Hoshi o ou kodomo (Journey to Agartha) Makoto Shinkai (2011) Japão


avatar_2011_200x200  Amigos do Cinema ao Sol Nascente, no dia 24 de Dezembro de 2013 fez dois anos que postei o meu último texto neste blog e parece que foi ontem. A última vez que escrevi algo por aqui sobre um filme foi já na véspera de Natal de 2011…
Por isso se calhar começo este meu regresso agradecendo a toda a gente que apesar do meu silêncio nestes 24 meses se manteve fiel a este pequeno espaço de opinião pessoal e contribuiu para que surpreendentemente as visitas não só se tenham mantido estáveis na maior parte do tempo como ainda por cima tivessem começado a aumentar durante 2013 sem eu perceber bem porquê. De qualquer forma obrigado a todos vocês que nunca deixaram de ler o que escrevo e também aqueles que comentaram nos posts, muitos dos quais eu não cheguei a responder (ainda).
O blog esteve parado por vários motivos. Por um lado tinha uma situação de Alzheimer muito complicada em casa (tendo a minha mãe depois morrido no verão de 2012)  e por outro nestes últimos dois anos o meu trabalho como ilustrador foi vindo a aumentar exponencialmente e muito pouco tempo me sobrou para ver cinema oriental ao ritmo que o podia fazer dantes, quanto mais ter tempo para escrever sobre ele como gostaria.
Portanto…
A minha ideia será a partir de agora tentar continuar a dar vida a este espaço, embora nos meses que se seguem a coisa ainda poder vir a ser algo intermitente pois ainda estou com muito trabalho de ilustração em mãos (visitem o meu facebook ou o meu site) e portanto o cinema oriental terá que encaixar algures nisto tudo.
Sendo assim, esta primeira review que estou a postar hoje será assim uma espécie de preview daquilo que ainda pretendo recomendar nos próximos tempos, pois ao longo destes dois anos de silêncio não deixei de acumular alguns títulos que se calhar vocês agora irão continuar a gostar de conhecer.
Recomecemos então…reboot !

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[“Journey to Agartha”] (no seu titulo ocidental), é mais um filme de Makoto Shinkai.
Isto para muitos se calhar, será suficiente e nem precisarão de continuar a perder tempo a ler o texto que se segue pois sei que vocês sabem que não querem perder mais esta obra.
Para outros tantos, este filme não será novidade, principalmente para o pessoal que acompanha as notícias Anime e muito provávelmente já o viram. Se assim for, não se esqueçam que este blog serve essencialmente para que eu possa apresentar coisas como esta a quem não conhece e portanto o texto que se segue será dedicado a esses leitores essencialmente.

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[“Journey to Agartha”], é mais um filme de Makoto Shinkai.
Se nunca ouviram falar dele, nunca viram o seu trabalho ou se calhar até nem gostam particularmente de cinema de animação, então para evitar que eu me repita nas referências e elogios a este jovem realizador, é melhor fazerem uma pausa aqui e lerem as minhas duas anteriores reviews sobre o seu trabalho, nomeadamente o seu primeiro filme caseiro “Voices of a distant star” e o já mais profissional (embora ainda produzido no seu já habitual método “caseiro”), “The place promised in our early days”.
Eu espero…

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Ok, já leram ?…
Então se calhar percebem melhor o valor que eu enquanto ilustrador dou ao trabalho de um autor com Makoto Shinkai, porque eu sei o que custa desenhar e também me identifico bastante com a sua paixão por cenários e paisagens imaginárias.
[“Journey to Agartha”], é mais um filme de Makoto Shinkai e mais uma vez, temos direito a uma história que apesar de ter que contar obrigatóriamente com personagens e bonecos é essencialmente contada através do uso de cenários incrivelmente bonitos e detalhados.

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Isto é, os personagens continuam lá, mas como sempre grande parte da atmosfera emocional da história depende muito do ambiente cénico que embrulha toda a narrativa e é aquilo de que eu mais continuo a gostar no trabalho de Shinkai. Toda a poesia da história, toda a emotividade da narrativa são acentuadas essencialmente pela luz dos cenários e principalmente pelos detalhes mínimos que os compõem. Pode ser uma gota de chuva a cair, pode ser uma folha a flutuar ao vento, pode ser uma nuvem de fumo a sair de uma chaminé, mas há sempre um pormenor assim integrado numa paisagem encaixado num momento chave do filme quando se trata de emocionar o espectador. Contrariamente ao habitual, Makoto Shinkai usa a paisagem para humanizar os personagens ao passo que normalmente nos filmes, os cenários costumam ser apenas o suporte visual onde se coloca a acção.

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Também em [“Journey to Agartha”] a acção está lá, (e até bem mais do que é costume no cinema deste realizador), mas não esperem o típico desenho animado Anime cheio de sequências estilizadas a duzentos frames por segundo. Se são daqueles leitores que nunca se atreveram a espreitar um Anime para cinema porque não podem com aquelas séries televisivas para adolescentes no estilo Naruto ou Dragon Ball, não se preocupem pois os filmes Anime de Makoto Shinkai não seguem de todo essa fórmula e basta terem visto “Voices of a distant star” ou “A place promised on our early days” para perceberem isso.
Os Anime deste realizador não são sobre acção, mas sim sobre temas e histórias apresentados de uma forma mais adulta apesar da aparência juvenil que caracteriza o próprio estilo nipónico de desenho.

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Shinkai, tem sido apelidado de -novo Myiazaki- e percebe-se porquê. Desta vez, não só os próprios bonecos se assemelham bastante ao que se costuma encontrar em filmes como “Princesa Mononoke”, ou “Nausicaa, Valley of the Wind” como até as temáticas da história se aproximam das preocupações ecológicas sempre presentes no também no trabalho de Hayao Myiazaki, como acontece em “Laputa Castle in the Sky”, “Conan o Rapaz do Futuro” ou até mesmo “O meu vizinho Totoro”; isto porque até [“Journey to Agartha”] conta uma história que gira essencialmente á volta da importância do mundo natural ao melhor estilo Myiazaki.
Aliás, não deixa de ser curioso Makoto Shinkai fazer cinema mais no estilo Myiazaki sem qualquer esforço quando o próprio filho do clássico realizador bem tenta e nunca chega lá, como ficou bem demonstrado na falhada adaptação “Tales of Earthsea” que ficou bem áquem das expectativas de toda a gente.

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Em [“Journey to Agartha”], Shinkai pela primeira vez não desenha os bonecos. Se conhecem o trabalho do realizador e já viram entrevistas com ele, sabem o quanto ele detesta desenhar bonecos, (como o compreendo…), preferindo antes passar tempo a criar paisagens imaginárias e cenários de fantasia, (idem…) com os resultados absolutamente notáveis que se podem ver em todos os seus filmes.
Na minha opinião, Shinkai desenha as melhores paisagens do Anime actual. Não apenas pelo design mas essencialmente pela forma como sabe iluminar cada cena e coloca sempre um toque de poesia visual que ás vezes só notamos a uma segunda visão.

