The Monkey King 2 : The Legend Begins (2016) ChinaThe Monkey King 2) Pou-Soi Cheang (


Wow !
Até ao momento [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] foi para mim a surpresa do ano em termos de cinema, pois desta não estava nada à espera.
Apanhar com uma sequela assim principalmente depois do primeiro filme ter sido tão …ehm…inclassificável… foi verdadeiramente um prazer no que toca à descoberta de novos filmes de Fantasia.

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O personagem do –Monkey King– apesar de pertencer à própria cultura popular chinesa, para mim sempre foi absolutamente insuportável. Estas versões modernas, não são a primeira adaptação do conceito que trouxe este heroi para o cinema, mas independentemente de que versão tenha aparecido no mercado desde há décadas, para mim este Rei Macaco sempre foi o equivalente oriental ao Jar-Jar-Binks no Star Wars e portanto quem percebe esta referência já está a imaginar a tragédia e o quanto insuportável se pode tornar um personagem num filme de fantasia. E este ainda conseguiu ser pior, se é que tal lhes parece possível.

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[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] apesar do subtitulo “The Legend Begins” é na verdade a sequela do filme “The Monkey King” de 2014. Ou melhor, por acaso pareceu-me quase uma espécie de -reboot- não assumido desta franchise oriental. [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] está para “The Monkey King” e para a série de adaptações clássicas de filmes Chineses -“Journey to the West”- como o novo Star Wars – The Force Awakens, está para o universo Star Wars.
Apesar de referenciar muitos dos acontecimentos anteriores, [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é muito semelhante ao novo Star Wars na forma como usa tudo o que já foi feito anteriormente em cinema para de certa forma recomeçar a saga de -Journey to the West- e as aventuras de Monkey King com um novo fôlego.
E que fôlego meus amigos !

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Muito raramente se encontra uma sequela que melhore por completo o que foi feito no filme anterior mas [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é definitivamente um verdadeiro manual de como se olha para um primeiro título e se consegue reparar practicamente todos os defeitos e falhas apresentadas na primeira adaptação.
Estava a ver isto e a pensar que quase parecia que o os criadores deste segundo filme tinham lido a minha review do primeiro “The Monkey King“, anotado cada uma das minhas queixas e melhorado tudo o que eu tinha apontado de negativo. Curiosamente, ao ler um par de outras reviews profissionais na internet, notei que também outras pessoas sentiram exactamente o mesmo que eu senti e também pela mesma razão gostaram agora também mesmo muito desta sequela.

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Afinal [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é bom porquê ?
Para dizer a verdade, isto começou e durante os primeiros vinte minutos ou algo assim, eu já pensava – not again – e já me preparava para desancar forte e feio também nesta sequela.
Para quem viu o primeiro capítulo disto (não é obrigatório), certamente também o inicio desta sequela lhes irá parecer mais do mesmo. O personagem continua insuportável, acontecem lutas em animação CGI histérica desde o primeiros segundo sabe-se lá porquê pois não têm grande contexto para nos situar na acção e até se anda à porrada com um típico dragão chinês só porque este tinha mesmo que voltar a aparecer no filme, (pois é realmente muito cool sim senhor) e não havia maneira de certamente o encaixar noutra parte da história.
Portanto, tudo péssimo no início deste filme, sem olharmos para isto em comparação com o que esperávamos que tivesse evoluído desde a primeira aventura.

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No entanto, continuem com o filme e vão descobrir que pouco a pouco irão ficar estranhamente mais interessados em tudo o que se passa no ecran e quando vocês darem por isso já estão a adorar aqueles personagens. Personagens que à partida parecem vir a ser tão rídiculos quanto o heroi mas que quando vocês chegarem ao final deste filme, mal podem esperar para os voltar a ver numa parte 3 que espero sinceramente que seja produzida com a qualidade e identidade deste segundo capítulo.
Atenção, toda a minha review enquadra-se num contexto de cinema de Fantasia. Se vocês não têm qualquer interesse por dragões, feiticeiros, cidades encantadas e montros míticos chineses, então é melhor passarem à frente e irem ver outra coisa qualquer que eu tenha recomendado por aqui.
Se chegaram até aqui, gostam de Fantasia e procuram uma história que se torna absolutamente cativante então estão no sítio certo.

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Aliás, o grande trunfo de [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] está no facto de ir melhorando a cada minuto que passa. Este foi para mim um daqueles raros filmes em que senti que o que ainda estava para vir ia ser melhor e felizmente desta vez não me enganei.
Especialmente a nível de personagens.
Felizmente que alguém percebeu que o “The Monkey King” anterior precisava mesmo de uma renovação e de um grande melhoramento a nível de humanização dos herois para deixar de ser apenas o festival técnico de CGI sem alma que caracterizou o primeiro filme.
E é precisamente na humanização dos herois que [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] desta vez acerta em cheio.

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Não parece ao início; a quantidade de efeitos digitais em modo ultra histérico continua absolutamente elevada a todo o instante mas mais uma vez se demonstra que se calhar um mau filme não está no exagero de efeitos digitais ou num excesso de cenas com efeitos especiais mas sim no facto de muitos filmes suportados em efeitos não os conseguirem mostrar dentro de um contexto concreto com pesonagens de que fiquemos a gostar.
[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] pega em tudo o que falhou no primeiro filme a nível de personagens e exagero de efeitos sem alma, para melhorar tudo isso e desta vez temos uma história que trata tão bem os seus protagonístas que depois o exagero de efeitos já nem parece problemático; isto porque tudo está em perfeito equilíbrio precisamente porque desta vez ficamos mesmo a gostar de acompanhar cada um dos herois sem sentirmos que andam perdidos em intermináveis cenas de ecran verde para nada.

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[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é um filme que sabe quando deve parar. Pelo meio de tanta porrada digital, tanto efeito, tanto design espectacular ainda sobra espaço para um excelente desenvolvimento de personagens. A história está polvilhada de pequenos momentos que humanizam cada heroi (e até a vilã) e ainda consegue arrancar um par de momentos verdadeiramente dramáticos no melhor dos sentidos. É nessa altura que nos apercebemos que se calhar esta filme é bem melhor do que nos parecia pois damos por nós a nos importarmos realmente com a relação entre os personagens.

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E suspense. Este filme consegue ter suspense ! Até mesmo numa história de fantasia algo formulática em termos de estrutura consegue criar um par de momentos de tensão bastante bons que só contribuem para o espírito de aventura geral. E consegue isto até mesmo em cenas completamente afundadas em animação de CGI, o que não deixa de ser um feito notável.
Da mesma forma que os personagens vão ficando mais complexos, também a animação digital vai ficando mais espectacular e as cenas de acção vão se tornando mais histéricas. Só que desta vez tudo resulta, porque todo o filme já encontrou o seu equílibrio à muito.
Deixem-se levar por este universo e vão encontrar um dos melhores mundos de fantasia dos últimos tempos.

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Em termos de acção nota-se um esforço evidente para que cada cena de porrada apresente algo diferente. Nem sempre resulta, mas percebe-se que o filme está cheio de boas tentativas de nos divertir com cenas de luta o mais variadas possível.
[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é um filme de artes marciais dentro daquele estilo –Fantasia– muito assente em acrobacias com fios (que muita gente não gosta), passado num mundo algo semelhante ao de “The Promise” ou “The Restless” e é tudo o que por exemplo o ultra-decepcionante “Monk comes down the mountain” não conseguiu ser no que toca à criação de um universo de fantasia único envolvendo lutas de artes marciais.

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É certo que em [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] os efeitos especiais continuam a ser por demais, mas desta vez como tudo está bastante bem equílibrado quanto a mim isso só contribui mais para nos transportar para um verdadeiro mundo encantado, numa China mítica que tem algo a ver também com o espírito das Mil e Uma Noites…e…macacos me mordam se não há por aqui neste filme um par de piscadelas de olho aos filmes de aventuras arábicas do clássico criador de efeitos especiais Ray Harryhausen (filmes de Sinbad dos 50,60,70s); pois a cena da luta contra os esqueletos neste filme parece ser uma verdadeira homenagem à cena clássica do filme com as aventuras de Sinbad que muita gente interessada pelo cinema de Fantasia clássico, conhece.

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Adoro quando um filme de fantasia me consegue realmente transportar para um mundo imaginário e há muito que não via algo que tivesse tido esse efeito da forma como [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] o fez agora. Nem os recentes -The Hobbit- de Peter Jackson tiveram esse efeito em mim na sua totalidade e muito menos tinha encontrado qualquer título oriental recente que tivesse conseguido criar um mundo realmente único dentro do género da Fantasia desde “The Promise” há dez anos atrás; talvez com excepção do divertido “Dragons Nest: Warrior´s Dawn” no que toca ao puro cinema de animação.

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[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] acerta em cheio na criação de um mundo imaginário. Apesar de ser assumidamente –cinema de Photoshop– essencialmente, consegue no entanto abrir-se a uma escala épica que tinha faltado em absoluto ao primeiro “The Monkey King“. Desta vez já tudo não se passa apenas num único ambiente e os nossos herois fazem realmente uma veradeira viagem por um mundo de fantasia onde encontramos as paisagens mais variadas e imaginativas que para mim são absolutamente essenciais quando se pretende transportar o espectador para um outro universo.

