Bang-kwa-hoo ok-sang (See you after school) Seok-hoon Lee (2006) Coreia do Sul


Consta no Imdb que este [“See you after school“] será um plágio não assumido de uma obscura comédia adolescente americana de 1987 (que nem eu conhecia e pensava que tinha visto todas na altura).
Cópia descarada, ou simplesmente muito inspirada, a verdade é que o raio do filme resulta. E bem.

Não vi – o original (ainda) – mas tendo em conta que ambos os filmes parecem ter a mesma história, a verdade é que a ideia para este argumento é tão boa e original que nunca poderia falhar fosse em que versão fosse por isso bem-vindos a [“See you after school“], versão oriental.
Uma comédia adolescente bem mais original do que parece á primeira vista.

Pelo trailer pareceu-me logo que o filme seria divertido, mas também não esperava grande imaginação para além daquilo que se vê na típica comédia tresloucada em estilo cartoon humano tão popular no cinema Sul Coreano.
No entanto [“See you after school“] é um daqueles filmes que funciona num eterno equílibrio entre a comédia histérica sem graça nenhuma, o filme para adolescentes imbecis e a comédia inteligente sem pretenções mas com gags tão inesperados quanto hilariantes.

Ha filmes em que o realizador parece estar mais interessado em exibir-se em todos os frames do que em contar uma história, (“Daisy“); há outros onde o realizador nem se nota mas tudo é tão cativante que nem damos por isso (“Bedevilled“) até pensarmos no assunto. Mas depois existem filmes que equilibram muito bem ambos os estilos e principalmente dependem desse equilibrio não só para criar uma identidade para a história como principalmente para fazer com que os gags humoristicos resultem no caso da comédia.

Quero dizer com isto que [“See you after school“] grande parte das vezes tem piada não pelos gags em si, mas porque estes aparecem filmados das maneiras mais inesperadas. Ou seja , o filme pode estar a decorrer da forma mais clássica no que toca á própria maneira de ser filmado e de repente cai-nos com uma piada totalmente inesperada em cima. E esta resulta não por ter graça no papel, mas por causa da forma como é filmada e montada na própria estrutura do filme.
Isto é dificil de explicar o que eu quero dizer, mas quando virem este título vão perceber.
Uma das grandes mais valias de [“See you after school“] é estar cheio de piadas que no papel não teriam graça nenhuma, até pela sua previsibilidade mas que resultam plenamente pelo menos umas 80% das vezes pela forma como o realizador as filma e as insere na própria montagem do filme.

O resultado disto é uma comédia caótica, daquelas em que temos mesmo de continuar a ver, porque apesar de já sabermos o que vai acontecer a seguir na história, há sempre algo hilariante ao redor da esquina que nos atinje como um tijolo humoristico quando menos esperamos nos momentos mais inesperados da história.

Outra coisa boa, é que apesar de [“See you after school“] ser um filme para rir, consegue no entanto inserir alguns momentos dramáticos que resultam plenamente e não parecem deslocados de todo apesar de previsíveis. Isto porque outra das coisas muito boas nesta história é a capacidade para nos fazer gostar dos personagens. Até daqueles que supostamente são os vilões da história.

[“See you after school“] usa muito bem o humor para humanizar cada personagem e depois nas alturas certas do filme usa essa humanização para falar a sério do tema principal do filme; o – bullying– escolar, particularmente da vertente oriental desse problema ainda tão menosprezado por muita gente.
Fico sempre com a ideia de que este tipo de situações lá pelo oriente será bem pior do que por cá; pelo menos é essa a imagem que o cinema particularmente Coreia do Sul costuma passar quando usa o ambiente liceal nas suas histórias onde o próprio conceito de castigo físico parece ainda estar bem entranhado na cultura escolar do país.

De qualquer forma, [“See you after school“] é uma comédia que resulta a vários níveis. Os gags são divertidos na sua maioria, (tirando as habituais piadas orientais com adolescentes e caca…sabe-se lá porquê parecem ser do agrado popular por aquelas bandas), os pequenos momentos dramáticos estão bem inseridos e muito bem construidos com base nos personagens mas acima de tudo o conceito da história é tão genial quanto parece simples e banal a uma primeira leitura.
Senão vejamos…

O argumento narra a história de um desgraçado que passou toda a vida a ser espancado e vilipendiado pelos colegas em todas as escolas porque passou desde criança. Não tem amigos, nunca teve amigos e toda a sua vida serviu apenas para savo de pancada e objecto de humilhação por toda a gente á sua volta.
Isto num filme de porrada seria um bom começo para depois este gajo pegar numa caçadeira e limpar o sebo a metade do liceu, mas aqui em [“See you after school“] o nosso heroi decide começar por servir de cobaia num laboratório de experiências científicas para tentar perceber porque sempre atraiu tão má sorte o tempo todo.

