Kamome shokudô (Kamome Diner) Naoko Ogigami (2006) Japão


Para comemorar as 100.000 visitas que este blog atingiu recentemente não poderia ter encontrado melhor titulo oriental do que [“Kamome Diner“] , um curioso e cativante filme japonês rodado na Finlândia e onde não se passa nada durante 90 minutos.

E quando digo que não se passa nada, não se passa mesmo nada.
[“Kamome Diner“]  faz com que “Where the Wind Dwels” e “Goodbye Dragon Inn” pareçam intrigas de espionagem e é um daqueles filmes que logo á partida parece ser o candidato ideal para todos aqueles clichés hilariantes sobre cinema-de-autor. Não será um daqueles filmes sobre relva a crescer porque na realidade, se houvesse relva a crescer nesta história, tanta tensão dramática poderia até provocar ataques de ansiedade no espectador desprevenido.

Há muito tempo que não encontrava pela frente um filme tão desprovido de qualquer drama ou tensão quanto [“Kamome Diner“]. É absolutamente incrivel mas não há nada neste filme daquilo que possa ser considerado parte de uma estrutura habitual tal é a ausência de pormenores na sua narrativa.
Então isto é sobre o quê ? Bem é sobre uma rapariga japonesa que tem restaurante na Finlandia onde ninguém vai e que ao longo do filme conhece umas pessoas que se tornam empregadas ou clientes e no final acabam por transformar o espaço num local acolhedor. Acabou.

Pronto, pelo meio há uns indicios de – desenvolvimentos – mas são tão desprovidos de qualquer carga dramática que deixam o espectador totalmente desorientado, tanto pelo que (não) acontece, como pelas razões porque os…ehm…acontecimentos… (não) acontecem .
Acreditem-me, este deve ser o texto mais dificil que escrevi até hoje aqui no blog, porque na verdade á primeira vista não há nada para dizer sobre [“Kamome Diner“] que seja minimamente informativo.
Spoilers não existem, porque para se poder estragar um filme ao espectador primeiro era preciso que houvesse alguma coisa para revelar sobre a história.

Por outro lado, há muita coisa que se  pode dizer sobre  este vazio…[“Kamome Diner“] é um filme totalmente cativante e não se sabe bem porquê. Cheguei a meio e continuava cheio de vontade de acompanhar … esta história
O filme acabou e continuei sem perceber o que raio é que foi que me passou pela frente; no entanto estranhamente gostei muito do que vi, embora lá para o final já estivesse a olhar para ele em total estado hipnótico e quase á beira de cair para o lado com sono. Poderiam ter assaltado a casa comigo a olhar para a televisão que eu não notaria.

A verdade é que [“Kamome Diner“] é um filme extraordináriamente simpático como há muito não via. A total ausência de dramatismo ou de história torna-se absolutamente cativante e apetece-nos continuar a seguir as vidas daqueles personagens, quanto mais não seja porque ficamos muito curiosos com a direcção que o filme poderá tomar.
Não se iludam, não toma qualquer direcção.
No entanto, não se preocupem porque se conseguirem deixar ideias pré-concebidas de lado e interiorizarem que o grande charme desta história é não ter história nenhuma, muito provavelmente irão gostar tanto deste pequeno filme quanto eu gostei.

Se calhar é cinema-de-autor, se calhar é pretencioso como o raio, mas a verdade é que não se nota. A atmosfera do filme é tão simpática que a certa altura damos connosco a ter vontade de apanhar um bilhete para a Finlândia e ir visitar aquele local onde nunca se passa nada, porque a sua ausência de dramatismo é quase como uma espécie de pausa para descansar da vida diária. Uma espécie de Eden onde se pode fazer uma pausa nas nossas preocupações. Provavelmente será este o tema da história; provavelmente [“Kamome Diner“] será um dos filmes mais filosóficamente simpáticos dos ultimos anos pois não espetando qualquer conceito na nossa cara é tão aberto que qualquer pessoa pode interpretá-lo como quiser e provavelmente será essa a sua magia.