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Os herois viajam por desertos, florestas, vales, montanhas sem neve, montanhas com neve, cidades em ruínas, capitais épicas (com sabor a Mil e Uma Noites), templos perdidos, torres demoníacas, masmorras e todo um sem numero de locais que adorei percorrer e que contribuiram totalmente para solidificar aquele mundo de fantasia que mesmo construído em CGI sente-se no entanto como real; (essencialmente porque assenta em bons personagens).
Em vários momentos parece que estamos  a ver um excelente livro ilustrado com um qualquer conto de fadas muito imaginativo visualmente e portanto nota alta para o concept-design desta aventura.

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E por falar em personagens, o filme pode chamar-se [“The Monkey King 2: The Legend Begins“], mas desta vez, felizmente já tudo não precisa de girar à volta do protagonísta. Na verdade senti que os criadores deste filme perceberam que o -“sindroma Jar-Jar-Binks”– poderia realmente continuar a dar cabo desta saga e desta vez o próprio Monkey King mesmo apesar de continuar histérico com o raio e com um riso absolutamente irritante está no entanto mais contido. Não só tem momentos de pausa muito bons em que podemos vislumbrar uma verdadeira humanização por detrás do personagem, como este faz parte de um grupo mais vasto e funciona mais como complemento central onde toda a história assenta do que própriamente tem o papel central.

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A haver um heroi se calhar é o personagem do monge que tem a missão de viajar para Oeste em busca dos escritos sagrados do Budismo, mas mesmo este não resultaria se não estivesse apoiado pelos restantes membros do grupo de herois e portanto temos aqui um verdadeiro -ensamble cast- em vez da história ser apenas uma desculpa para cenas de acção histéricas com o Monkey King. Todos os personagens importam e tudo resulta por causa dessa química que há entre eles e que nos fazem gostar de acompanhar o seu destino.

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[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é também um filme sobre o vilão da história. Ou melhor, sobre a vilã. Uma verdadeira feiticeira completamente inspirada na bruxa má da história da Branca de Neve (ou pelo menos parece) e que acaba por ser o coração emocional do filme, até na forma como a sua história está depois ligada ao próprio destino do monge e irá afectar toda a acção e desenvolvimento dramático no segmento final da aventura que resulta em pleno.

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Este personagem da feiticeira é um espectáculo. Não só a caracterização e o design são perfeitos, como depois tudo o que envolve efeitos especiais em torno da sua Magia é absolutamente cativante. [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] contém realmente muito boa animação CGI e se calhar não se nota, mas é nos momentos mais calmos envolvendo o personagem da vilã que nos damos conta como bons efeitos digitais quando resultam realmente contribuem para nos transportar para um mundo imaginário e nem por um instante nos lembramos que estamos a ver um persoangem de fantasia.

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Já falei sobre a origem desta história noutras reviews, mas para quem não sabe “Journey to the West” é assim uma espécie de saga da literatura clássica chinesa com uma forte tradição budista e em termos de comparação com Portugal é quase o equivalente aos “Lusíadas” só que com muito mais imaginação como podem ver pelos filmes se já os conhecem.
O Rei Macaco é apenas um dos persongens dessa saga mas é um dos herois míticos mais populares da China.
Curiosamente esta nova franchise do “Monkey King” é quase uma sequela (e prequela também) de um dos títulos orientais que já comentei por aqui, chamado “A Chinese Tall Story” e que na verdade é outra adaptação de mais um bocado desse texto clássico chinés (texto por demais enorme para ser adaptado num único título mas com material para aventuras inesgotáveis que certamente ainda iremos continuar a ver muito pelo cinema de fantasia chinês).

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De resto, o que mais dizer sobre este filme ? Falha no quê ?…
Bem, se calhar muitos cenários digitais são exageradamente digitais, se calhar tem alguma acção demasiado exagerada; mas a verdade é que desta vez isso não é de todo um problema. Só o facto de eu estar aqui a tentar esforçar-me para encontrar algo de verdadeiramente mau sobre este filme para postar aqui, é sinónimo de que se calhar achei [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] ainda melhor do que eu pensei.

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Ah, e a banda sonora não se nota à primeira, mas é excelente e absolutamente perfeita para este tipo de história. Só me apercebi o quanto a música deste filme tem personalidade quando a estava ouvir nos créditos e fiquei com  vontade de comprar o cd  e tudo.
E por falar em créditos, vejam o filme até ao fim. 😉

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CLASSIFICAÇÃO:

Ainda pensei atribuír-lhe “apenas” cinco tigelas de noodles porque isto afinal não será própriamente o Casablanca e é apenas um filme de efeitos especiais bastante bom, mas a verdade é que eu realmente adorei [“The Monkey King 2: The Legend Begins“].

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Como cinema de Fantasia foi dos títulos que mais gostei nos últimos anos e acima de tudo gostei do facto de não ter gostado dele no início mas depois ao acabar só me apetecia ver uma terceira aventura e é muito raro encontrar cinema de efeitos especiais num modo histérico que me consigam cativar tanto.
Este vou comprar mesmo em Blu-Ray pois aposto que a versão 3D vai ser realmente fantástica, até porque o filme está cheio de momentos visuais que irão resultar muito bem de certeza absoluta nesse formato. Normalmente nem tenho grande curiosidade pelo 3D mas abro uma excepção concerteza para esta aventura.

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Transportou-me verdadeiramente para um mundo imaginário que não questionei de todo e só por isso vale cinco tigelas de noodles e um Golden Award.

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A favor: corrigiram tudo o que estava mal no primeiro filme da saga, desta vez temos personagens de que gostamos, a vilã é fantástica, é muito variado em termos de ambientes e criaturas imaginárias, tenta variar também  nas cenas de luta, consegue criar um mundo de fantasia sólido mesmo com todo o cgi à mistura, excelentes paisagens, parece um livro ilustrado em muitos momentos, bom sentido épico, boa banda sonora, muito divertido, deixa-nos com vontade de continuar a acompanhar aqueles personagens

Contra: os primeiros vinte minutos são algo caóticos e tudo parece banal e mais do mesmo em relação ao primeiro título de 2014, é cinema photoshop e portanto se são alérgicos a efeitos especiais deste género podem não gostar disto, se não gostam de cinema de fantasia em jeito de conto popular chinês esqueçam este título.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt4591310

Outra review:
http://www.hollywoodreporter.com/review/monkey-king-2-film-review-860996

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Mtime.com

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COMPRAR BLURAY [várias opções à venda no Oriente]

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COMPRAR BLU-RAY REGIAO ZERO/LIVRE na YesAsia
http://www.yesasia.com/us/the-monkey-king-2014-blu-ray-3d-2d-taiwan-version/1035437909-0-0-0-en/info.html

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http://www.dddhouse.hk/products/monkey-king-2-the-3d2d-blu-ray-2016

(Em Hong Kong na Play Asia, sai em Maio de 2016 – várias opções)
BLURAY [região zero]
3D e 2D – http://www.play-asia.com/the-monkey-king-3d2d/13/707qw5
3D apenas – http://www.play-asia.com/the-monkey-king-3d/13/707qvt
2D apenas – http://www.play-asia.com/the-monkey-king-2d/13/707qvx

DVD [região zero(?) por confirmar ainda…]
http://www.play-asia.com/the-monkey-king/13/707qvp

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Se gostou deste irá gostar de:

A Chinese Tall Story capinha_Themonkeyking capinha_sorcerer_and_white_snake capinha_restless capinha_snow-girl

capinha_vikingdom capinha_dragon nest The Promise

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Battle in Outer Space (Uchû daisensô)Ishirô Honda (1959) Japão


Eu adoro filmes de ficção-científica da chamada “Golden Age of Sci-fi”, essencialmente produções dos anos 50 até inícios de 60. Adoro filmes com foguetões, extraterrestres muito ameaçadores e invasões  de discos voadores só porque sim. [“Battle in Outer Space”] é um deles e curiosamente foi um filme que me tinha escapado até ontem. Já tinha visto o seu cartaz mas ainda não tinha colocado os olhos no filme e devo dizer que tanto me surpreendeu em muitos aspectos como me irritou por demais noutros.

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Muitos de vocês se calhar não sabem, mas existem inúmeros títulos associados aos estados unidos que na verdade nunca foram produzidos em Hollywood mas sim na Rússia (que estava muito (mas muito) à frente dos americanos em efeitos especiais nessa época).
Também o Japão a partir de Godzilla investiu forte e feio em cinema espectáculo dentro do género catástrofe e mal ou bem acabou por marcar uma época e definir um estilo que se mantêm até hoje.

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Enquanto na Rússia se produziram excelentes títulos de ficção-científica séria ao nível dos melhores romances da época com produções como “Road to the Stars (Doroga k zvezdam)“; “Planet of Storms (Planeta Bur)” ou “Voyage to the End of the Universe (Ikarie XB1)” que mais tarde foram comprados, dobrados e retalhados por Hollywood ao serem criadas “versões americanas” desses filmes para os drive-ins; o Japão atirava cá para fora uma sucessão de clones do Godzilla e também alguns exemplos daquilo que depois, com a chegada de Star Wars em 1977, viria a ser o género da space-opera no cinema ocidental.

