Baahubali: The Beginning (Baahubali: The Beginning) S.S. Rajamouli (2015) India


Ahhh, “Baahubali – O Começo”; por onde começar…
Há cinema bom e há cinema mau. Há ainda aquele cinema que de ser tão mau se torna automaticamente bom. Depois há o cinema Indiano…

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E como muita gente sabe Bollywood é um caso à parte.
Se a física quântica procura a prova da existência de universos paralelos, não procurem mais, vejam uns filmes de Bollywood porque está lá tudo.
Ainda hoje me pergunto, o que raio é o cinema Indiano e porque razão produções  como este [“Baahubali – The Beginning”] parecem insistir em continuar a contribuir para a minha confusão. Mais espantoso ainda é os filmes de Bollywood serem actualmente o cinema mais rentável do mundo. Para quem pensa que é o cinema americano, recomendo que leiam uns artigos sobre o assunto e irão surpreender-se com o dinheiro que o cinema Indiano faz pois nem irão acreditar. Avatar é para amadores em termos de fazer guito à parva no box-office.

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Como devem ter notado este irá ser o primeiro filme Indiano a figurar neste blog. Na verdade não deixa de ser cinema asiático também, mas é o primeiro que comento porque pura e simplesmente desta vez não consigo deixar de fazê-lo.
[“Baahubali – The Beginning”] não é o primeiro filme Indiano que vi tentando encontrar algo que valesse a pena divulgar aqui, mas é definitivamente o primeiro que na minha opinião vale a pena recomendar.
Mas não se entusiasmem. Eu disse, recomendar.
Não disse para irem vê-lo.
Recomendo que façam qualquer coisa com ele, recomendem-no a amigos que gostem MESMO de cinema Bollywood, podem sacá-lo, gravá-lo e até vê-lo mas estarão por vossa conta e não me responsabilizo pelos danos cerebrais nos leitores que não estão habituados ao estilo Indiano de fazer cinema.

Por outro lado depois de verem este trailer, vocês não vão conseguir escapar por isso nem tentem resistir.

Então ? Dá vontade de ver ou não dá ?
Parece ser um filme de fantasia altamente não é ? Ah pois é.
Este trailer está realmente um espectáculo mas cuidado, toda a adrenalina entusiasmante que aparece nesta montagem promocional está particularmente ausente do filme. O tom do filme não é de todo o tom magnifico que encontram na sua apresentação.
Então isto afinal é o quê ?
Bem, [“Baahubali – The Beginning”], é um filme de fantasia Indiano. Consta que é a produção mais cara de sempre em Bollywood e nota-se.
Se o quiserem classificar será assim o –Lord of the Rings- indiano tendo por base todo o imaginário fabuloso daquele país e nesse aspecto faz um trabalho magnifico ao passar para o grande écran todo aquele sentido épico que sempre imaginamos nas sagas relativas aos textos do Mahabharata e restantes narrativas Vedicas da India.

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Se gostam mesmo muito de filmes Indianos provavelmente nunca viram algo assim no género , podem parar de ler este texto e irem ver isto porque irão adorar.
Para quem não conhece (ou não suporta) cinema Indiano, ainda há muito para dizer. Portanto, vamos começar pelo que este filme tem de bom.
[“Baahubali – The Beginning”] visualmente é tudo o que podem ver no trailer e mais ainda.
Esta história de fantasia tem definitivamente um dos melhores designs de produção dos últimos anos e ainda parece melhor por tudo se passar num universo tão particularmente Indiano e culturalmente muito enraizado nas suas narrativas épicas.
Embora seja um filme incrivelmente colorido, depois de nos acostumarmos ao estilo visual berrante que pode desorientar-nos no inicio, podem ter a certeza que visualmente[“Baahubali – The Beginning”] é um espectáculo e só por isso é de visão obrigatória para quem se interessa não só por fantasia como principalmente para toda a gente que gosta de concept design ou ilustração.

