruas e becos fabris, tudo aquilo que poderia parecer um ambiente deprimente é transformado num mundo quase mágico, parecendo por momentos saído de um verdadeiro conto de fadas ou de um filme de Fantasia.
[“A Time to Love“] quanto mais não seja, é um filme para contemplar, por muitos e bons motivos. Vão por mim, é fantástico visualmente.

Recomendo este filme a toda a gente que já espreitou tudo o que tenho apresentado no blog dentro do estilo romântico, ou então como contraponto a histórias de amor mais comerciais.
Não é que [“A Time to Love“] não seja comercial, mas o seu estilo muito chinês, intensamente dramático e bastante introspectivo em alguns momentos poderá talvez tornar-se algo chato ou arrastado para o pessoal que não gosta de coisas mais pausadas.

[“A Time to Love“] é um filme que demora o seu tempo e muitas vezes conta a sua história mais por olhares e silêncios do que por palavras e isto poderá afastar algum público.
O facto de ser uma história muito triste mesmo apesar de todo o ambiente poético, poderá afastar quem procurar um daqueles filmes totalmente –feel good– pois este usa a própria tristeza e melancolia para criar grandes incertezas no espectador sobre o desenlace da história. Nesse aspecto não poderia resultar melhor, mas ao mesmo tempo é um filme com uma carga algo deprimente por breves momentos a fazer lembrar o muito poético mas algo triste “The Floating Landscape” ; curiosamente outra produção chinesa.

Posto isto, se quiserem ver um filme muito bonito e diferente do habitual neste género tão estereotipado, se calhar [“A Time to Love“] é um título  a terem em conta. E se não gostarem á primeira, dêem-lhe segunda oportunidade, pois ainda acabam a gostar tanto dele quanto eu gosto agora.

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CLASSIFICAÇÃO:

Estava tentado a atribuir a [“A Time to Love“] apenas cinco tigelas de noodles por ser realmente excelente.
Mas a verdade é que agora que o revi, este filme não me sai da cabeça e apetece-me vê-lo novamente em vez de ir espreitar outra coisa nova qualquer, por isso se calhar será justo dar-lhe a minha classificação máxima deste blog, pois de outra forma estaria a enganar-me a mim próprio se não lhe desse também um Golden Award.
Quanto mais não seja pelo trabalho dos actores, pela fotografia do filme e por ter conseguido criar suspanse na história de Romeu & Julieta, o que é obra !
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award por muitos e variados motivos.

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A favor: o trabalho dos actores, o par protagonista tem uma química no ecrã fantástica e um desempenho totalmente cativante, esquecemo-nos que estamos a ver um filme o que não poderia ser melhor elogio, consegue o feito notável de recriar a velha história de Romeu & Julieta numa china moderna desencantada mas muito poética e fá-lo com total suspanse romântico até ao último olhar da protagonísta, a fotografia é fabulosa, os cenários são lindissimos e em muitos momentos parece que tudo se passa num qualquer mundo de fantasia encantada, mais do que uma história de amor comercial normal  é um drama intenso e duro por vezes, a cena da vedação de arame mesmo durando menos de um minuto é memorável, idem para o desempenho da actriz nos segundos finais da história onde só com o olhar nos transmite toda uma vida, muita poesia visual, o tom intimista e o excelente trabalho do realizador que alterna os momentos mais intimistas com os mais tragicos ou românticos de uma forma totalmente orgânica e bastante natural, nem vão notar a banda sonora mas esta vai entrar-lhes pela alma nos melhores momentos.
Contra: é mais um drama generalizado do que uma história de amor especificamente por isso não esperem o estilo fofinho oriental dos filmes japoneses porque este é chinés mesmo, pode parecer menos comercial do que na realidade é e algum público poderá não ficar particularmente cativado, Romeo & Julieta again…and again…and again…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=3NaS55XOylw

Videoclip 1
Embora curiosamente a música não faça parte do filme, pois foi criada para a promoção. Aposto que foi para dar um ambiente mais comercial á obra pois esta é na verdade bastante intimista e não tão comercial como aparenta aqui.
http://www.youtube.com/watch?v=y3TNcyS-IWw&feature=related

Videoclip 2
Este com uma das músicas que entra no filme e com a particularidade de ser um videoclip com dezenas de cenas cortadas que não aparecem no próprio filme, o que só demonstra que devem ter filmado pilhas de coisas que ficaram de fora e só é pena muitas destas cenas não estarem como deleted scenes no dvd porque parecem cheias de atmosfera também.
http://www.youtube.com/watch?v=krChsULuIbM&feature=related

Comprar
http://www.fivestarlaser.com/movies/13766.html

Download aqui com legendas em Inglés.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0450099/

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Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

concerto_capinha_73x 

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Love Phobia

 Fly me to Polaris cyborg_she_capinha_73x

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Kei hei hup (Metallic Attraction Kung Fu Cyborg) Jeffrey Lau (2009) China


Toda a gente a ir ver este filme já !
Toda a gente a ir ver este filme porque eu não quero ser o único a ficar com o cérebro ao contrário.

“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg” ?
Metallic Attraction ?!!
A do Kung-Fu + Cyborg eu até comia, mas não fosse o proeminente Robot Gigante no cartaz do filme e ainda pensaria que Mettalic Attraction seria uma comédia qualquer sobre magnetos e fãs dos Iron Maiden ou quem sabe dos Metallica.
Afinal não é.
Não pensem no entanto, que isto é um filme de Kung Fu.
Confusos ?
Não estão, não porque ainda não viram o filme.

A propósito, também tenho sérias dúvidas se isto será um filme.
[“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“], é um produto muito estranho e completamente alucinado.
Eu não tenho nada contra o espírito deste género de obras, afinal ” A Chinese Tall Story ” ainda continua a ser um dos meus filmes orientais favoritos apesar do seu estilo completamente over the top.
Este filme não é mau por ser estranho ou alucinado, [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] perde em todas as frentes de uma forma absolutamente inacreditável porque nunca se consegue definir enquanto filme.
Nos primeiros cinco minutos eu já pensava que iria atribuir uma classificação fantástica a este produto, pois os momentos iniciais são mesmo divertidos e tudo apontava para que estivesse na presença de um daqueles filmes mesmo especiais. Até o genérico do filme é muito bom e cheio de humor.