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Este fascinante [“Battle in Outer Space”] estreou em 1959 e quase que aposto que George Lucas na altura com 16 anos o deve ter visto e o reteve na memória, pois curiosamente a batalha espacial final neste filme Japonês tem extraordinárias semelhaças com o ataque à Estrela da Morte no fim do Star Wars original. O tom é practicamente o mesmo intercalando cenas de tiroteio espacial entre caças trocando raios laser com inserts em grande plano dos pilotos dentro das naves a comunicarem uns com os outros.
Que eu me lembre, nunca tinha aparecido algo assim antes no cinema e pelo visto [“Battle in Outer Space”] foi pioneiro nisto. Vale a pena verem este filme pela batalha espacial final pois é muito divertida ao mesmo tempo que é completamente imbecil.

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Aliás, começando logo pelo que este filme tem de bom, os efeitos especiais para a época devem ter sido absolutamente inovadores. Dentro do contexto são realmente bons e penso que são até algo superiores ao que o Japão fazia na altura com os clones de Godzillas; em particular nas cenas espaciais.
As partes no espaço são fascinantes. Ao contrário dos série-b americanos que filmavam modelos de foguetões pendurados por fios essencialmente de perfil contra fundos pretos, em [“Battle in Outer Space”] há uma tentativa muito boa de apresentar algumas sequências com profundidade, filmando as naves de vários ângulos em viagem pelo espaço de uma forma até ainda bastante actual.

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O design dos foguetões também é bastante bom e não tem aquela estética de supositório com asas que era comum no primitivo cinema do género na américa, apostando já em apresentar as naves espaciais com alguma identidade e pormenores interessantes.
[“Battle in Outer Space”] em termos visuais começa logo bem, com uma pequena mas excelente sequência de ataque a uma estação espacial em órbita (no distante e futurista ano de 1965) e que só peca por ser muito breve. Não só o ataque alienígena é divertido como o próprio design da estação espacial tem muita pinta.

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Aliás, outra coisa muito boa neste filme são os matte-paintings que estendem paisagens naturais ou inserem elementos futuristas nos cenários. São muito variados, bem pintados e muito bem integrados no filme seja onde estiverem inseridos.
Muitas maquetas são bastante engraçadas, o design dos discos voadores alienígenas é muito cool e todo o conjunto visual funciona muito bem.

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Em termos de cenários idem. Especialmente nas partes lunares onde [“Battle in Outer Space”] consegue realmente ter uma atmosfera bem mais cuidada do que muito cinema da época costumava apresentar. Há alguma variedade de cenários e ambientes, mais uma vez os matte-painting expandem as paisagens lunares de uma forma excelente e tudo resulta para fazer com que o meio do filme passado a aventura na lua seja sem sombra de dúvida uma das melhores partes desta história sem pés nem cabeça.

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E é precisamente a história que afunda [“Battle in Outer Space”] e o remete automáticamente para o reino daquele mau cinema que é imperdível. Isto não é de todo a excelente ficção-científica séria da Russia mas também não é o típico filme simplistico de foguetão filmado no quintal produzido em Hollywood na época. Isto é algo muito à parte.
É uma espécie de cruzamento entre um filme catástrofe em modo Godzilla com cidades arrassadas porque sim, a típica aventura de foguetão americana (onde nem falta a inevitável cena dos asteroides que quase colidem com as naves; mil vezes repetida na FC da época), com algo que é na verdade uma espécie de proto-space-opera que mais tarde seria popularizada por Star Wars com os seus combates no espaço.

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Essa mistura torna [“Battle in Outer Space”] num filme estranho.
É ao mesmo tempo muito divertido e muito irritante também.
E a culpa é dos personagens.
[“Battle in Outer Space”] é absolutamente inepto quando tenta apresentar pessoas nesta história. É claramente um filme de efeitos especiais em que o realizador não tem qualquer talento para dirigir actores, tem personagens a mais e um argumento que não faz ideia do que apresentar para os personagens dizerem. É absolutamente atroz e quase inacreditável de tão mau que é.

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[“Battle in Outer Space”] sofre precisamente do mesmo mal que um dos grandes clássicos americanos da FC, “The Thing from Another World” sofria. Este filme que anos mais tarde foi refeito por John Carpenter no seu “The Thing”, na sua versão original de 1951 para mim é um dos filmes mais irritantes de sempre precisamente por causa dos personagens.
Tem pessoas a mais a passearem pelos cenários sem qualquer identidade e depois andam todos em fila indiana uns atrás dos outros quando acontece alguma coisa. Há cenas “de suspense” em que metade do elenco anda a correr em fila atrás do tipo que vai à frente e depois dá meia volta e segue tudo em fila noutra direcção.
[“Battle in Outer Space”]  sofre exactamente do mesmo mal.

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Por causa disso o início do filme tem cenas completamente rídiculas em que por exemplo dezenas de protagonistas (?) correm atrás de um vilão em grupo, estilo manada de vacas com o mau a correr à frente. E isto é aquilo que passa por cena de acção com personagens humanos nesta história.
Quando chega a parte da aventura na lua, a Terra envia não um mas dois foguetões para irem atacar a base dos extraterrestres (com um único canhão laser) e em cada nave há umas dez pessoas que não conhecemos de todo nem nos importamos minimamente com elas pois são peças do cenário. Não têm nada para fazer nesta história a não ser andar uns atrás dos outros “nas cenas de acção”.

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Quando exploram a lua a coisa agrava-se pois com os fatos de astronauta vestidos ainda menos sabemos quem é quem, embora “o heroi” deva ser quem vai á frente com a manada atrás. Eu sei que isto é suposto fazer parte do charme ingénuo deste tipo de cinema, mas acreditem-me, neste caso tal como acontecia no americano “The Thing from Another World” alguns anos antes, é algo extremamente irritante. Isto porque pura e simplesmente nos desliga por completo dos personagens. Em [“Battle in Outer Space”] não nos importamos minimamente com ninguém e só desejamos que passem á cena de efeitos seguintes para não ter que ouvir aquelas pessoas abrirem a boca sem nada para dizer ou com diálogos “técnicos & científicos” de morte. Poderia ser divertido, mas é irritante como o raio porque este tipo de coisa é o que passa por desenvolvimento de personagens neste filme e repete-se constantemente.

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Como resultado disto também a batalha final no espaço não tem qualquer interesse para além dos efeitos especiais e da dinâmica da coisa, porque os supostos herois do filme nem participam nela !! Estão sentados mais uma vez numa sala de comando na Terra a ver a coisa acontecer no espaço através de um enorme televisor e mais nada !
Curiosamente, esta é uma das características do cinema Japonês desta época dentro deste género e em particular desta produtora. No final das aventuras nenhum dos personagens costumava participar na acção porque toda a gente se limita a ficar numa sala de comando qualquer à espera que a batalha final se desenrole e acabe bem para o lado deles enquanto outros personagens completamente anónimos lutam.

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E vocês nem querem saber qual é o papel das mulheres neste filme. Neste tipo de cinema quando feito nos estados unidos já serviam apenas para gritar mas neste filme não servem só para gritar como também são burras como o raio. Esperem só até vocês chegarem à cena na lua em que uma astronauta é cercada por um bando de extraterrestres…
E por falar em extraterrestres…é melhor nem dizer mais nada.
A Terra foi invadida porque sim.

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E voltam vocês a perguntar; mas não é esse o charme deste tipo de filmes ? É sim, mas há uma linha que separa -o charme- de um argumento completamente imbecil (até mesmo para esta altura), que dispensa por completo qualquer personagem humano e no entanto desperdiça cena atrás de cena com dezenas deles no ecran a todo o instante quando não lhes dá absolutamente nada para fazer e muito menos faz com que nos importemos com eles.

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Sendo assim, [“Battle in Outer Space”]  recomenda-se moderadamente a quem se preparar para conseguir ver isto sem lhes apetecer enfiar uns murros nos protagonistas.
Ou se calhar é uma obra prima. Não sei, estão por vossa conta.
Não sei se lhes recomende a versão dobrada em inglés ou a versão original. Se calhar a versão dobrada é ainda pior. Eu vi a versão original legendada em inglés e apesar de tudo é suportável…apesar de eu não entender esta mania dos Japoneses de colocarem um elenco internacional espalhado pelo filme todo também, a falarem todo o tipo de idiomas quando depois mais uma vez o argumento não desenvolve qualquer personagem e portanto o cast internacional aqui também não serve para nada. Acontece aqui também como depois continuou a acontecer anos mais tarde, com efeitos ainda mais risíveis em “Sayonara Jupiter” por exemplo.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Battle in Outer Space”] não deixa de ser um verdadeiro guilty-pleasure e totalmente obrigatório para quem gosta de conhecer títulos dos primórdios da FC, (na mesma linha de um “The X From Outer Space” ou “The Green Slime“); até porque em efeitos especiais este é realmente muito bom; bastante cuidado para a época e muito imaginativo visualmente.
Não fossem os personagens absolutamente vazios, sem um pingo de interesse para a história e este filme levaria uma classificação bem mais alta.

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Dentro do género “Message from Space” já uns anitos depois, ou até mesmo “War in Space” são bem mais divertidos. Até “X-Bomber” que é com bonecos consegue ter personagens melhores e bem mais humanizados que [“Battle in Outer Space”].
Portanto, três tigelas de noodles porque dentro do género retro é bom por ser bom em termos técnicos no que toca a design e efeitos.

