Gatchaman ( Gacchaman ) Tôya Satô ( 2013 ) Japão


Não consigo entender o que há com os japoneses e os épicos de ficção-científica que tentam fazer.
O Japão parece ser o país perfeito quando se trata de produzirem histórias de amor de baixo ou médio orçamento, pela forma como os personagens são normalmente humanizados e as histórias nos agarram até ao último segundo por muito cliché que sejam, mas no entanto naquilo que deveriam ser absolutamente brilhantes falham sucessivamente.

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O mesmo país que é fantástico a criar animes de acção e aventura envoltos em fantasia e ficção-científica por vezes extraordinária, quando se trata de cinema de animação, parece ter uma enorme dificuldade ao passar essas mesmas criações para filme “normal” de “imagem real” em estilo “live action” e infelizmente não é ainda com [“Gatchaman”] que este enguiço foi quebrado.

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Quase que acertaram, mas ainda não está lá. E mais uma vez não se entende de todo porque um filme destes não se torna imediatamente brilhante no melhor sentido pipoca.
Até porque ainda por cima [“Gatchaman”] começa bem como o raio !

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A primeira cena de acção é não só excelente e entusiasmante,  como ainda demonstra muito bem como se pode filmar acção caótica em estilo disaster movie sem precisar de recorrer a montagens a duzentos frames por segundo. Michael Bay deveria ver este filme e tomar notas pois é assim que se faz.
[“Gatchaman”] tem uma sequência inicial que nos faz pensar imediatamente que finalmente vamos ver um grande filme pipoca produzido no Japão dentro do cinema de super-herois.

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Não só a acção é frenética, como enquanto espectadores conseguimos acompanhar perfeitamente tudo o que se passa na batalha inicial sem precisarmos de um saco de vómito ou ter um ataque de epilépsia. [“Gatchaman”] nos primeiros 20 minutos tem uma montagem do melhor que já vi em filmes de super heróis no que toca a forma como batalhas épicas são filmadas.
Ainda por cima mantém um estilo totalmente manga na forma como pausa algumas sequências por décimos de segundo e deixa as situações respirar mesmo no meio dos combates mais espectaculares.

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Além disso as sequências de vôo ao melhor estilo super-homem no que toca a super heróis de capa, embora simples e breves são absolutamente entusiasmantes e ficam na memória pela sua estética anime totalmente conseguida.
Nota alta para os uniformes dos personagens também. Conseguem manter o estilo do anime original mesmo tendo modificado todo o seu visual de forma a moderniza-lo significativamente.

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[“Gatchaman”] é a adaptação em “imagem real” de uma das clássicas séries anime do mesmo nome e que pelo ocidente ficou conhecida como “Battle of the Planets”,(em Portugal muita gente recordar-se-á até do jogo para o computador ZX Spectrum que saiu baseado nesta série por volta de 1985).
Segundo o que tenho lido, parece que o filme usa a base da série original mas modificou practicamente tudo o resto. O que nem seria problemático, pois na verdade o grande problema de [“Gatchaman”] nem sequer é esse.

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O problema de [“Gatchaman”] é que passada aquela sequência inicial entusiasmente , o resto do filme vai caindo a pique a cada minuto que passa. E isto porquê ? Porque simplesmente perde toda a espectacularidade. Pelo meio a história à força que querer desenvolver personagens, entra por intermináveis cenas de telenovela dramática, onde os personagens gritam e sofrem muito por tudo e por nada, tendo por base acontecimentos traumáticos passados e que não levam a lado nenhum em termos de satisfação cinemática por parte de quem está a ver este filme e só pede que passem à frente.

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Nem o twist pelo meio tem qualquer impacto porque quando acontece já ninguém quer saber dos personagens para nada pois estamos fartos de tanto dramatismo de pacotilha a todo o instante que ainda por cima é totalmente previsível em conteúdo.

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[“Gatchaman”] sofre exactamente da pior coisa que pode acontecer a um blockbuster. Em vez de nos mostrarem o que acontece ou aconteceu na história, os personagens falam sobre isso uns com os outros.
[“Gatchaman”] podia perfeitamente ter continuado a ser bastante divertido e espectacular se nos mostrasse aquilo que é suposto ir acontecendo na história; no entanto os personagens insistem em passar minutos intermináveis a falar sobre isso (ao mesmo tempo que sofrem muito por tudo e por nada) e o espectador nunca se sente imerso naquele universo; salvo um breve momento que mais uma vez tenta ser dramático quando se calhar deveria antes ter mantido a espectacularidade própria de um filme de super-herois.

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Depois há outra coisa muito estranha com o design deste filme. [“Gatchaman”] começa fantásticamente bem com a batalha inicial onde visualmente tudo funciona como um relógio suíço, mas depois parece que o orçamento para o filme vai sendo reduzido a cada minuto que passa. Como se não bastasse os personagens passarem o tempo todo a falar de coisas que o espectador preferiria estar a ver, estes fazem-no normalmente em cenários cada vez mais despidos e desinteressantes. Seja em quartos vazios, hangares vazios, ou corredores vazios, [“Gatchaman”] parece cada vez mais despido do que quer que seja a cada minuto que passa.

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A base dos heróis tem um par de sets bem anime com um design interessante mas tudo o resto é por demais pobre em termos criativos. Especialmente a base dos alienígenas invasores que é surpreendentemente desinteressante como o raio.
Visualmente os CGI que a reproduzem exteriormente são espectaculares mas depois o design do interior dessa suposta base alienígena ultra avançada parece ter saído de um mau episódio de sábado de manhã dos Power Rangers no pior dos sentidos. Verdadeiramente incrível, pela negativa

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Não só todo o climax do filme se passa essencialmente em cavernas sem qualquer interesse visual como ainda por cima parecem aquilo que são; cenários de cartão, esferovite e plástico que inclusivamente abanam por todo o lado quando os actores encalham sem querer por exemplo numa mesa de controlo. Tudo o que é cenário alienígena em [“Gatchaman”] faz lembrar um set do Star Trek original dos anos 60 com a diferença de esta suposta mega produção japonesa parece não ter tido qualquer interesse em desenvolver visualmente metade do filme. Parece até que o dinheiro acabou e resolveram utilizar uns sets quaisquer que estavam por lá à mão de um episódio dos Power Rangers.

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Para agravar a coisa, a parte final da aventura é absolutamente desinteressante. Depois de passarmos pelo menos uma hora a meio do filme a ter que levar com drama de pacotilha sem qualquer interesse (nem me perguntem sobre a inevitável história de amor);  aquilo que esperávamos era que a batalha final fosse pelo menos tão divertida e espectacular como a batalha do inicio. Esqueçam.

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O desenlace da história em [“Gatchaman”] é uma verdadeira decepção também. Não só não tem qualquer suspanse ou sentido de aventura como passamos meia hora a ver combates de artes marciais com super-herois a lutarem em cima de plataformas de plástico todas iguais em cavernas de cartão absolutamente aborrecidas do ponto de vista criativo. E o pior é que nem as lutas têm qualquer interesse e o suspense é praticamente inexistente pois percebe-se logo como tudo irá acabar e só queremos é que os personagens se despachem com aquilo para a gente ir embora.

