The Arti: The Adventure Begins (The Arti: The Adventure Begins) Huang Wen Chang (2015) China


Quem se está sempre a queixar de que o cinema nunca mais traz nada de novo, ou que o género da Fantasia precisa de mostrar mais frescura após tanto clone do Lord of the Rings aparecer no mercado tem aqui em [“The Arti: The Adventure Begins”] uma excelente opção. A não ser que achem que os filmes de bonecos são apenas para crianças, porque desta vez isto nem sequer é um desenho animado. A sério…

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[“The Arti: The Adventure Begins”] é um live-action, completamente produzido com fantoches.
Não com marionetas de fios mas com tradicionais fantoches de madeira (controlados por pau e luva), parte de uma técnica tradicional de contar histórias muito enraizada na cultura popular da China e que actualmente tem o seu expoente máximo (segundo dizem os entendidos),  no trabalho da familia Huang que há várias gerações não deixa morrer esta arte e continua a entreter plateias com os seus espectáculos pelo oriente.

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Parece que a familia Huang, já no início dos anos 2000 produziu um outro filme de aventuras com a mesma técnica que correu vários festivais (“Legend of the Sacred Stone“) e destacou-se pela positiva, mas em 2015 com [“The Arti: The Adventure Begins”] regressou em força naquela que já é considerada pelos especialistas na matéria como a melhor demonstração de que a arte da manipulação de fantoches tradicionais está bem viva pelas bandas da China e recomenda-se vivamente; especialmente a quem não a conhece. Nomeadamente, nós aqui no ocidente.

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[“The Arti: The Adventure Begins”] é por isso um espectáculo visual único e que surpreendentemente resulta plenamente em filme por muito estranho que pareça. Inicialmente estranhamos estar a ver uma história onde os personagens falam mas não mexem a boca mas logo ultrapassamos essa barreira passados alguns minutos.
Curiosamente, eu até nem acho que a história seja particularmente criativa, pois vai buscar a tradicional aventura de contornos ecológicos que practicamente toda a gente já viu ultimamente em “Avatar” de James Cameron, pois em muitos momentos sentimos uma semelhança total nos temas, na abordagem às forças da natureza, etc. Agora onde [“The Arti: The Adventure Begins”] realmente brilha é na sua execução.

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Tanto na parte técnica como na forma como já a meio do filme conseguiu humanizar aqueles bonecos de madeira sem o espectador se dar conta [“The Arti: The Adventure Begins”] é notavel. A partir de certa altura, logo adivinhamos o que irá acontecer na história mas mesmo assim o filme lá para o final depois de se arrastar um bocado ao início consegue com fantoches, criar mais tensão dramática do que muito suposto cinema sério em estilo live-action, embora não esteja livre de falhas narrativas, (mas já lá vamos).

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[“The Arti: The Adventure Begins”] tem deixado de boca aberta muito crítico de cinema de artes marciais. Não por conter algo de novo no género em termos de estrutura mas por ser absolutamente fascinante que alguém tenha conseguido criar com fantoches de madeira e luva sequências de acção tão surpreendentes. Isto porque os bonecos não só executam coreografias dinâmicas (saltando e rodopiando pelo ar) como ainda por cima interagem fisicamente com o cenário de uma forma que nunca vimos num espectáculo de fantoches ou marionetes (quando aterram por exemplo no chão rachando tudo em redor).

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Os cenários são absolutamente perfeitos para o desenrolar da acção sem perder aquele tom “artesanal” de uma produção teatral tradicional, os ambientes onde decorre a história são extremamente variados e as paisagens épicas conseguem surpreender por completo; tudo complementado com uma boa fotografia e acima de tudo uma montagem frenética absolutamente perfeita nas cenas de acção onde não se perde um fotograma de pormenor.
Eu nem consigo imaginar como será o storyboard deste filme pois cada cena de acção é uma sucessiva montagem de pequenos segmentos editados com a precisão de um relógio suíço, só comparável talvez ao pormenor encontrado nas partes de artes-marciais do filme “The Grandmaster” de Wong Kar Wai. E acreditem que isto é dizer muito quando se trata de um filme baseado em bonecos de madeira, manipulados por debaixo dos cenários pela familia Huang segurando em paus que estão colados a cada personagem ou através de luva.