Por outro lado, pode tornar-se surporifero como o raio, por isso também será ideal para aquelas noites de insónia. No entanto essa atmosfera de comprimido para dormir é ao mesmo tempo cativante e se calhar contraditóriamente a mesma irá contribuir para mantê-los acordados. Faz sentido ?…
Não se preocupem, [“Kamome Diner“] também não.
É que o filme é chato como o caraças…mas ao mesmo tempo…não é. Confusos ? Eu também.

O que o filme tem é muito boa onda graças a um grupo de personagens estranhamente vazios mas ao mesmo tempo muito humanos e cativantes (sabe-se lá porquê).
A certa altura parece que irá entrar por um registo parecido ao que encontramos nos livros do fabuloso escritor japonês Haruki Murakami, pois tem momentos surrealistas bem ao estilo do autor. Por outro lado, o seu aparente vazio, também parece decalcado do melhor que se viu noutro pequeno grande filme independente americano e com uma atmosfera semelhante, o fabuloso (e fabulosamente esquecido), “The Station Agent” (em Portugal “A Estação“).

Visualmente, [“Kamome Diner“] é totalmente cativante pelo seu brilho. É um filme muito luminoso, com uma fotografia fantástica e cheio de pequenas imagens muito bonitas que contribuem bastante para a atmosfera contemplativa da história.
A banda sonora quase não se nota, mas também contribui bastante para o ambiente discreto do filme.
O elenco é uma mistura de actores japoneses e finlandeses que aparentemente não têm nada em comum, muito menos parecem ter alguma coisa para fazer no filme, mas que no entanto contribuem totalmente para o carísma da história, pois os personagens são estranhamente apelativos a tal ponto que até os figurantes parecem perfeitamente integrados nos espaços.

Essencialmente é isto o que se pode dizer sobre [“Kamome Diner“].
É um filme muito simpático que vale a pena espreitarem se estiverem á procura de uma proposta diferente.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se estiverem á procura de um drama, esqueçam. Se estiverem á procura de uma comédia esqueçam.
No entanto há algo aqui que resulta em termos emocionais e que nos consegue cativar sem sabermos bem porquê.
Será o filme perfeito para quem nunca viu algo mais dentro do cinema-de-autor e quer espreitar um titulo simpático e sem pretenções a filme inteligente. Será também o filme perfeito para uma noite de insónia; no entanto…não é um filme chato…apenas não se passa nada…por outro lado é essa ausência de acontecimentos que o torna cativante e sendo assim já perceberam que até eu estou baralhado.
Essencialmente recomenda-se a quem quiser ver um filme totalmente simpático e muito boa onda sabe-se lá porquê.
Quatro tigleas de noodles pois é estranhamente muito bom e se calhar muito menos vazio do que aparenta á primeira vista, pois no fim de contas é um pequeno grande filme sobre amizade. Sem rodeios, intrigas, ou dramatismos de pacotilha. Um filme sobre amigos apenas e se calhar chega perfeitamente para ser um pequeno grande filme que merece ser descoberto por quem procura algo diferente e não tem receio de um filme calminho. Gostei.

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A favor: a originalidade da estrutura da história, o conceito simples, personagens cativantes, atmosfera luminosa e muito simpática, se calhar será bem menos vazio do que aparenta pois a total ausência de carga dramática acaba por o tornar numa história bem mais humana do que aparenta á primeira vista, é um pequeno grande filme sobre amizade, a ser cinema-de-autor é um titulo muito despretencioso que não assustará quem tem medo do género.
Contra: na verdade não tem nada de negativo…as motivações dos personagens nunca são explicadas, não acontece grande coisa na história mas se calhar é isso que torna o filme tão curioso e especial.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=HHA6PEcM7Gw&feature=youtu.be

Comprar
Muito dificil de ser encontrado nas lojas a um preço decente mas podem comprá-lo no Ebay bem baratinho.

Download aqui com legendas PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0483022

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Se gostou, poderá gostar de:
* Na verdade não tenho nada semelhante neste blog*
Talvez gostem de “The Station Agent” um simpático filme independente americano que também recomendo vivamente e que tem algumas semelhanças com este Kamome Diner.