Depois de um par de gags hilariantes onde tudo lhe corre mal,  o rapaz decide voltar ao liceu para o semestre seguinte desta vez munido com alguma auto-confiança que os cientístas lhe atribuiram.
Claro que o regresso á escola é tudo menos perfeito e numa sucessão de acontecimentos de ver para crer uns atrás dos outros, logo no primeiro dia ao tentar impressionar a miuda gira da turma o nosso heroi acaba sem querer  por se cruzar com o mauzão da escola , mais o seu temido gang de arruaceiros que aterrorizam tudo e todos o tempo todo.
Sem puder escapar um duelo é combinado para depois das aulas onde o jovem heroi já se vê todo partido e sem qualquer hipótese de escapar, pois desistir por desistir seria desiludir a miuda pela qual se apaixonou.

Só lhe resta uma hipótese. Arranjar uma boa desculpa para não comparecer para o duelo no telhado ao fim do dia. Mas o pior é que terá que ser uma boa desculpa mesmo e é aqui que o argumento do filme brilha, pois toda a estrutura de [“See you after school“] é construída com base nos planos falhados do jovem geek para se escapar da pancadaria por cima.
Graças a este conceito simples temos direito a acompanhar os planos mais inacreditáveis que falham pelos motivos mais inesperados e divertidos.

Principalmente porque entretanto a atitude do pobre coitado, acabou sendo admirada por todos os outros alunos espancados, nerds, cromos e geeks da escola e são eles que na sombra se esforçam ingenuamente por contribuir também para que todos os planos de fuga do nosso heroi falhem redondamente das maneiras mais hilariantes pois acreditam que ele é uma espécie de Messias dos cromos oprimidos que dará uma lição aos gajos que sempre os maltrataram.
E é neste simples conceito que está a grande mais valia do argumento.

Os mais velhinhos aqui dos leitores, deverão lembrar-se da série “Parker Lewis can´t loose“.
[“See you after school“] é bastante semelhante, tanto em estilo visual como no tipo de situações, só que em modo ainda mais exagerado com efeitos quase sempre muito divertidos ou cativantes até ao segundo final, (a propósito, não percam os créditos no fim).
De resto o filme conta com tudo aquilo que se costuma encontrar num filme para adolescentes, embora surpreendentemente ou talvez não não tenha muito humor sexual mais ousado; embora as sequências com os sonhos eróticos diurnos do heroi sejam bem divertidas.

Essencialmente gostei muito deste filme.
Não é uma obra prima da comédia mas enquanto dura é um filme que os irá divertir mesmo muito se entrarem no espírito da coisa. Até mesmo quem não costuma curtir estas comédias parvas histéricas sul coreanas é capaz de se deixar levar por esta história onde o inesperado acontece a todo o instante e onde podemos contar também com bons personagens e boas interpretações, com destaque para o actor principal que é absolutamente genial e a total alma do filme.

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CLASSIFICAÇÃO:

Boa comédia tresloucada ao melhor estilo sul coreano onde tudo funciona perfeitamente para nos divertir enquanto dura.
Bons personagens, situações geniais, boa realização e um protagonista fantástico que sofre as maiores desgraças ao longo da história para nosso divertimento.
Não será uma obra prima e se calhar poderia ter ido mais longe, pois sente-se que apesar de tudo é um filme que tenta não deixar de ser politicamente correcto e como tal senti que muitos gags poderiam ter funcionado ainda melhor não fosse uma certa auto-censura subliminar que se sente a todo o instante. Mas não deixa de ser uma excelente comédia comercial para toda a família com muitos gags hilariantes e uma estrutura baseada num argumento bem mais genial do que se calhar parece á primeira vista por o conceito parecer tão simples.
Se querem uma comédia imaginativa não hesitem.
Quatro tigelas de noodles porque é mesmo muito bom e mais nada.