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Portanto, desta vez Shinkai delegou a bonecagem para o seu amigo e colaborador mais directo e focou-se essencialmente na realização e no desenho dos cenários, o que não poderia ter dado melhor resultado. Isto porque em [“Journey to Agartha”] os bonecos já deixaram de ter aquele leve toque amador que ainda estava presente nos trabalhos anteriores e os cenários são absolutamente de cortar a respiração na forma como o realizador sabe pintar luz.
Outra coisa curiosa nesta produção está no método de realização do filme. Mais uma vez não há cá estúdios, Makoto Shinkai alugou um apartamento pelos meses de produção, colocou um bando de amigos a viver permanentemente por lá e entretanto foram desenhando e realizando mais esta obra prima visual que apesar de extremamente profissional não deixa de ter sido produzida de forma realmente caseira entre sofás, pizzas e MACs, por um grupo de amigos que depois se volta a separar quando o projecto fica concluído como é habitual no cinema de Shinkai.

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Mas [“Journey to Agartha”] é sobre o quê ? Bem, como de costume, eu não pretendo contar nada da história, pois como espectador eu continuo a ser daqueles que odeia trailers americanos onde nos explicam a história de uma ponta á outra logo na apresentação e portanto já sabem que comigo nestes textos a ideia é fazer com que vocês sintam curiosidade em descobrir um filme de raíz sem saberem nada sobre ele.
Essencialmente [“Journey to Agartha”] é uma aventura de Fantasia. Uma espécie de mistura entre “Nausicaa, Valley of the Wind” e “Princesa Mononoke” mas com um toque contemporâneo e passada num mundo totalmente inspirado na estética Tibetana e do norte da India.

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Contráriamente ao que é costume no cinema de Makoto Shinkai, este filme é uma história de aventura mais directa com uma narrativa menos subjectiva e portanto se calhar será o filme mais comercial dele mas nem por isso um produto menor.
Curiosamente, temáticamente, [“Journey to Agartha”] é um filme sobre a morte.
O tema da morte e da perda das pessoas que amamos como sendo algo que faz parte da vida é o fio condutor “invisível” que movimenta toda a história e por vezes a coisa chega a tornar-se até algo pesada e totalmente inesperada embora nunca deprimente. Tem um par de momentos tristes e realmente surpreendentes pelo meio da história mas logo o realizador lhes dá a volta de uma forma poética , deixando-nos a pensar na morte de uma forma mais positiva do que se calhar costuma acontecer quando encontramos temáticas semelhantes em obras bem mais pretensiosas.

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É mais uma das virtudes de cinema de Makoto Shinkai e também aqui em [“Journey to Agartha”] isso se nota bastante. Os temas importantes estão sempre lá mas nunca nos são permanentemente atirados á cara como sendo a coisa mais importante da história. No entanto damos por nós constantemente a pensar no assunto. Especialmente no caso desta aventura que essencialmente é sobre morte e sobre a forma como cada um de nós tem que lidar com ela. Supreendentemente é um daqueles filmes que se recomenda a quem estiver em processo de luto, essencialmente por ser bastante filosófico e dar-nos algumas perspectivas bem positivas sobre uma coisa que se calhar deveria ser menos assustadora para nós do que é na nossa cultura ocidental. Neste aspecto [“Journey to Agartha”] é claramente um filme saído do cinema oriental sem qualquer sombra de dúvida.

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Como pontos menos bons, pessoalmente penso que se perde um pouco talvez pelo final, por entrar por conceitos visuais talvez demasiado abstractos quando todo o filme tinha sido bastante linear até então. Penso que as cenas de acção finais perdem um pouco da sua intensidade e toda a parte dramática não funciona particularmente bem, talvez porque nunca se afasta muito daquilo que já vimos mil vezes em mil Animes anteriormente, e até já vimos feito de forma bem mais emocionante.

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Por isso quanto a mim, aquilo que devia ser o climax emocional e dramático do filme e da história não tem a força que pedia e deveria ter tido. Apenas porque o filme perde um pouco da originalidade que construiu até aí e como tal perdemos um pouco a empatia com o que se passa á volta dos personagens, pois ou tudo é demasiado abstracto ou tudo se passa de forma demasiado rápida como se o filme precisasse de acabar ali e não houvesse mais ideias sobre como terminar o argumento.
Felizmente que depois os minutos finais da história voltam á atmosfera original e tudo termina de uma forma nostálgica e bonita que nos faz desejar que houvesse algures uma sequela a ser preparada. Ou talvez não.

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Apenas mais uma nota especial para a banda sonora. Novamente podemos contar com uma atmosfera musical totalmente perfeita para o tipo de história que conta. Quem gosta do estilo melódico e orquestral que normalmente acompanha brilhantemente grande parte dos bons Anime para cinema que podemos encontrar por aí, vai adorar a música deste filme.
Recomendo vivamente que espreitem o videoclip com a canção “Hello, goodbye hello”, que embora contenha um par de spoilers vocês nem irão notar sem terem primeiro visto primeiro o filme. É melhor que um trailer e se gostarem do videoclip vão adorar [“Journey to Agartha”].
Resumindo:

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CLASSIFICAÇÃO

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Mais um grande filme de Makoto Shinkai, talvez o mais comercial que ele produziu até agora por ser essencialmente uma aventura de fantasia com uma estrutura comum embora ambientada num universo visual bastante pessoal e inspirado no Tibete.
Não há muito mais que se possa dizer, porque quem gosta do trabalho deste realizador já sabe com o que conta e no que toca a ambiente este é mais um filme fabuloso que irá agradar a várias faixas etárias sem qualquer sombra de dúvida por diferentes motivos.
Completamente obrigatório em qualquer videoteca de quem gosta de cinema, independentemente disto ser um Anime ou não.

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A favor: Excelente personagem feminina, o espírito de aventura da história, a forma como trata o tema da morte ao longo de todo o argumento, as incríveis paisagens já habituais no trabalho de Makoto Shinkai, as cores são fabulosas, o ambiente de fantasia que nos apresenta um universo diferente, a diversidade dos momentos de aventura, mantém o mistério de se explorar um mundo novo, os personagens cativam-nos á medida que conhecemos os seus destinos, tem algumas supressas pelo meio, a banda sonora.

