Palwolui Christmas (Christmas in August) Jin-ho Hur (1998) Coreia do Sul


Já tentei mas não compreendo todo o hype á volta deste filme.
[“Christmas in August“] é suposto ser uma obra prima qualquer dentro do género dramático sul-coreano mas por mais que eu tente, não compreendo mesmo porquê.

Parece inclusivamente que este filme é usado nas escolas de cinema como exemplo de como se escreve um argumento, serve de modelo a aulas sobre narrativa cinematográfica e inspirou até o autor de “My Sassy Girl” a escrever o seu clássico.
Uhm ?!!! …
Será que eu andei estes anos todos a ver e a rever uma cópia incompleta qualquer e ainda não notei ?! É que eu comprei o dvd !!

[“Christmas in August“] foi mais um daqueles dvds que eu comprei sem pestanejar sequer, pois as reviews espalhadas pela net eram tão extraordinárias e a suposta importância deste filme para o cinema oriental  é tão elevada que eu pensei que não me poderia enganar com esta história de amor.
Da primeira vez que o vi, nem o consegui ver todo pois fartei-me a meio.
Depois disso nestes anos todos tentei revê-lo pelo menos duas vezes por ano, (a ver se me tinha escapado alguma coisa) mas de cada vez que o revia ainda consolidava mais a minha opinião.

É que [“Christmas in August“] é realmente muito interessante, mas… não mais do que isso. Não compreendo de todo o porquê de tanta reverência á volta deste filme.
A história é banalíssima, mas não é por isso que o filme perde alguma coisa pois é verdade que está cheio de pequenos pormenores que lhe dão bastante humanidade.
No entanto, na minha opinião tem humanidade mas não tem chama. Falta-lhe de todo aquele toque especial que normalmente me agarra no cinema asiático e aqui isso não acontece.

Os personagens não me emocionaram de todo e isso para mim, depois de ter lido em todo o lado que [“Christmas in August“] era uma verdadeira obra prima do cinema-choradeira , foi uma verdadeira decepção. É que nem sequer me causou a mais pequena lágrima e tal deixou-me estupefacto.
Tem bastantes aspectos tocantes e supostamente a sua narrativa é uma obra prima da manipulação emocional mas no entanto nada nesta história foi suficiente para me causar o mesmo efeito que por exemplo “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” me causaram.

É que até “My Girl & I” tem mais emotividade que [“Christmas in August“] e no entanto um é desprezado pela crítica enquanto o outro é quase tratado como um objecto religioso dentro do cinema romântico oriental ?!
E “My Girl & I” é quase um plágio de [“Christmas in August“] pois a sua estrutura base é practicamente a mesma, mas tomara [“Christmas in August“] conseguir a mesma atmosfera.
Vocês sabem, vocês já viram este filme antes, muitas vezes até se gostarem de cinema romântico Sul Coreano.
Casal de apaixonados, muito amor platónico e depois um deles tem uma doença grave e morre no fim. Acabou o filme.

Se vocês gostam de cinema romântico Sul Coreano, sabem bem que não é por causa deste tipo de argumento que o género perde a sua força e sendo assim eu não estava nada á espera que uma suposta obra prima tão conceituada como [“Christmas in August“] não tivesse practicamente força nenhuma.
Não me interpretem mal, é um filme bonito de estutura básica mas totalmente funcional, cheio de pormenores que até prometem fazer-nos pensar sobre muita coisa, mas no entanto há algo que falha e lhe retira logo a intensidade de muitos outros filmes semelhantes criados posteriormente dentro do cinema oriental ou cinema sul coreano em particular.

Uma das razões de [“Christmas in August“] ser tão conceituado é porque segundo consta, este foi o filme que revolucionou o cinema romântico Sul Coreano moderno e definiu por completo o género modernizando-o em 1998.
Até então, parece que nada daquilo que nós hoje conhecemos nestas histórias de amor no cinema oriental existia nos moldes que agora nos fascinam e sendo assim segundo rezam as crónicas, o cinema romãntico Sul Coreano renasceu com esta obra que practicamente definiu o estilo – boy meets girl, boy looses girl, boy gets girl again, girl/boy dies, boy/girl ends up alone.

