Musa (Musa the Warrior) Sung-su Kim (2001) Coreia do Sul


Este foi um dos primeiros dvds orientais que eu comprei já há alguns anos atrás e um dos filmes que me fizeram ficar a gostar muito do cinema daquela parte do mundo.
Estou para falar de [“Musa the Warrior“] desde que criei este blog  e na verdade até era para ter sido o primeiro filme aqui comentado não fosse por uma coisa.

Na altura quando me preparava para escrever sobre esta obra de aventura medieval descobri que infelizmente a versão que eu tinha comprado não era a versão integral do filme. Apesar da edição dvd que eu tenho ser uma edição chinesa comprada na Play Asia (caixinha com excelente grafismo e muita pinta), não é no entanto a versão completa e portanto resolvi adiar o meu comentário sobre esta obra para um dia em que eu conseguisse ter acesso ao filme integral. Isto porque a montagem curta parece ter sido apenas criada para o mercado exterior ao da Coreia do Sul.

Quando vi [“Musa the Warrior“] pela primeira vez gostei muito mas não fiquei particularmente impressionado por aí além. Sempre achei que lhe faltava qualquer coisa mesmo sem saber na altura que havia uma versão bem maior.
Algo não batia certo. Practicamente todas as reviews que eu encontrava consideravam-no extraordinário e no entanto eu continuava a achá-lo uma boa aventura mas pouco mais e não percebia de todo porque isto era tão considerado por tudo quanto era sítio.

Ao investigar melhor depois apercebi-me que [“Musa the Warrior“] seria um filme com muito mais do que apenas excelentes sequências de acção, mas para meu azar só conseguia encontrar a versão curta á venda em dvd e nem em torrents se econtrava o original que parecia guardado a sete chaves na coreia do sul sabe-se lá porque razão.
Aliás, agora que vi finalmente a versão integral é caso mesmo para perguntar o que raio deu na cabeça de alguém para fazer uma versão curta disto apenas com as cenas de porrada, pois 25 minutos a menos fazem (e de que maneira) muita diferença nesta extraordinária história de honra e amizade ao melhor estilo oriental.

O dvd com a versão integral continua pelos vistos extinto em todo o lado excepto se o quiserem comprar na Austrália, embora também já exista um torrent com esta versão e portanto recomendo que o vão buscar aqui antes que volte a sumir.
[“Musa the Warrior“] na sua versão integral é um daqueles filmes que vocês precisam mesmo de ver, por muitas e variadas razões.
A Coreia do Sul não é conhecida por produzir Wuxias com a qualidade que costuma sair da China e é mais prolífera a deitar cá para fora filmes de porrada estilizados para adolescentes em estilo videogame do que própriamente tem conseguido criar épicos históricos memoráveis, por isso não deixa de ser uma verdadeira surpresa um filme como [“Musa the Warrior“] ter saído precisamente daquele país.

Embora na verdade, isto não seja propriamente um Wuxia no verdadeiro sentido da palavra e na realidade também não será um épico histórico apesar da espectacularidade das cenas de acção.
[“Musa the Warrior“] na sua versão original é um grande filme medieval até com uma surpreendente carga intimista devido á fantástica caracterização humana de todos os seus personagens a um nível que raramente se encontra em filmes de porrada medieval.

Contém possivelmente das melhores cenas de luta á espada e batalhas tradicionais que alguma vez vi dentro deste estilo. Há outros filmes com cenas de guerra fabulosas como por exemplo “The Warlords” e que em escala épica ultrapassam em muito o que se pode ver em [“Musa the Warrior“], mas isto é porque são filmes com centenas de figurantes nas cenas de batalha enquanto [“Musa the Warrior“] se centra mais em pequenas escaramuças e no combate homem a homem espada contra espada.
Se alguma vez pensaram como seria um verdadeiro filme de Conan o Bárbaro se este retratasse correctamente no ecran a carnificina individual que se encontra na banda desenhada não vão mais longe, pois este extraordinário filme de aventuras Sul Coreano é esse filme.

[“Musa the Warrior“] tem dos melhores, mais realísticos e mais crueis combates á espada que vi em cinema até hoje e provavelmente será dos filmes que melhor retrata a realidade destes ambientes históricos nesse sentido.
Até eu que já vi dezenas de épicos históricos com sangue quanto baste, fico surpreendido quando revejo [“Musa the Warrior“] e mais surpreendido fiquei agora que o revi na sua verdadeira versão pois contém ainda mais snippets de sangue explícito que a versão remontada para o ocidente largamente difundida pelo mundo quem nem imagina o que perde por só ter acesso apenas a 130 minutos de 154 originais.

Se procuram um filme com gente decepada, membros cortados de todas as maneiras e feitios e ainda com as decapitações mais viscerais de tudo o que já viram em cinema, não podem perder [“Musa the Warrior“] pois é dificil descrever em palavras a quantidade de sangue presente nas inúmeras batalhas. Sobretudo tem cenas de batalha individual que são mesmo de ver para crer e pela sua crueza, realismo e emotividade são o antídoto perfeito para quem já está farto de filmes de espada plásticos feitos em Hollywood onde o politicamente correcto se sobrepõe ao realismo de divertidas decapitações como deve de ser.