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A favor: a originalidade da estrutura da história, o conceito simples mas cheio de potencial razoavelmente bem explorado, contém mais que um par de gags absolutamente hilariantes, os personagens são bem desenvolvidos e a interpretação do actor principal é genial, boa realização e excelente equilibrio narrativo entre um estilo histérico e um tom sóbrio e mais tradicional.
Contra: poderia ter sido mais politicamente incorrecto talvez, é outra comédia sul coreana contendo piadas á volta de merda o que me irrita por demais.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=jhb87QWGoIQ

Comprar – baratinho na Play Asia
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7h-49-en-70-2iw0.html

Download com legendas em inglés…ou ingrés

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0907840

Ps: Espreitem este trailer também. Na verdade parece mesmo que See You After School será no mínimo inspirado no “original” americano; o que não deixa de ser algo curioso pois normalmente acontece o contrário…

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My Sassy Girl

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Koizora (Sky of Love) Natsuki Imai (2007) Japão


Dentro do género romântico japonês, [“Sky of Love“] é um dos melhores e mais bonitos filmes que me passaram pela frente desde há alguns anos a esta parte e não estava nada á espera de que logo este fosse um título tão atacado na net, principalmente em reviews saídas dos Estados Unidos.
Até porque não difere muito do que costumamos ver dentro deste género romântico e na verdade já vi coisas muito mais pirosamente sexualmente foleiras saídas de Hollywood e nunca ninguém disse nada.

É que…mas que raio…terá sido este é o único filme sobre sexo adolescente, violação e aborto  que esta gente viu na vida ?!
Como pode haver na net pessoas chocadas por [“Sky of Love“] falar sobre o tema da gravidez adolescente de uma perspectiva totalmente natural ?

Além, disso dizer que [“Sky of Love“] tem cenas de sexo só se for na imaginação de quem ataca o filme, pois não esperem miúdas nuas nesta história. Aliás, nem nas tais cenas chocantes se vê um cotovelo sequer.

[“Sky of Love“] também é atacado por certos reviewers americanos porque mostra uma breve cena com adolescentes a beberem, a fumarem e a participarem numa festa com muita devassidão onde curtem uns com os outros sem sequer serem namorados !! Como é possível andarem a dar ideias destas aos adolescentes que nunca pensaram nisto antes ?!
Agora por causa deste filme todas as crianças vão descobrir que existe tabaco e que as meninas têm partes diferentes dos meninos.
Eu estou chocado. Até porque os americanos nunca fizeram filmes parvos com Spring Breakers nem nada…

Estou chocado, porque não estava nada á espera de encontrar reacções destas perante um filme tão bonito quanto este.
E mais uma vez, eu sei…eu sei que já vimos esta história mil vezes em outros romances cinematográficos orientais, eu sei que tudo é fofinho de propósito neste filme para nos fazer chorar baba e ranho e eu sei que não há um pingo de originalidade em [“Sky of Love“] porque segue todos os clichés do género ao mínimo detalhe.
Mas será um título tão pouco original assim ? Ou haverá algo de muito mais interessante em [“Sky of Love“] que algumas pessoas parecem não ter tido olhos para ver porque estavam demasiado ocupadas em pregar moral em vez de se deixar levar pelo universo da história?

Para começar tem uma coisa extraordinária. Os personagens são muito bons e esta história supostamente banal está filmada de uma forma tão cativante que a meio do filme já nem nos lembramos que já vimos isto antes mil vezes no cinema teen japonês o que não deixa de ser um resultado notável. Acreditem-me, vocês vão chegar ao final deste filme e nem se lembram que já viram isto dezenas de vezes antes pois [“Sky of Love“] é totalmente eficaz na forma como conduz a nossa atenção para o coração emocional da história e nos faz esquecer tudo em redor enquanto o filme não acaba.
Aqui e antes que me esqueça uma nota para o elenco que é perfeito. O par romântico principal é fantástico pela sua naturalidade e totalmente carismático, com grande destaque para actriz principal que na minha opinião tem uma prestação extraordinária neste filme e parece que ninguém notou esse facto.