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Yeonae soseol (Lover´s Concerto) Han Lee (2002) Coreia do Sul


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Jack trabalha no McDonalds onde passa o dia a atender clientes ao som da última musica pop da Hanah Montana e vive uma vida saída de um teledisco onde tudo é jovem, muito cool e cheio de “rebeldia”. Claro que Jack também adora desporto e não perde um jogo de futebol americano na televisão.
Um dia Jack conhece Mindy e Cindy que por acaso entram no McDonalds para comprar Coca-Cola e imediatamente se apaixona por Cindy a mais tímida das duas raparigas. Tímida mas nem por isso menos na moda pois Cindy tal como Mindy envergam o último grito fashion teen. Mas enquanto Mindy apresenta-se com um estilo punk inspirado na melhor moda tipo geração rebelde, Cindy é o espelho da jovenzinha intelectual mas nem por isso menos sexy.
Num acto tresloucado de rebeldia juvenil Jack manda o patrão para o caraças ao mesmo tempo que debita uma daquelas frases emblemáticas para a câmara e cheio de estilo enceta uma perseguição pela cidade ao som de outra música pop enquanto segue as duas jovens que entretanto sairam do McDonalds mas entraram no Burger Ranch.
Quando as encontra de novo Jack em grandes planos de câmara lenta dá-se a conhecer de corpo inteiro de modo a que o espectador possa perceber bem que marca é que ele veste. Claro que o look boys-band do rapaz é suficiente para que Cindy imediatamente se apaixone por ele.
Então os trés começam a sair juntos, (ao som de mais música pop claro) e o inevitável acontece, claro que Mindy também se apaixona por Jack e surge o óbvio triangulo amoroso. Um dia Cindy apanha Jack a beijar Mindy e acaba tudo com ele.
Claro que Mindy estava só a curtir com Jack para fazer ciumes á amiga e este apercebendo-se disso resolve tentar fazer as pazes com Cindy que entretanto tinha ido parar ao Hospital porque estava muito deprimida por ter acabado o namoro.
Jack então faz-lhe uma serenata e diz muitas vezes “i love you”, esta cura-se de todas as maleitas e eles vivem felizes para sempre. The End.
Ao som de outra musica pop claro.

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A esta altura vocês já devem estar a pensar que eu me passei de vez.
Que isto de estar meses sem escrever no blog e a fazer banda desenhada me deu cabo da mona por completo.
Ainda não flipei.
Vou falar-vos de [“Lover´s Concerto“] e o que escrevi atrás tem uma razão de ser.
Se alguma vez houve uma obra oriental que espelha bem a extraordinária diferença entre um filme romântico com adolescentes made-in-Hollywood e um filme romântico com adolescentes feito na Coreia do Sul, então [“Lover´s Concerto“] é esse filme.

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Imaginem prácticamente a mesma história que lhes contei acima com os habituais tiques Hollywoodescos mas retirem-lhe todos os clichés que estão habituados a encontrar no cinema pseudo-romântico para adolescentes americanos e encontrarão uma história com uma identidade absolutamente real em que nos esquecemos por completo que estamos a ver actores a representar um papel.
Mesmo sendo um filme asiático que nem sequer tenta particularmente fugir aos habituais clichés dentro do próprio cinema comercial romântico Sul Coreano [“Lover´s Concerto“] é um produto com alma e desta vez nem sequer é por causa da história pois pessoalmente nem a achei particularmente interessante.

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Tem no entanto uma coisa extraordinária e que justifica plenamente a sua visão por quem gosta de cinema romântico sul coreano. O trio de protagonistas tem um carísma absolutamente perfeito e desde o primeiro minuto em que se encontram nos parecem pessoas reais e não os habituais adolescentes formatados para encaixarem em todas as étnias de modo a não insultarem nenhuma raça ao exclui-la da história.
Em [“Lover´s Concerto“] nenhum dos adolescentes nos parece um personagem de cartão.
Não falam de maneira cool a todo o instante, não se vestem para nos vender a roupa da moda e muito menos ouvem qualquer música pop para nos vender discos e nenhum deles tem um amigo (como personagem secundário) de uma étnia que esteja na moda não descriminar.