Por este prisma, eu sou o primeiro a reconhecer o seu valor.
Hoje claro, já vimos este tipo de estrutura mil vezes mas se calhar na altura foi mesmo capaz de ter causado um grande impacto nas plateias ao melhor estilo choradeira-lovestory anos 70.
Agora o que me surpreende é toda a gente continuar ainda hoje maravilhado com o filme quando já existem pelo menos uma dezena de melhores, mais drámaticos e mais eficazes exemplos dentro do género.
Se vocês já viram tudo o que tenho aconselhado aqui neste blog dentro do género romântico muito certamente também irão ter a mesma opinião que eu quando agora forem ver [“Christmas in August“].
Digam-me qualquer coisa pois gostaria muito de saber o que vocês acham sobre a enorme fama deste filme.

De resto não há muito mais para se dizer sobre ele.
É um bom produto, boas interpretações, miuda fofinha, história triste mas bonita e tudo o mais que normalmente há de bom neste tipo de cinema made-in-coreia do sul.
Não posso deixar de recomendá-lo também se já viram tudo o resto de que tenho falado, pois na verdade [“Christmas in August“] não tem propriamente nada de mau que se possa apontar nele.
Apenas tem uma carga de emotividade algo inóqua e não percebi até hoje o porquê disto ser assim.

——————————————————————————————————————CLASSIFICAÇÃO:

Se já viram tudo o resto dentro do género romântico que recomendei até hoje, devem então juntar este filme á vossa lista de coisas a ver.
Até por uma questão histórica pois supostamente este foi o filme que reinventou o género e o modernizou no que toca ás histórias de amor made-in-coreia-do-sul que hoje vocês conhecem.
De resto, na minha opinião quando comparado com o que já foi feito nestes últimos anos, [“Christmas in August“] não passa apenas de mais um pequeno e muito interessante filme mas nem de longe nem de perto será a obra-prima maior do género romântico oriental como practicamente todas as reviews o designam.
Não o colocaria no topo da minha lista de filmes a ver se tivesse chegado apenas agora ao género romântico sul-coreano.
Duas tigelas e meia de noodles pois é muito interessante mesmo mas não mais do que isso e dúvido se lhes ficará sequer na memória.

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A favor: história simples e bem contada, alguma poesia e atmosfera, excelente naturalidade nos personagens, é um filme fofinho.
Contra: na verdade não há nada de negativo neste filme, apenas falta-lhe algo para criar realmente o mesmo nível de emoção que obras posteriores como “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” conseguiram atingir. Por qualquer motivo não me emocionou minimamente, não deu a mínima vontade de chorar e isso é o pior que poderia ter acontecido num drama romântico Sul Coreano. Até o bem mediano “My Girl & I” tem mais emotividade e poesia que [“Christmas in August“] e não estava nada á espera disso tendo em conta a reputação de obra-prima deste filme.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Parece que não há trailer disto em lado nenhum por isso fica aqui um videoclip.
http://www.youtube.com/watch?v=GQzq_Un-1Xc&feature=related


COMPRAR

A edição que eu tenho (capa acima) parece já não existir mas podem comprar esta aqui.
Christmas In August [DVD]

Imdb
http://www.imdb.com/title/tt0140825/

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Outros títulos românticos (bem mais) recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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Beonjijeompeureul hada (Bungee Jumping of their own) Dae-seung Kim (2001) Coreia do Sul


Estou lixado.
E agora como raio é que eu comento este filme ?
Bom, primeiro que tudo…meus amigos AFASTEM-SE de tudo o que é review na net, esqueçam o Imdb e nem tentem saber absolutamente nada sobre [“Bungee Jumping of their Own“].

Não vou deixar links para nada que lhes revele coisas sobre o filme e portanto já agora, se espreitarem o video do youtube mais á frente sugiro que vejam apenas aquele que indico e mais nenhum.
Este é um daqueles filmes orientais que merece ser visto sem saberem absolutamente NADA sobre o que vão ver e até o facto de espreitarem uma outra qualquer review mesmo que esta não lhes conte o final do filme, vai retirar-lhe na mesma metade do seu impacto, porque inevitávelmente alguém lhes irá dar uma indicação sobre um dos temas.