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Portanto [“Gatchaman”] é mais uma verdadeira oportunidade perdida do Japão conseguir finalmente fazer aquele blockbuster de “Live Action” que toda a gente quer ver. [“Gatchaman”] tinha tudo para ser um verdadeiro “Pacific Rim” oriental devolvendo a sua inspiração a casa mas acabou por se parecer mais com uma sequela de “Space Battleship Yamato” que curiosamente sofre exactamente do mesmo tipo de problemas e não se entende porquê.
O que é mesmo pena, pois o início é fantástico, os personagens prometem e até há uma química muito boa entre os actores naqueles papeis. Por momentos [“Gatchaman”] parece realmente um filme dos Power Rangers muito bem feito. E deveria ter sido.

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Outra coisa excelente são os efeitos especiais o que ainda torna [“Gatchaman”] num desperdício maior.
Como já referi as cenas de vôo iniciais são do melhor que já vi em cinema de super-herois e depois a qualidade continua no CGI em geral, que não fica nada a dever ao que de melhor estamos habituados a ver vindo de Hollywood.
Provavelmente gastaram o orçamento todo em animação de computador e depois não houve verba para cenários ou algo assim…

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Para aqueles de vocês que se lembram também de outro filme no mesmo estilo, o já mais velhinho “Casshern” e querem perguntar-me como se compara com este filme agora, ao menos essa outra adaptação anime igualmente falhada tinha um visual extraordinário, coisa que não acontece em [“Gatchaman”]. Infelizmente no caso de “Casshern” a parte dramática ou de acção ainda foi pior, tendo um filme sido um dos primeiros exemplos da ineptitude dos Japoneses para conseguirem produzir cinema de super-herois. De qualquer forma, se gostarem de [“Gatchaman”] espreitem “Casshern”.

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Apesar de todo este rol de queixas da minha parte, por ter ficado realmente muito decepcionado com [“Gatchaman”], a verdade é que o filme acabou e até fiquei com vontade de ver uma sequela, (e vai haver; vejam depois dos créditos).
Ao contrário do que me aconteceu em “Space Battleship Yamato”, aqui em [“Gatchaman”]  sente-se que existe material suficientemente bom para que á segunda acertem finalmente de vez e possamos ter um blockbuster Japonês realmente bom que já tarda em aparecer.

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Como habitualmente não irei revelar nada da história porque eu ainda sou daqueles que gosta que me recomendem filmes sem me dizerem sobre o que eles são. De qualquer forma se já viram um filme de invasões extraterrestres com super heróis e super vilões já sabem com o que contar.

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Este é mais um. Apenas não é tão interessante como merecia ter sido.
Começa bem e depois sabe-se lá porquê perde-se por completo. Embora, se vocês gostarem muito de filmes de super-herois e especialmente se nunca tiverem ouvido falar destes personagens, vale a pena espreitarem isto, até para compararem os efeitos especiais com aqueles a que estão habituados a ver em cinema americano.

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CLASSIFICAÇÃO

É com pena que não lhe dou melhor classificação mas de qualquer forma [“Gatchaman”] é um filme a ver, especialmente por quem gosta de cinema de super-herois, ou até por quem se lembra bem da série anime dos anos 80 e gostava dela.

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Trés tigelas e meia porque apesar de tudo, como filme não é verdadeiramente mau. Apenas sofre de excesso de exposição e grande pobreza visual no que toca a ambientes. Leva mais meia tigela de noodles na classificação apenas porque a sequência de acção do início é verdadeiramente entusiasmante e os efeitos especiais são de grande nível no que toca a animação digital.

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A favor: a cena de acção do inicio, as cenas com os heróis a voarem entre prédios, a montagem inicial é excelente e não se perde um fotograma da batalha, o design dos uniformes e tudo o que é criado em CGI é excelente, existe boa química entre os cinco heróis e nota-se que há muito potencial aqui para uma sequela como deve de ser.

Contra: passada a invasão inicial os personagens falam demais sobre coisas em vez de nos serem mostrados todos esses acontecimentos em primeira mão, há uma tentativa de dramatizar os personagens que simplesmente não resulta pois tudo parece histérico e forçado demais, perdemos totalmente o interesse nos vilões e toda a ameaça de invasão fica sem qualquer suspense, tenta ter duas histórias de amor que são uma anedota sem qualquer emotividade, a cada minuto que passa o design do filme em termos de cenários e ambientes fica mais pobre, os ambientes alienígenas na nave extraterrestre são de uma pobreza visual incrível e parecem saídos de um episódio dos Power Rangers sem qualquer orçamento (são obviamente de plástico e cartão e isso nunca deveria transparecer num set design), a aventura final não tem qualquer suspense ou interesse, as cenas de acção do fim idem, é mais uma oportunidade perdida do Japão conseguir fazer um blockbuster de “Live Action” com a mesma qualidade com que sabem produzir animes ou histórias de amor de baixo orçamento.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
https://www.youtube.com/watch?v=r56XwTGidsU

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Anime original
https://www.youtube.com/watch?v=SmNs5DuXDdg
https://www.youtube.com/watch?v=6q5uy7VFZaE
https://www.youtube.com/watch?v=HJxcLCHhu4g

Imdb
http://www.imdb.com/title/tt2451110

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Gamgi (Flu) Sung-su Kim (2013) Coreia do Sul


O meu ano de 2014 não podia ter começado melhor em termos de cinema do que com esta injeção de adrenalina proporcionada por [“The Flu”].
Há muito tempo que não encontrava pela frente um filme catástrofe daqueles que nos deixam literalmente “on the edge of our seats” e este foi absolutamente eficaz nesse sentido pois é daqueles que nos faz querer roer as almofadas até quase ao minuto final. Especialmente quando ainda nem sequer tinha visto o trailer ou sabia qualquer coisa sobre ele.

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O que não deixa de ser surpreendente pois na verdade em termos de argumento não tem nada que vocês não tenham já visto mil vezes dentro deste género de filmes, o que para mim só lhe dá ainda mais valor, pois conseguir manter um nível de suspanse como este filme mantém nos seus 40 minutos finais com uma história que á partida não surpreende pela sua originalidade é obra !!
Se também foram daqueles que acharam o Hollywoodesco “World War Z” uma desilusão, então têm aqui o antídoto perfeito na sua vertente oriental.
Não que [“The Flu”] seja propriamente um filme de zombies mas de certa forma na sua estrutura é tudo aquilo que “World War Z” não foi em termos de adrenalina e é o exemplo perfeito de que não é o facto de um argumento estar cheio de lugares comuns e clichés que estraga um filme mas sim a forma como se trabalha esse material e neste caso não poderia estar melhor na minha opinião.

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Em termos de cinema espectáculo têm aqui também um excelente exemplo para mostrarem aquele vosso amigo que ainda pensa que só na américa se faz bom cinema comercial, isto porque visualmente [“The Flu”] conta com momentos assombrosos que não destoariam de um filme de Rolland Emerich ao melhor estilo pastilha elástica “2012”, só que aqui também temos personagens com que realmente nos importamos e não estão apenas na história para servirem de body-count e ilustrarem cenas de efeitos especiais.

