Hachikô monogatari (Hachi-ko) Seijirô Kôyama (1987) Japão & remake Usa: Hachiko: A Dog’s Story (Hachi: A Dog’s Tale) Lasse Hallström (2009) Usa


Esta história chegou até mim totalmente ao acaso no outro dia enquanto andava pelo Youtube á procura de trailers de cinema oriental e estranhamente ia sempre parar ao trailer de um filme recente com Richard Gere, chamado “Hachi – A Dog´s Tale” feito em Hollywood.
Surpreendentemente ou talvez não, o filme de Richard Gere revelou-se como mais um remake americano de outro filme oriental, mas curiosamente o próprio trailer da versão Usa tinha um certo encanto e identidade que me cativou imediatamente e me levou não só a querer saber mais sobre o filme Japonês original, como como acima de tudo, saber mais sobre esta história absolutamente tocante e fascinante.
E foi assim que cheguei a esta reportagem que antes de mais recomendo que toda a gente veja antes de continuarem a ler a minha crítica sobre [“Hachi-Ko“] pois vale mesmo a pena começar por aqui.


(Cliquem na imagem ou neste link, para verem a peça no Youtube,  pois o video original também não permite integração no blog).

Fascinante não é ?
É daquelas histórias que nos dão um nó na garganta quando paramos para pensar como terá sido acompanhar todo o caso original na época e tudo aquilo que depois veio a simbolizar para as pessoas nos anos seguintes.
E segundo o que tenho lido parece que os produtores do filme original [“Hachi-Ko“] não se pouparam a esforços no que toca aos detalhes da história e procuraram tentar reproduzi-la o mais fielmente possível quase de uma forma documental sem no entanto descurar o lado cinematográfico da narrativa.

O que veio a tornar [“Hachi-Ko“] num pequeno filme japonês deveras surpreendente na minha opinião.
Surpreendente porque ao contrário do que eu estava á espera com um tema destes, encontramos um filme bem contido e até certo ponto intimísta.
Material deste dava pano para mangas, no que toca a choradeira-galopante e [“Hachi-Ko“] poderia ter resultado num produto assumidamente produzido para fazer as plateias gastar lenços de papel aos quilos. No entanto, surpreendeu-me mesmo muito por tentar essencialmente contar uma história muito simples sem grandes exageros emocionais e não estava nada á espera disto.

Quando eu pensava que ia ver um produto totalmente ultra-comercial ao pior estilo americano, tipo Benji ou Marley & Eu onde se exploraria até á medula o sofrimento dos personagens e principalmente do cachorro, [“Hachi-Ko“] apareceu-me com uma história completamente oposta onde há espaço para todos os personagens e onde se conta acima de tudo a história, não apenas de um cão, mas principalmente de um acontecimento que marcou não só a história de Tokyo como também as vidas de muita gente.

E que história foi esta, perguntam aqueles que não viram o video acima ou não sabem inglés.
Essencialmente [“Hachi-Ko“] conta a história de um cão que foi adotado por um senhor algures nos anos 20 no Japão e da relação que se gerou entre ambos.
Durante um par de anos, todos os dias o cão acompanhava o dono até á estação quando este tomava o comboio para ir trabalhar e todos os dias o cão voltava ao fim do dia á mesma hora para esperar o senhor quando ele regressava.
Um dia o dono morreu e nunca mais voltaria a regressar a casa no comboio á mesma hora mas no entanto, durante quase dez anos, Hachi-Ko regressou todos os dias á hora do comboio chegar para continuar a esperar pelo dono que nunca mais viria, isto apesar da fome, do frio e de entretanto se ter tornado num cão vadio pois fugia sempre de todos os que o tentavam adoptar para poder voltar á estação todos os dias para esperar o ser humano que amava.

Ora, com um material destes, seria mais que natural que [“Hachi-Ko“] o filme, fosse um enorme pastelão em overdose sentimental mas no entanto é um pequeno filme quase intimista absolutamente notável e simpático. Isto pela sua simplicidade e pela forma como nos conta a tocante história de Hachi-Ko , filmando-a mais como um drama-de-época onde todos os personagens contam e não apenas como um filme para espremer lágrimas aos espectadores porque sim.