Contra: O climax da aventura não tem a originalidade do resto da historia pois já vimos isto antes mil vezes em mil Animes, ás vezes sentimos que não havia necessidade da história se ramificar em algumas direcções por onde entra, o tema constante da morte e do luto pode tornar por vezes o filme um pouco fúnebre para algumas pessoas apesar do enorme colorido que percorre todas as imagens (mas isto só será sentido pelo público adulto).

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NOTAS ADICIONAIS

Atenção que o filme tem dois títulos.
O título original é traduzido no ocidente por: “Children who chase lost voices” sendo o título ocidental oficial “Journey to Agartha”.

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Trailer
http://youtu.be/-62wqEfsKjo

Videoclip
http://youtu.be/gNCh3DWPkRg

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Comprar
Encontram-no facilmente em várias edições na Amazon UK.
Recomendo vivamente a edição especial em Blu-Ray pois é fantástica.
Journey to Agarthab 01
Especialmente se gostarem de desenho, pois a caixa contém um pequeno livro cheio de esboços, desenhos e testes de cor efectuados pelo realizador. Só este livro inédito vale a compra do Blu-ray.

Journey to Agartha 23

A caixa contém também o filme em DVD por isso estarão a comprar dois formatos pelo preço de um e ainda levam um disco com extras excelentes sobre todo o processo de produção do filme que vale mesmo a pena serem vistos.
Cliquem nas imagens do produto acima, para seguirem para esta edição na amazon UK.

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A edição normal em blu-ray é esta aqui.
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E a edição em dvd está aqui também.
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Journey to Agartha 00

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Não vou colocar nenhum link para download pois estes nunca tardam em desaparecer e não pretendo deixar que o blog se inunde de broken links como já tenho muitos por aqui. De qualquer forma é só procurarem o filme em Torrents que o encontram facilmente. 😉

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Se gostou deste vai gostar certamente de:

capinha_voices-of-a-distant-star capinha-the_place_prmised_in_early days

capinha_conan-o-rapaz-do-futuro capinha_porco_rosso capinha_wings_of_honeamise

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FB

 

 

The Sorcerer and the White Snake (The Sorcerer and the White Snake) Siu-Tung Ching (2011) China


Se julgam o cinema de fantasia pela qualidade dos efeitos especiais então fujam !
[“The Sorcerer and the White Snake“] tem efeitos digitais tão maus que fazem as sequências de “Blood – The Last Vampire” parecerem cenas do Avatar em comparação.
Por isso se um mau filme na vossa opinião se define pelo lado técnico dos efeitos é melhor esquecerem este desde já pois não vão gostar de todo.

Se no entanto, conseguirem abstrair-se das piores criações em CGI dos últimos anos, entrarem na onda visual do filme e não se importarem com “renders” que mais parecem saídos de uma introdução de um velho jogo para a PS-ONE do que material produzido para cinema feito em 2011, então bem-vindos a [“The Sorcerer and the White Snake“].
Especialmente se gostam de filmes de fantasia.

Esta produção pode ter defeitos que nunca mais acabam a nível técnico, mas tem imenso charme e acima de tudo tem uma coisa que para mim dá logo imenso valor a um projecto; está sempre a surpreender no que toca a imaginação e parece continuamente apostado em atirar á cara do espectador momentos inesperados especialmente quando pensamos que já vimos tudo e nada nos pode apanhar de surpresa. E isto no sentido positivo e no negativo. O que de de certa forma serve como ponto de reviravolta na nossa opinião sobre o que aparece no ecran.

Perdi a conta dos momentos em que só pensava que tudo era tão mau, tão mal feito , tão piroso e tão foleiro que só poderia ser totalmente viciante, naquele sentido do é tão mau que só pode ser de propósito e portanto se torna automáticamente genial.
Por outro lado também perdi a conta dos momentos realmente bons deste filme.
Não o são, própriamente pela história ou carísma dos personagens porque na verdade não têm nada de especial ou sequer muito cativante, mas pelo resultado global desta produção que tanto pode ser genialmente má como extraordináriamente boa ás vezes com uma diferença de segundos entre cenas.

Isto porque como já disse [“The Sorcerer and the White Snake“] é um filme cheio de imaginação. Daqueles que sabem usar as suas limitações técnicas para muitas das vezes criar cenas memoráveis. Já vi este título há um par de semanas e continua a não sair-me da cabeça, nomeadamente por causa de muitas das suas imagens cheias de ambiente, paisagens fabulosas e muita criatividade no design visual.

[“The Sorcerer and the White Snake“] está cheio de geografias fantásticas, criaturas fofinhas e carismáticas (que deveriam ter tido mais tempo de antena), ao mesmo tempo que contém algumas cenas de acção bem divertidas e que culminam num final absolutamente épico.
Tão épico que se nota perfeitamente que os criadores deste projecto não tinham orçamento nem para metade do que quiseram mostrar mas mostraram na mesma, numa onda total de : “que se lixe !”
Por isso nota alta para tanta ambição e pela total falta de receio em alienar logo metade do público com tanto mau CGI.

Nota-se que houve aqui uma escolha óbvia; ou faziam um final pequenino sem grande chama e dentro do dinheiro que haveria para produzir uns efeitos mais aceitáveis…ou… entravam á maluca por um final para lá de épico sem terem meios para o realizar técnicamente como deveria ter sido filmado. Por mim, ainda bem que escolheram o total avacalhamento visual , pois [“The Sorcerer and the White Snake“] tem no seu final alguns dos melhores momentos de sempre dentro daquele género de cinema-tão-mau-que-só-pode-ser-bom !

Portanto se gostam de cinema de fantasia eu recomendo vivamente este filminho. Agora têm de gostar de Fantasia dentro do género conto-popular-chinês, em puro modo de conto-de-fadas com um bocadinho de porrada e artes marciais. Se procuram algo no estilo ocidental em jeito de Lord of the Rings, esqueçam, [“The Sorcerer and the White Snake“] é puro cinema de fantasia ao melhor estilo “The Promise” mas produzido sem o mesmo orçamento.

Quando isto começou, a primeira sensação que tive foi a de que estava a ver uma espécie de sequela não declarada de “The Forbidden Kingdom” mas sem o Jackie Chan ou o puto americano que não servia para nada.
Parecia que alguém na China esteve a ver esse filme, percebeu o que estaria a mais nele e resolveu criar a sua própria versão integralmente chinesa (visto Forbidden Kingdom ter sido uma co-produção China/América).
Isto porque inclusivamente o personagem de Jet Li até parece o mesmo e tudo, só que desta vez bem melhor usado dentro do contexto geral da história.