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Além disto, [“Lover´s Concerto“] difere também no próprio estilo de filme romãntico, pois na verdade por muito cliché que seja, acaba por contornar todos os lugares comuns ao apresentar o romance mais como consequência de uma grande amizade do que própriamente como sendo a habitual paixoneta teen ou o amor impossível menino-pobre-menina-rica que vemos nos produtos ocidentais.
Se alguma vez procurarem um filme romântico em que o verdadeiro amor representado no filme está na amizade das trés personagens que compõem um triangulo amoroso, não procurem mais longe.

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É uma história de amor oriental em que na realidade, o amor é quase secundário face á força da amizade que une os personagens e está aqui a força deste argumento.
Um argumento que nem sequer tem muito para contar, mas consegue fazer-nos pensar no que será verdadeiramente amar alguém sem precisar de nos espetar constantemente com esse tema de forma óbvia em diálogos de telenovela.
Os Sul Coreanos são mestres em fazer histórias de amor em que raramente se ouve alguém dizer “amo-te” e esta não é excepção.

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Ao contrário dos argumentistas Americanos, os Sul Coreanos parecem há muito ter descoberto que o espectador consegue mais sentir uma emoção contida num personagem do que sentimos alguma coisa ao assistir a intermináveis linhas de diálogo em modo histérico adolescente estilo telenovela que faz com que todos os supostos filmes românticos teen saídos de Hollywood sejam habitualmente intragáveis para o público mais velho.

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Quanto a mim uma das grandes virtudes do cinema Sul Coreano é a de conseguir produzir filmes românticos com adolescentes, para adolescentes, mas que contêm sempre muitas camadas (ás vezes até bem filosóficas) para além daquilo que seria de esperar e neste caso [“Lover´s Concerto“] não é excepção.
Não é de forma alguma a melhor história de amor oriental que poderão encontrar, mas poderá ser talvez a melhor e mais humana história de amizade/amor(?) entre adolescentes no mercado dvd dentro do estilo asiático.

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Também não será um grande filme Sul Coreano pois não tem nada na verdade que o distinga na sua realização de outros tantos produtos do género quase a roçar o estilo televisivo.
Se calhar por apresenta-nos um universo tão real que quase nos faz esquecer que tem um design de produção e muito trabalho de fotografia por detrás. Isso acaba por ser um trunfo mas também ao mesmo tempo será aquilo que o faz parecer um produto normal. No entanto é um daqueles filmes em que o realizador não teve problemas em desaparecer para dar lugar aos personagens da história.
Tirando os trés extraordinários protagonistas com os seus personagens humanamente perfeitos [“Lover´s Concerto“] não parece ter muito mais para nos deslumbrar. No entanto, acreditem, chega perfeitamente e é essa a sua mais valia.

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Tem inevitávelmente um twist na sua história, mas tenho que confessar que não me surpreendeu particularmente da primeira vez que o vi. Não porque o tivesse adivinhado, mas porque na verdade acho que nem reparei nele pois a segunda metade do filme torna-se algo fragmentada e se não estivermos com atenção podemos perder muito daquilo que seria o impacto final da história.
Um conselho…estejam muito atentos aos nomes dos personagens e decorem bem cada um. Isso ajudar-vos-á a seguir como deve ser o segmento final.

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[“Lover´s Concerto“] é um daqueles filmes orientais que recomendo pela sua humanidade a toda a gente que chega a este blog á procura de críticas sobre filmes românticos deste estilo, pois acreditem-me que vão gostar muito daqueles personagens. É uma história humanamente muito bem escrita e onde até nos consegue fazer sentir uma grande empatia pelo personagem mais terciário que se envolve lateralmente á história principal. E não posso dizer mais nada para não estragar o filme. Não é nenhuma surpresa mas é mais um daqueles pequenos momentos que enriquecem humanamente o argumento.