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[“The Arti: The Adventure Begins”] tem também outra coisa surpreendente e que raramente se vê no cinema moderno de grande espectaculo actualmente. [“The Arti: The Adventure Begins”] tem uma boa dose de animação CGI mas usada de uma forma absolutamente contida e muito inteligente.
Este filme poderia ter descambado facilmente em mais um exagero de animação de computador e efeitos digitais, o que iria desviar por completo a atenção dos personagens, mas tal nunca acontece.
Há bastante CGI em [“The Arti: The Adventure Begins”] , mas apenas está usado para complementar pequenos pormenores da manipulação tradicional dos fantoches de madeira.

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Ou seja, o CGI é usado para por exemplo, adicionar água, rios, cascatas aos cenários construidos em maquetas de verdade, adicionar vento às tempestades de areia, fazer chover ou em pequenos efeitos de magia quando essa parte acontece na história. Em nenhum desses momentos o CGI chama a atenção para si e logo esquecemos que ele lá está, o que não deixa de ser fantástico pois tudo está planeado para fazer brilhar a milenar técnica de manipulação de fantoches. O CGI não substitui nada, não está ali para impressionar, está ali para complementar e nada mais.

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Aqui e ali é usado para animar um par de personagens secundários num estilo mais cartoon e mesmo nesses momentos a integração com os seus “colegas” actores de madeira é perfeita e nunca se sente a intrusão desnecessária da animação de computador onde não deveria estar.
[“The Arti: The Adventure Begins”] foi filmado em 3D mas ainda não vi essa versão. Quem já a viu diz que é perfeitamente desnecessária neste caso, pois o próprio 3d nem sequer estará muito explorado e portanto por mim pouco importa.

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Apesar de tudo isto me ter surpreendido, [“The Arti: The Adventure Begins”] também tem algumas coisas que não me cativaram e por isso não lhe dou uma classificação mais alta.
Para começar a história é realmente desinteressante em termos de estrutura, pois já vimos aquilo antes tanto em Avatar como mais rencentemente na animação “Epic”. Não há nada de supreedente a acontecer no filme inteiro e a imaginação não brilha particularmente no que toca ao argumento. Um filme como este com uma história realmente inovadora ou original teria sido extraordinário, assim como está perde muitos pontos porque acaba por se arrastar numa narrativa que não deslumbra ninguém.
Curiosamente já tinha acontecido o mesmo a outro filme com marionetes europeu que saiu há alguns anos, “Strings“, que cometeu a parvoíce de adaptar Shakespeare em vez de criar a sua própria história e portanto também nesse a coisa falhou por tudo ser absolutamente e aborrecidamente previsível em termos de argumento.

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Pessoalmente [“The Arti: The Adventure Begins”], também tem uma coisa que não gosto. Com excepção do próprio “Arti”, o “robot” de madeira e do fabuloso pássaro CGI em estilo cartoon vermelho muito divertido, eu não gosto nada do estilo visual dos bonecos. Em termos de design seguem exactamente aquele visual espampanante muito estilizado que se costuma ver principalmente em mmorpgs chineses onde cada guarda roupa está cheio de floreados em exagero, os personagens usam joias e acessórios “de moda” por todo o lado e os penteados parecem saídos de uma qualquer passagem de modelos espampanantes.
Isto é apenas uma opinião pessoal, mas detesto mesmo o aspecto destes fantoches.

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Por exemplo o estilo Anime ou Manga japonês é mais contido e simplificado até mesmo quando os seus herois têm um visual extravagante. O estilo japonês parece mais baseado na simplicidade e no design pensado para ser único e parte da personalidade de cada personagem. Já o estilo chinês presente em [“The Arti: The Adventure Begins”] e em muitos produtos saídos da China, parece apenas contar com o exagero e ser baseado no exibicionismo over the top como se este fosse suficiente para criar personagens com boa identidade visual.  Não funciona. Acho eu. Pessoalmente irrita-me.

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[“The Arti: The Adventure Begins”] depois também desperdiça um dos melhores bonecos que criou; precisamente o cómico pássaro vermelho que a partir de certa altura parece vir a ser um dos pontos fortes da aventura, mas depois raramente é usado para qualquer coisa para além de um par de piadas engraçadas e que sabem a pouco.
Talvez porque o personagem é produzido em CGI alguém decidiu cortar-lhe o protagonismo pois destoaria demasiado do resto. Talvez por falta de orçamento para animação, até porque o heroi “Arti” em algumas sequências é substituído por breves segundos de animação digital e portanto muita da verba deve ter ido para esse fim também.
Curiosamente este filme falha onde por exemplo “Dragon Nest: Warriors Dawn” acerta em cheio. Falta carísma a estes personagens na aventura de Arti.