Mas nem só de tripas e sangue vive este filme. Se virem apenas a versão curta remontada de 130 minutos, essencialmente [“Musa the Warrior“] é apenas um movimentado filme de aventuras que no entanto tem um ritmo narrativo algo estranho. No entanto,  apesar da acção não pode ser totalmente atirado para a categoria de filmes de guerra ou porrada pura e simples. Isto porque como já referi , sente-se a falta de algo  mais na versão curta, mas nota-se que haverá algo por lá que não estamos a ver.
A versão curta apesar de funcionar bem enquanto filme de aventuras resulta num produto ambiguo apesar de tudo.
Agora, se vocês virem a versão integral vão ter uma boa surpresa e não é apenas por causa das quantidades adicionais de sangue no ecran.

[“Musa the Warrior“] na sua versão completa além de ter cenas de violência medieval incríveis, tem provavelmente a melhor caracterização de personagens que poderão encontrar num filme com estas características.
Aliás, os personagens são tão  bons que de repente as cenas de luta até ganham uma outra dimensão, pois muitos daqueles bonecos que na versão curta nos pareciam apenas figurantes colocados no filme para andarem á espadeirada subitamente tornam-se pessoas com que realmente nos importamos.
[“Musa the Warrior“] é extraordinário na forma como caracteriza toda a gente neste filme e a força dos seus personagens é sem sombra de dúvida a grande mais valia desta história simples mas que ganha uma dimensão dramática que não esperavamos que tivesse.

Não há um personagem neste filme de que não gostemos.
Toda a gente tem o seu momento e a sua função na história. Não só os personagens principais são excelentes como o cuidado colocado nos secundários é absolutamente notável o que dá uma dimensão dramática extraordinária á versão integral de [“Musa the Warrior“] que não encontramos de todo na versão curta, pois essencialmente os 25 minutos a mais que estão no filme completo são as cenas em que conhecemos as pessoas envolvidas na aventura.
Em [“Musa the Warrior“] até quando morre um figurante conseguimos sentir empatia com a pessoa pois todo o background é tão bem estruturado que confere uma profundidade única dentro de um filme que se calhar nem pedia mais do que ser aquilo que está na versão curta, ou seja apenas um bom filme de aventura medieval e no entanto consegue atingir o nível de um excelente drama na versão integral de forma inesperada.

Outra das coisas geniais a nivel de personagens em [“Musa the Warrior“] é o facto de não haver vilões de serviço. Não há maus, não há super-vilões e todo o conflito se passa essencialmente entre várias facções de pessoas que estão em guerra pelos motivos politicos e históricos habituais. No entanto toda a história de [“Musa the Warrior“] poderia ser contada do lado “dos vilões” que o espectador ganharia empatia com aqueles personagens também.
É quase um filme anti-guerra sem ser panfletário, pois foca bastante o facto de nem sequer os personagens saberem bem porque precisam de lutar e chega-se a notar o facto de que qualquer um destes soldados poderia mudar de campo que não faria difrença.
Isto é inclusivamente um pequeno sub-plot dentro da própria história principal que é bastante bem usado também para tornar bastante humano aquilo que é o mais próximo que este filme tem de um vilão. Um persoangem que também é apresentado como um comandante com grande sentido de honra e respeito pelo adversário, o que contribui bastante para a carga humanista da própria história e eleva este filme muito para lá do típico filme de porrada com espadas.

Na verdade [“Musa the Warrior“] é um dos melhores filmes com anti-herois de todos os tempos na minha opinião. Ninguém é verdadeiramente bom ou mau e toda a gente se comporta de uma forma bastante humana onde momentos de cobardia ou medo por se encontrar no meio de uma guerra se cruzam com feitos heroicos com honra e grande camaradagem e isto sente-se tanto do lado “dos herois” como do lado de quem os persegue e é um dos grandes pontos fortes deste filme.
A sua versão integral é para mim realmente a obra prima do cinema medieval que muitas reviews apregoavam há alguns anos atrás e eu não conseguia perceber a razão de tamanho elogío. A versão curta embora seja uma boa opção para quem procura apenas cenas de acção, não faz de forma nenhuma justiça ao poder dramático e emotivo da versão completa.

Curiosamente, este é também um filme diferente a nível de actores, pois encontramos a atlética e versátil Zhang Ziyi num papel dramático diferente do habitual. Ao contrário do que é costume e do que se esperava ela não tem em [“Musa the Warrior“] qualquer cena de luta, pois desta vez limita-se a fazer o papel da Princesa da história sem qualquer envolvimento nas sequências de batalha.
Muita gente lamenta esse facto mas quanto a mim foi uma boa opção, pois este personagem precisava de alguém com a qualidade dramática da actriz que pudesse humanizar aquela que é uma das personagens mais humanas e fascinantes da história sobre a qual gira toda a tragédia sem sentido.

Na verdade estou a tentar lembrar-me de algo realmente mau para referir sobre este título na sua versão integral e não consigo; com excepção de um pormenor que mencionarei no final do texto.
O guarda roupa é outro pormenor extraordinário por exemplo. Tudo neste filme tem texturas extraordinárias em tons sépia e ocre e dá uma atmosfera realística a [“Musa the Warrior“] onde nem sequer nos lembramos que estamos a ver actores vestidos com fatos de cinema e tudo nos parece real como se estivessemos a acompanhar um documentário histórico através de uma qualquer máquina do tempo.