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As paisagens são fabulosas e mesmo apesar de muita coisa tresandar obviamente a photoshop, na sua maioria é trabalho de photoshop do bom. Os matte paintings são lindíssimos em muito dos momentos estendendo paisagens naturais até um nível de fantasia fabuloso que não fica nada a dever ao melhor que se pode ver numa produção americana.
O tom de  [“Baahubali – The Beginning”] é claramente o de um livro ilustrado, uma espécie de iluminura de um veda transposto para o grande écran e nesse aspecto o CGI está particularmente bem usado em quase todo o filme embora não escape também a muitos momentos algo fraquinhos; mas isso acontece igualmente em muito cinema americano e ninguém se queixa, por isso deixem-se de tretas e apreciem o esforço que foi colocado para produzir este universo pois este mundo de fantasia indiano é fascinante e muito real.

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Em termos de design, fica aqui também o meu destaque para uma das melhores cidades de fantasia que apareceram no cinema do género desde Minas Tirith nos filmes de Peter Jackson. Temos aqui um caso em que uma complexa maqueta CGI foi criada para o cenário deste filme e parece ter sido explorada até ao último pixel. Quero com isto dizer que  [“Baahubali – The Beginning”] parece a todo o momento querer mostrar que o dinheiro que gastaram está todo no écran e nota-se. A maqueta da cidade parece que foi filmada de todos os ângulos e todo o filme está cheio de pequenos segmentos introdutórios de cenas que se iniciam cheios de ambiente porque começam sempre com uma visualização de um qualquer pormenor do cenário que termina onde começa a acção.
A arquitectura e a as cores em particular são fabulosas.

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O mesmo vale para o guarda roupa que como seria impensável num filme indiano não podia ser outra coisa senão espectacularmente colorido e imaginativo.
Como bom épico de fantasia que se preze também  [“Baahubali – The Beginning”] tinha que ter uma batalha com milhares de guerreiros à espadeirada no final e neste aspecto, embora não resulte particularmente bem em termos de adrenalina por razões que explicarei mais adiante, a verdade é que em termos de design, uso de cgi e ambiente geral o conflito final também é um dos pontos altos do filme, pois tecnicamente também não fica atrás do que se faz actualmente no cinema épico fora da India.

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E perguntam vocês…mas então  [“Baahubali – The Beginning”] é bom ?
Sim ou não ?
Bem… “nim”…

O cinema indiano é realmente algo à parte. Ou temos estômago para tanto estilo kitsh em modo “azeiteiro” e entranhamos tudo aquilo como uma experiência cultural e seguimos em frente ou então está tudo perdido e a coisa torna-se verdadeiramente secante , especialmente quando a coisa dura duas horas e meia que mais parecem quatro.
No que me toca, estou a meio termo. Normalmente tento entrar em “modo indiano” mas a verdade é que depois lá pelos 50 minutos de filme já começo a pensar que se calhar não me apetece ver aquilo tudo. Aconteceu mais uma vez neste filme também e estava com muita esperança que desta vez fosse diferente por causa de ter gostado tanto do trailer.
Mas mais uma vez também  [“Baahubali – The Beginning”] conta com certos pormenores que me irritam por demais no cinema Indiano e que sinceramente custo muito a ultrapassar.
E não, não estou a falar das cantilenas pindéricas azeiteiras dos moçoilos de bigode e das raparigas roliças que cantam e dançam por tudo e por nada nos filmes indianos.

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Isto porque surpreendentemente, desta vez  [“Baahubali – The Beginning”] é um filme indiano atípico. Talvez porque os produtores querem mesmo tentar projectar esta aventura no circuito de distribuição ocidental, as cantigas para o ar foram reduzidas apenas a dois momentos musicais ao longo do filme inteiro, o que não deixa de ser inesperado. Eu estava à espera de encontrar pelo menos umas 15 canções com dança ao longo do filme e isso não acontece de todo. A música está presente, mas está mais a servir de banda sonora nalguma montagem que faz avançar a narrativa do que propriamente encalha a história parando tudo para que os actores cantem e dancem como de costume. Desta vez a coisa é diferente para melhor.

