Tengoku no honya – koibi (Heaven´s Bookstore) Tetsuo Shinohara (2004) Japão


Este é um daqueles filmes orientais que é dificil de descrever se não contar pelo menos uma boa parte da história por isso espero que não lhes estrague o efeito de surpresa, mas vou começar por aqui desta vez. Não se preocupem pois não haverá *spoilers* de maior.
Bem-vindos á vida depois da morte e ao poéticamente esotérico [“Heaven´s Bookstore“].

Após ter sido despedido da sua orquesta, Kenta, um jovem pianista clássico resolve básicamente enfrascar-se num bar para afogar as mágoas. Mas a coisa não lhe corre bem e o rapaz acorda no dia seguinte numa livraria muito especial sem saber como lá chegou.
O gerente do local, revela-lhe que se encontram no Céu, (esse mesmo) e foi Ele que o trouxe até ali embora nunca lhe revele porquê.
Explica-lhe no entanto que cada ser humano tem sempre 100 anos de vida e se uma pessoa morre antes desse prazo, por exemplo aos 60, terá então de passar os restantes 40 anos no Céu antes de voltar a Terra para uma nova vida.

No Céu, Kenta conhece Shoko uma pianísta que ele admirava quando criança e que morreu alguns anos mais tarde. Formam uma amizade com base no seu amor pelo piano e juntos decidem continuar a compor uma sonata especial que a rapariga deixou incompleta na altura em que morreu.
Entretanto cá em baixo na Terra, Natsuko, a sobrinha de Shoko quer voltar a organizar na sua vila um espectáculo de fogos de artíficio que deixaram de ser apresentados doze anos atrás quando Takimoto, o artesão que fabricava os explosivos resolveu súbitamente abandonar para sempre a sua arte pirotécnica.

Acontece que Takimoto esteve um dia noivo da pianista Shoko mas por causa de um acidente com um dos explosivos do artesão, a jovem perdeu não só a audição num dos ouvidos como desistiu de compor para sempre o que acabou mais tarde por provocar a separação definitiva dos dois amantes.
Meses mais tarde quando Shoko morreu vitíma de doença prolongada, deixou incompleta a mais importante das suas obras, uma composição que tinha por objectivo ilustrar cada sessão de fogo de artíficio criado pelo homem que amava e que a partir desse momento deixou de ter razão para existir pois Takimoto criava essencialmente espectáculos de luz para também celebrar o seu amor por Shoko.

Esta é essencialmente a base de [“Heaven´s Bookstore“], que naturalmente tem ainda um par de outras pequenas histórias envolvendo personagens secundários mas que ficam para vocês descobrirem.
Todo o conceito á volta do Céu é absolutamente perfeito e sem recorrer a qualquer efeito especial o filme consegue criar um ambiente sobrenatural extremamente calmo e celestial que os vai deixar com vontade de passar uns tempos naquele local.

[“Heaven´s Bookstore“], não é um  filme sobre religião mas no entanto consegue criar uma história com um pano de fundo espiritual fascinante ao mesmo tempo que evita qualquer conotação com uma crença religiosa específica e constroi um mundo Celestial que se poderá adaptar a qualquer filosofia apesar de ser plenamente baseado na cultura Japonesa.
O  que em mãos mais ocidentais poderia ser um filme panfletário sobre qualquer crença religiosa Cristã (especialmente se fosse filme americano), em [“Heaven´s Bookstore“],  transforma-se numa obra extremamente atmosférica verdadeiramente universal e com uma textura visual única que enche este filme de pequenos momentos sobrenaturalmente poéticos apenas recorrendo a cenários quotidianos ou a elementos da natureza, transportando o espectador até a uma visão do Paraíso que tenho a certeza ninguém deixará de achar original.

E já que falo nisto, talvez a minha coisa favorita em toda esta história é a representação de Deus.
Eu que me orgulho de ser completamente ateu, embora me interesse imenso pelo lado espiritual e filosófico da nossa existência, sempre que consigo encontrar uma obra que transcenda as limitações de qualquer religião organizada fico logo com vontade de a dar a conhecer.
Embora muito poucos exemplos consigam produzir algo equilibrado neste nosso planeta ainda inexplicávelmente dominado pela religião, temos aqui uma excepção.
Isto agora levar-nos-ia muito longe, mas gosto quando aparecem histórias que retratem Deus, não de uma forma religiosa, mas sim como sendo essencialmente – “um gajo comum” e [“Heaven´s Bookstore“], tem nesse aspecto uma das melhores e mais simples representações de uma entidade supostamente “divina” que encontrei em cinema. Tão simples que quase nem se nota.