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E pronto, não há muito mais para comentar sobre este titulo que vale a pena ser visto.
Em relação à história segue o habitual. Depois da morte do seu pai o jovem Mo pretende cumprir o seu ultimo desejo e encontrar a fonta do poder mágico que este um dia usou para criar “Arti-C”, uma espécie de robot sentiente feito de madeira (num excelente estilo steampunk) pois a energia deste está a esgotar-se e há que evitar que morra. Com a sua irmã a espadachim, Tong o grupo viaja por enumeros reinos e paisagens, encontra exércitos, monstros, vilões, deusas e poderes mágicos e no fim quando a Origem do poder é localizada têm de tomar uma decisão que poderá colocar em causa toda a razão da sua demanda.

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CLASSIFICAÇÃO:

Em termos técnicos é um triunfo que o torna de visão obrigatória, especialmente para quem gosta de cinema de fantasia ou até mesmo de artes-marciais cinematográficas.
É tudo tão bem feito que quase se desculpa o pouco carisma ou interesse que a maioria das personagens tem durante quase toda a história. A tensão do segmento final acaba por redimir um pouco essa fragilidade mas mesmo assim [“The Arti: The Adventure Begins”] merecia ter tido uma história espectacularmente original que fizesse justiça ao excelente aspecto técnico de toda esta produção e não tem.
É mesmo um filme muito bom e supreendente mas uma narrativa algo arrastada e desinteressante  nos momentos em que não conta com cenas de acção no ecran retira-lhe alguns pontos que merecia ter tido. Esperemos que isto seja corrigido na sequela que de certeza irá ter.
Por agora, quatro tigelas de noodles, pois é muito bom naquilo em que acerta em cheio.

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A favor: Extremamente bem feito no que toca à manipulação de fantoches de madeira, óptimos cenários e paisagens de fantasia, excelentes e surpreendentes cenas de acção, excelente montagem nas sequências de acção, excelente uso contido de efeitos CGI para complementar tudo o resto, o personagem do passaro vermelho tem potencial que espero venha a ser explorado na sequela. Sente-se que é um produto “artesanal” a todo o instante e não tentam esconder isso. Como filme de fantasia é uma abordagem bastante interessante. Gosto que tenha um sabor steampunk também no visual dos mecanismos, rodas dentadas e tecnologia do mundo de fantasia em geral.
Contra: a história não é particularmente cativante por ser previsivel demais e os próprios diálogos não ajudam os personangens a criar grande empatia com o espectador, talvez o filme tenha duração a mais e uns minutos a menos iriam torná-lo bem mais dinâmico certamente, pessoalmente detesto o estilo visual dos bonecos exceptuando Arti (e o pássaro vermelho) que estão fantásticos, o pássaro tinha potencial mas não tem o destaque que parecia ir ter ao início.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER 1

TRAILER 2

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt4839422

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Kurenai no buta (Porco Rosso) Hayao Miyazaki (1992) Japão


[“Porco Rosso“] será porventura um dos filmes mais adultos de Miyazaki e também um daqueles de que as pessoas menos se lembram quando se fala da obra deste realizador.
Talvez por ter uma atmosfera tão poética e etérea enquanto dura, depois ao acabar é como um bom sonho do qual não conseguimos recordar os detalhes.

[“Porco Rosso“] é no entanto um filme que consegue agradar tanto aos mais novos como aos mais velhinhos.
Isto porque possivelmente terá algumas das melhores sequências de acção presentes no trabalho de Miyazaki e todas as idades vibram de igual maneira com os divertidos e fascinantes combates nos céus de uma Itália dos anos 20 onde se passa toda esta história cheia de poesia, aventura e muita nostálgia.

O público mais velho, especialmente quem não conhece o trabalho deste realizador, irá certamente surpreender-se com o tom melancólico que percorre uma história tão estranha quanto cativante e onde há inclusivamente espaço para um par de excelentes histórias de amor.  Histórias de amor que nunca acontecem mas que estão sempre presentes na relação do heroi com os personagens femininos de uma forma que torna [“Porco Rosso“] em algo único e fascinante dentro do próprio universo Miyazaki.