No entanto, dez minutos depois já começava a pensar que algo esquisito se passava no ecran. Isto porque a partir de certa altura a história parece entrar por um registo de comédia bucólica e rural que estranhamente me fez lembrar daquele cinema francês ao estilo Louis de Funées.
Algo muito estranho para um filme que supostamente meteria Kung-Fu e Robots estilo Transformers.
E por falar em Transformers

Pessoalmente a série Hollywoodesca dos Transformers é um dos meus ódios de estimação e o Michael Bay não será propriamente o meu realizador favorito pois por mim poderia deixar de filmar amanhã que não se perdia nada. No entanto isto de ser ateu tem as suas desvantagens e  como tal é óbvio que Deus não ouve as minhas preces.
E é pena, porque também se poderia juntar o nome do realizador de [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] á lista de gente a reter longe de uma câmera a todo o custo. Só posso concluir que Deus não gosta de Cinema.

Descobri tarde demais que o realizador deste filme também esteve ligado a outro dos filmes orientais que mais detestei, Kung-Fu-Hustle. Se tivesse sabido disso nem teria gasto o meu tempo a tentar ver [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] pois não é de estranhar que o estilo dos filmes seja semelhante com a desvantagem de que agora nesta tentativa a coisa não resultou de todo. Possivelmente porque Jeff Lau não é Stephen Chow pois este último apesar de tudo ainda consegue criar alguma unidade no caos presente nos seus filmes. Eu não gosto, mas nunca atinge o vazio deste filme com robots sem robots.

Jeff Lau, falha redondamente onde Stephen Chow normalmente até consegue algum equilibrio e este [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] é um bom exemplo de que não basta ter uma quantidade de sequências completamente desvairadas para que um filme estilo cartoon tenha piada ou nos apeteça segui-lo até ao fim.

Trinta minutos depois do filme começar, o espectador começa a perguntar-se se não se terá enganado na capa ou se terá visto o trailer com o nome do filme errado, pois kung-fu nem vê-lo e robots estilo transformers é que parecem não ter qualquer motivo para fazer alguma aparição no argumento deste filme.
É que vocês não sabem, mas…
[“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] é uma história de amor !! (?!!)

Esqueçam a porrada estilo Michael Bay em versão Hong Kong, olá filme estilo Julia Roberts versão chinesa.
Mas mete robots.
Perdão, cyborgs.
Ou melhor, mete uma espécie de “mecha”
Reconheceram a expressão “mecha” ? Lembra-lhes algo ?
Exacto “A.I. Artificial Inteligence”, o (quanto a mim fabuloso), filme de ficção-científica realizado por Steven Spielberg com Haley Joel Osment e Jude Law no papel de Gigolo Joe.
E por falar em Gigolo Joe, o que dizer da imagem abaixo…

Lembra-lhes alguém ? 🙂
[“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] é um filme oriental muito estranho. Já lhes disse isto ?
Mete um clone chinês grunho do Gigalo Joe que por acaso também é um robot com a mania que tem graça e age como um verdadeiro pinga-amor pois inevitávelmente apaixona-se pela rapariga da história deste filme.
Um filme que apesar de querer á força ser uma história de amor daquelas realmente emotivas ao melhor estilo oriental, pelo meio entra pelo estilo cómico com uma escolha de estilo de humor absolutamente rasca, completamente popular e de riso fácil com gags semi-escatológicos, piadas infantis, directas e tudo o que possam imaginar ao pior estilo “Malucos do Riso“. E se vocês me estão a ler a partir de Portugal, sabem bem como isto é grave.

Especialmente para um filme que parece nunca andar para a frente porque insiste em tentar cativar-nos com uma história de amor absolutamente sem química nenhuma. Muito por culpa das partes “cómicas” do argumento e das palhaçadas dos personagens verdadeiramente cartoonescos mas sem qualquer identidade.
Acho que nunca tinha visto uma história de amor num filme oriental tão descaracterizada e tão sem alma.
[“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] enquanto filme romântico (acreditam nisto ?), é tão vazio e desinteressante que faz com que coisas como Shinobi, Duelist ou Bichunmoo pareçam clássicos de histórias de amor !

Então mas e os Transformers do trailer do filme ? – Perguntam vocês…
Perguntam bem.
Kung-fu, neste filme deve haver uns cinco ou talvez dez minutos de algo semelhante. Isto em duas horas de história.
Robots gigantes ao murro, temos direito a duas sequências. Uma mais ou menos a meio do filme. Dura pouco mais cinco minutos e é do piorio pela sua simplicidade, lugares-comuns e falta de espectacularidade o que para um filme que assenta o seu marketing na comparação com os blockbusters de Hollywood não é nada bom.
Os CGIs também são muito pobrezinhos mas isso teve a ver com o baixo orçamento da produção por isso acho que os técnicos fizeram o melhor que puderam certamente.

Depois temos mais umas cenas na “batalha final” como era de prever mas tudo é tão … nem sei como descrever. Só vocês vendo mesmo. Não resulta ponto final.
E eu gosto de filmes maus. Aliás eu adoro filmes maus, séries B e Sci-Fi obscura.
No entanto não posso com maus filmes e [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] é um mau filme porque tenta ser muita coisa ao mesmo tempo e falha redondamente em tudo não fazendo nada.

Como comédia é do piorio. Como história de amor perde-se por completo e nem sequer a miuda do filme nos causa qualquer empatia. O que não é normal nestas histórias de amor orientais onde normalmente o casal central ou o triangulo amoroso é bem definindo em termos humanos e nada disso se passa aqui.
Aliás nem a miuda do filme é minimamente fofinha sequer e isto é o pior que poderia ter acontecido a uma história de amor oriental. É quase um sacrilégio.
Ou então sou eu que não acho o estilo – Funcionária subserviente ao Estado – algo particularmente erótico ou minimamente apelativo românticamente falando…

Tudo isto, aliado ao facto do terceiro elemento do triangulo amoroso ser um mau clone do Gigolo Joe com propensão para graças infantis e piadas semi-escatológicas, faz com que [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] seja um filme que não tem ponta por onde se lhe pegue.
Vai desagradar por completo aos fãs de cinema de acção, os fãs de Robots gigantes vão detestá-lo pela quase total ausência deles no ecrã durante o filme todo e o pessoal que ainda se poderia interessar pela história de amor vai achá-lo um verdadeiro desperdício de argumento e atmosfera.
E por falar em atmosfera…

Talvez uma das coisas mais irritantes do filme seja precisamente isso.
[“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] tem uma atmosfera mágnifica no que toca á criação de ambiente.
Toda a história passa-se numa pequena aldeia no meio do campo e o ambiente bucólico rural do lugar é realmente cativante e muito bem captado dotando o filme de uma identidade Chinesa quase idílica.
Verdadeiramente deprimente é vê-la tão desperdiçada com uma história do piorio e personagens sem alma que não sabem habitar aquele espaço que pedia algo realmente especial em vez de um filme tão pouco definido.