[“The Sorcerer and the White Snake“] é no entanto um filme bem mais infantil que “The Forbidden Kindom” (se é que tal é possível), isto porque em muitos momentos até parece uma produção da Disney ou da Dreamworks, devido ás sequências com criaturas fofinhas e animais inteligentes a piscar o olho ao estilo Shrek até).
Mas ainda bem que elas estão na história, pois são um dos seus pontos fortes. Quebram a monotonia da óbvia, clássica e algo aborrecida história de amor central e equilibram muito bem alguns dos momentos de acção mais fracos até.
Da minha parte só tenho pena que o filme não tenha tido mais criaturas como estas ao longo da história. Mas como está, está bem e curiosamente os efeitos digitais nesses momentos nem são nada maus não senhor.

Essencialmente [“The Sorcerer and the White Snake“] é um conto de fadas chinês. Conta a história de uma espécie de serpente milenar que se apaixona por um humano e se transforma em mulher para poder viver com ele. Claro que o pobre coitado nem suspeita do verdadeiro aspecto da senhora e muito menos imagina que existe uma ordem de monges que ao melhor estilo Terminator em versão Shaolin percorrem o mundo eliminando todo o tipo de criaturas que não forem humanas porque as consideram demoníacas , só porque sim; o que acaba por se revelar um dos pontos interessantes na moral da história também e provavelmente será a tónica do conto original que não parece esquecida no desenlace final desta aventura. Nota positiva também para isto.

Basicamente estamos na presença de um filme de aventuras divertido, passado numa China de Fantasia ao melhor estilo conto de fadas clássico oriental. Não se chateiem muito com o visual dos maus efeitos especiais e deixem-se levar pelo universo da história pois [“The Sorcerer and the White Snake“]  é um pequeno grande “mau” filme simplesmente perfeito para quem procura um titulo divertido e ligeiro. Nota-se que houve um constante esforço para apresentarem um produto criativo mesmo apesar das limitações técnicas e nem sempre encontramos algo assim que sabe tirar uma nota tão positiva daquilo que á partida poderia ter sido a morte do filme.

O seu único problema é que a história nem é particularmente divertida e o facto de se basear essencialmente numa espécie de comédia de costumes envolvendo uma história de amor também não ajuda a dar-lhe grande carísma no aspecto humano. Isto porque os personagens são todos muito superficiais e portanto não esperem encontrar aquela intensidade romântica de um “An Empressa and the Warriors” por exemplo e essa é uma das grandes falhas do filme, pois supostamente o amor seria o motor de todas as situações da história mas os personagens nunca nos cativam da forma que é habitual encontrarmos no cinema romântico oriental.
Como resultado disso, a parte dramática deveria criar uma grande empatia com o espectador para ajudar a terminar em beleza o segmento final da história, mas não funciona muito bem em termos emocionais pois tudo nos parece artificial demais ao contrário do que costuma ser costume em produções românticas orientais.

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CLASSIFICAÇÃO:

É um filme carregado de pequenos pormenores que lhe dão imensa vida. Tudo o que não envolve a história de amor central, dá imensa energia ao filme; o que no fundo é uma mais valia pois este enquanto fantasia romântica simplesmente nunca funcionaria muito bem por causa da superficialidade de toda a trama de amor.
Boas cenas e acção, monstros divertidos, criaturas fofinhas quanto baste, alguma comédia bem conseguida, quilos de maus efeitos especiais que não deixam de ter imensa personalidade mesmo assim e um final tão épico que nem cabe no orçamento do filme.
Como filme de fantasia totalmente no estilo conto-de-fadas-chinês, não será melhor que “The Promise” ou mesmo que “An Empress and the Warriors“, mas mesmo apesar dos maus efeitos especiais penso que é mais cativante do que “The Restless” e mais criativo que “The Forbidden Kingdom” também.
Por isso e porque o raio do filme não me sai da cabeça mesmo depois destas semanas todas, quatro tigelas e meio de noodles porque sendo mau demais é realmente muito bom mesmo ! E já que estamos no Natal é uma óptima escolha para espreitarem enquanto esperam pelo dia de abrir as prendas também.

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A favor: soube tirar partido da sua muita imaginação mesmo apesar dos péssimos efeitos CGI, está carregado de pequenos pormenores criativos a todos os níveis, algumas paisagens são fabulosas, tem um final tão épico que quase não cabe no orçamento do filme o que o torna ainda mais divertido, esforça-se a todo o instante por ultrapassar as suas limitações técnicas tentando surpreender o espectador com coisas novas e pequenas reviravoltas, tem um par de monstros bem creepy e divertidos, alguns efeitos digitais até nem são maus de todo não senhor, tem um par de criaturas fofinhas bem conseguidas, grande parte do design é excelente com destaque para o visual das duas serpentes irmãs em estilo sereia flutuante, boas e variadas cenas de acção eficazes quanto baste, alguns momentos de comédia divertidos.
Contra: quem odeia o estilo cinema-photoshop presente em “The Promise” vai abominar este filme totalmente,  a história de amor deveria ser o coração da história mas perde-se algures entre o drama que nunca poderia ser e a comédia que não sabe se quer ser, os personagens não têm grande profundidade e por isso a parte humana da história fica um bocadinho áquem do que é costume em produções românticas orientais, em 2011 é um filme com efeitos digitais do meio dos anos 90 no mínimo…mas por outro lado, who cares !

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=YOXg1SL60nk

Comprar
http://www.yesasia.com/us/the-sorcerer-and-the-white-snake-dvd-china-version/1025644242-0-0-0-en/info.html

Download aqui com legendas me PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0865556/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Promise

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Ôritsu uchûgun Oneamisu no tsubasa ((The) Wings of Honeamise/Royal Space Force) Hiroyuki Yamaga (1987) Japão


[“Wings of Honeamise“] faz parte daqueles Anime altamente conceituados por toda a gente e segundo muitos críticos  é um trabalho tão importante para a diversidade e modernização do género como foi “Akira”, curiosamente também um título mais ou menos da mesma época mas bem mais popular.

Enquanto “Akira” definiu um estilo e acabou por modernizar até a estética e o próprio ritmo narrativo deste tipo de cinema de animação nipónico [“Wings of Honeamise“] manteve-se fiel a uma forma mais clássica de se fazer cinema. Isto porque este título poderia perfeitamente ter sido filmado em “imagem real” que não se notaria a sua origem Anime.

[“Wings of Honeamise“]  é um filme calmo. Não é um titulo que vive dos enquadramentos extremos, das vinhetas de acção estilizadas e nem das sequências animadas montadas a duzentos á hora.
Na verdade o seu estilo calmo, poético e muito centrado numa narrativa bucólica quase literária faz-me sempre recordar filmes como “As Pontes de Madison County” de Clint Eastwood por muito estranho que isto pareça.

Se calhar por isso, “Akira” ficou na memória de muita gente que até nem costuma curtir Anime, enquanto que [“Wings of Honeamise“]  desapareceu no horizonte e hoje é apenas recordado pelos entusiastas de cinema de animação que se recordam do fascínio que esta história provocou em quem a viu pela primeira vez na altura em que saiu.