Raios…e agora ? O que é que eu digo ?…
Muita gente já me perguntou, porque é que eu ainda não falei sobre filmes como “Hero”, “Old Boy” ou “House of the flying daggers”. A resposta é simples.
A minha prioridade no “Cinema ao Sol Nascente”, é indicar filmes que as pessoas porventura ainda não conhecem e como tal, obras como “Hero” já foram bastante publicitadas na imprensa nacional, até porque tiveram estreia no cinema em Portugal e sendo assim não tenho grande urgência em falar delas por enquanto.

Este blog existe para divulgar precisamente coisas como [“Bungee Jumping of their Own“].
Para quem está por dentro do que se passa no cinema oriental, não será uma obra totalmente obscura, mas esta página não é para quem já conhece muito desta cinematografia e sim para fazer com que pessoal que nunca pensou vir a gostar de um filme Sul Coreano por exemplo, de repente descubra que não é só em Hollywood que existem bons filmes a serem produzidos.

Como a procura por filmes românticos orientais continua absolutamente em alta neste blog, é sempre bom divulgar mais outra obra deste género. Especialmente quando é uma história de amor realmente original e completamente inesperada como acontece neste caso.
[“Bungee Jumping of their Own“], deve ser um daqueles raros filmes românticos orientais que eu próprio duvido que alguma vez venha a ter um remake americano. E porquê ?
Porque o tema deste filme iria certamente deixar muito americano desconfortável a olhar para o ecrã e como tal um remake disto não seria própriamente fácil de vender a um público pipoqueiro generalista.
Portanto em principio este será um filme que deverá continuar apenas no mercado oriental e sendo assim, para conhecerem esta história que merece ser vista, vocês terão mesmo que ver a produção original Sul Coreana.

[“Bungee Jumping of their Own“], embora como objecto de cinema não deslumbre por aí além e até nem seja o típico filme romântico fofinho oriental a um estilo “The Classic“, tem no entanto uma força extraordinária a nível de argumento que compensa plenamente a relativa atmosfera fria, algo estranha e desconfortável que percorre toda a obra.

É que todo este clima relativamente perturbante e triste até nas partes mais românticas tem uma razão de ser e quando esta nos atinge em cheio no estômago a partir da meia hora final da história não podemos deixar de ficar absolutamente facinados. Isto apesar da direcção que o filme toma na sua segunda metade não ser propriamente inesperada.
No entanto esses segmentos finais têm uma força absolutamente original, porque ao abordar um dos temas, [“Bungee Jumping of their Own“] entra por uma outra questão que pelo menos vos garanto os deixará a pensar no tema por muito tempo após este filme ter chegado aos seus créditos finais.
Então se estiverem a vê-lo com amigos, têm no final desta história muito bom motivo para intermináveis discussão sobre o tema que o filme muito bem aborda.

Eu estou para aqui a tentar conter-me para não lhes contar a parte final do filme e acreditem-me está a ser muito dificil, pois gostaria mesmo muito de lhes poder falar sobre o conceito subjectivo que atravessa esta história mas não posso dizer mais nada por isso é melhor ficar-me por aqui.
E por falar em história….

[“Bungee Jumping of their Own“], narra a relação amorosa entre um rapaz e uma rapariga que se conhecem num dia de chuva e inevitávelmente acabam apaixonados. Só que como isto é uma história de amor Coreana, óbviamente que as coisas não poderiam ser simples. E acreditem…vocês nem imaginam o que lhes vai cair em cima.
Um dia ao combinarem encontrar-se numa estação, a jovem rapariga simplesmente não aparece e o rapaz nunca mais a volta a ver durante anos a fio. Até ao dia em que …

Não conto mais.
E mesmo assim já falei demais até ,por isso estão por vossa conta.
E não se esqueçam, façam-me o favor de ir ver [“Bungee Jumping of their Own“] sem procurarem saber absolutamente nada sobre este filme asiático. Acreditem que depois me irão agradecer.
Vá lá, não custa nada, evitem procurar mais sobre ele na internet.

Técnicamente o filme nem sequer é um daqueles objectos de cinema que fique na memória. Não há nada na realização que o destaque do mais corriqueiro trabalho visual associado a produtos românticos televisivos e não será por isso que ficará também na vossa recordação.
Os personagens também não são particularmente cativantes. Não porque sejam aborrecidos, mas porque não se destacam dos habituais estéreotipos dentro das histórias de amor orientais e como tal são simpáticos, fazem-nos interessar por eles mas mais porque o argumento trabalha tão bem o desenrolar da história do que pela história de amor em si entre eles que não deriva do habitual.