[“Porco Rosso“] conta a história das aventuras, ou das vivências de um piloto de aviões nos primórdios da aviação que cruza os céus de uma Itália nos anos 20 do século passado trabalhando como piloto, mercenário e aventureiro de aluguer.
Habita algures numa espécie de base secreta (bem conhecida de toda a gente), localizada numa ilha do mar adriático e onde vive uma existência solitária longe do mundo e de todos desde que uma maldição o transformou num porco.

Não procurem explicações para isto, pois não existem. É apenas a premissa da história, mas não se preocupem porque vocês nem se vão mais lembrar deste pormenor porque vão estar tão cativados com toda a atmosfera de [“Porco Rosso“] que pouco lhes vai importar a razão de estarem a ver um desenho animado com um porco que pilota aviões.

Toda a história gira á volta das proezas e rivalidades entre pilotos nessa época, onde não falta romântismo, uma pitada de sobrenatural e também espiritualidade quanto baste.
Especialmente no que toca á relação entre Porco Rosso e Gina a dona do Cabaret onde se econtram os pilotos que depois de viverem as suas aventuras todos convergem para adorar de longe a dona do local que os mantém a todos na linha.

Eu quase que aposto que quem conhece os livros de Richard Bach e gosta daquela atmosfera etérea e aerea das suas histórias passadas em biplanos, irá gostar muito de [“Porco Rosso“] também. Isto porque além do tom poético e literalmente flutuante ser bastante semelhante também a parte romântica da história tem aquele ambiente que não ficaria deslocado de um livro do autor de Fernão Capelo Gaivota.

Na verdade não há muito mais para dizer sobre este filme. [“Porco Rosso“] faz parte daquele período que para mim foi o melhor, mais variado e mais imaginativo do realizador e quanto a mim é outro dos seus títulos obrigatórios.
Está cheio de momentos humorísticos geniais e personagens memoráveis que os vai colar ao ecran do príncipio ao fim.
Destaque para a grande galeria de piratas do ar que acabam por criar um dos momentos mais nostálgicos nos segundos finais da história quando os revemos já idosos muitos anos depois da sua época aurea ter passado.

[“Porco Rosso“] para mim que trabalho em ilustração continua a ser uma das minhas grandes referências e provávelmente o grande responsável pelo meu estilo de bonequinhos infantís pois a partir do momento em que vi  pela primeira vez muitos anos atrás a hilariante sequência com as miudinhas raptadas no início da história a minha imaginação nunca mais foi a mesma.

Essa cena continua mesmo todos estes anos depois a ser um dos pontos altos do filme e um dos mais divertidos momentos humorísticos de Miyazaki pelo absurdo da situação e contraste entre a pureza das criançinhas e os piratas em total estado grunho com as suas metralhadoras gigantes.

Resumindo, obrigatório para quem não conhece.
Ainda mais para quem já nem se lembra bem dele.

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CLASSIFICAÇÃO:

Cinco tigelas de noodles e um Golden Award claro, acima de tudo pela originalidade, atmosfera e pela criação de um universo único até dentro da própria obra do realizador. Além disso é uma obra prima visual.

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A favor: a qualidade dos desenhos e a realização, excelentes sequências de acção, personagens variados e memoráveis, grande sentido de humor caótico, grande sentido de aventura, fantástica atmosfera romãntica e nostálgica, a banda sonora é demais, boa história de amor impossível, é um filme muito poético visualmente e emocionalmente, a sua história tem coisas para todas as idades, tem um final ambiguo perfeito e muito tocante.
Contra: Quem procura um Anime mais moderno não vai gostar disto pois este é um filme muito contemplativo e apesar das suas inúmeras cenas de acção o enfase da história está nos sentimentos dos personagens o que torna [“Porco Rosso“] num estranho filme que não será própriamente uma aventura de acção no estilo que muita gente esperará.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=fmyrWYrvF5s

Comprar na Amazon UK ou na Amazon.Com
Em Portugal pelo que vi, temos a mesma edição á venda e pode ser encontrada na FNAC.
O Livro com toda a arte do filme pode ser comprado aqui também.

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0104652

SEQUEL ?
http://timmaughanbooks.com/2009/06/02/miyazaki-to-draw-porco-rosso-sequel/

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Oban Star-Racers (Oban Star-Racers) Savin Yeatman-Eiffel (Japão – França) 2006


Pelo logotipo que está na capa da edição portuguesa, esta série anime já foi emitida na SIC. Mas, até eu ter comprado os trés primeiros volumes que encontrei no fundo de um daqueles cestos de promoções da Rádio-Popular, nunca tinha visto isto pela frente.