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A favor: o ambiente, o design, os efeitos, os matte-paintings, as cenas na lua, a batalha no espaço.
Contra: é um vazio absoluto para lá dos efeitos especiais, zero carisma ou interesse nos personagens humanos, a história ainda parece pior por causa dos personagens, nem se vêem os extraterrestres tirando uma sequência absolutamente ridicula na lua envolvendo a habitual rapariga astronauta que grita muito e é burra como o raio, os personagens podem ser absolutamente irritantes porque a escrita deste argumento é atroz, em termos de argumento é ainda pior do que aquilo que costuma ser o standart ingénuo da FC dos anos 50 o que pode tornar este filme insuportável em vez de divertido.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0053388

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11 A.M. (Yeolhansi) Hyun-seok Kim (2013) Coreia do Sul


Agora que Blade Runner vai ter mesmo uma sequela oficial produzida por Ridley Scott prevista para estrear em 2017, se calhar começo esta review por dizer que o melhor que todos os fãs de Blade Runner (que gostem de cinema oriental) podem fazer, (se ainda não o fizeram), é ver o excelente “Natural City” produzido há alguns anos na Coreia do Sul.

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Se alguma vez imaginaram como seria um bom Blade Runner de sabor oriental, se alguma vez desejaram encontrar um universo cinematográfico semelhante ao do Blade Runner original mas que não fosse estragado por qualquer tentativa de remake americano, recomendo vivamente que não percam “a versão” Sul Coreana, até para depois poderem comparar.
Por esta altura vocês já devem estar a pensar que se enganaram na review. Não estão enganados, este texto agora é mesmo sobre [“11 A.M.” (Yeolhansi)], mais um raro título de ficção científica Sul Coreano pois história do género parecem continuar a aparecer a conta-gotas na filmografia daquela parte do mundo, sabe-se lá porquê.

11 A.M._01

Continuo a achar fascinante que do oriente saiam regularmente um sem fim de bons épicos históricos, excelentes histórias de amor, óptimo cinema de terror, algumas comédias originais e até um bom numero de filmes de aventuras e de fantasia, mas no que toca a ficção científica séria nos moldes que podemos ver no ocidente é raro depararmo-nos com algo que fique na memória pela sua qualidade. Sendo assim, aproveito este texto agora, para fazer um apanhado geral do que tem sido a ficção-científica saída do oriente pois não tem sido um género muito popular até junto de quem gosta de cinema vindo daquela parte do mundo.

Natural City

Da China, não me recordo de nada que seja particularmente marcante dentro do género da ficção-científica cinematográfica com excepção talvez do divertido “Love In Space” que passa pelo género mas apenas como cenário de fundo para situar uma divertida  love story e nada mais.
O Japão parece criar excelentes histórias de FC em Anime (às vezes em tom bastante sério e adulto; “The place promised in our early days“;”Wings of Honeamise ), mas depois quando tenta reproduzir essa qualidade em cinema parece não conseguir passar das fórmulas televisivas mais kitsch, infantis ou foleiras e o melhor que consegue deitar cá para fora são coisas como “Space Battleship Yamato” (uma péssima tentativa de imitar o estilo Michael Bay em versão Japonesa), “Gatchaman” e/ou sucessivos clones de Power Rangers/Godzillas ( também em modo “Casshern que não contribuiem de todo para que do Japão tenhamos ainda um bom título de ficção-científica live-action até hoje para as salas de cinema.
Salvo talvez as excepções de “Sayonara Jupiter” e até mesmo “Returner” que ao menos parecem ter tentado fazer algo para dinamizar o género pelo Japão, a ficção científica não é coisa que pareça interessar o público japonês para lá dos Anime que todos nós conhecemos.

Wings of Honeamise

Já na Coreia do Sul o panorama da FC parece mais animador pois têm aparecido bons títulos embora esporádicamente.
Não são muitos, mas normalmente quando arriscam algum dinheiro numa produção mais séria, o resultado tem sido muito bom; com titulos como o dinâmico “2009 Lost Memories” ou o já mencionado “Natural City” (que embora com falhas não deixa de ser o melhor filme de FC produzido até agora no oriente naqueles moldes).  Não esquecendo também o fabuloso “Cyborg She” que por detrás de uma capa de comédia juvenil contém uma das melhores histórias sobre viagens no tempo que eu vi (ou li) até hoje, pela forma como humaniza os personagens e nos dá a volta à cabeça com os inúmeros twists do argumento;  (sim, melhor que o clássico “The Time Machine” e melhor que “Back to the Future”.)
Até no género cinema-catástrofe a Coreia do Sul produziu excelentes exemplos de cinema espectáculo; temos o fantástico “Flu” que quem gosta de filmes sobre virus que matam pessoas pelo mundo fora não deve perder de todo pois tem uma energia fantástica ou “The Host” que mostrou ao mundo que os filmes de monstros também podem ser FC séria e dramática. Ainda do mesmo realizador de “The Host”, saiu recentemente o excelente “Snowpiercer“, uma história sobre um futuro negro e distópico (com actores ocidentais) e que foi alvo de uma tentativa de censura nos estados unidos pelo tom negro que apresenta.

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O que nos leva então ao filme deste dia; [“11 A.M.” (Yeolhansi)].
[“11 A.M.” (Yeolhansi)] é assim uma espécie de “Alien” em ambiente subaquático, mas sem monstros; onde estes são substituidos por consequências de viagens no tempo.
Quero com isto dizer que estamos na presença do típico thriller de ficção-científica em que os personagens vão sendo mortos um a um seguindo a habitual fórmula que toda a gente já conhece e viu mil vezes no cinema ocidental para filmes com bichos que mastigam pessoas. Apenas aqui o inimigo é outro. A fórmula é a mesma.

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[“11 A.M.” (Yeolhansi)] é um filme de baixo orçamento, talvez mesmo o de mais baixo orçamento de toda a lista de filmes que mencionei atrás.
Os cenários são muito desinspirados embora se note que houve aqui e ali uma tentativa de fazer com que o ambiente visual do filme parecesse mais elaborado do que na realidade é.
Tirando um par de pequenos cenários “mais detalhados” como por exemplo a sala de comando central da base submarina que mesmo assim está por demais despida de detalhe; os outros cenários ou são pequenos corredores claustrofóbicos, salas essencialmente vazias ou então localizações reais que foram aproveitadas para simular tecnologia de ponta futurista (por exemplo o reactor é claramente filmado num qualquer laboratório real).
Nota-se uma grande diferença entre aquilo que são cenários e localizações reais e isso contribui um pouco para que nunca acreditemos muito que aquela base submarina seja um local a sério.

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Mas na verdade isso nem sequer é o ponto mais fraco de [“11 A.M.” (Yeolhansi)].
Apesar do baixo orçamento, sente-se que houve neste título uma tentativa de se criar uma história de ficção-científica adulta a sério. No entanto enquanto filme o resultado não é muito interessante por vários motivos.
Primeiro, a história de viagens no tempo apesar de muito bem executada, por seguir tanto à risca todas as fórmulas já conhecidas não apresenta absolutamente nada de novo que surpreenda o espectador.

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Em nenhum momento estamos atrás do argumento, isto porque é tão fácil adivinhar o que vai acontecer a seguir que até impressiona pela negativa. Isso retira logo toda a carga dramática que poderia haver em [“11 A.M.” (Yeolhansi)] e sem isso a história perde todo o impacto. Muito menos esperem surpresas. Não há. Até o suposto twist do epílogo não apanha ninguém de surpresa e se não estivesse lá também não fazia diferença nenhuma.

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Apesar de ser uma boa e sólida história do género, não deslumbra e quando uma história sobre viagens no tempo não contém qualquer coisa que nos apanhe de surpresa, mau sinal.
Comparem este argumento com o fabuloso exemplo de “Cyborg She” e vão perceber como  [“11 A.M.” (Yeolhansi)] é realmente um desperdício de potencial quando colocado lado a lado com o que se pode fazer numa história realmente criativa sobre viagens no tempo.
[“11 A.M.” (Yeolhansi)] leva-se demasiado a sério mas essa seriedade não consegue injectar qualquer interesse ou qualquer carga dramática à história. Já “Cyborg She” é o contrário, pois parece mais uma comédia adolescente desmiolada mas contém a história de viagens no tempo que este filme agora gostaria de ter sido.

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[“11 A.M.” (Yeolhansi)] nem seria tão fraquinho se ao menos tivesse bons personagens; mas estranhamente, mais uma vez, o mesmo cinema que no género romântico ou dramático consegue humanizar os seus protagonistas de uma forma fabulosa, quando chegamos à ficção científica parece que o estilo oriental perde todo esse dom e acabamos sempre com personagens-tipo absolutamente desinteressantes e que não criam qualquer empatia com o público. Se calhar porque os argumentistas que gostam de ficção-científica estão mais interessados na história calculista própriamente dita do que em desenvolver personagens, mas por outro lado, volto a dizer, temos “Cyborg She“como exemplo de como se pode ter excelente FC sobre viagens no tempo, precisamente suportada por personagens com muita alma.