O filme tem outra coisa muito interessante…todo o seu argumento parece uma metáfora encapotada para a revolta e a liberdade de expressão o que não deixa de ser curioso por isto ser um produto Chinês. Pelo meio da história colocam-se algumas questões interessantes sobre a legitimidade de uma “pessoa” se poder ou não rebelar contra a “programação” instituida por um superior hierárquico supostamente no poder e muito desse segmento da história tem a ver com a discussão da liberdade de escolha individual. Tudo debaixo da capa da ficção-científica claro. O que não deixa de ser mesmo muito curioso e pedia se calhar um melhor desenvolvimento…por outro lado se calhar foi melhor para os produtores disto não agitarem muitas bandeiras individuais…não fosse o diabo tece-las e o próximo filme ser um documentário sobre as cadeias do Regime Chinês…

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CLASSIFICAÇÃO:

Um total desperdicio de ambiente. Está tudo dito no texto acima.
Começa muito bem, mas depois a cada minuto que passa se torna mais aborrecido. Comecei com vontade de dar classificação máxima a isto e acabei na mínima no final do filme. Foi a primeira vez que tal me aconteceu.
Uma tigela de noodles porque nem a boa fotografia o salva.

noodle2.jpg

A favor: o genérico, a sequência dos primeiros cinco minutos de filme, o ambiente bucólico e rural em toda a história, a fotografia do filme que até faz alguns milagres com os medianos CGIs, apesar de tudo tem um bom estilo visual com algumas imagens e enquadramentos muito bem conseguidos e nessas alturas o filme parece brilhar, a carga de subversão subliminar que o argumento parece querer fazer passar ao espectador quando advoga o direito á liberdade e á negação da programação.
Contra: engana por completo quem vê o trailer, não é um filme de acção, não tem batalhas com robots gigantes practicamente nenhumas, tenta ser uma história de amor em practicamente 80% do filme, falha redondamente enquanto história de amor e é possivelmente o argumento do género mais descaracterizado e sem alma que me recordo de ver no cinema oriental que normalmente é genial a produzir histórias românticas, o humor básico é absolutamente irritante, o personagem clone do Gigolo Joe é tem uma caracterização absolutamente errática e nunca se define, a miuda da história não cativa minimamente, as cenas de acção são chatas e parecem arrastar-se mesmo quando duram breves minutos, o filme é completamente indefinido e com um ritmo descaracterizado que nos faz desejar que tudo acabe depressa pois já não há mais pachorra, a tentativa de ter um desfecho dramático para a história de amor é uma anedota pois – nobody cares !

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Não se deixem enganar por ele. Isto não é o filme que parece…estão avisados. 😉
http://www.youtube.com/watch?v=_saGdBMw33E

Comprar
Se gostarem mesmo muito podem comprá-lo baratinho aqui na minha loja do costume.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7n-77-2-49-en-15-metallica+attraction-70-3kai-43-9.html
Se quiserem confirmar antes a coisa, podem espreitar o filme usando este motor de busca muito útil aqui.

IMDB
http://www.imdb.pt/title/tt1494775/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story Shinobi

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Ji jie hao (Assembly) Xiaogang Feng (2007) China


O chamado Filme de Guerra não será propriamente o meu género favorito. Mas de vez em quando aparece-me pela frente uma daquelas obras que por momentos me fazem realmente duvidar se gostarei tão pouco assim de filmes de guerra ou não.
[“Assembly“] é um desses filmes.

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É um daqueles que está na minha lista de coisas que nunca me apetece muito rever, mas se o coloco no dvd já não consigo parar de olhar para ele até surgirem os créditos finais, por isso se calhar até devo gostar mais de filmes de guerra do que penso.

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Acho que ainda estou traumatizado com a decepção que apanhei no – Saving Private Ryan – que deve ser possivelmente um dos filmes que mais me aborreceram no cinema em muitos anos.
Na altura apesar de ter ficado impressionado com a sua violenta e entusiasmante abertura, detestei em absoluto todo o tom patriótico americano com a sua estrutura absolutamente previsível que acompanhava o resto do filme de Spielberg. Sendo assim mantive-me afastado de cinema do género durante anos e só regressei a ele há muito pouco tempo.

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Um dia apeteceu-me comprar a série – Band of Brothers – e para grande surpresa minha fiquei tão impressionado com aquilo que dei por mim procurando por coisas semelhantes que pudessem entusiasmar-me tanto aquela série televisiva o fez.
Não fazia ideia nenhuma que existia uma produção de guerra made-in-china como esta.
Já tinha visto e adorado – The Warlords – e por causa de ter ficado tão bem impressionado com o filme decidi espreitar se os chineses teriam filmado algo mais contemporaneo que eu desconhecesse.

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Encontrei então este [“Assembly“] num torrent e saquei-o só para espreitar, pois apesar de ter ficado impressionado com o trailer o estigma do Soldado Ryan estava ainda na minha mente e não me apetecia comprar outra coisa semelhante.
No entanto, depois de ver os primeiros vinte minutos da cópia sacada parei o filme e fui comprar o dvd na amazon Uk pois inclusivamente na altura estava a uns meros 3€ já com portes numa daquelas promoções especiais de Natal.

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[“Assembly“] na minha opinião limpa o chão com a sequência inicial do filme de Spielberg e consegue incluir um segmento dramático a condizer na sua metade final sem precisar de recorrer a esvoaçares de bandeira e a sentimentos de soap-opera pré-fabricados e formuláticos para americano bater continência.
No entanto, [“Assembly“] não deixa de ser um filme patriótico. Aliás, nota-se claramente que é um produto que tenta passar uma imagem humanizada do exército comunista chinês e certamente terá tido o apoio do partido na sua produção.
Acontece que consegue realmente passar uma imagem humanizada do soldado comum.
Um dos grandes trunfos deste filme é que consegue contornar o facto de eventualmente poder ter sido um filme de propaganda mas nunca nos atira isso á cara quando nos apresenta os personagens.