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Deixo-vos apenas com uma pequena nota triste. Uma das actrizes do filme, que vêem na foto acima suicidou-se há um par de anos surpreendendo toda a gente e deixando a Coreia do Sul em estado de choque. Segundo consta devido a uma depressão de amor, o que não deixa de ser curioso.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um filme indispensável em qualquer dvdteca de cinema romântico Sul Coreano ou de cinema oriental em geral apesar de não ser uma obra extraordinária dentro de uma conotação mais cinéfila-intelectual-de-café.
É um filme asiático  simples, cheio de lugares comuns, mas que conta com trés dos melhores personagens adolescentes que poderão encontrar no cinema romântico oriental e é uma história de amizade perfeita que se calhar ainda fará pensar um espectador ou dois.
Ao contrário do que acontece nos filmes pseudo-românticos com adolescentes made-in-Hollywood [“Lover´s Concerto“] tem muita alma e irá agradar até ao público mais velhinho.

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A favor: o humanismo da história, a sua simplicidade é viciante, os personagens são totalmente carismáticos e parecem pessoas verdadeiras, o trabalho dos actores é extraordinário na sua simplicidade e esquecemo-nos por completo que estão a representar, a pequena história de amor paralela com uma das irmãs de um dos personagens principais resulta plenamente apesar da sua brevidade e extrema simplicidade, tem um twist fixe no final embora não seja nada do outro mundo, faz-nos pensar no conceito amizade/amor sem sequer meter “i love you” a todo o instante.
Contra: visualmente não tem nada de extraordinário ou sequer de muito cinemático, a segunda metade da história parece correr demasiado depressa e as motivações dos próprios personagens não nos parecem tão reais quanto na primeira metade, o final tem um tom estranho que faz com este pareça pertencer a um filme completamente diferente e com isso quebra bastante do impacto emocional que [“Lover´s Concerto“] merecia ter tido.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=obdytjJPdDg

concerto10_capa

COMPRAR
Eu comprei esta. Não é propriamente uma edição espantosa a nivel de imagem mas tem um Dts excelente e um making off porreiro.
No entanto podem comprar a edição americana R1 se preferirem pois é exactamente a mesma com uma capa mais ocidental e um preço porreiro também quando convertido para Euros por exemplo.

IMDB
Não recomendo que espreitem o imdb antes de verem o filme, pois algumas reviews podem estragar-lhes todas as surpresas da história.

http://www.imdb.com/title/tt0328675/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia

Il Mare The Classic Fly me to Polaris

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Gwoemul (The Host) Joon-ho Bong (2006) Coreia do Sul


Já que da última vez recomendei de seguida trés histórias de amor orientais, agora para equilibrar as coisas vamos lá falar sobre um excelente filme com montes de pessoas muito bem mastigadas e também engolidas vivas.
Bem-vindos a [“The Host“].

Este filme tem sido comparado a “Jaws“, o clássico “Tubarão” de Steven Spielberg e embora na minha opinião não esteja de forma alguma ao mesmo nível é num entanto um excelente filme de monstros. Provavelmente mesmo o melhor filme de monstros desde o primeiro “Tubarão” e muito acima de qualquer outra coisa que tenha surgido vinda de Hollywood dentro do estilo Godzilla.
Já agora será melhor avisa-los desde já que também [“The Host“] vai ter em breve um remake made-in-usa por isso têm mais um motivo para se despacharem a ver este original o quanto antes.
Até porque [“The Host“] não é de forma nenhuma mais um “Godzilla” ao estilo Rolland Emerich e sim um filme bem mais original do que aparenta ser no trailer.

Para começar, se calhar é melhor avisar logo que o trailer pode enganar muita gente. [“The Host“], não é de forma alguma o filme oriental de acção frenética ao estilo blockbuster americano para mastigarmos pipocas que aparenta ser na apresentação.
Nem sequer o monstro é o centro da narrativa e logo isso vai ser suficiente para desiludir todos aqueles que esperam encontrar aqui algo semelhante a um puro filme de efeitos especiais á americana.
[“The Host“], não é um filme sobre um monstro que aterroriza uma cidade ou sobre um heroi que salva o mundo porque é o personagem principal do filme.  Este filme é essencialmente sobre uma familia como tantas outras e sobre a forma como esta se une para conseguir salvar um dos seus membros mais jovens das garras do monstro.
[“The Host“], deve ser o primeiro filme de monstros, cheio de efeitos especiais, que mantém uma característica muito intimista, pois acima de tudo é sobre os efeitos que uma tragédia pode ter numa família disfuncional e sobre aquilo que os seus membros fazem para se manterem unidos e com esperança quando o mundo á sua volta não lhes liga absolutamente nenhuma.

