5 Centimeters per second – (O Manga / Banda Desenhada – Romance / Livro original) – Versão integral – (Japão) – Makoto Shinkai / Yukiko Seike


[“5 Centimeters per second”] será não só o meu anime favorito de todos os tempos como principalmente uma das melhores histórias românticas que alguma vez encontrei no cinema oriental, senão talvez até a melhor, ou pelo menos a que me mais me marcou (a par com “Be with You”, “Il Mare” e mais umas quantas). É também considerado umas das histórias de amor orientais mais tristes de todos os tempos (no bom sentido) e quem gosta dele sabe bem porquê. Se não sabem basta irem ao Youtube espreitar as centenas de comentários de pessoas de todas as idades que se identificaram com esta pequena grande história.

Manga - Makoto Shinkai

Entrei muito tarde no cinema de animação de Makoto Shinkai. Há anos que ouvia falar maravilhas daquele jovem realizador que tinha revolucionado a forma de fazer animação por trabalhar essencialmente de forma caseira, inicialmente sózinho no seu quarto, depois sem estúdio, em apartamentos alugados com uma pequena equipa de amigos que se desfaz a seguir a cada filme e um sem número de particularidades que pela qualidade final de cada obra mal custa a crer que tenha sido produzida dessa maneira. Pela sua obra ser essencialmente marcada por produção “caseira”; desde o verdadeiramente amador “Voices of a distant star“, feito por Shinkai completamente sozinho durante meses a trabalhar no seu quarto, até ao mais recente “Garden of Words”, o facto dos seus filmes costumarem ter curta duração sempre me afastou da compra dos dvds durante muito tempo pois apesar das reviews excelentes, custava-me dar dinheiro por 45/50 minutos de filme em média e na altura raramente se conseguia arranjar cópias em condições na internet para espreitar primeiro. No entanto a partir do momento em que arrisquei a primeira compra e vi “Voices of a distant star” fiquei estupefacto com a qualidade do trabalho de Makoto Shinkai e nunca mais parei de seguir todo o seu trabalho subsequente, tal como “The Place Promised on Our Early Days”, “Journey to Agartha” e mais recentemente “Garden of Words” (com review para breve).

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De todo o trabalho de Makoto Shinkai aquele que mais me marcou foi sem sombra de dúvida [“5 Centimeters per second”]; 50 minutos de verdadeira poesia visual com uma história romântica que hoje em dia é das mais populares de sempre dentro do cinema oriental, principalmente pelo seu final devastador que se tornou comentado em todo o lado pelo murro no estômago que os segundos finais provocaram e ainda provoca nos espectadores. Principalmente pela sua simplicidade. Se procurarem nos foruns de discussão ainda hoje muita gente especula sobre o destino dos personagens, o que terá acontecido depois e tudo o mais que possam imaginar de interpretações pessoais para esta história que cada espectador vive à sua maneira.

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Não que [“5 Centimeters per second”] seja propriamente uma história abstracta, mas na verdade o final teve tanto impacto na audiência, que muita gente parece ainda querer encontrar novas pistas para um desenlace final que todos gostaríamos de ver para aquela história de amor animada mas que se existisse hoje não estariamos aqui a falar dela. Ora acontece que curiosamente existem algumas pistas espalhadas visualmente ao longo do filme que não se notam a uma primeira visão (se nunca tiverem lido o Manga) e que podem realmente ser interpretadas de uma forma que eventualmente nem estará particularmente longe da verdade. Quero dizer com isto, que [“5 Centimeters per second”] tem realmente mais história para contar do que aquela que apareceu “filmada” em 50 minutos por Makoto Shinkai no filme original.

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E tem história para contar não em filme, ou em qualquer extra do dvd, mas sim no argumento original que acabou sendo reduzido na versão de cinema mas que se transformou há pouco tempo numa banda desenhada Manga e num respeitável volume com mais de 500 páginas, tal como se fosse um comum romance de prosa. E é precisamente esse Manga que eu venho aqui agora recomendar.

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O Manga, de [“5 Centimeters per second”] conta muito mais detalhes sobre a vida dos personagens e quem adorou o filme vai ficar fascinado com as histórias paralelas e com as motivações por detrás do que foi mostrado sobre cada história no filme original.

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O Manga é essencialmente o romance completo e percebe-se que muito provavelmente seria demasiado detalhado para funcionar como filme. Certamente se este argumento tivesse sido adaptado ao cinema de forma integral o impacto emocional do momento chave da história na versão animada, iria ficar um pouco diluído pois aqui na versão integral há tempo para se ficar a saber um pouco mais sobre os destinos dos personagens e até para introduzir personagens novos que acabam por justificar muito do que já se tinha visto no filme e que levou tanto fan a especular durante tanto tempo pela internet fora.

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O Manga é de compra e leitura obrigatória para toda a gente que adorou a versão de cinema já editada em dvd há alguns anos e à venda na amazon Uk. Tal como o filme “Be With You” ganha outra dimensão quando se lê o livro original (apenas) só depois de vermos o filme, também aqui em [“5 Centimeters per second”], a leitura do romance em forma de banda-desenhada dá uma nova perspectiva a toda aquela história que os fans bem conhecem. Não só reproduz todos os melhores momentos do filme, onde não falta um suspense gráfico que resulta plenamente até mesmo em Manga, como com mais de 500 páginas ainda tem tempo para desenvolver e responder a muitas das interrogações e especulações dos fans.

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Conta obviamente com o mesmo final demolidor do filme, mas aqui em Manga acaba por não ter tanto impacto por um simples motivo. O livro não termina nesse momento ao contrário do filme e mesmo subjectivamente dá-nos um segundo final para especular quando de repente inesperadamente se conclui a parte central da história… ou talvez não.

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Como todos os fans do filme original sabem, [“5 Centimeters per second”] tem 3 partes e essencialmente duas histórias de amor; sendo a segunda aquela que é considerada por muita gente a parte vazia da história. Ora bem, no Manga essa parte já tem uma razão de existir e esse segundo segmento de repente parece fazer outro sentido. Por outro lado, percebe-se perfeitamente que o segundo segmento no filme nunca poderia ser “concluído” pois esse epílogo iria retirar todo o fabuloso impacto emocional que encontramos na versão para cinema.

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Sendo assim, o que mais dizer. Se gostam do filme [“5 Centimeters per second”] este Manga é de compra totalmente obrigatória. É no entanto um livro para adultos. Não no sentido erótico, mas no sentido emocional. Este Manga não é a típica história de aventura para adolescentes mas sim um romance sólido e adulto bem pensado enquanto história de amor para um publico mais crescido e que não fica nada a perder em relação a muitos conceituados livros em prosa.

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O Manga é escrito por Makoto Shinkai mas não é desenhado por ele. Isto talvez porque o próprio realizador já disse que não gosta nada de desenhar bonecos e o que lhe move artisticamente é desenhar paisagens e ambientes (o que se nota perfeitamente no seu cinema) por isso deixa a bonecada humana para um dos seus colaboradores. Ao contrário do filme este Manga depende totalmente dos personagens e não dos ambientes e portanto é perfeitamente natural que a história tenha sido apenas escrita por Shinkai e não desenhada por ele na sua versão em banda desenhada. O livro é desenhado por Yukiko Seike mas todo o espírito de Makoto Shinkai está perfeitamente retratado principalmente pela poesia da própria escrita do autor.