Não pensem no entanto que [“Hachi-Ko“] não lhes causará sucessivos nós na garganta e não pensem que não vão derramar uma lágrima ou duas…ou trés. [“Hachi-Ko“] emociona e muito, mas emociona pelas razões certas, pelo significado da história, por ser uma lição de vida ao mesmo tempo que acaba por ser um filme sobre a solidão e a dedicação.
Poderá parecer-vos no entanto, um filme algo vazio durante quase toda a maior parte do tempo, pois practicamente setenta por cento do filme é passado em apresentar-nos as pessoas que fizeram parte desta história e não encontrarão em [“Hachi-Ko“] muito cliché habitual á volta do facto do personagem principal ser um cão.
Nota-se que houve um esforço dos argumentistas em manterem-se fieis aos acontecimentos e por isso o filme não está carregado de momentos inventados com o único objectivo de fazer chorar as plateias de X em X tempo para se manter fiel ao que esperariamos do género.

A grande virtude de [“Hachi-Ko“] está nesse aspecto. Conta uma história, fá-lo de uma maneira simples e muito, muito atmosférica assente numa recriação de época quase mágica e onde tudo se conjuga para nos levar até ao seu final onde Hachi-Ko “reencontra” finalmente o seu dono á porta da estação e que os fará chorar baba e ranho pois toda a contenção emocional durante o resto do filme foi orquestrada de modo a que apenas nesse momento os espectadores sintam verdadeiramente o significado de tudo o que Hachi-Ko passou para se reunir com quem gostava.
Quem conhece o livro “Timbuktu” de Paul Auster e adorou essa história principalmente no seu  final, tem aqui em [“Hachi-Ko“] algo de características muito semelhantes tanto na forma como a história é resolvida como na própria emotividade e poesia da resolução. Se gostaram de “Timbuktu” vão adorar este filme.
Se gostarem muito deste filme não percam de forma nenhuma o livro “Timbuktu” de Paul Auster.

Este filme não lhes ficará na memória por muito. Está bem feito, tem algumas imagens muito bonitas e uma fotografia fantástica que torna quase mágica a cidade onde vive Hachi-Ko, mas no entanto não é algo que lhes fique na recordação pelo lado mais cinematográfico.
Também o seu ritmo narrativo que não tem pressa de ir a lado nenhum na própria história poderá aborrecer alguns espectadores mais habituados ao estilo ocidental onde tem de acontecer sempre algo movimentado ou dramático de dez em dez minutos e [“Hachi-Ko“] não é assim.
Essencialmente tem uma identidade muito japonesa e isso só lhe fica bem pois sabe conduzir o espectador até ao desenlace da história sem que este se aperceba realmente da emotividade crescente da mesma e por esse aspecto está de parabéns.

Também não será um filme a que voltarão muitas vezes, a não ser que adorem mesmo cães e principalmente Akitas, no entanto é um bom título para mostrarem aos amigos que procurem um filme com animais bem feito, honesto na forma como está filmado sem excessos para além da história original que procura retratar e acima de tudo é um excelente complemento para a reportagem televisiva com que iniciei este post sobre [“Hachi-Ko“].

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CLASSIFICAÇÃO do Filme Original Japonês:

Quem gosta de cães vai adorar isto. Quem tem um Akita então é um daqueles filmes obrigatórios.
É um filme simpático, muito simples e tudo o que faz, faz bem.

Trés tigelas e meia de noodles porque enquanto filme não fica na memória nem é um daqueles que nos apeteça estar sempre a rever, no entanto não deixem que a minha modesta classificação os afaste de [“Hachi-Ko“] pois acima de tudo é uma história fascinante e muito bonita.

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A favor: a simplicidade de tudo resulta plenamente, não abusa das desgraças do cãozinho para provocar choro fácil, é um filme calminho e contido ao contrário do que se esperaria com uma história destas, manipula bastante bem a emotividade da história até ao desenlace final, a recriação de época tem montes de atmosfera e a fotografia do filme dá-lhe um ar quase mágico, acima de tudo é um filme sobre uma história com vários personagens e não apenas o típico filme para fazer as plateias chorar á custa do cãozinho, quem gostou de um romance de Paul Auster chamado “Timbuktu” vai adorar o final de [“Hachi-Ko“].
Contra: poderá ser um filme algo lento para quem está mais habituado ao estilo americano de cinema, não nos fica na memória enquanto objecto cinematográfico e há até quem compare [“Hachi-Ko“] a um telefilme de sábado á tarde com alguma razão.