Não deriva, porque na verdade esse pormenor também é essencial para dar que a reviravolta da parte final resulte em pleno, pois subitamente retira debaixo dos pés do espectador todo o tapete com os habituais clichés românticos e substitui-o por um desenvolvimento não só original como também bastante polémico devido ás próprias questões que tal opção de argumento possa levantar. E claro que não vou contar nada.
No entanto, há uma coisa a destacar aqui e é precisamente o trabalho dos actores, especialmente quem faz de … (não posso dizer)… e que consegue compor uma personagem absolutamente perfeita que liga fantásticamente com a primeira metade da história de amor que nos é apresentada e vos vai deixar a discutir o assunto durante dias a fio. O assunto, não, vai deixar-vos a discutir os assuntos durante dias a fio.

Como curiosidade, parece mentira, mas a jovem actriz deste filme suicidou-se há trés anos atrás, tudo indica devido a uma relação amorosa que correu tão mal como se tivesse saído da típica love-story como aquelas em que costumava participar no grande ecrã e do qual [“Bungee Jumping of their Own“] é um excelente exemplo. Agora que sabem disto ainda vão ficar mais impressionados com esta obra.

Sendo assim e antes que eu diga mais qualquer coisa que não deva…

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CLASSIFICAÇÃO:

Mais uma original história de amor Sul Coreana, completamente obrigatória a quem gosta do género, pois garanto-vos que nunca viram nada igual.
Excelente atmosfera que se divide entre o estilo romântico comercial habitual no cinema Sul Coreano e um ambiente algo perturbante e frio, necessário á extraordinária conclusão da história.
Por isso mesmo [“Bungee Jumping of their Own“] é um filme estranho, pois parecem dois estilos de cinema que mesmo nunca conseguindo misturar-se muito bem deram origem a um produto realmente original.

Não lhe dou uma classificação mais elevada, porque a realização não deslumbra e como tal após vermos este filme algumas vezes, depois da surpresa inicial do argumento não há muito mais que nos faça apetecer estar sempre a voltar a revê-lo.
No entanto é mais uma excelente adição para qualquer dvdteca de quem gosta de bom cinema romântico e portanto de compra obrigatória.
Quatro tigelas de noodles e se calhar até merecia mais meia tigela mas a atmosfera algo perturbante do fime deixa-me sempre um bocado sem saber bem se o acho fantástico ou apenas mesmo muito bom. Sendo assim fico-me pelo muito bom.
E recomenda-se, pois este é daqueles que tem que ser visto pelo menos uma vez.

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A favor: o argumento é realmente original, a reviravolta da parte final é fantástica e de certa forma inesperada, as partes românticas típicas do cinema comercial Sul Coreano estão lá todas e nem falta a habitual cena á chuva, os actores.
Contra: a realização não deslumbra, após revermos o filme um par de vezes (até para mostrar aos amigos e ver a cara deles) não é uma obra que estejamos sempre a querer voltar a ver ao contrário de filmes como “Be With You“, “The Classic” ou “Il Mare“.

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NOTAS ADICIONAIS

Videoclip
Á falta de um trailer decente, fiquem com o videoclip, sem *spoilers* de maior que vocês consigam identificar.
http://www.youtube.com/watch?v=EuoDvwh697k&feature=related

Comprar


Podem comprar a nova edição aqui na Amazon.com ou então escolher uma das edições na Play-Asia
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-ad-49-en-15-bungee+jumping-70-1p1o.html
ou a minha edição, um bocadinho rasca com uma imagem mediana mas óptimo som e extras porreiros
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-77-2-49-en-15-bungee+jumping-70-cjs.html

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Se gostaram deste poderão gostar de:

Be With You Love Phobia

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The Classic ( The Classic ) Kwak Jae-yong ( 2003 ) Coreia do Sul


Na minha opinião, se “My Sassy Girl” é a melhor comédia romântica adolescente que alguma vez existiu, então [“The Classic“] é definitivamente o seu equivalente dentro do drama romântico adolescente também.
E antes que perguntem…pois, este também vai ter em breve um remake americano…
Por isso façam-me o favor de ver este filme o quanto antes.

