Ji jie hao (Assembly) Xiaogang Feng (2007) China


O chamado Filme de Guerra não será propriamente o meu género favorito. Mas de vez em quando aparece-me pela frente uma daquelas obras que por momentos me fazem realmente duvidar se gostarei tão pouco assim de filmes de guerra ou não.
[“Assembly“] é um desses filmes.

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É um daqueles que está na minha lista de coisas que nunca me apetece muito rever, mas se o coloco no dvd já não consigo parar de olhar para ele até surgirem os créditos finais, por isso se calhar até devo gostar mais de filmes de guerra do que penso.

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Acho que ainda estou traumatizado com a decepção que apanhei no – Saving Private Ryan – que deve ser possivelmente um dos filmes que mais me aborreceram no cinema em muitos anos.
Na altura apesar de ter ficado impressionado com a sua violenta e entusiasmante abertura, detestei em absoluto todo o tom patriótico americano com a sua estrutura absolutamente previsível que acompanhava o resto do filme de Spielberg. Sendo assim mantive-me afastado de cinema do género durante anos e só regressei a ele há muito pouco tempo.

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Um dia apeteceu-me comprar a série – Band of Brothers – e para grande surpresa minha fiquei tão impressionado com aquilo que dei por mim procurando por coisas semelhantes que pudessem entusiasmar-me tanto aquela série televisiva o fez.
Não fazia ideia nenhuma que existia uma produção de guerra made-in-china como esta.
Já tinha visto e adorado – The Warlords – e por causa de ter ficado tão bem impressionado com o filme decidi espreitar se os chineses teriam filmado algo mais contemporaneo que eu desconhecesse.

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Encontrei então este [“Assembly“] num torrent e saquei-o só para espreitar, pois apesar de ter ficado impressionado com o trailer o estigma do Soldado Ryan estava ainda na minha mente e não me apetecia comprar outra coisa semelhante.
No entanto, depois de ver os primeiros vinte minutos da cópia sacada parei o filme e fui comprar o dvd na amazon Uk pois inclusivamente na altura estava a uns meros 3€ já com portes numa daquelas promoções especiais de Natal.

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[“Assembly“] na minha opinião limpa o chão com a sequência inicial do filme de Spielberg e consegue incluir um segmento dramático a condizer na sua metade final sem precisar de recorrer a esvoaçares de bandeira e a sentimentos de soap-opera pré-fabricados e formuláticos para americano bater continência.
No entanto, [“Assembly“] não deixa de ser um filme patriótico. Aliás, nota-se claramente que é um produto que tenta passar uma imagem humanizada do exército comunista chinês e certamente terá tido o apoio do partido na sua produção.
Acontece que consegue realmente passar uma imagem humanizada do soldado comum.
Um dos grandes trunfos deste filme é que consegue contornar o facto de eventualmente poder ter sido um filme de propaganda mas nunca nos atira isso á cara quando nos apresenta os personagens.

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Os soldados de [“Assembly“] apenas por acaso pertencem ao exército vermelho, pois poderiam pertencer a um exército de qualquer país. Toda a sua caracterização assenta sempre nas pessoas que vivem uma guerra e não na política que a envolve ou sequer na pose de herois orgulhosos de servirem a pátria ou qualquer bandeira esvoaçante num estrelado céu azul. A honra militar está sempre presente mas nunca nos é atirada á cara em linhas de diálogo ou sequer importa para a caracterização humanizada dos personagens.

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O último lugar em que o soldado comum de [“Assembly“] quer estar é na guerra em que se vê envolvido, está-se borrifando para a política que serve e apenas gostava de estar longe dali.
Toda a base do drama está na importância das pessoas e não na importância patriótica de uma missão ou sequer de uma ideologia ou maneira de se achar posicionado no mundo.
Os personagens não se acham salvadores de nada, não estão interessados em serem herois e apenas gostariam de sobreviver.

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Essencialmente este filme oriental dá-nos provavelmente uma das imagens mais reais do que será estar no meio de um campo de batalha e por esse prisma consegue efectivamente passar uma boa imagem do que será pertencer ao exército chinês sem precisar de o anunciar como um panfleto patriótico ao estilo do que é costume no cinema americano, o que não deixa de ser estranho pois realmente a parte final deste filme poderia ter descambado numa total apologia óbvia do regime chinês e de como tudo é bom no seu exército.
Portanto, ponto positivo, a maneira como contorna o mais que pode, a evidente “influência” do regime político a que este filme pertence e nos apresenta um filme sobre pessoas.

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[“Assembly“] pode ser um filme sobre pessoas, mas também é um filme sobre muitos bocadinhos de pessoas, pois o que não falta nisto são pessoas aos bocados. Há para todos os gostos, pessoas estripadas, pessoas a arder, pessoas decepadas, pessoas que explodem e cabeças que voam. Tudo isto regado a baldes de sangue e tripas com o aspecto mais real que alguma vez vi num filme sobre guerra.