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A primeira cantoria irritante (com uma canção pimba do mais kitsh e foleiro que possam imaginar), só aparece aos 50 minutos de filme e mesmo essa cena está bastante bem contextualizada dentro de um sonho do herói, o que na verdade alarga o tempo do filme mas não interfere na narrativa principal. Agora meus amigos, preparem o cérebro e o saco de vómito para o “videoclip” em estilo Jardim do Éden que lhes irá aparecer pela frente. Não digam que não avisei. Só as roupinhas do heroi valem o clip.

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A segunda cantoria com dança, acontece quase uma hora depois da primeira e tem lugar numa cena que mostram as bailarinas do palácio do vilão do filme. É uma breve cena musical que na verdade parece maior do que é porque é uma seca para quem como eu não suporta estas coisas no cinema Indiano, pois esta é longa demais e encalha a narrativa sem necessidade nenhuma.
E pronto em cantorias ficamos por aqui.

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Para minha surpresa neste filme, o problema desta vez não está em conseguirmos suportar os intermináveis números musicais. O problema agora tem mais a ver com a história e com os personagens.
Ou melhor, mais uma vez um filme como  [“Baahubali – The Beginning”] falha nas suas pretensões de se ocidentalizar porque não consegue fugir do estilo (pseudo) “dramático” em permanente estado de “overacting” em modo trágico dos actores/personagens.
Ou seja, o problema em  [“Baahubali – The Beginning”] é que os personagens não têm qualquer interesse porque não existe qualquer suspense e muito menos tensão dramática nesta aventura.
Os actores bem se esforçam, permanentemente aos berros, a chorar baba e ranho, a sofrerem imenso ao melhor estilo “Floribela”, ou então no registo oposto; em total modo de “comédia” azeiteira com gags de humor forçado onde inclusivamente os personagens parecem estar a dizer para o espectador … agora é para rir. Ou pior … a ser charmosos para o ecran !! Tipo, sou podre de bom !

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Não resulta. Mais uma vez o tradicional tom Indiano de caracterizar personagens e situações em modo ultra-melodramatico, versão esteroide não resulta fora da India.
Aquilo que para o público indiano será drama intenso, para um ocidental é uma verdadeira anedota.
Não tenho duvidas nenhumas que é esse tom que o público na India procura encontrar nos seus “dramas”, mas aos olhos do publico ocidental toda a carga dramática que deveria criar interesse na história pura e simplesmente desaparece para quem não tiver qualquer ligação com a cultura Indiana, porque o suposto dramatismo é tão extremo e ridiculo que anula por completo qualquer personagem ou situação que deveria ser de tensão.
Por exemplo, imagino o publico indiano a vibrar de ódio e suspense para com o vilão e a bater palmas com o herói , mas acreditem-me, para o público ocidental aquilo será humor involuntário do mais pindérico.

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O problema de  [“Baahubali – The Beginning”] está nos personagens. Simplesmente não resultam dramaticamente, são de uma piroseira total em termos cómicos e depois as suas histórias pessoais no decurso da própria narrativa principal são completamente sem nexo. Mais uma vez, tenho a certeza que isto resultará plenamente na India, mas por cá, meus amigos , certas cenas chegam a atingir momentos insuportáveis em que só apetece ligar para o argumentista e perguntar qual era a ideia. E eu nem costumo ser muito picuínhas com estas coisas. Acontece que em  [“Baahubali – The Beginning”] tudo parece desconexo, ilógico ou simplesmente piroso, o que destrói por completo qualquer carga dramática que a história pedia para ser minimamente interessante de seguir.
Não é. Esta história não tem qualquer interesse porque o tom de piroseira constante anula qualquer empatia com um publico que não tenha afinidades com a cultura indiana.