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Os soldados de [“Assembly“] apenas por acaso pertencem ao exército vermelho, pois poderiam pertencer a um exército de qualquer país. Toda a sua caracterização assenta sempre nas pessoas que vivem uma guerra e não na política que a envolve ou sequer na pose de herois orgulhosos de servirem a pátria ou qualquer bandeira esvoaçante num estrelado céu azul. A honra militar está sempre presente mas nunca nos é atirada á cara em linhas de diálogo ou sequer importa para a caracterização humanizada dos personagens.

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O último lugar em que o soldado comum de [“Assembly“] quer estar é na guerra em que se vê envolvido, está-se borrifando para a política que serve e apenas gostava de estar longe dali.
Toda a base do drama está na importância das pessoas e não na importância patriótica de uma missão ou sequer de uma ideologia ou maneira de se achar posicionado no mundo.
Os personagens não se acham salvadores de nada, não estão interessados em serem herois e apenas gostariam de sobreviver.

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Essencialmente este filme oriental dá-nos provavelmente uma das imagens mais reais do que será estar no meio de um campo de batalha e por esse prisma consegue efectivamente passar uma boa imagem do que será pertencer ao exército chinês sem precisar de o anunciar como um panfleto patriótico ao estilo do que é costume no cinema americano, o que não deixa de ser estranho pois realmente a parte final deste filme poderia ter descambado numa total apologia óbvia do regime chinês e de como tudo é bom no seu exército.
Portanto, ponto positivo, a maneira como contorna o mais que pode, a evidente “influência” do regime político a que este filme pertence e nos apresenta um filme sobre pessoas.

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[“Assembly“] pode ser um filme sobre pessoas, mas também é um filme sobre muitos bocadinhos de pessoas, pois o que não falta nisto são pessoas aos bocados. Há para todos os gostos, pessoas estripadas, pessoas a arder, pessoas decepadas, pessoas que explodem e cabeças que voam. Tudo isto regado a baldes de sangue e tripas com o aspecto mais real que alguma vez vi num filme sobre guerra.

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Se gostaram dos primeiros vinte minutos do Soldado Ryan pela sua crueza e violência preparem-se para levar com o mesmo elevado ao cubo mas agora durante mais de 70 minutos quase seguidos (com as devidas pausas dramáticas para descansar o espectador claro está).
[“Assembly“] impressiona.
Quem pensa que já viu tudo no que toca a sequências de batalha pode preparar-se para ficar impressionado. Este é um daqueles filmes que é de ver para crer e ainda não sei se os chineses não terão morto metade do elenco para filmar as cenas de guerra que esta obra contém.
Este é mais outros daqueles filmes perfeitos para vocês mostrarem áquele vosso amigo que ainda pensa que só se fazem cenas de acção e efeitos especiais a sério em Hollywood.

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Básicamente conta a história de um único soldado que sobreviveu a uma grande batalha e passou os seguintes anos da sua vida a tentar provar que todos os seus homens foram esquecidos pelo regime chinês. A batalha foi tão violenta que se perderam todas as provas de que um batalhão de homens alguma vez terá participado nela e como tal tudo gira á volta do que se passou para que depois um único homem tenha conseguido contra tudo e contra todos sózinho elevar todos os seus soldados perdidos á categoria de herois nacionais.

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Quem já pensa que revelei demais, se calhar é melhor ver então o filme, pois estranhamente este é mais um daqueles em que o espectador nunca tem bem a certeza de quem vai morrer e muito menos de quem serão “os herois”, porque essencialmente [“Assembly“] apesar de ter características de blockbuster felizmente não tem de forma nenhuma a estrutura que costumamos encontrar no cinema americano do género.

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Por causa disso pode provocar até alguma estranheza no espectador, porque depois de duas primeiras partes absolutamente espectaculares em termos de sequências de batalha, baldes de sangue e efeitos especiais, subitamente o filme entra por uma última parte bastante calma, intimísta e até algo poética.
Sendo assim aproveitem bem os primeiros 80 minutos de porrada absolutamente hipnótica e espectacular, mas preparem-se para uns últimos 40 ou cinquenta de cenas bem mais calmas e essencialmente dramáticas que concluem toda a demanda de um só homem para resgatar a reputação de dezenas de soldados perdidos.

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Já agora, nota alta para os actores e em especial para o protagonísta da história que tem um daqueles desempenhos que ficam na memória até muito mais do que os próprios efeitos especiais absolutamente impressionantes deste filme e portanto até aqui [“Assembly“] consegue muito bem equilibrar a pirotécnia com o humanismo em que assenta uma história que pode até exaltar os valores humanistas de pessoas que nasceram debaixo de um regime comunista mas que numa última análise conta a história de todos os soldados do mundo.

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CLASSIFICAÇÃO:

Possivelmente o filme de guerra com as cenas de batalha mais espectaculares que poderão ver na vossa vida até este momento. Quem acha que o – Saving Private Ryan – teve uns 20 minutos iniciais impressionantes, esperem só até verem os 70 “minutos iniciais” de [“Assembly“].
Nota alta para o som do dvd que quase nos faz baixar a cabeça e desviar-nos das balas a todo o instante.
Um filme visualmente muito complexo em termos técnicos mas que nunca esquece o humanismo dos personagens e consegue manobrar habilmente por entre ideologias políticas apresentando-nos um filme sobre o soldado universal e os efeitos da guerra sem nos atirar directamente com um filme-panfleto a exaltar virtudes do exército chinês. Não deixa de ser um inevitávelmente um filme panfletário que tenta humanizar o exército vermelho mas nunca nos tenta impingir nada e consegue ter um tom universal.
Recomendo completamente.
E se gostarem mesmo de filmes de guerra então podem acrescentar mais meia tigela de noodles á minha classificação e até um Golden Award pois [“Assembly“] é um dos melhores filmes de guerra do mercado, ponto final.
Se estão a pensar comprar um projector, este é um daqueles filmes que justifica tal compra e será o dvd perfeito para o estrearem, pois isto no meu ecranzinho de mais de trés metros é absolutamente brutal (com surround a condizer) !
A minha classificação é mais dirigida a todos aqueles que como eu se calhar ainda pensam que nem gostam muito de filmes de guerra…sendo assim, quatro tigelas e meia de noodles, talvez até algo injustamente.