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[“Oban Star-Racers“] a um primeiro olhar pareceu-me ser apenas mais um daqueles clones abjectos do Pokemon, mas o seu aspecto gráfico era bastante interessante e assim por 9€ acabei por comprar os 3 dvds que encontrei.
A primeira impressão é a de que isto certamente não passa de uma imitação infantil e rasca do conceito criado pelo George Lucas quando transpôs as corridas de quadrigas do Ben-Hur para um ambiente sci-fi e “inventou”  as corridas de Pod Racers para o “Star Wars – Episode One”.
Na verdade se Star Wars não tivesse existido se calhar , esta série também nunca teria visto a luz do dia, porque sim, a sua história gira mesmo á volta de corridas que poderiam ser realmente etapas galácticas da prova que vemos em Star Wars.

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Isto seria logo meio caminho andado para que [“Oban Star-Racers“] não fosse mais que uma sucessão daqueles episódios infantis em que a história basicamente se resume ao: – “o meu pião é mais forte que o teu”; e portanto comecei a ver a série preparado para apanhar uma seca descomunal convencido de que tinha deitado 9€ á rua.
Ainda por cima, nem gosto particularmente do Star Wars – Episode One e esperar que [“Oban Star-Racers“] fosse menos infantil parecia uma utopia.

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Por isso não estava nada á espera que [“Oban Star-Racers“] se revelasse como a série de qualidade que na minha opinião é. E olhem que não é fácil para mim dizer isto de uma série desenhada e pintada toda em digital. Pois a mim quem me tira desenhos pintados com pinceis verdadeiros e tintas daquelas a sério tira-me tudo; (eu por mais que tente não consigo aderir ao digital para criar as minhas ilustrações ou banda-desenhada pois sinto sempre que estou a enganar as pessoas).

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No entanto tenho que reconhecer que embora colorida “a Photoshop”, o resultado artístico de [“Oban Star-Racers“], apesar de não se livrar daquela aura plástica “artificial” conseguiu superar o que se costuma encontrar naqueles desenhos animados para putos de sábado de manhã que parecem todos ser produzidos á pressa e a metro. Isso não se sente de todo.
As paisagens presentes nesta série são excelentes, criativas, detalhas, bem coloridas e muito variadas. Além disso, as sequências 3D criadas no estilo “cell-shading” são absolutamente entusiasmantes e também perfeitamente integradas nas ilustrações 2d tradicionais.

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Também gostei do facto dos personagens terem um design que fica algures entre o Anime oriental e a Banda Desenhada Francesa/Belga. Aliás, tanto no aspecto dos bonecos como nos próprios ambientes quem que a história decorre, esta série por vezes faz lembrar uma das minhas banda desenhadas favoritas europeias, a saga de “Valerian – Agente Espacio Temporal“. Precisamente uma coisa que me agradou bastante nisto, foi o facto de me recordar mais a banda desenhada “Valérian” do que “Star Wars” apesar dos pod-racers serem o centro das atenções.
Curiosamente,  [“Oban Star-Racers“]  agora, tem muito mais sabor a “Valerian” do que a própria versão semi-Anime da própria banda-desenhada que saiu há um par de anos e é verdadeiramente atroz e desprovida de qualquer ambiente original da banda desenhada europeia.

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Em alguns momentos certas atmosferas e personagens de [“Oban Star-Racers“] têm um certo sabor aos desenhos de Mézieres que só lhe dá ainda uma melhor identidade e o distancia de um normal Anime televisivo onde hoje em dia parece que os bonecos saiem todos do mesmo molde. Estranhamente deve ser também o primeiro Anime em que os personagens humanos simplesmente não têm nariz, o que tem gerado inúmeras apreciações negativas em algumas reviews. Mas um tipo habitua-se.
Por isso nota alta para o design e geral aspecto gráfico deste produto televisivo.
Mas há mais.

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Logo no primeiro episódio fica-se imediatamente com a sensação de que há muito mais no seu argumento do que a palha para imbecilizar putos que esperariamos encontrar.
O primeiro episódio acabou e fiquei imediatamente com vontade de ver mais um só para saber o que acontecia a seguir.  Depois, como o segundo episódio acabou precisamente no melhor, claro está lá tive que ver o terceiro. Quando dei por mim já tinha visto os cinco episódios contidos no primeiro dvd e ainda bem que o disco não tinha mais nenhum porque já não teria dormido até ver o resto.
Nada mau para uma série para putos que há primeira vista parecia ser um vazio absoluto pois tinha tudo para não precisar ser mais do que uma colecção de sequências cool para impressionar pre-adolescentes amamentados a doses de jogos Playstation.
Nada mau mesmo.