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[“Baahubali – The Beginning”] não cria qualquer empatia com o espectador em termos de personagens e até naquilo que costuma ser o forte no cinema oriental (pelas bandas do Japão ou da Coreia do Sul), as suas boas histórias de amor muito humanizadas e cheias de carísma, no caso deste filme Indiano, esqueçam. É pior que todos os filmes do Twilight juntos. Eles amam-se porque são muito giros e gostam um do outro e tá feito.
Não é este o caminho para a ocidentalização do cinema Indiano.
O excelente design e bons efeitos digitais não servem de nada se depois não conseguem sair do estereotipo Indiano na forma como desenham personagens de cartão em qualquer interesse pois nunca sentimos que aquelas pessoas estão em perigo, ou a viver um drama real.

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Temos o herói que em estilo moisés foi salvo de morrer afogado num rio e criado por camponeses até que se torna um bigode com pernas muito óleoso em termos de carisma azeiteiro com tiques de mandar olhares charmosos para a camera, temos o vilão que é mau porque sim e que usurpou o trono do monarca bom, temos a ex-raínha que vive prisioneira na praça da cidade acorrentada há mais de 25 anos à espera do filho que perdeu um dia, temos o escravo que por motivos de honra contribui mais para a desgraça de toda agente quando podia ter resolvido a situação e ter escapado há muito tempo, temos personagens árabes que não servem para nada (pelo menos para já), temos grupos de rebeldes que podiam estar num filme dos Monty Python e temos a Keira Knightley… ooops, perdão, a pirata das caraíbas… quer dizer a –princesa guerreira– que é uma psicopata do caraças e não tem problemas em decapitar soldados que se renderam ao melhor estilo radical islâmico (mas é boa moça).

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E por falar em decapitar, sangue visceras e tudo o que gostariamos de ver numa batalha.

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[“Baahubali – The Beginning”] tem montes de sangue, gargantas cortadas, decapitações e coisas assim ao longo de todo o filme. Isto até chegar à batalha final.
Depois estranhamente no conflito entre os dois exércitos… há lâminas por todo o lado mas nem uma gota de sangue. Os soldados levam espadeiradas e apenas saltam no ar em estilo banda desenhada do Asterix ou total modo cartoon da Warner Bros.
Em vez do filme continuar com gore sangrento como seria de esperar, isso não acontece de todo e de repente a batalha do final, que já tinha pouco suspense, fica ainda menos interessante pois o filme resolve entrar em auto-censura (?) precisamente nesse momento no que respeita a gente cortada aos bocados e ao sangue que (não) mostra.

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E já lhes falei do – “CGI” ?…
Não ?
Bem me parecia.
Mas não vão acreditar nesta.

Em  [“Baahubali – The Beginning”] sempre que aparece uma cena com animais (estes são todos criados em animação digital renderizada).
Até aqui tudo bem, certo ?
Errado.
Em  [“Baahubali – The Beginning”] sempre que aparece uma cena com animais, de repente surge no canto inferior esquerdo um pequeno logotipo a dizer precisamente “CGI” !!!!
Juro !!!

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Acontece primeiro numa cena em que o vilão mata um touro numa arena em estilo tourada Indiana e depois volta a acontecer precisamente no meio das cenas de batalha no final do filme !! Ora se estas já não têm qualquer adrenalina por tudo se parecer tão politicamente correcto e “infantil”, (além dos personagens sem interesse), imaginem agora que de cada vez que a camera muda de ângulo, se o breve take mostrar um cavalo, um touro, ou outro bicho qualquer no meio da batalha de repente lá está ao canto do écran “CGI” !!!
Parece anedota !!!