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————————————————REMAKE————————————————
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Agora falemos do remake americano – [“Hachi: A Dog’s Tale”]

Como já devem ter notado isto agora é uma novidade aqui no blog, pois salvo raras excepções, não costumo falar particularmente dos remakes americanos de filmes orientais por aqui, embora desde há muito venha pensando numa forma de integrar esse aspecto, pois cada dia que passa aparecem mais remakes made-in-usa de cinema asiático e muitas vezes o público ocidental nem faz ideia de que já existe um original, normalmente muito superior.

Por isso vale a pena agora falar aqui um bocadinho do remake americano de [“Hachi-Ko“], intitulado em Hollywood como [“Hachi: A Dog’s Tale”] e protagonizado por Richard Gere, pois este título desta vez surpreendeu-me pela positiva por muitas razões que vale a pena destacar por aqui.

Para começar como podem ver pelo popular trailer (japonês) do remake americano, há por aqui uma identidade original que se manteve. E de uma forma bem mais interessante e genuína do que eu pensaria encontrar e isso mantém-se no remake desde logo os primeiros minutos de uma forma muito curiosa.
A maneira como o remake começa é uma quase nostálgica homenagem não só á origem japonesa da história como ao facto de já ter havido um [“Hachi-Ko“] original.

Ao contrário da maioria dos remakes americanos de filmes orientais que tentam disfarçar a sua origem (raramente se menciona sequer que existe um filme original no oriente), em [“Hachi: A Dog’s Tale”] essa origem é plenamente assumida desde os primeiros segundos e no início do filme assistimos á chegada de um cachorro Akita aos Estados Unidos vindo como encomenda directamente do Japão como se o próprio filme tivesse emigrado do oriente para o ocidente e sendo assim este remake não poderia ter começado de forma mais cativante e genuína.

E o tom do filme continua da mesma forma positiva e em pura homenagem á narrativa original. Nada é mudado e tudo é apenas transportado para o universo ocidental, nomeadamente o americano.
Essencialmente encontramos todos os personagens do filme original, agora na sua encarnação ocidental e toda a história se mantêm essencialmente fiel aos factos históricos originais que já tinham sido representados no filme Japonês.

No entanto, [“Hachi: A Dog’s Tale”] inevitávelmente conta com mais umas coisinhas inventadas pelos argumentistas americanos que polvilham e intercalam a história original e acabam por tornar o filme não só mais açucarado, como principalmente mais comercial para um público habituado ao género de cinema com cãezinhos saídos de Hollywood, embora desta vez a coisa nem seja particularmente grave e nota-se que houve alguma contenção nas “invenções” melodramáticas. Estas apenas estão lá para criar a tal estrutura com que o público conta sempre, (a tal onde tem sempre que acontecer algo de X em X tempo para não aborrecer as plateias) e na verdade a coisa até resulta pois torna o filme agradável e mantém o tom simpático.
Porque sejamos francos, se [“Hachi: A Dog’s Tale”] mantivesse a estrutura lenta (onde “não se passa muito”) de [“Hachi-Ko“] tenho a certeza que não iria restar muita gente acordada no final do remake nas salas americanas porque isto de um filme ser comercial pode ter muitas diferenças em várias partes do mundo.

De qualquer forma, a estrutura original mantém-se em [“Hachi: A Dog’s Tale”] e torna-se um prazer comparar as duas versões pois todo o remake americano é uma homenagem á história que  o inspirou.
Os personagens continuam cativantes e simpáticos, toda a atmosfera da história mantém aquele tom mágico do filme original apesar do remake ser passado na actualidade e Richard Gere é o actor perfeito para ter entrado nisto pois faz-nos esquecer por completo a estrela de Hollywood por detrás do personagem e compõe um dono de Hachi que os cativará.