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Aliás, a razão porque [“The Flu”] resulta tão bem, especialmente nos últimos 40 minutos finais, é porque por essa altura já estamos plenamente cativados pelas pessoas que vemos no ecran e não apenas pelos heróis; isto porque ao contrário do que costuma acontecer neste género de cinema, o filme não tem pressa de nos mostrar as coisas rápidas demais e aproveita o seu tempo não só para se ir tornando cada vez mais épico sem o espectador dar por isso como principalmente constrói personagens á melhor maneira sul coreana para um resultado final totalmente eficaz no que toca a criar empatia com o espectador. Em [“The Flu”] até o personagem mais secundário tem o seu momento e nada é deixado ao acaso para humanizar as pessoas que nós vemos na história, sejam elas “heróis” ou “vilões” também aqui um conceito que não se pode aplicar naquele sentido em que estamos habituados a encontrar.

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Alguma reviews ocidentais dão uma nota mediana ao filme porque dizem que os personagens choram demais e tudo é por demais melodramático. Acontece que esse melodrama é a principal característica do cinema Sul Coreano e portanto convém que o espectador entre no espírito da coisa, até porque a forma emotiva como os temas são tratados no cinema daquelas partes do mundo reflete muito a cultura desses povos. Por isso na minha opinião penalizar um filme como este apenas porque alguém acha que as pessoas choram demais para mim não faz qualquer sentido. Muito menos dentro do contexto da própria história, pois [“The Flu”] trata essencialmente de um potencial fim do mundo com tudo o que isso implica na vida das pessoas.

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[“The Flu”] centra-se essencialmente na quarentena de uma cidade na Coreia do Sul, mas tem um ambiente bem mais de ameaça global do que mais uma vez “World War Z” conseguiu ter mesmo adaptando um romance que tinha tudo para ser tão bom quanto [“The Flu”] agora conseguiu ser a partir de um argumento “original”.
Bom, mas isto é sobre o quê ? Essencialmente é a típica história sobre epidemias. Gripe das aves em versão extrema pois “flu” significa isso mesmo; -gripe- em inglés.
Se gostam de filmes em que morrem pessoas em quantidades apocalípticas estão no sitio certo. Muita gente a vomitar sangue, cadáveres ás pilhas, criancinhas mortas, pessoas espezinhadas, caos urbano e extermínio em massa. Tudo para divertir o espectador.
E resulta fantasticamente bem.

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Aquilo que na primeira parte do filme parece ser interessante mas não particularmente emocionante depressa se torna no segmento final numa jornada de adrenalina para o espectador daquelas que não nos deixa respirar quase até ao final. Pelo meio ainda temos direito a alguns momentos de humor á boa maneira sul-coreana e claro a uma proto-história de amor que não precisa de ser desenvolvida para ser eficaz.

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[“The Flu”] conta com excelentes interpretações do elenco sul-coreano com grande destaque para o trio de protagonistas onde sobressai a pequena actriz que no segundo acto da história acaba por ser o coração do filme e que dá um show de emotividade no desenrolar da verdadeira montanha russa de acontecimentos que ocorre nos segmentos finais de um filme catástrofe que equilibra muito bem o terror, a aventura, o suspanse, alguma comédia e o cinema de acção e efeitos especiais a um nível tão bom quanto qualquer coisa que vocês tenham visto saída de Hollywood nos últimos anos. Com a vantagem de que aqui temos personagens e não apenas bonecos de cartão.

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Um grande destaque também para aquilo que raramente se fala nestes filmes. As multidões de extras/figurantes que inundam esta produção e têm um papel fundamental em todo o ambiente e cenário apocalíptico de caos e confusão. O espectador nem nota, mas o trabalho de toda esta gente é fantástico neste filme e quem coordenou tudo isto está de parabéns pois as cenas de pânico em [“The Flu”] são do melhor que há e contribuem totalmente para a descarga de adrenalina que os acontecimentos do fim proporcionam no espectador desprevenido.

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Então e coisas más, tem ?
Bem, tem…
Vocês nem queiram saber os canastrões que arranjaram para fazer o papel de americanos(?) que essencialmente são “os vilões” deste filme. Onde raio foram buscar aqueles “actores(?)” ?!!
Quase que arruinam totalmente todo o esforço do realizador para tornar real todo o ambiente e não se entende de todo.
Por outro lado não deixa de ser hilariante, pois o cinema oriental já tem uma longa tradição em colocar os piores actores ocidentais do mundo em papeis secundários. Não acreditam ? Vejam, “Bye Bye Jupiter” pois é talvez o único titulo que consegue ter piores actores ocidentais que [“The Flu”].
Felizmente que o suspanse final da história está tão bem orquestrado que nem com estas interpretações desastrosas pelo meio a adrenalina se perde, mas mesmo assim os “americanos” neste filme são de ver para crer.

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De resto, o filme é um espectáculo. Se tiverem em casa um projector e poderem ver isto num écran pelo menos com uns três metros de largura vão se passar ! Embora também funcione bem numa tv normal, a escala épica do filme é perfeita para vocês exibirem o vosso projector aos amigos e ai de quem tiver coragem de tossir durante [“The Flu”].

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CLASSIFICAÇÃO

Pensei se haveria de dar a classificação máxima a [“The Flu”] ou se “apenas” lhe daria cinco tigelas de noodles, isto porque a força deste filme está no suspanse final e esse só se vive uma vez.
Lembrem-se que nunca temos bem a certeza se isto vai dar um final feliz ou não. No cinema oriental os heróis não têm obrigatoriamente que acabar bem e esse factor também aqui é determinante para criar incerteza e para aumentar ainda mais a tensão no espectador, o que contribui totalmente para o nosso divertimento.
Portanto [“Flu”] enquanto filme vive essencialmente de uma primeira visão. E nesse aspecto não podia ser melhor.

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Quando já o vimos uma vez, claro que tudo aquilo que é espectacular no final perde logo metade do impacto, mas nem por isso posso deixar de dar a classificação máxima a isto.
Já vi o filme duas vezes e aquilo que a uma primeira visão é pura adrenalina, a uma segunda visão torna-se essencialmente na apreciação do excelente trabalho de toda a gente que esteve envolvida nesta produção e para mim é mesmo um dos melhores filmes catástrofe dos últimos tempos. Dentro do cinema oriental é mesmo do melhor que vi no género até hoje. Um blockbuster com alma.

Cinco tigelas de noodles e um Gold Award também. O ano começa bem em termos de cinema oriental para mim.

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A favor: leva o seu tempo a desenvolver personagens, cria suspanse aos poucos sem notarmos o esforço para nos impressionar, todos os personagens são excelentes (até mesmo os americanos se tornam divertidos), a primeira parte do filme consegue manipular bem as reviravoltas do argumento, a segunda metade do filme abre-se para aquela escala épica que esperamos que aconteça, excelentes cenas de pânico, não foge dos momentos gore e mostra sangue sem problemas, consegue um equilíbrio perfeito entre vários géneros, óptimas cenas de acção que embora curtas são sempre colocadas no momento certo, adrenalina pura nos 40 minutos finais.