Na sua simplicidade, [“The Classic“] é um dos mais poéticos e bonitos filmes orientais do género que poderão encontrar e por isso desde já recomendo a sua compra imediata a quem gosta de cinema romântico oriental pois tem aqui um filme que quererá incluir na sua videoteca, junto a “Il Mare“, “Be With You” e obviamente “My Sassy Girl” se nos ficarmos apenas pelo cinema mais comercial, claro.

Isto apesar de [“The Classic“] ser uma obra relativamente formulática e não conter aquela originalidade refrescante que “My Sassy Girl” apresentou quando apareceu há alguns anos atrás.
No entanto a maneira como [“The Classic“] está executado é comparável a uma lindíssima sinfonia de manipulação de emoções coordenada por um maestro que sabe perfeitamente que cordelinhos puxar para criar uma experiência cinematográfica inesquecível para toda a gente que se identifique com os personagens desta poética história de amor oriental Sul Coreana.
Tal como já tinha acontecido em “My Sassy Girl“, pois o tom poético é semelhante nos dois filmes.

É que o realizador é exactamente o mesmo e como tal, ambas as obras têm vários pontos de contacto e podem ser vistas quase como duas faces de uma mesma moeda.
Inclusivamente musicalmente. Têm por base a mesma banda sonora e ambos contêm uma versão única e extraordinária do clássico Canon de Pachelbel que cria uma atmosfera romântica absolutamente mágica nos filmes que apesar de serem diferentes em estrutura, estão no entanto ligados pelo mesmo tom emocional e portanto quem gostou de  “My Sassy Girl“,  irá também certamente apaixonar-se por [“The Classic“].

O filme passa-se em duas épocas distintas e conta duas histórias de amor paralelas.
Uma tem lugar nos anos 60 e a outra algures na actualidade.
Uma rapariga encontra numa caixa, todas as cartas de amor que a mãe guardou desde a adolescência contendo toda a história do romance dos seus pais.
Décadas atrás, um rapaz no liceu, com jeito para prosa, acede fazer um favor a um colega que nem conhece bem e aceita escrever por ele algumas cartas para a noiva.
Isto porque o noivo em questão não é suficientemente inteligente para conseguir fazê-lo por si próprio e como tal precisa de ajuda para comunicar por carta com a jovem noiva que os seus austeros pais lhe arranjaram á força de modo a unirem duas famílias por interesses políticos e económicos.

Obviamente que o rapaz que escreve as cartas em nome do noivo, ao ver a fotografia da rapariga, imediatamente se apaixona por ela e as coisas complicam-se quando os dois acabam por se conhecer pessoalmente e também ela se apaixona pelo autor das cartas embora não saiba que foi ele que as redigiu.
Como seria de esperar, o amor de ambos é depois posto á prova num conflito de interesses e entrelaçado numa sucessão de acontecimentos que acompanham toda a história até dar naturalmente origem á rapariga que nos dias de hoje lê as cartas que a mãe guardou.

E tal como a mãe amou um rapaz que parecia nunca conseguir vir a ter, também actualmente a sua filha, está apaixonada por um rapaz do seu liceu que julga inalcançável por ele ser não só um dos mais populares da escola como também ainda por cima a sua melhor amiga está interessada nele e não perde uma oportunidade para impedir que a rapariga se aproxime do jovem.

E para quem nesta altura já estiver a pensar que [“The Classic“]. não passará de mais uma banal, sopeira e telenovelística história cheia de lugares comuns, se calhar é melhor ver o filme antes de o criticar negativamente, pois só assim irá perceber como esta história não é aquilo que parece pois neste caso, os clichés são uma mais valia que só contribuem para o desenrolar emotivo da história. Nada está neste argumento por acaso e por isso preparem-se para um par de surpresas muito bem colocadas precisamente baseadas em pormenores que ninguém notou espalhados discretamente ao longo da história mas que de repente nos caiem em cima ao melhor estilo do cinema romântico coreano.