O facto do remake se manter fiel ao original, também significa que o final é idêntico até na forma como mostra o “reencontro” de Hachi com o seu dono, embora eu tenha preferido mais a forma como foi apresentado na versão original, pois o remake substituiu o tom poético e sobrenatural por algo mais meloso e melodramático que na minha opinião poderia ter sido mais contido. Embora não seja de todo muito grave.

O final do remake, ainda tem outra ligação directa com o Japão pois, [“Hachi: A Dog’s Tale”] termina com a informação de que a história verdadeira passou-se no Japão dos anos 20 e não nos Eua e depois o filme termina com algumas fotografias históricas dos verdadeiros protagonístas e mostra a actual estátua de Hachi-ko em Tókio permanentemente á espera que o seu dono regresse.


Resumindo, na minha opinião, mesmo apesar do tom muito mais açucarado e ultra-comercial do remake, a verdade é que [“Hachi: A Dog’s Tale”] é um dos raros remakes americanos de filmes orientais que pode andar de cabeça erguida com todo o mérito.
Talvez muito se deva á própria sensibilidade do realizador Sueco, o conhecido Lasse Hallström , autor de dois dos meus dramas favoritos dos últimos anos falados em Inglés o conhecido “The Cider House Rules (Regras da Casa)” que deu o Oscar a Michael Cane e “The Shipping News” adaptando o romance do mesmo nome e situado no norte do Alaska.
Portanto, digamos que [“Hachi: A Dog’s Tale”] é um remake americano de um filme japonês com um toque emotivo europeu que só lhe fica bem e talvez seja isto também o que o torna num filme made-in-Hollywood tão simpático e até bastante cativante em alguns momentos.

Um filme que se assume como ultra-comercial mas com excelentes resultados, uma identidade própria e muito respeito tanto pela versão original como pela história fantástica que apresenta ao público ocidental que nunca veria o filme japonês.

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CLASSIFICAÇÃO do Remake Americano (ver acima o Original Japonês):

Quem gosta de cães também vai gostar muito disto e é um bom complemento para o filme original, além de ser um daqueles raros remakes americanos que resulta em todos os sentidos, embora seja inevitávelmente algo plástico e até conter um momento piroso ou dois totalmente desnecessários quem nem tiveram lugar na história original.
No entanto é uma tentativa honesta de se fazer um bom remake em Hollywood e que respeita totalmente a sua fonte original e até a homenageia em muitos momentos.

Trés tigelas e meia de noodles também, por motivos diferentes da mesma classificação atribuída ao original[“Hachi-Ko“] mas no fundo chegam os dois ao mesmo resultado; o de contar esta história tão triste quanto inspiradora passada há mais de 80 anos no japão e que até hoje ainda mantêm todo o seu valor e poesia.
E mais uma vez, não deixem que a minha modesta classificação aqui lhes tire a vontade de também espreitarem este filme. Vejam, um vejam os dois, mas vale a pena conhecer a história deste cão seja em que versão for.

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A favor: a simplicidade de tudo resulta plenamente, também não abusa das desgraças do cãozinho para provocar choro fácil embora seja um filme bem mais comercial que o original, é um filme simpático cheio de atmosfera e também surpreendentemente contido nos seus excessos mais pirosos, continua a ser também acima de tudo um filme sobre uma história com vários personagens e não apenas o típico filme para fazer as plateias chorar á custa do cãozinho, quem gostou de um romance de Paul Auster chamado “Timbuktu” vai adorar o final deste filme também pois é igual ao do original, respeita totalmente o filme original e a história que lhe deu origem, homenageia todas as suas origens nipónicas em muitos sentidos, a abertura do filme é muito criativa na forma como importa o cão/conceito do Japão para o Ocidente e nos faz entrar logo no ambiente Usa sem perder a identidade original.
Contra: é um filme de Hollywood e como tal tem coisas a mais só para que a plateia não adormeça, contém um par de momentos melodramáticos pirososos desnecessários mas inevitáveis dentro deste estilo de filmes quando saídos de Hollywood, também não nos fica na memória enquanto objecto cinematográfico e embora não se sinta tanto aquele ambiente de telefilme não será um dos titulos mais emblemáticos deste realizador sueco.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer – Hachi-ko
http://www.youtube.com/watch?v=JIbkRGef8kE

Trailer – Hachi a Dog´s Tale
http://www.youtube.com/watch?v=urfwQHddesI

Encontrei também esta canção sobre a história.