Um perigoso químico é negligentemente lançado ao rio que atravessa uma grande cidade da Coreia do Sul e provoca uma mutação numa das criaturas que lá habitam ao ponto desta crescer até um tamanho gigantesco e começar a alimentar-se dos habitantes locais.  De um dia para o outro estes dão por si a viver paredes meias junto a uma espécie de lula gigante com pernas e extremamente carnívora que ninguém consegue capturar por esta ser incrivelmente ágil e ninguém saber onde habita.
Mas como já disse, [“The Host“], não é sobre o monstro, pois este é apenas a razão para os personagens ganharem vida e como tal o filme conta a história de uma pequena família que tem um pequeno quiosque de comes & bebes junto ás margens do rio.
Essa familia é composta pelo avô, os seus trés filhos e uma neta adolescente filha de um deles. Neste caso, filha de um rapaz que tem uma clara limitação de inteligência e anda bem próximo do atraso mental.
Por causa dessa deficiência a sua esposa, mãe da adolescente um dia abandonou a familia e nunca mais ninguém soube nada dela.

Uma manhã, o monstro invade as margens do rio e rapta a miuda levando-a para o seu covil deixando não só a população da cidade em estado de sítio, como também a familia em desespero pois recusam-se a acreditar que a miuda tenha sido comida apesar de todas as autoridades o garantirem.
O resto do filme, é sobre a forma como toda a familia se une para procurar a miuda, sobre como o pai contorna a sua deficiência mental e se torna um heroi e como a sociedade se pode tornar num inimigo bem mais perigoso do que qualquer monstro quando uma pessoa tenta apenas fazer o que acha certo.
E se pensam que já viram tudo, só lhes posso dizer que pelo menos o final deste filme podem ter a certeza que não viram.
Aliás, aposto tudo o que quiserem em como a versão americana de [“The Host“], vai ter um final diferente.
E mais não conto.

Apesar deste filme oriental não ser propriamente um filme de aventuras com monstros ao estilo americano, isto não quer dizer que não tenha possivelmente algumas das melhores sequências com bichos que vocês viram até hoje.
Ao contrário do que é habitual na formula Hollywood, aqui a maior sequência de acção deste filme, está não no seu final cheio de pirotécnia digital, mas no início do filme.
[“The Host“], contém definitivamente a melhor sequência de pânico nas ruas dos ultimos anos dentro do cinema catástrofe. A longa cena de acção em que o monstro invade as ruas quando sai pela primeira vez do rio é simplesmente inesquecível para quem gosta de ver grandes massas humanas em pânico e a serem mastigadas, espezinhadas e comidas vivas a cada segundo.
E não pensem que isto é filmado ao estilo politicamente correcto de filmes de monstros para a familia, afinal isto ainda é um filme oriental ! Em [“The Host“], o que não falta é sangue e violência gráfica que leva este filme por caminhos a que não estamos habituados a ver e o dá um tom ainda mais realistico.
Afinal se isto fosse verdade e existisse mesmo um monstro assim a comer pessoas pelas ruas, certamente que sangue e tripas seria coisa que não iria faltar e nisto o filme está de parabéns, pois se tem que mostrar tripas e sangue, mostra mesmo.

A partir dessa longa sequência de acção inicial, o filme alterna entre o tom intímista com inúmeros momentos de comédia e drama ao melhor estilo coreano e o filme de suspanse típico dentro do género, até chegar depois á habitual sequência final que mesmo assim ainda contêm um par de coisas que ainda ninguém tinha visto e que os vão deixar tão enojados quanto divertidos.
[“The Host“], está polvilhado de pequenas cenas de acção, mas não é um filme-tipo do género. Não é um filme linear com um heroi central, mas sim um puzzle de personagens muito bem construidos e onde não existe o heroi típico a que estamos habituados a seguir nos filmes americanos. Todos os personagens são herois e todos têm o seu momento que contribui totalmente para o final único e original deste filme sem nunca perder a coerência.