Uma nota especial para a realização que soube como ninguém equilibrar as sangrentas cenas de luta espectaculares com os momentos mais dramáticos e humanos de toda a história com um estilo tão natural e orgânico que nem sentimos a presença do realizador por detrás da câmara; muito menos nos parece estarmos a acompanhar um argumento para cinema pois tudo nos parece extremamente real.
Além disso [“Musa the Warrior“] conta com uma colecção de cenários naturais que irá agradar bastante a quem gosta de ambientes orientais exóticos, especialmente se gostarem de aventuras passadas em desertos ou na Rota da Seda onde se misturam todo o tipo de culturas orientais. Não há grande variedade em termos de locais mas o que existe está fantástico e cheio de atmosfera, especialmente o forte em ruinas do final junto ao mar.

[“Musa the Warrior“] na minha opinião tem um pormenor muito fraco que se o filme não fosse tão bom poderia ter arruinado por completo todo o trabalho extraordinário que foi feito na criação de ambiente.
A banda sonora é péssima !
Muito, muito má mesmo !
Salvo o main theme e um par de melodias mais tradicionais ao longo do filme que são excelentes, tudo o resto é composto por ambientes sonoros com uma sonoridade totalmente contemporânea, onde até se usa e abusa do sintetizadores ao pior estilo anos 80.

Não compreendo de todo como raio se coloca uma música destas num filme deste. Até nos créditos finais, ainda mal estamos a absorver o excelelente final dramático entra-nos pelos ouvidos uma canção pop completamente deslocada de toda a atmosfera e isto é um bom exemplo do que acontece várias vezes ao longo do filme. Felizmente não nos colocam mais canções pop pelo meio mas é horrivel estarmos a ver uma sequência de acção fantástica de depois toda a envolvência musical é composta por melodias em estilo moderno e efeitos sonoros de sintetizador que parecem pertencer a tudo menos ao filme medieval que supostamente deveriam ajudar a ilustrar.
Não fosse tudo o resto em [“Musa the Warrior“] tão bom e esta banda sonora incompreensível teria arruinado por completo todo o trabalho da equipa de produção.
Salva-se o main theme que está no trailer, mas o resto das músicas é mesmo muito mau e completamente ilógico.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não há muito mais que eu possa dizer além do que já referi nas linhas acima.
A versão integral de [“Musa the Warrior“] é absolutamente notável em todos os aspectos, salvo na banda sonora muito fraca.
Quem não procura mais que um bom filme de aventuras com alguma profundidade pode perfeitamente comprar o dvd com a versão curta de 130 minutos que ficará muito bem servido, embora essa não valha mais do que quatro tigelas de noodles se eu a fosse classificar aqui.
No entanto quem quiser ver um extraordinário filme medieval com lutas inesquéciveis, decapitações clássicas, sangue em baldes e tudo complementado por uma carga dramática fantástica onde até os personagens secundários são inesquecíveis não pode de forma nenhuma perder a versão integral que infelizmente ainda só se encontra apenas em torrents e é um verdadeiro mistério não ter sido esta a versão editada em dvd fora da Coreia do Sul.
De qualquer forma, cinco tigelas de noodles e um golden award para a versão integral de [“Musa the Warrior“] pois é absolutamente genial em todos os sentidos, excepto na péssima banda sonora.

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A favor: os personagens são fantásticos e todos têm o seu momento e importância para a história, o filme na sua versão inegral tem uma carga dramática excelente que nos faz ainda vibrar mais com as batalhas, não tem herois nem vilões mas apenas pessoas em guerra, tem as melhores cenas de luta á espada que encontrarão num filme medieval, decapitações inesquecíveis e montes de tripas e baldes de sangue por tudo o que é frame neste filme, grande sentido de aventura cruzando com um bom drama humano, tudo muito bem equilibrado por uma excelente realização e direcção de actores naturalmente, se gostam de paisagens com desertos vão adorar isto, grande guarda roupa, as cores e texturas por todo o lado e o ambiente totalmente realistico, tem uma boa história de amor embora bastante contida, esquecemo-nos que estamos a ver um filme e os 155 minutos da versão integral passam mais rápido que os 130 da versão reduzida.
Contra: salvo o main theme a banda sonora é do piorio com muitos sintetizadores e sonoridade contemporânea que quase arruinam toda a atmosfera visual desta obra prima medieval, curiosamente tem muitas semelhanças com o “Warriors of Heaven and Earth” e quem já tiver visto o outro não apanha surpresas nenhumas com o final deste [“Musa the Warrior“]

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=C7Vg1HcgL8U

Comprar a versão curta editada fora da Coreia do Sul (130 min)
Está a preço da chuva na Amazon Uk

Comprar Versão Integral na Austrália
http://www.ezydvd.com.au/item.zml/230719

Download da Versão Integral (154 min)

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0275083/combined

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20-seiki shônen: Honkaku kagaku bôken eiga (20th Century Boys) Yukihiko Tsutsumi (2008) Japão


O ano de 2010 começa bem para mim no que toca a boas compras de cinema oriental.

Este é um filme sobre o qual me é muito dificil falar pois é um daqueles produtos de cinema asiático muito dificeis de classificar.
A minha primeira reacção foi a de atribuir-lhe a classificação máxima pois [“20th Century Boys“] é não só muito bom como tem uma coisa que lhe dá logo muitos pontos, é completamente original. Mesmo não parecendo.

Na verdade não me lembro de ter visto nada  assim antes e surpreendeu-me que o filme tivesse uma estrutura inesperada.
Curiosamente o único motivo porque vi o filme foi porque o comprei.
E a única razão porque o comprei foi porque a edição que estava á venda na Amazon Uk (e ainda está) tinha uma relação preço-qualidade que me pareceu muito boa, pois os dois discos vinham dentro de um livro hardcover com 26 páginas a cores e eu não resisto a estas coisas especialmente quando estão á venda por menos de 10€. Comprei o filme a 4 libras um par de semanas atrás.