Contra: Algum paleio “politico” repetitivo a mais pelo meio, tem actores ocidentais do piorio que destoam totalmente de tudo o resto e quase arruinam a tensão final, alguns momentos em CGI não são muito bem conseguidos (mas quase nem se nota). Se calhar poderia ter sido bem mais repulsivo e repugnante do que é pois nota-se que essencialmente isto é para ser um filme para o grande publico e portanto contém alguma contenção de modo a não tornar isto muito insuportável para aquelas pessoas que se assustam facilmente.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=1BvKZMg2LjU

Director´s trailer
http://www.youtube.com/watch?v=3vsm83GA7s4

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Comprar
Neste momento ainda não é fácil. Nem na Play Asia ainda existe.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2351310

Não vou colocar nenhum link para download pois estes nunca tardam em desaparecer e não pretendo deixar que o blog se inunde de broken links como já tenho muitos por aqui. De qualquer forma é só procurarem o filme em Torrents que o encontram facilmente. 😉

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Doragon heddo (Dragon Head) Jôji Iida (2003) Japão


Finalmente um filme catástrofe com uma atmosfera do caraças !
Até que enfim que encontrei aquilo que procurava em Tidal Wave ou 2022 Tsunami e não me tinha aparecido ainda pela frente pois [“Dragon Head“] é mesmo o meu tipo de filme catástrofe e um dos melhores produtos do género que vi ultimamente dentro do cinema oriental.
Muito apocalíptico, uma incerteza total sobre as razões do fim do mundo ter chegado e milhares de mortos com ruínas por todo o lado a uma escala inimaginável tudo regado com uma boa dose de situações perturbantes carregadas de mistério constante ao longo de toda a narrativa.

Eu fico parvo quando algumas reviews no Imdb dizem que este filme não presta porque é lento.
Lento ?!! Só porque não tem sequências de acção espectaculares a todo o instante intercaladas com cenas pseudo dramáticas que só funcionam como intervalo entre cenas de porrada como se vê habitualmente nos filmes do Rolland Emerich ?!…

A “lentidão” deste [“Dragon Head“] é o seu grande trunfo, pois não tem pressa de ir a lado nenhum e nunca coloca o espectador á frente dos personagens. É um filme perfeito na forma como consegue fazer com que o espectador faça quase parte da história, pois faz-nos ir descobrindo o que se passou a pouco e pouco ao mesmo tempo que os personagens e isso é a sua grande mais valia ao contrário do que costuma acontecer neste tipo de cinema onde tudo é devidamente explicado logo de início e depois só resta ao espectador acompanhar o destino dos protagonistas á medida que vão morrendo á vez por entre as cenas de acção e suspanse do costume.
Não aqui.

Um grupo de estudantes viaja de comboio pelo Japão. Ao atravessarem um túnel uma luz e uma onda de choque incríveis faz com que practicamente toda a gente a bordo morra de forma ultra-violenta quando o túnel desaba por completo e o que resta do comboio com apenas trés sobreviventes fica preso no interior da montanha.
A partir daí vamos acompanhando o destino dos sobreviventes á medida que conseguem encontrar uma saída até á superfície e descobrem da pior maneira que o mundo nunca mais será o mesmo.

Nada é explicado ao espectador, os primeiros 40 minutos de filme são completamente claustrofóbicos pois passam-se totalmente no interior do túnel. Depois quando o cenário se abre, as coisas adquirem um tom ainda mais misterioso á medida que acompanhamos o destino dos sobreviventes e este filme japonês chega a um climax algo dúbio mas nem por isso menos interessante.  Deixa-nos um gosto amargo mas faz-nos desejar que alguém tivesse feito uma sequela deste bom exemplo do cinema oriental de catástrofe apocalíptica.
Na minha opinião este é um daqueles filmes asiáticos que apetece continuar a ver e pela minha parte nem dei por terem passado duas horas. Mesmo apesar do tal suposto “ritmo lento” que muita gente refere no Imdb.

Quanto a mim [“Dragon Head“] é um dos melhores filmes catástrofe que vi em muito tempo e pela própria abordagem do tema nem sei se não terá sido o melhor. É um produto de cinema oriental simples sem pretenções, sabe construir um mistério, mantém o espectador interessado no cataclísmo enigmático e consegue ainda ter espaço para nos atirar com um par de personagens algo perturbantes e até de conceito algo inesperado, doentio (e até ilógicamente descontextualizado da própria história)…logo percebem quando virem as criancinhas creepy

Não entendo como se pode achar este filme lento. [“Dragon Head“] não teria o mesmo impacto e atmosfera perturbante se tivesse um ritmo sempre a abrir onde estivessem sempre a acontecer mais cenas de efeitos especiais a todo o instante só para contentar as plateias do milho em baldes.
A narrativa enigmática agarra desde o primeiro momento e não é por falta de mais CGIs que o filme perde o interesse bem pelo contrário.

E também não é pela falta de efeitos cataclísmicos a todo o instante que o filme perde a tensão dentro do género do cinema catástrofe, pois se procuram um titulo que os recompensará por completo com inúmeras imagens de total destruição devastadora e consegue criar realmente a ideia de que o mundo acabou de vez [“Dragon Head“] contém tudo o que esperam nessa capítulo.

A forma como este filme japones nos apresenta o fim do mundo é não só perfeita como cria aquela ideia de que não há mesmo salvação possível ou forma de tudo poder voltar a ser como era, o que contribui imenso para uma excelente sensação de realísmo em toda a narrativa e nos agarra ainda mais ao destino dos personagens.
É que aqui ao contrário de por exemplo “2012“, quando acaba o mundo acabam também os telemóveis. Quando muito sobrevivem as baratas e estas ainda não têm SMS incorporado.

As interpretações do filme são algo histéricas e farsolas, pá, pois são. E depois ?
[“Dragon Head“] é como um bom série-B com ambiente de grande produção em versão cinema oriental que não precisa mais do que um par de personagens-tipo que façam avançar o mistério. O que para mim contradiz logo também a ideia de algumas pessoas no Imdb quando dizem que o filme não tem história.
Se calhar não tem, mas tem tão pouca história quanto um bom filme do “John Carpenter” e esses também não precisam de ser mais do que são para geralmente serem filmes excelentes.
A recordar-me algo, [“Dragon Head“] recorda-me os melhores momentos do realizador de “The Thing” e isso agradou-me desde o início.

Esta ideia que muitas pessoas parecem ter de que para um filme resultar tem que obrigatóriamente ter um estilo espectacular e uma história que vai de A a B e termina em Z com tudo muito bem explicadinho, causa-me mesmo confusão. Houve um tempo em que as coisas não eram assim e pelo menos até ao final dos anos 80 esse tipo de conceito não parecia estar entranhado na cabeça do público que hoje parece que não consegue ter mais atenção para qualquer coisa que não se pareça imediatamente com um videogame cheio de estilo MTV.
[“Dragon Head“] a ser alguma coisa é um bom e velho série-B na melhor fórmula anos 80 mas conseguido através do recurso a técnologia moderna para elevar no ecran aquilo que óbviamente nem terá sido um orçamento muito alto.

A haver alguma coisa má neste bom filme asiático, na minha opinião, isso reflete-se  na maioria dos personagens secundários. São todos demasiado excêntricos como se depois do fim do mundo não restassem pessoas normais e toda a gente se transformasse em malucos psicopatas…por outro lado eu também nunca passei pelo fim do mundo por isso é melhor não comentar muito mais.
No entanto achei que o estilo road-movie ficou um bocado estragado por causa das excentricidades que os protagonístas vão encontrando pelo caminho.