Percorre toda a história em vários registos dramáticos (representando várias idades) com uma naturalidade espantosa e se calhar é por isso que tanta gente ataca o filme também, sem notarem que ao atacarem os acontecimentos representados na história estão na verdade a valorizar o trabalho dos actores que quanto a mim estão absolutamente mágnificos nisto.
Neste aspecto, também uma nota á parte para o actor que já vimos antes como protagonista de “Cyborg She” e que tem aqui um personagem secundário bem mais contido que os fará ficar ainda a gostar mais desta história. Isto porque mais uma vez, até aquilo que supostamente seria um triangulo amoroso banal, também aqui também funciona com uma dinâmica dramática que os irá não só surpreender como provavelmente emocionar-vos e dar-lhes um tópico ou dois em que pensar. O que não está mal para um filme que á primeira vista parece tão previsivel assim.

Uma das grandes forças deste filme em relação a todas as outras histórias de amor que estamos habituados a ver saídas do oriente, está no facto de que [“Sky of Love“] entra por um registro assumidamente mais dramático do que é costume e quando muita gente pensava que ia ver outra história romântica muito ligeira de repente leva com um título que antes de ser uma lovestory é acima de tudo um drama no sentido mais sério, também muito fruto dos próprios temas que aborda e da forma como os apresenta como fazendo parte da vida.

Como alguém refere numa outra review algures na net, atacarem [“Sky of Love“] ou qualquer outro drama romântico japonês com o argumento que é mais do mesmo e que já vimos esta formula ou esta história mil vezes antes é o mesmo que dizer que também não vale a pena vermos mais filmes de terror porque todos seguem a mesma fórmula. E quem diz filmes de terror, diz filmes de acção e por aí fora.
Portanto não é por ser outra história romântica japonesa que [“Sky of Love“] poderá ser desconsiderado. Quando muito seria por ser outra história romântica japonesa mas sem grande interesse ou falta de personalidade e isso garanto-vos que este filme não é, pois identidade, personalidade e muita alma não lhe falta e como tal na minha opinião vocês podem partir para isto com toda a confiança pois é realmente do melhor que anda por aí dentro do género.

Se calhar é um filme que confundiu muita gente porque ao início parece uma coisa e depois apanha o público de surpresa quando percebemos que tem uma temática mais profunda do que parecia a um primeiro olhar.
É que se vocês detestam aqueles ambientes fofinhos de meter vómito ao melhor estilo romance japonês para teenagers, até se vão passar com a atmosfera dos primeiros vinte minutos de [“Sky of Love“]. Isto porque tudo é tão cute em modo histérico que mais parece que estamos a ver um daqueles Animes para miúdas onde tudo é ultra feminino e cheio de estética fofinha quanto baste.

O que não falta em [“Sky of Love“] são colegiais japonesas em fatinho típico tão popular e ainda por cima tudo complementado com uma estética visual absolutamente luminosa que cria verdadeiras sequências onde quase nos parece que estamos a ver um desenho animado totalmente colorido ao melhor estilo japonês.
E é aqui que está o grande contraste do filme, pois quando de repente nos apercebemos que se calhar nem tudo é tão luminoso assim na vida dos personagens já é tarde e ficamos fascinados com o permanente contraste entre o drama das suas vidas e a incrível luminosidade absolutamente poética do ambiente em que a sua história decorre.
Um bom exemplo disto é a cena da violação que termina com uma imagem fabulosa num campo de flores.

Outra coisa curiosa sobre este filme é que parece que [“Sky of Love“] foi baseado numa história real que ocorreu no japão no início deste século (pelo visto o cinema deles conta histórias tão simples que podem ter eco na vida real e vice-versa); e que se tornou famosa porque esta foi publicada na forma de diário pela web num (popular?!) formato conhecido por aquelas bandas como – romances para telémovel (quê?!!) – e que pelo visto muita gente lê por todo o lado.
Parece que o pessoal no Japão em vez de ler livros, lê novelas nos ecrans de telémovel e como tal esta teve um sucesso tal quando foi disponibilizado para download que acabou sendo editado num livro a sério que vendeu como o raio, foi editado em Manga e portanto daí até ser um filme … a coisa nem poderia ter sido de outra forma.
E ainda bem.

Portanto, eu adorei [“Sky of Love“].
Há muito tempo que não encontrava uma love-story com tantas qualidades. Apesar de não ter um pingo de originalidade a nível de formato, tem pormenores fantásticos, muitos momentos dramáticos que resultam plenamente e está carregado de imagens inesquecíveis absolutamente poéticas que criam um contraste por vezes brutal com o que acontece na história.