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[“Oban Star-Racers“] surpreendentemente vai para além da sua premisa inicial.
As corridas espaciais estão lá, há sempre uma cena de acção em cada episódio mas inesperadamente tudo isto está presente para servir os personagens de uma forma que não costuma ser comum nas habituais produções contemporaneas para crianças.
No primeiro episódio ficamos com a ideia de que alguns dos personagens até parecem ter alguma profundidade mas ainda nos custa a acreditar.
Coisa que depois em episódios sucessivos acaba por se confirmar pois á medida que a história avança damos por nós a gostar bastante daquelas pessoas estilizadamente desenhadas.

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Não há muito mais que eu possa dizer para recomendar esta série sem lhes estragar o prazer da descoberta. É uma co-produção entre o Japão e a França, daí o seu estilo ambiguo mas que na verdade junta o melhor dos dois lados do mundo e onde nem a inspiração sacada ao “SW-Episode One” ou alguma estética videogame consegue estragar o resultado final que limpa o chão com todos os Pokemons do mundo.
E como tal:

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CLASSIFICAÇÃO:

Não será uma obra prima da animação televisiva, nem um daqueles Anime geniais, mas é definitivamente uma série televisiva altamente recomendada. Especialmente a quem tem crianças em casa e normalmente tem que gramar com intermináveis desenhos animados para putos debiloides que habitualmente inundam a televisão e as edições dvd.
[“Oban Star-Racers“] é suficientemente infantil para agradar ás crianças, mas não é um desenho animado que irá aborrecer de morte os adultos. Especialmente publico adulto que goste de ficção-científica.
Esta série está muito bem equilibrada e se por um lado as histórias parecem extremamente simples para que os mais novos gostem de acompanhá-las, na verdade têm bem mais camadas de profundidade do que aparentam á primeira vista e todo o produto tem muito para agradar a uma vasta faixa etária de público.
Se virem os primeiros trés episódios e não ficarem agarrados então isto não é para vocês. Se gostarem, estão lixados pois cada episódio tem apenas vinte minutos e acaba sempre no melhor, com um daqules “cliffhangers” ao estilo dos serials antigos e como tal nós temos mesmo de continuar a ver.
Quatro tigelas de noodles na boa porque é uma excelente série de animação sci-fi e suficientemente pequena para não durar para sempre com mais do mesmo, pois afinal só tem 26 episódios para concluir toda a história.
Recomendo vivamente.

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A favor: excelente ambiente, bons personagens que vão evoluindo ao logo de cada episódio, o argumento tem muitos níveis e pode ser apreciado tanto pelos mais novos quanto pelos mais velhos, ás vezes parece um trabalho de Myiazaki embora o veterano realizador não tenha nada a ver com isto, pequenas mas excelentes sequências de acção 3D, óptimo nível artístico 2D que com simples cenários consegue criar uma atmosfera perfeita, óptima variedade de cenários, a duração de cada episódio é de apenas 20 minutos mas nada se perde ou é desperdiçado, o suspanse que cada final de episódio suscita deixa-nos sempre com vontade de ver o próximo, tem um certo sabor a banda desenhada europeia que só lhe fica bem sem perder o estilo Anime.
Contra: não é por nada mas parece-me que a série não está toda editada em portugal…e visto que encontrei os trés primeiros volumes num cesto de promoções não me parece que venha a ser completada…acho.
De resto talvez a única coisa “negativa” seja o facto de apesar de tudo [“Oban Star-Racers“] ainda é uma série televisiva juvenil e como tal nunca se consegue livrar muito daquela estrutura ao estilo “o meu pod-racer é mais rápido que o teu”. No entanto garanto-vos que isto não é de forma nenhuma um impedimento para que venham a gostar menos deste produto que vale a pena espreitarem.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Qq1VPllZ9PU&feature=related

Genérico de episódio na versão francesa
http://www.youtube.com/watch?v=TIKQBNlwhHA