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Ah, depois o filme acaba a meio.
Ok, está bem, chama-se  [“Baahubali – The Beginning”], mas não pensei que fosse literalmente o inicio e nos deixasse pendurados.
A segunda parte sai ainda este ano.

Ah, mas acaba com um bom twist.
Eu fiquei com vontade de ver o resto e ainda não sei bem porquê. Muito provavelmente porque preciso recuperar do choque pindérico que esta produção provoca.
Sendo assim, vamos a conclusões.

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CLASSIFICAÇÃO para quem gosta de cinema Indiano:

Se gostam de cinema Indiano mesmo a sério e conseguem suportar todos aquele clichés tradicionais, acho que vão adorar [“Baahubali – The Beginning”] pois contém todas as formulas de Bollywood mas com menos canções desta vez.
De qualquer forma se gostam de cinema daquela parte do mundo, acho que nunca viram nada nesta escala e irão gostar pois é capaz de ser realmente a maior produção de sempre em Bollywood e nota-se bem a todo o instante no ecran.
Se aguentam a piroseira oleosa reinante, esta produção valerá mesmo a classificação de excelente.

Cinco tigelas de noodles.
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Para os outros… 😉

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CLASSIFICAÇÃO para quem não gosta ou não conhece cinema Indiano

Se não têm paciência para cinema Indiano…  [“Baahubali – The Beginning”] é apenas uma boa tentativa Indiana de criar um espectáculo de fantasia que só falha porque ter bom design e bons efeitos especiais não chega quando o estilo dramático continua a ser culturalmente restrito ao que o público indiano considera desenvolvimento de personagens. Com muita pena minha leva apenas três tigelas de noodles, porque é (subjectivamente) bom e vale a pena tentarem vê-lo pelo menos uma vez se gostam de cinema de fantasia; mas só é “bom” porque nota-se no écran o esforço da produção para criar um bom espectáculo de aventura a nível visual.
Infelizmente depois falha por completo a nível dramático.

Tres tigelas de noodles.
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Avancem com cuidado. [“Baahubali – The Beginning”] se calhar nem sequer merecerá três tigelas de noodles, mas por agora fica assim e vamos ver o que acontece na segunda parte um dia destes. Não será um filme que irei rever tão cedo, provavelmente nunca.

A favor: O ambiente visual do filme, o design da cidade de fantasia e as paisagens matte painting em geral. Não tem momentos musicais aos montes ao contrário do que costuma acontecer nos filmes indianos onde cantam e dançam por tudo e por nada. Algumas cenas de acção são divertidas. Se gostam de cinema kitsh vão adorar.

Contra: A carga dramática não existe (no “melhor” estilo exagerado do cinema indiano), os personagens são na sua maioria um vazio absoluto ilógicos e sem qualquer carisma, sem personagens a história cai por terra e perde o interesse porque toda a gente que aparece no écran está em permanente modo de –overacting– ao pior estilo cinema indiano numa historia onde os maus são muito maus e os bons são muito bons. Por causa disto, a batalha final não tem qualquer impacto ao contrário do que aparenta no trailer. Anda muita gente à porrada de um lado para o outro mas falta adrenalina às sequências pois é tudo muito anónimo em termos de acção (os vilões não nos interessam porque não os conhecemos o suficiente; os herois são um vazio absoluto). O desiquilibrio entre as varias cenas gore ao longo do filme; muito sangue inesperado na primeira metade do filme mas depois na guerra do final não há sangue em lado nenhum e tudo parece um cartoon sem chama. Mete “orcs” indianos… Sempre que aparecem animais no filme aparece também um logotipo ao canto do écran a dizer “CGI” o que se torna não só ridículo mas distrai a atenção de tudo o resto nesse momento. Sem tem uma banda sonora orquestral, nem me lembro. Os (poucos) momentos musicais são uma piroseira ao pior estilo Bollywood. A história de amor que supostamente seria um dos pontos centrais da narrativa não tem qualquer emotividade, carisma ou interesse. Parece um filme ainda maior do que já é. O trailer é melhor que o filme pois tem a adrenalina e o ambiente de aventura entusiasmante que depois não existe em [“Baahubali – The Beginning”].