Tinha visto o trailer há meses e já o podia ter sacado da net há muito tempo para espreitar, mas nem me dei ao trabalho porque [“20th Century Boys“] parecia-me ser precisamente aquele tipo de filme que me aborrece de morte, ou seja algo num estilo super-herois que geralmente não me diz nada e como tal as apresentações nunca me convenceram ao ponto de sequer me fazer ter vontade de ver o filme á borla.
No entanto algo me dizia que [“20th Century Boys“] não seria tão banal quanto me parecia no trailer e devido á sua excelente e barata edição não resisti a comprá-lo.
E ainda bem que o fiz.
Se calhar não se nota pela “suave” classificação que lhe atribuí mais abaixo, mas este filme quanto a mim é absolutamente fantástico e a única razão porque não lhe dou uma nota melhor é porque este é um daqueles produtos que são absolutamente contagiantes quando o vemos pela primeira vez, mas pessoalmente não fiquei com vontade nenhuma de o rever tão cedo.

Não porque [“20th Century Boys“] seja um mau filme, aborrecido ou tenha algum problema grave, mas porque é um daqueles que depende mesmo muito do fascínio que o mistério da história cria no espectador e como tal quando a coisa chega a uma conclusão, mesmo apesar de ser um filme oriental cheio de qualidades há muito pouco que faça o espectador querer voltar a ele muito próximamente.
Pelo menos até ver como a história termina…

[“20th Century Boys“] tem o grave problema de ser uma primeira parte de uma história em trés capitulos. Ou melhor em trés filmes. Além disso a sua originalidade acaba por ser a sua maior virtude e a sua maior fraqueza.
A sua originalidade não está propriamente no estilo, ou até na história, até porque se vocês conhecem obras como Watchmen (tanto o livro como o filme), não vão encontrar algo muito diferente em [“20th Century Boys“], que, quanto a mim é quase uma versão alternativa da Bd de Alan Moore transposta para uma identidade oriental puramente japonesa. Não que seja um plágio, mas o tom da história e até a sua própria estrutura é semelhante.

Segundo consta, esta trilogia de filmes, adapta o Manga mais vendido de sempre no Japão. Algo que me é totalmente alheio pois até agora nunca tinha ouvido falar de tal coisa e como tal parti para este filme como eu gosto. Completamente ás escuras.
O facto de  [“20th Century Boys“] ser a primeira parte da história (em filme) podia até nem ser um problema, pois por exemplo  a primeira parte do Senhor dos Aneis resulta plenamente enquanto filme isolado até ao seu final.
No entanto [“20th Century Boys“] “falha” nesse aspecto porque como alguém já referiu numa outra review na net, parece que os criadores deste projecto se esqueceram que este produto acima de tudo era suposto ser um filme e se calhar não deveria ter seguido tão á risca uma estrutura de banda-desenhada no que toca á sua narrativa.

Por outro lado, esta visão pode ser apenas fruto do nosso olhar ocidental mais habituado ao tipo de estrutura que vemos nos filmes americanos e sendo assim é inevitável que olhemos para [“20th Century Boys“] como um filme algo estranho e inesperado.
Lá ver se consigo explicar isto melhor…olhem que é difícil…
[“20th Century Boys“] é apresentado como um verdadeiro blockbuster “de super-herois” ao estilo japonês. No entanto não se passa nada neste filme asiático ao longo de quase trés horas !!!

Não se passa nada daquilo que vocês pensam que se vai passar se virem os trailers.
As apresentações dão a ideia que o espectador vai ver um blockbuster cheio de acção e cenas de destruição ao melhor estilo de cinema catástrofe e no entanto nada disso acontece  em [“20th Century Boys“].
As poucas cenas de acção e destruição que vocês vão encontrar nesta história são os breves segundos de explosão no aeroporto e no parlamento e isso aparece tudo no trailer sem haver mais nada para mostrar.
As partes de aventura com o robot gigante são practicamente nulas e mais parecem pertencer aos cinco minutos finais de um qualquer episódio de uma série televisiva do que a uma mega-produção que [“20th Century Boys“] apregoa ser em todo o seu marketing.

Ou seja, se esperam um filme de super-herois, ou com uma estrutura (ou espectacularidade) semelhantes ao que estão habituados a ver, esqueçam.
Que achou que Watchmen foi uma seca porque aquilo era muito paleio e pouca acção, então é melhor nem se aproximar de [“20th Century Boys“], pois é trés vezes “mais lento”. O aviso está feito, isto não é o blockbuster que aparenta ser na publicidade (o que muito me agradou).
Ainda por cima quando o filme está precisamente no seu momento mais empolgante ao fim de quase 150 minutos…a imagem pára e aparecem no ecran as palavras “To be continued…” !!!

Curiosamente é um filme oriental bem mais intimista do que eu próprio esperava ter visto.
Practicamente as primeiras duas horas são passadas em desenvolvimento de personagens. Não que isto seja o ponto fraco do filme, mas deixo já o aviso que é muito importante vocês estarem atentos aos nomes dos personagens porque senão vão dar em doidos.
Consta que todos os trés filmes contêm ao todo mais de 300 personagens diferentes e acredito plenamente nisso pois só nesta primeira parte devem passar dos 50. Ainda por cima isto é um filme oriental e como tal…esqueçam o conceito de “heroi” ou personagem principal, pois aqui até o personagem mais secundário é importante para a história e tem o seu momento de ecran específico o que complica bastante a vida ao espectador mais desatento.