Além disso, [“The Classic“], tem o grande mérito, de ser um filme com adolescentes (e até para o público adolescente), que não é de forma nenhuma o produto banal a que muita gente está habituada devido aos péssimos exemplos que conhecem habitualmente do cinema pseudo-romântico adolescente americano.
[“The Classic“], tem alma, tem poesia, tem drama mas acima de tudo tem pessoas reais com que todos nos podemos identificar e neste aspecto não só os personagens são excelentes apesar da sua simplicidade, como o trabalho dos actores é absolutamente mágnifico. Com destaque para a actriz principal que neste filme se desdobra precisamente em dois papeis completamente diferentes, pois a mesma pessoa faz de mãe enquanto jovem nos anos 60 e de filha que actualmente lê as cartas encontradas no sotão.

Só pelo trabalho da jovem actriz, vale a pena verem o filme, pois ao longo da duração da história nem nos lembramos que está uma única pessoa a fazer os dois papeis tal é a diferença de composição de personalidade em cada uma das encarnações. E nem sequer são identidades demasiado vincadas ou exageradas. Pura e simplesmente são duas pessoas diferentes e quando nos lembramos disto [“The Classic“] torna-se ainda um melhor filme do que parece a um primeiro e descuidado olhar.

Mas lá por [“The Classic“]  ser um filme de amor adolescente, com adolescentes e para adolescentes, não pensem os mais velhinhos que vão ficar imunes a ele, ou sequer minimamente aborrecidos. Garanto-vos que isto não é o habitual filme banal ao estilo americano por isso é melhor sentarem-se confortávelmente no sofá  para se surpreenderem e principalmente emocionar-se,  pois esta história de amor é universal e tocará muita gente de todas as idades das mais diferentes formas. Até porque este é um daqueles filmes que já converteu mais do que um ao cinema oriental e certamente irá convencer muitos mais.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma das melhores histórias românticas orientais que poderão alguma vez ver em filme e a prova de que filmes com adolescentes, sobre adolescentes não têm que ser produtos vazios.
Uma obra prima da simplicidade narrativa com visuais lindíssimos e uma fotografia perfeita.
Um filme indispensável em qualquer colecção de cinema oriental, especialmente para quem gosta de cinema romântico coreano ou apenas de boas histórias de amor com muita alma.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade porque este é outro daqueles filmes que rebenta a escala, apesar de conter algumas falhas menores.

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A favor: o argumento e a maneira como faz passar despercebidos os pormenores que importam até ser altura de os revelar, a humanidade dos personagens apesar de simples, a realização é excelente, os actores, o trabalho fabuloso da actriz principal que se desdobra em dois papeis completamente diferentes, a fotografia lindíssima com imagens que são autênticas pinturas em movimento, a banda sonora simplesmente não poderia ser melhor, ninguém filma cenas á chuva e em estações de comboios melhor que os coreanos, um dos twists do argumento é genial na forma como nos é revelado, o final do filme é muito bonito mesmo.
Contra: não é tão original quanto o filme anterior do mesmo realizador, a narrativa pode parecer demasiado simples, algum humor escatológico desnecessário na minha opinião pois detesto piadas do estilo, a história de amor contemporanea quando comparada com a outra passada nos anos 60 não tem de forma alguma a mesma poesia ou impacto e por causa disto o filme nunca chega a ser tão perfeito quando merecia. Mas não deixem que este pormenor os afaste desta mágnifica história.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=EOZWxGbQlzY
http://www.youtube.com/watch?v=dZsxRZk1qiU&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Dl6ncGPnVZI&feature=related

COMPRAR
Recomendo vivamente esta edição. Apesar dos extras não estarem legendados, os making of são excelentes e os dois discos valem mesmo a pena.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-77-4-49-en-15-the+classic-70-2×4.html
Excelente qualidade de imagem anamórfica sem falhas e com cores absolutamente vibrantes, além de ter um óptimo som 5.1 normal e um absolutamente fantástico som DTS.
Filme legendado em inglés.

Também podem encontrar esta edição com capa em inglés na Amazon americana. Se gostam de filmes românticos orientais, este é de juntar imediatamente á colecção mesmo antes de o verem pois irão querer comprá-lo na mesma se o virem antes. Vão por mim.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0348568/

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My Sassy Girl Be With You Il Mare Love Phobia Fly me to Polaris

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