Uma época em que a moda dos seriais Anime televisivos cheios de estética radical e acção aos quilos começava a conquistar o ocidente com os primeiros titulos “Dominion Tank Police” e semelhantes e onde ninguém esperava que no meio de tanta coisa cheia de acção frenética de repente aparecesse uma obra tão serena e contemplativa quanto esta.
Se calhar os leitores mais novos não sabem ou não se recordam, mas [“Wings of Honeamise“]  foi uma verdadeira lufada de ar fresco num género que já nessa altura ameaçava começar a tornar-se mais do mesmo e imediatamente conquistou não só a crítica, como festivais e mesmo até bastante público.

É um daqueles filmes que quem o viu um dia, pode não ter fixado o nome mas não se esqueceu e actualmente quase que se pode considerar um daqueles titulos Anime perdidos no que toca a longa metragens. Isto porque continua a ser um filme dificil de ser encontrado á venda. E quando o encontramos, normalmente está a preços estupidamente proíbitivos em edições que segundo li não são nada de especial para justificar o preço.
Embora artisticamente [“Wings of Honeamise“]  não tenha preço pois as mais valias deste filme são mais do que muitas e na minha opinião só tem uma coisa que quase estraga o conjunto geral. A música.

Sinceramente estou-me borrifando para que a banda sonora disto seja do conceituado Ryichi Sakamoto. A música está completamente datada e tem uma sonoridade foleira ao pior estilo anos 80 horrível. Muito sintetizador, muita tecla e batida programada e de uma monotonia constante.
É certo, que como muita gente costuma referir…se calhar esta banda sonora tão estranha e tão disonante é também um dos grandes responsáveis pela estranha, hipnótica e porque não cativante atmosfera original que percorre toda a história.

Mas que raio…a música é foleira e torna-se enervante a certa altura pelo seu tom repetitivo, por isso a minha opinião sobre isto é que se calhar muitos de vocês irão gostar, muitos de vocês nem irão notar mas também irá haver pessoal a ranger os dentes como eu e á procura de um botão para desligar a música.
Por isso estão avisados.
Posto isto, esqueçam a música e encontrarão aqui um filme fabuloso e único, independentemente de ser um Anime ou não.

[“Wings of Honeamise“]  é uma história de ficção-científica mas daquelas que agradará até a quem detesta o género.
Essencialmente é um drama sobre os primórdios da conquista espacial, mas não se passa na terra.
O seu fascínio está precisamente nos paralelismos entre a história da conquista do espaço da Terra e aquilo que depois é narrado a propósito do mundo onde tudo se passa aqui.

Um mundo que está a começar a olhar para o espaço, mas onde o assunto não é própriamente levado a sério pelas autoridades. Como tal existe uma divisão de “astronautas” dentro da aviação que essencialmente é completamente ridicularizada a todo o instante, seja pelos políticos no poder como entre os próprios militares e é aqui que conhecemos o nosso heroi.

Um rapaz que sonha a ser o primeiro homem no espaço mas que parece nunca ir muito longe, pois a técnologia que lhe permitiria alcançar esse sonho ainda é um bocado primitiva e além disso a sua divisão de “astronautas” também não conta com um grande orçamento para experiências pois tudo e todo o dinheiro é sempre canalizado para os militares a sério eternamente em guerra com o país vizinho.

Esta é a base de [“Wings of Honeamise“]. Todo o filme gira á volta das desventuras desse esquadrão estelar que na realidade não vai muito longe mas onde vontade de conquistar o universo não falta.
É um filme bastante humano, tanto na inevitável e muito contida love-story como em todos os personagens; onde não faltam um par de cenas de pancadaria hilariante e algumas cenas de acção também. Mas  o melhor de tudo é o ambiente nostálgico de toda a história.

É como estivessemos a ver uma narrativa passada num passado alternativo da própria Terra e onde há sempre algo com que nos identificamos mas nunca temos bem a certeza do que será ou porque nos faz sentir assim; e essa é a grande magia deste titulo Anime , histórico e perdido ao mesmo tempo. Tão perdido quanto os personagens desta história parecem andar nos seus objectivos e no rumo das suas vidas.

[“Wings of Honeamise“]  sempre foi muito elogiado pelo seu aspecto visual e na verdade tem aqui uma das suas grandes mais valias que quase anula o efeito foleiro da música que ás vezes insiste em estar presente quando deveria estar calada.
Este filme é altamente considerado pelo design de produção e nota-se porquê realmente. Tudo neste título parece ter sido pensado ao máximo detalhe. É daqueles filmes que se fizerem pausa na imagem para contemplar uma paisagem vão encontrar dezenas de pormenores que nem notam quando a imagem está em movimento , mas que se não estivessem lá muito certamente fariam grande diferença.

Não é um filme cheio de imagens própriamente bonitas. Não é um filme com paisagens no estilo do que costumamos encontrar no cinema de Miyazaki por exemplo, mas é um filme onde cada detalhe conta para criar um mundo único e muito cativante onde se destaca o estilo arquitectónico imaginado para os edificios deste mundo alternativo.
Se vocês forem arquitectos ou estudantes de arquitectura têm aqui um filme obrigatório pois é fascinante nesse aspecto. As imagens dos edificios e as cidades de [“Wings of Honeamise“]  é aquilo de que muita gente se recorda logo mal ouve falar do titulo mesmo que já nem se lembre sobre o que o filme é.

Por isso se gostam de mundos imaginários bem pensados têm aqui um dos melhores do Anime. Além de ser original, tem muita identidade e é quase uma personagem á parte dentro deste universo e desta história intimista sobre a conquista do espaço num mundo que aparentemente ainda não estará preparado para tal.
Sim, [“Wings of Honeamise“]  é acima de tudo um Anime intimista, por isso aviso logo que o filme é algo pausado e não tem pressa de ir a lado nenhum. Além disso está mais interessado no drama e na caracterização psicológica dos personagens do que em mostrar sequências de acção.

De qualquer forma, se não tiverem medo de um filme calminho e quiserem conhecer um verdadeiro pedaço quase esquecido do que é mais importante no historial do Anime , [“Wings of Honeamise“]  é um titulo completamente obrigatório. Ainda mais se gostarem de boa ficção-científica para público adulto.

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CLASSIFICAÇÃO:

Já tudo foi dito no texto acima, por isso penso que só me resta dizer que [“Wings of Honeamise“] só não leva mais um Golden Award em cima por causa da porcaria da música estilo anos 80 que me irrita por demais e me consegue estragar o prazer de ver o filme como um todo.
De qualquer forma, é um titulo totalmente obrigatório para quem quiser conhecer um exemplo de como o cinema de animação não merece de todo ser considerado apenas como filmes para crianças mas tem muito para dar ao público mais velhinho também. Além disso é um pedaço de história dentro do género.
Cinco tigelas de noodles porque é fantástico e merece ser visto.