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Se gostaram dos primeiros vinte minutos do Soldado Ryan pela sua crueza e violência preparem-se para levar com o mesmo elevado ao cubo mas agora durante mais de 70 minutos quase seguidos (com as devidas pausas dramáticas para descansar o espectador claro está).
[“Assembly“] impressiona.
Quem pensa que já viu tudo no que toca a sequências de batalha pode preparar-se para ficar impressionado. Este é um daqueles filmes que é de ver para crer e ainda não sei se os chineses não terão morto metade do elenco para filmar as cenas de guerra que esta obra contém.
Este é mais outros daqueles filmes perfeitos para vocês mostrarem áquele vosso amigo que ainda pensa que só se fazem cenas de acção e efeitos especiais a sério em Hollywood.

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Básicamente conta a história de um único soldado que sobreviveu a uma grande batalha e passou os seguintes anos da sua vida a tentar provar que todos os seus homens foram esquecidos pelo regime chinês. A batalha foi tão violenta que se perderam todas as provas de que um batalhão de homens alguma vez terá participado nela e como tal tudo gira á volta do que se passou para que depois um único homem tenha conseguido contra tudo e contra todos sózinho elevar todos os seus soldados perdidos á categoria de herois nacionais.

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Quem já pensa que revelei demais, se calhar é melhor ver então o filme, pois estranhamente este é mais um daqueles em que o espectador nunca tem bem a certeza de quem vai morrer e muito menos de quem serão “os herois”, porque essencialmente [“Assembly“] apesar de ter características de blockbuster felizmente não tem de forma nenhuma a estrutura que costumamos encontrar no cinema americano do género.

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Por causa disso pode provocar até alguma estranheza no espectador, porque depois de duas primeiras partes absolutamente espectaculares em termos de sequências de batalha, baldes de sangue e efeitos especiais, subitamente o filme entra por uma última parte bastante calma, intimísta e até algo poética.
Sendo assim aproveitem bem os primeiros 80 minutos de porrada absolutamente hipnótica e espectacular, mas preparem-se para uns últimos 40 ou cinquenta de cenas bem mais calmas e essencialmente dramáticas que concluem toda a demanda de um só homem para resgatar a reputação de dezenas de soldados perdidos.

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Já agora, nota alta para os actores e em especial para o protagonísta da história que tem um daqueles desempenhos que ficam na memória até muito mais do que os próprios efeitos especiais absolutamente impressionantes deste filme e portanto até aqui [“Assembly“] consegue muito bem equilibrar a pirotécnia com o humanismo em que assenta uma história que pode até exaltar os valores humanistas de pessoas que nasceram debaixo de um regime comunista mas que numa última análise conta a história de todos os soldados do mundo.

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CLASSIFICAÇÃO:

Possivelmente o filme de guerra com as cenas de batalha mais espectaculares que poderão ver na vossa vida até este momento. Quem acha que o – Saving Private Ryan – teve uns 20 minutos iniciais impressionantes, esperem só até verem os 70 “minutos iniciais” de [“Assembly“].
Nota alta para o som do dvd que quase nos faz baixar a cabeça e desviar-nos das balas a todo o instante.
Um filme visualmente muito complexo em termos técnicos mas que nunca esquece o humanismo dos personagens e consegue manobrar habilmente por entre ideologias políticas apresentando-nos um filme sobre o soldado universal e os efeitos da guerra sem nos atirar directamente com um filme-panfleto a exaltar virtudes do exército chinês. Não deixa de ser um inevitávelmente um filme panfletário que tenta humanizar o exército vermelho mas nunca nos tenta impingir nada e consegue ter um tom universal.
Recomendo completamente.
E se gostarem mesmo de filmes de guerra então podem acrescentar mais meia tigela de noodles á minha classificação e até um Golden Award pois [“Assembly“] é um dos melhores filmes de guerra do mercado, ponto final.
Se estão a pensar comprar um projector, este é um daqueles filmes que justifica tal compra e será o dvd perfeito para o estrearem, pois isto no meu ecranzinho de mais de trés metros é absolutamente brutal (com surround a condizer) !
A minha classificação é mais dirigida a todos aqueles que como eu se calhar ainda pensam que nem gostam muito de filmes de guerra…sendo assim, quatro tigelas e meia de noodles, talvez até algo injustamente.

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A favor: o humanismo dos personagens suplanta sempre o eventual tom panfletário de apoio ao regime chinês, a realização é absolutamente incrivel nas cenas de acção e perfeitamente contida no segmento final mais intimista e dramático, as cenas de batalhas são absolutamente reais e até vão ter que limpar as cinzas de cima de vocês, os personagens e a incerteza sobre o seu destino, casting e interpretações , banda sonora, cenografia a condizer com uma fotografia perfeita, a montagem nas cenas de guerra é perfeita, o sentido de espectáculo que nunca se perde, os fabulosos efeitos especiais, nunca perde a carga dramática e o seu final intimista embora algo desconcertante depois de vermos quase hora e meia de bombas e tiros é no entanto muito bom.
Contra: quem espera um filme de aventuras não o irá encontrar aqui, algumas pessoas poderão achar a parte final algo lenta e deslocada especialmente depois de verem tanto tiro o bombas e socos nas trombas durante mais de 70% do filme, o inevitável estilo panfletário está presente embora plenamente contido.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=8KJKgAefkwA

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COMPRAR
Esta excelente edição Inglesa ainda continua a um preço fantástico na Amazon Uk. Comprem o DVD.