Consegue ser suficientemente subjectivo para que cada pessoa lhe atribua a conotação que bem entender fazendo dele um filme universal e talvez seja este o seu grande encanto.
Houve alguém que um dia questionou:  “Se Deus nos explicasse detalhadamente como criou o Universo e nos ensinasse tudo sobre o processo de criação, será que ainda o considerariamos um Deus depois de nós aprendermos todo o segredo” ?

Em [“Heaven´s Bookstore“], nada nos é explicado por “Deus” porque o filme não é sobre Ele.
Mas a maneira como Ele nos é apresentado segue um pouco esta linha de pensamento resultando num Deus bem mais cativante pela sua humanidade, personalidade e simplicidade do que mil interpretações que qualquer religião oficial politicamente correcta continue a impingir á humanidade.
Neste filme, Deus é um tipo simples, um gajo porreiro que se entretém a gerir o centro do Paraíso na sua fascinante livraria/biblioteca contribuindo com isso, para a evolução espiritual de toda a gente que por lá passa através da divulgação do Conhecimento e fomentando o gosto pela Cultura a todas as almas que habitam temporáriamente no Céu.

Nessa livraria, o próprio Deus contribui ele próprio com a leitura das histórias presentes nos livros da biblioteca para quem o quiser ir ouvir naquele espaço e através delas e das suas metáforas ajuda os habitantes do Paraíso a a ultrapassarem as tristezas da sua vida anterior, enquanto aguardam a próxima reencarnação.

No caso da jovem pianista Shoko, aparentemente Deus resolveu aplicar um método diferente e como tal trouxe Kenta para o Céu pois inevitávelmente a interacção entre os dois pianistas serviria não só para ajudar a resolver as mágoas de uma pessoa mas essencialmente de trés almas marcadas pela tristeza. Duas no Céu e uma na Terra, pois o artesão Takimoto continua a sofrer com o seu sentimento de culpa por ter abandonado Shoko quando ela mais precisava dele no momento em que ficou doente.

Essencialmente [“Heaven´s Bookstore“], gira á volta deste conceito e apesar do que contei poder parecer se calhar até demais, quando virem o filme vão perceber que ainda há muito para descobrir nele e nas suas entrelinhas, mas essencialmente fico-me agora por aqui.
Apenas posso dizer que gostei muito deste filme oriental.
Não o achei tão bom quanto por exemplo, um “Il Mare” pois acho que lhe falta qualquer coisa que o torne especial, mas não deixa por isso de ser um filme muito poético e acima de tudo esotérico de uma forma simples que não tenta apresentar verdades absolutas mas sim fazer sonhar o espectador ao mesmo tempo que nos conta uma boa história.

Tem no entanto uma falha que se nota particularmente em alguns momentos do filme e impede que eu lhe dê uma classificação maior.
O argumento de [“Heaven´s Bookstore“], teve origem em dois romances japoneses distintos que foram misturados de modo a criar uma única história e no filme nota-se demasiado essa separação pois as coisas não fluiem tão naturalmente quanto seria de desejar.
Por muito que o realizador tente, a parte passada no Céu embora  excelente nunca liga muito bem com a outra metade passada na Terra (ou vice-versa), pois ambas parecem pertencer a filmes diferentes, o que origina uma quebra de ritmo narrativo que se nota bastante particularmente a meio da história.

E nem o trabalho extraordinário de composição da jovem actriz que neste filme faz dois papeis, consegue ligar as duas metades apesar de ser a mesma pessoa que faz de Shoko no Céu e também de sua sobrinha Natsuko na Terra ( a mesma actriz de “Be With You“).