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A favor: ficção-científica que agradará até a quem não gosta do género, é um drama sobre a conquista do espaço muito bem conseguido, é um filme de animação adulto para todas as idades, tem um bom sentido de humor que equilibra muito bem com a parte séria e politica da história, as cenas de acção são poucas mas têm personalidade e muita vida, é um Anime mas podia ser um filme “de imagem real” que não se notava diferença, excelente design de produção que agradará muito a quem se interessar por arquitectura principalmente.
Contra: a banda sonora é foleira e por muito que lhe achem piada no início depois no final do filme já não vão poder com ela pela frente pois não há nada pior que sintetizadores dos anos 80 com melodias monocórdicas disonantes e repetitivas, não agradará a quem procura anime de acção no estilo moderno pois este enquadra-se quase num estilo de cinema-de-autor embora de forma ligeira claro, não gostei do design de um par de personagens (detestei o boneco do puto)  mas isto são manias minhas.

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=2fcvUrhFEpk

Comprar
Infelizmente , este é um título practicamente esgotado em todo o lado, ou então encontra-se a preços rídiculamente elevados.
Podem encontrar mais detalhes abaixo com links para algumas opções de compra.
http://www.animenewsnetwork.com/encyclopedia/releases.php?id=9476

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0093207

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Se gostou deste vai gostar certamente de:

* tenho muitos anime aqui no blog, mas este é único no estilo *

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Space Battleship Yamato (Space Battleship Yamato) Takashi Yamazaki (2010) Japão


O design é fantástico, os efeitos especiais são muito bons e cheios de pequenos detalhes nas próprias sequências de acção, parece mesmo um Anime em “imagem real”, a história podia ser pior e não envolve as macacadas habituais do cinema Japonês de FC, o ambiente é bem conseguido, tem uma óptima fotografia e muitos personagens com potencial quanto baste para fazer disto um dos melhores filmes de ficção científica saídos do Japão nos últimos anos.

Então porque raio é que [“Space Battleship Yamato“], é tão mau ?!!
Mas mau mesmo !
Não é daqueles – tão maus que se tornam bons – e por isso nunca se tornará num filme de culto até mesmo junto daqueles que gostaram do Anime em que foi baseado. [“Space Battleship Yamato“] é simplesmente mau e pronto.
E porquê ? Porque há aqui qualquer coisa que não se percebe de todo. O filme tem 138 minutos, é desinteressante como o raio e o pior é que nunca se percebe bem porquê quando chegamos ao fim.

Será porque nos deixamos dormir a cada 40 minutos de filme mais ou menos ?
Será porque tenta ser um drama humano tão intenso a nível de personagens que tem provavelmente dos diálogos mais chatos e arrastados dos últimos tempos ? Sabem aqueles filmes que têm duração a mais ? [“Space Battleship Yamato“] tem duração a mais nas cenas de diálogo, consegue aborrecer mesmo sendo dinâmico na montagem e practicamente é uma seca porque os momentos com os personagens são sempre tão desinteressantes, longos e vazios; que como espectador senti sempre que apenas continuava a ver este filme porque visualmente é tão cativante que me forcei a não dormir á espera das cenas em que o design era exibido, apenas para ver o que apareceria a seguir.

O Japão não é propriamente conhecido por produzir cinema de ficção-científica hardcore naquele tom sério que encontramos numa novela do género. Talvez a única tentativa para lançar um épico mais sci-fi em tom mais realístico tenha sido o fascinante “Bye Bye Jupiter” e mesmo essa com o resultado que se viu…
Temos também o muito bom, “The Sinking of Japan” mais dentro do género catástrofe e pouco mais há.
Ficção-Científica no Japão significa acima de tudo “Godzilla” com clones do género ás dezenas e pouco mais e eu sempre me perguntei porquê. Especialmente nos tempos modernos em que os japoneses já demonstraram que fazem efeitos especiais tão bons ou melhores quanto o que sai actualmente de Hollywood e do qual o trabalho visual apresentado em [“Space Battleship Yamato“] não é excepção.

Por isso eu quando descobri este filme fiquei logo muito contente e atirei-me a ele plenamente convencido de que desta vez é que era. Parecia que o Japão tinha finalmente conseguido fazer uma Space-Opera cinematográfica que não ficava nada a dever ao que os americanos fazem comercialmente falando.
Ainda dizem que a pirataria não é útil ? Se isto fosse como nos velhos tempos eu teria comprado imediatamente o dvd disto ou o blu-ray sem pestanejar pois tinha por filosofia comprar para ver.
Eu matava-me se tivesse gasto agora dinheiro neste filme !
Especialmento porque [“Space Battleship Yamato“] seria mesmo o tipo de titulo que eu compraria logo sem pestanejar ou sequer ver primeiro. Por isso neste momento só posso dizer, viva a pobreza que me salvou de gastar dinheiro naquilo que foi um dos filmes mais chatos de FC que me passaram pela frente em muitos anos. Será inclusivamente a Space-Opera mais desinteressante que alguma vez vi.

É que apesar de visualmente parecer que segue todas as regras que tornam o género da Space-Opera o divertimento garantido que se sabe (graças ao template Star Wars também), a verdade é que [“Space Battleship Yamato“] acerta ao lado em tudo. Se isto fosse uma batalha naval o único navio que seria afundado no jogo seria o do próprio jogador.
O visual e as cenas de efeitos especiais são regra geral excelentes ou muito boas, inclusivamente o estilo de combates espaciais está baseado nas próprias leis da física e as naves portam-se mais como os caças de Babylon-5 do que com as naves bonitinhas do Star Trek.

O problema é que tudo o que é visualmente estimulante em [“Space Battleship Yamato“] dura muito pouco.
Pouco mesmo !
As sequências de combate são tão rápidas e dinâmicas que mal começamos a habituarmo-nos ao seu ritmo e estilo visual, já estas acabaram. Com a agravante de apesar de não haver nada neste filme que já não tenham visto dezenas de vezes noutros lados, nomeadamente por exemplo no recente remake da Galactica. Tudo muito competente técnicamente mas sem grande imaginação na verdade. Não há nada em [“Space Battleship Yamato“] daquele chamado “WOW factor“.