[“The Host“], tem cenas emocionantes, cenas cómicas, cenas dramáticas, cenas nojentas com muita baba gelatinosa e efeitos digitais quanto baste obtendo com isso um resultado excelente.
O que não deixa de ser surpreendente porque o filme nem sequer tem um grande orçamento.
Perto das grandes produções americanas, [“The Host“], é um verdadeiro série-B sem dinheiro. De tal forma que até o filme teve muita poucas cenas em estúdio e foi quase todo filmado em localizações reais porque não havia dinheiro para grandes construções. Como resultado disto, até foram filmar para uma rede de esgotos real onde toda a produção teve de apanhar vacinas contra o tétano  e inclusive os actores filmavam metidos no meio dos dejectos com ratos mortos a lhes passarem por debaixo das pernas.
Está tudo no making off e vale a pena ser visto.

No entanto, olhando para o filme, ninguém diria que [“The Host“], não é a grande super-produção que aparenta ser. Os cenários são mágnificos (porque são reais), a fotografia não podia ser melhor dando um tom fantástico ás cenas passadas nos esgotos e os efeitos digitais são mesmo muito, muito bons contendo inclusivamente muitos pormenores originais.
Acima de tudo, é a prova de que o cinema comercial pode no entanto ser cinema a sério sem precisar de entrar pelos facilistimos plásticos que habitualmente vemos nos filmes-pipoca americanos.
[“The Host“], tem não só estilo, como ainda por cima tem alma. E segundo os actores que entraram nele, tem muito cheiro também.

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CLASSIFICAÇÃO:

Cinco tigelas de noodles completamente á vontade.
Se calhar estou a cometer uma injustiça não lhe atribuíndo também um Gold Award, mas a verdade é que acho que apesar de ser um filme excelente faltou-lhe ainda qualquer coisa que não sei bem explicar. A verdade é que apesar de me ter divertido, a parte dramática não me emocionou particularmente e por isso este nem sequer seja um daqueles filmes que me apetece sempre rever. Portanto se não é um daqueles que quando penso nele não me apetece reve-lo de imediato então não lhe atribuo um Gold Award.
Mas só por isso, porque de resto recomenda-se vivamente e é definitivamente indispensável para quem gosta de filmes com monstros e cenas de multidão em pânico no meio de muito sangue.
Por outro lado, também não vão á espera de um puro filme de terror, pois este é essencialmente um filme de monstros.

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A favor: as cenas de pânico iniciais são fantásticas, o monstro, os actores e os seus personagens, as situações em que se envolvem, o tom de comédia negra por vezes hilariante mesmo quando não deveriamos rir (a cena do funeral), as cenas de acção, o estilo visual do filme, a realização, a fotografia, é um blockbuster com alma, o final original e inesperado do filme.
Contra: não me ocorre nada, embora ache que lhe falta qualquer coisa que me faça ter vontade de estar sempre a revê-lo.
Quem espera o típico filme de acção á americana também pode sair desiludido, pois o estilo do filme é bem mais intimista do que aparenta no trailer.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer Coreano
http://www.youtube.com/watch?v=bNbZE8NX0nk
Trailer Internacional
http://www.youtube.com/watch?v=hJnq9sm4Zxk&feature=related

Comprar
Eu tenho esta excelente edição Uk, em dois discos com excelente qualidade de imagem, som a condizer e muitos extras sobre todo o making of do filme. Aproveitem os descontos da Amazon para o cinema asiático. 😉

Se quiserem podem optar pela edição de 1 disco em DVD ou em vez disso comprarem o Blu-Ray, tudo bem baratinho.

No entanto este parece ser um daqueles raros filmes orientais que por acaso até tem uma excelente edição portuguesa, que aliás, parece ser idêntica á edição inglesa que eu tenho.
Podem encontrá-la aqui.
http://www.precos.com.pt/filmes-dvd-c3452/the-host-a-criatura-p22313582.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0468492/