Pode ser previsível, mas usa essa previsibilidade para tratar de uma forma natural todos os temas, tem interpretações fantásticas e mesmo assim consegue ter um suspanse extraordinário no que toca á forma como poderá acabar pois percebemos o que irá acontecer mas há sempre uma dúvida no ar por causa da introdução do terceiro elemento na história de amor o que lhe dá um toque humano diferente que nos faz colocar dúvidas a propósito do desfecho.
Um pormenor que não só resulta como dá imensa personalidade ao filme.

Sendo assim, pela parte que me toca achei [“Sky of Love“] uma das melhores histórias de amor deste género desde talvez, “The Classic“. É melodramático ? É sim, mas resulta e bem.
É também uma história que também não teria o mesmo impacto se os telemoveis nunca tivessem sido inventados, pois faz desse objecto do quotidiano um pormenor essencial não só para a carga dramática do filme como principalmente para a cena da despedida final que os fará ter nós na garganta pela sua eficácia enquanto ideia genial para um momento romântico e surpreendentemente cheio de suspanse dentro do contexto do  filme.

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CLASSIFICAÇÃO:

Outra das melhores histórias românticas orientais que existem para ser apreciadas e mais outra prova de que filmes com adolescentes, sobre adolescentes não têm que ser produtos vazios e descaracterizados, mesmo quando seguem todas as regras de um género que já foram repetidas mil vezes noutros títulos semelhantes.
Uma obra com uma grande simplicidade narrativa mas com uma realização fantásticamente discreta, num filme cheio de imagens lindíssimas e uma fotografia luminosa perfeita que contrasta com o tom cru e triste de muita da temática da história.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade porque este é outro daqueles filmes que rebenta a escala embora não pareça de todo ser um filme tão bom quanto na realidade é.

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A favor: mais uma vez toda a humanização dos personagens (inclusivamente dos vilões da história num pormenor final que surpreende pela inclusão inesperada num dos melhores momentos do desenlace), o trabalho da actriz principal é fantástico e se calhar não se nota a uma primeira visão pela naturalidade como tudo acontece no ecran, idem para os protagonistas masculinos que compõem o triangulo amoroso, é formulático e chega pois nem precisava de ser original para ser fantástico, mais do que uma love story é um bom drama sobre adolescentes que não trata o público por imbecil, a fotografia é incrível com imagens absolutamente inesquecíveis pelo filme inteiro, surpreendentemente consegue ter suspanse o que não deixa de ser notável pois já vimos isto tudo antes, tem uma história que não evita falar de sexo, bullying, violação ou aborto entre muitos outros pequenos temas surpreendentemente bem inseridos, o segmento final é totalmente emocional no melhor dos sentidos e mesmo que não queiram se tiverem um batimento cardíaco vão gastar quilos de lenços de papel e fronhas de almofada (bom filme para ver ca namorada…;), é quase um remake de “My Girl & I” mas onde desta vez está mesmo tudo no lugar certo e nada falha.
Contra: já vimos esta história antes várias vezes mas sinceramente…who cares !

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=0_KWYW5qu9o

Comprar
Este dvd está esgotado em tudo quanto é sitio, por isso se o encontrarem algures digam-me alguma coisa.
O sitio mais provavel onde poderá aparecer primeiro será por aqui…
http://www.yesasia.com/us/koizora-aka-sky-of-love-dvd-english-subtitled-hong-kong-version/1020251637-0-0-0-en/info.html

Download com legendas em Inglés,aqui  ou aqui.

Download com legendas em PT/Br aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1194664/combined

LER O MANGA

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Outros títulos românticos semelhantes recomendados:

The Classic concerto_capinha_73x

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Riri Shushu no subete (All About Lily Chou-Chou) Riri Shushu (2001) Japão


Eu não recomendaria este filme ao meu pior inimigo.
Agora que já disse isto, é melhor avisar que vão achar esta review completamente confusa e totalmente contraditória.
 
 
Este filme é absolutamente experimentalista a um nível próximo da mais detestável  – instalação “Artística” – (com “A” grande), deprimente, negativista, e a uma primeira visão chato, confuso e loooooongo como o #$%&.
[“All About Lily Chou-Chou“], chega ao ponto de nos fazer pensar que aquele cinema de autor ultra-pretencioso á boa e velha maneira portuga se calhar até nem será mau de todo.
Como tal e começando anormalmente desta vez logo pelo fim, [“All About Lily Chou-Chou“],  leva uma excelente classificação de cinco tigelas de noodles na boa porque as merece plenamente.
 