Para piorar as coisas, o filme ainda é passado em trés décadas diferentes e como tal apanhamos com os personagens quando crianças em 1970, acompanhamos os mesmos nos anos 90 e ainda os vislumbramos por volta de 2015. O que quer dizer que cada personagem é interpretado por um par de actores diferentes consoante a época em que a história decorre. E muitos deles têm alcunhas em criança e nomes diferentes em adultos…
Resumindo, este filme só pode ter sido um sucesso enorme no japão mesmo.
Metessem isto num cinema americano (ou americanizado) do ocidente e isto seria um fracasso absoluto pois metade das pessoas perder-se-ia por completo no emaranhado da história e personagens infinitamente variados, com a agravante do filme não ter cenas de aventura ou acção intercaladas ao estilo dos argumentos americanos para deixar o cérebro descomprimir.

É que essencialmente [“20th Century Boys“] é um filme oriental de mistério.
E um dos mais intrigantes e completamente hipnóticos que me lembro de ter visto em muito tempo.
Se vocês ficarem intrigados pela história, o seu desenvolvimento não vos vai deixar tirar os olhos do ecran até ao seu final. Final esse que é considerado por muita gente como uma das maiores desilusões do cinema recente.
Isto porque na verdade não corresponde minimamente á ideia de blockbuster com que o filme é vendida no ocidente e como tal era inevitável que muita gente visse as suas expectativas completamente frustradas.

Pessoalmente eu nem queria acreditar no que estava a ver quando o filme parou mesmo no melhor e a expressão “continua” apareceu na imagem.
Nunca tinha visto um filme acabar assim. A sensação com que se fica é que [“20th Century Boys“] acaba ali como podia ter acabado noutro sítio qualquer e isso é um sentimento algo estranho quando como espectadores investimos todo o nosso interesse na história e pelo menos esperávamos que nesta primeira parte algo nos recompensasse os primeiros 150 minutos do nosso entusiasmo.

No entanto…
Superem este pormenor e vão descobrir uma história fascinante suportada por um elenco enorme e cheio de carísma.
O filme practicamente não tem acção (não se deixem enganar pelos trailers), mas nem por isso deixa de ser divertido ou cativante.
Nota alta para o trabalho do realizador que conseguiu manter coeso todo o emaranhado do argumento sem nunca perder o fio á meada e criar um filme divertido e cheio de personalidade. Mesmo sem recorrer a cenas de porrada á americana ou a efeitos especiais ao longo de practicamente todo o filme, [“20th Century Boys“] mantém-nos colados á sua história e interessados no seu desenlace.
Só é pena ainda termos de esperar até ao lançamento do terceiro capitulo para ficar a saber como tudo termina. Isto claro se nunca leram o Manga, cujo o próprio autor é agora o argumentista do filme e talvez seja por isso que esta grande produção pareça ser mais uma banda-desenhada com imagens “reais” em movimento do que propriamente um filme.

Nota alta para o elenco infantil que tem um desempenho absolutamente hipnotizante. Alías, toda a parte passada na infância dos herois é um dos pontos altos do filme a fazer lembrar aquele estilo de história juvenis nostálgicas que normalmente Stephen King costuma contar.
Enquanto espectador não pude deixar de pensar que havia algo de Stand By Me nesta história e isso agradou-me mesmo muito e tenho a certeza irá agradar bastante a todos aqueles que foram crianças nos anos 70 bem antes de existirem computadores, telemóveis, videogames e internet e onde todos nós tinhamos de inventar os nossos próprios mundos de imaginação pois não havia nada do género pré-fabricado. O filme (e a história) capta muito bem o espírito de infância desses anos e sendo assim é mais um dos seus pontos altos.

Como este texto já vai longo e não quero revelar muito sobre o filme vou terminar apenas dando-lhes uma ideia da história.
Essencialmente [“20th Century Boys“] é sobre um misterioso culto religioso centrado num enigmático logotipo e numa figura conhecida apenas como “Friend” e sobre a maneira como esta personagem consegue dominar (e destruir?)  o mundo.
No inicio dos anos 70 um grupo de crianças imaginou uma história de ficção-científica precisamente contendo todos os detalhes que depois se vieram a tornar reais e como tal todo o mistério gira á volta da possibilidae de “Friend” ser na realidade ser uma das crianças do grupo original que de alguma forma conseguiu tornar realidade algo surgido num jogo infantil muitos anos atrás.
Fico-me por aqui pois há muito para descobrirem se virem [“20th Century Boys“].