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A favor: o humanismo dos personagens suplanta sempre o eventual tom panfletário de apoio ao regime chinês, a realização é absolutamente incrivel nas cenas de acção e perfeitamente contida no segmento final mais intimista e dramático, as cenas de batalhas são absolutamente reais e até vão ter que limpar as cinzas de cima de vocês, os personagens e a incerteza sobre o seu destino, casting e interpretações , banda sonora, cenografia a condizer com uma fotografia perfeita, a montagem nas cenas de guerra é perfeita, o sentido de espectáculo que nunca se perde, os fabulosos efeitos especiais, nunca perde a carga dramática e o seu final intimista embora algo desconcertante depois de vermos quase hora e meia de bombas e tiros é no entanto muito bom.
Contra: quem espera um filme de aventuras não o irá encontrar aqui, algumas pessoas poderão achar a parte final algo lenta e deslocada especialmente depois de verem tanto tiro o bombas e socos nas trombas durante mais de 70% do filme, o inevitável estilo panfletário está presente embora plenamente contido.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=8KJKgAefkwA

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COMPRAR
Esta excelente edição Inglesa ainda continua a um preço fantástico na Amazon Uk. Comprem o DVD.

Se preferirem o Blu-Ray…está a um óptimo preço também e quanto a mim é de aproveitar.

E para quem quiser espreitar o filme antes, encontra-o no blog do Asian Space se clicar aqui mas não esperem levar aquele impacto que levariam se vissem isto com um som como deve de ser em dvd ou blu-ray…

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0881200/

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Mongol (Mongol) Sergei Bodrov (2007) Russia/China/Kazaquistão


Este é um filme particularmente curioso.
Há quem o adore e o considere uma obra prima e quem não tenha ficado particularmente fascinado por ele.
Surpreendentemente encontro-me no segundo grupo e não estava nada á espera disto.



Por todo o lado existem reviews dvd e críticas de cinema a elogia-lo e embora eu não concorde propriamente com todos os elogios penso que percebo a razão de muitos deles.
É que na verdade os primeiros vinte minutos de [“Mongol”] parecem indicar-nos estar na presença de uma obra mágnifica em todos os aspectos e penso que essa primeira impressão foi certamente a que terá ficado na mente de muita gente que deu uma melhor nota do que eu pretendo atribuir-lhe agora.

Quase tudo nele é relativamente mediano mas no entanto está embrulhado numa atmosfera épica lindíssima e é isso que na minha opinião cria a ilusão de que [“Mongol“] será eventualmente um melhor filme asiático do que na realidade consegue ser.
A impressionante fotografia, as incrivelmente bem filmadas paisagens naturais e o extraordinário olho do realizador para compor imagens lindíssimas e inesquecíveis fazem-nos ficar de queixo caído durante os primeiros vinte minutos com toda a poesia visual desta obra.

Se nos últimos tempos saiu um filme que justifica plenamente a compra de um projector de video, [“Mongol“] é esse filme pois é definitivamente um daqueles que é para ser visto no maior ecran possível e eu tenho a sorte de poder fazê-lo. Portanto se estiverem a pensar comprar um projector este dvd é uma boa opção para o estrear, quanto mais não seja para impressionar os amigos pela vastidão das imagens que nos fazem querer saltar para dentro da parede a todo o momento e ir passar uma horas na mongólia por entre aquelas colinas verdejantes e eternos céus azuis.

Os primeiros vinte minutos são uma extraordinária sinfonia de grandes paisagens, autênticas fotografias em movimento e personagens completamente cativantes graças ao excelente casting infantil de [“Mongol“]. As crianças neste filme têm mais carisma que todo o elenco adulto junto durante o resto da história e isso é particularmente notório nas cenas que iniciam o romance que depois percorre o resto da obra.
As cenas em que o jovem Gengis Khan conhece aquela que virá ser a sua mulher limpam o chão com a restante atmosfera romântica que supostamente deveria ser o coração do filme mais tarde mas que nunca mais consegue atingir o mesmo nível emocional quando a história avança para a fase adulta.

E a história é precisamente um dos calcanhares de Aquiles deste filme. Não pelo que apresenta mas mais pela forma como tudo é narrado.
[“Mongol“]  á força de querer ser um filme com muito para contar vê-se obrigado a ter um ritmo irregular. Ás vezes tudo avança tão rápido que o espectador nem tem tempo para criar uma ligação emocional com os acontecimentos e como tal com o passar dos minutos o interesse começa a perder-se e damos por nós a descobrir que a certa altura já não estamos tão imersos nele como estavamos ao início.
Outras vezes parece que o argumento pára e alguém resolveu voltar a contar outra vez uma coisa que já foi estabelecida anteriormente nomeadamente nas cenas românticas que parecem repetir constantemente o mesmo tom emocional.

[“Mongol“] essencialmente pretende contar a história da ascenção ao poder do seu protagonista, só que em certas alturas não consegue decidir-se se pretende ser um épico histórico ou um drama romântico ficando a meio caminho entre ambos os géneros.
Como filme histórico tenta meter tanta informação em tão pouco tempo que acaba mais por parecer um catálogo cronológico de eventos do que uma narrativa sobre os seres humanos que os protagonizaram.

Como filme romântico repete-se constantemente e ficamos com a sensação de que a história de amor é mais usada para tentar amenizar a narrativa estilo aula de história do que para emocionar os espectadores ou humanizar os personagens. Não resulta porque enquanto a narrativa histórica avança a duzentos há hora, a parte emocional nunca evolui de forma a que o espectador se importe particularmente com o destino dos personagens.

Toda esta fragmentação narrativa acaba por reduzir o impacto dos personagens secundários e como consequência até aqueles que supostamente serviriam para criar algum drama ou tensão perdem toda a sua carga dramática pois lá para o final do filme já estão tão desenquadrados do que realmente se passa que não são mais do que cartão para ilustrar a ordem cronológica dos acontecimentos que levam Gengis Khan ao poder. Coisa que no início do filme não parecem, nomeadamente mais uma vez também devido ao carísma do elenco infantil ao protagonizar as versões jovens dessas pessoas e porque no início o argumento ainda parece que irá levar o filme por uma direcção entusiasmante.

Esta estrutura narrativa não só tira vida aos personagens como ainda por cima reflecte-se negativamente  também nas próprias sequências de acção.
Há muito tempo que não via num filme deste género sequências de batalha tão aborrecidas e desinspiradas.
Não lhe falta baldes de sangue mas no entanto as cenas de acção não têm qualquer impacto dramático, até porque muitas das vezes não há sequer tempo para estas serem enquadradas dentro de algo que nos toque na própria história devido aquele tom “escolar” que percorre grande parte do argumento a partir de certa altura.