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Sendo assim [“11 A.M.” (Yeolhansi)] não tem desculpa por falhar precisamente nos personagens. Se este tivesse contado com pessoas mais interessantes, se calhar até acompanhariamos com muito mais entusiasmo o previsível desenvolvimento desta história corriqueira sobre viagens no tempo.
Acontece que não nos importamos minimamente com o destino de qualquer uma das pessoas que vive esta aventura e isso é o pior que pode acontecer num filme de suspense baseado numa história previsível. Ainda há pelo meio a tentativa de inserir um par de trágicas histórias de amor a ver se pega, mas são tão forçadas que acabam por ter o efeito contrário.

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Os herois não têm qualquer química entre eles e pior ainda, em momento algum acreditamos que aquelas pessoas são cientistas de verdade pois tudo é um enorme vazio na composição dos personagens. O suporte dramático para muitas das suas motivações não tem qualquer credibilidae e não resulta de todo pois as pessoas deste filme parecem não acreditar nas vidas que vivem.
E não é um problema de actores. Nota-se que toda a gente aqui se esforça ao máximo por encarnar aqueles cientístas. No entanto é óbvio que no papel não havia nada onde um actor se pudesse agarrar para tornar a sua prestação mais interessante.

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[“11 A.M.” (Yeolhansi)] conta a história de um cientista que está obcecado com a descoberta das viagens no tempo (para tentar salvar a sua mulher que morreu anos atrás) e que juntamente com um grupo de colegas financiados pela união soviética (?!), trabalham num laboratório subaquático algures nas profundezas do oceano ao melhor estilo “The Abyss”; onde está instalado um protótipo de uma máquina que pode viajar no tempo e que quando o filme começa já tem a capacidade de conseguir viajar 15 minutos para o futuro. Prestes a serem encerrados por falta de resultados mais expansivos e imediatos, os cientistas decidem fazer um último teste e tentar alcançar um período mais longo; o que leva um par deles a conseguir transportar-se para 24 horas depois.

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Acontece que, quando chegam a esse breve futuro, deparam-se com toda a sua base destruida, o equipamento incendiado e o local abandonado.
O que aconteceu ? Para onde foi toda a gente nas últimas 24 horas e porque estará todo o laboratório à beira de implodir ?
É este o mistério que se torna desde logo para lá de evidente e totalmente previsível.
E sim, estamos num filme passado numa base subaquática. É claro que no momento em que toda a gente podia simplesmente pirar-se dali para fora, há uma tempestade à superfície que impede a evacuação imediata… … … (really ?!)

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Para sermos justos, na realidade [“11 A.M.” (Yeolhansi)] não é um mau filme de ficção-científica. É apenas desinteressante, embora numa filmografia oriental onde a ficção-científica escasseia não deixe de ser uma tentativa bem vinda ao género. Por outro lado, é um titulo tão simples que desilude quando podia ter sido realmente uma história excelente se o argumento contivesse as surpresas e a humanização de personagens de um “Cyborg She” ou a atmosfera de um “Natural City“.

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[“11 A.M.” (Yeolhansi)] faz tudo bem no sentido em que não se pode dizer que seja um filme mal feito. De todo. Até mesmo o que falha em termos de argumento não deixa de ser interessante a nível técnico apesar da previsibilidade. Quem gosta tanto como eu de cinema de baixo orçamento não pode deixar de ver este titulo pois nesse contexto tem algumas qualidade pelo esforço que demonstra em tentar ser mais do que na realidade é.
Os últimos dez minutos de [“11 A.M.” (Yeolhansi)] até conseguem ser divertidos quando tudo entra em total modo caótico e surpreendentemente tem um epílogo curioso que expande o filme para além do que é costume vermos neste tipo de produções. No entanto, é tudo por demais mediano quando merecia ter sido fantástico.

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Não é o baixo orçamento que deita tudo a perder, não são os cenários pobrezinhos que estragam o ambiente, nem sequer são os actores que arruinam a história.
É apenas o argumento. Parece um argumento daqueles que já vimos mil vezes em qualquer episódio banal de série televisiva que tenta criar uma história sobre viagens no tempo como história da semana.
Até a realização parece televisiva em muitos momentos num filme carregado de grandes planos do rosto dos actores em vez de abrir o ambiente com planos mais alargados. Por outro lado se assim não fosse notar-se-ia muito mais a simplicidade de toda a produção.

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Quem gosta de viagens no tempo e procura um titulo de ficção-científica no cinema oriental, tem em [“11 A.M.” (Yeolhansi)] uma opção interessante. Não irá supreender-se, mas por outro lado se não esperar muito também não ficará desiludido por aí além.
É uma produção de baixo orçamento competente, vê-se bem, apenas não deslumbra.
É um bom filme dentro das suas limitações. Nem mais, nem menos.
Três tigelas de noodles.

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A favor: temos mais um filme de ficção-cientifica séria no cinema oriental, é uma história sobre viagens no tempo bem estruturada, alguns cenários mesmo pobrezinhos são bastante interessantes e atmosféricos, os últimos 10 minutos são divertidos pois a história apesar de simples está bem resolvida.
Contra: é totalmente previsível ao pormenor desde o princípio ao final, os personagens não têm qualquer interesse, suspanse zero, realização algo televisiva que retira algum ambiente ao filme pois nunca mostra muito, é um daqueles filmes que logo esquecemos ainda mal acabou.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3281394

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Natural City capinha_sayonarajupiter73x 2009 Lost Memories  cyborg_she_capinha_73x

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Dragon Nest (Dragon Nest: Warriors’ Dawn) Yuefeng Song (2014) China/EUA


Se espreitarem a minha review para [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] no Imdb, hão de notar que lhe atribuí a incrível classificação máxima de 10 estrelas.

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Muita gente pensará que fiquei maluco, pois o que não faltam por aí são animações muito superiores tecnicamente ou no que quer que seja. Como raio me atrevi a dar uma nota tão alta a este filme no Imdb quando nem sequer aqui lhe irei atribuir a nota máxima ?
Bem, é tudo uma questão de contexto.
Passo a explicar.

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[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] quando comparado com o que de melhor se faz com muito dinheiro, se calhar não vale mesmo uma classificação tão alta. Acontece que a mim surpreendeu-me precisamente porque [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] não é uma produção de orçamento milionário e no entanto consegue atingir alguns patamares de qualidade ao longo de toda a narrativa que se calhar nem precisaria de atingir se o objectivo fosse apenas o de criar um desenho animado para vender aos putos em dvd mais tarde.

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Não só este filme consegue ter momentos de grande adrenalina como consegue o impossível de contar uma história com personagens interessantes de se seguir, sem se desviar um milimetro do típico cliché Dungeons & Dragons que já vimos mil vezes e que normalmente é logo garantia de que o resultado será um lixo.
Surpreendentemente não desta vez, o que na minha opinião torna [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] num excelente exemplo de como se calhar pode haver um bom resultado até mesmo com uma história já vista mil vezes. Está tudo na execução; principalmente na realização e este caso é particularmente interessante, pois a ultima coisa que eu esperava quando comecei a ver isto é que uma animação de segunda linha com um argumento já mil vezes batido e ainda por cima baseado num videogame fosse alguma coisa de jeito. E muito menos fosse apelativo para adultos.

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Sim para quem não sabe, [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é baseado num popular mmorpg chinês chamado precisamente “Dragon Nest” e que eu próprio joguei algumas vezes online durante algum tempo. Não costumo ter tempo ou paciencia para videogames online (e detesto jogar em computador), mas este “Dragon Nest” cativou-me pelo aspecto gráfico, pois desde o início sempre criou um mundo de fantasia bastante baseado num estilo de desenho animado que me atrai particularmente enquanto ilustrador. Foi precisamente esse mesmo estilo visual a fazer lembrar um livro de contos ilustrados, que me fez ir espreitar o filme quando descobri que existia. Isso e o facto de ser uma produção de animação chinesa. Apesar de também contar com capital americano, a execução é essencialmente made-in-china e logo isso deu a [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] um estilo diferente daquilo que estamos habituados a ver no típico cinema de animação ocidental ou saído de hollywood.

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Numa altura em que a maioria das produções de fantasia, particularmente em desenho animado segue sempre a mesma história já vista milhares de vezes, na verdade eu não esperava grande coisa quando comecei a ver o filme, mas logo desde os primeiros minutos houve algo que notei de especial nele.
O que me chamou a atenção foi precisamente o facto de [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] ser um filme de acção intensa e totalmente non-stop desde o inicio. Normalmente isto é logo sinónimo de grande seca e repetição constante, mas desta vez o que achei extraordinário logo desde os primeiros minutos é que a acção não estava lá apenas para impressionar mas serve principalmente como veículo narrativo para contar a história. E isso é muito dificil de se fazer. Mais ainda é haver verdadeiro desenvolvimento de personagens enquanto as cenas de porrada mais caótica acontecem no ecran.

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Resumindo, logo desde o início [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] surpreendentemente não me pareceu de todo um filme vazio, destinado apenas a entreter as crianças.
Havia aqui algo muito interessante para agarrar o adulto que gostasse de cinema e principalmente o adulto que se interessar por ilustração pois o conteúdo visual desta história é particularmente interessante pelo seu estilo storybook ilustrado ao longo de toda a aventura.