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A diferença entre o livro e o filme está nos pormenores extra sobre cada história de amor, no final adicional e no facto do filme falar sobre emoções através dos ambientes visuais magistralmente desenhados e pintados por Makoto Shinkai enquanto o livro vai buscar a sua força á expressividade dos personagens.

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CLASSIFICAÇÃO Se gostam de [“5 Centimeters per second”] vocês sabem que têm mesmo que comprar este Manga. Não vale a pena resistirem porque vão adorar.

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Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque esta é daquelas histórias que rebenta qualquer escala seja de que forma for apresentada.

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a favor: tem a resposta para quase tudo o que sempre quiseram saber sobre o que ficou por dizer no filme original, graficamente tem uma estrutura fantástica e consegue surpreendentemente manter suspense romântico até mesmo para quem já conhece o filme de trás para a frente, a humanização dos personagens mais uma vez é do melhor como em todos os trabalhos de Makoto Shinkai e toda a escrita é verdadeiramente poética. Tem mais de 500 páginas excelentemente ilustradas e com uma narrativa visual brilhante na forma como consegue retratar emoções.

contra: o impacto emocional do final cinematográfico é diluído por ainda existir um novo final a seguir a esse, o novo final também poderá ser demasiado subjectivo para muita gente, (inclusivamente já gerou muita discussão sobre o que significa na internet). O impacto visual é menor em relação ao filme, pois o Manga é a preto e branco e a história não assenta emocionalmente nos ambientes ao contrário do que acontece no filme. Não que seja algo verdadeiramente mau, pelo contrário, mas Manga e filme são realmente dois produtos diferentes.

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NOTAS ADICIONAIS

COMPREM-NA AQUI EM ESPANHOL
https://www.amazon.es/Cm-Por-Segundo-Makoto-Shinkai/dp/8416476454/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1479487364&sr=8-1&keywords=5cm+por+segundo

COMPREM-NA AQUI EM INGLÉS
https://www.amazon.co.uk/gp/product/1932234969/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=1932234969&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21

A minha review do filme original
https://cinemasiatico.wordpress.com/2014/05/11/5-centimeters-per-second-byosoku-5-senchimetoru-makoto-shinkai-2007-japao/

A minha review alternativa no meu blog sobre Cinema de Culto
https://universosesquecidos.wordpress.com/2016/11/18/5-centimeters-per-second-byosoku-5-senchimetoru-makoto-shinkai-2007-japao/

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Trailer https://www.youtube.com/watch?v=wdM7athAem0

Clip Contém *Spoilers* Por outro lado, se não viram o filme, também não irão notar. E mesmo que notem, eu até lhes podia contar o final em detalhe que não lhes estragaria a beleza do filme. Estão por vossa conta. 😉

https://www.youtube.com/watch?v=FJmvvZk4C1A
com legendas
https://www.youtube.com/watch?v=egCHrY_gHGg

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Comprar dvd na amazon UK
https://www.amazon.co.uk/gp/product/B0037B2WP0/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B0037B2WP0&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21

O filme também está disponível numa copia legendada no youtube, mas não recomendo que o vejam assim. Este filme pede mesmo um bom ecran e principalmente um bom sistema de som pois muita da sua emoção vem da forma como usa a música. Não vejam o filme num simples ecran de computador.

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Se gostar deste vai gostar certamente de:

capinha_voices-of-a-distant-star capinha-the_place_prmised_in_early days capinha_agartha ——————————————————————————————————————

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Hoshi o ou kodomo (Journey to Agartha) Makoto Shinkai (2011) Japão


avatar_2011_200x200  Amigos do Cinema ao Sol Nascente, no dia 24 de Dezembro de 2013 fez dois anos que postei o meu último texto neste blog e parece que foi ontem. A última vez que escrevi algo por aqui sobre um filme foi já na véspera de Natal de 2011…
Por isso se calhar começo este meu regresso agradecendo a toda a gente que apesar do meu silêncio nestes 24 meses se manteve fiel a este pequeno espaço de opinião pessoal e contribuiu para que surpreendentemente as visitas não só se tenham mantido estáveis na maior parte do tempo como ainda por cima tivessem começado a aumentar durante 2013 sem eu perceber bem porquê. De qualquer forma obrigado a todos vocês que nunca deixaram de ler o que escrevo e também aqueles que comentaram nos posts, muitos dos quais eu não cheguei a responder (ainda).
O blog esteve parado por vários motivos. Por um lado tinha uma situação de Alzheimer muito complicada em casa (tendo a minha mãe depois morrido no verão de 2012)  e por outro nestes últimos dois anos o meu trabalho como ilustrador foi vindo a aumentar exponencialmente e muito pouco tempo me sobrou para ver cinema oriental ao ritmo que o podia fazer dantes, quanto mais ter tempo para escrever sobre ele como gostaria.
Portanto…
A minha ideia será a partir de agora tentar continuar a dar vida a este espaço, embora nos meses que se seguem a coisa ainda poder vir a ser algo intermitente pois ainda estou com muito trabalho de ilustração em mãos (visitem o meu facebook ou o meu site) e portanto o cinema oriental terá que encaixar algures nisto tudo.
Sendo assim, esta primeira review que estou a postar hoje será assim uma espécie de preview daquilo que ainda pretendo recomendar nos próximos tempos, pois ao longo destes dois anos de silêncio não deixei de acumular alguns títulos que se calhar vocês agora irão continuar a gostar de conhecer.
Recomecemos então…reboot !

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[“Journey to Agartha”] (no seu titulo ocidental), é mais um filme de Makoto Shinkai.
Isto para muitos se calhar, será suficiente e nem precisarão de continuar a perder tempo a ler o texto que se segue pois sei que vocês sabem que não querem perder mais esta obra.
Para outros tantos, este filme não será novidade, principalmente para o pessoal que acompanha as notícias Anime e muito provávelmente já o viram. Se assim for, não se esqueçam que este blog serve essencialmente para que eu possa apresentar coisas como esta a quem não conhece e portanto o texto que se segue será dedicado a esses leitores essencialmente.

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[“Journey to Agartha”], é mais um filme de Makoto Shinkai.
Se nunca ouviram falar dele, nunca viram o seu trabalho ou se calhar até nem gostam particularmente de cinema de animação, então para evitar que eu me repita nas referências e elogios a este jovem realizador, é melhor fazerem uma pausa aqui e lerem as minhas duas anteriores reviews sobre o seu trabalho, nomeadamente o seu primeiro filme caseiro “Voices of a distant star” e o já mais profissional (embora ainda produzido no seu já habitual método “caseiro”), “The place promised in our early days”.
Eu espero…

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Ok, já leram ?…
Então se calhar percebem melhor o valor que eu enquanto ilustrador dou ao trabalho de um autor com Makoto Shinkai, porque eu sei o que custa desenhar e também me identifico bastante com a sua paixão por cenários e paisagens imaginárias.
[“Journey to Agartha”], é mais um filme de Makoto Shinkai e mais uma vez, temos direito a uma história que apesar de ter que contar obrigatóriamente com personagens e bonecos é essencialmente contada através do uso de cenários incrivelmente bonitos e detalhados.