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer

Trailer da segunda parte:

Comprar Blu-ray
http://www.amazon.co.uk/Bahubali-Hindi-English-Subtitles-Regions/dp/B0156J9O8I/ref=sr_1_2?s=dvd&ie=UTF8&qid=1456006658&sr=1-2&keywords=bahubali

Comprar Dvd
http://www.amazon.co.uk/Bahubali-Hindi-English-subtitles-Blockbuster/dp/B015TUBDME/ref=sr_1_1?s=dvd&ie=UTF8&qid=1456006658&sr=1-1&keywords=bahubali
IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2631186/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Promise The Myth Shinobi

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Cinema_oriental_no_facebook

 

San Wa (The Myth – O Mito) Stanley Tong (2005) China


Não sou propriamente um fã de filmes com Jackie Chan, mas por outro lado se calhar a minha aversão ao actor tem mais a ver com a imagem que Hollywood criou dele do que propriamente com o seu real trabalho, pois reconheço que vi muitos poucos dos seus filme e o que vi foram aquelas comédias desmioladas da sua fase americana que espreitei ás vezes na tv.
Por outro lado sempre tive as melhores referências do seu trabalho no cinema oriental e como tal tenho grande curiosidade em espreitar os filmes feitos no seu país natal, coisa que estou a tentar fazer aos poucos, embora ainda com alguma cautela pois por mais que tente não consigo afastar a má imagem que tenho dele por causa da aura de palhaço que os americanos lhe criaram.
Por isso quando li, que Chan tinha um novo filme em que regressava ao cinema de Hong Kong, fiquei curioso. Ainda para mais porque as reviews espalhadas pela net, diziam que [“The Myth“] era uma lufada de ar fresco na carreira do actor e uma muito boa tentativa de se reinventar com a produção de um projecto de qualidade após tanto filme banal na América.

Resolvi espreitar também. Embora o tenha feito da maneira mais parva, pois fui estúpido o suficiente para comprar a edição portuguesa do filme, o que cedo me arrependi, pois o dvd português não contém a pista de som original em mandarim, mas apenas a dobragem em “americano”.
Mesmo assim, a primeira vez que vi o filme dobrado em “gringo” diverti-me como há muito não acontecia com um filme. Nem a dobragem ridícula em inglés conseguiu estragar [“The Myth“].

Sendo assim, se já tinha gostado do filme até dobrado, só podia adorar a versão original e portanto lá fui até á Play-Asia voltar a comprar o filme na sua edição a sério e curiosamente paguei menos pela excelente edição de trés discos asiática do que me custou a foleira edição gringa em Portugal, o que mais uma vez demonstra como compensa comprar dvds fora daqui.
Ainda por cima a edição chinesa, nem sequer se deu ao trabalho de incluir a dobragem em inglés o que só lhe ficou bem. Mas sobre isto falarei mais abaixo.
Voltando ao filme, se eu já tinha gostado dele a primeira vez que o vi, então da segunda vendo-o com a verdadeira pista de som [“The Myth“]  ainda me pareceu melhor, pois ganhou um tom ainda mais dramático porque afinal as vozes de alguns personagens não eram vozes de desenho animado o que deu logo uma vertente bem mais séria ao filme, embora isto não queira dizer que todo o conjunto não continuasse muito divertido.
Essencialmente este filme é um excelente filme de aventuras e isso não há dobragem que possa estragar.