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CLASSIFICAÇÃO:

Este é um filme de que me apetece gostar muito mais do que na realidade gosto, por isso não é daqueles que recomende como uma prioridade se procurarem histórias de amor embora seja uma boa história.
Na verdade, fiquei algo decepcionado, pois esperava emocionar-me mais do que veio a acontecer porque tinha gostado mesmo muito do trailer e no entanto aquele ambiente que se encontra na apresentação sofre várias quebras ao longo do filme e isto retira-lhe algum do impacto dramático e romântico que merecia ter mas na minha opinião nunca alcança.
No entanto, se já tiverem visto as outras histórias de amor que tenho recomendado neste blog, [“Heaven´s Bookstore“], é uma óptima compra para juntarem a seguir á vossa  colecção pois não é de forma nenhuma um mau filme, muito pelo contrário e só pela atmosfera das cenas passadas no Céu vale mesmo a pena.

Quem gostar de piano (ou se tocar piano), adicionem mais uma tigela de noodles á minha classificação porque o todo o filme gira á volta desse instrumento e por isso tenho a certeza de que irão gostar muito pois está plenamente utilizado para criar a atmosfera do filme.
Quatro tigelas de noodles (mais uma se gostarem mesmo muito de piano clássico).

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A favor: o ambiente do Céu faz com que nos apeteça ir passar la uns tempos, a livraria/biblioteca Celestial, as cenas filmadas na planicie verdejante ao sabor do vento atravessada por uma única estrada que leva “á saída do Céu”, a maneira como a banda sonora é usada para criar uma atmosfera de melancolia, Deus é um bacano de chapéu cool e usa T-Shirts Havaianas – o que se pode pedir mais ?
Contra: a narrativa tem falhas na sua estrutura pois sente-se claramente que são duas histórias separadas a tentarem colar forçadamente, as partes passadas na Terra com os personagens que estão vivos apesar de ligarem com os acontecimentos no Céu nunca são particularmente interessantes porque ainda por cima são demasiado previsíveis, não há nenhuma surpresa de maior na história e se calhar neste caso um bom twist teria ajudado a ligar os dois argumentos, não é o filme romântico que parece ser no trailer e até talvez seja demasiado melancólico e triste.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=h9PWxuGQC7M

Videoclip
http://www.youtube.com/watch?v=CoG-R3-nHyM&feature=related

Comprar
Recomendo esta edição. Excelente em todos os aspectos. Óptima imagem, excelente Dts e Extras a condizer tudo legendado em inglés.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-77-5-49-en-15-heavens+bookstore-70-rbx.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0423360/

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Se gostaram deste irão certamente gostar de:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia

Il Mare The Classic Fly me to Polaris

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Xing yuan (Fly me to Polaris) Jingle Ma (1999) China


Como a procura de titulos de cinema romântico neste blog se mantem constantemente elevada por parte de todos vocês que o visitam, então está  na altura certa para vos apresentar um filme muito especial.
É daqueles que não irão esquecer tão cedo pois dentro do estilo romântico asiático [“Fly Me To Polaris“] é inclusive uma obra á parte por um motivo curioso e pouco comum.
Tudo o que habitualmente estraga por completo um filme romântico, desta vez é precisamente aquilo que lhe dá uma enorme magia e o transforma numa das histórias de amor mais bonitas que poderão encontrar dentro do cinema ultra-ultra-ultra comercial oriental.

Este é um filme oriental absolutamente extraordinário pela sua simplicidade.
Não tem um pingo de originalidade, não tem grande imaginação, e ainda por cima é possivelmente a maior colecção de clichés romântico-pirosos que vocês alguma vez poderão encontrar reunidos num só filme.
As situações dramáticas em [“Fly Me To Polaris“] não ficariam deslocadas numa canção da Ágata, numa letra do Tony Carreira ou num argumento de uma telenovela TVI.
Imaginem o lugar-comum mais óbvio que já lhes impingiram numa história romântica televisiva e multipliquem-no quase ao infinito. Adicionem-lhe uns pózinhos esotéricos de filosofia pseudo New Age comercial, reguem tudo com umas melodias de saxofone ultra melosas e suaves ao melhor estilo Kenny-G e obterão um dos melhores filmes românticos orientais que (quase já não) poderão encontrar actualmente no mercado dvd.