Se preferirem o Blu-Ray…está a um óptimo preço também e quanto a mim é de aproveitar.

E para quem quiser espreitar o filme antes, encontra-o no blog do Asian Space se clicar aqui mas não esperem levar aquele impacto que levariam se vissem isto com um som como deve de ser em dvd ou blu-ray…

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0881200/

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Kwong saan mei yan (An Empress and the Warriors) Siu-Tung Ching (2008) China


Desde que comprei o dvd, tive este filme durante semanas a fio na estante á espera de arranjar vontade para o ver e por isso ainda bem que o arrependimento não mata senão isto era o fim do blog.
Se procurarem na net, irão encontrar inúmeras reviews de dvds ou críticas de cinema e nenhuma delas está particularmente impressionada com esta obra, coisa que acabou também por me afastar do dvd durante este tempo todo pois estava plenamente convencido que [“An Empress and the Warriors“] não seria nada de especial.

Na verdade acho que nunca encontrei nenhuma crítica realmente negativa ao filme mas também o nível de entusiasmo nunca foi muito e sinceramente agora que o vi não compreendo de todo a razão deste não ter tido o reconhecimento que na minha opinião merece e pelo visto também na opinião de mais algumas pessoas que comentaram muito positivamente sobre ele no imdb.
Um desses comentários tem por título “much better than any many US boring movies” e acho que de uma forma geral quase que resume uma das grandes razões porque este filme merece ser muito mais popular do que aparentemente é.

E resume por uma simples razão, [“An Empress and the Warriors“] se fosse um produto americano seria outro daqueles filmes que já vimos mil vezes, com os ingredientes do costume, com as cenas de acção habituais e com os personagens-tipo que aparecem sempre neste género de história.
Se [“An Empress and the Warriors“]  fosse um filme made-in Hollywood seria certamente mais um daqueles “policiais” de acção que os americanos produzem ás carradas cheios de aventura, romance de cordel e porrada de plástico quanto baste.
Acontece que lá para os lados da China, o equivalente oriental do filme de acção americano actualmente já nem são os filmes de Karaté ou os de Máfia com Tríades mas sim parece estar na moda o género do Épico Histórico.

Desde que “O Tigre e o Dragão” modernizou o estilo Wuxia e o tornou comercial no ocidente, parece não haver época do ano em que a China não produza mais uma epopeia medieval. Quem sabe a tentar de novo ter um sucesso além fronteiras como aquele que ocidentalizou o género.
Sendo assim não há dúvida nenhuma que [“An Empress and the Warriors“] é um filme asiático comercial, diria mesmo, muito comercial e isso nota-se perfeitamente a todo o momento porque ao longo da sua duração acaba por fazer algumas concessões que se calhar poderia ter evitado. Não que isto o tenha prejudicado particularmente mas teria sido um filme oriental mais especial se na verdade não se tivesse esforçado por ser tão ligeiro a todo o instante.

[“An Empress and the Warriors“] tem um aura imediatamente tão comercial que quando começou, a primeira coisa que pensei foi que já me tinha lixado e tinha comprado outro “Shinobi” porque o filme parecia esforçar-se tanto para meter estilo que fiquei imediatamente com receio de que o resto tivesse ficado para segundo plano. Felizmente enganei-me.
Há muito tempo que não me divertia tanto com um filme de aventuras medievais.
A partir de certa altura [“An Empress and the Warriors“] remeteu-me imediatamente para algo equivalente no ocidente áqueles filmes (já mais antigos) sobre o Rei Artur e a Távola Redonda cheios de castelos, cavaleiros, armaduras e onde nem falta uma “Excalibur” chinesa.
Apenas aqui tudo tem um ambiente oriental tão bem trabalhado que quase coloca esta obra dentro do género -Fantasia- pela forma como toda a atmosfera está criada.

A história não tem um pingo de originalidade e básicamente tudo gira á volta da típica intriga de sucessão real onde há sempre um “mau” que quer ser “califa no lugar do califa” e por isso pelo caminho resolve limpar o sebo a todos os “bons” que se colocam na sua frente.
Apenas desta vez a personagem principal em vez de ser um príncipe que herdou o trono, é uma princesa o que inevitávelmente é logo motivo também para introduzir no filme a inevitável história de amor com o triangulo amoroso do costume mas mais uma vez muito bem trabalhado, evitando até algum cliché mais dramático e que serve muito bem como história paralela á intriga sobre a sucessão do trono e divisão de reinos.