Imaginem um cruzamento entre Indiana Jones, James Bond e o excelente filme oriental Hero e obtêm [“The Myth“] sem tirar nem pôr.
A isto juntem depois uns pózinhos de História Interminável com uma pitada de Tomb Raider (o jogo, não o filme) e a coisa ainda fica melhor.
É óbvio que sendo [“The Myth“]  um filme de Jackie Chan, era inevitável que tivesse as suas habituais acrobacias e momentos de humor baseados nelas, mas até nisso este filme é diferente, pois essas partes estão bem mais contidas (dizem), do que é habitual nos filmes dele e de certa forma acho que senti isso, pois todas as sequências estão lá mesmo para servir a história e não me lembro de nenhuma cena de luta que lá esteja de forma gratuíta…a não ser talvez um par de sequências que envolvem a actriz indiana Mallika. Mas se eu fosse o Chan, se calhar também arranjaria qualquer pretexto para continuar a gravar mais uma ou duas cenazinhas de contacto físico com a Mallika, se é que me entendem…

De qualquer maneira, fraquezas á parte, não há absolutamente nada neste filme que não seja divertido. A história divide-se em duas partes, uma é passada na época medieval e envolve a história de um general que se apaixona pela princesa que tem de proteger e a outra decorre actualmente e seguimos as aventuras de um arqueólogo que anda na pista de algo que o fará envolver-se mais com o passado do que ele esperaria.
É que um dos temas deste filme oriental é precisamente a reencarnação, como tal Jackie Chan interpreta os dois principais personagens neste caso o arqueólogo moderno e o general medieval.
E não vou contar mais para não estragar o prazer de descobrirem o argumento por vós próprios.
Não esperem um argumento muito sério, deixem o cérebro de fora da sala por duas horas e vão divertir-se muito certamente, especialmente se já sentem saudades de algo no formato de um Indiana Jones.

O que não quer dizer que o filme não tenha o seu lado dramático. Além do final incomum, a parte medieval é um contraste absoluto com a sequência moderna contemporânea e é aqui talvez a única falha “grave” deste [“The Myth“], pois a certa altura parece que estamos a ver dois filmes que não se conseguem misturar devido á diferença de tom narrativo entre as suas duas metades do argumento.
Enquanto que as partes estilo Indiana Jones são do mais divertido que possam imaginar com sequências de acção bem ao estilo de Chan a piscar o olho a Spielberg sempre num tom descontraído e muito bem disposto, já as sequências medievais adquirem um tom bem mais realístico e dramático ao bom estilo do drama romântico oriental, demonstrando até que Jackie Chan afinal é bem melhor actor do que parece á primeira vista, pois convence em absoluto enquanto general medieval com destino trágico marcado.

Se estas duas metades da história fossem dois filmes diferentes, tudo resultaria em pleno, no entanto estranhamente fazem parte de um único filme e não conseguimos evitar ficar com a sensação de que algo falha na maneira como os dois lados da história nunca se misturam bem, o que chegando ao final de repente temos a ideia de que a junção de tudo ficou um bocado forçada apenas porque era necessário terminar o filme com uma grande sequência de acção e efeitos especiais.
Não que na realidade me esteja a queixar muito, mas que [“The Myth“], é um filme diferente isso podem crer que é.

Mas não se preocupem, não será por causa de pequenos pormenores como este que o filme se torna um filme menor.
Aliás dentro dos filmes comerciais de puro entretenimento, [“The Myth“], deve ser das coisas mais divertidas e imaginativas que me lembro de ver pela frente em muito tempo. Afinal a quantidade de referências é tanta e a mistura de géneros é tão alucinante que é quase um milagre este filme não se ter descarrilado a meio e ter-se mantido tão coeso do princípio ao fim.
Nunca perde o fôlego, está constantemente a pregar-nos surpresas com a mistura de géneros, é divertido como poucos e ainda por cima consegue ter momentos sérios e românticos bem conseguidos.
E cor, este filme tem muita cor. Aliada a uma estética que embora não seja original, consegue ainda algumas imagens deslumbrantes, particularmente nas sequências Indianas.