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CLASSIFICAÇÃO:

Sinto que quando conseguir ver os trés filmes de uma só vez e puder unificar toda a história, hei de voltar a esta review e adicionar mais uns pontos á sua classificação.
Isto porque [“20th Century Boys“] é um filme diferente dos outros porque tem uma estrutura inesperada e como tal devido a isso é quase injusto estar a classificar isoladamente esta primeira parte pois ao contrário de filmes como o primeiro Lord of The Rings, esta não resulta enquanto filme e sente-se mesmo a falta da continuação para podermos ser realmente justos sobre o que dizer sobre o produto final.
No entanto não deixem de ver [“20th Century Boys“] pois é algo absolutamente único e recomenda-se vivamente.
Quatro tigelas de noodles…por agora…

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A favor: também neste filme o argumento labirintico e a forma como cruza os diversos caminhos do destino dos protagonistas, as sequências nostálgicas da infância dos personagens, o elenco e a quantidade enorme de personagens (secundários(?)), apesar da complexidade da história o trabalho do realizador é notável a gerir tudo aquilo, em 150 minutos de filme mesmo sem practicamente acção nenhuma o suspanse mantém-se apenas pela força da história e carísma dos personagens, o estilo de realização tem variações impecáveis que nunca deixam o filme perder o interesse e quase que assistimos a um estilo de filmagem diferente para cada personagem, a fotografia destaca-se especialmente nas sequências dos anos 70, quem gostou de Watchmen irá gostar de [“20th Century Boys“].
Contra: quem espera um blockbuster cheio de acção e estilo cinema catástrofe cheio de efeitos especiais vai ficar muito decepcionado, este primeiro filme não está estruturado enquanto primeiro capitulo com um principio meio e fim e acaba de forma completamente inesperada e sem resolver absolutamente nada do que desenvolve ao longo de quase trés horas, não sentimos que estamos a ver o primeiro filme de uma trilogia mas apenas um bocado do inicio de um qualquer filme de oito horas que subitamente nem sequer fica a meio mas acaba no inicio quando tudo parece ir começar a sério, as cenas de acção que supostamente seriam o climax desta primeira parte são absolutamente desinteressantes e banais mais parecendo a parte final de um qualquer episódio televisivo de uma série desinteressante qualquer com robots gigantes.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=OCFOM5mZx28&feature=related

COMPRAR
A foto acima pertence á edição que eu comprei na Amazon Uk e que recomendo. Os dvds vêm dentro de um bonito livro numa edição hardcover com 24 páginas a cores detalhando muita coisa sobre o universo do filme (cuidado com os spoilers). Tudo com o excelente preço a condizer.
20th Century Boys (2 Discs & 24 Page Book) [2008] [DVD]

Está também já disponível o segundo capitulo numa edição em tudo semelhante á do primeiro caso queiram continuar a colecionar isto em dvds separados.
20th Century Boys Chapter 2 (2Disc & 24 Page Book) [DVD] [2009]

E finalmente o terceiro.
20th Century Boys 3: Redemption (Ws Sub Ac3 Dol) [DVD] [Region 1] [US Import] [NTSC]

Em alternativa, se quiserem já adquirir os 3 filmes de uma só vez também já o podem fazer numa única e muito interessante edição.
20th Century Boys Trilogy – The Complete Saga [DVD] [2010]

Recomendo vivamente a compra das edições dvd acima, mas se quiserem espreitar o filme primeiro podem ir buscá-lo aqui com legendas em Pt(Brasil)

IMDB
http://www.imdb.pt/title/tt1155705/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

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Joong-cheon (The Restless) Dong-oh Cho (2006) Coreia do Sul


Este é outro daqueles filmes asiáticos que se calhar não merecia que eu tivesse gostado tanto dele.
Não é de modo nenhum um grande filme oriental, tem as suas fraquezas, tem problemas no desenvolvimento de personagens e cheira a plástico por todo o lado.
No entanto, se tivesse mais meia hora poderia ter sido um daqueles filmes de fantasia imprescindíveis, por isso na minha opinião é pena só ter mesmo 105 minutos porque este [“The Restless“] tinha mesmo muito potencial.

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Para começar, eu que já não acreditava que a Coreia do Sul pudesse conseguir acertar com um filme do género Wuxia fiquei bastante surpreendido quando já me preparava para arrasar nest blog, mais esta tentativa. Depois de coisas como “Bichunmoo” e “Duelist” (entre outros), que me deixaram mais que decepcionado eu já olhava de lado tudo o que fossem supostos Wuxias Sul Coreanos e se eu tivesse sabido que  [“The Restless“] era mais um, nem o tinha sequer comprado. Na verdade achei piada ao trailer e encomendei o filme pensando que seria mais uma obra de fantasia Chinesa.
Tarde demais reparei que era mais um Wuxia Coreano e não o podia cancelar pois o dvd já vinha a caminho.
Ainda bem.

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Ainda bem porque este deve ter sido um dos filmes de pura Fantasia oriental de que mais gostei desde “The Promise”.
Aliás, [“The Restless“] faz lembrar um parente pobre desse filme Chinês. Parece um “The Promise” feito com pouco dinheiro mas tentando disfarçar ao máximo todo o pequeno orçamento com muita imaginação plástica ao melhor estilo cinema-photoshop.
Portanto se não gostaram de “The Promise”  esqueçam este filme.  [“The Restless“] segue o mesmo estilo como todos os excessos visuais extremamente artificiais que caracterizava o outro filme oriental só que em versão mais contida devido ás suas limitações de orçamento.
Para quem gostou do filme Chinês e quiser “mais do mesmo” tem aqui uma compra á altura e um Wuxia de pura Fantasia muito recomendável mesmo.

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Este não é um filme oriental para aquelas pessoas que detestam ver gajos a voar por tudo o por nada, lutas á espada sem qualquer lógica “credível” e muito menos é um filme para quem acha que o estilo “livro ilustrado” a Photoshop não tem muito a ver com cinema.
É verdade,  [“The Restless“] tem muitas fraquezas, não será um daqueles filmes asiáticos ou de fantasia que fica na memória pelo selo de qualidade, mas é definitivamente não só o melhor Wuxia Sul Coreano até ao momento, como principalmente é uma obra de Fantasia com um vasto mundo para o espectador explorar se decidir ignorar os seus defeitos e deixar-se levar pela atmosfera e principalmente pelo ambiente visual das suas geografias imaginárias.