É verdade que já vimos isto antes, mas possivelmente o que ainda não viram foi uma obra tão comercial dentro deste estilo asiático com os elementos tão bem equilibrados.
A maneira como a falta de originalidade da história é contornada visualmente é logo uma mais valia.
Não sendo uma mega produção [“An Empress and the Warriors“] soube contornar as suas limitações com duas coisas que para mim tornam este filme muito especial.
Para começar o design do guarda roupa é absolutamente fascinante. Eu que nem ligo muito a este aspecto desta vez foi logo a primeira coisa que me chamou a atenção. Practicamente todo o filme é composto por personagens de armadura e tudo é absolutamente notável pois os seus pormenores visuais dão uma identidade única a este filme mesmo para quem já viu dezenas de filmes medievais.
Se gostam muito de filmes com cavaleiros pelo romantismo que a própria idumentária dos personagens evoca, este é o vosso filme.

Mas não só de guarda roupa vive um filme e se os personagens não tivessem um mundo igualmente imaginativo para povoarem tudo poderia ter falhado redondamente, no entanto [“An Empress and the Warriors“] apesar de não ter tido orçamento para nos mostrar uma grande variedade de ambientes soube aproveitar ao máximo não só as mágnificas paisagens naturais da China como principalmente os cenários que foram construídos. Acreditem-me, vocês vão adorar as paisagens desta história simples mas muito bem contada.
Este filme deve ter a melhor “casa da floresta” que já apareceu numa história deste estilo e só esse local é suficiente para transportar este conto medieval quase para o género da pura Fantasia ao melhor estilo Lord of the Rings. Embora sem elfos ou dragões, algumas cenas deste filme são absolutamente mágicas na sua simplicidade e transportam-nos imediatamente para um mundo “imaginário” que por acaso até se passa numa China antiga mas pelo seu ambiente bem que se poderia passar na Terra Média ou num planeta distante bem longe da Terra, que não haveria diferença.

Isto e mais um par de pormenores visuais que deixo para vocês descobrirem acabam por dar uma identidade ao filme que nos faz gostar de o acompanhar do princípio ao fim sem se instalar qualquer sensação de monotonia.
Também mais uma vez a capacidade dos orientais para pegarem em clichés de argumento mil vezes já vistos e no entanto conseguirem dotá-los de alma e humanidade volta a surpreender.
Não só toda a parte de intriga e aventura resulta plenamente, como ainda por cima [“An Empress and the Warriors“] é um filme absolutamente romântico ao melhor estilo do cinema do género oriental e consegue equilibrar de uma forma absolutamente perfeita a parte bélica com o coração emocional da história, ligando tudo por um fio condutor que acima de tudo, mais uma vez se baseia na humanização dos personagens; facto que continua a ser um dos grandes trunfos do cinema oriental hoje em dia face ao plástico encenado que nos chega habitualmente de Hollywood salvo raras excepções.

Mais uma vez, personagens que á primeira vista também desta vez pareciam de cartão, vão ganhando (sabe-se lá como) uma alma á medida que o filme evolui; de tal forma, que a meio da história já nos prendem por completo e conseguem colocar o espectador a torcer pelo seu destino até á excelente e clássica resolução final para todos eles, com que esta obra termina.
Isto com a mais valia de que, como disse alguém no imdb, ao contrário daqueles “”…many US boring movies” no cinema oriental por muito formulático que seja nunca há propriamente a garantia de que as coisas tenham uma resolução prevísivel ao estilo americano. Coisa que mais uma vez também se demonstra com esta obra, conseguindo criar um certo grau de incerteza no espectador até ao fim pois felizmente não estamos mesmo na presença de um filme americano e como tal, tudo o que pode acontecer, acontece mesmo.

A esta altura já vocês estão a perguntar pelas cenas de porrada não é ? Afinal isto é ou não um filme com cavaleiros, espadeirada e batalhas épicas ?
Bem, essencialmente na verdade é uma história de amor com armaduras, mas isto não quer dizer que não tenha a sua dose de cenas de acção e muito boas por sinal.
Este é um daqueles filmes que não desagradará a quem procura boas cenas de guerra medieval num tom realístico. Há várias sequências de batalha espalhadas ao longo do filme e todas são não só diferentes, como emocionantes de se acompanhar e ainda por cima estão muito bem filmadas pois é nestas alturas que o filme ganha uma adrenalina e uma intensidade que depois vem justificar muito bem o equílibrio com a parte romântica da história.

Apesar de curtas, visualmente as batalhas são mágnificas, o ambiente é excelente e a montagem é perfeita criando uma espectacularidade emocionante nas coreografias de luta, tanto nas cenas de movimentações de exércitos em carga total como nas cenas de combate individual.
Fica aqui uma nota para o espectacular trabalho dos duplos que é verdadeiramente extraordinário e vai impressioná-los certamente pois neste aspecto, [“An Empress and the Warriors“] é um daqueles filmes á antiga, onde o Cgi é raramente exibido e onde aquilo que está no ecran, por mais impressionante que seja foi conseguido através do trabalho de pessoas a arriscar o pescoço para nosso divertimento. Já agora, prestem atenção ás arrepiantes sequências com quedas de cavalos neste filme pois ainda estou a tentar perceber como não mataram metade dos animais para conseguir aquelas cenas.
A faltar alguma coisa neste filme oriental, será talvez algum sangue pois por muito impressionantes que as batalhas sejam, muitas das vezes sente-se que tudo é demasiado limpo para tal carnificina em batalha.