As batalhas são a própria antítese do estilo do resto do filme.
Se nas cenas calmas da narrativa [“Mongol“] parece um verdadeiro épico a uma escala larger than life as cenas de batalha perdem por completo essa atmosfera e mesmo com a quantidade de sangue que é usada a torto e a direito ficamos com a ideia de que o realizador seguiu um caminho muito mais politicamente correcto do que pretendeu fazer crer.

Nunca se vê ninguém a ser cortado aos bocados como é habitual neste tipo de cinema e toda a montagem parece tentar a todo o momento evitar que algo mais explícito apareça na imagem, o que cria uma atmosfera extremamente ambigua e arruina por completo a carga dramática que deveria suportar as cenas de batalha pois se por um lado há sangue a mais depois nota-se uma contenção quase de auto-censura pelo pudor que revela em nunca mostrar o resultado de tanto sangue a jorrar o que torna esses momentos em algo artificial que nos retira imediatamente do coração da batalha que estamos a ver.


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Em [“Mongol“]  as cenas de guerra têm mais estilo do que substância,  tentando talvez disfarçar a falta de um suporte dramático através de uma ilusória sensação de carnificina que nunca convence.
O drama, que deveria ter sido a alma destas sequências está completamente ausente, porque os personagens pouco mais são do que bonecos para o realizador enquadrar as suas mágnificas composições visuais.
A história ao centrar-se no personagem principal esquece todos os outros e como tal nem sequer aquele que deveria ser o antagonista do jovem futuro Khan provoca qualquer reacção emocional no espectador pois nota-se perfeitamente que o “mau” está apenas ali para levar na cara e pouco mais.
E o facto de mais uma vez também aqui repetir-se a velha fórmula dos velhos amigos que se tornam inímigos também não ajuda muito, pois tudo é tão previsível que anula por completo qualquer suposto suspanse que ainda poderia haver tanto no drama como nas cenas de guerra e o argumento nunca sabe como tornar esses momentos interessantes ao contrário de muitos outros filmes que também usaram a mesma fórmula mas com sucesso.

Quando virem o trailer oficial que está na Amazon.uk ficarão com água na boca ao verem as imagens que este apresenta pois tudo indica que [“Mongol“] vai conter aquela atmosfera de batalha clássica que parece prometer e do qual já vimos bons exemplos em filmes como The Warlords.
No entanto a realidade é bem diferente.
Além da diminuição da carga dramática á medida que o filme se desenrola por falta de uma narrativa coerente que a suporte (e vice-versa), aquilo que prometia ser o memorável momento bélico do filme com a habitual grande batalha á escala épica, acaba por ser umas das partes mais desinteressantes de todo o trabalho.

Muita acção, montagem quase estilo videoclip, sangue a espirrar, gente á porrada, cavalos a cair, mas tudo muito pouco impressionante. Apesar da espectacularidade que tentaram imprimir nessas sequências tudo parece realmente demasiado encenado.
Talvez por não provocar qualquer suspanse, pois nesta altura já os personagens intervenientes têm tão pouca dimensão que pouco importa o desfecho dramático dessas sequências até porque já se sabe que o protagonista irá vencer e tornar-se Khan.
Na verdade as cenas de acção neste filme são apenas isso – cenas de acção – e nunca conseguem transportar o espectador para o interior da guerra sem tréguas que supostamente retratam, principalmente porque a partir de certa altura já pouco nos interessa a sucessão cronológica de acontecimentos pois o que aparece a seguir é sempre mais do mesmo e repete practicamente o que já vimos anteriormente no início.
Sim, já sabemos que o antigo amigo se está a passar, sim já sabemos que a rapariga gosta muito do protagonista, sim já sabemos que têm de se separar novamente. Passem á frente !

Mas nem tudo é mau.
Na verdade não há nada de realmente negativo neste filme. Apenas nunca alcança aquilo que o próprio ambiente da história (e a publicidade) parece prometer a todo o instante mas não cumpre.
O filme vê-se bem mas quem já viu tantos épicos medievais orientais, como eu vi não pode deixar de ficar muito decepcionado pois para uma obra com o sugestivo nome de [“Mongol“] e ainda por cima sobre Gengis Khan no mínimo esperava-se que as cenas de batalha estivessem ao nível de por exemplo as realisticas sequências de The Warlords e que os seus personagens ao menos nos fizessem realmente importar-nos com eles como acontece quase sempre no melhor do cinema Asiático.
Por outro lado, há que não esquecer que  [“Mongol“] apesar de estar povoado de actores asiáticos e ser totalmente falado em Mongol continua na verdade a ser uma obra fruto da sensibilidade de um realizador soviético e isso sente-se ao longo de todo o tratamento da história pelo distanciamento que cria no espectador e um sentido de organização que se sobrepõe sempre á emoção que deveria ser a alma do filme.

Fiquei muito surpreendido por não ter encontrado o épico que esperava ver. Mas mais surpreendido ainda fiquei foi de ver um filme povoado de ambiente asiático em que pouco me importei com o drama ou o destino dos personagens. Este desinteresse normalmente é sempre mais comum em produtos americanos e por isso com todo o hype ao redor desta obra a última coisa que esperava seria que não me provocasse grande reacção emocional.
Já tinha lido algumas reviews que referiam grande parte daquilo que depois eu próprio confirmei, mas na altura em que me decidi a compra-lo, a verdade é que fui completamente enganado pelo trailer que está no site da Amazon Uk.
Gostei tanto do que vi no trailer e fiquei tão impressionado com a cinematografia das imagens que no fundo recusei-me a acreditar que muitas das reviews tinham razão quando avisavam que  [“Mongol“] não era bem o que aparentava.