O filme oriental perfeito para ver com a namorada ou esposa em noite romântica, ou quem sabe, para conquistarem uma pessoal especial.  Não antes de se munirem com uma quantidade considerável de lenços de papel porque [“Fly Me To Polaris“] usa todos os truques e mais alguns para vos colocar de lágrima nos olhos.
Por isso recomendo muitos lenços de papel. Diria, até mesmo…boé !
Estão avisados.
É que este filme asiático tal como aconteceu com”The Classic” também já é famoso pelo tsunami de lágrimas que provoca. Não vale a pena resistirem pois se estiverem vivos, ainda tiverem um batimento cardíaco e se identificarem minimamente com os personagens, garanto-vos que se vão fartar de berrar baba e ranho mesmo que não queiram.
E vão divertir-se muito com isso pois faz parte do espírito da coisa.
É que o filme além de ser muito bonito também é extremamente positivo, isto apesar da choradeira galopante que consegue provocar nas incautas plateias que não imaginam sequer o que lhes vai cair em cima quando começam a ver este festival de aparente piroseira.
Posso acrescentar inclusivamente que já reduziu muitos gajos feios porcos e maus ao seu estado mais sensível, levando-os não só a comprarem o dvd horas depois de terem visto o filme, como também ainda meteram no cesto de compras “The Classic“, “Be With You“, “My Sassy Girl” e “Il Mare“, o que prova definitivamente que a malta do metal lá no fundo também são almas poéticamente sensíveis.
Mas afinal, que raio de filme oriental é este ?

[“Fly Me To Polaris“], não é suposto ser uma piroseira do piorio ?!
É sim. Este filme chinês só pode ser mesmo comparável á melhor história trágica publicada na revista Maria ou á desgraça da semana ao melhor estilo TVI.
Mas ninguém pode negar que tem muita alma !
[“Fly Me To Polaris“], é um verdadeiro milagre de realização e criação de atmosfera.
Tinha tudo para ser um filme pseudo-romântico absolutamente abjecto, detestável e primário, no entanto posso garantir-vos que é uma verdadeira obra prima da manipulação de emoções.
Tudo o que normalmente é extremamente negativo em produções semelhantes, aqui tem precisamente o efeito contrário, muito graças ao talento do realizador que soube como ninguém equilibrar todas as referências mais populares dentro do género para obter uma obra que se destaca por ser extremamente original usando a maior falta de originalidade possível…se é que isto faz algum sentido.
Este é um filme asiático quase interactivo que a partir de certa altura agarra o espectador e só nos larga quando nos joga contra a parede, nos espreme muito bem espremidos e ainda por cima nos faz ficar felizes por termos tido a sorte de continuar a ver este dvd mesmo quando de início [“Fly Me To Polaris“], não parecia absolutamente nada de especial.

Óbviamente que será apenas cinema oriental para quem gosta de cinema romântico. Nem que seja secretamente.
Diria mesmo, do bom cinema romântico; e neste caso nem o facto de ser um produto extremamente comercial consegue torná-lo num objecto cinéfilo menor. Muito pelo contrário.
[“Fly Me To Polaris“], é a prova de que até mesmo com um argumento cheio de lugares-comuns, se tivermos um realizador que os sabe trabalhar e usa-los de forma criativa, então o resultado pode superar todas as expectativas e surpreender muita gente.
Neste caso o trabalho ainda é mais valorizado porque o estilo do filme é tão ligeiro, que nem sentimos uma marca muito vincada no trabalho de realização. O realizador está lá, mas não se impõe durante todo o filme e só nos apercebemos do valor do seu trabalho no final, quando de repente nos damos conta que estamos completamente enfeitiçados pela atmosfera da história sem sabermos como, pois em muitos aspectos a realização até parece nem ter nada de especial.

Não é um filme asiático que se evidencie pela montagem original ou sequer pelos enquadramentos artísticos. Muitas das vezes até parece um telefilme, tal é a sua aparente leveza visual e narrativa.
No entanto, está cheio de humanismo na forma como trata a simplicidade dos personagens e sem notarmos vai envolvendo aos poucos o espectador até chegar ao momento absolutamente romântico e mágico com a devastadora cena da varanda no final, quando o par da história ouve no rádio as dedicatórias que vos irão fazer sentir sucessivos nós na garganta durante largos minutos e fazer-vos ficar completamente apaixonados pela maneira como o realizador consegue um momento tão poético sem precisar de pouco mais do que duas pessoas e um rádio.
Este é outro daqueles filmes que recomendo a compra imediata a toda a gente que gosta de cinema oriental do género mesmo sem o verem, porque é melhor pouparem tempo. Garanto-vos se virem [“Fly Me To Polaris“], vão querer guardá-lo na vossa colecção de dvds junto de outras grandes obras do cinema romântico pois no meio de toda a sua comercialidade consegue ir muito mais além do que apenas ser um filme pipoca banal. Considerem-no um filme pipoca com coração e muita poesia.