Tivesse este filme chinês a mesma quantidade de baldes de sangue que por exemplo “Mongol” teve e teria sido um filme de guerra perfeito. Por outro lado, um minuto de sequências de batalha em [“An Empress and the Warriors“] tem mais adrenalina que meia hora de porrada em “Mongol” por isso se calhar o sangue não será tão necessário assim até porque são estilos de filmes diferentes.
No que toca a emoção nas cenas de batalha, este filme é tão entusiasmante quanto por exemplo “The Warlords” pois acerta em tudo aquilo que “Mongol” falha.
Mas ficava giro ter mais um bocadinho de emoglobina.

É precisamente aqui que se percebe perfeitamente que esta é realmente uma obra muito comercial e de certa forma “á moda antiga”, pois das duas uma, ou não houve orçamento para comprar sangue falso, ou houve aqui uma clara intenção de tornar este filme o mais familiar possível de modo a tentar puxar um público mais genérico ás salas.
Por outro lado, posso estar errado, pois “The Warlords” essencialmente é um drama e na verdade [“An Empress and the Warriors“] acima de tudo apresenta-se-nos quase como um conto de fadas com acção, por isso se calhar a falta de sangue e gore até nem é tão despropositada quanto isso.

Essencialmente estamos na presença não só de um excelente filme de acção asiático mas na minha opinião este é outro daqueles que merece estar junto a qualquer colecção de cinema romântico oriental pois apesar de simples tem muita alma e consegue equilibrar muito bem as cenas de guerra com uma simples mas muito bonita história de amor contendo um par de cenas românticas que tenho a certeza se gostam do género não vão esquecer.
Uma nota especial também para a mágnifica banda sonora que é uma daquelas que não sendo verdadeiramente inesquecíveis é no entanto perfeita para ilustrar esta história. Excelentes sinfonias bélicas, bonitas melodias românticas e ainda uma inesperada atmosfera de inspiração (?) Celtica compõem a musica que ilustra esta obra.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um pequeno grande filme oriental que não merece passar tão despercebido. Não inova, mas tudo o que faz, faz muito bem.
Se procurarem um filme medieval comercial sem pretenções de ser mais que um excelente divertimento de aventuras asiáticas não procurem mais pois  [“An Empress and the Warriors“]  é esse filme.
Inesperadamente também é um excelente filme romântico ao melhor filme oriental e cheio de momentos muito bonitos com um final perfeito.
Não é uma obra inesquecível, mas é uma produção muito sólida que faz tudo bem e ainda consegue ter um ambiente que quase o tornam num verdadeiro filme de -Fantasia- que de certo irá aguardar a quem procura aquele ambiente estilo Lord of the Rings num filme oriental, embora sem elfos, dragões ou hobbits.
É um daqueles filmes que recomendo totalmente a quem procurar um bom filme de aventuras com alma, romantismo, poesia e espadeirada quanto baste.
Ainda por cima o dvd é bom e barato.
Merece plenamente a minha classificação alta pois á segunda vez que o vi ainda gostei mais dele e só não lhe dou um golden award porque poderia ter ido mais longe para poder rebentar a escala.
No entanto é um grande filme de aventuras com princesas e cavaleiros, onde nem falta uma espécie de Obi-Wan-Kenobi ou um gajo que parece uma versão decadente do Saruman.
Cinco tigelas de noodles sem qualquer problema.

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A favor: é um óptimo filme de aventuras, é um filme romântico com alma apesar da simplicidade da história de amor, tem uma atmosfera que o aproxima totalmente do género de -Fantasia- mais clássico, é um conto de fadas sem ser infantil, é um filme de acção com adrenalina, as coreografias de luta são muito dinâmicas e entusiasmantes, o trabalho dos duplos é extraordinário, o Cgi não é usado para impressionar, o design do guarda roupa é mágnifico, tem um par de cenários fabulosos e totalmente dignos de um filme de fantasia (casa na floresta), a fotografia em mais do que uma vez está muito bem conseguida e o filme tem alguns momentos visuais lindíssimos, pode agradar a vários tipos de público pois é um excelente exemplo de bom cinema muito comercial sem ser estúpido, bons personagens e actores, a realização não deslumbra mas é segura e nada se perde ou aborrece neste filme, transformou a previsibilidade em ambiente e consegue criar alguma dúvida até ao seu desenlace final, o final é excelente.
Contra: por mim tinha um bocadinho mais de sangue nas cenas de guerra pois tanta adrenalina e ferocidade fica um bocado perdida quando tudo parece demasiado limpinho, a história já foi vista dezenas de vezes e poderia ter sido mais criativa.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=_vC_ybSafNc

Comprar
Recomendo vivamente esta edição bem baratinha em DVD.
Capinha com estilo, excelente qualidade técnica, óptimo Dts e contém um documentário de Making Of que em pouco mais de dez minutos consegue ser melhor do que muitos gigantescos exemplos do género e  é absolutamente indispensável para quem gostou de ver o filme.
Também disponível em BLU-Ray e este é daqueles filmes que ganha bastante pelo formato.