O argumento perde um bocado por causa desses personagens secundários, pois a partir de certa altura parece que eles dividem demasiado o filme em episódios que acabam por não resultar num todo. O que faz com que [“Dragon Head“] mais pareça uma colagem de vários episódios de 20 minutos com estilos diferentes do que própriamente um filme com principio, meio e fim. E claro que o final episódico em estilo aberto também deixa alguma insatisfação. Não porque não conclui verdadeiramente a história que seguimos mas porque nos deixa com vontade de continuar a ver a odisseia dos protagonístas e depois não há mais para ver. Com muita pena minha.

Parece que [“Dragon Head“] é uma adaptação de mais uma Manga japonesa do mesmo nome. Assim sendo, é possivelmente um dos melhores filmes asiáticos baseados numa banda-desenhada oriental que vi até hoje, pois normalmente as adaptações de Manga ou Anime que me passaram pela frente foram sempre muito más enquanto filme, salvo raras excepções.
Agora fiquei com vontade de ler a banda-desenhada pois se o filme estiver bem adaptado gostava de saber como termina a história, pois muita coisa fica no ar. Confirma-se a razão da catástrofe ? O mundo acabou mesmo ?

São questões que ficam pendentes mas que nem por isso tornam este pequeno grande filme catástrofe num produto menor.
Bem pelo contrário, pois toda a incerteza que deixa seria a mesma que teriamos se estivessemos realmente a viver o desastre ao lado dos protagonístas e como tal quando o filme segue essa estrutura seria depois irrealístico vir no final explicar tudo muito bem explicadinho.

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CLASSIFICAÇÃO :

Isto para mim é sempre complicado atribuir uma classificação alta a este tipo de filmes FC orientais, quando “Natural City” é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos e no entanto aqui nem sequer lhe dei uma nota totalmente fantástica.
Sendo assim [“Dragon Head“] não será um filme oriental que irei rever tantas vezes quanto já revi “Natural City” mas acho que merece mesmo assim mais meia tigela de noodles do que esse meu filme favorito pois penso que tem realmente menos falhas enquanto produto.
Enquanto dura é uma história totalmente cativante se gostam do género catástrofe e procuram um cataclísmo misterioso em vez de uma sessão de efeitos especiais CGI.
Cinco tigelas de noodles, pois apesar das suas falhas diverti-me á brava com isto e nem dei pelas duas horas passarem. Poderá não ser tão bom a uma segunda visão mas por agora tenho que dizer que me surpreendeu mesmo bastante e recomendo-o a quem procura um bom filme deste tipo dentro do cinema japonês ou cinema asiático em geral.

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A favor: tem uma atmosfera de mistério constante que cativa o espectador que não procure um filme de porrada ou de efeitos CGI, alguns bons momentos de suspanse, sabe usar pequenos cenários extendidos por matte-paintings para criar um ambiente vasto de exteriores, o ambiente de devastação é total, tem imensas sequências apenas ilustrando a destruição de tudo o que nos rodeia, muito cadáver e sangue quanto baste por todo o lado, o par protagonista embora algo histérico é cativante, tem um bom sabor a cinema de “John Carpenter” pela forma como a narrativa não tem pressa de ir a lado nenhum e demora o seu tempo a criar atmosfera, é um filme moderno com sabor a série-B dos anos 80, é mais cativante que todos os blockbusters de Rolland Emerich juntos,  é um filme bem mais interessante do que parece á primeira vista pelo cartaz algo foleiro e formulático.
Contra: falta-lhe alguma força emocional e não nos cativa propriamente por esse aspecto, tem uma estrutura episódica que não resulta plenamente por causa da excentricidade de practicamente todos os personagens secundários sobreviventes, deixa-nos com vontade de continuar a ver mais um bocadinho e não há mais. O titulo [“Dragon Head“] soa um bocado estúpido pois parece mais um nome de uma banda Heavy-Metal pirosa e cria a ideia de que este filme oriental será pior do que na realidade é.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
Fica aqui o trailer mas não recomendo que o vejam antes de verem o filme pois grande parte do fascínio está precisamente em irem descobrindo as coisas com os personagens e ainda não terem visto nenhumas imagens do que sucede. Estão por vossa conta mas o trailer contêm *SPOILERS*

Comprar
Dragonhead (2pc) (Ws Dub Sub) [DVD] [2005] [Region 1] [US Import] [NTSC]

ou aqui
http://www.yesasia.com/global/dragon-head-us-version/1004415210-0-0-0-en/info.html

Podem no entanto espreitá-lo antes se o forem buscar aqui (legendas em Inglés)

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0384055/

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

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Isto para mim é sempre complicado atribuir uma classificação alta a este tipo de filmes FC orientais, quando “Natural City” é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos e no entanto aqui nem sequer lhe dei uma nota totalmente fantástica.
Sendo assim [“Dragonhead“] não será um filme que irei rever tantas vezes quanto já revi “Natural City” mas acho que merece mesmo assim mais meia tigela de noodles do que esse meu filme favorito pois penso que tem realmente menos falhas enquanto produto.

20-seiki shônen: Honkaku kagaku bôken eiga (20th Century Boys) Yukihiko Tsutsumi (2008) Japão


O ano de 2010 começa bem para mim no que toca a boas compras de cinema oriental.

Este é um filme sobre o qual me é muito dificil falar pois é um daqueles produtos de cinema asiático muito dificeis de classificar.
A minha primeira reacção foi a de atribuir-lhe a classificação máxima pois [“20th Century Boys“] é não só muito bom como tem uma coisa que lhe dá logo muitos pontos, é completamente original. Mesmo não parecendo.

Na verdade não me lembro de ter visto nada  assim antes e surpreendeu-me que o filme tivesse uma estrutura inesperada.
Curiosamente o único motivo porque vi o filme foi porque o comprei.
E a única razão porque o comprei foi porque a edição que estava á venda na Amazon Uk (e ainda está) tinha uma relação preço-qualidade que me pareceu muito boa, pois os dois discos vinham dentro de um livro hardcover com 26 páginas a cores e eu não resisto a estas coisas especialmente quando estão á venda por menos de 10€. Comprei o filme a 4 libras um par de semanas atrás.

Tinha visto o trailer há meses e já o podia ter sacado da net há muito tempo para espreitar, mas nem me dei ao trabalho porque [“20th Century Boys“] parecia-me ser precisamente aquele tipo de filme que me aborrece de morte, ou seja algo num estilo super-herois que geralmente não me diz nada e como tal as apresentações nunca me convenceram ao ponto de sequer me fazer ter vontade de ver o filme á borla.
No entanto algo me dizia que [“20th Century Boys“] não seria tão banal quanto me parecia no trailer e devido á sua excelente e barata edição não resisti a comprá-lo.
E ainda bem que o fiz.
Se calhar não se nota pela “suave” classificação que lhe atribuí mais abaixo, mas este filme quanto a mim é absolutamente fantástico e a única razão porque não lhe dou uma nota melhor é porque este é um daqueles produtos que são absolutamente contagiantes quando o vemos pela primeira vez, mas pessoalmente não fiquei com vontade nenhuma de o rever tão cedo.