Depois como contraponto e para intercalar com as cenas “exteriores” em bom CGI, apanhamos intermináveis sequências com personagens no interior da Yamato em diálogos totalmente desinspirados e sem interesse algum; numa tentativa desesperada do realizador (e argumentista talvez), para colarem o estilo da tripulação da nave á química de personagens encontradas em Star Trek. Especialmente encontrada no NOVO Star Trek de J.J.Abrahms.
Nota-se uma tentativa constante de fazer com que esta tripulação da Yamato, se pareça tanto com a da Enterprise que inclusivamente nem aqui falta um “Mr Scott” na sala das máquinas.
[“Space Battleship Yamato“] tem personagens a mais com histórias interessantes a menos.

Curiosamente esta intenção de reproduzir o estilo Star Trek começa logo por se afundar no personagem do capitão da nave. O que raio é aquilo ? É um boneco sem vida, um actor morto sentado no banco ou será um gajo completamente aborrecido por entrar no filme ? Terá isto tudo sido culpa do argumentista que lhe deu algumas das cenas mais chatas de toda a história para debitar diálogos sem qualquer interesse ?!
O problema é que isto não se esgota num personagem. Todos são ou aborrecidos de morte, ou irritantes á bráva e a única vez que [“Space Battleship Yamato“] ganha alguma humanidade é numa breve sequência de despedida através do ecran do videofone e isto graças ao carisma dos dois actores que por breves segundos conseguem passar mais emoção do que o resto do elenco do filme em 138 minutos !

[“Space Battleship Yamato“] alterna entre o visualmente fascinante, o chato como o raio e o irritante á brava !
Irritante á brava porque se por um lado tenta colar-se ao estilo Star Trek no que toca a personagens, por outro tenta desesperadamente parecer-se com um filme de Hollywood a todo o instante, muito em particular parece que este filme o que gostaria de ter sido era o “Armageddon” de Michael Bay e não consegue, não por falta de meios mas por falta de capacidade do realizador para tentar imitar correctamente o estilo do realizador americano. Especialmente quando não se decide se quer ser o Star Trek (notem os constantes lens-flare e a movimentação de câmera a imitar o Trek novo) , a Galactica, o Wing Commander, ou o Armageddon !

Se algumas vez pensaram como poderia ser um filme do Michael Bay mas desinteressante como tudo pelas razões mais inesperadas, têm aqui uma boa resposta em [“Space Battleship Yamato“].
A gente sabe que o Michael Bay não é própriamente um realizador genial, e aquela montagem a trezentos por segundo é horrorosa, mas ao menos naqueles raros bocados em que até tem alguma coisa para narrar ele sabe contar uma história apesar dos pesares. Tal não acontece com este realizador de [“Space Battleship Yamato“] que se espalha precisamente nas cenas que supostamente deveriam humanizar -“o estilo Michael Bay“- mas falham redondamente porque, ou os textos são chatos, as sequências são longas e vazias ou então é a própria história que não tem interesse suficiente para ser esticada artificialmente por 138 minutos que mais parecem quatro horas.

Essencialmente [“Space Battleship Yamato“] conta a história do planeta Terra estar practicamente nas últimas. Nada resta daquilo que antes foi a natureza verdejante do nosso mundo e toda a humanidade está a morrer. Não só por toda a falta de condições naturais mas também porque o nosso mundo está a ser atacado por uma raça alienígena que insiste em nos limpar da superfície porque são maus e pronto. Até têm um motivo, mas é tão banal e desinteressante que eu nem quero estragar aqui “o twist” do argumento. Isto se vocês chegarem acordados até ele claro está.
Um dia é recolhida uma cápsula vinda do espaço e quando analisada, as autoridades informam a população de que esta contêm um mapa que levará uma missão espacial até ao planeta Iskandar onde poderá encontrar-se a cura para toda a devastação da humanidade. Logo é escolhida uma tripulação e a nave Yamato é lançada para o espaço nessa missão de confirmar se existirá de facto em Iskandar algo que poderá salvar a Terra.
Isto claro, com os alienígenas atrás tentando impedir o sucesso dos nossos herois, assim ao melhor estilo Cylons contra humanos.
Ah, e claro que há uma história de amor pelo meio.
Nem se nota.

[“Space Battleship Yamato“] é um daqueles filmes de que apetece logo gostar muito. Especialmente se vocês forem fãs de Space-Opera e sempre acharam que o Japão poderia ser um bom local para se filmar umas boas aventuras espaciais ao melhor estilo clássico. Isto já que nos Estados Unidos toda a gente parece ter medo de filmar histórias de aventuras no espaço e depois ser comparado com o sucesso de Star Wars.
Inclusivamente muita gente hoje ainda pensa que foi George Lucas que inventou o estilo e o género Space-Opera devido ao sucesso de “A Guerra das Estrelas” desde os anos 70 quando este desenterrou o estilo clássico das aventuras espaciais dos anos 30 e 40 e o transformou no template cinematográfico que se conhece hoje e que muito pouca gente voltou a usar por medo de ser considerado plágio.

Se virem o trailer de [“Space Battleship Yamato“] e gostarem de Space-Opera muito provavelmente ficarão logo com vontade de comprar o filme. Cuidado.
Recomendo que o vejam de um torrent primeiro, porque isto não é o filme divertido que vocês esperam e que toda a gente gostaria que pudesse ter sido.
Surpreendentemente é até bem menos divertido do que “The X-From Outer Space” se é que acreditam numa coisa destas.
[“Space Battleship Yamato“] leva-se demasiado a sério e por isso espalha-se ao comprido em tudo o que tenta atingir.
Além disso, para completar a colagem ao estilo Michael Bay, ainda por cima a banda sonora é cantada em Inglés por nem mais nem menos do que Steven Tyler dos Aerosmith…hmmmm…..onde é que a gente já viu isto antes ?….Em que filme com um asteroide gigante é que…hmmmm…..
Isto é absolutamente deprimente.

Não só [“Space Battleship Yamato“] tenta ser um clone á americana made in japan daquilo que Michael Bay faz em Hollywood como ainda por cima a própria música da banda sonora parece ela mesma um clone da sua “versão” mais famosa que o próprio Steven Tyler já tinha gravado para “Armageddon”.
Isto para nem falar do final do filme, meus amigos…
Deprimente.

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CLASSIFICAÇÃO:

Com muita, muita pena minha leva a mesma classificação do filme abaixo, o que demonstra claramente que o facto de um filme ter excelentes efeitos especiais não significa automáticamente que seja um bom filme de FC ao contrário de produções mais antigas ou modestas.
[“Space Battleship Yamato“] acerta ao lado em tudo o que se propõe fazer e aquilo que deveria ter sido uma fantástica e divertida Space-Opera japonesa, acaba por ser um produto muito decepcionante, chato e por vezes bastante irritante.
Tinha tudo para ser fantástico e pelo visto dinheiro também não lhe faltou e não passa de um mau clone de um estilo que por si só originalmente já nem sequer é grande coisa.
Uma tigela e meia de noodles, apesar de ser um daqueles filmes de que apetece gostar mesmo muito. Mas depois acordamos para a realidade.
Querem uma boa space opera japonesa ? Vejam antes o “X-Bomber/Starfleet” pois apesar de primitivo e ser todo em marionetes tem mais alma e emotividade que esta produção modernaça cheia de estilo e efeitos a sério.