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CLASSIFICAÇÃO:
 
Por mais que eu não queira, tenho que reconhecer que o filme não só é extremamente original, está muito bem feito, tem uma atmosfera única, um grafismo ainda melhor e realmente torna-se numa obra bem curiosa que vale a pena ser vista. Duas vezes.
 
           
 
Duas vezes, porque da primeira vai acontecer-lhes o mesmo que a mim e a primeira reacção vai ser pegar no dvd e jogá-lo fora não antes sem o triturar na batedeira e colocá-lo a gratinar no micro-ondas.
Acontece que se depois virem o filme uma segunda vez, já sabendo com o que contam, as coisas parece que subitamente ganham uma nova dimensão e ficam bem mais claras e apelativas. Isto claro, se estiverem mesmo com pachorra para aturar cinema-de-autor com pretenções de ser Arte Digital moderna.
Na verdade por debaixo de tanta Arte, até que existe um bom núcleo e [“All About Lily Chou-Chou“],  bem vistas as coisas se calhar nem será tão pretencioso assim quanto aparenta á primeira vista e provavelmente mereceria mesmo um Gold Award e tudo.
 
 
Mas atenção, o facto de eu atribuir uma excelente classificação de cinco tigelas de noodles a esta …coisa, não significa que o esteja propriamente a recomendar ou a sugerir que vão imediatamente ver este filme.
Não comparem estas cinco tigelas de noodles com uma outra classificação semelhante que eu tenha atribuído a outro filme neste blog, pois no caso de [“All About Lily Chou-Chou“],  isto segue mesmo uma outra lógica de classificação á parte.
No entanto seria extremamente injusto se eu não lhe desse uma boa nota. A verdade é que este é um daqueles raros exemplos de cinema-de-autor tão desconcertante que se torna absolutamente hipnótico e mal ou bem não nos esquecemos do filme tão cedo.

A favor: provavelmente o estilo crú digital é a solução visual perfeita para contar esta história sobre violência adolescente que envolve não só bullying juvenil como aborda o problema da alienação social dentro dos frios liceus japoneses.
Como tal o tema da imersão virtual no mundo da net está fantásticamente retratado neste filme, o que o torna hipnótico e perturbante ao mesmo tempo.
Os actores são excelentes. Alguns enquadramentos e imagens contêm uma beleza única que contrasta com o tom frio e desumano da própria história. Todo o conceito do filme é muito bom e se calhar só poderia funcionar tão bem sendo o filme que é.  Vai agradar ao fãs de música estilo Bjork.

Contra: esta “instalação Artistica Digital” tem 140 minutos que nos parecem 6 horas quando vemos o filme pela primeira vez se não estivermos á espera do que nos vai cair em cima.
A meio do filme quando os personagens vão de férias para uma ilha, o realizador resolve mostrar-nos durante mais de quarenta minutos o filme das suas férias e o filme muda abruptamente de estética para algo que se assemelha ao pior video de familia que vocês alguma vez possam ser obrigados a ver e que se arrasta por um tempo infinito sem haver propriamente uma justificação narrativa para pregar tamanha seca ao espectador.
A fragmentação narrativa pode ser um pesadelo para o espectador mais desprevenido, pois os flash-backs podem ser extremamente confusos ao inicio, até porque os personagens ás vezes falam do ponto de vista dos seus nicks  de internet e outras com o seu nome próprio. Ainda por cima os nomes japoneses têm uma sonoridade semelhante e  a certa altura se não tivermos cuidado já nem sabemos quem é quem.
Algumas músicas da banda sonora enervam-me profundamente. Por outo lado quem gosta do estilo Bjork vai adorar tanto a música como o filme, pois este é quase um videoclip de duas horas para o seu tipo de sonoridade.
 
 
E pronto agora que estão avisados, deixem-me parafrasear por momentos o site oficial e contar-lhes algo sobre o filme.
Ao contrário do que costumo fazer vou dar bastante detalhes sobre o argumento, mas não precisam agradecer-me, pois até o site oficial faz exactamente o mesmo.
E não se preocupem com os *spoilers* porque se calhar é melhor partirem para isto com uma ideia mínima do que vão ver no ecran no meio de tanta Arte.
Se não quiserem saber exactamente sobre o que trata esta história e quiserem experimentar ver o filme sem saber nada sobre ele podem parar de ler este texto, aqui.
 