De qualquer maneira não estou arrependido de ter comprado o filme, pois estéticamente é absolutamente mágnifico e os actores têm carísma, com destaque para o actor japonês que faz de Gengis Khan e para a actriz estreante que representa a sua mulher e que mesmo nunca tendo representado na vida faz um trabalho excelente.
Ambos se esforçam imenso para transmitir alguma humanidade nos seus personagens e não é de todo culpa sua que estes não consigam nunca ir muito mais além do boneco para ilustrar enquadramentos bonitos.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não é de forma alguma um mau filme asiático, mas muito menos é a obra extraordinária que muita da publicidade quer fazer crer e que o trailer tenta fazer passar.
É uma obra extremamente mediana aquilo que se esconde por debaixo de uma capa de visual mágnifico.  [“Mongol“] é um daqueles filmes com tudo para dar certo mas em que estranhamente parce que todos os ingredientes foram adicionados com as doses erradas diminuindo o impacto do resultado. E é pena, pois este é um daqueles filmes que nos apetece mesmo gostar.
Trés tigelas e meia de noodles porque simplesmente não me fez ficar com vontade nenhuma de o rever tão cedo e isto não é nada comum acontecer-me com um filme deste estilo pois o género do épico histórico medieval oriental é um dos meus favoritos.
É um bom filme e pronto. Nem mais nem menos.
Leva mais meia tigela de noodles porque visualmente tem momentos absolutamente lindíssimos embora não a mereça particularmente pois é um filme incrivelmente mediano quando deveria ter sido algo inesquecível.

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A favor: a cinematografia do filme, cada fotograma é uma fotografia de grande qualidade com o qual se poderia fazer um quadro, a maneira como o ambiente natural é usado e filmado, as paisagens e a vastidão das mesmas, o elenco infantil é excelente, os primeiros vinte minutos do filme são completamente entusiasmantes e não fazem prever que tudo se tornaria tão mediano.
Contra: fica a meio termo em todos os géneros pois não é própriamente um épico histórico exacto, não é uma história de amor particularmente tocante, nem tem a carga dramática que deveria ter para funcionar sequer como épico de guerra; tem alguns momentos de acção mas com mais estilo do que substância, as cenas de batalha são medianas e aborrecidas com muito movimento, muito sangue mas pouca garra; os personagens á medida que o filme avança cada vez se parecem mais com bonecos para ilustrar sequências cronológicas da vida de Gengis Khan do que seres humanos com vida própria; o argumento umas vezes dá saltos na história que eliminam qualquer base de identificação do espectador com os personagens e outras vezes repete-se em temáticas que já ilustrou anteriormente; a banda sonora tem momentos completamente deslocados do que se vê no ecran devido a uma sonoridade demasiado moderna quando pretendia ilustrar uma história como esta.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
Podem espreitar o atmosférico trailer original na amazon.uk
http://www.amazon.co.uk/Mongol-Rise-Power-Genghis-Khan/dp/B0019GJ44W/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=dvd&qid=1222889349&sr=8-1
Ou a sua versão chunga americana estilosa no youtube.
http://www.youtube.com/watch?v=tsAdwoFDYW4

Comprar
Recomendo esta muito boa edição DVD com um excelente making of. Ou então em Blu-Ray. Como podem ver o preço está excelente na Amazon Uk e ainda se deve manter assim por algum tempo.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0416044/

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Se gostou deste poderá gostar de:

The Myth The Promise

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Lian zhi feng jing (The Floating Landscape) Miu-suet Lai (2003) China


[“The Floating Landscape“] é um filme oriental tão estranho quanto especial.
Estranho porque ao contrário do que o videoclip dá a entender não é de forma nenhuma a típica história de amor ultra-fofinha ao estilo oriental mas sim uma obra que se situa algures entre um filme de autor intímista e a love-story comercial embora nunca se defina por completo.  Isto contribui para que seja um produto cinematográfico com um certo charme que só lhe fica bem quando comparado com todas as outras histórias de amor que inundam o mercado pois estamos na presença de um filme asiático diferente.

Especial também, porque essa diferença mais uma vez mostra que actualmente ninguém produz melhores histórias de amor do que o oriente pois conseguem acima de tudo humanizar os personagens e torná-los pessoas reais sem precisar de entrar em diálogos excessivamente dramáticos e telenovelísticos. Mais uma vez estamos na presença de uma história de amor em que a palavra “amar” practicamente nem aparece no argumento e tudo é nos mostrado pela imagem.

Mas este filme na minha opinião também é especial porque é um daqueles que nos puxa para ele muito depois de o termos visto. No meu caso, da primeira vez que o vi não gostei particularmente, pois estava á espera de encontrar no filme o mesmo ambiente do videoclip e fui surpreendido com uma obra bem mais intimista e mais de acordo com o trailer oficial que ainda não tinha visto na altura.
No entanto, mesmo não tendo gostado particularmente de [“The Floating Landscape“] a verdade é que este filme insistia em não me sair da cabeça, (um pouco como aconteceu com “Madeleine“). E isto mais uma vez essencialmente devido á sua atmosfera, algo que é agora um bocado dificil de explicar a quem ainda não viu o filme.

 

Aparentemente [“The Floating Landscape“] é uma obra asiática muito simples. A história é intrigante mas nem por isso particularmente misteriosa, isto porque o espectador percebe logo muito antes dos personagens o significado do enigma que os confunde e este facto retira logo todo o suspense que o desenlaçe poderia ter, o que me desiludiu quando vi o filme pela primeira vez.
No entanto, a uma segunda visão já conhecendo bem a estrutura da narrativa a verdade é que [“The Floating Landscape“] revela-se numa obra especial e com muitos bons motivos para agradar a quem procura uma história de amor diferente do habitual cinema oriental do género.
Diferente no ambiente, pois além de contar com dois personagens cativantes e tão simples que parecem pessoas reais ainda se passa numa das cidades mais atmosféricas que me lembro de ver no cinema.

O filme passa-se algures numa das muitas cidades industriais costeiras da China e ao contrário do que possam pensar esta não tem nada de extraordinário. Não é um local ao estilo de Paris ou Roma, não tem nenhuma característica que a torne parte de qualquer roteiro turístico mundial obrigatório, mas tem uma coisa absolutamente fascinante e que a transforma no cenário perfeito para ser palco da história deste filme.
A melhor maneira de descrever o seu ambiente será dizer-vos que em certos momentos parece um local perdido onde o tempo corre mais devagar e em certos momentos parece uma cidade saída de um desenho animado de Hiyao Miyazaki.
Além do par romântico, a cidade é a terceira personagem do filme e apesar da localização geográfica nem ter qualquer relevância para a história neste caso a luz com que esta é sempre fotografada cria uma atmosfera realmente bonita que contrasta um pouco com a frieza e a melancolia  presente no próprio desenrolar da narrativa.