Imdb

http://www.imdb.com/title/tt1186803/

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The Promise

A Chinese Tall Story

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Mongol (Mongol) Sergei Bodrov (2007) Russia/China/Kazaquistão


Este é um filme particularmente curioso.
Há quem o adore e o considere uma obra prima e quem não tenha ficado particularmente fascinado por ele.
Surpreendentemente encontro-me no segundo grupo e não estava nada á espera disto.



Por todo o lado existem reviews dvd e críticas de cinema a elogia-lo e embora eu não concorde propriamente com todos os elogios penso que percebo a razão de muitos deles.
É que na verdade os primeiros vinte minutos de [“Mongol”] parecem indicar-nos estar na presença de uma obra mágnifica em todos os aspectos e penso que essa primeira impressão foi certamente a que terá ficado na mente de muita gente que deu uma melhor nota do que eu pretendo atribuir-lhe agora.

Quase tudo nele é relativamente mediano mas no entanto está embrulhado numa atmosfera épica lindíssima e é isso que na minha opinião cria a ilusão de que [“Mongol“] será eventualmente um melhor filme asiático do que na realidade consegue ser.
A impressionante fotografia, as incrivelmente bem filmadas paisagens naturais e o extraordinário olho do realizador para compor imagens lindíssimas e inesquecíveis fazem-nos ficar de queixo caído durante os primeiros vinte minutos com toda a poesia visual desta obra.

Se nos últimos tempos saiu um filme que justifica plenamente a compra de um projector de video, [“Mongol“] é esse filme pois é definitivamente um daqueles que é para ser visto no maior ecran possível e eu tenho a sorte de poder fazê-lo. Portanto se estiverem a pensar comprar um projector este dvd é uma boa opção para o estrear, quanto mais não seja para impressionar os amigos pela vastidão das imagens que nos fazem querer saltar para dentro da parede a todo o momento e ir passar uma horas na mongólia por entre aquelas colinas verdejantes e eternos céus azuis.

Os primeiros vinte minutos são uma extraordinária sinfonia de grandes paisagens, autênticas fotografias em movimento e personagens completamente cativantes graças ao excelente casting infantil de [“Mongol“]. As crianças neste filme têm mais carisma que todo o elenco adulto junto durante o resto da história e isso é particularmente notório nas cenas que iniciam o romance que depois percorre o resto da obra.
As cenas em que o jovem Gengis Khan conhece aquela que virá ser a sua mulher limpam o chão com a restante atmosfera romântica que supostamente deveria ser o coração do filme mais tarde mas que nunca mais consegue atingir o mesmo nível emocional quando a história avança para a fase adulta.

E a história é precisamente um dos calcanhares de Aquiles deste filme. Não pelo que apresenta mas mais pela forma como tudo é narrado.
[“Mongol“]  á força de querer ser um filme com muito para contar vê-se obrigado a ter um ritmo irregular. Ás vezes tudo avança tão rápido que o espectador nem tem tempo para criar uma ligação emocional com os acontecimentos e como tal com o passar dos minutos o interesse começa a perder-se e damos por nós a descobrir que a certa altura já não estamos tão imersos nele como estavamos ao início.
Outras vezes parece que o argumento pára e alguém resolveu voltar a contar outra vez uma coisa que já foi estabelecida anteriormente nomeadamente nas cenas românticas que parecem repetir constantemente o mesmo tom emocional.

[“Mongol“] essencialmente pretende contar a história da ascenção ao poder do seu protagonista, só que em certas alturas não consegue decidir-se se pretende ser um épico histórico ou um drama romântico ficando a meio caminho entre ambos os géneros.
Como filme histórico tenta meter tanta informação em tão pouco tempo que acaba mais por parecer um catálogo cronológico de eventos do que uma narrativa sobre os seres humanos que os protagonizaram.

Como filme romântico repete-se constantemente e ficamos com a sensação de que a história de amor é mais usada para tentar amenizar a narrativa estilo aula de história do que para emocionar os espectadores ou humanizar os personagens. Não resulta porque enquanto a narrativa histórica avança a duzentos há hora, a parte emocional nunca evolui de forma a que o espectador se importe particularmente com o destino dos personagens.