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Comprar -out Hachi-ko (Filme original – Japão)
Só o consigo encontrar nesta loja a um preço muito elevado.
Se alguém souber de outro sítio mais em conta diga-me qualquer coisa.

Download Hachi-ko aqui com legendas Pt/Br

Comprar – Hachi a Dog´s Tale (Remake – Usa)
Isto está por todo o lado aqui em Portugal, e aposto que também no Brasil.
Quem não encontrar pode comprar na Amazon em Dvd e Blu-Ray.

IMDB – HACHI-KO
http://www.imdb.com/title/tt0093132

IMDB – HACHI a Dog´s Tale (2009)
http://www.imdb.com/title/tt1028532

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FOTOS DOS PROTAGONISTAS REAIS e da Estátua em Tokyo em frente da estação.



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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

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Suwîto rein: Shinigami no seido (Sweet Rain) Masaya Kakei (2008) Japão


Se procurarem reviews deste filme na net, descobrirão que existe alguma tendência de [“Sweet Rain“] ser comparado com o americano “Meet Joe Black” até de uma forma algo depreciativa.
Na minha opinião, apesar de ambos os filmes terem como protagonìsta – a Morte – e terem mais ou menos o mesmo estilo de atmosfera, são no entanto duas obras diferentes e sem grandes pontos de contacto apesar das aparências.
Eu gosto muito dos dois e não tenho dúvida que [“Sweet Rain“] tem também um lugar á parte dentro deste género de cinema sobrenatural pois acima de tudo é um filme oriental com algum charme.

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Algo fúnebre, mas muito ligeiro e poético. Além disso, acima de tudo tem uma coisa que para mim será sempre imprescindível para que este tipo de história  funcione. Ou seja, é um filme filosófico daqueles que nos faz pensar e pelo meio ainda tem um sentido de humor subliminar muito divertido que aparece sempre nos momentos certos e ás vezes inesperados.
[“Sweet Rain“] é também um daqueles filmes ideais para quem tem medo de morrer, ou se calhar para quem perdeu alguém recentemente, pois como já referi contém um argumento filosófico que acaba por colocar algumas questões existenciais e no final deixa-nos com uma sensação de leveza, de confiança numa vida-depois-da-morte e até de felicidade, tudo através de um final particularmente simples mas poético e que resulta em pleno.

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Logo nos primeiros momentos sente-se que o filme irá ser especial. A breve sequência introdutória, embora de desfecho previsível define imediatamente a atmosfera e agarra o espectador fazendo-nos ficar mesmo com vontade de continuar a ver o que irá acontecer a seguir.
E o que acontece é cada vez mais curioso. A maneira como o universo da Morte está retratado é não só muito divertida, como atmosférica e bastante original pois parece que no Além, ser “Morte” deve ser uma espécie de profissão (estilo Terminator mas em versão bonzinho).
Ao contrário do que os humanos pensam, não há apenas uma Morte (neste caso, “um…Morte”), mas vários. Um verdadeiro esquadrão de “Mortes” profissionais que levam o seu trabalho não só muito a sério como até de forma divertida e além de serem absolutamente fascinados por música humana, custam a perceber porque razão as pessoas têm medo de morrer quando o processo é tão simples, natural e tudo não passa de uma continuídade.

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E isto porque ao contrário do que as pessoas pensam, a Morte quando aparece não vem para tirar a vida a ninguém, mas sim para guiar o espírito da pessoa que morre até ao próximo plano de existência. Curiosamente na minha banda desenhada também usei um conceito parecido e por isso lá se vai a minha pseudo abordagem original…Bolas pá.
[“Sweet Rain“] contém outro pormenor fascinante e só é pena não ter sido usado mais ao longo do filme. A “Morte” percorre o nosso mundo com um ajudante que tem a forma de um cão e com o qual tem alguns diálogos divertidos que são dos melhores momentos pela forma criativa como nos são apresentados.
Não lhes dou mais detalhes porque vão gostar de descobri-los e só é pena, na verdade não servirem para muito dentro do próprio argumento do filme pois estas trocas de opiniões pouco mais fazem do que transmitir um par de informações ao personagem principal num determinado momento, o que torna o cão quase num adereço visual quando poderia ter sido um personagem fabuloso.