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Isto é, os personagens continuam lá, mas como sempre grande parte da atmosfera emocional da história depende muito do ambiente cénico que embrulha toda a narrativa e é aquilo de que eu mais continuo a gostar no trabalho de Shinkai. Toda a poesia da história, toda a emotividade da narrativa são acentuadas essencialmente pela luz dos cenários e principalmente pelos detalhes mínimos que os compõem. Pode ser uma gota de chuva a cair, pode ser uma folha a flutuar ao vento, pode ser uma nuvem de fumo a sair de uma chaminé, mas há sempre um pormenor assim integrado numa paisagem encaixado num momento chave do filme quando se trata de emocionar o espectador. Contrariamente ao habitual, Makoto Shinkai usa a paisagem para humanizar os personagens ao passo que normalmente nos filmes, os cenários costumam ser apenas o suporte visual onde se coloca a acção.

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Também em [“Journey to Agartha”] a acção está lá, (e até bem mais do que é costume no cinema deste realizador), mas não esperem o típico desenho animado Anime cheio de sequências estilizadas a duzentos frames por segundo. Se são daqueles leitores que nunca se atreveram a espreitar um Anime para cinema porque não podem com aquelas séries televisivas para adolescentes no estilo Naruto ou Dragon Ball, não se preocupem pois os filmes Anime de Makoto Shinkai não seguem de todo essa fórmula e basta terem visto “Voices of a distant star” ou “A place promised on our early days” para perceberem isso.
Os Anime deste realizador não são sobre acção, mas sim sobre temas e histórias apresentados de uma forma mais adulta apesar da aparência juvenil que caracteriza o próprio estilo nipónico de desenho.

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Shinkai, tem sido apelidado de -novo Myiazaki- e percebe-se porquê. Desta vez, não só os próprios bonecos se assemelham bastante ao que se costuma encontrar em filmes como “Princesa Mononoke”, ou “Nausicaa, Valley of the Wind” como até as temáticas da história se aproximam das preocupações ecológicas sempre presentes no também no trabalho de Hayao Myiazaki, como acontece em “Laputa Castle in the Sky”, “Conan o Rapaz do Futuro” ou até mesmo “O meu vizinho Totoro”; isto porque até [“Journey to Agartha”] conta uma história que gira essencialmente á volta da importância do mundo natural ao melhor estilo Myiazaki.
Aliás, não deixa de ser curioso Makoto Shinkai fazer cinema mais no estilo Myiazaki sem qualquer esforço quando o próprio filho do clássico realizador bem tenta e nunca chega lá, como ficou bem demonstrado na falhada adaptação “Tales of Earthsea” que ficou bem áquem das expectativas de toda a gente.

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Em [“Journey to Agartha”], Shinkai pela primeira vez não desenha os bonecos. Se conhecem o trabalho do realizador e já viram entrevistas com ele, sabem o quanto ele detesta desenhar bonecos, (como o compreendo…), preferindo antes passar tempo a criar paisagens imaginárias e cenários de fantasia, (idem…) com os resultados absolutamente notáveis que se podem ver em todos os seus filmes.
Na minha opinião, Shinkai desenha as melhores paisagens do Anime actual. Não apenas pelo design mas essencialmente pela forma como sabe iluminar cada cena e coloca sempre um toque de poesia visual que ás vezes só notamos a uma segunda visão.

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Portanto, desta vez Shinkai delegou a bonecagem para o seu amigo e colaborador mais directo e focou-se essencialmente na realização e no desenho dos cenários, o que não poderia ter dado melhor resultado. Isto porque em [“Journey to Agartha”] os bonecos já deixaram de ter aquele leve toque amador que ainda estava presente nos trabalhos anteriores e os cenários são absolutamente de cortar a respiração na forma como o realizador sabe pintar luz.
Outra coisa curiosa nesta produção está no método de realização do filme. Mais uma vez não há cá estúdios, Makoto Shinkai alugou um apartamento pelos meses de produção, colocou um bando de amigos a viver permanentemente por lá e entretanto foram desenhando e realizando mais esta obra prima visual que apesar de extremamente profissional não deixa de ter sido produzida de forma realmente caseira entre sofás, pizzas e MACs, por um grupo de amigos que depois se volta a separar quando o projecto fica concluído como é habitual no cinema de Shinkai.

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Mas [“Journey to Agartha”] é sobre o quê ? Bem, como de costume, eu não pretendo contar nada da história, pois como espectador eu continuo a ser daqueles que odeia trailers americanos onde nos explicam a história de uma ponta á outra logo na apresentação e portanto já sabem que comigo nestes textos a ideia é fazer com que vocês sintam curiosidade em descobrir um filme de raíz sem saberem nada sobre ele.
Essencialmente [“Journey to Agartha”] é uma aventura de Fantasia. Uma espécie de mistura entre “Nausicaa, Valley of the Wind” e “Princesa Mononoke” mas com um toque contemporâneo e passada num mundo totalmente inspirado na estética Tibetana e do norte da India.

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Contráriamente ao que é costume no cinema de Makoto Shinkai, este filme é uma história de aventura mais directa com uma narrativa menos subjectiva e portanto se calhar será o filme mais comercial dele mas nem por isso um produto menor.
Curiosamente, temáticamente, [“Journey to Agartha”] é um filme sobre a morte.
O tema da morte e da perda das pessoas que amamos como sendo algo que faz parte da vida é o fio condutor “invisível” que movimenta toda a história e por vezes a coisa chega a tornar-se até algo pesada e totalmente inesperada embora nunca deprimente. Tem um par de momentos tristes e realmente surpreendentes pelo meio da história mas logo o realizador lhes dá a volta de uma forma poética , deixando-nos a pensar na morte de uma forma mais positiva do que se calhar costuma acontecer quando encontramos temáticas semelhantes em obras bem mais pretensiosas.

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É mais uma das virtudes de cinema de Makoto Shinkai e também aqui em [“Journey to Agartha”] isso se nota bastante. Os temas importantes estão sempre lá mas nunca nos são permanentemente atirados á cara como sendo a coisa mais importante da história. No entanto damos por nós constantemente a pensar no assunto. Especialmente no caso desta aventura que essencialmente é sobre morte e sobre a forma como cada um de nós tem que lidar com ela. Supreendentemente é um daqueles filmes que se recomenda a quem estiver em processo de luto, essencialmente por ser bastante filosófico e dar-nos algumas perspectivas bem positivas sobre uma coisa que se calhar deveria ser menos assustadora para nós do que é na nossa cultura ocidental. Neste aspecto [“Journey to Agartha”] é claramente um filme saído do cinema oriental sem qualquer sombra de dúvida.

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Como pontos menos bons, pessoalmente penso que se perde um pouco talvez pelo final, por entrar por conceitos visuais talvez demasiado abstractos quando todo o filme tinha sido bastante linear até então. Penso que as cenas de acção finais perdem um pouco da sua intensidade e toda a parte dramática não funciona particularmente bem, talvez porque nunca se afasta muito daquilo que já vimos mil vezes em mil Animes anteriormente, e até já vimos feito de forma bem mais emocionante.

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Por isso quanto a mim, aquilo que devia ser o climax emocional e dramático do filme e da história não tem a força que pedia e deveria ter tido. Apenas porque o filme perde um pouco da originalidade que construiu até aí e como tal perdemos um pouco a empatia com o que se passa á volta dos personagens, pois ou tudo é demasiado abstracto ou tudo se passa de forma demasiado rápida como se o filme precisasse de acabar ali e não houvesse mais ideias sobre como terminar o argumento.
Felizmente que depois os minutos finais da história voltam á atmosfera original e tudo termina de uma forma nostálgica e bonita que nos faz desejar que houvesse algures uma sequela a ser preparada. Ou talvez não.