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É verdade que a história deste filme é tudo menos original, os personagens são todos sem excepção apenas o típico cliché do D&D ou dos jogos de MMORPG, mas surpreendentemente funcionam muito bem desta vez pois quem dirigiu isto sabe perfeitamente como tirar partido daquilo que parece banal a uma primeira visão. É quase como se esta animação tivesse sido realizada por um bom director de actores que percebe que a magia não está apenas nos efeitos ou nas cenas de aventura mas principalmente nos personagens. Surpreendentemente [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] contém personagens com grande carísma e era a última coisa que eu esperava.

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Cada uma das suas personalidade cliché está muito bem integrada na narrativa central e cada desenvolvimento de personagem marca um ponto importante na história, serve como reviravolta ou apresenta uma revelação importante. Se isto não tivesse sido assim, um filme como este teria sido uma seca infantil descomunal, pois de certeza que teriam apresentado os poderes da cada personagem, apresentavam a missão e depois o resto seria uma sucessão de cenas de porrada estilo D&D intermináveis até ao confronto final com o vilão do costumo e pronto, the end.
Não em [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”].

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Em [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] as cenas de acção são a cola que une toda a estrutura da história. Não só funciona, como  vão evoluindo até se tornarem absolutamente extraordinárias pela adrenalina que conseguem transmitir, especialmente nas cenas de grande batalha. Todas as cenas de acção são diferentes, muito imaginativas em termos de coreografia e acima de tudo muito bem realizadas; tudo ajudado por uma montagem excelente que se calhar passa despercebida.

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Pode-se dizer que [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é um verdadeiro filme de acção e muito cinema live-action deveria aprender aqui como se usam cenas de porrada pura e dura para fazer avançar uma história sem precisar de ser uma parvalheira sem qualquer conteúdo ao pior estilo Michael Bay por exemplo. Tomara muito cinema de Hollywood saber usar a acção como esta quase anónima produção de médio orçamento chinesa o sabe fazer. Nenhum fotograma se perde e tudo tem um propósito na narrativa da aventura mais estereotipada que vocês alguma vez poderão ver tão bem estruturada.

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Isto é um filme muito bem planeado meus amigos. Pode parecer apenas mais outro filme para criancinhas mas [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é realmente um produto comercial muito bem realizado. A última coisa que eu esperaria de um filme animado obscuro baseado num videogame que nem sequer é particularmente popular por estas bandas.
Foi um dos melhores filmes de acção que vi no ano passado e não estava nada á espera disto. Na verdade já ando para recomendar esta aventura há muitos meses por aqui, mas queria voltar a ver o filme para ter a certeza que não tinha imaginado coisas. Desde lá já o revi quatro vezes e continua a divertir-me plenamente com as suas qualidades. Sendo assim estava na altura de o recomendar por cá.

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Em [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] todos os personagens criam uma empatia com o espectador e realmente nos importamos com eles em todas as cenas de batalha em que se envolvem pois nada nos garante que não morram a seguir e isso foi uma das coisas que mais gostei nesta produção animada. Ainda estou a tentar perceber como os criadores desta animação que mal tem 80 minutos conseguiram encontrar forma de dotar os bonecos com tanta vida. Especialmente quando em pelo menos 85% do filme temos cenas de acção e aventura carregadas de adrenalina e humor. Àprimeira vista não haveria espaço para desenvolvimento de personagens no sentido mais tradicional, onde normalmente a acção pára para que aconteçam momentos de exposição e no entanto não é pelos personagens que este filme iria afundar. Quem filmou isto sabe como contar uma história.

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[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é mais um bom exemplo de como o cinema oriental sabe criar personagens realmente humanos que criam verdadeira empatia com o espectador e contam com um carísma absolutamente natural até quando não passam de bonecos animados como é o caso. O cinema oriental mostra bem como se criam personagens com que nos importamos, até mesmo quando estes são um dragão que mal tem um par de linhas de diálogo para dizer.

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No seu todo, acho que [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é um excelente filme de fantasia. Não tem um pingo de originalidade no que toca ao conceito ou a sua história, mas o que faz, faz mesmo muito bem e a sua originalidade está em conseguir fazer tudo resultar de uma forma que nos diverte e surpreende pela qualidade que foi aqui atingida mesmo quando tudo parece não passar de mais um daqueles desenhos animados destinados aos dvds de promoção no fundo das prateleiras em supermercados.
[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] devia ser um versadeiro case study de como se cria cinema de acção com alma independentemente de ser animação ou não.

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Os personagens são variados, os ambientes são perfeitos e apesar de não ter muita variedade ou mostrar um mundo muito grande, ainda conta com um par de boas paisagens de fantasia que ficam no olho e na memória pois em termos de design [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] soube ir buscar o melhor do estilo visual do jogo e expandir os melhores elementos o melhor que o seu orçamento o permitiu certamente.
No entanto em termos de geografia, sente-se alguma limitação, isto porque o seu mundo de fantasia parece muito bonito mas na maioria das vezes sentimos que estamos apenas a ver alguns vislumbres de um universo mais vasto que merecia ter sido mostrado e nunca nos é aberto como deveria ou merecia ter sido. Restrições de orçamento certamente.
De qualquer forma, eu adorei.
Só há uma coisa neste filme que eu detestei.
O final abrupto.

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Estava a divertir-me à brava com isto, esperando por um epílogo final realmente impactante que tivesse a ver com todo o tom do filme quando de repente…ACABOU !
[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] acaba de uma forma tão repentina que sinceramente pensei que isto seria o primeiro episódio de uma série televisiva qualquer.
Soube agora ao preparar-me para esta review, que vai sair, ou já existe uma sequela, pois o filme parece ter sido um sucesso lá pela China e parece que já há continuação. Óptimo !

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Muito provavelmente se procurarem por este filme irão apenas a versão dobrada em Inglés quando o seu original é em Mandarim. Na verdade a versão inglesa não me chateou particularmente. É diferente da original, mas ambas têm os seus pontos altos e baixos e ambas funcionam melhor numas alturas do filme do que outras. Neste caso será portanto uma questão de escolha. Se encontrarem a versão chinesa original , óptimo; se virem apenas a versão dobrada em inglés também não será por aí que deixarão de apreciar este pequeno filme que provavelmente passou ao lado de muita gente.

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Até porque lembrem-se , [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é uma produção chinesa e não é anime japonês. Embora contenha óbvias influências de vários sitios , o facto deste filme não ser nem japonês nem americano, faz com que tenha um estilo diferente daquele que estamos habituados a ver e quanto a mim isso é excelente.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é um excelente filme de fantasia para quem procura cinema do género, independentemente de ser desenho animado ou não e independentemente de ter a história menos imaginativa de todos os tempos. Consegue superar tudo isso para nos dar uma aventura de animação que não irá aborrecer os adultos de morte (se se interessarem por fantasia) e ao mesmo tempo irá agradar às crianças.

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Cinco tigelas de noodles porque tudo o que faz, faz muito bem e não precisava de ter feito para ser um produto comercial rentável.

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A favor: usa a acção para criar desenvolvimento de personagens e fazer avançar a história, os personagens são excelentes e criam grande empatia com o espectador, a história parece básica como o raio mas contém bons momentos de humor (até para adultos) que a fazem destacar-se da comum banalidade que encontramos neste tipo de aventura para crianças.
Boa animação (num estilo diferente), adoro o estilog gráfico e a cor, bons cenários, aventura divertida e um filme muito boa onda em todos os aspectos.
Contra: acaba de repente, algumas pessoas no imdb parecem não perceber que animação de qualidade não tem que ser sempre igual ao que a Pixar faz e não há mal nenhum por o estilo visual de um filme se parecer com o que existe no videogame original. Se para vocês o bom cinema não pode passar sem uma história original esqueçam este pois não tem um pingo de originalidade no seu argumento. Sente-se que o mundo de fantasia poderia ter sido mais mostrado no ecran e no entanto as paisagens grandiosas são sempre algo limitadas talvez devido à falta de orçamento para criar mais detalhes para este mundo.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2911342

Comprar em DVD
http://www.amazon.co.uk/Dragon-Nest-Warriors-Dawn-DVD/dp/B00W5AVE9Y/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1457288499&sr=8-1&keywords=dragons+nest

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Baahubali: The Beginning (Baahubali: The Beginning) S.S. Rajamouli (2015) India


Ahhh, “Baahubali – O Começo”; por onde começar…
Há cinema bom e há cinema mau. Há ainda aquele cinema que de ser tão mau se torna automaticamente bom. Depois há o cinema Indiano…

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E como muita gente sabe Bollywood é um caso à parte.
Se a física quântica procura a prova da existência de universos paralelos, não procurem mais, vejam uns filmes de Bollywood porque está lá tudo.
Ainda hoje me pergunto, o que raio é o cinema Indiano e porque razão produções  como este [“Baahubali – The Beginning”] parecem insistir em continuar a contribuir para a minha confusão. Mais espantoso ainda é os filmes de Bollywood serem actualmente o cinema mais rentável do mundo. Para quem pensa que é o cinema americano, recomendo que leiam uns artigos sobre o assunto e irão surpreender-se com o dinheiro que o cinema Indiano faz pois nem irão acreditar. Avatar é para amadores em termos de fazer guito à parva no box-office.