Comprar
Atenção: Pode ser impressão minha por só ter conseguido encontrar trés volumes á venda da edição portuguesa nos cestos de promoções, mas estou com a sensação de que esta série não estará toda editada em Portugal…
Como em Português só encontrei 14 episódios fiquei com a ideia de que a série estará incompleta aqui no nosso país.
Por isso se calhar não será recomendável comprarem a série mesmo em promoção como eu comprei porque não a terão na integra.
O que provoca aqui um problema…eu voltei a comprar isto mas comprei a edição inglesa.
Um pack muito bom com todos os episódios, mas se calhar se vocês tiverem crianças em casa não vão conseguir comprar isto porque como é óbvio a edição UK não tem a dobragem em português e como tal não vai servir para entreter os putos convenientemente…
Sendo assim, se tiverem crianças em casa, sugiro que tentem descobrir se a série está toda editada em Portugal, (o que deve rondar os 5 dvds).
No entanto se gostarem de animação de uma forma genérica e quiserem apenas seguir a minha recomendação, sugiro que comprem esta série na Amazon Uk. Ainda por cima está á venda a um bom preço no momento em que escrevo isto.

A edição UK contém um som 5.1 muito bom.
A edição portuga como habitualmente, contém apenas uma pista em stereo 2.0 na dobragem nacional.

cover

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0813808/

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Majo no takkyubini (Kiki´s Delivery Service) Hayao Miyazaki (1989) Japão


Actualmente começar uma review de [“Kiki´s Delivery Service“], sem mencionar as semelhanças com Harry Potter seria disfarçar o óbvio e portanto começemos logo por aí.
[“Kiki´s Delivery Service“], pode ter muitos pontos de contacto com o moderno feiticeiro dos livros, mas foi uma produção de Hayao Miyazaki muito antes do feiticeiro inglés começar a voar e já existia em forma de livro pelo menos dez anos antes de JK Rowling sequer ter pensado em escrever o primeiro volume da sua série. Quem sabe até se [“Kiki´s Delivery Service“],  não chegou a ser uma das inspirações para esta criar Potter ?…

Aqueles que tal como eu nunca tiveram grande fascínio por Harry Potter (e muito menos paciência para o seu culto), nesta altura já devem estar com vontade de passar á frente, mas esperem um bocadinho.
Apesar de [“Kiki´s Delivery Service“], ser um filme que irá agradar muito áqueles que procuram encontrar alguma da magia de Potter num desenho animado, esta é no entanto uma criação bem mais original do que “o seu sucessor” pois a sua origem está mais próxima de uma matriz inspirada no conto tradicional do que a vasta colecção de referências pop new-age anglo-saxónicas em que Potter está fundamentado.

[“Kiki´s Delivery Service“], foi a criação de uma escritora infantil japonesa chamada Kadono Eiko e foi esta a responsável pela primeira popularização no livro com o mesmo nome do conceito de jovens feiticeiros que percorrem os céus montados nas suas vassouras, escolas de magia e tradição mágica adolescente.
E apesar de já ser reconhecida antes no seu país, o facto desta obra ter sido depois adaptada ao cinema por Miyazaki (não sem algumas queixas da autora), fez com que o conceito atravessasse as fronteiras da Ásia, e o filme acabou por ser popular no ocidente. Inclusivamente foi uma das primeiras longas metragens de Miyazaki a serem dobradas em “americano” há mais ou menos 20 anos atrás.

[“Kiki´s Delivery Service“], é acima de tudo um grande trabalho de imaginação e simplicidade, pois Miyazaki partiu mais uma vez de uma história que nem sequer tem grande complexidade, momentos dramáticos, vilões ou grandes coisas a acontecer durante o filme todo e criou uma obra prima da animação cheia não só de ambiente como principalmente de magia.
Tudo sem precisar de recorrer a combates entre bons e maus, raios mágicos a sairem de varinhas ou filosofia new-age pré-fabricada.
No mundo de Kiki tudo é intensamente real, e até o próprio “universo paralelo” com uma Europa ficticia onde a história se passa nos parece tão legítimo como qualquer período histórico conhecido. Tudo isto graças á enorme quantidade de detalhes que esta animação contém e que o espectador só conseguirá captar plenamente numa segunda ou terceita visão.

Ao fazer 13 anos Kiki, atingiu a idade em que a tradição manda que as buxinhas saiam de casa e começem a sua vida sózinhas practicando o bem e servindo a população, por isso uma noite Kiki agarra na vassoura da sua mãe e parte para o mundo atravessando o céu estrelado, tendo apenas por companhia o seu gato falante.
Em pouco tempo encontra uma bonita cidade junto ao mar e começa a explora-la discretamente sempre atenta para tentar perceber se os seus habitantes precisarão dos serviços de uma bruxa. Após algumas peripécias faz amizade com os donos de uma padaria e passa a viver nessa loja o que lhe dá a ideia de usar a sua magia para criar um serviço de entregas rápidas.