[“All About Lily Chou-Chou“],
 
Yuichi Hasumi vive com a sua mãe, o namorado dela e o filho deste numa aldeia rural do interior do japão.
Na escola é atacado constantemente pelos colegas e para escapar dos seus problemas, refugia-se no seu mundo próprio ao som da sua cantora favorita, uma super-estrela nipónica ao estilo de Bjork de seu nome Lily Chou-Chou, que é venerada quase como uma deusa pela sua legião de fãs.
Yuichi vive fechado no seu quarto uma existência paralela online no site dos fãs de Lily Chou-Chou que ele criou e do qual é o webmaster comunicando através do nick  – “Philia”.
Um dia “Philia” encontra no site outro fã de Lily, chamada “Blue Cat” e nesses espaço virtual nasce uma amizade.

Seguidamente o filme volta atrás um ano.
Yuichi Hasumi ainda nao conhece a musica de Lily Chou-Chou e vive um bom periodo da sua infância,
entrou para o liceu e um dos seus colegas é Hoshino um excelente aluno. Ambos ficam amigos quando aderem ao clube de esgrima-kendo e depois de muitas peripécias políticamente incorrectas decidem fazer uma viagem até Okinawa onde pretendem passar umas férias á beira mar onde tudo corre bem até ao dia em que Hoshino quase se afoga e o ambiente parece mudar de um momento para o outro. Como se não bastasse os dois são depois espectadores de um trágico e sangrento acidente de automóvel que se torna num prenúncio dos tempos negros que se aproximam.

Começa um novo ano e todos estão mais velhos.
Hoshino mudou de personalidade , derrota o fanfarrão agressor da escola e torna-se ele o chefe de um gang desprezando a sua antiga amizade com Yuichi pois abusa psicológicamente dele constantemente também.
Chega o ano 2000 e ambos fazem 14 anos.
Yuishi está no 8º ano mas ainda tem que dar constantemente dinheiro a Hoshino a troco dele não o tratar mal e para isso rouba diariamente, comentendo pequenos furtos por onde pode.
Isto porque Hoshino controla tudo e todos á sua volta com a sua crueldade adolescente. Um dia ordena A Yuishi que siga Shiori Tsuda, uma adolescente da escola que também há muito é uma vitima de Hoshino sendo forçada por este a aceitar “compensated-dating” com homens mais velhos a troco de dinheiro.

Yuishi é portanto encarregado por Hoshino de a vigiar e controlar o dinheiro que a adolescente ganha nesta forma semi-legítima de prostituição juvenil no Japão.
Apesar da sua submissão á crueldade de Hoshino, a rapariga Shiori Tsuda é tambem uma aluna excelente e optima pianista mas no entanto com um passado obscuro pois tambem já tinha sido antes abusada por outro colega anterior ao estilo de Hoshino.

 
A solidao e os dias de escola sufocantes são o dia-a-dia destes adolescentes maltratados pelos próprios colegas e aos poucos a realidade torna-se sofucante. Apenas no website dos fãs de Lily Chou-Chou anónimamente e por detrás dos seus nicks virtuais estes jovens conseguem falar do que lhes aflige e confessar os seus problemas.
Yuishi/”Philia” confessa que se tentou matar um dia mas não foi capaz e “Blue Cat” diz que também passou por isso. Em comum o facto da música de Lili Chou-Chou os ter ajudado a curar a dor e ambos tal como a restante legião de fãs da cantora veneram-na de uma forma religiosa quase doentia afirmando que ela é a personificação do “Ether”, algo indistinto mas divino que simboliza tudo o que é belo e perfeito e que segundo os fãs está presente nas músicas da cantora, sendo a única coisa que os faz ainda querer viver.
 

Dezembro, vai haver um concerto especial de Lily Chou-Chou próximo da localidade e todos os fãs se encaminham para lá em profundo extase religioso, incluíndo “Philia” e “Blue Cat” sem saberem que a tragédia os aguarda.

 
[“All About Lily Chou-Chou“],   Fim dos *Spoilers*
 
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Resumindo, é isto que poderão acompanhar em [“All About Lily Chou-Chou“],  embora o filme e a história contenha muito mais e seja um argumento extremamente detalhado.
Essencialmente isto é cinema-de-autor japonês e como já disse poderá ser algo que vocês irão detestar profundamente, mas por outro lado, se entrarem no espírito a verdade é que encontrarão aqui uma obra única dentro do cinema mundial e que ilustra como nunca o problema do bullying, da solidão juvenil no japão moderno e da alienação do mundo exterior.