Não porque [“20th Century Boys“] seja um mau filme, aborrecido ou tenha algum problema grave, mas porque é um daqueles que depende mesmo muito do fascínio que o mistério da história cria no espectador e como tal quando a coisa chega a uma conclusão, mesmo apesar de ser um filme oriental cheio de qualidades há muito pouco que faça o espectador querer voltar a ele muito próximamente.
Pelo menos até ver como a história termina…

[“20th Century Boys“] tem o grave problema de ser uma primeira parte de uma história em trés capitulos. Ou melhor em trés filmes. Além disso a sua originalidade acaba por ser a sua maior virtude e a sua maior fraqueza.
A sua originalidade não está propriamente no estilo, ou até na história, até porque se vocês conhecem obras como Watchmen (tanto o livro como o filme), não vão encontrar algo muito diferente em [“20th Century Boys“], que, quanto a mim é quase uma versão alternativa da Bd de Alan Moore transposta para uma identidade oriental puramente japonesa. Não que seja um plágio, mas o tom da história e até a sua própria estrutura é semelhante.

Segundo consta, esta trilogia de filmes, adapta o Manga mais vendido de sempre no Japão. Algo que me é totalmente alheio pois até agora nunca tinha ouvido falar de tal coisa e como tal parti para este filme como eu gosto. Completamente ás escuras.
O facto de  [“20th Century Boys“] ser a primeira parte da história (em filme) podia até nem ser um problema, pois por exemplo  a primeira parte do Senhor dos Aneis resulta plenamente enquanto filme isolado até ao seu final.
No entanto [“20th Century Boys“] “falha” nesse aspecto porque como alguém já referiu numa outra review na net, parece que os criadores deste projecto se esqueceram que este produto acima de tudo era suposto ser um filme e se calhar não deveria ter seguido tão á risca uma estrutura de banda-desenhada no que toca á sua narrativa.

Por outro lado, esta visão pode ser apenas fruto do nosso olhar ocidental mais habituado ao tipo de estrutura que vemos nos filmes americanos e sendo assim é inevitável que olhemos para [“20th Century Boys“] como um filme algo estranho e inesperado.
Lá ver se consigo explicar isto melhor…olhem que é difícil…
[“20th Century Boys“] é apresentado como um verdadeiro blockbuster “de super-herois” ao estilo japonês. No entanto não se passa nada neste filme asiático ao longo de quase trés horas !!!

Não se passa nada daquilo que vocês pensam que se vai passar se virem os trailers.
As apresentações dão a ideia que o espectador vai ver um blockbuster cheio de acção e cenas de destruição ao melhor estilo de cinema catástrofe e no entanto nada disso acontece  em [“20th Century Boys“].
As poucas cenas de acção e destruição que vocês vão encontrar nesta história são os breves segundos de explosão no aeroporto e no parlamento e isso aparece tudo no trailer sem haver mais nada para mostrar.
As partes de aventura com o robot gigante são practicamente nulas e mais parecem pertencer aos cinco minutos finais de um qualquer episódio de uma série televisiva do que a uma mega-produção que [“20th Century Boys“] apregoa ser em todo o seu marketing.

Ou seja, se esperam um filme de super-herois, ou com uma estrutura (ou espectacularidade) semelhantes ao que estão habituados a ver, esqueçam.
Que achou que Watchmen foi uma seca porque aquilo era muito paleio e pouca acção, então é melhor nem se aproximar de [“20th Century Boys“], pois é trés vezes “mais lento”. O aviso está feito, isto não é o blockbuster que aparenta ser na publicidade (o que muito me agradou).
Ainda por cima quando o filme está precisamente no seu momento mais empolgante ao fim de quase 150 minutos…a imagem pára e aparecem no ecran as palavras “To be continued…” !!!

Curiosamente é um filme oriental bem mais intimista do que eu próprio esperava ter visto.
Practicamente as primeiras duas horas são passadas em desenvolvimento de personagens. Não que isto seja o ponto fraco do filme, mas deixo já o aviso que é muito importante vocês estarem atentos aos nomes dos personagens porque senão vão dar em doidos.
Consta que todos os trés filmes contêm ao todo mais de 300 personagens diferentes e acredito plenamente nisso pois só nesta primeira parte devem passar dos 50. Ainda por cima isto é um filme oriental e como tal…esqueçam o conceito de “heroi” ou personagem principal, pois aqui até o personagem mais secundário é importante para a história e tem o seu momento de ecran específico o que complica bastante a vida ao espectador mais desatento.

Para piorar as coisas, o filme ainda é passado em trés décadas diferentes e como tal apanhamos com os personagens quando crianças em 1970, acompanhamos os mesmos nos anos 90 e ainda os vislumbramos por volta de 2015. O que quer dizer que cada personagem é interpretado por um par de actores diferentes consoante a época em que a história decorre. E muitos deles têm alcunhas em criança e nomes diferentes em adultos…
Resumindo, este filme só pode ter sido um sucesso enorme no japão mesmo.
Metessem isto num cinema americano (ou americanizado) do ocidente e isto seria um fracasso absoluto pois metade das pessoas perder-se-ia por completo no emaranhado da história e personagens infinitamente variados, com a agravante do filme não ter cenas de aventura ou acção intercaladas ao estilo dos argumentos americanos para deixar o cérebro descomprimir.

É que essencialmente [“20th Century Boys“] é um filme oriental de mistério.
E um dos mais intrigantes e completamente hipnóticos que me lembro de ter visto em muito tempo.
Se vocês ficarem intrigados pela história, o seu desenvolvimento não vos vai deixar tirar os olhos do ecran até ao seu final. Final esse que é considerado por muita gente como uma das maiores desilusões do cinema recente.
Isto porque na verdade não corresponde minimamente á ideia de blockbuster com que o filme é vendida no ocidente e como tal era inevitável que muita gente visse as suas expectativas completamente frustradas.

Pessoalmente eu nem queria acreditar no que estava a ver quando o filme parou mesmo no melhor e a expressão “continua” apareceu na imagem.
Nunca tinha visto um filme acabar assim. A sensação com que se fica é que [“20th Century Boys“] acaba ali como podia ter acabado noutro sítio qualquer e isso é um sentimento algo estranho quando como espectadores investimos todo o nosso interesse na história e pelo menos esperávamos que nesta primeira parte algo nos recompensasse os primeiros 150 minutos do nosso entusiasmo.

No entanto…
Superem este pormenor e vão descobrir uma história fascinante suportada por um elenco enorme e cheio de carísma.
O filme practicamente não tem acção (não se deixem enganar pelos trailers), mas nem por isso deixa de ser divertido ou cativante.
Nota alta para o trabalho do realizador que conseguiu manter coeso todo o emaranhado do argumento sem nunca perder o fio á meada e criar um filme divertido e cheio de personalidade. Mesmo sem recorrer a cenas de porrada á americana ou a efeitos especiais ao longo de practicamente todo o filme, [“20th Century Boys“] mantém-nos colados á sua história e interessados no seu desenlace.
Só é pena ainda termos de esperar até ao lançamento do terceiro capitulo para ficar a saber como tudo termina. Isto claro se nunca leram o Manga, cujo o próprio autor é agora o argumentista do filme e talvez seja por isso que esta grande produção pareça ser mais uma banda-desenhada com imagens “reais” em movimento do que propriamente um filme.