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Apenas mais uma nota especial para a banda sonora. Novamente podemos contar com uma atmosfera musical totalmente perfeita para o tipo de história que conta. Quem gosta do estilo melódico e orquestral que normalmente acompanha brilhantemente grande parte dos bons Anime para cinema que podemos encontrar por aí, vai adorar a música deste filme.
Recomendo vivamente que espreitem o videoclip com a canção “Hello, goodbye hello”, que embora contenha um par de spoilers vocês nem irão notar sem terem primeiro visto primeiro o filme. É melhor que um trailer e se gostarem do videoclip vão adorar [“Journey to Agartha”].
Resumindo:

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CLASSIFICAÇÃO

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Mais um grande filme de Makoto Shinkai, talvez o mais comercial que ele produziu até agora por ser essencialmente uma aventura de fantasia com uma estrutura comum embora ambientada num universo visual bastante pessoal e inspirado no Tibete.
Não há muito mais que se possa dizer, porque quem gosta do trabalho deste realizador já sabe com o que conta e no que toca a ambiente este é mais um filme fabuloso que irá agradar a várias faixas etárias sem qualquer sombra de dúvida por diferentes motivos.
Completamente obrigatório em qualquer videoteca de quem gosta de cinema, independentemente disto ser um Anime ou não.

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A favor: Excelente personagem feminina, o espírito de aventura da história, a forma como trata o tema da morte ao longo de todo o argumento, as incríveis paisagens já habituais no trabalho de Makoto Shinkai, as cores são fabulosas, o ambiente de fantasia que nos apresenta um universo diferente, a diversidade dos momentos de aventura, mantém o mistério de se explorar um mundo novo, os personagens cativam-nos á medida que conhecemos os seus destinos, tem algumas supressas pelo meio, a banda sonora.

Contra: O climax da aventura não tem a originalidade do resto da historia pois já vimos isto antes mil vezes em mil Animes, ás vezes sentimos que não havia necessidade da história se ramificar em algumas direcções por onde entra, o tema constante da morte e do luto pode tornar por vezes o filme um pouco fúnebre para algumas pessoas apesar do enorme colorido que percorre todas as imagens (mas isto só será sentido pelo público adulto).

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NOTAS ADICIONAIS

Atenção que o filme tem dois títulos.
O título original é traduzido no ocidente por: “Children who chase lost voices” sendo o título ocidental oficial “Journey to Agartha”.

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Trailer
http://youtu.be/-62wqEfsKjo

Videoclip
http://youtu.be/gNCh3DWPkRg

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Comprar
Encontram-no facilmente em várias edições na Amazon UK.
Recomendo vivamente a edição especial em Blu-Ray pois é fantástica.
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Especialmente se gostarem de desenho, pois a caixa contém um pequeno livro cheio de esboços, desenhos e testes de cor efectuados pelo realizador. Só este livro inédito vale a compra do Blu-ray.

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A caixa contém também o filme em DVD por isso estarão a comprar dois formatos pelo preço de um e ainda levam um disco com extras excelentes sobre todo o processo de produção do filme que vale mesmo a pena serem vistos.
Cliquem nas imagens do produto acima, para seguirem para esta edição na amazon UK.

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A edição normal em blu-ray é esta aqui.
Cliquem na imagem abaixo para seguir para a amazon UK.
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E a edição em dvd está aqui também.
Cliquem na imagem abaixo para seguir para a amazon UK.

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Não vou colocar nenhum link para download pois estes nunca tardam em desaparecer e não pretendo deixar que o blog se inunde de broken links como já tenho muitos por aqui. De qualquer forma é só procurarem o filme em Torrents que o encontram facilmente. 😉

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Repost: Baek Ji Young “I Won’t Love (백지영 – 사랑안해)” Videoclip


Este link é um repost neste blog, porque nos últimos meses recebi umas boas duas dezenas de emails de pessoal a perguntar-me sobre este videoclip pois parece que muita gente o procura no Youtube mas mesmo assim não o consegue encontrar.
O link encontra-se actualizado na minha área de videoclips há já algum tempo mas está um bocado perdido entre os outros.
Coloquei-o também já no meu Facebook mas decidi dar-lhe agora um maior destaque aqui para que toda a gente que me escreve a perguntar onde encontrá-lo, possam finalmente ter o link de referência (enquanto este ainda existe).
Cliquem na imagem e poderão espreitar o video directamente no Youtube, pois este (estranhamente) não permite integração exterior em blogs para “I Won´t Love”.

Poderá haver a possibilidade do link deixar de funcionar em breve, pois este video já esteve antes no youtube mas tem sido sucessivamente removido pois li algures que o site americano considera que este videoclip contém conteúdo impróprio para a moral e como tal o video costuma sumir e voltar a aparecer.
Por agora está neste link, mas sugiro que façam o download do FLV quanto antes, pois não me admirava que um destes dias sumisse de vez e é uma pena, pois é um mini-filme fascinante e uma história de amor ao melhor nível oriental que vale a pena ser visto por quem chega a este blog á procura de filmes do género e ainda nunca viu esta verdadeira curta-metragem romântica cheia de atmosfera.
Espreitem enquanto o Youtube não o remove outra vez por conter eventuais alusões badalhocas impróprias á moral e aos bons costumes por ilustrar uma história de amor entre duas adolescentes.

E se o video sumir novamente, digam-me qualquer coisa.

Hoshi no koe (Voices of a Distant Star) Makoto Shinkai (2003) Japão


Não estava nos meus planos recomendar agora outro Anime, mas não posso deixar de falar deste [“Voices of a Distant Stars“] pois merece ser destacado.
Embora já soubesse da existência deste filme até dias atrás nunca lhe tinha prestado grande atenção, por isso agora é melhor redimir-me deste desprezo e tentar contribuir para que uma pequena obra prima não lhes passe também ao lado durante tanto tempo quanto eu a ignorei.

E ignorei-a feito estúpido, porque tinha dificuldade em aceitar que um filme asiático de animação que não chegava a ter meia hora de duração pudesse alguma vez ser tudo aquilo que pretensamente muitos textos na web diziam que era.
Ignorei-a também porque não me estava a ver a pagar o preço de um dvd por uma obra oriental que nem passa dos 25 minutos e como tal os meses foram passando sem que eu tivesse muita vontade de ver o filme; embora ao mesmo tempo sempre soubesse lá no fundo que esta obra seria demasiado boa para ser vista pela primeira vez sacando-a apenas de um qualquer torrent obscuro.

Não tenho por hábito começar logo por aqui mas [“Voices of a Distant Star“] também não é propriamente um filme normal e como tal se vocês se interessam por Anime mais cinematográfico e menos televisivo; menos baseado na acção a duzentos frames por segundo e mais assente na própria beleza das imagens e na complexidade da história recomendo vivamente que se dirijam até aqui e comprem esta edição em dvd porque acima de tudo deve ser um dos melhores packs disponíveis actualmente para quem se interessa por cinema de animação em geral.
Portanto, antes de falar do filme [“Voices of a Distant Star“] deixem-me falar-vos um bocadinho deste pack dois-em-um que nesta altura (8-9-2008) devido á queda do dólar se encontra particularmente apetecível pois por pouco mais de 20€ vocês levarão para casa  dois excelentes filmes Anime e mais uns brindes a condizer.