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Como devem ter notado este irá ser o primeiro filme Indiano a figurar neste blog. Na verdade não deixa de ser cinema asiático também, mas é o primeiro que comento porque pura e simplesmente desta vez não consigo deixar de fazê-lo.
[“Baahubali – The Beginning”] não é o primeiro filme Indiano que vi tentando encontrar algo que valesse a pena divulgar aqui, mas é definitivamente o primeiro que na minha opinião vale a pena recomendar.
Mas não se entusiasmem. Eu disse, recomendar.
Não disse para irem vê-lo.
Recomendo que façam qualquer coisa com ele, recomendem-no a amigos que gostem MESMO de cinema Bollywood, podem sacá-lo, gravá-lo e até vê-lo mas estarão por vossa conta e não me responsabilizo pelos danos cerebrais nos leitores que não estão habituados ao estilo Indiano de fazer cinema.

Por outro lado depois de verem este trailer, vocês não vão conseguir escapar por isso nem tentem resistir.

Então ? Dá vontade de ver ou não dá ?
Parece ser um filme de fantasia altamente não é ? Ah pois é.
Este trailer está realmente um espectáculo mas cuidado, toda a adrenalina entusiasmante que aparece nesta montagem promocional está particularmente ausente do filme. O tom do filme não é de todo o tom magnifico que encontram na sua apresentação.
Então isto afinal é o quê ?
Bem, [“Baahubali – The Beginning”], é um filme de fantasia Indiano. Consta que é a produção mais cara de sempre em Bollywood e nota-se.
Se o quiserem classificar será assim o –Lord of the Rings- indiano tendo por base todo o imaginário fabuloso daquele país e nesse aspecto faz um trabalho magnifico ao passar para o grande écran todo aquele sentido épico que sempre imaginamos nas sagas relativas aos textos do Mahabharata e restantes narrativas Vedicas da India.

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Se gostam mesmo muito de filmes Indianos provavelmente nunca viram algo assim no género , podem parar de ler este texto e irem ver isto porque irão adorar.
Para quem não conhece (ou não suporta) cinema Indiano, ainda há muito para dizer. Portanto, vamos começar pelo que este filme tem de bom.
[“Baahubali – The Beginning”] visualmente é tudo o que podem ver no trailer e mais ainda.
Esta história de fantasia tem definitivamente um dos melhores designs de produção dos últimos anos e ainda parece melhor por tudo se passar num universo tão particularmente Indiano e culturalmente muito enraizado nas suas narrativas épicas.
Embora seja um filme incrivelmente colorido, depois de nos acostumarmos ao estilo visual berrante que pode desorientar-nos no inicio, podem ter a certeza que visualmente[“Baahubali – The Beginning”] é um espectáculo e só por isso é de visão obrigatória para quem se interessa não só por fantasia como principalmente para toda a gente que gosta de concept design ou ilustração.

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As paisagens são fabulosas e mesmo apesar de muita coisa tresandar obviamente a photoshop, na sua maioria é trabalho de photoshop do bom. Os matte paintings são lindíssimos em muito dos momentos estendendo paisagens naturais até um nível de fantasia fabuloso que não fica nada a dever ao melhor que se pode ver numa produção americana.
O tom de  [“Baahubali – The Beginning”] é claramente o de um livro ilustrado, uma espécie de iluminura de um veda transposto para o grande écran e nesse aspecto o CGI está particularmente bem usado em quase todo o filme embora não escape também a muitos momentos algo fraquinhos; mas isso acontece igualmente em muito cinema americano e ninguém se queixa, por isso deixem-se de tretas e apreciem o esforço que foi colocado para produzir este universo pois este mundo de fantasia indiano é fascinante e muito real.

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Em termos de design, fica aqui também o meu destaque para uma das melhores cidades de fantasia que apareceram no cinema do género desde Minas Tirith nos filmes de Peter Jackson. Temos aqui um caso em que uma complexa maqueta CGI foi criada para o cenário deste filme e parece ter sido explorada até ao último pixel. Quero com isto dizer que  [“Baahubali – The Beginning”] parece a todo o momento querer mostrar que o dinheiro que gastaram está todo no écran e nota-se. A maqueta da cidade parece que foi filmada de todos os ângulos e todo o filme está cheio de pequenos segmentos introdutórios de cenas que se iniciam cheios de ambiente porque começam sempre com uma visualização de um qualquer pormenor do cenário que termina onde começa a acção.
A arquitectura e a as cores em particular são fabulosas.

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O mesmo vale para o guarda roupa que como seria impensável num filme indiano não podia ser outra coisa senão espectacularmente colorido e imaginativo.
Como bom épico de fantasia que se preze também  [“Baahubali – The Beginning”] tinha que ter uma batalha com milhares de guerreiros à espadeirada no final e neste aspecto, embora não resulte particularmente bem em termos de adrenalina por razões que explicarei mais adiante, a verdade é que em termos de design, uso de cgi e ambiente geral o conflito final também é um dos pontos altos do filme, pois tecnicamente também não fica atrás do que se faz actualmente no cinema épico fora da India.

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E perguntam vocês…mas então  [“Baahubali – The Beginning”] é bom ?
Sim ou não ?
Bem… “nim”…

O cinema indiano é realmente algo à parte. Ou temos estômago para tanto estilo kitsh em modo “azeiteiro” e entranhamos tudo aquilo como uma experiência cultural e seguimos em frente ou então está tudo perdido e a coisa torna-se verdadeiramente secante , especialmente quando a coisa dura duas horas e meia que mais parecem quatro.
No que me toca, estou a meio termo. Normalmente tento entrar em “modo indiano” mas a verdade é que depois lá pelos 50 minutos de filme já começo a pensar que se calhar não me apetece ver aquilo tudo. Aconteceu mais uma vez neste filme também e estava com muita esperança que desta vez fosse diferente por causa de ter gostado tanto do trailer.
Mas mais uma vez também  [“Baahubali – The Beginning”] conta com certos pormenores que me irritam por demais no cinema Indiano e que sinceramente custo muito a ultrapassar.
E não, não estou a falar das cantilenas pindéricas azeiteiras dos moçoilos de bigode e das raparigas roliças que cantam e dançam por tudo e por nada nos filmes indianos.

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Isto porque surpreendentemente, desta vez  [“Baahubali – The Beginning”] é um filme indiano atípico. Talvez porque os produtores querem mesmo tentar projectar esta aventura no circuito de distribuição ocidental, as cantigas para o ar foram reduzidas apenas a dois momentos musicais ao longo do filme inteiro, o que não deixa de ser inesperado. Eu estava à espera de encontrar pelo menos umas 15 canções com dança ao longo do filme e isso não acontece de todo. A música está presente, mas está mais a servir de banda sonora nalguma montagem que faz avançar a narrativa do que propriamente encalha a história parando tudo para que os actores cantem e dancem como de costume. Desta vez a coisa é diferente para melhor.

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A primeira cantoria irritante (com uma canção pimba do mais kitsh e foleiro que possam imaginar), só aparece aos 50 minutos de filme e mesmo essa cena está bastante bem contextualizada dentro de um sonho do herói, o que na verdade alarga o tempo do filme mas não interfere na narrativa principal. Agora meus amigos, preparem o cérebro e o saco de vómito para o “videoclip” em estilo Jardim do Éden que lhes irá aparecer pela frente. Não digam que não avisei. Só as roupinhas do heroi valem o clip.

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A segunda cantoria com dança, acontece quase uma hora depois da primeira e tem lugar numa cena que mostram as bailarinas do palácio do vilão do filme. É uma breve cena musical que na verdade parece maior do que é porque é uma seca para quem como eu não suporta estas coisas no cinema Indiano, pois esta é longa demais e encalha a narrativa sem necessidade nenhuma.
E pronto em cantorias ficamos por aqui.

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Para minha surpresa neste filme, o problema desta vez não está em conseguirmos suportar os intermináveis números musicais. O problema agora tem mais a ver com a história e com os personagens.
Ou melhor, mais uma vez um filme como  [“Baahubali – The Beginning”] falha nas suas pretensões de se ocidentalizar porque não consegue fugir do estilo (pseudo) “dramático” em permanente estado de “overacting” em modo trágico dos actores/personagens.
Ou seja, o problema em  [“Baahubali – The Beginning”] é que os personagens não têm qualquer interesse porque não existe qualquer suspense e muito menos tensão dramática nesta aventura.
Os actores bem se esforçam, permanentemente aos berros, a chorar baba e ranho, a sofrerem imenso ao melhor estilo “Floribela”, ou então no registo oposto; em total modo de “comédia” azeiteira com gags de humor forçado onde inclusivamente os personagens parecem estar a dizer para o espectador … agora é para rir. Ou pior … a ser charmosos para o ecran !! Tipo, sou podre de bom !

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Não resulta. Mais uma vez o tradicional tom Indiano de caracterizar personagens e situações em modo ultra-melodramatico, versão esteroide não resulta fora da India.
Aquilo que para o público indiano será drama intenso, para um ocidental é uma verdadeira anedota.
Não tenho duvidas nenhumas que é esse tom que o público na India procura encontrar nos seus “dramas”, mas aos olhos do publico ocidental toda a carga dramática que deveria criar interesse na história pura e simplesmente desaparece para quem não tiver qualquer ligação com a cultura Indiana, porque o suposto dramatismo é tão extremo e ridiculo que anula por completo qualquer personagem ou situação que deveria ser de tensão.
Por exemplo, imagino o publico indiano a vibrar de ódio e suspense para com o vilão e a bater palmas com o herói , mas acreditem-me, para o público ocidental aquilo será humor involuntário do mais pindérico.