Estou a tentar lembrar-me de algo verdadeiramente negativo para apontar aqui e não consigo.
Até a banda sonora é excelente.
Apesar de ser um filme híbrido, a verdade é que funciona plenamente enquanto filme de grande aventura, os efeitos especiais são um bocado á base de CGI plástico mas muito deslumbrantes, as paisagens são fantásticas e as cenas de comédia estão plenamente conseguidas, por isso o que se pode pedir mais ?….
Bem, que tal uma edição decente deste filme em Portugal ?…É que o original tem um som em DTS do c#$%&” meus amigos. Espectacular.  Seria agradável que edição portuga se tivesse lembrado disso.

De qualquer maneira passemos á frente.
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CLASSIFICAÇÃO:

Apesar de lhe faltar aquele toque especial, [“The Myth“], é no entanto uma verdadeira surpresa e um excelente filme de aventuras dentro do cinema oriental para quem gosta de temas sobrenaturais com cheirinho a Indiana Jones.
Deixem o cérebro descansar e divirtam-se.
Quatro tigelas de noodles porque apesar de tudo a realização é muito corriqueira e nunca consegue elevar o filme a um nível que merecia ter tido.
Mas não pensem que isto é apenas uma cópia banal dos formatos americanos de aventura, pois há muito mesmo de cinema oriental neste filme.
Muito bom.

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A favor: o estilo Indiana Jones, o feeling de aventura clássica, as cenas de acção com comédia integrada, as cenas de acção e batalha dramáticas nas sequências no passado, a grande imaginação visual em alguns momentos, bom design de produção, o tom dramático e romântico de uma das metades da história, a fotografia que brilha em alguns momentos inspirados, a overdose de efeitos especiais imaginativos apesar do cgi simples, a banda-sonora, o final pouco usual num filme deste estilo.
Contra: as duas metades da história nunca se ligam como deveriam, o realizador nunca consegue criar uma identidade visual própria como este filme merecia apesar dos seus bons momentos, o vilão moderno é demasiado cartoonesco para ser levado a sério e por isso nunca há suspanse na sua ameaça, a Mallika aparece sempre com roupa a mais e não entra durante o filme todo. 😉

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer Chinês
http://www.youtube.com/watch?v=iosEqVfHESg
Trailers Americanos (mas será que ninguém dá um tiro neste announcer?) 🙂
http://www.youtube.com/watch?v=tcK1vl36dUs
http://www.youtube.com/watch?v=1pSc0czs0yM&feature=related

Se estiverem interessados em comprar este filme, recomendo que evitem a todo o custo a edição portuguesa que além de apenas conter o filme dobrado “em americano” e não trazer a versão original, ainda por cima tem uma única pista de som apenas em stereo 2.0, quando deveria trazer um 5.1 normal e um DTS fantástico tal como acontece nas edições fora do nosso país.
Mais uma vez em Portugal editam-se os filmes orientais ao calhas apontados aos cestos de promoções de hipermercados e não se investe numa promoção a sério dos mesmos que poderia trazer muito mais público á descoberta deste cinema.

A dobragem em inglés é do piorio o que adiciona algum humor não intencional a muitos dos momentos do filme, pois algumas das vozes parecem saídas de um desenho animado. Por causa disso, na versão dobrada em inglés, o amigo do heroi parece muito mais palhaço do que na realidade é.
Na pista de som original em chinês a sua personagem tem um cunho bem mais sério do que parece por causa da ridícula dobragem americana.
Sugiro a compra da mesma edição mas na sua versão completa como deveria ter chegado a Portugal e não chegou e que podem encontrar como habitualmente na Play-Asia.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-6w-49-en-15-the+myth-70-yvv.html

Em alternativa já existem também boas e baratas edições á venda na Amazon Uk em DVD e/ou Blu-Ray.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0365847/

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Filmes semelhantes que lhes poderão interessar:

A Chinese Tall Story Shinobi The Promise

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