Esta edição contém dois pequenos livros (um para cada filme do pack) totalizando umas 50 páginas a cores no total e que são um extra absolutamente excelente para quem se interessa pelo processo de realização de um filme animado.
E dizem vocês: – “Então e depois ? A gente já sabe como são os making offs destas coisas.”
Ah…Mas o que muitos de vocês não sabem é que [“Voices of a Distant Star“] é um filme especial porque é um produto 100% amador, escrito, produzido, desenhado e animado por um único gajo (ganda maluco) fechado durante meses a fio no seu quarto anónimamente produzindo esta pequena grande história.
Olhando para a qualidade dos desenhos ninguém diria que  [“Voices of a Distant Star“] é um produto amador o que acima de tudo torna esta obra num excelente exemplo daquilo que uma única pessoa sózinha pode conseguir se tiver talento para o que se propõe criar e muita paciência e preserverança para conseguir ultrapassar todos os obstáculos até alcançar o seu objectivo.

Visualmente o filme é absolutamente mágnifico e pelo detalhe informativo que nos é apresentado no livro de making off que vem neste pack, deve ter dado um trabalho do caraças a produzir pois foi inicialmente todo desenhado á mão, passou por inúmeras fases e finalmente foi concebido em Photoshop e também num programa de Render 3D para umas breves sequências espaciais . Todo o processo está detalhado não só no livro que vêm no pack como ainda também poderemos encontrar mais informação na contra capa de cada dvd que conta ainda também com ilustrações adicionais retiradas no filme.

Todo o pack tem uma óptima apresentação, bom grafismo e os livros estão muito bem impressos em papel fotográfico de excelente qualidade que realça a beleza das imagens retiradas do filme e nos deixa ainda mais espantados com a qualidade artística desta incrível produção amadora.  É que em 24 minutos passa tudo tão rápido que nem temos tempo para apreciar devidamente toda a qualidade das imagens e sendo assim este extra adicional do(s) livro(s) é o complemento perfeito para um pack de dvds que já de si seria bastante bom se só tivesse os filmes.

Além dos excelentes mini-livros esta edição contém ainda um disco adicional; um Cd com toda a banda sonora de [“Voices of a Distant Star“].
Não é uma banda sonora daquelas inesquecíveis mas é uma excelente trilha musical ambiental que além de acompanhar perfeitamente todo a atmosfera e emoções da história ainda resulta muito bem enquanto música para se ouvir fora do enquadramento da obra que ilustra e é um extra de cinco estrelas que  enriquece ainda mais este pack.

Com tudo isto já devem ter notado que ainda não falei do filme.
[“Voices of a Distant Star“] tem 24 minutos ! Não posso contar muito sobre ele porque parte do prazer está precisamente na sua descoberta, embora confesse que da primeira vez que o vi não me emocionou particularmente, mas isso deveu-se ao facto de eu ter passado todos os 24 minutos feito parvo; estupefecto com a qualidade artística do filme e sinceramente nem me apercebi muito bem das nuances da própria história. É que não se esqueçam que tudo isto foi criado apenas por uma única pessoa com um computador fechado em casa e o resultado visual já é suficiente para nos distraír por completo do argumento da primeira vez pois parece um filme profissional a todos os níveis justificando plenamente o facto do próprio jovem realizador já ter sido comparado a um novo Hayao Myiazaki pela crítica especializada e com todo o mérito.

Uma outra coisa que nos apanha de surpresa também quando vemos o filme da primeira vez (se o virmos na versão original japonesa) é a quantidade exagerada de legendas que está neste dvd. O que nos complica muito a vida quando estamos a tentar absorver a poesia da história. Eu explico.
Além das legendas para os diálogos, se uma paisagem do filme tiver por exemplo umas bandeiras ou uns sinais quaisquer escritos em japonês, também o que está escrito nesses detalhes gráficos está traduzido em inglés e legendado por cima da imagem o que muitas das vezes cria um verdadeiro puzzle de legendas (de duas cores) numa só imagem que nem dura dois segundos no ecran pois temos legendas para ler por tudo o que é espaço no ecran e isso desvia-nos completamente a atenção quando tentamos seguir o argumento.

Como se isto já não fosse suficiente para distrair o espectador da história principal do filme, consta também segundo a crítica internacional que a adaptação para inglés dos filmes deste realizador foi e continua a ser feita por um gajo americano que tem por hábito não se limitar a traduzir os diálogos originais mas inclusivamente a inventar frases para substituir o que na realidade foi dito, anulando por completo qualquer momento mais poético que estaria presente na escrita original e substituindo-o por aquilo que quem “traduz” acha que fica bem em inglés e não aquilo que foi realmente escrito.
Resultado, parece que seja na versão dobrada ou na versão legendada, aquilo que estamos a acompanhar de diálogos neste filme na verdade não é bem o que realmente foi escrito para a obra, o que segundo muito boa gente destroi a poesia que a versão original contém nos diálogos e que só poderá ser realmente captada por quem entender japonês.
Bem…Não se pode ter tudo. Ao menos os filmes estão editados no ocidente.

[“Voices of a Distant Star“] apesar dos seus escassos 24 minutos é um filme excelente, mas atenção isto não é Anime para todos os públicos. Se alguma vez houve um realizador que se pode realmente enquadrar dentro daquela definição de Cinema de Autor é este Makoto Shinkai pois os seus filmes não serão propriamente produtos comerciais.
Não são filmes de aventura, não têm espectaculares cenas de acção a todo o instante e na verdade são filmes muito leeeeeeeeeeeentos. Fica aqui o aviso, tanto [“Voices of a Distant Star“] como o outro filme do pack “The Placed Promised in Our Early Days” são filmes absolutamente lentos.
Ou melhor, são filmes extremamente contemplativos que decorrem a um ritmo que quase se pode comparar ao mais calmo filme do Manoel de Oliveira. São filmes que não têm pressa absolutamente nenhuma e nota-se.
Nota-se inclusivamente no próprio estilo da animação.

Talvez devido á inexperiência do realizador estreante, a verdade é que [“Voices of a Distant Star“] é mais uma espécie de filme com slides ligeiramente animados do que propriamente cinema em que a animação é aquilo que mais se destaca.
Toda a montagem do filme é feita á base de uma enorme sucessão de ilustrações com pequenos pormenores ligeiramente animados (durante breves segundos) e não é a habitual formula em que os cenários de fundo servem de base para a animação dos bonecos. Aqui acontece precisamente o contrário e os bonecos estão no filme mais para servir os cenários do que própriamente para serem o centro das atenções.
Todo o filme é contado com base em emoções geradas pela atmosfera dos desenhos, das paisagens e das atmosferas. Nota-se que os personagens são quase uma coisa secundária e é o próprio Shinkai a dizer nas entrevistas que acompanham os filmes que sempre se expressou muito mais pela poesia de uma paisagem e nunca se interessou muito pela criação de personagens, (sendo inclusivamente esta uma das críticas que lhe costumam fazer).