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O problema de  [“Baahubali – The Beginning”] está nos personagens. Simplesmente não resultam dramaticamente, são de uma piroseira total em termos cómicos e depois as suas histórias pessoais no decurso da própria narrativa principal são completamente sem nexo. Mais uma vez, tenho a certeza que isto resultará plenamente na India, mas por cá, meus amigos , certas cenas chegam a atingir momentos insuportáveis em que só apetece ligar para o argumentista e perguntar qual era a ideia. E eu nem costumo ser muito picuínhas com estas coisas. Acontece que em  [“Baahubali – The Beginning”] tudo parece desconexo, ilógico ou simplesmente piroso, o que destrói por completo qualquer carga dramática que a história pedia para ser minimamente interessante de seguir.
Não é. Esta história não tem qualquer interesse porque o tom de piroseira constante anula qualquer empatia com um publico que não tenha afinidades com a cultura indiana.

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[“Baahubali – The Beginning”] não cria qualquer empatia com o espectador em termos de personagens e até naquilo que costuma ser o forte no cinema oriental (pelas bandas do Japão ou da Coreia do Sul), as suas boas histórias de amor muito humanizadas e cheias de carísma, no caso deste filme Indiano, esqueçam. É pior que todos os filmes do Twilight juntos. Eles amam-se porque são muito giros e gostam um do outro e tá feito.
Não é este o caminho para a ocidentalização do cinema Indiano.
O excelente design e bons efeitos digitais não servem de nada se depois não conseguem sair do estereotipo Indiano na forma como desenham personagens de cartão em qualquer interesse pois nunca sentimos que aquelas pessoas estão em perigo, ou a viver um drama real.

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Temos o herói que em estilo moisés foi salvo de morrer afogado num rio e criado por camponeses até que se torna um bigode com pernas muito óleoso em termos de carisma azeiteiro com tiques de mandar olhares charmosos para a camera, temos o vilão que é mau porque sim e que usurpou o trono do monarca bom, temos a ex-raínha que vive prisioneira na praça da cidade acorrentada há mais de 25 anos à espera do filho que perdeu um dia, temos o escravo que por motivos de honra contribui mais para a desgraça de toda agente quando podia ter resolvido a situação e ter escapado há muito tempo, temos personagens árabes que não servem para nada (pelo menos para já), temos grupos de rebeldes que podiam estar num filme dos Monty Python e temos a Keira Knightley… ooops, perdão, a pirata das caraíbas… quer dizer a –princesa guerreira– que é uma psicopata do caraças e não tem problemas em decapitar soldados que se renderam ao melhor estilo radical islâmico (mas é boa moça).

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E por falar em decapitar, sangue visceras e tudo o que gostariamos de ver numa batalha.

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[“Baahubali – The Beginning”] tem montes de sangue, gargantas cortadas, decapitações e coisas assim ao longo de todo o filme. Isto até chegar à batalha final.
Depois estranhamente no conflito entre os dois exércitos… há lâminas por todo o lado mas nem uma gota de sangue. Os soldados levam espadeiradas e apenas saltam no ar em estilo banda desenhada do Asterix ou total modo cartoon da Warner Bros.
Em vez do filme continuar com gore sangrento como seria de esperar, isso não acontece de todo e de repente a batalha do final, que já tinha pouco suspense, fica ainda menos interessante pois o filme resolve entrar em auto-censura (?) precisamente nesse momento no que respeita a gente cortada aos bocados e ao sangue que (não) mostra.

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E já lhes falei do – “CGI” ?…
Não ?
Bem me parecia.
Mas não vão acreditar nesta.

Em  [“Baahubali – The Beginning”] sempre que aparece uma cena com animais (estes são todos criados em animação digital renderizada).
Até aqui tudo bem, certo ?
Errado.
Em  [“Baahubali – The Beginning”] sempre que aparece uma cena com animais, de repente surge no canto inferior esquerdo um pequeno logotipo a dizer precisamente “CGI” !!!!
Juro !!!

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Acontece primeiro numa cena em que o vilão mata um touro numa arena em estilo tourada Indiana e depois volta a acontecer precisamente no meio das cenas de batalha no final do filme !! Ora se estas já não têm qualquer adrenalina por tudo se parecer tão politicamente correcto e “infantil”, (além dos personagens sem interesse), imaginem agora que de cada vez que a camera muda de ângulo, se o breve take mostrar um cavalo, um touro, ou outro bicho qualquer no meio da batalha de repente lá está ao canto do écran “CGI” !!!
Parece anedota !!!

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Ah, depois o filme acaba a meio.
Ok, está bem, chama-se  [“Baahubali – The Beginning”], mas não pensei que fosse literalmente o inicio e nos deixasse pendurados.
A segunda parte sai ainda este ano.

Ah, mas acaba com um bom twist.
Eu fiquei com vontade de ver o resto e ainda não sei bem porquê. Muito provavelmente porque preciso recuperar do choque pindérico que esta produção provoca.
Sendo assim, vamos a conclusões.

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CLASSIFICAÇÃO para quem gosta de cinema Indiano:

Se gostam de cinema Indiano mesmo a sério e conseguem suportar todos aquele clichés tradicionais, acho que vão adorar [“Baahubali – The Beginning”] pois contém todas as formulas de Bollywood mas com menos canções desta vez.
De qualquer forma se gostam de cinema daquela parte do mundo, acho que nunca viram nada nesta escala e irão gostar pois é capaz de ser realmente a maior produção de sempre em Bollywood e nota-se bem a todo o instante no ecran.
Se aguentam a piroseira oleosa reinante, esta produção valerá mesmo a classificação de excelente.

Cinco tigelas de noodles.
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Para os outros… 😉

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CLASSIFICAÇÃO para quem não gosta ou não conhece cinema Indiano

Se não têm paciência para cinema Indiano…  [“Baahubali – The Beginning”] é apenas uma boa tentativa Indiana de criar um espectáculo de fantasia que só falha porque ter bom design e bons efeitos especiais não chega quando o estilo dramático continua a ser culturalmente restrito ao que o público indiano considera desenvolvimento de personagens. Com muita pena minha leva apenas três tigelas de noodles, porque é (subjectivamente) bom e vale a pena tentarem vê-lo pelo menos uma vez se gostam de cinema de fantasia; mas só é “bom” porque nota-se no écran o esforço da produção para criar um bom espectáculo de aventura a nível visual.
Infelizmente depois falha por completo a nível dramático.

Tres tigelas de noodles.
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Avancem com cuidado. [“Baahubali – The Beginning”] se calhar nem sequer merecerá três tigelas de noodles, mas por agora fica assim e vamos ver o que acontece na segunda parte um dia destes. Não será um filme que irei rever tão cedo, provavelmente nunca.

A favor: O ambiente visual do filme, o design da cidade de fantasia e as paisagens matte painting em geral. Não tem momentos musicais aos montes ao contrário do que costuma acontecer nos filmes indianos onde cantam e dançam por tudo e por nada. Algumas cenas de acção são divertidas. Se gostam de cinema kitsh vão adorar.

Contra: A carga dramática não existe (no “melhor” estilo exagerado do cinema indiano), os personagens são na sua maioria um vazio absoluto ilógicos e sem qualquer carisma, sem personagens a história cai por terra e perde o interesse porque toda a gente que aparece no écran está em permanente modo de –overacting– ao pior estilo cinema indiano numa historia onde os maus são muito maus e os bons são muito bons. Por causa disto, a batalha final não tem qualquer impacto ao contrário do que aparenta no trailer. Anda muita gente à porrada de um lado para o outro mas falta adrenalina às sequências pois é tudo muito anónimo em termos de acção (os vilões não nos interessam porque não os conhecemos o suficiente; os herois são um vazio absoluto). O desiquilibrio entre as varias cenas gore ao longo do filme; muito sangue inesperado na primeira metade do filme mas depois na guerra do final não há sangue em lado nenhum e tudo parece um cartoon sem chama. Mete “orcs” indianos… Sempre que aparecem animais no filme aparece também um logotipo ao canto do écran a dizer “CGI” o que se torna não só ridículo mas distrai a atenção de tudo o resto nesse momento. Sem tem uma banda sonora orquestral, nem me lembro. Os (poucos) momentos musicais são uma piroseira ao pior estilo Bollywood. A história de amor que supostamente seria um dos pontos centrais da narrativa não tem qualquer emotividade, carisma ou interesse. Parece um filme ainda maior do que já é. O trailer é melhor que o filme pois tem a adrenalina e o ambiente de aventura entusiasmante que depois não existe em [“Baahubali – The Beginning”].

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer

Trailer da segunda parte:

Comprar Blu-ray
http://www.amazon.co.uk/Bahubali-Hindi-English-Subtitles-Regions/dp/B0156J9O8I/ref=sr_1_2?s=dvd&ie=UTF8&qid=1456006658&sr=1-2&keywords=bahubali

Comprar Dvd
http://www.amazon.co.uk/Bahubali-Hindi-English-subtitles-Blockbuster/dp/B015TUBDME/ref=sr_1_1?s=dvd&ie=UTF8&qid=1456006658&sr=1-1&keywords=bahubali
IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2631186/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Promise The Myth Shinobi

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