Toda esta fragmentação narrativa acaba por reduzir o impacto dos personagens secundários e como consequência até aqueles que supostamente serviriam para criar algum drama ou tensão perdem toda a sua carga dramática pois lá para o final do filme já estão tão desenquadrados do que realmente se passa que não são mais do que cartão para ilustrar a ordem cronológica dos acontecimentos que levam Gengis Khan ao poder. Coisa que no início do filme não parecem, nomeadamente mais uma vez também devido ao carísma do elenco infantil ao protagonizar as versões jovens dessas pessoas e porque no início o argumento ainda parece que irá levar o filme por uma direcção entusiasmante.

Esta estrutura narrativa não só tira vida aos personagens como ainda por cima reflecte-se negativamente  também nas próprias sequências de acção.
Há muito tempo que não via num filme deste género sequências de batalha tão aborrecidas e desinspiradas.
Não lhe falta baldes de sangue mas no entanto as cenas de acção não têm qualquer impacto dramático, até porque muitas das vezes não há sequer tempo para estas serem enquadradas dentro de algo que nos toque na própria história devido aquele tom “escolar” que percorre grande parte do argumento a partir de certa altura.

As batalhas são a própria antítese do estilo do resto do filme.
Se nas cenas calmas da narrativa [“Mongol“] parece um verdadeiro épico a uma escala larger than life as cenas de batalha perdem por completo essa atmosfera e mesmo com a quantidade de sangue que é usada a torto e a direito ficamos com a ideia de que o realizador seguiu um caminho muito mais politicamente correcto do que pretendeu fazer crer.

Nunca se vê ninguém a ser cortado aos bocados como é habitual neste tipo de cinema e toda a montagem parece tentar a todo o momento evitar que algo mais explícito apareça na imagem, o que cria uma atmosfera extremamente ambigua e arruina por completo a carga dramática que deveria suportar as cenas de batalha pois se por um lado há sangue a mais depois nota-se uma contenção quase de auto-censura pelo pudor que revela em nunca mostrar o resultado de tanto sangue a jorrar o que torna esses momentos em algo artificial que nos retira imediatamente do coração da batalha que estamos a ver.


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Em [“Mongol“]  as cenas de guerra têm mais estilo do que substância,  tentando talvez disfarçar a falta de um suporte dramático através de uma ilusória sensação de carnificina que nunca convence.
O drama, que deveria ter sido a alma destas sequências está completamente ausente, porque os personagens pouco mais são do que bonecos para o realizador enquadrar as suas mágnificas composições visuais.
A história ao centrar-se no personagem principal esquece todos os outros e como tal nem sequer aquele que deveria ser o antagonista do jovem futuro Khan provoca qualquer reacção emocional no espectador pois nota-se perfeitamente que o “mau” está apenas ali para levar na cara e pouco mais.
E o facto de mais uma vez também aqui repetir-se a velha fórmula dos velhos amigos que se tornam inímigos também não ajuda muito, pois tudo é tão previsível que anula por completo qualquer suposto suspanse que ainda poderia haver tanto no drama como nas cenas de guerra e o argumento nunca sabe como tornar esses momentos interessantes ao contrário de muitos outros filmes que também usaram a mesma fórmula mas com sucesso.

Quando virem o trailer oficial que está na Amazon.uk ficarão com água na boca ao verem as imagens que este apresenta pois tudo indica que [“Mongol“] vai conter aquela atmosfera de batalha clássica que parece prometer e do qual já vimos bons exemplos em filmes como The Warlords.
No entanto a realidade é bem diferente.
Além da diminuição da carga dramática á medida que o filme se desenrola por falta de uma narrativa coerente que a suporte (e vice-versa), aquilo que prometia ser o memorável momento bélico do filme com a habitual grande batalha á escala épica, acaba por ser umas das partes mais desinteressantes de todo o trabalho.

Muita acção, montagem quase estilo videoclip, sangue a espirrar, gente á porrada, cavalos a cair, mas tudo muito pouco impressionante. Apesar da espectacularidade que tentaram imprimir nessas sequências tudo parece realmente demasiado encenado.
Talvez por não provocar qualquer suspanse, pois nesta altura já os personagens intervenientes têm tão pouca dimensão que pouco importa o desfecho dramático dessas sequências até porque já se sabe que o protagonista irá vencer e tornar-se Khan.
Na verdade as cenas de acção neste filme são apenas isso – cenas de acção – e nunca conseguem transportar o espectador para o interior da guerra sem tréguas que supostamente retratam, principalmente porque a partir de certa altura já pouco nos interessa a sucessão cronológica de acontecimentos pois o que aparece a seguir é sempre mais do mesmo e repete practicamente o que já vimos anteriormente no início.
Sim, já sabemos que o antigo amigo se está a passar, sim já sabemos que a rapariga gosta muito do protagonista, sim já sabemos que têm de se separar novamente. Passem á frente !