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[“Sweet Rain“] tinha tudo para ser um daqueles pequenos grandes filmes orientais, mas infelizmente há uma coisa que quase estraga todo o resultado final. Apesar de tentar funcionar como um todo, o argumento está dividido entre trés episódios completamente distintos apenas interligados por se tratarem de missões do personagem principal e pela ligação no destino de alguns personagens.
A primeira parte do filme passa-se em 1985, a segunda em 2006 e a terceira em 2028 e neste aspecto a coisa parece logo de início muito prometedora. O problema é que o argumento parece nunca usar as potencialidades do próprio conceito imaginado. Nunca é dado grande destaque ás particularidades de cada época distinta, a falta de jeito da Morte para conviver com a humanidade uma vezes é evidenciada e explorada noutras parece que não se passa nada, a ligação emocional dos personagens nunca é devidamente desenvolvida e para culminar tudo isto, o segundo segmento do filme parece completamente deslocado do resto do argumento.

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É que subitamente a história entra por uma atmosfera de filme de gangsters Yakuza sem grande interesse (até pela banalidade do que sucede) e só mais tarde nos apercebemos de qual a ligação de um novo personagem ao fio condutor do argumento. Mas quando isso acontece já é tarde, pois o filme já se arrastou por um segmento de meia hora completamente desajustado para com o tom inicial da primeira história que pedia algo mais cativante e que mantivesse o interesse gerado pela muito boa primeira meia hora de [“Sweet Rain“].

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A única coisa que salva este segundo segmento completamente desinteressante e deslocado são os contidos mas hilariantes momentos com as outras Mortes que aparecem nos sitios mais divertidos criando uma justificação para algumas das cenas mais tensas do segundo episódio.
Esta segunda parte, não é no entanto tão má quanto muitas reviews espalhadas pela net a pintam, mas a verdade é que parece não pertencer ao filme que nos cativa nos primeiros trinta minutos iniciais e é pena pois criou-se um buraco artificial nesta história quando ela pedia uma continuidade que nos transportasse até á terceira parte.

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Felizmente que no terceiro acto as coisas voltam a compôr-se e subitamente o personagem – Morte – volta a parecer ser a mesma pessoa de que ficamos a gostar no primeiro segmento. Volta também a atmosfera poética desta vez com um sabor rural que cria um ambiente ainda mais especial e acolhedor que nos prepara para o inevitável e previsivel desfecho da história mas nem por isso menos bonito e positivo.
A terceira parte tem lugar no ano 2028 e conta com uma personagem Cyborg.  Mas mais uma vez também esta não passa apenas de uma peça de cenário quando poderia ter sido usada para acentuar o tom filosófico do argumento mas tal nunca acontece.

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[“Sweet Rain“] é acima de tudo uma grande oportunidade perdida de se ter construido um filme asiático do caraças sobre o quão positivo, natural e até bonito será morrermos.  Este argumento tinha tudo para ser um objecto cinematográfico cheio de filosofia e questões pertinentes e no entanto parece que tudo se escapou por entre os dedos dos seus criadores, seja por um argumento que nunca aproveita os conceitos mesmo imaginativos que contém como pelo filme ter uma natureza episódica que nunca é bem interligada mesmo usando o personagem principal da – Morte – e é mesmo pena que isto tenha acontecido.  Este é uma daquelas obras orientais de que nos apetece mesmo gostar muito, até porque é um filme reconfortante e com um par de momentos bem bonitos e muito positivos sobre um tema que assusta grande parte da humanidade mas aqui é retratado de uma forma bem simples e com uma atmosfera quase mágica em algumas alturas.