[“All About Lily Chou-Chou“],  tem não só um conceito diferente para um filme sobre adolescentes, como ainda por cima a origem deste projecto não podia ter sido mais original.
Senão vejamos, a certa altura o realizador do filme, muito antes do projecto sequer estar totalmente pensado, em jeito de experiência criou na internet um website para uma cantora fictícia chamada Lily Chou-Chou que incluia música composta por uma incógnita artista real japonesa.
Fazendo-se passar por vários utilizadores, o realizador começa a deixar na página várias mensagens de fãs ficticios da cantora inexistente.
A coisa inesperadamente pegou, e de um dia para o outro o site recebe inúmeras mensagens de adolescentes reais que discutem tudo á volta de uma personagem que aparentemente ninguém consegue descobrir quem é ou porque supostamente será tão famosa.
Por acaso um dia surge numa das mensagens reais a palavra “Ether” e logo toda a gente começa a discutir o seu significado, a sua ligação á cantora, ás suas vidas, etc. Exactamente como é apresentado no filme que conta precisamente com as verdadeiras mensagens reais enviadas para o site ilustrando a veneração por Lily Chou-Chou.
Eis que o realizador do filme, continuando a fazer-se passar por mais um fã, introduz na conversa outro facto fictício dizendo que uma fã foi assassinada e imediatamente todos os users começam a especular sobre quem terá sido o responsável e de que forma isso afectará a cantora.

 
E lembrem-se, tudo isto á volta de uma pessoa que nunca existiu. Nesta altura já o realizador daquilo que viria a ser o filme [“All About Lily Chou-Chou“],  tinha uma boa mão cheia de ideias para a sua história sobre adolescentes e o rumo que esta tomou acabou precisamente por ser ditado pelas narrativas dos verdadeiros fãs que compulsivamente frequentavam o site mesmo sem nunca ninguém ter tido na mão qualquer prova que a cantora existisse.
Subitamente o message board foi fechado pelo realizador, deixando toda a gente no Japão á deriva.

Com o material obtido nesta experiência verdadeiramente sociológica, foi criado o primeiro esboço do argumento do filme, mas apenas ainda na forma de uma novela que depois acabou por ser publicada ao longo de trés meses numa revista japonesa criando uma enorme publicidade á volta do conceito, o que depois levou a que o message board do site “oficial” de Lily Chou-Chou fosse re-aberto e as histórias de experiências traumáticas adolescentes voltassem a aparecer o que permitiu que o argumento fosse depois escrito á volta de tudo isto, dando origem ás situações que encontram agora no filme e que segundo consta são perfeitamente baseadas em narrativas reais.

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A Lily Chou-Chou mania chegou ao ponto de quando durante a produção do filme, o realizador precisou de encher um estádio para um concerto da cantora que nunca existiu, todos os figurantes presentes nessas cenas foram escolhidos precisamente entre os utilizadores do website da cantora ficticia que inicialmente foi criado pela produção.
E muitos deles pensando ainda inclusivamente que a cantora existia mesmo, tendo-se tornado inclusive verdadeiro Otaku em redor de uma artista que nunca existiu.
É caso para dizer, só no Japão meus amigos !
Resta só dizer que o filme apesar de todo o seu experimentalismo foi um sucesso não só de público no Japão como principalmente de crítica a nível mundial onde é quase tão venerado pelos críticos como Lily Chou-Chou o é pelos seus Otaku hoje em dia.
 
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NOTAS ADICIONAIS
 
Trailer
Á falta de um trailer, podem espreitar o início do filme pois dá perfeitamente a ideia do seu estilo.
http://www.youtube.com/watch?v=OJFYDTFQHlo

Comprar
A edição que eu tenho é esta.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-15-all+about+lily-70-cmv.html
Não trás mais nada além do filme, mas técnicamente está muito boa e além do grafismo da capa ser elegante trás ainda um pequeno folheto com as notas explicativas que puderam ler reproduzidas acima nesta review.

Site oficial
http://www.lily-chou-chou.jp/

 
 
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E se gostaram deste não vão querer perder:
 
 
 
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