Mas nem tudo é mau.
Na verdade não há nada de realmente negativo neste filme. Apenas nunca alcança aquilo que o próprio ambiente da história (e a publicidade) parece prometer a todo o instante mas não cumpre.
O filme vê-se bem mas quem já viu tantos épicos medievais orientais, como eu vi não pode deixar de ficar muito decepcionado pois para uma obra com o sugestivo nome de [“Mongol“] e ainda por cima sobre Gengis Khan no mínimo esperava-se que as cenas de batalha estivessem ao nível de por exemplo as realisticas sequências de The Warlords e que os seus personagens ao menos nos fizessem realmente importar-nos com eles como acontece quase sempre no melhor do cinema Asiático.
Por outro lado, há que não esquecer que  [“Mongol“] apesar de estar povoado de actores asiáticos e ser totalmente falado em Mongol continua na verdade a ser uma obra fruto da sensibilidade de um realizador soviético e isso sente-se ao longo de todo o tratamento da história pelo distanciamento que cria no espectador e um sentido de organização que se sobrepõe sempre á emoção que deveria ser a alma do filme.

Fiquei muito surpreendido por não ter encontrado o épico que esperava ver. Mas mais surpreendido ainda fiquei foi de ver um filme povoado de ambiente asiático em que pouco me importei com o drama ou o destino dos personagens. Este desinteresse normalmente é sempre mais comum em produtos americanos e por isso com todo o hype ao redor desta obra a última coisa que esperava seria que não me provocasse grande reacção emocional.
Já tinha lido algumas reviews que referiam grande parte daquilo que depois eu próprio confirmei, mas na altura em que me decidi a compra-lo, a verdade é que fui completamente enganado pelo trailer que está no site da Amazon Uk.
Gostei tanto do que vi no trailer e fiquei tão impressionado com a cinematografia das imagens que no fundo recusei-me a acreditar que muitas das reviews tinham razão quando avisavam que  [“Mongol“] não era bem o que aparentava.

De qualquer maneira não estou arrependido de ter comprado o filme, pois estéticamente é absolutamente mágnifico e os actores têm carísma, com destaque para o actor japonês que faz de Gengis Khan e para a actriz estreante que representa a sua mulher e que mesmo nunca tendo representado na vida faz um trabalho excelente.
Ambos se esforçam imenso para transmitir alguma humanidade nos seus personagens e não é de todo culpa sua que estes não consigam nunca ir muito mais além do boneco para ilustrar enquadramentos bonitos.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não é de forma alguma um mau filme asiático, mas muito menos é a obra extraordinária que muita da publicidade quer fazer crer e que o trailer tenta fazer passar.
É uma obra extremamente mediana aquilo que se esconde por debaixo de uma capa de visual mágnifico.  [“Mongol“] é um daqueles filmes com tudo para dar certo mas em que estranhamente parce que todos os ingredientes foram adicionados com as doses erradas diminuindo o impacto do resultado. E é pena, pois este é um daqueles filmes que nos apetece mesmo gostar.
Trés tigelas e meia de noodles porque simplesmente não me fez ficar com vontade nenhuma de o rever tão cedo e isto não é nada comum acontecer-me com um filme deste estilo pois o género do épico histórico medieval oriental é um dos meus favoritos.
É um bom filme e pronto. Nem mais nem menos.
Leva mais meia tigela de noodles porque visualmente tem momentos absolutamente lindíssimos embora não a mereça particularmente pois é um filme incrivelmente mediano quando deveria ter sido algo inesquecível.

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A favor: a cinematografia do filme, cada fotograma é uma fotografia de grande qualidade com o qual se poderia fazer um quadro, a maneira como o ambiente natural é usado e filmado, as paisagens e a vastidão das mesmas, o elenco infantil é excelente, os primeiros vinte minutos do filme são completamente entusiasmantes e não fazem prever que tudo se tornaria tão mediano.
Contra: fica a meio termo em todos os géneros pois não é própriamente um épico histórico exacto, não é uma história de amor particularmente tocante, nem tem a carga dramática que deveria ter para funcionar sequer como épico de guerra; tem alguns momentos de acção mas com mais estilo do que substância, as cenas de batalha são medianas e aborrecidas com muito movimento, muito sangue mas pouca garra; os personagens á medida que o filme avança cada vez se parecem mais com bonecos para ilustrar sequências cronológicas da vida de Gengis Khan do que seres humanos com vida própria; o argumento umas vezes dá saltos na história que eliminam qualquer base de identificação do espectador com os personagens e outras vezes repete-se em temáticas que já ilustrou anteriormente; a banda sonora tem momentos completamente deslocados do que se vê no ecran devido a uma sonoridade demasiado moderna quando pretendia ilustrar uma história como esta.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
Podem espreitar o atmosférico trailer original na amazon.uk
http://www.amazon.co.uk/Mongol-Rise-Power-Genghis-Khan/dp/B0019GJ44W/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=dvd&qid=1222889349&sr=8-1
Ou a sua versão chunga americana estilosa no youtube.
http://www.youtube.com/watch?v=tsAdwoFDYW4

Comprar
Recomendo esta muito boa edição DVD com um excelente making of. Ou então em Blu-Ray. Como podem ver o preço está excelente na Amazon Uk e ainda se deve manter assim por algum tempo.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0416044/

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