É que uma das características estranhas deste filme está precisamente no seu equílibrio entre dois tons narrativos extremamente distintos. Se por um lado [“The Floating Landscape“] tem um lado poético e bonito na forma como usa as cores da cidade para ilustrar a relação dos dois protagonistas, por outro tem também momentos intimístas extremamente frios e algo perturbantes que parecem até deslocados do resto do filme. Se numas alturas assume claramente um estilo de cinema de autor noutros momentos parece querer colar-se ao registro oriental mais comercial. Isto cria um ambiente algo incerto, pois enquanto espectadores nunca sabemos se a seguir vamos ter uma cena ligeira ou então mais uma sequência com outra daquelas cargas de tristeza contemplativa que nos fazem querer cortar os pulsos.
E por falar nisso…
Já agora chamo a atenção para a inesperada e muito gráficamente explícita cena de tentativa de suicidio envolvendo um pulso, uma lâmina de barbear, veias e muito sangue que aparece nos momentos iniciais do filme e que poderá ser um bocado incomodativa para muita gente.
Dentro do contexto da história entende-se a razão da cena estar lá, mas a verdade é que é algo realmente inesperado quando o videoclip nos remetia para um filme muito mais ligeiro do que na realidade [“The Floating Landscape“] é em alguns momentos.

Esta estranha alternância entre um ambiente comercial descontraído e uma atmosfera negra intímista  muito triste e deprimente é uma das coisas que mais nos confunde nesta obra e ao mesmo tempo se calhar é aquilo que também torna [“The Floating Landscape“] num filme que não se esquece, especialmente se gostarmos de histórias de amor originais e bem contadas.
Um factor muito importante que contribui imenso para a atmosfera é tmbém a banda sonora.
Mais uma vez, se esperam encontrar algo no estilo da música que aparece no videoclip esqueçam, pois essa canção nem entra na história. Em vez de uma banda sonora ligeira, todo o filme é pontuado por uma atmosfera sonora bastante minímalIsta (quase de música erudita) e que reflete muito bem principalmente o clima de intensa tristeza que percorre muitas partes da história.
Embora ao mesmo tempo também consiga ilustrar os momentos alegres mas de uma forma igualmente intímista, por isso já sabem, [“The Floating Landscape“] é tão diferente que até a própria música não é aquilo que se esperaria mas mais uma vez isto contribui para tornar o filme numa história de amor especial que merece ser vista pelo menos uma vez.

E como se o filme não fosse já suficientemente estranho, se calhar é melhor dizer também que este mete um par de sequências em desenho animado, mas sobre isto não vou dizer muito mais, até porque vocês precisam ter algo para apreciar de fresquinho e os momentos animados presentes em [“The Floating Landscape“] apesar de breves contribuem também para aquele estranho equilibrio entre cinema de autor, cinema comercial e para a originalidade do filme.

Basicamente  [“The Floating Landscape“] conta a história de uma rapariga que depois do namorado ter morrido de uma rara doença genética mesmo assim não consegue deixar de o amar. Após uma tentativa de suicídio como forma de se sentir mais perto do jovem que faleceu ela resolve viajar até á cidade natal do namorado com o objectivo de conseguir encontrar o local real que este representou um dia num desenho e que significava muito na sua vida.
Ao chegar lá encontra um jovem carteiro que a guia pela cidade e a tenta ajudar a encontrar esse local presente na ilustração mas sempre sem grande sucesso, (embora para o espectador seja mais que óbvio). Durante esse processo vocês, já estão a ver o resultado e claro que o jovem carteiro se apaixona pela rapariga que entretanto não consegue largar a obsessão de encontrar a paisagem desenhada pelo namorado e com isso nem repara no amor e na possibilidade de um novo futuro feliz que o jovem carteiro lhe poderia proporcionar.

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CLASSIFICAÇÃO:

Apesar da minha classificação relativamente baixa quando comparada com a de outras histórias de amor que já apresentei neste blog não se deixem desmoralizar. Na verdade se calhar [“The Floating Landscape“] até é capaz de merecer mais mas a verdade é que a estranha indefenição entre estilos de cinema lhe retira muito da força que merecia ter tido.
No entanto continua a ser uma boa história de amor e que merece ser vista ou até fazer parte de qualquer colecção de quem gosta de cinema romântico oriental e não receie encontrar um filme algo frio em certos momentos.
Até porque a atmosfera (quando não é fria e deprimente como o %&#”) é quase mágica e a química entre os dois protagonistas é excelente. Tivesse o estilo de filme sido mais bem definido e [“The Floating Landscape“] poderia até ser um daqueles filmes obrigatórios. Assim fico-me apenas pelo muito recomendável. Mas recomendável mesmo, pois é uma excelente alternativa a todos os outros filmes do género romântico oriental que tenho recomendado até agora.
Trés tigelas e meia de noodles, porque mesmo assim é muito bom (de uma forma estranha).

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A favor: a química entre os actores, os personagens muito humanos e reais, a maneira como a cidade está filmada, tem uma atmosfera muito poética apesar de algo melancólica até nas partes mais bonitas, as breves ilustrações da sequência animada, por entre o ambiente triste contém um par de sequências românticas bonitas sem precisar de recorrer a diálogos de telenovela para mostrar emoção, apesar de estranho e por vezes muito deprimente é um filme que nos fica na memória pelos seus pequenos aspectos muito positivos.
Contra: a realização não deslumbra e esforça-se demasiado para ser um daqueles filmes de autor inteligentes, a banda sonora é muito boa mas pode ser bastante triste e não tem nada a ver com a balada comercial do videoclip, a carga emocional negativa que percorre todo o filme quase que anula o ambiente romântico que a história supostamente pretende ter, não sabe se quer ser um filme de autor ou uma love-story comercial, não é uma obra que estejamos sempre a querer voltar a ver ao contrário de filmes como “Be With You“, “The Classic” ou “Il Mare“ e pode decepcionar quem espera algo mais essencialmente comercial.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=lzU1DNLRNxI

Videoclip
http://www.youtube.com/watch?v=6pnWBQ6jnqM&feature=related

Comprar
A edição que tenho é esta. Contém um pequeno making of muito interessante mesmo apesar dos extras não estarem legendados em inglés. Apenas o filme está legendado, mas tem uma boa cópia e é uma boa compra para quem quiser comprar mais uma boa história de amor oriental.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-49-en-15-the+floating+landscape-70-3g1.html

Podem também encontrá-la á venda na Amazon.com a um bom preço.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0377923/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia

Il Mare The Classic Fly me to Polaris

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