Nota alta para o elenco infantil que tem um desempenho absolutamente hipnotizante. Alías, toda a parte passada na infância dos herois é um dos pontos altos do filme a fazer lembrar aquele estilo de história juvenis nostálgicas que normalmente Stephen King costuma contar.
Enquanto espectador não pude deixar de pensar que havia algo de Stand By Me nesta história e isso agradou-me mesmo muito e tenho a certeza irá agradar bastante a todos aqueles que foram crianças nos anos 70 bem antes de existirem computadores, telemóveis, videogames e internet e onde todos nós tinhamos de inventar os nossos próprios mundos de imaginação pois não havia nada do género pré-fabricado. O filme (e a história) capta muito bem o espírito de infância desses anos e sendo assim é mais um dos seus pontos altos.

Como este texto já vai longo e não quero revelar muito sobre o filme vou terminar apenas dando-lhes uma ideia da história.
Essencialmente [“20th Century Boys“] é sobre um misterioso culto religioso centrado num enigmático logotipo e numa figura conhecida apenas como “Friend” e sobre a maneira como esta personagem consegue dominar (e destruir?)  o mundo.
No inicio dos anos 70 um grupo de crianças imaginou uma história de ficção-científica precisamente contendo todos os detalhes que depois se vieram a tornar reais e como tal todo o mistério gira á volta da possibilidae de “Friend” ser na realidade ser uma das crianças do grupo original que de alguma forma conseguiu tornar realidade algo surgido num jogo infantil muitos anos atrás.
Fico-me por aqui pois há muito para descobrirem se virem [“20th Century Boys“].

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CLASSIFICAÇÃO:

Sinto que quando conseguir ver os trés filmes de uma só vez e puder unificar toda a história, hei de voltar a esta review e adicionar mais uns pontos á sua classificação.
Isto porque [“20th Century Boys“] é um filme diferente dos outros porque tem uma estrutura inesperada e como tal devido a isso é quase injusto estar a classificar isoladamente esta primeira parte pois ao contrário de filmes como o primeiro Lord of The Rings, esta não resulta enquanto filme e sente-se mesmo a falta da continuação para podermos ser realmente justos sobre o que dizer sobre o produto final.
No entanto não deixem de ver [“20th Century Boys“] pois é algo absolutamente único e recomenda-se vivamente.
Quatro tigelas de noodles…por agora…

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: também neste filme o argumento labirintico e a forma como cruza os diversos caminhos do destino dos protagonistas, as sequências nostálgicas da infância dos personagens, o elenco e a quantidade enorme de personagens (secundários(?)), apesar da complexidade da história o trabalho do realizador é notável a gerir tudo aquilo, em 150 minutos de filme mesmo sem practicamente acção nenhuma o suspanse mantém-se apenas pela força da história e carísma dos personagens, o estilo de realização tem variações impecáveis que nunca deixam o filme perder o interesse e quase que assistimos a um estilo de filmagem diferente para cada personagem, a fotografia destaca-se especialmente nas sequências dos anos 70, quem gostou de Watchmen irá gostar de [“20th Century Boys“].
Contra: quem espera um blockbuster cheio de acção e estilo cinema catástrofe cheio de efeitos especiais vai ficar muito decepcionado, este primeiro filme não está estruturado enquanto primeiro capitulo com um principio meio e fim e acaba de forma completamente inesperada e sem resolver absolutamente nada do que desenvolve ao longo de quase trés horas, não sentimos que estamos a ver o primeiro filme de uma trilogia mas apenas um bocado do inicio de um qualquer filme de oito horas que subitamente nem sequer fica a meio mas acaba no inicio quando tudo parece ir começar a sério, as cenas de acção que supostamente seriam o climax desta primeira parte são absolutamente desinteressantes e banais mais parecendo a parte final de um qualquer episódio televisivo de uma série desinteressante qualquer com robots gigantes.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=OCFOM5mZx28&feature=related

COMPRAR
A foto acima pertence á edição que eu comprei na Amazon Uk e que recomendo. Os dvds vêm dentro de um bonito livro numa edição hardcover com 24 páginas a cores detalhando muita coisa sobre o universo do filme (cuidado com os spoilers). Tudo com o excelente preço a condizer.
20th Century Boys (2 Discs & 24 Page Book) [2008] [DVD]

Está também já disponível o segundo capitulo numa edição em tudo semelhante á do primeiro caso queiram continuar a colecionar isto em dvds separados.
20th Century Boys Chapter 2 (2Disc & 24 Page Book) [DVD] [2009]

E finalmente o terceiro.
20th Century Boys 3: Redemption (Ws Sub Ac3 Dol) [DVD] [Region 1] [US Import] [NTSC]

Em alternativa, se quiserem já adquirir os 3 filmes de uma só vez também já o podem fazer numa única e muito interessante edição.
20th Century Boys Trilogy – The Complete Saga [DVD] [2010]

Recomendo vivamente a compra das edições dvd acima, mas se quiserem espreitar o filme primeiro podem ir buscá-lo aqui com legendas em Pt(Brasil)

IMDB
http://www.imdb.pt/title/tt1155705/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

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2022 Tsunami Wan Sang-Haan Lohk (2022 Tsunami) Toranong Srichua (2009) Tailândia


Existem obras que parecem querer testar o meu fascinio pelo cinema oriental.
Ás vezes esqueço-me que existe no mundo cinema realmente muito mau e não é só em Hollywood que se faz plástico do piorio. Pelo visto a Tailândia também se está a tornar num sério candidato á piroseira cinéfila.

Quanto mais vejo cinema Tailandês mais me parece que aquele país é assim uma espécie de Ed Wood do planeta terra.
O cinema comercial Tailandês parece ter sempre as melhores e mais sérias intenções mas salvo raras e honrosas excepções parece que produzem um conjunto de filmes sempre tão maus que quase desafiam as estatísticas.
E um dos piores será certamente este [“2022 Tsunami“] com muita pena minha.

Se calhar não parece, pela imagem acima, mas acreditem-me…vocês não vão acreditar no que verão se decidirem espreitar este filme. Uma tragédia que poderia ter sido absolutamente hilariante não fosse o facto de ser tão mau que se torna irritante a partir de certa altura.

E por falar em filmes genialmente maus, neste fim de semana fui ver a “nova comédia” do Rolland Emerich saida de Hollywood chamada “2012” e diverti-me á brava com o filme.
Como eu adoro cinema catástrofe em que morrem gajos aos molhes por dá cá aquela palha saí de “2012” com grande adrenalina e a pensar se não haveria pelo oriente algo novo que me pudesse divertir com mais umas cenas fixes de morte e destruição.

Não tardou muito que encontrasse não um, mas dois titulos orientais completamente novinhos em folha para meu contentamento e curiosamente ambos os filmes têm como tema os Tsunamis pois foram inspirados na tragédia real do Natal de 2004 de que todos nos recordamos certamente. Este filme até usa imagens reais de arquivo para tentar criar ainda mais dramatismo sobre o assunto.
Tanto a Coreia do Sul como a Tailândia pegaram na ideia e produziram as suas versões do que aconteceria se o fenómeno se repetisse de novo mas a uma escala realmente apocalíptica e os resultados não poderiam ter sido mais diferentes.