[“Fly Me To Polaris“], conta a história de um rapaz ceguinho, muito bonzinho, que vive numa instituição de caridade e está apaixonado pela muito bonita e muito boazinha enfermeira que cuida dele (ao melhor estilo Floribela). E sim, estou a usar diminuitivo…zinhos, de propósito.
Os dias do rapaz ceguinho só ganham cor (ahah), quando é a hora diária da visita da rapariga que ama e que ele tenta a todo o custo fazer com ela o deixe de ver apenas como mais um paciente.
Coisa que com o passar do tempo acaba por acontecer e ambos se apaixonam inevitávelmente um pelo outro e esse momento de felicidade parece durar para sempre.
Para sempre, até o ceguinho ser atropelado á saída do hospital e morrer nos braços do seu amor.
Parem de rir, [“Fly Me To Polaris“], é um drama para chorar ! A sério…
E já lhes disse que o rapazinho, além de ser ceguinho, também é mudo ?
Juro !
Continuemos…

Quando a alma do jovem chega ao Céu, um sitio que parece uma repartição de finanças só que onde tudo é branco, ele menciona o seu enorme amor pela jovem enfermeira que ficou ainda no mundo dos vivos e consegue que o anjo de serviço lhe dê alguns dias de vida temporária para que possa estar perto da rapariga que ama durante durante mais algum tempo.
Mas com uma condição.
O rapaz tem de voltar á Terra num corpo novo, bem diferente do que tinha antes e não pode dizer á jovem enfermeira que ele é o seu amor temporáriamente reencarnado, o que como imaginam coloca um problema para que a relação dos dois possa vir a ser retomada.
E as coisas complicam-se porque a enfermeira também já tem também como pretendente um jovem médico de sucesso o que origina automáticamente o habitual triangulo amoroso, desta vez com contornos sobrenaturais e que dá origem a algumas sequências engraçadas ao longo do filme.
E mais não conto.

Apesar da minha descrição em tom humorístico, o filme contem um bom equílibrio entre a comédia romântica e o drama e pelo meio de tudo isto ainda tem tempo para ser uma obra com personalidade e muito charme.
Vejam-no como um cruzamento entre “Ghost” e “Heaven Can Wait” e não andarão muito longe de [“Fly Me To Polaris“].
Não posso terminar este texto sem deixar no entanto de referir um dos aspectos mais importantes do filme e aquilo que faz com que tudo funcione tão bem. A sua banda sonora.

Para muitos o facto de eu lhes dizer que a música principal deste filme é um par de melodias de saxofone ao melhor estilo Kenny-G poderá ser logo motivo suficiente para afastar muita gente desta obra. Eu como não tenho nada contra o tipo, e ainda por cima adoro saxofone não poderia estar mais contente com a escolha deste instrumento para ilustrar musicalmente todas as emoções que a história pretende transmitir. Neste caso não poderiam ter escolhido um estilo melódico mais adequado.
Não há muito que se possa dizer sobre as melodias de saxofone presentes neste filme a não ser que são perfeitas e ajudam a criar uma atmosfera á parte dentro deste género de cinema.
Depois de verem [“Fly Me To Polaris“], se gostarem do filme, nunca mais vão conseguir ouvir uma melodia de saxofone deste estilo sem se recordarem imediatamente desta história de amor cinematográfica, um pouco como também depois de verem “In The Mood For Love” não mais conseguimos ouvir Nat King Cole sem o associarmos aos ambientes de Wong-Kar-Wai.