O filme tem cenas de acção mas estas não estão lá para impressionar e sim para servir a história, Neste caso [“Voices of a Distant Star“] conta a sua, através de uma sucessão de imagens quase paradas montadas de forma a criar um ritmo narrativo lento mas seguro e que já definiu um estilo, pois toda esta economia narrativa acabou por se tornar a imagem de marca do realizador e que continua presente nos seus novos trabalhos.
Podemos estar durante mais de dez segundos a olhar para uma imagem parada com uma narração a contar a história ou então a ouvir um diálogo entre dois personagens e só no último instante é que alguma coisa se mexe (minimamente) no ecran antes de passar á próxima imagem “parada” que faz avançar a história.
Isto pode parece uma seca descomunal á partida, mas a verdade é que resulta extraordináriamente bem. Acima de tudo porque a qualidade dos desenhos de Makoto Shinkai é tanta que estes realmente transmitem emoções pelo ambiente e na verdade quase que os seus filmes nem precisariam de bonecos não fosse a obrigatoriedade de ter que existir algum personagem para que o público se identifique com ele.

[“Voices of a Distant Star“] conta uma história simples mas nem por isso menos emocional.
Basicamente é uma história de amor entre dois adolescentes e como esse amor resiste á distância e ao passar dos anos.
Num contexto de guerra espacial em que a humanidade luta contra uma civilização extra-terrestre desconhecida, um rapaz e uma rapariga de 15 anos que habitam no japão apaixonam-se. No entanto a rapariga sonha em vir a pilotar um caça de combate apesar do rapaz saber que se ela procurar seguir uma carreira militar isso significa que a relação deles estará condenada pois ela terá de partir para o espaço.

Eles comunicam por telemóvel trocando mensagens SMS e é assim que as coisas continuam quando a rapariga parte de vez para combater as forças alienígenas, o problema é que devido á dilatação temporal por causa das viagens espaciais o tempo não passa de forma igual pelos dois apaixonados. Enquanto o rapaz envelhece a um ritmo normal na Terra, a rapariga continua com a idade de 15 anos no espaço pois para ela apenas passaram meses desde que partiu enquanto que para ele se passam anos.
Isto faz também com que a sua troca de mensagens cada vez vá ficando mais dificil, pois de cada vez que a rapariga se afasta mais do centro do sistema solar, mais tempo leva uma mensagem SMS do rapaz a chegar até ao seu telémovel partindo da Terra.
Basicamente é esta a base da história que percorre este pequeno grande filme criado por uma só pessoa e do qual convém nem dizer mais nada sobre ele.

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CLASSIFICAÇÃO:

Apesar dos seus escassos 24 minutos de duração, [“Voices of a Distant Star“] merece ser visto e ter um lugar de destaque em qualquer colecção de quem gosta de Anime, ou pura e simplesmente de cinema.
O facto deste filme ter sido inteiramente produzido por uma única pessoa trabalhando anónimamente em casa com o seu computador pessoal, tendo em conta toda a sua qualidade técnica e artística é um feito absolutamente extraordinário e que só por esse facto merece imediatamente um Golden Award.
Só é pena mesmo o filme ter tão curta duração pois a história que conta merecia um maior desenvolvimento mas mesmo assim nada se perde neste trabalho e cada fotograma é uma pequena obra de arte da ilustração.
Um pequeno grande filme digno realmente desta classificação.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque sim.

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A favor: a inteligência do argumento, a realização, a poesia das imagens, a qualidade das ilustrações, a montagem absolutamente calma mas precisa, os personagens simples, a banda sonora, é um trabalho 100% amador com uma qualidade incrível.
Contra: quem espera um filme de aventuras não o irá encontrar aqui, apesar de ser um Anime é claramente um filme de Cinema de Autor até porque acabou por criar um estilo muito próprio.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=dc–DFC2w00&feature=related

Comprar edição especial
http://www.amazon.com/Shinkai-Collection/dp/B000BKSJ5W/ref=pd_bbs_2?ie=UTF8&s=dvd&qid=1220623921&sr=8-2
O dvd de [“Voices of a Distant Star“] contém ainda um par de extras muito interessantes. Além de trazer uma pequena mas muito interessante e esclarecedora entrevista com o realizador contém na verdade trés versões do filme. A primeira versão mesmo “caseira” em que o próprio realizador e a sua namorada fizeram as vozes dos personagens, a versão comercial distribuida á venda já com um cast de actores profissionais e um director´s cut.
Outro extra presente no dvd é também o primeiro desenho animado feito por Shinkai e que pelo visto já se tornou um filme de culto. Chama-se “She and her cat” e como já notaram é um filme sobre gatos. É uma pequnea experiência a preto e branco cheia de atmosfera e também aqui o dvd tem o filme em 3 versões sendo a de maior duração a versão de 5 minutos.

Além deste filme, o pack contém também o filme seguinte do mesmo realizador, “The Place Promised in Our Early Days” que já foi uma longa metragem e um trabalho já mais profissional (como se isto ainda fosse possível) pois Shinkai contou dessa vez com uma pequena equipa para o ajudar no seu segundo filme devido ao sucesso que [“Voices of a Distant Star“] teve.
Colocarei em breve aqui no blog também um review.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0370754/

Outra Review
http://www.animenewsnetwork.com/review/voices-of-a-distant-star/dvd

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Mirai shônen Konan (Conan o rapaz do futuro / Conan Future Boy) Hayao Miyazaki (1978) Japão


Cônaaaaaaaaaaaaaaaaaaan !
Lanaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa !
Jimsyyiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii !
Desculpem, não resisti. 🙂
E quem conhece bem esta já quase mítica série do inicio dos anos 80 sabe bem porquê.
Quem viu e gostou desta série de aventuras nunca mais esqueceu estes clássicos gritos dos personagens principais que se tornaram mesmo numa imagem de marca da série.
Bem-vindos a [“Conan Future Boy“], mais conhecido em Portugal como [“Conan, o rapaz do futuro“].

Tenho que dizer logo aqui á partida que para mim [“Conan Future Boy“], não só é uma das melhores series Anime, como acima de tudo é um dos melhores “filmes” de ficção cientifica de sempre.
Na minha opinião perfeitamente comparável a qualquer um dos grandes clássicos do género e portanto não fica nada a dever a um “Blade Runner” e até mesmo a “2001 Odisseia no Espaço” por muito blasfemo que isto pareça a alguns puristas fundamentalistas da ficção-ciêntifica.
Não tentemos menosprezar esta obra prima de Miyazaki só porque é um produto televisivo de baixo orçamento; [“Conan Future Boy“], não é só um triunfo da realização como ainda consegue ser muito mais ficção-cientifica a sério do que muita teledisco MTV que hoje passa por sê-lo nos cinemas.
Por tudo isto, na minha opinião este trabalho merece um lugar de destaque dentro de qualquer lista de referência com boas obras do género.

[“Conan Future Boy“],  tem não só uma história original e muito bem concebida como também, apesar dos seus momentos de acção não tem pressa em meter estilo só para apresentar sequências anime com pinta como depois se tornou infelizmente tão comum dentro do género televisivo.
Enquanto ficção-ciêntifica na minha opinião é uma obra prima e mesmo não sendo uma adaptação fiel do romance, transformou o seu conceito em algo que transcendeu a escrita original.
Conseguiu pegar num romance sem grandes características juvenis e transformá-lo num produto televisivo que deve ser o expoente máximo do equílibrio perfeito entre o filme de aventuras infanto-juvenil e uma história para adultos apreciadores de boa ficção ciêntifica clássica.