Por agora falemos da versão Tailandesa.
Eu sei que se calhar isto parece injusto, mas tenho que dizer que [“2022 Tsunami“] foi um dos filmes mais pirosos e sopeiros que alguma vez vi. E não estava nada á espera disto num filme catástrofe.
Todos nós sabemos que o género nunca escapa aquele estilo telenoveleiro, mas esta tentativa Tailandesa atinge um grau de anedota que eu próprio julgava impossível de ser atingido.

Se virem muitas das fotografias estáticas, certamente ficarão com curiosidade suficiente para ver o filme, especialmente se gostam do género pois quando as coisas não se mexem até criam a ilusão de que estaremos na presença de algo realmente divertido e com suspanse quanto baste. Não se iludam.

Se [“2022 Tsunami“] fosse uma música pimba (música brega para o pessoal do Brasil), seria certamente um sucesso pois nada falta nesta letra…perdão, neste argumento…
Tudo é tão mau que eu nem sei por onde começar.
Os personagens são hilariantes, os diálogos são atrozes ( e duvido que seja da legendagem), a realização não tem ponta por onde se lhe pegue em termos de identidade e a montagem deve ter sido feita por algum estagiário despedido a seguir. Isto para nem falar dos efeitos especiais…

Ninguém mais do que eu deve adorar maus efeitos especiais.
Eu sou um fã absoluto de FC obscura, séries B marados e filmes de baixo orçamento. Mas para que a coisa funcione é preciso que um filme tenha um certo charme, o que não acontece de todo neste [“2022 Tsunami“].
Isto porque este se leva tão a sério que atinge um nível de dramatismo e piroseira que só nos faz rir a todo o instante ou então bocejar de tédio até nas partes catastróficas que deveriam pelo menos ter algum impacto mas falham redondamente.

A começar pelos personagens pois  pouco nos importamos com o seu destino e depois porque os efeitos de animação… são tão…animados… que não contribuem de todo para criar aquele clima trágico que a obra pelo visto pretendia ter tido.
Não é suficientemente divertida para ser um grande série B e não consegue atingir a carga dramática para poder ser levada a sério, muito por culpa da excessiva dramatização da personalidade dos personagens que só nos dá vontade de rir ou de chorar e não pelas melhores razões.

Mais uma vez insisto, a única palavra que encontro para descrever [“2022 Tsunami“] é – “piroseira”.
Eu sei que isto não é muito cinéfilo mas é a única sensação que o filme me transmitiu e passada meia hora já estava farto de aturar aquelas pseudo-caracterizações psicológicas tão ridiculas. Primeiro são cómicas mas depois tornam-se absolutamente repetitivas e irritantes transportando o filme para um patamar que o torna aborrecido em vez de entusiasmante e nem as cenas de destruição conseguem salvar o resultado final pois tudo é tão exagerado em termos humanos e estereotipos de personagens de cartão que os efeitos ainda nos parecem se calhar muito piores do que na realidade até são.

Há de tudo nesta história. Um heroi que tem medo do mar porque a familia morreu no Tsunami de 2004 e de cada vez que se chega junto á agua produz as mais hilariantes caretas que podem encontrar num filme dramático, uma heroína que também perdeu a familia toda há vinte anos, um primeiro ministro cheio de boas intenções, um cientista maluco com umas barbas perfeitas para serem colocadas de molho, uma aldeia piscatória com pessoas muito boazinhas e um grupo de mafiosos com intenções muito más.
E já lhes falei das sequências homo-eróticas ?

Ok, eu não tenho nada contra as preferências sexuais de cada um, mas que raio ?!…Para que serve aquele angulo na história ?
Um gajo está a ver um filme supostamente dramático e depois saido do nada vê-se um cu de um tipo saído do nada iniciando-se de seguida uma espécie de pequena cena de amor um bocado atabalhoada e sem qualquer sentido ?
Surpreendeu-me mais que o resto do filme todo.

Gostaria de lhes poder explicar de uma forma mais coerente como este filme oriental é mau, mas sinceramente este é um daqueles que é de ver para crer.
Na verdade isto é quase um caso á parte, pois -“mau”- nem sequer será a palavra correcta para classificar o estilo desta obra. É um produto muito estranho.
A realização é completamente incoerente. Muito trabalho de câmara ao ombro mas tudo é demasiado evidente e a partir de certa altura estamos mais atentos á maneira de filmar do que á própria história ou aos personagens nela o que não abona a favor do trabalho do realizador que parece querer afirmar-se acima da obra a todo o instante.

E o pior de tudo é o tom paternalista do proprio argumento, a certa altura apetece-nos gritar ao ecran para aqueles gajos pararem de dizer frases ecológicas sobre como a humanidade está a dar cabo da natureza ! Já chega ! Já se ouviu ! Não sejam tão “subtis” a passar a mensagem !
No final do filme pelo menos a mim só me apetecia pegar nuns contentores de lixo e ir até á Tailândia despejar tudo naquele país na esperança de que pelo menos este estúdio fosse atingido por um verdadeiro maremoto que o impedisse de fazer uma sequela desta verdadeira tragédia cinematográfica.
É com muito pena minha que digo que [“2022 Tsunami“] é tão “mau” que até faz com que os blockbusters americanos do Rolland Emerich pareçam bons filmes e quando assim é…

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CLASSIFICAÇÃO:
Não consigo compreender qual é o problema de muito do cinema Tailandês. Parece que pelo facto de se levar demasiado a sério nunca consegue atingir a seriedade das filmografias dos seus vizinhos asiáticos.
Talvez seja por piscar demasiado o olho ao cinema ocidental sem conseguir criar uma identidade própria ou por não conseguir produzir argumentos particularmente interessantes, o facto é que falta algo no cinema Tailandês e este filme é um excelente catálogo de todas as fraquezas que habitualmente encontramos nesta filmografia.
Este [“2022 Tsunami“] tinha tudo para ser um divertido filme catástrofe mas por qualquer razão afunda-se por completo muito antes de a água chegar.
Uma tigela de noodles porque é realmente muito desinteressante apesar de não parecer ser a uma primeira vista.
E se calhar merecia menos ainda.

noodle2.jpg

A favor: apesar de tudo ainda contém cenas de destruição apocaliptica engraçadas, apesar de falhar redondamente tenta ter uns CGIs modernaços para representar o maremoto.
Contra: os personagens são hilariantes e aborrecidos ao mesmo tempo, leva-se demasiado a sério, o tom paternalista ecológico torna-se verdadeiramente enervante, tenta ser tão dramático a todo o instante que se torna completamente piroso, alguns actores são atrozes mas se calhar a culpa nem é deles, ás vezes parece um filme amador no pior dos sentidos, os diálogos são hilariantes ou do piorio, as cenas de pânico parecem filmadas na banheira, o desastre não impressiona de todo, não atinge sequer aquele patamar do tão mau que se torna bom e é pena pois tinha potencial.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=zDqMJ5_v-AI&feature=related

Comprar
Não faço ideia onde isto está á venda, mas vocês não o vão querer adquirir de qualquer maneira.
Este é um daqueles casos em que a pirataria faz um favor ao consumidor, por isso sugiro que o espreitem aqui.

Imdb
Quê ?!… 🙂

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:
Vejam antes  “The Sinking of Japan”.
Este sim, é um excelente exemplo de cinema catástrofe made-in-oriente.

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