Mas não só de melodias de saxofone vive este filme oriental. Sendo cinema puramente comercial tem naturalmente uma banda sonora a condizer e por toda a história muitas das emoções são ilustradas ao sabor de canções pop que, graças ao talento do realizador para usar magistralmente aquilo que noutras mãos seria material de deitar fora, transformam-se em peças chave para manipular emocionalmente o espectador de uma forma absolutamente fantástica.
A sequência em que o jovem cego tem a confirmação de que o seu amor também é retribuido pela enfermeira, musicalmente ilustrada por uma vulgar canção pop deve ser um dos momentos cinematográficos que melhor conseguiu captar até hoje num filme a sensação de alegria de se estar apaixonado e ainda por cima consegue plenamente transmitir todas as emoções do personagem ao espectador, criando um momento de empatia verdadeiramente mágico e único que só valoriza ainda mais o discreto mas muito eficaz trabalho do realizador em [“Fly Me To Polaris“].
Posto isto, não há muito mais que lhes possa dizer sobre o filme, pois na verdade é muito dificil conseguir resumir em palavras como este é realmente muito melhor do que parece ao primeiro momento.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um filme oriental muito bonito que supera todas as limitações de ser um produto muito comercial de uma forma totalmente inesperada tornando-se verdadeiramente único e original dentro da sua própria falta de originalidade.
Totalmente indispensável para quem gosta de cinema romântico oriental.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade pois na minha opinião estamos perante uma obra prima do cinema comercial que prova que filmes ligeiros também podem ter muita poesia sem precisarem de ser mais do que são.

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A favor: o filme tem muita alma, o ambiente, os personagens, o trabalho do realizador que manipula as emoções do espectador usando apenas aquilo que parece banal, a fantástica e adequada banda-sonora, a poesia que percorre todo o filme, a cena final na varanda a ouvirem rádio é um clássico absoluto do género.
Contra: ehm…estou a tentar lembrar-me de algo mas não consigo. Quem não gosta mesmo de cinema romântico provavelmente não irá gostar…ou se calhar até vai, mas como irá certamente sair deste filme de lágrima ao canto do olho muito provavelmente nunca o irá admitir.

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Trailer
Na falta de uma boa apresentação oficial, podem espreitar um dos videoclips, embora nem de longe consiga transmitir o real ambiente do filme, mas é o que se pode arranjar de momento.
http://www.youtube.com/watch?v=yCYOoYRnU_o

Outra Review
http://www.kfccinema.com/reviews/drama/flymepolaris/flymeplaris.html

Comprar
Este filme está a esgotar-se rápidamente em todo o lado pois a cada dia que passa, o dvd desaparece das prinicipais lojas e não parece que vá haver uma reedição tão cedo apesar da enorme popularidade do filme nos foruns e de já ser um verdadeiro filme de culto.
O único sitio que ainda tem  a edição igual á minha para venda é esta loja:
http://www.chinesetapes.com/movie_chinese/fly_me_to_polaris.html embora eu não possa dar grandes referências sobre a mesma pois nunca comprei nenhum filme nesta gráficamente amadora loja de aspecto assustador.

Nesta outra encontrei uma edição que não conheço, embora pareça ser semelhante á minha
http://www.dvdasian.com/_e/Hong_Kong/product/13099/Fly_Me_to_Polaris.htm
Ao menos a dvdasian é uma loja de aspecto mais “confiável” que a anterior embora eu também ainda não tenha comprado nada aqui para poder comentar sobre a qualidade do serviço.

Também podem encontrar nesta loja outra edição (incrivelmente barata), que até há minutos atrás nunca tinha visto http://www.ecrater.com/product.php?pid=342505 onde eu também nunca comprei nada.
Basicamente, estão por vossa conta.
De qualquer maneira se gostarem do género, este é um daqueles filmes que não podem perder de forma alguma.

Sempre podem procurar o filme nos torrents embora eu nunca o tenha visto em lado nenhum.
Embora, este seja um daqueles filmes que é essencial ser visto com um excelente sistema de som pois a música é peça fundamental para a sua mágica atmosfera. Como tal não é aconselhável que apenas o vejam num simples stereo 2.0 de cópia sacada em torrent.

Mais opiniões neste fórum
http://asianfanatics.net/forum/lofiversion/index.php/t81991.html

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Se gostaram deste irão certamente gostar de:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia Il Mare The Classic

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Algumas opiniões que reflectem bem o espírito do filme e os seus efeitos no espectador.
http://asianfanatics.net/forum/lofiversion/index.php/t81991.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0213314/