Técnicamente, apesar das suas enormes limitações de orçamento  [“Conan Future Boy“], quase que se pode considerar um milagre, isto porque esteve para não ser completado por várias vezes e deve a sua existência ao esforço do seu criador Hayao Miyazaki e do seu sócio que chegaram ao ponto de serem eles a desenhar e pintar á mão não só grande parte dos cenários da série, como ainda por cima tiveram de lidar com milhares de frames colorindo cada uma das imagens durante meses a fio. O que quase torna esta série no maior filme semi-amador jamais produzido.
Até porque na época simplesmente não havia muita verba para continuar a manter a equipa de produção inicial e ninguém queria apostar muito no projecto, apesar de nesta altura ambos já terem algum nome no mercado devido ao enorme sucesso das séries Heidi e Marco que foram dos primeiros Anime a serem exportados para o ocidente com enorme sucesso durante os anos 70.
No entanto [“Conan Future Boy“], foi o primeiro trabalho realizado na totalidade por Miyazaki e como tal os apoios eram poucos.

Mas o sacríficio e as noites em claro acabaram por valer a pena porque o sucesso de  [“Conan Future Boy“], foi tão grande em todo o mundo que permitiu que os seus criadores acabassem por fundar no inicio dos anos 80, o agora famoso e muito reconhecido Estúdio Ghibli onde mais recentemente produziram “A Viagem de Chihiro” e “O Castelo Andante”.
E lembrem-se tudo isto muito antes da era dos computadores pessoais pois tudo nesta série foi construído por processos tradicionais o que lhe dá ainda mais valor.
Na altura a sua primeira produção para cinema foi uma espécie de remake não oficial de  [“Conan Future Boy“] na forma do fabuloso “Laputa Castle in the Sky” onde recuperaram os personagens de Conan e Lana, agora com nomes diferentes e uma história diferente.
Mas tudo teve origem nesta fabulosa série de ficção-científica que no entanto só estreou em Portugal em 1984.

Curiosamente [“Conan Future Boy“], foi uma das séries mais populares de sempre na televisão Iraquiana e um sucesso absoluto nos países árabes por onde passou, tendo sido um verdadeiro embaixador da ficção-cientifica junto daquelas culturas.
Curiosamente também, nunca passou no entanto na televisão de Inglaterra e teve grande dificuldade em conquistar o mercado americano na altura.
Em Portugal, como toda a gente com pelo menos trinta e poucos anos sabe, foi talvez o maior sucesso de animação de sempre e o único programa de ficção-cientifica que se pode comparar em popularidade e estatuto de culto com o Espaço 1999.

[“Conan Future Boy“], passa-se num futuro próximo e onde todos os continentes do planeta Terra estão practicamente submerso debaixo dos oceanos.
Devido a um conflito nuclear em 2008, os polos derreteram e os mares subiram para um nível que transformou practicamente toda a superficie terrestre num conjunto de ilhas isoladas onde os sobreviventes perderam muito do contacto com o mundo exterior que ainda restou.
O sistema político que conhecemos foi substituído por uma ditadura das grandes coorporações que souberam aproveitar-se da tragédia mundial para dominarem pela força e pela técnologia todas as populações da Terra, pois neste mundo futuro apenas eles detêm o poder.

Neste mundo devastado, numa pequena ilha isolada Conan vive com o seu avô desde que nasceu e nunca viu nenhum ser humano além deste durante os seus poucos anos de vida e quando a história começa, Conan encontra-se no seu passatempo favorito mergulhando no oceano e explorando as ruínas submersas de cidades que ele nunca conheceu.
Este conceito simples, serve para nos minutos iniciais do primeiro episódio, o espectador ficar a conhecer o ambiente geral da história e para levar logo com a primeira sequência de acção exagerada ao melhor estilo Anime.
A primeira entre muitas que contribuiram para tornar inesquécivel toda esta série.
Neste caso, Conan captura com as próprias mãos um tubarão gigante que depois transporta alegremente á cabeça quando sai da água numa das cenas mais memoráveis desta história.

É durante esta sequência que Conan conhece Lana, uma miuda da idade dele e o primeiro ser humano que ele encontra na sua vida para além do seu avô. Lana encontra-se desmaiada numa das praias da ilha e Conan mesmo sem saber de onde ela veio, imediatamente a transporta para a sua pequena casa mal sabendo ele que a sua vida iria mudar para sempre a partir daquele momento.
Depois de algumas peripécias Lana é raptada por representantes de Indústria, a poderosa coorporação que domina o que ainda resta do mundo e o avô de Conan também morre deixando-o sózinho na pequena ilha.
Como tal o rapaz resolve partir para tentar salvar Lana, encontrando pelo caminho os mais diversos e divertidos personagens que contribuiram para tornar esta série inesquecivel na mente de toda a gente que a viu quando passou pela primeira vez em Portugal no verão de 1984.

Muita coisa acontece ao longo dos 26 episódios que compõem [“Conan Future Boy“],mas esta história sempre conseguiu manter um extraordinário equilibrio entre a aventura juvenil e uma narrativa de ficção-cientifica que pode ser apreciada por pessoas de todas as idades e é essa a sua grande magia pois contém vários níveis de profundidade por debaixo de uma capa aparente filme de animação infanto-juvenil.
Para isto contribuiu uma excelente construcão de personagens tornando-os muito mais do que apenas desenhos que se movimentam no ecran e já aqui Miyazaki mostrava o seu talento para dotar os seus filmes de personalidade.

Não há verdadeiramente personagens maus nem bons nesta história mas sim pessoas com defeitos e virtudes. Tirando os herois todos aqueles que passam no seu caminho, são caracterizados de uma forma indefinida e se num momento fazem parte dos “maus”, no decorrer da história se calhar poderão não ser tão vilões assim. Isto contribuiu para que nesta história nunca haja muita previsibilidade, até mesmo na forma como a narrativa progride, pois raramente o espectador consegue adivinhar o que poderá acontecer a seguir.

Tudo isto é por demais conhecido de todos aqueles que eram crianças ou adolescentes no inicio dos anos 80, mas o que importa aqui é mesmo apresentar esta série ás novas gerações.
Por tudo isto [“Conan Future Boy“], não só é obrigatório e totalmente recomendável para todos aqueles que gostaram da série quando crianças, como principalmente para quem nunca ouviu falar dela. Especialmente se gostarem de ficção-cientifica ao melhor estilo clássico.
Para quem se lembra dela, esta é uma das poucas séries que não envelheceram e como tal garanto-vos que não será uma decepção nostálgica. Até porque agora revendo-a em quando adultos, vocês irão olhar para esta obra de uma nova forma.
Para quem nunca a viu, poderá ser uma descoberta absolutamente fascinante, se estiverem interessados em ver um história muito bem escrita e acima de tudo muito bem realizada.

Para quem nunca ouviu falar de  [“Conan Future Boy“], mas no entanto conhece a carreira de Kevin Costner, deve estar a pensar que esta série é estranhamente semelhante ao famoso fracasso “Waterworld“.
Curiosamente, o filme de Costner pode não ser um desenho animado, mas no entanto é um produto mil vezes mais infantil do que este Anime clássico, o que torna  [“Conan Future Boy“],  num excelente exemplo de como estas coisas dos bonecos animados serem filmes infantis se calhar tem muito que se lhe diga, ao contrário do que se pensa em Portugal onde tudo o que é desenhado é logo publicitado como filme para crianças.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos melhores filmes de ficção-cientifica de sempre pois contém uma profundidade que vai muito para além da banal aventura para crianças, o que torna esta série não só num excelente Anime, como acima de tudo é uma obra essencial tanto para quem gosta de animação e de bons contos de ficção-científica com um sabor clássico onde a história é bem mais importante que as cenas de acção.
A prova de que o facto de ser Anime não implica de modo nenhum que seja um objecto menor de Cinema só porque é um desenho animado. E neste caso, a prova de que até um produto televisivo pode ter uma qualidade mais cinemática do que muito filme feito para o grande ecrãn.
Na minha opinião é uma obra prima da animação e é definitivamente o meu “filme” favorito deste realizador.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade excepcional sem qualquer sombra de dúvida.