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Pior do que um filme sem ideias é um filme oriental cheio de ideias não aproveitadas e [“Sweet Rain“] é um dos mais frustrantes exemplos deste tipo de situação que me apareceu pela frente nos últimos tempos.
E por isso é uma obra estranha. É um filme que acaba e não nos sai da cabeça, mas mais por causa do que poderia ter sido e que a gente gostaria de ter visto do que pelo que realmente vimos. É um filme que projecta na nossa mente uma imagem de algo que não é e no entanto no meu caso, fiquei com vontade de o rever e com a certeza de que este será mais um daqueles pequenos filmes “especiais” que ainda irei ver muitas vezes no futuro.
É um filme asiático estranho em muitos sentidos. Artisticamente anda algures entre o filme comercial e o cinema de autor. Ou se calhar é por ser uma obra Japonesa e isso sente-se. É um filme calmo, muito contido ao expressar emoções e que depende muito de imagens contemplativas silênciosas para produzir empatia com o público que se identificar (e sentir) a sua poesia.

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Tivesse sido um trabalho Sul-Coreano e aposto que o resultado teria sido bem diferente. Uma coisa é certa, a pequena história de amor teria sido desenvolvida na sua plenitude de certeza absoluta. [“Sweet Rain“] por momentos parece que vai entrar por um caminho romântico mas depois tal não se concretiza e é pena. No início ficamos mesmo com vontade de vermos  a – Morte- começar a conhecer o que é ser humano ao principiar apaixonar-se por uma das suas “clientes” mas depois o filme fragmenta-se por completo ao entrar no episódio Yakuza e quando o tema é ligeiramente abordado no final já o espectador perdeu a ligação emocional á história perdendo-se assim mais uma oportunidade no argumento desta obra que nos poderia ter transportado para um final ainda mais emocional.

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De resto, tem uma boa fotografia e um actor principal que encarna uma -Morte- quase perfeita e só não faz melhor porque o próprio argumentista parece não saber bem quem é o personagem e por onde este deverá ir.
Mas não deixem que esta minha apreciação menos entusiasmada os impeça de ver este [“Sweet Rain“].

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CLASSIFICAÇÃO:

Apesar de todo o potencial desperdiçado é ainda assim um filme oriental com momentos muito bonitos e um par de questões filosóficas que proporcionarão boas discussões entre amigos.
Se gostarem de temas sobrenaturais, interessa-vos a temática da vida-depois-da-morte e quiserem ver um filme muito positivo sobre o assunto não vão mais longe.
Se calhar não merece tanto mas não deixa de ser um filme diferente que nos cativa pela atmosfera, por isso quatro tigelas de noodles sem grandes reservas.

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Aliás recomendo mesmo a compra se acham que gostam deste tipo de histórias pois está barato e a edição em dvd tem uma caixa com um dos melhores grafismos que andam no mercado.

A favor: está cheio de ideias imaginativas, os diálogos com o cão introduzem um toque especial no estilo do filme e estão apresentados de uma forma tão simples quanto criativa, o filme tem uma atmosfera mágica em alguns momentos, tem imenso sentido de humor ( e nem sequer é humor negro) contido, o personagem principal é muito bom embora algo esquemático e mal desenvolvido, as outras – Mortes – são muito engraçadas a tentarem disfarçar a sua existência, a primeira e a terceira parte são muito boas e estão cheias de momentos filosóficos e alguma poesia, o final do filme é bonito e muito positivo, é um bom filme para quem tem medo da morte ou perdeu alguém recentemente, tem uma terceira parte reconfortante e mesmo atmosférica. A caixa do dvd tem um design fantástico.
Contra: o segundo segmento de meia hora do filme com a história sobre mafiosos Yakuza é completamente deslocado do resto do argumento e não deveria existir nestes moldes, apesar da história se passar em trés épocas muito distintas o argumento nunca aproveita esse facto para trabalhar os personagens ou criar situações, o potencial para uma história de amor é completamente desperdiçado e como resultado perde-se uma oportunidade de humanização do personagem da -Morte- que poderia ter sido usada para um final ainda mais intenso, o personagem do cão é brilhante na sua simplicidade e mais uma vez o seu potencial é completamente desperdiçado parecendo mais um adereço do que outra coisa a tal ponto que nem sequer entra na parte final do filme, a natureza episódica da própria narrativa acaba por fragmentar muito o filme e há muitas quebras na sua fluidez que ás vezes (especialmente no segundo segmento) nos fazem dispersar a atenção.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=QYuu7np3DXU

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Comprar
Excelente edição de Hong Kong com legendas em inglés.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-15-sweet+rain-70-34xq.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1067086/

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Certamente irão gostar de:

Be With You

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