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[“The Restless“] tem como título original, [“Joong-cheon“] que em Coreano significa qualquer coisa como “o mundo entre Mundos” e se quiserem uma analogia ocidental, todo este filme se passa naquilo que na religião Católica se poderá designar como “Purgatório“. Só que na tradição Sul-Coreana este lugar não é um conceito abstracto, mas um mundo cheio de vida e tão real como o nosso plano Terrestre. Apenas em Joong-cheon as regras da Natureza são ligeiramente diferentes.

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O filme narra a história (e as aventuras) de um guerreiro que na Terra pertencia a um esquadrão de caçadores de demónios e que um dia se vê lançado no mundo de Joong-cheon.
Acontece que para surpresa dos seus habitantes, esse guerreiro passeia-se pelo purgatório ainda vivo e claro que esse estranho facto tem uma explicação que deixarei para descobrirem quando virem o filme.
Ao chegar a Joong-cheon, o guerreiro encontra a mulher que amava na Terra mas ela não o reconhece apesar de todas as tentativas do heroi para que esta se lembre dele.  Tendo morrido de uma forma trágica quando foi queimada como bruxa ela não tem qualquer memória da sua vida terrestre, o que como imaginam é perfeito para alimentar o segmento romântico do filme.
Para além disto, óbviamente que a história conta com o vilão do costume que é um gajo mau que se farta mas se quiserem saber mais, vejam o filme pois eu não tenho paciência nenhuma para descrever estas coisas. Nem gosto, pois para mim metade do prazer em ver cinema está em não sabermos nada sobre o que vamos ver.

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Apenas referi este bocadinho de argumento para poder apontar logo aquilo que será talvez o maior problema de [“The Restless“].
Quando eu digo que este filme merecia ter pelo menos mais meia hora é porque precisava de ter tido esse tempo no início para poder apresentar-nos os seus personagens e infelizmente isso não acontece.
O argumento, entra logo a abrir e os personagens quase que nos caiem em cima em estado acelerado. De cada vez que a história nos apresenta uma nova pessoa, normalmente a montagem entra por uma sequência fragmentada, que, ou nos leva para uma cena de acção ou então para mais um flashback que tenta narrar em breves minutos (breves mesmo) todo o background da história do novo personagem.
Se isto torna os personagens secundários completamente redundantes, (os antigos “amigos”(?) do heroi por exemplo), também não ajuda nada a situar aquilo que supostamente é a alma do filme, ou seja a inevitável história de amor.

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[“The Restless“] tinha tudo para ter sido um Wuxia tão romântico e emocional quanto “An Empress and the Warriors“, mas falha nesse aspecto porque não dá tempo ao espectador de criar uma empatia com o passado dos personagens. E quando esse passado é essencial para criar emoção para a história presente, o filme nunca consegue transportar-nos verdadeiramente para o seu coração emocional.
No ecran tudo é visualmente muito bonito mas o facto de [“The Restless“] não conseguir puxar emocionalmente o espectador para o seu mundo torna todos os cenários em Photoshop ainda mais artificiais e é pena, pois este filme oriental pedia uma envolvência total e nunca nos consegue puxar verdadeiramente para dentro dele. Embora verdade seja dita que se nota perfeitamente o realizador a tentar criar emoção e dotar a história de alguma alma. Infelizmente a estrutura do argumento, a falta de tempo e uma montagem algo errática em alguns momentos torna a sua tarefa bem dificil.
Outra coisa que também não ajuda são as sequências de acção.
Infelizmente [“The Restless“] não é um filme Chinês e isso nota-se.

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Ao contrário dos Wuxias Chineses onde as coreografias de acção nos maravilham ou surpreendem com toda a sua variedade, este filme Sul Coreano nunca consegue chegar ao mesmo nível.
[“The Restless“] é essencialmente um filme de acção e possivelmente um dos mais dinâmicos filmes de pura Fantasia que poderão encontrar pela frente. No entanto todo o dinamismo nunca se traduz em variedade.
Ou seja, o filme tem acção, porrada de meia noite, gajos a voar por todos os lados, espadeirada quanto baste, mas tudo parece sempre mais do mesmo.
Enquanto um Wuxia Chinês nos impressiona pelas coreografias imaginativas, [“The Restless“] tenta impressionar-nos pelo estilo e pela pinta que tenta meter á força. É aqui que se nota que esta obra é mesmo um produto Sul Coreano e não Chinês.
Montagem televisiva ultra-rápida em estilo videoclip MTV, herois em poses cheias de tiques Anime e muito Cgi de plástico a embrulhar tudo a todo o momento.

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Aliás há um par de momentos no filme em que pensei que se calhar a compra do dvd não teria sido lá muito boa ideia. Isto porque algumas sequências ao mais puro estilo Anime ( a puxar para o Dragon Ball ), fizeram-me pensar por minutos que tinha comprado mais outro “Shinobi” e que as coisas iam descambar noutro clone em overdose de porrada Cgi. E vocês sabem o quanto eu gostei do Shinobi.
No entanto, felizmente as coisas compõem-se. E apesar do constante esforço que se nota no filme para meter estilo nas cenas de porrada a verdade é que o resultado final até poderia ter sido bem pior.
Estou para aqui a reclamar, mas [“The Restless“] se vocês quiserem ver um bom filme de porrada com muita Fantasia visual, têm aqui uma boa opção que conta inclusive com um par de sequências de acção muito entusiasmantes.
Por exemplo a cena em que o heroi com uma simples espada limpa sózinho o sebo a um exército de milhares de gajos feios é um verdadeiro prazer cinéfilo-chunga-estiloso e vale o filme se a esta altura vocês já tiverem deixado o cérebro algures.