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A favor: Bons efeitos especiais, bom design de produção, boa fotografia, contém algumas paisagens fantasticas.
Contra: os personagens não têm interesse, os diálogos arrastam-se no vazio, as cenas de acção são muito breves e totalmente desinspiradas, não tem nada que não tenham visto já mil vezes noutros sitios, tenta imitar o mais popular de Hollywood e espalha-se ao comprido, nota-se o constante desespero de produzir um filme á americana quando se calhar a chave do sucesso estaria na sua identidade original, a história resume o Anime mas não tem grande imaginação ou interesse, pura e simplesmente não é divertido.
Ah, e o cabelo á Michael Jackson do heroi dá-me cabo dos nervos. 🙂

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Row0rYFQCHs

Ainda não está a venda na altura em que escrevo isto.

Download aqui com legendas em PT/BR

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1477109

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Kurenai no buta (Porco Rosso) Hayao Miyazaki (1992) Japão


[“Porco Rosso“] será porventura um dos filmes mais adultos de Miyazaki e também um daqueles de que as pessoas menos se lembram quando se fala da obra deste realizador.
Talvez por ter uma atmosfera tão poética e etérea enquanto dura, depois ao acabar é como um bom sonho do qual não conseguimos recordar os detalhes.

[“Porco Rosso“] é no entanto um filme que consegue agradar tanto aos mais novos como aos mais velhinhos.
Isto porque possivelmente terá algumas das melhores sequências de acção presentes no trabalho de Miyazaki e todas as idades vibram de igual maneira com os divertidos e fascinantes combates nos céus de uma Itália dos anos 20 onde se passa toda esta história cheia de poesia, aventura e muita nostálgia.

O público mais velho, especialmente quem não conhece o trabalho deste realizador, irá certamente surpreender-se com o tom melancólico que percorre uma história tão estranha quanto cativante e onde há inclusivamente espaço para um par de excelentes histórias de amor.  Histórias de amor que nunca acontecem mas que estão sempre presentes na relação do heroi com os personagens femininos de uma forma que torna [“Porco Rosso“] em algo único e fascinante dentro do próprio universo Miyazaki.

[“Porco Rosso“] conta a história das aventuras, ou das vivências de um piloto de aviões nos primórdios da aviação que cruza os céus de uma Itália nos anos 20 do século passado trabalhando como piloto, mercenário e aventureiro de aluguer.
Habita algures numa espécie de base secreta (bem conhecida de toda a gente), localizada numa ilha do mar adriático e onde vive uma existência solitária longe do mundo e de todos desde que uma maldição o transformou num porco.

Não procurem explicações para isto, pois não existem. É apenas a premissa da história, mas não se preocupem porque vocês nem se vão mais lembrar deste pormenor porque vão estar tão cativados com toda a atmosfera de [“Porco Rosso“] que pouco lhes vai importar a razão de estarem a ver um desenho animado com um porco que pilota aviões.

Toda a história gira á volta das proezas e rivalidades entre pilotos nessa época, onde não falta romântismo, uma pitada de sobrenatural e também espiritualidade quanto baste.
Especialmente no que toca á relação entre Porco Rosso e Gina a dona do Cabaret onde se econtram os pilotos que depois de viverem as suas aventuras todos convergem para adorar de longe a dona do local que os mantém a todos na linha.

Eu quase que aposto que quem conhece os livros de Richard Bach e gosta daquela atmosfera etérea e aerea das suas histórias passadas em biplanos, irá gostar muito de [“Porco Rosso“] também. Isto porque além do tom poético e literalmente flutuante ser bastante semelhante também a parte romântica da história tem aquele ambiente que não ficaria deslocado de um livro do autor de Fernão Capelo Gaivota.

Na verdade não há muito mais para dizer sobre este filme. [“Porco Rosso“] faz parte daquele período que para mim foi o melhor, mais variado e mais imaginativo do realizador e quanto a mim é outro dos seus títulos obrigatórios.
Está cheio de momentos humorísticos geniais e personagens memoráveis que os vai colar ao ecran do príncipio ao fim.
Destaque para a grande galeria de piratas do ar que acabam por criar um dos momentos mais nostálgicos nos segundos finais da história quando os revemos já idosos muitos anos depois da sua época aurea ter passado.

[“Porco Rosso“] para mim que trabalho em ilustração continua a ser uma das minhas grandes referências e provávelmente o grande responsável pelo meu estilo de bonequinhos infantís pois a partir do momento em que vi  pela primeira vez muitos anos atrás a hilariante sequência com as miudinhas raptadas no início da história a minha imaginação nunca mais foi a mesma.

Essa cena continua mesmo todos estes anos depois a ser um dos pontos altos do filme e um dos mais divertidos momentos humorísticos de Miyazaki pelo absurdo da situação e contraste entre a pureza das criançinhas e os piratas em total estado grunho com as suas metralhadoras gigantes.

Resumindo, obrigatório para quem não conhece.
Ainda mais para quem já nem se lembra bem dele.

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CLASSIFICAÇÃO:

Cinco tigelas de noodles e um Golden Award claro, acima de tudo pela originalidade, atmosfera e pela criação de um universo único até dentro da própria obra do realizador. Além disso é uma obra prima visual.

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A favor: a qualidade dos desenhos e a realização, excelentes sequências de acção, personagens variados e memoráveis, grande sentido de humor caótico, grande sentido de aventura, fantástica atmosfera romãntica e nostálgica, a banda sonora é demais, boa história de amor impossível, é um filme muito poético visualmente e emocionalmente, a sua história tem coisas para todas as idades, tem um final ambiguo perfeito e muito tocante.
Contra: Quem procura um Anime mais moderno não vai gostar disto pois este é um filme muito contemplativo e apesar das suas inúmeras cenas de acção o enfase da história está nos sentimentos dos personagens o que torna [“Porco Rosso“] num estranho filme que não será própriamente uma aventura de acção no estilo que muita gente esperará.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=fmyrWYrvF5s

Comprar na Amazon UK ou na Amazon.Com
Em Portugal pelo que vi, temos a mesma edição á venda e pode ser encontrada na FNAC.
O Livro com toda a arte do filme pode ser comprado aqui também.

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0104652

SEQUEL ?
http://timmaughanbooks.com/2009/06/02/miyazaki-to-draw-porco-rosso-sequel/

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