E pronto, acabou a história. Óbviamente que há mais para contar, mas não precisam de saber mais nada para apreciarem [“Kiki´s Delivery Service“],  até porque o resto do filme mantém a mesma simplicidade e toda a acção tem por base coisas tão simples que contadas nem pareceriam interessantes. Por isso aconselho-vos a ver imediatamente este filme pois toda a sua magia está precisamente na descoberta dos detalhes que nos envolvem até ao seu final com muita aventura e fantásticas cenas animadas com vôos em vasouras.
E tudo sem perseguições, vilões, tiros, feiticeiros maus, magias negras ou qualquer outra coisa que não seja de uma simplicidade inesperada.

Mas não pensem que por causa desta simplicidade [“Kiki´s Delivery Service“], contenha poucos momentos mágicos. Se procuram uma atmosfera de magia única e acima de tudo uma história completamente -boa onda-, muito positiva e totalmente anti-depressiva têm aqui um filme a ver obrigatóriamente.
Recomendado a toda a gente que gosta de histórias com muita Magia, imaginação e algum romântismo clássico com visuais absoltuamente perfeitos e sequências de acção em vassouras voadoras.
[“Kiki´s Delivery Service“], é por tudo isto cinema obrigatório até mesmo para quem ainda pensa que não gosta de Anime ou do estilo Manga.
E não pensem que lá por ser desenho animado o filme será menos Cinema. Isto não é a vulgar série de televisão Anime que estão habituados a desprezar habitualmente.
[“Kiki´s Delivery Service“], fica bem em qualquer dvdteca de quem gosta de bom cinema.

Como habitualmente na obra do realizador, também [“Kiki´s Delivery Service“],   é um filme que pode ser apreciado tanto pelos mais novos como pelos mais velhos sem deixar de agradar a nenhuma das faixas etárias precisamente por causa do seu argumento inteligente que nem trata os putos como estúpidos e muito menos os adultos como crianças imbecis, criando um filme mágico extramente bem equilibrado e que agradará certamente a quem não tem medo de sentir-se de novo criança por um par de horas, sendo definitivamente uma das melhores obras de Miyazaki sem qualquer sombra de dúvida e muito superior ao que ele tem lançado actualmente.

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CLASSIFICAÇÃO:

Outro dos melhores filmes de fantasia Anime que poderão encontrar e um dos melhores trabalhos deste realizador.
A prova de que o facto de ser Anime não implica de modo nenhum que seja um objecto menor de Cinema só porque é um desenho animado.
Na minha opinião é mais uma obra prima da animação.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade excepcional sem qualquer sombra de dúvida.
noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: Tudo. Personagens, história, conceito, paisagens, detalhes dos desenhos, a banda sonora original, ambiente mágico e poético, o gato da Kiki.
Contra: a versão dobrada em “americano” pela Disney com uma atmosfera toda pop ao pior estilo “High-School Musical” e uma sonoridade Britney Spears. Subitamente o desenho animado parece um produto americano do mais televisivo e banal.
Vejam primeiro a versão japonesa porque auditivamente a atmosfera é logo outra e muito mais genuína.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer Original
http://www.youtube.com/watch?v=qktI3VQdryM
http://www.youtube.com/watch?v=05lrfA-GJnQ&feature=related

Trailer Americano (versão onde até parece que o filme é da Disney)
http://www.youtube.com/watch?v=_dkLobz4bpw

Comprar:
Opções de compra para [“Kiki´s Delivery Service“],  é coisa que não falta, pois basicamente existem edições deste filme em todo o lado, excepto Portugal, claro.
Existem actualmente duas boas opções de compra.
Podem adquirir a edição legal e oficalizada por exemplo aqui na amazon inglesa a um preço excelente.

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Guitarra
http://www.youtube.com/watch?v=eHIzvKjTlOE
http://www.youtube.com/watch?v=FamSGT4coMo&feature=related
Piano
http://www.youtube.com/watch?v=77yxsLgMtmg&feature=related

IMDB
http://www.imdb.com/find?s=all&q=kiki+delivery+service&x=10&y=5

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