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E pronto, essencialmente estamos conversados sobre os aspectos menos bons de [“The Restless“].
Quanto a coisas positivas…
Bem, para começar lá para o final a história de amor quase que resulta e ajudada por visuais lindissímos temos um vislumbre daquilo que o coração emocional do filme poderia ter sido se tivesse tido a tal meia hora de introdução de personagens que não teve.
E por falar em visuais… os cenários podem ser de Photoshop mas que são fabulosos isso são. Quem quiser um filme de Fantasia oriental, (já viu o “The Promise” ), e adorar histórias em que os herois percorrem em estilo road-movie uma variedade imensa de geografias imaginárias cheias de ambiente então não pode perder [“The Restless“].
Sente-se de facto que o mundo de Joong-cheon é um mundo á parte, não só mágico como imenso e muito imaginativo.

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Os cenários virtuais são espectaculares e muito vastos, a cenografia é excelente e muito atenta ao pormenor e a cor é usada de uma forma absolutamente perfeita, tornando este filme num verdadeiro Anime em “imagem real” como se estivessemos a ver uma graphic-novel pintada a óleo sempre em movimento.
Apesar de bastante plástico e muito artificial, quanto a mim nota alta não só para o design de todo o filme como principalmente pela imaginação que conseguiu colocar no ecran com um pequeno orçamento.
Nota positiva também para a banda sonora. Embora em alguns momentos tenha uns tiques de música contemporanea que me chateiam particularmente, noutras alturas consegue uma atmosfera perfeita para algumas sequências. Por mim o filme teria uma música mais épica que fizesse o ambiente abrir-se ainda mais, mas não se pode dizer que as melodias estraguem o filme.

E como tal…

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CLASSIFICAÇÃO:

Não será o melhor filme de Fantasia do mundo, mas quem gosta do género tem aqui uma excelente opção.
Se gostou de “The Promise”  e quiser mais do mesmo tem aqui o seu parente pobrezinho mas com muita substância e imaginação. Quem não gostou de “The Promise” se calhar é melhor evitar este filme a todo o custo.
Pode não ser Cinema com “C” grande mas é um excelente filme pipoca para quem procura um divertimento de Fantasia e gosta do estilo oriental.
Recomendo vivamente e leva quatro tigelas de noodles na boa apesar das suas falhas.
Se calhar merecia menos, mas é um filme de Fantasia divertido e não há muito deste estilo por aí.

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A favor: para quem gosta de explorar mundos de fantasia a partir do sofá da sala, tem muita imaginação, o conceito do mundo “purgatório” está muito variado e cheio de pormenores criativos, tem um excelente ambiente e passa a sensação de que o mundo é realmente vasto, usa muito bem os cenários naturais, apesar de plástico e artificial contém paisagens em estilo Photoshop fabulosas, as cores do filme são mágnificas e a cenografia está cheia de detalhes que ainda ganham mais vida a uma segunda visão, em algumas cenas de acção o uso do Cgi é mágnifico, a história de amor apesar de não agarrar o espectador tem um par de momentos bonitos, algumas cenas de acção são excelentes embora repetitivas, a breve cena de porrada em que um gajo devasta um exército á espadeirada é demais e completamente Anime/Manga, a banda sonora poderia ser mais épica mas não está mal. Quem joga “Perfect World” vai gostar muito deste filme que bem que se poderia chamar “Perfect World – The Movie” e ninguém iria queixar-se.
Contra: o filme precisava de pelo menos mais meia hora no início para apresentar os personagens como esta história merecia, os personagens são demasiado esquemáticos e sem grande alma ou personalidade, as histórias que tentam humanizar os personagens em estilo flashback não resultam, apesar de haver uma história para o vilão este acaba apenas sendo o mau do costume que só está no filme para morrer no fim, falta uma verdadeira carga dramática no filme e é pena, a montagem por vezes tenta contar muita coisa em segundos e como resultado os acontecimentos não têm grande substância nem conseguem contribuir para que os personagens sejam menos de cartão, a história de amor nunca atinge o seu potencial nem tem grande emoção salvo raros momentos, o espectador nunca é verdadeiramente transportado para dentro do filme, algumas cenas de acção são demasiado Shinobi/Dragon Ball e isso quase que estraga o ambiente do filme, embora muito dinâmicas todas as cenas de acção parecem sempre mais do mesmo, o filme tenta disfarçar a falta de variedade da acção com uma montagem acelerada estilo MTV em muitos dos momentos que pediam uma boa coreografia e em vez disso apenas têm estilo a mais, as poses Anime dos persongens quando andam á porrada acabam por perder a piada porque repetem-se constantemente, nunca se percebe se o filme quer ser um Wuxia de fantasia ou um Anime em imagem real e fica a meio caminho entre os dois.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=lXVNZqKd_Bo

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Comprar
Recomendo  a edição R1 americana.
Excelente imagem e som, com um óptimo documentário de making-of e tudo legendado em inglés.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0929261/

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Se gostou deste poderá gostar de:

The Promise A Chinese Tall Story

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