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A favor: Os personagens são excelentes e muito pouco unidimensionais, as sequências de acção são geniais e muito divertidas e imaginativas, a história é absolutamente perfeita e aproveita ao máximo o conceito do planeta Terra estar submerso como ainda explora muito bem a questão do excesso de poder político das grandes coorporações e o seu papel na destruição do mundo natural em busca de poder, o humanísmo presente em todos os personagens, é possivelmente a melhor das piores adaptações de um livro alguma vez passada ao ecran pois acerta em cheio naquilo que vai buscar ao romance original e adapta o ambiente de forma perfeita, técnicamente é um verdadeiro milagre tendo em conta a origem conturbada deste trabalho, sabe criar uma excelente atmosfera gráfica usando um estilo invitávelmente minimalísta para uma obra que não tinha orçamento para mais, Cônaaaaaaaan ! 🙂
Contra: Absolutamente népia !
Mas se calhar para muitos putos de hoje que não conseguem prestar atenção a um filme que não tenha pelo menos duzentas imagens por segundo na montagem esta série pode parecer um bocado lenta além disso nem mete estilo nem nada.

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Genérico/Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=ZTQB6hPlJI4

Website
http://www.highharbor.net/en/

Leiam o Livro Original aqui:
Quem quiser conhecer o romance original, actualmente só tem uma hipótese de o ler se descarregar o pdf aqui neste website, pois este livro já deixou de estar disponível há décadas e como tal só por milagre encontrarão uma cópia em inglés.
http://hinomaru.megane.it/cartoni/Conan/Inglese/index.html

Comprar
Apesar de já existirem algumas edições legítimas desta série por toda a europa, eu no entanto comprei há muitos anos atrás uma edição manhosa quando ainda não existia nada oficial no mercado. Curiosamente está inclusivamente ainda á venda na Amazon americana e tudo.
É uma edição oriental bootleg , tem muitos defeitos mas não a troco por nenhuma edição a sério. Gosto muito do grafismo, tem a melhor capa de todas as que andam no mercado, tem uma imagem que serve perfeitamente e vem tudo em 3 discos numa caixa com um grafismo excelente e muito bem concebida pois inclui uma protecção de plástico para a embalagem e tudo.
Além disso ocupa muito pouco espaço na prateleira, e custou-me na época menos de 20€. Ao contrário da edição legítima Portuguesa da New Age que quando foi lançada em Portugal dividiram toda a série em duas caixas com metade dos episódios em cada uma e custava 50€ cada caixa na altura. Isto no nosso País é só rentabilizar dê lá por onde der.
Por isso tenho a certeza que ainda vão encontrar a edição Portuga no mercado, talvez agora que a editora faliu , até encontrem a série mais barata.

Eu por mim estou muito contente com a minha edição mas aviso-vos já que no entanto contém muitos defeitos, caso estejam interessados em seguir os meus passos e encontrem ainda algures á venda o dvd com a capa igual áquela que deixei mais acima.
Por exemplo, não tem uma imagem espantosamente nítida, (embora não seja de forma alguma má), mas a legendagem em inglés é do piorio. É que nem sequer se pode considerar uma lengendagem em inlgés, pois na realidade é mais em “Engrish“.
A coisa é de tal modo atroz que a meio da série, já alguém mudou o nome dos personagens e sem qualquer razão para isso. Por exemplo, “Conan” passa-se a chamar “Gaoli” na tradução e o mesmo acontece com todos os outros o que irá certamente deixar completamente baralhado quem nunca viu esta série antes. E isto acontece muito mais vezes ao longo dos episódios, pois “Conan” nesta tradução em “Engrish” chega a ter pelo menos trés nomes diferentes, só para terem uma ideia.
E a coisa chega ao cúmulo de a meio do terceiro dvd, termos pelo menos trés episódios que não contêm legendas de espécie nenhuma !
Não posso dizer que me tenha importado muito, porque felizmente  esta série é extremamente visual e a própria história nem sequer precisa de muitos diálogos. Por isso não se preocupem muito, porque garanto-vos que conseguirão seguir a narrativa sem grandes problemas, o que só comprova o génio do realizador para a narração visual.

Devem pensar que estou maluco, por gostar de uma cópia destas em função de qualquer outra, mas a verdade é que falo por mim e por qualquer motivo gosto muito desta edição, talvez  porque foi a primeira que consegui arranjar numa altura em que ainda não havia qualquer edição legítima da série.
Apenas não gosto de uma coisa. A minha cópia não contém nenhum genérico dos episódios e como tal aquela música da banda sonora não existe, pois todos os episódios estão colados e montados como se todos os mais de 600 minutos fossem tudo parte de um filme enorme.

No entanto, tenho lido que actualmente a minha própria edição já foi revista e corrigida e em muitos aspectos actualmente é bem superior á versão inicial que eu comprei há mais de cinco anos atrás, por isso se calhar até nem perdem muito em arriscar comprá-la se não tiverem problemas em adquirir um produto bootleg e a conseguirem ainda encontrar. Não confundir com edições pirata.
De qualquer forma no momento em que actualizo este texto (Agosto 2010) já existem disponíveis opções oficiais para comprarem.
O próprio realizador Miyazaki tem uma opinião curiosa a propósito desta distribuição não oficial dos seus filmes. Numa entrevista há alguns anos foi o primeiro a dizer que mesmo que ele não ganhe dinheiro com isso, o facto das pessoas distribuirem a sua obra significa que a longo prazo só lhe trará boa publicidade pois quem gostar mesmo dos filmes ficará interessado no seu trabalho e depois certamente quererá comprar as edições oficiais por causa dos extras e da melhor qualidade técnica.

Nota Importante: Provavelmente não será bem o caso com as edições Europeias de Conan, mas normalmente recomendo que tentem comprar qualquer edição Japonesa (ou oriental), porque no que toca aos trabalhos do Estúdio Ghibli, muitas edições ocidentais são regra geral baseadas nos “cuts” americanos da Disney e que ao longo dos anos se entreteu a “remover” alguns (largos) segundos das versões originais por estas aparentemente conterem coisas politicamente incorrectas que não seriam adequadas ás sensibilidades americanas.
Onde isto está por exemplo muito evidente é no que a Disney fez com a série “Conan Future Boy” quando passou na televisão, onde decidiram remover todas as cenas onde Conan e Jimsy formam uma amizade fumando juntos alguns cigarros e que pura e simplesmente foram cenas que os americanos nunca viram.
Practicamente todos os filmes do Estúdio Ghibli distribuídos pela Disney contêm ligeiras alterações, pequenos cortes e até segundo consta, alguns diálogos alterados para não ferir susceptibilidades das ciancinhas e dos paizinhos ocidentais, (leia-se “americanos”).
O exemplo mais recente disto, foram também os cortes na versão americana do “Princessa Mononoke”.

Em principio no que toca a esta série as edições europeias não devem conter cortes, por isso quem quiser uma lista das edições legítimas clique aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0077013/

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